Pós-Jovem #343 - leo SALEM
Venha pelo riso, fique pela música: Leo Salem viralizou quase que por acaso em um vídeo de humor. Agora, ele nos mostra suas verdadeiras intenções: Promover a vulnerabilidade e a MPB para as novas gerações.
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Trilha: Peartree
- Ser Pós-JovemJornada para se tornar quem você sempre deveria ter sido·Aceitação de quem você realmente é·Alma velha
- Controle vs. Não ControleEngessamento da vida pelo controle excessivo·Importância de escutar o interno·Aceitação da incontrolabilidade humana·Neymar Mato Grosso
- Vulnerabilidade e Criação ArtísticaAto de resistência cantar sobre amor·Amor como pauta esquecida·Desinteresse como estratégia de paquera·Marcelo Camelo
- Música e Identidade ArtísticaProjeto de vida e realização pessoal·Fases de um relacionamento como tema·MPB e Bossa Nova como influências·Los Hermanos
- Humanização e VulnerabilidadeDesumanização do outro pela idealização·Exercício de humanidade ao expor falhas·A importância de se machucar para viver·Autoproteção vs. experiência de vida
- Redes Sociais e JulgamentoJulgamento constante e paranoia·Exposição da vida online·Medo da interpretação alheia
- Polarização e CancelamentoDefinição do outro pela polarização·Medo de discordar e superficialidade·Política de cancelamento·Liberdade de fala vs. senso comum
E aí, pós-jovens, como é que vocês estão? Eu espero que vocês estejam bem, espero que estejam aí dando seus pulos pra estar bem no meio da doideira que a gente tem vivido nesses dias todos. Meu nome é André Felipe de Medeiros e eu quero te dar as boas-vindas ao Pós-Jovem, esse espaço de conversas muito francas, muito sinceras sobre a vida adulta. Toda semana eu tô aqui conversando com alguém super bacana, sobre o que a gente tem pensado, sentido, experimentado, vivido quando a gente ainda é novo, mas já deixou de ser novinho há algum tempo.
E eu vou contar porque o episódio dessa semana, ele é muito legal. Eu vou começar sendo muito franco e falar, é um episódio muito legal. Por quê? Porque Léo Salem é um cara muito legal. E eu vou contar pra vocês a minha relação com o Léo Salem do jeito que eu contei pra ele. Vai fazer um ano que o Léo junto ao seu irmão Rod Salem, um beijo para você Rod, eles lançaram um vídeo do Kunaré Jacarandá no Instagram que foi super viral naquela semana.
Eu compartilhei assim que eu vi porque, como é que eu posso dizer isso, a gente tá assim alinhadinho nas ideias, né? É um vídeo que faz graça, que propõe o riso, mas também propõe ali uma posição crítica quanto a músicos que trabalham dentro da produção brasileira de um jeito assim bastante pedante, né? É um recorte, a gente, você sabe do que eu tô falando, é um recorte ali de uma geografia social assim muito específica, né? De músicos que estão ali do alto de seus privilégios, como é que eu posso dizer, brincando de ser popular, não sei, mas sendo incrivelmente pedante no meio do processo.
Quem me conhece sabe que minha vibe não é exatamente essa, né? Então assim, quando eu vi o vídeo, eu ri muito e compartilhei. Quando eu fui conversar com o Léo, eu falei isso para ele. Eu falei, Léo, que engraçado ter te conhecido, você que é músico, te conheci por um vídeo que me fez rir e tinha música, mas não foi um vídeo de humor, e pude ter a surpresa então de saber que você é de fato músico e tem suas músicas. Ele deu risada e falou, olha, eu escuto isso bastante, é sempre assim, com todo mundo tem sido assim.
Mas é isso, a gente tá nesse momento Então dá a chave de virada. Vamos conhecer Léo Salem não por um vídeo que nos fez rir apenas, mas também pelo seu trampo musical. E ele já lançou o primeiro single que saiu entre essa conversa. A gente gravou faz algumas semanas, né? Então o primeiro single chamado Si, que eu adorei, é muito massa, é muito bonita a música, saiu, já tá no mundo. A gente já pode conhecer um pouquinho da proposta dele artística também.
Se você já escutou a música, vai escutar o papo com o Leo agora e sacar melhor ainda o que ele tá querendo fazer. E se você ainda não escutou, eu te encorajo a dar uma ouvida assim que terminar esse papo aqui do Pós-Jovem. Você vai gostar, cara, é bom de verdade. E assim, na real, você vai escutar essa conversa com o Leo, você vai falar assim: quero, quero escutar o disco dele, eu quero escutar ele comentando o jogo da Copa, eu quero escutar ele falando o cardápio do boteco em voz alta, porque ele é muito legal.
O que ele tá falando, que ele tá colocando no mundo, é demais. Então esse episódio aqui é muito sucesso. E vou dizer, eu vou dizer, pode me chamar do que você quiser, escolhe a palavra, manda para cá e eu aceito. O Pós-Jovem costuma ser assim, tá? Assim, são pessoas de fato muito incríveis que a gente pode ter esse acesso ao que elas estão pensando, sentindo, e perspectivas sobre a vida. Então eu te encorajo a dar uma olhada em quem mais já passou por aqui.
Se é a tua primeira vez, já segue o Pós-Jovem na plataforma em que você escuta podcast, porque toda semana tem pelo menos um papo. Fica aqui um suspense, uma dica, joguei um verde. Toda semana tem pelo menos um papo bem legal aqui no Pós-Jovem para você acompanhar. É um podcast para gente interessada em gente interessante, e papo bom nunca falta. Eu te convido também a seguir o Pós-Jovem no @pósjovem no Instagram e do Blue Sky.
O Pós-Jovem tem uma newsletter no Substack que sai de 2 em 2 semanas e tem link para tudo isso na descrição aqui desse episódio. Você vai escutar agora o papo com o Léo Salem e já já eu volto porque eu tenho o que comentar sobre o que a gente conversou. Léo, diz aí para a gente, Gente, para você, o que que é ser pós-jovem?
André, para mim, ser pós-jovem é aquele momento que você começa a jornada para se tornar quem você sempre deveria ter sido. Eu tava, olha, eu tava olhando um pouco das entrevistas de vocês assim, olhando um pouco das respostas, e me veio um pouco esse tópico assim de, eu acho que quando a gente é jovem, a gente liga tanto para o que os outros pensam, para o julgamento alheio, Puta, eu às vezes quero ser de tal maneira, quero me comportar de tal forma.
E eu acho que ser pós-jovem é justamente isso, é começar a aceitar quem você realmente é e seguir nesse caminho até você encontrar essa pessoa, sabe?
Sei super, sei exatamente o que você tá falando. Me conta uma coisa, você tem quantos anos?
Eu tenho 27.
27. Você acabou de descrever a jornada do Self do Jung que acontece aos 40 anos.
Pô, legal, né? Mas assim, eu de certa forma eu sempre fui um cara que sempre— exato, de alma velha, sabe? Nasci com a alma muito velha, então eu sempre tentei, e principalmente recentemente eu passei por muito, muitas vezes por essa situação assim, sabe? Eu venho de uma de uma situação assim em casa. Meus pais sempre apoiaram muito eu e meus irmãos a nos tornarmos artistas, mas demorou muito para mim, eu meio que aceitar esse processo, sabe?
Entender qual que era o meu propósito, tudo. Então eu sempre fui um cara muito controlador assim, sempre quis controlar, saber como seria daqui um ano, se eu teria dinheiro guardado por tanto tempo para eu me sentir confortável. E eu vi que, cara, quanto mais a gente tenta controlar as coisas, mais engessada a vida fica, sabe? Então, como eu era muito assim, a minha vida começou a ir para um lado que talvez eu nunca queria que ela fosse.
E com o tempo eu fui entendendo assim a importância da gente também escutar muito o nosso interno, sabe? Essa coisa de disso, de você parar. Ai, que que vão achar se eu me tornar um artista? Que que vão falar se isso, se aquilo? E, cara, eu acho que a gente tem cada vez mais procurar quem a gente quer ser, quem a gente sonha em ser. E isso começa no hoje, né? Para você se tornar a pessoa que você quer ser, você tem que começar a meio que ensaiar ser quem ela é hoje, entendeu?
Então Perfeito. Posso acrescentar outra ideia?
Claro, lógico.
Talvez não seja ser quem eu sou hoje, talvez não seja. Eu concordo contigo na postura, na intenção. A partir de hoje, portanto, eu serei. A partir de hoje eu permito ser, me permito ser quem? Quem eu sempre fui. Exato, sabe?
Exato.
Eu tava sábado agora, eu tava com amigos na casa deles, eles têm um bebê de 1 ano e 3, 4. Por aí, um ano e pouco. E a gente teve, e essa conversa surgiu assim, teve uma hora que a gente tava falando, essa época aparecer mais a mãe, aparecer mais o pai e tal, não sei o quê. E o amigo, o pai dele virou e falou, gente, já tá pronto, ele já é quem ele é, né? Assim, agora a gente só vai contornando em volta, porque ele já é quem ele é, acabou.
E eu penso que é isso, né? Você nasce com uma configuração de fábrica. E aí a grande questão da psicologia, da filosofia, até todo mundo entra nessa discussão, que é: mas o quanto é você, você, e o quanto você é moldado pelo seu entorno?
Exatamente isso que eu ia te perguntar, assim, até que ponto, quando a gente acredita também, ah, essa pessoa veio assim de fábrica, até que ponto você também tá quase que determinando o que que aquela pessoa tem que ser e não que ela pode se transformar ao longo do caminho? Eu acho que sim, a gente vem, a gente nasce com meio, né, com configurações de fábrica, mas elas podem ser mudadas com o tempo. Eu acho que esse é o legal do processo, é você tá aberto a também aprender, a tentar novas experiências e às vezes se apaixonar ao longo do caminho com novas coisas.
Porque senão a gente tá quase determinando assim, ah, puta, essa pessoa é assim de fábrica, ela é de tal jeito, de tal forma. A gente tá quase pressupondo que é aquilo, né, que aquela pessoa vai ser pro resto da vida. Quantas pessoas nasceram de um jeito e acabam a vida às vezes fazendo coisas completamente diferentes, aprendendo com as experiências e vira do avesso, entendeu? Então eu acho que isso é a coisa mais legal. A gente talvez chegue aqui com uma configuraçãozinha de fábrica, mas o mais legal do mundo é poder mudar elas, eu acho, sabe?
Sim, mas eu acho que a tua própria fala respondeu. A tua própria fala me deu as palavras para eu te responder outro ponto de vista, outra perspectiva, que é: será que nós não estamos determinando que aquela pessoa já veio assim também com a configuração de fábrica? Tá no olhar do outro isso. E a gente tá falando de uma jornada de autodescoberta, né, da pessoa virar e falar, a pessoa, você e eu. A gente vai falar assim, eita, pera aí, cheguei até aqui, mas eu lembro, eu consigo acessar minha memória de ter me moldado ao olhar do outro, consigo acessar agora com ferramenta terapêutica, com a maturidade, com tudo isso, né?
Eu consigo então entender que eu passei por esse processo da minha configuração ser alterada com plugin que instalaram.
Total. E André, é muito louco isso porque a gente fala, né, o julgamento das pessoas e tal, mas ainda mais hoje em dia, né, com as redes sociais, com toda essa coisa de você ser visto o tempo inteiro, de você ter a sua vida quase que exposta para todo mundo, você tem que ligar, você tem que lidar com julgamento 24 horas por dia, entendeu? Isso acaba, né, pode até se tornar uma certa paranoia assim, de tipo, puta, mais uma vez, antigamente sem a internet, né, Ah, eu quero fazer tal coisa.
Tudo bem, talvez 15 pessoas que não são tão próximas de você ficariam sabendo disso. Hoje o seu ciclo, os amigos dos seus amigos ficam sabendo, e assim vai, sabe? Então isso, por uma coisa, claro, tem um lado bom, mas também tem um lado ruim, né, nesse sentido. O lado bom é que, pô, hoje para você se tornar artista e tentar fazer com que o seu trabalho chegue nas pessoas talvez seja mais simples do que antigamente, mas para o ruim também, né?
Às vezes, nossa, as pessoas julgarem algo espalha também, né? Então é muito louco assim. Eu acho que é mais uma vez o que você falou, tem que sempre ter a ver com nós mesmos, é uma autodescoberta o tempo inteiro, mas a gente sempre tá tá esperando um pouco de plateia, sabe? Eu acredito, isso não tem como fugir nos dias de hoje, infelizmente, cara.
Entendo. Mas essa aba que você abriu é muito maravilhosa, Léo, porque se a gente tá falando justamente disso, né, deixa eu me guiar pelos meus próprios parâmetros de mim, né, deixa eu agir de acordo como eu me enxergo também, deixa eu me livrar mais do olhar do outro. Quem é esse outro? Uma conversa já apareceu aqui no podcast algumas vezes, né? Afinal, quem conhece esse outro. E quando você tá falando da tua vida sendo exposta, antes 15 pessoas não tinha, só o seu círculo próximo, aí umas outras 15 pessoas ficavam sabendo.
Agora esse outro que tá me olhando, pela frequência com que vê a minha casa, frequência com que vê eu com pouca roupa, sei lá, se sente íntimo e se sente até proprietário. Para eu falar: mas, Léo, você não é assim, Léo, você é outra coisa. Então, se antes a gente ia lidar com um outro mais próximo, um outro cujo nome eu sei, sabe, que é, não sei, tua avó, que é o teu chefe, que é o professor, que sabe, essas pessoas que acabam tendo uma influência na gente, agora essa frase dizendo quem você é ou não é vem de alguém que você conhece por um arroba, se conhece, né?
E muitas vezes não é nem aquelas pessoas que comentam nas coisas, mas às vezes sai até de você, tipo, ai, será que as pessoas vão falar sobre isso? Será que as pessoas vão? As nossas inseguranças também jogam contra a gente. Às vezes as pessoas nem tão, né? Às vezes chega para as pessoas, elas interpretam de outra forma, mas o medo das pessoas interpretarem da forma como você acha que elas podem interpretar pode te travar também, sabe, de fazer coisas novas.
Então Vou falar de uma experiência particular, por exemplo, que a gente tava conversando, cara. Eu, a primeira vez que eu apareci de fato na internet foi com aquele vídeo com meu irmão, Tucunaré, que foi uma música de brincadeira que a gente lançou, tal. E eu sempre fui da vertente da música, eu nunca fui comediante, entendeu? Meu irmão, em contrapartida, é comediante, tal. Essa é a função dele. E eu, por muito tempo, também fiquei me questionando assim, cara, quando lançar o meu projeto Será que as pessoas vão virar e falar: não, você tem que ser aquilo, entendeu?
Então, por isso que eu falo, às vezes também é uma questão de parte interna. Às vezes a gente fica com medo das pessoas acharem uma coisa e finge essa, e fica com medo às vezes de lançar um projeto, fica com medo de tomar um próximo passo. Então é muito louca essa história.
Muito louca essa história. Como é que foi dar esse passo de coragem então? Vou chamar de coragem, ousadia, como é que você quer chamar?
Assim, foi um processo muito natural, tá, André? Porque o meu irmão, primeiro, se não fosse por ele, talvez eu nunca estaria agora com a minha carreira artística também na música, porque o meu irmão sempre foi muito resiliente em relação a viver de arte, sabe? Ele era aquele cara que, cara, mesmo sem ter resultado nada, ia lá e continuava. As pessoas falando para ele, tipo, puta, pô, procura um emprego, faz alguma coisa diferente.
E não, ele tinha resiliência até começar a ver um resultado e as coisas acontecerem para ele assim. E no começo, como quando era eu e ele assim fazendo os vídeos, eu era quase que o braço direito dele nesse sentido. Eu que ia gravar, eu que tinha as ideias com ele, a gente pensava nos roteiros, tudo. Isso pela primeira vez foi a situação que me reaproximou da arte. Como eu te disse no início da entrevista, eu tava muito distante desse mundo, porque por ser muito controlador, eu queria ter uma vida já que fosse controlada, que eu conseguisse fazer os planos.
Que eu conseguisse juntar um dinheiro, isso e aquilo. Então eu tava muito escasso da arte na minha vida, sabe? Foi a primeira, foi a primeira situação que eu pude me reaproximar disso, de ter um tempo com meu irmão. E a gente desenvolveu uma ideia, a gente dá risada um filmando o outro, e isso começou a tomar uma proporção maior, entendeu? No começo era só a gente, aí depois a família e os amigos começavam a comentar nos posts.
E aí foi gerando um resultado cada vez maior. E foi engraçado porque até então, até eu começar o meu projeto, eu tava totalmente na parte de backstage assim, sabe? Eu tava por trás das câmeras, tudo. Aí com o tempo eu comecei também a acreditar que era possível, comecei a gravar as minhas músicas totalmente assim, informalmente, assim, sabe, meio family and friends, assim, sabe, para os meus amigos escutarem e tal. Nisso a gente fez um vídeo, a gente tava aqui na minha casa um dia sem pretensão nenhuma, sem ideia nenhuma.
Ah, vamos fazer isso, vamos brincar com aquilo e tal. Gravamos o vídeo de Tucunaré Jacarendá, que é a música que a gente lançou de brincadeira, Cara, assim, nas primeiras horas tava com 300 mil visualizações. Isso foi, compartilhei, exato. Isso foi uma bola, virou uma bola de neve e tal. Mas assim, totalmente despretensioso, André. Não tinha, não tinha, a gente não tava pensando em viralizar. Foi a gente fazendo uma brincadeira aqui num dia que a gente tava sem ideia nenhuma e teve o resultado que teve, entendeu?
Isso Graças a Deus trouxe pessoas para o meu perfil também, né? Porque como eu tava junto no vídeo, foi um dos primeiros vídeos que eu apareci de fato, trouxe pessoas para o meu perfil e trouxe a oportunidade também de eu comunicar com mais pessoas que não fossem só o mundo dos meus amigos e da minha família em relação à minha música também, sabe? E eu acho que eu até hoje a gente não entende assim o porquê que tomou essa proporção, mas O que eu acho legal é que a gente conseguiu misturar os dois mundos no mesmo vídeo, sabe?
Eu entrei com a parte musical e o meu irmão entrou com a parte da comédia. Eu acho que isso é um pouco escasso hoje na comédia, sabe? Você ter música aí e tudo mais. Então foi uma oportunidade de nós dois mostrarmos nossos talentos, sabe? Isso que eu achei mais legal assim do vídeo.
Sim, interessantíssimo isso, cara. Eu acho muito Voltando à questão do controle, do não controle assim das coisas, né? Você fez o vídeo despretensioso, você não tem como controlar, aquilo toma uma proporção muito grande. A gente vê tanta gente querendo a todo custo viralizar diariamente, né? E aí isso também, o meu gosto no fim das contas, ele tem um quê de incontrolável. Você não vai conseguir me conquistar tão fácil assim, perfeito, conseguindo uma fórmula, né?
Talvez eu goste, talvez eu não goste, talvez seja bom, talvez não seja bom, e por aí vai. E acho que quando você aceita então algo que tá fora da sua zona de conforto, vou fazer o vídeo de humor assim, você abre mão da tua ideia de controle. Me vem uma outra coisa na cabeça, cara, que é outro argumento contra o querer controlar tudo, e tem a ver com agora a tua resposta lá atrás também, que é entender que eu também sou incontrolável, sabe?
Eu não tenho todo o controle sobre o que eu quero ou sobre como eu vou acordar amanhã. Talvez eu acorde amanhã querendo outras coisas, talvez eu acorde amanhã com outra certeza, entendeu?
Não, assim, eu vi, eu vi uma entrevista do Neymar Mato Grosso esses dias que ele falou assim, cara, eu sempre tive muita, eu sempre fui muito tímido, então eu sempre tive muita dificuldade de lidar com a mídia, né, de lidar com uma coisa os entrevistadores e tal. E ele falou uma coisa que é muito bonita assim, ele falou assim, cara, a partir daquele momento que eu tinha que começar a dar entrevista para as pessoas, eu prometi para mim mesmo que eu ia ser o mais verdadeiro possível, que eu não ia tentar maquiar nada.
Porque, cara, pode ser que a gente, que eu fale hoje uma coisa que eu acredite, mas que amanhã não acredite mais. Mas tudo bem, eu era aquela pessoa, aquele momento, e tá tudo certo. A gente nunca vai conseguir controlar o que as pessoas vão interpretar das nossas falas, entendeu? Então é isso que você falou, né, que a gente é incontrolável. Puta, eu apareci lá no vídeo numa persona, né, numa persona totalmente diferente do que eu sou como pessoa.
Sim, mas cara, aí se eu ficar também muito, ai, mas será que as pessoas vão achar que eu sou aquilo? Será que as pessoas vão interpretar isso? Cara, eu acho que quanto menos a gente pensar nesse tipo de coisa, quanto menos a gente pensar nesse controle também do que as pessoas vão achar sobre a gente, mais leve a vida vai ser, sabe?
Sei super. E eu trago aqui um meme que eu mencionei recentemente aqui no Pau Jovem. Com quem? Pedro Emílio, Brian Bear, algum queridão desses. Que é isso, né? O meme que dizia: vocês aí preocupado com o que as pessoas pensam, as pessoas nem pensam.
É verdade, sabe?
As pessoas não estão aí com o raciocínio tão bom assim também de olhar e falar, mas talvez o Léo esteja entrando em contradição com aquilo que ele disse aquela vez, com o intuito de— não, a pessoa tá ali, cara, só tá ali presente. Às vezes deu um curtir e passou para o próximo vídeo.
Isso é muito interessante o que você falou, e isso me dá muita esperança também, sabia? Porque também é uma oportunidade das pessoas poderem se transformar ao longo do tempo. Por exemplo, os artistas, sei lá, você pega, vou dar um exemplo completamente geral assim, mas você pega uma Luísa Sonza da vida, ela no começo da carreira era uma persona, ela agora é uma persona completamente diferente. E eu acho que, mais uma vez, o que você acabou de falar do público não pensar muito, isso permite com que o artista também possa se levar um pouco menos a sério.
Entendeu? Porque aquela pessoa que se leva tão a sério, ela se engessa. Talvez se eu me elevasse tão a sério naquele momento daqui, a gente fez o vídeo, teria o resultado, o resultado que eu tive pós, entendeu? De tipo, ai, mas que que os pais dos meus amigos vão achar? Vão me achar um louco? Será que eles vão achar que é sério aquilo? E é isso, cara.
Mas tem uma questão, é, mas tem uma questão aí que é semiótica para mim assim, que é quando eu vejo aquele vídeo, eu adoro que você ri, sabe? Eu adoro que você ri, porque é isso aí, você acabou de falar. Eu não sabia, eu não conhecia teu irmão também quando eu vi o vídeo que você fez. Eu não sabia que teu irmão era comediante, você era músico e tinha uma separação aí. Até porque você tá fazendo humor, ele tá cantando. Então assim, tá bom, eu entendi esse combo, mas você dando risada, você corta porque você tá rindo, isso é maravilhoso.
Isso me comunica muita coisa, sabe? Isso me situa nessa despretensão que você trouxe, mas também nessa autenticidade. Está dando risada, cara. Existe algo, são as duas coisas, né, mais genuínas do ser humano que você não vai conseguir segurar, é o riso e o susto.
Mas exatamente, mas se você me assustar, eu vou. É muito louco, André, porque É muito importante, eu acho, o que a gente tá falando, justamente porque hoje a gente vive num Brasil totalmente polarizado. As pessoas sempre querem definir o que você é, sabe? Então, tipo, o vídeo que foi totalmente despretensioso, a gente brincando aqui, já começaram a envolver política no meio, envolver, sabe? É aquela coisa que você fala assim, cara, As pessoas estão ficando loucas, doidíssimas.
As pessoas não pensam. E aí tem ambiguidade nisso também, né?
As pessoas não pensam, cara, porque você fala assim, cara, aí outro dia eu vi um cara postando no Twitter, tipo assim, não, na verdade eles isso, isso, sabe? Com teorias, quase teorias de conspiração assim, sabe? E eu acho isso muito louco, porque mais uma vez tira espaço dessa coisa despretensiosa das pessoas. É o que a gente tava falando, quando você tá fazendo uma coisa por fazer, acaba que podem sair as melhores coisas da vida assim, sabe?
E quando você tá vivendo na sociedade como a gente tá, isso deixa de existir um pouco, porque a pessoa fica sempre com medo, fica sempre com medo de Ai, será que vai parecer isso? Será que vai parecer aquilo? Então é algo que eu acho que a gente tem que discutir cada vez mais, sabe? Falta espaço para discussão hoje. Você, eu não concordo com o que você pensa, você vai ser, você, eu não vou mais conviver com você, entendeu? É meio que isso hoje em dia, o comportamento das pessoas.
E eu penso o contrário, eu acho que falta um pouco as pessoas voltarem a conversar um pouco mais, a entender o olhar do próximo um pouco. E tudo bem não concordar, né?
Tudo bem, é natural, a experiência humana, sabe? E eu tenho para mim, Léo, eu tô concordando 100% contigo e vou falar de discordância, mas eu tô concordando 100% contigo. Eu entendo que um efeito que tem nas relações humanas isso também, e aí relações humanas, relações sociais no geral assim, tem a ver com a gente conversar nós dois, mas tem a ver com como a gente conversa enquanto sociedade também, que é, já que a gente entendeu o tamanho do desconforto da discordância, porque, amigo, se eu discordar de você, eu tô cancelado, né?
Um dos dois vai ser cancelado daqui. É um risco muito grande que a gente corre. Então a gente vai optar pelo superficial, porque no superficial A gente vai jogar pelas regras já combinadas.
Mas aí é o lugar morno, né? Aí é horrível.
Eu não sei habitar esse lugar.
Eu também não sei. Eu também não sei. E assim, é mais uma vez, cara, às vezes essa política de cancelamento pode engessar todo mundo, mas eu acho que quanto mais agentes a mídia tiver que estão dispostos a falar o que pensam. Não, claro, não que nem tem coisas que já invadem o senso comum sobre as coisas, sabe? Tipo, às vezes você falar uma coisa completamente absurda e você achar que você deve ser ouvido porque você tem liberdade de fala.
Não, mas claro, você é apenas um babaca nesse caso.
Exato, exato. Existe, é uma linha tênue Mas é uma, a gente tem que procurar também não se colocar nesse lugar morno da conversa de você, ai, eu sei lá, para eu conviver dentro desse ambiente eu preciso achar a mesma coisa que essas pessoas acham, que essas pessoas acreditam, eu preciso disso. E aí mais uma vez você vai entrando naquele lugarzinho que certa forma pode ser confortável, que você nunca vai ser julgado, Mas ao mesmo tempo não é verdadeiro, né?
Falando nisso, nenhuma democracia se construiu sem discordância. Falando nisso, boa arte não é produzida com todo mundo concordando no lugar morno, sabe? Que literatura excelente nasceu do lugar morno? Que poesia maravilhosa nasceu do: não, eu vou só tentar agradar todo mundo aqui.
E até você falando, você falando sobre isso, né, da criação Você precisa estar vulnerável para você criar. Você precisa estar num lugar de vulnerabilidade, senão isso não vai tocar o próximo. Precisa haver identificação, e a identificação muitas vezes ela é feita por meio da vulnerabilidade, você se abrir para o próximo. E isso em relação a tudo, né? Eu fiz um vídeo esses dias falando sobre esse termo da pista tá salgada, né, que geral todo mundo fala, né, puta, hoje para os solteiros a pista tá salgada.
E isso é um lugar muito— você falar isso é quase você tirar o corpo, né, da situação assim. Você quase tipo assim, tá, a pista tá salgada não é porque não tem gente legal mais no mundo, não é isso, mas é porque mais uma vez as pessoas deixaram de se mostrar vulneráveis. Hoje tá todo mundo bem, hoje ninguém precisa de ninguém. Hoje você olha na rede social da outra pessoa que você tá, hoje, meu, até nos joguinhos de paquera assim, você tem que demorar para responder a pessoa, senão você também não sabe paquerar, sabe? Paquerar, puta termo sem noção, mas você entende o que eu tô falando?
Entendi super.
Então é muito legal a gente falar sobre isso assim. E eu acho cada vez mais importante esse assunto ser tocado, sobre a vulnerabilidade.
Eu também acho, porque eu acho que a gente reaprendendo a ser gente, sabe? Isso, mano, vamos ter que reaprender a ser humano, cara, porque é ser vulnerável mesmo. É isso. Eu adoro quando eu vejo alguém, e costuma ser alguma pessoa, vou falar de uma maneira bem genérica, né, mas assim, eu acho que é uma pessoa que ganhou uma influência que não gostaria de ter às vezes. Sabe, ganhou uma exposição maior do que a que gostaria de ter.
E aí a pessoa começa propositalmente, quase um projeto artístico isso, né, a falar, meu, olha meu dente sujo nessa foto, olha que nasceu um pelo na minha orelha. Começa a colocar, já não é vulnerabilidade apenas, é quase que um exercício de humanidade de falar, me enxerga como gente, por favor. Porque eu não sou essa ideia.
Exato. Mas é muito louco, porque eu tava até conversando com a minha namorada sobre isso. Às vezes a gente cria, quando a gente, quando existe distanciamento, né, por exemplo, a pessoa ganhou relevância, às vezes a gente imagina que aquela pessoa é uma coisa que talvez ela nunca vai conseguir ser, porque a gente coloca essa, né, a gente idealiza tanto que mais uma vez essa pessoa deixa de ser uma pessoa normal, né?
A gente acha que desumaniza o outro sempre também.
É sempre, a gente acha que a pessoa que tem relevância, né, essas pessoas tipo, sei lá, que nem eu acabei de falar, o Ney Mato Grosso, porra, eu olho para ele quase, né, de uma forma mística assim. Só que, cara, ele acorda, ele também toma o café dele, vai no banheiro, faz, sabe, tipo, eu acho que É tão legal a gente também ver esse lado humano do artista. Então não sei, é algo que eu de certa forma tento cada vez mais aplicar para os meus ídolos, assim, para as pessoas que eu admiro muito.
Eu olho, eu falo assim, cara, eu não quero também colocar num lugar de idealizar tanto, porque mais uma vez, imagina quanto de cobrança essa pessoa não deve ter para tentar se encaixar no que as pessoas acham que ela deve ser, sabe? Então, muito legal.
Mas já passou vergonha com gente que você gostava muito e fez na hora de dar oi, cara?
Mas você disse que eu admirar muito, de admirar muito e ficar nervoso, cara. Eu vou te falar assim, eu nunca fui a pessoa que era super fã, sabe? Eu sempre admirei, eu sempre admirei muito o trabalho das pessoas. Assim, eu brinco, né, com os meus amigos, acho que se tivesse uma pessoa que talvez eu tremeria muito a perna na hora de conhecer, talvez seja o Paul McCartney, porque eu sou assim muito fã de Beatles, sou muito fã do Paul, mas eu nunca fui, eu nunca entendi muito essa coisa da idolatria de de eu viver quase que pela vida de outra pessoa, sabe?
Então eu nunca, eu nunca fiquei assim tão nervoso. Fico muito feliz na hora de conhecer, né, alguém que eu admiro, mas assim, é muito mais no lugar de felicidade do que no lugar de nervosismo, de você travar, sabe? E falar, ai, meu Deus, eu não sei, sabe? Eu nunca tive uma experiência dessa assim. Talvez eu teria nessa situação que eu tô te falando, do povo, que é uma coisa tão distante assim, é quase um deus da música assim, sabe? Aí talvez eu ficaria bem mexido, entendo.
E alguém com uma prática, uma experiência, ele tá com essa situação assim que mais ninguém no mundo tem, né? O cara tá aí há 60 anos lidando com gente falando assim com ele.
Você imagina? Você imagina? Não, eu não imagino, eu não consigo, cara. Deve ser, deve ser uma coisa Muito, ainda mais por 60 anos. E eu fico me questionando até, imagina a pessoa que, cara, nunca teve oportunidade de ser uma pessoa normal. Que você pega o— por isso que muita gente nesse meio do caminho vai ficando um pouco maluca. Pega, sei lá, o Justin Bieber, o cara estourou com o quê? Com 14, 15 anos, que ele nunca teve oportunidade de ter uma vida, de ser— às vezes é bom ser ninguém, né?
Às vezes é bom, eu adoro, às vezes é bom ser, cara, não ser observado, você fazer as coisas do jeito que você quer. Isso deve ser muito louco assim, você sair, você sair de casa, você sei lá, o seu porteiro meio que olhar para você e falar, para onde ele tá indo? Ele tá chegando com essas pessoas? Aí você vai na, sabe, na vida real assim, aí você vai no supermercado Sala de espera do médico, pô, todo mundo tem que ir no médico, né?
Todo mundo tem que ir.
Então é muito, eu acho isso muito bizarro assim. E eu acho que assim, as redes sociais, isso é um lado de certa forma bom, que as redes sociais de certa forma, esse tipo de pessoa tenta se humanizar um pouco, né? Então você vai lá, você consegue ver o que que o Justin Bieber come de café da manhã. Isso é uma forma de tentar humanizar um pouco a pessoa. Porque se você olha só, imagina se você olhar o rosto daquela pessoa que nem era na época dos Beatles, por exemplo.
Você olhava na capa do disco, você olhava quando você ia no show. Aí era aquela coisa mística de você ficar olhando, falando assim, cara, será que isso existe mesmo, né? Porque agora, se hoje você vê, é isso, você vê o que o Paul, para onde ele vai viajar nas férias, entendeu? Tipo com quem ele anda. Então isso humaniza um pouco.
É, se alguém quiser escutar mais sobre essa situação de humanização que a gente tá falando, escuta o episódio com Júnior, esse Sandy Júnior aqui do Pó Jovem, que é bem legal. Mas olha só, Léo, vamos falar mais diretamente do que tá para vir das músicas, porque eu tô curiosaço. Não escutei nada ainda, eu tô aqui vindo pelo.
Conta para mim, cara. Na verdade, ninguém escutou ainda, é, a gente tá há 2 dias.
Não era charme meu, não tava jogando uma indireta de você não gosta de mim, nem mandou a música. Eu tô ligado, eu só tô contando que eu escutei.
André, eu tô assim, os meus amigos me perguntam, né, você tá ansioso? Você tá, como é que você tá se sentindo e tal? Cara, eu respondo assim, eu tô feliz, eu tô feliz porque, porque é um projeto de uma vida, sabe? O primeiro disco de um cantor Ele é um disco que eu tô, eu tô fazendo esse disco para mim do presente, para o Léo criança que sempre sonhou em fazer isso, para o Léo adolescente, não é? E cara, eu fico tão feliz de estar podendo realizar isso.
Eu chego a um ponto que eu nem tô ansioso, eu quero mais é que vá para o mundo mesmo, sabe? Eu tô assim, tô naquela fase de de comemorar as pequenas glórias, sabe? Eu acho que é isso. A gente sempre fica esperando, ai, quando eu fizer, pô, tô lançando minha primeira música agora quarta-feira, aí dia 25 sai a segunda.
Explicando um pouco também, só para você tá gravando no passado, esse episódio sai no futuro, é assim.
Então eu vou lançar a primeira música agora quarta-feira, dia 5. E a gente vai fazer o lançamento de 3 singles para depois o álbum sair depois do terceiro single, com 5 músicas inéditas. Então são 8 músicas no total. E eu acho que o tema principal desse álbum, André, são as fases de um relacionamento. Então é um álbum totalmente romântico, é um álbum que fala sobre a história de um relacionamento. E eu acho que a minha maior intenção Primeiro que desde criança eu aprendi a compor estando apaixonado por outras pessoas, entendeu?
Então eu acho que saiu daí como eu comecei a compor. É meio que tá admirando alguém e lá e escrever para tirar isso de dentro de mim. Só que eu também tenho a intenção, André, Que eu acho que o amor deixou, quase deixou de ser pauta, principalmente para as novas gerações, sabe?
Perfeito.
Hoje você amar alguém virou meio que cafona, sabe? Sim. E eu acho que você não pode ser vulnerável. Exato, exato. E assim, André, eu quero ser agente dessa causa, sabe? Eu quero trazer o amor de volta pra conversa, assim. Tem pouquíssimos agentes que trazem isso hoje em dia, sabe? A gente conta nos dedos as pessoas que voltam a se mostrar nesse lugar de, porra, eu senti, eu tô sofrendo por outra pessoa, sabe? Tipo, e não tem nada de errado com isso.
Hoje a gente vê os adolescentes, as pessoas, né, as crianças até, em contato com o TikTok. Claro, nem falando mal de gênero nenhum, mas assim, é sempre naquele lugar de tipo assim, de não ser vulnerável, de não falar que ama. É meio que quase que, desculpa o termo, mas é tudo meio que assim: eu sou da putaria, eu não quero nada com ninguém, eu sou mais eu. E eu acho que eu quero ser um agente principalmente para as novas gerações Para mostrar que, cara, não tem nada de errado em você amar e se mostrar vulnerável para outra pessoa, né?
Em voltar a falar do amor, voltar a falar do amor. Hoje o mundo tá muito, é o que a gente falou, tá tudo tão polarizado, tá tudo tão pesado, né? A gente abre um canal de notícias, a gente lê alguma coisa, tá tudo tão, a gente olha, a gente fala, que mundo é esse que a gente tá vivendo? E eu acho que a minha música, ela vem com a intenção, claro, a gente nunca sabe se a gente consegue, mas ela vem com a intenção da pessoa meio que olhar e falar assim, cara, ainda existe amor, ainda existe essa admiração, ainda existe uma pessoa se declarar para outra, amar, ser gentil, você ser gentil com o próximo, pô.
Às vezes eu tava conversando com meu irmão, eu tenho 3 irmãos, né? Tava conversando com meu irmão mais novo, ele tem 19 anos, e ele falou para mim, falou, Léo, cara, hoje para eu sair com uma menina eu tenho quase que mostrar desinteresse. Isso é muito louco, isso é muito louco para mim, porque a pessoa que não mostra desinteresse é aquela emocionada, é aquela, é aquela que tá desesperado.
Virou algo negativo. Como assim?
Exato, exato, exato, exato. Então é assim, para resumir um pouco a proposta, falando até um pouco da musicalidade, eu trago um pouco da bossa nova, né, MPB, bossa nova. Ao mesmo tempo eu tenho uma influência muito forte de Los Hermanos. Eu sempre amei a forma do Marcelo Camelo compor, Eu tenho assim, eu cresci ouvindo Los Hermanos, então eu gosto muito da forma como eles lidam com tópicos cotidianos assim, sabe? Você falar sobre coisas cotidianas da sua forma, com a sua linguagem.
Então eu pego todas essas referências que eu tive crescendo e tento aplicar na minha música, só que tentando o máximo possível criar uma nova identidade para tudo isso, né? De forma até mais contemporânea, que comunique também para os jovens. Eu tenho muitos amigos meus, por exemplo, que são pós-jovens também, que consomem muito a música, tipo a bossa nova, assim, sabe? E é muito louco porque eu sinto hoje que o MPB, a bossa nova, virou um gênero que quase que saiu do lugar do pop, sabe?
Tipo, deixou de ser pop. Tipo, a música popular brasileira, ela é nichada hoje em dia. Então eu tento, claro, eu tento ao máximo trazer o amor como tópico dessa conversa do álbum, justamente para tentar também impactar mais pessoas. Que às vezes, não sei, às vezes eu tenho a sensação, principalmente na MPB, que é algo tão rebuscado que pode ser que talvez não comunique com pessoas que não tiveram muito acesso à informação, ao geralzão assim.
Então Eu acho que a minha linguagem, ela é uma linguagem de certa forma fácil de consumir e que traga um tópico talvez que para o momento eu enxergue como importante, sabe, da gente falar sobre o amor. Então é basicamente isso.
Aí eu tenho duas coisas para comentar com você. A primeira é que é muito interessante como esses movimentos acontecem, ou melhor, como as coisas acontecem em movimentos, né? E eu penso que esse movimento que a gente tá vivendo Porque no episódio com a Isabela Taviani esse assunto surgiu, com Pedro Emílio surgiu, e agora com você também. 3 episódios muito recentes, muito próximos um do outro, né? E com a Isabela Taviani a gente tava falando justamente disso, assim, até porque ela é pós-jovem há mais tempo que eu, ela viu isso acontecer de um jeito mais analítico também ao longo da vida dela, né?
Sempre sendo uma cantora que canta de amor, escreve de amor, e como cantar de amor também hoje é um ato de resistência. Muitas vezes, porque falar de amor, que é a coisa mais humana do mundo, é contracultura no fim das contas, nesse cenário que você tava falando.
E é bobo, né? Muitas vezes a pessoa olha e fala assim, cara, a pessoa que canta de amor chega a ser boba, entendeu? E é isso. Mas desculpa te interromper.
Não, não, você tem total razão.
Me emocionei aqui, meu.
É, que bom. Vamos continuar nos emocionando. Mas a outra coisa que eu tava pensando é que eu tenho uma impressão, e eu vou falar de uma maneira tão grosseira, Léo, tão grosseira, mas é que eu não sei como verbalizar de outra forma mesmo. Eu já pensei nisso várias vezes na vida e eu não consigo verbalizar de uma maneira que não seja grosseira assim. Eu falo grosseira no sentido tosco mesmo, tosco assim, que é, eu vejo que tem gente que quando a gente fala de Bauman, quando a gente vira e fala relações líquidas, por exemplo, a gente fala de polarização, ah, porque o mundo polarizado, tem gente que parece que não entende que a gente tá falando de um lugar crítico.
Parece que aprendeu com aquilo, ah tá, ah tá, então tá, sabe? Portanto eu vou agir assim agora. Quando na verdade não, cara, a gente tá tecendo críticas aqui, sabe? A gente tá de fato colocando isso no mundo e falta uma interpretação de texto. Ou não sei se falta interpretação de texto, se sobra um oportunismo, né?
Sobra uma oportunidade de ter, eu acho, eu acho, eu, eu Eu não gosto de subestimar o público, entendeu?
Eu acho que assim, a gente falar aqui, falta interpretação do público, tô pensando na mesa do bar mesmo, sabe?
Ah, sim, sim, isso também.
Mas continua, o que que você ia dizer?
Não, não, eu acho que é isso. Tipo, quando a gente fala, ah, isso pode faltar interpretação de texto, ou isso, aquilo, a gente tá subestimando aquela pessoa. Eu acho que não, todo mundo tem um lugar de também querer aprender sobre um assunto, querer se aprofundar, em algo. Então meio que eu acho que quando a gente fala, ah, puta, aquela pessoa não entendeu, cara, assim, são de verdade, assim, sendo bem honesto também, falando um pouco de forma grosseira, como você mesmo citou agora, tá liberado agora, eu abri a porteira, vamos, cara.
É meio que assim, hoje as pessoas meio que querem entender o que elas querem. É meio que isso. Confirma meu viés, entendeu? E assim, eu também sinto que existe um lugar na arte, né, da classe artística, que são quase que as pessoas que se acham donas do conhecimento e de julgar o que que é certo e o que é errado nesse lugar.
Isso.
Sabe? Então, e quando a gente fez aquela brincadeira do vídeo, é sobre essas pessoas que a gente tá falando. Que quando a gente entendeu, a gente não tá falando sobre, a gente não tá falando sobre, ai, a gente tá atacando uma classe política ou outra e tal. Não, a gente tá falando sobre as pessoas que, que se sentem donas da verdade, donas do que é bom, donas do que é bom, entendeu? E assim, então, por exemplo, porra, sabe, tipo, é aquela pessoa, é quase elitista de ideia, sabe? A elitista de ideia, que é aquela pessoa que fala assim, ah, você ouve pagode?
Isso.
Tipo, sabe? E assim, eu não vejo por que não escutar uma música linda do Caetano Veloso e não escutar uma música que te toque do Ferrugem, por exemplo. Claro, tem uma voz linda.
Exato.
Mas aí, mas aí o gênero, não, você escuta pagode, tipo, você é, então você é quase burro, né? Visto por essas pessoas.
Exato, exato.
Então é isso assim, eu tento ao máximo na minha música trazer uma linguagem que seja de fácil acesso, principalmente na escrita, tá? Porque às vezes quando a gente rebusca demais uma coisa, quando a gente tenta muito fazer firulas talvez cria um ruído para as pessoas que às vezes não tiveram muito acesso. E aí a pessoa deixa de escutar o gênero porque ela fala, puta, isso não é para mim, a linguagem não é para mim, entendeu? Então eu tento ao máximo trazer, aproximar pessoas que às vezes não escutariam uma bossa nova ou uma MPB.
Fala assim, pô, legal, às vezes talvez a minha música possa se tornar ponte pro cara depois se aprofundar e ir num lugar mais rebuscado ainda, sabe?
Não sei. Então, como é que é? Droga, porta de entrada, né, para outras drogas mais pesadas.
Eu enxergo meio que isso. E assim com tudo, todas as artes. Eu acho que, cara, você pode ler sobre sei lá, um filósofo que vai te trazer todas as questões existenciais do mundo, mas também você pode ler um romance e tá tudo bem, tá tudo bem.
Novela, meu amigo, que às vezes tá falando o mesmo assunto de outra forma, entendeu?
Exato.
Então é super isso. Que bom, Léo, que bom poder tocar nesses assuntos E não sei, eu não tô sabendo nem como encerrar aqui assim, porque eu acho que eu só quero ser vulnerável e emocionado e dizer que é muito bom a gente conhecer gente legal.
Óbvio, óbvio.
Mas assim, é muito bom a gente conhecer gente legal, autenticamente legal, genuinamente legal, legitimamente legal, entendeu? Que é isso assim. Que bom poder conversar com você e falar, o cara que dá risada no vídeo, eu gostei dele. Enquanto cantava ali. É legal de verdade. E agora eu tô aqui, o eu do passado, né, tá aqui ansioso, animado para escutar os lançamentos e ver que mais que esse cara legal tá fazendo.
Porra, foi para mim também foi o maior prazer. Eu acho que é isso, quando a gente se coloca num lugar, e mais uma vez citando a entrevista que eu vi do Ney Mato Grosso, quando a gente se coloca num lugar verdadeiro, quando a gente tenta ser o máximo possível nós mesmos, a gente cria conexões reais. Isso é muito importante. E eu senti a mesma coisa de você, assim, o nosso papo foi tão assim, principalmente foi tão do coração, do que a gente realmente acha que é verdadeiro.
E isso é o que mais importa, sabe? Eu gosto muito de criar conexões dessa forma, porque mais uma vez a gente podia estar aqui, você no seu papel de entrevistador, querendo tocar só nos assuntos que você deveria tocar, e eu também querendo tanto, ah, eu preciso falar disso, disso, disso. Na verdade, cara, eu acho que é tão mais natural e comunica de forma tão mais saudável, talvez para o público que vai escutar. E pô, é um privilégio ter tido esse papo com você.
Meu primeiro comentário é sobre mim, não é sobre o Léo, mas é que assim, eu já percebi, eu converso com amigos de vez em quando, amigos apontam isso para mim também, que eu costumo me identificar muito com os convidados do Pós-Jovem que são um pouco mais velhos que eu, né? Eu tenho 41, então assim, quando vem pessoas de 50, 55, essa faixa são as pessoas com quem eu mais costumo me identificar, por um motivo ou outro. E o Léo tem 27, gente, ele tem metade da idade que eu tô referenciando.
E eu vou dizer que dos últimos convidados aqui do Pós-Jovem é uma das pessoas com quem eu mais me identifiquei assim. Falei, caramba, a gente é muito parecido, né? Então foi uma experiência interessante para mim notar eu parecido com alguém consideravelmente mais novo que eu. Agora a minha conversa é sobre a própria conversa. Agora eu vou fazer os meus outros comentários aqui. E se você tem a idade do Léo, eu acho que eu tô falando especialmente com você.
Eu acho que eu tô falando agora, eu vou me colocar num lugar de mais vivido. Ser pós-jovem é também saber quando ser tio, né? Não, eu trabalho com gente mais nova, eu tô acostumado a ser colocado, ou a me colocar, ou a vida me fazer necessário nesse lugar de tio. Então, agora é hora do tio falar, pessoal, que olha só, deixa eu contar uma coisa para vocês sobre essas dinâmicas que a gente estava conversando. Quando a gente fala, hoje em dia os relacionamentos são assim, e as pessoas não percebem que a gente está falando isso de um olhar crítico.
Quando a gente fala, hoje em dia a gente está vivendo um momento de grande polarização, e tem gente que parece que fala, então eu também tenho que ser polarizado, ao invés de parar e reconhecer o conteúdo crítico dessa fala. Eu lembro agora do episódio recente com Thales Cabral. Beijo, Thales, aqui no Pós-Jovem, que justamente a gente falou sobre essa dificuldade das pessoas viverem as coisas com a intensidade que a vida traz.
E o Thales logo virou e falou: as pessoas não querem se machucar. E eu venho aqui como tio falar para vocês: gente, se machucar é estar vivo. Se machucar faz 100% parte do rolê. Não há experiência humana sem dor, é impossível. Não há experiência humana sem atrito, sem desconforto. E isso se faz muito claro nas dinâmicas que a gente vive a dois, sim, porque essas experiências, para eu estar presente verdadeiramente numa relação com outra pessoa, eu preciso estar o quê?
Vulnerável. O que que significa vulnerabilidade? Significa que eu estou exposto à possibilidade de dor. É só quando a gente se expõe à possibilidade de se machucar que a gente também tá se expondo à possibilidade de ser feliz de um jeito mais bacana, de um jeito mais intenso, de um jeito mais verdadeiro, de jeito mais sincerão, né? E quando eu vejo então todos os índices ao nosso redor falando que hoje em dia as pessoas não querem se relacionar para não se machucar, elas não querem se relacionar, não estão ganhando também a parte boa disso, cara.
A gente tá evitando um processo que é 100% natural e se contentando com muito pouquinho, com nadinha, com a impressão, com a aparência de algo que pode ser legal, quando na verdade, gente, é isso: é impossível você passar pelo planeta Terra sem se machucar. E eu não tô falando então bora quebrar a cara de uma vez, bora, né? Não, eu tô falando então vamos viver sabendo que isso acontece, sabendo que isso faz parte, e sabendo que a parte boa também vem junto.
Eu sei que o que eu tô falando também tem a ver com a minha personalidade. Eu sei que tem a ver com, né, para além da minha perspectiva, da minha visão de mundo, tem a ver com a minha personalidade, que eu sou esse cara do bora, eu sou esse cara do vamos viver. E fui, quando vi machucou, sabe? Quando vi, quebrei a cara, mas é isso aí, a gente continua vivendo e vai fazendo as coisas. E eu vou curtindo o processo também. Eu sei que tem gente que parte de um lugar de autoproteção.
E tem gente que precisa disso de um jeito muito especial. Mas eu tenho para mim assim que, cara, você tem vida para ser vivida. Eu não vou me privar disso, sabe? Eu tenho aqui oportunidade de estar no mundo, de estar vivo. Eu quero experimentar, eu quero ir, eu quero o que isso aqui tem de bom. Me privar de algo bom porque pode ser que eu me machuque é não ter esse algo bom e me machucar de qualquer forma, porque a vida dói mesmo.
Então é isso, gente, eu prefiro ter os dois. Só posso escolher entre só me machucar e me machucar, mas ter também a parte boa, eu prefiro esse segundo. Cada um fale por si. Eita, eu tô viajando, eu tô saindo falando as coisas. O tio tem dessas, né? Acho que ser pós-jovem é também. Então saber que tem assunto que a gente vai só devagar mesmo, a gente vai só sair falando e e ver onde a gente chega. Mais importante que o destino é o caminho, não é não?
Mas olha só, como eu dei a dica no comecinho desse episódio, essa é uma daquelas semanas abençoadas aqui do podcast que a gente não tem só um episódio, mas dois. A gente teve o episódio desses de sempre, capinha amarela, com o Léo Salem. Gente, ele não é muito legal? Eu avisei, eu avisei que ele era muito legal. E na quinta-feira a gente tem o prazerzão de receber Leonardo Medeiros, que não é meu primo. Ele é presidente do Instituto Realiza Você e ele trabalha já há muitos anos atuando junto à juventude em situações de vulnerabilidade.
Olha o termo aí de novo, agora em outro contexto, mas com sentido muito semelhante. Em situações de vulnerabilidade a conseguir emprego. Então, a gente vai bater um papo sobre juventude hoje. É outro cara, é outro Léo, E é outro cara muito massa. Essa semana então aqui está recheadíssima esse podcast. Foi um papo que eu adorei e sei que você vai curtir também. Então é isso, a gente se vê já na quinta-feira, dia 27 de agosto, com Leonardo Medeiros aqui no podcast.
E no meio do caminho a gente se vê no @paulojovem das redes sociais. Beleza? Falei demais. Eu vou ficar bem quietinho agora, mas você me conta o que você achou do Leonardo. Do Rafael Salen? O que que você achou das músicas dele? O que que você tá pensando desses assuntos que a gente tá brisando aqui junto? Me conta, te aguardo, tá? Grande beijo, até a próxima!