Episódios de Pós-Jovem

Pós-Jovem #342 - maria MARIANA

18 de agosto de 202658min
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Maria Mariana marcou toda uma geração no Brasil com seu "Confissões de Adolescente" - primeiro nos palcos e, depois, na TV. No lançamento de uma nova edição do livro, ela vem ao Pós-Jovem relembrar a "avalanche" da fama nos anos 1990, maternidade e a importância do diálogo intergeracional.⁠⁠⁠⁠⁠⁠Newsletter Pós-Jovem⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠

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Trilha: ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Peartree⁠⁠⁠

Participantes neste episódio2
A

André Felipe de Medeiros

HostApresentador
M

Maria Mariana

ConvidadoAtriz, roteirista
Assuntos6
  • Confissões de Adolescente· CulturaMaria Mariana·Domingos de Oliveira·Peça de teatro·Livro e série de TV·Diários como base criativa
  • Confissões de Adolescente e Diálogo Intergeracional· SociedadeNova edição do livro·Adaptação para teatro musical·A importância do diálogo entre gerações·Mudanças rápidas na sociedade e comunicação
  • Avalanche da Fama e Crise de Identidade· SociedadeExposição pública e perda de anonimato·Crise de identidade aos 26 anos·Maternidade como refúgio e retorno ao anonimato
  • Psicologia Arte e Escuta· SociedadeFormação em psicologia e influência de Jung·Teatro como ferramenta terapêutica e de aprendizado·A importância da escuta na psicologia e na atuação·Diálogo entre psicologia e arte
  • Maternidade e Família· SociedadeExperiência de ter 4 filhos em 10 anos·Ritmo biológico e gestações próximas·Educação espiritual e religiosa·Diferenças entre os filhos
  • Ser Pós-Jovem e Envelhecimento· SociedadeDesejo de envelhecer e ter cabelos brancos·Cultura do medo do envelhecimento·Influência paterna na visão de sabedoria
Transcrição71 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
AFAndré Felipe de Medeiros

E aí, pós-jovens, como é que vocês estão? Eu espero que vocês estejam bem, espero que estejam conseguindo dar um jeito de tá bem aí na doideira do dia a dia. Se você não conhece o Pós-Jovens, isso aqui é um espacinho de conversas muito sinceras, muito honestonas sobre a vida adulta. Toda semana eu, André Felipe de Medeiros, recebo alguém muito legal aqui no Pós-Jovem, alguém que a gente conhece de seu trabalho, para a gente poder conversar sobre o que a tela, o palco, o livro nem sempre mostram, né?

Quem é você aí por trás do trampo que eu admiro? E eu vou falar que esse episódio aqui, ele, pô, ele cumpre esse papel de um jeito assim afetuoso. Por quê? Porque Maria Mariana marcou não só a mim, não só a você, mas a nossa geração como um todo. Se você é um pouquinho mais novo que eu, se você não pegou essa fase, deixa eu te explicar o que aconteceu. Em 92 estreou a peça Confissões de Adolescente, que a Maria Mariana escreveu baseada em seus próprios diários.

Ela tinha 19 anos, se eu não me engano. Eu não sei fazer conta, mas é isso, ela era novinha. E com ajuda do seu pai, o gigantesco Domingos de Oliveira, que a gente perdeu em 2019, mas deixou aí sua marca, né, na dramaturgia brasileira. Enfim, com ajuda do seu pai, então ela montou, com seu pai e suas amigas, ela montou essa peça de teatro que logo na sequência virou um livro, que poucos anos depois virou uma série de TV, que aí, meu amigo, de fato marcou demais a minha geração.

Na minha cabeça, no meu imaginário, assim, Confissões de Adolescente é um ícone dos anos 90, assim. Quando eu penso na série enquanto temática, enquanto linguagem, mas também quando a gente pensa em trilha sonora, quando a gente pensa em figurino, a gente tem ali um documento muito precioso do que era uma vida urbana no Brasil. De um recorte muito específico, né, tanto étnico quanto de poder aquisitivo. Enfim, é isso, é um ícone dos anos 90.

E a gente recebe nesse episódio do Pós-Jovem um ícone dos anos 90, né, Maria Mariana, que é atriz, que é roteirista, que já fez inúmeros outros trabalhos aí desde então. E a vida dela assim passou por muita coisa, ela vai contar aqui brevemente da maternidade. Ela é mãe de 4 filhos, ela é também hoje formada em psicologia, ela vai contar um pouco mais sobre isso. Ela comenta a relação dela com a fama, comenta a relação dela com a fé.

E a gente nem entrou nesse assunto, mas é público, é de conhecimento público assim quando você pesquisa sobre ela, se você não acompanhou as notícias na época. Mas ela teve problemas de saúde gravíssimos e tá aqui do lado de cá com a gente, sobrevivente. Daí você junta tudo isso e você vai escutar na fala dela, você vai escutar no jeitinho que ela conversa, um ser humano muito carinhoso. Posso chamar você assim, Maria? Eu achei ela, o jeito que a gente conversou assim, tava cheio de carinho.

E foi um episódio, portanto, não só significativo por ser esse ícone da nossa geração, mas um episódio muito legal porque é com ela e ela é legal demais. A minha sensação É muito parecida com quando eu gravei o Paus Jovem com o Júnior. Júnior, Júnior Lima, Júnior Sandy Júnior, né? Que se você não escutou, é o episódio 234, vale muito a pena, porque a sensação é a mesma de falar, cara, que bom que você é legal! Que bom que você é legal, que bom que há décadas eu gosto de você e você é legal!

Sabe? Você vai terminar esse episódio com a Maria Mariana com essa mesma vibe, eu tenho certeza. E eu quase esqueço de falar, ó que doido, ó que maluco, mas eu quase esqueço de contar que o que traz Maria Mariana aqui ao Pós-Jovem também é que o Confissões de Adolescente está sendo relançado em uma nova edição. Tô falando do livro, né, obviamente. É uma nova edição, ela vai contar um pouquinho sobre como foi o momento que nos trouxe a esse relançamento do livro.

Ela estará na Bienal de São Paulo, inclusive eu também quero estar por lá, então a gente se vê, a gente se dá um abraço na Bienal no dia 7 de setembro, que tal? E se você algum dia teve o livro Confissões de Adolescente e, sei lá, se perdeu ao longo das décadas, é uma boa você poder resgatar um exemplar para você poder reler. Eu tive a experiência de reler agora e foi bem interessante. Eu falo um pouco sobre isso daqui a pouco.

E se você só acompanhou a série de TV e ouviu no teatro, tá aí a chance de você ter também a experiência literária Confissões de Adolescente. Já falei demais. Deixa eu só te contar que além da Maria Mariana, além do Júnior, tem mais muita gente muito incrível que já passou aqui por esse sofá imaginário, essa mesa do bar imaginária do Pós-Jovem. E eu te encorajo a dar uma olhada em quem já passou por aqui. Então, gente que você é muito fã, tenho certeza, gente que você só não é fã ainda porque não conheceu.

E toda semana tem episódios novos aqui. O Pós-Jovem é um projeto 100% independente, feito sem orçamento, feito com muito pouco tempo, mas feito numa boa vontade muito grande. E você você pode apoiar o Pós-Jovem. Não tô falando de dinheiro, eu tô falando de segue o Pós-Jovem no @pósjovem do Instagram e do Blue Sky, segue o Pós-Jovem na plataforma que você acompanha podcast, seja lá ela qual for, avalia o Pós-Jovem, recomende o Pós-Jovem.

Isso faz uma diferença enorme na produção de novos episódios. A Maria Mariana só tá aqui porque o Pós-Jovem, além de ser um projeto muito legal, Tem um pessoal que apoia, tem um pessoal que tá aí há anos escutando toda semana, espalhando pros amigos, e eu te convido a fazer a mesma coisa. Esse é um apoio real a um projeto independente que tá aqui pra ser legal, pra fazer bem pra você. Beleza? Escuta aí então agora o papo com a Maria Mariana, finalmente, e já já eu volto pra gente conversar um pouquinho mais. Maria, conta pra gente, pra você, o que é ser pós-jovem?

MMMaria Mariana

Ih, André, que pergunta, hein? O que é ser pós-jovem? Ai, ai. Eu acho que crescer é bom, né, André? Eu gosto de crescer. Eu gosto de ser pós-jovem, gosto de ser adulta, vou gostar de ser velha. Eu, quando era adolescente, eu tinha pra mim que minha idade mais feliz seria quando eu tivesse os cabelos todos brancos.

AFAndré Felipe de Medeiros

Sério?

MMMaria Mariana

Eu visualizava, é, eu tinha isso. Eu achava que quando eu ficasse com o cabelo todo branco ia brilhar, ia ser minha fase mais plena assim, né?

AFAndré Felipe de Medeiros

De onde veio isso, você acha? Esse referencial?

MMMaria Mariana

Não sei, mas isso é uma coisa que eu sempre quis. Não sei se era da minha geração, né? Que assim, a gente tinha sonho de ficar adulta, né? A gente, quando eu, quando era, tinha 12, 13 anos, O que que eu queria da vida? Eu queria ser adulta, eu queria ter filho, eu queria crescer, eu queria casar, sonhava. E depois eu queria trabalhar, né? Tinha essa coisa. E hoje em dia parece que as pessoas têm medo, né? Eu sinto isso hoje em dia, tem uma angústia quando pensa em ser adulto, né?

Parece que vai ficar cada vez mais pesado. E aí, para mim sempre foi assim, e até hoje é também.

AFAndré Felipe de Medeiros

É, mas me chamou muita atenção isso, né? Porque a questão do cabelo branco e a questão do envelhecimento. Porque tá, quando a gente era mais novo, a gente queria ser adulto, mas a gente tá cercado por uma cultura que teme o envelhecimento, né? Que teme os referenciais de envelhecimento. E assim, hoje a tecnologia faz com que as pessoas coloquem um monte de coisa no corpo pra parecer que não envelheceu. Né? E na nossa, quando a gente era novinho, quando a gente era criança, adolescente, os adultos faziam o que podiam com o que tinham disponível para eles também com isso, né?

Então é interessante você ter 12 anos, por exemplo, e pensar, ah não, mas eu quero ter o cabelo branco, sabe?

MMMaria Mariana

Acho que foi muito pela que eu fui educada pelo meu pai, né? Meu pai e minha mãe, eles são muito, ficaram muito amigos, mas se separaram com 7 anos. E aí eu fiquei morando com ele. Porque mamãe já tinha 3 filhos quando casou com ele. E ela, assim, ela viu as mulheres queimarem sutiã da janela do apartamento trocando fralda. Assim, ela teve gêmeos, depois teve mais um, ficou com 3 bebês naquela época em que as mulheres estavam queimando os sutiãs.

E aí, 10 anos depois, ela encontrou meu pai, eu nasci. Quando eles se separaram, ela foi cuidar, né, do sonho dela, que era morar na roça e tal, né. Então eu fiquei morando com meu pai. E o meu pai, ele me apresentava muitos pensadores. Meu pai me cativou para cultura, para questão da sabedoria. Então acho que foi por aí, sabe? Uma questão assim que eu imaginava que quanto mais tempo, mais eu iria ficar sábia, né? Eu me imaginava assim, cabelos brancos, cheia de sabedoria. Isso era glamouroso para mim, né?

AFAndré Felipe de Medeiros

E eu consigo imaginar também com o que eu conheço do seu pai, de imaginar que você foi acompanhando a sabedoria dele, sabe? Você foi vendo ele pular de peça em peça, de programa de TV em programa de TV, e de conversa em conversa com você também. Então você foi olhando e falando, olha aí, ele também tá se tornando mais legal.

MMMaria Mariana

Ai, André, puxa vida, só eu conheci meu pai, só eu fui filha dele, que eu sou filha única dele, né? Mas acho que todo mundo devia conhecer ele como pai, Sabe, ele era o melhor pai do mundo assim, porque assim, ele tinha um dom assim, e inclusive tem muitos artistas consagrados hoje que tem referência paterna nele, né? Ele tinha um dom assim de ver o talento na pessoa antes dela mesma. Então tem muitos assim, então assim, desde Pedro Cardoso até Matheus Souza, até todas as atrizes da geração Sophie Charlotte, meu pai adorava isso, ele via talento.

E ele fez isso comigo, né? Então quando eu fui morar com ele com 7 anos, eu virei primeira assistente de direção dele, colaboradora de roteiro, atriz principal, sem aprender esses ofícios, sabe? Ele me trouxe para perto. Então eu acompanhava todos os projetos, né? Eu tava lá de filha, mas ele sempre conversava comigo, sempre discutia as coisas comigo, me incluía, né? E meu pai era um workaholic, né? Ele só vivia no teatro e fazia um filme atrás do outro.

E eu fui aprendendo assim por osmose, assim, a maneira dele de entender a arte, sabe? Meu pai, ele dizia que só a arte salva, né? E ele usava a arte pra própria salvação. Ele tem filme pra todos os períodos da vida dele. Então tem um filme sobre a infância, sobre adolescência, sobre o casamento com a Leila, sobre maturidade. Então ele teve um momento assim que eu percebia que ele, ele vivia para elaborar artisticamente, e elaborando artisticamente ele elaborava as coisas da vida, sabe?

Assim, era uma coisa muito misturada, vida e obra. Era muito lindo de acompanhar, sabe?

AFAndré Felipe de Medeiros

Que interessante! Mas eu acho que você acabou de trazer uma peça de quebra-cabeça que eu não sabia que faltava para eu entender como surge adolescente. Que era você elaborando uma época da vida também, assim como você viu seu pai fazer.

MMMaria Mariana

Com certeza. E meu pai, assim, ele é responsável por esse confusão de adolescente, né? Porque assim, eu quando eu tinha lá meus, bem na pré-adolescência, uns 11, 12 anos, eu comecei a apresentar questões de saúde mental assim meio delicadas, sabe? Eu era muito tímida assim, tipo de paralisar, de timidez, tinha medo de falar com as pessoas na rua, de pedir horário, pedir horas, que horas são na rua, gelava toda. E tinha crises de melancolia mais intensas.

Então meu pai, em vez de me levar ao psicólogo, ao psiquiatra, ele me botou para fazer aula de teatro. Vai, minha filha. E aula de teatro era tudo que eu tava precisando para elaborar aquelas coisas. Então Continuo sendo essa menina, né, mas mais com mais recurso, com mais ferramentas até para lidar comigo mesmo, que o teatro é terapêutico, né. Acho que por isso que eu fui para a área da saúde, que eu sou formada em psicologia, né.

Chamou desde aí o chamado, né. E hoje eu entendo assim a importância da arte na psicologia, né, porque a arte tava nesse lugar sempre teve nesse lugar, né? Tanto que o teatro grego, o médico receitava: assiste tal peça. O paciente saía indo assistir tal peça como ela é remédio, né? Então eu sempre, a gente sempre viu eu e meu pai a arte nesse lugar, né? Era uma coisa muito, a gente realmente tinha esse lugar, né? Então aí quando eu comecei a ficar, aprofundar nessas questões, ele me deu o conselho melhor conselho da vida que eu recebi, como melhor remédio, que é: escreva diários.

Escreva diários para você se conhecer. Escolha palavras mais sinceras e exatas para descrever o que você tá sentindo agora, amanhã, depois. E de quando em quando ler para entender como que tudo passa, né? Então isso, e eu fiz isso e gostei muito. Então eu vim fazendo isso terapeuticamente desde os 9, né? Então, Confissões não foi uma coisa assim, vou escrever uma peça para adolescente, sentei, não. Foi esse meu processo terapêutico dos 9 aos 19, quando estreou, né?

Então assim, eu digo que quem escreveu Confissões foi a força da vida, porque realmente era o meu diário, claro que era o diário de uma menina que era filha do meu pai, tinha afinidade com as palavras, sonhava com esse lugar de ser uma grande escritora, né? Então, e aí eu até, eu percorro esse caminho no prefácio, a nova edição, né? Vou lá relembrando. Então eu, no prefácio, eu coloquei que eu era aquela menina que morava com o pai.

Aí o pai saía de casa para trabalhar, tinha uma hora que ele saía. Aí ele passava o dia inteiro na mesa dele, que tinha uma Olivetti Lettera com copinho de uísque assim, é onde ele criava tudo. Aí uma hora ele saía. Quando ele saía, eu sentava lá como se fosse assim um santuário, sabe, entrando assim num portal. Eu sentava na mesa, botava um copinho de uísque e escrevia meu diário, entendeu? Com essa intenção de ver mais profundamente, de me conhecer como escritora, né? Então, claro que é o diário dessa menina, mas todas as coisas vividas, né?

AFAndré Felipe de Medeiros

Isso, isso. Eu penso também, atropelando um pouco o raciocínio aqui, mas eu penso que quando você é essa menina que tá escrevendo o seu diário e essa menina vê esse diário tomar proporção de ser uma peça de teatro que os estranhos estão vendo, e essa menina depois na sequência vê esse diário se tornar uma série de televisão que mais gente ainda tá vendo, então Né? Porque aí televisão tem um alcance muito grande. E aí, como é que é ter que lidar com você na intimidade ao alcance de todos, né?

MMMaria Mariana

É, pois é. Olha essa pergunta assim, que a imagem que me veio de uma avalanche. Foi uma avalanche, assim, foi uma avalanche, e que eu me embolei, e que chegou uma hora que eu precisei, não, pera aí, Deixa eu ver quem eu sou, deixa eu me distanciar disso tudo. Que foi ali aos 26 anos que eu tive uma grande crise de identidade, né? Porque eu já tinha feito tudo, né? Já aos 26 anos eu tinha feito tudo, já tinha escrito best-seller, já tinha ganho muito dinheiro, já tinha viajado, já tinha não sei o quê, já tinha não sei o que lá.

Nada. A única coisa, desejo que eu tinha que era meu, é que eu não tinha realizado, era ser mãe. Porque eu sempre nasci querendo ser mãe, né? Então aí eu me distanciei disso tudo, e através da maternidade, né, que foi a minha grande fuga para dentro, foi a maternidade, né. E aí foi, em 10 anos eu tive 4 filhos, saí da cidade, né. Esses dias eu tava pensando, né, eu consegui uma coisa que não tem dinheiro que compre, né, que é voltar ao anonimato.

AFAndré Felipe de Medeiros

Nossa, perfeito, perfeito! Poder ir até a esquina e voltar de chinelo.

MMMaria Mariana

Eu me lembro que nessa transição a gente foi para região dos Lagos, né? E aí alguma hora as pessoas pararam de me reconhecer na rua. Aí quando alguém lembrava, diz assim: não é você aquela menina? Falei: não, é minha irmã.

AFAndré Felipe de Medeiros

Eu sou a Mariana Maria.

MMMaria Mariana

Não, é minha irmã, é minha irmã. Porque assim, de alguma forma me pesou, sabe, isso assim, porque é esse lugar de estar sendo vista, né. Agora tem tudo isso, né, ali era o meu diário, me sentia muito exposta. Agora teve também, né, nessa exposição algo muito terapêutico para mim, né, porque no dia da estreia, isso eu conto no prefácio da nova edição, eu conto assim como que eu vivi uma metamorfose de lagarta a borboleta, né, assim, porque Eu não achava que ia acontecer isso tudo.

Eu achava que aquilo era tudo, era muito a minha dor, né? Era muito a minha dor de existir, né? Então achava que tinha doença ali, que eu precisava de tratamento. Aí depois, depois daquela estreia, não, tudo isso é arte, tudo isso é arte, eu sou uma artista. Então, e esse é o material da artista, né? Do artista. Então teve esse componente também. Mas teve isso também, né, de que ser uma pessoa pública com o temperamento que eu tinha, claro que eu sinto que para algumas outras pessoas deve, não deve, devem passar por esse processo, né, mas pesou para mim e eu precisei me ver distante disso tudo, né.

AFAndré Felipe de Medeiros

E até porque quando começou tudo isso era justamente para você ter mais ferramentas para lidar com com um certo mundo que você tava lidando com a sua timidez, com a questão de saúde mental, que tava, você tava ali precisando dessas ferramentas. Foi para o teatro, aí avalanche acontece. E agora você usou essa frase agora há pouco, você continua sendo essa menina tímida, mas agora essa menina tímida tá precisando de, tá precisando se desdobrar com umas ferramentas inesperadas também para lidar com uma situação super inesperada, que é essa ultra exposição, né?

MMMaria Mariana

Sim, mas agora é diferente, né? Agora tem a mulher de 53 anos que já passou por muita coisa na vida, entendeu? E que tá olhando para essa menina, tá cuidando dela, entendeu? Tem hora que ela esperneia, tem hora que ela tem medo, aí a mulher diz não. Eu tô aqui, vai dar tudo certo, né? Você não é mais essa menina, a gente já passou por muita coisa. E tá sendo muito rico esse processo, inclusive porque eu preciso dessa menina, né?

Até no Sem Censura, né, teve esse assunto aí, eu comentei que eu tava indo, eu fui gravar o Sem Censura, né? Aí descendo as escadas lá do estúdio, acho que era uma maquiadora conversando Ai, que bom! Puxa, eu sinto tanta saudade da minha adolescente. Puxa, eu falo assim, não sinto saudade não, a minha tá aqui comigo, eu preciso dela, eu preciso muito dela, da energia de vida, da inocência, da coragem, né? Que ao longo da vida, se você não mantém essa adolescente viva, você vai se endurecendo, né?

Vai ficando medroso, vai ficando com a cabeça fechada, né? Então eu faço esse trabalho comigo.

AFAndré Felipe de Medeiros

É muito louco, né? Voltando à avalanche, voltando a você ter 26 anos, foi, você falou, né? Ter 26 anos e você já tava no lugar de já vivi muita coisa, né? Mas é pensar então depois nos anos seguintes que você seguiu vivendo muita coisa, né? A vida falou, ah é, você quer mais?

MMMaria Mariana

Nossa, Sandra, é! E existe vida sem estar pública, né? Hoje em dia existe vidas fora do mundo virtual, né? Parece até, tem gente que não acredita, né? Mas existe vida sem você precisar fotografar, postar, comunicar.

AFAndré Felipe de Medeiros

Exatamente. Bom, só a questão de ter sido mãe 4 vezes Já é vida vezes 4, né?

MMMaria Mariana

Nossa, é muita vida! É, e foi assim, foi muito bom, foi uma fase muito feliz, mas muito puxado, né? Porque foram em 10 anos eu tive 4 filhos. Então foi de 2 em 2 anos e o terceiro foram 3 anos de diferença, quarto, né? Então assim, teve período que eu saí com 2 tamanhos de fralda na bolsa. Eu fiquei 8 anos sem menstruar. Porque engravidava, aí amamentava, né? Quando o bebê começava a se alimentar, que a gente volta a ficar fértil, engravidava de novo.

Então foi assim, tanto que foi o meu relógio biológico, né? Eu tive um, continuei querendo outro. Então o ritmo do meu corpo que organizou as gestações, tanto que os 4 fazem aniversário no mesmo mês. Quase em fevereiro. Fevereiro lá em casa é uma doideira, é um carnaval o mês inteiro. É um carnaval o mês inteiro. Então foi por conta disso, né, do ritmo biológico, que, né. E aí ter 4 filhos é muito legal, né, porque não tem tédio.

AFAndré Felipe de Medeiros

Nossa, tem.

MMMaria Mariana

Hoje em dia eles já estão em outra fase da vida, né. Tem uma com 26, tem uma com 24. Tem um menino com 22 e a caçula com 19. São 3 meninas e um menino. E aí é isso, né? Não tem, não tem, não tem tédio. Quando um tá com uma situação precisando de mim, aí resolvo, dedico, resolvo aquilo ao outro. Ainda bem que eles não pensam em precisar de mim ao mesmo tempo, né?

AFAndré Felipe de Medeiros

Eles se organizam direitinho.

MMMaria Mariana

Eu sou uma só, né? Tem liberar, tá liberado um espaçozinho, aí vem uma questão existencial, vem um problema da vida.

AFAndré Felipe de Medeiros

Como é que foi você ter vivido a tua adolescência, revivido a tua adolescência com 20 e poucos anos fazendo Conselheiros Adolescentes, e depois observá-los também, cada um com a sua adolescência?

MMMaria Mariana

É, primeiro que não foi viver e reviver, né? Porque a gente tinha a mesma idade do público, certo? Então a gente vivia adolescência, vivia, certo?

AFAndré Felipe de Medeiros

Eu pensei que na série você já tinha 20 anos fazendo, né? 20 e poucos anos.

MMMaria Mariana

Depois, é o que acontece, no teatro, como eu só tinha o meu diário, aí papai pensou assim, ah, não, vamos fazer um monólogo, senão vai ficar muito exposto, né, você falar sua vida assim. Então chamei as minhas melhores amigas, né, que a Carol eu tinha feito uma novela com ela, a Pátia tinha feito um curso do meu pai, a gente tava muito amiga. E a gente, papai falou, a gente precisa de uma comediante. Aí no meio assim, a comediante melhor que já era, era a Ingrid, né. Né?

AFAndré Felipe de Medeiros

Não mudou muita coisa, né? Continua sendo uma das melhores que a gente tem.

MMMaria Mariana

É, e aí, aí foi lindo. Ela chegou nisso, já com texto, com texto dela sobre o primeiro baseado e tal. Então, e aí para série, como a gente tinha que fazer uma dramaturgia, né, para poder contar a história, e o meu diário conta o desenvolvimento, né, de uma menina. Então a gente precisava de idades diferentes, de 13 15, 17, 19. Então a gente construiu essa adaptação. E aí eu fiz a mais velha, né, porque aí eu já tava já com Diana, que queria ser escritora.

Exatamente. É, mas assim, não foi— claro que foi assim olhar de fora a adolescência, né, porque a vida de adolescente não é a vida que a gente tinha, né, cheia de compromissos, cheia de responsabilidade, né. Mas a alma tava na adolescência, né? Então era uma coisa assim muito tipo nas turnês da peça, e o Fernando Gomes, que era nosso produtor, coitado, cortava um dobrado porque a gente queria sair depois. Aí desde lembrava de levar o casaco, mas a gente ficava procurando a gente nas noitadas.

E então, e aí assim, e aí depois com os filhos, assim, é, eu não sei se você tem filhos, mas é muito legal. É muito legal. Olha, eu me admiro de ver como que nessa geração as pessoas não querem filho. Gente, pelo amor de Deus, é a melhor coisa do mundo assim, porque é uma oportunidade de autoconhecimento muito séria, sabe? Não é pelo outro, é a gente que cresce, a gente que se coloca nesse lugar de servir. Isso, isso eleva, eleva, né?

E assim, aí chega na adolescência, você volta, você lembra da sua e revive mesmo. Tipo, vai, vai, a filha vai para um primeiro encontro de namoradinho, você fica nervosa, você revive tudo como se fosse você, sabe? Passa por dentro mesmo, né? E aí foi isso assim. E aí meus filhos tiveram uma adolescência, até conto isso, uma adolescência diferenciada, né, dos outros, das pessoas do mundo, porque a gente logo encontrou uma religião desde o início.

Quando eu conheci meu marido, eu engravidei da segunda filha, a gente já encontrou essa religião e a gente ficou lá até hoje, são 25 anos. Então eles passaram adolescência nessa egrégora, né, dessa irmandade, dessa religião. Então Os meus namorados eram de lá, ia dormir na casa da amiguinha. Eu conhecia o pai e a mãe, convivia. Então tinham amigos da escola e tudo, mas tinha essa irmandade, pais e mães que também compartilham, se fortalecem e pensam, né? Além de ter uma educação espiritual, né?

AFAndré Felipe de Medeiros

Exato.

MMMaria Mariana

E que auxilia muito, né? Então eu sou muito grata a essa religião porque Eu sinto que eu eduquei meus filhos assim, educo meus filhos assim de uma forma saudável, muito graças às orientações que a gente recebe lá, sabe?

AFAndré Felipe de Medeiros

Entendo, entendo sim. E como é que foi o contato deles com Confissões?

MMMaria Mariana

Então, aí teve um momento que eu não deixava elas assistirem não, tinha os DVDs lá em casa. Uma vez eu entrei, elas estavam assim, eram pré-adolescentes, não, eram crianças ainda, assistindo a série. Eu falei, não, pera aí, Agora não, porque a gente sempre teve muito esse cuidado, sabe, de apresentar para elas de acordo com a memória, né, delas, que elas estiverem podendo receber, né. Mas aí depois cresceram e souberam por mim, aí eu fui, eu fui podendo falar mais para ela de igual para igual, né, e contando da minha vivência, né, com confissões e mostrando também.

AFAndré Felipe de Medeiros

Mas sabe que isso, isso tem a ver com a minha vida, Maria? Porque quando eu fui reler agora o livro para conversar com você, eu vi a série. É de 95 a série, né? Eu vi primeiro a série, daí eu não lembro a ordem, se eu vi primeiro a peça ou o livro, mas Eu tive o combo completo naquela época, né? Eu acompanhei a série de TV e daí na sequência a peça e o livro. Eu tinha 10 anos em 95. E aí quando eu parei para reler agora, eu falei, é, era um pouco maduro para quem tem 10 anos, né?

Eu achei meio maduro assim. Eu era meio adultinho para várias coisas. Eu cresci numa casa que era muito adulto e uma bebê que era minha irmã. Então a gente se mudou para o prédio que meus amigos todos tinham 12 anos, eu tinha 9, 10 assim. Então eu meio que fui forçado a crescer meio cedo assim. Mas ainda assim eu acho que é hora de eu também conversar, de eu trazer, já que eu carrego em mim aquele menino também, aquele André Felipe de 10 anos, conversar com ele e falar: é, é, você era bem criança, né?

E tava aqui tendo contato com essas coisas. Sabe, tem alguma ponta solta talvez aí na minha história que eu preciso readequar assim. Então entendo você falar para seus filhos: não, calma, gente, ainda não é a hora.

MMMaria Mariana

Sim, porque é agressivo para criança, né, entrar em contato com coisas que é agressivo para o corpo fisicamente, né?

AFAndré Felipe de Medeiros

Exato, exatamente. Eu lembro que o Feliz Ano Velho do Marcelo Rubens Paiva também, ali na mesma época assim, E também depois, quando eu reli mais velho, eu falei: não, calma, calma, que que eu tava fazendo, né? Calma, gente. De fato é importante a gente— é que eu tinha 10 anos, como é que eu ia saber que eu tinha que respeitar o meu momento? Eu querendo ser adulto, como estava falando, né?

MMMaria Mariana

É, justamente. Não, a criança sempre quer, né? Meus filhos quiseram também, né? Mas aí tem que ter alguém educando, né? Alguém que olhe para isso, né? Pode dar certo sem ter? Pode. Mas assim, pode dar certo, pode não dar certo mesmo tendo?

AFAndré Felipe de Medeiros

Pode.

MMMaria Mariana

A gente como pais, a gente faz o que a gente acha certo, né? E também é muito do filho, né? Assim, que é um espírito que tá ali, né?

AFAndré Felipe de Medeiros

E você, como tem 4 filhos, você sabe que é um diferente do outro mesmo, né? Cada um tem seu momento, cada um tem seu tempo, tem seu Enfim, seu tudo, né?

MMMaria Mariana

É, com certeza. Nossa, isso é uma coisa impressionante, cara. Eu então que tive eles bem pertinho um do outro, né, com o mesmo pai, então a gente acha que parece que veio um de cada país, um de cada planeta, assim, foi importado de fornecedores diferentes. É, eu tenho um amigo que na época dizia, Mariana, como é que você conseguiu ter uma filha italiana e outra francesa? Elas são bem assim, bem italiana, comunicativa. E a mais velha toda francesa, toda fechada assim, toda cheia de dedos, né, com as coisas.

AFAndré Felipe de Medeiros

Por falar em francesa, como é que foi tua temporada na França?

MMMaria Mariana

Pois é, muito legal, né? Eu posso dizer que eu morei 6 meses em Paris. É assim, né? Para qualquer um não, né? Mas então, recebendo para isso, pois é, trabalhando, né? Não, trabalhava muito, né? Porque a gente morava ali, eu e a Dani, a gente ficava numa parte hotel ali perto de Montmartre, né? E a gente, o carro da produção pegava 6 da manhã, a gente voltava de noite, né? Mas foi uma maluquice, né? Eu aprendi quando o Daniel me falou, tinham 6 meses para começar a filmagem. Eu aprendi francês em 6 meses.

AFAndré Felipe de Medeiros

Caramba, acho Duolingo naquela época.

MMMaria Mariana

Berlitz. Sim, aí tinha um professor do Berlitz que ia todo dia lá em casa, eu fazia aula de francês todo dia e tal. E aí aprendi, né, a falar alguma coisa, né. E aí foi muito interessante assim, porque como eu tava aprendendo para interpretar em francês, né, eu aprendi ao mesmo tempo que decorava o texto, né? Então você escuta muito a respiração do francês, né? Muito como que o francês respira as palavras, como que francês tem uma coisa bem ligada à respiração, né?

Tem uma coisa, tem um ritmo. E que aí eu aprendendo esse ritmo, né, ouvindo treinando meu ouvido, né? E aprende a língua mais rápido, né? E foi interessante que quando eu cheguei lá, por conta de estar ligada nessa respiração, nesse ritmo, eu entendia mais as coisas, né?

AFAndré Felipe de Medeiros

Também é algo que o teatro te deu, uma ferramenta que te deu para você pegar uma nova língua e sem saber que o ator me deu.

MMMaria Mariana

Exatamente, que o ator é uma coisa muito especial, né? André, esses dias eu tava até ouvindo aqui uma aula sobre a Odisseia de Homero, né? Porque eu tenho um novo livro que eu tô escrevendo que eu quero ser baseado nessa Odisseia de Homero. Mas enfim, ele tava dizendo que na Grécia Antiga todos os cidadãos tinham que saber Ilíada e Odisseia de cor, e que eles tinham um entendimento que escrever emburrecia. Se você escrever, você emburrece, né?

Nada, nada foi escrito. Homero não escreveu isso, né? Porque ele tinha que saber de cor. Então tinha que saber de cor, tinha que fazer daquelas palavras carne, né? Que é o que o ator faz, né? Que é o lugar para onde o ator vai decorar, entrar dentro daquelas palavras, né?

AFAndré Felipe de Medeiros

É que doideira! E também eu imagino, talvez eu esteja romantizando um pouco as coisas, mas assim como ser atriz te deu ferramenta para aprender um novo idioma por causa da respiração, também eu imagino que seja um ponto interessante para vocês na psicologia, quer saber escutar, né?

MMMaria Mariana

Com certeza. Até interessante você observar isso, muito inteligente, que o meu supervisor Que eu fiz, eu entrei na faculdade já sabendo que eu ia para psicologia analítica, né, de Jung, né? Porque eu aos 16 anos encontrei Memórias, Sonhos e Reflexões e o livro me atravessou, foi um chamado assim. Só que na época eu tava fazendo novela, já tava muito envolvida com ele, então eu botei, até fiz um vestibular para filosofia na PUC, mas botei segunda opção psicologia.

Aí tudo isso aconteceu depois da avalanche, depois vieram os filhos, os filhos começaram a crescer. Falei, não, agora vai, agora vai. E aí eu entrei assim, aí na hora de escolher a supervisão clínica, né, só tinha o TCC, o existencial, e o único que tinha mais na psicanálise era lacaniana. Eu falei, não, eu vou fazer lacaniana porque pelo menos já foi um pouquinho acima, além de Freud, né, não que Lacan tenha sido como Jung, né, tenha criado linhas diferentes.

Lacan apenas traduziu as questões de Freud, mas são muito diferentes, né. Eu tive que aprender uma escuta muito diferente da linha que eu tava estudando, né. Aí o meu supervisor no final falou assim, Mariana, o teu, a tua experiência como atriz e como escritora te auxiliou na escuta. Né? Porque justamente isso é um estudo muito semelhante ao da psicologia, né? Isso desde o início eu reconheci, porque estuda o ser humano, né? Estuda a psicologia, estuda as motivações, tudo o que é humano.

A gente tem que construir uma visão de homem para poder trabalhar, né? E o ator também estuda isso, né? Quando você vai fazer um personagem Você precisa compreender ele profundamente, você precisa compreender todas as crenças, as motivações, o inconsciente dele, você precisa compreender. Então você precisa trabalhar essa escuta, essa escuta do personagem, que o personagem fala com você, você precisa ouvir. Em cenas você não tem que estar ali racionalmente, você tem que ouvir o que que o personagem, deixar o personagem, e o escritor também, né?

Meu pai tinha muito essa visão assim do escritor. Ele dizia que existe a terra das peças prontas. Ele fazia essa, essa, existe essa peça que você tá começando a escrever, já está pronta na terra das peças prontas, e você precisa ouvir o canto divino que te leva até lá. Ele dizia isso assim, aprenda todas as técnicas, mas se jogue para chegar ao ponto que os personagens é que vão escrever a peça. E aí ele fez uma última obra, meu pai, Ultimátum, que chama, que fala sobre esse processo dele de escrita, né?

E aí até montaram recentemente, eu fui ver, o diretor baiano, esqueci o nome agora, Mário, Mário, Montou e eu fui ver. Nossa, que maravilha! Porque quando ele escreveu, ele fez uma leitura dramatizada, mas ele já tava— meu pai teve Parkinson, né? Ficou mais de 30 anos com Parkinson. Então nesse momento ele já tava de cadeira de rodas, tava muito sofrido. Então eu só via confusão, sabe? Só via aquela dor de filha de ver meu pai perdendo a clareza que ele sempre teve, né?

Mas quando eu revi, a clareza tá toda lá, sabe? E é muito lindo assim. Aí os personagens tomam conta do autor, e aí fica esse diálogo. Nossa, muito bonito, né? Então é isso, tem essa escuta, né, que com certeza me auxiliou, né? E uma coisa interessante é que eu escrevi um TCC, né, sobre Jung Conversa de Divergências entre Jung e Steiner, que é um estudo também que eu também faço da antroposofia, né? E aí eu, aí numa faculdade tinha um projeto no teatro da faculdade, que era o melhor teatro aqui de Petrópolis, é o melhor teatro aqui de Petrópolis, chamado Psicologia e Arte.

Então todo mês a gente ia lá assistir um filme, ver uma peça, e eu ficava pensando, meu Deus, eu preciso subir nesse palco antes de concluir. Aí o palco foi me chamando. Aí, aí, antes de formar, eu fiz uma apresentação teatral do processo de escrita do meu TCC. Nossa, cara, André, foi muito legal! Foi uma coisa curta, né, assim, mas assim, aí eu me vendo no palco ali, né, naquele contexto, eu vi assim como que eu tinha amadurecido como atriz, como escritora, que foi como se eu tivesse me formado, fez outra faculdade de artes de dramaturgia junto com a de psicologia, mesmo sem estar em prática cênica, mesmo sem estar em prática.

Eu fiz essa faculdade em 6 anos e meio porque eu comecei 1 ano e meio em outra faculdade. Então 6 anos e meio que eu não tive contato nenhum, só no final que eu me lancei para escrever e subir em cena.

AFAndré Felipe de Medeiros

Será que era a Maria Mariana adolescente que tava te chamando também, falando vamos lá, vamos lá?

MMMaria Mariana

Ah, com certeza ela teve que vir para poder ter coragem, né, de me lançar, né? Porque ela era a Mari, né? Brincadeira não, me chamava a Mari. Olha, mas que legal! E aí foi isso.

AFAndré Felipe de Medeiros

Que interessante!

MMMaria Mariana

Eu sentia essa afinidade entre o estudo da psicologia e da arte através da escuta, como você Você pescou, né?

AFAndré Felipe de Medeiros

Sendo pós-jovem, tendo essa maturidade que você trouxe agora, então também, como é que foi revisitar esse texto do Confissões para o relançamento agora da nova edição?

MMMaria Mariana

Então, tudo aconteceu de forma muito mágica e muito sincrônica, né? Porque assim, eu tava no meu processo, né, de formação, de— aí quando eu fiz essa apresentação teatral E concluindo também esse grande ciclo da minha vida, né, eu senti alguma coisa integrada em mim, sabe? Porque assim, essa faculdade eu decidi fazer quando eu fiz um processo terapêutico aos 40 anos e reconheci que tinha sido uma lacuna na minha vida, né? Porque eu comecei a trabalhar muito cedo e não fiz faculdade, né?

Eu saí da criança para profissional. Eu não tive esse espaço de você refletir, de você se formar mesmo, de pensar e de formar. Então valeu muito mais que o conteúdo, integrou algo no meu desenvolvimento que realmente estava precisando, tava faltando, né? Aí quando tudo isso se integrou, aconteceu uma coisa mágica, porque a editora Renata da Maquinaria entrou em contato comigo quase na mesma semana. Na mesma semana. E também um produtor, Diego Timbó, que é meu amigo, que era meu amigo, entrou em contato querendo montar Conções para teatro musical, fazer, adaptar para teatro musical.

E a Renata da editora me entrou em contato querendo relançar o livro porque ela tinha visto a filha dela ler um livro que era importante para ela na adolescência. Então isso, isso ela descreve que isso aproximou ela da filha de alguma forma. Aí eu juntei essas pecinhas, né, e falei, nossa, Confissões tá voltando querendo dizer alguma coisa nova, né, e dizer uma coisa que na verdade eu sempre quis que esse projeto dissesse, que é pensar sobre o diálogo entre as gerações.

Porque assim, são 34 anos desde a primeira edição, né? E nesse tempo algumas pessoas me procuraram, né? Tipo, ah, vamos remontar Concursos. E a minha resposta sempre foi não, eu tô em outra, eu tô em outro lugar, eu não sei falar com essa juventude. Eu teria que ir lá adaptar, fazer pesquisa, teria que ser uma coisa mais racional. E Concursos não é racional, né? Não foi racional e não é racional. Então eu sempre disse não e sempre fiquei esperando esse momento, né?

E aí, com essas duas pessoas, eu vi, esse é o momento, né, de falar. Então no livro a gente pensou dessa forma, né? A gente não mudou nada desde a primeira edição e justamente entendendo que a essência da adolescência não muda e que o adolescente vai olhar ali como era nos anos 90, né, para refletir, ele mesmo refletir o que que na geração dele é diferente, né. Então o livro, ele é, ele traz esse ganho, né, é uma máquina do tempo, né, como você.

E aí no musical eu fiz um argumento novo que é assim, que parte da mãe com uma filha Porque Confissões Até Aqui trabalhou a relação com o pai, né? Aí agora vem trazer a relação com a mãe. Então a mãe com uma filha em conflito com essa nova geração, que aliás é uma fala que muitas meninas que assistiram à época hoje me mandam pela internet, pelo Instagram: ai, tive filho, não sei o quê. Compartilham questões da mãe que viveu adolescência nos 90 e Sabe, essa mãe, né?

Então parte desse conflito. E aí a filha encontra um portal, uma máquina do tempo, e volta nos anos 90 para conviver com a mãe adolescente. E as duas ficam melhores amigas, a filha e a mãe adolescente. E aí estão adaptando, né? O Mateus Souza que tá fazendo esse roteiro dessa adaptação a partir desse meu argumento. E vai estrear em outubro e eu tô gostando muito desse, desse. E nessa campanha de divulgação também, né, cada lugar que eu vou no Sem Censura, quando chega nesse ponto, diálogo entre gerações, parece que acende uma coisa. E como se esse assunto tivesse, tivesse no ar, né?

AFAndré Felipe de Medeiros

Mas tá, eu acho que sempre esteve. É, eu acho que sempre esteve, porque eu lembro de eu ter 15 anos e ler matéria na revista época Veja, isto é, sei lá, falando sobre isso, falando, ah, nova geração que não sei o que lá. Eu lembro eu ter 25 anos e ver matéria de televisão falando, ah, como é que é quem tá entrando no mercado de trabalho agora, tal, não sei o quê. Só que eu penso que essa geração, essas novas gerações no plural, que são hiperconectadas, que nasceram no mundo muito online e tal, de fato a gente tá vendo uma ruptura Sabe, assim, é um novo rolê, pessoal, é uma nova cabeça, é um novo jeito, uma nova configuração de fábrica às vezes, né?

E portanto é preciso falar disso, né? É preciso falar como é que a gente convive, com certeza, como é que a gente divide espaço. E aí o espaço no escritório, espaço na sala de aula, espaço dentro de casa, né?

MMMaria Mariana

Não, eu tô mergulhada nesse tema assim. Aí eu tô vendo assim, né, que o que mudou não foi só a comunicação com o outro, né, que hoje em dia mudou tudo, né. Assim, eu tenho pensado que mudou tanto como da época que a gente andava a cavalo, né, que no século passado, para o carro elétrico, né. O tamanho da mudança foi isso. Só que essa geração de agora nunca mais vai se repetir, porque são de pais que se desenvolveram andando a cavalo com filhos andando de carro elétrico.

Então, só essa mudança levou alguns séculos, e essa de agora só 30 anos, né? É, foi muito, muito rápido, né? E aí eu sinto isso, André, que claro que esse assunto sempre existiu, né? Mas aí eu sinto que essa mudança tão rápida também foi uma avalanche, né? Mas teve um tempo que a gente tava imerso, mergulhado nisso tudo, e meio, meio entendendo, né? Eu sinto que agora a gente já tá botando a cabeça para fora dessa água e pensando, algumas pessoas estão se afogando.

Precisamos fazer, falar sobre isso, debater esse assunto, que algumas pessoas estão se afogando, né?

AFAndré Felipe de Medeiros

É isso.

MMMaria Mariana

E realmente estão, né? Assim, na faculdade a gente viu muito isso, eu vi muito isso assim, o quanto que essas patologias estão chegando na infância, estão chegando na adolescência, né? E E as pessoas estão medicalizando, estão medicamentalizando, né? Tem muita gente tomando, tem epidemia de diagnóstico.

AFAndré Felipe de Medeiros

É, nossa, que maluquice, que doideira nossa realidade, né? Eu penso nisso pelo menos umas 4 vezes por dia. Falo, gente, isso é real, né? Essa é a verdade, esse é o mundo que a gente vive, né?

MMMaria Mariana

Com certeza.

AFAndré Felipe de Medeiros

Eu tô o tempo todo meio em negação, meio surpreso assim. Nossa, é verdade, né? E vem cá, Antes de acabar, eu acho que é difícil fugir dessa pergunta assim, por mais, não sei, eu vou só fazer, como é que é para você lidar com, por ter feito Confissões do jeito que Confissões é, ainda mais agora com distanciamento de tempo, você é sim um ícone da sua geração, você é sim alguém que fez, registrou e tá registrado artisticamente como que se vivia.

E agora a gente tá no mundo que tem suas diferenças, então a gente pega o livro, a gente pega a série, a gente olha para trás e fala: olha aqui, um registro virou um ícone.

MMMaria Mariana

Pois é, olha, são tantas coisas que eu sinto assim, honestamente, assim, sinceramente, no fundo fica só a gratidão pelo merecimento de estar sendo essa pessoa, né, essa essa, tá nesse lugar de transmitir, né? Porque eu não sinto que fui eu, eu tava no lugar certo, na hora certa, em uma conjunção, né, de coisas. Eu só tô nesse lugar de escutar, né, o que que Confissões tá querendo dizer, né? Então eu sinto, me sinto muito grata, né, de estar sendo chamada novamente por esse projeto que realmente está trazendo uma uma mensagem nova, né, de uma mensagem necessária.

Porque Confissões, ele foi acima de tudo uma obra muito necessária, né, assim, transformou a relação dos pais, uma obra que tinha missões além de ser doar arte, sabe. Ele aproximou pais e filhos, ele trouxe para discussão temas que antes não se falavam. Né? Ele deu ao adolescente um lugar de fala. Então ele tocou num ponto que a sociedade realmente tava precisando, né? E eu sinto que de alguma forma agora também isso tá acontecendo, sabe?

Com essa discussão entre as gerações. E eu tô sentindo que do jeito que as coisas estão acontecendo tão naturalmente, né? Não tô forçando a barra para nada, para nada, entendeu? O projeto tá abrindo caminhos e Como ele sempre fez, né?

AFAndré Felipe de Medeiros

Então, então, mas foi isso que eu pensei assim que você começou a falar isso, que foi autêntico, né? As coisas aconteceram porque é isso. Claro que tem uma questão de se a pessoa acerta no lugar certo, sabe? Pô, teu pai tava ali dando uma força que teu pai podia dar, outros pais não podiam dar essa força prática, né? Mas não, tava ali, vamos colocar isso aqui no mundo, vamos fazer, vamos estruturar isso aqui para ser assim, assim e tal.

Mas era tua história, sabe? É isso aqui, gente, ó, minha história. Isso aqui é real, é autêntico. E é por isso que reverbera, porque a gente se identifica e entra pra história como um ícone, porque é legítimo, né? Porque é totalmente genuíno assim. E que bom, eu tenho muito a agradecer assim, né? Porque tá, eu hoje eu tenho a leitura crítica de achar que eu era novo demais pra receber as coisas quando eu recebi ali. Mas que legal, outro dia, só contar essa história muito rápido, Outro dia, faz um ano mais ou menos, eu tava andando pelo bairro, me deu um estalo, eu lembrei de alguma música e falei, isso aqui é trilha do Conselho Adolescente.

Gente, eu tenho cassete do Conselho Adolescente agora, olha só, mas eu lembrei. E aí eu fui procurar essa música, não lembrava o nome, e algum abençoado fez uma playlist no Spotify com a trilha sonora inteira, né? E aí eu só dei play e eu passei aquela semana nos anos 90, assim. E foi muito gostoso, né? Foi muito interessante. Enfim, só para dizer isso, né? Assim, que as coisas têm desdobramentos muito grandes e afetivos, né? Porque eu tô falando da música, da série, do livro, da peça.

Enfim, e que legal! Obrigado por tudo isso. E acima de tudo, neste momento, obrigado por estar aqui no Pau Jovem trazendo você.

MMMaria Mariana

Ô, querido, foi uma delícia o papo! Adorei! Muito bom poder falar assim com tranquilidade, né? Gostei muito da forma que você conduziu. Isso aí, vamos continuar nossas conversas aí, as próximas.

AFAndré Felipe de Medeiros

Estamos aqui para isso. A gente, eu vou começar esse fim de episódio, vamos iniciar o encerramento falando que, me repetindo, dizendo que se você acompanha o Pau Jovem, você já escutou eu fazer essa admissão, essa confissão, eu te contar que a questão etária, a questão geracional aqui do Pós-Jovem nada mais é do que uma baita de uma desculpa para sentar e conversar com gente legal, sabe? Desde o começo do Pós-Jovem, desde 2019, a ideia nunca foi ter um papo sobre idade, sobre amadurecimento, mas é usar isso como desculpa para a gente poder sentar e conversar com as pessoas sobre algo que todo mundo passa, né, algo que todo mundo tem em comum.

Então que bom que a gente pode falar sobre a vida independente desse tema. Porém, esse tema inevitavelmente dá a tônica de muita coisa aqui no podcast, né. E eu imagino que tem gente por aí que acredita que o podcast tá aqui para ser isso mesmo, né. O Pós-Jovem é um podcast sobre isso, enfim, dedicado a fazer isso. Mas essa investigação do que é a nossa geração, do que é estar vivo hoje em dia, é um um produto natural dessas conversas.

Por que que eu tô falando tudo isso? Porque quando eu paro e penso, já que estamos aqui falando de gerações, estamos aqui falando da questão etária, como é bom a gente poder ter episódios como esse que, repito, honram um ícone, honram algo que marcou muito as nossas vidas. Eu citei o Júnior Sandy e Júnior, mas eu lembro de sentir isso também agora que eu tô pensando com o Marcelo Duarte, que escreveu Guia dos Curiosos, que inclusive é uma publicação contemporânea com o Fundo Adolescente, né?

O episódio é o 090, 90, com Marcelo Duarte. Eu super tive coragem de escutar também porque ele é o máximo, né? Mas é isso assim, tem essas pessoas que marcam nossa vida hoje, sabe? É o músico que eu escuto hoje, é o ator que eu acompanho hoje. Na TV, no cinema, no teatro, é a escritora que eu tô lendo hoje, da nossa geração. E que bom que todo esse pessoal tá aqui no Pau Jovem, eu gosto muito disso. Mas ao mesmo tempo, ah, que especial, né, gente?

Olha que especial! É um episódio que parte dele é viagem no tempo, mas nessa relação afetiva, né? Não é uma nostalgia pela nostalgia, é uma relação afetiva. E eu mando aqui um abraço carinhoso para minha amiga Natália Pandeló, que faz os episódios de capinha vermelha aqui do Pau Jovem comigo. Que são justamente sobre nostalgia. E vem um aí muito em breve, hein, que dialoga com esse de alguma forma. Enfim, mas é isso, né? Penso que numa fase, numa época da humanidade que a gente é tão mecanizado, tão robotizado, tão coisificado, é tão importante a gente ter essas conversas com gente como a gente, a gente humanizar quem tá por trás das obras que eu consumo.

Vou falar assim, mas ao mesmo tempo a gente poder se ligar a essa, ao nosso passado de uma maneira afetiva, de uma maneira que é sensível, né? Então contem com o Pós-Jovem para isso. Contem com o Pós-Jovem para tudo isso, né? Para humanizar as pessoas, para humanizar as conversas, para a gente lembrar o que é ser gente no meio desse tempo tão maluquinho que a gente tem vivido mesmo. E eu espero que esse episódio tenha te feito um bem danado, como fez para mim.

Me conta como é que foi. Chega aí no podcast@paujovem.com.br, chega aí nos comentários do Spotify, do Apple Music, chega aí no @paujovem do Instagram e do Bluesky. O Pau Jovem tem também uma newsletter que sai de duas em duas semanas. O Pau Jovem tem também um canal de acesso aos bastidores com segredos de gravações no WhatsApp, e tem link para tudo isso na descrição desse episódio. Tudo que o Pau Jovem faz tem a proposta de ser gratuito para todos os usuários.

Então repito, você pode apoiar espalhando a notícia, recomendando o podcast. Quais amigos seus também gostam de confissões de adolescente? Quais amigos seus também gostam de podcast? Manda para eles. Vamos lá, vamos conversar sobre isso, vamos fazer crescer essa rede, vamos buscar mais assunto para a gente conversar. Estamos aqui para isso. Beleza? Valeu então pela moral, valeu aí pela companhia. Na semana que vem, deixa eu contar para vocês uma coisa, na semana que vem o papo é muito legal.

É com um cara novíssimo, novíssimo, talvez o mais novo que passou por aqui esse ano, ou um dos mais novos com toda certeza, né? Mas um cara que eu adorei conversar com ele, quero ser amigo dele para sempre, quero adotar como filho se precisar. E você vai gostar muito dele também, tenho certeza. Então já segue aí o Pausa Jovem para semana que vem você participar desse outro papo, que também foi muito legal. Beleza, valeu, gente, valeu! A gente conversa. E é nós, tamo juntão, grande beijo!

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