Episódios de Pós-Jovem

Pós-Jovem #340 - bryan BEHR

11 de agosto de 202654min
0:00 / 54:18

Mudar é bom, ainda que nem sempre fácil. No caso de Bryan Behr, as mudanças de cidade sempre dão forma às suas músicas, como a do recém-lançado "Bela Vista, 133". No podcast, ele conta sobre o disco, a nova vida em Florianópolis e muito mais.

Mais de Bryan Behr no Música Pavê.

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Trilha: ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Peartree⁠⁠⁠

Participantes neste episódio2
A

André Felipe de Medeiros

HostApresentador
B

Bryan Behr

ConvidadoCantor e compositor
Assuntos5
  • Mudanças de vida e inspiração artística· SociedadeMudança para Florianópolis·Álbum Bela Vista, 133·A influência de São Paulo na carreira·A busca por paz e qualidade de vida
  • Processo Criativo e Colaboração· CulturaA influência de amigos na composição·A liberdade criativa no álbum 'Bela Vista, 133'·A intimidade sonora do álbum·A música 'Noturno' como single
  • Ser Pós-Jovem· SociedadeDesafios financeiros e energéticos da juventude·Sabedoria e autoconhecimento na maturidade·A busca por diversão em meio ao caos
  • Aceitação do que não se pode controlar· SociedadeA importância de aprender com os erros·A construção de um mundo melhor·O papel da atenção na era digital·A busca por autenticidade na arte
  • Álbum Daqui para o Mundo· CulturaA música 'Volto Logo' para a mãe·A construção do conceito de lar·A gravação de vozes no quarto de infância
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AFAndré Felipe de Medeiros

E aí, pós-jovens, como é que vocês estão? Eu espero que vocês estejam bem, espero que estejam conseguindo dar um jeito de estar bem no meio da doideira que tem sido esses nossos dias, esse nosso tempo. Se você não conhece o Pós-Jovem, eu quero te dar as boas-vindas, te falar para tirar o tênis e se sentir em casa, porque aqui é um espaço de conversas muito sinceras muito soltas, muito livres, sobre a vida adulta, sobre esse período quando nós ainda somos novos, mas já deixamos de ser novinhos há algum tempo.

Meu nome é André Felipe de Medeiros, eu trabalho com jornalismo cultural há vários anos e tenho a oportunidade de estar aqui nesse podcast toda semana falando com alguém muito legal sobre a vida. E algumas dessas pessoas são gente que eu já tive a oportunidade de conversar antes, por exemplo, no Música pra Ver. Por exemplo, Brian Bear. A primeira vez que a gente pôde trocar foi justamente no podcast do Música pra Ver, no comecinho de 2024, em março de 24.

Daí, meses depois, poucos meses depois, ele tava lançando o seu álbum Déjà Vu, e aí ele me convidou pra passar um tempo com ele no estúdio. A gente passou uma tarde lá escutando, conversando sobre o disco. Isso também rendeu uma matéria no Música pra Ver. E agora a gente teve a oportunidade de trocar mais uma vez então, justamente para falar de Bela Vista 133, disco que ele acabou de lançar, tratando aí principalmente mais uma grande mudança na sua vida, porque ele que é do interior de Santa Catarina veio para São Paulo na época do Déjà Vu e agora ele se muda para Florianópolis.

E é muito interessante como essas mudanças dele de cidade, de estado, vem acompanhadas de discos, né? E falar de mudança é um tema muito comum, muito frequente aqui no Pós-Jovem, seja mudança que for, né? Mudança de cidade, estado, país, mas também as mudanças que a gente sofre às vezes de um dia para o outro, conforme a gente aprende, conforme a gente vai entendendo melhor o mundo e a gente vai se transformando também. O pós-jovem, ser pós-jovem é estar em transformação, é estar em mudança e compreender isso, né?

Então são temas também muito legais para trazer aqui para o pós-jovem. No mais, ele é um cara muito querido, vocês logo vão sacar porque que é tão legal falar com ele, porque sempre que eu vou tenho essa oportunidade de trocar com ele, eu sempre tô empolgado. Vocês logo vão entender por quê. E se você já escutou o Bela Vista 133, você vai conhecer camadas diferentes do disco agora ao longo desse papo. E se você ainda não escutou, eu tenho certeza que vai ser uma experiência também muito interessante assim dar play no álbum, considerando o que que o Brian contou pra gente ao longo dessa conversa aqui, né?

Deve estar gaguejada, mas é isso. Pra facilitar também você poder conhecer mais do Brian, eu vou deixar na descrição desse episódio um link para tudo que tem dele lá no Música pra Ver. Tem entrevista, tem o podcast e por aí vai. Ainda na descrição desse episódio, você encontra link para @pósjovem do Instagram, @pósjovem do Bluesky, para newsletter que sai de 2 em 2 semanas e também para o canal de bastidores do Pós Jovem no WhatsApp.

Esse é só para quem é muito fã. Tudo que o PodJovem faz é gratuito e você tá mais do que convidado não só a seguir o podcast na plataforma que você tá escutando nesse momento, como a recomendar, a falar: Fulano, lembrei de você escutando isso aqui. Fulana, isso aqui é a tua cara, escuta esse podcast. Que eu vou dizer que— eu vou repetir que toda semana tem gente muito legal aqui e essa temporada, esse mês de agosto, esse mês de setembro, gente, sério, podem vir com a expectativa lá no alto.

Porque é só episódiozão como foi esse aqui, como é esse aqui com o Brian Bear, que você escuta agora. Eu vou ficar quieto para você escutar então e já já eu volto e a gente continua esse papo. Brian, conta para a gente, para você, o que é ser pós-jovem?

BBBryan Behr

Ai, eu tô nos 30, né? Então ser pós-jovem é uma coisa que assim, essa semana aconteceu no lançamento assim, eu tava postando alguns conteúdos e um dos conteúdos eu tava escrevendo uma faixa assim, sabe, legenda mesmo. E aí um fã comentou, nossa, você tá tipo parecendo um idoso usando essas caixas de texto desse jeito e tudo mais. E eu falei, cara, vai chegar o seu momento também, sabe, de ser pós-jovem, de já não saber qual é que é a fonte do momento, qual que é a coisa bonitinha.

E eu tô bem com isso assim, eu sinto que dentro eu sou um pouco velho, sabe? Então eu não dou muita bola não. Eu acho uma delícia, eu acho que quanto mais a gente vive, mais a gente aprende. Que tem essa idade que a gente geralmente tá ferrado financeiramente, tá com uma energia absurda de viver o mundo, sabe? Mas às vezes não tem dinheiro para isso, ou às vezes você agora construiu uma vida inteira, tem dinheiro mas não tem tempo.

Eu acho que a fase pós-jovem é a melhor de todos. Sabe? Que você, tipo, você sabe onde o calo dói, você sabe onde não pode apertar, você sabe se divertir, você já trabalha. Então acho que é a melhor fase da vida mesmo.

AFAndré Felipe de Medeiros

É doido, né? Eu vou te confessar que quando teve aquela vez, quando você tava lançando o Déjà Vu, e aí você me chamou pra ir no estúdio, a gente ficou lá um tempo conversando no estúdio, vindo, não sei o quê, e você tocou em muitos assuntos falando assim, não, porque agora na idade que eu tô, não, agora tá. Me vieram duas ideias na cabeça. A primeira foi, eu preciso gravar o Pós-Jovem com ele um dia. E a segunda foi: mas, amigo, você tem 28 anos, sabe?

BBBryan Behr

Eu tô sempre reclamando de alguma coisa. Minha terapeuta fala: Brian, para de falar que você tá com 30 anos, porque não faz uma desculpa para isso que você tá reclamando. Às vezes a gente só quer reclamar. Eu acho que o pós-jovem, o hobby perfeito é reclamar também. A gente não quer resolver. Não quero resolver, não quero a resposta, só quero reclamar um pouquinho, sabe?

AFAndré Felipe de Medeiros

Sei, sei. Ah, mas acho que para quem trabalha com criatividade esse processo é muito bom, porque você— a resolução, esse pragmatismo, pô, me leva aqui, deixa eu ficar no meu drama um tempo.

BBBryan Behr

Exato. E a gente sabe, a gente sabe como a gente é. Deixa eu ficar aqui um pouquinho.

AFAndré Felipe de Medeiros

Mas ao mesmo tempo, que bom que a gente vai ganhando as ferramentas para saber lidar com o que a gente sente e para saber canalizar isso para outras maneiras também. Como é que você tá com isso assim?

BBBryan Behr

Porque sentir, a gente sente muito, descobrir muitas coisas também. Eu acho que eu, quando era mais novo, eu olhava para alguém de 30 anos, por exemplo, e eu falava assim, cara, essa pessoa tá com a vida resolvida, ela se aposentando, sabe? Coisa de criança que você não faz a menor ideia das contas que você tem que fazer. E aí com 30 acho que você vai descobrindo o que que é realmente um amigo, sabe? Coisa que você às vezes nunca parou para pensar.

Você vai descobrindo o que que é a tua felicidade, você vai descobrindo que muitas vezes você foi um péssimo amigo também. Então acho que são coisas que essa idade traz para gente assim, que são muito reveladoras, que ajudam a gente a viver depois uma vida um pouco mais leve por já saber como a banda toca, sabe?

AFAndré Felipe de Medeiros

Isso aí, super. Sabe que talvez, como a gente tá gravando esse episódio no passado, né, então assim, talvez vai saber o que acontece entre essa gravação e o lançamento. Talvez o tema da newsletter do Pós-Jovem seja isso, porque é o que eu tava pensando ontem numa conversa assim. Eu tenho, você falou, né, de vezes que você olha para trás e percebe que foi um péssimo amigo. Entendo, eu também, eu também, para caramba, pô. E eu tenho uma bronquinha daquele discurso que é muito bonitinho, mas eu acho imaturo, da pessoa falar: ah, eu não me arrependo de nada nessa vida.

BBBryan Behr

Nossa, eu não me arrependo de nada, de tanta coisa. Nossa Senhora, às vezes a gente deita a cabeça no travesseiro, aquele meme, né, que a gente tipo: vou dormir agora tranquilamente. Aí você fecha o olho, de repente seu olho tá ali estralando, que você tá pensando em alguma coisa que você fez em 2002 assim. Então acho que, acho que, cara, É uma merda, mas é que é a vida como é. E com certeza, se eu pudesse voltar no tempo, eu mudaria muitas coisas.

Eu deixaria de ter dito muitas coisas que magoaram algumas pessoas e coisas que não precisavam ser ditas. E eu entendo que a gente se agarra nessa ideia de que, bom, mas foram os meus erros que construíram quem eu sou agora também, sabe? É, mas os acertos também, quando a gente foi um bom amigo, quando a gente tava próximo, quando a gente foi um bom filho, um bom namorado, sabe? Eu acho que sempre dá para a gente, a gente tem a abaixa, eu acho, um pouco assim.

Quando eu olho para o mundo no geral, a gente tem tanto para crescer, para evoluir ainda, sabe? Tipo, eu tava vendo várias notícias agora de direitos das mulheres que foram renegados assim. E, cara, você se pergunta, tá, mas será que a gente realmente tá vivendo, mesmo que aqui, mesmo com, né, com uma outra ideia de mundo, A gente tá vivendo direito mesmo? Será que não dá para ser melhor mesmo? Será que não dá para aproveitar nosso tempo de um jeito melhor mesmo?

Acho que essa é uma pergunta dos 30 também, que a gente vem: será que eu tô vivendo certo? Tava comentando com uma amiga agora, eu tô em São Paulo, né, e eu tô percebendo assim que, cara, a maior parte dos meus amigos tá mudando de área. Eu tô percebendo assim, mudando de área assim total, querendo fazer uma coisa completamente diferente da vida assim. Eu acho que isso vem com o pós-jovem, tem um tanto disso, porque Eu acho que, por exemplo, quando eu olho para minha carreira, durante muito tempo eu achei que ser artista ocuparia uma vida inteira minha.

Mas a vida é uma coisa muito grande, cara. Ser artista é uma coisa grandiosíssima, mas a vida ela é muito maior. As nossas relações, elas são muito maiores. As coisas que a gente constrói ao longo dos anos da nossa vida ao lado das pessoas, né? Tem uma frase do álbum novo que fala Mais importante do que encontrar é saber com quem procurar, é saber onde quer estar. E acho que a gente tem essa coisa de quando é mais novo de sonhar muito em ser, só que, cara, a gente descobre, e essa é uma das coisas legais do pós-jovem também, a gente descobre que dá para ser muito mais.

Então eu sou muito mais além do Brian cantor e compositor, assim, sabe? Eu gosto disso, eu gosto de trazer essas minhas outras facetas, essas outras coisas que eu amo e que eu vou me apaixonando ao longo da vida pra dentro da minha música, que pra mim é o meu melhor jeito de me comunicar. Mas acho que a vida é muito mais. A vida é muito mais do que uma carreira, sabe?

AFAndré Felipe de Medeiros

Concordo super. Vou voltar um pouquinho no assunto. Antes de falar disso, quero voltar um pouquinho no assunto só, quando a gente tá pensando na questão do arrependimento e na questão de que os meus erros me trouxeram até aqui e tal. Mas eu penso que viver é sempre construção de futuro. Sempre, sempre, sempre construção de futuro. A gente tá aqui fazendo as coisas andando nessa linha reta, né? Então vou fazendo pra amanhã fazer de novo, vou fazendo pra amanhã fazer diferente.

Eis a questão. Tem hora que você precisa parar e falar, agora tá bom, eu fiz e me trouxe até aqui, mas eu vou fazer isso de novo? Eu vou insistir num erro? Ou tá, é aquela pessoa que fala, eu sou sincera, mas tá magoando todo mundo, por exemplo, sabe? Não, cara, sinceridade é uma coisa, ser idiota é outra, né? Então assim, é isso. Acho que como é que a gente vai construir esse mundo? Como é que a gente vai construir esse futuro?

Ainda mais nesse momento histórico de que parece que a gente tá vivendo um retorno a um ciclo, sei lá como é que fala isso, né? Essa questão cíclica. Então a gente tá tratando, tendo que tocar em temas que quando a gente era criança já eram do passado, sabe? Como assim a gente vai falar de neonazismo em 2026? Quando a gente nasceu, isso já era coisa do passado. Por que que é tão— que sentido faz falar em direito das mulheres revogado? Não, porque mulher não pode votar. O quê?

BBBryan Behr

Mas eu acho que saber que esse é o mundo que é o nosso e que só tem ele é muito importante, sabe? Porque a gente vai, a gente vai vivendo cada vez mais dentro da nossa própria bolha, né? Hoje, inclusive, com o mercado da atenção que é com as redes sociais, né, com isso tudo, a gente vive dentro de uma bolha que um próprio algoritmo escolhe para a gente viver, né? Então eu não sei de fato o que tá se passando no resto do mundo.

E acompanhar as notícias, acompanhar esse mesmo que retrocessos assim, eu acho que é muito cansativo, mas não tem como a gente não fazer, porque não olhar, não olhar para isso não é apagar isso do mundo, sabe? Eu acho que dá para fazer mais assim. E se arrepender, é quando eu falo, é por conta disso, de olhar para trás e falar, porra, dá para ter sido mais, sabe? Dava para ter sido mais, dava para ter sido muito melhor.

AFAndré Felipe de Medeiros

E dá para ser muito melhor. Aí a construção de futuro, entendeu? Qual mundo que eu vou construir? Então é olhar para o mundo, não é viver na fantasia não, nem viver na negação, é olhar para o mundo e falar: então como é que a gente vai construir um mundo melhor, um amanhã melhor? E amanhã, literalmente amanhã, quinta-feira, sabe?

BBBryan Behr

Exato. Mas aí tem essa coisa de salvar o mundo que a gente sempre fala, né? A criança é o futuro que vai salvar o mundo, né? Depende, a gente depende delas e tal. O pós-jovem vem com isso também, do tipo: ó, bota essa responsa para outro agora, né? Mas minha não.

AFAndré Felipe de Medeiros

Agora eu cansei de ser o futuro.

BBBryan Behr

Eu não quero mais ser o futuro não. Agora o futuro é com vocês, vocês que se virem com essa bomba aí, entendeu? Mas, cara, eu acho que a gente também não pode não olhar para todos os planos que existem para que a gente não consiga ser melhor também, né? Eu acho que existem planos em ação e que a gente tá inserido neles, como esse mercado da atenção, em que eu vi esses dias no Roda Viva uma pessoa falando sobre, que eu infelizmente não vou me lembrar o nome agora, é que, cara, ele fala sobre a economia de atenção e essa fratura que a gente vai sofrendo ao longo do tempo com esses excessos de conteúdo, porque é a primeira vez que a tela olha de volta pra gente, né?

A gente sempre viu comerciais, sempre existiu propaganda, né, desde que existiu comunicação. Só que acredito, desde que existiu comunicação não, né, comunicação impressa, jornais e tudo mais, comunicação social. Exato, exato. Só que, cara, hoje em dia a gente vive pela primeira vez com uma tela que te olha de volta, que sabe os teus gostos pessoais, né? Então isso também faz com que a gente viva num mundo em que o capital maior e mais forte de todos seja o do dinheiro.

Isso também confunde a gente, porque é muito difícil você se concentrar em fazer as coisas do jeito certo, como eles devem ser feitos, para que você não sofra, para que tudo dê certo, quando você tá se preocupando com o dinheiro do fim do mês. A gente não tem como viver dessa forma. Em Concreto Fé e Saudade eu falo sobre isso também. Enquanto eles decidem o nosso futuro, a gente tenta ir vivendo o momento. E eu acho que é um tanto disso assim, porque o pós-jovem é a gente procurar momentos de diversão em meio a uma rotina que quase sempre é caótica e quase sempre machuca bastante assim, sabe?

Eu digo para as pessoas, se tem alguém que chega para mim hoje e fala que tá feliz e que tá tudo certo, é porque essa pessoa tá doida mesmo. Porque, porque, cara, todo mundo, as pessoas que estão confusas, eu me compadeço muito, porque é de fato um mundo e uma época muito confusa, numa velocidade muito exacerbada. Assim, esses são os motivos de eu querer sair desse grande centro que é São Paulo. Eu tô falando contigo hoje gravando aqui de São Paulo, né, porque eu viajo para fazer essas baterias de imprensa, as coisas todas da carreira e tudo mais, só que Eu precisava de um lugar pra descansar, pra me sentir descansado, me sentir em paz também.

Eu gosto de fazer música, independente se eu tô triste ou feliz, mas eu gosto de estar em paz comigo e gostar de quem eu sou, sabe? Então tem sido pra mim uma fase um pouco mais difícil assim. Eu tenho me cobrado muito, eu sou muito bom em ser um carrasco comigo assim, sabe? Então tá sendo, o álbum inteiro foi até bom assim, me acompanhou nessa mudança. Tanto a construção dele quanto as próprias músicas, assim, elas deram um significado muito diferente para essa minha mudança.

Não foi uma fuga, né? Eu não tava sentindo que eu tava fugindo de São Paulo, tava sentindo que eu tava buscando um lugar de paz, assim. E acho que eu construí São Paulo na minha cabeça como qualquer criança do interior. Assim, para mim, São Paulo era um negócio Mad Max, assim, sabe? Maluquice. Então, quando eu vim para São Paulo e descobri a cidade, assim, descobri o que era, Eu entendi que, pô, foi vendido para mim essa ideia de que fazer música em algum momento, né, ter uma carreira era você estar nesse eixo Rio-São Paulo, e construir música fora desses lugares era fazer música regional, que é uma grande baboseira assim, sabe?

É música. Então acho que ser acompanhado de música, né, durante esse processo da mudança foi muito importante para mim assim. E os 30 bateram muito forte, muito forte. Ainda tô processando. Eu não tava, não tinha nem saído das crises dos 25 ainda, aí já entrei na dos 30, assim, sabe? Eu gosto muito de antecipar essas coisas também. Eu já tava sofrendo com os 30 que eu tinha, tava com 28, eu tava sofrendo já, né?

AFAndré Felipe de Medeiros

É, foi quando justamente na época do déjà vu, né, que a gente tava falando disso. Mas isso é muito louco, né? Porque eu lembro, voltando ao déjà vu, eu lembro da mudança para São Paulo ter sido também um motivador criativo para você. Lembro de você me contar isso, não é? E agora você tá sendo motivado por mais uma mudança. Uma coisa eu quero entender nessa história é: essas músicas surgiram antes da mudança, durante a mudança, ou depois?

BBBryan Behr

Ao mesmo tempo, sim, foi, cara. Elas foram compostas, sim, elas foram compostas antes, né? Eu sabia que eu tava me mudando, eu sabia que eu tava fazendo um álbum, e eu sabia que em algum momento ia colidir uma coisa com a outra. Então teve momentos em que a gente tava lá embalando caixa e e gravando guitarras, sabe? O mesmo comportamento. Mas eu sempre soube também que a vida ela é cheia de momentos e não adianta tu esperar o momento perfeito para fazer o que tu quer, porque nunca esse momento nunca vai chegar.

Então, se, ah, vou esperar para mim mudar porque agora, não, vou esperar para gravar esse disco para quando? Não. Se bate no meu coração e eu sinto esse esse chamado mesmo assim de falar, meu, vamos embora, vamos fazer. Eu mergulho com tudo assim. Quando eu escrevi Quando Me Ver Passar, tava começando a escrever o que é o refrão dela hoje, eu já sabia que aquilo ali era um álbum assim. Eu sabia que eu tava também com vontade de me mudar.

Então foi muito bom, cara, foi muito bom, porque mudar é um caos, né? Se mudar, e assim, eu não me mudei de, eu não me mudei de só de apartamento ou de casa, eu não mudei de estado. Então Cara, é toda uma mudança, né? Levar um piano, nossa, o piano tava no 13º andar. Então leva esse piano, sobe esse piano no caminhão, desce esse piano do caminhão. Eu não toquei ainda o piano porque deu tanto trabalho para levar o piano que eu falei, não, tem que ser uma ocasião muito especial para tocar agora esse piano, porque eu não vou sair tocando ele.

AFAndré Felipe de Medeiros

E ele desafinou para caramba, eu imagino, né?

BBBryan Behr

Mas, cara, eu tô muito feliz assim, eu tô muito feliz com a liberdade criativa que eu tive no álbum também e E para mim assim revelou que o que São Paulo me deu de mais precioso foram os amigos assim. E eles, e eles são amigos no fim das contas assim, é, né?

AFAndré Felipe de Medeiros

O que fica são as pessoas, né, cara? Não adianta. Olha o tamanho da vida, como você falou, a vida é tudo isso. A vida, a vida é fazer música, a vida é fazer arte, a vida é pagar boleto, a vida é lavar louça, a vida é fazer tudo isso. Mas o que que fica são as relações humanas. Então não me surpreende você falar, ah, tá, o que eu levo de São Paulo, cara, leva aquela experiência, a oportunidade de ter ido em tal lugar, de ter tocado em tal lugar, de ter feito alguma coisa.

Claro, claro, faz parte de você também. Mas o que a gente leva é com quem a gente se conecta.

BBBryan Behr

É por isso que eu digo que uma vida é muito maior do que uma carreira, né? Tipo, isso não é menosprezar uma carreira, porque é valorizar a vida. Exato. Só que assim, o que São Paulo, por exemplo, em São Paulo eu consegui construir as maiores coisas da minha carreira, assim, as mais relevantes. Mas foi uma cidade em que eu fiquei muito sozinho, por exemplo. Então é uma, é uma, um contraste assim do que uma cidade pode fazer com a tua carreira e o que ela pode fazer com a tua vida, entendeu?

E eu acho que a gente faz o que a gente quer, cara, a gente faz o que dá, né? A gente faz sempre o que dá, não é o que a gente quer. Então eu senti que nesse momento, pô, sair de uma gravadora, prestava de um lugar para ter a minha casa também, que fosse o que tivesse um tempo diferente. Florianópolis já tava nos meus planos há muito tempo, antes de São Paulo inclusive. Então fez todo sentido para mim assim de falar, meu, vamos embora, vamos embora.

Porque, e outro, eu não faria nada que assim, o primeiro compromisso que eu tive comigo lá atrás quando eu comecei a transformar minha música no meu trabalho foi de viabilizar a minha música no mundo, a minha arte no mundo fazendo o que precisasse ser feito assim, sabe? Eu jamais sairia de São Paulo se eu sentisse que isso me prejudicaria, por exemplo, sabe? Então trabalhar aqui, trabalhar com pessoas muito casca grossa e gente que já faz isso há muitos anos me deu muita experiência também para saber que eu consigo ter uma carreira, ter qualidade de vida e tudo isso ao mesmo tempo sem estar em São Paulo, sabe?

AFAndré Felipe de Medeiros

Sim, sim, muito louco, né? Que eu penso tem uma energia da juventude muito grande assim, você falar, eu preciso ir para São Paulo, preciso estar no eixo Rio-São Paulo, como você falou. E acho que ser pós-jovem não é nem entender apenas que você não precisa estar em São Paulo, que você pode ir para Florianópolis. Eu acho que ser pós-jovem também é entender que você está agora em Florianópolis, mas a tua vida segue em curso, esse desenho segue sendo feito, esse quadro segue sendo pintado, essa música segue sendo composta, né?

Então assim, Agora é a hora disso. A gente não precisa definir, não precisa decidir agora se vai ser por um ano, uma década ou a vida inteira.

BBBryan Behr

Tá tudo certo.

AFAndré Felipe de Medeiros

Vamos fazer um movimento que dá para fazer e que seja bom, que seja positivo para você agora, e entender quem é o Brian agora no novo momento.

BBBryan Behr

Exato.

AFAndré Felipe de Medeiros

Isso tem a ver com música, mas isso tem a ver com, pô, modo de vida mesmo. Vamos voltar um pouquinho na questão da mudança para São Paulo mesmo e o que isso que trouxe para você criativamente assim, porque repito, né, Déjà Vu foi feito também então com músicas que traziam essa energia da mudança. E o que que você acha que aquela energia tá também no Bela Vista? É 133 ou 133?

BBBryan Behr

Como é que você fala? Eu chamo de 133.

AFAndré Felipe de Medeiros

É, obrigado. É, vamos nessa.

BBBryan Behr

Teve uma pessoa hoje que me falou 133 e eu falei, será que eu escolhi pessimamente o nome do canal?

AFAndré Felipe de Medeiros

Não, mas então aquela energia também moldou então o Brian que escreveu as músicas do 132.

BBBryan Behr

É, eu acho que assim, quando eu tava no sul, eu era muito músico eu comigo assim no meu quarto, sabe, escrevendo as músicas e tocando meu violão e gravando as músicas, em grande parte voz e violão. Eu acho que tá em São Paulo foi abrir janelas assim para fazer música com outras pessoas, compor com outras pessoas, né, ter esse processo muito mais coletivo. Isso essa impressão de déjà vu e cresceu muito no Bela Vista 133 assim, porque é o meu álbum, acho que falando de composições mais colaborativas assim.

Tem pessoas que compuseram músicas comigo que nunca tinham escrito uma música na vida, porque eu via exatamente essa beleza assim de pessoas. Às vezes eu ia fazer os famosos song camps, né, e as pessoas estavam ali querendo se encontrar para terminar uma música e vambora. Eu tava querendo ver o que que dava no processo de sabe, testar, colocar uma pessoa que nunca escreveu para escrever. E foi incrível assim, porque são pessoas que geralmente não têm balizas na hora de escrever, são pessoas que não têm tanto pudor na hora de escrever, de pensar às vezes na métrica, acentuação das palavras, divisão na melodia.

Isso às vezes dava de presente assim ideias muito legais, né? O Concreto Festa Saudade nasceu de uma roda de amigos assim numa noite despretensiosa em que a gente apagou as luzes E as pessoas numa roda, tipo como num jogo, cada um falava uma palavra e eu ia tentando montar isso dentro de uma melodia, de uma harmonia. E uma das pessoas no dia mais acanhadas assim, que era uma das, uma amiga minha que se chama Emily, ela nunca tinha escrito uma música e ela tava com muita vergonha, muita vergonha, muita vergonha.

De repente ela falou, ah, eu pensei em alto-falantes. E a gente tinha falado dos passarinhos e dessa ideia de uma de um mundo inteiro parar, né? Então começou a surgir, não, passarinho pousou e fez um ninho de amor em cima dos alto-falantes. Dali para frente mudou, o mundo inteiro parou, nada mais é como antes. Então, cara, foi muito legal, foi uma experiência muito massa. Eu pude também trazer muitos desses amigos. Não só eu e o Flávio, a gente gravou, né, maior parte dos instrumentos, só que a gente também trouxe amigos para gravar alguns baixos.

Então tem 2 baixistas no álbum, tem 2 bateristas, 2 engenheiros de mixagem, porque eu sempre fui muito amigo dos dois, eu gosto muito dos dois. Eu falei, então vamos com os dois, né? Vamos fazer 6 com outro. Então foram experiências assim que eu pude estar inclusive na parte visual, nos clipes, muito mais perto dos meus amigos criando assim, sabe? Sim, então tá presente para caramba assim. E é uma construção, eu acho que a gente vai amadurecendo, né?

Mesmo Mesmo que você tá ali construindo uma música com 2 acordes, você sente o amadurecimento do artista, porque isso tudo vem desde o jeito com que ele coloca a voz, né, do jeito com que ele se sente livre cantando. Isso é muito maluco assim. O Bela Vista 133, eu gravei as vozes sozinho, então foi uma experiência completamente diferente para mim. Eu consegui ficar muito mais solto. Eu achei que eu ia gravar em muito mais takes, eu gravei muito menos takes assim, foram no máximo 2 ou 3 takes cada da música.

Caramba! Então foi quando a gente não usou as vozes guia, né, que eu ia gravar e falar, cara, que eu gravei tão solto, tão feliz, tão, sabe, eu tava vibrando assim que eu tava gravando o álbum da minha vida naquele momento e cantei de um jeito que eu não sei se eu vou conseguir cantar de novo. Então ficou aquilo lá para o registro assim, sabe?

AFAndré Felipe de Medeiros

Ah, que bonito isso, cara, que bonito! Tem uma questão que para mim foi muito forte escutando o disco assim E eu vou contrapor de novo ao Déjà Vu. Eu entendo, eu tô no momento da minha carreira de entrevistador que eu tô entendendo que a gente entende melhor as obras quando a gente contrasta com o lançamento anterior. Então tá muito na minha cabeça o Déjà Vu também. Mas eu lembro aquele dia que a gente tava no estúdio e a gente conversando da mixagem, a gente falando de tudo.

Eu acho que o Déjà Vu ele tinha um desejo de ser grande, uma vontade de ser quase uma pompa que ele carrega ali assim, de tipo, olha que descaço que vem aqui.

BBBryan Behr

Isso tá na cauda do reverb, tá na quantidade de instrumentos, tá em tudo.

AFAndré Felipe de Medeiros

Exatamente, exatamente. E aí o 133, agora o apelido dele é 133, o 133 eu acho que ele vem, ele me conquista de outro jeito, sabe? Ele vem aqui, ele fala aqui, ele fala aqui comigo aqui, ó, e já tá legal, já ganhou minha atenção.

BBBryan Behr

Isso é uma coisa que é engraçado falar, cara, porque a gente quando tá produzindo, a gente pensa em todas essas essas percepções das pessoas. Por exemplo, o Bela Vista 133, ele tem pouquíssimo reverb na voz. Isso faz com que você tenha a sensação de que eu tô cantando muito próximo do teu ouvido, que o reverb ele cria essa sensação de distanciamento, de que você está distante do que tá sendo tocado, né? Enquanto, enquanto as vozes do Bela Vista 133, elas estão aqui pertinho, porque essa sensação que a gente queria passar A gente queria passar essa sensação de casa, não queria passar uma sensação que você tá fechando o olho e sentindo que você tá na frente do palco, no estádio, sabe, assistindo o show.

Não, a sensação é que você tá em casa comigo. Então é pouquíssimo reverb, são muitos violões, são pouquíssimos instrumentos elétricos também, são muitas percussões, porque era o lugar que a gente queria chegar, de intimidade mesmo, sabe?

AFAndré Felipe de Medeiros

Sim. Ah, isso é lindo, cara, isso é lindo. Tem também uma coisa que eu tava, eu comentei com você antes da gente começar a gravar, né, que eu reescutei podcast do Musica pra Ver, eu reli matéria pra gente falar com você, e tem um trecho aqui numa matéria que a gente fez em 2024 que eu queria ler pra você, porque eu acho que é legal. Você falou assim, a gente tá falando de medo de errar no estúdio e de experimentar, né, você falou assim: medo de errar é não se divertir.

Fiz um acordo comigo que eu não quero mais perder tempo tentando me encaixar em um lugar, tentando fazer sentido em uma coisa que está acontecendo. Se eu estou fazendo música que pareça estranha agora, talvez ela faça sentido no futuro, mas eu preciso fazer isso. O isso seria fazer essa música, né? E quando eu ouço Noturno, me vem isso à mente, sabe? Assim, Noturno, que legal que você escolheu essa música para ser single, inclusive, para lançar antes, sabe?

Porque é uma música muito própria, muito ela, jeitão dela. E talvez seja que eu mais gostei. É difícil às vezes escolher uma só, apontar, mas talvez seja que eu mais gostei. E talvez por isso mesmo, agora eu falo, cara, olha só, olha o jeito que ela tá aqui se colocando para mim, sabe? Com uma liberdade que eu percebo de longe, que ela fala, isso aqui ela tem a vida própria, ela tem um jeitinho dela, deixa ela ser do jeito que ela é, cara.

BBBryan Behr

Eu fico muito feliz porque é muito louco assim, né? Tem música, é isso, tem pessoas que quando tu fala de disco gostam muito de uma e não gostam tanto de outra. E ontem aconteceu na audição assim de duas pessoas falarem ao mesmo tempo a música, elas estavam conversando da música que mais gostou e que menos gostou, e as duas falaram Noturno ao mesmo tempo, só que uma tava querendo dizer que era que mais gostou e outra tava querendo dizer que era que menos gostou.

Eu acho que, acho que é esse, essa coisa que eu sempre digo assim de fazer o que a música tá pedindo, cara. Para quem produz, para quem compõe, não é nenhuma coisa prática assim, é muito certo. Porque se a gente for buscar o que a gente quer de uma música dentro do estúdio, né, de uma composição, a gente pode fazer inúmeros arranjos, mas às vezes a música ela tá pedindo por um só. O que ela tá pedindo, embala o que ela tá te dando, o jeito com que ela chega no refrão, como é que a música abre, se ela abre num refrão, se ela abre num verso, como é que é, sabe?

E Noturno, desde que ela nasceu, ela nasceu até de um jeito muito legal assim. Eu tava eu, a Ana, minha namorada, né, que compôs algumas das músicas junto também com a gente, e tava Ana Vilela também. E a Ana Vilela tava lá em casa, a gente se encontrava muito assim em São Paulo, E ela tava falando alguma coisa aleatória assim, ela falou a palavra noturno. E eu falei, nossa, essa palavra é muito bonita, né? Noturno. Porque se eu falar diurno, é uma coisa.

Agora noturno é outra coisa, sabe? Tipo, então a gente começou a brincar com isso assim. Eu tenho meu relacionamento com a Ana há anos assim. Por mais que seja uma música que fala de uma pessoa que não quer, sabe? A gente sentiu essa liberdade poética de falar sobre esses amores em que a gente se entrega e que não é correspondido, ou que a pessoa não quer uma coisa tão séria como a gente quer.

AFAndré Felipe de Medeiros

Música é ficção, né, meu amigo? Escrever música também é ficção.

BBBryan Behr

Exato, a gente tem essa liberdade poética aí, entendeu? E, cara, foi muito legal.

AFAndré Felipe de Medeiros

Nem todas as músicas vão ser autobiográficas.

BBBryan Behr

Enfim, o meu repertório, ele, como eu te falei antes, assim, ele tinha um quê muito romântico e melancólico. E o Bela Vista 133, ele tem muito mais balanço, assim, muito mais pertussivo. Então Noturno, para mim, era a mais mais de todas nesse quesito, assim. Então ela ser a um dos singles fazia muito sentido, porque ela já vem para mostrar o álbum assim, que é um álbum leve, solto, livre, com balanço, sabe? Então foi acertado aí colocar ela antes.

AFAndré Felipe de Medeiros

Como é que bate para você essa ideia do medo de errar? 2 anos é pouco tempo, mas você me falou isso há 2 anos assim. Como é que isso tá em você hoje?

BBBryan Behr

Ah, eu acho que eu sempre falo, né, que a gente não— a gente quer se divertir, não tem medo de errar, mas a gente se caga de medo, né? A gente sabe que é uma merda. Porque eu sou um cara assim, eu fui envelhecendo, eu acho que por cuidar de tantas coisas com tanta responsabilidade, né, tocar uma carreira que é um negócio que é muito bonito mas é muito sério ao mesmo tempo, assim, eu fui criando vários medos, assim, medo da vida.

Vinham alguns momentos que eu tava sentindo medo da vida mesmo, assim, tipo, sabe? Eu, é um exercício diário a gente sempre lembrar de não ter medo da vida, a gente sempre se jogar e saber que que pouquíssimas das coisas que a gente teme vão realmente matar a gente, sabe? E quase nenhuma das coisas que a gente teme vai de fato acontecer, sabe? Que a gente fica nessa de ensaiar. Então eu ainda, ainda fico muito nervoso para fazer coisas cotidianas de carreira assim.

Isso às vezes me dá umas gargalhadas assim, sei lá. Uma vez eu fui certa vez tocar na creche da minha irmã. Ela chegou para mim, na época ela tinha uns 6, ou 7 anos, e falou, ó, você vai tocar lá na creche amanhã. Aí eu falei, mas como assim? Ela falou, eu falei que vai ter um show seu e falei que você ia vir. E aí as professoras gostavam muito das minhas músicas, a Lívia também ficava falando que era minha irmã, e aí a gente achou engraçado.

No final ela falou, marquei um show. Eu não dormi, eu tava indo tocar numa creche para criança, muito ansioso, muito nervoso. E é coisa de que eu dou gargalhada hoje assim, que eu olho e falo, cara, que engraçado! E é tudo por Às vezes um medo absoluto de errar, que para mim começou a se esvair mais hoje, principalmente por conta da digitalização do mundo. Assim, em vários momentos no álbum a gente via que algumas coisas não precisavam de mais processos assim, sabe, de você passar num filtro, um equalizador ou coisa do tipo, ou trazer um efeito, um reverb, um delay.

Não precisava porque aquilo humanizava. E isso é muito louco assim. A gente, acho que o maior pesadelo para mim hoje é alguém ouvir uma música minha e achar que foi uma inteligência artificial que fez, sabe? Então, e acho que isso também dá para a gente a ideia maravilhosa, cara, que é só a gente, que é ser humano, é capaz de errar. E eu acho que essa é a maior beleza que a gente tem, porque se a gente for, se a gente for querer ser perfeito, como o mundo às vezes parece hoje com Instagram, com tudo, ou tudo mais assim.

E todo esse mercado de atenção que mostra para gente que a gente sempre tá errado, é incrível. Eu abro o Instagram, eu tô errado 15 vezes em 30 segundos. Você tá comendo assim, você tá comendo errado. Se você lava o cabelo assim, você lava o cabelo errado. Falo, gente, quando eu preciso de alguma coisa assim, eu tenho isso para mim assim, eu vou ligar para alguém que eu sei que sabe. Depois, se ninguém souber, eu vou pedir para alguma IA fazer para mim, porque eu quero ainda falar com as pessoas.

Eu ainda, talvez, beleza, ela pode resolver minha vida ali, o que eu preciso, mas eu ainda quero falar com as pessoas, eu ainda quero dar telefonemas, eu ainda quero que me liguem, sabe? Eu acho que a gente tem que entender, cara, se a gente tá construindo uma vida cômoda, né, tipo buscando recursos para ter uma vida mais cômoda e confortável e saudável, ou se a gente tá buscando recursos para se isolar do mundo e não viver. Porque às vezes parece que é essa a meta, assim, quando a gente se vê assim experimentando esses novos recursos, um feed que não acaba nunca, sabe?

Ou simplesmente uma rede social em que você vê vídeos que você não sabe se são de verdade ou se são de mentira. Então por que que a gente continua vendo se a gente não sabe nem se o que a gente tá vendo é real ou não? Por que que a gente continua tanto vendo? Porque a gente já tá viciado, sabe? E eu quero fugir disso, assim. Então pra mim, naquele momento ali, fazer música do jeito mais humano possível era o melhor jeito de me sentir humano.

De saber que eu podia errar também, sabe? Mas ainda tenho muito medo de muita coisa. E aí eu acho que isso é ser humano, isso é ter uma vida também. A gente saber, como eu falei, né, aos 30 a gente vai entendendo onde dói mais, onde o calo aperta. E é exatamente por isso que é uma das melhores fases da vida, assim, porque a gente também sabe se cuidar, sabe?

AFAndré Felipe de Medeiros

Exato. E aí quando na audição do disco duas pessoas citam a mesma música uma dizendo que é a que mais gostou e uma outra dizendo que é a que menos gostou. Isso te deixa mais ansioso, te dá mais paz?

BBBryan Behr

Dá muito mais paz, porque não tem como. Se você, quanto mais você quiser controlar o resultado de uma, de uma, de um álbum, por exemplo, mais longe você vai estar do seu objetivo. Porque se eu for fazer por exemplo, um álbum para vender, para ganhar muito dinheiro, será que eu vou estar fazendo nesse gênero que eu tô fazendo? Então, quantas coisas você mudaria para atingir um objetivo que talvez nem seja seu, que seja imposto para você dentro da sua cabeça pelos outros, sabe?

Então, cara, assim, eu não sei como eu vou estar daqui 10 anos, mas daqui a 1,50 eu quero estar orgulhoso do que eu fiz. Eu quero olhar para trás e falar, pô, que do caralho que foi isso! Eu quero olhar para trás e falar, meu, Foi muito massa, foi muito divertido, foi legal para caralho, sabe? Então acho que eu vou precisar de pessoas para fazer isso e ter essas memórias, não de mais máquinas, sabe?

AFAndré Felipe de Medeiros

Não é assim, o valor, o valor tá nas pessoas, esse valor tá nas pessoas. E tem uma coisa também, um dos valores das pessoas é entender nuances, um valor das pessoas é sensibilidade cultural, é sensibilidade em todas as habilidades. Isso é valor muito humano. E aí a gente tá falando de erro. Você falou do entra na rede social, aí o jeito que você come tá errado, do jeito que você lava o cabelo tá errado. Exatamente, é assim mesmo.

A gente falou agora há pouco também dos arrependimentos, que aí são de outros erros, a gente tá falando de outra coisa. Mas a palavra erro, quando aplicada a um processo criativo, que que a gente tá querendo dizer com isso, né? E no fim das contas, esse medo de errar ao compor uma música, produzir uma música, ao Que é, como é que a gente avalia o que é o erro mesmo? Porque talvez a música mais errada seja que o outro vai gostar, e talvez a música mais errada é que você mais gostou, e talvez essa seja a grande questão, né?

Então não sei, não sei se o medo de errar é algo que a gente deve carregar com a gente quando tá falando de processo criativo, de trabalho criativo. Entendo que ele é natural a ser humano, né? Então assim, no fim das contas, não é negá-lo, é trabalhá-lo. Como é que a gente vai então desenvolver isso aqui para virar uma outra coisa? Como é que, primeiro lugar, como é que eu desenvolvo esse medo para não me paralisar, para não me impedir de fazer aquilo que eu quero fazer, né?

Num segundo lugar, é deixar ele talvez num lugar de ser uma ferramenta de de perfeccionismo, de cautela assim, de deixa eu ver se tá bom mesmo, só faz bem, né?

BBBryan Behr

Tem uma frase maravilhosa que é: não subestime a desimportância de quase tudo. E eu acho ela maravilhosa por isso, porque esse, esse perfeccionismo, esse apego com o que é certo, ele vem muito desse lugar da gente se achar a última bolacha do pacote, sabe? Que a gente acha importante demais para estar com uma roupa minimamente estranha. A gente se acha importante demais para talvez colocar uma frase torta numa música. Cara, não é bem assim, sabe?

Acho que se fazer música é tão bom, vamos aproveitar a parte boa disso, de a gente poder errar, né? Quando a gente olha para um catálogo como dos Beatles, a gente sabe que das músicas mais ouvidas não são as únicas. Quando a gente olha para o repertório do Djavan, as músicas mais cantadas e ouvidas na história da carreira dele Não são as únicas, tem centenas de outras músicas em que talvez ele ou qualquer outra pessoa possa ter entendido que ele errou ou não, mas existiram, e elas talvez foram ponte para essas outras faixas, para essas outras canções.

AFAndré Felipe de Medeiros

Assim, total.

BBBryan Behr

Então não dá para—

AFAndré Felipe de Medeiros

achei um meme.

BBBryan Behr

Não, já acabei.

AFAndré Felipe de Medeiros

Outro dia eu compartilhei um meme que dizia isso, falava: você preocupado com que as pessoas pensam, as pessoas nem pensam.

BBBryan Behr

É isso. Eu tava no aeroporto semana retrasada e eu parei em um determinado momento assim no meio do saguão assim, olhei para os lados e tava tipo praticamente todo mundo com celular no rosto assim. E a sensação foi meio que essa assim, do tipo, é realmente, acho que não tem ninguém se importando realmente assim com nada, nem comigo, ninguém, nem com a minha roupa, nem com meu cabelo. Eu acho que isso É, para mim foi a primeira quebra assim maluca da cabeça assim quando eu cheguei em São Paulo, que eu lembro que eu tava tomando um café, eu tava eu e a Ana sentada, e passou um cara de bicicleta, de cueca, todo pintado de dourado, com a bicicleta com vários apetrechos dourados.

Ele era todo dourado e ninguém se importou, ninguém falou um aço. Eu percebi naquele momento, eu já vi gente, eu já vi gente caminhando de fralda assim no meio do centro de São Paulo e ninguém se importar, ninguém se questionar do porquê aquilo tá acontecendo, porque é isso, é uma cidade grande, cada um tá cuidando sua própria vida e que se dane, sabe? Então isso ao mesmo tempo foi, meu Deus, o que está acontecendo? Foi bom, então talvez eu não preciso me preocupar tanto, sabe?

AFAndré Felipe de Medeiros

Entendi. A hora que você viu um cara de fralda, você falou, preciso ir embora. Aí você falou, vou me mudar.

BBBryan Behr

Aquele dia foi muito bom, inclusive. Não, não foi por isso não.

AFAndré Felipe de Medeiros

É, pera aí, eu vou voltar o assunto lá de trás agora, porque teve uma hora que eu virei e falei assim, já já a gente fala mais sobre isso. E a gente não voltou a esse assunto, mas eu anotei aqui porque eu acho que é legal falar contigo, vários motivos. Mas quando você falou, e aí vamos repetir aqui, a vida é muito maior do que só a sua carreira, né? E você falou que você é cantor e compositor, mas você é muito mais do que isso.

Agora tô parafraseando, eu não anotei as suas palavras exatamente, mas você falou algo assim, né? Eu sou cantor e compositor, mas Mas é isso, sou muito mais que isso, eu posso ser muito mais do que isso. Tem um lado de ser pós-jovem também aí que é, sim, como você falou, entender isso para mim, entender que eu sou várias coisas, que eu sou a soma delas todas, né? Eu não sou um pedaço delas. Mas eu tenho outro lado que é olhar para o outro também assim, falar, ah, então portanto o outro também não precisa caber na minha expectativa dele.

Sabe? O outro não precisa. Quando vem falar, quando o Brian vem falar comigo, ele vai falar como cantor, como compositor. Mas que mais que ele traz?

BBBryan Behr

Eu acho que se tu conversar por 5 minutos com qualquer pessoa, fazendo as perguntas certas, tu descobre alguma coisa muito legal que ela faz e que tu não faz a menor ideia.

AFAndré Felipe de Medeiros

Fazendo as perguntas certas, tem intenção por trás, tá vendo? Porque eu entendo que as pessoas nem pensam. Vamos voltar no meme, as pessoas não pensam. Então assim, As pessoas estão vivendo num piloto automático do: Brahim, fala rapidamente quem você é em 2 ou 3 palavras só, por favor, para eu não ter que pensar nisso, para eu não gastar energia, sabe? Qual que é a tua bio do Instagram?

BBBryan Behr

Só.

AFAndré Felipe de Medeiros

Eu não quero mais que 140 caracteres para entender quem você é. 140 é até muito. Não quero mais que 80 caracteres para entender quem você é. Mas a gente tá falando de processos de humanização e dos valores que as pessoas têm. E eu entendo que, ao menos na minha, posso estar só autoprojetando, né, mas assim, na minha história de humanizar, da humanização do outro, minha jornada de humanização do outro, isso que eu quero dizer, vem muito essa predisposição, essa intencionalidade para aceitação.

Deixa eu te aceitar como você é e não te fazer caber na minha expectativa de você, sabe?

BBBryan Behr

É, mas eu acho que hoje É difícil não existir uma expectativa porque a gente tem o nosso currículo, vamos dizer assim, na nossa landing page ali do Instagram, um lugar onde você conhece, né? Deixa eu ver quem é essa pessoa, abrir o Instagram, ver 6 fotos e achar que entendeu quem é aquele alguém assim, sabe? É mais ou menos isso que a gente, é mais ou menos isso que a gente vive hoje assim. E é triste para caralho porque para mim a parada mais legal que eu mais gosto de fazer na vida assim, depois de ficar eu com meu violão tocando lá.

É uma das coisas que eu mais gosto de fazer, é conversar, cara, sabe? Conversar, saber do outro, contar para o outro, né? Poder contar com o outro, desabafar para o outro, ouvir o outro. Isso para mim é uma das coisas que eu mais gosto de fazer assim, porque para mim todo aprendizado da vida tá ali. Você aprende as merda que você não pode fazer, você aprende as coisas que você faz que, poxa, são coisas muito boas e que você deveria continuar fazendo, sabe?

Você aprende a ser melhor, cara, e é só conversando. Porque uma coisa que eu aprendi assim em São Paulo e ficando muito tempo dentro de casa, que é o meu hobby preferido também, é muito fácil você se confundir dentro da sua própria cabeça e achar que você entendeu tudo. É muito fácil. Sim. Então acho que a vida acontece da porta para fora mesmo, e da porta para fora da gente assim. Acho que se você não colocar o pé na rua, não vê o mundo acontecendo, é muito fácil você criar verdades para você mesmo e acabar acreditando nelas para o resto da sua vida. E a gente vê muito demais.

AFAndré Felipe de Medeiros

É por isso que a gente se relaciona com os outros também, também por isso. Deixa eu te contar o que tá acontecendo comigo, Brian. Deixa eu te contar o que eu passei. Vou te contar como é que eu me senti. Deixa eu te contar. Sim, eu preciso te contar para você falar: não, amigo, você é maluco, sabe? Eu preciso escutar isso de você. Não, não, você tá viajando, cara. Não é assim.

BBBryan Behr

E parece que quando sai, quando sai da nossa boca para fora assim, essas coisas dentro de uma conversa, elas começam a ter o tamanho que elas realmente deveriam ter assim, sabe? Quando eu te falo, por exemplo, que eu fico nervoso para fazer algumas coisas, eu consigo rir disso. Mas quando a gente sabe que quando a gente pensa sozinho o quão difícil é e o quão moroso é, e o tamanho que isso, né, e o peso que isso dá nas nossas costas assim.

Então conversar, cara, para mim é o maior ato de vida que pode existir, porque Nele tu consegue imprimir as tuas questões, as coisas que estão pairando na tua cabeça, que tu nem sabia que estão pairando na cabeça, mas numa conversa elas vêm, né? Assim, a gente fica nessa de puxar o assunto com o outro, mas esse assunto puxado sempre é uma grande questão, é uma coisa que realmente tá na nossa cabeça, assim, sabe? Eu não gosto de conversa de elevador assim, sabe?

Por mais que eu seja a pessoa que mais conversa no elevador, mas é, eu sou capaz de contar uma coisa da minha de vida de quando eu tinha 9 anos, que eu caí de um pé de alho, para pessoa que eu acabei de conhecer faz 30 segundos assim, sabe? Mas eu gosto disso assim, porque são nessas trocas que a gente cresce. Senão a gente fica nessa, como eu te falei, fica acreditando na gente mesmo e acaba às vezes virando um personagem da gente mesmo, sabe?

AFAndré Felipe de Medeiros

Total, total. E eu não vou falar tchau para você sem tocar no assunto, já obviedade. Não, calma, não vou falar tchau para você. Antes de trazer só a obviedade, a história que é explícita na nossa cara, que é o Bela Vista 133 terminar com Volto Logo.

BBBryan Behr

Faz todo sentido porque é uma música que eu escrevi para minha mãe. Então o Volto Logo é para ela, é eu voltando para casa, não para casa dos meus pais nem para o lugar onde eu nasci, mas voltando para perto, sabe? A música diz: em algum lugar da América do Sul, dentro do bolso um céu azul e na cabeça um sonho bom para correr atrás. Por você e com você no pensamento, eu via o tempo passar lento sempre que me acenava no retrovisor.

Foram inúmeras as vezes em que eu me despedi dos meus pais e saí do ninho, assim, saí de perto já mais novo assim, para ir atrás das minhas coisas, né, para ir atrás da minha música e tudo mais. E eu sou um cara muito família, eu gosto muito de estar com a minha família, estar com a minha irmã, com os meus pais. Então sempre foi muito difícil assim, e sempre foi muito difícil escrever qualquer coisa para os meus pais, porque eu sempre sentia que não dava conta, como se eu fosse escrever qualquer coisa.

Até inclusive a música do Milton Nascimento que ele escreveu para mãe dele, que é instrumental, e no show é lindo assim porque ele não canta, e ele fala exatamente isso: não existem palavras para o que eu sinto aqui. E Volto Logo nasceu assim dessas músicas que caem no colo. Eu sabia que eu tava escrevendo para minha mãe, né? Então a segunda parte dela diz: mas como é que pode me doer um dia inteiro sem te ver, sem pegar na tua mão?

Hoje eu senti a saudade me batendo, eu me vi voltar correndo para tua casa, tuas asas, meu lugar. Eu vou, mas eu volto logo, amor. E eu acho que talvez fale de São Paulo também, mas eu escrevi para minha mãe e fez todo sentido encerrar o álbum começando falando de São Paulo, falando do que é casa, falando dessa construção do que é casa. Que o álbum inteiro nasceu depois de uma pergunta da minha terapeuta, né, que ela falou: o que que é casa para ti?

E ela me ferrou, porque eu fiquei semanas pensando o que que era. E eu descobri que eram as pessoas que eu amo, né? Minha casa são as pessoas, é a música, é esse lugar que na maioria das vezes não é físico. Então encerrar o álbum falando dessa outra casa, que foi o lugar, inclusive na casa dos meus pais, que foi no final de ano que a gente tava viajando, e eu gravei no que era o meu quarto onde eu cresci. Hoje é o quarto da Lívia, minha irmã, e eu gravei ali as vozes do álbum, né?

As que não foram gravadas na própria guia. Então foi muito especial assim, não tinha uma faixa melhor para encerrar o álbum do que essa assim, sabe? Sim, mas talvez eu volte logo mesmo, não duvido, vai saber.

AFAndré Felipe de Medeiros

Na nossa interpretação do lado de cá, a nossa leitura, né, interpretação não tem certo ou errado, né, Brian? Então a gente tá aqui interpretando. Quando um disco termina com Volto, um disco sobre mudança termina com Volto logo. Eu acho que é a abertura, é abertura para o vai saber o que vai acontecer depois. E eu acho que uma coisa que a gente já aprendeu é que a gente sempre volta logo para conversar com outro mais uma vez. Então, então vou te falar tchau sim, mas é um volto logo, até breve.

Amém! Tá aqui no Pós-Jovem. Parabéns pelo disco! Obrigado! Mais legal do que conversar com alguém que tá lançando um disco novo é você perceber, eu vou chamar de maturidade, de crescimento, sim, sabe? Essas escolhas que você fez para fazer um disco ainda mais seu, que eu acho que no fim das contas é isso que a gente quer escutar. E depois eu decido qual que eu gosto mais. Dane-se também o que eu gosto mais, eu gosto menos, mas entender que você tá falando a tua verdade, entender que você tá mostrando o teu momento para o mundo, é isso que mais importa.

Então obrigado por estar mostrando você para o mundo e tá trazendo você aqui para o podcast.

BBBryan Behr

Eu que agradeço, é sempre um prazer conversar contigo. Já tô ansioso pela próxima, já feliz que você curtiu também. É isso, obrigado, meu irmão. Até!

AFAndré Felipe de Medeiros

Eu avisei que o Brian era massa, eu avisei que era legal conversar com ele, eu avisei que era um episódio muito gostoso de escutar, assim como são os seus discos, né? É isso, já tô de olho aqui na próxima oportunidade para a gente poder bater um papo, porque ele é sempre muito legal. Se você tá acompanhando o Pós-Jovens, você tá aí atento, você foi conferir depois do que eu falei, não, o tema da newsletter foi outro. Saiu ontem, dia 10 de agosto, acabou sendo um outro tema, acabou sendo uma metalinguagem falando de orgulho, falando de autocobrança, mas explicando também o momento em que eu tava escrevendo aquela edição da newsletter.

Essa ideia que eu dei aqui no meio do episódio segue válida, mas eu já tenho outra ideia também. Não sei o que vai acontecer, mas é isso. Sugestões para temas de newsletter, manda aí. Sugestões para convidados do podcast, manda também. Elogios, críticas, desabafo, gente, só chegar. podcast@paulojovem.com.br. Se você tá no Spotify, no Apple Music, tem como deixar um comentário. Se você tá no Instagram ou no Blue Sky, tem como chamar @paujovem também e a gente bater esse papo.

Tamo aqui para conversar, tamo aqui para manter contato. E é isso, eu já disse, eu não quero dar mais detalhes, mas fiquem muito atentos então a temporada agosto-setembro aqui do podcast Paus Jovem, com muita coisa legal acontecendo, episódios bastante variados em todos os sentidos. Tem bastante episódio especial vindo, Tem episódio de nostalgia com a Natália Pandeló, beijo Nath, para sair também. E convidados ilustríssimos, gente inclusive que eu sonho em gravar o Pós-Jovem desde sempre.

E tá rolando, tá rolando, tá vindo aí episódios assim que, ó, são presente para mim também, sabe? Eu vou gravando e falando, ai, que delícia, que bom, que bom estar vivo, a vida presta, sabe? O lance meio Fernanda Torres assim. Enfim, Fiquem atentos e vamos seguir em contato, repito. Beleza? Valeu pela companhia, valeu pela moral e a gente se vê num próximo episódio super em breve. Grande beijo!

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