Episódios de Pós-Jovem

Pós-Jovem #326 - fabi FRÓES

05 de maio de 202659min
0:00 / 59:45

Ela é mãe, relações públicas no YouTube/Google, escreve no YouPix e é também autora do livro "Mediocridade - Crônicas de uma Mãe Millennial em Busca do Ordinário". No podcast, Fabi fala sobre ambições e burnout na nossa geração, a alegria de estar em contato com pessoas comuns e muito mais.

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Trilha: ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Peartree⁠⁠⁠⁠

Participantes neste episódio2
A

André Felipe de Medeiros

HostApresentador
F

Fabi Fróes

ConvidadoRelações Públicas no YouTube/Google
Assuntos5
  • O livro 'Mediocridade - Crônicas de uma Mãe Millennial em Busca do Ordinário'A recepção do livro e a identificação com a maternidade · A desmistificação de experiências como o primeiro beijo e o divórcio · A importância de conversar sobre experiências de vida sem filtro · A maternidade como uma faceta da vida, não a totalidade · A busca por uma vida com propósito e paixões diversas
  • Dar Máximo EsforçoCríticas à cultura da performance e da perfeição · O conceito de burnout e suas origens · Vício em dopamina e redes sociais · A importância de ser relevante para si mesmo e para os próximos · A beleza das histórias cotidianas e ordinárias
  • O que é ser pós-jovemAmbições e burnout na geração millennial · Alegria de estar em contato com pessoas comuns · Diferenças geracionais e gírias · Paz de espírito e menos ansiedade na vida adulta · Questionamento de modelos tradicionais de vida
  • Necessidade de consulta pública e diálogoA estratégia de lucrar com a demonização e o isolamento · A necessidade de construir pontes e estabelecer diálogo · A escuta ativa como ferramenta para negociação e compreensão · A relevância de lembrar da proximidade e evitar a inimizade · O Pós-Jovem como espaço para escuta e troca
  • Natureza Humana e Dualidade do SerA dualidade de ser igual e diferente ao mesmo tempo · A vida em condomínios e a separação física e social · A influência da internet na conexão e desconexão · A importância de vibrar com as conquistas alheias · A aceitação da própria individualidade e das diferenças
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E aí, pós-jovem, me conta como é que você tá, você tá bem? Como é que você tem lidado com a vida pós-jovem? Como é que você tem lidado com a vida contemporânea, com essa maluquice que a gente chama de viver hoje em dia? Se você não conhece o pós-jovem, isso aqui é um espacinho de conversas muito sinceras sobre a vida adulta, sobre a nossa geração, sobre o que é que nós queremos, não queremos, tememos, desejamos, realizamos, enfim, nessa fase quando a gente ainda é novo, mas já deixa de ser novinho.

há um bom tempo. Meu nome é André Felipe de Medeiros e toda semana eu estou aqui, então, conversando com alguém bem bacana sobre isso, sobre nós, sobre quem somos, sobre esse período que a gente tem vivido e as particularidades dessas gerações que habitam o mundo hoje em dia. E isso é feito de uma maneira assim...

O Pós-Jovem não se propõe a ser um projeto científico, obviamente, mas um projeto sensível, sabe? Um projeto de vamos abrir porta e janela e vamos espiar o outro, e vamos escutar e vamos trocar informação. E eu sou muito orgulhoso do que a gente já desenvolveu agora em maio o Pós-Jovem faz sete anos. E que bom, que bom que...

Seguimos aí, conversando, escutando, trocando e fazendo uma boa companhia. Acho que isso também é importante, né? A gente se propor a fazer uma boa companhia para quem está escutando. É isso, o Pós-Jovem é para você. E o episódio de hoje é um episódio que eu gostei muito de gravar com o Fabi Frois. Quem é a Fabi Frois? Ela trabalha com relações públicas no YouTube, obviamente dentro do Google. Ela também escreve no YouPix. Ela começou no jornalismo na Rede Globo.

E ela também é autora do livro Mediocridade, Crônicas de uma Mãe Milênio em Busca do Ordinário, que tem tudo a ver com o podcast Pau Jovem, que tem tudo a ver com vários temas que já passaram por aqui. Se você já escutou alguns episódios do Pau Jovem, sabe muito bem do que eu estou falando. E se é a tua primeira vez por aqui, fica aí a deixa de você continuar o papo com outros pontos de vista.

de outros convidados, afinal, já são mais de 300 episódios aqui em 7 anos, 8 temporadas do podcast Pós-Jovem. Se você não sabe por onde começar, eu também ficaria completamente paralisado diante de um número tão grande de episódios. Eu te dou duas dicas. A primeira é que no Spotify tem uma playlist de episódios essenciais do Pós-Jovem. Tem 30 episódios lá que resumem muito do que é o podcast.

na vibe, no clima, mas também nos assuntos. Ou então você pode ir no arroba Pós-Jovem lá do Instagram e ver quem já passou por aqui em área de atuação. Então quem é o pessoal do cinema, quem que é o pessoal das artes, quem que é o pessoal da literatura, enfim. E aí você encontra mais episódios pra você escutar do Pós-Jovem.

Na dúvida, de qualquer forma, já segue o Pós-Jovem na plataforma que você está escutando nesse momento aqui, porque toda semana tem um episódio novinho, fresquinho, para você escutar do Pós-Jovem. Eu vou comentar mais o episódio de semana que vem, no encerramento deste episódio.

Mas eu sinto que é isso, gente. Já falei da Fabi. Fabi é legal demais. Adorei conversar com ela. E tô ansioso pra você escutar logo esse episódio. Então faz assim. Escuta aí o papo com a Fabi. E já já eu volto pra gente conversar um pouquinho mais. Pode ser? Fabi, diz pra gente, pra você. O que é ser pós-jovem?

Nossa, eu acho essa pergunta tão complexa, porque ultimamente eu tenho me sentido muito pós-jovem. Eu acho que eu tô num momento da empresa, eu sou relações públicas, né, e trabalho numa empresa de tecnologia, trabalho há 16 anos no Google barra YouTube. E recentemente... De ouvir falar. E recentemente a gente tem uma leva muito grande de contratação.

Principalmente de uma galera para cuidar de parcerias com os criadores, de uma galera muito jovem. E aí eu acho que eu nunca me senti tão pós-jovem do que convivendo tanto com gente tão jovem. Pessoas de 20 e poucos anos que chegam cheias de energia. E isso é uma coisa que eu acho interessante, porque mesmo a gente tendo o gap de idade...

Eu acho que o nosso pós-jovem tem muita energia ainda, né? Então assim, eu não me sinto diferente em termos de energia. Mas existe um gap, né? Então assim, é você entender que, cara, a gíria, você não sabe mais a gíria. E tá tudo bem, mas assim, você não sabe. A discussão no grupo…

do trabalho era o 67, o 67. Eu falei, gente, o que é 67? Aí eu fui botar no Google, agora o Google treme quando você bota 67. Eu ainda não entendi o que é 67, tá? Eu desisti no final. Isso pra mim é ser pão jovem, entendeu? Eu saberia o que era 67, eu não tenho a menor ideia do que é 67. E mesmo depois de ler, eu não conseguia entender o que era o 67.

E eu acho que é outra etapa da vida, é um conforto também. Para mim é menos ansiedade. Eu ainda sou ansiosa, mas eu acho que na juventude eu era muito ansiosa. Porque você não tem ideia do que vai acontecer.

Existe a beleza disso, que quando você é jovem você talvez não tenha tanta clareza. E existe a grande ansiedade e o grande medo. Então, eu vou fazer 42 esse ano, né? Com 42, eu acho que pra mim também passa por ser uma certa paz, sabe? Acho que se você viveu todas as fases da sua vida bem...

E quando eu digo bem, eu acho que muita gente pensa, principalmente a nossa geração, pensava o bem como um hedonismo, quase um hedonismo, né? Eu tenho que viver muito, eu tenho que ficar muito bêbada, eu tenho que viajar muito, eu tenho que fazer muita coisa. Então, bem é tipo assim, bem, você foi uma criança que brincou, você foi um adolescente que, né?

viajou com seus amigos, fez as besteiras que tinha que fazer, mas também estudou. E aí depois, quando você faz esse rolê ok, você não precisa ser maravilhoso, só ok, você chega com uma certa paz. Então é esse mix de você não ser mais o trending topic, sabe, do tipo... Sei. Mas estar em paz com isso. E estar em paz com a vida que você tem. Então, para mim, o pós-jovem atualmente é isso.

Legal demais. Para mim também, além disso que você falou, eu acho que ser pós-jovem, nós, nossa geração, ser pós-jovem, tem a ver com estar em paz em primeira pessoa. O que é eu ter paz? É a gente ter a oportunidade de a gente pensar isso, a gente ter a oportunidade de a gente discutir isso.

Eu com você, mas assim, você tem a tua ideia de paz, eu tenho a minha e a gente ter paz nessa diferença também. Nossa, concordo muito. A gente vem, isso fala-se muito aqui no podcast, né? A gente vem de gerações que nos ensinaram que existe um jeito de viver.

ou três talvez, no máximo. E a gente está aqui olhando e falando, espera aí, olha o tamanho do mundo, olha o tamanho da vida. E tem a ver com dinâmica digital, porque colocou a gente em contato com o mundo inteiro. E a gente começou a questionar, a falar, espera aí, as pessoas vivem diferente mesmo. O natural é ser diferente. Então, como é que a gente vai se moldar a duas ou três opções? E aí, eu acho que o nosso grande... Me embolei no que eu ia falar.

Eu ia falar o seguinte, o que não quer dizer que a gente tenha paz nisso, porque a gente se sente cobrado ainda assim.

Como assim você ainda não isso, isso e aquilo? Como assim você já aquilo, outra coisa, tal, tal, tal. Pode ser como assim você já tem ruga, como assim você não tem tanto dinheiro na conta. Por exemplo, quando na verdade é... A minha vida é essa, o meu corpo é esse, o meu contexto é aquele, e a minha ideia de paz, Fabi, pode ser bem diferente da sua. Com certeza.

É a gente se respeitar e se encorajar. Saca? Eu queria complementar ainda com o que você está me dizendo. Eu concordo muito. Assim, tipo, a minha paz de espírito não é a sua paz de espírito.

E isso, para mim, é uma das coisas mais interessantes do pós-jovem da nossa geração, que eu acho que foi a primeira geração que rompeu com isso das gerações anteriores. Acho que existiu um modelo muito claro, exatamente o que você disse, do que era você casar, você ter filhos, você ter uma casa própria. E, por exemplo, meus pais são funcionários públicos, era você ser funcionário público.

Pra minha mãe, que faz 80 anos esse ano, ela me teve mais velha até, né? Pra nossa geração, ter filhos era mais jovem, né? Eu vejo hoje em dia que a maioria das minhas amigas de 30... Minha mãe me teve com 38. De 38 anos, 37, eu tenho uma colega de trabalho que fala que é gravidez na adolescência. Eu falo, Raíssa, acho que você tá pegando pesado, mas eu entendo.

Mas o que eu ia falar é que eu acho que até ali Existe um modelo, era o modelo, sabe? E a nossa geração Talvez você, a geração, né? Eu e você somos tênios, né? Aquela virada do X para o milênio Foi uma geração que ainda foi offline Mas pegou já o online

Foi a primeira geração que questionou isso, porque talvez tenha sido exposto a muitas coisas que as gerações interiores não eram. O mundo era muito pequeno. Ele era o raio dos seus amigos, dos seus conhecidos, da televisão. Da televisão, ia televisar uma só, tinha quatro canais e todo mundo basicamente via dois. Isso! Então, mas o que eu acho também foi que a nossa geração, talvez, tenha sido tão bombardeada por isso. Sem nenhum tipo de precedente.

que a gente também ficou meio, tipo assim, a gente se cobra demais. Eu acho que a gente virou meio, tipo, essa insanidade de eu preciso ser excelente, a gente foi criado pra ser excelente, pra ser muito foda. E tipo assim, nada pode ser menor do que isso. E aí, quando a gente foi pro mundo real, a gente viu que somos oito bilhões de pessoas. E que não dá pra todo mundo ser excelente, né? Então…

Aí eu acho que agora, talvez na idade que a gente está, a gente tenha começado a entender isso, pelas exposições que a gente teve, pelos momentos de vida que a gente teve. Outro dia me perguntaram, né, quais são as suas referências? Foi até especificamente de moda, né? Eu falei, cara, pra mim, eu amo a moda brasileira, eu acho a moda brasileira incrível, mas eu não sou uma pessoa estampada.

Não é a minha personalidade. E durante muito tempo eu vesti, né? Tipo, eu sou carioca, vesti as marcas cariocas, né? Mas a verdade é que eu me achei mesmo, tem três anos, com meia dúzia de influência francesa que eu sigo.

Então assim, porque eu não sou francesa Meu corpo não é de francesa Eu não quero ser francesa, eu amo ser brasileira Tipo, mas a moda Francesa tem mais a ver comigo, né Então assim O que é Pra mim moda hoje em dia me sentir bem, né Eu não consigo me vestir como Uma pessoa de 40 anos na idade dos nossos pais E aí a semana retrasada Fala no trabalho, nossa você se veste como fulano Fulano tem 21 anos E eu falei assim, olha, eu tô me vestindo assim desde 96 Beijo

Se alguém se mete como alguém, é um fulano que se mete como eu, tá? Exatamente. Exatamente. Exatamente. Mas eu concordo muito com você, tá, Sô Andressa? Eu queria reforçar que eu acho que, assim, é esse lance da gente ter tido essas coisas, esse monte de influência que fez a nossa paz de espírito ser tão diferente.

É, mas pensando em paz de espírito e pensando na cobrança que você falou, a gente se cobra para a perfeição tal. Eu ando com uma empatia muito grande com nós, assim, sabe? Porque como é que a gente não vai se cobrar tanto se a gente segue sendo cobrado pela geração anterior dos valores deles e a gente tem que sustentar os nossos valores agora?

E nesse embate de cobrança de um lado e do outro, a gente vai mirar no quê? No mais ou menos? A gente vai mirar no falar, eu vou provar para você que a minha escolha é sustentável. Vou provar para você que vale a pena. Eu vou provar para você, só que a gente quer fazer isso no lá em cima. A gente tem que jogar com todas as nossas forças. Não é à toa que a gente está totalmente doente. Todos nós estamos totalmente doentes. Porque é isso aí.

Primeiro que tem essa questão argumentativa. Eu tenho que virar para a geração anterior e falar, valeu a pena a minha escolha. Eu preciso te provar isso. E depois que a gente fazendo isso todo mundo ao mesmo tempo, a nossa régua é cada vez mais alta. E com a régua cada vez mais alta. Eu vi um...

Um comediante que eu gosto, o Josh Thomas, comediante e roteirista e ator australiano, alguns devem conhecer de Please Like Me e tal. Tem um stand-up dele que eu vi um trecho essa semana, que ele fala assim, a gente tá nas redes sociais, tá acompanhando o nosso corpo com o do atleta, com o da celebridade X, Y, do ator e tal, do modelo.

E tal, quando, na verdade, como é que a gente tá se comparando a eles? Porque eles são uma exceção. Aí ele faz uma pausa e fala, você já entrou num ônibus? Aí todo mundo dá risada. Aí ele fala, aquele pessoal é a sua comparação. É quem tá no ônibus com você. Ele tá falando de aparência, né? Mas é isso aí. Eu acho que isso vale pra tudo, porque... Um que pra mim é... Sendo muito aberto contigo, assim, é um câncer social, é justamente essa ideia.

da pessoa que está online tentando pintar uma vida perfeita e tentar sustentar a ideia de que a vida dela é perfeita dentro de A, B e C critérios.

E o pessoal todo, você, eu e todo mundo do ônibus, olhando pra essas pessoas e falando, caramba, minha vida não consegue ser assim. E você não sabe aquela pessoa herdeira, você não sabe aquela pessoa, sabe? Eu tive uma conversa de almoço essa semana com a minha amiga sobre isso. Exatamente sobre esse ponto que você botou. A galera do ônibus, ela não citou um comediante, então talvez a referência dela tinha sido outra, mas a gente teve exatamente essa conversa.

E aí, eu acho que assim, primeiro, eu acho que você falou sobre a gente provar, né, para a geração anterior. A gente criou o conceito de burnout, né? Tipo assim, ele nem existia antes da gente. Patenteado. A gente falou assim, hum, vamos fazer essa máquina esticar aqui, deixar ela bem quentinha até a gente aguentar mais.

Não existia, ninguém falava em burnout. Você ia lá, tipo, meu pai entregou a mesma aula de matemática durante 35 anos de trabalho. Ele nunca falou em burnout, sabe? E a gente criou essa loucura que é o conceito de burnout que a geração agora está questionando. Tipo, eu não quero ser burnout, eu não quero ser vocês. Vocês estão tudo cagados, gente. Tá aí todo mundo...

E assim, eu não treino absolutamente nada contra drogas controladas. Mas aí vocês estão tudo aí. Assim, um pino de droga controlada, eu não quero ser vocês, né? Ou inventando outras drogas, né? Inventando outros vícios, outras dependências. Dopamina, gente. Tá tudo viciado em dopamina. Eu sou viciada em dopamina. Eu falo sobre isso. Eu falo sobre isso com a minha terapeuta. Porque assim, a pandemia com a minha primeira maternidade, porque eu fui mãe pandêmica, eu passava muito tempo dentro de casa e muito tempo no loop da soneca, da mamada, do não sei o quê.

E principalmente quando o bebê é muito pequeno e que ele não interage, é muito tempo sem fazer nada, entre aspas. Você tá fazendo coisa pra caceta. A sensação que eu tinha que eu tinha corrido uma maratona. Mas, assim, meu cérebro, né, tava desestimulado. Mentalmente, né? Então, eu fiquei completamente viciada em mídia social depois disso. Tô até hoje tentando me recuperar. Mas, acho que alguns pontos, assim, que aí eu vou falar um pouco mais da minha experiência e menos do que eu vejo, assim. Que são coisas que eu acho que eu me descolo um pouco.

Um é, como os meus pais, talvez para eles terem essa situação muito do professores, funcionários públicos, eu sentia que eu tinha muito pouca coisa para provar em casa. Parecia que o que eu vi, eu era um upgrade. Eu decidi ser jornalista, eu trabalhei na TV, fui produtora de televisão, minha mãe achava aquilo. Caraca, minha filha trabalha na Globo.

E depois eu vim pro Google. Então, assim, eu nunca senti na minha trajetória, que, cara, assim, é uma trajetória legal, mas é uma trajetória como de muitas outras pessoas, eu nunca senti que em casa eu tinha tanta coisa pra provar, sabe? E eu sempre fui mais cobrada por esforço do que por resultado. Acho que isso me deu uma tranquilidade de me sentir meio... muito ok eu tentar. Tudo bem se não der certo. Então, assim...

E eu acho que aí eu saí de um lugar que eu vejo, quando eu converso com quase todo mundo, que é um dos lugares de maior diferença das minhas conversas com as outras pessoas da nossa geração, né? Que foi o meu ambiente em casa, sabe? Assim, meus pais tinham outras questões, tá, André?

Não foi, tipo... Toda família tem suas questões. Exato. Toda família, ninguém... Eu tô falando pra esse ponto específico, acho que me foi muito favorável, tá? E aí, depois assim, beleza, eu estudei num colégio, né, que as pessoas... Eu estudei no Rio, né, o meu sotaque tá bem claro que eu sou carioca.

Eu estudei no Rio, num colégio muito focado em vestibular e tudo. Mas ainda assim, eu não sei, eu acho que eu dei muita sorte da galera que eu vivi naquele momento. É um colégio que outras pessoas tiveram experiências muito diferentes das minhas. Mas eu tive uma experiência muito boa no momento em que eu estava lá, de que as pessoas meio que começaram a questionar algumas coisas, sabe? Os meus amigos tocavam muito em banda, ouviam muito punk rock, no momento que o punk rock discutia algumas coisas. Eu lembro que eu fui ver Clube da Luta, né? Clube da Luta no colégio.

sendo honesta, com 14 anos, eu não entendi nada. Eu só fui entender Clube da Luta muito mais velha. Mas, assim, a gente foi costurando algumas referências que aquilo foi, né? Tipo, então, eu acho que eu lembro que quando eu cheguei no Google, eu não era obcecada com promoção. E o meu chefe falava assim, para de dizer que tá tudo bom, porque a gente tem uma survey, uma pesquisa que a gente preenche. E eu falava que tava tudo ótimo.

Ele fala, para de dizer que tá tudo ótimo, a gente tem que reclamar. Eu falei, mas pra mim tá tudo ótimo.

Por que eu tenho que reclamar? Eu tô mais feliz. Então, eu acho que... Aí eu me coloco um pouco nesse ponto que eu acho que o fato de... Os meus pais não me cobrarem isso já me deu uma certa tranquilidade. Minha mãe até achava que eu devia ser funcionária pública, mas isso aí ela entendeu rápido que não ia acontecer.

E aí depois, né, as decisões que eu fui tomando, então eu não sei, eu acho que eu sempre tive um pouco de mais conforto e eu vejo isso que talvez seja o meu ponto de comparativo com os meus amigos, com as pessoas que, cara, as pessoas que me são mais caras na vida, que eu sempre acho que isso foi uma tranquilidade que eu tive, que até minha melhor amiga sempre fala isso, ela fala, cara, você não se importa, né, você não se importa se der errado, eu falei, não, eu me importo.

Eu só... Acho que vai ficar tudo bem se der errado. E quando eu digo dar errado, se você for pensar, o que é um ano na nossa vida quando a gente tem 18 anos, sabe? Não é um ano perdido. Agora a gente pensa isso. Mas eu acho que eu tinha isso com 18 anos. Entende? Ah, eu não. É isso que eu estou te falando. A minha melhor amiga falou uma vez, ela falou assim, você não se importa, né? Então você vai fazendo, e é óbvio, né? Que é o que eu te falei do hedonismo, né? Acho que assim, se você tem o mínimo de preocupação, empatia,

Porque você vai fazê-lo também, você pode estar ferrando alguém, né? Você pode estar fudendo com a vida de alguém, porque você está passando por cima de alguém, ou você está, né, tipo, sendo escroto com o sentimento de uma pessoa. Se você tem o mínimo de empatia, se você se importa com as pessoas, eu acho que é muito difícil o outcome de alguma coisa ser ruim, você entende? Porque você está se preocupando com as pessoas à sua volta e você só está tentando ver o que aquilo ali vai dar.

Então, óbvio que fiz várias merdas, né? Várias. Nossa, você é pessoa? Jura? Exato, muitas merdas. Mas, e óbvio que chateei pessoas, magoei pessoas, é óbvio. Mas, eu acho que... Jura que você é humana, Fabi? Juro, sou muito humana, graças a Deus. Eu tenho que, cara, acho que as outras alternativas são piores. Apesar de eu achar que o projeto Raça Humana não deu muito certo.

Eu ainda prefiro ser humana. E brasileira, entendeu? E cagada, zero perfeita. Sei bem, sei bem. Mas, não sei. Eu acho que eu senti menos. E eu acho que talvez isso, hoje em dia, por exemplo, eu nunca quis ser mãe.

E aí, um belo dia, eu acordei de manhã, eu tava já com meu marido, eu fui casada antes, e com meu ex-marido eu não tinha vontade de ser mãe. Eu acho que tinha a ver com a minha idade, mas também tinha a ver com a pessoa, porque ele trabalhava muito, então eu falava, vou ser mãe, vou criar uma filha sozinha. E ele teria muito dinheiro pra pagar uma babá, mas eu não queria uma babá, eu queria um pai, entendeu? E com o meu atual, foi tipo, ele falou assim, você teria filhas? Eu falei, eu não queria. Eu falei, nossa, teria. Então, assim...

Acho que, sei lá, as coisas vão também, foram meio acontecendo, e é isso que é a minha paz, que você estava falando de paz. É a minha paz, entendeu? Tipo assim, eu fui fazendo, saca? E eu acho que é por isso que às vezes eu não me sinto tão desconectada da geração Z, que eu acho que eles são mais assim.

Eu também, exatamente. Por isso que às vezes quando eu converso com a galera do trabalho, é óbvio que eu me sinto pós-jovem. Me sinto muito pós-jovem. Eu não vou entender o que é o 67, sabe? E eu não quero, tá tudo bem. Se eu entender, tudo bem. Mas se eu não entender, também tá tudo bem. Mas quando eu converso com eles, eu sinto uma sinergia nessa coisa que eu já sentia e que eu me senti às vezes desconectado da nossa geração.

E que era muito obcecada. É isso, quando eu cheguei no Google. Por que você não quer uma promoção? Eu falei, claro que eu quero, mas tá tudo bem. Eu tô vivendo isso aqui agora. Então, é meio isso. Essa é a minha paz. Falando nessa tua paz, de onde vem a busca do ordinário? Então, exatamente por aí. Eu acho que eu tô tentando viver no ordinário.

Há muitos anos. E durante muito tempo me foi cobrado o contrário, porque a nossa geração cobrava isso. Eu tenho um colega de trabalho que é um grande amigo, ele é mexicano, ele mora no México e tudo. Hoje em dia tem a própria empresa, já saiu da nossa empresa há muito tempo. E eu toda vez que falo com ele, a gente conseguiu manter uma amizade à distância há 12 anos. E toda vez que eu falo com ele, a gente troca muita música. A minha linguagem de amor, eu brinco que é música.

Se eu mando uma música pra você, eu tô te dizendo que, cara, eu ouvi isso. E eu escuto muita música. Eu ouvi isso e eu pensei em você. Então, a minha linguagem de amor é música. E volta e meia pras pessoas que eu gosto, que eu tenho carinho, eu mando uma música. Eu escuto uma música e mando. Então, as pessoas acabam fazendo isso de volta, né? Porque você também, você desperta isso na pessoa que...

enfim, se interessa minimamente por música, ela ouve alguma coisa e lembra de você. Então a gente troca muita música. E aí, sei lá, a cada dois meses a gente se manda alguma coisa. E ele, toda vez que eu falo pra ele, ele fala, não, eu tô completamente burnout, eu tô completamente burnout todo. E eu falo, cara, como é que você tá operando em burnout há três anos? Como, como, como, como? E ele era uma pessoa no trabalho que era o meu oposto. Ele é o meu oposto nesse sentido, né?

ele tava sempre muito estressado, muito cansado. E ele, claro, a performance dele era também maior do que a minha. Mas eu acho que a performance dele, em comparação ao quanto ele tava estressado, não era tão diferente assim.

E eu comecei a pensar muito isso mais velha, né? Esse lance da gente estar sempre... Tem uma fala no Clube da Luta que o personagem do Tyler Dunn fala para o grupo, né? Ele fala assim, a gente foi criado para crescer achando que a gente ia ser o próximo ator de Hollywood, que a gente ia ser o próximo executivo diretor. E a gente está percebendo que a gente não vai ser...

Entendeu? A gente não vai ser... Quantos diretores a gente tem, né? Tem um livro também que é um livro que eu li recentemente, que é... É... É... Empatia assertiva, em português. E a mulher fala sobre isso, né? Sobre, tipo assim, quem é rockstar, que no início eu falei rockstar, né? Rockstar! Eu penso em um rockstar, eu penso em uma pessoa no palco sendo muito foda, porque pra mim rockstar é a coisa que eu mais gosto da música, eu penso em um rockstar, e um superstar.

E aí, na verdade, ela fala que o Rockstar, na verdade, é a base que solidifica para as outras coisas funcionarem. E que o Rockstar é tão importante quanto o Superstar, porque não dá para ter um Superstar se não tiver um Rockstar. Então, assim, a gente entender que, cara, e a gente no nosso microcosmo, a gente é muito relevante. Cara, eu sou muito relevante para os meus filhos. Muito!

Tipo, minha filha hoje de manhã, ela saiu arrasada porque eu tinha que trabalhar, enfim. E ela tinha que ir pra escola, é uma sexta-feira, e é sempre a mesma coisa. Então, assim, eu sou muito importante pra minha mãe, eu sou muito importante pro meu marido. Por que a gente é tão obcecado em ser muito importante pra muita gente?

Nossa, pra quem eu não gosto. Exato, e não sabe quem você é, de verdade. Exatamente. Mas eu transito pelo mundo, e Fabi, eu tenho muitos amigos, eu conheço, pô, a oportunidade de estar aqui com você, a oportunidade de estar com pessoas que eu admiro, que são muito legais, mas eu transito pelo mundo olhando e falando, é, eu gosto da minoria das pessoas, sabe? Exato. A maior parte, eu não gosto. Eu vou querer agradar a maior parte das pessoas?

Não faz o menor sentido. E aí você... Beleza, aí você quer ser um diretor. Eu entendo, é muito... É um cargo muito legal. Mas quantos diretores tem na sua empresa? Quantos? A chance de você ser... Aí se você tá obcecado em ser um diretor, o quanto você tá deixando de viver? Pra ser o diretor. E é isso, é esse meu... Cara, e eu realmente gosto desse amigo, tá? Tá nas minorias das pessoas que eu gosto, tá? Sim, sim, sim, sim. E, tipo...

Mas ele parece que tá sempre provando alguma coisa pra várias pessoas. E às vezes quando ele conversa comigo eu falo Rói, você tá performando pra quê? Porque eu sou muito direta, né? É uma das minhas maiores características. E aí eu acho que ele se desarma um pouco também. Eu não preciso performar. E eu acho que é um dos motivos pelos quais, de maneira geral, as pessoas se sentem confortáveis pra conversar comigo, tá? Porque eu não tô, tipo assim, você tá me contando alguma coisa? Eu tenho muito interesse em saber, sei lá,

Um livro que você leu. O que você mais gosta de ouvir? Sabe? Ah, eu gosto de ouvir tal música. Ou, sei lá, o que você mais gosta de fazer no seu trampolírio. Às vezes eu pergunto isso numa mesa do Café da Manhã gigante. Porque no Google as mesas são meio coletivas, né? Então a gente estimula muito a você ser sociável, eu acho. Se você é uma pessoa sociável, claro. E várias vezes no Café da Manhã eu pergunto pra pessoas que estão sentadas na mesa que não são do meu time, que não sei o que.

Começam a conversar e um dado momento o que você faz no final de semana pra se divertir? Tipo, ai que legal. Porque assim...

Brother, nós somos absurdamente ordinários, entendeu? Absurdamente. E ainda assim não somos, né, André? Porque eu e você, a quantidade de oportunidade que a gente teve, que a maioria da sociedade não tem, eu não sei nem se dá para chamar a gente de ordinário, sabe? Por que a gente está tão obcecado em dar ser mais do que a gente já é, mais do que a maioria? Por que isso, gente?

Então assim, eu acho que quando... Acredito que você tenha me perguntado por conta do livro. Quando eu resolvi escrever o livro, eu tinha muito essas conversas com as pessoas. E aí quando eu falava isso para as pessoas, eu recebia esse... É verdade, por que eu estou tão obcecado com isso? Porque eu acho que a gente fica no loop e não questiona. E aí quando vem alguém que está igual a você, por que isso? Eu sou igual a você, eu sou igual...

Não sou, mas sou, né? Não sou, mas sou. Exato, exato, exato. Não sou, mas sou, entendeu?

E alguém fala isso... Essa é a condição humana, somos iguais e não somos. Exato, exato, entendeu? E aí eu falava isso, as pessoas falavam, e eu comecei a pensar muito sobre isso depois que eu virei mãe, né? Porque antes da maternidade era uma coisa que eu aplicava pra mim. Era uma coisa que eu pensava pra mim. E eu nem pensava isso da maneira que eu estruturei as ideias, eu só fazia.

Eu só fazia, entendeu? Tipo, eu ia fazendo e ia dando certo. Porque conforme você vai sendo meio pragmática e mais assim, tipo, ah, vou tentar, vou tentar, vou tentar. Vai, começa a dar certo, entendeu? Porque tentativa ir, uma hora dá certo. Um monte dá errado, uma hora dá certo. Entendeu? E aí eu comecei a pensar nisso. Quando eu virei mãe, eu acho que assim, talvez o fato de, de maneira geral, eu me sentir relativamente confortável em viver.

E eu acho que quando eu converso com as pessoas, muitas vezes eu acho tanta gente desconfortável.

Eu viria e falei assim, cara, eu adoraria tentar de alguma maneira passar isso para os meus filhos. E foi aí que eu comecei a pensar mais, de uma maneira mais estruturada, sobre a maneira que eu já vivia. Essa semana eu fui tomar café, eu fui almoçar com uma amiga também, e ela também trabalha em empresa de tecnologia, e ela virou e falou assim, ela estava muito angustiada com a AI. Foi a semana, tipo assim, ela estava... Não, não, não, não, não.

Aí eu falei assim, Laura, mas vamos conversar, o que você pode fazer sobre isso?

Pé no chão, vamos lá. Aí ela ficou me olhando e eu falei assim, amiga, assim, eu também tô angustiado, mas assim, eu não consigo parar. Ai, ai. Então o que eu faço sobre isso? Eu tenho que saber usar, diminuir o meu trabalho chato, porque eu tenho um trabalho que é chato, às vezes eu tenho... Eu sou em relações públicas de crise. Então uma parte gigante do meu trabalho é entender o que está acontecendo dentro do legislativo regulatório do país.

Ler projeto de lei. Para conseguir escrever uma mensagem que enderece como aquilo atinge a minha empresa e como a minha empresa está lidando com aquilo. Então, um pedaço do meu trabalho é ler projeto de lei. E às vezes eu recebo um novo projeto que tem quatro linhas diferentes do anterior. E aí eu vou lá e boto no AI e falo, quais são as quatro linhas diferentes desse aqui para eu não ter que ler esse negócio todo de novo. Então, assim, o que eu posso usar na minha vida que tire um fardo, né? Então, eu uso.

Eu não consigo evitar que esteja aí. Aí ela falou, mas você consegue não pensar sobre isso? Eu falei, consigo. Consigo. Consigo. Eu estou pensando em música, eu estou pensando... Eu tive uma conversa muito legal com alguém do trabalho, aí eu tenho uma amiga que me indicou um livro, eu estou completamente obcecada por esse livro. Eu estou desde fevereiro, que eu só assisto a mesma série, que eu não consegui sair até hoje de Ritualidade Ardente.

Eu consigo obcecar com outras coisas. Eu consigo obcecar com outras coisas. Eu obceco com outras coisas.

Eu tô obcecada, eu só escolhi outra obsessão. Exatamente. E uma que seja menos danosa pra você, né? Dopamina. Tô na dopamina. É isso. Sabe o que eu tava pensando agora, antes de falar com você? Eu quero voltar ao assunto das pessoas serem diferentes e iguais ao mesmo tempo, né? Tem um... Isso já virou um maneirismo da arte, assim, acho que desde o realismo, né? A gente pensar...

na vida urbana e como nós somos juntos e separados ao mesmo tempo. Quando você pensa o prédio, eu moro em apartamento. E é isso, eu tenho aqui no meu prédio os apartamentos e nós dividimos paredes, mas cada um está vivendo a sua vida.

sendo vizinhos, é a mesma aldeia, ao mesmo tempo que é tudo individual demais. E a gente está gravando esse episódio no dia que saiu o clipe do Foo Fighters. Não sei se você chegou a ver, acabou de sair, mas é meu trabalho, eu já escrevi sobre esse clipe, que é justamente o limpador de janelas subindo e vendo os apartamentos diferentes. E tem...

projetos artísticos muito legais sobre isso. No Instagram, sem contrafácio, fotógrafos que fotografam o mesmo apartamento, o mesmo prédio, o mesmo layout de apartamento. E como cada um decorou completamente diferente, porque as pessoas são iguais e são diferentes. A gente divide o mesmo espaço e a gente está total em outro rolê. Só que eu acho que isso também tem um...

um sabor um pouco diferente pra nossa geração. Voltando ao assunto. Eu acho que a gente tem a oportunidade de encontrar essa aldeia do outro lado do mundo, sabe? A história que eu já contei aqui. Eu, com 17 anos, tinha um super amigo de MSN da Noruega. E era conversas que naturalmente tinham tipo, ah, você faz assim, eu faço diferente. Ah, você vai dizer, ah, aqui é de outro jeito. A gente tinha tanto em comum.

E tanta coisa tão diferente. Só que crescer com esse olhar é entender que não preciso ir pra Noruega, eu não preciso ir pro Camarões, eu não preciso ir pras Filipinas. Isso é meu vizinho do lado. É a mesma coisa. A gente é tão igual quando a gente é tão diferente.

Eu ia perguntar alguma coisa pra você? Eu esqueci no meio do caminho, eu perdi o fio da merda completamente. Eu quero completar, porque eu acho que... Oba! Não, é porque você tá falando dessa questão, e eu penso que a nossa geração, nunca a gente foi tão verticalizado, né? A gente não para de subir prédio em São Paulo, é enlouquecedor.

E isso faz com que a gente esteja vivendo literalmente um em cima do outro, mas não um com o outro, né? A gente tá no mesmo lugar, se você for pensar, porque o espaço no chão é o mesmo, mas tá um em cima do outro. Com o GPS a gente tá no mesmo banheiro. Exatamente, exatamente. Antigamente, quando a gente vivia assim, tipo, eu nasci, eu sou de 84.

Eu nasci no Rio de Janeiro, no subúrbio, numa casa, na Zona Norte. Então, assim, para começar, só tinha casa no meu raio. Hoje em dia eu moro num bairro de casa, inclusive. Eu falo que eu voltei para as minhas raízes, que o meu sonho era que meus filhos tivessem o mínimo da infância que eu tive, que é essa infância um pouco menos enclausurada.

é e assim eu sei o tamanho do privilégio que é conseguir morar numa casa em São Paulo mora num bairro aqui é só que é um bairro que não pode subir prédio e tem muita rua fechada então foi única maneira do meu marido aceitar morar numa casa em São Paulo eu tenho uma casa de rua mesmo que eu sou minha vida louca mas eu cresci numa casa de rua no subúrbio do Rio de Janeiro a minha infância nem para os meus amigos que depois eu fui estudar na zona sul já foi muito diferente da deles porque ele já morava em prédio na zona sul

E aí, o que acontece é, tem a famosa frase da é preciso uma vila para criar uma criança, por exemplo. Por que é tão difícil criar filha hoje em dia? Em parte, é porque a gente faz isso sozinho. A gente está um em cima do outro, mas ninguém está ajudando um ao outro. E apesar dos GPS estarem no mesmo lugar, antigamente a gente tinha uma vila.

E a gente tinha uma convivência que era só nessa vila, porque não existia sair da vila, né? Tipo assim, viajar era muito caro, mesmo viajar de avião era muito caro quando eu cresci, né? Então, eu acho que é isso, a internet trouxe isso, né? Você falar com pessoas em outros lugares e descobrir essa diferença. E quando você estava na vila, você não tinha outras diferenças. Seus diferenças eram as mesmas, porque o seu espaço era o mesmo, né?

Então, eu acho que o grande disruptivo da nossa geração é esse. Do tipo assim, a gente agora consegue se conectar muito, mas não tá tão conectado, porque a gente tá no mesmo lugar, mas não tá no mesmo lugar. E aí, a gente tem, de fato, eu acho que você consegue pegar influências e referências do mundo inteiro, que eu acho incrível, sinceramente.

é mas ao mesmo tempo é e cada um tem a sua individualidade e o eu sempre existiu mesmo na vila né ele sempre existiu claro que ele muitas vezes não conseguia se botar para fora né tipo assim eu tava conversando com duas amigas ontem e me perguntaram que faculdade federal em 2002 né back back back back back back back back back back back back back back back back back back back

Eu brinco que tem uma colega de trabalho atualmente, que é uma amiga já, né? Que a gente brinca que ela é minha substância, porque nós somos o mesmo humano separados por 15 anos. E é isso, assim, eu não sou jovem, ela é jovem, entendeu? Mas a gente consegue se conectar por gostos, por índio-secrasias, mas a gente se dá muito bem.

Então assim, é isso, eu não vou viver a vida dela e nem ela vai viver a minha vida. Provavelmente no final de semana a gente vai ter mais dificuldade de achar um programa. Não vou sair pra noitada com duas crianças pequenas. Mas assim, a gente consegue ter uma conversa tão rica, tão legal, que a gente se dá muito bem. E aí a gente tava conversando e a gente tava falando... Calma, eu perdi meu filho da moada. Ah, me perguntaram, me perguntaram se eu já tinha ficado com uma mulher. Eu falei assim, não, mas assim...

Eu não me lembro de ter tido vontade, porque eu não sou o tipo de pessoa que não faz alguma coisa que tem vontade, entendeu? Não ia passar vontade. Não, eu chegava nos caras quando ninguém chegava em caras, entendeu? Tipo assim, eu quero ficar com você. Por quê? Why not? Entendeu? Eu acho que se eu tivesse tido vontade de beijar uma mulher, eu teria beijado. Mas assim, talvez tivesse tão arraigado em mim que eu não tivesse tido a vontade porque eu achava que eu não podia ter. E talvez a minha orientação sexual seja hétero.

E eu não tenha nem deixado uma curiosidade sair de mim, porque ninguém fazia isso há 20 anos, entendeu? E aí uma delas, elas brincaram comigo, né? E aí eu virei e falei assim, mas ninguém fazia, né? Tipo, aí essa que é 15 anos mais nova, que eu também fiz faculdade de comunicação, aqui no caso na USP, eu fiz na UFRJ, ela fez na USP. E ela falou assim, nossa, a minha realidade é muito diferente. 15 anos? Entendeu? Talvez, se eu tivesse a experiência dela.

Então, o quanto é, assim, né, a gente era parecido, porque a gente também não se sentia confortável de socialmente ser diferente. Você entende? E hoje em dia a gente tá mais separado, porque a gente tá no mesmo lugar, mas não tá tão próximo. Mas socialmente é mais aceito, né, não é aceito, mas assim, é ok, né, principalmente dentro do ciclo que a gente vive, você ser quem você é, entendeu? Então, assim, você tinha menos referências.

mas também muito mais cobranças por pertencer. Sim, total. Então eu acho que é mais ou menos isso aí.

E você trouxe o fio da meada que eu tinha perdido. Obrigado. Porque tinha a ver com isso. Que eu quase perdi junto. Não, estamos juntos. Vamos se perder juntos? Que é legal assim. Acompanhado. Bem acompanhado. Mas o lance é também, quando a gente olha o quanto todo mundo é ordinário, que bonito e que massa. E o que eu tenho para aprender com você dentro da sua vidinha?

Exato, exatamente E a gente fica esperando E isso tá falando do clipe das janelas e tal Porque é isso, o que eu tenho pra mim aqui também Exato, cara eu concordo muito com isso As vezes você fica esperando que a outra pessoa Pra alguém ser interessante Ela tem que ter escalado o Everest Sabe? As pessoas escalaram o Everest

Quase ninguém. Quantas pessoas são diretores? Mas caralho, quanta gente tem história legal pra contar daquela viagem pra Itu? Entendeu? Que foi muito legal porque, tipo, ela conheceu alguém que não sei o que. Não, vou jogar outro contra-argumento. Não, argumento junto do seu. Eu cito aqui de vez em quando que história é essa por chá que eu gosto muito daquele programa. E as histórias mais legais das pessoas famosas que a gente conhece e quer se comparar a elas...

São as histórias do dia a dia ordinárias pra caramba. Mas são engraçadas porque furou o pneu do carro. Porque deu piriri. Porque eu não sei o quê. Exato. Entendeu? Nossa, é exatamente isso. E aí, o quanto eu acho que a gente deixa de passar...

Porque assim, o que é a coisa mais legal que a gente faz aqui nessa vida, né? Nesse mundinho que a gente vive, essa doideira que a gente vive? É o ordinário, né? É viver. É se conectar. Eu acho que a coisa mais legal que a gente faz aqui é se conectar. Porque todo o resto é coisa, André. Assim, eu também tenho coisas, tá? Eu adoro coisas. Eu não vim aqui, eu não sou São Francisco de Assis.

Não fiz volta de pobreza. Não acho que a solução é ser macrobiótico e ver o que planta no interior. Não é meu perfil, tá? Eu adoro, adoro as minhas coisas. Adoro os meus confortos. Adoro viajar. Mas assim, o dia a dia é... Eu entro num carro. Eu acordo de manhã, faço café da manhã das crianças, arrumo duas lancheiras, entro num carro, deixo eles na escola, passo a manhã com eles, tento me conectar ao máximo com eles. Mas assim, eu entro num carro, perco 45 minutos da minha venda, uma porcaria de um carro, um preço.

Nesse 45 minutos, o que eu posso fazer pra fazer esse trajeto menos pior pra mim? Então, assim, ao longo dos anos eu descobri que audiobook funciona. Beleza, eu escuto um audiobook. Pelo menos eu me sinto perdendo menos do meu tempo. Porque é meu tempo, é meu tempo, né? Só isso, é a única coisa que é só minha. Exato. E aí eu chego no trabalho e passo oito horas da minha vida no trabalho. Como é que isso aqui pode ser melhor? Não vai ser lendo pra já te ler, certo?

Se eu não me conectar com as pessoas que estão ali, se eu não conseguir achar que aquilo que tá acontecendo ali interessante, a minha vida é um saco, André.

E se você não entender que o que as pessoas têm pra oferecer não é a viagem do bug jump que ela pulou, é a história, né? Tipo assim, é o fandom que ela tá viciada essa semana. Cara, sabe uma coisa que eu acho incrível? A paixão que as pessoas têm de falar sobre algumas coisas, alguma coisa que elas são tópicas, que elas gostam muito. Adoro. E, cara, nada é mais interessante do que alguém que tem paixão pra falar sobre um tópico. Nada.

Porque ela leu sobre aquilo, ela fez não sei o que, ela ouviu tal coisa. E ela vibra, a pessoa vibra. Maravilhoso, né? Sabe, tipo, ela vibra quando ela fala. E gente vibrando é legal, gente. Sabe, gente que vibra é legal. Que coisa mais chata que a gente... E eu falo que quase toda pessoa tem alguma coisa interessante.

Você só tem que descobrir o que é que pra ela é interessante. Muitas vezes não vai ser o que é pra você. Mas se você entender que o jeito que ela fala sobre essa coisa interessante é interessante. É o que eu te falei do livro, do Você Não Está Ouvindo. Você tem que aprender a ouvir o que a pessoa tá te falando. Essa conversa foi prévia à gravação, pessoal. Por isso que vocês não escutaram, mas é isso.

Ai, desculpa. Mas, inclusive, é um livro muito bom. Você não está ouvindo. Mas olha só, por falar em livro, então, como é que tem sido pra você a recepção do Mediocridade, Crônicas de uma Milênia ou Em Busca do Ordinário? Não, vou te interromper. Eu não gostei da minha pergunta. Eu não queria fazer uma pergunta de entrevista. Como foi? Eu quero saber assim. Fabi, e aí? O pessoal tá lendo e comentando com você sobre o livro. O que tá sendo legal nesse processo? Pronto, agora eu tô satisfeito.

Foi muito engraçado, porque eu achei que eu fosse escrever para outras mães, quando eu comecei, né? Tanto que eu acho que eu comprometi um pouco o apetite, e a gente teve que construir isso até, quando eu botei mãe no título. Porque eu achei que o que fosse comprometer, na verdade, quando eu fiz uma entrevista, me perguntaram assim, você acha que botar mediocridade no nome não vai espantar a audiência? Eu falei, claro que não.

Pelo contrário. Pelo amor de Deus. Eu acho que está todo mundo fascinado em não ser medíocre, talvez por isso.

Que eles venham até o meu livro e aí leiam ele até vindo de outro lugar. Mas eu acho que, na verdade, eu acabei afunilando ele mais com o Mãe. Com o Crônicas de Mamãe Millennial. Então eu escrevi também um pouco achando que eu falaria com o Mãe e com o Millennium. Só que foi muito engraçado, porque...

Um, assim, pessoas muito mais jovens viram e falam assim, meu Deus do céu. Tipo, porque eu falo sobre maternidade, mas pra começar, eu não falo sobre os meus filhos. Eu não falo sobre eles, tipo, falando como eles são, em diossicrasias deles. Eu, até o máximo, não expôo os meus filhos. Então, quando eu falo sobre a maternidade, eu falo muito sobre as minhas sensações. E as minhas reações ao meu cotidiano de mãe. Os meus sentimentos. E isso, muitas vezes, você não precisa ser mãe pra passar.

Então, assim, e a primeira parte do livro, eu falo muito sobre a minha experiência.

E como, tipo assim, a minha experiência foi completamente mediana, gente. Meu primeiro beijo foi uma bosta. Minha primeira vez foi uma bosta. Foi uma bosta com a mamaradeira. As pessoas vão uma bosta. Eu quero falar agora, exatamente. Você não sabe o que fazer com a língua. Você não sabe como tirar a roupa. Você não sabe o que esperar daquela experiência. E todo mundo fala, cara, as minhas revistas da época eram assim, não, a sua primeira vez tem que ser com o Príncipe Encantado, que vai chegar num cavalo.

Vai te levar pra um oásis E assim, não foi nada disso Eu fico feliz Que pelo menos as minhas foram todas consensuais Já tô assim, completamente Muito melhor do que muita gente Não que eu queira estar melhor do que muita gente Mas a minha experiência, a minha motivária Não foi traumática Eu não tenho uma experiência traumática A nossa régua da vida é assim, pessoal Que bom que não foi traumático Já tô satisfeito Mas é!

Exato Tipo, cara, eu falo quantas pessoas sofreram abuso Cara, não foi, pelo menos, isso Eu não tenho essa experiência, né Então, eu falo Mas assim, é muito bosta

As minhas primeiras vezes foram muito sem graça, André. Muito sem graça, entendeu? Ah, ninguém se surpreende. E aí as minhas amigas... Isso é vida real, gente. Não, e as pessoas... Exato. E aí as pessoas viram e falam assim, caraca, a minha também foi uma bosta. Ou então assim, eu tenho uma pessoa que entrou em contato comigo e virou e falou assim, ah, eu vou pedir pra minha filha ler.

A filha dela tá com 15 anos agora Porque ela acabou de ter o primeiro beijo E ficou muito triste que foi uma bosta Aí eu falei assim Mas você já conversou com ela sobre o seu primeiro beijo? Porque isso é outro tabu também, né? Por que a gente não conversa mais sobre as nossas experiências Com os nossos filhos? Ou com as outras pessoas, né? Então assim, eu acho que eu quis Eu brinco que é como você pegar um chopp E ir pra um bar e conversar com uma amiga Totalmente sem filtro

Que vai te falar como foi que ela perdeu a virgindade. Que vai te falar como foi que ela... Eu me divorciei. Como se divorciar é uma coisa muito bosta. É uma bosta se divorciar. Ninguém casa pensando em se divorciar, gente. E aí, como a sociedade, muito tempo, inclusive, queria dizer que o divórcio era um fracasso. Não é um fracasso, gente. Foi legal. Foi bom enquanto durou. Vamos partir pra outra. Que é o que eu te falei do tentativo e erro. Eu tentei e errei.

Ou não errei, funcionou por um tempo, é aquela velha história. Mas eu acho que assim, a recepção foi. Eu lembro que uma pessoa virou para mim e falou assim, cara, eu quero conversar com a minha mãe. E saber como foi a vida dela. Eu não sei nada. Eu não sei, eu não sei ela. A gente nunca conversou sobre isso.

E eu falei assim, talvez seja bem sem graça, como as minhas foram sem graça. Acho que talvez a grande diferença dessa situação é que eu tenho, eu acho que eu sou engraçada quando eu conto o sem graça, né? Eu uso de muito humor, eu sou muito sarcástica, então eu sou engraçada. Mas assim, a história em si é uma aposta, entendeu? Então vai aberta pra isso. Mas cara, que legal que também te deu vontade de saber como a sua mãe, porque a gente também coloca as mães, era um dos grandes medos da maternidade pra mim, André.

A gente coloca as mães numa caixa, principalmente a nossa geração. Eu espero que a geração abaixo da nossa, até a nossa geração, né? Eu não sinto isso tanto na geração Z, tá? Mas até a nossa geração virar mãe, esse era o seu título agora. Isso. Ser mãe. É uma condição de mãe, né? E eu não queria ser só mãe. E assim, ser só mãe é coisa pra caralho, tá? Mas assim, eu não queria ser só mãe.

E eu acho que eu sou uma mãe melhor porque eu não sou sua mãe. E eu acho que tem mães maravilhosas desempenhando esta função. E não desempenhando outras, né? Assim, o macro dela, porque a pessoa é assim. Então, eu tinha medo visceral de me tornar mãe. Esse ser o meu título. Então, eu acho que... Eu fico feliz de ter dado uma cara de uma pessoa 360 que tem o título de mãe.

Entendeu? Porque eu continuo, assim, os dois seres humanos que eu mais amo na minha vida são os meus dois filhos. Mas eu tenho tantas outras paixões, tantas outras coisas que eu gosto de fazer. E, cara, eu gosto de correr. Se eu não correr, eu sou uma pessoa ruim. É isso que eu te falei. Eu sou completamente fissurada por música. Eu, com certeza, vou sair dessa call e vou ver o clipe do Foo Fighters, porque eu adoro o Foo Fighters. E eu ainda acho videoclipe uma forma de arte incrível. Então, assim...

Eu gosto de conversar, eu gosto de ir ao cinema, eu gosto de série, eu gosto de comédia romântica, eu gosto de série de gays, hockey players, de jogadores de hockey gays. Então, assim, o que eu mais senti de feedback foi muito interessante ouvir a história de uma mãe.

antes dela ser mãe, ela sendo mãe. E essa perspectiva que eu tenho de... Eu não romantizo as coisas. Eu não faço elas parecerem maiores do que elas estão. Eu não faço minha primeira vez bosta parecer boa.

Eu conto isso com humor, eu acho que talvez seja o grande diferencial do livro. E eu lembro um pouco as pessoas, porque eu não acho que você pode, não existe um curso de prateleira que você pode, agora então beleza, eu vou apreciar o ordinário. Isso não existe, gente, não vai acontecer, eu não tô vendendo essa ideia. Não vou criar um curso de como fazer você chegar lá. Mas eu pensei que se eu contasse a minha experiência em primeira pessoa, eu conseguisse fazer a pessoa ver a dela da mesma maneira que eu vejo a minha. Perfeito.

Massa demais. Como uma grande bosta divertida. Mas é minha, é a minha vida. Meu marido, quando casou comigo, ele falou assim, cara, uma das coisas que eu mais gosto em você é, assim, você acha tudo que é seu muito legal. Eu falei, mas é claro, eu só posso ter o que é meu. É. Tipo, eu só posso ter o que é meu. Eu vou achar o do outro muito legal? Aí eu falava assim, aí eu falava, isso é muito legal. Eu falava pra ele, isso é muito legal. Ele, por quê? Porque é meu. Ele chorava de rir.

Muito bom, muito bom. É isso mesmo, a gente vive em primeira pessoa, né? Se a gente não vai se contentar também nossa vida em primeira pessoa, a gente vai fazer o quê? Ficar vendo rios no Instagram? Aí, pessoal, tapa na cara. Do nada. Eu vejo muito também, tá? É. Mas eu não acho que é mais legal do que o meu, você entendeu? Eu uso muito como entretenimento. É isso, é isso. E como uma de nada pro outro também, né? A gente quer entender o outro. Exato.

E outra coisa também, né? Eu acho que você vibrar com as coisas legais dos outros é muito legal. Ai, total. Sabe? Eu tenho uma amiga de trabalho também, outra amiga. E essa é a mesma geração que a gente, né? Ela vai lançar um livro agora. Ela me mandou, ai, eu te imitei. Eu falei, que me imitou, gente. Quanto milhares de autores tem no mundo? Você tá doida? Ele tá me imitando porra nenhuma. Eu falei, que foda, parabéns. Tipo, cara, vibra pelo outro.

Vibra, vibra pelas pessoas, sabe? Sai por aí vibrando. O meu é mais legal porque é meu, mas ele é meu, ele é mais legal porque é meu, porque é pra mim.

O seu é mais legal pra você, porque é pra você. Então assim, vibra pelo outro, sabe? Torce mesmo, torce. Tipo assim, caralho, que foda que você conseguiu essa prova. Tipo assim, eu corro. Eu sou uma corredora de curta distância. Eu não vou correr uma maratona. Eu tô muito feliz que eu tenho duas amigas que estão correndo uma maratona esse ano. E assim, eu com 20 anos não era assim, tá, André? Isso aí foi construído. Após jovem.

Eu aprendi que vibrar pelo outro é muito legal, tá? Tipo, a minha colega de trabalho foi promovida. Brother, que foda que você foi promovida, sabe? Tipo assim...

Para de achar que o outro tá tirando uma coisa sua. Entendeu? Ninguém tá tirando... É muito raro. Alguém tá tirando uma coisa que é sua. É muito raro. Tirando roubo. Claro. Que aí, de fato...

Cada um tá vivendo sua vida. Perfeito. Perfeito. E a gente vai vivendo junto, que é o que mais importa. Então, poder viver pelo outro. Exato. Exatamente. E Fabi, que bom estar junto com você nesses tantos minutos aqui, falando sobre a vida pós-jovem. Parabéns pelo livro. Parabéns pela busca da mediocridade. Parabéns porque... Exato. Eu não sei se isso é um lugar legal. Eu vou dizer que eu nem tô buscando, não. Eu só sou medíocre. Eu abracei, ó.

Eu nem preciso buscar, eu já tô lá. Entendeu? E eu não sei... Aí eu falei, ah, dado que eu tô aqui é meu, a medicaridade é minha... É isso. Ela vai ser boa. É isso. E me deixa muito otimista com a vida pensar na mãe que você é, assim, sabe? Que legal que tem mães colocando isso no mundo, preparando terreno pra quando for a vez dos filhos dela também viver essas coisas, né?

Eu acho que só nesse tom, eu acho que assim, se tem alguma mãe nos ouvindo, e se reverbera aqui, eu acho que ajuda muito ter outras mães que pensem como você.

Porque assim, a mãe que também está preocupada com o filho performar, e eu acho que é natural, porque como o Millennials é o que nos foi ensinado, eu não tenho nenhuma crítica com relação ao André a isso, sabe? Eu acho que é tão assim, a gente é tão produto do meio, que eu comecei com você falando que eu acho que grande parte de quem eu sou veio o fato de que meu primeiro meio me deixou confortável para ser assim. Então assim, eu não julgo a mãe que está performando, ela foi ensinada a ser performada, a performar.

Mas você como mãe reverbera com o que eu acredito, encontre outras. E talvez não seja sua amiga mais próxima.

Então, assim, a maternidade também abre um portal para amizades que você achava improváveis, mas que, cara, é muito importante. Tipo assim, e normalmente vem na escolha da escola, sabe? Tipo, eu trabalho num lugar que eu acho que as pessoas são bem obcecadas com a escola, né? A escola tem que ser bilíngue, não sei o quê. Eu falei, gente, nesse primeiro momento, eu só queria mesmo fazer dois bons homens. Depois a gente vê o que dá. Inglês dá pra aprender depois.

empatia, bom senso, não dá não. Exato. Então, assim, achou atrás de mãe. É isso, é isso. Obrigado, Tecnopadio Jovem, trazendo você. Obrigada a você, André, foi um prazer.

Eu não disse que era um papo massa com a Fabi, eu não disse que era um episódio muito legal. Então é isso, que bom, eu fiquei muito satisfeito mesmo com esse papo, eu tava editando e...

Pensando de novo nessas coisas, fui acompanhando o papo. É muito legal poder gravar e editar depois de algumas semanas. Porque aí, quando eu escuto, é quase que viver pela primeira vez. E é muito legal poder repensar algumas questões. Às vezes eu discordo de mim já. Tem coisa que eu falo, falo, não, já mudei de ideia, já aprendi outras coisas. Eu tô pensando de diferente. Mas é sempre muito legal ter essa experiência. E eu acho quase inevitável encerrar esse episódio trazendo de novo... ...ovo...

esse lado da relevância, da importância, que a gente está aberto a conhecer o outro. De novo, é o meu vizinho, é quem está tão perto de mim, tão separado por paredes tão simbólicas, muros tão simbólicos, né? Mas também com uma proximidade tão grande. Eu até brinquei, né?

pro GPS a gente tá todo mundo no mesmo banheiro, parece que a gente tá no mesmo cômodo, né? Porque a gente tá, de fato, empilhado um em cima do outro e a gente tá convivendo no mesmo quarteirão tanta gente e, na verdade, a gente se isola, né? E a gente isola o outro também. A gente coloca o outro pra fora da nossa casa, o outro pra fora da nossa cerca, do nosso muro, do nosso portão e a gente esquece que a gente tá convivendo e a gente esquece que a vida é muito maior do que a nossa bolha.

A gente esquece que a nossa vida é muito maior do que os nossos semelhantes, né?

E isso... Eu penso em duas implicações muito práticas para o agora. Eu acho que a primeira é essa que é um pouco filosófica, mas é também...

prática, na minha perspectiva ela é um tanto prática, que é assim, a gente perde muita vida se a gente se fecha, a gente perde muita vida, muita noção do que é o mundo, muita noção do que é a existência, se eu me fecho pra existência do outro, se eu olho pra você, vejo apenas nossas diferenças e portanto te isolo de mim,

eu estou perdendo vida, eu estou perdendo compreensão do que é estar vivo. Por outro lado, quanto mais a gente se liga, quanto mais a gente está aberto, quanto mais a gente conversa, mais a gente troca, mais a gente observa, mais a gente analisa, melhor a gente vai entender o mundo ao nosso redor e a nós mesmos.

É frase que eu falo todo episódio aqui, mas é isso. Ao olhar para o outro, eu me enxergo. Quando eu vejo que a gente é parecido, eu aprendi sobre mim. Quando eu vejo que a gente é diferente, eu aprendi sobre mim da mesma forma. Então essa é a primeira implicação prática. Agora, a segunda, e eu não queria ter que falar isso, e eu não queria ter que tocar nesse assunto.

Mas ser pós-jovem é também entender a relevância das coisas e entender a urgência de alguns temas. E eu trago aqui a verdade. Se você está escutando esse episódio em tempo real, em maio de 2026, a gente sabe que a gente está aí há cinco meses de um período eleitoral...

Ou melhor, no começo das eleições, a gente vai viver um período eleitoral infernal, como tem sido, e a gente já entendeu que é cada vez pior. Como é que a gente vai lidar com isso? Como é que a gente vai lidar com o outro? Porque tem um pessoal lucrando muito com a demonização. Tem um pessoal lucrando demais, se dando muito bem, justamente com essa dinâmica do vamos se isolar e vamos jogar o outro para lá e vamos demonizar todo mundo, inimizar todo mundo.

a ponto de eu ter que me proteger do outro. Esse pessoal é uma estratégia muito sofisticada, e esse pessoal está se dando muito bem com isso. Mas como é que a gente vai construir ponte? Como é que a gente vai tentar estabelecer diálogo? Como é que a gente vai escutar para saber como conversar? Como é que a gente vai escutar para negociar, porque política é isso. Como é que a gente vai, então, estar aberto ou não ao mundo do outro?

E é de uma relevância muito grande a gente lembrar disso. A gente tem isso em mente. Não é segredo para ninguém. O pós-jovem surgiu depois de um período eleitoral desse. Foi na eleição de 2018 e todas as feitas abertas e uma outra cicatriz que ficou naquela época me trouxe para cá para falar, vamos escutar, vamos trocar, vamos estar aberto ao outro.

Não vamos perder isso de vista, não. Então, fica aqui o convite. Não vamos perder isso de vista, não, pessoal. Vamos seguir trocando, vamos seguir...

olhando para o outro, enquanto o outro sim, mas lembrando da nossa proximidade, né? Lembrando que a gente não precisa inimizar, se inimizar, se isolar, isolar o outro e por aí vai. Falei muito vago, falei muito abstrato, muito filosófico? Não sei, me conta, na minha cabeça fez tanto sentido, mas pode ser que não tenha feito, então me conta. Chega aí no podcast, arroba-pause-jovem.com.br, chega aí no arroba-pause-jovem do Blue Sky ou do Instagram.

Tem link para tudo isso na descrição desse episódio, assim como para o canal do WhatsApp, assim como para o que mais? Para o newsletter também, essa semana saiu um texto. E é isso, a gente vai trocando, a gente vai conversando. O Paulo Jovem está aqui para lembrar a gente disso, para a gente não perder a noção da importância que é escutar.

Tá certo, vamos nessa. Sobre isso de estar aberto ao outro também, tem um episódio daqui a um mês, saindo no comecinho de junho, tem um episódio que fala um pouco sobre isso também, numa outra ótica, de um outro jeito, mas vai voltar a esse tema e eu acho importante a gente continuar.

Falando sobre isso mesmo, maio vai ser um mês muito legal. Semana que vem tem a minha amiga Natália Pandeló aqui comigo pra gente falar de um tema que é quase uma repetição. É quase um papo que a gente já teve mais de uma vez nos episódios de Nostalgia do Pós-Jovem. Se você nunca escutou algum, vai rolando o feed, são os de Capinha Vermelha. Esses são os episódios com a Natália Pandeló. Mas é um papo muito bom, que eu sei que vai te fazer bem no lugar da nostalgia, no lugar também do olhar pro passado com...

Perspectiva Pós-Jovem e a companhia de sempre. Estamos aqui. Fora isso, convidadas muito legais agora em maio também. Enfim, é um podcast que eu tenho muito carinho, tenho muito afeto pelo Pós-Jovem e espero que siga fazendo bem para vocês também. Beleza? Um grande beijo para você que chegou até esse finzinho do episódio e espero que a gente se veja de novo na próxima semana. Até lá!