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#159 Inteligência Artificial no Mundo do Trabalho

07 de maio de 202632min
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Neste episódio, conversamos com o Prof. Dr. Jefferson Manhães sobre um dos temas mais urgentes da atualidade: os impactos da Inteligência Artificial no mundo do trabalho.

A IA já está presente em diferentes setores da sociedade, transformando profissões, criando novas demandas, modificando formas de aprender, produzir, ensinar e se relacionar com o conhecimento. Mas, junto com as possibilidades, surgem também muitas perguntas: quais profissões serão transformadas? Que habilidades serão cada vez mais importantes? A tecnologia vai substituir trabalhadores ou pode ampliar oportunidades? Como a educação profissional deve se preparar para esse cenário?

Ao longo do episódio, discutimos os desafios e as possibilidades trazidos pela inteligência artificial, especialmente no contexto da formação profissional, da educação e das mudanças no mercado de trabalho. Mais do que falar de máquinas, algoritmos e automação, este episódio propõe uma reflexão sobre pessoas, escolhas, desigualdades, qualificação e futuro.

Porque, no fim das contas, a pergunta não é apenas o que a inteligência artificial pode fazer, mas que tipo de sociedade queremos construir com ela.

Para eventuais críticas, dúvidas ou sugestões, contate-nos através do e-mail: iffcast42@gmail.com ou pelo nosso Instagram: https://www.instagram.com/iff.cast/

Music from #Uppbeat (free for Creators!): https://uppbeat.io/t/tobias-voigt/particles-and-waves

Assuntos4
  • Futuro do TrabalhoInteligência Artificial · Transformação de profissões · Novas demandas no mercado · Habilidades do futuro · Substituição de trabalhadores
  • Emprego vs. OcupaçãoConceito de emprego · Conceito de ocupação · Precarização do trabalho · Concentração de renda
  • Polarização e desacoplamento no mercado de trabalhoSetor bancário · Automação · Concentração de riqueza · Renda do trabalhador
  • Mentalidade EmpreendedoraJovens empreendedores · Startups · Empreendedorismo qualificado · Dignidade humana
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Bem-vindos e bem-vindas a mais um episódio do IfCast. Aqui, a ciência é vista como uma vela no escuro. Quem vos fala é o Henri. Para quem não lembra, eu sou o bolsista do Bruno. Vai ter um episódio que foi nessa semana passada, que eu já participei. E hoje eu estou aqui roxando, porque o Bruno...

simplesmente me abandonou para falar aqui com um convidado extremamente importante aqui para o nosso meio acadêmico e vai trazer bastante prestígio aqui para o Ifcast mais uma vez. E trazendo já a apresentação deste honrado e convidado é o professor Jefferson, Jefferson de Azevedo Manhã.

E bom, dando aqui uma breve recapitulada no currículo dele, que também, lembrando, ele foi um convidado do podcast do ano passado, breve de maio, foi o palestrante da aula magna do curso de administração, que era um curso novo sendo lançado no ano passado aqui.

Ele é doutor em Engenharia de Sistemas e Computação pela COP e UFRJ, mestre em Informática pela UFRJ, engenheiro e eletricista pela UERJ e também técnico em Mecânica pela ETFC. Reunindo sua formação, uma base sólida que articula técnica, engenharia, computação e educação. Com mais de 30 anos na atuação docência e na gestão educacional, que também já foi reitor dos ensinamentos gerais.

Então é isso aí, Jefferson. Vamos dar corda aí para esse novo episódio. Lembrando, a gente vai ter uma palestra daqui a pouco. Agora são 5 para 18, 18h30. Tem um episódio, uma palestra nova com o Jefferson. Então a gente está fazendo uma breve aqui, mais ou menos, voltando à palestra. Deixa eu só fazer uma observação. Você mencionou a minha formação técnica e mecânica na ETA FC.

A ETFC é a Escola Técnica Federal de Campos, que foi, na verdade, a semente onde se gerou o Cefete Campos e que se tornou, então, hoje o Instituto Federal Fluminense. Então, é a nossa sementinha, o nosso DNA foi gestado ali na Escola Técnica. Eu sou ex-aluno dessa escola, que foi a originária de todo esse grande projeto que é o Instituto Federal Fluminense.

A história do IFE, o pessoal que não conhecia. Eu não fazia ideia dessa situação. Sabia que começou no IFE de Campos, né? Isso. Chamava-se Escola Técnica Federal de Campos. Ah, tá. Nem era nem o Instituto IFE. Não. Depois Cefete Campos, onde ficou Campos e Macaé. E hoje é o Instituto Federal Fluminense, com 12 unidades e já uma décima terceira se formando lá em Magé. Ah, sim.

Essa ETFC foi originária para todos os IFES do Brasil. Porque as escolas técnicas foram transformadas em centros federais. São CFETs. E os centros federais foram transformados em institutos federais. Então seria o nosso avô.

Ah, sim. Tem o pai e o avô. É o pai e o avô é a Escola Técnica Federal de Campos. É bom saber. Eu não sabia disso. Estou aprendendo aqui durante o episódio. E eu tive a oportunidade de estudar na Escola Técnica. É isso aí. É a origem. Mas fala aí, Jefferson, o que você trouxe pra gente? Pra gente poder fazer na palestra, né? Daqui a pouco, o que você preparou. Então, aí...

O meu grande desafio que eu coloquei para mim foi justamente pensar o futuro do trabalho, porque a inteligência artificial é uma tecnologia que hoje nós chamamos de plataforma tecnológica, é uma tecnologia de multipropósito.

porque a partir dela outras tecnologias vão surgir. Então ela passa a ser o que nós estamos chamando a quarta revolução industrial, se dá a partir da inteligência artificial.

E está mudando muito. As posições estão sendo transformadas a partir da inteligência artificial. E esse é o meu objeto de estudo, de instigação. O que está acontecendo no mundo do trabalho? Por quê?

Porque eu sou um educador da educação profissional e tecnológica. E eu quero saber o seguinte, como nós precisamos mudar a nossa instituição, os nossos projetos pedagógicos, as nossas propostas formativas, as nossas atividades complementares, para que eu possa preparar esta juventude?

preparar as trabalhadoras e os trabalhadores para esse mundo que está se formando. Então nós estamos numa plena ebulição, com muitas potências. Eu não sei exatamente o que vai ser no futuro, mas ao olhar as potências, os vetores transformadores, eu quero preparar jovens como você, Henri, para que você, de fato, esteja preparado para lidar com esse mundo.

em muitas transformações. Então, quais são as competências? Quais são os comportamentos? Quais são os conhecimentos que eu preciso constituir na sua formação? Por exemplo, Henrique, eu estou aqui personalizando, para que você possa ter uma longevidade no mundo do trabalho.

para que você possa... Então, muitas coisas estão mudando. Então, por exemplo, o conceito... Isso não quer dizer que eu concorde, tá? Eu estou só falando como as coisas estão acontecendo. Explico isso tão fácil. Onde o conceito de emprego e o conceito de ocupação. Eu estou preparando o jovem.

Para o trabalho ou para o emprego? Parece que não. Isso me interessa saber quais são essas consequências. A consequência de entrar nesta onda, de achar que tudo agora é ocupação, não tem emprego, e eu posso ir para um caminho da precarização, da fragilização, aumentar a exploração daqueles que vendem o seu trabalho.

a favor de uma concentração de renda ou de riquezas, ou eu posso também olhar para isso como um movimento que eu vou ter que desenvolver outras habilidades desse jovem para que ele possa estar neste novo mundo de uma maneira qualificada.

E a inteligência artificial potencializa. Ela não é a causa, como está sendo mostrado muitas vezes, do grande apocalipse do desemprego que está se colocando. Mas ela vem potencializar movimentos que os sistemas econômicos já estão se estruturando há muito tempo, especialmente aqui no Ocidente, e que as tecnologias estão amplificando. Eu vou dar um exemplo.

E eu mostrei na palestra que foi a aula magna que você disse que participou no ano passado. Ótimo palestra. Se a gente olha para o setor bancário e a gente vê, na década de 50, 60, você ia numa agência bancária e você encontrava pessoas trabalhando, indo às agências. Hoje, com as transformações ao longo desse tempo, você tem um banco completamente no celular.

onde muitos postos de trabalho foram eliminados, muitos outros transformados. E isso causou uma polarização no mundo do trabalho, onde você tem trabalhos hoje muito qualificados de um lado e um trabalho muito de baixa remuneração do outro. Então há uma polarização.

É a concentração de renda, né? Que acaba se transformando com a concentração de riqueza. Só que esse movimento, sabe, Errei, ele começa já no final da década de 70, quando dissocia a lucratividade, a produtividade do sistema da produção de riqueza com a renda do trabalhador que se estabiliza. Então há um desacoplamento.

Já no início dos anos 2000, continua a economia crescendo, mas a geração de empregos já não acompanha. Também há esse desacoplamento. E o que a gente percebe é que, na década de 80, 90, início dos anos 2000, a automação ajudou a intensificar esse processo, mas não é a causa.

E agora a inteligência artificial é uma nova tecnologia que deve radicalizar ainda mais esse desacoplamento. Uma tendência muito forte de concentrar renda e uma tendência de precarização do trabalho.

Mas tem algumas oportunidades. Isso hoje que me interessa é saber como eu preparo esses jovens para as oportunidades que estão surgindo, para lidar. É possível hoje, a gente conversava há pouco, você já está sendo previsto para um ou dois anos, você ter a primeira empresa.

Com apenas uma pessoa que vale um bilhão de dólares. Uma única pessoa. Como é que essa empresa se constitui? Na verdade, com agentes de inteligência artificial. Então, hoje, em muitos setores, em muitas áreas...

Eu vou pegar áreas que são muito impactadas pela inteligência artificial. As oportunidades de ocupação e de emprego para as pessoas mais experientes está sendo maior que para os jovens que estão se formando.

Isso é algo quase que inédito. Sempre as pessoas de 50, 60 anos tinham dificuldade de se reinserir no mundo do trabalho. Porque nesse mundo dos agentes de IA, esses agentes, os trabalhos de pequena e média complexidade, ele dá conta de fazer.

Então, por exemplo, no escritório de advocacia, o estagiário, quando entrava lá, ele via a data dos processos, quando ia ter audiência. O advogado que entra no início também, ele aprende muito. Hoje, esse trabalho já tem agentes de IA que dão conta de fazer. E basta você ter um advogado sênior.

com a capacidade de coordenar agentes de IA. Ele vai prescindir do estagiário, prescindir do jovem advogado, mas a pergunta é, se eu prescindo desses cargos, como um jovem hoje vai virar um sênior, se ele não está tendo oportunidade de entrar no mundo do trabalho? Então, essas são questões que nos angustiam, que nós temos que pensar.

Eu tenho uma pesquisa agora, eu tenho, tive acesso a uma pesquisa, chamo de Jovens Conectados. 71% dos jovens que acessam regularmente a internet, 71% deles querem empreender. 19% querem ter uma carreira. Aí você pergunta, mas olha, e aí? Essa instituição, nós, quando preparamos um projeto pedagógico de um curso, como pensamos numa atividade formativa para o estudante, 20% de ensino de ensino de ensino de ensino de ensino de ensino de ensino de ensino de ensino de ensino de ensino de ensino de ensino de ensino de ensino de ensino de ensino de ensino de ensino de ensino de ensino de ensino de ensino de ensino de ensino de ensino de ensino de ensino de ensino de ensino de ensino de ensino de ensino de ensino de ensino de ensino de ensino de ensino de ensino de ensino de ensino de ensino de ensino de ensino de ensino de ensino de ensino de ensino de ensino de ensino de ensino de ensino de ensino de ensino de ensino de ensino de ensino de ensino de ensino de ensino de ensino de ensino de ensino de ensino de ensino de ensino de ensino de ensino de ensino de ensino de ensino de ensino de ensino de ens

Esses elementos estão postos porque o que o jovem está querendo, às vezes, é diferente do que eu estou pensando enquanto professor. Eu ainda estou pensando que o mundo é o mundo dos empregos estáveis. Esse é o mundo que eu desejo, sabe, Rir? É o mundo que dá proteção do trabalhador, que você tem os seus direitos. Mas não me parece que esse é o mundo que está se formando.

Lógico que, politicamente, nós vamos estar sempre brigando para que a gente não deixe que esse processo do mundo do trabalho seja esgarçado desta maneira. Mas a realidade que se impõe é que muitos jovens estão vendo a sua oportunidade.

Às vezes, num empreendimento. Isso pode ser nas startups, que é muito qualificado. Então, você entrar no empreendedorismo de maneira qualificada é muito valoroso. Agora, você pegar um jovem, colocar um isopor nas costas com uma bicicleta e dizer que isso é empreendedorismo, isso também é um tapa na cara da dignidade humana. Então, é possível você ter um processo de empreendedorismo qualificado?

É, mas você pode dar margem também a desqualificar e naturalizar as relações exploratórias do trabalho sem nenhuma proteção para o trabalhador e para o trabalhador. Então, esses são elementos que me instigam. Sim, mas só uma dúvida, Jefferson. Quanto a essa pesquisa que você recomendou 71% entre os jovens?

São jovens já do meio acadêmico ou são geral? Geral, jovens, eu acredito que aí deve ser de 16 a 24 anos, de classes A, B, C, D, que pelo menos acessaram a internet, acho que na última semana tiveram, quer dizer, tem um acesso regular, que praticamente hoje é difícil você não ter um jovem, mesmo jovens das classes mais empobrecidas. Interior.

Às vezes você não tem qualidade de acesso à internet. Mas acessar, provavelmente... Pessoas mais velhas, às vezes, ficam difícil não ter, né? Porque a comunicação é tudo feito isso. A juventude está muito conectada. É, que eu estou perguntando por quê. Para eu poder saber, por exemplo, existe alguma característica no pensamento do estudante, o jovem acadêmico que está fazendo a sua faculdade, que distorce ali do estudante que simplesmente trabalha, aquele cara que está dentro de casa.

Às vezes a mãe tem algum tipo de problema e ajuda o pai com as despesas. Que normalmente é a pessoa mais precarizada, que tem um serviço mais precarizado. Pra poder tentar entender. O que que acontece? Com essa questão da Iago, você comentou na questão de aumentar ainda mais o abismo, né? Entre determinados setores das classes, né? As classes que nós temos aqui no Brasil e em outros países também.

E acaba você tendo uma busca aí cada vez mais avantajada simplesmente por trabalho extremamente qualificado, complexo. E, igual você comentou anteriormente, vai ter menos pessoas como você vai ter.

uma ferramenta que vai poder fazer o trabalho ali de média e baixa intensidade intelectual, complexidade de trabalho, você vai ter pessoas que vai cada vez mais difícil chegar em cargos superiores, executivos, sênior e etc. Então, você acaba transformando um sistema que a gente já vive, que tem já suas desigualdades, principalmente países como os Estados Unidos, o Brasil e países subdesenvolvidos também.

que você transforma um sistema que já é desigual em um sistema mais hereditário ainda. Que normalmente quem vai poder ter acesso a construir isso aí vai ser pessoas que já possuem algum tipo de renda herdada pelos seus familiares, né? Pra poder abrir a empresa e também ter esse tipo de curso técnico aí pra poder saber mexer com as IA's. E é um problema...

Você comentou isso também no episódio ano passado, que num sistema capitalista se demanda de consumo. Então, se você tem menos pessoas entrando em empregos, você vai ter menos pessoas consumindo, que gera menos economia e gera diversos outros problemas econômicos.

Hoje a gente tem isso em principalmente países já europeus, que expulsam a taxa de desemprego muito alta. Aqui no Brasil a gente está com uma taxa bem baixa, de 5%. Estados Unidos e China também são entre 4% e 5%. Então são ainda pelo menos economistas que conseguem ter esse mercado consumidor aquecido, porque tem mais gente já trabalhando. Mas existem outros países que simplesmente não têm essa qualidade. E em cima disso, Henri, é muito importante, porque você vai pegar o Sam Altman, Elon Musk, os CEOs das grandes big techs,

Eles falam de maneira assim, muito tranquila. Tipo, não vai ter emprego. Os robôs vão ocupar o espaço. E as pessoas vão trabalhar como opção. E eles dão a solução. Qual é a solução?

Renda Básica Universal. Traduzindo isso para o Brasil, Bolsa Família. Aquilo que muita gente fica criticando no governo, quem está defendendo hoje a Renda Básica Universal são os CEOs das Big Techs como uma solução para o problema que eles estão criando.

Em tese, eles estão criando em tese, eu botando em teatro. Porque também a gente não pode achar que quem cria são pessoas. Há um sistema, há um processo muito mais amplo. Então eu estou só colocando a tecnologia que eles estão desenvolvendo, ela está acelerando um processo de dispensa dos seres humanos no trabalho em algumas áreas. Então tem duas coisas. Então a solução, renda básica universal. Legal.

Quem vai pagar essa renda básica universal? Porque se for os Estados Unidos, ele paga. Porque lá estão as centrais das big techs. Se for a China, ela também paga. Porque hoje a China é, talvez, já ultrapassando os Estados Unidos como potência mundial em muito pouco tempo. O PPC deles é maior. A Europa, a Europa Ocidental, também. Agora eu faço uma pergunta.

Sudão do Sul, que é o país mais pobre do mundo, ou pelo menos está entre os mais pobres do mundo, como é que ele paga essa conta?

Então, é uma solução que é capenga, como princípio. Porque quem vai obter os lucros, os países que vão obter os lucros, que são poucos, será que eles vão compartilhar esses lucros para criar um fundo mundial de combate à fome? Como o presidente Lula agora fez essa proposta na ONU, vão criar um fundo com a taxação dos bilionários do mundo.

com a ONU, vamos taxar porque a gente queria um fundo. Aí sim, esse fundo pode talvez ajudar a você a democratizar o acesso. Porque o que nós estamos vendo hoje, eu estou falando como o que nós estamos vendo. Nós estamos vendo um nacionalismo muito forte, onde, por exemplo...

um exemplo hoje, claramente, dos Estados Unidos, ele acha que ele não tem nenhum compromisso com os outros países. Eu vou dar um exemplo na OTAN. Os Estados Unidos não quer mais financiar a OTAN. Os Estados Unidos não quer mais participar do Acordo de Paris. Os Estados Unidos não quer mais participar da ONU.

Então, só para dizer o seguinte, eu estou preocupado com o meu problema. Então, eu pergunto, esta solução dado pelos que estão potencializando ainda mais o desemprego, ela não é hoje, na forma que está, factível para os países mais pobres, que vão sofrer mais com isso. Agora, tem um outro elemento também, Henrique. Eu acho que nessa palestra, eu acho que é uma grande diferença da última que eu faço. Eu começo a mostrar também que a IA vai impactar muitos empregos.

Mas quando você olha a complexidade do mundo do trabalho e do conjunto de atividades, as inteligências artificiais atingem hoje, de acordo com dados da OIT, elas impactam 25% do mundo do trabalho, mas mais gravemente de 3% a 4% de determinados empregos.

Não é esse apocalipse que se coloca. Então, por exemplo, há uma grande oportunidade agora, e estou falando isso dados muito dos Estados Unidos, a geração Z, que é essa juventude que você está, ela está percebendo, e pelo que nós estamos vendo,

Os cargos de ensino superior estão mais impactados pela IA. Quanto menos o grau de formação necessário para aquele cargo, menos é impactado pela inteligência artificial. É impactado, às vezes, pela robotização, pela automação, mas não pela inteligência artificial, que ela pega mais no setor de planejamento, de informação. Então, você está crescendo muito.

O técnico em eletricidade, o técnico na área hidráulica, o técnico na área de caldeiraria, o técnico em refrigeração. E sabe por que especificamente eu citei essas? Porque para você construir os data centers para inteligência artificial...

Você precisa hoje de especialistas técnicos, e eu estou falando que tem o operacional das habilidades manuais, das competências do fazer, que a inteligência artificial não dá conta. Então a geração Z está redescobrindo a formação técnica.

como ela está muito imune ao atual desenvolvimento das inteligências artificiais. Agora, no mundo futuro dos humanoides, isso já modifica. Mas existem outros graus de complexidade. Então, estou dando um exemplo dos próximos 10 anos.

É isso que eu estou tentando mostrar, que a inteligência artificial, ela não atinge de maneira por igual todos os empregos, e nos empregos também, não a sua completude, mas atividades. Alguns têm muitas das suas atividades muito impactadas, outros muito pouco. Vou comparar aqui. Se você pega um cara da área de computação, da minha área, 75% do que ele faz, hoje, de um programador,

A inteligência só consegue fazer. Mas se você pega um cara da agricultura, 98% do que ele faz não é impactado pela IA. Eu estou dando dois extremos. E existe todo um conjunto de atividades que não são impactados da mesma maneira. E aí estão as oportunidades. E, naturalmente...

a partir desta tecnologia, também você pode construir outras alternativas. Então, a China está agora com política industrial disponibilizando para as pessoas gratuitamente plataformas de agentes de IA para que o cidadão comum possa começar a pegar as ideias dele para gerar empresas, para gerar negócios.

Então, naturalmente, com mais estrutura, mais qualificado. Então, há um mundo novo que também está surgindo e já começa a haver alguns estudos. E aí eu ainda estou muito cético, mas já começa a Gartner.

que é uma grande empresa de consultoria, ela já faz uma pesquisa que mostra o seguinte, olha, nos próximos três anos, nessas áreas, como, por exemplo, computação é um exemplo, vai haver mais desemprego do que emprego, ou melhor, menos oportunidades de emprego do que oferta, mas a partir de 2029 e 2030, inverte, começa a ter mais geração de emprego do que desemprego.

Essa é uma previsão. O Fundo Monetário, desculpa, o Fórum Mundial também faz essa previsão de que nos próximos 10 anos vai ter mais geração de emprego do que demissões. Então o saldo vai ser positivo. O que nós não sabemos é se vai ser esse saldo, vai dar conta da quantidade de jovens que entram no mundo do trabalho.

Então, eu não tenho ainda esse estudo com essas contas, mas também tem visões de uma grande transformação no mundo do trabalho. Resumindo, esta instituição tem que se debruçar em como eu vou preparar esses jovens para essas...

transformações que estão em curso no mundo do trabalho. Quais são as competências? O que é que eu preciso preparar esse jovem? Quais são os cursos? Quais são as trajetórias? Isso que tem que nos mover. E é isso que eu estou aqui tentando buscar nesse diálogo.

com vocês aqui em Itaperu, em tantos lugares que eu vou, para a gente, nós temos hoje um núcleo de pesquisa chamado Lei EPT, para pensar estas realidades, que são muito complexas, e dão margem para muitas interpretações. Nós vamos ser pessimistas, vamos ser otimistas,

Mas tem um caminho do meio. Nós podemos ser realistas, que é o... Normalmente é o ideal. É o pessimista esperançoso. Então, é assim, você tem que ter a dúvida, você tem que questionar, você não pode achar que a realidade está dada. É uma realidade em transformação. E nós temos que estar envolvidos nesse processo.

E como educador, eu quero estar ajudando a pensar este futuro, a preparar esses jovens, principalmente porque aqui, sabe, Henrique, nós não só preparamos o jovem para o mundo do trabalho na perspectiva do necessariamente o emprego, mas ele ter a oportunidade de estar nesse mundo do trabalho qualificadamente. Mas também esse jovem desenvolver tecnologias.

Esse jovem, a partir da tecnologia que ele desenvolve, ele poder formar uma empresa. É por isso que a gente tem aqui o nosso polo de inovação, que foi criado nessa instituição, para inovar com soluções tecnológicas que sejam mais éticas, que pensem mais nas pessoas.

E esse jovem, com essa ideia, ele pode ir para a nossa incubadora, que nós temos a Tec Incubadora, também lá em campus, que esses jovens podem montar os seus negócios tecnológicos. A gente precisa ensinar isso para os jovens. Nós temos as empresas juniores, que permite o jovem já antecipar para a sua formação aqui na instituição, trazer o mundo...

trazer o mundo do trabalho, quais são os desafios porque ser empresário não é fácil também não a gente acha que só o trabalhador tem os seus desafios não, hoje você empreender no país é desafiador você às vezes coloca em risco às vezes você tem uma casa e tem gente que vende a sua casa para colocar no seu, aposta tudo no carro

e como também para o estudo, eu fui coordenador de uma instituição, há muito tempo atrás, uma instituição particular, e isso mexeu muito comigo, o pai falou o seguinte, olha professor, eu estou vindo aqui porque eu vendi um terreno que eu tenho lá em São Francisco, São Francisco de Tabapuana, para conseguir pagar o semestre do meu filho.

Olha a responsabilidade. Então as universidades particulares também têm muita responsabilidade, porque as pessoas colocam ali a aposta. Porque o que tem de mais rico para as famílias são os nossos filhos, são os nossos jovens. Eu, pessoalmente, eu tenho como educador e compartilho com tantos outros.

Para a gente, o sucesso nosso é quando vocês se destacam, vocês se inserem de maneira qualificada. Quando a gente vê um aluno nosso num movimento social ou numa discussão nacional, internacional. Nós temos hoje alunos que criaram uma tecnologia para leitura.

para monitoramento dos grupos públicos de WhatsApp, que foi usado pelo Supremo Tribunal Federal na discussão lá do golpe que estava tendo no país. Então, olha que orgulho para a gente. Esses jovens hoje são consultores da Folha de São Paulo, usam os dados, jovens formados nesta instituição.

esses jovens ganharam prêmio nos Estados Unidos como empreendedores com essa tecnologia deles. Gente, é isso que a gente quer. Jovens que estão ajudando a moldar o mundo, mas com as boas potências. Onde a centralidade é o ser humano, onde a ética é elemento, a integridade são elementos estruturantes da sua ação comercial. Não tem nenhum problema você ser um empresário de forma alguma.

mas que seja ético, seja responsável com a sua comunidade, com o meio ambiente. Então, tem tantas coisas legais. Então, eu quero gerar uma geração de trabalhadores, de microempresários, de jovens inovadores que transformem esse mundo. E esse é o papel dessa escola.

Sim, e normalmente é dessas novas gerações que surge grande parte dos fatores fundamentais do que a gente vive. A própria IA agora, você comentou a questão da agricultura, fazendo análise da relação direta da IA em cada meio de trabalho. Mas também vai interferir de forma indireta, ajudando a desenvolver tecnologias que às vezes esse outro cara vai usar.

Então, sim, são tantas influências. Eu vou dar um exemplo para você. Um grupo do MIT desenvolveu uma nova família de antibióticos e que só foi possível no curto espaço de tempo, que é muito raro, é muito difícil, são 10, 15 anos pesquisando para você gerar um novo antibiótico, uma nova família de antibióticos. Eles conseguiram fazer isso no espaço, salvo engano, um ano e meio, dois anos.

Porque a IA, o que ela fez? Ela fez um conjunto de simulações e separou um conjunto com mais potencial para se tornar um candidato antibiótico. Esse que já foi separado, ela fez o trabalho mais duro e esse que foi separado permitiu os cientistas e diminuiu o tempo dos testes. E com isso gerou uma nova família de antibióticos. Então, a inteligência artificial, quando...

associada, aumentando as competências dos cientistas, dos trabalhadores, dos empresários, ela amplia as suas potências, ela é boa. Ela é ruim quando ela é desenvolvida para nos substituir. Com isto, com a cabeça. Então é... Que é o grande problema. Essa é a questão que a gente quer... Nossa, daria para entrar na discussão filosófica que é incrível, mas infelizmente a gente não tem tempo para isso.

Mas, no geral, é isso, né, Jefferson? É esse problema aí que ela está tendo. Os problemas e os benefícios que ela está tendo para a sociedade, que é o que sempre acontece com tecnologias, principalmente as disruptivas, né? Como é a inteligência artificial. Mas vou agradecer mais uma vez aí a presença do Jefferson.

Pessoal, tá chegando o fim aqui. Eu poderia aqui ficar até oito horas da noite conversando. Porque não tem áudio aqui, não tem vídeo, mas senão vocês veriam uma sorriso aqui, escutando o Jefferson falar. É um prazer. Muito obrigado, hein. Muito obrigado. Então, pessoal, vou deixar aí com vocês. Um tchau. Ou já se quiser se despedir também do pessoal.

Eu quero agradecer mais uma vez a você e ao Bruno, ao Campus Itaperuna, de estar possibilitando ações como essa, que também é formativa, sabe? Eu não sei se você sabe, talvez não, mas os vários locutores...

de campos, na época que o rádio tinha uma grande potência, foram formados num projeto de rádio, que nós tínhamos na então Escola Técnica de Campos. Os melhores radialistas de campo, muitos deles saíram da nossa escola. Eles não foram lá para fazer rádio, não. Eles foram lá para fazer telecomunicações, para fazer mecânica, mas tinha um projeto como esse aqui.

que permitiu que eles se descobrissem, se aprimorassem, aprendessem. Então, só dando um exemplo, uma instituição é rica do ponto de vista formativo, quando ela oferece várias possibilidades aos jovens. Então, quero agradecer ao Bruno e também ao Campus da Piruna, que tem uma ação de extensão como o IFICAST, que permite que jovens desenvolvam as suas competências. E olha, isso no futuro, não necessariamente você ser um locutor.

mas isso pode ajudar você na sua inserção no mundo do trabalho. Você vai estar mais desenvolvido, seja na questão do raciocínio, na questão comunicacional, que são elementos fundamentais para o futuro. Um abraço a todos. É isso aí. É a contribuição que não pode deixar de ter. A divulgação científica molda a sociedade. Mas é isso, pessoal. Tchau, tchau para vocês. Até o próximo episódio. Fui.