#75 Gibizada ABR/26 - Parte 2: Deadpool 6, Liga da Justiça Sem Limites 5 e 6 e One Piece 6
Enfim estamos em dia com os lidos de Abril. O Gibizada de hoje traz um volume 5 e três volumes 6 (será que isso quer dizer algo?) em resenhas emocionadas pro bem e pro mal. Afinal, somos leitores de mensais, sabemos que o inferno e o paraíso são vizinhos, né?
Tico Menezes
- One PieceEncerramento do arco de Drum · Crítica a lideranças autoritárias e política · Flashback e história de Tony Tony Chopper · Início da saga Alabasta · Apresentação da Baroque Works e Crocodile · Luffy questionando estratégias
- Liga da Justiça Sem Limites Vol. 5 e 6Evento 'Somos o Passado' · Redenção e sacrifício do Onda Aérea · Confronto final contra Grodd · Viagem no tempo e disrupções
- Deadpool Vol. 6Crossover com Homem-Aranha e Miles Morales · Edição anual com Rob Liefeld · Crítica à estratégia da Panini
- Desafiadores do DesconhecidoInvestigação de anomalias temporais · Ser do futuro 'Optimum' · Experiência do Ruivo Ryan com corpo futuro · Conexão com energia ômega
Contemporássico Podcast A inevitável e sempre mutável união do contemporâneo e do clássico
Sejam bem-vindos à inevitável e heroicamente mutável união do contemporâneo e do clássico. Eu sou o Tico Menezes e esse é o Contemporásico Podcast na segunda parte do Gibisada de Abril de 2026. Relembrando por motivos de... Esse pode ser seu primeiro play no Contemporásico, o Gibisada é um programa mensal que reúne minhas leituras de gibis e quadrinhos especiais, buscando acolher aquele leitor que acha que só ele tá acompanhando uma certa mensal, ou que talvez seja a única pessoa no mundo a ler aquele quadrinho diferentão e sensacional, mas que é mais curto.
O Gibisada é esse rolê que só gibizeiro que é gibizeiro entende. E se você não conferiu a parte 1, é só cavucar aqui o episódio de ontem, porque abril trouxe leituras sensacionais. Ah, e eu não sei se vocês perceberam ali no título do episódio, mas esse Gibisada tá trazendo 3 edições número 6. Eu achei uma baita coincidência fazer um programa com os números 666. Mas aí eu tô também falando...
Zoeira, galera, zoeira, mochila de criança já saiu do chat. Ou será que não? O que nos leva... O que nos leva às nossas resenhas de hoje. E, tirando a risadinha de lado, infelizmente, eu devo começar por uma HQ que não foi nada sensacional. Vamos lá. Tô falando aqui de Deadpool Vol. 6. E ó...
Quem acompanha o Contemporásco e os de Bizada sabe que eu me choco constantemente ao dizer o quanto eu tô gostando dessa revista mensal do Deadpool. Se você me perguntar, eu acho que essa fase do Cold Ziggler é papo de melhor fase do Deadpool em anos.
E até aqui eu tenho adorado a leitura, me divertido, me emocionado, tô dividindo com vocês, sabe? É realmente um... Tá registrado o quanto eu tô surpreso e o quanto eu tô feliz lendo essa mensal. Mas aqui no número 6, na mensal número 6, deu a lógica que supostamente era pra ter dado no primeiro volume.
Ficou ruim, tá ruim. Tudo bem, é só uma edição, eu sei que eu tô me emocionando, eu sei que, né? Mas dá raiva, cara, dá raiva quando você pega uma fase que tá tão legal, e aí pô, no número 6, sabe? Pra fechar ali um arco, fica ruim, fica fraco. E, cara, aqui, eu acho que é algo que relativamente dava pra prever.
Porque assim, eles fizeram um crossover que ninguém pediu, obrigando o leitor a comprar uma revista mensal que a gente não coleciona. Cara, Deadpool e Homem-Aranha e Miles Morales não se conversam. E fizeram um crossover aqui onde você tem que comprar a edição, sei lá, 5 do Miles Morales pra poder entender a história que tá rolando. E ainda deram uma edição anual pro Rob Liefeld, que é sempre horroroso. E aí não tinha jeito, né?
As críticas se acumularam. Eu fui ver online e realmente a galera tá odiando. Que bom saber que eu não sou o único.
É uma porcaria. Volume ruim, hein? Eu digo isso com dor no coração, porque eu curto muito essa fase, né? Mas aqui tudo foi ruim. Vamos lá. Primeira edição. A gente tem a continuação do arco do Deadpool e da Ellie contra o Homem-Aranha, num confronto, pra dizer o mínimo, enfadonho. Sem graça totalmente, com o Miles Morales totalmente descaracterizado, mas que tem como pior parte o fato de só ter continuação na revista solo do Homem-Aranha.
É ridículo, eu odeio, cara. Nenhum leitor do Deadpool tá fazendo essa coleção. Se tá, deixa aqui no comentário. Isso aqui foi bait.
Isso é uma bobagem que a Panini segue fazendo e que só afasta o leitor. Eu sei lá como vai ser o volume 7, mas é realmente uma pena interromper desse jeito uma run que tava tão diferenciada, tão boa, tão divertida, quanto essa aqui do Code Ziggler no Deadpool. E pelo jeito a história mesmo, que começou aqui, ela só vai acabar na Deadpool número 7, tendo como meio a revista do Homem-Aranha. Então não vai rolar, não vou saber o final da história.
Mês que vem a gente tá aqui falando mal do Deadpool de novo. Parafraseando o seu Saraiva, estratégia idiota...
Junte a isso uma edição anual que vai ter duas partes, ou seja, uma aqui e a outra na próxima, escrita pelo Rob Liefeld e aí o show de horror tá completo, né cara? Essa anual tem uma história bobalhona, com uma trama genérica de Deadpool numa aventura com dragões e ninjas, como se a gente estivesse preso num loop do que há de pior do começo dos anos 90. É ruim, mas é ruim com força.
E, nossa, isso já baixa a minha expectativa para o subsolo no próximo volume. Se continuar assim, de verdade, Deadpool vai ser a quarta mensal da Marvel que eu desisto de ler e de colecionar só esse ano. Já foi Wolverine, X-Men, Homem-Aranha e eu queria muito que não tivesse mais uma. Infelizmente, esse é um volume marcante pelo quanto está destoando dos outros números da coleção.
E da Marvel em fase ruim, vamos pra DC que tá em ótima fase, mas que tá arrastando umas paradas e, com perdão do trocadilho, decepcionando uma galera. Sacou? Decepcionando?
Liga da Justiça Sem Limites, volume 5. E a gente tá quase no final do demasiadamente longo evento Somos o Passado. E finalmente, pelo menos pra dizer de coisa boa, finalmente a gente teve um momento empolgante nesse evento.
Os vilões começaram a se desentender ali na festa do ego gigantesco dos membros do inferno, o Lex tenta passar a perna em todo mundo ao entender a magnitude do poder remanescente do Darkseid, da energia ômega, o Grodd reage e põe tudo a perder por ganância e ódio, e o esperado deve acontecer, os vilões sendo vítimas de si mesmo.
Mas o mais empolgante vem é na redenção do Onda Aérea, que pasmem, não tá morto, mas foi transformado em arma pelo Grodd, sem querer querendo, claro, né? Só que o moleque é energia, ele tá em qualquer tipo de conexão ou frequência de energia. Enquanto a Liga da Justiça tá totalmente espalhada pelo espaço-tempo, só o Onda Aérea consegue contato com todos eles. E ao mesmo tempo.
Ele explica ali para todo mundo o seu lado da história, se concentra para reunir energia o suficiente para trazer todo mundo de volta e quando falha ele é apoiado pela equipe que acredita nele e com as energias do Flash, Superman, Stargirl, Raio Negro e Cyborg, ele entrega uma equipe pronta para combater o Grodd no momento mais frágil do vilão até agora.
Isso aqui é aquele clássico de Liga da Justiça, né? Todo mundo entendeu o lado do traidor barra agente duplo, se uniu e vão entregar uma batalha sensacional. E vale mencionar que o Grodd tá no seu momento mais cheio de ódio e consequentemente mais perigoso.
O volume 6 promete treta, peia da boa, sarrafo, bufeto no pé da orelha, estamos aqui para isso. Mas não antes, sem a gente ver como é que foi Desafiadores do Desconhecido, que está na sua terceira parte, parte essa que foi mais sucinta, ainda bem.
O foco aqui é no professor Walter Halley, que é o grande cérebro da equipe dos desafiadores, mas o Senhor Incrível já tá num nível de pé atrás com essa equipe, que deixa ele poucas ideias pra qualquer coisa que venha dali. O problema é que em mais uma missão pra investigar uma das anomalias que tem mexido com um membro da equipe por vez, o que o Halley e os dois átomos, o Ray Palmer e o Ryan Choi, descobrem, é que um ser do futuro que se denomina Optimum...
E de ser o professor Halley do futuro, tá tentando alterar o seu passado, que é o presente da história, pra supostamente salvar o futuro com conhecimento do que o Senhor Incrível e a Liga da Justiça estão protegendo. É essa maluquice de viagem no tempo, meu. É isso aí. O final é o mesmo de sempre. Mais um desafiador em quarentena na torre de vigilância, os outros desafiadores achando tudo muito estranho e prometendo que vão tirar a história limpo. E isso já não empolga mais.
Essa revista já encheu bastante o saco, sabe? Parece que eles estão prolongando algo que não vai valer o mistério final. Os personagens não têm carisma e pintar a liga como antagonistas do rolê não tá legal. Infelizmente, a história tá no mix, vamos ver o que vem por aí, mas zero expectativa.
O que nos leva diretamente ao volume 6, que, pasme comigo, ainda não é o fim definitivo da saga Somos o Passado, meu Deus do céu, não acaba nunca. No volume 6, nós chegamos ao apoteótimo confronto final da, como já dito aqui, demasiadamente longa saga Somos o Passado.
E aqui, galera, é só porradaria. Mas, pelo menos, é porradaria da boa. É do tipo desenhada pelo Dan Mora. Essa edição é um presente para os fãs de longa data da DC. Ela é tipo uma barra de chocolate dada para quem permaneceu até aqui. Não é a melhor coisa do mundo, mas é legal. Vale a pena.
Com a confusão no tempo e espaço causada pelo Groddy, que foi mexer na fenda temporal aberta pelo Darkseid lá no especial DC Sem Limites, e absorveu um monte de energia ômega, se tornando um deus gorila, o Onda Aérea, que tá conectado a essa energia ômega, consegue trazer vários heróis de várias épocas da DC pra batalha. E aí é aquele show visual, né? Jonah Hex, Arlequina, Batman do Futuro, Metamorfo, Superman elétrico, tá geral lutando aqui com várias versões de vários vilões também.
É divertido pra caramba, a Liga claramente tá com a vantagem, então é aquela porradaria que é pra gente chegar logo no final. Final é esse que chega, o Grodd é derrotado sim, com o golpe final do Onda Aérea, mas numa explosão de energia ômega, a gente vê o vilão perder e o herói supostamente morrer. E essa suposta morte do Onda Aérea causa não só a tristeza profunda do Senhor Incrível, que tinha acolhido o rapaz, mas disrupções nos mecanismos de viagem no tempo que os heróis têm, e vários deles ficam presos ali, fora do seu tempo. E isso vai gerar o quê?
um epílogo que conclui tudo, eu acho, no volume 7, arrastando essa saga mais um pouquinho, porque né, só seis edições da League, mais duas melhores do mundo, não tava bom.
Loucura, galera. E aí vamos para a edição de Desafiadores do Desconhecido, que, na verdade, não é só mais uma. É a melhor edição dessa revista até o momento. Mais um bombom aí para quem permaneceu até aqui. Dessa vez, o membro dos desafiadores que a gente vai acompanhar é o Ruivo Ryan, um piloto de aviões militares que, junto do Hal Jordan, vai investigar mais uma anomalia com potencial de conexão com a energia ômega. Essa energia que tem contaminado os desafiadores que a gente acompanhou até aqui.
E ao adentrar em uma caverna bizarra no espaço, eles têm uma experiência com um corpo que parece ter sido morto pelo próprio Ruivo, mas no futuro. E ao ter contato com esse corpo, o Ruivo tem uma visão super realista de estar num avião pegando fogo e ao gritar por ajuda, ele só viu a raia negra, sim, o vilão do Aquaman, olhando pra ele e carregando o corpo de uma criança no colo. Quando ele sai dessa visão, suas pernas não funcionam mais.
E esse ritmo frenético de acontecimentos envolvidos no mistério de aparente viagem no tempo é muito bem conduzido, tem uma narração em off do Ruivo que é bem bonita e mexe com o Senhor Incrível e com a Liga, de forma que eles começam a raspar a superfície do que pode estar acontecendo.
Então sai aquela frieza e aleatoriedade das edições anteriores e entra a identificação com o personagem da vez e um mistério interessante sendo trabalhado como um romance de ficção científica. Melhorou bastante e eu espero que, ao menos nessa reta final, os desafiadores do desconhecido façam por merecer essa nossa longa leitura. Tô aqui de dedos cruzados e mandando as melhores energias. Tem que dar certo. Eu li muito pra não ser minimamente bom.
Mas a grande leitura desse finalzinho de mês foi a minha terapia mensal. One Piece 3 em 1, volume 6. E galera, seguimos vencendo. A tradição de One Piece continua e a gente tem aqui mais um volume que supera todos os outros.
O que o Enshiro Oda faz é mágico, é inteligente, é sensível e para os fãs de agora, resta a felicidade de poder celebrar uma obra que é imensamente celebrada há muitos anos. Cara, não tinha como One Piece não ser o fenômeno que é. É uma obra que ressalta o melhor e o pior do ser humano em personagens interessantíssimos.
em tramas simples e super didáticas em suas críticas sociais, desenvolvendo e expandindo esse universo e as possibilidades, cara, com um carisma de milhões. É uma felicidade que nunca para, sabe? É um prazer na leitura, seja na alegria ou na tristeza da trama dos personagens, a gente sempre vai se sentir bem ao lermos As Aventuras de Luffy e Seus Chapéus de Palha.
E aqui o que a gente tem é o encerramento do arco de Drum, mais uma história extremamente política que critica lideranças autoritárias, a perspectiva desumana de políticos que veem a política como negócio, a falta de interesse pela cultura do seu próprio povo e como isso sempre vai levar à ignorância e ao ódio gratuito pelo sentimento comunitário. Mas principalmente, Drum é um arco que reforça o compromisso de One Piece com a importância de se aprender a história para não permitir que o fascismo persevere.
E no meio desse arco, o flashback que explora o passado e a profunda história de Tony Tony Chopper é absurdamente emocionante. Eu não sei se vocês já leram, se vocês assistiram no live action ou no anime, mas cara, que... Eu acho que é o passado mais triste e mais emocionante de todos os personagens até agora. Ele rende cenas memoráveis, traz lágrimas de tristeza e felicidade aos nossos olhos e introduz o mais novo membro dos chapéus de palha, gerando um coro de alegria nos fãs.
Então se você leu a história do Chopper e não quis ele ir no grupo, você só pode estar maluco. E vale mencionar também o debate importante sobre valorizar a ciência, não enxergar a medicina com frieza, se permitir a sensibilidade ao lidar com as vidas que buscam sua ajuda e como o compromisso do médico...
Não pode ser financeiro ou temporário. É uma daquelas profissões que tem que ter paixão. E o Chopper tem. A Doctorine acaba sendo uma grande surpresa nesse aspecto. Eu lembro que no último volume eu tava achando que ela ia ser vilã mesmo. Mas ela manda muito bem aqui. Só que realmente é o Chopper quem brilha em cada página. E é celebrado na esperança de dias melhores com a sua nova família.
E é assim que a gente dá o primeiro passo rumo à Alabasta. Essa que é a primeira mega saga de One Piece e começa a apresentar personagens que vão ser importantes, movimentar peças, explicar motivações, expandir o universo, contextualizar o passado do país e aprofundar o antagonismo que se aproxima na mesma velocidade e intensidade dos chapéus de palha.
A Baroque Works é mostrada em seu cerne, a gente conhece o Mr. Zero, vulgo Crocodile, e a gente entende a dinâmica da organização criminosa e das suas motivações centrais. E esse tempo que a gente passa na mesa dos vilões é crucial para que a gente consiga diferenciar cada um, curtir a excentricidade de cada um e até enxergar paralelos com o grupo protagonista, como nas melhores histórias de bem contra o mal.
Porém, vale mencionar que One Piece costuma fugir do óbvio, então esse tempo com os vilões também pode representar o início de jornadas de redenção ou de auto-descoberta de alguns deles. Ao passo em que os chapéus de palha enfrentam um deserto escaldante, situações fisicamente exaustivas e aprendem ainda mais sobre o passado da Vivi e de Alabasta, dando ao leitor aquela boa e velha sensação de querer defender e lutar pela liberdade de um povo que é vítima de dos vídeos mal intencionados e do controle de narrativa.
Isso não vem sem conflitos ou questionamentos, o que é ótimo, porque os personagens, eles não são simplesmente bonecos, sabe? Que estão esperando ali pela vez de agir, pela vez de falar. E especialmente o Luffy, nessa edição, ele questiona e ele se recusa a seguir com uma estratégia que parecia mais correta até pra nós, até pros leitores. Trazendo uma nova perspectiva pro personagem, né? Porque ele compra uma briga super intensa com a pessoa mais afetada pela situação, né? Pelo golpe que a alabasta tá pra tomar.
Mas isso prova também que muito envolvimento emocional pode nublar a lógica. Então é um time muito completo, são personagens muito articulados. E a cena em que isso acontece é bem marcante e, na minha opinião, entra no top 10 da série até agora.
É cheio de vida, é intensamente político, imprevisível e artisticamente esplêndido. Esse volume 6 é o início de uma nova fase que abraça o leitor com força e promete nunca ceder aos clichês inúteis. É um volume que grita contra... Você que é mão passada e que não vê que o novo sempre vê.
É isso mesmo, gibisada de hoje terminando a oção de Belchior e Elise Regina pra falar de One Piece. Tem que ser assim, só podia ser assim. Abril foi definitivamente um mês, hein galera? Mas o salto foi positivo, tivemos mais leituras boas do que ruins. A vocês, eu deixo meu abraço, minha gratidão pela companhia, que só notícias boas te encontrem, que leituras ainda melhores cheguem aos seus olhos, um abraçaço e a gente se lê.