RepercutA #207- Pais e Filhos Percussionistas
Ritmo em família! 🥁🇮🇳
Muitos artistas mergulham na música e nos tambores a partir dos pais, sendo eles suas primeiras inspirações, primeiros mestres e professores.
Neste episódio: Alla Rakha e Zakir Hussain! 🎧▶️
Tá começando mais um episódio do Repercuta Podcast. Resolvi trazer mais um episódio daquela série de pais e filhos bateristas, percussionistas, quando os tambores, peles e baquetas, quando o ritmo, quando a paixão pela música passa de pai para filho ou de pai para filha. E para esse episódio, uma dupla de percussionistas, duas lendas da percussão indiana, duas lendas da tabla. Uma história muito bonita, você vai conferir aqui, uma história de resistência, de amor à música, de persistência também, e de mentes fincadas em sua própria cultura, mas ligadas com o mundo.
Neste episódio você conhece vida e obra de A La Raca, Isaquias Russaim, pai e filho que escreveram seus nomes na história da música e na história da percussão. Vamos lá, chegou o momento de fazer essa viagem. Eu sou Jade Tavares e você está no Repercuta Podcast. repercuta. Alla Rakha Kresh, percussionista indiano especializado na tabla e também especializado na música Hindustani, que é a música clássica das regiões do norte do subcontinente indiano, tocada com instrumentos como, como vina, a cítara e o sarod.
Esse estilo surgiu advindo da tradição clássica do sul da Índia. O Alla é amplamente reverenciado como um dos tocadores de tabla mais icônicos da história pertencente à grana Punjab, que é um estilo de técnica de tocar a tábua que se originou na região do Punjab, no subcontinente indiano, onde atualmente fica num território dividido entre o Paquistão e a própria Índia. O Raka compôs o grupo do lendário tocador de cítara Ravi Shankar e também foi grande responsável por introduzir a tábua ao público ocidental.
A gente acostumou a ver a Tabla emergindo para música ocidental, na música pop, com os Beatles, por exemplo, e outras, outras bandas. O próprio Ravi Shankar é pai da Norah Jones. E o Alan nasce em 29 de abril de 1919, na província de Jammu, na vila de Ghegwal. Isso durante o regime de invasão dos ingleses nas regiões do Jammu e Caxemira, o chamado Raj Britânico. E após a saída dos britânicos, o distrito passou a se chamar Samba na união do mesmo nome com a Índia.
A língua materna do Raka era o dogri, que derivam de dogmas muçulmanos, muito embora predominantemente o Raka viveu num ambiente hindu. Desde cedo ele toma gosto pela música, principalmente quando tem oportunidade de presenciar músicos itinerantes que por lá passavam. Seu pai na época desaprovava a ideia de aprender a tocar um instrumento ou cantar como profissão para o filho. Aos 12 anos, o Raka foge de casa para morar com seu tio na cidade vizinha de Gusdaspur.
E aí ele tem a liberdade para seguir sua paixão pela música. Ele encontra poucas oportunidades de aprender e de aprimorar a sua vida enquanto percussionista, e logo ele resolve entrar para um treinamento, estudos de Tabla, os tambores tradicionais indianos, com seu mentor, o Mian Kader Baquis. O Raka praticamente se tornou filho dele, era considerado filho, já que o Mian não tinha filhos também. Então uma coisa ajudou a outra.
Logo o Ala foi nomeado um dos próximos mentores da Punjabi Guaraná, que é um estilo de técnica de tocar a tabla que se originou na região do Punjabi, lá na Índia. Exatamente nessa região que contei. O Alahaca teve também aulas de canto em música clássica e o seu regime de prática e dedicação eram clássicos, digamos assim. Isso porque ele passava horas e horas praticando arduamente e sobre muita disciplina, muitas horas por dia.
Ele chega a se apresentar no All India Radio, na rádio indiana, como artista fixo dessa rádio em 1936. E 2 anos depois ele passa pra outra filial da rádio, digamos assim, lá em Bombaim. Em 43 ele deixa esse emprego da rádio e começa a trabalhar gravando trilhas para filmes lá em Bombaim, principalmente no cenário do Bollywood, que é o Hollywood indiano, a Índia sendo um dos países que mais produzem filmes. E aí ele compôs músicas para quase 30 filmes.
Em 58 ele já tava meio desanimado com a indústria cinematográfica indiana, já tinha feito muita coisa. E aí começou a se concentrar mais na música clássica. Ele casou com sua prima, a Bavi Begum, e com ela teve 3 filhos: o Zaquir Hussain, que a gente vai conhecer daqui a pouco nessa dupla de pais e filhos percussionistas, e mais 2 filhos, o Fazal Kresh e o Taufiq Kresh. Esses 2 inclusive vão ficar para uma próxima oportunidade, porque aí fica, são 3 filhos percussionistas aqui, pais e filhos, e aí fica essa dupla de irmãos que são mais contemporâneos, os mais novos, o Fazal e o Taufiq.
Para quem sabe a gente conhecer futuramente num possível episódio de irmãos bateristas ou percussionistas. E ele teve também duas filhas, a Kushid Alia e a Raziya, e ele deixou 9 netos também. Em sua carreira a gente tem essas residências na rádio em 36, em 38, até os anos 40, o início dos anos 40. De 43 a 64 ele compôs um total de 23 filmes, de 23 trilhas sonoras, e também acompanhou como solista artistas como Badgulan, Ali Khan, Alauddin Khan, Vilayat Khan, Vasant Rai, Ali Akbar Khan e o próprio Ravi Shankar.
O mestre Allah Raka alcançou renome mundial como principal acompanhador de Shankar durante sua década de 60, encantando o público no Ocidente com sua maestria, performance, musicalidade e assinatura. Não apenas como acompanhador com senso de tempo e sensibilidade, mas também como solista, onde era um mestre da improvisação, compositor e um showman. Ele já tinha a bagagem desde as gravações para os filmes e também o trabalho nas rádios, então já tava muito consolidado o estilo.
Com Ravi Shankar, uma das parcerias mais bem-sucedidas que durou quase 3 décadas, temos algumas apresentações lendárias como no Festival Pop de Monte Rei em 67 e também no Woodstock, o original, em 69, que serviram para apresentar a música clássica indiana ao público em geral em todo mundo. E depois disso a gente vê várias bandas pop, rock também utilizando timbragens e sonoridades vindas da tabla. O Allah Haka foi também um dedicado professor de música, fundou o Instituto de Música Allah Haka em Mumbai em 85 e sua influência é global.
Ele popularizou a arte da Tabla, tocando no mundo todo e elevando o status e o respeito por esse instrumento. Ele também é responsável por fazer uma ligação entre a música ocidental com a música carnática, que é um sistema musical associado ao sul da Índia, e também a música hindustani, que como já citei é a música clássica das regiões do norte do continente indiano. Percussionistas americanos como Mickey Hart, por exemplo, é um dos caras que estudaram a sua técnica.
Palavra do próprio Mickey: Allan Haka é o Einstein, o Picasso, ele é a forma mais elevada de desenvolvimento rítmico neste planeta. E o Haka também colabora com o Buddy Rich em seu álbum de 68, Rich à la Haka. Vale a pena conferir. A parceria do Haka com Ravi Shankar começa nos anos 50. Tem um registro histórico, o Concerto para Bangladesh do George Harrison, que foram realizados em Nova York. O Ala tá lá junto com Ravi Shankar compondo a banda em agosto de 71.
E esse álbum ao vivo fez tanto sucesso que a Tabla e a música indiana passou a ser amplamente divulgada no Ocidente. Ele também colaborou e compartilhou o palco com muitas figuras importantes da música indiana, como o tocador Vilayat Khan e o tocador de sarod Ali Akbar Khan. Ele também ganhou um prêmio em abril de 2014, o Guruja Concursos, pela ocasião do seu aniversário de 95 anos. Falece em 3 de fevereiro de 2000 em sua residência, de uma forma muito triste, após saber da morte de sua filha Razia na noite anterior durante uma cirurgia de catarata.
Em seu obituário, o jornal New York Times o chamou de o mais importante tocador de tabla de sua geração. E o jornal afirmou ainda que Alain Raça recebeu o título de o mestre músico e professor da arte de tocar tabla. Abre aspas: usou sua habilidade para revigorar todos os músicos que compartilharam palco com ele. Na época, o primeiro-ministro da Índia, o Atal Bihari, também emitiu uma declaração formal lamentando Ele é considerado um dos maiores percussionistas de todos os tempos e um dos músicos que mais contribuíram para levar a tabla da música clássica indiana até os palcos do mundo inteiro.
Seu nome tornou-se inseparável da história da música da Índia e da internacionalização desse instrumento tão peculiar e tão especial quanto a tabla. Esse nome Ustad se refere a um título honorífico que significa mestre. Ele que nasceu na Índia Britânica, ele que além de tabla também tocava o pacawage, que é um tambor muito parecido com a tabla, uma espécie de irmão da tabla, digamos assim, com duas cabeças, com duas peles, em forma de barril, que é originário do subcontinente indiano, feito em madeira, mas anteriormente construído em barro.
Tendo nascido numa família de agricultores, era de se esperar que os pais quisessem que ele também seguisse as tradições da família no formato mais tradicional. Mas desde criança ele demonstrou esse enorme fascínio pela música. E quando ele sai de casa para estudar tabla, ele se torna discípulo do lendário Mian Kader Baquis, que também tem esse título de mestre, um dos maiores mestres da Índia inclusive. E nessa esteira de também estudar canto clássico, isso influenciou no seu modo de tocar tabla, pois o estilo do ala também era tratado enquanto uma tabla que cantava.
Então ele era solista, ele, ele tinha um modo de tocar a tabla diferente do que se havia feito anteriormente. Trabalhando com companhias de teatro desde os 15 anos, ele ficou contratado pela rádio Lahore em 36. Depois ingressou na All India Radio em Delhi e em 40 é quando ele se muda lá para Mumbai. Ele também é responsável por um dos primeiros recitais de Tabla solo transmitidos pelas rádios, e isso ajudou a transformar a percepção do instrumento, que até então era visto principalmente como acompanhante.
Entre grandes palcos que ele passou temos o Carnegie Hall, o Royal Albert Hall, Festival de Monterrey, o Woodstock, como já citei, e diversos festivais europeus e americanos. Essa parceria com Ravi Shankar apresentou a música clássica indiana a milhões de pessoas no Ocidente entre as décadas de 60 e 70. O que é que o Ala conseguiu demonstrar para o mundo e estabelecer com relação à tabla? O poder do improviso, o diálogo com o solista, o poder de assumir o papel de protagonista em algumas músicas e, é claro, emocionar o público de forma individual.
Solando. No seu estilo e tocabilidade, algumas características: velocidade fora do normal, clareza das sílabas, dos bols, das sílabas rítmicas, as claves, a musicalidade exuberante, precisão técnica e improvisação bastante criativa. Em sua técnica, as principais características do seu toque estavam o som limpo, os graves bastante expressivos, o grande controle dinâmico, as longas frases sem perder definição o uso melódico da afinação da Tabla, como já falei, e a perfeita comunicação com o solista.
Muitos percussionistas afirmavam que ouvir o Ala era como ouvir alguém conversando através da Tabla, dado o poder dele com o instrumento. Na escola Punjabi Guarana, o Ala é responsável, é um dos símbolos de potência sonora, frases longas, riqueza de improvisação, a forte influência do Pacauagem, que acabei de descrever, e a grande variedade de combinações rítmicas. O trabalho dele acabou preservando essa tradição e fez mais do que isso, a difundiu internacionalmente.
Segundo o Zaki, o seu pai iniciou o seu aprendizado ainda bebê. Recitando sílabas rítmicas de Tabla no seu ouvido em vez da oração tradicional hindu. Tá aí uma passagem bastante afetiva. A influência do Ala na música ocidental: o seu trabalho inspirou artistas ligados ao universo dos Beatles, do jazz e da música fusion. Até o estabelecimento da carreira do Ala, a gente não via muito a presença de Tablas em gravações e concertos internacionais.
É a partir dele que tudo isso passa a acontecer com mais frequência. Outras honrarias que ele recebeu: o Padma Shri em 77 e o Sanjay Natak Academy Award em 82. Sua filha Razia faleceu subitamente em 2 de fevereiro de 2000 após um problema com uma cirurgia de catarata. E aí, no dia seguinte, ao saber da notícia, o Ala sofre um ataque cardíaco e falece em Mumbai aos 80 anos. E esse momento acabou, essas perdas marcaram profundamente o meio musical lá na Índia.
Em seu legado, o Alla deixa a elevação da Tabla aos status de instrumento solista, a internacionalização da música clássica indiana, a preservação da tradição do Punjabi Guarana, a formação de uma geração de percussionistas, especialmente iniciando por meio de seus filhos, e também influência sobre músicos de jazz, do rock, da música erudita e da world music. Para vários historiadores da música, se o Ravi Shankar foi o grande embaixador da cítara, O Alaraca desempenhou exatamente esse papel equivalente para a tabla, a tornando conhecida e admirada em todo o mundo.
Em seu treinamento extremamente rigoroso, tem os estudos diários durante muitas horas, a memorização de milhares de padrões rítmicos que a tabla permite, a improvisação, a matemática aplicada ao ritmo, o desenvolvimento auditivo e também a própria afinação da tabla, que é nos instrumentos de percussão dos mais difíceis que se tem registro de afinação, um dos mais desafiantes. Essa formação o transformou em um músico capaz de improvisar em qualquer compasso e também dialogar com artistas de diferentes culturas.
Allah Rakha é um dos símbolos da percussão indiana, um dos símbolos da música indiana, que passou o seu conhecimento e musicalidade para os filhos e para músicos no mundo inteiro. E por falar nos filhos, vamos conhecer essa segunda face da moeda nesse episódio aqui do Repercuta. O seu filho mais velho entre os três que se tornaram percussionistas. Nenhuma das suas filhas adentrou na percussão, pelo menos nas pesquisas que fiz, mas três dos seus filhos entraram na música e na percussão: o Fazal, o Taufiq e o Zaqui, o Saim, ele que faz essa segunda parte do episódio.
Ele nasce em março de 51, filho mais velho do Raka, e que além de percussionista também foi produtor musical, compositor, arranjador e ator de cinema indiano. Ele também atuou lá no Bollywood. Grande parte da sua vida ele leva na região da Baía de São Francisco. Francisco, lá na Califórnia. Filho mais velho do Alahaca, o Zaqui Hussain foi amplamente considerado o maior tocador de tábua de sua geração e um dos melhores percussionistas.
Ele produz música em vários gêneros e contribui também para popularizar a música clássica indiana, levar para frente o que seu pai já tinha iniciado, levando a música indiana para um público global. Ele recebeu o National Heritage Fellowship, que é um prêmio, uma honraria concedida a artistas e músicos tradicionais. Ele também recebeu o Prêmio Sanjay Natak do governo da Índia em 1990 e o Prêmio Ratna Sadh Sa em 2018. O Saim recebeu 9 indicações ao Grammy, vencendo 4 vezes, incluindo 3 em 2024.
Ele foi descrito como o expoente mais reconhecível da Tabla pelo jornal The Guardian e também para o New York Times, abre aspas, o movimento fluido de seus dedos rivaliza com o bater das asas de um beija-flor. Ele nasce em Mumbai, que é capital do estado de Maharásha, lá na Índia, e ele passa por um treinamento muito parecido com o do pai com muita formalidade, em música clássica hindustani, tendo começado aos 7 anos, iniciando cada manhã religiosamente com 3 horas de aula por dia no mínimo.
Ele começa a se apresentar em concertos também aos 7 anos e a fazer turnê aos 12. Ele estudou na St. Michael's High School no bairro de Mahim e se formou no equivalente da escola para uma graduação maior, o college, em Mumbai. Já um rapaz, ele descobre bandas como Jimi Hendrix e The Doors. E aí considerou a possibilidade de se tornar um baterista de rock. No entanto, numa conversa com George Harrison, ele foi convencido a desistir disso, dessa ideia.
Segundo Harrison, enquanto tocador de tabla, ele teria a possibilidade de combinar música oriental e ocidental e criar o seu próprio som, não apenas reproduzir o que já havia, né, no eixo Estados Unidos e Inglaterra. Ótima ideia, inclusive ótima fala. E como sempre nos leva àquilo de você, de você abraçar o que você é e de onde você veio. Isso também aconteceu com o Hussein. Na década de 60 ele se muda para São Francisco e segundo ele, por lá ele aprendeu a tocar bateria também com o próprio Mickey Hart, um dos caras que estudou o seu próprio pai.
Essa relação O fluxo da vida mesmo. O Mickey Hart estudou percussão com seu pai e deu aula de bateria ao Hussein. E também com Mickey ele estuda música clássica. Improvisação também era uma habilidade do Hussein, ele que toca no álbum do George Harrison de 73, o Living in the Material World, no álbum do artista John Harley de 73, o Hard Work, e foi membro fundador do grupo de fusion de de jazz rock Shakti, que era uma banda fusion formada por John McLean, guitarrista inglês, o Shankar, violinista indiano, e o Yuviku Vinayakaran dividindo percussão com o próprio Zaquir.
O Hussain também toca no álbum do artista Van Morrison de 79, o Into the Music, e também no álbum do Earth, Wind Fire de 83, o Power Light. Junto com Mickey Hart, ele grava o álbum especial Planet Drum com bateristas de diferentes partes do mundo, o Hussein, isso na década de 60. E ele também participa do álbum do Vico Vinayakram, com quem já tinha colaborado anteriormente. Com esse álbum Planet Drum, ele ganha o prêmio de melhor álbum de música de World Music em 92.
Ele também atua como mentor musical do filme indiano Malayala Vanaprastham, que é um filme de drama psicológico da época, lançado em 99, e que foi apresentado no Festival de Cannes no mesmo ano. Ele ganhou um prêmio no Festival Internacional de Cinema de Istambul, na Turquia, em 2000. No mesmo ano, no Festival Internacional de Cinema de Mumbai, na Índia, e o Prêmio Nacional de Cinema de 2000 também no seu país natal. Trilhas sonoras para vários filmes, como Encultured, The Mystic Muscle, que aqui ficou como O Massagista Místico, e tocou tabla nas trilhas sonoras do Apocalypse Now, do Coppola, e Pequeno Buda.
Ele também aparece em vários filmes que mostram sua performance musical, tanto solo quanto em diferentes bandas, incluindo documentário de 98, Zaki and His Friends, e outro documentário chamado The Spinking Hand, Zaki, o Sain. And the Art of Indian Drums, de 2003. E ele também é o diretor musical do filme Heat and Dust, de 83. O Sain também foi membro fundador do supergrupo de world music Tabla Beat Science, grupo que se dedicava mais à experimentação.
E todos esses projetos valem muito a pena ir atrás e ouvir. Eu também vou fazer isso. Pra mim que sou um curioso, quanto mais informação, melhor. O Usain contava com seu luthier de tablas, o indiano Haridas Vatkar. O Vatkar disse inclusive que aprendeu a fazer tablas exatamente para poder fazer para o Usain. A maior parte de sua vida ele vive na América, mas passava alguns meses do ano na Índia compondo principalmente músicas para os filmes de Bollywood.
Numa das visitas de volta à Índia, em Mumbai, ele forma mais uma banda, o The Masters of Percussion, que é mais focada na música típica indiana mesmo. Em 2016, ele participa como músico convidado para o concerto Global All-Star no Dia Internacional do Jazz em 2016, na Casa Branca, durante o governo de Barack Obama. E em 2024, na edição 66 do Grammy, ele se consagra na cerimônia sendo o primeiro músico da Índia a receber 3 Grammys em uma única cerimônia, nas categorias Melhor Performance de Música Global, Melhor Álbum Instrumental Contemporâneo e Melhor Álbum de Música Global.
Ele também publicou um livro chamado Zaki Roussain: Uma Vida na Música. O Zaki, que afirmou não tocar em reuniões privadas, eventos corporativos ou casamentos, ele acreditava que a música não deveria ser ouvida em eventos onde as pessoas iam para socializar, beber ou comer, mas sim ser o único propósito do evento. E aí isso nos leva para um debate atual, né, em que música se torna cada vez mais um pano de fundo ali. Então qualquer evento em que a música não, não que não seja o centro da cerimônia, em que as pessoas não parem para prestar atenção, o Zaquir não participava.
Ele foi nomeado Old Dominion Fellow pelo Conselho de Humanidades da Universidade de Princeton, já que ele residiu por lá durante o semestre de 2005/2006 como professor titular no Departamento de Música, e também foi professor visitante na Universidade de Stanford. E em maio de 2022, ele recebeu o título honorário de doutor em direito por sua contribuição ao campo da música pela Universidade de Mumbai. O livro dele consiste em 15 sessões de entrevistas entre 2016 e 2017, cada uma com uma duração de cerca de 2 horas, e o livro saiu em 2018.
A obra descreve a vida de Hussain desde a juventude e passando pelos seus anos de intenso treino e o crescimento como músico. O Hussain casa com Antonia Minecola, uma dançarina e professora com quem tiveram duas filhas, duas netas que ele deu ao Alahaca, suas filhas Anisa e Isabela. Anisa é cineasta, Isabela passou a estudar dança lá nos Estados Unidos, em Manhattan. E eu falei que ele tinha mais dois irmãos, ele deixou mais dois irmãos, o Taufique e o Fazal, mas ele perdeu um irmão ainda jovem por um ataque por um cão, e outra irmã que ele nem veio a conhecer, que faleceu antes do seu, do seu nascimento.
Ela se chamava Bilks. Outra irmã, Razia, morreu por complicações durante uma cirurgia de catarata, e aí isso também acarretou no falecimento do seu pai, Alaraca, logo depois. E deixa também mais outra irmã chamada Kushid. Em 2019, Hussain colaborou com neurocientistas da Universidade da Califórnia num estudo sobre percepção e improvisação na tabla, na percussão clássica indiana. Após o seu falecimento, esse estudo descobriu e publicou que a improvisação desativava regiões cerebrais ligadas ao automonitoramento consciente, que era um padrão anteriormente observado e diagnosticado apenas em músicos do jazz.
O Hussain falece em 15 de dezembro de 2024 em São Francisco, na Califórnia, devido a complicações de uma fibrose pulmonar idiopática. Ele tinha 73 anos. É importante destacar as parcerias do Zaquir, além do Ravi Shankar, o George Harrison, Mickey Hart, já tão citado, Charles Lloyd, Bela Fleck, Herbie Hancock, Yo-Yo Ma, Edgar Myers, John Henderson, Faroah Sanders e o Van Morrison. No início da década de 70, ele participa do projeto Planeta Drum, criado pelo Mickey Hart, e o álbum reúne percussionistas de vários continentes.
Álbum inclusive que venceu o primeiro Grammy da história dedicado à categoria World Music em 90. Esse trabalho ajudou a aproximar instrumentos tradicionais de diferentes culturas. Importantíssimo. Inclusive, o Planet Drum merece a tua audição e merece até um episódio aqui também de análise. Importantíssimo. Eu acho que um dos álbuns mais importantes para percussão e unindo né, a comunidade dos tambores, peles e baquetas com o mundo lá fora, o mundo musical como um todo.
Além de percussionista, o Taqui escreve trilhas para cinema, música para balé, peças para orquestras, composições para grupos de câmara e obras para festivais internacionais. Em sua tocabilidade técnica temos a velocidade impressionante, a clareza das notas, dinâmica refinada, musicalidade acima da técnica. Isso é um dos pontos mais importantes que mais me pegam. O domínio dos compassos ímpares, que a gente chama de compassos quebrados, né, e a improvisação extremamente criativa.
E o seu toque, com influência do seu pai, era frequentemente comparado ao canto humano pela expressividade. Enquanto educador, ele ministrou workshops, masterclasses, residências artísticas e também fez performances em festivais internacionais, influenciando dessa forma milhares de percussionistas mundo afora. Entre suas premiações, o Padma Shri de 88, em 2012 ele ganhou o Padma Bhushan, em 2023 o Padma Vibhushan, que é a segunda maior honraria civil na Índia.
Nos Estados Unidos ele ganhou o National Heritage Fellowship e vários Grammys, incluindo conquistas em 2024 por projetos como o As We Speak e This Moment, registros pelos Ele falece em 15 de dezembro de 2024, aos 73 anos, em um hospital em São Francisco. E o seu falecimento gerou homenagens de músicos, chefes de estado e instituições culturais em todo o mundo. Algumas curiosidades: ele era conhecido por afinar a tábua de acordo com a tonalidade exata da música.
Então não era aquele intervalo, ele ia exatamente no tom da música. Na vida pessoal, era marcado por um senso de humor e costumava conversar com o público durante os concertos. Gravou centenas de álbuns, participou de trilhas sonoras de filmes e documentários, e foi um dos responsáveis por popularizar a tabla entre músicos de jazz e música popular. E o legado do Zaquir Hussein é extraordinário. Ele consolida a tabla como instrumento de alcance global, elevando, né, levando para frente o que seu pai já tinha feito.
Aproxima culturas musicais de diferentes continentes. Ele mostra também que tradição e inovação podem coexistir. Isso é um ponto também muito importante para mim. Inspirou gerações de percussionistas em todo o mundo. O Zaqui leva a música clássica indiana a novos públicos sem perder sua autenticidade, algo tão importante, sem perder a sua essência, o que ele é e o motivo ao qual ele tá ali. Se o Alaraca foi o grande responsável por apresentar a Tabla ao Ocidente, já o Zaqui Usain dá o passo seguinte.
Ele transforma esse instrumento em uma linguagem verdadeiramente universal, presente nos principais eventos e festivais, mas também nas salas de concerto e nas gravações no mundo inteiro. Numa matéria do site globalindia.com, o Zaqui ganha bastante destaque e eu quero trazer para cá um pouco disso também. A matéria é de dezembro de 2024 e ele fala um pouco sobre a ida para os Estados Unidos. Ele diz: foi a decisão mais importante da minha vida.
De certa forma, a decisão já estava tomada por mim. Meu pai ficou doente e alguém teve que substituí-lo nos primeiros shows. Então eu acabei indo e tocando o meu primeiro show no Fillmore East com o Pandave Ravi Shankar. E quando esses shows acabaram, o Ravi Shankar fez uma pergunta que mudaria a vida do Zaquir. Ele disse: o que você quer fazer agora? Eu disse que tinha que ir para casa. Então ele disse: você está aqui e há uma vaga na Universidade de Washington para um professor assistente de música no Departamento de Música Mundial.
Eles querem você e é uma ótima oportunidade. Então por que você não vai? E aí ele diz: Ravi Shankar me ajudou muito a tomar essa decisão. E aí, a partir daquele momento, o mundo inteiro passou a conhecer o filho do lendário Allah Haka, cujo gênio já era reconhecido na Índia. Ele disse: o mundo inteiro se abriu para mim. Eu não percebi que havia tanto lá que não temos na Índia, disponível para você na ponta dos dedos. Isso tem muito a ver, né, também com as nações, os países que veem a cultura e a arte como algo primordial mesmo, né, inclusive por interesses econômicos mesmo.
Mesmo. A diferença que isso faz, a gente passa por isso aqui no Brasil também. Eu sou o melhor, eu sou o guardião de uma tradição de 5.000 anos. Ninguém tem isso no mundo. Nós somos os melhores, nós somos únicos, nós somos professores. Nós não percebemos que existem tradições igualmente antigas em todo mundo. De repente tive que me tornar muito humilde muito rapidamente. Eu ficava na frente do espelho e dizia: eu sou humilde, eu sou humilde, 500 vezes.
E aí, na sua trajetória, o Zaki se jogou também no estudo da música africana. Esse sincretismo acontece na música do Oriente Médio também, e também na música indonésia, o gamelão indonésio. E continuou fazendo seu doutorado, mas aí ele não para por aí. Logo ele se associa ao amigo Mickey Hart da Grateful Dead e o Van Morrison, entre outros artistas. Ele compõe músicas para filmes como Apocalipse Now e também para abertura, cerimônia de abertura das Olimpíadas de Atlanta em 96.
E ele era o tipo de pessoa que se preocupava muito em agradar o pai. Começa a dar concertos aos 12 anos. Tem algumas histórias que ele passou na Índia e que mostra o contraste do que ele, de como ele passou a ser melhor tratado nos Estados Unidos. Isso porque houve um concerto em uma cidade mais remota na Índia e que ele passou 2 dias num trem para poder chegar lá, apenas ele aos 12 anos, sozinho, apenas com a tabla. E aí, para piorar a situação, os organizadores, os produtores do evento sumiram sem pagar os músicos, deixando ele com 12 anos, uma criança, sozinho em uma cidade estranha e sem dinheiro.
Outra história, ele fala que lembra quando tinha 13 ou 14 anos, ele ia brincar na casa de pessoas ricas e com as crianças de lá, e os adultos o faziam esperar na cozinha e depois eles davam sobras de comida para levar para casa. Nos Estados Unidos tudo isso muda, em contraste Ele logo foi procurado pelos principais músicos da época, e se inclui o grande símbolo, o maior, o Mickey Hart. E aí ele adentra em Hollywood. A sua esposa, Antonia Minecola, ele a conheceu nos Estados Unidos.
Ela que era de ascendência italiana e tinha um profundo fascínio pela cultura indiana. Ela tinha ido para a Universidade de Washington para estudar e conheceu o Hussein por lá. Ele fala que a convidou para comer um hambúrguer. E aí toda a história do casal começou. No começo, as famílias de ambos não gostaram, mas, mas o Ala era muito liberal, tinha a mente mais aberta, e logo garantiu que o casal tivesse, que o casal ficasse junto.
Ele faleceu aos 73 anos, mas aos 40 o Hussein já era consagrado, já era um ícone da percussão no mundo. Ele chegou a dizer: às vezes eu me preocupo com o que eu farei em seguida, mas o fato é que vejo meu pai, que tem quase 80 que se senta com sua tabla e se torna o mesmo dos 41 anos. Ele se torna jovem novamente porque está sempre aprendendo. E como ele tem quilômetros a percorrer antes de dormir. Esse dormir muito poético, bonita a forma de encarar também o falecimento, né, a morte.
O grande resumo da sua biografia, Zaquir Hussain, uma vida na música, diz: o virtuoso da tabla, compositor e percussionista é um fenômeno musical internacional, filho mais velho do lendário Ustadh Al Haqq. O Zaqui fez seu primeiro concerto aos 7 anos de idade e foi imediatamente aclamado como um prodígio. Anos depois, sua maestria e genialidade criativa o levaram a se tornar um dos acompanhantes mais requisitados pelos melhores músicos e dançarinos da música clássica indiana, chamada de Hindustani.
Ele é igualmente reconhecido como um dos principais percussionistas contemporâneos de jazz e World Music, se apresentou em inúmeros concertos, tanto como artista solo como acompanhando renomados músicos de jazz nos grandes palcos do mundo. Atuou em filmes e também tocou tabla em inúmeras trilhas sonoras de filmes hindus da época da década de 60. Em uma conversa aprofundada, eu já detalhei aqui que o livro conta com longas entrevistas.
Ele conduz os leitores pela história de sua vida, como ele foi considerado uma criança separada, os primeiros anos de sua infância em Marim, seu treinamento desde os 4 anos com seu extraordinário pai e suas experiências e memórias trabalhando com diversos músicos lendários, incluindo Ravi Shankar, Akbar Khan e Vilayat Khan. Também é uma história de pai e filho, né, uma história também de como aparentemente o Ala não pesou a mão no filho, na carreira do filho.
Isso é importantíssimo. A gente tem visto muito isso, pais se projetando no filho e o tratando como empregados praticamente. O Zaqui fez parte de uma geração de ouro de músicos indianos. Numa outra entrevista para NDTV, ele, algumas palavras do Zaqui: eu sempre me perguntei se meu pai realmente sabia o que estava fazendo quando disse para Mickey Hart: leve meus filhos com você. Será que ele sequer tinha noção do que era a cultura do Great Food Daddy?
A emoção de ter Carlos Santana, Jerry Garcia, Nancy Paulina, Davy Crosby, Gracie Sledge, Steven Stills, todos esses grandes músicos juntos tocando música. Eu me lembro de uma vez em que tocamos música por 4 dias e meio seguidos sem parar. A busca é sempre pela melhoria. Eu não toquei, como disse um grande maestro certa vez, tão bem o suficiente para desistir. Pô, isso me pega, essa humildade assim, essa noção, esse compromisso com um propósito com a música, Ele dizia que não tocou tão bem o suficiente para parar de tocar.
Enquanto isso não acontece, vai tocando. Isso é muito foda, muito foda. Não toque o suficiente para desistir. Os músicos não podem mudar o mundo num piscar de olhos, mas quando você vai a um concerto e se senta para ouvi-los durante 2 ou 3 horas, todas as preocupações do mundo são esquecidas. Foda, foda, foda. Um dos maiores tocadores de tabla do mundo, levando o legado, musicalidade do seu pai Alahaca e construindo a sua própria carreira.
O Russaim já foi descrito enquanto o rei em cujas mãos o ritmo se tornou mágico. Em sua discografia, em 70 ele colabora com Vassanti Rai com o álbum Evening Ragas, em 71 também com o álbum o Rolling Thunder de 72 com Mickey Hart, o Shakti de 75 com John McLaughlin, o álbum Carona Supreme sai em 76 com John Handy, e mais alguns álbuns como Hard Work de 76 e o Handful of Beauty. No mesmo ano saiu o álbum Diga com a Diga Rhythm Band.
Em 77, o Natural Elements. Em 79, o Morning Haggis. Em 80, com Who's to Know? Em 85, o Song for Everyone. Em 87, o Making Music com seu pai Alahaca. Em 88, Tabla Duet. Em 89, o Venom. O At the Edge de 90, voltando a trabalhar com Mickey Hart. Com seu próprio pai, ele volta com Maestros Choice Series 1 em 91. O Planet Drum do mesmo ano com Mickey Hart. O N Words Disappear de 91 também, o Flights of Improvisation de 92, no mesmo ano o Sanjay Sartaj, The One and Only, o Zaquir Hussain and the Rhythm Experience, álbum próprio de 92, o Razi em 92 também, no ano seguinte Music of the Desert e o Reggae Mishra Tilang.
Com Ravi Shankar em 93, o Concert for Peace, e no mesmo ano o Reggae Haggad Shri. O Jogging, o Stad Ahmad Ali Khan de 94. Em 94 também o Golden Critters Colors, Haga Haberi de 95. E a discografia é vasta. Maestros Choice sai em 95 e no mesmo ano Haga manda Bairav. World Network Series Volume 1, um compilado com músicas indianas, sai em 95 também. E no ano seguinte, The Elements Space, o álbum Mickey Hart +1, Mickey Hart Mystery Box, Kevani de 97, Magical Moments of Rhythm de 97, Rhythm Experience de 98 e Essence of Rhythm de 98.
Unite Spinner do artista George Brooks saiu em 98, seguindo no mesmo ano os álbuns Supralíngua, Fire Dance, Save Our Children, Remember Shakti e The Spirit Into Sound. Em 2000, na virada do milênio, The Believer, Tala Matrix, Golden Strings of the Sarod, Saturday Night in Bombay, Selects, Golden Strings of the Sarod em 2001, no mesmo ano o Saturday Night in Bombay, 2002 Select Summit e o The Best of Mickey Hart, Over the Edge and Back.
Mickey Hart é um cara, uma figura importantíssima também para percussão. E com o projeto Tabla Beat Science, em 2002, o live em São Francisco. O Estádio Muhammad Omar fecha 2002. Em 2003, o álbum Energy. Em 2004, live at Miles Davis Hall, no aniversário de 38 anos do festival de jazz de Monroe. E também em 2004, mais alguns: o Punjabi Damar, o Rag Chandra Kauns, e o Shared Moments. Em 2006, o álbum Souca, Global Drum Project, esse com outros nomes da percussão: o Mickey Hart, o Iman Hussein, o Chandan Sharma, Sirico Adepojo e o Giovanni Hidalgo.
Em 2009, The Melody of Rhythm. Em 2012, com Mickey Hart mais uma vez, Mysterium Tremendum. E o Good Hope saiu em 2019. Em 2020, Is That So?, o In the Groove de 2022 com Mickey Hart, e sai também o trio Sacred Treat. E fechando sua discografia, As We Speak de 2023 e o This Moment do mesmo ano. Aqui vale lembrar que são vários registros em álbuns de outros artistas, álbuns próprios e parcerias com outros percussionistas. Já na filmografia, os filmes Hit and Dust de 83, The Perfect Murder de 88, Tantum Vitae de 91, em 92 o Meets Billy's Children, o SARS em 98, o Zaqui and His Friends do mesmo ano, e mais algumas, algumas películas.
The Speaking Hand de Zaqui Hussein and the Art of Indian Drum, e que aí é um registro em vídeo dele performando. O Talaman Sound Clash, The Further Adventures in Hype de de 2003 com a Tabla Beat Science, grupo que também vale a pena pesquisar e ouvir. O The Way of Beauty de 2006 e o The Rhythm Devils Concert Experience com o grupo The Rhythm Devils. E em 2018, o filme Manto. Em 2024, seu último registro, Monkey Man. Em trilhas sonoras, Incusta de 93, o Little Buddha, O Pequeno Buda, de 93 também, o Saz de 98, o Vanaprastan de 99, o Mystic Master, o Massagista Mágico, de 2001, o Miss and Mrs.
Yes de 2002, e no ano seguinte, o One Dollar Curry. Aos 19 anos, ele fazia por volta de 150 shows por ano, tanto na Índia quanto em outros países. E o Hussain também tem importância na acessibilidade e no aumento interesse das gerações mais jovens para ver concertos, apresentações de música clássica. A escritora que fez a sua biografia, Nazim Muni, chegou a declarar que graças a ele os mais jovens estavam dispostos a pagar entre 2.000 e 3.000 rupias, que é a moeda indiana, o que dá mais ou menos entre 23 e 35 dólares por o ingresso, o que era incomum para uma apresentação de música clássica.
Em O Hussain chegou a dizer que a sua própria boa sorte o levou à sua carreira musical. Abrindo aspas, ele mesmo disse: sou um daqueles músicos que surgiu na iminência de uma grande mudança no mundo da música e fui levado por essa onda. Tive a sorte de estabelecer uma relação muito tranquila com a música e ao mesmo tempo a onda me levou a vários lugares. O Hussain se despede de nós em 15 de dezembro de 2024. Um dos maiores legados da música indiana, A La Raka e Izaquiel Hussein levaram e elevaram a Tabla para o cenário mundial em colaborações com artistas de jazz, rock e música clássica.
E aí, pais e filhos percussionistas vão muito além da herança genética. O Ala influenciou diretamente o Zaqui, ele que apesar de ter carregado o legado do pai, mas conseguiu escrever seu próprio nome, não cedeu às pressões de carregar um sobrenome famoso e criou sua identidade própria. Há registros inclusive, imagens do Zaqui aprender batendo tabla com o Ala. Vários registros de pai e filho tocando juntos, fotos de bastidores acompanhando o próprio Ravi Shankar, imagens que contam praticamente toda a trajetória da família, da formação do Zaqui pelo Ala até a consolidação do próprio Zaqui como um dos maiores percussionistas da história da música mundial.
Uma história muito bonita de pai e filho que escreveram o seu nome na história da música, na história dos tambores, da percussão, da música indiana e na música do mundo. Esse foi mais um episódio do Repercuta Podcast, pais e filhos percussionistas. A gente se encontra, se vê, se escuta no próximo episódio do Repercuta. Um abraço!