Episódios de RepercutA

RepercutA #203- Júlio Sasquatt

23 de julho de 202645min
0:00 / 45:35

Neste episódio, o papo é com o baterista gaúcho Júlio Sasquatt!

Numa conversa sobre trajetória, influências e visão de música, falamos sobre os primeiros passos na bateria, as referências que moldaram seu estilo, a construção de sua identidade no instrumento e a experiência ao integrar bandas importantes no cenário do Sul do país, a exemplo da Blackbirds e parcerias com nomes como Júpiter Maçã e Marcelo Gross.

Júlio também compartilha histórias marcantes em shows, estúdios e estradas, revela detalhes sobre seu kit, método de afinação e a parceria com a Turkish Cymbals.

Um bate-papo cheio de experiências e boas histórias para quem ama bateria e música.

Participantes neste episódio2
J

Jade Tavares

HostApresentador
J

Júlio Sasquatt

ConvidadoBaterista
Assuntos7
  • Colaborações MusicaisMúsica italiana folclórica · Júpiter Maçã · O Senhor dos Anéis · Outros artistas citados
  • Indústria MusicalBanda Black Spirits · Estudo de Arquitetura e Relações Públicas · Versatilidade musical
  • Influências e inspirações na bateriaBateristas da Serra Gaúcha · Engenheiros do Havaí · Titãs · Rock nacional dos anos 80/90 · Bateristas internacionais
  • Equipamento e sonoridade na bateriaKit minimalista · Afinação grave · Uso de pedal duplo · Pratos (Cymbals) - Tradição Milenar
  • Origens musicais de Júlio SasquattInício em Veranópolis · Primeiros contatos com instrumentos · Bateria de sofá e improvisação · Ser canhoto na bateria
  • Influências musicais e a carreira soloInfluências de filmes cult e garage rock · Gravação de show ao vivo · Lançamento em vinil
  • Videoclipes e projetos futurosInício com a banda Só Credência · Estratégia de TV e audiência · Videoclipes para bandas de metal · Trabalho com Marcelo Gross
Transcrição72 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
JTJade Tavares

Repercuta, tá começando mais um episódio do Repercuta Podcast. Esse programa que eu já apresento já desde 2020, são 6 anos na altura de gravação desse episódio, e é muito massa sempre me aproximar e fazer novas amizades a partir da bateria e da música. Sou Jade Tavares, você é muito bem-vindo, muito bem-vinda, para que eu conte mais uma história, porque a gente conheça mais uma história, mais uma trajetória. Tô aqui com Júlio Devo dizer que é um episódio que a gente já devia ter gravado há um ano, pelo menos, atrás, mas as coisas acontecem na hora que tem que acontecer. Júlio, bem-vindo ao Repercuta, meu irmão!

JSJúlio Sasquatt

Eu que agradeço, uma honra estar no teu programa aqui, sensacional. E finalmente estamos aí para gravar mesmo, que o ano passado, vou contar, nós saímos e se perdemos numa praia.

JTJade Tavares

O calor de Recife venceu o Repercuta em 2025, mas em 2026 estou aqui. Vocês me conhecem, sabem que eu sou insistente. Júlio está aqui em Recife por intermédio de dois shows que vão ser feitos aqui em Recife. Para você que tá vendo no futuro esse episódio, dois shows do Marcelo Grosch, guitarrista da Cachorro Grande, aqui em Recife. E eu tô no QG da Shaker Makers, banda tributo ao Oasis, que eu participo, que faço parte, na altura de gravação desse episódio, 2026.

E a gente tá dividindo o palco com eles pela segunda vez. Em 25 também rolou, e agora oportunidade de conversar um pouco. Júlio, bem-vindo mais uma vez. E velho, muita Eu tô com você pra conversar, tu sabe como é que eu sou já, as pesquisas, né, as pesquisas virginianicas que a gente conversou em off aqui.

JSJúlio Sasquatt

Filhos de Mercúrio.

JTJade Tavares

Uma piada interna que acabou de nascer e que depois eu conto pra vocês melhor. Júlio, tá em Porto Alegre já bastante tempo, mas vindo de Veranópolis, né? Isso. Como é que foi esse início? Eu tô a fim de conversar contigo um pouco de origem. Eu sei que tu tocou na Os Dominantes no início, a tua primeira banda, é isso?

JSJúlio Sasquatt

Blackbirds.

JTJade Tavares

Eu pensei ter achado os Dominantes antes.

JSJúlio Sasquatt

Os Dominantes era a sala de ensaio que eu comecei a tocar com 15 anos.

JTJade Tavares

Isso em Veranópolis ou em Porto?

JSJúlio Sasquatt

Em Veranópolis. Era a sala, o grupo Dominantes, eles tinham uma sala que a gente ensaiava em Veranópolis. Isso em 90, 88, aos 15 anos, 13 anos, 88, 13 anos. Isso, eu nasci em Veranópolis. Desculpa, nasci em Porto Alegre, fui para Veranópolis. A minha família toda de Porto Alegre, mas o meu pai trabalhava em Veranópolis. Aí a gente, tipo, eu fui assim, ó, um final de semana eu fui para Porto Alegre e nasci. Minha mãe foi ver a minha avó, já tava, já tava pansuda ali, sentiu as contrações, fui para o hospital, nasci, fiquei 4, 5 dias e voltei para Veranópolis.

Então eu fiquei até meus 17 anos em Veranópolis, comecei a tocar ali por 13 anos. Eu Tinha a Sociedade Alfredo Xavense lá em Veranópolis e tinha os conjuntos de baile. E os conjuntos de baile, eles tinham um bloco que eles tocavam Van Halen, Dire Straits, tocavam Toto, Duran Duran, aquela outra banda maravilhosa, o Igon Boy, sabe? Pô, e para mim aquilo lá era uma mágica ver os cara fazer aquele bloco. Então eu ia, como a cidade era tamanho de um ovinho.

Eu consegui entrar, que todo mundo se conhecia na cidade, e eu ficava do lado do palco de calça de abrigo, cabelinho lambido assim para o lado, tomando uma suquita lá assim, ó, vendo os cara tocar. E é dali que eu tive assim, eu disse, pai, eu pirava agora com a bateria, sabe? Só que eu não entendia nada que o cara fazia na época. Então eu ia todo final de semana, eu ia lá. Aí meus colegas de escola, já tinha um que tocava um pouquinho guitarra, o outro baixo. E aí nós começamos a ensaiar na sala dos dominantes lá Veranópolis, isso em 88.

JTJade Tavares

Eu tinha pensado que era o nome da banda. Mas antes da bateria, tu tem uma trajetória ainda, tu chegou a tentar piano e violão ainda, não foi?

JSJúlio Sasquatt

Sim, tentei piano com a professora da minha irmã. A minha mãe toca piano muito bem e violão, minha mãe. E na nossa rua lá tinha uma senhora que ensinava piano dela, e eu queria aprender. A minha irmã já tava tocando um pouco de piano. Daí minha mãe, tá, tu vai lá fazer aula lá então com a tia lá. E eu fui lá Primeira aula, a segunda aula eu já disse, bah, não é pra mim. Já não... Muita coordenação, muita coordenação. Já... Aí tinha um professor que vinha de São Leopoldo, ele tinha uma salinha que ele dava aula de contrabaixo, guitarra, teclado, violão, uma salinha pequenininha lá na PAI, na associação lá de Veranópolis.

E aí ali eu estudei 6 meses baixo com ele. Quando eu tava começando a tocar os Ramones legal, já assim... Um dia eu cheguei lá na aula assim, ele pegou assim uma gaveta, abriu, botou o dinheiro assim da última, do último mês, né, que eu pagava no início do mês. Tipo, eu tive uma aula na segunda aula na outra semana, ele botou assim um dinheiro na mesa, falou assim, ó, desculpa, eu vou fechar, tô com muita demanda de trabalho lá em São Leopoldo e eu vou voltar, eu não tenho mais como dar aula, já tô me despedindo de todos vocês e tal.

Já tava assim Mas agora que eu tô começando a pegar o gosto, né? E aí eu acabei gravando num tecladinho Cássio, rock 1, 2, 3, nas baterias, numa fita cassete. E aí em casa a minha irmã tinha aqueles pratos da banda, de banda marcial, né? E ela era, tocava os pratos lá na banda do Regina Celi, caiu na escola. E aí eu pegava os pratos dela, botava no sofá assim no canto, botava os dois pratos, que era o meu chipô.

JTJade Tavares

Bateria de sofá também, passei por isso também. E a caixa era minha coxa, inclusive ficava vermelhona.

JSJúlio Sasquatt

E aí eu pegava, tocava, aí pegava as almofadas, botava as duas almofadas assim, o tom, a caixa. As baquetas eu comprei numa loja de discos e fitas que tem até hoje, Loja Magistral, até hoje tem. Última vez que eu fui para Veranópolis lá agora, eu comprei um disco dos Titãs, o Go Back ao vivo, Comprei o disco novinho lá, o Renor querido. Comprei com ele lá as baquetas. E aí, para tocar o bumbo, eu amarrava uma colher. E meus pais tinham ido para Amazônia e eles trouxeram aquelas cumbuquinhas que os índios botam as tintas para se pintar para guerra.

E aí, aquilo lá era o meu bumbo. Então, o bumbo eu tocava assim, né, com a colher batendo no coisinho e no sofá. Foi assim que eu comecei.

JTJade Tavares

Outra parada também interessante, ele não no teu caso, curto muito da performance assim. Em 2025 a gente dividiu o palco e foi muito massa. Tu é canhoto, como é que foi isso no início? Tu já foi estudar como canhoto ou chegaram também a te indicar para destro? Como é que rolou isso para você?

JSJúlio Sasquatt

Desde pequenininho sempre com a esquerda, né? Eu em casa ia comer assim, a minha mãe: tu tá com, tá com a mão esquerda, Júlio. E eu pegava e meu pai dizia: não, deixa ele, né, se adaptar. E Na escola, era escola de freiras, tinha uma irmã, irmã carmelita, faleceu agora há pouco, com mais de 100 anos. Ela tinha uma régua de madeira e ela vinha e largava na minha mão porque eu escrevia com a esquerda, sabe? Meu pai teve que ir lá na escola dizer assim, ó, não bate na mão do guri, sabe?

Eu sempre fui canhoto. E ela vinha e quando eu comecei a tocar também, toda bateria virando naturalmente, né? Naturalmente. E como eu comecei a tocar em casa Eu não tive uma iniciação musical para bateria, sabe? Então eu fui direto já para canhotinha.

JTJade Tavares

Quais caras que te inspiraram logo de cara? E fico curioso em saber não só os gigantes, né? A gente sabe que tu tem no teu estilo os bateristas do rock, claro, mas os famosos. Mas eu fico curioso também de saber aqueles aqueles anônimos, os primeiros que você viu no palco assim, né, que são pessoas que talvez hoje não tenham rosto, não tenham nome, mas que seja muito importante para você também, né?

JSJúlio Sasquatt

Tem, claro que tem. Tinha o Pastor, um baterista lá de Caxias. Ele vinha fazer acústicos lá em Veranópolis, num dos primeiros bares que eu toquei, que era o Paiol. Vinha ele com uma bateria completa assim, né, caixa, tom, surdo, tumbum, dois pratos de chipô reduzida, e um cara no violão. E ele fazia o solo do Moby Dick no acústico com as mãos. Ele fazia, o pastor assim, um baterista surpreendente. Eu na época tava com 19, 18 anos vendo ele tocar.

Ele já era, ele já tinha uns 40 e poucos agora, é falecido faz pouco tempo. É um dos maiores bateristas que tem na Serra Gaúcha lá, né? E tem o baterista O Marci Holly, que agora toca com o Conjunto Barbarella, que é uma tera que me deu aula um tempo em Veranópolis, depois que eu já tava tocando, quando eu já tava tocando com o Júpiter.

JTJade Tavares

Sim.

JSJúlio Sasquatt

E tinha a parte de bossa nova que eu não sabia tocar, e eu fiz um ensaio com o Cunhã, ele falou, dá uma estudada nessa parte. E eu peguei o carro na segunda-feira, fui lá para casa do Márcio Rod lá e disse, cara, me ensina a fazer rufo e o básico da bossa nova. Esse é outro cara assim também, tá tocando direto lá pelo estado lá. E dos mais, o primeiro assim conhecido assim para mim, que eu vi na capa dos discos e vi nos shows.

Inclusive tive oportunidade de ver 3 shows deles no Gigantinho na época ali, 90, 91 e 92, foi os Engenheiros do Havaí, formação clássica, o trio, de ver o Carlos Maltos tocar. Foi, foi meu primeiro assim que eu vi assim que eu me amarrei assim, gostei bastante assim. E depois o Charles gravando os Titãs também, eu escutava muito Titãs na época, rock nacional. Antes Antes de entrar aquela fase do grunge ali que a gente pegou ali, né, os anos, início dos anos 90, a gente ali em Veranópolis era muito rock, muito rock nacional.

Então era Barão Vermelho, Capital Inicial, Doutora Silvana, conhece Doutora Silvana? Uns e outros, como é que é, Placa Luminosa, Engenheiros, Cascaveletes, TNT, Replicantes, Defala. Escutava bastante a banda do Edu também.

JTJade Tavares

E assim, lá fora eu já tive citando muita gente assim desde, e é uma parada que eu vou explorar mais na frente também contigo, essa tua versatilidade, né? Já tive citando o Lasso do Metallica, o próprio Kid Moon, é claro, o Ringo, o Sankinen, até bateristas mais novos como o do Queens of Leon, Nathan Hill, maravilhoso, curto muito maravilhoso. Isso é massa. Agora me diz, em que momento tu percebeu que não ia fazer outra coisa assim?

Tipo assim, que picou o mosquitinho, né? A mordidinha lá. Porra, eu vou fazer isso para— eu tava até passando por isso recentemente. Foi aqui, ó, que eu me fodi. Foi aqui que aconteceu, tá ligado? Como é que foi isso assim? Aconteceu para tu esse momento assim de Tu tens sentido isso assim?

JSJúlio Sasquatt

Sim, aconteceu. Foi nos primeiros shows que a gente fez com os Blackbirds, com a banda que depois a gente gravou 4 discos. E foi a banda assim que tipo me levou para Porto Alegre, me levou para outros estados, né? E foi ali, 90, quando nós gravamos o primeiro disco ali em 98 para 99. Ali, ali eu já vi, disse, é, não tem mais volta, sabe? É o que eu quero fazer. Eu tava estudando arquitetura na época, e aí larguei arquitetura, aí fui para relações públicas, que eu acho que tinha mais a ver.

E também já arquitetura já não conseguia nem fazer os cálculos, sabe? Estudava aula particular, ia lá fazer os cálculos, chegava na prova, tirava 3. Cara, não é para ti, né, velho? E aí eu disse, acho que relações públicas vai me ajudar mais na questão essa questão do networking, de conhecer as outras bandas, os colegas, e assistir, sabe? E até pelo lance artístico, visual, tudo aí, eu acabei me formando, sou formado em relações públicas, né?

E acredito que meu campo de trabalho foi aplicar as relações públicas dentro do rock and roll.

JTJade Tavares

Saquei. Eu te perguntei isso, descrevi alguns bateristas que já tive citando, E para repetir essa questão assim, a versatilidade e o ecletismo que eu percebo em você assim. Para falar do rock, por exemplo, tu curte desde dissidências do metal ao hard rock, passou pelo grunge, pelo Britpop, música italiana, e isso, música italiana, bossa nova, o glam também, né?

JSJúlio Sasquatt

Sim, sim, tu curte tudo.

JTJade Tavares

Eu fico pensando Como é que tu construiu essa tua personalidade mesmo, com um pouco de cada coisa ali, sabe? E isso também se reflete na quantidade de artistas, eu vou citar mais na frente, com quem tu já colaborou, já, já compôs banda. Tu é o tipo de baterista, para mim, que é o tipo de baterista requisitado assim. O que é que tu acha o principal motivo para tu ser tão requisitado assim, ter tocado com tanta gente também, sabe?

JSJúlio Sasquatt

Pô, é uma pergunta pergunta, até eu nem sei explicar, mas é, eu acho que é chegar lá e tocar o que a música precisa e que o artista que te contratou ele quer que tu faça, sabe? Quando eu fui tocar com o Valdir Anzolin, né, Valdir Anzolin, um dos maiores homens da música italiana do Brasil, né, e foi muito estranho porque Quando ele me chamou para tocar, por causa que o filho dele era tecladista da minha banda, os Blackbirds, né?

E os guris que tocavam comigo nos Blackbirds, o baixista e o guitarrista, já tinham tocado com ele em algumas ocasiões. E ele precisava de um baterista. Ele me chamou: Júlio, ó, tá aqui o CD, tu tira as músicas, vou te passar aqui as duas datas, tanto teu cachê, tudo. Tu vai comigo, vem aqui em casa, nós vamos com a minha caminhonete, todo mundo. Não, beleza. Isso, 90 Isso não, 2003, 2004, né? E aí ele, eu te perguntei, o ensaio, né?

Ele falou, cara, não tem ensaio, escuta a música aí, deu. Eu fui apavorado, né? Escutei o disco assim milhares de vezes. E aí chegava no show, ele tocava violão, tinha um gaiteiro, ele pedia o tom pro gaiteiro, o gaiteiro dava o tom, os guris, ele começava, e aí o baixista, que era o filho dele, mas de novo. Eu perdido, eu olhava, ele dizia Tarantela. Aí nós entrava, ele contava 1, 2, 3, 4, eu entrava na Tarantela, ia com ele.

Quando tinha pausa, antes ele segura, eu segurava. Cara, foi assim 5 anos tocando com ele, sabe? Claro, depois de 1 ano assim, 1 ano, aí tu pega todos os trejeitos do show dele, sabe? Mudava algumas músicas, mas era assim, ele começava a música, dava um acorde, ia, e a gente ia atrás. Então Para mim foi uma escola de improvisação assim sensacional que eu tive, né? E a outra com Júpiter.

JTJade Tavares

E ao mesmo tempo você percebe que mesmo servindo, né, enfim, a bateria é um instrumento de acompanhamento, né? Você também conseguiu na maioria das vezes colocar a tua assinatura. Tu consegue pensar assim ou foi muito mais para servir assim? Eu acho que também é um desafio. Né? Você servir, você acompanhar, mas deixar a tua cara também. Eu acho que você é assim, velho.

JSJúlio Sasquatt

Mas eu acho que todos os bateristas são assim, porque se tu for assim, a questão da assinatura, né? Questão da assinatura é o som da caixa, né? Que é som da caixa, a tua caixa, tua assinatura, né? Como tu afina, como tu toca. Mas a questão dos grooves que tu estuda, tu tem já um um, vamos dizer, um cardápio de viradas que tu tem, vamos dizer, facilidade. Tu faz de uma forma orgânica, natural, essas viradas, sabe? Então tem vários trabalhos assim que eu tive oportunidade de fazer.

E tem músicas que, tipo, as viradas são diferentes das viradas que eu faço, mas quando tu vai tocar essa música, tu acaba fazendo as tuas viradas. Então, sem querer querendo, como diria o Chaves, tu acaba tendo a tua assinatura. Acho que nisso, tu botando o que a música pede na hora certa, a tua levada, o teu groove, a tua dinâmica, tua virada, sabe? Eu acho que esses são os quesitos que fazem tu ter a tua assinatura. Então eu acredito que todos os bateristas têm uma assinatura, tem uma assinatura, porque ninguém toca igual, né, meu?

Todo mundo toca diferente. Tu para, é difícil tu ver um assim, o cara chegar e tocar igual o outro assim, ó, fazer as viradas. Até pode, sabe? Mas eu acho que nós músicos assim não é que a gente espera, né?

JTJade Tavares

Até um desperdício mesmo, né? Você não se expressar, é verdade, com certeza. Galera, para descrever alguns artistas aqui, tu pode me corrigir, Júlio. O Edu K, Evandro de Mari, Tom Rock, Defala, Duda Calvin, Valdir Azorim, Daltons, os Daltons, né? Mas eu acho que também é crucial falar da tua parceria com Júpiter Maçã, inclusive no momento em que que foi crucial para tu até, né? Foi a tua continuidade na música. Se tu puder falar um pouco do teu encontro com ele e como é que foi o teu trabalho com ele, Júlio.

Eu vi, eu vi o DVD dele, né, que tá no YouTube, e que você performa muito foda, muito foda. E é um artista muito importante não só para o Rio Grande do Sul, mas para o Brasil todo, para o rock brasileiro, para o Escoda Alheia. Sim, me fala um pouco, velho.

JSJúlio Sasquatt

Então Então eu tinha uma banda, os Blackbirds. A gente acabou a banda, que o vocalista ia morar na Europa. A gente tentou fazer um outro trabalho mais folk rock, os Tratores. Isso foi em 2008, final de 2007 para 2008. Daí não deu certo também. E eu com família, né, trabalhando só com a música. Na época eu tava começando começando a gatinhar como videomaker, mas era exclusivo de música. Aí eu chego numa segunda-feira assim, eu acordei, disse, eu muita conta para pagar.

Eu falei, cara, não dá mais, sabe? Falei para minha ex-esposa, falei, olha, não dá mais, eu vou ver um trabalho normal, não dá, não vou morrer, tô morrendo na praia, sabe? Tô me esforçando, mas não tá dando. Isso na segunda. Aí eu comecei a fazer fazer um currículo, comecei a ver lugares para mandar meu currículo de relações públicas. Aí na terça-feira o Lucas Henck da Identidade me ligou e disse, e aí, meu, o que tu vai fazer final de semana?

Eu disse, cara, tô sem show, tô largado às traças. Daí ele falou, tu não quer tocar com o Júpiter? Eu disse, é sério que tu tá falando? Ele, sim, precisamos de um baterista para sábado. Não para sábado, mas para para fazer shows.

JTJade Tavares

Eu pensei, cara, com poucos dias, né?

JSJúlio Sasquatt

Já tava isso, era de terça tipo quinta, era ensaio, sábado show, né? Daí eu disse, cabeludo, me passa o repertório. Aí ele me passou o repertório, tinha 12 músicas, né? Das 12 eu sabia 9 músicas, sabia 10. Isso que eu imaginei, já tava na mão já, porque tipo Sétima Efervescência era um disco que quando saiu ali no Rio Grande do Sul foi uma revolução musical. As gerações ali mais novas, ali todo mundo ficou enlouquecido com esse disco.

Pessoal ali que frequentava a Oswaldo Aranha, Garagem Hermética, Dr. Jack, o clássico Bambu, que era o bar onde se encontravam todas as bandas de Porto Alegre, ficava todo mundo convivendo ali. Dali saiu o nome de banda, banda formada, música. Ali saiu a parte cultural, era muito importante ali, sabe? E foi a época que saiu o sétimo Efervescência do Flávio, então do Júpiter, né? Então tipo, fui lá, fiz o ensaio, fui lá para fazer o ensaio.

Aí o Flávio entrou assim, cumprimentou. Ele tentou abrir a porta do estúdio, não conseguia assim, tava com casaco de pele, tava calor, era tipo outubro, ele com casaco de pele, stones assim. Foi lá para abrir a porta assim, não conseguia abrir a porta lá. Daí foi lá o cabelo assim, abriu a porta, ele entrou. Aí, aí, Henrique, chegou lá pro Cascais, que era o guitarrista. Aí, Cascais. Aí quando ele olhou pra mim, ele— quem tocava era o Douzan, que era baterista dos Identidade, e não avisaram que o cara saiu.

Aí quando ele virou pra mim, e aí, Douzan? Daí ele olhou assim, tu não é o Meno? E eu cumprimentei. E aí, Flávio, tudo bem? Daí eu olhei pro Cabelo, tipo assim, nem avisou, nem avisou o cara, velho. Tá, daí Flávio ficou olhando assim, tá, mas quem é esse Irmão Ximena aí. Daí o Cabelo falou, aí saiu Sasquatch aí. Chamei ele para fazer o show, os Dois Olhos não vai poder fazer e tal. Daí tá, então vamos passar. Aí nós passamos, foi 3 músicas: Querida, Beetlejuice e Mademoiselle Machin.

Quando terminou assim, olhou para o Cabelo, falou, tá, e aí? Tu me arranjou esse batera lá no Bambus, que é o bar lá, né, que é todo, toda a partida ali. Foram 6 anos com Flávio, 6 anos. Eu Gravei programas MTV com ele, participei de festivais, fui para vários lugares. Assim, para mim foi a escola do rock and roll, foi ali.

JTJade Tavares

E massa, vamos seguir. A banda já tá por aqui também para um dos shows e vamos seguir. Júlio, tu tá próximo aí, há quem diga que não, né, dos 30 anos de de música, 30 aninhos, dos 50 de idade, talvez, talvez, só talvez. E com certeza muitas histórias em estrada. Eu já tive contando um monte de história assim, e deve ter um cardápio assim, verdadeiro cardápio de histórias. Que é que tu pode compartilhar com a gente assim? Então, histórias em estúdio, em show, teste para banda, enfim, fica à vontade.

JSJúlio Sasquatt

Uma das histórias legais é essa aí que eu comentei do do teste que não foi teste, que tipo nem avisaram que eu ia estar no estúdio para tocar com o Júpiter lá no, quando teve oportunidade, né. Então uma mais recente foi eu e o Andy, nós estávamos saindo do hotel em Florianópolis que a gente fez um show com o Gross, e nós távamos indo para o aeroporto, e aí nós chamamos Uber. Aí nós entramos no Uber e nós mexendo no celular conversando assim, e o cara olhou assim, vocês são artista?

JTJade Tavares

Vocês são artista?

JSJúlio Sasquatt

Vocês são artista? Nós não, somos músico. Vocês tocam com quem? Ah, nós tocamos com Marcelo Groza, Cachorro Grande e tal. O cara, eu já ouvi falar, eu também gosto muito de música. Mas o cara com sotaque diferente, né? E eu botei a carinha assim no meio dos bancos assim, olhei para ele, tu é da onde, moço? E ele, Irã. E nós, caraca, velho, tu é do Irã, cara. Ele é, sou do Irã, tô morando aqui já faz um ano e meio. Minha filha veio fazer faculdade, tô fazendo Uber e tal, mas eu sou engenheiro de peças bélicas, não sei o que ele era.

Eu, pô, mas que legal, cara! E tu não tem nada aí para sugerir para nós aí escutar de iraniano? O cara se emocionou, botou no Spotify, começou a botar umas bandas do Irã, umas umas bandas de meio K-pop e umas bandas de rock do Irã, sabe? Ah não, eu fiz uns vídeos, tem no celular, depois eu te mostro. Nós fomos ouvindo até o aeroporto assim, ó. Eu e ele saímos assim, se olhamos assim, cara. E eu anotei as bandas e pesquisei, cara, o mercado da música no Irã, cara, impressionante, velho.

É impressionante que eles têm. Ele falou que tem um artista, ele mostrou um artista para nós lá que o cara tem uma mansão nos Estados Unidos, mas não pode ir para lá por causa de tudo que tá acontecendo agora. Essa foi a mais recente assim. A que aconteceu também foi, eu fui tocar com os Blackbirds lá num bar em Novo Hamburgo, o Lorde Bar, e eu tinha uma caixa com um monte de vinil na porta de casa, no corredorzinho, e eu saí da cozinha para ir para o banheiro no corredor e dei com o minguinho assim, cara.

O minguinho, ele fez assim, ó, e voltou. E aí na hora eu, com som alto, na adrenalina, não dá nada, fui lá, me ajeitei tudo, vai, entrei no carro, botei os tênis, entrei no carro, cheguei lá, tudo tal. Pouco antes de começar a tocar, tava sentindo o coração no minguinho, saca? E eu, aí eu encostava assim, Ah, que que eu fiz? Bom, tá, vai. Uma cerveja, duas, três, foi para tocar, cara. Sétima música, oitava música, eu batia, dizia ai, ai no pé.

Terminei, os guri saíram do palco, me deixaram lá, não conseguia descer do praticar da bateria. Eu sentei assim no canto e fiquei lá atrás sozinho, um dedinho, né, um dedinho, um dedinho, tentando tirar o tênis e não consegui.

JTJade Tavares

De não jogar mais bola, de não fazer alguma coisa. Um dedo de uma mão, a gente tem 10 e faz questão de todos, né, gente? Um só a gente faz questão, né? Eu tô rindo, mas pô, foda, velho, é foda.

JSJúlio Sasquatt

Isso foi no começo do ano passado. Aí perto do meu aniversário eu fui arrumar uma baqueta com uma faca. Não, olha, é para fazer essa cara, mas assim, é um imbecil. Fui e cortei aqui, cara, 3 pontos, 7 shows perdidos, não conseguia pegar a baqueta, não conseguia tocar. Então, cara, eu não jogo futebol, eu não faço nada, cara, mas eu vou lá, torço para os outros, incentivo, vai lá, é isso aí, tudo. Mas, cara, o que eu fazia era natação.

Sim, gostava de fazer natação e caminho bastante com fone de ouvido. É o que eu faço. Eu moro num prédio que não tem elevador, então subo e desço aquela escada assim, ó, mil vezes, sabe? É os meus exercícios. Mas a pior de todas as situações corações, foi quando eu desmaiei. Passei o dia inteiro sem comer, calor horrível. Morava em Gravataí, saí de Gravataí para ir para Porto Alegre. Cheguei lá no Dr. Jack, montei as coisas tudo certinho.

Aquele calor começou a tocar e eu começando a me sentir fraco. E era o tempo que dava para tu fumar dentro dos bares, então é aqueles inferninhos fumaciados, sabe, uma galera fumando lá dentro. E aí eu tava ali tocando e eu comecei a me dar, cara, começou a me dar uma moleza assim, começou a escurecer aqui, cara. Foi a coisa mais aterrorizante, porque tem pessoas quando desmaiam elas não, elas percebem que estão fechando. E tipo, para mim bateu um pavor porque eu vi escurecendo, comecei a fazer assim, ó, e pum, cara, apaguei, acordei lá fora.

Gente dizendo, acabou o show, terminou o show, me enfia numa Coca-Cola, goela abaixo. Eu tomei uma Coca-Cola, pedi mais uma latinha. Aí tava rolando Eu Sou Mecânico, falei: não, vamos voltar e vamos terminar o show. Fui todo espiado, voltei, fiz as 4 músicas que faltavam.

JTJade Tavares

Caralho, bicho, essa não sabia não.

JSJúlio Sasquatt

É, voltei depois de 2 Coca-Cola, imagina, desmaiei. Eu tava explodindo de açúcar.

JTJade Tavares

Vou anotar Coca-Cola. Qualquer problema, Coca-Cola, dedinho Coca-Cola. Agora, Júlio, isso encheu algo em gravação que tem te marcado dentro do estúdio. E tu citou a Blackbirds, e de repente a banda que tem mais registro, né? Tu pode destacar algo assim e até falar um pouco da tua trajetória com a Blackbirds. Gravou muita coisa, velho.

JSJúlio Sasquatt

Com os Blackbirds eu gravei 5 discos. Todos os nossos discos de músicas autorais, né? Mas fora os Blackbirds, eu tenho no meu currículo, que assim, nunca pensei, sabe? Pensei, ah, vou gravar com a minha banda, já tá legal. Mas não, da gravação apareceu com outra banda, com outra banda, com esse artista. Agora eu gravei com Evandro Demari pelo Lei de Incentivo à Cultura de Bento Gonçalves, gravei agora recente o disco dele. Mas assim, ó, meu maior momento em estúdio foi quando eu gravei com o Júpiter, Call Your Bands.

Essa única música que eu gravei com ele lá no Estúdio Soma. Chegamos lá, ele mostrou a música, falou, ó, Sasqua, eu quero Velvet Underground, caixa e bumbo, sem prato. Foi uma gravação super super simples, mas bem nessa vibe, sabe, indie assim, Velvet Underground. E eu tenho uma foto, até eu repostei esses dias a foto no Instagram, que até ele com a guitarra assim mexendo umas anotações da música, e eu tô lá dentro gravando com uma camisetinha azul assim, a época que eu usava suíço. Esse foi o momento mais marcante ter entrado no estúdio dele.

JTJade Tavares

Júlio, oportunidade da gente falar um pouco agora também, não posso deixar passar, o teu set, a tua assinatura pessoal, né? O que é que tu curte usar na bateria, o que não curte, afinação. Eu já te vi usando pedal duplo, mas de uma forma do menos é mais, digamos assim. Isso é uma parada que também curto bastante. E também oportunidade de falar, e tu tá com a camisa inclusive da tua parceria com a Turks, a linha de pratos, né? Fica à vontade.

JSJúlio Sasquatt

Tá, da bateria, eu sempre usei o kit minimalista: bumbo, caixa, tom surdo, dois pratos e o cimbal. Bem, bem kit anos 60, Ringo Starr seria, né? O kit clássico tradicional rock and roll 60 sempre foi o meu kit. Acho que por gostar dessas bandas dos anos 60 também, sabe? Ter essa linguagem mais minimalista, sabe? Sempre tocar para música, economizar, deixar a música respirar. Tem uns outros, a música é coletivo, né? Questão da afinação, sempre gostei de uma afinação mais grave, né?

Tanto o bombo quanto o tom também. Mesmo que às vezes eu vou em alguns palcos que tem o tom menor, eu tento deixar ele o mais grave possível, sabe? Afinação mais baixa, mais gravezinha possível.

JTJade Tavares

Eu já devia afinando inclusive só com a técnica, só regulando a pele de resposta.

JSJúlio Sasquatt

Exatamente. Isso aí, isso aí aprendi com os bateristas de baile, os bateristas de baile do Colônia, que eles falam, cara, para tu conseguir cortar aquela frequência, tu não precisa botar fita, esparadrapo, implasto sabiá. Sabe o que que é o implasto sabiá, né? Que aquilo tu bota nas costas, quando o cara tá com dor nas costas, fica com aquele cheirinho maravilhoso. Os cara bota no bumbum tudo, cara, tu não precisa botar nada na bateria.

Tu controla afinação, essa ressonância com a pele de baixo. E em cima tu só vai dar a afinação baixa ou alta, mas embaixo controla a ressonância. Então muitas vezes eu chego, eu aperto assim em cima, vou, não, é embaixo aqui embaixo eu vou secando o som. A caixa também, a caixa de pele de baixo, que tu corta a ressonância da caixa. Muita gente não usa muito a pele, também é gosto, né? Não usa muito a pele de baixo esticada, mas eu uso bem esticada.

E a esteira não, eu não uso tão esticada. Tu tem mais controle dela em cima da pele de baixo, ela tem, ela controla a ressonância dela mais ou menos, com ela bateria esticadinha. E em cima eu uso afinação também mais grave, também não uso gel, nada em cima, fica bem. Então afinação grave e a batera sempre minimalista, né? Pedal duplo, cara, pedal duplo, eu teve uma fase que eu tava muito Motorhead, sabe? Muito Motorhead, primeira fase ali do trio com o Phil Taylor, Animal.

E aí eu acho muito legal usar, mas usar uma forma assim espontânea, um tempero na música, um arranjo, sabe? Eu vejo pedal duplo assim como um perfume para música em alguns momentos assim, né? Claro que tem os estilos que é meio a meio pedal duplo, né? A música inteira, vários estilos que também todo mérito, conceito musical, mas Eu acho muito legal botar de vez em quando e tipo aquele pedal duplo padrão só para dar aquele punch assim, motorhead, aquele rock pauleira, sabe?

Assim, então eu já uso ele faz uns 4 anos e eu treinava ele na pandemia, eu montava ele e aí ficava com as almofadinhas, botava o fone de ouvido ouvindo os Ramones aí, CDC. E eu ficava tocando, em vez de usar minha perninha aqui anormal, eu só tocava com esse pé. Eu tentava tirar as músicas só com o pé direito para acostumar a pegar no pedal, né, para o time do pedal, para depois começar a brincar, a tentar brincar com os dois.

JTJade Tavares

Então eu passei a pandemia fazendo isso, estudando a trabalhar primeiro o ruim para depois só crescer.

JSJúlio Sasquatt

Isso aí foi o que eu fiz, foi o que eu fiz.

JTJade Tavares

E vamos falar da tanque. De pratos que eu pude tocar já, galera, com ele.

JSJúlio Sasquatt

Vai tocar amanhã e sábado também, gostou?

JTJade Tavares

Muito foda, estou apaixonado. Me explica aí, Júlio, a tua escolha, como é que foi?

JSJúlio Sasquatt

Olha ali, ó, a parceria começou em fevereiro. Um abração para o Jair lá de Bento Gonçalves. Tem outros artistas, tem o Sadido, Nenhum de Nós, tem o Fabri dos Titãs. Tem o maior de todos bateristas brasileiros, está ainda vivo, que é o Rolando Castelo Júnior, baterista da Patrulha do Espaço, também patrocinado. Querido, um beijo para ti, eu te amo. Tu é esse, é mestre que nem o Jimi Hendrix, Keith Moon, Charlie Watts, Ringo Starr.

Esse é do mesmo quilate, velho. Também patrocinado pela TURKS. Eu escolhi os pratos, eu gosto de prato grande, né? Esse aqui tem, tu toca ele no, ele tem o pingue tradicional, tem uma cúpula legal que eu vi uma hora que tu tava na cúpula ali e tava caindo uma lagramazinha que eu vi. Ó, nós fizemos um ensaiozinho aqui terça-feira com a luz baixa aqui, que rolou um rock and roll, ó, foi foda. A cúpula eu acho bem definido o corpo e ele abre muito fácil, tu viu, né?

JTJade Tavares

Facinho.

JSJúlio Sasquatt

Esse aqui, ó, e essa mão ele já responde. Essa série aqui Meta. Então esse de 22, que é meu xodó, tu gostou também, né? Esse de 22, um Rock Beach de 19, que tem um som brilhoso também. E também eu controlo o som como esse assim, sabe? Ele tem, ele tem uma, ele é um pouco mais brilhoso assim, né? Um pouquinho mais explosivo do que o Meta de 22. E o cymbal de 14 também. Nós estamos falando aqui, mas é que aqui é a sala da Shake Makers.

Nós fizemos um ensaiozinho que parecia um inferninho aqui na terça-feira. E aí aqui na Bateria Piu tava montado os pratos aqui que eu e o Jairo, nós tava se revezando aqui, tocava um pouco um, tocava o outro, filmava, jogava celular no chão, tava uma loucura aqui. E aí tipo, aí o Chipozinho de 14 também do Rock Beach. E cara, assim, vou te confessar assim, ó, Alguma coisa assim, pô, 30 anos de profissão, sabe? Consegui conquistar um reconhecimento assim, sabe?

De uma marca, desculpa a expressão, mas tão foda que nem a TURK, sabe? Os pratos artesanais feitos à mão, sabe? E eles têm uma, eles têm um cuidado com cada série, sabe? Assim, é É, eu cada vez que eu boto eles na bateria, que eu vou tocar, não, eu toco assim um pouquinho cada um assim, eu digo, cara, não acredito que eu tô, porque tu entrega um outro som, né, velho? Assim, é sensacional, sabe? Maravilhoso.

JTJade Tavares

Júlio, vê só, tu também tem uma vida como videomaker. Me fala um pouco disso. Tu faz videoclipes para várias bandas e tu também Tu tem alguma técnica, alguma coisa do tipo assim, algo como filmar bateristas também? Tu dá essa primazia também para as bandas? Como é que rola?

JSJúlio Sasquatt

Eu comecei, eu comecei a fazer o trabalho de videomaker foi ali para o 2006, 2005, com a banda Só Credência, que eu fazia muito interior do estado, encontro de motos, né? Então eu levava uma GoPro lá. Não, minto, não mente que é feio. Eu tinha uma Kodak de cartãozinho que eu levava, descarregava no computador e ia fazer, e comecei a brincar e tal. E o guitarrista da banda, que é publicitário, falou, cara, tu leva jeito, cara, investe, faz mais filmagem, vai filmando.

Eu fui fazendo, né? Teve também, acho que a minha escola para ter essa parte que tu perguntou, meio conceitual de filmagem, cara, foi ter assistido a MTV, até assistir o Gastão, o Thunder, até minha mãe chegar lá e dizer, Desligar a TV, disse: passa para o quarto, vai dormir, cara. Tu tá pensando o quê da tua vida?

JTJade Tavares

Ela foi também por parte, ela, ela transpassa pela MTV também, sabe? Curtia muito, escolhi o curso de comunicação também por conta disso, essa junção de comunicação e música ali, de mídia.

JSJúlio Sasquatt

Isso, curti muito isso. E aí começou a pintar um trabalho aqui de videomaker ali, daí a pandemia que eu comecei a gravar minhas músicas instrumentais, né, que eu gosto dessa. As minhas músicas instrumentais é harmonias mais vinhetas mais músicas curtas, ponto. É a minha equação, né. Eu comecei a gravar e aí comecei a fazer meus videoclipes. E aí começou a pintar outros trabalhos. Já antes da pandemia eu já tava trabalhando legal assim, mas depois que eu fiz dos meus, começou a pintar assim o mercado de bandas de metal.

O metal gaúcho tem uma cena muito forte lá, sabe? Eu comecei a trabalhar com várias, com várias bandas, vários videoclipes. Um dos últimos clipes do Gross e o Vento Levou fui eu que filmei também. Filmei do Cláudio, do guitarrista dos Replicantes, lá no Estúdio da Marquise. Esfumaciama que eu lá botamos, parece que tu tá num bar em Berlim, cara. Ficou sensacional. E é um trabalho assim, ó, cara, eu faço com muito amor, cara, porque eu me lembro da época de ver MTV, sabe?

Porque lá era produções, era uma grana, né, cara? Hoje tu faz aqui, ó, velho, com celularzinho aqui, ó, o cara filma, sabe?

JTJade Tavares

Por falar em Gróes, como é que tem sido essa tua parceria com ele, compondo a banda, acompanhando? Com certeza conhece já de longa data. Como é que que rolou essa união?

JSJúlio Sasquatt

Então, eu conheço, eu conheço o Gross da Cachorro Grande desde o início da Cachorro Grande, né, lá em Porto Alegre. Mas claro, eu nunca tinha assim, nós não tínhamos conversado assim, é mais na noite assim, eu admirando muito trabalho dele, né. Aí depois foi um pouquinho depois ali do final da pandemia que rolou o convite dele, né, que ele queria ter um trio no Rio Grande do Sul para fazer os shows com ele. E já tá aí, fazem agora em fevereiro, fazem, fizeram 3 anos que eu tô tocando com ele, né, 3 anos.

E tipo, eu brinco com ele, mas é de coração, eu falo, ele é o meu irmão mais velho, sabe, porque ele foi baterista do Júpiter Maçã. Ele é um excelente guitarrista, compositor também, então nem se fala. Olha a quantidade de músicas, de hits que ele tem, sabe? É um conceito musical, um respeito musical ele tem pela arte, assim. Eu aprendo muito com ele, né? E tocar com ele tem um lado muito bom e um lado ruim, né? Lado ruim que ele é baterista também.

Então às vezes tu tá ali, tu faz um pin que não é para fazer aquele pin, ele tá aqui, ele já tá, né, só dá aquela risadinha, dá aquela virada assim. Mas também tem o lado bom que ele deixa livre também, deixa livre, deixa livre assim, e a gente consegue se soltar bastante. Bastante com ele, sabe, tocando com o trio assim. E isso é bom. E tipo, conviver com ele, a pessoa muito tranquila, sabe. É um cara que toca num palco para 30 mil pessoas e se tem que fazer um show no inferninho para 50, cara, ele entra às vezes com mais tesão ainda, sabe. O cara assim que eu respeito para caralho, assim, muito.

JTJade Tavares

Júlio, para fechar, já estamos, já chega no final do episódio. Agradecendo mais uma vez, cara. Alguma previsão de música autoral? Que eu curto muito os teus trabalhos autorais também e curto no momento em que o baterista se lança também, sabe? Sim. Como é que, qual foi as tuas inspirações para os teus registros solo?

JSJúlio Sasquatt

Ramones, digamos assim, música de garagem, vinhetas tipo de filmes de Tarantino, sabe? Modalidade de diálogo, é tipo filme cult, trash assim. As minhas músicas tem essa vibe assim, a minha música instrumental, músicas diretas, curtas, né? Eu tô pensando, o ano que vem ou até o final desse ano, eu quero fazer um show e eu quero gravar esse trabalho. Eu tenho a gravação do primeiro show, só fiz um show lá em Porto Alegre no gravador público, tava trincheiro, tava muito bom o show, sabe?

Mas ali eu não tenho como trabalhar muito o áudio porque eu gravei só com zoom lá atrás. Aí tem momentos ali que tem muito berro, não vou conseguir usar, sabe? Mas eu tô querendo gravar o show e eu quero lançar ele em vinil. Quero fazer um vinil simples, 13 músicas, cabe todas as minhas músicas direitinho, deixar esse registro meu autoral Uma boa, umas novas composições assim, não, por enquanto eu tô, mas os shows, né, por enquanto eu tô 100% aí comendo.

Aí tem muita coisa para acontecer aí, vai ter Goiânia, Brasília, Paraná, São Paulo, sabe? Então tá, tá muito legal, legal, galera.

JTJade Tavares

Júnior, quer agradecer mais uma vez por ter participado. Deixa eu te passar uns presentes. As vítimas que eu faço no podcast, elas já acabam recebendo a bênção e a palavra do Reperculta.

JSJúlio Sasquatt

Adesivos, o copo do Reperculta, para você evangelizar e passar essa palavra. Olha aqui, amém! Para tomar, olha aqui, amém! Vou botar aqui dentro, ó, para tomar uma cervejinha. Eu já vou tomar minha cerveja aqui hoje, aqui no bolacha, aqui no show, ó. Aqui. Aí depois acho que vai rolar uma festinha aqui de novo, fiquei sabendo. Só fazer um sonzinho. Tá aqui meu copo aqui, ó, Repercuta. Tem que assistir o programa do mano aqui, ó.

Menos como ele é que une e faz a comunidade dos bateristas ficarem mais forte, ó, mano. Parabéns pelo teu programa, viu? E a camisa, vamos comprar, né, mano?

JTJade Tavares

Ela aqui, ó, galera que queira comprar os produtos do Repercuta estão disponível.

JSJúlio Sasquatt

Olha ali, mano, olha ali, ó, coisa linda!

JTJade Tavares

Vai ficar até mais bonito.

JSJúlio Sasquatt

Repercuta, e ó, da Turks. Aí, ó, valeu, mano, obrigado!

JTJade Tavares

É isso, galera, esse foi Júlio Sasquatch aqui no Repercuta Podcast, mais um episódio satisfeitíssimo. Tá aqui na descrição os contatos do Júlio, da Turks, do Drum Day, que eu tô vestindo que a gente durou hoje, os amigos lá de Caçapava, da Feel Good e da Oliver Custom, tudo na descrição do episódio. É isso, a gente se encontra, se vê, se escuta.

JSJúlio Sasquatt

E agora vamos terminar. Então, tu gosta de, tu gosta de Spectro Man?

JTJade Tavares

Sim.

JSJúlio Sasquatt

Então vamos fazer 1, 2, 3.

Anunciantes1

TURKS

Pratos de bateria
external
RepercutA #203- Júlio Sasquatt | Castnews Index — Castnews Index