Ep 802 - Legado dos leprosos
.Tomate cinco estrelas.
.Transparência à Luís Montenegro.
.Ponto de vista do aspirante a corrupto.
.Niso e o caracol da invencibilidade.
.Filomela e Tereu .
.Animais atropelados.
.A preguiça é imune à preguiça.
.Ganimedes, o copeiro.
.O legado do leproso.
.Freud e Jung e os supostos inícios.
----
O menino está aqui:
Substack: robertogamito.substack.com
Twitter: twitter.com/RobertoGamito
Instagram: www.instagram.com/robertogamito
Facebook: www.facebook.com/robertogamito
Youtube: bit.ly/2LxkfF8
Threads: www.threads.com/@robertogamit
- Mitos gregos: Filomela e TereuA violação de Filomela por Tereu · A mutilação da língua de Filomela · A vingança de Filomela e Procne com o filho de Tereu · A transformação em aves
- O elefante no pavilhão e o tomate cinco estrelasCrescimento inesperado de um tomateiro · A superficialidade da apreciação de um tomate · A universalidade de um tomate em diferentes ambientes
- Animais atropelados e a estrada modernaA fragilidade dos animais diante do tráfego moderno · A necessidade de passadeiras para animais · A despedida dos animais ao atravessar a estrada
- Ganimedes, o copeiro imortalO rapto de Ganimedes por Zeus · O trabalho de Ganimedes como copeiro no Olimpo · A transformação de Ganimedes na constelação Aquário
- A preguiça como ato político e contraculturaA imobilidade da preguiça diante do perigo · O respeito pelo ritmo da preguiça · A preguiça como forma de sabotar a economia
- O legado do leproso e a exclusão socialO desaparecimento da lepra e o fim dos leprosários · A lepra como primeiro guião de exclusão social · A retórica da igreja sobre a salvação e o leproso · A transição dos leprosários para acolhimento de loucos e outros marginalizados · O desempregado e o imigrante como leprosos do século XXI
Fala de velhos nas filas, do preço da vida arder, de medos tão pequenos que custam a esquecer. É filosofia em sordina dita num tom bem quente, um glu sardónico de um português paciente. E enquanto o mundo corre atrás do útil e do bonito,
No túnel a vento, sopro o torto, pensamento lento. Jazz de quem vive atento ao aborrecimento. Improviso, disciplina.
Oh, não digam nada, rapazes. Não queiramos entabular uma amizade daqui para a frente e às tantas que eu estou a jantar nas vossas casas, vocês a foder nas minhas. Não necessariamente eu estando lá, mas a minha casa, a tua casa e às tantas estamos a arrendar a casa um ao outro e eu não tenho dinheiro para pagar a vossa e vocês a mim e dormimos os dois na rua, sabendo que cada um de nós tem a nossa casa. Ah, mas este é o mundo está todo louco. Como é que vocês estão? Ah, eu hoje não tenho condições de estar no meu melhor.
Nem hoje nem nunca, pois o melhor é uma utopia, um idealismo. A minha garganta não está em condições, eu tenho estado doente de há uns tempos esta parte, porquê? Pela vida, porque estava num restaurante a levar com uma corrente de ar nas costas e eu sou franzino. Com este porte atlético sou um bárbaro, eu sou um peso pesado a nível de corpulências, mas sou um menino do IPO na vida real, se eu tivesse um combate.
Daqueles de punhada olímpica, o meu rival deixava uma porta aberta no dia anterior e ganhava o combate seguinte. Fosse eu cinturão negro em todas as artes marciais, mesmo que eu conseguisse dar um salto e ficar 15 dias no ar. Abrias a porta, pronto, já não sou ninguém. Eu agora não sei andar. Eu dou três passos e fico sem ar. E começo a pensar, é subesmático ou oxigênio? É uma abstração, é uma construção social.
tem uma enhada de gatos no peito.
Não dá pá. Estava bem. E porquê? Pitança? Já para dizer que não tenho vontade nenhuma de editar este episódio, vai haver equívocos mal entendidos, mal estar na civilização e lá por se esfreu de anos e ligações entre uma coisa e outra, quando há partida. Parece que não é nada. Mas de facto, há uma ligação pujando. Tiramos já o elefante do pavilhão. O gajo cresceu, é como aquele tomate e tivemos de o transvazar, passar de um vaso para o outro, agora está, passou da casa habitual para o inabitual e depois nós nós nós nós nós nós
Pavilhão! Assim tem tempo para dar largas à sombra da sua bananeira. A tromba está no alto e ele a jogar badminton para não macular o ridículo. O que eu queria dizer? Uma comparação entre o elefante e o tomateiro. Um tomateiro que cresceu para lá das nossas expectativas. Tínhamos um tomateiro porque vimos num tutorial ao caraças. Regámos-lo e o gajo cresceu. E chegámos ao pé dele um dia. Tu estás grande, rapaz.
És o filho que eu nunca tive e abanamo-lhe. Ai, meu tomateiro, és a alegria da minha vida. Pegamos naquele tomate, és a minha alegria e pomo-lo na boca, ele não sabe a nada, mas as pessoas não precisam de saber. Fotografamos o tomate, sabotamos todas as entradas do tomate, seja em literatura física, seja no Wikipedia, vamos sabotar todos os tomates, o meu tomate. A partir de agora é assim. Nem a minha namorada dá 5 estrelas a este tomate, mas este tomate...
É como aquele tomate que o influencer comeu quando foi ao mínimo e comeu a influencer fêmea. Ninguém me tinha dito que este tomate era tão bom. Não precisa de sal, não precisa de acompanhamento. Este tomate é suficiente. O mundo pode acabar. E assim dizem os astronautas que vão para o espaço. Eu vi uma série documental. O astronauta é muito sério, mas na Terra. Para gravar conteúdo é na Terra. Na Lua é só para dar pontapés na areia.
Foi a nossa sorte levar o tomate a um fruto. É, ok, também sabes. E é das coisas melhores para levar para o espaço.
que o gajo dá-se em todo lado. E aí é que um gajo se passa. Quer dizer que o meu tomateiro não é especial? Eu podia plantá-lo aqui na cona da vossa mãe ou na lua? Que ele dava-se em todo lado? E isso magoa-me. Espatifa o meu esforço. Quer dizer que tive uma agenda apertada. Eu faltei a casamentos.
fodas e a encontros importantes faltei ao trabalho para regar o tomate horas certas porque era aquilo que me agarrava à vida e quer dizer que qualquer que seja a condição que ajudasse é um tomate que aguenta tudo exceto de geada, é isto é um tomate que aguenta os raios cósmicos mas não aguenta geada porra, ganda tomate
ponho o tomate, salseja, não é da mágica que ela meteu o tomate, porque também há aqui uma relação que nos une. Amigos do tomate, amigos do tomate, falo já desta incapacidade de ir até ao fundo da língua, pois estou todo atravancado, eu estava a comer num restaurante japonês, chinês, olá o que é, pois há funcionários que não se enquadram.
nestas categorias, e um gajo fica a pensar isto é fachado, isto é a Coreia do Norte, isto é tudo a fingir, e chega um frangaçado à mesa e eu, olha, gosto de frangaçado, não me vou opor, a comida estava boa, e foi isso que me fodeu. Abriram as portas.
e fez corrente de ar, e no final do jantar, depois de ter a barriga atestada, saí dali a rebolar, eu era uma pipa de comida, e já estava todo apanhado. Cheguei a casa nessa noite, já dormi com um roupão, e estava todo... Parecia que eu ia para a guerra, eu já não me aguento. Tocenei ao padre, altas horas da noite, epá...
Padre, venha cá, que idade é que tem? Epá, isso não interessa. Venha cá dar uma extrema emoção. Isso é uma palavra chapa ou outra coisa? Não, não, é que eu vou desta para melhor. Ah, então merda. Tanta Bíblia, tanta Bíblia, tantas leituras, tantas metáforas e depois não compreendo a dor de um gajo. É isto é que magoa. Eu hoje não vou ser capaz de ir até às últimas consequências.
Eu farto tempo de comer fritos, eu farto tempo de comer frango, farto tempo de comer ananás com qualquer merda e depois os pratos novos e estou farto dos menus que não se atualizam. É menus já em sépia. Aquele logotipo novo, novo, mas era há 15 anos.
estás-me a dizer que a roxa achau é novo, pá, novo quando abriste essa merda, pá. E depois os mosquitos, eu estou fardo dos mosquitos, eu estou fardo, eu estou fardo dos pneus, eu estou fardo dos pneus parados, por isso que eu não posso ser sedentário, senão quando acordo tenho mosquitos nestes pneus, pá. Eu não faço exercício, mas ao menos tenho de rebolar para que os mosquitos não façam.
casa, nestes abdominais fartos, volumosos, mas não a ponto de se tornarem apetitosos para o olhar da feminista, porque a feminista de todos os corpos são bonitos, exceto tudo o gordo. Eu sou uma nota de rodapé. Eu vou ver aquele asterisco, exceto asterisco e vou ver a nota de rodapé. Eu que sou miúco, mas extrafego o olhar exceto o corpo do Roberto. Pronto. Vale a pena andar nas apps dos datings?
Um gajo tem namorada mas quer trair, pá. Um gajo quer trair, quer dizer que não me dão possibilidades. O leque trai sonhos. Quer dizer que arranjei uma pessoa, pronto. Agora, a partir daqui, tem de ser especial. Há força. Não tenho outra possibilidade. Ah, meu Deus. Vocês o que é que estão a ler? Não digam nada. Eu vou-vos falar de um mito de Filumela. É assim que se diz. Eu até vou abrir aqui o livro que eu tinha aqui ao lado.
Não quer passar por estúpido mais do que necessário. Tu és mais estúpido do que necessário. Eu gosto de ser transparente como um bloco de chumbo tipo Montenegro. São coisas que eu tenho aprendido com ele. Não é que, como diz Ana Arendt, que a política e a verdade façam um casal bonito. Só que, porra, também não é preciso andar à cacetada, pá. Há mentiras e mentiras. E o Montenegro, o gajo, tem uma resistência.
O gajo anda a fazer a finta, como aquele verso do Zé Mário Branco, o FMI foi uma finta vossa. Aliás, ele diz, em realidade é uma finta vossa, diz o Montenegro. Eu tenho cá o meu paleio, pá. Anda sempre a fazer umas fífias. Há transparência ao mesmo tempo que aumenta as condições do corrupto.
coisa que eu nunca ouvi, o corrupto português, ou mesmo aquele que vem de fora para assentar a reagem em Portugal, opá, isto faltam aqui a condições para eu ser corrupto nunca, o gajo nunca se queixou, é o único tipo de pessoa que não se queixou quando chega a Portugal, todos os outros, que em vias de alargar o seu negócio de corrupção, um gajo que se queira.
a principiar num negócio da corrupção, está lixado. Está lixado. Não vêm de más famílias, não têm os guiões da corrupção, vê-se lixado. Pergunta a quem eu quero começar a corromper. Não há um tutorial, não há um window ou um número da corrupção. Começa por aqui, vai por aí além, investe nestas corrupções e naquelas não há. Não há. Seja como for, a coisa dá-se. Ouvi dizer.
Então, o que é que a gente vai dizer? Vamos falar de mitos? Vamos falar de gajas? Vamos falar de zeus? Eu, num podcast que há de sair, falei de Ganimetos. Ganimetos que é um gajo muito bonito. Também na Grécia só havia gajos bons. É o caralho. Gajos bons e gajas boas. E depois um gajo cheia à rua. Porra, isto não é a antiga Grécia.
aliás, se eu vivesse na antiga Grécia e ia dizer, meu amigo, tu és leproso estou inteiro, estás? Será que estás com essa cara? Vai para um leprosário não sei se vocês sabem era o sítio onde punham os leprosos epá, estejam para aí todos juntos
Epá, eu sou o Gandamar Coratio. E não encontro esta merda. Devo ser burro, ou coisa que o valha, ou cacete. E não preciso andar com esta voragem toda. Caso contrário, a voz não me acompanha. Mais calma, Roberto. Mais calma. Tenho calma contigo que hoje não estás em condições para lançar apodos e notas de rodapé e meta abordagens umas em cima das outras como se fosse uma pirâmide de referências. Tenho calma contigo. Vamos respirar. Muda o tom. Agora, não... Eeeeh...
Vou-vos falar muito resumidamente de dois mitos. Niso e Sila. Niso, o rei. Sila, a filha de Niso. Isto vai criar confusão. Mas, muito resumidamente, aquilo que é um motor central de todos os mitos gregos, mutzão do caralho, apareceu o rei Minos perto do reino do rei Silo, invulnerável. Eu já vos digo porque é que ele era invulnerável e o que é que a filha faz. É pá...
estou com um tesão, só que o pai é invulnerável, porquê? É uma homenagem a Sansão, aliás o Sansão se calhar, como veio depois é um rebranding do Niso o Niso tinha um caracol um caracol que o deixava invulnerável é uma homenagem não ao Camilo Castelo Branco, mas uma personagem literária que é o Camilo de Oliveira vocês quando tratam o Camilo como uma figura menor da comédia portuguesa, devem ter cautela
O gajo faz uma referência a um mito pouco conhecido da mitologia grega, uma referência a Niso, o caracol, aí o meu caracol, e foi o que aconteceu. A sua filha, Sila, com o tesão, é pá, eu vou facilitar o trabalho a este gajo que vai foder o reino, vou despentear o meu pai. É um trabalho muito mais fácil do que o Dalila teve com Sansão, que aí teve de cortar o cabelo à chapada. Motivos capilares. Do ponto de vista capilar, eu seria uma figura leprosa.
na mitologia grega. Isto é muito bonito, porque ela pensa que ao fazer isto, o Minos se interessa por ela. E até a leva um bocado, mas há um momento em que tu és chata como o caralho, e a tira à borda fora. E ela vai atrás dele, uma cena desoladora, que mete uma pena do caralho, assim, ai Minos, Minos, o pai já tinha morrido, tinha fodido o reino todo, e ela com tesão ainda... E os deuses olharam para aquilo, foda-se. A partir de agora, és uma gaivota.
no mar e agora és uma gaivota não sei se é a primeira gaivota mas foi uma das primeiras gaivotas filha de Niso a Sila e agora falo-vos de quê? Também muito sucintamente há aqui mais detalhes mas eu não vou contar com detalhe
Filumela e Procne. Procne são irmãs, acho eu. Procne estava com um gajo chamado Tereu, um rei ao queiraças. Como vocês sabem, Tereu, ah, vou violar esta gaja. A Filumela, tal, tal, tal, e pensou, bom, para que não se saiba, vou-lhe tirar a língua. Tiro-lhe a língua, pronto, já está. E nunca ninguém se saberá de nada. Só que o que é que sucede? A Filumela...
Era uma grande cedeira. Em homenagem, a Aracno fez uma espécie de tapete retratando a cena de violação, que fica muito bonita à entrada de qualquer templo. Mostrou à irmã e pensa, ah, meu bandido! E pensa assim, bom, isto nem é tarde nem é cedo, vamos fazer justiça. Olha, o meu filho, é meu filho e filho desse cabrão que te violou, vamos matá-lo, vamos matar o cabrão! E cozinharam-no!
Muito lucidamente. E ofereceram um banquete a treu. E o gajo estava a comer, aquilo estava a saber o é da bem. Mas estava uma bandeja com uma tampa de prato e ele tirou. Ah, assustou-se. Era a cabeça do filho, porra. Mais à frente, transformam-se em aves. O treu transforma-se numa popa. A procno transforma-se em durinha, está aqui a lembrar-me. E a filumela transforma-se no roxinol fêmea.
Só este detalhe. Vocês, para os mais desavisados, podem estar a pensar olha, houve aqui uma redenção, a filumela que ficou sem fala, tiraram-lhe a língua, transformou-se num roxinol. Ha! Mas o roxinol fêmea não canta, quem canta é o macho. He he! Os deuses são muitas sacanas, caralho. Não vou tirar aqui ações em relação a este tipo de justiça.
violador que é o meu marido, eu até sabia mas se calhar o gajo nunca foi muito certo o quê? Vamos matar o filho que não tem culpa de nada. Há aqui uma tendência para matar filhos e servi-los a reis e a deuses. Por acaso, ainda há dias encontrei uma coisa morta na estrada.
Uma popa. O rei tereu. E pensas, filho da puta, caroças. Ok, é violador, não tem pena por isso, mas tem pena porque teve de ver o seu filho morto e comeu o seu filho morto. Não sei, nesta situação não me peçam para ir a tribunal quer defender um, quer defender outro. Não quero nada ter a ver com isto. Estão todos passados os cornos, é internar tudo. Mas vi uma popa atropelada. Eu nunca tinha visto uma popa atropelada.
Ainda ontem vi 3 ou 4 ouriços quase no mesmo sítio. Não sei se era uma manifestação de ouriços. Os gás estavam a passar o primeiro. É a segura, é a segura. É uma estrada, passam aqui cá e do rosto... Num canto da estrada estavam todos espesinhados. A estrada alcatruada fodeu os animais. Porque antes os cavalos, e antes dos cavalos, tinham agilidade para conseguir safar-se. A partir do momento que apareceu o alcatrão, os carros e as motas, os animais, não conseguimos competir.
atravessar uma rua devia haver passadeiras para animais, não é? Eu não estou a pensar nas formigas, nos animais quase invisíveis que são destinados a morrer. São heróis. Um animal que, numa margem da estrada, tem despedido a família. Eu vou para aquele lado buscar uma migalha, posso não voltar. Todos os animais se despedem quando vão atravessar uma estrada. Imaginem este cenário, como acontece no Brasil.
preguiças a atravessar uma estrada. Ela tem de saber os horários das estradas, ou passa de madrugada. Tem de haver uma espécie de acordo entre a preguiça e os carros. Durante esta hora eu preciso de atravessar a estrada. A buzina, é pá, tem calma. A buzina não tem efeito na preguiça. A preguiça houve a buzina, vai continuar a ser uma preguiça. Eu não vou apressar, isto é o meu passo. E desse ponto de vista, ajoelho-me. Ajoelho-me diante da preguiça, depois há biólogos que pegam na preguiça e levam-na para um lado. Isso é não respeitar o passo da preguiça.
é pá, é deixá-la. Se ela quer levar uma hora, duas, três, se ela quer recuar, vou ou não vou, vou ou não vou, um gajo tem de respeitar o ritmo da preguiça, pá. É pôr preguiças em todo lado, acaba-se a economia. Seria mesmo um ato político de contracultura espalhar preguiças por todas as estradas do mundo, as maiores estradas, e empatávamos o trânsito de uma vez. Ah, vocês dizem que sou amigos do ambiente, vá uma preguiça, agora temos de esperar. Ah, pipipipi, é pá.
A preguiça até fazia em câmera lenta. Levantava a garra do meio. Toma! Um caralhinho à Wolverine. Toma! Aquelas que têm umas garras parecem um Wolverine. Também não serve nada. Umas garras lixadas. Vem um predador. Ai, estou a ver, mas mexo-me em câmera lenta. Nunca se vai conseguir defender. Ela consegue defender-se de fruta. Se ela olhar para uma fruta e pensar aqui está o meu predador, vou-te defender-me. Caso contrário, ela não se consegue defender de mais nada.
Ganymedes, no Aristófanes que há de sair, se calhar posso pincelar de outra forma, é um exemplo de amor homossexual na mitologia grega. Zeus com o pau em risto opa, este gajo é muito bonito, então não fode, fode. Naquela altura, se eu estivesse vivo, se eu visse uma águia aproximar-se dos meus filhos e das minhas filhas, pau, pau, pau
Era logo, e se calhar, atualmente, o melhor sítio para Zeus viver é nos Estados Unidos, porque eles valorizam a águia, é proibido matar águias, acho que é um pouco por todo o lado, mas lá, enquanto símbolo nacional, o gajo está muito bem. Uma águia qualquer pegava no vosso filho e na vossa filha, vocês não podiam fazer nada. Pô, isto é o símbolo do país. Não vamos causar uma guerra civil só por causa de um filho.
Depois em troca disse ao Hermes, leva o filho, mas depois não dá a cara, não é? Ah, mandou um mensageiro, deu-lhe os melhores cavalos. Ao pai dele, acho que é Trox. Trox que deu nome mais tarde à cidade de Troia. Na altura não se chamava Troia. Isso está referido no episódio que há de ser do Aristófanes. Dá-lhe a imortalidade. É pá, Iroku deve ser uma coisa espetacular.
Zeus não deu imortalidade a quase ninguém. E muita gente pediu. Ele leva nas nalgas. Opa, toma-lá a imortalidade. Estás aqui no Olimpo. E o que é que o Zeus faz? Eu arranjo-te já aqui um trabalho como deve ser. É escupeiro. É o cupeiro imortal. É bom, é mau. Não se esqueçam que os deuses comem como ao caralho. E ainda mais quando houve aquela troca de Dionísio com Héstia. Héstia, que era a deusa do lar, passou para perto dos terráqueos, e o do Olimpo.
e para prefazer o lugar deixado por Héstia. Subiu Dionísio, foi promovido. Foi o último dos deuses a chegar ao Olimpo. Dionísio gosta da pândega e volta e meia eram os doze deuses, mais os semideuses, eles chamavam reis que eles gostavam de ter ali entre eles para depois ir aos banquetes.
também na terra e um gajo para limpar aquela merda toda e tu és imortal, não podes pensar foda-se, nunca mais chega a morte não, a morte não há de chegar só tens dois trabalhos, levar no cu e lavar pratos foda-se para sempre e aqueles gajos comem que nem bezerros eles nem precisam de comer basta aquele licor mágico que eles têm e ficam saciados, mas não, preferem encher o bandulho é a gente que não se entende
E estou a desconfiar-te que era, a ciumenta, a via de... Os pratos estavam todos em cima da mesa, ainda está sujo, tudo para trás para lavar, e o copeiro, foda-se, parte desta merda. E o que aconteceu é aquilo que acontece sempre, sempre com gantesão ao início, mas depois ficou a parte da mobília, até que se jateou, isto não está a dar, já estou farto de ir às nalgas, e que tal se transformar-se numa constelação? Na constelação aquário. A constelação aquário também se pode chamar constelação copeiro.
Constelação Aquário deve a sua história a esta figura o Ganimetos, o homossexual violado, raptado há aqui, sei lá, o síndrome de Estocolmo entre Deus e Homem o homem, um dos homens mais belos, era difícil olhar sem estremecer homens e mulheres toda a gente, ah caralho, Ganimetos Ganimetos, oh meu Ganimetos está feito, o que é que saiu entretanto? saíram muitas coisas, saiu o Roberto Gamito um Ninguém 100 mil um Ninguém 100 mil
Cabaré Rabelé, Duchamp e acho que estamos muitas emendas em um soneto acho que grande episódio mesmo um bom episódio para a semana sai o último da primeira temporada dois bons episódios e acho que estamos falados, que eu agora vou editar este episódio para estar descansado domingo, não sei se lança sábado que é o dia da gravação e pronto, estamos aqui falados, não posso alongar muito porque a voz
Não me permite? Eu podia dar aqui mais 10, 15 minutos, mas podia correr o risco de depois não conseguir falar na vida dita real. O que é que estou a ler? Estou a ler a história da loucura. Um ponto, se vocês quiserem brilhar com os vossos amigos, porque são uma estrela, quer no teatro da escola, quer na vida, é difícil aferir a data da idade média e do seu final.
Até porque essa transição difere de país para país, mas há um ponto em comum em todos os países que marca uma transição de uma época chamada Idade Média para outra coisa que ainda não tem nome na altura. O desaparecimento da lepra. Os leprosários, os hospitais dedicados aos leprosos, houve-lhe uma altura com variantes de país para país.
Um pouco com o terminar das cruzadas, as cruzadas levavam a espada ébria de Cristo, como está na Bíblia, e também transportavam a lepra de um lado para o outro. Era uma espécie de transportadora de lepra. E às tantas já não sabia se cortavam o braço ou ficavam à espera que a lepra fizesse esse assunto.
A lepra estava a desaparecer, cada vez menos leprosos. Havia não sei quantos leprosários pela Europa. Na Inglaterra houve ali uma altura que havia 200. Estou a pensar agora em Paris, porque tem esta imagem na cabeça. 40 e tal em Paris é uma coisa, ou muito mais que isso. É um número assim a suburbante. Hospitais, digamos assim, dedicados a acolher leprosos. E deram-se conta, epá, só há meia dúzia de leprosos, vamos juntá-los todos no cu desaparecimento da lepra.
deram-se conta, é pá, está aqui muito a dinheiro gasto e esta transição, que há de ter demorado algumas décadas em alguns sítios, um século, houve muita gente a lucrar a cuidar de supostos leprosos. Qual é o teu trabalho? É cuidar de leprosos. É pá, mas aí 30 hospitais não tem nenhum.
Era um gajo que estava a olhar para as paredes. Pô, eu cuido de leprosos. Se eles aparecerem, se não aparecerem, cuido deste ambiente. E o leproso é importante neste sentido. Foi o primeiro indivíduo, grupo, se quiserem, onde o homem começou a escrever o guião da exclusão. Foi o primeiro grande excluído.
em que se criou um guião, em que fizemos questão de ele se afastar, e há aqui um lado que a igreja ainda não se safou. Escreveu aqui uma retórica, poucas vezes abordada a este nível, que é a tua salvação é isto embora. O pecador, ao ver-te à porta de casa, se não te acolher, está-te a salvar e estás a salvar a ele. E isto é de uma perversão.
Que eu ainda não vi a Igreja, envolvidos estes séculos todos, a tentar remendar isto. Isto é mesmo a antítese daquilo que o melhor da Igreja apregoa. O amor ao próximo? Não, mas és leproso, vai-te lá foder. Vamos-te pôr ao longe. O melhor que te vai acontecer é seres abandonado. E isso é que é a salvação. É esta retórica.
E todas estas retóricas, todas estas ideias da exclusão são subsidiárias desta primeira exclusão em massa, o leproso e os lugares, os leprosários, que mais tarde foram dando lugar a sítios de acolhimento de loucos e várias figuras que, em virtude da extinção do leproso, começámos a criar segmentos. É como se o leproso era o lixo geral e nós fôssemos segmentando a sociedade. Os desempregados, os vagabundos, os libertinos.
os loucos, o louco que era uma abstração, começámos a dividi-lo em vários segmentos. Mas foi preciso que o loproso tivesse terminado. Pegámos nas dinâmicas de poder aplicadas ao loproso, de exclusão, vai lá para a cona também.
Muitos sítios vagos e isso começou a ser usado para esses grupos. Entre uma coisa e outra, o rei pensou, bom, há aqui muito dinheiro, vou usar isto com os pobres. Houve ali um resquício ainda de bondade, mas também demorou pouco tempo. O louco começou a ser esculpido. Essa lógica de exclusão...
que primeiramente foi utilizada com o leproso, foi usada depois em todos estes grupos. Um grupo marginalizado, em parte, é devedor das lógicas da Idade Média aplicadas ao leproso. No fim de contas, somos todos leprosos para algum poderoso. O desempregado é o grande leproso do século XXI na Europa, por exemplo. O imigrante é o grande leproso. O indiano...
É o grande leproso. Somos todos leprosos. Somos todos leprosos e é tudo leprosário. Eu estou a cair aos pedaços enquanto o mundo se desmorona e a colada quer é col e quer cuspo. E colamos a diplomacia a cuspo. É cuspo. É cuspo. E a mentira. Estou a ler também a iletra, o número referente à mentira. Acabei de ler os reflexos primitivos do Peter Schlodrychik.
Há aqui pontos muito importantes logo ao início, quando ele fala do efeito Pavlov. Em jeito de rodapé, esquecemos facilmente que Pavlov era um gajo maluco dos cornos. Até fiquei interessado para explorar a biografia do Pavlov. Era o cão de Pavlov, mas certamente ele não começou e nem parou aí. Houve mais animais. Não indo por aí, e outro remendo que nada tem que ver, estava a ler, não sei se nessa revista, se no outro livro.
Kafka. Houve já quem dissesse que o século XX é o século de Kafka. E eu já tinha pensado nisso em relação ao meu avô, ainda que o meu avô não seja Kafka nem tenha as orelhas tão grandes, ainda mais agora que morreu. Quando morremos em determinada data, os momentos seguintes como que...
são tão fora que não havia forma da pessoa saber que aquilo se estava a desenhar. No entanto, Kafka é diferente. Agora não estou certo. Queria fazer aqui um brilhareto que não chegou à segunda. Muitos dos seus livros podem ser vistos de várias formas. Os grandes livros estão assim, são inesgotáveis. Uma interpretação não anula a outra. É sempre um amontoado de interpretações. Pode ser visto pelo lado humorístico, também tem muita graça.
Assim reza a lenda que ele contava alguns dos contos aos amigos em tom humorístico.
É profético, na medida em que espelha o nosso lado burocrático do enteamento burocrático e, de alguma forma, também prognostica aquilo que aconteceria na Alemanha nazi. Ele profetiza uma coisa que podia ter-lhe acontecido. A sua família morreu muita gente no Holocausto. Sem destas especulações mais graúdas. Há acontecimentos, há episódios, há leituras que nos podem modificar.
Estou a ler um livro do Adam Phillips, o terceiro livro que eu leio em pouco tempo do Gás, que é psicanalista, e há lá uma parte em que ele fala da querela dos encontros e desencontros de Jung e Freud. Jung encontrou um dos livros de Freud,
dos sonhos, ao início não entrou naquilo depois passado mais 10 anos voltou não conseguiu e passado mais 3 anos, eu não sei se aos 28 aos 28 é que realmente conseguiu entrar naquele livro e a partir daí ofereceu-se enquanto detrator deu-se conta que não estava à altura na primeira vez, na segunda, mas houve ali qualquer coisa, os nossos combates as nossas ideias nunca começam quando nós achamos que começaram, provavelmente começou no primeiro embate e aí
Aquilo foi crescendo, foi criando labirintos dentro da sua cabeça.
uma espécie de fungo. O fungo é muito maior subterrâneamente do que à superfície. Aquilo que nós chamamos cogumelo é só uma espécie de descrescência daquilo que se oculta dentro das árvores e por aí vai. As coisas nunca começam quando nós achamos que começam e as coisas nunca acabam quando nós achamos que acabam. Somos péssimos agrimensores das nossas ideias e daí que talvez seja oportuno reformular aquela ideia de Borges, o escritor argentino.
que não há começos, não sei. Porque tu quando disseste isso também já não estavas no começo. Mas há alguros houve um começo, só que nós nunca vamos estar em condições de perceber que é um começo. É sempre a médias rés e daí que a expressão de Horácio Poeta seja um bocadinho redundante. Não há outra forma. Como eu disse no outro podcast, é sempre a médias rés. E agora reforço isto com uma vertente psicanalítica. Há aqueles encontros que nos moldam e depois acolhemos.
Mas eu acho que, saudavelmente, vamos sempre recolher, vamos digerir alguma coisa, foi o que aconteceu com Jung e Freud, digeriu qualquer coisa, descartou outra e depois combateu e depois formulou uma ideia, tenta criar uma voz para não ficar totalmente dependente. Há alguros no processo, tem de se emancipar, ainda que seja perceptível a ligação.
Parece-me que esse é um caminho a perseguir. No entanto, falar de jornadas, mesmo homéricas, se não sabemos bem o que é o início, se não sabemos bem o que é o fim, o que interessa é o caminho. E mesmo quando estamos a percorrer, se calhar não nos damos conta que o caminho é caminho. Então estamos perdidos. Atiremos a bússola borda fora e cuidado para não serem a filha do rei com um caracol.
deixem um caracol, deixem um caracol, o reino é vosso, vocês serão herdeiras desse reino, o vosso pai é imortal, ou invulnerável, pelo menos, é melhor isso do que ser uma gaivota. Se calhar é por isso que as gaivotas não têm medo de nada, já passaram por muito. E foi isto, beijinho na boca, palmada pedagógica numa das nádegas, e até à próxima.
A FILE DE VELHOS NAS FILAS DE PREÇO DA VIDA ARDER DE MEDOS TÃO PEQUENOS QUE CUSTAM A ESQUECER É FILOSOFIA EM SORDINA DITA NUM TÃO BEM QUENTE UM GLUSERDÓNICO DE UM PORTUGUES PACIENTE E ENQUANTO O MUNDO CORRE ATRÁS DO ÚTIL E DO BONITO
No túnel a vento, sopro torto, pensamento lento. Jazz de quem vive atento ao aborrecimento. Improviso, disciplina do caos.