Episódios de Podcast Batuques e Confetes

Enzo Andrade - Batuques e Confetes #206

07 de maio de 202638min
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A gente tá de volta para bater um papo com um multiartista da Vila Isabel. Chamamos o Enzo Andrade, cantor, compositor e ator, que estará a partir do dia 9 de maio no musical "Cartas para Gonzaguinha" com o personagem Moleque. Ficamos sabendo como é viver numa casa que respira Carnaval, sua trajetória na escola de Noel e na escola mirim Herdeiros da Vila e, obviamente, como estão os preparativos para a estreia do musical e a mensagem importante que essa peça vai passar no palco do Teatro João Caetano.

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Produção: Nath Fischer, Gabi Moreira e Miguel Uzeda

Edição: Gabi Moreira

Vinheta: Isa Keidel

Assuntos9
  • Musical Cartas para GonzaguinhaDitadura brasileira · Abuso e combate · Temas sociais atuais · Personagem Moleque
  • Viagem ao Paraná - CarnavalEscola mirim Herdeiros da Vila · Vila Isabel · Carro de Som
  • Desenvolvimento de PersonagensVisão do ator · Adaptação ao corpo e forma · Complexidade do personagem · Morador de rua
  • Medo e AnsiedadeTeatro João Caetano · Sapucaí · Apoio da equipe
  • Legado familiarCasa como camarim · Influência de musicais · Legado artístico familiar
  • Entretenimento e Diversão InfantilPrimeira lembrança de carnaval · Desfiles na Avenida · Emoção no desfile
  • Servir com DedicaçãoEnsaios de musical · Produção de carnaval · Conciliação de agendas
  • O papel do teatro na sociedadeConvite para camarote na Vila · Momento cênico em apresentações · Enredo para o próximo ano
  • Projeto Samba do BuleInspiração para jovens · Carnaval o ano todo
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Batuques e confetes. Bom, gente, estamos de volta com Batuques e Confetes, hoje recebendo o multiartista, não é só um, são vários e um entrevistado só. O Enzo Andrade, ele é ator, cantor, compositor, está na Herdeiros da Vila, está na Vila também com o pai dele e vai estar a partir do dia 9 de maio no musical Cartas para Gonzaguinha como personagem moleque. E aí, Enzo, tudo bem?

E aí, tudo bem? Muito obrigado pelo convite, gente.

A gente está muito feliz de receber. A gente já bate papo no off, nos encontros que a gente tem na 28, nos outros lugares. Agora vamos bater esse papo aqui para o pessoal que é ouvinte da gente também participar. A gente aqui tem um clichêzão para começar o episódio, mas a gente teve que adaptar para você. Porque não dá para te perguntar como o carnaval entrou na tua vida, que eu acho que nem você sabe. Você já nasceu no carnaval. Eu vou estar pelo dentro.

Então a gente vai te perguntar qual é a tua primeira lembrança de carnaval? Acho que essa você já estava fora do ventre. É. Não. Com certeza. Minha primeira lembrança que eu lembro foi um dia. Ficou muito engraçado. E a minha Dinda me conta até hoje. Eu estava com a minha Dinda.

assistindo, porque como eu era muito pequenininho, na época, meu pai também ainda não era mais de bateria, minha mãe era musa já, e eu ficava na casa da minha bisavó, que morava em frente à quadra da vila. Então a gente ficava ali sentado, aí quando chegava a bateria mais para perto da quadra, eu ia para perto ali, e nessa época ainda era o Julinho e a Ruth.

Então, ele sempre voltava para a dançagem do Katia Ruth e tal, que não sei o que, inclusive um beijo entre os dois. Então, eu sempre lembro da minha bisavó e da minha Dinda me levando ali para ficar ali na frente para ver eles dançando.

E você, desde pequenininho também, desde que teu pai assumiu, acho que praticamente a bateria, você vem com ele reagindo, né? Eu sempre te dou uma zoada, mas agora eu vou dar no ar. Que você vai... Você ainda vai ser mestre, deve ser que não, mas eu acho que você ainda vai estar como mestre um dia. Que nada, gente. Que nada, que nada. Pra ser mestre, tem que ter... Tipo assim, meu pai, é o que eu falo. Na bateria...

tem papo de 200 de cabeça. Então, ele tem 203 filhos. Entendeu? Não consigo, não consigo. Conseguiria nem ter um, porque ele tirava 203. Não dá, não dá. Então, vocês têm que dar um refresco pra ele, vocês três, porque ele tem, sem ser vocês, ele tem mais 200. É isso, é por aí, é por aí. Mas você lembra da primeira vez que você passou, assim, nessa época aí, com ele na bateria? Regendo, né?

Eu lembro, porque na época eu tinha idade para desfilar e eu tinha idade para desfilar no Sábado das Campeões. Então, eu fui no Sábado das Campeões, se não me engano, era Petrópolis. Eu lembro que eu estava com uma roupa azul, que era o nosso... Sem prestar de terno, né? O nosso terno azul, que era do maquinista, se não me engano. É isso aí.

Aí eu lembro de entrar na Avenida. Só que para mim, aquilo ali, cara, era tão natural de ver assim todo ano que acabou que para mim aquilo foi muito normal, sabe? E foi assim até esse ano. Para você ter noção, até o ano que passou agora, dentro dos prazeres, eu nunca tive emocionado na Avenida. Foi a primeira vez que eu emociono na Avenida, para você ter noção. Porque tinha sido uma coisa muito natural para mim desde pequeno.

Entendeu? Mas esse ano também foi surreal, cara. Eu só vi das campeãs lá, né? O desfile mesmo eu vi de casa, porque eu saía segunda-feira no Sargento Pimenta, eu não conseguia. Esse ano eu resolvi meu problema, vou sair no Estratégia, que sai antes do Carnaval. Mas, cara, foi de arrepiar, sim. Os outros foram muito bonitos também, mas esse enredo foi um enredo que tocou, assim, que falou, pô, gente. Desde aquele dia da 28 que saiu no dia da escolha de samba, eu acho que dali começou.

Mas o que me deu mais emoção, assim, é que o Tinga deu grito de guerra e ele pediu pro pessoal ligar a lanterna. Então, eu tô aqui olhando pra bateria, eu tô de boa. Aí eu olho pra sapucaí, sapucaí inteira acesa. Aí eu, gente, o que é isso? Aí eu comecei, eu cheio de lágrima, né? O que tá acontecendo? O que é isso? Eu comecei a chorar muito, muito, muito. A felicidade, claro, a felicidade.

Eu acho muito emocionante. Eu imagino, cara. E você está também na Herdeiros da Vila, né? Você já vem ali se preparando. Eu vou te dar uma coisa. Pode não ser como... Mestre Bateria, mas quando eu ver você passando na avenida como Enzo Andrade, não filho do macaco branco, eu vou ver. É isso. Muito obrigado. Com a coisa que eu bato com os confetes, eu sempre vou ter. É isso. Pode contar com a gente.

Você fez o caminho contrário, né? Porque normalmente as pessoas começam na escola mirim pra ir pra escola mãe. Você começou na escola mãe pra ir pra escola mirim. Como é que foi isso? Verdade, verdade. Porque, na verdade, quando eu tinha mais ou menos meus dois, três anos, eu cheguei a desfilar nas herdeiras. Só que depois passou um tempo, acabou que eu parei de desfilar. Aí, depois eu fui pra grande, né? Fiquei só na Vila Mãe.

E aí depois voltei Perdeiros cantando no Carro de Som, junto com a Clara, junto com o Gael, com o Nicolas e com a Maria Flor. E com a Samara também, que veio com a gente esse ano. A gente estava até conversando aqui antes de você entrar, né, Enzo? Eu e o Gabi aqui numa resenha. É muito legal. Você está com 15 anos? Isso. E a gente fala muito aqui sobre uma renovação do público e de quem está fazendo a Escola de Samba. Eu acho que você prova viva disso, né?

Sim, sim, porque o samba é isso, né? O samba se renova sempre, o samba vai estar vivo sempre. A gente vai embora e deixa o nosso legado aqui. E é isso que eu quero trazer, eu quero trazer inspiração para as pessoas que vão sair do mesmo lugar que eu, aqui do Isabel. Podem ficar no futuro e falem, caraca, eu sei igual esse cara aqui, ele sai do mesmo lugar que eu, ele viveu as mesmas coisas que eu, sabe?

E você aproveita também para levar, porque eu imagino que na escola e tal, no próprio teatro, que a gente já vai falar do teatro daqui a pouco, às vezes as pessoas não estão tão... Aquele negócio que carnaval é só no carnaval, né? E para a gente é o final do carnaval, mas para as pessoas é só no carnaval. Então aproveita para chamar a galera da tua idade e tal, para eu aqui, vem cá conhecer.

Mas é, porque o carnaval é o ano todo. Então, não é só o ano todo de processo do carnaval, mas a gente vive o carnaval todo dia, né? O carnaval está no samba que a gente ouve na rádio, está no YouTube que a gente bota e escreve lá o nome de um samba, está na nossa cabeça quando a gente está pensando em alguma coisa e te lembra de algum samba numa conversa que você está tendo.

Bebendo uma cerveja ou numa conversa com seu filho, com seu neto, com seu primo, entendeu? Com todo mundo, porque o samba é natural. O samba é uma dança, é um cantar, é tudo isso. Ele é a cultura. Então, a cultura está presente no nosso dia a dia, né? Então, é isso que você falou. Eu, no teatro, também costumo levar muitas coisas do carnaval.

No último projeto que eu fiz, no meu curso, eu fiz o Antimusical, que é um musical escrito pelo Taúma Delmiro, que eu tive a honra de ser a direção da Rafaela Amado, e direção musical do Tony Luquezzi com as coreografias da Bela Mac. E a gente teve uma cena que era a cidade das Esmeraldas, representação do Mágico de Oz. E eu cheguei em casa, cara, eu olhei para um costeiro da minha mãe.

O costeiro que ela desfilou no ano de 2024. Foi que ano que foi? Quanto mais o resumido, mais a sombração me aparece. Foi? Acho que foi 25. Foi 25. Não, foi 25. Então, eu olhei para aquele costeiro e falei...

eu levasse. Aí eu falei, mãe, vem aqui, você me empresta aquele costeiro? Ela falou, ah, Enzo, vai, pode levar. Eu cheguei lá, cheguei lá pra diretora, falei, vamos testar? Aí ela, bora, Enzo, vai lá. Aí ele se botou, ficou na cena do Cidade das Esmeraldas, aí ninguém sabia entrar quem entrou de costeiro no final.

Óbvio mesmo. É o Zandrade. Aí viremos do costeiro de... Aí fazendo como se fosse aquelas rainhas baterias ricas que aparecem só no último dia de carnaval que a gente vê por muitas escolas por aí. Muito bom.

Eu imagino que na tua casa, para você que está fazendo teatro, deve ser ótimo, porque com certeza essa história do cocheiro é só uma, mas eu acho que você... Eu fico imaginando também essa coisa da tua infância, da infância de vocês terem essa facilidade com música. Cara, você olha para casa e você tem um mundo para explorar instrumentos, fantasias antigas, pedaços de adereço. Queria te perguntar como é crescer no lugar assim, porque estimula muito a imaginação, eu imagino.

Cara, é magia. Porque, tipo assim, minha casa é um camarim. É isso! Eu posso pegar um instrumento. Eu, quando era pequeno, tinha essa mania. Porque a gente tem um quarto de instrumentos. Um quarto que ele é só voltado pra instrumentos do meu pai. Roupas de pinta da minha mãe, que é roupa de apresentação, né? Essas coisas assim. Então, tipo assim...

A Inae às vezes pega uma roupa da minha mãe e bota na cabeça. Outro dia a gente gravou um vídeo, muito engraçado. E eles também acabaram se viciando muito em musical, porque eu sou a pessoa viciada em musical, viciada nesse merda. Então eu acabei passando esse vírus para eles. O seu irmão mais velho. Esse é o seu poder de irmão mais velho. Isso aí. Aí eu passei para eles.

Aí a Ináe outro dia botou o musical da Clara Nunes e botou o canto das três raças. E no musical tem uma transformação. Seria tipo a atriz se transformando na Clara Nunes. Então a Ináe chega, ela para.

Aí o Gael vem com um pano, qualquer pano que tiver ali na frente, bota o pano na cabeça dela como se fosse a peruca simbolizando o cabelo da Clara Luz. E vem ela com o chinelo na mão, assim, ó. E o Gael... Muito bom! Cara, eu morro de rir, eu morro de rir. Eu falo, cara, é isso. A gente vê que a arte não vai morrer nunca. A cultura é isso, entendeu? É um conversado.

E agora você vai estrear um musical, né? Dia 9, que é um musical... Todo musical é musical. É clichê isso que eu ia falar. Mas sobre um grande artista brasileiro. Não é aquele musical, tipo... Sei lá, tipo... Rei Leão musical, mas que não é... Não, em cima, a música está ali na raiz, né? Você vai fazer cartas para o Gonzaguinha.

Isso. O Cartas é o musical brasileiro autoral. É como... Existe até uma música na minha antiga peça, o antivusical que fala, o musical brasileiro autoral. Por coincidência, é a música que eu cantava. E é isso, cara. É um musical novo, né? Novo não, né? Porque já vem sendo apresentado há oito anos, dez, por aí.

Mas é uma peça que é muito importante para a gente, porque ela se passa no período da ditadura e mostra esse período e como era difícil. E também mostra muitas coisas muito atuais no nosso dia a dia, sabe? Mostra também... Tem um personagem que ele chama Moraes, que ele é o...

O gerente da empresa, da empresa onde os nossos personagens principais, que é o Zé, que é vivido pelo Marcelo Alvim, e a Tulemar, que é vivida pela Joana Mendes, que eles trabalham nessa empresa de cadeiras, que essa empresa está desviando dinheiro público e fazendo uma lavagem de dinheiro vendendo cadeiras.

junto com políticos, né? Então, mostra essa visão dos trabalhadores e tem esse gerente, como eu falei, que é o Moraes, que ele abusa das mulheres, ele espanca as mulheres que trabalham nessa fábrica e mostra como elas combateram esse cara, esse asqueroso.

E é uma história muito linda, cara. Só vendo pra entender. Porque tem músicas maravilhosas que entram completamente em cena. Não é tipo assim, uma cena daqui a pouco é uma música nada a ver, sabe? É uma coisa que tem um caminho.

É uma peça muito linda. É de emocionar mesmo. Tem cenas que mexem muito comigo, que estou fazendo, sabe? Mesmo estando ali atuando, mexe muito comigo, porque é uma coisa muito linda, uma coisa que, querendo ou não, é uma coisa que a gente fala de antigamente, mas é uma coisa muito presente no nosso dia, infelizmente, sabe?

Então, a gente também fala sobre homofobia, a gente fala sobre esse peso que hoje em dia a gente ainda está falando muito sobre as calças 6x1, né? A gente fala sobre essa carga horária em cima dos trabalhadores, a gente fala sobre vários temas que são importantes a ser abordados e fazer uma manifestação com a música que tem muito a ver com isso, que é Sangrando.

que é aquela cena que tem no nosso pôster, que é de todo mundo levantando os cartazes. Eu estou muito curiosa para ver. Eu não consegui ver da primeira vez que ficou em cartaz, mas lembro... Tem aquele negócio que a gente combina do Carioca, com os amigos, vamos, vamos, vamos, e aí saiu de cartaz, a gente não... Não foi. Eu amo o Gonzaguinho, eu gosto muito de Gonzaguinha. Agora, então, você falando da...

de como rola a peça, da coisa toda, eu fiquei com mais vontade, porque é isso, são temas tão importantes, e eu acho que muitas vezes a gente fala de passado, mas ditadura é um passado muito próximo, então a gente conhece sempre pessoas que viveram aquilo, que contam para a gente, é um passado muito próximo, e poder representar isso no palco, eu acho que principalmente pessoas novas como você, é um jeito de mostrar para o público mais novo o que aconteceu.

Com certeza. Porque, querendo ou não, mesmo que a gente estude na escola, é uma coisa que acaba afastando muito, sabe? Que essa coisa de período, de tempo, essas coisas que quando você aprende na escola, sem ter ali o visual, sabe, do que acontece, acaba que fica muito distante. Fica muito maçante, né?

Não é vago, porque é uma coisa a ser explorada, é uma coisa a ser estudada, mas acaba que não cria uma proximidade, um vínculo de falar, caramba, isso aqui é tão importante que a gente não pode deixar de se repetir, sabe?

O que eu acho interessante, você falando sobre o enredo da peça, é como as coisas se conversam e como as coisas não são só o passado. As coisas se repetem. E a gente conseguir fazer essa reflexão desse tempo, que não é tão distante, como a Nath falou, é uma coisa bem recente. Mas quantas coisas se perpetuam. Eu até estava comentando com a Nath que estou lendo o livro do Ainda Estou Aqui.

porque vai ter um aluno meio que vai fazer a prova da UERJ, tudo assim, né? E quanto que fazer essas leituras, ver um musical, ver um filme, ajuda a gente a entender mais, né? Não, e aí o que eu ia te perguntar também é como é que é a construção do teu personagem, né? Porque, tipo assim, é sempre você pegar uma ideia de um personagem e, assim, como é que você constrói ele, como é que você faz, né?

essa questão de, obviamente, você está numa rotina muito grande de ensaios e tudo mais, mas eu queria saber um pouquinho mais sobre esse processo de construção do personagem. Então, já foi muita loucura, porque antes de mim já tinha o Caio Neri, que é um ator maravilhoso, que eu amo, assim, de paixão, inclusive um beijo, amigo, eu tenho um carinho de me falar que ele é um amigo meu.

E eu já vim dessa bagagem que ele já tinha feito esse personagem antes. Então, quando eu fui, eu pensei assim, cara...

eu vou ter que fazer uma coisa muito parecida com ele. Porque o Caio, ele tem muito desse que de, como posso dizer, de irônico, sabe? Porque o Caio é uma pessoa que não é irônica. E ele é um ator maravilhoso, assim, sabe? Uma pessoa que eu tenho muito carinho. E eu falo, caraca, esse cara é um dos melhores do momento agora, sabe? Então, pegar um personagem que ele já viveu...

Aí eu fiquei muito ansioso, confesso. Aí a minha diretora falou assim, Enzo, eu quero que você crie uma coisa sua. Eu quero que você faça o moleque na visão do Enzo e de como seria o moleque na sua cabeça. Não pega os trejeitos, nada, faça o seu moleque.

Falei, ok. Aí eu fui reconstruindo, pegando e tentando me desvincular dessa visão que eu já tinha do personagem.

Então, eu reconstruí o moleque, assim, pra mim. E fiz de uma forma que se adaptasse mais ao meu corpo e à minha forma, sabe? Porque eu tenho o meu formato e o caetil dele. Porque não é como se existisse o formato errado. Porque é aquilo. É igual uma música que o moleque canta junto com a Lívia. Que quem atua faz a Lívia é a Mafemagolas, que tá junto comigo nessa cena.

que é relativo, tudo é relativo, a vida é relativa. Então, o formato que é o meu personagem, a minha visão do personagem, é relativa, é a minha visão, eu tenho a visão do Caio, entendeu? Eu tenho a visão de cada um.

E, cara, o moleque, ele é um personagem, querendo ou não, bem complexo. Porque ele é um menino, sabe? Ele tem a minha idade, ele é uma pessoa que foi abandonada, né? Ele é morador de rua. Então, ele tem toda essa profundidade, tem toda essa... Não é tristeza, porque ele é uma pessoa muito feliz, sabe? Mas eu acho que ele tem esse escudo.

Ele é... Tem a tristeza dele, tem o momento dele que ele... Eu acho que ele fica... Tipo, caramba, por quê? Mas ele tenta... E... Aquilo...

se apaziguar ali com aquele escudo dele, de sorrisão, de ser o garoto que ele é. E ele acaba conseguindo se reconstruir nisso, né? Ele é uma pessoa que, ele querendo ou não, é uma pessoa que dá base pra todo mundo, sabe? Uma pessoa que quando vê a outra pessoa triste, vai lá. Uma pessoa que anima o dia do outro. Ele é um moleque, né? Ele é uma criança.

E é muito lindo ver essa honestidade e sinceridade do moleque. E esse personagem crescendo até o final da trama, sabe? É muito lindo. Você falou que o Caio levou, quando ele fez o moleque, levou muito dele para o personagem. Agora eu quero saber o que você levou para o moleque.

O moleque vai terminar em Vila Isabel também. Eu levei tudo. Eu levei samba. Levei tudo. Eu levei muito de mim. Porque, querendo ou não, o moleque sou eu. Eu sou o moleque. Caio é o moleque. Na época que ele fez, ele era o moleque.

Ele tinha também 20 anos, igual a mim. Então, vai ser muito parecido com o Caio, vai ser muito parecido comigo, porque é isso. É uma pessoa da nossa idade, sabe? Então, isso é muito complexo, porque a gente tem que deixar de ter o nosso olhar. Isso, pelo menos, a gente tem que deixar de ter... Eu tive que deixar de ter o meu olhar.

de um menino que tem a presença dos pais, que tem o amor de uma família, que tem tudo isso para olhar no olhar de um garoto que é morador de rua, que já viu de tudo na vida e que talvez vai ver mais, sabe? Que não tem uma perspectiva de vida. Mas, mesmo assim, ele segue confiante até o fim da história dele, sabe? Isso é lindo.

E, Anso, o que está te dando mais frio na barriga? É subir no palco, num teatro como o João Caetano, que tem essa carga histórica toda, ou entrar nessa pucay lotada que você já faz dois crianças? Cara, vou te ser sincero. Eu nunca achei que ia ficar com frio na barriga de ir para o... Querendo ou não, quando a gente está nessa pucay...

ter o holofote na nossa cara, e a gente não consegue enxergar quase nada. Mas ali, estamos em casa, sabe? No João Caetano, é muita gente, mas é menos pessoas que a sapucaí. Mesmo assim, dá mais nervoso. Porque, como eu falei, é a minha primeira peça profissional, sabe? Então, eu fico muito nervoso. Eu estava muito nervoso. Mas depois eu fui me acalmando, porque eu tive...

o apoio da equipe toda, né, de todo mundo do elenco que me acalmou, me ajudou. E, cara, é uma equipe, assim, de atores, de produção, de assistência, de músicos muito... Como que eu posso falar assim? Falar algum palavrão? Deixa eu pensar aqui. Muito incrível! Pode falar do Prábia, a gente não tem problema. A gente fala do Prábia também, que a gente fala do Prábia Cete. Muito incrível!

muito incrível. Então, é isso, eu tive muito apoio, eu estou muito confiante, porque é um trabalho em grupo, então todo mundo ali, todos ótimos, todos muito capacitados, então eu confio muito no meu trabalho, porque eu sei que eu venho fazendo isso há muito tempo, e confio no trabalho deles, sabe? Porque é muito isso, é parceria.

E você já trouxe o pessoal para cá, para o samba da vila, ou está aí nos teus, porque acho que os ensaios começaram, o carnaval já tinha acabado, né? Mas daqui a pouco está começando a disputa de samba, então acho que já dá para você fazer esse intercâmbio aí.

Então, o que acontece? Tem muita gente que já é muito ligada no mundo do carnaval, porque tem o Celso, que é quem faz o João no Cartas, que ele fez o musical do Martinho. Ele é um ator maravilhoso, vocês vão ver. Todos eles são atores maravilhosos. Em cenas, eles brilham muito. E o Celso, entre um dia até me zoou. O pessoal estava me zoando, falando assim, quando é que você vai chamar a gente para ir lá pegar um camarote na vila?

Muito engraçado. Aí a gente tava zoando até. Eu falei, gente, vamos começar o ensaio. Quando começar o ensaio, eu vou chamar vocês pra irem lá. Sabe, não sei o quê. Muito engraçado. Olha, de repente já dá até pra vocês fazerem aí um samba concorrente. A gente ainda não sabe o enredo, mas já dá. Já dá pra estudar.

Verdade, verdade. Dá para ter aquele momento cênico durante a apresentação do samba. Você já chama a galera da peça para fazer aquela representação cênica. Estou só dando a ideia, hein, Anzo? Aí, está vendo? Verdade, verdade. Vou pensar no caso de vocês. Vou pensar no caso de vocês. Já que a gente falou em... Fazer a aula coreografada do Cartas. Coreografia. Vem! Não sei, vou fazer um...

E aproveitando de perguntar, a gente ainda não tem o enredo para o ano que vem, tudo assim. Mas como é que... Essa temporada também calhou no momento que ainda está nesse momento que a gente já está esquentando ainda. Desculpa, amiga. Eu achei que você já fosse tentar arrancar do Enzo. Se ele sabia de alguma coisa, eu tinha escutado alguma coisa. Calma! Gente, eu estou mais ansioso que vocês.

Porque eu não sei se viu uma fagulha. Eu vi o post da Vila que eles fizeram do Diante do Trabalhador. Diante do Trabalho. O que é isso? Eu preciso saber desse rido rapidamente. Eu estou pensando seriamente mandar mensagem.

para o Bori, para o Haddad, para falar, gente, por favor, dá uma negada de formação, pelo amor de Deus, senão eu sou cardíaco. Eu tenho uma estreia para fazer, por favor, me falem.

Não, e eu acho que você tem todo esse direito, Enzo, porque você... Teve um vídeo aí que... Acho que eu não sei se foi o Gabriel ou o Léo que mostrou vocês no barracão que vocês vão ser o substituto dos dois. Eu acho que você tem essa liberdade. Como é que eu vou fazer o desenho da roupa se eu não sei de porém? Muito bom, Enzo. Já joga essa aí, entendeu? E avisa para a gente qual é o erro. Tem que dar essa justificativa.

Não, mas o que eu estava falando é que a peça também está acontecendo num momento que é esse momento de transição, né? Então também, para você, acho que foi um pouco mais tranquilo para se dedicar, né? Porque aí não está naquele fermo do carnaval, né? Imagino que para você foi assim, encaixou direitinho, né? Mas é aquilo que eu falo, cara. Ano passado, nos ensaios da Vila,

eu não consegui estar muito presente. Então, para mim, foi muito complicado de desfilar, porque para mim, cara, o desfile é só uma coisa...

O que acontece? Porque a vivência mesmo, o carnaval mesmo, acontece nos ensaios, na produção e tudo isso. E eu estava acostumado a sempre estar ali dentro da produção, ajudando o meu pai no que eu podia ajudar, dando ideia, propondo e tal. E chegar no momento que, ano passado, nos ensaios, eu estava ainda no Antimusical, que é o outro musical que eu tinha feito. Então, eu também não consegui estar presente.

Então eu fiquei, caraca, como é que como é que eu vou fazer e tal? E eu não consegui estar presente. Mas graças a Deus agora nesse musical a gente fez, até porque os ensaios começaram um ou dois meses atrás. Então foi muito de boa. Assim. E não calhou com nada do carnaval, graças a Deus. Só com sorteio. Que não foi no sorteio.

Eu ia falar isso, que o senhor não estava, né? A gente te procurou para falar já da peça, o senhor não estava. Puxar sua orelha. Está presente. Mas no mínimo de espírita eu vou estar, tá, gente? Ah, tá. Por favor. Não, mas teu pai falou que você estava exausto da rotina da peça, escola, tudo. Tudo junto, tudo junto.

E você falou dessa troca, né, Anzo? Eu acho que deve ser muito legal, né? A gente fala de, às vezes, não levar o personagem pra casa, no caso do carnaval, porque se eu sou muito personagens, vocês não têm como não levar o personagem pra casa, né? Porque a casa inteira, acho que só a Inaê é quem ainda não começou no holofote, né? Mas ela já tá por ali, que eu já vi ela na quadra nos momentinhos. De nada!

Essa aí canta, dança, pula. Ontem, a minha Dinda postou um vídeo, que a gente foi na Tupi, né? Aí ela gravou um vídeo e postou. Aí hoje, agora há pouco, tava deitando ali com ela.

Daqui a pouco ela chega com o vídeo na mão, cantando a música. O que é isso, né? Cantando não, né? Solfejando, porque ela não vai cantar a música. Ela tá solfejando, sangrando. O que é isso? E ela assim com tudo. Porque como que a gente faz isso todos os dias, Gael principalmente, ela tá ali, né? Então ela vai ouvindo tudo e vai consumindo tudo isso.

É a terceira, a última, então ela vai pegar tudo de você, do Gael, teu pai, tua mãe, ela tem muita coisa pra puxar. Eu até fico zoando, eu falo, gente, eu tenho certeza que essa garota nasceu, daqui a pouco vai crescer, vai gostar de rock.

não vai querer saber de samba, vai... Não vai querer saber de samba, vai virar advogada, vai querer fazer tudo tirando samba. Mas eu acho que não, não vai ser por onde eu acho que não tem como não. Eu lembro uma vez que a gente entrevistou teu pai, o Gael era pequenininho, ele falava o Gael não sei, ele tá no berço, ele só pega coisa que faz barulho, que faz coisa musical. Então ela tá indo pelo mesmo caminho, vocês três não tem pra onde correr não.

Vai formar uma banda de três pessoas. Vai fazer um trio. É isso. Vai ser uma companhia teatral de três. É isso. De três. Mas a pergunta é do personagem, né? A gente ficou assim. Pois é. O bom é esse, que a gente passa e volta. A pergunta é do personagem.

É, mas não é tudo isso, porque o carnaval tá com a gente o dia inteiro, o dia inteiro, o dia inteiro, o dia inteiro. E o carnaval é uma coisa que tá no nosso dia a dia, e o Gael fica cantando o dia inteiro, minha mãe, querendo ou não, tá ali junto, então às vezes tá sambando, vendo coisa de roupa, vendo alguma coisa, e Naê também sambando o dia inteiro. Minha Dinda e minha avó, eles geralmente vêm pra cá pra ficar com o Gael, com a Naê, junto comigo, com a minha mãe, com o meu pai.

porque a gente sempre prioriza esse momento família, sabe? Então a gente chama meu vô, minha Dina, todo mundo pra vir aqui pra casa, pra almoçar, fazer alguma coisa. Então fica todo mundo aqui, aí minha Dina começa a sambar também, porque minha Dina é ex-pacista, além de ser pedagoga, ela já foi pacista da Virizabel, junto com a minha mãe, só que aí ela fala que ela é a parte de estar aposentada. Que agora, hoje em dia, é só apoio, só apoio. Mas ela sonha pra caramba também.

E é isso. Aqui é personagem o dia inteiro. Porque acaba que a gente vira. A gente virou personagem e personalidade. É isso. Mas você dá uns pitacos ali no samba pro teu pai, nos arranjos? Então, às vezes eu dava. Só que como ano passado eu tava todo emaranhado com as coisas da minha vida.

parei de não fazer nada, aí eu parei de dar os pitacos. Mas antes eu dar os pitacos. Agora ele vai chegar e vai falar assim, eu como ator de musical, acho que isso aqui pode ser... Eu acho que você pode botar outra entonação nessa sua... É. Já vai chegar ali no ouvido do Tinga, vai falar, Tinga, mas se você interpretar assim, de tal jeito, acho que pode ser uma boa ideia.

Meu pai já foi produtor musical, meu pai é produtor musical, né? Ele é formado em produção. E ele já foi... No caso, ele é produtor musical da série Ouro, né? E já foi diretor musical da Vila. Da...

Mais uma carreira aí, olha só, olha só. Várias frentes. Enzo, o papo está bom, a conversa está boa, entendeu? Mas a gente está chegando no final do nosso podcast de hoje, a gente queria te agradecer. Gostamos bastante de saber mais sobre... Amiga, não vai ter palhinha não? Teve palhinha ontem, tem que ter palhinha hoje. Também.

Então, se você quiser Eu vou ter que pensar Eu não engano Você quer voltar Eu ia falar no momento jabá Você faz o que você quiser Pede para seguir nas redes sociais Reforça o negócio da peça E por favor, dá aquela palhinha aqui para a gente Por favor

É isso. Deixa eu puxar aqui, porque tem que falar os dias e horários corretos. Mas o Carta para Gonzaguinha vai estar lá do dia 9 de maio ao dia 31 de maio, às quintas e sextas, às 7 horas da noite, às 19 horas. Aos sábados, às 5 horas da noite, às 17 horas. E aos domingos, às 16 horas, às 4 horas da tarde. Então, eu espero vocês lá.

E meu Instagram é enzoaqui, meu é E-H-N-Z-O, aqui, tudo junto. E vou cantar o que é e o que é, então, pode ser? O que é e o que é? No ritmo do show da Shakira. No ritmo do show da Shakira. Vamos lá. Eu fico com a poesa na resposta das crianças. É a vida, é bonita e é bonita.

Viver e não ter a vergonha de ser feliz. Cantar e cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz. Ai meu Deus, eu sei que a vida devia ser bem melhor e será. Mas isso não impede que eu repita. É bonita, é bonita e é bonita. Mas e a vida?

E a vida o que é, diga lá, meu irmão. É isso, gente. A raça causou! Agora, galera, tem que ver a peça pra ver o resto. É. Ontem eu cantei o relativo. E eu canto uma palha de relativo, que é a música...

Uma das músicas exclusivas da peça. Olha, se você quiser, você pode cantar tudo. Mas aí tem que deixar pra galera. Mas por favor, canta, que a gente quer ouvir. Tá bom, vou cantar um relativo então.

Toda pessoa pode ser, isso e aquilo pode ser. Quem diz que sabe, sabe lá, pensa e acha e pode ser. Pessoa é o que ela é, só ela vê o que ela vê. Só ela faz o que ela faz, só ela sabe o que viveu. Só ela sabe no seu eu.

Ela razão e emoção Ela própria solidão Talvez nem saiba do seu eu Talvez só saiba a parte só Toda pessoa é parte só Ponto de vista é parte só Toda pessoa é um nó Muitas pessoas nesse nó Muitas histórias numa só Muitas pessoas e ela só Toda pessoa pode ser

Invenção, invenção

É isso, gente. Arrasou. Eu adoro. Gente, mais uma vez, reforçando, quem for ver a peça Cartas para com o Zaguinha no Teatro João Caetano. E depois a gente vai se esbarrando por aí, né, Enzo? Eu e Nath já vamos fechar aqui o dia para a gente marcar, para a gente ir, para a gente prestigiar. E eu acho que é muito legal mesmo, assim. A gente adorou esse bate-papo e depois a gente vai se esbarrando pela 28, porque a gente sempre se encontra, né? É verdade.

É isso, Anza. A gente amou e a gente vai estar lá. A gente tem que só marcar um dia. A gente já marcou uns três dias diferentes e deu ruim, mas a gente vai chegar a um acordo de um dia pra ir. Teremos lá. A gente avisa quando a gente for. Gente, muito obrigado pelo convite. E por pensar em mim, pra me convidar. E também muito obrigado a todo mundo que assistiu a gente até agora. E é isso, gente. Um beijo, se cuidem. Tchau, viu?

Beijo, Enzo. Boa estreia lá. Agora eu que vou falar. Vou falar a palavrão. Merda, né? Que vocês falam. Merda, merda. Isso. Beijo, Enzo. Beijo, Enzo. Gente, e a gente volta no próximo episódio. Beijão!