Ep 159 - Gostava... Mas Não Gosto Mais
Existe uma experiência curiosa que quase todo mundo já viveu: revisitar um filme ou uma série que amava... e perceber que alguma coisa simplesmente não funciona mais.
Mas o que mudou? A obra envelheceu mal? Ou fomos nós que mudamos?
Neste episódio do Imagina Se Pega no Olho, recebemos Leonardo Vicente, o Buddy do podcast Fala, Animal, para uma conversa inspirada por uma sugestão da nossa ouvinte Angelica Belmonte, diretamente da Noruega. Cada um escolheu cinco filmes e séries que já ocuparam um lugar especial no coração — e que hoje despertam sentimentos bem diferentes.
No papo aparecem X-Men, Caça-Fantasmas, Karatê Kid, A Vingança dos Nerds, The Big Bang Theory, House, Sex and the City e Two and a Half Men, numa conversa sobre nostalgia, mudança de perspectiva e como o tempo transforma tanto as obras quanto quem assiste.
E você, qual filme ou série amava... mas hoje não consegue mais assistir?
- O cinema de antigamente vs. o cinema de hojeCaça-Fantasmas · A Vingança dos Nerds · Ace Ventura · X-Men · Clube dos Cinco · Grease · Karate Kid · The Big Bang Theory
- Análise crítica de cinema e sériesSexismo em Caça-Fantasmas · Racismo em Caça-Fantasmas · Transfobia em Ace Ventura · Machismo em Karate Kid · Machismo em Grease · Crítica ao 'red pill' e Clube da Luta · Crítica ao machismo nerd em The Big Bang Theory
- Nostalgia e SaudadeImpacto da nostalgia na percepção · Mudança de valores ao longo do tempo · Revisitar obras do passado
- Obras de arte e sua capacidade de atravessar décadasCaça-Fantasmas (série animada) · Clube da Luta · A Hora do Pesadelo (franquia) · House · Carros (Pixar) · Two and a Half Men
- Valorização patrimonial após obrasDe Volta para o Futuro · Chaves · Pantera Cor-de-Rosa · Scooby-Doo
- Comparações com outras obrasBatman: A Série Animada · O Método Kominsky · Dharma & Greg · Momento Sem Lembranças
Oi, eu sou a Gabriela Franco.
E eu sou o Thiago Cardin. E esse é o Imagina Se Pega No Olho, um podcast gravado na sala de casa com notícia, opinião e muita, muita chacota. Muito bem, senhoras e senhores, senhores e senhoras, cá estamos de volta com mais um episódio do Imagina Se Pega no Olho. A gente demorou um pouquinho porque esse começo demorou um pouquinho para voltar, mas voltemos, porque esse comecinho de Copa do Mundo foi difícil. A gente tava aqui muito empolgado com a Copa do Mundo, porra nenhuma, não tinha nada a ver com Copa do Mundo, a gente tava trabalhando para caralho.
Esse é o ponto. E é isso, tá? Você que se contente com isso. Você, aliás, tava com saudade da gente, quer continuar escutando, faz favor, já sabe muito bem, tem lá um Pix para você ajudar a gente, tá? Você manda 5, 10, 15, 20 reais. Se quiser pagar R$10 mil também, se tiver com esse dinheiro sobrando, tá tudo bem, a gente tá aceitando. Elon Musk, não, obrigado, não aceito. Aí eu prefiro continuar pobre mesmo.
Eu aceito o sacrifício da Elon Musk.
É isso, tudo bem, se for sacrificar, tá bom. O tema deste programa, na verdade, foi uma sugestão de uma ouvinte fiel aqui do Imaginas Pega no Olho, que aliás, no próximo jogo do Brasil, ela vai enfrentar uma questão, uma questão doméstica.
Exato, que ela é casada com norueguês e mora na Noruega.
Vai jogar com a Noruega Cassina, a gente tá gravando isso no dia 30 de junho. Se você tiver escutando isso no futuro, você já vai saber se o Brasil ganhou ou perdeu da Noruega.
Enfim, quem sabe, quem sabe. Mas esse episódio aqui foi uma sugestão da Angélica, da Geli, que mora lá na Noruega. Logo estaremos lá, né? Nossa, sim, para ver a aurora boreal, porque ela me faz inveja e fala que a aurora boreal ela consegue ver da cozinha dela. Diabo!
Vamos lá também para queimar umas igrejas antigas. Não, quer dizer, enfim, segue o jogo. Mas a sugestão dela veio, na verdade, a Gabi fez uma reflexão a respeito de um filme antigo que ela gostava. Ela fez uma reflexão um pouco sobre, putz, repensar sobre esse filme, reassistir esse filme anos depois. Me fez perceber que eu hoje gosto muito menos dele do que gostei um dia. E aí, por uma série de fatores, né, essas coisas acontecem por uma série de fatores.
E aí Angélica sugeriu, falei, isso aí dá um tema para o programa aí, porque vocês não gravam uma coisa pensando assim, puxa, coisas que a gente gostava, amava, e aí depois passou um tempo, a gente assistiu e falou, envelheceu tal como um tal É legal que a gente vai falar um pouco sobre isso, mas não é nem só envelheceu mal, às vezes você envelheceu de outra forma.
Você envelheceu mal.
Eu tenho uma teoria que tem muita coisa que a gente muda opinião ou deixa de gostar porque a gente não recarrega a nostalgia. Eu acho que se você passa, somente a gente que cresceu numa época que TV aberta reprisava por décadas um programa, a gente recarregava. A gente viu quando era moleque, criança, e gostou. Aí na adolescência, que a gente já iria mudar de opinião, continuava passando. Então você ainda via. Na fase adulta continuava passando, você ainda via.
Aí coisas que você pulou 20 anos e vê de novo, você fala: caralho, por que que eu gostava disso?
Tem isso também, cada caso acaba sendo um caso. De Volta para o Futuro, para mim, continua sendo filme favorito da vida. Eu não vejo problema nele, tipo, não tenho. Ele não tem problemas de sexismo, quer dizer, tipo, se passa nos anos 50, óbvio que teria problema de sexismo.
Só de incesto, mas não é incesto, não é, ela não sabia.
Vamos lá, mas ela não sabia, gente, que isso? Para, não tem incesto nenhum. Vocês, nossa, vocês para com isso.
Vocês sabem que foi difícil achar estúdio por causa disso, né?
Não tem nada a ver. Se falar assim, Star Wars é pior então.
A Disney não quis De Volta ao Futuro por causa da cena.
Ai, que besteira! Nossa, que idiotice! Se fodeu, Disney!
Star Wars.
"Vou beijar o irmão ali e ninguém fala nada." Mas não era irmão ainda na época, porque nem tava no roteiro ele ser irmão.
Mesmo.
Vem no meio do caminho.
Ele nem sabia que era filho dela.
Mas a gente—
Qual a chance de seu filho voltar pro passado e você encontrar seu filho?
Mas qual é o ponto? Você, espectador, sabia.
Mas isso é uma parada.
Eles não sabiam. Tudo bem, no caso do Star Wars, a gente tava vendo.
Tá no olho de quem vê.
Então, mas também não sabia, naquele ponto ninguém sabia.
Exatamente, a gente não sabia, eles não sabiam, o roteirista não sabia, ninguém sabia.
Nem o Jorge Lucas sabia.
Mas a questão é, eu acho que existem, por exemplo, existem coisas que são problemáticas mesmo hoje, com, na verdade, com letra. Eu não gosto de usar essa palavra, mas com letramento que a gente tem hoje, né, em questão racial, em questão sexista, em questão gordofóbica, em em questão transfóbica. Então assim, hoje em dia a gente tem um conhecimento que naquela época as coisas não estavam tão claras assim, né?
Isso destrói todas as comédias dos anos 80 para trás.
Isso é isso que eu tô falando, olha só o horror disso. Que errado isso, por que tá tirando sarro disso? Aí você percebe, aí você fazendo esse retrospecto, você percebe o quanto nós somos criados numa cultura né, tipo problemática, equivocada em todos os aspectos. É isso.
Bom, enfim, nós estamos— você tá escutando aí? Já passou 6, exato 6 minutos de gravação. Você obviamente percebeu que temos um convidado aqui, é Leonardo Vicente, o Buddy do Fala Animal, que está conosco, que está conosco mais uma vez. O Leonardo Vicente, o Buddy do Fala Animal, mas que a gente não chama de Buddy Então é isso, acostume-se. Você que tá acostumado a escutar ele não falando mal, você vai entender. É isso, a gente faz um levantamento aqui, 5 filmes e séries.
A gente já falou em um certo momento lá atrás, dentro de um outro contexto, o contexto do episódio era outro, mas dentro de um outro contexto a gente falou sobre bandas e artistas, uma coisa sobre música em específico que a gente parou de ouvir por alguma razão. Então aqui a gente se focou muito na questão audiovisual de filmes e séries, tá? Então cada um de nós separou 5 títulos, a gente vai falar, cada um fala uma, a gente vai fazendo um revezamento aqui e vai contando um pouco das nossas histórias a respeito de por que a gente gostava dessas paradas no passado e porque hoje passou a não gostar.
No meu caso em particular, eu já digo que tem motivos muito diferentes entre as coisas. Não necessariamente é tudo apenas somente pela razão do 'putz, eu tô, sei lá, voltei a assistir esse negócio, de fato é muito errado'. Até porque eu ainda amo Chaves, sou fanático por Chaves, e tem muitas piadas do Chaves são muito erradas, tanto no original quanto na tradução, na dublagem. Ficaram erradas para caralho assim, mas elas são retrato de uma época.
Eu assisto, entendo onde tá a questão ali, enfim. Então nem tudo, na verdade, que eu selecionei aqui dos meus selecionados passa por isso. E a gente quer obviamente convidar você que tá escutando também a nos comentários, seja no próprio Spotify ou no YouTube, né, se você escuta no YouTube, Ou se você está aí nas nossas redes sociais, né, no Instagram, no Blue Sky, no Threads— você, tô falando desse jeito, Luciana Gimenez, porque o nosso filhote estava aqui do lado e tava morrendo de vergonha quando eu tava falando dessa forma.
Então, enfim, outro contexto. Mas, bom, você tá nas redes sociais também, vai lá, comenta, diz o que que você acha, que que você Algum filme que você deixou para trás, que era um filme favorito da infância, alguma série que você amava, não sei o quê, você acabou deixando para trás por alguma razão. Ah, puta, reassisti, achei uma bosta, reassisti, já não falou mais comigo. Enfim, a gente quer também ouvir um pouco as histórias de vocês.
Vamos começar então. A Gabi começa, a gente faz uma Gabi, Léo e eu por último. Então vamos lá, Gabi, faz o seu primeiro aí.
Bom, eu vou começar com um clássico dos anos 80. Inclusive eu tenho uma foto com um deles. Quando eu fui, quando eu estava lá.
Ah, sim, sim, sim, sim, sim, que é Caça Fantasmas.
Vejam bem, eu amo Caça Fantasmas, eu adoro Caça Fantasmas, mas ele é bem, ele é bem sexista. E eu achei que depois que fizeram a versão com as meninas, eu achei a versão das meninas muito melhor do que dos caras, muito melhor, é muito mais engraçado, com piadas muito mais inteligentes. Eu acho que foi basicamente isso. Depois que eu assisti mais velha o Caça Fantasma, eu falei: nossa, não era tão legal assim. Eu não achei, não achei tão bom porque eu achei bem sexista.
Pessoas fumam nesses dois filmes, puta que pariu, fuma para caralho.
É, naquela época, tipo, cigarro era librado, né?
Nossa Senhora, avião, né, caralho?
É, avião, ônibus, era bizarro. Mas é isso, não tem muito mais o que falar sobre isso, porque o filme, o filme é legal, eu gosto do plot do filme. Não é aquela coisa brilhante, você pensa, nossa, caralho, que incrível. Não, é um filme bem de sessão da tarde, bem suave assim, bem ok. Tinha Sigourney Weaver, que é foda, que é uma puta atriz foda que eu amo. Mas eu acho que algumas falas ali, né, É, exatamente. Eu ia falar principalmente do Peter Venkman, do Pete Venkman, bem sexistas ali, que eu falei.
Mas com quem você tem foto, Gabi?
Eu tenho foto com o Dan Aykroyd.
Porra, é o que criou mesmo, né? Mas é o Caça Fantasmas. Eu sempre apontei uma coisa desde moleque, eu não me conformava. Que eu vi o pôster, né, do VHS ainda, né, a capa que era o pôster de cinema. Cadê o Winston? É o filme mais racista que existe, gente. O Winston, o único emprego, o negro é o único empregado, não é sócio. Ele não tá no pôster.
Ele não tá no pôster.
O jogo de videogame da época só não tem ele. O jogo de videogame da época não tem Winston. Aí tem o 2, você pode falar, bom, ele é contratado no meio do filme para trabalhar com eles, beleza. É o único que não era comediante, que eles escreveram personagem para o Eddie Murphy, Eddie Murphy não quis, tal, beleza. Aí tem o 2, continua ele sentado no poste.
Nossa, que vacilo.
Aí nos novos tem a revanche do Winston, que agora ele que manda na porra toda, que ele que é o dono da marca na história.
É verdade, putz, eu tive Caça Fantasmas, é engraçado porque eu tive essa, essa, quando lançou o filme das meninas, pouco antes de lançar o filme das meninas, eu ia levar o filhote mais novo no cinema, aliás, vamos assistir os outros dois, e aí beleza, tá bom, eu reassisti os dois e eu achei Tem toda essa questão problemática, sexista, não sei o quê. Mas fora isso, eu achei os dois filmes chatos. Eu reassisti, eu falei, porra, era isso?
Sabe aquela coisa da lembrança que você tinha? Tinha uma lembrança que era um negócio tão mais legal. E aí, no fim das contas, talvez encaixe com a minha história, vai, ela ganha uma continuação depois na, no item que o Léo vai falar, eu acho.
Sim, eu vou até na minha primeira, vou falar já para engrenar.
Pode falar.
Que é Caça Fantasmas também, mas a série animada, porque eu adorava, eu gostava muito mais que os filmes da série animada. Mas alguns anos atrás, alguns anos, entenda-se quase 10 anos, Entrou na Netflix a série animada. Eu falei, puta, que legal, vou ver ela inteira. Vi o primeiro episódio e desisti. Nossa, eu achei tão bobo, sabe? Não dava mais, sabe? Não era, era, a gente esquece como a maioria dos, a maioria não, sei lá, 99%, ponto 9, dos desenhos dos anos 80 era para criança, muito criança, sabe? Era coisa que adolescente já não ia gostar.
É muito louco você ver a diferença disso para os desenhos dos anos 2000, por exemplo, né?
Os 90 já começa a mudar. Você vê, sei lá, o Batman Animated de hoje ainda é legal, você até enxerga problemas. Por exemplo, eu quando peguei o Disney Plus, eu comecei a ver a série animada do Aranha dos anos 90. Tecnicamente ela é bem mal feita, mas os roteiros são ok, não é nada demais, não é tão profundo que nem o Batman, mas dá para assistir. Agora, o Caça Fantasmas eu vi o primeiro, falei, é, vou ficar na vontade de ver o resto, esquece.
Eu vou rever o Dia Que o Intrex Treme Ghostbusters, que é do fim dos anos 90, que esse era legal.
Acho que a única coisa, a única que manteve, a não ser que o desenho fosse bem assim, a proposta que você soubesse mesmo, tipo, ah, pica-pau, Tom e Jerry.
E é de humor, funciona melhor, né? Mas quando é aventura, na nossa cabeça é mais sério. Muito quando a gente é criança. A gente acha que é mais sério e não é.
Scooby-Doo até melhorou, eu achei, tipo, alguns, algumas, algumas, alguns desenhos Scooby-Doo até melhoraram assim.
Eu não posso falar porque eu nunca gostei de desenho Scooby-Doo. Sempre, a única coisa que eu gostava era o Pequeno Scooby-Doo.
Nossa, eu amo até hoje, eu amo. E se eu assisto Scooby-Doo hoje, eu amo também. Assim, por exemplo, tem, tem desenho, por exemplo, Pantera Cor-de-Rosa, Eu amo até hoje, tipo, incrível. É, mas acho que desde sempre ela nunca foi para criancinha, criancinha.
Agora, por exemplo, eram os desenhos que a gente fala isso hoje, os dois da Pixar, né? O público-alvo que vai dar dinheiro é a criança, mas ele é feito, mas são feitos de um jeito que atingem todos os públicos. Agora, esses desenhos que era o Saturday Morning, né, era realmente pensado 100% só para criança.
É, aí não dá. Aí tem uma hora que você fala: ai, gente, não aguento, não dá.
Então esse lance dos Caça-Fantasmas vai continuando, a história continua justamente com desenho dos Caça-Fantasmas. Porque aí, em um certo momento, também nessa maratona para assistir Caça-Fantasmas, para ver as meninas no cinema, que spoiler, eu gostei muito e gostei muito mais do que os dois. Eu fui assistir com o filhote, a gente comprou um DVDzinho pirata lá e com uma porrada de episódios do desenho antigo. E eu percebi que a minha principal lembrança de Caça a Fantasmas não era dos filmes, de fato era do desenho.
Ah, passou muito tempo na Globo, né?
É, exato. Sim, que não é grande coisa também, concordo. Mas aí eu fiquei com uma lembrança, uma segunda lembrança boa, que foi assistir junto com meu filho. Eu nem achei o desenho grande coisa, mas assistir com ele foi divertido assim, né? Foi gostoso. É isso.
Eu acho que a gente tem mais lembrança do marketing do Caça Fantasmas do que o próprio desenho, sabia? Eu acho que a gente foi muito metralhado com marketing do Caça Fantasmas, muito, muito.
Ele sofre de uma coisa que a gente vê hoje, né? Sofre também, não seria expressão correta, que a gente vê hoje em dia, né? Os grandes estúdios achando que tudo é grande marketing. Naquela época não tinha tanto isso, tirando Star Wars, né? Mas Casas Fantasma, como o primeiro, na época a Sony tinha acabado de ser comprada pela Pepsi, ela investiu muito dinheiro na divulgação. Aí na hora H, quando saiu, já não era mais a Pepsi, fodeu tudo. Mas tinha essa cara de marca que não era tão comum.
Nos Estados Unidos foi uma febre, era tudo de Casas Fantasma, tinha tudo, chiclete, bala, tudo, tudo que vocês podem imaginar do Casas Fantasma.
Até desenho, acho que vem no ano seguinte do filme, né? Muito rápido.
É muito bom.
Então acho que a gente tem muito, acho que a gente tem essa, a gente meio que foi muito inundado assim, tipo, por essa onda de marketing de produtos de Casas Fantasma. Então a gente criou uma memória muito forte disso aí, quando a gente ficou mais velho, assistiu o filme e falou: "Ah." É o que o Léo falou, né, o geleia.
A gente, quando a gente vai assistir o filme, a gente fala: "Pô, o geleia só aparece isso no filme?" E nem fala, né?
A gente fica com a memória do desenho, né? É isso, até teve um desenho dele depois.
Bom, o meu primeiro da minha lista aqui é um filme que durante muito tempo foi muito importante para mim por uma série de razões, e depois quando eu fui reassistir ele ficou muito ruim por dois motivos muito claros. Tô falando da Vingança dos Nerds.
É esse estilo, mas picadinhas estudantis.
Qual o ponto da Vinha Santos Netos? Veja, a gente em um certo momento lá atrás, quando a gente era aqueles caras que gostavam de quadrinhos, ia na aula de quadrinhos lá em Santos e tinha lá a turma toda que gostava de gibi, lia gibi, queria fazer gibi, aquela história toda. No fim das contas, ninguém ficou fazendo gibi, só risada, beijo, risada. Mas o ponto é que esse era um filme que a gente se enxergava no filme, de alguma forma.
A gente se via como aqueles nerds, assim, sabe? Ah, o nerdão do filme. A palavra nerd começou a ganhar corpo pra gente naquele momento, muito antes de ter Jovem Nerd, linhagem de...
Nerd era cara inteligente na época, estudioso, né? Outra conotação, né?
É, na verdade, nerd era a pessoa que era muito, que tinha conhecimento profundo sobre alguma coisa. E assim, a gente se denominava nerd porque a gente tinha conhecimento profundo de quadrinhos, é isso, de super-herói, de quadrinhos, de cultura pop em geral.
E aí eu fui, na verdade, assistir o filme não tão recentemente, mas enfim, já faz, sei lá, uns, foi logo antes da gente começar a namorar, antes da gente casar. Eu reassisti o filme por curiosidade e, cara, assim, um, o filme envelheceu mal pra caralho mesmo, a ponto dos personagens que sofrem bullying no filme, você fala: caralho, mano, eu teria vontade de bater nessas pessoas, eu teria vontade de bater nesses caras que o imbecil, veja bem, o atleta popular, não sei o quê, é um imbecil.
É um imbecil, grupo de imbecil fazendo bullying em outro grupo de imbecil.
Isso porque eles são imbecis para caralho com as minas, inclusive. Tipo, que menina que vai querer dar atenção para aquele cara que é tão idiota? Era melhor as meninas ficarem juntas entre elas, falar: foda-se, não quero nem esse atleta imbecil e nem esse arrombado desse nerd bobalhão, que no fim das contas tá um passo de virar um arrombado igual aquele outro. Você sabe que você assiste o filme, no fim, aquele cara que é o cara que tá sofrendo bullying é o cara que tá ali, ó, um pulinho de virar um imbecil tão grande quanto aquele cara que fazia bullying com ele.
Isso é uma coisa. E a outra coisa foi que eu já sentia um cansaço da expressão nerd, o cansaço da palavra nerd, o cansaço do quanto a gente tornou isso um negócio popular, enorme, monumental, CCXP e o caralho. E a gente sabe obviamente onde foi, onde esse negócio foi parar, né? Ou seja, os caras passaram a se orgulhar de se chamar de nerds. Mas pera lá, só é nerd quem entra no meu clubinho, quem eu achar que pode entrar no clubinho.
Você é mulher? Você é gay? Você é preto? Opa, não. "Você não é parecido comigo, você não entra no meu clubinho aqui e fica aí no seu clubinho com os seus gibi de lacração." Cansei, né? Acho que aí o filme perdeu duplamente o sentido para mim.
É, na verdade, esse filme ele trouxe essa carga de nerd para o vocabulário brasileiro, e aí depois isso daí foi piorado, né? O nerd veio com essa carga de, ai, uma pessoa muito inteligente e tal. E a gente descobriu que não, que o nerd aqui no Brasil é uma pessoa muito burra. É o contrário.
Aqui no mundo todo, né, também é o Big Bang Theory duas gerações antes, né? A mesma coisa, né? Os nerd bosta.
Pois é.
Você agora. Outro filme que também, reassistindo, eu fiquei bem decepcionada foi Ace Ventura.
Nossa, filme mais transfóbico de comédia que eu já vi.
Nossa, que nojeira que foi aquilo! Foi muito ruim, horrível. Tipo, longos minutos fazendo bullying com um personagem trans. E foi, nossa, que foi na verdade a escada da cena para o Jim Carrey, que ele não precisa disso. Não precisa. O Jim Carrey fazendo careta para câmera, a gente já dá risada sozinho, gente. Ele não precisa. Então aquilo foi totalmente vergonhoso, horrível, nojento. E eu peguei um asco desse filme tão grande, tão grande, por causa dessa cena, que eu nunca mais quero assistir.
Nunca mais. E olha que eu adoro Jim Carrey, eu adoro Jim Carrey, tanto nos papéis mais bizarros, ridículos dele, como é o caso Jace Ventura, quanto ele em papéis dramáticos, como é o caso do Momento Sem Lembranças, que ele tá fenomenal. Então assim, para quê? Foi horrível. E aí eu não quero nunca mais assistir.
Pelo menos o 2 não tem transfobia. Pois é, realmente metade do filme é sobre isso.
Nossa, horrível, horrível.
Diga lá, seu Leonardo, qual o seu próximo?
Eu vou para o que eu acho que vai ser o mais recente de todo mundo, que é X-Men 1, que esse é por motivos de é ruim. Eu não sei porque eu gostava tanto quando eu vi a primeira vez, que foi pura empolgação de uma época que não tinha tanto filme de super-herói, né?
É, a gente se agarrava ao que tinha, cara.
Cada vez que eu vejo esse filme, eu acho ele cada vez pior, da peruca ridícula da Tempestade Ao fato de só Ian McKellen e o Patrick Stewart parecerem estar atuando no filme, ao fato de ter uma dupla sertaneja chamada X-Men, porque só tinha Jean. Aliás, a Jean não era só a médica, ela não era de campo, então era Tempestade ou Ciclope. Era uma dupla sertaneja chamada X-Men. Cara, esse filme não me desse a ideia idiota do Magneto: vamos transformar todos em mutantes.
É tão bobo, cara. Aí você vê o 2, é tão melhor. Já logo depois tem um tão melhor.
É, na comparação, né, na comparação é foda, né.
É, e aí depois isso, nem para entrar em tudo que a gente sabe do Bryan Singer hoje em dia, para piorar a situação, né, não precisa nem entrar nisso. Mas, cara, Wolverine com visual ridículo ainda, os efeitos especiais que flutua, tem uns bons, tem uns péssimos. Cara, que filme merda que é X-Men.
A gente chegou a reassistir, não sei se recentemente, mas chegou a assistir por causa de um aniversário dele para gravar um Fala Animal, né?
Sim, a gente gravou, foi ano passado.
Eu acho que foi a última vez que eu vi o filme, fazia tempo que eu não via mesmo.
Eu também, foi a última vez que eu vi, mas cara, cada vez que eu vejo, eu lembro que eu fui com os amigos do colégio, todo mundo feliz da vida, cabulamos aula para assistir.
É, mas é o que você falou, antes não tinha filme de herói, gente, como tem hoje. Não virou, não era o gênero.
Nossa, eu lembro que ficava passando aquele trailer do Wolverine dando aquela volta na Estátua da Liberdade usando as garras, que não faz sentido algum aquela cena. Todo mundo ficava empolgadaço.
Eu lembro do trailer quando o trailer foi começou a ser divulgado. E aí tinha aquela coisa de, obviamente, a gente não tinha YouTube, aquela história, né? E eu lembro que esse trailer a gente colocava para baixar, né? E aí você baixava o trailer, né?
Que saco que era!
Então, se você tinha Mac, você baixava no QuickTime, aí você baixava em .mov, e aí mandava para os amigos por e-mail, ou sei lá, via MSN, qualquer coisa que eu valha.
Lista de e-mail, lembra que tinha Tempos, os tempos não voltam mais.
Ainda bem, ainda bem. Essa, a gente fica com essas porra dessas nostalgia do caralho. Tem umas coisas que eu não sinto a mínima saudade. A galera fica falando: ah, vocês jovens não passaram por este, pelo— vocês aí tem aí Spotify, tem Deezer e caralho, vocês passaram pelo momento de baixar uma, passar uma noite inteira baixando uma música no casal, no naps. Ainda bem que eu não preciso passar mais por isso. Ainda bem que ninguém precisa mais passar por isso, pelo amor de Deus, cara.
É isso mesmo. A gente na verdade tem uma lente da nostalgia aí muito grande, que a gente já conversou, a gente já fez inclusive um episódio do Imagina Se Pega no Olho falando de nostalgia, falando por que que a gente se apega à nostalgia. Que na verdade a gente se apega a uma época da nossa vida que é que a gente era mais novo e que a vida era mais simples, só, entendeu? E aí tudo que cercava a gente naquela época faz parte dessa lembrança.
Então não é que era melhor, não, você era mais novo, você não era adulto bastante e nem tinha tantos problemas quanto você tem hoje.
Eu preferia não ter boletos para pagar, mas ter o Spotify.
Essa parte podia voltar, né?
É isso.
Enfim, o meu segundo da lista aqui é Leandro Fernandes, também conhecido como Zarco. Eu sei que você vai me odiar por dizer isso, mas eu tô falando do Clube da Luta. Clube da Luta sempre foi um dos meus filmes favoritos. Eu amava Clube da Luta, assisti muitas e muitas e muitas vezes. Eu não odeio filme hoje, mas eu já tenho hoje muito mais questões com ele do que eu tinha antes. Eu entendo que tem muito, toda uma comunidade masculinista, red pill, abraçou esse filme de uma forma absolutamente equivocada.
É o famoso entender o contrário do que o filme é.
O Chuck, sobrenome impronunciável, que é o o autor do livro. Não, é Chuck Palahniuk. Eu não consigo falar porque tem muitas consoantes o nome dele, mas enfim, que é um homem gay, né, enfim, assumido. A gente, ele mesmo já deu entrevistas falando: gente, as pessoas subverteram a porra do significado da minha obra. Sim, sim, sim!
A mesma coisa do Coringa, é a mesma coisa de um monte de coisas aí.
O filme já vai para esse lado, não precisa dar o trabalho.
Eu também achei, ainda mais se você escuta— Se você vai ver entrevistas do Todd Phillips, do diretor, você escuta ele ou tom dele falando algumas coisas no momento parece um pedido de ' Desculpa, né? Exatamente, exatamente. Mas o Clube da Luta, assim, independente disso, desse lance dos red pills terem abraçado o filme com significado equivocado e tal, honestamente, ainda assim, eu acho que tem coisas no filme que já não me pegam mais assim, sabe?
Já não me pegam de tal maneira assim. Eu acho que falava muito com um Thiago que talvez se enxergasse— a Vingança dos Nerds ali, acho que as coisas estão de alguma forma esquisita conectadas ali. Anos 80, Vingança dos Nerds, não sei o quê. Aí tem anos 90, eu me enxergava como um, sei lá, alguém meio, eu já começava em um certo momento ali a enxergar algo, algo me incomodava com relação a posicionamento político. Foi quando eu comecei a ler sobre anarquismo naquele momento ali, lá na metade dos anos 90.
E quando eu tive acesso ao Clube da Luta, me pareceu uma coisa assim muito subversiva.
Muito revolucionária, muito posicionamento agressivo. É isso, contra o sistema.
Sabe qual é o meu grande ponto? Era o que passou a me incomodar de fato depois. Sim, ah, vamos, tem que derrubar, sei lá, aquele final do filme que tá ele e a Helena Borrancá, sei lá, caindo os prédios e o caralho. Fala, porra, isso aí derruba o capitalismo, não sei o quê, blá blá blá. Eu ainda sou a favor de derrubar o capitalismo, veja bem, Mas o meu ponto é a construção de um pensamento absolutamente individualista no filme, que não poderia ser mais diferente do que é o anarquismo.
Porque o anarquismo é você pensar em grupo, é você pensar no coletivo, é você pensar numa comunidade, numa sociedade. Você faz por quem tá ao seu redor, né? Por quem tá na base da pirâmide. Legal derrubar quem tá ali no topo da pirâmide, foda, mas tipo, não é 100% individualista por você. Então acho que é um pouco isso, passou a me incomodar um pouco no Clube da Luta conforme eu fui tendo a chance de reassistir ao filme. É isso.
O Léo falou alguma coisa?
Não, meu bem.
Léo, você falou? Não.
O quê?
Qual que era o seu?
Ele falou o segundo dele.
Eu já falei, falou X-Men.
Agora volta para você.
Agora vou, na verdade, falar sobre um queridinho também, mas que assim, que não tem muita, não tem muito problema. Na verdade, o problema para mim é o final. O final, assistindo hoje, eu falei, cara, que bosta esse final! 'Como assim eu fiquei emocionada com esse filme? Porra, que merda, né?' Mas coisa que só a maturidade faz por você, que é Clube dos Cinco. Eu fiquei muito puta porque a Gotiquinha, que era a menina com quem eu mais me identificava, virou uma patricinha, uma coisa toda cor-de-rosa no final, e não só ela se moldou ao que, entendeu?
Ela deixou de ter personalidade própria e se moldou "Ah, o que era moda na época, então, para ser aceita pelos meninos, para não ser mais tachada de esquisita." Ah, porra! Que merda! A única coisa mais legal do adolescente ter é ele ser autêntico, ele ser ele mesmo. Foda-se se é estranho, esquisito, foda-se.
E o filme é sobre isso.
Sobre isso, todo mundo tem a sua particularidade.
E é só ela que muda, né?
É só ela que muda. E eu fiquei muito puta, muito puta. E aí, na verdade, se você for pensar, Eu vou trazer outro filme aqui também que me incomoda hoje.
Vamos lá, agora vai!
Que é um clássico dos anos 70 também, clássico dos musicais, que é Grease. Mano, a Olivia Newton-John lá, a Sandy, ela muda completamente a personalidade dela para ser a namorada do—
pelo menos aí os dois mudam.
Ela muda completamente, mas ela era uma menina arrecatada, ela era uma menina do jeito que ela era, daquele jeito.
'Não, ela precisa ser cocotinha.' Que nem cai bem o visual nela.
Exatamente, fica completamente estranho, começa a fumar do nada. Você fala: 'Minha amiga, não precisa. Se o cara gostar de você, vai gostar de você do jeito que você é.' Mas é isso, naquela época tinha essa coisa, né, de você, de você— Ai, não, é padrãozinho.
Grease é o precursor da CW com seus adolescentes de 35 anos.
Ninguém ali era adolescente.
Puta que pariu, amiga dela tinha, parecia que tinha 40 anos.
É, exatamente. Não, e as meninas também, aquela outra amiga dela também que era mais velha, quer dizer, não sei se parece.
É muito engraçado ver aquilo.
Mas enfim, Clube dos Cinco, lembra que a gente teve um momento aqui em casa, a gente reassistiu o Clube dos Cinco aqui em casa com os dois filhotes, com a Aiden também, com os dois na verdade. A gente reassistiu porque tinha um episódio, lembra que eles estavam aqui, eu lembro até hoje, aqui na outra casa, enfim, assistindo um episódio da brilhante Vitória, que é um episódio inteiro dedicado ao Clube dos Cinco. E aí a gente falou: pô, vocês já assistiram o filme mesmo?
Esse filme, o filme original? Ah não, não sei o quê. No finalzinho a gente sentou para assistir. A hora que a gente sentou para assistir, chegou nesse final Os adolescentes conspiram fogo no final do filme, foi muito engraçado.
Exatamente, foram eles que chegaram e falaram: nossa, mas por que que ela mudou? Ela era mais legal, ela era mais, mais, né, mais gótiquinha, mais autêntica, né, de todos ali, tipo.
E é foda que ela não é mudar, mas ela teria que mudar porque ela quer mudar, né? Ela muda por outra pessoa E detalhe que ela muda ainda.
Só ela, eu acho que é o pior.
É, e ela vira o estereótipo mais estereótipo possível assim, né? Tipo do cor-de-rosa lá assim na cabeça.
Mas enfim, Turbo do 5, eu sei que é um que eu vejo sempre em rede social alguém descobrindo o filme, que é um filme muito comentado, né? Ainda mais no meio de quadrinho que sempre tem alguma capa homenageando o pôster. Aí o pessoal fica curioso. E é engraçado como eu não vejo o pessoal ficar puto com o final, mas o que eu vejo é muita: nossa, é só isso? Por que falam tanto?
É porque a galera não tá acostumada com o gênero John Hughes, que era o velho que entendia o jovem. Era um filme de adolescente, era filme para adolescente, com adolescentes, com plot adolescente, com assuntos que interessavam adolescente. Era isso, filme totalmente para adolescente.
Fala, senhor Leonardo, qual o seu próximo?
Eu vou mudar a minha lista prévia porque tem um que ia ser muito igual. Aí eu vou mudar para Karate Kid, que além de ser um filme bosta, principalmente porque são ótimos atores, passou 40 anos, eles voltam em Cobra Kai e o Johnny aprende a atuar, o resto não. Mas, cara, é um filme muito errado, e não pelos motivos que Cobra Kai aponta, né? Que, ah, o Daniel-san é o vilão. Não é, ele não fez nada de errado ali, gente. Ele gostou da menina, viu a namorada dela sendo um bosta, e nem tentou pegar ela.
Aconteceu, né? Ele nem tentou. Mas eu acho um filme machista para caralho, né? Porque a mina troféu, né? Dois caras ficar brigando pela mina.
E a gente achava romântico pra caralho, né? Tipo, ai, fight for me, coisa mais gostosa do mundo.
Sim, e é tão mal desenvolvido, né, que acho que Elizabeth Chu deve ter ficado cara no meio do caminho. Aí eles fazem todo esse drama no primeiro para ele ficar com ela, ele fica. Aí no 2, ela não aparece, falam que eles já separaram.
Mas nada mais adolescente que isso, né? Vamos combinar.
Sim, é verdade, mas eu tenho certeza que foi o fato dela ter ficado cara, o resto do elenco era barato. Mas, cara, é muito engraçado como ela não tem identidade, ela é um vazio, né? E aliás, isso torna ainda mais legal quando ela volta no Cobra Kai, né? Uma pessoa com uma vida feita, tudo isso é muito legal.
É, e no fim o Cobra Kai também tem isso, né? Ou seja, São dois machos tóxicos querendo sair na porrada de novo. E a única pessoa— dois machos tóxicos querendo sair na porrada, influenciando um monte de adolescente a sair na porrada junto. E a única pessoa que tem um mínimo de bom senso é justamente a mulher que tá no meio, fala: 'Ei, que porra é essa?
Tá louco?' E ela ficou até traumatizada, né? Ela só pôs em toda de atuar.
O que me irrita em Cobra Kai é exatamente isso, tipo: 'Ai, a mulher do Daniel-san é sempre a mãe de todo mundo.' A mulher, mas no finalzinho até ela liga o foda-se.
Ela é isso mesmo, bate mesmo.
Mas então é porque na verdade o pessoal ouviu as críticas dos fãs, né? Tava todo mundo falando: porra, só essa mulher que tem consciência na cabeça? Só ela é a única adulta da série? Sempre a mulher adulta.
Agora não vai ser mais adulto nessa série.
O adulto morreu, que era o Sr. Miyagi. Não tem mais adulto. Ai, ai.
Bom, o meu aqui, vou pular para uma série, eu vou falar, o Léo falou sobre ela no começo, mas eu tenho uma questão um pouco maior, que é The Big Bang Theory. The Big Bang Theory chegou num momento já ali no começo da minha vida adulta em que eu via aqueles caras, eu me enxergava naqueles caras Da mesma forma que o eu adolescente se enxergava na vingança dos nerds, eu passei a me enxergar naqueles caras, porque, putz, são caras adultos que trabalham, que tem a vida feita, né, ou quase isso.
Enfim, vida feita, gente, pelo amor de Deus, não entendam como sendo milionário, tá? Por favor, que isso eu não sou nem nunca fui. Mas, e que ainda assim se dão ao luxo de tudo bem brincar com os seus Jogar RPG e colecionar gibi e usar camiseta de super-herói. Naquele momento foi o momento que teve esse boom, né, das camisetas de heróis e tal, piriri pororó. Enfim, teve um determinado momento que eu gostei bastante da série e defendi a série.
Inclusive, eu até tinha um pouco de bronca das pessoas que falavam: ah, nerd de verdade não é o nerd que vê The Big Bang Theory. "Quem vê Big Bang Theory é nerd bazinga." Isso me dava uma raiva! Isso me dava uma raiva que eu ficava: "Mano, que negócio mais gatekeeper do caralho!" Que só pode brincar se você é velho. E só pode brincar de gostar de gibi, dessas coisas, se você é velho e nasceu, sei lá, nos anos... No final dos anos 70, começo dos anos 80.
E é isso, assim. E você... Viu tudo lá no começo. Se você tá começando a consumir as coisas agora, você não pode. Isso me irritava bastante e ainda me irrita, tá? Enfim, ponto. Mal fato é que assistindo Big Bang Theory, né, ao longo dos anos, escrevi até um texto aliás sobre isso. É engraçado, tem dois textos meus muito diferentes no Judão. Um era sobre isso, sobre essa irritação com essa— era uma coisa do tipo, por que que as pessoas passaram a odiar tanto The Big Bang Theory?
Era meio nessa pegada. Mas conforme os anos foram passando, a série foi de fato ficando absolutamente insuportável mesmo. Eu acho que a gente até falou sobre isso no final de semana que a gente se encontrou aqui. Eu acho que a série deu uma melhorada boa quando as meninas entraram, quando a Bernadette entrou, quando a Amy Farrah, sobrenome dela, ela tem um nome grande, né, a namorada do Sheldon. Amy Fowler. Não, não, é atriz, tô falando o nome da personagem.
Sarah Fowler, enfim, o ponto é que quando elas entraram e aí elas formaram um grupo junto com a Penny, eu acho que o negócio funcionou bem. Aquele momento ali, porra, sério, agora vai dar uma melhorada. E melhorou, mas durou pouco tempo porque depois piorou tudo de novo. Aí ficou um negócio da Penny ser assim. Já tava me incomodando antes o Howard, que para mim era o personagem mais insuportável, insuportável. Eu jamais, as pessoas falam: porra, jamais teria um amigo como as pessoas tinham coragem de ter um amigo como o Sheldon.
Eu não teria um amigo como Howard, era uma pessoa absolutamente arrombada, um escroto do caralho com as mulheres, com os caras. Arrombado, não teria um amigo. Vaza daqui, arrombado! O Sheldon era claramente um cara— isso nunca foi— eu acho ruim isso não ter sido tratado dessa forma na série. Seria legal se tivesse sido tratado ele como um homem autista. Isso teria sido muito legal se fosse tratado de um jeito leve, de um jeito, né, mas fosse tratado desse nome, a coisa— não deram.
Eu passei um bom tempo sem assistir a série depois que fiquei A Penny virou aquela personagem que, sabe que você tava falando da menina no final do clube? Não, final do clube dos 5. Que que ela fez? Ela largou o sonho dela de ser atriz e foi trabalhar como representante de uma indústria farmacêutica. Por quê? Porque é o que se espera de uma pessoa adulta. Ah, que bosta, velho! Que bosta, cara! É uma pessoa adulta, ela tem que ir lá e fazer o que deve ser feito, que é para ganhar dinheiro.
Bosta, bosta, enfim, que ela não gosta. Tipo, se ela fosse arrumar um emprego minimamente, mas mostrasse que ao mesmo tempo ela tá tentando manter a carreira dela de atriz, legal, né? Não abandonar seu sonho, enfim. Mas aí eu passei um bom tempo sem assistir, e aí quando teve um anúncio do último episódio, eu fui assistir o último episódio. Além da sensação clara, tudo bem, é uma sitcom, Eu entendo. Mas além da sensação clara de que nada mudou, de que eu tava assistindo o episódio, sei lá, da metade da terceira temporada, nada mudou basicamente.
Ainda teve o fato de que a série acaba com o Sheldon pedindo desculpas. Ele ganhou o Prêmio Nobel, e aí quando ele tá, ele e a Amy ganhou o Prêmio Nobel, né? E quando ele tá fazendo o discurso dele, ele agradece os amigos e pede desculpa por ter sido uma pessoa horrível durante muito tempo, não sei o quê, gente. Ninguém aguentaria esse tempo todo de uma amizade absolutamente tóxica até chegar num cara que vai fazer o sério assim, vai ganhar o Prêmio Nobel.
Não, não, simplesmente não, não consegue, nunca vai conseguir me convencer que, sei lá, 10 temporadas, 10 anos para este cara pedir desculpas e as pessoas falaram: ah, não, tudo bem, beleza, agora a gente te aceita.
Gente, exatamente. Se havia discussão do cara ser atípico, né, tipo ser neurotípico, é por que pedir desculpa?
Também vem isso, é, também tem isso.
Por que pedir desculpa? Ele deu o jeito dele.
E eu acho que no fim das contas isso deveria, volta a dizer, isso deveria ter essa situação em algum momento falado na série. Ainda mais com um ator como Jim Parsons, que é um excelente ator. Meu, se colocasse esse cara para interpretar isso com essa nuance, porra, seria maravilhoso.
Isso é muito mais abordado no Jovem Sheldon, né, no fim, que justamente eles viram a cagada que eles fizeram, né?
É muito melhor. O meu grande problema com Big Bang Theory é que não tem graça nenhuma mesmo.
Ficou. E eu também não gosto, eu não gosto de Big Bang Theory sempre por conta, já logo no começo já odiei por conta da Penny, né? Porque ela é a Smurfette da galera, tipo assim, é a única mulher. E aí tem toda a questão tipo, ai, ela é burrinha, ai, ela não entende, ela nunca vai entender sobre, ai, porque que o Superman no Action Comics 23, foda-se, foda-se, foda-se, um grande foda-se, né? E sempre os interesses delas, dela, era sempre menosprezados, era sempre besteira.
Então tipo, era machista para caralho, e machista, e pior, o machismo que eu conhecia muito bem, que era o machismo nerd, machismo dentro dentro da comunidade nerd de quadrinhos, entendeu? De quadrinhos, enfim, de cultura pop. E aí eu peguei uma raiva dessa merda dessa série que eu não assisti nunca mais, nunca mais. Mesmo quando entraram outras meninas, eu não assisti. E aí outra coisa que me deixava muito com raiva era o Howard ser judeu e ainda ser aquele bosta.
Nem para ser um judeu decente ele foi para ser. Então já puseram ele tirava um sarro da própria etnia dele e ainda reforçava o estereótipo de judeu chato para caralho e dependente da mãe e todas. Ai, nossa, ridículo! Reforçava todos os estereótipos, todos os estereótipos possíveis. E aí eu fiquei muito puta que eu falei, nossa, nem para pôr um— ok, colocaram um judeu entre os caras mais inteligentes, Mas aí continua sendo estereótipo do judeu, ai, fraco, mama's boy ainda, tipo super mimado pela mãe, super apegado à mãe, não sabe, tem trauma com mulher.
Ah, puta, vai se foder, vai se foder! O estereótipo do estereótipo. Aí eu fiquei com muita raiva, nunca mais assistir essa merda.
Eu acho importante, Thiago Cardin, agora você dizer qual era o nome que quase teve no Brasil.
Nossa, sim, maravilhoso! A série, essa história, só fazendo um parênteses aqui, nada a ver com o tema do programa, mas eu tive um determinado momento no SBT conversando com as pessoas. A gente foi conhecer os bastidores da Casa dos Artistas, e aí conversando com umas pessoas da produção do SBT, uma das pessoas me confidenciou que a gente foi comer no coisa lá, né, no no refeitóriozão deles lá, tal. E aí a gente tava, uma das pessoas, eu contei do meu passado pregresso como batizador de filmes, né, em português.
Aí a pessoa falou: pô, você sabia que muitos dos nomes em português das séries é o próprio Silvio que escolhe? Falei: eita, pera aí, me conta mais sobre isso. É, vem alguém, faz um estudo, mostra uma listona para ele, ele vem nessa 'Eu vou com essa lista aqui no refeitório e pergunta para as pessoas qual que é o nome que elas preferem.' Qualquer pessoa tá aqui, o motorista, o segurança, tá sentado aqui almoçando, ele pergunta.
Foi aí que Nip/Tuck virou Estética e por aí. E The Big Bang Theory, que depois virou Big Bang: A Teoria, né, quase foi batizado como Dois Nerds e Uma Vizinha Loira.
Nossa, que horror!
Não era uma vizinha gostosa?
Uma vizinha gostosa, perdão, uma vizinha gostosa. Era isso mesmo, vizinha gostosa. SBT, né? SBT tem que ter gostosa. Então, dois nerds e a vizinha gostosa, era isso, cara. Mano, surreal!
Eu queria que tivesse desse nome, que combina com a merda que a série é.
Bom, fecha aspas. Gabi, você é o próximo.
Bom, a minha também é uma série Que na verdade eu tive grandes— uma luta interna muito grande para finalmente chegar à conclusão de que a série é uma bosta hoje. Porque na verdade ela tocou em grandes, grandes pontos que na época não eram falados, como masturbação feminina, como aborto, como um monte de coisa precisava ser tocado. Então, mas assim, hoje eu vendo Sex and the City, que bosta de série! E eu tenho vontade de entrar na televisão e estapear a cara da Sarah Jessica Parker, estapear a cara dela, juro por Deus, cara.
Que mulher, cara, fútil! Que mulher desgraçada! Que mulher que volta com um homem tóxico daquele, que faz ela de gato e sapato, faz ela boba, de idiota, de burra, e ela volta rastejando para aquele Mr. Big lá. Ai, que ódio, que ódio!
Tem vilão de nome de vilão de Streets of Rage.
É, sim, apesar de ser o nome de uma banda muito boa no fim das contas.
É verdade.
Eu gostava da diversidade, assim, da diversidade. Todos eram brancos e ricos e morando em Nova York.
A grande diversidade, diversidade de idade só, no máximo.
Não, na verdade, o jeito delas. Elas eram completamente diferentes entre si, né? A Carrie era mais romântica, mais escoladinha, gostava de ser um pouco mais da moda, era mais fashion victim. A Amanda... A Miranda, aliás. A Miranda era advogada, que era super profissional, um pouco mais fria que as outras meninas. Aí tinha a outra, esqueci o nome dela, a morena de cabelo curto. Não, de cabelo curto é Miranda. A tia Samanta, que era minha preferida, óbvio que a Samanta, que era ruiva, é a Miranda.
A Charlotte, a Charlotte era muito, muito romântica. Queria casar, ter filhos, tem toda uma, tipo, era toda menina certinha e tal. Judeu inclusive também. E a Samanta era minha preferida, que era a Kim Cattrall, maravilhosa, que era a loba, que tipo, que hoje era, é classificada como sendo a loba, né, da turma, que passava o rodo geral na almarada e não tava nem aí. Foda-se! Era, ela agia com os homens como os homens agiam com as mulheres.
E eu achava aquilo foda, falava: agora sim, essa daí eu respeito, essa daí é foda. Mas é muito legal que também ela vai, ela passa por um momento de fragilidade, porque ela tem câncer de mama. No final da série, ela passa por esse momento de fragilidade, porque ela sempre foi muito forte, muito fodona, muito segura de si. E aí ela passa por um momento de mega fragilidade, e foi legal isso também. Mas assim, a Sarah Jessica Parker, que é a Carrie Bradshaw, que é a protagonista da série, é uma bosta, uma ridícula, uma ridícula, que as mulheres: "Ai, ela é demais!" É uma trouxa, a mulher trouxa, mulher que faz tudo que o macho manda.
E no final, o que que acontece com ela? Ela é largada no altar, largada no altar, burra. E as mulheres não entenderam. Ai, não, mas ai, que romântico, ele vai voltar para ela. Não, depois ele volta. Nossa, entendeu nada que tá falando, tá mostrando o quanto ela é trouxa, o quanto ela é trouxa, o quanto não é para vocês serem como ela. E aí essa série me deixou com muita raiva também. É, foda-se, não tinha uma amiga negra, uma amiga negra.
Tava Nova York como se Nova York não tivesse negro, não tivesse Bronx, não tivesse Brooklyn, não tivesse Harlem. Não tem uma amiga negra com dinheiro que fosse da turma dela.
Nem os caras que elas pegavam nunca tinham negro.
Nem os caras eram também diversos etnicamente falando, eram todos brancos.
É a Nova York da Alemanha, Alemanha Unida, né?
Caralho, mas Friends também, até porque tem uma personagem negra, como não? Uma, tem um problema absurdo de gordofobia com a Mônica.
Cara, mas comédia, toda comédia tem, né? A gente, tudo que a gente falou de, ah, machismo melhorou, tem ainda, mas melhorou. Transfobia, piada com gay e tal, mas a gordofobia permanece forte.
Pois é, sim, sim, piada com gordo é a piada mais fácil possível no humor, né?
Mas Friends foi bem escrachado e bem feio assim, ficou notoriamente feio ali.
Mas enfim, é, é, é que, sendo assim, seu Leonardo, eu vou falar de um filme de 1984 que tinha Patrick Swayze Lia Thompson, Jennifer Grey, Charlie Sheen e grande elenco, que é Amanhecer Violento. Nossa, meu Deus, por que esse filme virou cult? É um filme feito com 10 real, né? Ninguém sabia atuar ainda. O Patrick Swayze eu acho que é o que passa menos vergonha, que era todo mundo antes de desenvolver o talento. Todo mundo ficou bom posteriormente, não poucos anos depois.
Mas, cara, que filme bobo! Parece, se fosse hoje em dia, o pessoal ia falar que é filme feito por fã no YouTube, sabe? Cara, não vai do nada a lugar nenhum, não tem, não tem uma cena legal, empolgante, não é escuro para caralho, você não enxerga nada, cara. Eu fui rever, ele é de 84, em 2012 teve um remake com o Chris Hemsworth. Eu fui ver por causa do remake, eu vi o remake, eu falei, pô, vou ver. Eu lembro que eu gostava, falei, caralho, que merda!
Esse remake passou despercebido, é muito melhor. Olha aí, é muito melhor. Tem muita gente que não sabe nem que ele existe, o remake, cara. Esse é, eu sei que foi um filme que na época não deu grana tal e virou cult depois, mas a maioria dos caras acontece isso é com justificativa, né? Porra, Blade Runner, Irmãos Cara de Pau são filmes que Não deram dinheiro, mas era um bom. Esse não, é ruim mesmo, cara. Que filme bobo! Eu, a gente se contentava com qualquer merda mesmo, né?
Que a gente falou, que eu falei antes de ter a TV aberta, né? Você não escolhia, não é que nem streaming que você vai lá e vê só o que você quer. O que tava passando você via, e por algum motivo a gente não só via como gostava.
Eu nem vi, na verdade.
Eu revi essa vez em 2012 ou 2013, que aqui demorou para sair. Aqui saiu até direto em DVD o remake, nem foi para o cinema. Mas eu não via, puta, 15 anos jogando baixo, sabe?
Veja só, olha só, um elemento peculiar nesta lista aqui. O meu penúltimo item aqui é, na verdade, é um caso curioso assim. Eu sei que para muita gente o filme Carros da Pixar é talvez o filme, não, a franquia toda, né? Enfim, é talvez um dos pontos mais baixos da Pixar, porque é basicamente um filme para vender. Se todos eles são para filmes para vender brinquedo, esse filme é para vender em dobro, né? Assim, rigorosamente tudo no filme é vendável.
Os personagens, o cenário é tudo vendável, na real, né? Mas é engraçado porque esse filme, quando ele foi lançado, e depois das continuações, o meu filho menor era um, ele era completamente alucinado pelo Carros. E muito menos, na verdade, por Carros em si, ou seja, por carrinhos, Essa é a versão da loja, das lojas americanas, carrinhos. É, não é, nossa, sim, da maravilhosa Video Brinquedo. Não, mas assim, ele era menos interessado em carrinhos enquanto brinquedo.
Ele tinha muito mais boneco do que carro de fato como brinquedo, né? Mas ele gostava do filme, gostava do do Matt, né, que era o amiguinho dele lá, tal, do Relâmpago McQueen.
Ok.
E assim, eu gostava muito de ver o filme junto com ele. Tava naquela fase, óbvio, criança, né, que assiste, reassiste o filme 252 vezes. E eu assistia com ele, me divertia, sabia as falas e tal. Aí a gente viu 2, enfim, no cinema, aquela coisa toda, muito que bem. Mas com o passar dos anos, ele foi se desinteressando do filme, mesmo depois de crescer. Tem muitas coisas que ele via na infância que ele ainda gosta hoje, né, com outro olhar, evidentemente, já tá adolescente.
Mas esse filme desencanou geral assim. Isso quebrou um pouco a minha conexão com filme, sabe? Hoje eu tive a chance de reassistir o filme depois já aí sozinho assim, sem ele junto, né, e já não tinha a mesma graça assim, saca? As cenas que eu lembrava de gostar tanto, as falas que eu repetia, não sei o quê, já não tinham mais a mesma pegada. E aí ficou para trás, é um filme que tá vendo, eu sempre não necessariamente eu passei a achar o filme ruim, ele simplesmente perdi a conexão com ele, perdi o elo. Simplesmente se foi. É isso, amor. Você, sua última, última da lista.
Meu último da lista é uma série, novamente é uma série que não precisa falar nada, fala o nome, vocês vão saber por que que eu coloquei nessa lista. Two and a Half Men.
Mas você gostava antes?
Eu gostava, não sei, não percebia assim que eu tava merda. Aí eu fui aos poucos.
Ela foi ficando mais, mais É engraçado que a gente começa com o Charlie Sheen, que é o cara que sai comendo todo mundo, e conforme a série vai indo você percebe que ele não faz nada de errado nesse sentido. Ele sai com as pessoas e fala que ele não quer nada. Quem é o escroto? É o Alan.
Ah, todo mundo é escroto ali.
O Alan é muito mais escroto que o Charlie. Eu acho o Alan muito mais escroto. E o Alan começa—
eu acho que todos eles tratam as Mulheres como objeto, é isso.
Até aberto, mais para frente fica num nível, cara, muito pior.
Todos eles tratam mulheres como qualquer coisa assim.
Talvez porque seja do mesmo criador de Big Bang Theory.
Pois é, olha só, até aberta empregada dele trata as mulheres como se fosse um objeto. Todos eles, né? No fim, o sobrinho dele quando cresce vira um arrombado também. Enfim, não tem um que salva.
Então essa, tudo, tudo nessa série é ruim.
E aí quando sai o personagem do Charlie Sheen e entra o Ashton Kutcher no lugar, o negócio fica tão ruim quanto, porque o Ashton Kutcher ele interpreta tanto quanto um abajur apagado. E aí o negócio fica, o personagem dele tem até a graça de você não, numa topada com o dedão.
Eles exageram para caralho no Alan sendo cada vez É exato.
Não, e é muito louco porque o Chuck Lorre, ele tem, ele tem séries incríveis, incríveis. Ele tem, por exemplo, Método Kominsky, que é sensacional, que é com o Michael Douglas. Ele tem Dharma Greg, que é muito legal.
Ele tem, provavelmente não é o criador, é a tristeza de saber como o público é. E para ganhar, legal, que fala sobre maternidade, maternidade na verdade alternativa, que é mama, aquela, ah, que é com Ana Ferris. Essa é legal, bem legal.
Então assim, é tudo tipo, nossa, mãe dela é maravilhosa, maravilhosa, maravilhosa, maravilhosa, personagem incrível. Diga aí, seu Leonardo, seu último da sua lista.
Meu último é A Hora do Pesadelo, mas quase toda a franquia.
Vamos encerrar esse podcast agora, nesse exato momento.
Quando eu era moleque, era o terror que eu mais gostava. Ainda não conhecia Hellraiser, mas o Freddy Krueger é o personagem de terror que eu mais gosto. E, cara, você vai rever. Eu lembro que eu revi todos quando saiu aquele horrível remake. Nossa Senhora, que eu fiz uma matéria na época. Eu revi todos os filmes. Só os que o Wes Craven na direção, no roteiro, que presta. O resto é muito ruim, cara. Como é ruim! Ele só, você só não deixa de ver porque é o Robert Englund, é carismático como Freddy.
Porque, cara, principalmente o 2, cara, do nada é a história, é um assassino que ataca nos sonhos. No 2 ele sai de dentro do moleque porque sim. Depois tem um que ele quer reencarnar no filho, que é uma das vítimas, tá grávida. Começa a ter umas loucuras que não faz sentido nenhum, e os filmes vão ficando cada vez pior. Mas eu adoro um, principalmente o 3 e o 7, mas os outros, cara, dói assistir. É daquele, é o filme tem uma hora e meia, você fica olhando o relógio para ver se acaba, porque você vai, caralho, que o 3 é o, é tudo igual, né?
É, o Guerreiro do Sonho eu acho melhor de longe assim, até porque quando o Fred vira o Fred engraçado, né? É uma coisa que acontece com quase todas as franquias de terror dessa época, né, que um é legal e o resto costuma ser ruim. Sexta-feira 13 tem menos legais ainda, para dizer a verdade. Mas é que A Hora do Pesadelo realmente era o que todo mundo gostava, eu adorava mesmo também. Culpa do senhor Silvio Santos, que reprisava alucinadamente.
Tinha 6 filmes, parecia que tinha 30 de tanto que passava. Mas, cara, como a maioria é esquecível, sabe? Não tem uma— até as cenas dos pesadelos, as mortes, a história não tem mesmo porque é terror, mas tem cenas divertidas. Nem isso, a maioria não tem. É ruim.
É ruim mesmo. O 7, mas o 7 é bom, né?
Quando essa volta do Só acaba o dinheiro que os efeitos são ruins, mas o roteiro é bom para caralho. Ai, ai, viu?
Fred Krueger não adianta, né? É o assassino que não usa máscara, como a gente tava falando também no final de semana, né? O assassino que não usa máscara, se não é o Robert Englund, é muito difícil você Tem que ser um filho, né, para pôr no papel.
Funcionou com o Chuck.
Sim, sim, funcionou demais. Verdade, verdade. Bom, o meu último da lista para a gente encerrar este nosso episódio é uma série que eu simplesmente amava, amava, e reassisti trechos nos últimos anos. E aí depois tive a curiosidade de assistir trechos e fiquei: peraí, está me incomodando. E aí eu fui reassistir alguns episódios. Tá bom, peraí, vamos ver o episódio inteiro, vai, pode ser só uma sensação. E não, era a mais pura realidade, que a House— eu adoro o Hugh Laurie, acho um excelente ator.
Like, pô.
Mas o personagem que outrora era o adorável Ranzinza, para mim, para o Thiago Cardin de 46 anos, mais de uma década depois, bem mais de uma década inclusive depois, passou a ser uma pessoa absolutamente insuportável.
Mas aí, aí eu vou rebater: você que não entendia mesmo quando era jovem. Ele nunca foi, talvez. Não, eu achava ele, ele sempre foi um filho da puta, e isso vai aumentando a cada temporada.
Eu assim, eu não, definitivamente não era na pegada dos red pills assim, como a gente falou do Clube da Luta, né? Ou seja, eu não achava ele incrível, eu achava ele um ranzinza, mala, um mala que eu falava porra, eu sairia para tomar uma cerveja com ele. Reassistindo, eu não sairia para tomar uma cerveja com ele, eu quebraria a garrafa de cerveja na cabeça dele.
Ah, eu sou opinião que ele ia ser merda desde o primeiro episódio e só piora depois.
Isso é fato, vai piorando mesmo. Isso é verdade.
No final, eu sempre falava que House era uma série que nunca ia ter um final bom porque não tem como ele ele não morrer, não se fuder e tal. E aí eles dão um jeito de dar uma driblada na história no primeiro ato bom da vida dele de verdade, né?
E também, se você parar para pensar, é o tipo de coisa que você assiste, você que assistiu, isso me incomodou também no final assim, né? Você que assistiu a série desde o começo, você chega ali no final, você fala, tá, entendi, Mas você realmente tá querendo me convencer de que esse cara poderia ou mereceria ter esse final? Porra, não, né?
Foi pelo outro, pobre Wilson. O Wilson merecia.
O Wilson era um personagem legal.
É, você falava isso, que o House é tão filho da puta e o único que às vezes dava uma segurada nele era o Wilson. Eu falo que a saia, como que era a diretora, Cuddy, sai, né, na última temporada ela não tá, os ajudantes vão revezando para caralho, e o Wilson era a pedra que ficava lá. Você fala, se tirar o Wilson não tem série, porque aí ele é só um filho da puta fora de controle.
E aí um determinado momento ele ia morrer, fato assim, né, ele ia morrer mesmo.
Fazer o fim do Sherlock Holmes também, né, que afinal House é a história do Sherlock Holmes com o médico.
Enfim, mas é isso. Eu voltei ao personagem, um certo momento ele passou a me irritar num grau que eu simplesmente não conseguia ver o episódio sem ficar pensando em muitas formas de que eu poderia passar rasteira nele para ele cair com a cara.
Dá razão para o cara que entrou atirando no Pelo amor de Deus, né?
Enfim, é isso, gente. Esta aqui foi uma coleção de filmes e séries que a gente gostava e passou a não gostar mais. Volto a dizer, como a gente falou lá no começo do episódio, obrigado a você que nos acompanhou ao longo desse episódio inteiro, daqui até o final. Por favor, deixa aí os seus comentários no Spotify, no YouTube, ou nas próprias redes sociais. Puts, que série, que filme você adorava no passado, 5, 10, 15, 20 anos atrás, sei lá, sei lá quanto tempo você tem, e que passou a não conversar mais com você por alguma razão?
Ou porque, né, criou algum tipo de desconexão, que você passou a odiar mesmo, ou porque achou que a série virou uma série muito escrota, né, ou seja, envelheceu mal para caralho, ou porque tinha muita lacração? Não, lacração não. Se você fala que a série tem muita lacração, não ouça esse programa, você não deveria nem estar aqui.
Enfim, é isso.
Léo, mais uma vez, muitíssimo obrigado por estar aqui conosco. E óbvio, você é de casa, né, parte da família. Fique agora com o momento do jabá.
Muitíssimo de nada. E ouça o Fala Animal lá no meu podcast, que nossos queridos Tiago e Gabi participam com frequência também. Inclusive, a gente fala, tem episódio de várias coisas que a gente falou aqui, de Caça Fantasma, de Hora do Pesadelo, de X-Men, tem um monte de coisa que tem episódio lá.
Muito bem, é isso. Beijos, queijos, e mais uma vez, Angélica, muito obrigado pela dica, foi ótima. Você aí que escuta esse programa, tem gente para caralho que assista esse programa, mas pouca gente que comenta esse programa. A gente tá de olho, viu? Vocês estão lá ouvindo o programa e não estão comentando. Comenta e deixa suas opiniões sobre, talvez sugestões para próximos episódios. A gente tá com os olhos e ouvidos abertos para isso. Beijos!
Jeff, beijos!
E você, muito obrigado por ouvir mais este episódio de Imagina Se Pega no Olho.
Lembrando sempre que esse podcast está disponível em tudo que é plataforma: Spotify, Deezer, Amazon Music, Apple Podcasts. É só escolher acessando o endereço www.imaginasepeganoolho.com.br ou então o link da nossa bio lá no Instagram.
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Não esquece que temos nosso canal do YouTube, hein? Já dá para ouvir todos os episódios e ainda ver alguns vídeos mais longas que a gente tem arriscado a fazer sobre gibis, discos e demais nerdices. Procura por Imaginas Pega no Olho, se inscreve, dá like, comenta, compartilha e clica no sininho para não perder nenhuma atualização.
É, e a gente tem também o nosso podcast filhote, que é o Imaginas Pega no Ouvido, um talk show com quem vive de música a respeito das suas paixões musicais, e que tá entrando uma nova temporada. Então assim, é só procurar na sua plataforma de áudio favorita favorita, a imagem do nosso olhinho só que com duas orelhinhas.
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