Episódios de Imagina Se Pega no Olho

Ep 162 - Por que a Mitologia Grega ainda domina a Cultura Pop?

20 de agosto de 20261h13min
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Aproveitando a nova onda de interesse por A Odisseia, recebemos Rafael Argemon — desta vez não como o Cara da Locadora, mas como roteirista e apresentador do podcast narrativo Jornada Mítica — para uma viagem pelo universo caótico, trágico, engraçado e, muitas vezes, completamente absurdo da mitologia grega.

Falamos sobre heróis, monstros, vilões e deuses que, convenhamos, frequentemente precisavam de uma boa intervenção. Também discutimos por que essas histórias continuam tão presentes na cultura pop, do cinema aos quadrinhos, dos games às séries, e o que diferencia a mitologia grega de tantas outras tradições mitológicas.

Porque talvez a pergunta não seja apenas por que ainda contamos essas histórias.

Mas por que, depois de milhares de anos, ainda conseguimos nos reconhecer nelas.

Participantes neste episódio3
G

Gabriela Franco

Host
T

Thiago Cardim

HostJornalista
R

Rafael Argemon

ConvidadoRoteirista e apresentador do podcast narrativo Jornada Mítica
Assuntos8
  • Mitologia Grega e Cultura Pop· CulturaOdisseia·Cinema·Quadrinhos·Games·Séries
  • Adaptações Audiovisuais da Odisseia· CulturaOdisseia (filme de 2023)·Percy Jackson·Ulisses (filme de 1954)·Bob Esponja: O Filme·O Brother, Where Art Thou?·Troia (filme de 2004)
  • Podcast Jornada Mítica· CulturaPodcast narrativo·Mitologia grega
  • Deuses Gregos e suas Características· CulturaHermes·Zeus·Hera·Apolo·Atena·Ártemis
  • Funções da Mitologia· CulturaMística·Cosmológica·Sociológica·Pedagógica·Arquétipos
  • Heróis Gregos e suas Falhas· CulturaHércules·Teseu·Judas·Agamenon·Thiago Aquino
  • Mitos Específicos e suas Variações· CulturaAna Rucos·Medeia·Anitta·Adão·Minotauro·Eros e Psiquê
  • Mitologias Comparadas· CulturaMitologia Nórdica·Mitologia Africana·Mitologia Indiana·Mitologia Romana
Transcrição182 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
GFGabriela Franco

Oi, eu sou a Gabriela Franco e eu sou o Thiago Cardim e esse é o Imagina Se Pega no Olho, um podcast gravado na sala de casa com notícia, opinião e muita, muita chacota. Senhoras e senhores, senhores e senhoras da seleta audiência do Imaginando, Pegando o Olho, cá estamos. Você está conosco aqui fazendo uma viagem no tempo. Vamos fazer uma viagem no tempo diretamente para Grécia Antiga. Calma, pera aí. Antes de qualquer coisa, a gente vai falar sobre Odisseia, mas este não é um podcast sobre Odisseia.

É bom que fique claro, tá? Tanto é que sim, a gente está trazendo aqui um cara que manja para caralho de cinema, que já esteve conosco aqui, que é o Rafael Alemão, que você das redes sociais deve conhecer como o cara da locadora. Mas espero que, aliás, você aí que tem idade suficiente para entender o que é um conceito de uma locadora, enfim. Mas a gente está falando, na verdade, com uma outra faceta do Rafa aqui hoje, que não é o cara da locadora em si, mas sim o cara da jornada mística, mítica, mística, não jovem místico, jovem místico, jovem místico é um outro podcast que a gente já gravou.

Já tínhamos um podcast sobre Jovem Mítico aqui. Jornada Mítica é o podcast do Rafa, é o podcast novo que o Rafa lançou, que é justamente falando sobre mitologia. Então a gente achou que o assunto— e é engraçado que a gente já tinha gravado isso, acho que é importante também a gente levar isso em consideração. A gente já tinha gravado, não, perdão, a gente já tinha combinado de gravar antes de surgir toda a polêmica em torno, que a polêmica tomou conta das redes.

Nós estamos gravando isso exatamente para você que tá ouvindo esse podcast no futuro. A gente está gravando isso no dia 29 de julho. Nós estamos gravando no momento em que as redes sociais foram tomadas por toda a polêmica. Elas já vinham, enfim, sendo tomadas e retomadas de assalto por polêmicas e mais polêmicas envolvendo a odisseia do menino Christopher Nolan. Só que as redes sociais foram tomadas pela polêmica da tradutora da Odisseia, que também resolveu se— a tradutora mais recente da Odisseia, que resolveu se manifestar a respeito e tudo mais.

Enfim, então vai falar um pouquinho sobre esse assunto. Antes de qualquer coisa, Rafa, muitíssimo bem-vindo de novo ao Imagina, Pega no Olho.

RARafael Argemon

Oi, Thiago, Gabi, oi, vocês que estão ouvindo aí.

GFGabriela Franco

Eu gostei do jovem místico, mas é o jovem mítico no caso.

RARafael Argemon

É um jovem mítico. É, se bem que falar mítico, mito, às vezes é meio complicado, mas pois é.

?Voz A

Irei que você falasse um pouco sobre o podcast, como que você teve essa ideia, por que você teve essa ideia.

RARafael Argemon

É, eu sempre fui apaixonado por mitologia grega. Acho que todo mundo que trabalha com escrita, com narrativa, né, não tem como não ser apaixonado por mitologia grega, né, que no fim das contas é a base de tudo. Por isso até eu acho que a Odisseia tem esse, atrai tantas pessoas, porque é uma história que ela é meio que a base para o que a gente conhece como história, né, até no formato. Que é um formato até bem moderno, a narrativa da Odisseia, né?

Ela pula no tempo, vai e volta. É bem, cara, é incrível, né, você pensar num texto de quase 3.000 anos que faça uma coisa dessa, né? Tem ainda coisas que a gente usa até hoje, né, narrativamente. E assim, eu sempre adorei. E uma coisa que eu gosto bastante de alguns anos para cá, são os podcasts narrativos. Eu até comecei, na verdade, antes dos podcasts, eu comecei a ouvir audiobooks. Começou engraçado isso, começou com Game of Thrones por causa da série, lá na primeira temporada, faz tempo.

Eu nunca fui muito chegado nesse tipo de fantasia medieval assim e tal, Nunca fui muito fã assim, não. Mas quando eu vi a série, eu achei interessante, resolvi comprar o livro. Só que na época não tinham lançado ainda a edição em português, foi bem no comecinho da série mesmo. Então ainda não tinha saído em português. Eu lembro que eu comprei em inglês mesmo. Só que eu pensei, nossa, eu vou demorar. Eu sempre fui um leitor lento, mesmo em português.

Então imagina em inglês, eu ia demorar um ano para ler o negócio. Aí eu pensei nos audiobooks, falei, caramba, será que dá para baixar esse tipo de coisa? Na época era impossível, a não ser desse jeito, porque não tinha nenhum canal oficial disso no Brasil. E eu tinha um iPod, um iPod que, nossa, eu lembro que eu paguei uma fortuna no iPod assim e tal, e eu consegui baixar o audiobook do Game of Thrones para ouvir lendo o filme ao mesmo tempo.

E cara, eu fiquei viciado nisso, eu fiquei viciado porque eu lia rápido. E nossa, isso ajudou muito, muito, muito meu inglês. E o audiobook do Game of Thrones era todo lido por um cara que chama, chamava-se, né, que ele já foi, já foi para o outro mundo, é o Roy Dotrice. É um ator já velhinho, dentro nessa época do audiobook, é que fez— ele faz o pai do Mozart no Amadeus. Ele fez um papel, é, ele fez um papel pequenininho na segunda temporada do Game of Thrones ali, de um alquimista.

E ele é assim, é incrível o audiobook, ele faz todas as vozes dos personagens diferentes e tal. É, eu amei, eu amei aquela história mesmo, é contando história mesmo assim, é incrível.

?Voz A

Tem muito audiobook que é assim, tem muitos que é o autor lendo.

RARafael Argemon

Esses são os que eu menos gosto. Eu gosto quando é ator, atora, e até às vezes mais do que um lendo e tal. Nossa, é incrível, é muito legal. E aí comecei a ficar fascinado com esse tipo de narrativa de áudio, né, que a gente pode chamar que é rádio, né.

?Voz A

Mas pois é, novela de rádio, né.

RARafael Argemon

É novela de rádio. Só como eu não tive experiência de novela de rádio, essa foi minha primeira novela de rádio, e eu amei. E aí quando começou a se popularizar os podcasts e tal, eu acabo escutando muito podcast em inglês porque eu gosto para também sempre ficar exercitando e tal. E é, e outra, lá fora tem muito mais, uma quantidade muito maior desse estilo de podcast narrativo. E foi aí que eu fui me apaixonando por isso e tô sempre escutando podcast narrativos, normalmente de fora, né?

Aqui ainda já tem um pouco mais, agora tá aparecendo mais e tal. E aí eu pensei, né, pô, por que que eu não faço um narrativo de mitologia, né, que eu gosto tanto e tal? E aí eu resolvi fazer. Eu fiz a primeira temporada, comecei em março, fiz os episódios assim meio que na minha cabeça mesmo de ordem. Ah, vou fazer um do Sísifo, vou fazer um do Midas, do Édipo e tal. E aí eu ia juntando umas historinhas nas outras e tal. Só que aí quando anunciaram a Odisseia, eu pensei, caramba, pô, vou ter que fazer uma coisa boa, né?

O pessoal vai estar falando da Odisseia e tal. E aí eu me me organizei para lançar o último episódio na semana que saiu o filme. Aí eu consegui fazer, e eu fiz a segunda temporada especial só de Odisseia. E cara, é muito interessante porque assim tem muita coisa que tem no podcast que não tem no filme, porque ele conta muita coisa. E olha que eu dou uma resumida também, eu dou uma resumida também.

?Voz A

É aquela coisa, né?

RARafael Argemon

É, e assim, é, mas é muito legal porque me deu uma, fazendo podcast, me deu uma refrescada na memória também da Odisseia. Reli, eu não li inteira, mas li umas boas partes dessa tradução da Emily Wilson, que é essa tradutora que o Nolan se baseou, né, porque ela é mais moderna, ela modernizou muita coisa ali, deixou mais simples, entre aspas, ali o texto. Eu gosto muito de uma versão também que não se fala aqui no Brasil, que eu acho que nem lançou, que é a do Stephen Fry.

O Stephen Fry todo mundo conhece como ator, né, mas ele também, ele manja muito, muito mesmo de mitologia grega e tem livros sobre mitologia grega. E os audiobooks assim, o Stephen Fry é o melhor contador de história que eu já ouvi assim.

?Voz A

Ele tem uma voz maravilhosa primeiro, né?

RARafael Argemon

Tipo, é deliciosa, é deliciosa. E como os livros são dele, então, então ele ainda faz umas inserções lá no meio e tal, são muito legal. E assim, a versão dele é bem pop mesmo, essa aí é bem simplificada e pop, mas é muito gostosa também, muito gostosa.

GFGabriela Franco

Vamos lembrar que Stephen Fry é nada mais nada menos do que o narrador do Pocoyo. Vamos só deixar isso claro.

RARafael Argemon

Não, ele faz muito trabalho de narração, né? O áudio, a coleção inteira do Sherlock Holmes com audiobook dele é fantástica, uma das coisas mais gostosas assim. Eu muitas vezes eu saio andando por aí ouvindo É o Stephen Fry.

?Voz A

Eu fui ver se o Stephen Fry era linguista, mas não, ele é simplesmente um amante das letras, é isso. Ele gosta, ele é um intelectual e ele gosta, e ele é um roteirista e ator, né? Então ele é formado em dramaturgia, óbvio, então ele tem um estofo aí. Mas é isso, ele gosta de mitologia, gosta de letras, de literatura, e ele se mete a fazer as coisas.

RARafael Argemon

É, eu acho que esse da Odisseia ainda não lançou no Brasil. Eu acho que ainda não lançou. Eu acho que lançaram dois deles, que é o Mitos e o Heroes, que é o Mitos e Heróis, né, que são muito legais também, bem gostosos de ver. Você que tá ouvindo aí, quer começar na mitologia grega, eu acho legal começar por esses livros que são bem mais palatáveis aí para os leigos.

?Voz A

Você tinha falado que você ficou, que você acabou lendo com audiobooks, acabou absorvendo os livros muito mais rápido, na verdade, né? E que você se apaixonou. Eu li recentemente, não recentemente, tô mentindo, faz um tempinho já, mas eu li que as pessoas que têm dificuldade de concentração, galera que tem TDAH, dificuldade de concentração, opta muito mais por audiobook. É muito melhor, elas se concentram muito mais e eles acabam lendo mesmo, né, absorvendo o conteúdo do livro de uma forma muito mais fácil, melhor.

RARafael Argemon

O áudio, eu me apaixonei por esse negócio das audionovelas, né, do podcast narrativo. Por isso é um negócio incrível, você, você é transportado mesmo por esses mundos, né, tem uma imersão assim. É que eu gosto também dos livros Eu gosto de ler junto porque aí é, isso me ajuda no inglês também, porque tem que saber muito, muito, muito. Quando você tá fazendo duas, uma coisa de duas coisas, lendo, é como você, sei lá, numa aula tá vendo e anotando, sabe?

Quando você usa a escrita junto com a visão ou audição junto com a visão, nossa, É, você tem um aprendizado muito maior, você fixa muito mais as coisas.

?Voz A

É muito legal, é muito bom.

GFGabriela Franco

Boa. Deixa eu dar só, antes da gente falar especificamente sobre a metodologia grega, e aí claro falar sobre Odisseia, e aí vai acabar entrando no meandro do filme, não tem muito como fugir. Mas queria dar dois passos atrás antes, até para o nosso querido ouvinte, para a gente poder definir o que é mitologia. Pois é, o que diabos é mitologia para pessoa que está ouvindo aí do outro lado?

?Voz A

Aí temos o, na verdade, né, Rafa, fala você, cara.

RARafael Argemon

A mitologia, bom, eu acho que ela se mistura um pouco com religião, né? Porque meio que é uma forma de se explicar. É engraçado, né? Não tinha ciência, então a forma de se explicar e se compreender a natureza, principalmente as coisas que cercavam a gente e a gente não entendia como ela funcionava exatamente, foram se criando os mitos, né, foram se criando deuses, entidades. E isso é muito curioso porque isso acaba também, acabou misturando com a cultura da, da própria religião, aquele próprio povo.

?Voz A

Exatamente, ele serve para explicar a vida, na verdade, né, da onde as velhas perguntas: quem somos nós, de onde viemos, para onde vamos? É isso que me perguntava. Né, até coisas muito práticas do dia, assim, do tipo como as crianças nascem, assim, né?

RARafael Argemon

Por que que o sol sai ali? Por que que aquela luz sai dali?

?Voz A

Por que pessoas morrem?

RARafael Argemon

Por que nada cresce, né?

?Voz A

Isso, exatamente. Porque tem uma deusa que cuida, né? É isso, tem, ela cuida da, assim, coisas que são científicas e não havia uma resposta para isso. Sendo que o grande rompimento na filosofia é quando você separa a ciência da mitologia, né? Tipo, quando eles começam a perceber que, tipo, matemática, por exemplo, geometria, não é mitologia. São cálculos, são ciências, é ciência, né? Existe outra coisa por trás daquilo que não é um mito, né?

E o Joseph Campbell, que é o grande mitólogo, né, que a gente, que todo mundo fala, ele fala que além dessa, dessa parte didática, a mitologia tem 4 funções, na verdade, né. Tipo, a mística, que ajuda a sentir admiração e respeito pelo que a gente não consegue explicar, né, pelos mistérios do universo. A cosmológica, que é a questão da natureza, tipo, de onde o sol nasce, para onde ele vai, por que que depois do sol vem a lua, por que que tem um monte de estrela.

A sociológica, que é tipo manter as regras da sociedade. Por quê? Porque eu não posso matar meu amiguinho, entendeu? É isso, porque existem leis, bababá. Por que que a mãe não pode dormir com o filho? E coisas assim, que para a gente hoje é básico, antigamente não era. Pensa bem, no começo da humanidade as regras precisaram ser estabelecidas. E a pedagógica Que nada mais é que ensinar para diferentes idades tudo isso, né? Então, tipo, aí tem mitologias, exatamente.

E aí a mitologia explica tudo, tipo. E aí tem os arquétipos, a gente vai para Jung, que também bebeu da mitologia, né, tipo, para explicar os arquétipos dentro da psicologia, de como que a gente pensa. Por isso que tem o Complexo de Édipo, Complexo de Electra, todos baseados na mitologia, né? Totalmente baseado na mitologia.

RARafael Argemon

Você não pode dissociar o ser humano da mitologia, mesmo hoje, porque ela tá com a gente desde sempre, independente de qual seja essa mitologia, de onde ela vem. Ela, a gente pode não utilizar mais ela para explicar as coisas cientificamente, mas ela tá na gente, tá na gente, tá intrincada, com certeza. Exatamente. E esses arquétipos aí, eles ainda fazem parte da construção de muita coisa na sociedade. Essa questão das leis, né, o pessoal fala muito no filme, menos no livro, mas muito no filme da Lei de Zeus, né, que a Lei de Zeus e tal.

?Voz A

Exatamente, era uma, é um tipo de mitologia que servia para organizar a sociedade. Você não pode matar o forasteiro, né? O forasteiro também não pode abusar da boa vontade do anfitrião e todas aquelas coisas. Mas, por exemplo, a mitologia tá na ciência, na astronomia. Todos os planetas são seres mitológicos, as constelações são seres mitológicos. Então assim, então quando você estuda astronomia, você estuda mitologia. Os dias da semana são seres mitológicos, são baseados nos deuses. Então tá no nosso dia a dia muito mais do que a gente pode imaginar.

RARafael Argemon

E algo tão antigo, você sabe, né?

GFGabriela Franco

Existia os Cavaleiros do Zodíaco, você sabe muito bem. É isso. Deixa eu levantar uma bola importante aqui só. Portanto, a gente tá falando, óbvio, de muitas metodologias diferentes. Claro que a gente vai falar aqui sobre a mitologia grega, mas a gente tem obviamente, até por absorção da cultura pop, né, enfim, a gente tem a cultura nórdica que a gente tá acostumado. Até a gente vê muito isso, obviamente, nos filmes, bem diluído obviamente nos filmes da Marvel, mas a gente tem isso, enfim, um monte de séries e mesmo bandas de rock, de metal e tal, que absorveram coisas da mitologia nórdica, né?

Odin, Thor, Loki, por aí vai. E a gente tem outros tipos de mitologias diferentes, africana, candomblé, por exemplo, que a gente vai ver muito nesse dessa série de, quer dizer, tem um filme, mas como a gente conhece Hollywood, tudo acaba virando uma franquia, né? Tudo acaba virando uma série. Enfim, a coisa dos Filhos de Ossos e Sangue, né, que é o livro, né, Filho de Sangue e Ossos, isso, inverti, que é o que vai virar filme.

E eu que acredito que deva virar uma franquia, né, então tem todo o potencial Para isso, né, mitologia africana, a gente tem mitologia indiana, tem a mitologia cristã que tem lá um tal de um Jesus Cristo e do macho que fala, e o fulano que tinha o cabelo comprido e era mais forte do que todo mundo. Enfim, mas por falar na mitologia que está na Bíblia, aí desculpa se você que tá ouvindo a gente ficar doído com isso, mas é verdade.

Não posso negar, tá? Essa mitologia que está ali na Bíblia é o que as pessoas— é aquilo que o Rafa tava falando no começo, se mistura com religião. Então as pessoas acreditam nisso, de fato ela tem a fé, né? Elas acreditam naquilo como a religião delas. Sim, sim, é importante que a gente pense nisso porque a gente tem essa tendência, como a gente absorveu esses personagens pela cultura pop, né? Ou seja, tem o Hércules, Olimpo, Zeus e tal, a gente tende a pensar neles como personagens apenas, tão somente, mas não se recorda que de fato aquela era, e não sei até se ainda é para algumas pessoas, enfim, a religião dos caras. Eles não acreditavam em Deus, em Jesus Cristo, eles acreditavam em Zeus.

RARafael Argemon

É, não tinham, não só esse negócio de Deus único é muito moderno comparado com, né, com o politeísmo né? E eles falam, eles fazem sacrifício o tempo todo, eles têm que honrar os deuses e pedir favores para os deuses, eles têm que dar alguma coisa em troca. Então, exatamente, porque a mitologia grega e muitas outras, assim, o que eu acho que é mais interessante é que os deuses, eles são muito mais parecidos com os homens do que, por exemplo, no cristianismo, por exemplo, É, né, os deuses, tirando Jesus, que tem essa ligação direta, né, porque ele era um ser humano, mas ao mesmo tempo é um deus, né.

Às vezes é meio difícil de explicar, mas, né, o divino nessas religiões monoteístas é muito mais inalcançável, né, muito idealizado, é muito mais idealizado do ser humano, né. Nas politeístas não. Os deuses, eles têm inveja, eles têm raiva, eles têm, eles são bem sacanas às vezes, né? Fazem, ouça, o Zeus, nossa senhora, né? O que o Zeus pulou de cerca não tá no gibi, né?

GFGabriela Franco

Então eu pergunto, e aí eu queria perguntar, na verdade, assim, o quanto a gente enxerga quais seriam essas, né, as diferenças na verdade entre esta mitologia grega em específico e outras mitologias que a gente acaba sendo exposto pela cultura pop hoje de maneira mais regular assim, né. Ou seja, a mitologia nórdica, enfim, a mitologia africana, tem um pouco da indiana também, não sei o quê. O quanto a mitologia grega ela se diferencia dessas outras mitologias de outras partes do mundo?

RARafael Argemon

Cara, eu acho que na base é a ideia a mesma, sabe? Mas o que eu acho que a grega tem de diferente é que ela, o marketing dela é mais pesado, exatamente porque a gente tá falando da narrativa, né? O fato de como é, como ela foi passada oralmente, né, primeiro, e depois escrita. Tanto que, né, o pessoal, não sei se sabe, mas o Homero muito provavelmente não existia um cara chamado Homero. Eram vários textos e que foram se juntando.

?Voz A

Oralidade aí.

RARafael Argemon

Exatamente, porque vieram da narrativa oral, né? O pessoal ia contando as histórias. Passando de um para o outro. Aí alguém resolveu colocar no papel, aí um outro também, uma outra parte, vamos organizar, acabou com o tempo se juntando e formando o que é a Ilíada, que é a Odisseia, que são os textos assim básicos do que formou a nossa narrativa no Ocidente. É bom, é bom colocar aí, porque, por exemplo, e até interessante que no filme eles colocam, né, que eles estão indo para onde o sol se põe, né?

Eles estão indo para o Ocidente, eles estão levando a mensagem para o Ocidente. Ela é muito mais calcada. É que como a gente tá no Ocidente, a gente também às vezes acaba esquecendo que existe o Oriente, né? Com certeza a mitologia grega não tem a mesma base na narrativa deles do Oriente, porque tem mitologias muito fortes dentro, a indiana, por exemplo. Eu lembro, eu lembro que uma vez eu vi um filme há muito tempo que é o Mahabharata.

Nossa, não entendi absolutamente nada. A mitologia indiana, eles têm milhões, é uma loucura total assim, é uma loucura total assim. E a gente, a gente não tem essa, a gente não teve essa influência tão forte da mitologia indiana, japonesa, chinesa, né, chinesa, a gente não tem muito forte na gente aqui. Então, falando em termos de Ocidente, a base, a base da narrativa, do jeito que a gente constrói contar uma história, vem da mitologia grega.

Então, e a romana, na verdade, é uma dissidência, não é a dissidência É simplesmente uma continuação, uma cópia, adaptação, é uma adaptação da Grécia.

?Voz A

Exatamente, que vieram os gregos, depois romanos. Romanos na verdade colonizaram grande parte do Ocidente.

RARafael Argemon

Então, exatamente. Então, e tem esse negócio, né, que o Enéas, o Enéas que era de Troia, ele saiu de Troia, ele fez o caminho contrário dos gregos, né. E ele acabou chegando na região onde a Itália e tal, e ele acabou formando os romanos, né? E ele e os romanos acabaram vingando Troia, né? Porque eles tomaram conta, a Grécia acabou, a Grécia Mediterrânea, aquela parte do Mediterrâneo, eles tomaram tudo aquilo e meio que assimilaram a mitologia grega e transformaram no deles.

E tanto que os nomes, né, da de planetas e tal acabam seguindo mais os nomes romanos do que os gregos, né? Mas basicamente é a mesma coisa, mas basicamente a mesma coisa.

?Voz A

Mas também, mas aí também tem a barreira da língua, é isso. Tipo, o grego era totalmente o alfabeto grego, completamente cirílico, completamente diferente do nosso. Romano é latino, é isso.

RARafael Argemon

É até interessante, né, quando a gente vê na Bíblia e tal, o grego era meio que um inglês dessa época assim, uma língua que muita gente falava para poder falar com pessoas. Mas é mais ou menos assim. Aí o latim tomou, né? Aí o latim foi tomando conta porque os romanos tinham uma coisa que os gregos conquistaram muito mais. Exatamente, eles eram expansionistas, né? Os romanos conquistavam, conquistaram metade do mundo ali Então às vezes mais da metade, né?

Então o latim acabou tomando conta e também acabou sendo muito importante na narrativa, da construção da narrativa do Ocidente.

?Voz A

Pode falar, Rafa. Eu queria que você falasse agora quais são os seus mitos prediletos, assim, tipo, ai, cara, eu tenho um que eu gosto demais, meu preferido. Eu sei que a gente, é claro, tem um ranking, porque são muito que a gente gosta, mas eu queria que você fizesse lá os seus top 3 que você mais gosta.

RARafael Argemon

Ah, eu tenho um, o meu deus preferido é o Hermes.

?Voz A

Também é comunicador, né, jornalista.

RARafael Argemon

Eu adoro o Hermes, e é uma pena que ele não tá no filme, na Odisseia, pô, porque o Hermes é muito bom.

?Voz A

Ele tem um papel importante.

RARafael Argemon

E outra, ele é, o Odisseu é descendente do Hermes. É, ele é, sei lá, bisneto ou alguma coisa assim, tal, direto do Hermes, que é o mito dele, é muito divertido porque ele era uma criança, né? Ele já nasceu falando, ele mal deu umas duas choradas e já começou a falar. É, ele fez uma fogueira, é um geminiano, ele bateu duas pedrinhas, ele tava numa caverna, né, porque a mãe dele tava escondida. Porque teve o filho com o Zeus, né, e tava com medo da Hera, né.

E ele nasceu lá no meio da caverna, caverna escura. Ele já pegou duas pedrinhas, bateu, fez fogo. Todo mundo ficou, caramba, nossa, tal. E aí logo depois ele foi dar uma andada e roubou o gado do Apolo. E o Apolo ficou p da vida, apareceu lá. E ele enganou o Apolo, ele fez a lira, a lira do Apolo. Que ficou conhecida depois foi o Hermes que fez. O Apolo ainda não tinha tocado. E aí, não, é muito bom, eu adoro.

?Voz A

E o Hermes é o meio, o Hermes é o meio trickster, né, da mitologia grega.

RARafael Argemon

Sim, sim, é assim, ele é o Loki, ele é o Loki. É, ele é o, ele é o, ele protege os ladrões, os mentirosos, mas ao mesmo tempo porque ele é bom de lábia.

?Voz A

E é justo também porque ele é bom de lábia, né.

RARafael Argemon

E ele também é um mensageiro, né? É, ele também é um mensageiro. Ele era o primeiro mensageiro de levar as pessoas para o Hades. Então meio que faz o papel da morte. Ele meio que era a primeira morte. Depois ele, ele não que ele perdeu, né? Ele foi promovido, parou de ter esse papel.

?Voz A

É o deus que a gente chama de psicopompo, né? Que o deus condutor, né, tipo a pessoa que leva a outra.

RARafael Argemon

O cajado dele, né, acabou se transformando no símbolo da medicina. Os deuses são muita coisa, né, são de muitas coisas. E o Hermes tem essa pegada. E o Odisseu herda muito essa pegada sacaninha do Hermes, assim, cheio de esquema, mentiroso para caramba e tal. E é uma pena, eu acho uma pena que no no filme se perde isso, sabe, essa personalidade mais malandra do Odisseu, né. Eu adoro a Odisseia, eu adoro Odisseu, personagem do Odisseu, mas também tudo que tá em volta da jornada dele tem personagens muito interessantes.

Até eu vi um vídeo, acho que ontem mesmo, que o Professor Moreno lá do do podcast Noites Gregas, né, ele achou a versão do Nolan muito misógina porque as mulheres ali em volta do Odisseu tinha um papel muito mais importante, muito mais fortes do que aparece no filme, né. A Calipso, por exemplo, o Odisseu era um escravo dela, era um escravo sexual dela.

?Voz A

Eu não achei que foi misógino, mas eu achei que algumas mulheres tiveram menos agência que outras, entendeu? Sabe, é que não dá para mostrar tudo, mas assim, exatamente, mostrar muito mais a Circe, por exemplo, e a Penélope.

RARafael Argemon

Eu acho que assim, você até parece rápido, né? Até parece rápido, né?

?Voz A

E ela rouba a cena, né?

RARafael Argemon

A Penélope, ela até aparece algumas características dela lá, que ela é esperta para caramba, que nem o Odisseu. Ela inventa umas coisas. Ela não era uma coitadinha, entendeu? Aliás, então eu acho que é isso que ele tá criticando ali, que as mulheres têm um papel muito grande na mitologia de não subserviência, sabe? A Hera, por exemplo, o Zeus morre de medo da Hera.

?Voz A

Todo mundo morre de medo dela. Nossa, ela ela quando ela fazia o barraco, ela ia atrás de cada humana que Zeus foi lá.

RARafael Argemon

E ela, um cara que teve a vida ferrada por causa da Hera, que é um dos mitos que eu gosto muito, é o Hércules, né, que é o Hércules. É um personagem que eu gosto muito porque ele é muito falho, né. Todos os personagens da mitologia são falhos, né. É que eu gosto dele porque ele faz besteira, porque ele tem pavio curto. Aí ele faz merda para caramba e depois se arrepende das merdas que ele fez. E as merdas que ele vai fazendo só vão empilhando problema para ele assim e tal.

?Voz A

Mais ou menos assim. É claro que o Odisseu faz muita também, faz muita merda também, mas eu acho que ele no filme a gente meio que mostra isso, tipo ele tomando umas atitudes que a gente fala, amigo, não, né? Não faça isso.

RARafael Argemon

Ah, com certeza. Mas é que assim, são São suavizados, muito menos.

?Voz A

É suavizado, ele tem uma, ele na verdade ele tem uma aura de paladino, né? No filme do Nolan ele tem uma aura de herói ainda.

RARafael Argemon

Ele é um cara que, então, é que a noção do herói mais moderna, né? Não é a noção do herói antigo.

?Voz A

Por mais que a gente, é, por mais que a gente, que ele falhe durante toda a jornada, ele falha bastante, é, mas na Odisseia isso fica muito mais claro. De que ele falha muito, entendeu? De que fica muito—

RARafael Argemon

é que a gente tem a noção de herói que a gente tem é essa do bem, né? É muito— ela é muito definida que o herói é o bom, o vilão é o mal. Só que na mitologia grega não tem isso, é tudo muito cinzento. Aliás, nas mitologias como um todo não tem isso, tudo é cinzento, sabe? O herói na verdade é o ser humano que consegue chegar mais perto de um deus pelos feitos dele, não porque ele fez o bem, não porque ele fez o bem, não. Eles eventualmente fazem coisas boas, mas fazem muita merda também.

?Voz A

E assim, o que ele mostra é o que eu acho que o peso que o Nolan quis dar para— eu gostei da Odisseia, gostei bastante. Eu não achei que que foi misógino, não. E olha que eu li Odisseia mais de uma vez, inclusive, e eu gostei. Eu achei que as mulheres tiveram agência. Eu achei que, eu acho que podia ter tido mais tempo para elas. Eu acho que teve coisas ali que, tipo, passou muito tempo mostrando os caras no barco, e tipo, não precisava.

Tipo, podia ter cortado aquela parte. A gente já entendeu que o cara tava Tava muito tempo, tava perdido, entendeu?

RARafael Argemon

A gente, eu acho que Atena, por exemplo, né? Atena, pô, Atena é uma figura super imponente e ela mesmo começa o, ela mesmo que dificulta no começo a volta dos gregos porque ela fica revoltada com que os gregos fizeram.

?Voz A

Eles não fizeram, né?

RARafael Argemon

É que a gota d'água foi que o Ajax, um dos Ajax, né, que tem dois, o outro já tinha morrido, estuprou a Cassandra dentro do templo de Atena. Então isso foi um sacrilégio total, e ela já tava revoltada com o que eles estavam fazendo. E aí foi a gota d'água, e ela mesma interviu para que os gregos se ferrassem na volta, né? Aí depois ela meio que vai perdendo a raiva e E ainda mais com Odisseu, que é o preferido dela, ela acaba depois ajudando Odisseu.

E é que no filme a Atena retratada de uma forma— mas aí eu entendo, porque o sentido que o Nolan quer dar ali é que ele, o Nolan, não, ele odeia fantasia, entendeu? Ele odeia, ele quer transformar tudo numa coisa como se fosse real, é como se fosse que existisse dentro desse mundo. É, então ele, ele coloca a Atena como uma, na verdade, a projeção de uma moça que tava em Troia, né?

?Voz A

E na verdade é uma culpa que Odisseu carrega.

RARafael Argemon

Exatamente.

?Voz A

O filme todo é uma culpa, o filme todo é ele espiando a culpa do que ele fez. É ele olhando, falando, caralho, que bosta que eu fiz! E aí ele fica espiando essa culpa. E a Atena é a menina que ele viu ser morta na frente dele ali.

RARafael Argemon

Tipo, exato. Então perdeu a força nessa versão assim. Atena, pô, é muito—

?Voz A

perdeu a força de deusa. Mas eu não acho que ela perdeu a força. Eu acho que ela quis— eu acho que ela tá—

RARafael Argemon

então ela acaba sendo uma consciência dele, sabe? Ela não tem—

?Voz A

ela acaba sendo a consciência dele.

RARafael Argemon

É, ela não tem o peso individual da personagem ali. Que tem uma importância muito grande na história, é essencial o que ela faz para ajudar. Por exemplo, no filme ele nem é disfarçado pela Atena, né? Ele só coloca um capuz. Aliás, eu acho até estranho, pô, como é que a esposa dele não percebeu que era o cara pela voz?

?Voz A

Pela voz, exatamente.

RARafael Argemon

Na última estreia mesmo, a Atena faz uma mágica lá, ele fica irreconhecível mesmo. Então não tinha como conhecer e tal. Então Atena, ela é muito mais atuante na Odisseia do que tá no filme. Eu acho que isso acaba fazendo a personagem dentro do filme perder a força que ela tinha dentro da história.

?Voz A

E como outros, como outros que sumiram também, nem aparece, né?

RARafael Argemon

Nem aparece. Aliás, ela deusa que aparece, e mesmo assim numa representação muito mais mundana do que normalmente se imagina.

?Voz A

Na própria Calipso ficou tipo, a Calipso é uma musa, uma deusa que oculta, que ela é isso que ela faz com Odisseu, ela oculta a presença dele do mundo.

RARafael Argemon

Ela põe, é, então é que é, e aí no filme eles misturam a questão da flor de lótus, que na verdade é da primeira, da segunda ilha que eles vão, não tem nada a ver com a ilha da Calipso. Ele sabia muito bem. O Odisseu, na Odisseia mesmo, no texto original, ele sabe muito bem onde ele tá. Ele tá exatamente, tá doidão lá. Ele sabe muito bem disso.

?Voz A

Uma hora que ele fala, não, ok, preciso voltar. É isso.

RARafael Argemon

Mas ele tá, não, na verdade, a Atena que intervém, enche o saco do Zeus. Zeus, de saco cheio, fala, tá bom, tá, te ajudo, libero lá. O Hermes vai até lá, a ilha da Calipso, e fala com ela. E aí a Calipso fica revoltada, com toda razão, e fala assim: pô, por que que só comigo? O Zeus pode ter as amantes que ele quiser, você já teve, falando para o Hermes, e eu não posso ter? Aí ele fica: é, não sei, talvez, mais ou menos, mas o homem tá mandando, o homem tá mandando.

?Voz A

Então Porque Atena interviu.

RARafael Argemon

Exatamente, é, exatamente. Então Atena tem uma— ela é, ela é um dos personagens principais da Odisseia. Assim, ela é, ela, ela é até um, ela é até um artifício de roteiro, né, de você sempre ter alguém que faz o quê? Literalmente, é o rumo da história ali. Para você ver, até nisso tá aí, né, uma coisa que a gente usa até hoje.

?Voz A

É, exatamente. A frase Deus ex machina quer dizer tipo intervenção dos deuses, né? Tipo, exatamente, que muda o rumo das coisas completamente.

RARafael Argemon

A mitologia grega tem o tempo inteiro nas histórias.

GFGabriela Franco

Uma das coisas que a Emily, a tradutora, disse, apesar dela ter enfim tido questões com a adaptação que o Nolan fez e tudo mais, Uma das coisas que ela fala no fim da declaração dela, que eu acho bem interessante, é ela dizendo que ela acredita de fato que é o tipo de coisa que ela já está vendo isso acontecer, inclusive, né? Esse tipo de adaptação acaba causando naturalmente um aumento no interesse das pessoas pela obra original.

Ela mesma disse que viu isso, né? Ou seja, a própria obra com a tradução dela sendo mais vendida para caramba.

?Voz A

Não, ela meteu o pau no filme e depois no final ela falou, não, mas pelo menos tá vendendo.

RARafael Argemon

Não, eu entendo a crítica dela. Ela criticou o roteiro, na construção do roteiro. E olha, eu até concordo com ela, é uma das partes mais fracas do do filme assim. E eu entendo a crítica dela, mas aí ela colocou, ah, o roteiro, tudo bem, ela não precisava ter usado as palavras tão fortes como ela usou. Mas aí logo depois ela agradece porque o filme ajuda as pessoas a comprarem os livros, a se interessar pela mitologia, a literatura. Então isso é legal, cara. A arte se retroalimenta, né?

GFGabriela Franco

Isso que é exatamente, exatamente. Mas o que eu ia te perguntar é o seguinte: você acha que, óbvio, aqui a gente tá falando de uma adaptação muito mais direta, né? Mas você acha que obras, por exemplo, como Percy Jackson da vida, por exemplo, também tem algum tipo de reflexo nesse sentido? Ou seja, que é uma, um olhar obviamente muito mais pop, né? Muito mais pop, uma adaptação, na real, né? Eles pegam os mitos e juntam no liquidificador assim.

RARafael Argemon

Eles queriam fazer outro Harry Potter e aí fala assim, a gente vai fazer com o quê? Ah, faz com mitologia grega.

GFGabriela Franco

Mas você acha que isso é uma coisa que atrai de qualquer forma? Também ajuda a pegar o mais jovem, a molecada mais jovem, a molecada que não necessariamente talvez tem esse mesmo interesse em, putz, vou lá passar 2 horas e meia vendo a Odisseia do do Nolan no IMAX, sei lá, devora os livros que são muito mais palatáveis do Percy Jackson e devora a série do Disney Plus, qualquer coisa que valha. Você acha que isso também é uma coisa que traz algum tipo de interesse pela mitologia original?

RARafael Argemon

Não, acho que sim, sempre, sempre, sempre tem um interesse. Agora, é muito mais eficiente Eu acho que para uma adaptação de uma obra mesmo ligada à mitologia, do que você pegar aqueles personagens e transformar numa outra coisa. Assim, é, na verdade, né, o Percy Jackson faz outra coisa, ele só pega os personagens e tal, né. Agora, é claro, é legal a criança, adolescente, ver o centauro, falou Ah, nossa, quero, quero centauro. Que que eram centauros?

Ah, vê lá o minotauro. Que que era um minotauro? Aí acaba conhecendo a história do Teseu, sabe? Eu sempre tenho isso. Não só eu, por exemplo, tem um jogo que eu adoro, finalmente eu consegui terminar agora, é o 2, né, que é o Hades. Assim, é um game que Adoro, adoro, adoro, adoro. E agora, final do ano passado, lançou o Hades 2, e tem os deuses estão lá o tempo todo e falando e tal. O Hades, na verdade, tem muito mais da mitologia de verdade do que o Percy Jackson, por exemplo.

Tem ele no 2, por exemplo, tem o Odisseu. Você conversa com Odisseu e você encontra vários personagens ali da Odisseia, o Polifemo, A Circe, a Scylla, são chefões, subchefões assim. O Polifemo é um subchefão, a Scylla é um chefão. É, a Scylla tem uma banda de rock com as sereias, e aí você tem que ir atrás delas e tal. É muito legal, cara, é muito legal. E aí eu tenho certeza, cara, esse molecada tá jogando esse jogo, quer saber quem é aquele, quem aquele outro, pô.

E eles têm um visual muito legal, desenha muito, muito chamativo e tal. Com certeza sim, com certeza sim. Isso é ótimo, isso é ótimo. Eu acho excelente tudo que, tudo, mesmo que não esteja relacionado diretamente com a obra em si, ajuda, ajuda. Agora, quando tá relacionado diretamente com a obra, eu acho que é ainda mais eficiente. É, ainda é melhor das pessoas irem atrás exatamente daquela obra que tá se falando, né?

GFGabriela Franco

No caso da Odisseia, você que é jovem que tá escutando aqui esse podcast, no entanto, fica a dica: vá no mínimo ler Percy Jackson ou assistir a série do Percy Jackson e deixa essa merda de Harry Potter para lá. Dito isso, daquela mulher arrombada e transfóbica, mas dito isso, Puts, Rafa, queria juntar agora aqui as suas duas personas, tá? A gente falou da Odisseia, óbvio. Onde mais? Aí a gente pode juntar agora o cara da locadora falando, né?

Ou seja, podemos falar de filmes, de séries, o que quer que seja. Onde mais as pessoas talvez possam, podem cavucar talvez boas adaptações para elas saberem um pouco mais sobre mitologia? No audiovisual?

RARafael Argemon

Ah, tem aqueles filmes clássicos, né, dos anos 50, 60, né, que utilizavam muito— eu não lembro o nome dele agora, qual era o cara que fazia os efeitos especiais?

GFGabriela Franco

O Terry, e o sobrenome dele é absolutamente impronunciável, eu sempre me confundo no sobrenome dele.

RARafael Argemon

Era um cara, era um papa do stop motion, né, que fez muitos desses que é o Jasão e os Argonautas, o filme dos anos 60, se eu não me engano, que é muito legal, muito legal. O Fúria de Titãs, que depois eles adaptaram, fizeram uma adaptação mais nova no começo dos anos 2000, mais ou menos. O próprio, tem um que é basicamente a Odisseia, que é o Ulisses, que é o Ray Harryhausen.

GFGabriela Franco

O Harryhausen, o Harry tá no sobrenome, não no primeiro nome.

RARafael Argemon

Ele fazia todos os monstros, né, porque né? Não tinha, não tinha essa quantidade, essa, os efeitos especiais não eram tão modernos como hoje, né? Tão incríveis e tal, para que, pô, a cena do Polifemo, que eles nem falam o nome no filme, né? É só o flop, né? É excelente, né, cara? Maravilhosa, muito legal, né?

?Voz A

Então tem um humorista dessas coisas também, ele gosta de usar efeito prático, né? Então tipo, ficou legal.

RARafael Argemon

Sim, cara, ficou muito legal.

?Voz A

Gigantes também da ilha lá, como que chama?

RARafael Argemon

É os lestrigões. Lestrigões, é, os lestrigões acabaram, né, no jogo de câmera, né?

?Voz A

Muito legal.

RARafael Argemon

Só é uma pena que assim, eles chegam, do nada, correndo, é, sai correndo, pronto, não fala nada e tá bom.

?Voz A

Esses são os dois trigões. Ah, tá bom, é isso, porque não tem nenhuma. Não, ele nem fala, mas eu que pensei, eu falei, acho que esses são os dois trigões.

RARafael Argemon

Com certeza, é, com certeza, com certeza.

?Voz A

É do nada para coisa nenhuma, tipo, eles estão lá parando, aí entra e nossa, vamos embora, deu ruim.

RARafael Argemon

Então tem o Ulisses, né, que era o Kirk Douglas até, que faz Ulisses e tal. Tem muitas dessas histórias, né, da Odisseia no filme. Mas eu vi um vídeo de um, aquele Entreplanos, é muito, é um canal bem legal do YouTube, que ele dá dicas, né, de filmes que tem a ver com a Odisseia. E ele colocou um que eu não tinha pensado, e é realmente, tem muita coisa da Odisseia, que é o do Bob Esponja, o primeiro filme do Bob Sponja, tem muita coisa da Odisseia lá.

É incrível, né, você vê essas referências da mitologia. Então, se você for pensar, cara, tem muito de mitologia grega em muitos filmes, mesmo que eles não falem de mitologia grega. Então, alguns personagens, algumas personas ali, o jeito de se contar a história, Tem muita coisa. Essa, a própria jornada do herói moderna e tal, pô, ela, ela tá, o começo dela é lá no Gilgamesh, né, que é antes até da, primeiro herói mesopotâmico, até antes até.

Então a gente vai achar muita coisa, mas eu acho que é legal quem tá interessado ver esses essas adaptações mais antigas, diretas mesmo, da mitologia grega, que são bem interessantes, cara. Agora, vai com a mente aberta, porque realmente, principalmente os efeitos especiais, eles são mais precários, cara. Mas é muito, são muito legais, são aventuras assim, muito no sentido literal da palavra aventura mesmo, são aventuras. Muito gostosas.

GFGabriela Franco

Boa. Aquele outro, o outro filme, a outra versão da Odisseia, que as pessoas obviamente relembraram, você chegou a ver?

RARafael Argemon

Vi, vi sim, com Ralph Fiennes e a Juliette Binoche, né? É que ele só pega ele chegando, ele voltando para Ítaca, é só a parte final. É, é bem interessante, mas ele segue, engraçado, porque ele segue uma, uma, ele tem uma mentalidade muito parecida com a Odisseia do Nômade, de tentar fazer a coisa mais realista, menos, não se fala quase nos deuses, não aparece nada, é basicamente o drama pessoal do Odisseu e a sua volta para casa ali em Ítaca.

E ele é todo aquela parte, não tem mais, não tem nada, só a jornada dele já aconteceu.

GFGabriela Franco

Então o regresso, não é isso?

RARafael Argemon

É o regresso.

?Voz A

Eu lembrei de um, Rafa, que é tipo que a gente adora, inclusive, tipo eu adoro, e eu lembro que você gosta dele também, que é do Iorgos Lântimos, que é o Sacrifício do Ser Sagrado.

RARafael Argemon

Sim, que é uma história que tá na Odisseia. É uma história, é, não, minto, desculpa, é uma história que tá na Ilíada, na verdade, porque eles, exatamente, é porque, e até no, é que eu confundi aqui, porque na Odisseia do Nolan ele conta muito rapidamente a história ali, o Odisseu, é até uma cena que na verdade ela não faz sentido nenhum. Porque ele tá em Ítaca falando da ida para Troia, só que ele não voltou ainda. Então a época não bate, na verdade.

Mas é que ele usou aquela cena para explicar o Agamenon ali para Penélope, né? Mas assim, é bem diferente. Na verdade não é uma criança, já é uma mulher adulta. Eles estão indo para Troia Mas numa das ilhas o Agamenon acaba matando um cervo para eles comerem e tal, sei lá. E era um cervo sagrado da Diana.

?Voz A

Oi, da Diana?

RARafael Argemon

É, sim, é que é Ártemis. É, é que ia falar o nome grego, né, que a irmã gêmea do Apolo, que a deusa da caça, de muitas outras coisas, mas principalmente da caça. E ela fica brava e acaba com os ventos. Eles ficam presos nessa ilha e não conseguem ir para Troia. E o tempo vai passando, a comida acaba, vai ficando tudo podre, eles vão ficando doentes. E aí o Agamenon descobre, por meio do Cálcas, que é o, que é o vidente dele ali, que ele matou um cervo sagrado.

E para, como sacrifício para para Ártemis, ele tem que sacrificar a filha mais velha dele. É, e no começo ele fica muito relutante, ele não quer de jeito nenhum, mas chega um momento que começa, que fica impossível, e ele acaba chamando Odisseu e falando para Odisseu ir atrás da, pegar a filha dele lá e contar que ela vai ser noiva, ela vai casar com o o Aquiles. Isso sem o Aquiles saber. O Aquiles fica p da vida também. O Aquiles e o Agamenon não se davam nada bem.

E aí o Odisseu fala, né, então, e o Odisseu fala, meu, essa ideia é péssima, não vai dar certo. O cara insiste, ele falou, tá bom, vou lá, né. Mas ele acha uma péssima ideia porque é óbvio que se ele chegasse lá, falasse que ela ia casar com o Aquiles, A mãe ia querer vir junto, né, que a Clitemnestra, que era irmã da Helena, e ela vai junto, óbvio. E quando ela chegar lá, ela descobre que era tudo uma mentira. Para— e só que aí a Ifigênia mesmo se entrega, ela vê tudo aquilo e tal, e ela se oferece com o Marte para ser sacrificada E tem versões diferentes, né?

Tem versões que ela realmente é sacrificada, mas a que ficou mais popular é que na hora que o Cálcas desce a faca nela, a Ártemis muda, tira ela dali e coloca um cervo. E aí ela vai para uma ilha X lá e se transforma numa sacerdotisa de Ártemis e tal. Mas tem diversas versões, né?

?Voz A

De diversas. Exatamente. Ela, ao longo do tempo, elas vão mudando as versões, cada um aumenta um ponto, né?

RARafael Argemon

Por exemplo, eu tava falando do Minotauro, né? Tem o Teseu, quando ele tá na ilha, tá em Creta lá para se livrar do Minotauro, a princesa lá fica apaixonada por ele e foge com ele. E numa das versões ele acaba deixando ela numa ilha e volta para casa. Então, na verdade, A versão que ficou mais popular é essa, que ele na verdade usou a coitada. Ele não tava apaixonado nada por ela, ele só queria sair de lá e deixou a coitada numa ilha lá.

Mas aí tem a versão também que o Dionísio era apaixonado por ela, então fez ele ir embora para ficar com ela. Então, sabe, a mitologia grega, como muitas, né, como ela veio de tradição oral, você tem um monte de versão diferente também.

?Voz A

Exatamente. Só que o mito de Eros e Psiquê tem um trilhão de versões. É muito, muito, muitas coisas. Eu lembrei de uma também. Bom, a gente pode deixar de falar dos quadrinhos, né? De quadrinho tem um monte de Shazam que tem, tem Mulher Maravilha, gente, Mulher Maravilha Diana, tipo, é certeza, totalmente uma amazona, né? Amazona, exatamente, aparece em várias histórias, em várias histórias também, que é também dos quadrinhos.

GFGabriela Franco

Cinematográfica que eu acho legal a gente lembrar, porque assim, até para mostrar o quanto no fim das contas a coisa tem um impacto, né? Você falou do Bob Esponja, tem uma versão da Odisseia dos Irmãos Coen que é maravilhosa.

RARafael Argemon

Ah, sim, com certeza, né?

GFGabriela Franco

E aí você, exato, filme maravilhoso que eu adoro. E exato, minha ficha foi cair que era uma adaptação da Odisseia muito tempo depois, muito tempo depois. Aí eu comecei, né?

RARafael Argemon

Tá tudo lá.

GFGabriela Franco

Exato, exato, exato. Em um certo momento a ficha caiu, eu falei, eita, é mesmo? Veja só. Aí que eu fui juntando as peças assim. Então isso acho que é uma coisa que não sei entender, né?

RARafael Argemon

É muito legal. O Polifemo é um cara da Ku Klux Klan lá, que é o— ah, esqueci o nome dele agora. Mas tem as sereias.

?Voz A

É, então, exatamente, tem as sereias, tem a enchente lá que fica, que eles ficam presos lá no negócio. Tem, é muito legal, é muito legal. Inclusive, esse filme é com o George Clooney, para quem, se vocês não viram, ele canta e canta super bem, e a música é muito boa.

RARafael Argemon

É muito legal, muito legal.

GFGabriela Franco

Muito bom, é maravilhoso.

?Voz A

Eu lembrei daquela série que a gente tava vendo também, que eu gostei para caramba, e eu comecei a ver porque era sobre mitologia grega.

GFGabriela Franco

Netflix cancelou depois de uma temporada.

RARafael Argemon

Ah, sim, sim, sim, com o Jeff Goldblum. O Jeff Goldblum, é, é que ele era o Zeus, né?

?Voz A

Ele era o Zeus, exatamente.

RARafael Argemon

E assim, cara, e era legalzinha, viu?

?Voz A

Legalzinha assim, adaptada para cultura pop assim, bem tipo contemporâneo, assim, os dias atuais, até os dias atuais, exatamente. E aí, que mais?

RARafael Argemon

Aí tinha o cara lá, tem o Hércules do Sam Raimi lá, que é o da Xena, né? Também tinha o Hércules.

?Voz A

Ah, é verdade, tem a Xena e o Hércules.

GFGabriela Franco

E tem obviamente o filme que talvez tenha sido a grande comparação com a Odisseia por aqueles. E de alguma forma, e se você é essa pessoa inclusive que está ouvindo, que faça o favor de se retirar daqui, porque nós não queremos a sua presença nesse podcast. Mas que obviamente tinha sido usado por toda essa galera, essa galera, galera que usa a expressão woke de alguma forma, de de forma não irônica, né? A pessoa que é o Troia, né?

RARafael Argemon

Ou seja, nossa, eu até revi ano passado, eu revi o Troia e tal, porque eu só tinha visto no cinema na época. Ai, que adaptação mais sem graça, cara! Porque ela tira, ele tira ainda mais os deuses, tudo. Na verdade, os deuses desaparecem, na verdade desaparece, não? E assim assim, ele muda muita coisa ali, coloca o Agamenon morrendo em Troia, não tem nada a ver. O Aquiles, nossa, o Brad Pitt, cara, eu nem acho o Brad Pitt um ator ruim, mas ele tá muito ruim nesse filme.

Nossa, ele tá péssimo, ele tá horrível. Só que aí, como é, e aí visualmente, como eles usam, é, né, só gente branca, loira e tal. Ah, o pessoal adora, o pessoal do né, do anti-woke, adora, né? Fica p da vida. Como é que a Helena pode ser a—

?Voz A

como é que Helena pode ser a Lupita Nyong'o? Apareceu 10 minutos no filme.

RARafael Argemon

Nossa, não aparece nada, coitada. Aliás, até o Nolan faz um negócio, cara, que eu não achei legal, cara, de parece que ela foi espancada pelo mineral.

?Voz A

É, porque parece uma cara cortada, né, do tipo com raiva, né, tipo, você até mesmo, sendo que a Helena foi enfeitiçada, entendeu?

RARafael Argemon

Ela, o Paris, ela não se apaixonou pelo Paris, ela, Vênus que fez ela se apaixonar por ele contra a vontade dela. Então não achei legal, mas coitada da Lupita. Cara, que eu acho, eu até falei, participei de um podcast falando do filme mesmo, do elenco ali, cara. Eu acho uma das melhores, se não a melhor atriz. Eu acho uma puta atriz, uma atriz excelente que deveria, poderia fazer muito mais coisas que ela faz e não faz, porque a gente sabe por quê, né? Sabe por quê?

GFGabriela Franco

Ela não tá assim. Tem nome.

?Voz A

E ela é maravilhosa, ela é uma excelente atriz.

RARafael Argemon

Só que assim, não dá nem— tem muitos atores ali que a gente tava discutindo, né, quem tá bem, quem não tá, não sei o que lá. Só que eu falei, cara, tem um monte de ator ali que não dá nem para avaliar, porque aparece tão rápido, é tão pouco que não dá para você nem avaliar se a pessoa foi bem, se não foi bem. A Lupita, coitada, ela tem 3 cenas, na verdade, uma Duas que ela fala, uma que ela não fala, e assim muito rapidinhas. Ela tem umas 4 falas, sei lá.

?Voz A

Ela tem uma que ela grita extra.

RARafael Argemon

Então tem uma que ela grita extra que não fala nada também, só aparece lá gritando, chorando e gritando. Então, e essa versão, o pessoal fala assim, ai, como irmã gêmea, não sei o quê lá. Não, mas tem também a versão de que as duas eram irmãs gêmeas. Então isso aí não tirou da cabeça dele isso não.

?Voz A

E agora eu lembrei, eu lembrei. Desculpa, não pode falar. Não, mano, pode falar, eu vou entrar em outro assunto. Pode falar.

RARafael Argemon

Não, o próprio Agamenon, ele não fala nada. Eu acho que ele é só, ele é só o coitado do Benicep lá, do Benicep. Ele não aparece nem a cara dele, aparece nem a cara dele, cara.

?Voz A

Nada, ele só precisa explodir.

RARafael Argemon

Ele basicamente foi contratado por causa dos olhos dele, foi isso, é isso. Ele já tinha trabalhado com Nolan, né, no Oppenheimer. E aí ele foi contratado basicamente porque ele tem uns olhos bem expressivos ali, e beleza.

?Voz A

Nossa, eu nem vi os olhos dele, na boa. Eu fiquei mais impressionada com armadura dele.

RARafael Argemon

É, então, armadura dele chama muita atenção, é, chama muita atenção. E aí esse povo aí reclamava que não era Historicamente correta, pelo amor de Deus.

?Voz A

É, eu acho que ele quis passar justamente que ele era mais uma presença ali, né, o grande rei e tal, que a quem ele servia, como do que um personagem que era, que a gente sabe que é cheio de falha e tudo, né.

RARafael Argemon

Tipo, ele queria, então é uma pena porque também é isso, tem que acabar simplificando muito, né, porque a própria relação do Agamenon com Odisseu O Odisseu não era assim, tipo, ai, meu rei, abaixa para ele. Não era bem isso, não era bem isso. O Agamenon conseguiu reunir todo mundo ali sob o comando dele, mas o pessoal não, às vezes, não respeitava muito ele não, cara. Aliás, o próprio Odisseu, ele se fez de maluco, ele se fez de maluco para não ir para guerra.

Ele não queria ir. Esse negócio de que, ai, vai ter a guerra, eu vou. Não, ele não queria ir, ele se fez de doido. Só que aí o pessoal insistiu, falou assim, né, isso aí é aquelas esquema dele. Ele acabou entregando que era esquema mesmo. Ele falou, tá bom, vai, vocês me pegaram. Ele se fez de maluco para não ir para guerra.

?Voz A

E eu lembrei de outras adaptações também que foram sensacionais, que na verdade Pasolini adorava adorava adaptar, né, tipo também tragédia grega. Ele adaptou Édipo Rei, sim, e ele adaptou uma das, dos meus, dos meus mitos preferidos gregos, que é Medeia. Eu amo Medeia.

RARafael Argemon

É a do Jasão, né, acabou se transformando na esposa do Jasão e que aí matou os filhos e tal. É uma personagem também muito, muito interessante, muito complexa. Cara, você falou antes qual mesmo?

?Voz A

Édipo.

RARafael Argemon

Édipo, claro, pô. A gente teve até uma novela, a Mandala, que até o Édipo e a Jocasta na vida real casaram, né, e tiveram uma vida bem atribulada. Para dizer o mínimo, para dizer o mínimo.

?Voz A

E outra que eu gosto também, outra que eu gosto muito fora Medéia, que na verdade são meio que opostas, porque a Medéia é meio que a vilã e a outra uma heroína da moral e toda, né? É Antígona. Eu amo Antígona e Medéia.

RARafael Argemon

É, você perguntou também dos que eu gostava mais. Eu gosto muito, muito da história do Sísifo. Gosto muito que ele era um desgraçado. O cara é um filho da puta, mas ele enganou a morte duas vezes, né? E ele acabou se transformando no homem que desafia a autoridade dos deuses. Então ele acaba— isso, cara, é muito legal. Mesmo que por vias tortas, ele acabou sendo a humanidade se descolando dos deuses e falando assim, não, pera aí, por que que é assim?

Eu não quero, sim, eu não quero assim, não quero que seja assim. Não é porque que o deus tá falando que é assim que é assim. E aí é muito interessante, eu gosto muito da história do Sísifo também.

GFGabriela Franco

Muito bem, Rafa, queria obviamente te agradecer imensamente. Já chegamos na nossa uma hora aqui de papo e na verdade deixar aqui. A gente é do tipo que gosta sempre de falar sobre um assunto, mas não necessariamente encerrar o assunto. É impossível encerrar o assunto.

RARafael Argemon

É, não, esse assunto, meu Deus, né?

GFGabriela Franco

Deixar aqui, a gente obviamente deixou muitas pontas soltas ao longo da conversa aqui, justamente para você correr atrás. Ou seja, tem sugestão de livro, de série, de filme para você se informar um pouco mais. E eu queria obviamente que você falasse, deixasse portanto, uma sugestão de um determinado podcast. Que podcast que as pessoas podem escutar para saber um pouco mais de mitologia grega?

RARafael Argemon

O Jornada Mística. Cara, é assim, eu penso muito mais na narrativa, né, na forma como se conta a história, do que eu não me aprofundo. Se você quer se aprofundar mais na mitologia e quer escutar um podcast, vai no Noites Gregas lá do Professor Moreno, que é muito, tem muito mais estofo do que eu, um milhão de vezes, para entrar profundamente nesse mundo, né? Mas se você tá a fim de curtir de uma forma mais leve e de uma aventura, uma história para você ir indo para o trabalho, voltando do trabalho, indo para academia e tal, você Quer ouvir alguma outra coisa?

Vai lá no Jornada Mítica que você vai se divertir bastante com as histórias. A primeira temporada são mitos variados, a segunda é a Odisseia, e quem sabe aí uma terceira. Tô pensando em fazer um paralelo dos 12 trabalhos de Hércules com Heracles, né? Eu não sei, eu ainda vou decidir se eu vou usar Hércules ou Heracles. E com o Teseu, que são dois heróis muito fortes que têm muita coisa em comum. E eles resolveram, teve um dos trabalhos de Hércules, um dos, o touro da, esqueci agora do nome completo do personagem, mas é um touro que os dois lutam com esse touro, só que de formas totalmente diferentes.

E aí é muito legal essa dualidade entre o Hércules e o Teseu. Talvez seja a terceira temporada, mas agora já foram duas no mesmo ano. Quem sabe para o ano que vem?

GFGabriela Franco

Boa, valeu demais, meu. E como eu digo sempre, até a próxima.

RARafael Argemon

Até. Muito obrigado, Thiago, Gabi. Valeu pelo convite. Ah, o papo é sempre muito bom. Se deixar também, a gente poderia ficar falando aqui muito mais horas, né? Espero que vocês aí que estão ouvindo tenham gostado. E procurem conhecer mais de mitologia grega de várias formas, e uma delas com o meu podcast, o Jornada Mítica.

?Voz A

É isso aí, gente! Obrigada, Rafa!

GFGabriela Franco

Nós!

?Voz A

Ei, você! Muito obrigado por ouvir mais este episódio de Imagina Se Pega no Olho.

GFGabriela Franco

Lembrando sempre que esse podcast está disponível em tudo que é plataforma: Spotify, Deezer, Amazon Music, Apple Podcasts, é só escolher acessando o endereço www.imaginasepeganooolho.com.br ou então o link da nossa bio lá no Instagram.

?Voz A

Ah é, e se você quiser ficar por dentro das nossas atualizações, basta nos procurar nas redes sociais. Estamos no Instagram como Imagina Se Pega no Olho e também no Threads e no Bluesky, mas nestes dois como Gibizilla, reunindo tudo que é da família de conteúdo dos Imagina.

GFGabriela Franco

Tem também um canal no WhatsApp para você não perder nenhuma novidade dos conteúdos que nós produzimos, sem depender dos algoritmos das redes sociais. O endereço também tá no nosso link da bio.

?Voz A

Não esquece que temos nosso canal no YouTube, hein? Já dá para ouvir todos os episódios e ainda ver alguns vídeos mais longos que a gente tem arriscado a fazer sobre gibis, discos e demais nerdices. Procura por Imagina Se Pega no Olho, se inscreve, dá like, comenta, compartilha e clica no sininho para não perder nenhuma atualização.

GFGabriela Franco

É, e a gente tem também o nosso podcast Filhote, que é o Imaginas Pega no Ouvido, um talk show com quem vive de música a respeito das suas paixões musicais, e que tá entrando numa nova temporada. Então assim, é só procurar na sua plataforma de áudio favorita a imagem do nosso olhinho, só que com duas orelhinhas.

?Voz A

Para quem gosta de cultura pop, também temos o gibizila.com.br, escrevendo semanalmente sobre filmes, séries, músicas, quadrinhos, o pacotão completo.

GFGabriela Franco

E por último, se você tiver interesse em ajudar esse casal de produtores de conteúdo, considere mandar um Pix de qualquer valor para gibizilla@gmail.com. Vai ser uma ajuda e tanto para quem rala fazendo um trabalho 100% independente. Era isso, valeu demais pelo seu apoio e até o próximo episódio!