Ep 160 - O vício de acompanhar o fim do mundo
Você abre o celular para responder uma mensagem e, em menos de dois minutos, já viu guerra, crise climática, golpe financeiro, celebridade cancelada, acidente, inflação e um vídeo de um guaxinim roubando ração.
Em que momento a informação virou um fluxo contínuo? Hoje existe alguma fronteira entre estar informado e estar em alerta permanente?
Em resumo... será que a notícia acabou com a nossa paz?
Venha conversar com a gente sobre a diferença entre informação e exposição constante - e a tal da ansiedade informacional em meio ao doomscrolling como comportamento cultural.
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- Impacto da tecnologia na ansiedadeFluxo contínuo de notícias · Exposição constante vs. informação · Impacto na paz e saúde mental · Algoritmo e engajamento · FOMO (Fear of Missing Out)
- Maturidade Informacional e Saúde MentalLimites no consumo de notícias · Evitar alienação e indiferença · Importância da saúde mental · Impacto de notícias locais vs. globais
- Manipulação de NotíciasMomento solene da notícia (jornal, TV) · Consumo em bolhas e redes sociais · Notificações push e alerta constante
- A importância de ser humanoMomentos de lazer e cultura · Equilíbrio entre informação e bem-estar · Cidadania consciente
- O futuro do jornalismo e a influência digitalPressão por publicação imediata · Jornalismo como exposição vs. explicação · Curadoria de conteúdo · O papel do jornalista
- Combate à Desinformação e Fake NewsVerificação de fontes confiáveis · Vídeos manipulados por IA · Golpes amorosos online
- A Indústria do Hype e o Snack ContentConteúdo aperitivo (snack content) · Busca pelo hype em cultura pop · San Diego Comic-Con · Apple TV e Pluribus
Oi, eu sou a Gabriela Franco e eu sou o Thiago Cardim e esse é o Imagina Se Pega no Olho, um podcast gravado na sala de casa com notícia, opinião e muita, muita chacota. Muito bem, cá estamos aqui de volta mais uma vez, outra vez retornando às ondas do rádio, do seu rádio virtual, do seu rádio online, o seu rádio que nem é rádio, é podcast.
Enfim, não tem ondas, mas enfim.
É, diz que tem ondas. A gente na verdade tá aqui neste momento pós-Copa do Mundo, Brasil voltando para casa mais cedo, todo mundo odiando e depois se apaixonando pela Noruega e pelo Haaland, pela Cabo Verde, pelo Haaland, que descobriram que é um cara muito, além de ser um profissional muito melhor, é um cara muito mais legal do que 98% das das pessoas da seleção brasileira. Enfim, de acordo com estatísticas do Instituto Datacardim. E enfim, estamos aí retomando a vida normal, né?
E aí, se preparando para quê?
Pois é, estamos, estamos exatamente— este é um ponto que tem muitíssimo, muita conexão, muitíssima relação com o tema do podcast de hoje.
Acho que não só isso também, mas acho que agora que acabou a Copa, acho que a grande, grande tema que vai permear as notícias daqui para frente vai ser isso, o monotema, né?
Eleições. Nós não estamos falando especificamente de eleições, mas de um assunto que permeia obviamente tudo que tem a ver com eleições. Esse podcast, na verdade, ele é inspirado num podcast, numa conversa que rolou no Summer Hunter que tinha o título de Como se Informar Sem se Desesperar. Mas aqui a gente pode trazer um outro, um outro título alternativo, digamos, que é: a notícia acabou com a nossa paz? Ponto de interrogação.
Então vou fazer aqui uma breve introdução para você entender exatamente do que que a gente tá falando. Isso pode ser simples de você se identificar. Você abriu o celular para responder uma mensagem ali no WhatsApp, no grupo de amigos, em menos de 2 minutos. Ah, vou entrar aqui rapidinho no Twitter ou no Instagram ou no Threads, Blue Sky, sei lá, Facebook, tanto faz. E ali em menos de 2 minutos você já viu guerra, crise climática, golpe financeiro, cancelamento de celebridade, acidente de avião, metrô pegando fogo, aumento da inflação e o vídeo de um guaxinim roubando a ração de alguém.
Tudo isso é o Ninho, super é o Ninho.
Pois é, assim, em que momento a informação virou um fluxo contínuo? Eu lembro que a gente tinha uma coisa, a gente vai falar obviamente sobre dois pontos de vista, tá? Eu quis muito gravar esse podcast que eu e a Gabi, a gente pode trazer dois pontos de vista diferentes aqui, enquanto pessoas que consomem notícias, enquanto pessoas que produzem notícias, né? Porque afinal de contas ambos somos jornalistas. Mas eu lembro de um momento que era um momento solene, né, na verdade, na nossa vida.
Assim, eu sempre fui enquanto moleque Eu era aquele moleque, conforme fui crescendo, eu sempre fui um moleque CDF para caralho, sempre disse isso, sempre adorei estudar, sempre fui bem nerdzão nesse sentido e gostava muito de me informar. Então eu era moleque que lia jornal, que lia revista, mas até que os meus próprios pais, chegou um determinado momento da minha vida que Eu com, sei lá, 12, 13 anos, uma coisa que o Vale, com a minha mesada, eu comprava o jornal em casa.
Não era meu pai que comprava, ele tinha parado de assinar já, e eu comprava o jornal para ler. Então tinha esse momento solene, né, o momento, a hora da notícia. Ou seja, você vai parar para ler o jornal, você vai parar para ler a revista, esta instituição que hoje já não existe mais, ou existe mais da forma que era, pelo menos, né, a revista semanal que tinha a Veja, a Isto É, tinha, sei lá, a Época, enfim, tinha um monte delas, né.
E também o gato concorda, inclusive. E tinha também o lance de parar para assistir ele, o inevitável Jornal Nacional. Momento que a família se reunia na frente da televisão, dava boa noite para o William Bonner e consumia a notícia. Hoje a gente vive enclausurado em bolhas que vão nos abastecendo com notícias o tempo inteiro. As redes sociais vão nos trazendo notícias o tempo inteiro. A gente entra de novo, é o que eu falei nesse exemplo da abertura aqui.
Você vai lá fazer, sei lá, uma voltinha inocente para ver o que os seus amigos estão postando, onde eles foram comer no final de semana, e quando você vê, você tá sendo bombardeado por notícias, com perdão do trocadilho, enfim, que é até feio, mas enfim, mas acaba sendo bombardeado por notícias da Faixa de Gaza, guerra da Rússia com Ucrânia, e por aí vai. As próximas guerras, que Sudão, Estados Unidos, Irã, Estados Unidos, Irã, as guerras estão aí tudo acontecendo, tudo ao mesmo tempo.
Inclusive aquelas que às vezes a gente sabe menos até do que as outras, aquelas que estão sendo ignoradas, que ninguém fala sobre, como no Sudão, na Síria, por exemplo.
Mas enfim, e você acaba sendo, e aí você se pega perdido num fenômeno que alguns especialistas passaram a chamar de doom scrolling. Que é basicamente você começa a ser tão bombardeado por essas notícias, ou notícias, enfim, tô falando dessas notícias internacionais, notícias do Brasil mesmo, sei lá, não deixam de acontecer, né?
Que eles quiseram nós que não acontecesse. Mas por exemplo, hoje de manhã eu fiquei, ontem de manhã eu fiquei estarrecida com o metrô, o metrô não, o trem de São Paulo, CPTM, nossa amada CPTM aí que nos leva aos confins da Pauliceia pegando fogo, bicho, pegando fogo, literalmente pegando fogo. Até o gato gritando aqui, pegando fogo. Por quê? Porque o nosso queridíssimo, amantíssimo, viadíssimo, desgraçadíssimo governador Tarcísio de Freitas passou a concessão da CPTM, que era pública, para uma empresa privada chamada TriviaTrem, que eu falo que é tromba-trem, virou tromba-trem.
E ela não sabe operar, simplesmente não sabe operar. Isso tem um monte de coisa aí que, né, cascateou para essa questão do trem pegar fogo, que é a CPTM já está totalmente, como é que se diz, degradada, né? Tipo, os trens já estão velhos, precisam de manutenção, e ele sabe, e quem é da CPTM sabe mexer naquele trem para que ele não pegue fogo. Aí foi uma nova empresa chegar lá sabendo que, pensando que sabia operar o trem caindo aos pedaços e não sabia operar o trem, porque tem todo um manejo ali, tem todo um sambarilove, uma gambiarra, como brasileiro gosta de falar, para que o trem não pegue fogo.
Então assim, como você tá indo para um trabalho e você tá dentro de um trem apinhado de gente e pega fogo dentro do vagão, gente, é uma coisa assim que não dá para, não dá para imaginar, não dá para imaginar. E é isso, fora um monte de coisas que a gente é bombardeado o tempo todo. Eu gosto Já vou eu citar novamente aqui meu grande amado Byung-Chul Han. Sim, que ele tem dois livros incríveis que falam sobre isso, mas um deles que se concentra um pouco mais nessa questão de bombardeio de informações, que é o Infocracia.
E ele fala que na verdade as pessoas, isso é uma tática, tá, uma tática para que você não pense. Então assim, a gente tem uma ideia, eu já falei sobre isso em outros podcasts aqui, A gente tem ideia de quanto mais a gente consome informação, mais, mais informado a gente está. E não é verdade, não é verdade, porque muitas vezes a gente não consegue refletir sobre essa informação. A gente só consome, consome, consome, como se tivesse comendo alguma coisa compulsivamente.
Tipo, pensa num, pensa em pipoca. Você pensa que você tá, você mastiga pipoca 50 mil vezes igual, você devia, tá? Se você não faz isso, mas devia. Igual quando a gente tá comendo um belo bife, alguma coisa assim, tipo uma comida um pouco mais Elaborada? Não, pipoca, salgadinho, coisa que é pequenininha, que você põe na boca de montão, você enche a boca e engole. É a mesma coisa que acontece com notícia, tá? Quanto mais bombardeado a gente é por notícia, menos a gente reflete sobre ela.
Então a gente precisa ter uma curadoria aí, a gente precisa parar e falar, ok, eu não vou consumir, não, calma, não vou dar esse doom scrolling que o Thiago tava falando aqui, vou parar, vou ler essa notícia, eu vou refletir sobre ela. Quem fez o quê, onde, quando, por quê, que é o famoso lead jornalístico, a gente fala. E aí se aprofundar sobre o assunto, procurar outras fontes, né, porque nem só de uma fonte vive uma notícia.
E é isso, isso que nós somos jornalistas, nós temos esse hábito, mas a maioria das pessoas não tem. Então é assim, fica aí esse questionamento: você tá consumindo tudo isso de notícia, mas você está refletindo sobre o que tá tá acontecendo? Dá tempo de você refletir sobre tudo isso que você tá consumindo? Isso só tá deixando você mais louco e com a sensação de que o mundo tá acabando, porque sempre fica com essa coisa tipo, nossa, o mundo tá acabando, a gente vai tipo, é isso, vem meteoro, é caralho, vai todo mundo morrer. Calma, gente.
E uma sensação de inevitabilidade assim, né? Tipo, o mundo tá acabando e eu não posso fazer nada, eu vou morrer de morte horrível.
Fatalismo, entendeu? Fatalismo muito grande. Uma desgraça, um fatalismo. Isso, calma, gente, não é assim, tá? O mundo sempre esteve assim, sempre aconteceram milhões de coisas ao mesmo tempo no mundo, só que a gente não tinha acesso a essas notícias, a gente não tinha acesso. Hoje a internet tá aí e tá juntando a globalização, globalização, vê como é que fala, denuncia minha idade, né? Pois é, exatamente, globalização denuncia minha idade, porque globalização acontecia lá nos anos 2000. Antes até, a gente tá, é globalização, final do momento.
Exatamente, Marshall McLuhan falando das aldeias globais. Mas o que eu acho de verdade é que hoje a gente tem mais, tem notícia, tem acesso ao que tá acontecendo, boas e ruins, notícias de fontes confiáveis e notícias de fontes não tão confiáveis assim, mas notícias verdadeiras, notícias falsas.
Mas adivinha, a gente vai falar sobre ele novamente, o algoritmo.
É, eu ia explicar isso, na verdade. O que que o doomscrolling, o que que é basicamente este fenômeno? Sou eu lá olhando uma notícia, por exemplo, sobre o metrô, esse negócio que a Gabi tava falando, metrô do trem lá da CPTM. Aí o algoritmo nada mais é do que um conjunto de robozinhos que existem, falando bem de maneira bem didática, É um conjunto de robozinhos que existem em todas as redes sociais, todas elas, tá? Todas delas têm os seus algoritmos, tá?
São esses robozinhos que eles vão entendendo do que você gosta, e conforme eles vão entendendo do que você gosta, eles vão te entregando mais daquilo que você gosta. Então assim, às vezes até de fontes que você não segue, de perfis que você não segue, aquela história toda. Então, se você— e para o algoritmo, ele não, veja bem, ele não identifica a sua permanência naquele conteúdo como indignação. Ah, estou vendo os vídeos do trem, do trem lá pegando fogo, da CPTM pegando fogo, eu tô indignado, tô caralho.
Mas o tempo que eu estou parado ali, para o algoritmo, significa que aquele conteúdo para mim é um conteúdo importante. Logo, o algoritmo vai entender que se esse conteúdo é importante para mim, vou entregar outros iguais. Não interessa se eu tô parado porque eu tô puto da vida, eu tô parado porque eu tô chorando de desespero. Não, ele vai entender que aquele conteúdo é legal para caralho para mim. Logo, ele vai me entregar uma dezena de outros posts na sequência.
E o Don't Scroll é esse formato. Você tá lá, você pega, sei lá, você vai dormir, aí você tá vendo videozinhos lá, você pega o celular antes de dormir, você tá vendo videozinho de cachorro, aí um certo momento vem uma notícia dessa, aí, meu, pelo choque ela te para. Você parou, vai vir uma, vai vir duas, vai vir três. Quando você for perceber, você já tá há uma hora e meia simplesmente dando scroll sem parar, só desgraça, só desgraça socando a sua cara.
E outra coisa também, o algoritmo, ele privilegia, na verdade, quando você privilegia quem engaja no conteúdo. E conteúdos que na verdade fazem a gente ficar revoltado geram muito mais engajamento do que conteúdo que faz a gente achar fofinho. Por mais que tenham milhões de pessoas comentando no videozinho do gatinho, falando, ai, que lindo esse gatinho, vai roubar a A ira, na verdade, a revolta gera muito mais engajamento do que qualquer coisa.
Então é normal que vocês tenham, que você receba muito mais vídeo de desgraça, porque esse vídeo tá engajado, tá? As pessoas estão comentando mais nele, estão reagindo mais sobre esses vídeos. Então é normal que ele apareça mais para você, porque quanto mais as pessoas reagem, mais o algoritmo pensa Pensa não, né? Tipo, reage de volta falando: opa, gostaram disso aqui, então é isso aqui que eu vou entregar. Foda-se, não importa se é bom ou se é ruim para ele, ele não sabe.
É para quem, onde, na verdade, onde parece mais reação, onde tem mais engajamento.
E engajamento, que essa palavra mágica do marketing digital, né? Engajamento não é só o like, não é só o compartilhamento, não é só o comentário. Engajamento também é o tempo que você passa parado naquele vídeo, Não, você não precisa ter feito nada, não pode não ter usado botão nenhum. O tempo que ficou parado naquele vídeo, tempo que ficou parado naquela galeria de fotos, ele vai entender como engajamento. Você se interessou nesse conteúdo, logo vou te entregar mais dele.
Então deixa eu fazer uma primeira pergunta para vocês, que é o seguinte: o cérebro humano, ele foi feito para acompanhar o planeta inteiro em tempo real, dependendo da sua resposta. A gente obviamente tá aqui do outro lado, não estamos escutando a sua resposta. Qualquer coisa, deixe suas impressões aí nas redes sociais do Imaginas Pega no Olho, ou obviamente se você tá acompanhando via Spotify ou próprio YouTube, você deixar ali no próprio, né, no próprio podcast.
Mas a resposta obviamente é não, né? O cérebro humano não foi feito para isso, na real. Afinal, a Gabi mesmo já falou no começo, já deu a dica assim: saber de tudo não significa estar bem informado, né? Ou seja, ter todas as informações do mundo não significa ter todas as boas informações, não significa ter todas as informações de qualidade, né? Ou seja, esse é um primeiro ponto. Tem um segundo ponto que também é o ponto de, em um determinado momento lá atrás, a gente tomava a decisão de quando a gente ia consumir a notícia.
É aquilo que eu tava falando, o momento de sentar para ler, um momento de sentar para ver o jornal, um momento de sentar para, sei lá, fazer qualquer, ouvir rádio. Já até esquece, né? Ah, vou ouvir, vou, tô ouvindo as notícias enquanto eu tô lavando a louça, por exemplo, né? O rádio era esse companheiro.
Oi, gente!
É Eli Corrêa, né, o nome dele disso.
Então tinha, quando a Jovem Pan não era fascista, não sei se é que isso já aconteceu algum dia, mas tinha aquele, aqui de São Paulo, é de manhã, você ligava a rádio, tocava essa musiquinha que era na verdade o jornal da manhã, compilado de notícias da manhã, e tocava essa musiquinha que é tipo a cidade acordando.
Que horas são? Repita, repita. A gente tinha esse controle. Hoje é o contrário. Hoje a gente tem na mão um computador, tá, chamado celular, que é um mini computador. E este computador não só ele nos entrega as notícias quando nós entramos no Instagram, no WhatsApp, no Facebook, eu quero que seja. Mas ele também avisa a gente. Então tem notificação de push, que são aqueles, aquelas notificações que fazem o seu celular tremer. São, sei lá, as notificações de cada uma dessas redes.
Cada uma dessas redes, se você deixa elas devidamente habilitadas, elas vão lá pular uma coisinha na sua cara enquanto você tá mexendo no celular. Opa, entrou tal notícia no no Instagram da, sei lá, da Rádio Band, qualquer coisa que valha. E aí inevitavelmente eles vão querendo te puxar para dentro. Opa, vem aqui ver a notícia, olha aqui, ó, venha para cá, notificação tá aqui. O tempo todo dizendo para você: ei, você não está informado?
Como assim? Está acontecendo uma coisa muito importante e só você não tá sabendo? Vem ver.
Aí cria o FOMO.
Exatamente, cria. A gente tem até um programa inteiro falando sobre o tal do FOMO. Aqui, inclusive nos mais antigos do Imagina Se Pega no Olho, mas que é o tal do fear of missing out, ou seja, é o medo de você ficar por fora, né? E aí fica aquela coisa, o quanto a gente pode considerar essa, esse tipo de informação de fato informação e não apenas e tão somente exposição. Ou seja, tô só sendo exposto a alguma coisa, eu não tô me informando de verdade, né?
Eu não tô lendo uma notícia, eu tô fazendo— eu tô— aquilo que a Gabi tava falando no começo, de ser quase como se tivesse comendo um salgadinho, comendo uma pipoca, ao invés de comer uma refeição de verdade, né? É uma coisa que os especialistas em marketing digital lá fora costumam chamar de snack content. É basicamente o conteúdo aperitivo, é aquele conteudinho que é um carrossel do Instagram.
Ele não te enche, né? Ele não te satisfaz, mas ele, ah, é ok, engana minha fome.
E um primeiro momento, a gente tá, ó, vou dar um exemplo aqui. A gente tá gravando esse podcast numa sexta-feira, dia 24 de julho, para você que tá aí no futuro escutando a gente, 24 de julho de 2026, é a sexta-feira da San Diego Comic-Con, que é o maior evento, ou talvez já foi, né? Enfim, mas enfim, tava um dos mais relevantes eventos de cultura pop do mundo, tá, que acontece obviamente lá na cidade de San Diego. E todos os grandes estúdios de cinema, produtoras de séries, serviços de streaming, não sei o quê, anunciam as suas coisas ao longo do período, tá, desse final de semana.
Vai sair muita coisa ainda, blá blá blá. Você tá ouvindo isso, sei lá, na sexta-feira, saiba que as suas redes sociais vão estar inundadas sobre isso. As redes sociais do Gibizila vão ter coisa para cacete rolando, tal, tal, tal. Legal, incrível, maravilhoso. Só que o grande ponto é, é tudo entregue a conta-gotas. Fulano de tal anunciou que vai ter o filme com o Tom Cruise. A notícia é essa, a notícia se resume ela em 140 caracteres, os antigos 140 caracteres do Twitter, né, antes de virar aquele antro de fascista.
Tom Cruise vai fazer o filme, não sei o que lá, beleza. Marvel anuncia que vai fazer um filme do personagem XYZ. Essa é a notícia. Mas o que mais tem? O que mais foi falado? O que mais foi discutido? O que mais dá para a gente apurar a respeito disso, além de algo que você vai consumir em, de novo, um tweet, um carrossel do Instagram? Porque óbvio, vão ter discussões muito mais. A gente fazia muito isso no Judão e a gente tem feito isso bastante também no Gibizila e aqui no Imagina.
Que é legal, tem as notícias quentes, essas são factuais, essas que se resumem a pequenas, mas de repente tem uma, duas, três notícias que já constitui uma tendência. Aí você fala, aqui tem jogo, aqui talvez valha uma análise. Você tá indo atrás dessa análise maior, mais ampla, mais aprofundada, que de fato quando você entra nesse tipo de análise Aí sim dá para dizer que você está bem informado, né? Teve um texto anterior lá no comecinho do Gibizila que eu trouxe, trouxe ele do Judão e adaptei e atualizei ele, na verdade, que é um texto sobre a eterna busca do hype.
Que, né, como a gente fala muito de cultura pop, vou tergiversar, como diz Chico Barney, para esse lado. A gente tende a se empolgar quando vê todo mundo falando sobre aquela série. É Game of Thrones, é Pluribus, é Walking Dead, é The É Hex, é Breaking Bad, é The Bear. Quando tá todo mundo falando da série do momento, por exemplo, a gente vai lá atrás, porque a gente tá sendo bombardeado. Toma, toma, toma, toma aí um monte de comentários curtinhos, vídeos curtos.
A pessoa que faz um videozinho curto de 1 minuto e meio, e não que a gente não faça, tá, não tô tirando a gente dessa, dessa equação, mas aí você vê tudo aquilo e você vai buscar aquele aquela série. Por quê? Pelo tal do FOMO, como a gente falou antes, o fear of missing out. Ou seja, putz, tá todo mundo falando, eu preciso consumir. Não porque aquilo me parece, na maior parte das vezes, tá, não tô generalizando aqui, mas na maior parte das vezes não é porque aquilo é de fato relevante para você, que fala, pô, gostei do tema dessa série aí, vou atrás.
Não, porque você não pode ficar de fora. Você precisa ser a próxima pessoa que vai retroalimentar essa linha do tempo. Você vai lá e vai correr atrás e piriri. Então assim, isso é uma indústria do hype, né? A Hollywood faz isso, a indústria de produção audiovisual americana faz isso magistralmente há anos. Eu falei agora da San Diego Comic-Con, não é por acaso, né? Mas, mas, e aquela série, por exemplo, que pouca gente comenta, que tá correndo aqui por fora, né?
A gente tava falando, por exemplo, de entrevista com vampiro barra o vampiro Lestat, né? Que tem um texto até sobre isso no Gibizila, que justamente tem essa pegada do tipo, por que que ninguém tá falando sobre isso? Por que que essa série não embarcou no trem do hype, sendo que é uma série tão boa e que a gente tá há 2, 2, não, 3, né, 3 anos? Quer dizer, tem um espaço maior, a primeira temporada de 2022. Enfim, a gente tá aí espaço de 2 anos entre elas, né, mais ou menos, são 3 temporadas.
Hoje, hoje, agora, neste exato momento, as 3 temporadas estão disponíveis no Netflix, mas a gente foi assistindo num esquema alternativo, por assim dizer. E aí a gente ia assistindo, caiu do caminhão da Argentina. Não pode falar da Argentina agora que as pessoas estão sensíveis sobre isso. Mas enfim, a gente ia acompanhando um episódio por semana, da mesma forma que tava sendo exibido nos Estados Unidos. Então a gente ia acompanhando, ia conversando entre nós, os grupos de amigos e tal, que já conheciam a série, mas a gente não via isso ganhar o E é tão absurdo porque é tão boa a série.
Pois é, que eu falava, meu Deus, ninguém tá falando sobre isso? Como assim? Cadê a galera falando sobre isso? E não, tava só todo mundo falando sobre Pluribus, sobre, na verdade, que eu não achei grandes merdas, mas é diferente. A Pluribus é da Apple TV, também tem essa também, né?
Mas, por exemplo, a Apple TV é a mesma coisa assim. A Apple TV é uma, a série acabou caindo nas graças E como caiu nas graças, aí, Tostines, né, vende mais porque é fresquinho, é fresquinho porque vende mais. Não sei se é da época de todo mundo que tá escutando esse episódio, mas era uma espécie de um paradoxo de uma propaganda de biscoito. Mas sim, por exemplo, Pluribus. Pluribus é uma série que caiu nas graças das, das, da imprensa americana.
A imprensa brasileira especializada, né, em conteúdo, enfim, de entretenimento, abraçou isso também. A toda as séries, né, de temporada, era isso que eu tava procurando, essa palavra, temporada de premiações de tapetes vermelhos e afim, abraçou Pluribus. E aí as pessoas ficaram desesperadas, que série é essa? Todo mundo falando, não sei o quê, não sei o que lá. Tem um monte de gente aqui o tamanho da Apple TV no Brasil é minúsculo, né?
Ou seja, não tem esse tanto de gente que assina o Netflix, por exemplo, assinando Apple TV. Muita gente vê pluribus de maneira pirata, né? Mas vê porque está atraída pela indústria do hype, ou a indústria do hype começou a se retroalimentar porque as pessoas estavam atraídas. Fica aí um questionamento. Mas enfim, o ponto é o quanto as pessoas estão indo procurar, talvez se aprofundar, puta, para essa, mais do que tá rolando aí um monte de post nas redes sociais falando da Casa do Dragão.
Ah, eu nunca vi, nunca vi Game of Thrones, não sei nada, não fica lá. Mas eu tô vendo todo mundo publicando coisa lá, um monte de stories, um monte de reels a respeito e tal. Ah, vou assistir, legal. Mas o quanto a gente vê hoje, por exemplo, as pessoas falando: tá, pera aí, paro. Um, não quero ver, tá todo mundo falando, foda-se, mas não quero ver, eu não tô a fim, não me interessa. Eu vi uma cena aqui, não me interessou. Ou, ah, vou buscar um pouco mais de informação, ler uma entrevista com alguém, ver um vídeo mais longo, vou, sei lá, ver uma análise um pouco mais aprofundada para entender se a série é para mim, se aborda assuntos que eu gosto, que eu não gosto, não sei o quê, sei lá.
Essa coisa do aprofundamento, que é mais importante do que o consumo imediato, do que o consumo da notícia, do factual. E aí eu vou entrar numa coisa que é falar um pouco do nosso trabalho enquanto jornalistas, né? Ou seja, jornalista em si. E aí vale só a gente, enfim, jornalista de cultura pop e tal, mas isso vale para jornalistas. Tanto eu quanto a Gabi, a gente já trabalhou obviamente fazendo jornalismo de muitas outras frentes, né?
Jornalismo, eu já trabalhei em plantão, jornalismo de política, de esportes. A Gabi já fez cidades, né, que é aquela coisa no dia a dia, tem um buraco na rua, o jornalista vai lá cobrir. Enfim, jornalista é um bicho em particular que consegue se desligar das notícias?
Depende, depende do jornalista, depende das notícias.
A gente se sente culpado porque a gente não tá acompanhando tudo. Porra, eu não sou, caralho, eu não vi tudo que tá acontecendo na San Diego Comic-Con. Puta, que merda de jornalista de cultura pop que eu sou.
Será? Às vezes a gente precisa desligar, né?
Ou seja, aí tem essa questão que atinge também, não atinge só você que tá consumindo as notícias, atinge também o jornalista. Porque, gente, vou contar uma história para vocês, um segredo terrível, tá? O jornalista, ou jornalista aqui, vocês sabem, eu e a Gabi, a gente faz esse trabalho com o podcast, com o site, com o canal do YouTube, porque a gente gosta, que a gente quer. Não é o que nos dá o sustento, não é o que põe a comida na mesa da gente aqui, né?
Enfim, mas numa empresa jornalística, o UOL, por exemplo, tá, o jornalista não é ele que decide. Veja só, o jornalista, ele é um trabalhador Ele tem chefe. Então significa que ele tem que fazer o que ele é mandado. Ele é um trabalhador igual você, igual você que levanta, vai, pega o busão, vai para o trabalho, não sei o quê. Ou sei lá, que tem a sorte de trabalhar home office, vai, toma o café, liga o computador, fica sentado na porra da mesa lá do escritório trabalhando 10 horas por dia, 12 horas por dia.
Esse é o jornalista, ele também é um trabalhador. E o trabalhador sofre a pressão do rufem os tambores. Você não sofre a pressão do FOMO de eu preciso consumir isso porque todo mundo está consumindo? Então o jornalista, a ele é aplicada a pressão do publica primeiro, sempre o furo. Ele tem, e agora com as redes sociais é assim, publica uma notinha de 2 linhas sem saber nada. Só porque precisa publicar, porque todo mundo tá ligado.
Atualizando, é isso que acontece, tá, gente? Quando você entra, por exemplo, às vezes calha, muitas vezes não, mas às vezes calha de você vir uma manchete, você clicar e ter duas linhas sobre aquilo. Aí você fala, pô, que porra é essa? Porque na verdade a gente, para publicar uma notícia completa, a gente precisa checar. Então a gente precisa ir atrás da notícia e ver o que que aconteceu de fato, né? Quando a gente só fica sabendo, tipo, ah, caralho, tipo, Michael Jackson morreu.
Vamos só usar isso de exemplo. Michael Jackson morreu, saiu na imprensa estadunidense, ou então a assessoria de imprensa do cantor acabou de publicar nas mídias sociais do cantor que ele faleceu hoje, tal hora, tal dia, não sei o quê, não sei o que lá. Mais informações a seguir. Ponto. E aí, ao longo do dia, o jornalista vai apurar aquela notícia, ele vai atrás de mais informações para requintar aquilo que ele soltou primeiro.
Mas ele tem que soltar primeiro isso daí, ele tem que soltar, ele tem que ser o primeiro a soltar, porque aí ele vai, na verdade, concentrar maior número de cliques ali naquela primeira, naquele furo.
Então, no fim, o grande problema aqui, entendam com a gente, ou seja, o jornalismo, a gente sabe, ele nasceu como uma forma O Moita do Heavy Talk, voltando aqui para o mundo da cultura pop, né, o Heavy Talk, que é um, talvez um dos maiores canais brasileiros a respeito de música e heavy metal e tal. O Moita publicou um vídeo esses dias falando justamente sobre como é a abordagem jornalística do canal dele, que é um canal no YouTube, né.
Ele publicou um vídeo falando sobre abordagem, que ele tava sendo muito cobrado a noticiar uma questão envolvendo um antigo músico da banda do Edu Falaschi, as brigas que tem rolado na imprensa especializada, as farpas que um tem publicado contra o outro nas suas respectivas redes, que tem isso, né? Enfim, hoje eles precisam menos dos veículos especializados e mais da própria rede social. Eu tenho meu próprio Instagram, eu tenho meu meu próprio TikTok, eu tenho meu próprio Twitter, eu publico lá, que é a fonte de informação mais segura.
E aí tem os seguidores dele lá, os fãs já estão seguindo ele direto lá. Ou seja, em tese não precisa de uma revista, blá blá blá, né, para fazer o apanhado geral, a curadoria daquilo. Beleza. Mas aí o Moita tava justamente publicou esse vídeo falando, putz, a minha abordagem, ou seja, eu sei que o jornalismo nasceu para explicar o Mas eu faço jornalismo desta forma, o meu recorte jornalístico é esse, esse tipo de notícia tal, tal, tal, tal, tal, tal, não me interessa.
O meu agente aqui faz um conteúdo que é um conteúdo bem menos factual, não é notícia, não é fofoca, não sei o quê, e muito mais conteudão, reportagem, cobertura de show, não sei o quê lá.
Muitas vezes eu tenho uma outra abordagem. Eu não acho que o jornalismo foi feito para explicar o mundo. Eu acho que ele foi feito para informar. Explicar é outra coisa. Explicar é uma filosofia, explicar sociologia é outra coisa. Eu acho que jornalismo não explica nada, ele dá insumos para que você reflita.
Ele te dá insumos para você entender o mundo. Tá bom, tá bom.
Para você refletir, mas ele não explica.
Muitas vezes ele não explica, ele nem tem como explicar, porque muitas vezes nem é uma função.
Eu não, assim, eu como jornalista e filósofa digo aqui, o jornalista, ele expõe o mundo, é isso, ele expõe o que está acontecendo. Ele fala, tá acontecendo isso, tal hora aconteceu, pegou fogo no trem, blá blá blá. Aí vem um sociólogo, alguém de humanas, antropólogo, uns filósofos e fala por que pegou fogo no trem. Aí a gente vai estudar um monte dos fenômenos que fizeram o trem pegar fogo. Aí sim a gente explica mundo, entendeu? Então acho que uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.
Não, mas faz todo sentido, faz todo sentido. Eu acho que assim, a única coisa que eu queria completar é que muitas vezes a plataforma, e aí entenda as plataformas, volta a dizer, é o Twitter, o Facebook, o o TikTok, sei lá, é o feed de RSS, o seu podcast favorito, tanto faz. Muitas vezes as plataformas acabam transformando o jornalismo apenas e tão somente no alarme contínuo, é um alarme que tá tocando o tempo todo, tá sempre tocando o alarme assim.
E aí o problema é a notícia em si ou a forma como ela circula? Não só como ela é passada, mas como ela circula. Né? Ou seja, você prefere a manchete solta ou a informação mais contextualizada? Você prefere o feed infinito ou parar um minuto e ler uma reportagem de fato? Ler ou assistir uma reportagem, ouvir uma reportagem, ouvir um podcast de uma hora, por exemplo, sobre um determinado assunto, ao invés de ficar ouvindo um monte de pequenas pílulas e tal?
Você prefere uma avalanche ou uma curadoria? A palavra curadoria é uma palavra importante, porque, por exemplo, uma coisa que a gente faz, agora voltando de novo no exemplo aqui da San Diego Comic-Con, uma coisa que a gente tenta fazer ao longo do período é a gente vai publicando as coisas que são mais relevantes para nós. A gente também tem isso, tá, aqui no Jibizila barra Imagina. A gente tem muito disso, que é importante para nós, o que a gente acha que faz sentido e é relevante para nossa audiência, com o nosso olhar, sempre com opinião.
Sempre com questionamento. Mas quando acaba a San Diego Comic-Con, a gente olha para o todo e fala: legal, o que a pessoa precisa saber a respeito disso? E aí a gente faz uma curadoria. Todos esses eventos a gente tenta fazer isso, né? A New York Comic-Con, os grandes, né? A New York Comic-Con, a San Diego Comic-Con, a própria CCXP aqui no Brasil. Putz, o que que rolou? O que que foi? A gente não vai dar naquele apanhadão que a gente faz, não vai ter tudo, mas vai ter o principal e principalmente uma análise, um olhar sobre, putz, isso seria importante você saber por causa disso, disso, disso, mas essa discussão fez sentido, tal, tal, tal, tal, tal.
E aqui, sei lá, tem uma listinha dos principais trailers para você assistir, para você não ter que ficar procurando em todas as redes sociais de todos os seus veículos favoritos Omelete, A Legião dos Heróis, O Vício e depois do Ei Nerd. E depois não foi só uma reação assim, é, o Universo aqui nem tem mais isso, né? Universo aqui tá focado só no podcast agora, na real, né? Mas em todos esses grandes veículos de comunicação, você não precisa olhar as redes sociais de cada um deles para, puta, o que que eu perdi, não sei o quê e tal. A gente faz uma curadoria.
Curadoria, cara, é uma palavra muito importante e que cada vez vai ficar mais importante, porque nesse mundo de avalanche de informações e de assuntos, se você não tiver, que se você não tiver uma curadoria própria ou alguém que faça essa curadoria para você, você vai ficar perdido, você não vai conseguir absorver. É isso. Isso é um grande trend da comunicação daqui para frente, você ser curador de como que nada mais é do que ser, né, jornalista, editor.
Sim, sim, é jornalismo, é jornalismo, é jornalismo, é isso.
Você falou o que que é importante, isso é importante, ok, mas quando tudo é importante, nada é importante.
E principalmente isso é importante, e o porquê isso é importante, porque muitas vezes esse jornalismo de redes sociais não traz essa resposta, né? O porquê que aquilo é importante, por que que é importante, que o porquê sempre demora um pouquinho mais para você explicar. O porquê sempre vai demorar um pouquinho mais.
E aí sim entra a questão de explicar o mundo.
Então, por quê é justamente aquilo que as redes sociais não querem. A rede social não quer o porquê, porque o porquê vai demorar mais que 3 minutos.
Ele quer te entuxar de pipoca.
A rede social, ela quer que você veja o vídeo de 1 minuto e meio, já pule para o próximo e já pule para o outro e depois para o outro, e por aí vai. Tem alguns sinais de que algo saiu do equilíbrio neste consumo de notícias, que é um, você acordar e pegar o celular antes de levantar, você tem que olhar o que aconteceu. Ah, vou ver o que estão falando nos grupos do WhatsApp aqui, vou ver o que rolando no Twitter, não sei o quê lá.
Você sentir culpa por você não saber da última notícia. A coisa de não conseguir assistir um filme sem checar o feed. E aqui eu tô falando não só em casa, mas no cinema. Tem gente que vai ao cinema e até o último segundo antes de começar a porra do filme não larga.
E depois não larga o cachimbinho de crack virtual.
E até no meio do filme a pessoa tem que olhar. Assim, eu já vi pessoas, o cara tendo que olhar, dando um scroll na timeline do Twitter, assim, tipo, para quê, amigo? Como assim, velho? Por que que você precisa saber disso?
Exatamente. Se você precisa ficar ligado em alguma coisa, precisa responder alguém, não vá no cinema. Não vá no cinema, porque o cinema exige que você fique pelo menos 2 horas off. Não vá no teatro. Sabe, cinema e teatro, gente, cinema e teatro não dá para entrar com celular, não dá, não dá. Essa geração, cara, sem brincadeira, é nossa, me deixa.
Mas posso falar, não é só essa geração não, tem muito velhinho que a gente já viu inclusive levando bronca em teatro. Lembra, teve uma peça de teatro que a gente foi assistir, um balé aliás, que a gente foi ver, uma apresentação de dança que a gente foi ver, e tinha uma senhorinha no banco da frente, teve que vir o segurança para pedir para ela desligar a porra do celular. É isso assim, cria um negócio, uma dependência daquilo, que é uma dependência que faz você se sentir, cria uma sensação de culpa assim.
Putz, eu não estou sabendo o que está acontecendo no mundo. Será que se você tivesse consumindo um monte de tweets um na sequência do outro é o equivalente a estar sabendo realmente o que tá acontecendo no mundo? Será que você realmente— a gente já também já teve essa conversa aqui, tá, algumas vezes inclusive— mas será que você realmente sabe o que está acontecendo na Faixa de Gaza apenas tão somente seguindo um bando de perfis do Twitter?
Sério, de verdade, você acha realmente que você sabe de verdade? Não, dependendo do perfil sim, mas esse que eu tô—
mesmo por um perfil também não, né?
Não, mas se for o perfil mais confiável do mundo, a informação ela tá ali mastigada a um ponto que ela tem que caber numa quantidade de caracteres. Ou seja, você não tá consumindo uma análise de verdade, você não tá lendo um estudo aprofundado, um estudo que justapõe. Porque é isso também, é uma situação complexa, as situações complexas, aí a faixa de Gaza, é a guerra da Rússia, da Ucrânia, que não tem santo ali. Os dois são dois arrombados.
O Zelensky é um arrombado, Putin um arrombado. E mas quem tá embaixo tá se fodendo. O povo russo e o povo ucraniano, eles estão se fodendo horrores na mão dos dois, e um contra o outro. E aí, que análise que você faz? Aí, questões, e aí a mesma coisa política aqui no Brasil, ou seja, questões complexas Elas demandam, elas demandam discussões complexas. E as redes sociais não existem para discussões complexas, né? Então assim, essas discussões são discussões que demandariam, sabe, inclusive você não ouvir só— entenda o que eu vou dizer aqui agora, tá?
Com muito cuidado o que eu vou dizer aqui, mas demandariam você não escutar apenas tão somente um lado da história. Claro, se o outro lado é um nazista, um fascista, não sei o quê, foda-se, não é para ouvir mesmo, pau no cu dele, tá? Mas tem muitas discussões, mesmo entre setores progressistas, por exemplo, que eles divergem entre eles. A gente teve aqui um episódio muito legal, que era um episódio de esquerda contra esquerda.
É importante que a gente entenda que às vezes essa discordância ela é boa e ela gera um terceiro. Você tem um lado falando, tem um outro falando, e aqui no meio gera talvez uma terceira opinião, que pode ser a sua, você montar a sua opinião, né? Então assim, a gente listou aqui algumas estratégias reais para discutir com vocês novamente aqui. A gente não é coach de nada, a gente não tá aqui querendo ser o coach do jornalismo. Compra nosso curso.
Não, não é isso. Entra no link da bio e compra o curso. Não, mas até porque a gente não tem curso, até porque a gente não tem curso. Mas a gente separou algumas coisinhas aqui, talvez sejam interessantes. Assim, um, a coisa da curadoria, isso que a Gabi tava falando. Você também pode fazer a sua curadoria. Ou seja, ao invés de ler essas, ver cada uma dessas atualizações, deixa para ler uma análise maior, seja em vídeo, em áudio, no formato texto, uma newsletter, por exemplo.
É isso. Por exemplo, a newsletter é uma coisa muito legal. Por quê? Porque ela tem, ela respeita o seu tempo. Você recebeu uma newsletter via Substack lá, por exemplo, ela tá lá na sua caixa de email e você vai ler quando você quiser, e não necessariamente quando que tem determinados posts que você não lê na mesma hora, o scroll faz ele desaparecer. Ai, meu Deus, eu não li algo que o fulano escreveu! Foda-se, sabe? Enfim, e a coisa de escolher alguns poucos veículos barra criadores de conteúdo barra jornalista, tu quer que seja, que sejam confiáveis para você, que gosta, que você acredita na opinião deles, e tu escolhe alguns poucos.
E mesmo assim eles vão te decepcionar em algum momento, tá?
Tá ótimo, é isso, mas acontece, né? Mas é isso, escolhe esses, meu, foca neles. Assim, teve um determinado momento em que as redes sociais, talvez os mais jovens se espantem com isso, teve um determinado momento que as redes sociais elas não existiam. E como elas não existiam, a gente Hoje, se eu quero saber do conteúdo do UOL, eu vou lá e sigo o UOL no Twitter. Aí eu espero que o algoritmo me entregue o conteúdo do UOL na minha timeline.
Houve um momento em que, para eu saber o conteúdo do UOL, eu tinha que entrar no site do UOL, www.uol.com.br. UOL, não tô fazendo propaganda para vocês aqui não. Mas se quiser me pagar, pode. Mas enfim, cara, hoje a gente obviamente não faz isso. A gente espera que os algoritmos cumpram a função de nos trazer o conteúdo de bandeja. Será que talvez não seria o caso de, para algumas coisas, a gente respirar fundo e falar, putz, eu vou voltar ao meu hábito de acessar sites.
E aí de repente fazer uma pastinha de favoritos no seu navegador de sites que você gosta, acha relevantes, criar de fato novamente numa versão digital o que a gente tava falando lá atrás, que era a hora do consumo da notícia, que é o segundo ponto aqui. Impor talvez limites, você não começar nem terminar o dia no feed, você ter horários talvez para você consumir notícia e consumir notícia talvez com contexto. Porque também assim, respira fundo, eu vou atrás disso aqui agora, isso vai mudar minha vida hoje neste exato momento, ou só vai aumentar a minha sensação de ansiedade, de ameaça, enfim.
Né?
E principalmente o quarto item aqui, que eu acho que é um item fundamental, que é a coisa da humanidade. Eu tenho que ter o meu momento de ver os amigos, de ouvir música, de ler ficção, de ir no cinema, cortar grama, tocar a grama, cortar grama também, cortar grama é bom. Ou seja, tem um espaço de respiro. E a cultura, cultura pop, não só cultura pop, mas todo tipo de cultura, né? A gente já discutiu também, enfim, se a cultura é cópia ou não, vamos lá.
Mas qual que é o ponto? A cultura, arte são espaços de respiro, então espaço para você, vamos, beleza, agora vai.
Né?
Porque se eu perguntei lá atrás se o nosso, o cérebro humano, né, ele foi feito para acompanhar o planeta inteiro em tempo real, eu agora pergunto de novo: é possível ser um cidadão responsável sem necessariamente carregar o peso do planeta inteiro nas costas? Esse é o grande ponto. E aí tem aqui uma, uma contradição. Antes de chegar numa conclusão, a gente tem uma contradição final aqui. Desligar tem risco? Ou seja, como encontrar?
E aí isso aqui na verdade são perguntas, tá? Ou seja, de verdade eu não acho que a gente vá ter uma que não acho que existe uma resposta. E talvez até, digo mais, existam respostas diferentes para mim, para Gabi, para você que tá escutando. Mas como evitar que a gente caia na alienação? Aí é o outro extremo completo. Ai, não, eu não vou. Aí você fica, você fala, puta, isso tá me dando muitíssimos gatilhos, aí eu já não vou ver mais notícia nenhuma. Ou seja, o outro extremo também é perigoso, é óbvio.
Tá?
Como a gente evita, a gente cria um equilíbrio que evita que a gente caia na alienação. Qual que é a diferença entre a preservação emocional e a indiferença, né? Então assim, sei, talvez o objetivo seja não saber de tudo, mas talvez saber o suficiente para agir como um cidadão consciente, votar de maneira consciente, participar do dia a dia da sua comunidade, do seu bairro, da sua cidade, faculdade, enfim, onde você pudesse envolver e viver, viver com responsabilidade, né?
Ou seja, acho que isso é uma coisa importante assim. Tem uma pergunta que assim, qual foi a última vez, eu tinha até deixado essa pergunta aqui como, né, Você que tá aí escutando, inclusive responda essa pergunta, responde aí nos comentários, responde nas nossas redes sociais e tal, que é: quando foi a última vez que uma notícia mudou o seu humor? Por horas, por dias, o que quer que seja, né? Enfim, eu tendo a pesar, por exemplo, aqui é um depoimento pessoal meu, Tá, enquanto pessoa física e política, né, eu tendo, tendo a talvez tomar um pouco mais de tempo.
Não que eu não me informe sobre o que acontece fora do país, mas eu tendo a tomar um pouco mais de tempo a me informar sobre o que acontece aqui. Mais ao nosso redor, porque isso tem, isso afeta muito mais diretamente, rapidamente a nossa realidade. E eu também posso ter um impacto direto naquilo, né? Eu posso ter um impacto se eu tô sabendo, obviamente, sobre o que tá acontecendo com os potenciais candidatos a presidente. Eu, o meu poder de voto tem impacto sobre aquilo.
Poderíamos discutir o poder desse impacto. Enfim, enquanto pessoa ligada ao anarquismo, poderia discutir um pouco esse poder de voto. Mas enfim, não é o ponto. Assim, a gente, né, tem essa, esse poder, a gente mora aqui, a gente vive nesse lugar, né? Então eu tendo, e por consequência, esse tipo de notícia tende a me pegar um pouco mais.
É notícia que mais me pega, que mais me deixa assim abalada de vez, assim arriada, é violência contra mulher. É isso, violência contra mulher, contra meninas, abuso sexual de criança, pedofilia. Isso me destrói meu dia, destrói meu dia, destrói. E é todo dia, todo dia, todo dia, todo dia. Sabe, pelas estatísticas, pelo menos 4 mulheres são mortas por dia no Brasil. Por dia. Isso fora as questões de abuso sexual de crianças e adolescentes aí.
Então essas notícias são as que mais me abalam, mais me abalam. E fora, tipo, né, a questão de guerra também, que eu fiquei muito envolta durante esses 4 anos, pelo menos, né. Mas essa daqui que mais me abala é a que tá aqui debaixo do nosso nariz.
Então assim, o que a gente precisa buscar, em resumo, é o que eu também já vi muita gente chamando de maturidade informacional. Tem uma coisa que muitos especialistas dizem, que é especialistas da nossa área, né, de comunicação, dizem que seria importante estar incluído no currículo, inclusive escolar, que é o consumo de mídia, de que forma as pessoas consomem mídia. Mas que eu tô falando consumo de novo, não é do TikTok não, tá?
É, ah, como a pessoa consome 1, 2, 3 TikTok? Não, eu tô indo além disso. Ou seja, de que maneira as pessoas aprendem a ler a partir do, a partir da superfície, a partir da superfície. Exatamente, exatamente.
Gente, dá para a gente, dá para você confirmar essa notícia em outros jornais que são idôneos. Então, tipo, aí saiu no Cabo Bró de Santa Bárbara, que tipo, aí o Trump vai bombardear o Brasil. E aí cria-se um pânico geral, né? Saiu, saiu em outros jornais? Saiu onde? Saiu na Folha de São Paulo? Saiu no Estadão? Saiu, saiu no New York Times? Saiu no The Guardian? Saiu não saiu, ninguém deu uma linha sobre. Então muito provavelmente essa notícia é falsa.
Então assim, é preciso ter, é preciso ter essa informação, é preciso ter essa guia, né? Tipo, as pessoas precisam ser guiadas a detectar uma notícia falsa, uma fake news. Agora mais ainda detectar vídeos falsos, sim, que a gente sabe que tá crescendo muito. Por exemplo, o número de idosos que são enganados por médicos feitos de ano nas redes sociais. Ah, então você toma isso, chá de carqueja cura o câncer, pode tomar, sabe? Tipo, socorro, gente, umas coisas assim.
Não tome vacina porque a vacina tem chip da China e eles vão te controlar. E assim, são vídeos que as pessoas idosas não conseguem, ainda não tem um olhar muito apurado para saber que aquilo é É IA, não é IA?
Você passa o lance do Drauzio Varella, né? Ou seja, que ele tá aí, a voz dele mesmo, vídeos que manipulam, pegam vídeos dele, sei lá, de reportagens do Fantástico, por exemplo, com ele, e aí manipulam a voz e a boca. Enfim, aí ficou uma coisa, né, a pessoa não fica, a pessoa fica, ah, é o Drauzio Varella que tá falando sim, que esse remédio feito de placenta de gato, ele ajuda a curar a minha diabetes, entendeu? Então assim, é complexo, né?
Isso fora assim os golpes amorosos, né, que a gente já falou inclusive já aqui. Tipo, tem muito cara que fica dando golpe em senhorinha que é viúva, pede dinheiro. As viúvas simplesmente deposita todo o dinheiro que elas têm guardado para ela lá num carinha que nunca vai olhar para a cara delas, que é às vezes de poliar.
Absurdo, absurdo, gente. Então assim, maturidade informacional passa por a gente entender que o mundo é muito importante, mas que a gente precisa ser cada vez mais criterioso e cauteloso. As duas coisas: precisa ter critério, entender contexto, entender curadoria, e também ser cauteloso para entender Ah, um grande veículo desses, isso aqui erra, erra. Às vezes tem opiniões com as quais a gente não concorda, às vezes, quase sempre eu diria, principalmente esses veículos da grande mídia nos últimos anos, muito assim.
Mas, gente, ainda assim são grandes veículos com estrutura jornalística suficiente para poder ter uma apuração minimamente decente. Vão errar, vão errar, mas, cara, acontece, faz parte do jogo. Só que Você tem que entender que o mundo é importante, com critério, com cautela, mas a sua saúde mental é mais importante que tudo, também faz parte desse mundo.
Não é mais importante que tudo? Sem saúde mental você não consegue fazer nada, nada, nada. Então assim, não é porque você vai deixar de ler uma notícia sobre aquilo, se você não tá, não tá informado, foda-se, foda-se. Se você tá em paz, aquilo não aumentou seu cortisol, não aumentou seu colesterol, né? Se você não teve que tomar Rivotril por conta daquela notícia, então aleluia, glória a Deus, quer dizer que tá certo, o mundo tá maravilhoso.
Então é isso, sabe? O mundo não vai acabar porque você não ficou sabendo que— ai, você não ficou sabendo? Não, não fiquei sabendo porque eu não quis. É isso, eu escolho não saber. E às vezes, enfim, e às vezes é bom, entendeu?
Às vezes é uma E aquilo que a gente precisa fazer, vai saber depois de um jeito melhor, mais apurado, mais qualificado.
Uma coisa que a gente, que eu sempre falo, que eu falei muito durante a questão da guerra de Gaza também, que era o seguinte: você não tem certeza sobre alguma coisa, procure algum amigo seu, alguma pessoa que é entendida sobre aquele assunto e pergunte. Eu sempre falei, eu sempre deixei o meu canal aberto aqui. Se você não sabe, se você tem dúvida sobre aquilo, ah, então é isso mesmo, não é isso, eles estão fazendo isso, não estão fazendo isso, é assim, é, sabe, conversa comigo, eu estou aberta, vem perguntar para mim, vem perguntar para mim, eu aqui eu te respondo, eu me coloco toda, toda meu conhecimento e tudo, todo meu tempo para poder te elucidar essa questão.
E a gente tem algumas coisas do qual a gente entende aqui, né, tipo, exato, né, do jornalismo, seja nessa questão, eu mais nessa questão da guerra aí, o Thiago em outras questões. Então assim, se você sabe, se você tá com dúvida, pergunta pra gente, pergunta pra gente, a gente não tem problema que a gente responde.
E se a gente não souber também, a gente vai falar, é óbvio, sim, sim, não sei mesmo, indica uma outra pessoa, falar, eu sei que o fulano de tal foi excelente sobre isso, fala com ele, segue lá nas redes dele que ali é garantia. Enfim, é, tem isso também. Isso é curadoria, né? Isso, você tem pessoas mais próximas de você que de alguma forma entendem do assunto. Enfim, gente, o papo era esse. Quero deixar dois breves recadinhos antes da gente encerrar aqui, só para você não esquecer.
Número 1, se você vai comprar seus livros, seus GPs, seus CDs, discos de vinil, quer que seja, e não tá indo comprar na lojinha da do bairro ali e tal, né? Beleza, é muito legal. Sugerimos, inclusive incentivamos que você vá comprar. Mas você quer comprar, sei lá, na Amazon para ter um pouquinho mais de, sei lá, ter um desconto especial, qualquer coisa que eu falo, para mandar entregar na casa de alguém? Enfim, então faz o seguinte: se você optar por comprar na Amazon, pense em comprar no link da nossa lojinha que a gente deixa aqui.
Tá? Se você compra por esse link, você não paga nada a mais, nada, nada, zero, zero reais a mais, mas a gente ganha um percentual a cada compra. É um percentual pequeno, mas obviamente a cada compra a gente vai sendo remunerado pelo seu Jeff Bezos e você ajuda este casal de criadores de conteúdo a continuar crescendo e trazendo discussões relevantes como essas, tá? Ponto número 1. Ponto número 2: É, a gente não esqueceu, mas acha que vocês esqueceram.
Tem uma vaquinha aberta para que a gente possa colocar de pé as prateleiras da nossa Gibiteca barra biblioteca.
A gente vai fazer um cenário lá, né?
Exatamente.
Quem sabe a gente pode até aparecer no podcast aí, ó. É, pode ser um podcast gravado em vídeo, por exemplo, um videocast, porque no momento a gente tá na sala de casa fazendo isso porque a gente não tem um cenário muito bonitinho.
A ideia é essa, a ideia é que aquilo vire cenários, né, diferentes cenários para a gente gravar vídeos curtos, longos, médios. E vocês que acompanham os nossos vídeos mais curtos sabem que o nosso único cenário é uma única, solitária e coitadinha prateleira que fica atrás da gente. Então, gente, entre lá no link da vaquinha, também tá aqui. Se você vai contribuir pela vaquinha em si, eles pedem um Eles pedem uma contribuição mínima de R$25, mas lá na página tem o link do Pix, que é um Pix específico da nossa campanha.
Este Pix é um Pix que vai direto para campanha, e ali você pode contribuir com o valor que você quiser: R$1, R$2, R$5, R$10, tanto faz. Tá? Então é isso. Muito obrigado a todos os amigos que já colaboraram. E você que é nosso amigo que não colaborou ainda, shame on you, como dizem os americanos, ou vergonha, vergonha para você e para sua vaca. É isso. Beijo, gente, e até o próximo episódio.
E você, muito obrigado por ouvir mais este episódio de Imagina Se Pega no Olho.
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