Há um ponto da vida em que percebemos, quase como um sussurro, que estamos vivendo uma história que não nasceu de nós. Uma vida que veste o nosso nome, mas não veste a nossa essência.
E então a vida pesa. Pesa porque não é nossa. Pesa porque é uma vida construída para compensar, não para existir. E cada tentativa de compensação nos afasta um passo do corpo. A vida começa a parecer estranha, como se estivéssemos assistindo de fora, como se algo estivesse sempre um pouco deslocado, um pouco torto, um pouco distante.