Episódios de Entrechat de Ballet - Por Tamires Reis Personal

O Guia da Bailarina Inteligente: Como aplicar a Ciência da Dança no seu dia a dia.

26 de julho de 202614min
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Ser uma bailarina inteligente é entender que seu corpo é uma máquina complexa e que a ciência tem as chaves para destravar sua performance com segurança e eficiência. Hoje, eu mostro como aplicar a ciência da dança na sua rotina, saindo do automático e entendendo a lógica por trás de cada ação. Você vai aprender a diferenciar a dor normal do desenvolvimento muscular da dor que sinaliza lesão, entender por que o treino complementar fora da sala é a base que sustenta sua técnica (e não um extra), e descobrir por que o sono e a recuperação são decisões técnicas tão importantes quanto praticar piruetas.

Participantes neste episódio1
T

Tamires Reis

HostPersonal trainer de bailarinos
Assuntos4
  • Superando a estagnação e a dorDor do desenvolvimento muscular · Dor aguda e persistente de lesão · Sinais de alerta no corpo
  • Individualização do treinoLacunas de força e estabilidade no balé · Treino físico vs. treino técnico · Musculação como base da arte
  • Sono e recuperação muscularSupercompensação muscular no descanso · Impacto do sono no rendimento · Recuperação como decisão técnica
  • Importância da dançaAplicação da ciência na rotina de bailarinos · Entender a lógica por trás dos movimentos
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Você é bailarino e já sentiu que por mais que você faça muitas aulas, você se esforce, você se dedique, parece que o seu corpo chegou no limite técnico, ou que independente de qualquer coisa você tá sempre cansada? Muitas vezes a resposta não está em treinar mais, mas sim em treinar com inteligência. Roda aí, vida! E aí, meu povo bailarinitico, eu sou Tamires Reis, personal trainer de bailarinos, e sejam muito bem-vindos a este canal que conta com muita ciência, muita experiência, muita coisa boa relacionada ao balé, a performance, tudo que gera nesse mundo, relação com os esportes também.

Então se você gosta desse tipo de conteúdo, aproveita, se inscreve aí no canal, clica aí no sininho para ativar as notificações, porque toda semana tem vídeo novo. Se inscreve aí! Hoje eu quero mostrar para vocês como aplicar a ciência da dança na sua rotina para evoluir, principalmente com segurança, mas também com eficiência. Porque assim, ser uma bailarina inteligente significa entender que o seu corpo ele é uma máquina complexa e que a ciência tem as chaves para destravar, digamos assim, essa performance, né?

Porque a ciência da dança não é algo que fica apenas em laboratórios ou na faculdade ou em artigo científico. Ela é a união da biomecânica, da fisiologia e da psicologia, além das outras coisas, né, como a própria ciência das artes, né, a história, mais interpretação ligada ao movimento artístico. Então assim, quando você entende porque o seu en dehors ele depende da força dos rotadores e não apenas da força de virar o pé, né, que eu sempre falo aqui no canal, você tá usando a ciência de certa forma.

Então o objetivo aqui desse vídeo é parar de repetir os movimentos de forma automática para você passar a entender a lógica por trás de cada passo. Então eu vou te contar alguns pilares que você pode pensar baseado nisso. Pilar 1: primeira coisa que você precisa entender, que é imprescindível no meio da dança, ainda mais para gente que ainda normaliza a dor, é diferenciar a dor da lesão de uma dor de musculatura. Então assim, um dos maiores ensinamentos da ciência é aprender a ler os sinais do seu corpo, porque existe a dor do desenvolvimento muscular, aquela dor, aquela queimação, né, que a gente também associa muito na musculação lá, no pé em alguém, sinceramente eu odeio isso.

E tem aquela também que a gente sente após um treino de fortalecimento, que faz também parte do processo de você ganhar força. Então existem vários tipos de dor. Tem uma dor que você sente local, tem uma dor que você sente após, e existe a dor da lesão. E geralmente a dor da lesão ela é aguda, ela é persistente, e ela em locais específicos. Como tendão, articulação e algumas musculaturas, né, que você consegue sentir ali uma dor um pouco mais agoniante.

E quando ela acontece, por exemplo, no dia seguinte, é uma dor que continua alta. Então eu gosto sempre de perguntar para os meus alunos, né, na comunidade Balearina Que Treina: no dia seguinte, de 0 a 10, o quanto que você tá com dor? Porque se você tá com uma dor mesmo no dia seguinte acima de 7, acima de 6, É um sinal. Se 2 dias depois aquela dor ainda não abaixou, aí você precisa realmente parar e dar uma avaliada nessa, nessa dor, porque não é uma dor normal.

Existe sim as dores musculares, né, de treino, que podem, dependendo da pessoa, acontecer até 72 horas. Mas quando a dor ela continua aguda e intensa mesmo alguns dias depois Aí é merda, galera. Aí não tem como defender não. E uma bailarina inteligente, ela não ignora a dor, né? Ela investiga. Então, se você sente uma dor sempre no mesmo lugar, sempre que você termina a aula, sempre insistentemente, é sinal de que a sua biomecânica, ela precisa de um ajuste, e que não é só você fazer mais, repetir mais daquele exercício.

Você precisa ali mudar aquele padrão de movimento. O pilar 2, é óbvio que é o meu pilar predileto, é a importância do treino complementar. A ciência nos mostra que o bailarino por si só ele não prepara os corpos, o corpo para todas as demandas do balé, né? Porque as aulas elas trabalham muito mais a resistência, a técnica em si, e muitas vezes eles deixam algumas lacunas de força explosiva, estabilidade articular, capacidade cardiorrespiratória.

Então assim, quando a gente conhece sobre treinamento esportivo E assim, isso é até um problema, porque muita gente quando vai fazer faculdade de dança, existe sim as aulas de anatomia, existe as aulas de biomecânica, existe as aulas de sinesiologia, mas a faculdade de dança não tem uma disciplina que é exclusiva da educação física, que é a disciplina de treinamento esportivo. Por isso que a gente fala sobre treinos complementares com personal trainers, porque é nesse momento que você entende a diferença do treinamento.

Não é só treinar por treinar. É dentro de, por exemplo, uma aula de balé clássico. Quando você coloca num contexto de treinamento esportivo, a aula ela é considerada um treinamento técnico, o ensaio é considerado um treinamento tático, enquanto que o treino complementar é considerado um treino físico. Então você fazer aula de balé, você não está treinando o seu físico, você está treinando a sua técnica, está fazendo uma preparação técnica.

Você ensaiar, você está fazendo um treino tático, né? Então você tá ali buscando movimentos específicos para aquela coreografia, e o treino complementar prepara o seu físico, entende? Não, não, ele tem toda razão. Então aplicar a ciência no dia a dia é entender que musculação ou a preparação física, elas não são atividades extras apenas por si só, mas elas são a base que sustenta a sua arte. É isso que o bailarino não entende.

Eles entendem que o balé é a base, o balé é a base. O balé é a base técnica, mas uma musculação, uma preparação física— e quando eu falo musculação, gente, não é só academia, tá? Porque a gente consegue fazer treinos de musculação em casa com acompanhamento correto, que você pode fazer na Comunidade Bailarina Que Treina, que é o primeiro link da descrição, tá? Valeu! Então você consegue preparar essa base muscular, porque o que eu sinto muito, principalmente nos bailarinos brasileiros que não têm um um foco muito grande em preparação física, isso desde a escola, desde a nossa aula de educação física, que não é tão, não é do jeito que a gente queria, existe uma falta de preparo de base.

E essa nova geração, por exemplo, a geração principalmente que tá nas telas, né, que tá mexendo muito no celular e tal, tá crescendo, falta também uma parte coordenativa básica de coordenação motora fina. Então eu cheguei a conversar uma esses dias com uma diretora de escola, de escola mesmo regular, e ela fala que hoje em dia as crianças elas têm muito déficit de coisas pequenas. Então você pega uma criança que não sabe rosquear um, sabe, tipo, mesmo que seja uma garrafinha de refrigerante pequena, mas ela não tem essa coordenação.

Você pega a criança que não tem força para abrir um pacote e aí fala, ai mãe, são coisas que parecem bobas, mas quando você vai colocar no movimento esportivo são coisas que fazem muita diferença. E quando a gente fala de coordenação, a gente fala diretamente com um frappé, por exemplo, com uma bateria que exige uma coordenação e uma velocidade. Então você fazer uma preparação física é muito importante para você desenvolver essa base que vai sustentar sua arte.

Então é um treino complementar que você faz, né, fora da sala, que vai permitir que você salte mais, que você sustente as suas pernas, que você tenha agilidade, que é uma coisa que você até trabalha lá no treino técnico, né, na sua aula, mas quando você faz um trabalho por trás aliado com essa base, aí fica sucesso. E o terceiro pilar, que é um pilar que, olha, ai, gente, eu passo raiva com bailarino, eu realmente passo raiva com bailarino, que é a questão da recuperação e do sono.

Porque assim, é um outro ponto científico essencial que a gente fala no treinamento esportivo, lá na faculdade de educação física, lá na disciplina de treinamento esportivo, que é o conceito de supercompensação. Então assim, o seu músculo ele não vai evoluir durante o treino apenas porque você tá treinando ele, mas ele também evolui no descanso. Sabe aquele meme que fala assim, ai, o músculo cresce no descanso? De fato, gente, quando você precisa, você aplica um estímulo ali no seu músculo Existe ali um estresse muscular de fato, né?

Fisiologia ela conta disso. E para você adaptar o seu corpo a esse estresse muscular, você precisa da supercompensação, que é feito no período de descanso. Então você aplica uma técnica, aí o músculo sente aquele estresse e ele precisa de um tempo para adaptar, para melhorar. A fisiologia, gente, vocês não têm noção do quanto que ela é maravilhosa. Ela explica todo o universo. E ela é maravilhosa. Então assim, não adianta você só fazer, fazer, fazer, fazer, fazer, fazer se você não recupera.

E não é só tipo, ai, treinei um dia, descansei no outro e vou treinar outra vez. Às vezes é dormir. Se você não dorme direito, gente, se você fica horas ali mexendo no celular e perdendo horas do seu sono, não vai ter treino que vai segurar as pontas não. Então se você não dorme bem ou você não tem dias de recuperação, o seu rendimento ele vai cair e o risco de lesão aumenta drasticamente. Então descansar com estratégia é uma decisão técnica tanto quanto você ficar repetindo o padrão motor de, sei lá, piruetas e pequenos saltos, entende?

Então com esses pilares, né, que eu falei, primeiro você entender como tá sua dor, você aplicar os conceitos de, não só os conceitos na verdade, você colocar o treino complementar dentro da sua rotina e você se recuperar bem Se você alia pelo menos essas 3 coisas, pelo menos, e olha que eu nem tô falando de nutrição, eu nem tô falando dos aspectos mentais, eu nem tô falando dos aspectos da própria lesão em si, mas minimamente você entende como tá sua dor, como que você separa o seu momento do seu dia para treinar e como que você dorme, o seu desempenho já vai melhorar muito, porque são lacunas que acontece diariamente no mundo da dança.

Então eu vejo no dia a dia, eu vejo lá nas redes sociais, eu vejo colegas amigas meus falando: ah, é só uma dorzinha, eu vou deixar passar. Ah, eu não vou começar a fazer musculação agora porque agora eu tô com uma rotina muito pesada. Ah, mas eu tô, eu tô ficando o domingo sem treinar, mas o resto da semana eu não durmo bem. Não adianta, gente, não vai ter curso de férias, não vai ter coach de variação, não vai ter nada que vá te sustentar, sabe?

A ciência, ela dá as ferramentas para gente. Eu já fiz muitos vídeos explicando também essas formas de ciência, como monitoramento de carga interna e tudo mais, que eu citei em outros vídeos por aí, para que a nossa carreira, ou até o nosso hobby mesmo, porque eu falo muito sobre performance, mas eu sou uma bailarina adulta hoje em dia. Eu deixei de dançar profissionalmente, mas eu continuo atuando como bailarina adulta. E ainda assim, mesmo não colocando isso como profissão de fato, dançando, eu quero melhorar minha performance, eu quero dar o meu máximo, eu quero curtir esse processo até quando eu tiver 80, 90 anos, o máximo que der.

Então a ciência ela traz essas ferramentas para que a gente consiga durar o máximo de tempo possível executando as coisas com qualidade. Então assim, é muito importante você olhar realmente com calma para o seu corpo, independente se você é profissional, se você é amador, se você faz por hobby, independente, porque é o seu corpo. Então eu sempre gosto de falar aqui no canal Tem gente que faz corrida de rua, tem gente que faz crossfit, tem gente que faz beach tênis.

Chega uma hora que você quer dar o seu melhor, e muitas das vezes, 90% das pessoas que fazem esse tipo de coisa contrata ali uma assessoria, contrata ali um personal para poder melhorar essa prática. Por que que na dança não? Por que que vocês continuam pegando treino de blogueira? Por que que vocês continuam pegando treino da internet quando a gente sabe que Aplicando as coisas da maneira correta é um caminho muito mais prático do que ficar pegando diquinhas por aí, sabe?

Então eu quero saber de vocês qual desses 3 pilares você sente mais dificuldade, né? Se é na leitura dos sinais do seu corpo ou na organização dos treinos de fora do balé. Então comenta aqui para a gente trocar essa ideia e não se esquece, claro, de se inscrever para receber mais conteúdos como esse, mais reflexões vlogs, dicas, dicas assim, não dica só para você pegar e sair aplicando como se não houvesse amanhã, né, porque eu acabei de falar, senão eu ia estar sendo hipócrita.

Mas para você abrir um pouco essa cabeça do quanto que é importante você cuidar do seu corpo. Gente, dança é saúde. Muita gente fala sobre dança de que é um momento ali, tipo, não é terapia, mas é terapêutico. Mas a partir do momento que se você deixa a lesão ir passando, aí ela começa a virar uma dor de cabeça. E eu acho que aqui ninguém quer dançar com dor de cabeça, né? De lesão e etc., não é mesmo? Então é isso, meu povo! Não se esquece de se inscrever aí no canal, ativar as notificações, porque toda semana tem vídeo novo. E eu espero vocês na semana que vem. Então até lá!