Episódios de Quinta Misteriosa

O MISTERIOSO CASO DO ESTRANGULADOR DE BOSTON #610

17 de julho de 202637min
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Entre junho de 1962 e janeiro de 1964, 13 mulheres foram mortas em Boston. Oficialmente, 11 delas são associadas ao 'Boston Strangler'. A verdade sobre quantas foram realmente mortas pelo mesmo assassino permanece contestada até hoje. #610

Participantes neste episódio2
G

Gisberta Salsi Jr.

Narrador
S

Speaker B

ConvidadoJornalista
Assuntos10
  • Captura e confissão de Andrei ChikatiloConfissão dos crimes · Interação com George Nassar · Dúvidas sobre a veracidade das confissões
  • O papel das jornalistas Loretta McLoughlin e Jean ColeIdentificação do padrão dos crimes · Criação do termo 'Boston Strangler' · Machismo na polícia e imprensa
  • Primeiras vítimas do Estrangulador de BostonAnna Slussers · Mary Mullen · Nina Nichols · Ellen Blake
  • Modus operandi nos crimes de GainesvilleSophie Clark · Patrícia Bissette · Mary Brown · Beverly Simmons · Evelyn Corbin · Joan Graff · Mary Sullivan
  • A teoria de George Nassar como o verdadeiro estranguladorDetalhes específicos revelados por Nassar · Inconsistências nas confissões de DeSalvo · Perfil psicológico de DeSalvo · John Douglas e sua análise
  • Caso Joseph KallingerInfância e adolescência · Crimes como o Homem da Medida · Prisão e liberação
  • Investigação Policial e EvidênciasCriação de linha de emergência · Medidas de segurança das mulheres · Pressão sobre a polícia
  • O caso Mary Sullivan e a confirmação de DNAExumação do corpo · Análise de DNA · Dúvidas sobre outros casos
  • O advogado F. Lee Bailey e sua quedaDefesa de George Nassar · Representação de Patty Hearst e O.J. Simpson · Acusações de má conduta financeira · Perda da licença para advogar
  • Jornalismo e CinemaCarreira de Jean Cole · Carreira de Loretta McLoughlin · Representação no filme
Transcrição7 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
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Esse é um caso que envolve muitas vítimas e ele é bem confuso. Então, para tentar deixar mais fácil de entender para vocês, eu vou começar falando sobre um dos suspeitos. Seu nome era Albert Henry DeSalvo, e ele nasceu em Chelsea, Massachusetts, no dia 3 de setembro de 1931. Filho de Frank e Charlotte DeSalvo. Seu pai era um alcoólatra violento que batia na sua mãe na frente dos filhos. Uma vez, o Frank bateu tanto nela que ele conseguiu quebrar todos os seus dentes.

Outra vez, ele quebrou os seus dedos, um por um, enquanto ela estava inconsciente no chão. Depois disso, o Albert e suas duas irmãs foram vendidos por seu pai pra trabalhar como lavradores. Eles conseguiram escapar alguns meses depois e voltaram pra casa. Quando era adolescente, o Albert, incentivado pelo pai, começou a roubar. No início, eram roubos pequenos em lojas. Mas aí, ele começou a invadir apartamentos. Foi nessa fase que ele ganhou um apelido que o perseguiria: o Homem da Medida.

Ele entrava nas casas das mulheres fingindo ser um recrutador de modelos e pedia pra medi-las. Ganhava a sua confiança e depois abusava delas. Em 1961, depois de uma denúncia, o Albert foi finalmente preso por esses crimes e passou 18 meses na prisão. Em abril de 62, ele foi liberado. Não havia ninguém prestando atenção nele. Ninguém sabia que ele estava saindo da prisão naquele mês. Ele era apenas mais um. Só que 2 meses depois, crimes que assombrariam Boston começaram.

A primeira vítima foi Anna Slussers. Ela nasceu em 1907, na Letônia. E tinha se mudado pros Estados Unidos ainda jovem. Naquele ano, em 62, ela era uma costureira imigrante letã de 55 anos que ganhava $60 por semana. Ela vivia sozinha no terceiro andar de um prédio de tijolos vermelhos na Rua Gainsborough, no Back Bay. Um bairro onde muitos apartamentos pequenos abrigavam gente de pouco dinheiro. Geralmente estudantes e aposentados.

Era devota, frequentava a igreja, participava de missas memoriais da invasão soviética. Soviética, sua Letônia natal. Na noite de 14 de junho de 62, ela tinha terminado o jantar cedo, queria tomar um banho antes que seu filho Juris a buscasse às 7:45 para levá-la a um serviço religioso. Ela colocou o seu roupão e entrou no banheiro, ligou a água para encher a banheira e ligou o rádio para ouvir ópera. Aquele era um momento só dela, um ritual que sempre fazia antes de sair para rezar.

Seu filho Juris, que tinha 23 anos, havia se formado pela Universidade de Michigan e trabalhava no Laboratório Lincoln em Bedford. Ele chegou no horário marcado, Bateu na porta, mas ninguém respondeu. Ele bateu de novo, nada. Ele começa a bater mais forte na porta, mas ninguém atende. Até que ele decide arrombar aquela porta para conseguir entrar. E quando ele entra, ele encontra a sua mãe no chão do banheiro. Cordão do roupão estava amarrado em seu pescoço em um nó firme que era quase decorativo.

Ele imediatamente chama a polícia e depois ele liga para a irmã dele que morava em Maryland. Ele acreditou em um primeiro momento que a mãe havia tirado a própria vida, mas quando dois detetives, o James Mellon e o John Driscoll, chegaram na cena, eles perceberam que aquilo que não era um suicídio. A vítima estava nua, em um estado que foi descrito por eles como obsceno. Ela tinha várias marcas de espancamentos pelo corpo e a bolsa dela estava aberta no chão, com todos os itens revirados.

Um relógio de ouro estava sob a mesa e as joias dela estavam lá ainda. Então a polícia começou a acreditar que aquele tinha sido um roubo que deu errado. Mas o que eles não sabiam era que aquele era apenas o começo. A segunda vítima foi a Mary Mullen, que nasceu em 1887. E naquele ano, 1962, ela tinha 85 anos. Ela vivia na South Avenue, no mesmo bairro da vítima anterior, em Back Bay. E 14 dias depois da primeira vítima, no dia 28 de junho, a Mary foi encontrada morta no sofá da sua casa.

O atestado de óbito confirmou a causa da morte como sendo infarto do miocárdio. Então, em um primeiro momento, eles não conectaram os casos. O caso da Ana, da primeira vítima, estava sendo investigado ainda. E aí, para eles, não tinha nada a ver um com o outro. Só anos depois que eles começaram a comparar os casos e acreditar que, na verdade, a segunda vítima, Mary, morreu de Poucos dias depois, ainda no mesmo mês, mais mortes acontecem.

A Nina Nichols nasceu em 1894 e era uma fisiologista quando ela morreu, aos 68 anos. Na manhã do dia 30 de junho de 62, era um sábado, seu irmão Chester Steadman, que era presidente do Boston Bar, ligou pra convidá-la pra jantar com a sua família. A Nina não atendeu. Então ele ligou pro superintendente do prédio, uma espécie de zelador, e pediu que verificasse se ela estava bem. O superintendente encontrou a Nina deitada no chão do quarto do seu apartamento, no 4º andar.

Seu roupão rosa de flanela estava rasgado da cintura pra baixo, deixando exposta. Duas de suas meias estavam amarradas no pescoço. Ela havia sido abusada com uma garrafa de vinho e não havia sinal de entrada forçada no apartamento. Naquela mesma tarde, algumas milhas de distância, em Lynn, a vizinha de Ellen Blake estava preocupada. Ela tinha ouvido móveis sendo arrastados no apartamento acima, sons de algo ou alguém movendo as coisas.

Ela presumiu que a Ellen estava apenas limpando a casa. A Ellen Blake nasceu em 1897 e era uma enfermeira que tinha 65 anos em 1962. 2 dias depois da vizinha ter ouvido aqueles barulhos de coisas sendo movidas e arrastadas, ela começou a ficar preocupada, porque ela não ouviu mais barulho nenhum. Então ela pediu a chave do apartamento pro superintendente do prédio. O que a vizinha encontrou foi uma cena terrível. A Ellen estava deitada em sua cama, de bruços, com o pijama de flanela puxado pra cima.

Um sutiã e uma meia estavam amarrados em seu pescoço com um nó frouxo. Como se o assassino quisesse ter certeza do seu trabalho. É uma frase que um repórter escreveria depois. 2 anéis de diamante desapareceram dos dedos da Ellen. E aí tinham sinais de que o assassino tentou abrir uma caixa de metal e uma mala no armário. Ele não conseguiu, então ele desistiu. E a Ellen também havia sido abusada. Então aí nós temos duas vítimas mulheres em duas cidades diferentes, no mesmo dia, naquele mesmo sábado.

A polícia começou a conectar os pontos, então eles decidiram criar uma linha de emergência 24 horas. E pela primeira vez, a polícia e a imprensa começam a tratar o caso como uma possível série criminal. A cidade também acordou pra realidade, né, vendo todas aquelas notícias. Então as mulheres passaram a trocar as fechaduras dos apartamentos das suas casas. Elas viajavam em grupos, evitavam sair sozinhas, né? Começaram a dormir com facas embaixo do travesseiro.

E a polícia que estava sob o comando do comissário Edmund McNamara sabia que eles tinham que tomar cuidado. Eles não queriam causar um pânico em massa em Boston, mas ao mesmo tempo eles queriam que as mulheres tomassem cuidado, que elas se protegessem, que elas prestassem mais atenção. Elas precisavam entender um fato para aquele momento, que era: você não está completamente segura. E aí algumas semanas se passam e nada acontece.

A polícia continuava investigando as evidências, entrevistando possíveis suspeitos, né, a investigação seguia, mas nada tava acontecendo. As pessoas estavam até achando que talvez seria isso, que não teria mais crimes daquela pessoa, até que tem outra vítima. No dia 19 de agosto era um dia muito quente, a temperatura tava em 29 graus, e a polícia recebe um alerta. A família da Ida Irga tava tentando falar com ela, ligando várias vezes pro seu apartamento que ficava na West End.

Ela morava no 5º andar, mas ela não atendia. O primo dela tava preocupado, ele decidiu entrar no apartamento E aí, ele encontrou o corpo dela. Seu corpo estava de costas no chão da sala. O padrão ali se repetia. Então, o pijama dela tava rasgado. Suas pernas estavam separadas e apoiadas em duas cadeiras. Ela tinha uma fronha amarrada ao redor do pescoço. A Ida tinha 75 anos e morava sozinha naquele apartamento há 15 anos. 11 dias depois, no dia 30 de agosto, mais uma vítima.

Uma enfermeira auxiliar chamada Jane Sullivan, de 67 anos, não tinha aparecido no trabalho. Quando encontraram, O corpo dela, ela já tava morta há uma semana. Quando aconteceu a morte da Ida, em agosto de 62, as pessoas começaram a especular muito. A polícia tava investigando, mas eles não estavam conseguindo fazer essas conexões que poderia ser uma mesma pessoa. Foi quando uma repórter investigativa chamada Loretta McLoughlin, da Boston American Record, começou a notar um padrão.

A Loretta tinha 34 anos e havia nascido em Woburn, Massachusetts, em 1928. Ela se formou em jornalismo pela Boston University, com bolsa de estudos. E trabalhava no jornal desde o final dos anos 50. Na época, ela escrevia apenas pra seção de estilo. Né, então eram resenhas de torradeiras, moda feminina. Quando ela começou a ouvir falar das mortes de mulheres estranguladas, ela viu o que a polícia não via: um padrão. Ela foi ao seu editor e sugeriu uma série de reportagens conectando os crimes.

Ele recusou. Disse que não havia motivo pra alguém querer matar mulheres mais velhas. Mulheres que, na opinião dele, não importavam. Mulheres nobodies, foi a palavra que ele usou. Mulheres que não eram ninguém. A Loreta respondeu que era exatamente isso o que as tornava tão interessantes. Anos depois, ela escreveria: Por que alguém assassinaria 4 mulheres obscuras? Era exatamente isso, irmãs no anonimato, como todas nós. O editor continuava relutante, mas Loretta sabia que tinha uma história e ela começou a investigar nos seus horários livres.

Foi aí que ela conheceu a Jean Cole. A Jean era uma jornalista experiente que já trabalhava no Boston Record-American desde 44. Ela tinha 36 anos e era casada com o jornalista Frank Harris e tinha duas filhas. Ao contrário da Loretta, a Jean já conhecia o mundo de mentiras em que viviam as mulheres jornalistas. Ela já havia coberto casos de crime e sabia como sobreviver num ambiente hostil. Quando o editor finalmente concordou em deixar a Loretta pesquisar, ele colocou a Dille no caso com ela.

Então as duas mulheres se complementavam. A Loretta era agressiva, confrontadora, enfrentava a polícia de frente. A Dille era mais astuta, sabia quando ceder e quando pressionar, entendia a política daquele ambiente do jornalismo, né. Juntas, elas começaram a analisar os casos um por um e começaram a encontrar, né, todas essas evidências que eram muito parecidas, né, o padrão. Então, por exemplo, todas elas viviam sozinhas, não havia sinal de entrada forçada.

Então o assassino conseguia entrar de alguma forma. Todas elas eram estranguladas com alguma peça que era delas. Então, uma meia, um lenço, o cordão do roupão. E era sempre com um nó, que na verdade era mais um laço, né. Então era quase decorativo, uma marca que o assassino deixava. E todas as vítimas eram mulheres mais velhas, né. Até que em dezembro daquele ano, 62, quando uma mulher jovem, branca, de classe média, educada, aparece morta, o editor finalmente cedeu e deixou que elas escrevessem, né, completas.

A Loretta e a Jean publicaram uma série no jornal que foi feita em 4 partes. Inclusive, foi nessa série publicada por elas que o termo Boston Strangler, que é como esse assassino ficou conhecido, foi citado pela primeira vez. Então não foi uma palavra usada pela imprensa, né, por homens. Não foi usada pela polícia, pelos investigadores, detetives, pelas pessoas. Não, foi por duas jornalistas mulheres que foram as primeiras a identificar um padrão quando ninguém mais identificou, nem mesmo os detetives.

Entre 1962 e 1964, as duas escreveriam 29 artigos sobre os crimes do Estrangulador de Boston. Pra vocês verem como o machismo não era ali só dentro, né, dos jornais, mesmo elas tendo identificado o padrão, tendo escrito essas matérias e tudo mais, a polícia simplesmente não queria dar o braço a torcer. Eles ignoravam as duas, ignoravam as matérias, os delegados se recusavam a falar com elas e os editores publicavam fotos delas quase como um truque sensacionalista.

Então, mesmo sendo ignoradas por eles, as duas não pararam. Então, voltando ali na vítima que fez com que o editor deixasse que as duas publicassem nessa série no jornal, o nome dela era Sophie Clark. A Sophie nasceu em 1941 e naquele ano, 1962, ela tinha 21 anos e era uma estudante em um instituto médico de tecnologia. Ela era africana-americana e, segundo suas amigas, ela raramente namorava. Ela era super cautelosa e ela tinha até instalado uma segunda fechadura na E ela não deixava qualquer pessoa entrar no apartamento dela.

Ela sempre questionava, principalmente quando eram homens. Então até os próprios amigos homens dela eram questionados antes de entrar no apartamento. Era uma medida de segurança. Priceline Negotiator.

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?Voz B

Touché. Priceline. Priceline.

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A poucos quarteirões do apartamento da Ana. Até que no dia 5 de dezembro de 1962, era uma quinta-feira, as duas roommates da Sophie tinham saído. E quando elas voltam pra casa, elas encontram o corpo dela. Ela estava nua no chão da sala, com as pernas abertas. 3 de suas próprias meias de nylon estavam amarradas em seu pescoço em forma de laço. Havia evidências de luta e o assassino tinha mexido nas gavetas dela. E também tinha examinado a coleção de discos clássicos que ela tinha.

Essa foi a primeira vez em todas essas vítimas que eu contei pra vocês até agora, que os investigadores encontraram sêmen na cena. A vizinha da Sophie, Marcela Luca, contou pra polícia que naquele dia um homem tinha batido na porta do seu apartamento. Ele se identificou como Mr. Thompson e disse que tinha ido até lá pra pintar o apartamento. Ela disse que ele tinha cerca de 1,75m de altura, que o cabelo dele era meio loiro, meio mel, dourado.

E que ele aparentava ter mais ou menos 25 anos. E aí, ele perguntou pra ela se ele poderia verificar o banheiro pra medir a altura do teto. Ele a elogiou e perguntou se ela já tinha pensado em ser modelo. Quando a Marcela recusou, ela disse que colocou os dedos na boca pedindo silêncio, dizendo que o marido dela tava no quarto dormindo. E aí o homem ficou irritado e foi embora às pressas. A Marcela fechou a porta e ela disse que minutos depois o homem bateu na porta da Sophie.

Justo ela, que era tão cautelosa, acabou deixando ele entrar. 3 semanas depois, no dia 31 de dezembro, no Réveillon, mais uma vítima. A Patrícia Bissette não apareceu no trabalho. Ela nasceu em 1939 e era uma secretária de 23 anos em uma empresa de engenharia. O seu chefe foi ao seu apartamento na Avenida Park Drive, ainda no Back Bay, mesmo bairro, para buscá-la. A porta estava fechada e ele imediatamente acionou o superintendente do prédio.

Em pouco tempo, os dois entraram e encontraram o corpo da Patrícia na cama. O cobertor estava puxado até o seu queixo. Ela parecia estar dormindo, mas quando o superintendente puxou o cobertor, encontrou várias meias amarradas e entrelaçadas com uma blusa, tudo atado firmemente ao pescoço dela. Havia evidências de abuso e a Patrícia, que estava grávida de um mês, estava muito machucada. Além disso, o padrão se repetia. Além da forma que a vítima foi encontrada, o apartamento também tinha sido vasculhado.

Naquela noite de Ano Novo, enquanto Boston festejava, a polícia estava no apartamento dela, olhando para mais uma mulher morta e cheios de dúvidas. O serial killer ainda não tinha parado. A cidade respirou por 2 meses, nenhum novo caso foi reportado e a polícia continuava investigando, mas parecia que o terror tinha desaparecido. Até que no dia 9 de março de 63, quando a Mary Brown, uma mulher de 68 anos que vivia 25 km ao norte de Boston, em Lawrence, foi encontrada espancada, estrangulada e esfaqueada.

A polícia percebe agora que o padrão havia cruzado as fronteiras da cidade e havia mudado. O estrangulador de Boston agora também esfaqueava suas vítimas. No dia 6 de maio, 2 meses depois, mais uma vítima. Beverly Simmons era uma estudante de pós-graduação de 23 anos e uma musicista talentosa em Boston. Na tarde de segunda-feira, 6 de maio de 63, seu noivo a encontrou morta em sua cama em Cambridge. Suas mãos estavam amarradas atrás das costas com uma echarpe que tinha lantejoulas, 2 lenços de seda e uma meia de nylon estavam amarrados em volta do pescoço.

Um tecido cobria sua boca e outro havia sido enfiado dentro dela. Mas a Beverly também tinha sido esfaqueada. Havia 4 ferimentos profundos em seu pescoço, 12 ferimentos em seu peito e 5 deles direto no seu pulmão esquerdo. A princípio, os investigadores acharam que poderia ser um caso apartado dos demais, já que não havia sinais de estrangulamento. Porém, mais tarde, eles teorizaram: a Beverly tinha músculos da garganta muito fortes por conta do seu treinamento de canto lírico.

E com isso, o assassino não conseguiu estrangulá-la e por isso decidiu esfaquear o seu pescoço. Havia marcas de mordidas em seu seio esquerdo. Ela também havia sido abusada, mas não havia evidência de sêmen, o que era diferente dos últimos casos. 4 meses depois, no dia 8 de setembro de 63, a Evelyn Corbin, uma mulher de 58 anos que morava em Salem, foi encontrada nua em sua cama com roupas íntimas enfiadas em sua boca. Nesse caso, havia traços de sêmen e o mesmo padrão.

A polícia voltava a acreditar que se tratava do mesmo Em 23 de novembro de 63, menos de 24 horas depois do presidente John F. Kennedy ter sido assassinado em Dallas, a Joan Graff, uma designer de 23 anos que havia acabado de se mudar para Boston, foi encontrada em seu apartamento. Seu corpo foi encontrado na cama, posicionado de forma diagonal. Ela estava nua, exceto por uma blusa rosa enrugada nos ombros. Suas pernas estavam abertas, um chinelo branco ainda estava em seu pé, duas meias de nylon e a perna de uma legging preta estavam amarradas em um nó elaborado em volta do seu pescoço.

Havia marcas de dentes em seu seio esquerdo. O seu vizinho tinha visto um homem naquela tarde. Ele disse que ele usava calças verdes escuras, camisa escura e uma jaqueta escura. Ele batia em portas dos apartamentos do prédio e aparentemente apenas ela abriu a porta para ele. Durante o mês de dezembro, a polícia estava alerta e mais nenhum novo caso foi reportado, até que no ano seguinte, no dia 4 de janeiro de 64, tudo muda. A Mary Sullivan nasceu em 1944 e cresceu em Hyannis, no litoral de Cape Cod, em Massachusetts.

Ela se formou na Barnstable High School em 62, onde colegas a lembravam como uma pessoa alegre e descontraída. Ela vinha Ela vinha de uma família irlandesa católica e tinha uma irmã 2 anos mais nova, chamada Diane. No final de 63, a Mary decidiu deixar a vida tranquila de Cape Cod pra começar de novo em Boston. No dia 1º de janeiro de 64, ela alugou um quarto num apartamento dividido com duas colegas na Charles Street, no bairro Beacon Hill.

Era o tipo de mudança que qualquer jovem de 19 anos queria. Uma cidade maior, um emprego novo, a expectativa de uma vida própria. Mas ela não chegou a passar nem uma semana morando ali. 3 dias após a sua mudança, no dia 4 de janeiro, ela foi encontrada morta pelas suas duas roommates. Elas a encontraram sentada na cama, nua, e as costas encostadas na cabeceira. A Mary tinha sido estrangulada com uma meia. E haviam 3 ligaduras amarradas em seu pescoço em forma de laço.

Ela havia sido abusada com um cabo de vassoura e havia sêmen na cena do crime. A cena era grotesca, era horrível. E aí, além de tudo isso, havia um cartão escrito Feliz Ano Novo apoiado no pé dela. Ela tinha 19 anos e E ela seria a última vítima do Estrangulador de Boston, segundo a história que a polícia contaria. A investigação seguia, a polícia tava completamente desesperada porque eles não conseguiam encontrar o culpado. Dezenas de detetives tinham sido destinados pra esse caso específico.

Então eram dezenas de horas de trabalho tentando encontrar alguma coisa. Pra vocês terem ideia, eles conversaram com todos os ofensores sexuais nos arquivos de Boston e não encontraram nada. Eles criaram um quadro com 1000 suspeitos. Nada. Chamaram dois psiquiatras, foi inútil. Até que um outro psiquiatra chamado Dr. James Russell, que tinha criado o perfil do Louco Bombardeiro de Nova York, ele foi convocado para analisar o caso.

Ele foi uma exceção porque ele começou a insistir que ele acreditava que era a mesma pessoa cometendo todos aqueles crimes, só um assassino. Mas aí a polícia, né, tendo todos esses 13 casos que aconteceram, que foram os 13 que eu contei para vocês, entre eles, dois deles, a polícia acreditava que não eram do Estrangulador de Boston, que era o caso da Mary, que foi morta com infarto, e mais tarde eles iriam especular que foi de susto, e da Beverly, que foi esfaqueada.

Apesar da evolução dos crimes, o psiquiatra acreditava que era só uma pessoa e a polícia ainda não tinha certeza. Só que aí, enquanto a polícia estava ainda investigando o caso do Estrangulador de Boston, outro crime começou a chamar muita atenção na cidade: uma série de ataques sexuais contra mulheres. E aí o agressor foi apelidado de Homem Verde porque ele usava calças verdes de trabalho enquanto cometia o crime. Mas esse esses ataques eram diferentes, apesar de também ter um padrão, eram diferentes do Estrangulador de Boston, porque para eles esse homem era mais agressivo e mais visível.

Dessa forma, os investigadores trabalhavam nesses dois casos como casos separados, até que novembro de 64 um homem foi preso pelos ataques do Homem Verde. E era o Albert, que eu comecei falando para vocês sobre ele no início do vídeo. E na época ele era casado, tinha dois filhos, ele tinha 33 anos. E quando a mulher dele viu uma foto dele algemado sendo carregado por detetives, ela ficou completamente Então ele foi preso em novembro de 64 como o Homem Verde.

E aí ele confessou. E aí que esse caso começa a ficar confuso, porque ele foi preso em novembro de 64 pelos crimes do Homem Verde. E aí ele foi levado ao Bridgewater State Hospital para ser observado, né, para observação psicológica. E é lá que ele conhece um homem chamado George Nassar. O George era um assassino de longa data. Ele havia matado um homem chamado Dominique Kermil quando ele tinha apenas 15 anos, e por esse crime ele ficou preso por 13 anos.

O George sai da prisão em 61 e fica em liberdade condicional, justamente durante o período em que os crimes do Estrangulador de Boston aconteceram, que foi de 62 até 64. Até que no dia 29 de setembro de 64, o George assassina o Irving Hilton, atendente de um posto em Andover, Massachusetts, durante um roubo. Ele foi preso e enviado para o mesmo local que o Albert estava agora, para avaliação psicológica. Em algum momento, os dois começam a interagir.

Segundo George, o Albert começa a contar para ele vários detalhes sobre os crimes que estrangulador de Boston cometeu, detalhes que ninguém sabia, detalhes que eram muito específicos sobre os endereços, como era o apartamento dessas mulheres, o que elas estavam vestindo, e coisas como o cartão de Feliz Ano Novo, aquele relógio de ouro sobre a mesa, a coleção de discos clássicos de uma das vítimas. Ele falava sobre o layout dos apartamentos, a cor do pijama que elas usavam, disse que a Mary, aquela que morreu do infarto, tinha morrido nos braços dele e que ela realmente tinha morrido de custo.

Ele teria até desenhado um mapa que mostrava todo o apartamento de uma das vítimas. Esse desenho foi entregue ao advogado do George, que comparou, né, com aquela vítima que ele disse que era o apartamento dela, e o layout estava perfeito. O George, que já tinha experiência com advogados, com o sistema carcerário, né, ele já tinha sido preso, viu ali uma oportunidade. Segundo depoimentos posteriores, ele e o Albert começaram a arquitetar plano.

O Albert confessaria os crimes do Estrangulador de Boston para o George, que receberia $10.000 por cada vítima. Com isso, eles publicariam também um livro que renderia ainda mais dinheiro para eles, e o Albert cuidaria da família com esse dinheiro todo que eles iriam ganhar. Dessa forma, o advogado do George, chamado F. Lee Bailey, começa a visitar o Albert na prisão e começa a gravar as confissões dele. Então ele começa a confessar todos os crimes do Estrangulador de Boston com muitos detalhes, detalhes horrendos.

Mas apesar das confissões, tinha um problema maior: nenhuma das vítimas tinha conseguido identificar o Albert como o assassino. Como eu contei para vocês, alguns vizinhos viram o assassino, né, não deixaram ele entrar, como que foi o caso da vizinha da Sofia, Marcela, que ele tentou entrar no apartamento, ela não deixou. E aí depois a Sofia acabou deixando ele entrar, e aí a Marcela conseguiu descrever esse homem para polícia com vários mais detalhes.

A descrição que a Marcela deu do Albert não batia com a forma como ele era. Então a polícia mostrou algumas fotos para ela, e aí ela não tinha certeza se aquele era o homem que ela tinha visto. Mas aí, quando ela viu o George entrar na sala, o coração dela disparou, e ela disse que ele era bem mais parecido com o homem que ela tinha visto naquele dia. Ela falou sobre o seu cabelo, a sua postura e até a expressão no rosto dele.

Mas ainda ela não tinha 100% de certeza. Aquele homem que ela tinha visto no corredor tinha o cabelo claro, e o George tinha cabelo preto. Então ele poderia ter pintado o cabelo. De todas as vítimas do Estrangulador de Boston, tem apenas uma que ele atacou e que sobreviveu. Seu nome é Gertrude Green, e ela foi levada até o hospital psiquiátrico para também fazer esse reconhecimento com o Albert, ver se ele era o homem que a atacou.

Eles mostraram fotos para ela do Albert. Ela disse que via algumas similaridades, mas quando ele apareceu e ela viu ele pessoalmente, ela disse que tinha certeza que não era ele. Ela inclusive disse que vendo ele pessoalmente, ela tinha certeza absoluta que não era ele. Mas quando George entrou, ela começou a chorar e ela disse que ele se parecia muito com o homem que atacou ela, que ele tinha a mesma postura dele. Mas de novo, ela não tinha 100% de certeza se era o George.

O psiquiatra da Bridgewater, o local que estava tanto o Albert quanto o George, questionava abertamente se o Albert estava confessando crimes que ele havia lido nos jornais. Esse psiquiatra, o Amos Robb, inclusive apontava diretamente para o George. Ele acreditava que ele era o real assassino de Boston, né, o Estrangulador de Boston. E ele disse que o George estava conectado a muitos crimes. No caso, ele tava conectado diretamente a 17 assassinatos, possivelmente 30, todos relacionados à guerra do crime irlandês em Boston.

Outro fator muito importante, né, para apontar para o George é que ele tinha sido solto justamente no período em que o Estrangulador de Boston atacou. Ele tinha motivo, ele tinha oportunidade, e ele se encaixava nas descrições físicas descritas, né, pelas pessoas que viram o estrangulador, muito mais do que o Também havia algumas inconsistências nas confissões do Albert. Ele lembrava de alguns detalhes, mas simplesmente esquecia de outros detalhes importantes.

Então, como ele sabia dessas coisas? A polícia começou a acreditar que talvez o George teria instruído ele a como confessar esses crimes. Segundo David Robitaille, que é um homem que trocou muitas correspondências com o George, ele tava ajudando ele a escrever uma autobiografia, ele acreditava que o George tinha contado pro Albert vários detalhes dos crimes, que eram detalhes que o público não conhecia, detalhes corretos. Dessa forma, O advogado dele também, que era muito convincente, conseguiu convencer todo mundo que o Albert era o assassino.

Quando na verdade, o verdadeiro assassino seria o George. E a maior parte do público acreditou que era o Albert, já que ele tinha confessado. Em 26 de junho de 65, o George foi condenado por assassinato em primeiro grau da morte do Irving, que ele assassinou naquele posto que eu contei pra vocês. Ele recebeu pena de morte por esse caso, que depois foi comutada pra prisão perpétua no dia 7 de junho de 66. Já o Albert foi julgado em 1967 pelos crimes de estupro do Homem Verde.

E aí ele foi condenado e recebeu prisão perpétua. Segundo o Dr. Octávio Choi, que é um psiquiatra forense e professor associado clínico de psiquiatria na Universidade de Stanford, que é frequentemente entrevistado sobre esse caso, o comportamento abusivo do pai do Albert pode ter deixado marcas psicológicas que o predispuseram a cometer crimes. Já o John Douglas, um lendário perfilador do FBI, especialista em construir um retrato psicológico de criminosos analisando cenas de crimes, vítimas e padrões comportamentais, e que inclusive trabalhou em muitos dos casos mais notórios de serial killers.

Ele escreveu um livro chamado The Cases That Haunt Us. O livro inclui um capítulo sobre o Estrangulador de Boston, onde o John explorou os crimes usando as técnicas de análise forense moderna que ele desenvolveu ao longo da sua carreira. No livro, ele chegou a uma conclusão controversa. Ele duvidava que o Albert fosse o verdadeiro estrangulador. Ele identificou Albert como um violador motivado por poder e segurança, alguém que precisa dominar psicologicamente suas Segundo ele, o Albert não era um cara raivoso ou sádico.

Se fosse, esse comportamento teria aparecido em outros aspectos da sua vida e certamente teria aparecido em suas interações na prisão. Pro John, a brutalidade extrema e o ódio contra os corpos das vítimas não correspondem a esse tipo de criminoso. O Albert e o George nunca foram formalmente acusados ou julgados pelos 11 assassinatos do Estrangulador de Boston. O George continuou negando ser o estrangulador e insistindo que o Albert era o culpado, mas ninguém sabia se o George dizia a verdade ou não.

Ele morreu no dia 3 de dezembro de 2018, aos 66 anos em uma unidade prisional de Boston por câncer de próstata. Se ele era o Estrangulador de Boston ou não, ele levou essa resposta para o túmulo. O Albert morreu bem antes dele, ele morreu no dia 25 de novembro de 73, ele foi apunhalado por um colega de prisão e a sua morte nunca foi esclarecida e ficou como outro mistério dentro desse mistério muito maior que é o Estrangulador de Boston.

Mas o caso não acaba por aí, porque nos anos 2000 a Elaine Sharp, que é uma advogada que começou a sua carreira como jornalista, tomou a defesa da família do Albert e da família da Mary Sullivan, uma das vítimas. A Elaine ajudou a organizar as exumações dos corpos de ambos e continuou trabalhando no caso por mais de duas décadas. Ela argumentou que existiam inconsistências entre as confissões do Albert e as evidências do crime, inconsistências que sugerem que talvez ele não tenha cometido todos os crimes que ele confessou.

Segundo ela, a confissão pode ter sido parcial ou completamente fabricada. Já a família da Mary, especialmente o sobrinho dela chamado Casey Gorman, ele começou a investigar de forma independente a morte dela desde a década de 90. Ele escreveu um livro chamado Uma Rosa para Mary que detalha as suas descobertas. Entre elas, ele aponta dois possíveis suspeitos que poderiam ter entrado no apartamento da Mary: o seu ex-namorado e o namorado de uma das suas roommates.

Ambos haviam mostrado comportamento suspeito, mas foram deixados de lado quando o Albert confessou os crimes. Em 2013, 40 anos depois da morte do Albert, a tecnologia de DNA havia avançado bastante. Foi quando os investigadores compararam o sêmen encontrado no corpo da Mary com o DNA da família Albert. O resultado foi uma combinação familiar que excluiu 99,9% da população. Quando exumaram o corpo do Albert, testes diretos de DNA mostraram chances de 1 em 220 bilhões de que alguém além dele fosse responsável.

Os investigadores anunciaram que isso deixava sem dúvida alguma que Albert era responsável pela morte da Mary. Mas a morte da Mary era apenas apenas um mané naquelas 11 mortes. Então eles tinham apenas essa confirmação de 100% para o caso da Mary, né, sendo o Albert o assassino dela. Já os demais casos, eles não foram revisitados e eles não fizeram testes de DNA com eles por vários motivos. Degradação do DNA é um dos maiores desses motivos, porque quanto mais tempo passa, a amostra vai ficando cada vez pior.

E tem toda a questão da preservação, né, do corpo. Quanto mais velho, pior essa preservação. E a forma do local que foi enterrado. Então, por exemplo, como ele foi enterrado, qual era o clima de quando ele foi enterrado. O corpo da Mary pode ter sido melhor preservado nessa questão. Além disso, tem toda a pressão da família da Mary, que foi muito grande ali na polícia, e que a família das outras vítimas talvez não tenha feito tanta pressão, bastante para que eles tentassem exumar e conseguir, né, essa amostra.

O sobrinho dela investigou por décadas, pressionou muito, tinham todas as questões legais legais que existem quando você vai exumar um corpo. Às vezes a família não quer que a polícia exume o corpo. Então pode haver, enfim, muitos motivos para que eles não tenham feito isso nas outras vítimas. E também tem uma questão: a Mary foi a última vítima, então ela tinha prioridade investigativa porque era a vítima mais nova, a vítima mais documentada, e que o caso dela seria um caso mais claro, digamos assim.

As evidências do caso dela estavam bem preservadas, então eles conseguiram usar. E pode ser que as evidências das outras vítimas não tenham sido preservadas adequadamente. Então se por exemplo, o sêmen encontrado em uma das cenas não tenha sido preservado de forma adequada, pode ser que essa amostra hoje nem possa ser usada para testes. A verdade sobre esse caso é que se o Albert foi responsável apenas pela morte da Mary, ou se ele era realmente o Estrangulador de Boston, isso é uma coisa que a gente provavelmente nunca vai saber.

Pode ser que na época ele tenha confessado para conseguir fama. Isso acontece muito na prisão. E uma coisa que eu quero citar também é que em 1973 Dias antes de morrer, ele retratou todas as suas confissões para um psiquiatra. E segundo o que ele disse para esse psiquiatra, o George teria detalhado os crimes para ele. Dessa forma, ele confessou. Então ele tava ali dizendo que no fim das contas ele não era o Estrela de Boston e que ele só tinha confessado por atenção mesmo, porque ele já tava preso.

Então se isso é verdade ou não, a gente não sabe, já que a última vítima realmente ele era o assassino, né, o assassino da Mary. E uma coisa que eu não posso deixar de citar nesse caso são as duas jornalistas, né, o que aconteceu com elas depois. A Jean continuou continuou trabalhando no jornal, o mesmo jornal que mudou de nome mais tarde, e ela continuou cobrindo o Combat Zone, que era uma região que tinha muitos crimes. Ela se aposentou em 81 e viveu até 2015, quando faleceu aos 89 anos.

Ela tinha sido uma ótima colega de trabalho e era muito respeitada por sua carreira. Já a Loretta acabou ganhando muito mais visibilidade do que a Jean. Ela acabou trabalhando como escritora científica na Universidade de Harvard, e mais tarde ela retorna jornalismo. Em 1976, ela entrou para o prestigioso Boston Globe. Ela entrou como repórter médica, se tornando uma das maiores especialistas do país em cobertura da crise da AIDS, escrevendo criticamente sobre a negligência do governo federal.

Em 1982, ela publicou The Pill, Joan Roch, and the Church: The Biography of a Revolution, que é um livro sobre o desenvolvimento da pílula anticoncepcional. Em 92, aos 64 anos, ela foi nomeada editora da página editorial do Boston Globe, apenas a segunda mulher a ocupar esse cargo em toda a história do do jornal. Ela se aposentou em 93 e morreu em 2018, aos 90 anos. As duas mulheres permaneceram amigas para o resto da vida. 60 anos depois que as duas cunharam o nome do Boston Strangler, a história delas ganhou um novo destaque.

Em março de 2023, a plataforma de streaming Hulu lançou um filme chamado Boston Strangler. No filme, a Keira Knightley interpreta Loretta e retrata a determinação quase obsessiva dela em desvendar esse caso. Já a Carrie Coon, vencedora do Emmy por sua atuação em The Leftovers, interpreta a Jean com sabedoria para O filme não foca nos crimes em si ou no Albert, ao contrário, ele se concentra inteiramente no trabalho das duas jornalistas e também no sexismo brutal que elas enfrentaram na época quando elas tentavam ser levadas a sério.

É de muitas formas um filme sobre o jornalismo investigativo feminino num país que ainda não acreditava que mulheres pudessem fazer esse trabalho. E eu também quero citar o advogado do George, o F. Lee Bailey, que defendeu ele nos anos 60 e depois defendeu vários outros casos de auto-perfeição. Seu perfil, como por exemplo a herdeira Patty Hearst em 76. Nesse caso ele perdeu. Ele também fez parte do Dream Team de advogados da defesa do O.J.

Simpson em 95, que no caso ele venceu, né. Então ele foi considerado crucial para absolvição do O.J. Simpson. E ele era um advogado que gostava muito de publicidade e usava ela como estratégia. Ele escreveu livros, ele aparecia na TV, comentava os casos nas notícias, era arrogante, egocêntrico, mas também era brilhante. O próprio O.J. Simpson disse que ele era o membro mais valioso do seu time. Mas aí tudo acabou desabando em 94, quando ele aceitou representar um traficante de drogas chamado Claude Bock.

Ele era um traficante de drogas condenado que tinha milhões em ações, né, em stocks. O advogado, né, o Bailey, tava representando ele legalmente. Ele tinha responsabilidade fiduciária de guardar essas ações com segurança, ou seja, ele tinha que mantê-las separadas e protegidas em nome do cliente. Mas não foi isso que ele fez. Em vez de guardar as ações de forma apropriada e segura, ele misturou as ações com o seu próprio dinheiro e com o dinheiro da sua firma, ou seja, colocou tudo junto de forma completamente irregular.

Quando a corte descobriu o que ele tinha feito, eles mandaram que ele devolvesse as ações, mas ele se recusou. E por se recusar a obedecer a ordem da corte, ele foi preso por desacato no tribunal em 1996. Além disso, ele devia milhões em impostos federais porque ele não havia reportado aquele dinheiro de forma apropriada. Então ele acabou ficando quebrado, devendo mais de $5 milhões só para o governo. Como ele foi preso, ele acabou perdendo a carreira inteira por conta disso.

E aí veio a queda total. Ele foi desacreditado na Flórida em 2001 e em Massachusetts em 2002, ou seja, ele não podia mais praticar direito em lugar algum. A carreira que ele havia dominado durante 40 anos estava acabada. Depois, ele eventualmente recuperou o direito de praticar no Maine em 2013, mas nunca mais voltou a ser o que ele era. No final da sua vida, ele estava quebrado e declarou falência. Ele vivia com uma mulher que operava um salão de beleza.

Aos 87 anos, ele se muda para Georgia para ficar perto de um filho. Ele morreu lá em 3 de junho de 2021, longe dos holofotes e praticamente invisível. O homem que havia adorado atenção pública morreu num anonimato quase completo. Esse é um caso que é bem confuso, né, porque a gente tem todas essas vítimas e a gente tem essas duas figuras, que é o Albert e o George. E no final das contas, a gente não tem certeza alguma de qual deles era o Estrangulador de Boston, né, fica em aberto, já que a gente só tem a comprovação de um caso para o Albert, que é o caso da Mary, que eu citei para vocês, que tem comprovação por DNA.

Mas todas as outras vítimas não foram comprovadas, né, 100%, não tem nenhuma comprovação. Comprovação, como o caso da Mary. Então a gente fica sem saber se realmente era o Albert o assassino, né, o estrangulador de Boston, se ele cometeu todos os outros crimes também, ou se ele cometeu esse crime e quis a fama do George, né, para ele. Então o George teria confessado para ele, eles tinham esse plano, e aí ele confessou, ou sei lá, gente, não sei.

É muito doido porque no final das contas não deu para comprovar 100% nenhum. Então fica aí, né, os dois sendo citados. O Albert ficou conhecido como sendo o Estrangulador de Boston, mas até hoje muitas pessoas acreditam que na verdade o verdadeiro, né, seja o George, que o George tenha contado para ele todas aquelas, aqueles detalhes muito específicos, né, das cenas do crime, das vítimas, cores do pijama, enfim. Então eu quero muito saber o que vocês acham, se era o George ou se era Albert?

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O MISTERIOSO CASO DO ESTRANGULADOR DE BOSTON #610 | Castnews Index — Castnews Index