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ELE CONFESSOU SEUS CRIMES ACIDENTALMENTE EM UM DOCUMENTÁRIO | Caso Robert Durst #609

16 de julho de 202625min
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Robert Durst era herdeiro de uma das maiores fortunas imobiliárias de Nova York. Entre 1982 e 2001, três pessoas desapareceram ou morreram sob circunstâncias que o envolviam. Por quase três décadas, ele permaneceu livre. Até que um documentário de 2015 capturou algo que nenhuma investigação policial havia conseguido. #609

Participantes neste episódio1
G

Gisberta Salsi Jr.

Host
Assuntos5
  • Caso Robert DurstDesaparecimento de Kathleen McCormack · Morte de Susan Berman · Morte de Morris Black · Documentário The Jinx · Confissão acidental
  • Documentário 'The Jinx' e confissãoEntrevista com Andrew Jarecki · Gravação no banheiro · Edição da confissão
  • Fuga e crimes de Robert Durst no TexasFingindo ser Dorothy Sinner · Morte de Morris Black e desmembramento · Prisão e fuga
  • Morte e desaparecimento de Susan BermanOrigem e relação com Robert Durst · Papel como porta-voz não oficial · Assassinato e carta anônima
  • Desaparecimento de Kathleen McCormack· SociedadeOrigem e educação · Casamento com Robert Durst · Busca por divórcio e violência doméstica
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Seu pai acreditava que educação era tudo. A sua mãe, Anne, era uma mulher forte e determinada que criou seus filhos com a expectativa de que construíssem vidas próprias baseadas no mérito e não na herança. A Kathleen, carinhosamente chamada de Kathy, cresceu com uma confiança silenciosa. No ensino médio, ela modelou. Ela era bonita, mas não era a beleza que a definia. Era o seu intelecto. Seus professores e amigos notavam isso.

Havia uma seriedade nela, um propósito. Quando ela chegou à idade adulta, ela trabalhou em uma série de empregos pra pagar sua própria educação. Em 1971, aos 19 anos, ela conheceu Robert Durst. Ele veio de um mundo completamente diferente do dela. Um mundo de dinheiro sem limites, de nomes que abriam portas, de herança que vinha de forma automática. Ele a convidou pra morar em sua casa Vermont depois de apenas 2 encontros. Ela tava apaixonada, então ela aceitou.

Mas aí o pai do Robert pressionou o filho para voltar para Nova York e trabalhar na Durst Organization. Então ele e a Kathleen se mudaram para Manhattan e se casaram no dia 12 de abril de 1972. Na época ela tinha 20 anos. Enquanto isso, ela continua estudando. A sua ambição não desapareceu e ela se matriculou primeiro em uma nursing school e depois em uma medical school. Segundo registros divulgados posteriormente, em 1982 ela estava no 4º e último ano na Albert Einstein College of Medicine.

Seus professores diziam Ela tinha tudo pra ser uma excelente pediatra. Ela estava apenas alguns meses de se formar. Porém, dentro do casamento, algo estava desmoronando. O Robert era controlador e tinha episódios de violência. Amigos e família já notavam isso. No começo de janeiro de 82, a Kathleen foi tratada na Jacob Medical Center, do Bronx, por hematomas faciais. Ela contou pra uma amiga que o Robert havia agredido, mas não registrou nenhuma acusação contra ele.

Ao invés disso, ela procurou advogados pra discutir o divórcio. Ela pediu um acordo de $250 mil. O Robert respondeu cancelando o seu cartão de crédito e removendo o nome dela da conta conjunta. Ele parou de pagar sua mensalidade na faculdade de medicina semanas antes dela se formar. A pressão só aumentava. O futuro que ela havia planejado estava sendo desmontado sistematicamente. Até que na noite do dia 31 de janeiro de 1982, a Kathleen foi a uma festa de aniversário na casa de sua amiga Gilbert Najamy, em Newtown, Connecticut.

A sua amiga notou que ela parecia perturbada naquela noite. Ela usava calças de moletom vermelhas, incomum pra Kathleen, que era sempre bem apresentável. Desapresentada. Ela recebeu uma ligação do Robert durante a festa. Ela acabou deixando a celebração e voltou para sua casa em South Salem, Nova York. O que realmente aconteceu depois que ela voltou para casa é um mistério, porque o Robert deu várias versões diferentes para polícia.

Primeiro ele disse que ele tinha colocado ela dentro de um trem e que depois disso ele não tinha mais visto ela. Depois ele admitiu que ele tinha mentido sobre essa história do trem, mas ele nunca falou a verdade. O que se sabe de fato sobre aquele dia, 1º de fevereiro, é que alguém ligou para a faculdade de medicina dela dizendo que ela tava doente, ela não ia poder comparecer às aulas. E foi isso. Então não se sabe se foi ela que fez essa ligação, se foi ele quem fez a ligação. 3 dias depois disso, a Kathleen tinha combinado de se encontrar com a mesma amiga que ela tava na festa de aniversário, a Gilberte, em um pub de Manhattan.

E ela ficou lá esperando pela Kathleen, que nunca apareceu. Então foi a amiga que começou a ligar pra polícia. O Robert, o marido dela, só ligou pra polícia pra relatar o desaparecimento 5 dias depois. 3 semanas após o Robert relatar o desaparecimento dela, a polícia vai até o apartamento deles. Então, a amiga dela liga pra polícia depois de 3 dias. O Robert, depois de 5 dias que ela tava desaparecida. E aí, 3 semanas depois, a polícia vai até a casa deles.

E lá, eles encontram algo perturbador. Eles viram que tinham vários itens dela que estavam jogados nos sacos de lixo. Então, roupas, correspondências abertas, coisas pessoais que indicavam que o Robert sabia que ela não ia voltar. O corpo da Kathleen nunca foi encontrado. Então, o caso permaneceu congelado por décadas. Porque simplesmente eles não tinham, né, o corpo dela. Não tinham essa certeza que de fato ela estava morta. E essa era uma proteção que o Robert conseguia, porque ele vinha de uma das famílias mais ricas de Nova York.

Então o nome dele tinha um peso muito grande. E aí meio que deixaram para lá, já que não havia evidências, pistas para seguir, e não tinha como culpar ele de nada. Ela desapareceu em 1982. E aí investigadores decidem reabrir o caso dela em 1999, quase 20 anos depois, porque eles queriam conversar com algumas pessoas próximas do Robert e pessoas que conviviam com ele na época. E uma dessas pessoas era uma amiga dele chamada Susan Berman.

Ela acabou se tornando uma porta-voz não oficial do Robert, porque quando o caso aconteceu, né, quando a esposa dele desapareceu, era ela que ajudava ele a lidar com a imprensa, que dava entrevistas, que basicamente ajudou ele a criar essa narrativa logo ali nos primeiros dias do desaparecimento, quando tava tudo muito recente, muito caótico. A Susan Berman nasceu em Minópolis em 1945, filha única de David Berman, uma figura importante do crime organizado judeu-americano.

Já sua mãe, Betty Elwald, era dançarina. Quando a Susan tinha 1 ano, a família se mudou pra Las Vegas. E foi lá que o seu pai construiu o seu império, operando o Flamingo Hotel. Quando ela tinha 12 anos, o seu pai morreu em uma sala de operação. As circunstâncias foram vagas, já que ele tinha inimigos. 1 ano depois, sua mãe morreu de overdose de barbitúricos. O caso, considerado suicídio, era envolto em muita incerteza. A Susan ficou órfã aos 14 anos e se recusou a entrar no negócio familiar.

Em vez disso, ela estudou. Ela frequentou a Chadwick School em Hollywood seus colegas incluíam Jan Wenner e Lisa Minnelli. Ela era inteligente, ambiciosa, determinada a construir uma carreira própria. Ela se matriculou na UCLA em 1967, onde ela conheceu o Robert. Os dois tinham algo em comum: ambos vieram de famílias excepcionalmente ricas e ambos perderam suas mães sob circunstâncias que ninguém falava abertamente. Depois da UCLA, ela foi pra UC Berkeley e se formou em jornalismo em 69.

Trabalhou para publicações importantes, pro San Francisco Examiner, Pra revista City, de Francis Ford Coppola. E contribuiu para New York e Cosmopolitan. Ela escreveu um livro chamado Easy Street, um memoir sobre sua vida como filha de um mobster. Cujo os direitos do filme foram vendidos por $350 mil. A Susan era uma escritora de verdade, com uma voz própria. Ela herdou um total de $4,3 milhões dos interesses do seu pai em cassinos e propriedades.

Diferentemente do que se esperaria, ela não usou esse dinheiro pra entrar no crime organizado. Em vez disso, ela investiu em sua carreira como escritora e jornalista. Ela viajava entre Las Vegas, Hollywood e Nova York. Mantinha um círculo seleto de amigos, incluindo Robert, com quem ela era muito próxima. Foi ele, aliás, quem levou a Susan ao altar em seu casamento no Hotel Bel Air. O marido dela, Christopher Margulies, era jovem e tinha problemas com drogas.

Ele morreu de overdose de heroína 2 anos depois, deixando ela viúva. Mas foi quando a Kathleen desapareceu, em 82, que a Susan se envolveu em algo que definiria o resto da sua vida. Como eu disse pra vocês, ela se tornou a porta-voz não oficial do Robert, ajudando ele construir a sua narrativa pública do caso. Quando os jornalistas ligavam, era a Susan quem respondia, era ela quem explicava, e ela estava ali para ajudar o Robert.

Em 82, poucos meses após o desaparecimento da Kathleen, a Susan deu um depoimento que seria fundamental para essa história. Ela testemunhou que o Robert havia lhe contado que Kathleen havia partido para Nova York em um trem. Esse depoimento ajudou a construir o álibi do Robert. Décadas passaram, o caso foi deixado de lado até que em 99 a polícia reabre o caso. Sabendo dessa conexão da Susan com o Robert, possivelmente ali com a esposa dele, e sabendo que eles são muito próximos e que ela era porta-voz não oficial dele, a polícia decidiu que eles queriam conversar com ela de novo e pegar um novo depoimento.

Quando ela estava prestes a dar o seu depoimento ali, poucos dias antes, a polícia vai até a casa dela e encontra o corpo da Susan no dia 23 de novembro de 2000, na casa dela em Beverly Hills. E ela tinha sido morta com um único tiro na nuca, estilo execução. No mesmo dia que a polícia descobre o corpo da Susan, eles recebem uma carta anônima. O envelope continha o endereço da Susan e também a palavra cadáver. No envelope tava escrito o endereço dela, né.

Então tava escrito Beverly Hills, mas tava escrito Beverly errado. E parecia que tinha sido de propósito. O Robert tinha estado na Califórnia dias antes da morte da Susan. E aí, um dia antes do corpo dela ser encontrado, ele voa de San Francisco de volta pra Nova York. Mas nenhuma acusação foi formalizada e o Robert não foi implicado publicamente. E por conta disso, o caso da Susan permaneceu ali como um crime não solucionado.

Assassino emocionado, assim como o da Kathleen. Nos meses que precederam tudo isso, porém, algo havia mudado no Robert. Quando ele percebeu que a polícia tinha reaberto o caso da Kathleen, ele decidiu que ele precisaria fugir. Então, basicamente, ele começou a se preparar, não para a morte, como ele diria posteriormente, mas para essa fuga. A Deborah Lee Chariton nasceu em Nova York em 1957, filha de imigrantes poloneses que haviam sobrevivido aos nazistas.

O seu pai perdeu um pé durante a invasão. Ela cresceu trabalhadora, determinada a construir sua própria vida. Nos anos 80, ela fundou a Beck Realty, uma equipe só de mulheres mercado imobiliário de Nova York. Tornou-se uma figura estabelecida e respeitada no real estate, conhecida por sua astúcia nos negócios. Era divorciada e tinha um filho. Era uma mulher controlada, focada, que não fazia nada sem calcular o benefício. Em 88, ela foi apresentada a Robert em um jantar imobiliário por um amigo em comum.

Os dois começaram a namorar e viveram juntos por um tempo, mas nunca de forma estável. Eles mantiveram contato ao longo dos anos. E depois da reabertura do caso da Kathleen, o Robert comprou um anel de noivado caro e propôs a Deborah. Quando ela aceitou, ela deu pra ele o poder de procuração sobre suas finanças. No dia 11 de dezembro de 2000, em uma cerimônia pequena e secreta em Times Square, o Robert e a Debra se casam. Não havia fotos.

O Robert diria depois que aquele, pra ele, era um casamento de conveniência. Embora as circunstâncias sugiram que ele queria proteger a sua herança caso ele precisasse fugir. 12 dias depois, no dia 23 de dezembro de 2000, a Susan foi encontrada morta em Beverly Hills. E o Robert, de fato, fugiu. Em abril de 2001, ele alugou um quarto barato em uma pensão em Galveston, no Texas. Um lugar de renda baixa e vizinhos não questionadores.

Lá, ele se passou por uma mulher idosa chamada Dorothy Sinner. Ele usava uma peruca quando saía e se comunicava com o proprietário apenas por bilhetes escritos à mão. E aí, ele passa a viver sob esse nome, esse disfarce, né, fingindo ser uma mulher chamada Dorothy. E ele tinha um vizinho, um homem chamado Morris Black, que tinha 71 anos e que era um homem pobre. Então ele morava ali naquela mesma pensão. Ocasionalmente, eles interagiam entre si.

E o Morris era envolvido com o abrigo para sem-tetos local, e ele comprava óculos em book para dar para pessoas em situações de rua. Na noite do dia 28 de setembro de 2001, o Robert disse que chegou no apartamento dele na pensão e encontrou o Morris sentado dentro do quarto dele assistindo TV sem ter sido convidado. Então ele disse que os dois começaram a discutir e que o Morris apontou uma arma para ele, uma pistola calibre 22, que inclusive era do Robert.

Ele disse que no meio da briga a arma acabou disparando no rosto do Morris. Depois Depois disso, Robert decidiu desmembrar o corpo do Morris usando uma faca de manteiga, dois serrotes e um machado. Ele embrulhou os pedaços em sacos de lixo pretos e depois dirigiu até Galveston Bay. E lá ele descartou os sacos na água até que no dia 30 de setembro uma criança que pescava naquele mesmo local com o pai encontrou um torso humano flutuando.

A polícia foi acionada e assim que eles chegaram no local eles começaram a procurar e foram encontrando o restante do corpo. Eles encontraram braços e pernas, mas a cabeça do Morris nunca foi recuperada. Mas aí Dentro de um dos sacos, eles encontraram uma pista. Um jornal com o endereço de entrega que marcava 2213 Avenue K. A polícia vai até aquele endereço, que era justamente a pensão onde eles moravam. O proprietário, Klaus Gilman, abriu ali o seu registro dos inquilinos.

E lá tinha o nome do Morris, dizendo que ele tinha alugado um quarto na pensão em janeiro de 2001. E também tinha um outro nome, Dorothy Senar, que havia alugado um quarto desde novembro de 2000. Que era, na verdade, né... O Robert vestido como uma mulher. No dia 5 de outubro, a polícia oficialmente identificou aquele corpo como sendo o do Morris, provavelmente por impressões digitais. E aí, quando eles rastrearam aquela outra pessoa, né, que também era uma inquilina ali da pensão, eles descobriram que na verdade não havia mulher nenhuma e que era um homem, e que esse homem era o Robert.

A polícia investigou e descobriu que esse nome, Dorothy Sinner, era de uma ex-colega da faculdade do Robert. Segundo os registros, né. E a Dorothy, a verdadeira Dorothy, nunca foi vista pessoalmente ali. E o que os vizinhos viram e relataram pra polícia é que eles viam, de vez em quando, uma mulher usando peruca e óculos escuros entrando ou saindo ali do apartamento. Foi nesse momento que a polícia decide entrar no apartamento do Robert.

E lá, eles encontraram muita coisa. Eles encontraram uma trilha de sangue do quarto do Morris até o quarto do Robert. E também tinha sangue nos azulejos do piso. Então ali, eles conseguiram conectar o Robert diretamente à morte do Morris. Então, no dia 9 de outubro de 2001, o Robert é preso em Gavelston. Porém, o Robert vinha de uma família muito rica, como eu falei para vocês. Então ele tinha muitos recursos. Ele tinha sido preso, mas ele já tinha ali os seus advogados, que eram muito bons, e na mesma noite pagaram a fiança dele e ele saiu da prisão.

No dia 16, ele tinha uma audiência, mas ele faltou a essa audiência e foi dado como foragido. Ele simplesmente desapareceu. Então, durante 45 dias, a polícia procurou por ele. E o que eles não imaginavam é que mais uma vez ele tinha trocado de identidade. Então ele tava usando identidade da Dorothy. E agora ele tinha raspado a cabeça e ele estava usando a identidade do Morris, o homem que ele mesmo assassinou. Ele decidiu viajar 1.500 km da Califórnia até a Pensilvânia.

E aí, no dia 30 de novembro de 2001, ele tava em um supermercado em Bethlehem e ele foi pego tentando roubar Band-Aids, um jornal e um sanduíche de frango, mesmo ele tendo $500 no bolso. Então ele foi capturado pela segunda vez. E aí, nesse momento que a polícia consegue, né, prender ele mais uma vez, eles encontram dentro do carro dele $37.000 em espécie duas armas, a carteira de motorista do Morris Black e instruções para chegar até a casa da Gilberte, aquela amiga da Kathleen que na época, né, foi uma das últimas pessoas a ver a Kathleen, já que ela tava no aniversário dela depois que ela foi para casa e desapareceu.

Então tudo isso tava dentro daquele carro que o Robert tinha alugado. Agora que ele tava preso, finalmente ele foi a julgamento em 2003 em Gavelston, e ele insistiu que a morte do Morris foi legítima defesa Ele contou a mesma história, que ele tinha chegado em casa, que o Morris tinha invadido o quarto dele, tinha pegado a arma dele, que os dois discutiram, brigaram, e que a arma disparou e que foi acidental, mas que ele tava agindo ali de legítima defesa.

Como a cabeça do Morris, como eu falei para vocês, nunca foi encontrada, os promotores não conseguiram apresentar evidências forenses suficientes para ir contra essa versão do Robert. E sem essa certeza da versão do Robert, né, se tinha sido mesmo legítima defesa ou se ele tinha simplesmente assassinado o Morris, não tinha como sustentar uma condenação. Júri não poderia condenar ele por homicídio. Então, no dia 11 de novembro de 2003, ele foi absolvido dessa acusação de homicídio.

Mas em dezembro do ano seguinte, ele confessou a culpa de dois crimes separados. Primeiro, pela fuga. Como eu falei para vocês, ele foi preso e aí os advogados tiraram ele da cadeia com a fiança. E aí ele ficou foragido por 45 dias. E depois, por ocultação de evidência, já que ele tinha desmembrado o corpo do Morris. Ele recebeu uma sentença por conta desses dois crimes, uma sentença de 5 anos de prisão. Mas como ele já tinha Passado um tempo na cadeia aguardando o julgamento, ele precisou cumprir apenas 3 anos.

Dessa forma, ele foi solto em julho de 2005. Mas aí, em dezembro do mesmo ano, ele faz uma viagem não autorizada. Ele volta para Gaveston e vai direto no endereço da pensão onde ele desmembrou Morris. Então, por conta disso e de alguns relatos, incluindo o relato da própria juíza que presidiu o julgamento dele em 2003, foram feitos. E aí ele volta para prisão. Em março de 2006, ele é de novo. E nos anos que se seguiram, ele permaneceu isolado.

Ele viajava entre os seus apartamentos de Nova York, Califórnia e Texas, enquanto a Deborah, que foi a mulher que ele casou por último, ficava ali administrando seus negócios imobiliários. Os dois viviam separados, o que provava mais uma vez que aquele casamento era baseado 100% nos interesses do Robert sobre o seu patrimônio. Então era um casamento com esse interesse financeiro que protegia né, a fortuna dele, e não por amor.

Então, durante 4 anos, o Robert evitou atenção pública. Ele viveu ali de forma quase que invisível. Ninguém procurava por ele e nenhuma nova investigação tava acontecendo. Então, para o mundo, ele era apenas um herdeiro excêntrico que tinha conseguido escapar da justiça. Mas até que em 2010, o diretor Andrew Jarecki decidiu lançar um filme chamado All Good Things, com uma narrativa baseada na história do Robert. Era uma obra ficcional que falava ali sobre a vida dele, sobre o desaparecimento da esposa dele, né, da primeira da Kathleen, e retratava a estranha personalidade do Robert como sendo uma consequência do abuso psicológico que ele sofreu do pai.

O Robert viu o filme e ele gostou. Ele decidiu telefonar para o Andrew para dizer o quanto ele tinha gostado. E aí, nessa ligação, ele se ofereceu para dar uma entrevista para ele, e o Andrew aceitou. Robert disse que queria contar a sua versão da história. Então, entre 2010 e 2015, o Andrew desenvolveu uma série documental sobre a vida do Robert e entrevistou ele muitas vezes, somando ali mais de 20 horas de gravação O próprio Robert, que nunca tinha cooperado com jornalistas, que não falava publicamente sobre as acusações que ele recebeu.

Tanto que quem falou por ele quando a esposa desapareceu, né, quando a Kathleen desapareceu, foi a Susan. Tava ali falando pela primeira vez abertamente sobre toda a sua vida, sobre a sua versão do que teria acontecido, sobre os seus segredos. Sempre contando a sua história de forma que ele não saísse ali como culpado, né. E aí, quando eles estavam no fim já dessas filmagens, o Angel mostra pra ele duas caligrafias. Aquelas caligrafias eram de duas cartas.

Uma delas tinha sido enviada para polícia com o endereço da Susan, que eu contei para vocês, e a palavra cadáver. E a outra era uma carta que ele tinha enviado para Susan em 99. E aí eles mostram para ele comparando as duas e mostrando que era a mesma caligrafia. E além de ser a mesma caligrafia, tinha o mesmo erro na palavra Beverly, que tava escrita Beverly com E a mais. E aí eles mostram para ele dele essas duas caligrafias, o mesmo erro, e ele fica em silêncio.

Aí ele pediu para ir no banheiro, eles deixam, né? E uma coisa que ele não percebeu nesse momento e nem o próprio diretor percebeu, ele só ia perceber depois, é que ele ainda tava usando o microfone e o microfone ainda estava gravando. Essa gravação feita no momento em que ele foi sozinho no banheiro só foi descoberta 2 anos depois, quando os editores estavam ali finalizando a edição final da série, né, que eles já estavam gravando ali há muitos anos.

Então eles estavam bem no final, eles percebem que tinha Havia um pedacinho de áudio ainda, e era um áudio do Robert falando com ele mesmo no banheiro. Então ali ele ficava murmurando, falando frases desconexas sobre os crimes, sobre ele ir preso, sobre estar preso. E aí tem uma frase ali que basicamente resume tudo. Ele fala: que diabos eu fiz? E ele mesmo responde: matei todos, é óbvio. Essa frase foi colocada no final do último episódio.

Com a pergunta e a resposta, assim aparece na tela e dá para ouvir ele falando. Só que depois foi descoberto que na verdade os editores editaram essa parte para ficar exatamente dessa forma, eles reordenaram as frases. Mas a sequência original era diferente e os críticos notaram que a edição aumentou a aparência de confissão deliberada, algo que os advogados do Robert usariam na defesa para questionar a integridade do documentário como evidência.

Vocês podem assistir esse documentário que chama The Jinx: The Life and Death of Robert Durst na Max, foi ao ar na HBO UOL em fevereiro de 2015. E no dia 14 de março de 2015, na véspera do episódio final, o Robert foi preso em New Orleans, acusado de homicídio em primeiro grau pela morte da Susan. Depois da série, ele foi julgado pela morte da Susan, que aconteceu em dezembro de 2000, e não pela morte da Kathleen. Isso aconteceu porque eles não encontraram o corpo, né, da Kathleen.

Então eles não tinham evidência forense direta que conectasse o Robert a esse crime de forma indiscutível. Os promotores optaram por não seguir por esse caminho. E também no caso Morris Black, o Robert já tinha sido absolvido em 2003 e ele já havia confessado o desmembramento do corpo em 2004. Então a lei não permite ser julgado duas vezes pelo mesmo crime. Como no caso da Susan havia carta, os promotores optaram por apostar todas as fichas nesse caso da carta, da caligrafia e tudo mais.

Então essa carta anônima com a mesma caligrafia e o mesmo erro ortográfico, que havia sido apresentada como evidência lado a lado na série do Andrew, foi o fator determinante para escolha. Em setembro de 2021, um júri do condado de Los Angeles considerou Robert culpado de homicídio em primeiro grau. Ele foi condenado à prisão perpétua sem possibilidade liberdade condicional. No mês seguinte, em outubro, promotores de Westchester County, Nova York, indiciaram Robert formalmente pelo desaparecimento da Kathleen.

Eles reclassificaram o caso de desaparecimento para homicídio, mas o Robert nunca seria julgado por isso. Ele morreu no dia 10 de janeiro de 2022, na prisão da Califórnia, aos 78 anos, onde ele estava cumprindo sua pena de prisão perpétua. Ele não deixou filhos. Ele disse em The Jinx, né, no documentário, que ele não queria ter filhos porque achava que seria uma maldição. A sua condenação foi automaticamente anulada quando a sua apelação ainda estava pendente.

Uma tecnicidade legal que absorveu postumamente do julgamento que nunca ocorreria. A Deborah, que se casou com o Robert, se tornou a executora do estate dele, né, avaliado em aproximadamente $100 milhões. Um juiz federal congelou esses assets em janeiro de 2022, quando a família da Kathleen processou Robert. A Deborah continua viva, ela protege o dinheiro através de trusts estruturados legalmente, de forma a favorecer os beneficiários e resistir a contestações legais.

Quando o Andrew confrontou a Deborah em 2024 perguntando se ela ajudaria a família da Kathleen, ela respondeu: nenhum dólar. O seu advogado argumenta que o dinheiro está protegido legalmente e que a família da Kathleen não teria chance de reivindicá-lo. Porém, a sua família continua lutando por justiça. A sua mãe, Anne McCormack, que tinha mais de 100 anos quando iniciou o processo, faleceu. Os seus irmãos Carol, James, Virginia e Mary seguem processando o estado do Robert.

Essa ação está em pré-trial desde 2023, com moções e audiências ainda em andamento desde agosto de Eles planejam usar qualquer compensação para criar uma fundação em nome da Kathleen. Eles disseram que após 40 anos eles apenas querem que o mundo saiba quem ela era. Já a Susan permanece um nome no meio dessa história. Ela era filha única de um mobster, mulher que construiu sua própria vida como escritora e jornalista. Uma mulher que teve seu casamento com Christopher durando apenas 2 anos antes dele morrer de overdose de heroína em 86.

Ela ajudou a criar os filhos de um namorado posteriormente, mas viveu muito da sua vida de forma privada. O seu assassinato em 2000 permanece definido não por quem ela era, mas por quem a matou. O Morris, né, um homem pobre de Gavelston, tinha 71 anos quando sua vida inteira foi apagada em uma luta que durou minutos. Ele teve seus pedaços espalhados em Gavelston Bay, a sua cabeça nunca encontrada. Pouco se sabe sobre a sua família após a sua morte.

Já o corpo da Kathleen nunca foi encontrado. Esse caso é conhecido como o caso de Jinx por conta do documentário, e eu falei sobre ele num vídeo curto. E aí vocês pediram para eu trazer aqui para o canal porque é muito, muito absurdo todas as conexões do Robert com esses crimes e o fato dele ter vivido por muitos anos tranquilamente sem que nada acontecesse, né. Começando pela Kathleen, ele foi a última pessoa a ver ela. Ele deu essa história que mais tarde ele mesmo disse que era mentira, né, que ele tinha colocado ela em um trem.

E mesmo assim, por conta do seu nome, né, do peso do nome dele, do dinheiro que ele tinha, das suas conexões O caso meio que foi deixado de lado por quase 20 anos. Depois tem a questão da Susan, quando a polícia queria falar com ela uma segunda vez, e aí dias antes ela é morta, né? Encontram ela assassinada ali dentro do seu apartamento com um tiro de execução. E a carta enviada à polícia com o endereço dela com a mesma caligrafia do Robert.

Então assim, para mim é mais do que claro que ele assassinou essas 3 pessoas. Talvez tenha assassinado outras também, não sei, mas das 3 pessoas citadas, né, no caso dele, que foram a Kathleen, a Susan e o Morris. Eu não tenho dúvida que ele assassinou os 3, né. Tudo vira para ele, tudo aponta para ele. Então, para mim, tá meio que óbvio. Mas é isso, gente. Quero muito saber o que vocês acharam. E eu quero muito saber a opinião de vocês sobre o áudio, porque um dos motivos para esse caso ter ficado tão famoso nas redes sociais na época foi justamente o áudio onde ele fala com ele mesmo no banheiro.

Aí, agora vamos vão me pegar, matei todos eles. E foi graças a isso que eles conseguiram, né, uma prova forte ali contra ele, graças a um áudio que ele nem sabia que tava gravando e só foi descoberto 2 anos depois. Mas de qualquer forma, ele viveu muitos anos livre, né, sem pagar pelos crimes que ele cometeu. E uma coisa muito doida também é ele ter se passado por uma mulher. Vocês não acharam isso muito bizarro? Quero muito saber as opiniões de vocês sobre esse caso.

Então me conta aqui nos comentários e não esquece do like, que me ajuda muito na divulgação E é isso! Pra mais casos, siga o podcast Quinta Misteriosa e aproveite pra avaliar em 5 estrelas se você gostou. Obrigada por ouvir e até o próximo caso!

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