ELA TINHA 14 E ELE 38… | CASO Tanya Nicole Kach #607
Em 1996, uma menina de catorze anos desapareceu de uma cidade do interior da Pensilvânia. A polícia tratou o caso como fuga de casa. Por dez anos, ninguém voltou a procurá-la com seriedade — até que ela mesma decidiu contar a verdade a um amigo, a poucos quilômetros de onde sempre esteve. #607
Gisberta Salsi Jr.
Tanya Nicole Katch
Thomas Hosey
- Caso Tanya Nicole KatchDesaparecimento e sequestro · Abuso e controle psicológico · Resgate e recuperação · Thomas Hosey · Tanya Nicole Katch
- Fuga e busca de segurançaConfinamento em closet · Condições desumanas · Ameaças e manipulação · Pais de Thomas Hosey
- Experiências de vida e superaçãoRecuperação física e psicológica · Reconciliação com a mãe · Publicação de livro · Novo casamento · Ativismo e palestras
- Relacionamento com Thomas HoseyAliciamento e abuso · Isolamento e controle · Mudança de nome para Nicky
- Resgate de TanyaAmizade com Joe Sparical · Denúncia à polícia · Reencontro com a família · Joe Sparical
- Infância de GisèleRelação familiar conturbada · Mudança para nova cidade · Bullying escolar
- O Julgamento e ConsequênciasAcusações contra Thomas Hosey · Processo civil contra instituições · Sentença e prisão · Lei de Megan
Tanya Nicole Katch nasceu em 14 de outubro de 1981, filha única de Gerald e Sherry Katch. Passou os primeiros anos da vida em Monogahela, na Pensilvânia, uma cidade pequena às margens do rio que lhe dá o nome, na região metropolitana de Pittsburgh, com pouco mais de 5 mil habitantes na época. Foi lá que ela cresceu com amizades coisas antigas e lugares familiares, do tipo que uma criança aprende a reconhecer de olhos fechados.
A relação da Tânia com a mãe nunca foi fácil. Em relatos posteriores, ela descreveria a Sherri como uma figura violenta e abusiva, praticamente ausente da própria criação. Alguém que deveria estar por perto, mas raramente estava. Era essa ausência, mais do que qualquer coisa, que Tânia levava consigo quando os pais finalmente se separaram em 1995. O seu pai, Gerald, já namorava uma mulher chamada Joanne McGuire desde abril daquele ano. 4 meses depois de conhecê-la, quando o casamento com a Sherri terminou, ele e a Tânia se mudaram pra casa da Joanne Maxpert, cerca de 16 km de Monongália.
A distância parece pequena no mapa, mas para uma adolescente de 13 anos significava deixar tudo para trás, tudo que ela conhecia, os amigos de sempre, as ruas familiares, a única vida que ela tinha tido até ali. Nos primeiros dias, tudo ocorreu bem, mas poucas semanas depois, a relação dela com a Joanne, né, a madrasta, mudou de figura. A Tânia sentiu o tratamento dela endurecer. Ela começou a se sentir como se fosse um estorvo dentro da própria casa nova.
O seu pai Gerald, ocupado em construir essa nova relação, parecia esquecer cada vez mais que ele tinha uma filha ali. Em setembro daquele ano, a Tânia começou a frequentar a Cornell Middle School, uma escola nova numa cidade nova, onde ela era apenas a garota desconhecida. Não demorou pra ela se tornar alvo de implicância. Outras garotas, segundo ela diria mais tarde, brigavam com ela sem motivo nenhum. Foi nesse período que a Tânia começou a beber, a fumar cigarro e maconha, e a se isolar em casa e na escola.
Ela também começou a fugir. Eram fugas curtas, quase sempre resolvidas em 24 horas. Mas cada uma delas era um sintoma do tamanho do vazio em que ela vivia, mesmo que ninguém ao redor conseguisse nomear isso a tempo. Foi nesse contexto, com uma mãe ausente, uma madrasta hostil, um pai que parecia cada vez mais distante e colegas péssimos numa escola onde ela ainda era estranha, que a Tânia conheceu o Thomas Hosey, o segurança da sua escola.
O Thomas nasceu em 1957. Antes de ser contratado pela Samory Security Services, em agosto de 94, ele havia passado 30 anos sem manter nenhum emprego fixo. Nem a escola, nem a empresa de segurança verificaram esse histórico. Pouco depois da contratação, ele foi designado pra Cornell Middle School. Ele já tinha sido casado, a ex-mulher o deixou por conta de um comportamento abusivo. Abusivo. Os detalhes dessa relação nunca se tornaram públicos.
O que se sabe é que eles tiveram um filho chamado Justin, 2 anos mais jovem que a Tânia. Depois do divórcio, Thomas nunca saiu da casa dos próprios pais, Eleanor e Howard, em Maxport. Aos 38 anos, ainda vivia como filho e não como chefe de família. Foi esse homem, 2 vezes mais velho que as crianças que ele deveria proteger, sem emprego estável em 3 décadas, recém-saído de um casamento marcado por abuso, que a escola da Tânia contratou Pra patrulhar os corredores e banheiros, controlar entradas e saídas e conter brigas entre alunos.
A Tânia estava na nova escola havia pouco mais de um mês quando ela começou a notar o Thomas. Sempre ela percebia que ele tava por perto. Então, quando ela se virava em um corredor, lá tava ele. Quando ela ia mexer no seu armário, de repente ele aparecia. Mas sempre sem ruído nenhum. Ele começou a cercar ela, e ela começou a perceber isso. Ela ficou um pouco assustada, sem entender direito o porquê. A primeira aproximação direta do Thomas veio com um pretexto comum.
Ele pediu pra ver a carteirinha escolar dela. A Tânia mostrou. E é a partir desse momento que ele começa a tentar se aproximar dela. Então, ele encontrava ela no corredor, fazia algum comentário. Eles começavam a conversar, ele falava coisas que faziam com que ela risse. Ele perguntava coisas sobre o dia a dia. Até que ele começou a tirar ela da sala de aula. Então, ele ia lá, falava que precisava falar com ela. Então, ela saía e os dois ficavam andando pela escola e conversando.
E ele fazia isso praticamente todos os dias. Isso aconteceu por mais ou menos um mês e meio. Até que ele levou ela pra um lugar mais escondido. Escondido. Ele levou ela embaixo da escada da academia e foi lá que os dois se beijaram pela primeira vez. E a Tânia diria mais tarde que nesse momento ela já estava apaixonada por ele. Depois daquele dia, aproximação deles foi ficando cada vez mais forte. Então ele levava presentes para ela, doces, joias, cigarros.
E aí ele ouvia ela reclamar da madrasta, do pai, da situação em casa. Ele ouvia tudo, ele fazia graça para ela rir e criava essa sensação de ser a única pessoa que realmente a entendia. Para uma garota de 14 anos que se sentia abandonada em com um pai que parecia não notar ela em momento algum, uma madrasta cada vez mais hostil, numa escola nova onde as pessoas ficavam caçoando dela, então ela não conseguia ali fazer amizades.
Ter uma atenção de um adulto que parecia entendê-la, alguém que tinha autoridade, que ouvia tudo que ela tinha para dizer, que não tentava puni-la, foi o suficiente para que ela começasse a achar que o que ela tava sentindo ali era amor. Então ela começou a escrever cartas falando sobre esses sentimentos, até que no dia 28 de janeiro de 96 o Thomas convida a Tânia para assistir o Super Bowl na casa dele. Era um jogo do Pittsburgh Steelers contra o Dallas Cowboys.
Os pais dele não estavam em casa, então aquela foi a primeira vez que os dois ficaram juntos sem ser dentro do ambiente escolar. Ao longo das semanas seguintes, o Thomas começou a repetir sempre a mesma coisa para ela. Ele dizia que entendia como ninguém o que ela tava passando, que a vida que ela tava levando com o pai e a madrasta era instável, que ela precisava de alguém para cuidar dela de um jeito que o pai dela não estava conseguindo fazer.
Então ele vinha tendo essas conversas com ela, preparando ali o terreno, até que ele convidou ela para morar com ele. Lembrando que ela tinha 14 anos e ele tinha 38. Então, no dia 10 de fevereiro, ela foi para casa, fez as malas e fugiu. Ela, como eu falei para vocês, ela já tinha feito isso várias vezes, mas ela sempre voltava. E aí passou 24 horas, ela não voltou. Aí, depois que se passaram 4 dias e o pai dela não sabia onde ela tava, ele foi até a polícia e relatou o desaparecimento dela.
Ela não foi direto para casa do Thomas. Primeiro ela foi para casa da Yuri Sokol, que era uma cabeleireira da região e que era amiga do Thomas já há muitos anos. É muito doido porque a Júri com certeza sabia exatamente o que tava acontecendo ali, sabia que o seu amigo Thomas tinha 38 anos e tava em um relacionamento com uma adolescente de 14 anos. Então ela sabia que aquilo era extremamente impróprio, e mesmo assim ela abriu as portas da casa dela para Tânia.
E foi ali dentro da casa dessa cabeleireira que o Thomas fez a Tânia beber pela primeira vez, e naquela noite ele abusou dela pela primeira vez também. A Tânia Ela não tinha contado isso pra ninguém e ela parecia que ela entendia que aquilo tava esquisito. Então ela tentou fazer um comentário uma vez pra um policial, dando a entender que ela tava passando ali por alguma coisa que poderia ser muito imprópria pra idade dela. Isso aconteceu durante um chamado de perturbação na casa do pai dela, um mês antes dela fugir.
E aí, o policial não deu muita bola, ninguém investigou. E aí, um mês depois, ela foge e... O que eu vou contar para vocês agora acontece. Foi ainda na casa da Júlia, da cabeleireira, que ela pinta o cabelo dela, ela corta e pinta o cabelo. E como eu falei para vocês, o pai dela tinha ido até a polícia, então eles estavam procurando por ela, já tinha cartazes com a foto dela espalhados. E aí ela queria mudar sua aparência para que as pessoas não conseguissem encontrá-la.
O Thomas ia várias vezes até a casa da cabeleireira e ele ia para visitar, né, a Tânia, para passar a noite com ela. E aí ele fez isso muitas vezes enquanto ele tava decidindo o momento perfeito para ele levar ela para casa dele, que era a casa dos pais dele na verdade, sem que os pais percebessem. No início de março ele decidiu que era o momento certo, então ele leva a Tânia para morar com ele. E a casa dos pais dele ficava a poucos quilômetros da casa do pai da Tânia.
O quarto que ele a escondeu tinha um closet e a porta desse closet só trancava por fora. Então não a porta do quarto, a do closet. E aí ele explicou para ela que ela teria que ficar escondida ali até que ele encontrasse o momento certo para contar para os pais o que tava acontecendo. E ela aceitou. Ela sonhava ali em ter um relacionamento com ele, em se casar, talvez até ter filhos. Então ela tava tendo todos esses sonhos. E aí o que aconteceu, né, a realidade foi bem diferente do que ela tava sonhando.
Então toda vez que os pais chegavam em casa, ele colocava ela dentro do closet, trancava a porta. E isso aconteceu por muitos dias. Então basicamente ela passava o dia inteiro, todos os dias, ali dentro do quarto ou trancada no closet. E era ali dentro, no escuro, no meio das roupas, que muitas vezes ela chorava. Ela chorava em silêncio, pensando no pai, no que o pai dela ia estar imaginando já que ele não sabia o que tinha acontecido com a filha.
E toda vez que o Thomas percebia, via que ela tava chorando, ele ficava furioso, dizendo que ela não tinha mais pai, que aquele pai não se importava com ela, que ela não tinha nem pai nem mãe e que agora ela só tinha ele. Ele deixava um balde para ela usar como banheiro. E aí ela tomava banho duas vezes por semana, sempre de madrugada, em um banheiro que ficava no primeiro andar e na água fria. Então o Thomas descia, ficava ali esperando ela tomar banho e cuidando pra ver se os pais não iriam acordar no meio da noite e perceber o que tava acontecendo.
Durante anos, tudo que ela comia era basicamente sanduíche de pasta de amendoim. Ele levava às vezes as sobras do jantar dele pra ela. Então ela comia isso, tomava água. E com o passar do tempo, ela começou a memorizar as tábuas do assoalho. Porque ela sabia exatamente quais rangiam e quais não rangiam. Então o tempo começou a passar. E o Thomas sempre diminuía ela, o tempo todo dizendo que ela não tinha ninguém, que ela só tinha ele, que ela era burra.
Que ninguém amava ela e que ela dependia inteiramente dele. E além disso, ele também usava sua posição como segurança escolar pra dizer pra ela que ele tinha contato direto com a polícia. E ele disse que as buscas já tinham terminado, que ninguém mais tava procurando por ela. O que não era verdade, né. Ele nem tinha contato nenhum com a polícia e as buscas continuavam. Com o passar do tempo, os discursos, né, que ele fazia pra ela começaram a mudar.
Então ele começou a dizer, você é minha. Eu sou o seu Deus, eu sou o seu dono. Ele dizia que ele tinha contatos que eram capazes de matá-la sem que ninguém soubesse. Ele dizia que ele mesmo iria matá-la durante a noite, quando ela estivesse dormindo. E ela tinha tanto medo que às vezes ela não conseguia nem dormir. Ele tratava a Tânia como a sua boneca pessoal. Então, ele escolhia até a cor do cabelo dela, pra vocês terem ideia.
E ela disse que ele não tratava só ela como uma boneca, mas como uma escrava. Especialmente uma escrava sexual. O abuso diário incluía atos que ela descreveria mais tarde, chorando sempre, que eram coisas horríveis que ela era obrigada a fazer e que ela nunca mais queria fazer, e que ela não desejava isso para ninguém. Enquanto ele saía de casa para trabalhar e ela ficava sozinha, ela fazia o que dava. Então ela via TV bem baixinho, ouvia música no fone de ouvido, lia.
E a solidão era tanta, ela passava tanto tempo sozinha que ela começou até a imaginar uma amiga da infância ali dentro do quarto com ela. Ela conta que ela encostava o ouvido na grade de ventilação do quarto e que dessa forma ela conseguia ouvir os pais do Thomas conversando. E ela ficava tão sozinha, tão isolada, que aquela conversa ali de duas pessoas que nem imaginavam que ela tava ali era o som mais próximo que ela tinha do que se passava no mundo fora daquele quarto.
Às vezes, quando ela tava sozinha em casa, né, quando o Thomas tinha saído, ela ouvia os passos dos pais dele pela casa. E ela ficava imaginando o que aconteceria se ela saísse do quarto e contasse a verdade para eles. Mas ao mesmo tempo, ela tinha tanto medo do Thomas e de todas as ameaças que ele tinha feito que ela não tinha coragem. Por volta de janeiro de 97, quase um ano depois do desaparecimento da Tânia, um policial aparece na casa do Thomas por um outro motivo que não tinha nada a ver com isso.
Mas o Thomas não sabia, então ele pega a Tânia e leva ela correndo para o porão. E lá dentro tinha uma caixa de TV, então ele manda ela entrar na caixa e ficar em silêncio. Ali de dentro ela conseguiu ouvir o Thomas conversando com o policial. De repente ela ouve a porta fechando e os passos se afastando. Ela tremia, ela tava com medo, ela não fazia ideia do que poderia acontecer. E aí mais tarde o Thomas conta para ela que ele disse para os policiais que os dele moravam com ele, não o contrário.
Pra explicar qualquer ruído incomum que pudesse vir ali da casa, né. Sem que ninguém imaginasse que tinha uma adolescente ali escondida. O corpo da Tânia pagou um preço bem alto por conta dessa vida que ela tava vivendo. Então ela começou a ter distúrbios alimentares, ela não conseguia comer de forma adequada. Ela teve conjuntivite, que nunca foi tratada. Em anos de confinamento, ela nunca teve uma consulta médica ou odontológica.
Nessa época, ele também usou uma outra coisa que tinha acontecido na cidade fazer mais uma ameaça pra Tânia. Então ele contou que uma colega dela da escola, de 14 anos, chamada Kimberly Crane, tinha sido encontrada morta, amarrada e estrangulada com um fio elétrico em um cemitério que dava pra ver esse cemitério da casa dele. Um jeito ainda mais retorcido de garantir que ela nunca tentasse fugir, que ela não contasse a verdade pros pais dele.
E isso deixou ela ainda com mais medo. Então, pra vocês terem ideia, a polícia até investigou ele em 98 pra ver se ele tinha alguma coisa a ver com esse caso, se ele seria um possível suspeito, mas eles não encontraram evidências. Como se tudo isso não bastasse, o Thomas obrigou a Tânia a registrar em uma espécie ali de calendário, de caderno, todas as vezes que eles tinham relações. Ele não tava fazendo isso como uma necessidade prática, mas sim para levar esse caderno para o trabalho e mostrar para os colegas dele se gabar de quantas vezes por semana ele tinha relações com ela.
Controle que ele tinha sobre ela muitas vezes era extremamente cruel, como todas essas coisas que eu contei para vocês, mas não era só cruel. Em alguns momentos ele era super doce com ela, ele levava presentes, flores, chocolates, pequenas coisinhas assim para que ela não conseguisse ver ele só pelo lado ruim. Por um momento ela pensava, ah, talvez ele não seja tão mau assim. Então era esse contraste em que em alguns momentos ele era doce e outros ele era horrível, e ela até chegou a chamar ele de o diabo, que tornava tava todo esse caso cada vez mais difícil de entender e até de classificar.
Em meio a todo aquele controle, tinha um detalhe, que era o aniversário dela. Ele deixava ela saber o dia que era o aniversário dela para que eles comemorassem, algo que para ela fazia diferença ali, já que todos os dias pareciam iguais. E aí, como os anos começaram a passar, ela começou a manter um diário escondido onde ela escrevia suas lembranças sobre a sua família, sobre os seus pais, porque ela tinha medo que ela esquecesse deles, e até para não esquecer quem ela era também.
Então ela escrevia tudo isso e escondia esse diário embaixo de um carpete. E assim ela viveu por 4 anos dentro daquele quarto, sempre escondida, sem ver ninguém além do Thomas. Em 99, quando ela completou 18 anos, ela ainda vivia escondida ali na casa dele. E foi só no ano seguinte que ele começou a deixar ela andar pela casa, ter um pouquinho mais de liberdade ali dentro, sempre quando os pais tinham saído. Então ela continuava escondida, né?
Os pais dele não faziam ideia de que ela tava morando ali já há 4 anos. E aí foi em um desses momentos que ela conseguiu sair um pouco do quarto e andar pela da casa que ela viu um jornal. Então ela abriu esse jornal e lá tinha a foto dela como pessoa desaparecida. E aí ela levou um choque de realidade porque ele sempre dizia para ela, desde o primeiro ano que ela viveu lá, que a polícia não tava mais procurando por ela, que eles tinham desistido, que ninguém ligava para ela.
E ela viu que era mentira, que ela ainda estava sendo procurada. Mas a essa altura a lavagem cerebral já estava feita e o Thomas sabia disso. Então tudo que ele dizia, ela obedecia, ela acreditava confiava nele sempre. Então ele sabia que ele tinha o controle absoluto dela. E foi nesse momento que ele decidiu que ela não se chamaria mais Tânia Nicole, e ele mudou o nome dela para Nicky. Até que no ano 2000 veio a primeira saída dela de verdade da casa.
Então imagina, gente, todo esse tempo confinada lá, ela não tinha saído nunca mais. E aí ele deixou ela sair porque ele decidiu que ela precisava comprar roupas do tamanho dela. Ela só usava as roupas dele. Então ele deu $120 para ela E aí, ele explicou pra ela como ela sairia da casa, como ela pegaria um ônibus, qual ônibus ela tinha que pegar de volta. Enfim, ele explicou tudo. E aí, ele deixou ela sair sozinha. Então, ela conta que essa foi a primeira vez que ela teve contato com o mundo e a sociedade depois de anos.
Então, foi um choque pra ela. E ele realmente confiava que ela iria obedecer, que ela voltaria pra casa. E aí, ela conta que ela tinha que ligar pra ele em todas as etapas. Então, no momento que ela saiu, quando ela chegou na loja, quando ela voltaria pra casa. E ela fez isso. E voltou. Então ele viu que realmente ele podia fazer o que ele quisesse, que ela obedeceria. Então ele começou a fazer com que ela saísse de casa pra fazer compras pra ele.
A regra era simples, ela tinha que ser rápida, ela não podia falar com ninguém. E aí ela teria essa pequena liberdade, né, pra conseguir sair um pouco ali da casa. A Tani obedecia, ela sentia que ela não podia decepcionar o Thomas, nem deixá-lo bravo. Ela ainda tinha muito medo dele, então ela continuava fazendo tudo que ele mandava. E aí se passam mais 5 anos. Que é muito doido, né? Ela ficou 4 anos confinada. Depois passam mais 5 anos tendo essa pequena liberdade onde ela podia sair pra fazer alguma coisa pra ele.
Tinha que ser super rápido e voltar pra casa. E aí, ele acha que finalmente é o momento certo de contar pros pais sobre a Nicky, né. Que ele deu esse novo nome pra ela. Mas ele inventou uma história. Ele disse que a Nicky não morava ali, ela era de outra cidade. Que ela tinha ido pra lá pra trabalhar como babá. Mas que ela tinha sido demitida e precisava de um lugar pra ficar. E por isso, ele ofereceu a casa deles. Que era por pouco tempo.
Então assim, faziam quase 10 anos que a Tânia tava desaparecida. E aí os pais dele não disseram nada. Segundo a Tânia, ninguém contestava o que o Thomas falava, nem os próprios pais. E aí em junho de 2005, ele começa a dar um pouco mais de liberdade para ela, onde ele deixa ela ir para alguns lugares sozinha, como caminhar até a igreja ou a loja de conveniência. Ela tinha hora para voltar, então ela tinha que voltar até às 2 da tarde, e se ela saísse à noite tinha que voltar até 8:30.
E ele falava para todo mundo que ela um ano a mais do que ela realmente tinha. E é muito doido pensar que as pessoas ainda procuravam por ela. Ela tava vivendo ali com um novo nome. Ele dizia que ela não podia entrar em contato com ninguém que ela conhecia antes, muito menos a família dela. E ela tava ali vivendo na cidade onde as pessoas ainda esperavam que ela aparecesse, que ela voltasse. O Centro Nacional para Crianças Desaparecidas e Exploradas divulgou a foto dela de várias formas: na TV, nos jornais, até em caixas de leite.
E mesmo assim, ninguém alguém da cidade reconheceu ela. E assim ela foi vivendo. Foi durante esse período que o Thomas pediu para Tânia, para ela ir ao mercado do bairro que se chamava JJ's Deli Mart para buscar o jornal para ele. E foi assim que ela conheceu o Joe Sparical, que era o proprietário. Com o tempo, os dois construíram uma amizade. O Joe não sabia nada sobre o passado dela, mas via com clareza a diferença enorme de idade entre ela e o Thomas e o controle absoluto que ele parecia exercer sobre tudo que ela fazia.
Em uma das conversas, ele perguntou sobre os pais dela e a Tânia disse que não sabia onde estavam. O Joe comentou que havia contratando gente ali perto e sugeriu que ela se candidatasse. Ela respondeu que não podia por conta do Thomas. Foi observando o Joe e a esposa dele, a Janet, que a Tânia teve, talvez pela primeira vez em 10 anos, um parâmetro do que deveria ser uma relação. Ela via como os dois se tratavam, como conversavam, como existia entre eles um respeito que ela nunca tinha visto de perto.
Foi esse contraste, mais do que qualquer discurso ou conselho, que começou a fazer com que ela enxergasse a própria vida sob uma luz diferente. Foi assim, ao longo de 8 meses, que o Joe foi construindo, sem pressa, uma relação de confiança, confiança, perguntando com cuidado por detalhes da vida dela sem nunca forçar a barra. Até que no dia 21 de março de 2006, no dia seguinte depois deles terem uma dessas conversas, que a Tânia voltou ao mercado, os dois se sentaram nos fundos da loja e ela começou a chorar.
O Joe perguntou o que tava acontecendo e ela disse que precisava contar uma coisa para ele. Foi aí que ela disse que o seu nome não era Nicky, era Tânia Kett, a garota que tinha desaparecido em Maxport 10 anos antes. Ela disse, se você for a um site de crianças desaparecidas, vai ver uma foto minha lá. O Joe não acreditou nela de imediato. A dúvida o abrir o computador ali mesmo e procurar o site de crianças desaparecidas que ela tinha mencionado.
Foi só quando ele viu a própria foto dela na tela, a mesma garota que ele conhecia como Niki, estampada como desaparecida há 10 anos, que a ficha caiu de verdade. Ele disse a ela que não precisava fazer mais nada, que ele resolveria tudo e que ela devia apenas voltar para casa e esperar. Foi então que ele ligou para a polícia. A Tânia voltou para casa e ficou sentada esperando. Aquilo parecia uma eternidade. De repente, alguém bateu na janela e na porta da frente.
Era um detetive. Ele perguntou se ela era Tânia? E ela disse que sim. O homem ficou emocionado, abraçou ela e disse: estou buscando você há 10 anos, a sua foto está pendurada na parede do meu escritório. Ao ouvir aquelas palavras, a Tânia não conseguia acreditar. 3 policiais armados subiram e prenderam o Thomas. Ele desceu as escadas algemado, olhou nos olhos dela e perguntou: o que houve, Nick? Ele esperava talvez que ela o defendesse, mas ela olhou para ele e respondeu apenas: acabou.
A polícia começou a revistar a casa. A Eleanor, a mãe do Thomas, perguntou confusa: o que vocês querem na minha casa? O que vocês estão fazendo aqui? Um policial apontou para Tânia e respondeu que o filho dela tinha sequestrado aquela garota havia 10 anos. A Eleanor respondeu apenas, ok. Voltou pra cozinha e ficou ali. O Howard, o pai do Thomas, desceu as escadas, perguntou o que tava acontecendo. E quando entendeu, foi pra sala de jantar.
Nenhum dos dois falou com a Tânia. Nenhum dos dois pareceu, de fato, chocado. A Tânia, então, com 24 anos, foi retirada da casa, finalmente. Tinham se passado exatos 10 anos desde a sua fuga. Ela foi levada pra delegacia e finalmente aconteceu um encontro com a família dela. Então, o pai dela tava esperando por ela. E aí, os dois se abraçaram. Ele abraçou com força e disse, eu recuperei a minha menina. E ela chorando disse que amava o pai.
E aí a notícia estava em todos os jornais, na imprensa. E aí a Tânia acabou falando com a mãe dela depois de todos esses anos, por telefone. A mãe dela tinha se casado. E aí elas conversaram e a mãe dela disse que aquela era a melhor notícia que ela tinha recebido, porque fazia 10 anos que ela não tinha ideia de onde a filha dela tava. Mas aquele reencontro que a Tânia teve com o pai, que foi super emocionante, que foi muito bonito para quem assistiu, rapidamente começou a mudar.
Já voltando a morar com ele, dentro de casa, a Tânia relataria mais tarde que o pai dela começou a culpar ela pelo que aconteceu, dizendo que ela sabia exatamente o que ela tava fazendo. Mesmo ela respondendo que ela tinha só 14 anos, que ela não fazia ideia do que aconteceria, ele continuava culpando ela. E aquele era o primeiro sinal de uma ruptura que aconteceria e que seria definitiva. Enquanto isso acontecia, o Thomas estava preso aguardando o julgamento, e aí ele tentou tirar a própria vida.
E aí ele é internado em um hospital psiquiátrico estadual E isso aconteceu poucos meses antes do julgamento começar. E por conta disso, o processo acabou atrasando cada vez mais. O advogado dele chegou a dizer que ele sofria com muita ansiedade, que ele já tinha verbalizado que ele realmente queria tirar a própria vida de novo. Ele só foi devolvido para cadeia e levado a julgamento meses depois. O advogado dele, o James Acker, chegou a dizer para imprensa depois que ele tinha sido preso que o Thomas era na verdade uma boa pessoa e que a Tânia definitivamente não tinha sido mantida à força durante todos 3 anos.
O superintendente da polícia do condado de Allegheny, o Charles Mofad, rebateu publicamente dizendo que o Thomas usava jogos mentais para controlar o que a Tanya vestia, aonde ela ia, e para convencê-la de que os próprios pais não se importavam com ela. Mas como a Tanya tinha ido para casa dele inicialmente por vontade própria, o Thomas não foi formalmente acusado de sequestro. As acusações vieram por outro caminho: abuso contra menor, 3 episódios de abuso agravado, abuso indecente agravado, interferência na custódia de uma criança, corrupção de menor e perigo ao bem-estar infantil.
Diante da possibilidade de mais de 100 anos de prisão, caso ele fosse a julgamento e condenado em todas as acusações, Thomas declarou culpado de tudo em 2007, no mesmo dia em que o julgamento começaria. Ele foi sentenciado de 5 a 15 anos de prisão. No dia da sentença, a Tânia leu um depoimento de impacto diretamente para o Thomas, já com as mãos algemadas. Enquanto ela falava, ele repetia baixinho: me desculpe, me desculpe. A Tânia parou e disse: cale a boca, agora sou eu quem está falando.
Ela disse: você levou minha inocência, minha infância. Você me fez pensar que minha família não me queria ou não me amava, que que ninguém se importava ou me amava além de você. Por 10 anos você me controlou. Ela acrescentou que pretendia ir a lugares e que seu principal objetivo era ajudar e proteger crianças e mulheres de homens como ele. O Thomas se dirigiu ao tribunal e pediu desculpas. Ele disse, eu gostaria de dizer que sinto muito, quero que Tânia saiba o quanto eu sinto.
E ele encerrou a fala alegando que suas ações tinham sido feitas para ajudá-la e que ela costumava lhe dizer obrigada. Se não fosse por você, eu estaria morta ou nas ruas. O juiz respondeu, acho que você se dá crédito demais. Você se vê diferente do jeito que o resto do mundo te vê. A júri só ou aquela cabeleireira que eu falei para vocês, que ajudou a esconder a Tânia nos primeiros dias depois da fuga, se declarou culpada de abuso contra menor, interferência na custódia de menor, perigo ao bem-estar infantil e corrupção de menores.
Ela recebeu uma pena de 6 a 23 meses. Anos depois, refletindo sobre os 10 anos de cativeiro, a Tânia diria acreditar que o Thomas sentia algo sádico em relação a ela e que era exatamente isso, talvez, o que a manteve viva. Mas ela não hesita em chamá-lo de monstro. Ela tem uma teoria pessoal sobre por que ele começou a deixá-la sair de casa aos 18 anos. Ela acredita que ela estava simplesmente ficando velha demais pro interesse dele.
Ela considera o Thomas um pedófilo, com preferência por meninas de 13 e 14 anos. Ela acredita que ele provavelmente buscaria outra menina dessa idade se ele tivesse a oportunidade. Em setembro de 2006, 6 meses depois de ser resgatada, a Tania entrou com uma ação civil federal contra o Thomas e contra os pais dele, a Eleanor e o Howard, e também contra a Judy, a cabeleireira, e contra a cidade de Maxport, contra o distrito escolar, contra a empresa de segurança St.
Maurice e contra uma série de autoridades policiais escolares. Entre elas, um tenente da polícia juvenil que, segundo a ação, já tinha sido alertado sobre o comportamento do Thomas antes da fuga e que ele não tinha agido. E uma orientadora da escola que teria fornecido informações sobre a vida pessoal da Tânia. O advogado dela, Lawrence Fisher, reuniu um arsenal de evidências de negligência institucional. Alegou que a escola e a polícia sabiam do relacionamento impróprio entre o Thomas e a aluna, sabiam de um abuso relatado meses antes da fuga, e ainda assim não fizeram nada.
Em depoimento, o próprio Thomas reconheceu ter contado para Tânia sobre o assassinato da colega como forma de mantê-la sob controle psicológico, confirmando com as próprias palavras o mecanismo de medo que ele havia usado contra ela todos aqueles anos. Contra os pais do Thomas era muito simples, né? Era uma alegação ali de negligência por parte deles, porque ela morou lá muitos anos e eles nunca descobriram, ou fingiram não saber o que tava acontecendo.
E no caso da Judy, da cabeleireira, negligência também, porque no caso dela, ela sabia desde o início que ele tava fazendo E ela nunca fez nada sobre isso. E aí, os três, ela e os pais do Thomas, não compareceram pra se defender. A justiça, porém, nunca chegou a examinar o mérito dessas alegações. O tribunal distrital decidiu que a maior parte das ações da Tania estavam prescritas. Ou seja, eles alegaram que o prazo legal pra processar aquelas alegações já tinha passado.
Pela lei da Pensilvânia, esse prazo começaria a contar a partir do momento que ela completou 18 anos. Ou seja, em outubro de 99. E se esgotaria depois de 2 anos, em outubro de 2001. Ou seja, prescreveu muito antes dela conseguir escapar, né. A Tania argumentou que a falta de um responsável legal efetivo e o atraso do próprio desenvolvimento cognitivo causados pelos anos de cativeiro deveriam ser considerados antes que eles começassem a contar o tempo, né, desse prazo.
O Tribunal de Apelações sediado na Filadélfia reconheceu que a Tania viveu coisas horríveis, que o Thomas roubou a sua adolescência e o início da vida adulta, mas concluiu em dezembro de 2009 que ela tinha condições de reconhecer a própria situação que ela tava antes de completar 24 anos. E eles confirmaram a rejeição de todas as ações movidas por ela, inclusive a ação que ela moveu contra os pais do Thomas. Que pra mim é um absurdo, né, porque foram 10 anos e eles nunca viram nada.
Eles nunca nem se preocuparam em entender o que tava acontecendo com o filho deles. E mesmo quando a polícia chegou lá pra pegar ela e prender o Thomas, eles pareciam nem ligar. Como eles e a cabeleireira não foram, né, até a polícia para se defender, eles receberam a revelia. E essa revelia nunca foi convertida para uma responsabilização. Sem o processo seguir em frente contra o réu principal, o tribunal decidiu não examinar as alegações remanescentes.
Basicamente, a Tânia saiu da justiça sem ter indenização de ninguém, nem do Thomas, nem da escola, nem da polícia, nem da cabeleireira, nem dos pais dele, nada. Ninguém foi responsabilizado além do Thomas. Então ele cumpriu a pena dele, ele foi solto em fevereiro de 2022 depois de 15 anos de prisão. E hoje ele está registrado como criminoso sexual na Pensilvânia, sob a Lei de Megan, que é a legislação americana que cria registros públicos de agressores sexuais condenados e obriga que uma notificação seja feita na comunidade onde essas pessoas, esses homens, decidam viver a partir dali, né, a partir da liberação.
Essa lei existe desde 1996 e tem esse nome em homenagem a Megan Kanka, uma menina de 7 anos de Nova Jersey que foi abusada e assassinada por um vizinho que já tinha duas condenações anteriores por crimes sexuais contra crianças, condenações que a família dela não tinha como saber. Quando o Thomas foi solto, a Tanya tinha 40 anos, e ela disse à imprensa na época: esse monstro nojento e horrível está saindo. Depois do que ele fez, tenho medo que ele faça de novo.
Ela alertou os pais na região: uma vez que ele estiver solto, o mundo não é mais tão seguro assim. É por meio do sistema da Lady Megan que ela recebe alertas automáticos sempre que há uma atualização no registro do Thomas. Segundo a Tânia, ele continua vivendo na mesma casa onde ele manteve ela por 10 anos, embora ela não tenha conseguido confirmar isso de forma independente, apenas através esses alertas. A Tânia passou os anos seguintes tentando reconstruir a própria vida, e o corpo carregou por muito tempo o preço de uma década sem qualquer cuidado médico.
Em razão dos anos de cativeiro sem uma única consulta ginecológica, levou a complicações graves e ela precisou passar por uma histerectomia, que é uma cirurgia de remoção do útero. A impossibilidade de ter filhos biológicos é algo que ela diz que vai estar com ela para sempre, mas segundo as próprias palavras, ao longo de todos esses anos ela se tornou muito resiliente. Ela tem dores crônicas nas costas, atribui isso ao fato de não ter crescido adequadamente durante a adolescência.
Os anos em que ela deveria estar se desenvolvendo foram passados num quarto sem luz solar, sem nutrição apropriada e sem nada que se pareça com cuidado. Ela convive até hoje com enxaquecas frequentes e pesadelos recorrentes, está em terapia desde a libertação, e passados quase 20 anos, segundo ela mesma, ainda está se reconstruindo. Depois que ela foi libertada, ela voltou a estudar para terminar a educação que havia interrompido aos Ela acabou se reconciliando com a mãe, que se tornou uma das maiores fontes de apoio nos anos seguintes.
Ela ajudou a Tania a tirar a carteira de motorista, a entrar na faculdade, até a fazer compras de roupas. E ela disse que a sua mãe foi uma grande apoiadora. Já com o pai, a relação seguiu o caminho oposto desde os primeiros dias do resgate, já que o pai sempre a culpou pelo que aconteceu, dizendo que ela sabia o que tava fazendo. Então, anos depois, em 2011, ela publicou um livro chamado Memoir of a Milk Cartoon Kid, um livro amplamente divulgado relatando, entre outras coisas, como se sentia não querida pelo pai e pela madrasta antes do sequestro.
Em uma entrevista, ela chegaria a dizer: Se meu pai tivesse prestado atenção, tivesse sido um pai pra mim, isso nunca teria acontecido comigo. O seu pai, Gerald, e a esposa, Joanne, reagiram ao livro processando a Tânia por difamação. Eles alegaram que o livro continha afirmações falsas que os prejudicaram. Tânia, por sua vez, afirmou desconhecer o motivo real do processo e disse que aquilo partiu seu coração. Os dois não voltaram a se falar depois disso.
Ela disse que tentou repetidamente e que isso quebra o seu coração todos os dias. Em 2008, ela conheceu o Carl McCrum enquanto os dois trabalhavam numa loja da rede Kmart. Os dois se casaram em setembro de 2018 numa cerimônia na praia, só os dois presentes, exatamente como eles queriam. Ela se tornou madrasta e mais tarde avó dos filhos do enteado. A Tânia disse que o marido é a sua rocha, o seu maior apoiador através de tudo isso e da sua vida.
Hoje ela viaja pelo país dando palestras em escolas e organizações sobre sinais de alerta de aliciamento infantil e atua como voz pública pelas causas de crianças desaparecidas e exploradas. Já o Joe, que era o dono do supermercado que percebeu que ali tinha uma coisa muito estranha. E graças a ele, né, ela foi resgatada pela polícia. Ele não desapareceu da vida dela. Quando tudo aconteceu, o Joe chorou muito e disse que ela pediu ajuda e ele ajudou.
E aí, quase 20 anos depois, eles acabaram se reencontrando aleatoriamente no mercado. Eles se abraçaram. E aí, eles conversaram sobre a vida deles, né, naqueles últimos anos. E a Tânia disse que o Joe queria que ela se recuperasse, construísse uma vida para si mesma. E foi exatamente o que ela fez. Em 2024, a Lifetime lançou um filme baseado na história dela chamado The Girl Locked Upstairs. Inclusive, quem produziu foi a Elizabeth Smart, outra sobrevivente que é muito ativa nas redes sociais e em várias formas.
Eu já contei o caso dela aqui para vocês. E ela também foi sequestrada, também conseguiu escapar. E foi ela que pessoalmente convenceu a Tânia a contar a história dela. A Tânia disse que ela não tem vergonha em revelar o próprio nome. Como uma sobrevivente, de abuso sexual e que nenhuma outra pessoa deveria ter. Bom, gente, esse é o caso de hoje. Quero muito saber a opinião de vocês. É um caso que tem muitas camadas, né? Eu coloco a culpa 100% no pai da Tânia porque You have to book a doctor.
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Ele simplesmente abandonou a filha e ela mesmo disse, né, que se talvez ele tivesse sido um pai melhor, aquilo nunca teria acontecido, já que ela se sentia tão sozinha. E no primeiro afeto que ela recebeu, ela se agarrou ali, né, que foi com o Thomas. E nos pais dele, gente, como que se passou 10 anos, ela tava dentro daquela casa e eles nunca perceberam? 10 anos é muito tempo. Então assim, para mim, a culpa é 100% deles. E eu também coloco a culpa em todo mundo, coloco a culpa na escola, nos policiais, mas principalmente nos pais.
E no pai dela, que até hoje fala que ele não quer falar sobre. Ele até deu uma declaração dizendo que se ela quer ter 15 minutos de fama, que ela vá até a TV e fale sobre sobre o caso dela, mas que ele não quer que ela manche o nome dele. O que para mim é muito absurdo. Mas eu quero saber o que vocês acharam. Então me conta aqui nos comentários. Não esquece do like, me ajuda muito na divulgação do vídeo. E é isso. Para mais casos, siga o podcast Quinta Misteriosa e aproveite para avaliar em 5 estrelas se você gostou. Obrigada por ouvir e até o próximo caso.