OS 21 BEBÊS DE ARCADIA | Caso Guojun Xuan e Silvia Zhang #580
Em maio de 2025, um bebê de dois meses chegou à emergência de um hospital em Arcadia, na Califórnia, com traumatismo craniano grave. A investigação que se seguiu revelou uma mansão de quatro milhões de dólares, vinte e seis crianças e dezenas de mulheres enganadas em pelo menos cinco estados americanos. #580
Gisberta Salsi Jr.
- Perfil de Silvia Zhangabuso infantil · barriga de aluguel · investigação policial · exploração de vulnerabilidades · tráfico de crianças
Na manhã do dia 7 de maio de 2025, uma quarta-feira, um bebê deu entrada na emergência de um hospital em Arcadia, na Califórnia. Ele vomitava, tinha convulsões, então os médicos fizeram vários exames. O que encontraram foi traumatismo craniano severo e sangramento intracraniano, que é um sangramento no cérebro e atrás dos olhos.
Esse é um tipo de lesão que os especialistas associam a dois cenários. Ou um acidente de carro grave, ou uma criança que foi sacudida ou golpeada com força. Como eles sabiam que aquele bebê não estava em um acidente de carro, eles acionaram a polícia. O tenente Colin Sidelo, do departamento de polícia de Arcadia, foi quem organizou toda a investigação desde o início.
Os policiais chegaram até o hospital e aí eles conversaram com os adultos que levaram o bebê até o hospital, né? Que deram entrada com o bebê na emergência. E esses adultos passaram o endereço pra eles. Era o número 600 da Camino Real Avenue, em Arcadia. Chegando no endereço, a polícia encontrou uma mansão de nove quartos, mais de 900 metros quadrados de área construída, avaliado em torno de 4 milhões de dólares num bairro nobre de uma cidade conhecida pelas casas grandes e pela comunidade expressiva de moradores com raízes na China.
A detetive Evelyn Calderon bateu na porta. Uma mulher atendeu e a detetive fez a primeira pergunta que era a que mais importava naquele momento. Ela perguntou, quantos filhos você tem? A mulher hesitou e deu uma resposta vaga. Quando a detetive pressionou pedindo um número exato, a mulher pegou o celular, abriu uma planilha do Excel, consultou os dados e só então respondeu que ela tinha 21. O que a polícia encontrou do outro lado dessa porta mudou completamente a dimensão do caso.
Mas para conseguir entender o que estava acontecendo naquela mansão, primeiro a gente precisa entender quem eram as pessoas que moravam nela. Gujong Chuan nasceu na China e tinha 65 anos. É empresário do setor imobiliário e acumulou um patrimônio considerável nos Estados Unidos. Investigações posteriores apontaram que ele teria comprado mais de 100 milhões de dólares em imóveis comerciais e residenciais na Califórnia ao longo dos anos.
Mas antes da Califórnia, ele teve uma carreira política na China. De 1997 a 2012, ele ocupou posições de liderança tanto no Congresso Popular Municipal de Urumqi, quanto no Congresso Popular da região autônoma Uyghur de Xinjiang, talvez eu esteja pronunciando errado, mas as mesmas estruturas que o governo chinês usou para implementar políticas de vigilância em massa e repressão contra a minoria muçulmana naquela região.
Gojun também é presidente da Câmara de Comércio Estados Unidos e Xinjiang, organização com ligações ao Departamento de Trabalho da Frente Unida do Partido Comunista Chinês, estrutura voltada para expandir a influência de Pequim no exterior. Nos Estados Unidos, ele participava ativamente de eventos da comunidade chinesa em Los Angeles, frequentemente ao lado de funcionários do consulado chinês. O Gojun não é uma figura discreta.
É bem conhecido nos círculos empresariais e políticos da comunidade sino-americana do sul da Califórnia.
Já a Sylvia Chang, de 38 anos, também nascida na China, trabalhou como corretora de imóveis em Los Angeles. Ela e o Guzhan dividiam o escritório em Almonte, cidade vizinha de Arcadia. Os dois não são casados, então não existe nenhuma certidão de casamento entre eles. Mesmo assim, constavam como marido e mulher nas certidões de nascimento de 21 crianças.
Uma ex-funcionária do escritório de imóveis do casal, chamada Tina Powers, trabalhou para eles por seis meses em 2022. Ela fez parte de uma ação coletiva de seis ex-funcionários que acusam o Gordião e a Silvia de não pagar hora extra, negar intervalos e pagar salários abaixo do que haviam prometido na contratação.
A Tina disse publicamente que os dois, o casal, são pessoas terríveis. Tinham práticas de negócios desonestas. Então, para conseguir entender o que o Gudjan e a Silvia fizeram, é preciso entender um pouco de como funciona a barriga de aluguel nos Estados Unidos, especialmente na Califórnia. A Califórnia é considerada o estado mais favorável à barriga de aluguel no país inteiro. As leis locais são extremamente permissivas. Qualquer pessoa pode ter quantos filhos quiser por esse método, sem limites, sem cadastro e sem restrição.
Qualquer pessoa também pode abrir uma agência de barriga de aluguel sem qualificação, sem licença e sem fiscalização. Como uma especialista em direito reprodutivo disse publicamente sobre o caso, abrir uma agência de barriga de aluguel nos Estados Unidos exige menos burocracia do que abrir um salão de beleza. Foi nesse vácuo regulatório que Gudjan e Silvia operaram. Eles criaram a sua própria agência.
O nome era Mark Surrogacy Investment. E o endereço registrado era a própria mansão deles em Arcadia. A Silvia era listada como gestora. No site, a empresa se apresentava como intermediária entre casais que não podiam ter filhos e mulheres dispostas a ser barriga de aluguel.
O discurso era de empatia, de realização de sonhos, de conexão entre famílias. Só que os donos da agência eram os próprios pais contratantes. Especialistas ouvidos pela imprensa disseram que nunca tinham visto nada parecido. Em todos os casos de abuso na área de barriga de aluguel que conheciam, havia pelo menos uma separação formal entre a agência e os pais. Nesse caso que eu tô contando pra vocês, era tudo a mesma pessoa. Então, além dessa empresa da Mark Surrogacy, o casal também operava uma segunda empresa chamada Future Spring Surrogacy.
Então, com outro nome, outro canal de recrutamento, no mesmo endereço da mansão deles. Então, o endereço das duas empresas era na mansão e eles faziam o recrutamento de mulheres para serem barrigas de aluguéis através do Facebook. Uma representante da empresa deles, da Mark...
Uma das empresas, ela usava o nome Jasmine ou Lynn. E entrava em contato com mulheres através do Facebook. Que haviam mostrado interesse em se tornar barriga de aluguel. Então, eram mulheres que comentavam em fóruns, em comunidades. Grupos de maternidade, né? Os fóruns eram sobre infertilidade. Então, ela encontrava essas mulheres e entrava em contato com elas. A abordagem dela era muito amigável, muito detalhada. E ela sempre incluía um perfil do casal. Pra que a mulher pudesse conhecê-los.
Só que esse perfil mostrado era uma obra de ficção, basicamente. Era mentira. Então, ali mostrava que o Gudion e a Silvia eram um casal que não tinham filhos e que sonhavam em terem filhos. Que já tinham tentado engravidar de todas as maneiras possíveis e não tinham conseguido. Então, às vezes, esse perfil que ela mostrava dizia que eles tinham apenas um filho ou que eles não tinham filho nenhum.
Então, quando ela falava com essas mulheres, ela dizia que o casal tinha esse sonho de montar uma família e que eles estavam buscando uma mulher generosa que pudesse realizar o sonho deles. Só que nenhuma dessas mulheres era informada que esse casal, que queria ter filhos, né, de barriga de aluguel, eram os donos da agência que estavam entrando em contato com elas. Nenhuma delas foi informada que, além delas, outras mulheres já tinham sido contatadas, outras já estavam grávidas, né.
esperando pra ter o bebê entregar pra eles. Então, elas não faziam ideia, né? Elas achavam que era uma agência que cuidava de vários casais, e não de um só. Cada uma dessas mulheres acreditava que elas eram únicas ou que havia pelo menos mais uma, né? Já que eles queriam ser pais. Elas não faziam ideia de que isso acontecia. Então, ao longo dos anos, o casal contratou barriga de aluguel em vários estados.
Foram em pelo menos cinco estados. Califórnia, Virgínia, Texas, Pensilvânia e Georgia. Então, só pra você ter ideia, todas as mulheres engravidaram usando o esperma do Gojan, do pai, né? No caso. E os óvulos eram de doadoras. Então, não eram os óvulos da Silvia.
eram de doadoras anônimas. E aí, uma mulher que trabalhou pra Silvia, ela deu uma entrevista pro New Yorker. Ela disse que o Gudjan tinha preferências específicas, então ele queria doadoras mais jovens, não asiáticas, e com um alto nível educacional. Mais uma vez, nenhuma dessas mulheres sabia da existência das outras. Elas achavam que era um casal que não tinha filhos, e elas seriam ali a única, que teria um bebê pra eles. Não que haviam vários.
Então, elas sempre ouviam a mesma história desse casal que não conseguia ter filhos, que queriam muito ter um bebê e tudo mais. Só que a partir de 2023, essa história começou a se multiplicar. Uma mulher identificada como Esperanza disse que entraram em contato com ela através do Facebook em 2023.
Ela disse que ela tinha publicado em um grupo do Facebook sobre o seu interesse em ser barriga de aluguel. E aí, uma representante da empresa entrou em contato com ela. Então, no caso, era uma representante do casal, né? E aí, ela disse que foi tudo muito tranquilo. A Esperanza relatou, né? O que aconteceu com ela, no caso. E aí, ela disse que eles apresentaram a mesma história, que tudo parecia bem, tudo parecia certo. Até o momento que ela precisava assinar o contrato.
Porque lá dizia que eles iam colocar dois embriões e não um. Ela achava que a implantação seria de apenas um embrião. E também uma parte do contrato que deveria ter todas as informações do casal. Simplesmente não estava ali no momento que ela iria assinar. Ela estava em uma ligação com um advogado do casal. E ela disse sobre esses pontos que...
estava errado essa questão dos dois embriões e que faltava a parte que falava sobre o casal que simplesmente não aparecia ali. E aí, o advogado simplesmente desligou na cara dela e a partir desse momento, ela decidiu não seguir. A resposta da agência foi imediata. Então, a Sylvia entrou em contato dizendo que ela estava disposta a pagar mais se ela voltasse atrás e assinasse o contrato. Então, ela ofereceu 3 mil dólares a mais e mais 2 mil dólares de bônus caso ela aceitasse e eles ouvissem uma batida cardíaca.
A Esperanza continuava sentindo que aquilo não tava certo, que tinha alguma coisa esquisita ali. Então, ela recusou. E ela só ia descobrir, né, toda a história do casal alguns anos depois. No mesmo ano, uma representante do casal que usava o nome Jasmine entrou em contato com uma mulher que eu não consigo pronunciar o nome dela, mas o sobrenome é James. Então, eu vou falar James.
E ofereceu a mesma coisa. Dizendo que ela tinha um casal ali na agência. Que tinha o sonho de ter um bebê milagroso. Que eles estavam em busca de uma barriga de aluguel. Inclusive, eles tinham encontrado o perfil da James em um grupo de barriga de aluguel no Facebook. Na época, a James tinha 30 anos e morava em Nevada com o marido e um filho pequeno.
Ela foi informada que esse casal tinha um filho e que eles queriam mais um bebê e que havia essa barreira do idioma. E que era por isso que ela precisava falar com a representante e não diretamente com o casal. E aí, a James assinou o contrato. Isso foi em 2024. E aí, outra mulher chamada Kayla Elliott, ela tinha quatro filhos e morava no Texas.
Em janeiro de 2024, ela entrou em contato com a Mark Surrogacy, né? Com a empresa deles. Porque ela tinha visto um anúncio deles em um grupo de barriga de aluguel. E ela queria ser barriga de aluguel. Ela achava que assim, ela poderia ajudar muito um casal que queria ter filhos e não conseguia.
E aí, eles mandam um perfil do casal pra ela, né? Do Gudion e da Silvia. E lá dizia que eles tinham uma filha adolescente, mas que eles estavam tentando engravidar já há muito tempo. Que eles tentaram mais de dez vezes. Que não deu certo. E que ela seria a única barriga de aluguel que eles usariam, né? Naquele momento. Então, ela aceitou, assinou o contrato. E ela recebeu 45 mil dólares. No dia 3 de março de 2025, ela deu à luz a uma menina.
Ela conta que a Silvia chegou no hospital algumas horas depois, usando uma jaqueta de couro.
Ela entrou no quarto e começou a distribuir dinheiro em espécie pras pessoas que estavam ali. E pra Keyla, ela deu dois mil dólares. E a Keyla conta que ela nem olhou pra bebê direito. Ela disse pra Keyla que ela tinha esquecido a cadeirinha da bebê no carro. Então, ela pegou o bebê e saiu. A Keyla disse que aquele comportamento foi muito esquisito pra ela, porque não parecia de uma mulher que tava há muitos anos tentando engravidar. Que não parecia de uma mulher que esperou muito por aquele bebê.
E aí, outra mulher chamada Hayley Weaver, de 30 anos, da Georgia, foi contatada em fevereiro de 2024 pela empresa Mark Surrogacy. Então, ela recebeu o perfil do casal, né? Do Gudjon e da Silvia. Lá dizia que a Silvia tinha 38 anos, o Gudjon tinha 65. E que eles tinham uma filha pequena, que tinha sido concebida por fertilização in vitro. Então, eu falo isso pra vocês entenderem que cada vez eles apresentavam um perfil diferente. Então... ...
Então, pra mulher anterior, eles disseram que eles tinham uma filha adolescente. Agora, pra essa, eles disseram que tinham um bebê pequeno. Naquele perfil apresentado, dizia que a Silvia tinha tentado fertilização in vitro mais de 10 vezes, que não tinha funcionado. E isso mexeu com o coração da Hayley, ela ficou com muito dó. Então, em maio de 2025, ela viaja até Los Angeles pra fazer fertilização in vitro pro casal. Então, ela tava lá, né, pra fazer essa transferência de embrião. E foi lá que ela conheceu a Silvia pessoalmente pela primeira vez.
A impressão que ela teve da Silvia não foi boa, porque ela disse que a Silvia não parecia nem um pouco maternal. Ela disse que não tiraria licença maternidade, que ela contrataria babás pra cuidar do bebê. Não era o que a Hayley tava esperando encontrar, né? De uma pessoa que tava ali tentando há muitos anos, que tentou dez vezes e não deu certo. Então, ela começou a sentir que tinha alguma coisa estranha, começou a sentir que talvez aquilo não fosse a coisa certa a se fazer. Só que aí, a Silvia trouxe várias cláusulas do contrato.
meio que pressionando ela ali. Então, ela decidiu seguir em frente. Outra mãe que foi identificada como Mac Goverin também foi contatada através do Facebook. Na época, ela não tinha uma residência fixa. Então, a Sylvia ofereceu 55 mil dólares pela gestação e mais uma moradia gratuita pra ela por todo o período da gravidez.
Antes do nascimento do bebê, a McGovern descobriu que a Sylvia tinha mostrado pra uma outra barriga de aluguel uma foto de um bebê dizendo que aquele bebê era dela. Que era uma menina. Mas a Sylvia tinha dito pra ela que ela era infártil. Que ela não tinha nenhum filho. Outra mulher chamada...
a Alexa Fasold também foi contatada pela empresa, também acionou o contrato. Ela fez a transferência do embrião em janeiro de 2025 e aí quando ela estava com 26 semanas de gestação, todo o caso veio a público. A Mark Surrogacy simplesmente tinha parado de responder às suas perguntas jurídicas. Até a semana anterior, a entrevista que deu havia recebido um e-mail da agência já sob investigação pedindo detalhes sobre o hospital onde ela planejava dar à luz.
A Alexa disse que deveríamos estar completando uma família, ajudando uma família a começar. E que quando o esquema foi descoberto, ela ainda estava grávida. Isso transformou tudo aquilo num filme de terror. Mas ela não foi a única. Naquele mesmo ano, no dia 3 de junho de 2025, uma mulher de 31 anos da Flórida, identificada como Perla, passou por aquilo sozinha.
Ela havia sido recrutada pelo mesmo esquema e, durante a gravidez, entrou em trabalho de parto prematuro. Ela passou um mês hospitalizada e, durante toda a emergência médica, o Gudjon e a Silvia atrasaram a papelada necessária, ficaram sem responder quando as complicações surgiram e nunca foram visitá-la no hospital.
O bebê dela nasceu morto. Sylvia e Goudhon não apareceram pro parto. E nem assumiram os restos mortais da criança. A Perla disse entre aspas, Acho que o que mais me machucou foi sentir que o bebê foi abandonado. E eu também fui. Já em julho de 2025, semanas antes do parto previsto da Hayley, ela recebe um e-mail do seu advogado de barriga de aluguel. O casal pra quem ela tava carregando um filho estava no centro de uma investigação policial e do FBI. O perfil deles que foi apresentado pra ela era uma mentira.
Quatro meses depois, em agosto de 2025, a Kayla, que foi aquela que falou, né, que a SUV chegou e mal olhou pro bebê no hospital, ficou sabendo pela internet, como o restante do país, que o bebê que ela tinha carregado por nove meses vivia em uma mansão em Arcadia com outras 20 crianças.
Ela disse publicamente que eles exploraram a sua vulnerabilidade. Ela era uma mãe de aluguel de primeira viagem. Ela pensou que estava entregando um bebê para uma família amorosa e não para uma situação como essa. Numa entrevista que ela deu para a TV, ela foi mais direta. Ela disse entre aspas, Ninguém em sã consciência quer 21 filhos, especialmente todos ao mesmo tempo. Definitivamente, acho que há algum tipo de tráfico acontecendo.
No mesmo mês, a Hayley, que estava grávida e que tinha descoberto tudo isso também, deu à luz ao menino que ela chamou de Gabriel. O estado da Georgia assumiu a guarda do bebê. A Hayley foi nomeada cuidadora primária por dois meses e meio, até que agentes estaduais apareceram sem aviso e removeram Gabriel de seus cuidados. Ela está formalmente pedindo a adoção dele na justiça.
Também em agosto, a James enviou um e-mail diretamente para a Good John e Sylvia Dizendo que o que eles fizeram é sujo, irresponsável e cruel Ela disse entre aspas Vocês apostaram com a minha vida Vocês apostaram com a vida de uma criança Me digam a verdade sobre o que aconteceu com o bebê que eu carreguei O bebê que vocês chamaram de Poppy James e seu marido Travis moveram uma ação federal contra o casal Alegando fraude, quebra de contrato e dano emocional Pedindo até 100 milhões de dólares em danos punitivos E aí
Já no outono de 2025, Melissa Epps e Stacey King, na Virgínia, cortaram contato com Gudjon e Sylvia semanas antes de dar à luz. Elas recusaram entregar os bebês. Gudjon e Sylvia processaram as duas exigindo a guarda das crianças e um milhão de dólares de cada uma por suposta quebra de contrato.
Sendo que os contratos originais eram de 70 mil e 45 mil dólares, respectivamente. A advogada da Melissa disse publicamente, minha cliente foi levada a acreditar que se tratava de um casal que tinha um filho e queria mais um. Ela não fazia ideia de que eles queriam dezenas de crianças e jamais teria concordado se ela soubesse.
O que essas mulheres não sabiam nesse ponto, né? E que foi ficando claro aos poucos, conforme a investigação seguia e tudo mais É que todas elas passaram pela mesma coisa Todas estavam vivendo a mesma história E pouco a pouco, algumas conseguiram se encontrar através do Facebook E elas compartilhavam seus relatos, né? O que tinha sido apresentado pra elas, a empresa
Tudo mais sobre a família. E aí, elas foram percebendo que era sempre a mesma história. Com uma ou outra diferença, né? Geralmente, a diferença é na parte onde eles diziam se eles tinham filhos ou não. Era sempre uma representante que usava nomes diferentes. Mas era da mesma empresa, dizendo que era uma agência, né? Então, elas imaginavam que essa agência cuidava de vários casais. E não só de um. E aí, né? Apresentava a história desse casal que queria muito ter um bebê.
Então, agora eu vou voltar no momento em que a polícia chegou na porta da mansão. E…
se deparou com toda essa história bizarra. Quando eles entraram na mansão naquele dia 7 de maio de 2025, lá dentro, a polícia encontrou 15 crianças. A maioria com idades entre 1 a 3 anos. Todas as crianças tinham suas cabeças raspadas e todas elas eram cuidadas por babás. Naquele momento, havia pelo menos 6 funcionárias trabalhando em sua escala lá na mansão. As outras 6 crianças, porque ao todo são 21, né? Foram encontradas depois em casas de amigos e familiares na Grande Los Angeles.
E aí, somava, né, esse total de 21 crianças. 17 delas tinham menos de 3 anos. E a criança mais velha era uma menina de 13 anos. E na sua certidão de nascimento, constava que ela era filha do Gojon. Mas as circunstâncias do seu nascimento não foram esclarecidas publicamente. Todas as certidões de nascimento constavam ali o mesmo nome de pai e mãe, que era o Gojon e a Silvia.
E eram de diferentes estados. Dentro da casa, a polícia também encontrou muitas câmeras de segurança. Em todos os locais. Então, nos corredores, nos quartos, nas áreas comuns, em tudo. Tinham câmeras tanto dentro quanto fora. Em uma matéria publicada pelo New Yorker.
Eles disseram que o Gudjan administrava a mansão como um estado policial. Os quartos da mansão, que eram muitos, tinham sido transformados em berçários, como se fosse uma creche. Então, tinham vários berços enfileirados. Também tinha uma sala de aula, com duas fileiras de carteiras para as crianças terem aulas ali. Na entrada, uma das coisas mais doidas é que tinha uma mesa redonda e um funcionário ali. Então, parecia...
como se ele fosse um funcionário de hotel. Vizinhos descreveram para jornalistas que aquela mansão parecia um imóvel comercial. Um deles até afirmou que já tinha ligado para a polícia alguns meses antes do caso explodir, depois que ele viu uma mulher do lado de fora da mansão sacudindo um bebê. A polícia executou um mandado de busca e apreendeu todas as imagens gravadas nas câmeras de segurança.
Nessas gravações, a polícia encontrou o que tinha acontecido com o bebê Walter. Que foi o primeiro bebê que eu contei no comecinho do vídeo aqui pra vocês. E foi através dele, né, que a polícia conseguiu descobrir tudo isso. Então, nas imagens, dava pra ver por que ele foi parar no hospital.
Os documentos judiciais descrevem o que a câmera conseguiu captar. Então, a babá pega o Walter no colo. E ela vai pra um canto onde a câmera não consegue pegar o que ela tá fazendo. Dá pra ouvir o bebê chorando. Então, ele chora por alguns segundos. Até que dá pra ouvir um baque. E ele para.
A babá chamada Shumnei Lee sacudiu e golpeou o bebê de dois meses até que ele perdesse a consciência. Os pais estavam cientes do que tinha acontecido, mas eles não chamaram uma ambulância. Não foram até um pronto atendimento. Eles ficaram ali na mansão com aquele bebê de dois meses que tinha desmaiado. Passaram dois dias inteiros e o casal só decidiu levar o Walter para o hospital quando ele começou a ter convulsões. Mas foi aí que a polícia descobriu que o Walter não era o único.
O que aconteceu com ele era uma coisa de rotina dentro da mansão. Tem uma cena gravada de um bebê numa cadeirinha de alimentação. E aí aparece um adulto que chega e golpeia o bebê no rosto. Em uma outra gravação, eles colocam uma das crianças em cima de uma mesa. As outras crianças estão em volta. E aí um adulto começa a bater nessa criança na frente das outras.
Em outro trecho, uma criança de dois anos é obrigada a fazer uma série de agachamentos como forma de punição enquanto a babá observa. Então, não era só aquela babá de 56 anos. As outras babás também tinham comportamentos bem parecidos. As câmeras também registraram as crianças com marcas e hematomas, com sinais de desnutrição. Elas pareciam desorientadas. Então, o tenente, né, que tava cuidando da investigação do caso, disse publicamente que a disciplina, tanto física quanto verbal, era tão severa dentro daquela mansão.
a ponto de sustentar a crença de que havia abuso infantil ali dentro. Mas aí, né, o que eles descobriram, o que realmente acontecia lá, o que as câmeras captaram ia muito além do esperado. Tanto a Silvia quanto o Gujong tinham acesso a essas câmeras em tempo real, então eles sabiam exatamente o que acontecia lá, sabiam como as babás tratavam os bebês e eles não faziam nada. No dia 9 de maio de 2025, mandados de prisão foram emitidos para três pessoas.
Para a Chun Mei Li, a babá de 56 anos, para a Silvia, de 38, e para o Gujong, de 65.
O casal foi preso sem resistência e solto os quatro dias depois, mediante uma fiança de 500 mil dólares cada. A soltura não foi contestada. Nenhuma audiência foi convocada para rever as condições da fiança. Nenhuma acusação formal foi apresentada. A polícia havia prendido com base em suspeita de crime grave, abuso e negligência infantil. Mas a decisão de formalmente acusar ou não é da promotoria, não da polícia. E a promotoria do Condado de Los Angeles disse apenas que o caso estava sob análise.
Em julho de 2025, o Tenente Collin anunciou que a polícia pretendia reencaminhar o dossiê ao promotor nas semanas seguintes. Esse prazo passou, e meses depois, o caso ainda estava na mesma posição. À medida que a investigação avançava, detalhes sobre o Guggen foram surgindo, que tornaram o caso ainda mais perturbador.
Segundo ex-funcionários ouvidos pela New Yorker, o Gudjan é descrito como um homem rico obcecado em ter o maior número possível de filhos. A reportagem revelou que algumas das crianças foram batizadas com nomes de políticos americanos e líderes estrangeiros proeminentes. Um ex-assistente sugeriu que isso refletia um desejo específico. Gudjan, que não nasceu nos Estados Unidos e não pôde se candidatar à presidência, queria um filho seu, nascido em solo americano, que poderia fazer isso.
Guzhan e Silvia disseram à polícia que simplesmente queriam ter uma família grande. Para a mídia de língua chinesa, o casal explicou que queriam muitos filhos que crescessem, tivessem sucesso e perpetuassem o legado da família. Já em uma entrevista ao Wall Street Journal, quando perguntada sobre as suspeitas de que estariam vendendo bebês, a Silvia respondeu, Nunca vendemos nossos bebês. Cuidamos muito bem deles.
Segundo a reportagem do The New Yorker, nos meses após a prisão do Gudjon, ele estava circulando com cartões de visita que o descreviam como membro do DOJ do Trump, membro oficial do gabinete do Trump e assessor do Trump, títulos que não correspondiam a nenhum cargo oficial verificável. Uma investigação da cidade vizinha de El Monte, publicada em setembro de 2025, revelou que propriedades comerciais gerenciadas pelo Gudjon estavam ligadas a máquinas de jogo ilegal e a apreensão de cogumelos psilocibina.
O sócio comercial do Gujan, identificado nos documentos como Dragon, é um criminoso condenado que, em 2014, cumpriu pena por liderar um esquema de fraude que incluiu a abertura de cerca de 800 pedidos falsos de asilo para cidadãos chineses. O caso de Arcadia não aconteceu num vácuo.
Em 2024, um estudo publicado pela Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva analisou seis anos de dados e descobriu que cidadãos estrangeiros que viajam aos Estados Unidos para usar serviços de barriga de aluguel são predominantemente chineses, representando mais de 41% dos casos. A China proíbe a barriga de aluguel comercial em seu território. Então, cidadãos chineses mais ricos vêm fazer isso nos Estados Unidos.
O livro Golpe Invisível, do jornalista investigativo Peter Schwaeser, publicado no início desse ano, levanta que registros comerciais da Califórnia mostrariam pelo menos 107 empresas com a palavra surrogacy no nome, registradas no Estado, todas pertencentes a cidadãos chineses. A 14ª Emenda da Constituição Americana garante cidadania a qualquer pessoa nascida em solo americano, independentemente da nacionalidade dos pais.
Isso foi pensado no século XIX para garantir os direitos de ex-escravos. Não foi desenhado pensando em fertilização in vitro e barrigas de aluguel internacionais. Mas é o que existe no país e é o que tem sido usado. O senador republicano Rick Scott apresentou um projeto de lei para proibir o uso de barriga de aluguel nos Estados Unidos por cidadãos de determinados países, incluindo a China.
chamando o caso de Arcadia de ameaça à segurança nacional. O projeto não avançou, mas sinalizou que o debate chegou ao nível federal. Em fevereiro de 2026, a jornalista Ava Kaufman publicou na New Yorker uma reportagem de fôlego sobre o caso. Foram seis meses de investigação, fontes de dentro e de fora da mansão, depoimentos de mães de aluguel, ex-funcionários e investigadores.
Foi essa reportagem que trouxe muitos dos detalhes que aparecem aqui nesse vídeo. Quando o texto foi publicado, o número de crianças havia crescido. Mesmo após a prisão, Guggen e Silvia contrataram pelo menos mais uma barriga de aluguel através de outra agência chamada BabyTree. Estima-se que o total de crianças geradas pelo esquema chega a 25 ou mais. As 23 crianças cujas situações são conhecidas pela justiça estão distribuídas em lares adotivos temporários em pelo menos quatro estados americanos.
Gudiane e Silvia continuam sendo os pais legais de registro. As certidões de nascimento não foram alteradas. O casal está brigando pela guarda das crianças em processos simultâneos na Califórnia, Virgínia, Pensilvânia e Georgia. Ao mesmo tempo, várias mães de aluguel estão pedindo a guarda dos bebês que carregaram.
A Hayley Weaver quer adotar o Gabriel. A Kayla Elliott está tentando obter a guarda da menina que ela chamou de sua filha. A Melissa Epps e a Stacey King, na Virginia, resistiram à entrega dos bebês e são processadas pelo casal. Até março desse ano, quando eu tô gravando esse vídeo pra vocês, nenhuma acusação criminal foi formalmente apresentada contra o Gudjani e a Sylvia. O FBI está envolvido no caso.
A promotoria do Condado de Los Angeles diz que o processo segue em análise. A Tio May Lee, a babá que sacudiu o Walter, nunca foi localizada. O mandado de prisão dela continua ativo. No meio de tudo isso, dos processos, das audiências de guarda em quatro estados, das mães de aluguel que lutam na justiça, da investigação que não termina, há um bebê. Há o bebê Walter que sobreviveu, que está em um lar adotivo temporário. O prognóstico de longo prazo ainda era incerto quando as últimas informações foram divulgadas, então ninguém sabe onde ele está agora.
Por ele ser muito pequenininho, né, ele tinha só dois meses quando o caso dele aconteceu, ele foi parar no hospital. Então, assim, ele nunca vai poder contar o que aconteceu com ele por ser muito pequenininho, mas foi através dele que todo esse esquema foi descoberto. Então, assim, como é um caso mais recente que me deixou extremamente chocada, eu trouxe aqui pra vocês. Às vezes demora mesmo esses processos. É um pouco doido que eles não tenham conseguido encontrar a babá ainda e que eles pagaram a fiança e já saíram.
rapidamente, né, depois de serem presos do casal. Então, eu quero muito saber como esse caso vai terminar, né, já que estamos falando de um homem que tem muito dinheiro. Então, eu quero ver se ele realmente vai ser acusado, se ele vai ser preso de novo, o que vai acontecer e também o que vai acontecer com os bebês que as mães de aluguel estão tentando adotar, né. Então, é um caso extremamente maluco. Todo caso que envolve muitas crianças assim, me deixa assim e semATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATEATE
Sem acreditar que as pessoas são capazes de fazer essas coisas. Então, eu quero muito saber o que vocês acharam. Me conta aqui nos comentários. Não esquece do like, que me ajuda muito na divulgação do vídeo. E é isso. Para mais casos, siga o podcast Quinta Misteriosa. E aproveite para avaliar em 5 estrelas se você gostou. Obrigada por ouvir e até o próximo caso.