COMO "A SERPENTE" ENGANOU A POLÍCIA POR DÉCADAS #603
Ele nasceu sem país, sem nome e sem lugar no mundo. Cresceu entre continentes, aprendendo a seduzir antes de aprender a confiar. Na década de 1970, percorreu a Ásia inteira fingindo ser outra pessoa. Deixou um rastro que a polícia de vários países tentou seguir por décadas. Ninguém conseguiu. #603
- O caso Leopold e LoebA viagem para a Ásia · O encontro com Allen Dupuis · O desaparecimento e a descoberta dos corpos · A investigação de Herman Kniepenberg · Henk · Cornelia Henker
- A Investigação e CapturaO papel da embaixada holandesa · A identificação das vítimas · A colaboração com a polícia tailandesa · As fugas de Sobhraj · A prisão na Índia · A prisão no Nepal · Herman Kniepenberg · Nadine Gairis
- Vida de Sérgio LopesOrigem e vida no Canadá · O encontro com Charles Sobhraj · Participação nos crimes · Prisão e morte · Marie-Andrée Leclerc
- Legado e consequências do casoApelidos e a fama de 'A Serpente' · Livros e documentários sobre o caso · A falta de investigação e a impunidade · A série 'O Paraíso e a Serpente' · Charles Sobhraj
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Ele não conseguia emprego à altura do diploma e nem acesso à escola de medicina que ele tanto almejava. Ele guardou dinheiro por alguns anos, economizando com o método holandês, que é basicamente vida simples, poucos gastos. E aí, em 1975, ele propôs à noiva uma viagem. Segundo um amigo, ele disse que se não fizesse essa viagem e gastasse tudo que tinham, eles nunca fariam. A sua noiva era Cornelia Henker, a "Cocky", como todos a chamavam.
Ela tinha 25 anos. Os dois moravam juntos na Oosterparkstraat, em Amsterdã. E Coccy era o tipo de pessoa que não deixava ninguém sem notícias. Ela escrevia pra família com regularidade, fosse onde fosse. Os dois escolheram viajar pra Ásia. Então, eles viajaram com a irmã da Coccy, a Marijke, e o marido dela, John Zandt. Eles voaram pra Indonésia, exploraram a região. E depois de 3 meses, o John e a Marijke voltaram pra Holanda.
Já o Henk e a Coccy seguiram em frente. Foram pra Malásia, Tailândia. E com a chegada da estação das chuvas, embarcaram pra Hong Kong. Lá, em meados de 1975, eles conheceram um homem. Ele era elegante, falava sobre filosofia oriental, se chamava Allen Dupuis e era comerciante de pedras preciosas em Bangkok. Como um gesto de generosidade imediata, ele ofereceu a Kok um anel de safira por um preço que parecia justo. Disse que adoraria mostrar Bangkok pra eles, já que tinha uma vila luxuosa e seria fácil mandar um carro buscá-los no aeroporto.
Então eles foram. Em Bangkok, o casal foi recebido por Ajai Chowdhury, o braço direito do homem que eles conheceram, que os convenceu a deixar o hotel e se instalar no apartamento do patrão. Então Henk e a Coque aceitaram, e logo depois eles adoeceram. Sonolência, fraqueza, náusea, sintomas que o próprio anfitrião diagnosticou como disenteria e tratou com atenção e medicamentos. Ele trancou os pertences deles no próprio cofre para segurança, incluindo até os passaportes.
O que aconteceu nos dias seguintes só seria reconstituído mais tarde, a partir de depoimentos de vizinhos e do trabalho investigativo da embaixada holandesa. Mas alguns dias depois, no dia 16 de dezembro de 1975, dois corpos foram encontrados às margens de uma estrada perto de Aeutthaya, ao norte de Bangkok. As vítimas haviam sido estranguladas, a mulher golpeada no crânio com uma prancha de madeira. Depois, as vítimas foram regadas com gasolina e incendiadas.
O laudo indicou que ainda estavam vivos quando as chamas foram ateadas. Em um primeiro momento, eles foram identificados erroneamente como turistas australianos. A identidade correta só seria estabelecida meses depois, não pela polícia tailandesa, mas pela família. Kwok não havia enviado os parabéns de aniversário para mãe As cartas tinham parado. O John, seu cunhado, escreveu diretamente à embaixada holandesa em Bangkok relatando o desaparecimento dos dois.
Essa carta chegou às mãos de Herman Kniepenberg no dia 6 de fevereiro de 1976. O Herman tinha 31 anos e estava em seu primeiro posto diplomático significativo do exterior. Era terceiro secretário da embaixada holandesa em Bangkok, uma função burocrática em uma cidade que nos anos 70 ainda engatinhava para se tornar metrópole que é hoje. Então, sem metrô, sem arranha-céus, com trânsito caótico e muito calor. O trabalho dele era apurar o desaparecimento de cidadãos holandeses, mas havia algo mais.
Algumas semanas antes, o Herman havia lido sobre dois corpos carbonizados encontrados numa estrada tailandesa e atribuídos a australianos. Quando ele soube do casal desaparecido, uma conexão começou a se formar. E agora, com essas informações, no dia 3 de março de 1976, ele decide ir até um necrotério com os registros dentários do Henk e da Coccy. Ele também leva uma dentista holandesa com ele pra ver se... O que ele tava pensando era verdade.
E assim ela confirma que realmente o casal era o Henk e a Coque, e não um casal de turistas australianos como eles pensavam. O Herman descreveu a cena como a mais horrenda que ele tinha visto em toda a sua carreira. Então, para ele agora parecia que todos os pontos estavam se encaixando. E de repente aquela conversa, né, do amigo dele, que ele nem tinha prestado tanta atenção, agora parecia fazer mais sentido. Ele decidiu sair do necrotério e ir direto conversar com esse amigo belga para descobrir quem era aquele francês que estava com dois passaportes holandeses.
E aí amigo dele chamado Paul Simons, da embaixada belga. No começo ele não queria contar a fonte dele, então ele relutou um pouco, mas acabou contando. A sua fonte se chamava Nadine Gairis, que era uma francesa que morava no mesmo complexo que o suspeito. Então a Nadine contou o que ela tinha observado, ela disse que turistas chegavam completamente saudáveis e aí do nada eles adoeciam misteriosamente. O suspeito, um homem que se dizia comerciante de pedras preciosas, esse vai e vem de muitas pessoas que passavam por ali.
E aí, ela deu o nome que esse homem usava, que era Allen Gautier. Depois que o Harmon descobriu tudo isso, ele precisava fazer toda uma investigação. Então, ele passou meses colhendo depoimentos, investigando. Até que a Nadine contou pra ele, no dia 3 de março de 1976, que o Allen tava planejando uma viagem com a sua namorada canadense, uma mulher conhecida como Monique. E que eles iriam viajar pra Europa. O Herman, para não perder o Allen de vista, comunicou tudo isso para a polícia tailandesa e naquela noite a polícia invadiu o apartamento do homem.
Mas o homem estava preparado, assim que a polícia chegou ele mostrou um passaporte que eles não sabiam, mas ele tinha roubado de uma de suas vítimas. Ele tinha colado a própria foto nesse passaporte dizendo que ele era um americano. E a polícia, sem saber que aquele passaporte era roubado, acabou acreditando que ele era norte-americano e ele foi liberado. No dia seguinte, a Nadine recebe um convite inesperado de uma das pessoas que dividia apartamento com o homem.
Poderia ser uma possível cúmplice, né, do homem. E essa pessoa queria conversar com a Nadine. Então o Herman ficou muito preocupado com a situação, porque se ela fosse, né, conversar com essa mulher, ela poderia estar colocando a própria vida em risco. E se ela não fosse, o Allen, né, poderia acabar descobrindo que ela tava ajudando ali na investigação. O Herman disse que foi um dos momentos mais angustiantes da vida dele, porque ele não sabia o que fazer.
E aí ele ligou Mas a Nadine disse que ela precisava ir. A Nadine foi, então. E chegando no apartamento, ela viu que tinham várias fotos em cima da mesa, que eram fotos de passaporte. Então, discretamente, ela pega essas fotos e guarda no sutiã. Mais tarde, essas fotos ajudariam muito na investigação de uma outra vítima. E na manhã seguinte, o suspeito e a namorada dele deixam a Tailândia e vão rumo à Malásia. Então, ele conseguiu escapar por pouco.
E não seria a primeira vez que ele faria isso. Então, mais tarde, ele até ganhou o apelido de "a serpente". Porque sempre quando eles estavam quase pegando ele, ele escapava. Um tempo depois, quando Herman descobriu que o Alan tinha ido viajar com a namorada e que o dono do apartamento que ele morava tava planejando jogar todas as coisas dele fora, ele reuniu uma equipe e foi até lá, porque ele sabia que ele poderia perder evidências caso isso acontecesse.
A equipe encontrou quilos de medicamentos e 3 recipientes industriais de um sedativo líquido. Uma substância que, segundo análises posteriores, provocava diarreia severa e prostração simultâneas, o que deixava a vítima completamente dependente de alguém pra cuidar dela. Entre os pertences abandonados lá no apartamento, eles encontraram o casaco e a bolsa da Cornélia. Então, eles tinham mais uma prova. E o Herman acreditava que ele sabia com quem ele tava lidando, mas ele ainda não sabia o nome verdadeiro daquele homem, né?
Então, ele não se chamava Allen, como ele dizia pras pessoas. O seu nome verdadeiro era Charles Sobhraj. Ele havia nascido no dia 6 de abril de 1944, em Saigon, capital da Indochina Francesa, durante a Segunda Guerra Mundial. A sua mãe era vietnamita, seu pai era um comerciante indiano de tecidos que a havia deixado grávida e pouco depois do nascimento do filho a abandonou para se casar com outra mulher na Índia. Sem pai registrado e filho ilegítimo numa colônia francesa, o Charles nasceu apátrida.
A mãe vietnamita não tinha como registrá-lo como cidadão, nem na França, nem na Índia e nem no Vietnã, que ainda nem existia como estado independente. Basicamente, era como se ele não pertencesse a lugar nenhum oficialmente. Quando Charles tinha 4 anos, a sua mãe se casou com Alphonse Dariot, tenente do exército francês que trabalhava na indochina. O Alphonse adotou o menino, mas recusou-se a lhe dar o próprio sobrenome. Em 1949, quando Charles tinha 5 anos, a família foi transferida para a França.
Depois vieram outros filhos do casal e o Charles foi ficando cada vez mais à margem da atenção dos pais. A família se movia de posto em posto entre a Indochina e a França, sem que houvesse um lugar definitivo para se estabelecer. Sem o sobrenome do padrasto, sem país de origem reconhecido, ele cresceu sendo o de fora em qualquer lugar que ele estivesse. Na escola francesa, ele tinha traços asiáticos e uma história que não se encaixava na de nenhuma das crianças ao seu redor.
Ele tentou fugir da casa dos pais duas vezes ainda na adolescência, querendo voltar pra Ásia. Na primeira tentativa, em abril de 1960, ele foi interceptado tentando embarcar clandestinamente num cargueiro. Ele tinha 15 anos. Dois meses depois, conseguiu se esconder num navio rumo a Djibouti, no leste africano, antes de ser encontrado. Em 1963, aos 19 anos, foi preso por roubo em Paris e enviado à prisão de Poissy. Foi sua primeira detenção, mas não seria a última.
Na prisão, ele descobriu algo sobre si mesmo. Ele conseguia manipular qualquer ambiente. Ele convenceu os funcionários a lhe fornecer livros de literatura e línguas estrangeiras na cela. Regalias que outros detentos não tinham. Foi lá que ele também conheceu o Félix Desfontaines, um jovem parisiense rico que fazia trabalho voluntário na prisão. O Félix tomou o Charles sob sua proteção. E foi ele quem, ao longo dos anos seguintes, providenciou a documentação que garantiu ao Charles a cidadania francesa que o Estado jamais havia lhe concedido.
Quando saiu da prisão, ele foi morar na casa do Félix. Ele passou a circular em dois mundos simultaneamente. Os jantares elegantes e os círculos de influência que o Félix frequentava. E o submundo criminal parisiense, onde ele continuava acumulando dinheiro através de golpes e arrombamentos. O Charles tinha um relacionamento com uma mulher chamada Chantal Desnoyers. Os dois se conheceram na adolescência em Paris e tiveram um filho chamado Prem, que nasceu em 1964.
No começo de 1969, o Charles a deixou grávida quando ele conheceu outra mulher que também se chamava Chantal. Mas essa era Chantal Compagnon. Os dois se conheceram em uma festa em Paris. Ela tinha 24 anos e vinha de uma família católica conservadora. E nele ela encontrou um homem que falava sobre aventuras no Oriente, sobre pedras preciosas e sobre mundos que ela nunca havia visto. Ele prometeu pra Chantal que ele deixaria o mundo do crime quando eles se casassem.
E ele pediu ela em casamento poucas semanas depois. Mas no mesmo dia ele foi preso porque ele tava dirigindo um carro roubado. E aí, mesmo preso, a Chantal esperou por ele. E aí no final de 1969 ele se casa com a Chantal e na época nasce também a Muriel, a segunda filha dele com a primeira Chantal, né? Então ela já tinha dois filhos dele e aí ele se casa com a segunda Chantal e também tem uma filha com ela. Seu nome era Usha e ela nasceu em 1970 em Mumbai enquanto o Charles e a Chantal estavam foragidos viajando pela Ásia com passaportes falsos.
Foi aí que a Chantal decidiu mandar o bebê para Paris para morar com os pais dela porque naquela vida que ela tava levando, né? Tinha condições de criar bebê e ela percebia que o Charles não parecia que iria mudar. Em Mumbai ele é preso por roubo de joias, ele consegue uma fiança e aí ele desapareceu. O Charles não tinha temperamento nenhum para ter uma vida normal, né, para ter uma vida em família, para criar filhos e a Chantal percebeu isso.
Então eles continuaram nessa de ficar fugindo, então eles atravessavam fronteiras com passaportes roubados, né, documentos roubados, sempre mudando de nome, sempre fugindo de detenções, até que em dezembro de 1971 ele e a Chantal estavam em Cabul. Eles estavam hospedados no Intercontinental Hotel e aí eles saíram do hotel sem pagar a conta. Eles foram presos pelas autoridades afegãs por furto de carro, travessia ilegal de fronteira e por contas não pagas.
O Charles conseguiu escapar da prisão fingindo apendicite e drogando os guardas. A Chantal ficou detida e aí depois que ele fugiu, ele decide voltar para a França e ele procura pelos pais da Chantal. Quando os encontrou, ele drogou a própria sogra e aí ele fugiu com a Usha, né, com a filha. Ela tinha cerca de 2 anos de idade e aí ele fugiu com ela pro Irã e foi preso num cassino. Então a polícia pega a Usha e manda de volta pra Paris, pra voltar a viver com os avós.
E aí a Chantal foi solta em Cabul. Enquanto ela ainda tava presa, ela conheceu um outro homem chamado Léon Harris, que tinha ido visitar outro detento. E aí ela conheceu ele, sai da prisão, ela vai pra Paris primeiro pra buscar a filha, depois ela pede o divórcio. Do Charles. Ela se casa com o Leon em 1975 e eles vão morar juntos nos Estados Unidos. A Usha foi adotada pelo Leon e eles viveram em Connecticut. Quando ela tinha 8 anos, ela descobriu quem era o seu pai verdadeiro, mas ela nunca quis nenhum tipo de contato com ele.
O Charles seguia sozinho agora, percorrendo a Europa Ocidental e no Oriente Médio com documentos de outras pessoas, né. Então ele sempre usava documentos que não eram dele, e aí ele fingia ser aquela pessoa. E aí no Paquistão, ele drogou um homem, um motorista de táxi, para roubar o carro dele e pela primeira vez ele exagerou na dose, então o motorista acabou falecendo. Em Istambul ele se encontrou com o seu meio-irmão André e juntos eles foram para Grécia.
Eles roubaram turistas em Atenas e foram presos e aí o Charles conseguiu convencer o irmão dele que seria super fácil os dois trocarem de identidades. O André sairia antes, né, ele era mais novo, os crimes eram menores, então ele conseguiu convencer o irmão de fingir que ele era o André para ele sair antes. Depois que ele já estivesse do outro lado da fronteira ele revelaria que na verdade ele era o Charles O André acreditou, mas ele não fez isso.
Então, o Charles foi solto fingindo que era o irmão. E quando o André foi até o diretor da prisão e revelou a troca que eles fizeram, os gregos o entregaram às autoridades turcas, que não tinham nenhuma disposição pra clemência. Então, o André ficou preso por 18 anos. O Charles seguia a vida dele, então agora ele seguiu pra Índia. Ele já tinha sido preso muitas vezes e ele tratava a prisão como uma escola, onde ele sempre aprendia métodos diferentes.
Então, em "poesie", ele aprendeu a manipular os funcionários. Em Cabo, ele aprendeu a drogar os guardas. E na Grécia, ele aprendeu a usar outras pessoas como escudo. Ele saía de cada prisão com mais habilidades do que ele havia entrado. E os crimes que ele cometia também iam escalando na mesma proporção, sempre ficando cada vez maiores. O que tinha começado como furtos e roubo de passaportes e identidades falsas, agora estavam se tornando crimes bem maiores.
Ele ainda não havia sido responsabilizado de fato por nada que importasse, e ele sabia disso. No dia 5 de maio de 1975, ele pegou um voo partindo de Delhi, onde ele conheceu a Marie-Andrée Leclerc. A Marie nasceu em 26 de outubro de 1945 em Saint-Charles-de-Belanchasse, uma pequena comunidade rural do Quebec, no Canadá. Ela se formou secretária médica e foi trabalhar numa clínica em Lévis. "O seu chamado foi encaminhado para o Voicemail." "Olá, sou Zoe Deutsch." "E Nick Robinson." "Nosso novo filme, Voicemails for Isabelle, é sobre esses pequenos momentos to feel like the universe is looking out.
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O Charles se apresentou pra ela como Alan Gautier, fotojornalista de Paris Match. Ela, que estava no fim da estadia, prometeu voltar e deu o endereço pra ele. Durante os 2 meses seguintes, ela recebeu várias cartas do Charles. Em uma delas havia uma passagem aérea. Então, a Marie vendeu o próprio carro, largou o emprego e voou pra Bangkok. Ela chegou no dia 2 de agosto de 1975. O Charles chegou na mesma época, vindo da Índia após a fuga da Grécia.
Bangkok, capital da Tailândia nos anos 70, era uma cidade em expansão. A Guerra do Vietnã tinha derramado dinheiro americano pela região. A trilha hippie, a rota que conectava a Europa ao Sudeste Asiático por terra, fazia escala obrigatória lá. Jovens ocidentais chegavam em levas. Mochileiros americanos e europeus à procura de espiritualidade budista, aventureiros querendo conhecer o mundo com pouco dinheiro. O Charles e a Marie se instalaram no complexo residencial Canid House.
O Canid possuía duas alas de 5 andares separados por uma piscina central. O apartamento 504 era o QG do Charles, que continuava se apresentando como Allen. Pouco depois de chegar, a Marie também mudou de nome e ela passou a se chamar Monique. A razão nunca foi explicada por ela. E foi aí que os dois começaram. O cartão de visitas deles era o seguinte: eles diziam que o Allen era comerciante de pedras preciosas e ele oferecia hospedagem para as pessoas, refeições e conhecimento local.
Os turistas acabavam topando. E afinal, por que eles não topariam se o Alan se apresentava como um homem culto, sofisticado e generoso? Em Pattaya, cidade litorânea a poucos quilômetros de Bangkok, o Charles conheceu Ajay Chowdhury, um jovem indiano que se tornou seu braço direito. Com Marie e Ajay, o Charles formou o núcleo do que os investigadores mais tarde chamariam de família, um grupo de pessoas que ele mantinha próximas através de manipulação, dependência financeira e, quando necessário, ameaça.
O método dele era muito simples, ele se apresentava daquela forma para os turistas, ganhava a confiança deles, oferecia um lugar para eles dormirem ou pelo menos para eles comerem uma refeição. E aí, ele drogava eles através da comida ou da bebida usando sedativos. Então, quando a vítima adormecia, ele roubava joias, dinheiro, qualquer coisa que ele pudesse vender e principalmente os passaportes. Usando documentos de outras pessoas, ele e os cúmplices podiam viajar o tempo todo atravessando fronteiras e assumindo novas identidades sem que ninguém descobrisse.
Algumas das vítimas acordavam e achavam que tinham passado mal. Eles não chamavam a polícia porque eles nem sabiam direito o que tinha acontecido, até que algumas vítimas começaram a não acordar. A Teresa Knowlton tinha 23 anos e ela vinha de Seattle. Ela tinha viajado pra Tailândia porque ela tinha vontade de ir pra Kathmandu pra seguir o budismo em um mosteiro de Kopan, Nepal. Ela era uma jovem que buscava algo espiritual, uma forma de dar sentido ao mundo, e foi em Pattaya que ela conheceu o Charles.
Ele se ofereceu para guiá-la, apresentar a região para ela e facilitar seu estadia. Em outubro de 1975, o corpo da Teresa foi encontrado numa piscina de maré no Golfo da Tailândia. A morte foi registrada pela polícia tailandesa como afogamento acidental. Meses depois, a autópsia e as evidências forenses mostraram, na verdade, que ela havia sido assassinada. Antes da Teresa, teve outra vítima, o André Brehonot, mas eles só descobriram ele depois da Teresa.
O André era francês e foi a primeira vítima conhecida do Charles naquela temporada. Ele foi drogado e afogado na banheira do quarto 207 de um hotel em Chiang Mai, em setembro de 1975. A cena foi encenada como um acidente e a polícia tailandesa não investigou. Já o Vitaly Hakim era um judeu sefardita nômade que percorria o Sudeste Asiático. Ele também conheceu o Charles em Pattaya, passou alguns dias no Cannidge House e acreditou estar entre amigos.
No final de outubro de 1975, o Charles e o Ajay o levaram com a promessa de mostrar as minas de gemas em Chanthaburi, região conhecida pelo comércio de pedras preciosas brutas como rubis e safiras e ponto de referência para negociantes de toda a Ásia. Era a isca perfeita. O corpo do Vitaly foi encontrado na estrada para Pattaya. Havia sido espancado, regado com gasolina e queimado vivo. A polícia tailandesa concluiu que se tratava de um ataque de bandidos locais e não conectou o caso com a morte da Teresa.
Já Charmaine Carreau era francesa e namorada de Vitaly. Quando ele desapareceu, ela foi até a Tailândia para procurar por ele. Chegou até o hotel onde ele estava hospedado e encontrou um bilhete deixado por ele com o contato de um amigo. Esse contato a levou até o Charles. O que ela não sabia é que ela tinha chegado num momento crítico. Quando o casal holandês, o Henk e a Coque, que eu contei no começo do vídeo, ainda estava no apartamento se recuperando do envenenamento.
A presença da Charmaine fazendo perguntas sobre o namorado desaparecido representava um risco imenso. O Charles agiu rápido. No dia 16 de dezembro de 1975, os corpos do casal foram encontrados numa estrada ao norte de Bangkok. Já Charmaine foi drogada e levada ao mar. O corpo dela foi encontrado em Pattaya, vestindo um biquíni floral. A polícia tailandesa registrou afogamento e mais uma vez não conectou o caso ao da Teresa e nem o do Vitaly.
Assim como a Teresa, a Charmaine foi encontrada usando um biquíni floral. Era o segundo corpo encontrado com biquíni. A imprensa tailandesa começaria tempos depois a usar um apelido pro assassino ainda desconhecido. Decidiram chamá-lo de Bikini Killer. Já Connie Jo Bronzeach tinha 29 anos e era estudante americana de radiologia. Laurent Carrier tinha 26 e era canadense. Os dois se conheceram na trilha hippie e seguiram juntos pra Kathmandu, no Nepal.
Em dezembro de 1975, o Charles e a Marie também estavam lá. Eles estavam usando os passaportes do Henk e da Kok, que haviam acabado de matar na Tailândia. Era o método deles. Antes de eliminar as vítimas, eles tomavam os documentos, inseriam suas próprias fotos e atravessavam fronteiras como se fossem outras pessoas. Nesse ponto, a Marie já participava ativamente desses esquemas. Com outro nome, ela ajudava a atrair turistas e administrava os sedativos.
O grau exato do envolvimento dela nos assassinatos nunca seria estabelecido com precisão, mas as evidências materiais eram inequívocas. A Connie e o Lorraine encontraram o Charles e a Marie, e dias depois, na véspera do Natal de 1975, dois corpos foram encontrados nos arredores de Katmandu, com marcas de faca e queimaduras. Eram eles. Uma australiana que estava hospedada no mesmo hotel que a Connie tinha visto ela conversar com um homem de aparência vietnamita que se apresentava como negociante de gemas.
Com base nesse depoimento, a polícia nepalesa identificou e chamou o Charles e a Marie para depor. Os dois foram ouvidos e liberados e saíram do Nepal usando os passaportes da Connie e do Lorraine, o que é muito doido. Nos anos 70, o controle de fronteiras no Sudeste Asiático era praticamente manual, não tinham sistemas informatizados, sem comunicação entre as polícias dos países e sem um banco de dados de documentos roubados.
Os corpos da Connie e do Laurent ainda nem tinham sido formalmente identificados quando o Charles e a Marie já estavam do outro lado da fronteira usando, né, o passaporte deles. Foi nessa época que a resposta que o Herman, o secretário da embaixada holandesa em Bangkok, procurava chegou. E ela veio de uma fonte inesperada. A polícia canadense havia visitado os pais da Marie e encontrado um contato de emergência perto de Marseille, na França.
Quando a polícia francesa verificou o número, era da mãe do próprio suspeito. Foi assim que finalmente descobriram a identidade real do além, que até esse ponto eles não sabiam. Então, agora eles descobriram que o seu nome era Charles Sobhraj. No dia 5 de maio de 76, por ordem do embaixador holandês, o Herman compartilhou o material com a imprensa. O Bangkok Post publicou uma reportagem de primeira página com o título "Teia de morte".
Em poucos dias, a Tailândia inteira falava no assunto. A polícia tailandesa voltou ao Ketting House e a interpôs e emitiu um mandado de prisão internacional. Agora, de volta à Índia, o Charles precisava de documentos novos. Em Calcutá, ele encontrou o Avoni Jacob, que era um estudante israelense. O Charles estrangulou ele em um hotel de um bairro pobre pra roubar o passaporte dele. Com os documentos do Avoni, ele viajou com a Marie e o Ajay, né, os dois comparsas dele, pra Singapura, depois pra Malásia e depois pra Índia.
Nesse ponto, eles já sabiam que estavam sendo procurados. Então, em julho de 76, o nome deles já estava na lista da Interpol. O Charles e a Marie decidem ir pra Nova Delhi, capital da Índia. E lá, eles recrutam novas cúmplices. Seus nomes eram Barbara Smith e Maureen Eather. Foi aí que o Charles tentou drogar mais de 40 estudantes franceses. Eles estavam hospedados em um hotel. E aí, ele misturou laxantes e soníferos. E deu pra eles beberem, né, misturou nas bebidas deles.
Porque ele queria roubar os passaportes desses estudantes. Mas ele errou a dosagem. Então, vários deles começaram a passar mal ao mesmo tempo. A equipe do hotel achou muito estranho que muitos estudantes no mesmo lugar estivessem passando mal. Então, eles chamaram a polícia e o Charles foi preso. Como agora tinha um mandado da Interpol, eles sabiam quem o Charles era, não tinha mais como ele fugir, então ele foi preso. E pouco tempo depois, a Marie também foi presa.
Mas antes de todos esses estudantes, teve mais uma vítima, que foi o Jean-Luc Salomon. Ele era um estudante francês que cruzou o caminho do Charles num hotel no sul de Delhi. A intenção do Charles era sempre a mesma. Drogar, roubar e depois desaparecer. Mas a dose que ele deu pro Jean-Luc matou ele e aí o crime ficou sem investigação até que o Charles é preso dias depois por conta do crime que ele fez com os estudantes. Durante o interrogatório, a morte do Jean-Luc veio à tona e aí isso acabou fundamentando a condenação do Charles na Índia.
Eles também conseguiram pegar a Barbara e a Mary Ellen, né, as novas cúmplices dele. Então enquanto elas aguardavam o julgamento, elas tentaram tirar a própria vida na prisão. O que aconteceu com elas depois disso não tá documentado nas fontes públicas, então não tem como saber. Já o Charles foi julgado por homicídio culposo, envenenamento, roubo e falsificação de documentos. Ele foi condenado a 12 anos de prisão e aí ele foi enviado pra Tihar, a penitenciária de segurança máxima de Nova Delhi.
A Marie também foi condenada a 12 anos. Em 1983, ela recebeu o diagnóstico de câncer do colo do útero. A Suprema Corte Indiana autorizou seu retorno temporário ao Canadá pra tratamento, com a obrigação de se apresentar regularmente às autoridades indianas em Ottawa. Ela voltou ao Quebec no dia 25 de julho de 1983 e escreveu um livro chamado "Eu Vou Voltar", relatando seus anos com Charles D. na prisão. Ela disse não ter se apaixonado por ele e sim ter sido sua vítima.
Mas aí, o diário dela foi descoberto mais tarde, contradizendo completamente essa versão. A Marie morreu menos de um ano depois, no dia 20 de abril de 1984, aos 38 anos. Enquanto Charles cumpria sua sentença na Índia, a Tailândia havia emitido mandado de prisão internacional pra ele por 14 assassinatos que aconteceram lá, com prazo de prescrição de 20 anos. O Charles calculou e percebeu que precisava ficar preso tempo suficiente para o mandado expirar sem jamais ser extraditado para Bangkok.
Então, na prisão, ele não virou mais um detento. Ele descobriu que guardas mantinham um esquema interno de roubo e tráfico de ópio, e ele gravou tudo. Usou as gravações para chantagear o superintendente e garantiu privilégios. Ele tinha televisão, comida de qualidade, máquina de escrever e visitas sem restrição. No dia 16 de março de 86, em celebração ao seu 42º aniversário, ele organizou uma festa dentro da prisão. Ele distribuiu doces e bolos entre os guardas.
Os doces continham cloridrato e midazepam, ou seja, tinham sedativos potentes. Quando os guardas adormeceram, o Charles saiu com cúmplices num carro que tava esperando por ele. Dias depois, um investigador chamado Mario Hocarzende o reconheceu no restaurante no estado costeiro de Goa e o abordou. O Charles foi preso de novo e recebeu mais 10 anos pela fuga. O dono do restaurante, vendo o lugar virar ponto de curiosidade, instalou depois uma estátua do Charles com o seu característico boné, e essa estátua tá lá até hoje.
Com a nova sentença, ele ficou em Tihar até 1997, tempo suficiente pro mandado tailandês expirar. Quando ele saiu, a Tailândia não podia mais tocá-lo. Ele voltou pra Paris, a única cidade que era obrigada a aceitá-lo, já que era o seu único documento de cidadania. E lá ele viveu dando entrevistas pagas, vendeu direitos de um filme baseado em sua vida, usava as próprias histórias como moeda de troca. Ele tinha 53 anos, uma saúde razoável e uma reputação que jornalistas e documentaristas queriam explorar.
Enquanto isso, o Herman, que tinha deixado a Tailândia em 77, continuou sua carreira diplomática por mais de duas décadas nos Estados Unidos, Indonésia, Áustria, Luxemburgo, Grécia e por fim na Nova Zelândia, onde ele se aposentou em 2003. Na garagem da sua casa em Wellington, ele guardava 6 caixas de documentos sobre o caso, documentos acumulados desde 1976. Ele nunca descartou tudo aquilo. Ele também nunca tinha esquecido do Henk e da Coque, que deram início a toda essa investigação.
Até que em 2003, 6 anos após ter sido libertado e por razões que seus próprios advogados mais tarde descreveram como um erro fatal, o Charles foi ao Nepal. Em 3 de setembro de 2003, um repórter do jornal Himalayan Times estava num cassino em Kathmandu quando reconheceu um homem jogando baccará. Ele escreveu uma reportagem de primeira página. A polícia nepalesa prendeu o Charles horas depois. O Nepal não tinha prazo de prescrição para assassinato.
E quando o Herman ficou sabendo dessa prisão, ele foi até a garagem, abriu as caixas e reuniu os documentos que havia guardado por quase 30 anos. 2 detetives de Wellington verificaram o material para que ele pudesse ser submetido à Interpol do Nepal. O Herman também enviou cópias para o FBI. Ele disse, entre aspas: "Acho exagero dizer que fui diretamente responsável pela condenação, mas os meus esforços indicaram à polícia nepalesa o que existia e onde procurar." Em 2004, Charles foi condenado à prisão perpétua pelo assassinato da Connie, cometido em 1975.
A pena perpétua no Nepal equivale a 20 anos de detenção. Em 2014, ele recebeu sua segunda condenação de 20 anos pelo assassinato do Lauren. Durante os anos em Kathmandu, ele acabou se casando com a Nihitha Biswas, que é uma intérprete que conheceu ele quando ela se candidatou à vaga de intérprete pro advogado francês do Charles. Em 2017, já com a saúde mais debilitada, o Charles passou por uma cirurgia cardíaca de 5 horas pra reparar as válvulas do coração.
Depois disso, por alguns anos, ninguém falou sobre ele. Até que no dia 21 de dezembro de 2022, o Supremo Tribunal do Nepal ordenou sua libertação antecipada. A decisão citou sua idade, ele tava com 78 anos, e sua condição de saúde. A lei nepalesa permite a soltura compassiva de presos doentes que tenham cumprido 3/4 da pena. O Charles havia cumprido 19 dos 20 anos. Em 23 de dezembro, ele foi escoltado por 7 policiais, alguns com coletes à prova de balas, para o Departamento de Imigração de Katmandu.
Ele usava gorro de lã, jaqueta azul e máscara cirúrgica. Ele não falou com os jornalistas reunidos na saída. No avião de volta para Paris, ele concedeu uma entrevista, disse que se sentia ótimo, que tinha muito a fazer e que queria processar o estado do Nepal. Quando perguntado se acreditava ter sido erroneamente descrito como serial killer, ele respondeu que sim. O Charles tem 82 anos e vive em Paris. Em 1979, ainda preso na Índia, ele concedeu entrevistas extensas a dois jornalistas que publicaram um livro sobre sua vida.
O livro continha relatos que alguns interpretaram como confissão, que ele depois desmentiu. A série O Paraíso e a Serpente, da Netflix, lançada em 2021 enquanto Charles ainda cumpria pena no Nepal, dramatizou os crimes com foco nos anos 1975 e 76 em Bangkok e no trabalho investigativo do Herman. A produção foi indicada a diversos prêmios. O Charles publicou suas próprias memórias em 2023, intituladas Moi, le Serpent, pela editora francesa L'Arquipel, nas quais ele afirma ser inocente.
Ele também participou do documentário The Real Serpent: Investigating a Serial Killer, em 2024. Onde ele foi confrontado por ex-detetives com evidências da sua culpa. Quando eles mostraram pra ele vários passaportes de vítimas encontrados dentro do seu apartamento em 76, ele não soube explicar como isso havia chegado lá. Já a Nihita, com quem ele se casou, permanece no Nepal. Ela não viajou pra França quando ele foi deportado e ela parou de visitá-lo na prisão nos últimos anos da sua detenção e também não deu nenhuma declaração pública desde a sua soltura.
Já Chantal Desnoyers, em 1995, ela vivia na França e o seu paradeiro atual e dos seus filhos com o Charles não está documentado publicamente. A Ushua, que é filha do Charles com a outra Chantal, a Chantal Compagnon, tem 52 anos e vive nos Estados Unidos. Ela trabalhou para o governo americano em funções ligadas à prevenção de crimes. Ela se casou e nunca quis ter contato com o pai biológico. Já o Herman hoje tem mais de 80 anos e continua vivendo na Nova Zelândia desde a sua aposentadoria.
Já o destino do Ajay, que era o comparsa do Charles, nunca foi esclarecido. Meses antes da prisão do Charles, ele tava com a Marie e com o Ajay na Malásia, e segundo investigações da polícia, o Charles mandou o Ajay buscar problemas numa cidade próxima. Os dois entraram numa floresta, mas só o Charles voltou. A Mahim, em depoimento posterior, disse que havia visto Ajay pela última vez naquele dia e que ela e o Charles não voltaram a falar com ele.
O Charles sempre negou ter matado o próprio cúmplice. O Ajay tinha cerca de 25 anos quando foi visto pela última vez. O número real de vítimas do Charles permanece desconhecido. Alguns investigadores acreditam que ele tenha matado mais de 100 pessoas. Enjoy up to 50% off select styles, from personalized pieces to must-have favorites made for the summer. Timeless designs that shine with you through every moment, wherever the summer takes you.
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Muitas das mortes foram consideradas acidentais, sem ter investigação sobre. E assim ele foi, né, mudando de lugar em lugar e de identidade por muitos anos. E eu quero saber o que vocês acharam desse caso. Me conta aqui nos comentários, quero muito saber a opinião de vocês. E não esquece do like, me ajuda muito na divulgação do vídeo. E é isso. Para mais casos, siga o podcast Quinta Misteriosa e aproveite para avaliar em 5 estrelas se você gostou. Obrigada por ouvir e até o próximo caso.