A DAMA DAS DUNAS - SOLUCIONADO 48 ANOS DEPOIS #602
Em julho de 1974, uma menina que caminhava com a família nas dunas de Provincetown, Massachusetts, descobriu um corpo numa toalha de praia. As mãos da vítima haviam sido cortadas. A cabeça estava quase decepada. E ninguém sabia quem ela era. Durante quarenta e oito anos, ninguém soube. Até que a tecnologia alcançou o que as investigações não conseguiram. #602
- A Dama das DunasDescoberta do corpo · Investigação inicial · Reconstrução facial · Exumações e DNA · Teoria do filme Tubarão · Genealogia genética · Identificação de Ruth Mary Terry · Guy Rockwell Muldwin
- O assassino Guy Rockwell MuldwinPassado sombrio e múltiplos casamentos · Desaparecimentos em Seattle (1960) · Desaparecimento em Humboldt County (1950) · Conexões com Provincetown · Livro 'Cooking with Rump Oil'
- A vida de Ruth Mary TerryOrigem em Whitwell, Tennessee · Casamentos e adoção do filho · Período obscuro na Califórnia · Relacionamento com Guy Rockwell Muldwin
- Provincetown e Cape CodHistória e características da cidade · Comunidade gay e lésbica · Dunas de Race Point
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"Provincetown fica na ponta extrema de Cape Cod, em Massachusetts. Uma língua de terra que avança pelo Atlântico como um braço dobrado. Em 1974, era uma das cidades mais singulares da costa leste-americana. Tinha sido uma colônia de pescadores portugueses, depois uma colônia de artistas atraídos pela pela luz e pelo isolamento. Escritores como Eugene O'Neill e Norman Mailer haviam passado temporadas lá. E nos anos 70, estava se tornando um dos poucos lugares nos Estados Unidos onde a comunidade gay e lésbica podia viver com alguma abertura.
Um processo que havia começado com o movimento Stonewall, em 69. E que chegaria a Provincetown com força crescente ao longo da década. Era uma cidade de tolerância, de arte, de verões cheios de turistas e invernos completamente vazios. No verão, as dunas de Race Point ficavam cheias de pessoas. Famílias, casais, turistas de toda Nova Inglaterra passavam dias inteiros nas praias as dunas de Cape Cod National Seashore, uma reserva natural federal que protegia aquela costa desde 1961.
As dunas eram lindas e isoladas. Era em um desses dias de verão quando Leslie Metcalf, uma menina de 12 anos, caminhava com seus pais e amigos da família pelas dunas de Race Point. A família havia passado o dia numa cabana nas dunas e voltava quando o cachorro que vinha com o grupo captou um cheiro no ar e correu em direção a um trecho de pinheiros rasteiros. A Leslie o seguiu. O cachorro parou e começou a latir para algo entre a vegetação.
No primeiro segundo, Leslie achou que era um veado morto. A cor da pele escurecida pela decomposição, parecia uma pele de animal. Depois, ela percebeu que era uma pessoa. E que essa pessoa não tinha as mãos. A Leslie correu de volta pros adultos, e o pai foi verificar e alguém pegou um jipe pra buscar os guardas florestais. Em poucas horas, a cena estava repleta de investigadores, fotógrafos e peritos trabalhando sob o sol de julho.
O corpo estava de bruços sobre uma toalha de praia, nu, a cerca de 4,5 metros da trilha mais próxima. A cabeça estava apoiada numa calça jeans Wrangler dobrada com cuidado, como se fosse um travesseiro. Ao lado, havia uma bandana azul, também dobrada. As unhas dos pés estavam pintadas de rosa. O cabelo comprido e ruivo avermelhado ainda era visível. A cena tinha uma qualidade estranhamente arrumada, como se alguém tivesse preparado aquele lugar com cuidado e não apenas abandonado o corpo.
A toalha estava estendida apenas pela metade, como se houvesse espaço pra outra pessoa. Havia rastros de pneu nas proximidades e dois conjuntos de pegadas que levavam até o corpo e depois desapareciam na areia. Mas o assassino havia feito de tudo pra impedir que a vítima fosse identificada. As duas mãos foram cortadas e removidas completamente. Provavelmente pra que as impressões digitais não pudessem ser usadas na identificação.
A cabeça estava quase completamente decepada. Falecida pendurada no corpo apenas por um pedaço de pele e tecido no pescoço. Lado esquerdo do crânio havia sido esmagado por golpes violentos com objeto pesado. Vários dentes haviam sido removidos da boca também, provavelmente para dificultar a identificação por registros odontológicos. Os dentes que ficaram tinham coroas de ouro e restaurações, indicando que ela tinha dinheiro suficiente para pagar por tratamento odontológico de qualidade.
Mas não havia bolsa, nenhuma identificação, nenhum objeto pessoal além da toalha, da calça e da bandana. Os peritos estimaram que o corpo estava ali entre 10 dias e 3 semanas.
A causa da morte foi determinada trauma craniano.
O corpo foi removido e levado para autópsia. Sem as mãos, sem dentes completos, sem documentos, sem ninguém que tivesse visto ou reportado ela como desaparecida, não tinha como saber quem ela era. A polícia fez uma reconstrução facial baseada no crânio. O resultado era tão realista que chegava a ser perturbador. Uma mulher jovem, de feições delicadas, de expressão neutra. A imagem foi divulgada na esperança de que alguém conseguisse reconhecer quem era aquela mulher.
Então, pessoas da família, amigos, enfim. E aí eles decidiram divulgar a imagem não só nos jornais locais, mas nacionais Eles também checaram registros de pessoas desaparecidas em Massachusetts, em toda Nova Inglaterra, e não conseguiram encontrar nada. Eles eliminaram dezenas de possíveis correspondências e não faziam ideia de quem era aquela mulher. Sem um nome, sem família, sem ninguém que tivesse a reconhecido, estivesse procurando por ela, além da polícia de Massachusetts, o corpo da mulher foi enterrado ali naquele cemitério em Saint Peter's, Provincetown.
Ela foi enterrada sem nome. A imprensa começou a chamá-la de "a dama das dunas" e eles falaram sobre o caso ali nas primeiras semanas investigação e tudo mais, até que não tinha nada, né, nenhuma dica, nada para polícia seguir. Então eles pararam de falar sobre o caso, mas o caso não tinha sido encerrado. O caso ficou permanentemente no site da polícia de Provincetown, e também toda vez que chegava um novo detetive, eles apresentavam esse caso para ele.
Então todo mundo conhecia o caso, mesmo que não tivesse sido solucionado. Então toda vez que vinha um novo detetive, eles tentavam novamente alguma coisa, mas nunca conseguiam nada. Para vocês terem ideia, o corpo da vítima foi exumado 3 vezes durante as décadas seguintes, e mesmo assim eles nunca não conseguiam nada, ela continuou sendo a Dama das Dunas. E se tornou o caso não solucionado mais antigo do Massachusetts. E uma das Jane Does mais famosas dos Estados Unidos.
Porém, havia outra pessoa que tinha visto aquele corpo naquele dia, antes que ele fosse descoberto pelo cachorro. E aí, né, chegou a polícia e tudo mais. Uma outra garotinha tinha encontrado aquele corpo. E ela tinha só 9 anos na época. Seu nome era Sandra Lee. E naquele ano, em 74, ela tava acampando com a família em Provincetown. Até que numa manhã, ela tava saindo ali de uma situação difícil. No início ali na família, decidiu caminhar um pouco com o cachorro e ela tropeçou no corpo.
Ela tava sozinha naquele momento, então ela ficou tão assustada ao ter encontrado um cadáver que ela não contou isso pra ninguém, simplesmente não contou. E como o assassino tinha tirado as mãos da vítima, naquele momento ele tinha colocado as mãos dela pra baixo ali na areia das dunas. Então não dava pra ver, né, que ela tava sem as mãos. Só depois que a polícia falou sobre a vítima estar sem as mãos que ela entendeu o que ela tinha visto naquele dia.
E ela guardou esse segredo com ela por muito tempo. Ela acabou se tornando uma escritora de true crime. Ela escreveu um livro sobre essa experiência chamado The Shanty. Ela disse que no momento que ela teve a visão, né, daquele corpo, ela decidiu ali que ela faria o que fosse necessário pra que ela saísse daquela situação doméstica difícil que ela se encontrava. Como eu falei pra vocês, o caso nunca foi fechado. Então, ele permanecia lá aberto.
E ele passou por momentos em que a investigação estava super ativa, super intensa. E momentos em que o caso ficava intocado lá por um tempão. Em 1982, a polícia de Providence Provincetown pediu pra que a polícia estadual de Massachusetts assumisse o caso. Porque era um caso muito grande pra um departamento tão pequeno como o deles. Quando isso aconteceu, várias candidatas pareceram muito promissoras pra que eles conseguissem solucionar o caso.
Mas depois eram eliminadas. Teve uma delas chamada Frances Ewald, que era uma mulher desaparecida. E por um bom tempo, acreditaram que ela poderia ser a Dama das Dunas. Outra mulher de cabelo ruivo que desapareceu em Maryland nos anos 70 também fez parte da investigação. Mas aí, quando os investigadores conseguiram uma amostra de DNA da mãe dela pela saliva, eles conseguiram comprovar que não era ela. Nos anos 80 surgiu uma teoria que a Dama das Dunas poderia ser a Rory Jean Kessinger, uma traficante e assaltante de banco que tinha escapado da prisão em 1973 e tava desaparecida.
Essa pista foi investigada, mas também foi descartada. Os moradores de Provincetown sempre falavam sobre o caso e eles tinham suas próprias teorias de quem ela poderia ser. Então eles falavam sobre isso em todos os lugares, nos bares, nos mercados, nas festas, nas ruas. Então eles acreditavam que ela poderia ser uma "uma vítima de tráfico humano, uma fugitiva, uma VIP que viajava de carona, alguém que participava de crime organizado".
Chegou até um ponto que o Whitey Bulger, que era o famoso chefe do crime organizado de Boston, foi citado. Então essa teoria começou a circular, que ele pudesse estar envolvido. A Sandra Lee, que eu citei pra vocês, que viu o corpo depois e começou a escrever sobre true crime, fala sobre isso no livro. E ela tentou investigar, né, pra encontrar alguma evidência, mas não encontrou nada. Então... É só uma teoria. Em 2006, o caso foi apresentado em um programa de TV chamado Haunting Evidence, que tentava usar médiuns e psicos pra resolver crimes.
Então, os médiuns visitaram as dunas, o local onde o corpo foi encontrado, fizeram ali as suas leituras, deram suas opiniões e trouxeram ali um pouco mais de atenção pro caso, né, depois de tantos anos. Mas não ajudaram em nada na investigação. Havia na época 11 homicídios não solucionados na jurisdição do promotor distrital de Cape das Ilhas, que datavam dos anos 70. Então, além do caso do caso da Dama das Dunas, haviam outros 4 corpos não identificados.
Mas o caso da Dama das Dunas era o mais famoso entre eles. Parecia que havia alguma coisa particularmente perturbadora nesse caso pra quem morava em Provincetown. O corpo tinha sido encontrado nas dunas, uma reserva federal que recebia milhares de visitantes todo ano. As dunas de Race Point eram conhecidas por sua beleza e pelo lazer. Mas ali, a menos de 5 km de uma das trilhas, o corpo de uma mulher foi encontrado. E ninguém sabia quem era ela.
Então, ao mesmo tempo que era um local, né, muito conhecido pelas pessoas, as pessoas visitavam o tempo todo, era um local muito bonito e tudo mais, também era grande o suficiente para conseguir esconder um corpo. A polícia dizia que o corpo poderia estar ali entre 10 a 3 semanas. Então, se ele já estivesse ali há 3 semanas, imagina quantas pessoas passaram por ali. Então, provavelmente era por isso que para eles era tão perturbador, sabe?
Então, como eu falei para vocês, eles falavam muito sobre esse caso. E com o passar dos anos, ele foi ganhando vida própria na cultura popular. O caso saía em livros de true crime, em sites que falavam sobre casos também sempre mencionavam a Dama das Dunas. Investigadores amadores espalhados pelo país tentavam solucionar o caso. A Dama das Dunas tinha se tornado uma coisa que acaba acontecendo com vários casos, que é quando ele cria ali uma obsessão popular, né?
As pessoas ficam tentando criar teorias, tentando entender o que aconteceu. Então eles tentavam encontrar uma solução para um caso que parecia que a solução era impossível. Então agora eu vou falar um pouco sobre as exumações do corpo. Como eu falei para vocês, ele foi exumado 3 vezes. A primeira foi em 1980, 6 anos anos após o corpo ter sido enterrado. E na época ainda não existia DNA forense, mas os investigadores queriam coletar pelo menos um pouco de tecido, amostras ali, não só do tecido, mas de ossos também, para que eles pudessem deixar guardadas, né, caso mais para frente, nos anos seguintes, eles conseguissem usar uma investigação mais avançada.
Então na época era uma aposta no tempo, né. Se for parar para pensar, eles não tinham essa tecnologia e eles não sabiam se existiria, mas acreditavam que poderia existir. Então eles queriam preservar esses tecidos para que se existisse pudessem usá-los e não fosse tarde demais. Um antropólogo forense examinou o esqueleto completo pela primeira vez também, já usando técnicas mais modernas, né. Então, ele começou a ver toda a estrutura do corpo, ele mediu cada osso, estudou a estrutura pélvica, examinou estruturas do crânio, conseguiu confirmar pelos ossos que era, de fato, uma mulher que teria provavelmente entre 25 a 40 anos de idade, uma altura aproximada de 1,66m e estrutura óssea indicando ancestralidade europeia.
Então, nessa primeira exumação, eles conseguiram coletar várias amostras de tecidos, de ossos, dos dentes, fragmentos de tecidos, enfim, eles conseguiram coletar as amostras. Elas foram preservadas em condições controladas e aí eles enterraram o corpo novamente, preservando apenas o crânio, que ficou ali em custódia da polícia para testes futuros. A segunda exumação aconteceu em março de 2000 e a tecnologia já tinha avançado, então já era possível extrair DNA de ossos preservados.
A polícia trouxe especialistas da Cellmark Diagnostics, o laboratório líder em análise de DNA forense na época, e eles conseguiram extrair um perfil de DNA mitocondrial, o tipo que rastreia linguagens maternas, passado de mãe para filho sem recombinação. É útil para rastrear linhagens, mas não identifica uma pessoa com precisão individual. Milhões de pessoas podem compartilhar o mesmo DNA mitocondrial se descendem de uma mesma ancestral comum distante.
Eles submeteram o DNA a bancos de dados e compararam com perfis de familiares de mulheres desaparecidas, mas não houve correspondência. E aí enterraram o corpo pela segunda vez. Já a terceira exumação aconteceu em outubro de 2013. Dessa vez tentaram extrair DNA nuclear, que permite identificação altamente específica especialmente quando há comparação direta com familiares. Também fizeram análise de isótopos, variações de elementos químicos que se depositam nos dentes durante a infância conforme a composição da água e do solo da região onde a pessoa cresceu, e que não mudam depois.
Os resultados apontaram para a região central do país, provavelmente o meio-oeste ou sul. Estreitava a busca, mas não o suficiente para chegar a uma pessoa específica. Eles criaram um perfil e submeteram a todos os bancos possíveis. Mais uma vez, Mas nada. Dessa vez, os investigadores sabiam que o material biológico se degradava a cada ano que passava. Não havia garantia de que haveria uma quarta chance. Em agosto de 2015, o Joe Hill, que é escritor de suspense e é filho do Stephen King, estava lendo um livro chamado The Skeleton Crew, sobre investigadores amadores que resolvem casos antigos.
O livro mencionava a Dama das Dunas e o Joe ficou intrigado e começou a pesquisar. Olhando fotos da reconstrução facial, lendo sobre os detalhes do crime. E aí, ele se lembrou de uma coisa. Em 1974, Steven Spielberg filmava Tubarão em Martha's Vineyard, Massachusetts, centenas de figurantes locais contratados pra preencher cenas de praia lotada. Martha's Vineyard ficava a cerca de 160 km ao sul de Provincetown. As datas coincidiam, as filmagens aconteciam entre maio e outubro de 74, exatamente quando a Dama das Dunas foi morta.
O Joe pegou uma cópia do filme e começou a assistir quadro por quadro, prestando atenção especial nas cenas com os figurantes. Aos 54 minutos e 2 segundos do filme, numa cena mostrando turistas descendo de uma balsa na Vila de Menência, ele viu uma mulher na multidão usando uma bandana azul na cabeça calça jeans, tinha o cabelo longo e ruivo, era magra e atlética. O Joe olhou para reconstrução facial da Dama das Dunas e depois para a mulher no filme.
A semelhança era impressionante. Ele postou a teoria no seu blog com raciocínio completo. Mesma época, mesma região, roupas semelhantes às descritas na cena do crime. E aí, obviamente, que o post viralizou. Milhões de pessoas assistiram a cena de Tubarão quadro por quadro. Sites de notícias escreveram artigos, programas de TV cobriram a história e podcasts dedicaram episódios inteiros para falar sobre isso. De repente, todo mundo tava falando sobre a Dama das Dunas "novamente".
Porém, havia problemas sérios nessa teoria. 6 outras mulheres na mesma cena também usavam bandanas azuis. Centenas de milhares de jovens usavam lenços e jeans nos anos 70, então não era uma roupa única. A diretora de elenco do Tubarão, Sherry Rhodes, tinha morrido em 2009. Registros de figurantes de filmes dos anos 70 praticamente não existiam, não tinha uma lista de nomes, não havia fichas de pagamentos preservadas. O detetive de Provincetown, à época, disse à imprensa: "Acho que ela pode ser "Vai parecer, não sei.
Há semelhança? Sim, acho que sim. Mas estávamos nos anos 70. Centenas de milhares de jovens se vestiam assim." O Joe admitiu abertamente que a teoria tinha limitações, mas a repercussão trouxe algo que valia a pena: a atenção renovada para o caso. Novas gerações descobriram a história da Dama das Dunas. O caso voltou à conversa pública de uma forma que nenhuma investigação formal havia conseguido desde os anos 70. Enquanto isso, uma nova tecnologia estava prestes a finalmente resolver o caso.
Em 2018, o mundo da investigação criminal foi abalado quando o Golden State Killer, um dos assassinos mais procurados da história americana foi identificado usando uma técnica chamada genealogia genética. Esse caso eu contei para vocês aqui no canal faz pouco tempo, e eu já falei sobre essa técnica muitas vezes, né? Quando eles pegam DNA do suspeito ou da vítima, eles enviam para um banco de dados público de genealogia como o GEDmatch, Family Tree, e aí eles procuram por correspondências com pessoas que haviam submetido voluntariamente o DNA ali para esses sites para pesquisa de ancestralidade.
Então eles conseguiam construir árvores genealógicas rastreando ancestrais comuns, e eventualmente eles conseguiam chegar a identidade. Por genealogia genética é muito mais fácil conseguir chegar a um resultado, né, porque você tem ali uma árvore genealógica da pessoa e aí eles vão eliminando até conseguir chegar a um nome. Então de repente vários casos que estavam parados e congelados no tempo há anos poderiam ser solucionados.
De repente muitos deles inclusive começaram a ser solucionados ali, que estão de meses. E aí a polícia de Boston decidiu que vale a pena tentar fazer isso com o DNA preservado da Dama das Dunas. Então quem fez isso na verdade foi o FBI, e eles tinham assumido a investigação. E aí em 2019, quando eles decidem fazer isso, tinha um grande problema ali, que por mais que tivesse sido preservado já fazia muito tempo, então a amostra já tava muito degradada.
Era uma amostra de quase 50 anos, né? Então o FBI de Boston guardou essa amostra, e aí em 2022 eles enviaram essas amostras para Othram Inc., que é um laboratório privado em Woodlands, no Texas, que é especializado em extrair DNA que seja possível utilizar ele, né, de amostras muito antigas, degradadas, moldadas e tudo mais. Só que além da amostra ser muito antiga, também tinha outro problema. Nas exumações anteriores, os ossos haviam sido tratados com formaldeído, que é um preservante que danifica o DNA ao desidratá-lo e quebrá-lo em fragmentos menores.
Outros laboratórios já haviam tentado trabalhar com o material e falhado exatamente por esse motivo. O DNA estava lá, mas em pedaços tão pequenos e tão contaminados com DNA bacteriano do solo que ninguém conseguia montar um perfil utilizável. A Othram usou uma tecnologia chamada Forensic Grade Genome Sequencing para conseguir reconstruir o a partir dos fragmentos. Os cientistas fizeram múltiplas extrações de diferentes partes do esqueleto, buscando qualquer fragmento que tivesse preservado material suficiente.
Então eles trabalharam por muitos meses até que eles conseguiram. Eles submeteram o perfil aos bancos de dados públicos de genealogia e encontraram correspondências com primos distantes de terceiro e quarto grau. Esses primos tinham enviado o seu DNA para pesquisa de ancestralidade sem nunca imaginar que estariam ali ajudando a solucionar um caso de assassinato de 1974. A partir daí foi trabalho meticuloso de genealogistas forenses.
Eles pegaram as correspondências, construíram árvores genealógicas enormes, a triângulo para trás por várias gerações, até encontrar ancestrais comuns. Depois seguiram todos os descendentes desses ancestrais para frente, através dos registros públicos de nascimentos, casamentos e mortes, procurando mulheres de idade certa que haviam desaparecido ou morrido em circunstâncias desconhecidas na época certa. Então, em outubro daquele ano, 2022, eles conseguiram chegar a um nome: Ruth Mary Mary.
Ela nasceu em 8 de setembro de 1936 em Whitwell, Tennessee, e ela teria 37 anos em julho de 74. Os investigadores encontraram parentes vivos da Ruth e pediram que eles submetessem amostras de DNA para comparação direta. Então, no dia 31 de outubro, os resultados voltaram e era uma correspondência perfeita. Agora a Dama das Dunas tinha um nome depois de 48 anos. Antes de fazer o anúncio ao público, os investigadores foram pessoalmente notificar a família da Ruth.
Um dos parentes era o Richard Hanchett, que é filho da Ruth, que havia sido colocado para adoção logo Ela só depois nasceu em 1958, quando ela tinha 21 anos. O Richard cresceu sem conhecer a mãe biológica. Em 2018, fez um teste de DNA pelo Ancestry, na esperança de poder encontrá-la. Mas ele acabou encontrando a família dela no Tennessee, que super apoiou ele, o incluiu. Então, ele descobriu primos, tios, meio-irmãos, uma história inteira que ele não fazia ideia, né, que ele não conhecia.
Mas o paradeiro da mãe dele, da Ruth, continuou desconhecido. Depois disso, por mais 4 anos, porque ninguém fazia ideia do que tinha acontecido com ela. Pra vocês terem ideia, a família da Ruth nem sabia que ela tava morta. Outro parente que eles encontraram foi o Jim Terry, que é meio-irmão da Ruth. Ele tinha visto ela pela última vez em 73, quando ela apareceu em Whitwell acompanhada de um homem. Eles haviam dito que eles estavam viajando pelos Estados Unidos procurando por antiguidades, e o Jim não conseguia lembrar mais nada sobre esse homem.
Outra parente que eles encontraram foi a Marilyn Renée Hill. Ela era sobrinha da Ruth, ela tinha viajado pra Califórnia, ela também sabia. Que a Ruth tinha tido um bebê e dado pra adoção. Então ela também submeteu o DNA dela no Ancestry na esperança de conseguir encontrar o bebê. Então ela tava procurando pelo Richard e não pela Ruth. E ela morreu em 2021, antes que toda essa descoberta fosse feita e antes que ela pudesse saber que o DNA dela ajudou tudo isso. Inclusive, foi o DNA dela, né, submetido ali no site que foi...
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Policial responsável pela divisão, pô, de falar, né, oficialmente que depois de quase meio século a vítima de homicídio não identificada mais famosa de Boston agora tinha um nome. Então eles divulgaram o nome da Ruth, começaram a falar um pouco sobre a história dela e mostraram várias fotos dela da época. Então não era mais só aquela reconstrução facial, eram fotos reais onde ela parecia feliz sorrindo para câmera. E foi aí que eles pediram ajuda do público, eles queriam entender mais sobre a Ruth, sobre como era a vida dela ali antes da morte, e tentar entender o o que aconteceu, né, naquele dia, quem era o assassino da Ruth.
Então eles começaram a pedir para que pessoas que tivessem conhecido ela entrassem em contato, pessoas que soubessem os movimentos do casal, né, dela e daquele homem entre 73 e 74. E não demorou muito para que as pessoas começassem a ligar. A Ruth Marie Terry nasceu em 8 de setembro de 1936 em Whitwell, Tennessee, uma cidade de mineração de carvão a cerca de 40 km de Chattanooga. Era filha de Johnny Terry, que trabalhava nas minas, e cresceu numa família de classe trabalhadora rural do sul nos Estados Unidos.
A sua mãe morreu ainda jovem, deixando o pai para criar os filhos com ajuda dos parentes. Todos que conheceram a Ruth depois, ao longo dos anos, disseram a mesma coisa sobre ela, que ela era uma pessoa adorável. O filho Richard, que nunca conheceu pessoalmente, ouviu isso de cada pessoa com quem conversou ao procurá-la. Ela saiu de Whitwell ainda jovem, se casou adolescente com um homem local chamado Billy Ray Smith, mas se separou, voltou a se casar com ele e se separou novamente antes de partir definitivamente.
Whitwell era pequena e Ruth era o tipo de pessoa que seguia em frente. Por volta de 1957, Com 21 anos, ela apareceu em Livonia, Michigan, e foi trabalhar na Fisher Body, uma fábrica que produzia peças internas para General Motors. Foi lá que ela conheceu o casal Dick e Thelma Henschett, seus colegas de trabalho. Ela ficou grávida, e nos últimos meses da gravidez foi esse casal que alugou um quarto para ela numa casa em frente à fábrica, e ficaram perto durante aquele período.
No dia do parto, a Thelma, que tinha cabelo ruivo e olhos azuis assim como a Ruth, emprestou a própria carteira de motorista para que ela pudesse usá-la como identificação na maternidade. Depois que o bebê nasceu, a Ruth o entregou ao casal para adoção.
Não tinha condições de criar uma criança sozinha na época.
Então ela decidiu partir para Califórnia logo depois. Os anos que ela passou por lá são os mais obscuros da sua vida. As fontes têm poucos detalhes sobre esse período, então eles não sabem onde ela morou exatamente, com quem ela se relacionou, o que ela fez. Mas o que se sabe é que ela usou vários nomes: Ruth Smith, Terry Marie Vizina, Terry Shannon, Terry M. Vizina. E ela mudava de nome, o que era uma coisa relativamente comum para mulheres que queriam recomeçar, que queriam se afastar de um passado difícil, ou simplesmente construir uma identidade nova.
A Ruth parecia ter se se tornou uma especialista nisso ao longo dos anos. Em algum momento nesse período, ela tentou reatar o contato com o filho. O Richard disse que quando tinha aproximadamente 14 anos, em torno de 1972, a Ruth havia tentado entrar em contato com ele, mas ele tava no hospital naquela época, se recuperando de uma overdose que o havia deixado em coma por 18 dias. Então, o contato não aconteceu. E logo depois, a Ruth desapareceu no mundo.
A irmã adotiva do Richard, a Pat Hanchett, havia mantido correspondência com a Ruth enquanto ela Califórnia. Segundo Richard, a Patty dizia que a Ruth havia parado de escrever em meados dos anos 70. A Patty foi assassinada pelo marido em 1980, levando com ela os detalhes, né, desse contato que ela manteve com a Ruth. Então os anos que a Ruth passou na Califórnia ficaram permanentemente em branco. Em 73, ela voltou a aparecer em Whitwell, no Tennessee, acompanhada de um homem.
Eles disseram para a família que viajavam pelo país procurando antiguidades para revender. A cunhada dela, chamada Carol Terry, disse depois que havia sentido uma coisa estranha, algo errado, um mau pressentimento sobre o homem com quem se casou. A sua família nunca mais a viu depois dessa visita. E o homem que estava com ela era Guy Rockwell Muldwin, e ele tinha um passado muito sombrio. Guy nasceu em 27 de outubro de 1923, filho adotivo de uma família abastada.
Ele cresceu com privilégios, foi educado em escolas particulares em Connecticut e Nova York, teve tutores privados no rancho de gado da família no Novo México, estudou na Suíça, era inteligente, carismático e fascinante quando ele queria ser. Mas ele também era um vigarista compulsivo, mentiroso patológico e possivelmente um assassino em série. A família O David tinha conexões profundas com Provincetown. O pai adotivo do Guy tinha propriedades por lá e havia morado na região nos anos 30.
Um artigo do Worcester Telegram de 1939 descrevia o pai como tendo trocado Wall Street pela paz de Cape Cod, vivendo na casa mais antiga de Provincetown. Então o Guy conhecia a área desde criança e ele também conhecia as donas de Race Point. Em 1946, ele se casou com Jo Ellen Loop. Os dois abriram uma loja de antiguidades em Seattle e o casamento durou 10 anos, terminando em divórcio em 1956. 2 anos depois, Logo depois, ele se casa com Manzanita Aileen Ryan, conhecida como Menzi, usando o nome Raul Guy Rockwell.
Ela tinha uma filha de um casamento anterior chamada Dolores Ann Mearns, que na época tinha 16 anos. A Menzi era descrita como normalmente calma e contida, mas ela ficou perturbada quando percebeu que o Guy havia começado um caso com outra mulher chamada Evelyn Emerson. Então ela parou de trabalhar com ele na loja de antiguidades, mas ela continuou morando junto com ele e manteve as visitas mensais com a filha Dolores ao pai dela em Vancouver.
Em março de 1960, essas visitas mensais pararam. Em abril, Dolores e Menzi não apareceram. O ex-marido dela, William Mearns, que é pai da Dolores, ligou para o Guy perguntando onde as duas estavam. Ele deu desculpas esfarrapadas. Em maio, William foi à polícia de Seattle reportar as duas como desaparecidas. A polícia foi até a residência e confrontou o Guy, que disse que elas haviam abandonado a casa. Eles tentaram entrar para fazer uma verificação, mas ele não autorizou e não havia um mandato.
E então ele fez algo que chocou quem soube, porque ele pediu o divórcio da Menzi, alegando abandono. O divórcio foi concedido em julho de 1960, sem que a Menzi tivesse presente pra se defender. 8 dias depois, o Guy se casa com Evelyn Emerson, a mulher com quem ele tinha se envolvido. 5 dias após o casamento, ele convenceu a Germaine Winkler, que é madrasta da Evelyn, a entregar pra ele um cheque de $10.000, o que seria cerca de $100.000 atualmente, pra comprar uma coleção de artefatos nativos no Canadá pra uma revenda rápida.
Mas aí ele pegou o dinheiro, comprou um carro esportivo e fugiu. E ele obviamente não foi pro Canadá. Ele não comprou nada, ele foi pra Nova York. Lá ele alugou um apartamento usando um nome falso, que era Michael Strong. Foi a própria Germaine, depois de descobrir que ela tinha caído num golpe, que falou pra polícia ir lá investigar ele. Em agosto de 1960, quando a polícia conseguiu entrar na casa que ele morava antes, com as duas, né, eles encontraram o guarda-roupas completamente cheio com todas as coisas delas.
Todas as roupas da Dolores, todas as roupas da Mainsy, tudo que elas tinham estava lá intacto. Então era como se elas tivessem ido embora sem levar nada. E aí eles notaram algo ainda mais estranho, que eles viram o tanque séptico, que é algo comum nas casas nos Estados Unidos, nos Estados Unidos, é um reservatório de esgoto. Eles notaram que ele tava completamente selado por concreto, mas era um concreto fresco. E aí eles decidiram quebrar esse concreto, que dava para ver que tinha sido feito recentemente.
Aí eles encontraram fragmentos de ossos, cabelo e outros restos humanos ali dentro. Quando eles entraram no sótão, encontraram dentes e manchas de sangue. Dias depois, duas pernas foram encontradas no rio Columbia, que fica mais ou menos a cerca de 320 km de Seattle. Eles acreditavam que as pernas eram Dolores. Mas aí, na época, eles não tinham tecnologia de DNA, então não tinha como descobrir se realmente era dela. E além disso, eles não conseguiram nem identificar os restos encontrados lá, né.
Então eles não sabiam se eram realmente das duas ou não, aí precisa ter uma identificação pra isso. E o Guy ainda tava desaparecido. Então, em dezembro de 1960, o FBI conseguiu localizá-lo no apartamento em Greenwich que ele tinha alugado. Então eles foram até lá, realizaram a prisão. O Daily News, inclusive, fez uma matéria sobre, título "Hipster, vigarista e grande sedutor". Guy Rockwell Muldavin, de 37 anos, foi preso em seu apartamento repleto de curiosidades em Greenwich pelo FBI.
Como eles não tinham provas que ele realmente tinha assassinado as duas, ele foi julgado apenas por fraude. A promotoria admitiu que eles não tinham evidências suficientes para poder sustentar uma acusação de homicídio, quem dirá duas, né? Dessa forma, ele foi condenado e sentenciado a 15 anos de prisão por fraude. Mas aí a sentença foi suspeita 13 meses depois, sob a condição de que ele pagasse aquele valor de volta. Em 1962, Ele sai da prisão, sai livre e nunca foi acusado pelo desaparecimento das duas, da Menzi e da Dolores, né, os crimes em Seattle.
E uma coisa que aconteceu também que eu quero citar é que quando eles conseguiram realizar a prisão dele em Nova York, a polícia de Seattle decidiu emitir um boletim que eles mandaram para outras jurisdições perguntando sobre possíveis crimes anteriores para ver se eles conseguiam fazer alguma conexão. A polícia de Humboldt County respondeu. Eles o consideraram suspeito de um caso que tinha acontecido em 1950. Em junho daquele ano, em Humboldt County, né, na Califórnia, um casal jovem e o Robin saiu para um encontro e nunca mais voltou, eles simplesmente desapareceram.
O Henry Byrd tinha 28 anos, era veterano da Segunda Guerra Mundial e motorista de caminhão de pão. A Barbara Kelly tinha 17 anos e era garçonete no restaurante chamado Sweet Shoppe em Fortuna e era descrita como profundamente religiosa. Eles tinham se encontrado havia 2 meses. Na noite do dia 17 de junho de 1950, eles disseram aos pais que iriam a um show, mas depois desapareceram. Na manhã seguinte, 2 pescadores encontraram o corpo do Henry na praia perto de Table Bluff.
Ele estava deitado de bruços morte na areia com um tiro na nuca, usando apenas meias e sapatos. As roupas dele estavam dobradas com cuidado ao seu lado. As roupas da Barbara estavam dobradas debaixo das roupas dele, com exceção dos sapatos e meias. Uma cena deliberadamente arrumada. Mas não havia sinal da Barbara. O restaurante onde ela trabalhava ficava na rota de entrega do Henry. E o outro restaurante da cidade pertencia à família da primeira esposa do Guy, da Joellen Loop.
E o Guy havia trabalhado lá como cozinheiro. Ele estava em Humboldt County naquele período, atuando como cantor voluntário na rádio de Oreca. Havia uma conexão geográfica e pessoal direta com as vítimas. Enquanto a polícia estava investigando, Guy, em 1963, um homem preso chamado Gayle Patrick Irish confessou os crimes de 1950, descrevendo em detalhes como havia encontrado o casal, forçado Henry a se despir, atirado nele e depois levado a Barbara para uma estrada de exploração florestal.
Mas quando levaram Irish ao local indicado, o corpo da Barbara não foi encontrado. A confissão foi considerada não substanciada, mantendo o caso em aberto, com Irish e sendo suspeitos. O corpo da Barbara nunca foi encontrado. Mas o que é inegável nesses dois casos é um padrão, né? As roupas cuidadosamente dobradas, uma cena arrumada, né? Completamente montado daquela forma, uma mulher desaparecida, um corpo nunca encontrado. As três cenas eram muito parecidas.
Essa primeira, em 1950, né? No Humboldt County, do jovem casal. Em 1960, em Seattle, que seria a Mance e a sua filha Dolores. E em 1974, 4 nas dunas. Então a gente tem esses 3 casos muito semelhantes. E aí, voltando, né, a ordem cronológica, depois que ele sai da prisão, ele volta com a Evelyn, mas o casamento não dura muito. Eles até chegaram a se casar uma segunda vez em 1963, em Los Angeles, mas depois eles se separam de vez.
Nos anos seguintes, o Guy basicamente desapareceu dos registros públicos, até que em 16 de fevereiro de 1974 ele se casa com a Terri Marie Vizina, um dos nomes que a Ruth usava. Então eles se casaram em Reno, em Nevada. O Guy tinha 50 anos, era o quarto casamento dele, e a Terri tinha 37. Como essa época da vida dela não é muito conhecida, não se sabe como eles se conheceram, como eles começaram o relacionamento, quanto tempo eles ficaram juntos até decidir se casar, se a Terri sabia sobre o passado dele, que ele já tinha sido preso.
É possível que ele tenha conseguido esconder tudo isso dela usando o charme dele, O que era uma coisa que ele já tinha conseguido fazer antes. Enquanto a família da Ruth não sabia sobre nenhuma dessas coisas. Já que ela tinha saído da cidade e não tinha aparecido mais, né. Depois, ela aparece uma única vez com ele. E depois disso, desaparece pra sempre. Aquela última viagem no Tennessee, ela disse que os dois seguiriam pra Massachusetts.
No verão de 74, o Guy foi visto dirigindo o carro da Ruth, mas ele estava sozinho. Ele tinha dito pra algumas pessoas que ela tinha morrido. E quando o Jim, que é meio irmão da Ruth, foi atrás dele pra perguntar o que tinha acontecido com ela. Mas aí, ele dá uma nova versão, ele não fala que ela tinha morrido. Que eles brigaram na lua de mel e que ele não tinha mais ouvido falar nela. A família decidiu contratar um detetive particular que volta com outra história.
Ele fala que ele descobriu que a Ruth tinha se envolvido em um culto religioso e que ela tinha partido por vontade própria. Então a família acredita nisso, ela era adulta, né, ela podia fazer isso se ela quisesse. Então eles pararam de procurar por ela por um tempo. Em outubro de 75, um ano depois de matar a Ruth, o Guy se casou pela quinta e última vez. A mulher se chamava Phyllis Georgina Smyer, professora de arte respeitada em Los Angeles.
Nos anos 80, eles se mudaram para Salinas, na Califórnia. E aí, em 1985, o Guy foi tema de uma reportagem no jornal The Californian sobre o seu programa de rádio voluntário. O programa se chamava Talk to Me e tratava de temas como envelhecimento. O artigo mencionava que Guy havia dedicado um episódio ao que chamava de sua crença de que matar se tornou um hábito na América. A ironia era de uma crueldade quase inacreditável. Ele e a Phyllis ficaram juntos até a morte dele em março de 2002.
Rudd morreu aos 78 anos sem nunca ter sido responsabilizado por nada além de uma fraude. Ele foi cremado. O obituário no The Californian o descrevia como artista, ator e poeta. Não mencionava esposas desaparecidas, filhos ou suspeitas de assassinato. Já Phyllis, a sua última esposa, morreu em novembro de 2021, aos 86 anos. Menos de um ano depois, o FBI anunciou que o marido havia sido assassinado e não havia mais ninguém do lado dele para enfrentar essa verdade.
Depois que Rudd foi identificado, em outubro de 2022, a Polícia Estadual de Massachusetts assumiu formalmente a investigação Seattle. Em novembro de 2022, apenas 2 dias depois do anúncio, os investigadores tornaram público o nome do Guy como pessoa de interesse e emitiram um pedido por informações sobre o paradeiro do casal entre 73 e 74, especialmente em Massachusetts e em Cape Cod. Era a primeira vez em 48 anos que a investigação tinha um nome concreto para trabalhar.
Através da investigação, os detetives confrontaram o padrão de comportamento do Guy com o que havia acontecido em Seattle em 1960. As mesmas características, mesma sequência, mesma negação.
E por 10 meses trabalharam reunindo e verificando cada elemento.
A identificação também reacendeu a teoria do filme Tubarão. Só que essa teoria nunca pôde ser confirmada porque não há registros de figurantes daquela produção. Então, acabou sendo uma coincidência não resolvida, uma das muitas que cercam esse caso. Já as demais peças se encaixam completamente. O Guy tinha conexões familiares profundas com Provincetown, conhecia as dunas de Race Point desde criança. Ele havia se casado com a Ruth em fevereiro de 1974.
O corpo dela foi encontrado em julho daquele ano. O Guy volta da lua de mel dirigindo o carro dela. Ela ia alegando pra algumas pessoas que ela havia morrido e pra outras que ela tinha desaparecido depois de uma briga. E também havia o livro. 2 anos depois de matar a Ruth, o Guy publicou um livro chamado Cooking with Rump Oil, apresentado como um livro de culinária nonsense. Uma das receitas dele se chamava Cape Cod Shit e descrevia com detalhes perturbadores como capturar e desmontar uma criatura de cabelo comprido.
Uma ex-investigadora do FBI, segundo reportagem do NBC Boston, analisou o livro e concluiu que o desmembramento parecia ter uma importância particular pra ele. No dia 28 de agosto de 2001, de 2023, o escritório do promotor distrital de Cape das Ilhas, liderado pelo promotor Robert Gullibus, anunciou oficialmente que com base na investigação da morte da Ruth Marie Terry, foi determinado que Guy Rockwell Muldoven foi responsável por sua morte em 1974.
O promotor não divulgou os detalhes específicos do que a investigação havia concluído, apenas a conclusão. O caso tava fechado, o Guy já tava morto, não tinha mais nada para processar. O caso da Ruth também levou os investigadores a examinar se o Guy poderia ter cometido outros crimes além do que Gai já era conhecido, já que o paradeiro dele após 1963 até 1974 nunca foi completamente reconstituído. Então são 11 anos quase sem nenhum registro público.
O Richard, filho da Ruth, que nunca conheceu, deu uma entrevista depois do anúncio e disse que não conseguia acreditar quando descobriu quem era sua mãe e que agora estava descobrindo onde ela estava e o que havia acontecido com ela. Ele disse que quando leu sobre a conexão do Gai com o desaparecimento da esposa e da enteada em Seattle, ele sentiu arrepios. A família da Ruth no Tennessee fez uma reunião em Whitewell depois da identificação.
Então os meio-irmãos, sobrinhos, cunhadas que haviam esperado por décadas por notícias se reuniram. O Richard viajou de Michigan para conhecê-los pessoalmente. Era a família que a Ruth havia deixado para trás anos antes, quando saiu de Whitewell ainda jovem, e que nunca havia parado de se perguntar o que havia acontecido com ela. Em 2024, o Richard foi a Provincetown colocar uma lápide no túmulo da sua mãe. Ele mandou gravar o nome dela, os anos do nascimento e da morte, e as palavras "Dama das Dunas".
Depois, espalhou algumas cinzas dela nas dunas onde o corpo havia sido encontrado 50 anos antes. Aquela era a primeira vez que alguém ia até ali por ela. Não como investigador, não como perito, repórter ou até curioso, mas sim como filho. Depois de quase 50 anos sendo a Dama das Dunas, Ruth finalmente pôde voltar pra casa com seu nome. Esse é um—
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Já contei muitos nos anos anteriores, porque tem vários sendo solucionados, né, com essa tecnologia. E eu quero muito saber o que vocês acharam. Eu achei muito incrível que depois de tanto tempo eles conseguiram essa identificação, né. Apesar de tudo que aconteceu pra que isso não se realizasse, eles conseguiram fechar o caso. A parte mais triste é que o Guy já tava morto, tanto ele quanto a esposa dele. Então, não tinha ninguém pra eles contarem toda essa história, né.
Não tinha ninguém pra ser processado, pra ser condenado. Então, ele ficou preso só 13 meses por um crime muito menor, que era fraude, né? Muito menor do que os assassinatos que ele cometeu, né? Provavelmente mais de um. Eu acredito que não só o da Ruth, mas os outros que eu citei pra vocês também. Então ele nunca pagou por isso. E eu quero muito saber o que vocês acharam. Então me conta aqui nos comentários. E não esquece do like, me ajuda muito na divulgação do vídeo.
E é isso. Pra mais casos, siga o podcast Quinta Misteriosa. E aproveite pra avaliar em 5 estrelas se você gostou. Obrigada por ouvir e até o próximo caso.