A MACKENZIE SHIRILLA PLANEJOU O ACIDENTE? #601
Em 31 de julho de 2022, dois jovens morreram numa batida a quase 160 km/h contra um muro de tijolos em Strongsville, Ohio. A motorista sobreviveu. No início, parecia um acidente trágico. Mas quanto mais a polícia investigava, mais a história mudava — e o que encontraram nas mensagens, nas câmeras e no computador de bordo do carro transformou um caso de trânsito num processo por homicídio doloso. #601
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- Caso Mackenzie ShirillaO acidente fatal · Mackenzie Shirilla · Dominick Anthony Russo · Davion Markel David Flanagan · Strongsville, Ohio · Investigação policial · Mensagens e dados do celular · Julgamento e veredito
- Investigacao Forense e ProvasMackenzie Shirilla · Polícia de Strongsville · Promotor assistente Tim Troup · Câmeras de vigilância · Event Data Recorder (EDR) · Celulares das vítimas
- Julgamento e CondenaçãoMackenzie Shirilla · Juíza Nancy Margaret Russo · Bench trial · Homicídio doloso · Sentença de 15 anos
- Relação de Mackenzie e DominicMackenzie Shirilla · Dominick Anthony Russo · Relacionamento tóxico · Violência doméstica · Mensagens e ameaças
- Estado de saúde das vítimasDominick Anthony Russo · Davion Markel David Flanagan · Família Russo · Família Flanagan · Sonhos e aspirações
- Vida no presídio de TremembéMackenzie Shirilla · Ohio Reformatory for Women · Autodisciplinares · Declarações em documentário · Família Shirilla
- Apelações e recursosMackenzie Shirilla · Tribunal de Apelações do 8º Distrito de Ohio · Supremo Tribunal de Ohio · Síndrome de ataque cardíaco postural ortostática (POTS)
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Dominick Anthony Russo nasceu em 24 de setembro de 2001 em Strongsville, Ohio, o caçula de 7 filhos de Christina Agnello e Frankie Russo. Antes dele vieram Angelo, Christopher, Christine, Nicole, Michael e Frank Jr. Uma família grande e barulhenta italiana que criada dentro da mesma casa em Strongsville. A diferença de idade entre os irmãos era considerável. Quando Dominique nasceu, Don, como eles chamavam ele, a irmã mais velha Christine já tinha 13 anos.
Ela ajudou a criá-lo quase como uma segunda mãe, e em 2022 ela já tinha filhos. O casamento dos pais não resistiu ao tempo. O Frank e a Christine se separaram em algum momento durante os anos de crescimento dos filhos, mas ambos continuaram próximos das crianças. Para quem conhecia o Don, era fácil defini-lo: engraçado, inteligente, ambicioso e completamente presente quando estava com quem amava. Os irmãos descreviam alguém que fazia todo mundo Sorri, que tinha o maior sorriso no rosto, que era o tio mais dedicado que os sobrinhos poderiam ter.
O Dom gostava de basquete, de tênis, era obcecado por tênis desde pequeno, e de música. Ele tinha um estúdio montado em casa onde ele e os amigos gravavam faixas. Depois do ensino médio, fundou sua própria marca de roupas e começou a investir em ações e criptomoedas. Ele tinha 20 anos de idade e estava, nas palavras da irmã, literalmente começando a sua vida adulta. Na madrugada de 31 de julho de 2022, antes de sair para uma festa de formatura, ele mandou uma mensagem para o pai dizendo que o amava.
Aquela foi a última mensagem que ele enviou. O Davion Markel David Flanagan nasceu em 11 de março de 2003, o mais velho de 3 irmãos. Ele e suas irmãs, Davine Isabelle e Dahlia Rose, tiveram uma infância difícil. Os pais biológicos lutavam contra o vício em substâncias e não conseguiram criar os filhos. As crianças passaram pelo sistema de acolhimento antes de encontrar estabilidade. Quando o Davion tinha 8 anos, ele e as irmãs foram adotados por Scott e Jamie Doyle Flanagan, que os criaram numa casa amorosa e presente.
O Scott faria questão de contar anos mais tarde o tipo de pessoa em que o Davion se tornou. Segundo ele, ele era amigo de todo mundo na escola.
Não havia um grupo ao qual ele pertencesse.
Diz, ele simplesmente dava amor a todos, fazia as pessoas se sentirem ouvidas e percebidas. Quem o conhecia descrevia ele sempre do mesmo jeito: sorriso largo, coração generoso, à disposição de estar presente para qualquer pessoa que precisasse. No colégio, ele foi o running back titular do time de futebol americano do Strongsville High School, um atleta de verdade com sonhos de bolsa universitária e talvez de NFL. Perto do fim do ensino médio, porém, ele rompeu o ligamento cruzado anterior e o ligamento colateral, encerrando as perspectivas atléticas que ele tanto cultivara.
Segundo Scott, essa lesão mudou os rumos do Davion. Ele buscou novos caminhos e se aproximou de um círculo diferente de amigos, incluindo o Dom e a Mackenzie, que eu já vou falar sobre ela. O Davion reorientou seus planos com a mesma determinação que ele colocava em tudo. Depois de se formar, ele começou a trabalhar em tempo integral enquanto se inscrevia no Allstate Hairstyling and Barber College em Cleveland, com a intenção de começar o curso de barbeiro no outono de 2023.
Ele queria abrir a própria barbearia e também explorava o lado criativo como rapper e compositor ao lado do seu amigo Dom, que como eu falei para vocês, tinha um estúdio em casa. Então, a terceira pessoa desse caso é a Mackenzie Sharilla. E ela nasceu no dia 2 de agosto de 2004, em Strongsville também. Ela cresceu numa família de classe média, com os pais Natalie e Steven, e a irmã mais velha, Danielle. O seu pai Steven trabalhava como professor de arte e mídia digital na escola católica Mary Queen of Peace.
A família era muito unida. Na adolescência, a Mackenzie construiu uma presença considerável nas redes sociais. Ela mantinha uma conta ativa no TikTok e no Instagram, publicando vídeos sobre seu estilo de vida e roupas. Diversas empresas enviavam produtos pra ela avaliar e divulgar. Ela tinha uma estética cuidada, um número crescente de seguidores investidores e claramente sabia navegar pela lógica das plataformas. Segundo alguns amigos do Dom, a Mackenzie tinha uma reputação na escola.
Ela era vista por alguns como uma mean girl. Ela começou a namorar o Dom quando ainda era caloura no ensino médio. Ele era 3 anos mais velho que ela e o relacionamento se solidificou rápido. Não demorou muito para que ela se mudasse para uma residência adjacente à casa da mãe do Dom. Por fora, o casal projetava a imagem de um amor intenso e inabalável, e por dentro a história era outra. A Mackenzie e o Dom foram namorados por 4 anos.
Segundo o pai dela, os dois começaram a planejar casamento e eram praticamente inseparáveis. Cozinhavam juntos, compravam roupas, passavam a maior parte do tempo nas casas um do outro. Mas por baixo dessa fachada, o relacionamento carregava uma tensão que só foi se tornando mais visível com o tempo. A Christine, que é a irmã do Don, disse que desde o primeiro momento que ela conheceu a Mackenzie, ela sentiu algo estranho. Ela disse que ela chegou e não cumprimentou ninguém, ela passou direto por todos eles, não se apresentou, foi direto pro Don.
E ela disse que com o passar do tempo, o relacionamento deles foi ficando cada vez mais tóxico. Nas mensagens que eles trocavam, havia um padrão ali que dava pra perceber nas brigas e a forma como um falava um outro. Nesse momento, as coisas que eles falavam eram perturbadoras. A Mackenzie, ela sempre recorria a umas coisas bem pesadas. Dava para perceber ali desespero e hostilidade. Então a Mackenzie falava que ela tava com tanta raiva que ela seria capaz de matar alguém, que ela tinha ódio dela mesma, e que o Dom fazia ela se sentir feia e até sem valor.
Então o Dom já tinha falado com ela nas mensagens que ele sentia que ela tinha um problema de controle de raiva, uma coisa que ela própria admitiu. Ela também disse que se ele terminasse com ela, se ele a deixasse, ela iria surtar. Já O Dom, ele tentou estabelecer algumas pausas durante o relacionamento deles. Então, algumas vezes ele sugeriu que eles dessem um tempo, que eles precisavam cada um ficar em um canto. Ele disse que seria bom se ela tivesse amigos, se ela conseguisse construir algumas amizades.
Ele dizia que tinha alguma coisa ali que não tava funcionando. Segundo o irmão do Dom, ele tentou se distanciar várias vezes, ele tentou terminar com ela várias vezes. Mas no fim das contas, eles sempre continuavam juntos. Além desses episódios das brigas e dessas coisas que eles falavam, também havia episódios de violência. Mackenzie teria tentado golpear o Dom no olho durante uma discussão. E em outro momento, ela tentou arrombar a porta da casa dele quando ele não deixou ela entrar.
Inclusive, esse episódio que ela tentou arrombar a porta, o Dom conseguiu gravar no celular. Então dá pra ouvir ela batendo na porta, xingando, gritando, chamando ele de vários nomes, ameaçando riscar o carro dele. E aí, ele para de gravar e liga pra mãe dele pedindo ajuda. Na primeira quinzena de julho de 2022, a situação deles chegou num ponto crítico. A Mackenzie tava dirigindo na Interestadual 71 com o Dom ao seu lado no carro, quando eles começaram a discutir.
No calor da briga, ela ameaçou bater o carro. E aí, o Dom ligou pra mãe dele, pedindo que a mãe dele fosse buscá-lo. E um amigo dele também foi até lá. Então, quando esse amigo chegou, ele encontrou o carro parado no acostamento. E ele viu a Mackenzie batendo no Dom com as mãos. O Dom saiu do carro dela. E aí, ele entrou no carro do amigo, foi embora, a briga acabou ali. Mas foi uma coisa que ficou registrada. Lembrando que isso aconteceu na primeira quinzena de julho.
Então, a gente tá indo agora pro final de julho, no dia 30. No dia 30, Mackenzie, o Dom e o Davion saíram juntos. Juntos, eles foram em uma festa de formatura de uma amiga dela chamada Kelly. Isso era por volta das 22:15 da noite. Eles ficaram menos de uma hora nessa festa e foram para casa de outro amigo chamado Paul e chegaram lá por volta das 23:00 da noite. O clima ali na festa era bem tranquilo. A Rosie Graham, que era a melhor amiga da Mackenzie, estava nessa festa junto com o namorado dela chamado Bubba Turner, que também era amigo ali da Mackenzie, do grupo.
Então ela descreveu uma noite super tranquila, disse que tava todo mundo bem, que não houve nenhum tipo de briga, que eles estavam vendo vídeos no YouTube, que ela levou uns livros para colorir, que tava tudo super tranquilo. Naquele dia, eles cogitaram usar alguns cogumelos que a Mackenzie tinha levado, mas já tava um pouco tarde, então decidiram não fazer isso. Segundo a Rosie, alguns amigos ali naquela noite fumaram maconha, mas que a Mackenzie não era uma dessas pessoas porque ela tava dando uma pausa.
Por volta das 5 horas da manhã, a Mackenzie, o Davion e o Dom saem da casa do amigo deles. E aí esse amigo fala para o Davion que se ele quiser dormir ali na casa dele, tudo bem, porque ele tinha um compromisso logo pela manhã. Mas ele disse que não queria, que ele queria ir para casa, queria tomar um banho e dormir na própria cama. Então ele ainda no carro da Mackenzie. Ela tava dirigindo, o Dom estava do lado dela e o Davion no banco de trás.
Às 5:35 da manhã, o aplicativo Live 360 do Davion ainda mostrava atividade. E aí, 5:36, um minuto depois, acontece a batida do carro. Então, às 5:36 da manhã daquele dia 31 de julho de 2022, a Mackenzie dirigia um Toyota Camry preto e ela saiu da Progress Drive, cruzou a grama, passou pelo cruzamento com Alameda Drive, derrubou a placa de um estabelecimento e bateu de frente contra a esquina do edifício número 11.792 na Alameda Drive.
O vídeo de vigilância que seria exibido em tribunal meses depois capturou os segundos finais. O carro faz uma curva controlada para entrar na Progress Drive, uma rua reta e deserta àquela hora. O limite da rua era 35 mph, então ela acelera. O perito da Patrulha Rodoviária Estadual de Ohio calcularia, com base no vídeo e nos dados do veículo, que o carro atingiu uma média de 97,8 mph, que seria em quilômetros quase 157 km/h naquele trecho.
Em nenhum momento os freios foram acionados. A parte do veículo que fez o primeiro contato com o muro foi o lado do passageiro, que era onde o Dom estava sentado. O velocímetro congelou em 72 mph, que é milhas por hora, no momento do impacto. O dano frontal foi tão severo que o veículo foi praticamente partido ao meio. Todos os airbags dispararam. A chamada de emergência chegou à central de despacho de Strongsville às 6:15 da manhã, quase 40 minutos depois do impacto.
Os primeiros agentes chegaram poucos minutos depois. O que eles encontraram não se parecia com nenhum acidente de trânsito comum. Pela rádio, um dos policiais reportou que o carro havia partido ao meio e disse que era o pior acidente que ele já tinha visto em sua vida. Eles correram pra quebrar as janelas do veículo e encontraram dois ocupantes. Até que um deles percebeu que havia uma terceira pessoa ali dentro. A Mackenzie estava entre o banco do motorista e a porta.
Ela tava inconsciente, mas estava respirando. Os bombeiros precisaram usar o equipamento de desencarceramento, as chamadas mandíbulas da vida, pra retirá-la do veículo. Ao ser retirada, ela gritou de dor. O Davion foi o segundo a ser retirado do carro. Ele apresentou um breve pulso, mas tava muito fraco. E ele foi declarado morto dentro da ambulância. Um dos policiais o reconheceu. Porque ele conhecia o running back do time de futebol da escola.
O Don foi confirmado morto no local. Um dos agentes, ao ver o corpo dos dois jovens, disse em voz baixa que esse seria um dia de pesadelo para todo o departamento. A Mackenzie foi transportada de helicóptero para o MetroHealth Medical Center e passou por múltiplas cirurgias. Ela teve três costelas quebradas, o fêmur fraturado, laceração no fígado, laceração no rim e uma fratura no braço esquerdo que rompeu o tendão do tríceps.
As duas artérias carótidas também sofreram danos. Enquanto ela estava em cirurgia, seus pais foram encaminhados ao hospital. Um agente se dirigiu até lá para encontrá-los e percebeu que eles ainda não sabiam que havia outras pessoas no carro além da Mackenzie. Antes de se aproximar da sala de espera, ele murmurou uma oração em voz baixa. Quando confirmou que Don estava entre os mortos, o Steven, pai da Mackenzie, apertou o coração com as mãos e a Natalie, mãe dela, cobriu o rosto.
Enquanto Don e o Davion eram velados, a Mackenzie estava no hospital se recuperando e durante todo o tempo que ela ficou lá, ela continuou postando nas nas redes sociais. Então, ela postava vídeos mostrando a sua recuperação, mostrando o quarto cheio de presentes e cartões. Desde os primeiros dias da internação, ela postou tudo. Inclusive, ela postou um vlog no dia que ela recebeu alta do hospital. Então, ela mostrou ela mesma na cadeira de rodas, saindo do hospital, sendo empurrada pela mãe, usando avental, colar cervical, ela tinha uma flor no cabelo.
Tudo isso foi filmado por ela e postado. Nas semanas seguintes, o comportamento dela nas redes sociais começou a chamar atenção. Ela fazia vários posts, então ela publicava fotos dela e do Dom dizendo: que tava morrendo de saudades, publicando textos de amor pra ele. Ela fez posts do baile de formatura com foto dos dois e tudo mais. Então, pra muitas pessoas, aquilo ali era apenas uma adolescente que estava em luto. Só que aí, outros posts que ela fez foram recebidos de forma bem diferente.
Semanas após o acidente, a Mackenzie publicou um vídeo onde ela e o pai do Dom, né, do namorado dela que morreu, estavam com um tabuleiro ouija. Em magia. Então parecia ali que eles estavam tentando algum contato com o dom. Enquanto isso, várias marcas começaram a entrar em contato com ela, buscando parcerias e coisas do tipo. Teve alguma marca que comentou em um post dela e ela respondeu com muito entusiasmo. Isso fazia pouco tempo depois do acidente.
E aí ela disse que tinha ficado muito feliz, que ela adoraria ter uma parceria com a marca. O Scott, que é o pai adotivo do Davion, viu ela responder nesse comentário e disse que alguém sem consciência, alguém que tinha matado duas pessoas num acidente de carro, não estaria fazendo postando comentários daquele tipo, mostrando estar feliz, entusiasmada com uma parceria de roupas. Em outubro de 2022, ou seja, 3 meses após a batida, a Mackenzie foi a uma festa de Halloween.
Ela e as amigas chegaram na festa com uma maquiagem de cadáver. E aí, uma amiga explicou que elas estavam fazendo uma homenagem ao rapper playboy Cordy, por isso que elas estavam com essa fantasia. Mas o Scott, né, o pai do Davion, disse que aquilo era super de mau gosto, né. Depois de ter matado duas pessoas, se fantasiar de cadáver era uma coisa que eles simplesmente não deixaram passar. Eles disseram que estavam enojados até o fundo da alma com o que ela tava fazendo.
E enquanto a família do Davion tava vendo ela dessa forma, a família do Dom ainda não estava. Eles estavam acreditando na Mackenzie que tinha sido um acidente. E eles não conseguiam ver esses posts com nenhum outro olhar, senão uma jovem em luto. Então, o pai do Dom e a irmã do Dom ficaram do lado da família da Mackenzie, do lado dela. Enquanto a mãe do Dom já estava desconfiando desses posts, achando um pouco estranho. O Frank, por exemplo, só começou a mudar um pouco a visão sobre a Mackenzie quando ele viu aquele vídeo que o próprio filho dele, né, que o Don tinha gravado dela tentando arrombar a porta.
E nisso já estavam acontecendo algumas investigações sobre o caso. E aí a polícia ia reunindo cada vez mais evidências. Foi nesse ponto que eles começam a mudar, né, a forma como eles estavam vendo a Mackenzie. No dia que o acidente aconteceu, a polícia de Strongsville tratou aquele acidente como que ele parecia ser, que era um acidente de carro. Tanto que o legista classificou a causa da morte do Davian e do Don como acidental.
Havia muito sangue na cena, 2 mortos e uma sobrevivente que tinha ficado muito machucada. Então, o que parecia ali era realmente um trágico acidente num primeiro momento. Mas os investigadores, desde o início, começaram a achar as coisas um pouco esquisitas. Então, o primeiro sinal que foi uma bandeira vermelha pra eles, assim, foi o local em que o acidente aconteceu. Era uma rua que a Mackenzie nunca pegava, então não era rota dela para ela estar naquele lugar naquele momento, né, 5 e pouco da manhã.
E era um local muito deserto, e além disso não havia nenhuma marca de freio do carro em todo o trajeto. Então para eles era muito estranho que ela não tivesse tentado frear o carro. Além disso, o carro tinha ido em linha reta, então em nenhum momento o carro virou, ela perdeu o controle do veículo. Dava para claramente ver que o carro tava indo reto em direção àquele muro. Então a polícia de Strongsville decide encaminhar o caso ao departamento de investigações, e eles também acionaram contrataram o promotor assistente Tim Troup.
Um ponto de virada veio quando eles conseguiram as imagens das câmeras de vigilância. Eles mostraram essas imagens para o Tim, porque até então eles estavam lidando ali com um acidente e algumas coisas estranhas que eles estavam percebendo, como não ter as marcas de freagem, que foi uma coisa que eu falei para vocês. Mas o vídeo mostrava algo muito mais perturbador que isso, porque dava para ver a Mackenzie fazendo uma curva completamente controlada, depois acelerando o carro de forma deliberada por quase meio quilômetro antes da vida.
Então o que parecia para eles ali é que aquilo não tinha sido um acidente, que ela tinha acelerado muito o carro e andado naquela linha reta até bater o carro naquela parede, naquele muro. Depois de perceber isso, vieram alguns dados técnicos. Dentro de veículos modernos tem o event data recorder, que seria como uma caixa preta de avião. Ali indicava que a Mackenzie estava com o pé no acelerador, pressionando o acelerador no máximo, e que os freios nunca foram acionados até 4,5 segundos antes da batida.
Um mecânico forense também decidiu examinar examinar o veículo para ver se tinha acontecido alguma pane no carro, algum problema, né, algum tipo de falha mecânica que pudesse explicar o acidente. Ele disse que não havia nada. A direção, os freios e o acelerador do carro estavam funcionando perfeitamente no momento do acidente. Os investigadores também conseguiram alguns dados de GPS que mostravam que a Mackenzie tinha andado ali por aquela área onde o acidente aconteceu dias antes do acidente.
Então ali não era um local que ela costumava passar com o carro. Ele não fazia parte dos trajetos que ela fazia, inclusive ali era uma área mais deserta, uma área industrial, então ela nunca andava por ali. Mas o acidente aconteceu ali, né, naquela área super deserta, e ela visitou aquela área dias antes. Outra coisa que aconteceu também bem interessante é que amigos do grupo, né, dos 3 envolvidos no acidente, acabaram ajudando ali nas investigações de forma completamente espontânea.
Ainda no dia do acidente, a mãe de um dos amigos deles entrou em contato com a polícia para mostrar alguns prints aplicativo Life 360, que mostra ali onde a pessoa tá, né, mostra todos os amigos tinham, então mostra onde cada um deles estava. E ali mostrava o carro voando em direção ao edifício, né, na batida, 145 km/h. E os amigos pelo aplicativo conseguiram perceber que nenhum momento houve uma tentativa de frear o carro, só quando o carro bateu no muro.
Isso foi uma coisa que um dos amigos deles ali explicou para o investigador. Mas foi o conteúdo encontrado nos dos celulares das vítimas que transformou completamente o rumo da investigação. Porque eles já tinham, né, algumas coisas, essas que eu citei para vocês, que eram um pouco estranhas. Mas aí, quando eles pegaram o celular do Don e encontraram as mensagens dele com a Mackenzie, né, tinham mais de 93 mil mensagens, que eles começaram a perceber como era aquela relação entre eles.
Além das mensagens, pior ainda eram os vídeos que eles encontraram. Tinham 3 vídeos mostrando a Mackenzie fazendo ameaça ameaças, gritando, batendo na porta, ela dizendo que ia danificar as coisas dele, né, fazendo várias ameaças verbais para ele. E além disso, teve uma ligação que eu falei para vocês que o Don fez para mãe dele, também para um amigo que foi encontrar com ele. E aí esse amigo viu, né, agressão acontecendo ali no carro.
Então tinham, né, pessoas além dos dois que tinham presenciado essas agressões, e agora tinham as provas em vídeo. A polícia percebe ali que havia um padrão Muitas ameaças, explosões de raiva, e aí pedidos, né, de perdão pelo que ela fez, e depois uma explosão de mensagens de amor e afeto. Aquele era um ciclo que já existia e já durava 2 anos. Então era sempre assim, muita briga, e depois resolviam, e aí ela declarava um amor absoluto.
Dentro do veículo da Mackenzie havia sido apreendido pelos agentes cogumelos uma balança digital, 2 celulares, uma caneta de THC, além de outros itens. E aí os resultados toxicológicos da McKenzie voltaram mostrando que ela tinha THC em seu sistema, em uma quantia que é acima do limite legal em Ohio, mas não tinha nenhuma outra droga e nem álcool. Então, a batida do carro aconteceu em julho de 2022, e em março de 2023, com base em toda investigação e nas evidências levantadas, o legista que tinha colocado, né, a causa da morte do Dom e do Davion como acidental mudou a causa da morte para homicídio.
A promotoria havia chegado a essa conclusão meses antes. Ainda em 2022, no dia 4 de novembro, Em setembro, a Mackenzie tava em uma sessão de fisioterapia junto da mãe dela. A polícia de Strongsville fez uma abordagem na rua, responsável pela investigação se identificou. E então, a detetive comunicou a prisão preventiva por homicídio agravado, né, duas acusações. Tem um vídeo sobre esse momento que foi feito com a câmera corporal da detetive e mostra ali a Mackenzie dentro do veículo chorando.
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Pouco tempo depois o pai dela, o Steven, chega na delegacia. E aí tem imagens disso também, dele falando com os agentes, dele gritando, dizendo que ele queria ver a filha dele imediatamente, que eles não podiam interrogá-la. Ele até chegou a acusar a polícia de ter alguém vigiando a casa deles. E aí o policial lembrou a ele que a filha dele já tinha 18 anos, então ela já era maior de idade, podia falar por si mesma. E o pai dela respondeu que sim, mas ela era uma idiota de 18 anos.
Então a Mackenzie foi mantida no centro de detenção juvenil. Legalmente ela já era maior de idade, mas como o acidente tinha acontecido meses antes. Na época, ela ainda tinha 17 anos. Então, na época do acidente, ela era menor de idade. O que gerou uma discussão entre jurisdição. Isso é uma coisa que acontece muito nos Estados Unidos, porque tem vários counties, né. E aí, cada um tem a sua própria delegacia. Então, às vezes, o que uma jurisdição faz, a outra não faz.
Isso acontece muito nos casos, especialmente quando o caso— a pessoa mora em um lugar, mas o caso aconteceu em outro, mesmo sendo muito perto. E aí, Enfim, isso aconteceu porque ela era menor de idade, mas foi culpa da jurisdição. Então eles estavam discutindo se ela deveria ou não ser julgada como adulta, o que acabou acontecendo. Mas a audiência formal da Mackenzie, né, onde as acusações legais são lidas e aí o acusado pode se declarar culpado ou inocente, só aconteceu em abril, ou seja, 5 meses após a prisão preventiva.
E aí aconteceu via Zoom. A Mackenzie apareceu ali, se declarou inocente, e foi estabelecida uma fiança para ela de $500 mil. A família dela não pagou esse valor, então ela continuou presa. E foi nessa audiência que a juíza Nancy Margaret Russo foi designada para o caso, e uma ordem de não contato com as famílias das vítimas foi emitida. A mãe do Davion tava presente na audiência e ela pediu para juíza, para ela poder falar. Então ela pede a palavra e fala diretamente para juíza que ela e a família dela acreditam que a Mackenzie era uma ameaça para si mesma e também para a comunidade, que ela não deveria ser solta.
O julgamento da Mackenzie foi marcado para agosto de 2023. A promotoria depositou evidências adicionais, incluindo aquela legista, onde ele muda a causa da morte de acidental para homicídio. O julgamento começou no dia 7 de agosto de 2023 e foram 4 dias. Uma das primeiras decisões que a McKenzie tomou foi a de abrir mão do júri popular. Em Ohio, os réus têm o direito de optar por um bench trial, no qual o veredito é decidido exclusivamente por um juiz, e a defesa dela fez essa escolha.
Então ela não teria um júri. A juíza Nancy Margaret Russo, que não tinha nenhuma relação de parentesco com a família Russo, seria a única a decidir o destino da McKenzie. A família do Dom estava sala, o Frank e a Christine haviam chegado no primeiro dia do julgamento ao lado da família Sherrilla, ainda acreditando ou tentando acreditar na versão do acidente. Foi durante os 4 dias de julgamento, ao tomar contato com todas as provas, né, que eles reuniram, que a posição deles mudou.
Então, o que eles viram naquela sala não era compatível com o que havia sido contado para eles. A promotoria apresentou o caso camada por camada: o vídeo de vigilância, os dados do carro, as mensagens de texto, os depoimentos de familiares e investigadores. E entre as evidências comportamentais, o promotor levou ao tribunal o TikTok que a Mackenzie tinha publicado antes do crime, em que ela dizia ser o tipo de garota que consegue tomar muita droga e não morrer.
E as fotos da festa de Halloween, 3 meses depois da batida, em que ela e as amigas apareciam fantasiadas de cadáveres. Para a promotoria, o conjunto compunha um retrato de caráter e a ausência de remorso era parte central do argumento. A defesa sustentou até o fim a tese de POTS, síndrome de ataque cardíaco postural ortostática, um distúrbio que afeta a pressão arterial e pode causar tontura, vertigem e desmaios súbitos. A alegação era que a Mackenzie havia desmaiado no volante, perdendo o controle do carro involuntariamente.
Mas nenhum prontuário médico ou testemunho de especialista foi apresentado para confirmar esse diagnóstico. Os promotores argumentaram que uma pessoa inconsciente não seria capaz de manter o veículo a quase 160 km/h em linha reta até a colisão. A Mackenzie não testemunhou. No dia 14 de agosto de 2023, a juíza leu o veredito. Mackenzie foi considerada culpada em todas as 12 acusações, entre elas 4 de homicídio doloso, número que pode parecer estranho para duas vítimas, mas que reflete uma particularidade do sistema jurídico de— onde o mesmo ato pode ser enquadrado sob mais de uma teoria legal simultaneamente.
Ao anunciar o veredito, a juíza foi direta: as ações da McKenzie foram controladas, metódicas, deliberadas, intencionais e propositais. Aquilo não havia sido direção imprudente, havia sido homicídio. Ela descreveu McKenzie como literalmente um inferno sobre rodas e registrou nas transcrições do tribunal que ela tinha uma missão e ela executou com precisão. Essa missão era a morte do namorado. Uma semana depois, em 21 de agosto de 2023, veio a sentença.
Antes da juíza ler a pena, familiares de ambos ambos lados puderam se pronunciar. A mãe do Dom, a Christine, disse no tribunal que o futuro do seu filho e do amigo dele, do Davian, foram roubados, que suas esperanças, seus sonhos foram roubados, e que a Mackenzie não teve misericórdia deles. Já o Ângelo foi mais direto, dizendo que a Mackenzie matou o Dom com a ideia de perdê-lo e que o Davian foi apenas um dano colateral para ela.
E aí a mãe do Davian também falou, ela disse que o filho dela sempre vai ser muito mais do que apenas uma vítima da Mackenzie, que ele era precioso, tinha uma alma incrível e um coração de ouro. A A irmã dela, inclusive, também falou. E ela disse que ela se sentia paralisada com o que tinha acontecido, se sentindo incapaz de seguir em frente. Então, a Natalie, a mãe da Mackenzie, pediu a palavra pra juíza pra pedir clemência. Ela explicou que ela tinha incentivado a sua filha a sair depois que o acidente aconteceu, a ir em shows e eventos.
Porque ela precisava de um momento de diversão depois de ter perdido o seu mundo inteiro. Sobre o Halloween, ela disse que também foi ela quem pediu pra filha ir nessa festa. Porque ela disse que a Mackenzie já tava 3 meses só em casa chorando sem parar. E que ela achava que a filha que ela precisava de um respiro. Então, durante toda a fala da mãe da Mackenzie, ela sempre falava sobre a dor da Mackenzie, a inocência da Mackenzie, o futuro da Mackenzie.
Em nenhum momento ela cita as vítimas. A juíza até interrompe ela em um momento e fala que ela tava ouvindo muito ela falar sobre a filha, mas pouco sobre as duas vítimas que morreram. A mãe dela, né, a Natalie, respondeu invocando o nome das vítimas e disse que ela queria clemência pela sua filha porque aquele era um acidente, o qual a sua filha não lembrava. Sobre o Davion, ela disse que ele era um amigo novo, uma fala que a juíza não deixou passar.
E aí ela perguntou o que isso significava e se ele ser um amigo novo significava que a vida dele valia menos. E aí nisso a Natalie recua e pede desculpas às famílias. Antes da pena da Mackenzie ser lida, ela decidiu falar em público, né? Até então ela não tinha falado nada. Chorando, ela pediu desculpas às famílias, dizendo que ela jamais deixaria aquilo acontecer de propósito e ela esperava que um dia eles pudessem ver isso. Ela disse que o Dom era o seu parceiro de alma e que ela queria poder arrancar a dor dor das famílias.
A juíza disse entender que a dor naquela sala queria que a Mackenzie tivesse a sentença mais dura, mas que ela não acreditava que seria a sentença mais adequada, porque ela acreditava que a Mackenzie não sairia em 15 anos. Então a Mackenzie recebeu duas penas de 15 anos, penas mínimas, então ela tem que cumprir no mínimo esses 15 anos, com possibilidade de prisão perpétua, que foram fixadas simultaneamente, não somadas, né. Ao encerrar, a juíza explica que para ela só havia uma pessoa culpada naquela sala, e essa pessoa era Mackenzie.
Ela era a pessoa culpada pela dor que todo mundo tava tava sentindo ali, só ela e mais ninguém. E a carteira de habilitação da Mackenzie foi suspensa permanentemente. A defesa da Mackenzie não desistiu, então em setembro de 2023, os advogados dela apresentaram um recurso ao Tribunal de Apelações do 8º Distrito de Ohio. O tribunal rejeitou o recurso e manteve a condenação. O Supremo Tribunal de Ohio também recusou examinar o caso.
Novos advogados então tentaram uma via diferente, alegaram ter perdido o prazo para apresentar um pedido de alívio pós-condenatório por apenas um dia, porque falharam em considerar que 2024 foi um ano bissexto. Com base nisso, em 28 de abril 2026 apresentaram um recurso ao Supremo Tribunal de Ohio argumentando que há evidências médicas de que Mackenzie sofria de uma condição pré-existente que poderia tê-la feito desmaiar ao volante e que a sua defesa original não investigou adequadamente essa possibilidade nem buscou testemunhas especialistas.
A promotoria de Cuyahoga County, que foi onde o caso aconteceu, afirmou que permanece confiante na condenação e que acredita que qualquer tribunal que revise o caso chegará à mesma conclusão. O Supremo Tribunal de Ohio ainda não anunciou se aceitará examinar esse recurso. Esse ano, no dia 15 de maio, a Netflix lançou o documentário The Crash, onde a Mackenzie fala em câmera sobre o que aconteceu. Ela nunca tinha falado com a polícia, ela não testemunhou em seu próprio julgamento, e durante anos após a condenação ela não se pronunciou publicamente.
Esse documentário, dirigido por Garrett Johnson, mudou isso. Na entrevista gravada na prisão com seu advogado presente, ela disse que não tem memória daquela manhã e manteve a mesma versão de que o acidente não foi intencional. Quando confrontada com a questão de como uma emergência médica explicaria o controle do veículo até o impacto, ela disse não saber porque não nenhuma lembrança daquela manhã, mas disse ter certeza de que nada daquilo foi intencional, porque isso não é do seu caráter.
No documentário, a família do Dom também fala pela primeira vez com essa profundidade pública, né. O Frank e a Christine disseram que no começo eles acreditaram na Mackenzie e na família dela, acreditaram que realmente tinha sido um acidente, e só depois eles perceberam que não era bem assim, né, com todas as evidências. E desde a condenação dela, ao todo, eles ficaram 4 anos basicamente sem falar nada. E dessa vez eles, né, aparecem no documentário encerrando esse silêncio público, né, diante das câmeras.
E aí a família da McKenzie também aparece. Os pais dela e duas amigas da McKenzie falam em sua defesa. A Rosie Graham, que eu citei para vocês, que era a melhor amiga da McKenzie, que hoje é influenciadora, e que falou que naquele dia na festa ela tava normal, que tava tudo bem. Então ela aparece falando. E outra amiga chamada Faith Walsh também aparece, ela é uma amiga de infância da McKenzie, ela também estava presente no tribunal.
E todos eles sustentam a mesma versão, que foi um acidente, que a McKenzie teve esse desmaio ali no volante E aí ela apagou e não se lembra de nada. O Steven decidiu falar além das câmeras do documentário e foi em um podcast. Dias depois do lançamento do documentário, ele foi no podcast True Crime This Week. Ele argumentou que não faz sentido nenhum essa tese do homicídio, porque havia mais uma pessoa no carro. Ele disse que se a Mackenzie realmente quisesse matar o Dom, o Daylon não estaria ali junto deles.
Então, se vocês quiserem ouvir, né, esse episódio que o pai dela participa, tem já online. E ele também falou que se a Mackenzie quisesse matar o Dom de propósito, ela usaria outras formas, porque o Don tinha muitas armas. Ele disse que perguntou pra filha se ela fez aquilo de propósito, ela disse que não. E ele disse que também pretende continuar lutando por ela. Uma coisa que eu estive em abordo no documentário é o uso da maconha.
Ele disse que se fosse pra ele escolher uma droga pra filha consumir, seria a maconha. E que aquele não era um problema pra ele, ela fumar maconha. Então essa fala não foi bem recebida, ele acabou perdendo o seu emprego como professor. A escola fez isso porque disse que ele havia mostrado um julgamento inadequado. E aí, ele ficou em licença administrativa, segundo a escola. E aí, depois que tudo isso aconteceu, ele veio falar de novo dizendo que a fala dele foi tirada de contexto.
Ele disse que na fala ele falava sobre redução de danos em relação às substâncias. E que se ele soubesse que a filha estava fumando enquanto dirigia, ele teria tido um problema grave com isso. E outra coisa também é que depois do documentário, a polícia divulgou algumas ligações gravadas entre a mãe da Mackenzie e a Mackenzie. A Natalie avisa a filha na ligação que tava tudo sendo gravado e elas não podiam falar sobre nada. Em outro momento, a Mackenzie pede por um novo advogado, a mãe fala que não, que eles entrariam com recurso.
Em uma ligação separada, a Natalie fala pra filha nunca iria parar. E a McKenzie responde que isso fazia com que ela se sentisse melhor. Especialistas jurídicos apontaram que as falas da McKenzie, né, durante a entrevista do documentário, ao não reconhecer os achados do tribunal e ao se enquadrar como vítima de uma condição médica e logo de uma investigação falha, podem prejudicar a audiência da condicional que ela tem marcada para 2037, quando o conselho espera que ela tenha algum reconhecimento do dano causado, né, por ela.
A McKenzie foi mandada para Ohio Reformatory for Women em Marysville em 31 de agosto de 2023, né. Então, na época, ela tinha 19 anos. Quase 3 anos depois, ela acumula 36 autodisciplinares, sendo culpada em 32 deles. Esses registros que foram obtidos por imprensas locais mostram diversas coisas diferentes. Então, por exemplo, em uma busca em setembro de 2024, encontraram várias coisas no dormitório dela, como 29 frascos de tinta, materiais de artesanato, pingentes para joias e uma pilha de dinheiros Monopoly.
Em outubro do mesmo ano, eles viram que as roupas dela foram alteradas para que ficassem melhor no corpo um pouco mais justas. Um ventilador foi encontrado também, que aparentemente seria de outra presa, e revistas de nudez. Já em janeiro de 2025 foram encontrados remédios não prescritos para ela e uma foto que os agentes descreveram como contendo o uso de drogas. A Mackenzie alegou que os comprimidos eram vitaminas pré-natais que ela pegou de outra detenta.
Mas o que mais chamou atenção de tudo isso foi o relato de uma detenta que esteve lá junto com ela. Essa ex-detenta se chama Cat Crowder, e ela disse que a Mackenzie falou para ela que na noite do acidente, né, naquela madrugada, ela tinha consumido os cogumelos. Essa é uma afirmação de fonte única, não verificada oficialmente, e que contradiz o laudo toxicológico da Mackenzie, que eu falei para vocês que só mostrava maconha, né.
Mas essa afirmação integra o conjunto de várias contradições sobre esse caso. Essa ex-detenta disse que a Mackenzie é famosa dentro da prisão, que ela altera suas roupas, ela sempre tá com o cabelo feito, com maquiagem feita, sempre feliz, sempre rindo, e que parece que nenhum momento passa pela cabeça dela que ela tá ali cumprindo duas risca de, né, no mínimo 15 anos a prisão perpétua por ter matado duas pessoas. Ela disse que os pais financiam ela dentro da prisão, então eles mandam dinheiro, mandam roupas, maquiagem.
E depois que o documentário foi ao ar, surgiu uma segunda voz de outra ex-detenta. O nome dela é Cheyenne Topping. Ela afirma ter tido um relacionamento com a Mackenzie dentro da prisão, e ela descreveu como uma jovem que acordava cedo para fazer o seu cabelo e sua maquiagem, que ela passava o dia todo fazendo projetos de arte pela prisão e que ela dançava toda sexta-feira. Segundo essa detenta, ela nunca viu a Mackenzie triste.
Ela disse que a Mackenzie Ela falava sempre sobre o momento que ela saísse da prisão, como se fosse uma coisa certa que ela ia sair, tudo que ela faria quando saísse. Ela disse que iria para shows, que ela iria viajar muito, que ela se tornaria influenciadora e escreveria um livro sobre o que aconteceu. Ela ainda disse que a Mackenzie tava cadastrada em um site de relacionamento prisional, que era tipo de sugar daddy, onde os presos falam com pessoas de fora e assim eles recebem dinheiro, presentes.
Segundo ela, a família McKenzie trata ela como alguém que não cometeu erro algum, como se o que ela fez não tivesse sido um crime nem nada do tipo. E que a McKenzie herdou exatamente isso deles, porque ela também não enxerga nenhum erro no que ela fez. Então, atualizações do caso do momento, né? Como eu falei para vocês, advogados entraram com recurso. Esse recurso ainda não teve nenhuma resposta do Supremo Tribunal, e a audiência da McKenzie está prevista para acontecer em outubro de 2037.
Então essa audiência é para ver se ela vai o que ela vai conseguir é a possibilidade de liberdade condicional, que pode ser negado, e aí ela pode entrar com recurso várias vezes, e aí vai indo, que acontece em muitos casos. Já as famílias das vítimas tiveram que viver, né, com o luto, com o que aconteceu. A família do Davion criou um fundo memorial de bolsas de estudo em seu nome. Já a irmã do Dom, ela tá tentando conseguir algumas mudanças nas leis de Ohio, porque de novo é muito doido, né, nos Estados Unidos cada estado própria lei.
Então ela quer muito que aconteça em Ohio a lei onde os condenados não possam lucrar com os crimes que eles cometeram. Então no caso, a Mackenzie não poderia lucrar com o crime que ela fez de forma alguma, caso ocorra essa mudança nas leis, né, que são as chamadas leis Son of Sam. Já a irmã do Davion, a Divine, fez vários TikToks depois que o documentário saiu, onde ela fala sobre as coisas que o documentário documentário não quis falar.
Ela disse ter vários documentos físicos do caso que não aparecem no documentário, mas ela não chega a citar quais são. Ela disse que entende que 12 horas de gravação por dia acaba resultando em escolhas editoriais, e ela não culpa a produção da Netflix, mas que em pouco tempo, né, ali são acho que 95 minutos juntando os episódios, simplesmente não tem como contar toda a história nesses 95 minutos, né. Então ela disse em um dos vídeos.
Ela também corrige vários pontos específicos. Um deles é sobre o Bubba, que eu citei para vocês, que ela disse que ele tinha estado como o melhor amigo do Davion. Ela disse que ele não era o melhor amigo dele. Ela disse que não sabe de onde tiraram aquela afirmação e que eles eram amigos, mas estavam longe de serem melhores amigos. Outra coisa que ela revelou é que antes do acidente ela já não gostava da Mackenzie. Ela contou que a Mackenzie foi a primeira pessoa a pressioná-la a fumar maconha, e que quando o irmão dela descobriu, ele ficou furioso.
E que desde aquela primeira interação entre elas, o Davion não sabia o que ela achava da Mackenzie. Já o Scott, que é pai do Davion e da irmã dele, né, que fez esses TikToks, deixa uma pergunta mais dura. Enquanto os pais da Mackenzie continuarem protegendo ela de qualquer responsabilidade pelo que ela fez dentro e fora da prisão, quando ela sair, ela não vai ter entendido verdadeiramente o que ela fez. Segundo ele, uma pessoa que nunca foi confrontada pelas próprias ações não pode mudar.
Ele disse que se a Mackenzie sair da prisão da mesma forma como ela entrou, rodeada de pessoas sempre dizendo para ela que ela não nada de errado, o ciclo vai se repetir. Em Strongsville, né, as duas famílias, a do Don e do Davion, continuam esperando por algo que eles provavelmente nunca vão ter, né, que é uma resposta do que realmente aconteceu naquela noite, que realmente aconteceu naquele carro, né. Isso é uma coisa que só a Mackenzie sabe e que até hoje ela nunca contou, né, já que ela continua afirmando que não se lembra de nada.
Então esse é um caso que eu já contei duas vezes muitas vezes em vídeos curtos que eu posto para vocês lá no Instagram e no TikTok. Então já tinha citado e mostrado o vídeo para vocês nesses TikToks, só que depois que saiu documentário, né, e veio com ela falando e informações novas, decidi trazer aqui no vídeo maior para vocês porque eu achava que tinha pouca coisa.
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Pra um vídeo longo até então, né? Agora só que veio tudo isso. Então quero muito saber o que vocês acharam, vocês pediram pra eu trazer aqui além dos videos curtos. Porque é muito... É muito doido... Que até hoje ela não tenha se responsabilizado por nada, né. E que pareça, segundo as detentas, que ela tá super bem. Que nenhum momento passa pela cabeça dela o que ela fez. E que ela fez uma coisa errada. Então, isso é uma coisa que pra mim, opinião pessoal, já...
Ela já mostrava logo que ela começou a se recuperar, né. Postando todos aqueles vídeos. E muito presente nas redes sociais, e querendo trabalhar. Com marcas, é tudo muito— quando tudo era ainda muito recente, o que é muito esquisito, né, para uma pessoa que supostamente estaria em luto. Então quero saber o que vocês acham, me conta aqui nos comentários. Vocês pediram muito esse caso aqui no canal. Não esquece do like, me ajuda muito na divulgação.
E é isso, para mais casos, siga o podcast Quinta Misteriosa e aproveite para avaliar em 5 estrelas se você gostou. Obrigada por ouvir e até o próximo caso.