O SERIAL KILLER DO GOLDEN STATE #599
Entre 1974 e 1986, um homem aterrorizou a Califórnia. Começou invadindo casas em Visalia para roubar pequenos objetos e assustar famílias. Depois começou a violentar mulheres e a assassinar pessoas. Ficou quarenta e três anos impune. Quando finalmente foi preso, era um homem aposentado vivendo em um subúrbio. A tecnologia o alcançou onde a polícia nunca conseguiu. #599
Speaker B
Gisberta Salsi Jr.
Speaker C
Speaker D
Speaker E
- A Investigação e CapturaDificuldades tecnológicas na investigação · Michelle McNamara e o True Crime Diary · Uso de genealogia genética · Identificação de Joseph James DeAngelo · Coleta de DNA e prisão
- O Saqueador de VisaliaInvasões e roubos de pequenos objetos · Comportamento peculiar e assustador · Evolução para violência e abuso · Morte de Claude Snelling · Tentativa de captura de William McGowan · Retrato falado do suspeito
- O Estuprador da Área LesteNovos crimes em Sacramento · Falta de comunicação entre departamentos · Vítima Phyllis Hanaman · Vítimas Chris Pedrini e Jane Carson Sandler · Assassinato de Brian Keith Maggiore e Katie Lee · Investigador Vaughn e a conexão com Visalia
- O Golden State KillerEscalada de crimes no sul da Califórnia · Foco em casais e assassinatos brutais · Vítimas Charlene e Lehman Smith · Vítimas Sherry Domingo e Greg Sanchez · Vítima Janelle Crews · Parada dos crimes em 1986
- O Julgamento e ConsequênciasConfissão de 13 assassinatos e 51 estupros · Sentença de prisão perpétua · Depoimentos de vítimas no tribunal · Reação das vítimas e familiares · Vida atual de Joseph James DeAngelo · Separação e vida das filhas · Organização de Kris Pedreri
- A Vida de Joseph James DeAngeloInfância e histórico familiar abusivo · Carreira como policial · Casamento e família · Vida dupla como criminoso · Aposentadoria e vida comum
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Voz C:Woo!
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Voz B:[MUSIC] Visalia é uma pequena cidade de fazendeiros na Califórnia Central, entre Fresno e Los Angeles. Era uma comunidade tranquila onde as famílias dormiam com as portas destrancadas, até 1974. Foi aí que começaram os roubos. Um homem invadia casas durante a noite, entrava silenciosamente entra por uma janela que já havia pré-arrombado em visitas anteriores, remexia tudo, vasculhava gavetas, abria armários, revirava o quarto das pessoas. Mas ele não roubava como um ladrão comum. Ele roubava coisas pequenas, uma moeda, uma foto, uma peça de roupa íntima de uma mulher. Deixava os itens valiosos à vista, intocados. Às vezes comia alguma coisa da cozinha, muitas vezes bebia algo da geladeira, permanecia dentro da casa por um tempo considerável como se estivesse se divertindo. E ele organizava coisas de forma deliberada, espalhava roupas íntimas de mulheres pela casa, trocava coisas de lugar, deixava pratos e garrafas estrategicamente colocados contra portas como um sistema de alarme. Se alguém tentasse abrir a porta, os objetos caíam e o alertavam. Entre abril de 1974 e dezembro de 1975, houve mais de 120 invasões em Visalia. Em um raio de 3 milhas ao redor da College of Sequoias, uma faculdade comunitária pública da região, as famílias começaram a ficar aterrorizadas. Não era roubo, era algo pior. Era a sensação de que alguém esteve em sua casa, andou por seus cômodos enquanto você dormia e estava lá observando você. Muitos vizinhos relatavam ter um homem rondando os bairros à noite. Um homem que observava as casas, que procurava por janelas abertas e depois desaparecia nas sombras. A polícia começou a chamá-lo de "saqueador de Visália". O medo cresceu quando as invasões evoluíram pra violência. Havia suspeitas de que ele havia tentado abusar de mulheres e boatos de ataques. A comunidade fechava as portas, trancava as janelas e dormia com alarme. As ruas ficaram vazias à noite e ninguém mais queria sair de casa depois que o sol se punha. O Claude Snelling tinha 45 anos, era professor de jornalismo na faculdade comunitária e ensinava jovens sobre como contar histórias. Como informar as pessoas, como fazer diferença no mundo através de palavras. Ele tinha uma vida com propósito. Ele tinha uma filha chamada Elizabeth, que tinha 16 anos em 1975. Era uma adolescente normal, vivia em Visalia com sua família, ia à escola e vivia rodeada de amigos. Uma noite, o Claude viu um homem observando a janela do quarto da Elizabeth. Depois, ele viu novamente. Já eram duas vezes que esse homem passava por ali e parava em frente ao quarto dela. O Claude tinha tentado pegá-lo, mas o homem havia desaparecido nas sombras. Como jornalista, ele sabia muito mais que as demais pessoas sobre o saqueador de Visália. Ele tinha medo pelo que poderia acontecer com a sua filha, já que agora o saqueador tinha evoluído suas invasões pra tentativas de abuso. E ele sabia que precisava protegê-la. Na noite do dia 11 de setembro de 1975, ele tinha chegado um pouco mais tarde em casa porque ele tinha dado uma aula pra turma da noite. Como de costume, ele chegou em casa e olhou pela janela da cozinha pra ver se tava tudo bem, era uma coisa que ele sempre fazia. E foi assim que ele viu alguém no quintal. Era um homem com a sua filha Elizabeth. O homem tinha arrastado ela pra fora do seu quarto portão que separa a garagem do quintal. Então, ele viu a filha chorando e não pensou duas vezes, ele saiu pela porta dos fundos. E quando ele tava chegando na Elizabeth, o homem empurra ela no chão, ela cai assustada. E aí, ele dispara contra o Claude duas vezes. Ele cai no chão, o homem foge. E a Elizabeth fica lá, desesperada com tudo que tinha acabado de acontecer. Ela viu o seu pai chegando e ela sabia que ele tinha se arriscado pra conseguir protegê-la, né. Naquele momento que ele sai correndo, com certeza ele nem parou pra pensar. E aí, ele é levado às pressas pro hospital, mas ele não sobreviveu. Depois disso, a polícia de Visalia começou a intensificar suas operações. Eles tinham criado uma força-tarefa especial pra conseguir capturar esse saqueador. Observando os bairros, procurando por padrões. Depois da morte do Claude, eles acreditavam que as coisas iam se acalmar um pouco. Mas pelo contrário, os crimes só aumentaram. Deixando todo mundo morrendo de medo em casa. A comunidade estava à beira de um colapso. Até que em dezembro de 75, 3 meses após a morte do Claude, a polícia recebe uma ligação, uma dica de uma casa que eles acreditavam que tava sendo ali observada. E poderia ser a próxima. O saqueador havia sido visto rondando ali aquela casa e havia um padrão, né, que sugeria que ele fazia isso e significava que ele iria voltar. Um detetive chamado William McGowan foi escalado para ficar ali observando a casa, para ficar de vigilância e tentar pegar, né, o saqueador em flagrante. Então foi isso que ele fez, ele ficou observando até que um dia, no meio da madrugada, ele viu alguém tentando entrar na casa. Então ele surpreende esse homem e era justamente o saqueador. Então o que aconteceu depois disso foi tudo muito rápido. Ele tava tentando entrar pela garagem e aí No momento que o William aparece ali, ele tenta ver quem era o homem, mas ele tava usando uma máscara de esqui que cobria todo o seu rosto. E aí o William decidiu dar um tiro de advertência. Então o homem tirou a máscara, ergueu as mãos como se tivesse se rendendo. Quando William se aproximou do homem, ele sacou a sua arma e disparou. A bala acertou uma lanterna que o William carregava. Então vidro e metal explodiram da lanterna pra todos os lados. E alguns pedaços entraram no olho do William, então ele começou a sentir o olho queimar, o sangue escorrer. E ele percebeu que ele tava quase cego. Ele tinha visto o rosto do homem, mas foi tudo tão rápido que ele viu, tipo, por um segundo antes de tudo escurecer. Então não foi tempo suficiente para que ele conseguisse reconhecer o rosto daquele homem. E aí ele fugiu. William foi levado às pressas para o hospital. O olho dele foi tratado e ele conseguiu recuperar a visão, mas ele ficou com sequelas permanentes. E aí, depois que tudo tinha acontecido, ele já tava bem, a polícia queria que ele descrevesse o rosto do saqueador com o máximo de detalhes possível. Ele foi até hipnotizado para tentar lembrar do rosto dele. E aí eles fizeram um retrato falado que foi divulgado pela mídia. Depois disso, os crimes pararam. O saqueador tinha desaparecido, pelo menos era o que eles acreditavam. Sacramento é a capital da Califórnia, uma cidade que cresceu explosivamente após a Segunda Guerra Mundial. Enquanto Visalia era uma pequena comunidade de fazendeiros, os arredores de Sacramento pulsavam com a expansão suburbana. Bairros inteiros nasciam do zero. Rancho Cordova, ao leste, era considerado All American City dos anos 70, repleta de casarões estilo ranch dos anos 60, engenheiros aeroespaciais da Aerojet, que é empresa de defesa, e NASA, e policiais da base aérea de Mather. Famílias jovens, casais recém-casados, crianças pequenas em ruas tranquilas. Citrus Heights crescia rapidamente ao lado, com shopping centers novos, escritórios comerciais, habitações novas em condomínios planejados. A região do East Sacramento também se expandia, com famílias estabelecidas em casas tradicionais. Era uma área de crescimento, otimismo e segurança aparente. Ninguém em Sacramento sabia que um homem havia deixado Visalia com medo de ser capturado. Ninguém sabia que ele estava chegando à região e nem que aquele crescimento tranquilo seria interrompido por algo que a polícia nunca havia visto antes. 6 meses depois que o saqueador de Visalia desapareceu, em junho de 1976, algo novo começou em Sacramento. Começou com roubo de pequenos itens em casas, mas aí escalou pra violência muito rapidamente. Ele acordava mulheres enquanto elas dormiam, tinha uma faca ou uma arma, amarrava as vítimas e abusava delas. Depois ele saía e desaparecia. Ninguém na polícia de Sacramento sabia que era o mesmo homem que havia aterrorizado Visalia antes. Eram cidades diferentes, com departamentos e jurisdições diferentes. A informação não era compartilhada. E na época, os computadores mas também não se comunicavam. Dessa forma, os casos não foram conectados. A primeira vítima conhecida foi a Phyllis Hanaman. Ela nasceu em 1954 e cresceu em Sacramento. Sua infância foi comum: escola, amigos, família. Sua mãe cuidava de casa e o pai saía frequentemente. Era uma vida americana normal e tranquila, onde tudo parecia seguro e previsível. Quando Phyllis tinha 20 anos, sua mãe ficou doente e morreu. Cerca de 18 meses depois, ela voltou a morar com seu pai e irmã na casa onde havia crescido. O seu pai continuava saindo frequentemente. Phyllis e sua irmã cuidavam da casa, trabalhavam durante o dia e tinham uma vida normal. A Phyllis tinha um namorado, amigos e uma expectativa em relação ao futuro. Na noite de 18 de junho de 1976, a Phyllis foi para cama como sempre fazia. Seu pai estava viajando e sua irmã estava em casa em outro quarto. Phyllis adormeceu e quando acordou havia um homem em seu quarto. Ele usava uma máscara de esqui, tinha uma faca e estava sem roupas da cintura para baixo. O homem a amarrou com uma corda que havia trazido, depois procurou no armário da Phyllis e encontrou um cinto. Ele também usou o cinto para amarrá-la. Ele colocou uma pisou na boca dela para silenciá-la, vendou seus olhos, a deixou completamente incapacitada, sem poder falar e sem poder ver, sem poder fazer qualquer coisa. Ele a violentou por horas. No meio-tempo, ele também andava pela casa falando sozinho, conversando como se houvesse outras pessoas ali, fazia barulhos aleatórios, cantarolava. Seus sons ecoavam pela casa enquanto a Phyllis permanecia amarrada e assustada. A sua irmã não ouviu nada. Depois, finalmente, ele foi embora, desaparecendo da mesma forma como havia chegado. A Phyllis conseguiu, com dificuldade extrema, se mover. Ela ainda estava amarrada com os olhos vendados, mas conseguiu se arrastar e chegar até o quarto do pai, alcançando o telefone. Com muita dificuldade, com as mãos ainda amarradas atrás das costas, ela conseguiu fazer uma ligação para polícia e pedir ajuda. Phyllis foi a primeira vítima conhecida do homem em Sacramento, que começou a ser chamado de estuprador da área leste. A Phyllis seria referida em alguns documentos com pseudônimo para proteger sua privacidade. Quando ela falou com a polícia, ela descreveu cada detalhe que ela se lembrava. Ela descreveu como ele andava pela casa e falava sozinho, Ela descreveu como ela viu um homem rondando a sua casa dias antes. E que ela tinha recebido umas ligações anônimas esquisitas. A pessoa ligava, ela ouvia a pessoa respirando pesadamente. E aí, ela desligava. Essas ligações aconteceram mais de uma vez. E aí, a polícia começou a investigar, conversar com vizinhos, né, com os moradores. Pra tentar descobrir alguma coisa. Mas tinha pouco pra investigar, né. Era um homem mascarado, ela não tinha conseguido ver o rosto dele. E era basicamente isso que eles tinham. O caso da Phyllis permaneceu aberto, mas congelado. Então, depois daquele dia, ela nunca mais foi a mesma. Um dia depois da Phyllis ter sido atacada, outra mulher é violentada em outro bairro. Duas garotas estavam sozinhas em casa quando um homem mascarado invadiu. Ele abusou de uma delas. E aí, elas contaram que ele ficava falando várias coisas sem sentido, pareciam alucinações. Ele dizia que ele tava apaixonado desde a formatura. Nada fazia sentido. E aí, depois de algumas semanas, uma mãe foi atacada. Ela tinha duas filhas. Uma delas tinha apenas 12 anos de idade. Ela acordou com o barulho de um homem tentando entrar no seu quarto pela janela. Então ela se assustou e correu para o quarto da mãe. Ela viu um homem mascarado entrando e ela começou a se defender e proteger suas filhas. Então os dois meio que entraram ali numa briga, ela conseguiu expulsar ele da casa. Quando a polícia chegou, eles falaram com a mãe, com a filha e também com o vizinho que testemunhou tudo. E aí eles descreveram a mesma coisa: um homem mascarado, né, com a máscara de esqui e sem as roupas da cintura para baixo. 3 meses depois, em setembro de Em 1976, uma mulher relatou que alguns pequenos objetos haviam sido roubados da sua casa. Eram relíquias, coisas que não tinham valor, né, mas tinham valor sentimental pra ela. Então, ela queria esses itens de volta, a polícia investigou, falou com vizinhos, mas não conseguiu chegar a nenhuma resolução. Ninguém tinha visto nada. E aí, um mês depois, a mesma mulher começa a receber ligações anônimas, onde a pessoa não falava nada, só dava pra ouvir a respiração. Depois, ela foi atacada. Um homem apareceu no seu quarto, no meio da noite. Usando uma lanterna no rosto dela, dizendo que conhecia o marido dela. E aí, ele abusou dela e depois fugiu. A polícia foi chamada novamente, e aí eles começam a conversar com os vizinhos. E a única coisa que eles conseguiram foi a descrição de um carro que um vizinho disse que viu rondando ali várias vezes. E ele disse que era um carro verde azeitona. Era a única coisa que ele lembrava. O carro não tinha placa, ele não lembrava o modelo, só a cor. Até que no dia 2 de abril de 1977, uma mulher tava dormindo no quarto dela. O namorado dormia ao seu lado quando ela acordou com um homem em cima dela. E aí, ele tinha amarrado o namorado dela e colocado pratos nas costas dele. Porque se ele tentasse se mover, ele faria barulho. Seria como se fosse um alarme pra ele. E ele deixou o namorado ali como refém. Depois disso, ele amarrou a mulher, a violentou. E aí, ele saía pela casa andando, pegando alguns itens que não eram itens de valor, voltava pro quarto, violentava ela de novo. Foi só aí que os investigadores começaram a perceber que havia um padrão. Era a mesma coisa que tinha acontecido em Visália. Um homem mascarado entra na casa Ele amarra as vítimas, abusa das mulheres, e depois ele fica andando pela casa mexendo, revirando as coisas. E quando ele rouba alguma coisa, não é nada de valor, ele sempre deixa os itens de valor. Só que agora, ao invés de roubar, havia os abusos também. E aí, um investigador de Visália chamado Vaughn tinha lido várias reportagens sobre esses casos que estavam acontecendo em Sacramento, isso em 1978. E pra ele havia muitas coisas parecidas naqueles casos com o que tinha acontecido em Visália. Então eram muitos detalhes pra ignorar. Tinha a questão dos pratos ou coisas de vidro que ele deixava na porta A porta, se alguém abrisse a porta ia fazer barulho. O fato dele ficar andando e falando coisas sem sentido, mexendo, desorganizando a casa, né, mexendo em tudo, levando itens sem valor. O investigador Vaughn tinha certeza, era a mesma pessoa que morava em Visalia e agora estava morando em Sacramento. Ele e o detetive William, que foi aquele que eu falei pra vocês que levou um tiro, decidiram ir até Sacramento pra conversar com os policiais de lá, da jurisdição de lá, pra contar que eles acreditavam que havia uma conexão ali. Eles contaram suas suspeitas, contaram tudo que era igual. Desse caso para o caso que eles estavam lidando e de repente parou lá em Visalia. Contaram tudo e foram simplesmente ignorados. O porta-voz do xerife, Bill Miller, disse que eles estavam buscando publicidade, sugeriu que aquilo era uma rivalidade entre departamentos e simplesmente não fizeram nada. E aí o tempo foi passando, mais crimes aconteceram e as pessoas não faziam ideia de que aquilo poderia ter sido solucionado muito antes. A próxima vítima foi a Jane Carson Sandler, que nasceu em 1946 em New Jersey. Ela cresceu em uma família comum no norte do estado, frequentou foi para escola, fez amigos, teve uma infância tranquila como tantas outras meninas americanas naquela época. Não tinha nada de extraordinário, apenas normal. Quando ela ficou adulta, ela sabia que queria servir o seu país. Em 1969, aos 23 anos, ela entrou para o Air Force Nurse Corps. Foi uma decisão corajosa para uma mulher na época. Ela entrou como enfermeira, serviu e tinha uma carreira e treinamento militar. Depois de alguns anos servindo, ela conheceu um homem, eles se casaram, tiveram um filho em 1976. O menino tinha apenas 3 anos e eles viviam em Citrus Heights, no subúrbio de Sacramento. O seu marido trabalhava fora durante a noite e ela ficava em casa com o filho. No dia 5 de outubro de 1976, à noite, a Jenny tava na cama dela dormindo, o filho dormia ao lado dela, quando ela foi acordada com uma luz de lanterna em seu rosto e ela viu um homem usando uma máscara. Ele segurava uma faca grande na mão e disse que se ela ou o filho fizessem barulho, ele os mataria. A Jenny estava com medo não por si mesma, mas pelo filho dela, e aí o homem amarrou os dois Depois, ele tirou o filho do quarto dela, abusou dela. Nesse tempo, ela não fazia ideia do que tava acontecendo com o seu filho. Ele tinha colocado algo na boca dela pra que ela não pudesse gritar e tinha vendado os seus olhos. Então, ela não fazia ideia do que tava acontecendo, né, na casa. Ela não sabia se tinham outras pessoas, o que ele tinha feito com o filho dela, se o filho tava bem, se ele tava assustado. Nas horas que se seguiram, a Janey disse que ela não estava em seu corpo, ela tava só focada no filho. Então... O saqueador, né, ele fez as mesmas coisas de sempre, ficou andando pela casa e tal. E no momento que ele decidiu ir embora, ele pegou o menino e devolveu para cama dela, ao lado dela. E ela conseguiu ouvir o menino e parecia que ele tava dormindo e que ele tava bem. Depois que ele foi embora, ela conseguiu se libertar porque ela tava amarrada. E aí ela chamou a polícia imediatamente. Vários detetives homens chegaram no local e começaram a fazer muitas perguntas sobre o abuso, mas ela tinha acabado de passar por aquilo, ela tava tava completamente traumatizada e ela não conseguia falar, não conseguia relatar o que ela tinha vivido. Então os policiais decidiram chamar uma detetive chamada Carol Daly para que ela pudesse conversar com a Jane. E aí ela levou a Jane para sala de emergência do hospital em Sacramento e ela ficou ao seu lado por mais de uma hora durante o exame de corpo de delito. A Carol foi, nas palavras da Jane, como se fosse um anjo para ela naquele dia, né. Então obviamente ela tava tão assustada que ela não queria ficar perto de homens ou conversar com eles. Então a Carol, sendo uma mulher, foi a primeira pessoa naquele dia que fez a Jane se sentir segura demorou bastante para poder contar o que tinha acontecido. Mas a polícia tinha pouco para investigar, né? Ela não tinha visto o rosto do homem, ela só sabia que era um homem mascarado. E aí havia outro detalhe que a Jane tinha ignorado antes do ataque, que eram ligações anônimas para casa dela. E a pessoa ligava e não falava nada, só ficava respirando. E aí uma noite ela pediu para que a pessoa parasse de ligar, e a pessoa respondeu que iria matar o marido dela. Quando a Jane contou sobre essas ligações para polícia, eles disseram que parecia mais uma brincadeira e que aquilo não tinha nada a ver com o ataque. A próxima vítima foi Chris Pedrini. Ela nasceu em 1961 e tinha 15 anos no final de 1976. Era uma menina que ia à escola, tinha amigos e frequentava a igreja regularmente. A sua fé era importante para ela. Na noite de 18 de dezembro de 1976, apenas uma semana antes do Natal, a Chris estava em casa. Seus pais haviam saído para um evento e ela havia passado a tarde com uma amiga vizinha. Ela voltou para casa, fez seu próprio jantar e sentou ao piano da família para tocar. Ela não percebeu quando o homem entrou em sua casa silenciosamente e aproximou-se dela por trás, colocando uma faca contra o seu pescoço, pressionando a lâmina contra sua sua pele. Ele disse que se ela fizesse qualquer som, se ela gritasse, ele a mataria. O que aconteceu nas horas que se seguiram foi algo que Kris tentaria processar pelo resto da vida. Ela foi abusada muitas vezes, teve muito medo de morrer. Durante aquelas horas, ela cantava em sua cabeça uma música que dizia "Jesus me ama". Ela cantava porque acreditava que se parasse de cantar, se deixasse a escuridão entrar completamente em sua mente, ela morreria. E também porque acreditava que Deus a amava e que ela ia sobreviver. Depois de algum tempo, o homem saiu e desapareceu. Ela, mesmo sem saber se ele ainda estava ali, ela conseguiu coragem para se arrastar até o telefone. Com as com as mãos ainda amarradas, ela ligou para os seus vizinhos e contou o que havia acontecido. Eles vieram imediatamente, a desamarraram e chamaram a polícia. Quando a polícia chegou, com seus detetives homens fazendo perguntas íntimas, a Kris pediu uma coisa: que mantivessem seus pais em outro cômodo. Ela não conseguia enfrentá-los e não conseguia enfrentar a vergonha que ela sentia. Depois que tudo terminou, seus pais não deixavam ela falar sobre aquela noite. Eles não queriam ouvir e não queriam que ninguém soubesse. Kris foi forçada a viver como se aquela noite nunca tivesse acontecido. Anos depois, o seu pai a ouviu contando a um amigo sobre o ataque e a repreendeu. Depois desse dia, Kris não falou mais e também nunca mais A Katie Lee nasceu em Fresno, na Califórnia, no dia 29 de janeiro de 1958, e Brian Keith Maggiore nasceu em 16 de outubro de 1956. Ambos cresceram em famílias comuns e tinham muitos planos. Brian entrou na Força Aérea dos Estados Unidos e virou sargento. Os dois se conheceram, se apaixonaram e se casaram. Eles mudaram para um apartamento em Rancho Cordova, perto de onde Brian trabalhava na Base Aérea de Mather Field. Eles também tinham um cachorro, um pequeno poodle chamado Tumper, que era como se fosse um filho para eles. No começo de fevereiro de 1978, o casal saiu para passear com o Tumper. Era uma noite como qualquer outra, mas naquela específica eles decidiram mudar de rota. Ao invés de seguir o caminho que eles sempre faziam, eles viraram em uma rua chamada Malaga Way, e essa escolha mudou tudo para sempre. Enquanto eles caminhavam, encontraram um homem. Detetives especulavam que ele estava espiando pelas janelas de uma casa do bairro. Quando Brian confrontou o homem, sacou uma pistola e começou a perseguir o casal pelos quintais das casas próximas, e ele disparou. O Brian foi atingido duas vezes, 2 vezes. A Katie correu gritando e pedindo ajuda, mas ele a alcançou e disparou novamente, atingindo-a na cabeça. Alguém ouviu os disparos e chamou a polícia. O casal foi levado para o hospital, mas não sobreviveram. O Brian tinha 21 anos e a Katie tinha 20. A polícia chegou na cena e investigou. O local ficava a menos de 5 quarteirões do primeiro ataque conhecido do estuprador da área leste em Paseo Drive e de vários outros dos seus ataques. Mas esse assassinato era diferente dos padrões anteriores. Não era um ataque em casa, era na rua, um homicídio e não abuso. Levou duas décadas para que a polícia conseguisse fazer essa conexão desse homicídio com os outros casos de abuso que estavam acontecendo em Sacramento. Eles achavam que, como tinha sido um homicídio na rua, que, como eu falei, não tinha nada a ver. Depois da morte do casal, os ataques e abusos continuaram em Sacramento. E toda vez que parecia que os investigadores estavam—
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Voz B:Chegando perto do culpado, ele desaparecia. Então isso seguiu por alguns meses. Ele também mudou de cidade, ele foi pra Modesto, depois pra Stockton, e depois pro norte da Califórnia, em Bay Area. Então parecia que ele ele sempre tava um passo à frente. Até que em 1979, os ataques pararam e a polícia ficou sem entender o que havia acontecido. O que eles não sabiam é que os ataques não tinham parado, só tinham mudado de local, porque agora ele tinha saído de Sacramento e ido pro sul da Califórnia. E foi a partir desse ano, 1979, até 1986, que os crimes escalaram muito. Parecia que pra ele agora já não havia mais tempo pra ficar horas na casa abusando da vítima várias vezes, andando pela casa mexendo nas coisas, roubando os itens pais. Agora ele decidiu que ele ia ser mais rápido, mais brutal, e que ele tinha um foco específico, que eram casais. Ele entrava nas casas, amarrava os dois, né, tanto a mulher quanto o homem, usando cordas que ele mesmo levava. Ele também pegava cordas dos pijamas que ele encontrava na casa das pessoas. Ele violentava a mulher, obrigava o marido assistir, e depois matava os dois. Às vezes ele usava uma arma, e às vezes só violência bruta. Foi assim com a Charlene e o Lehman Smith, que moravam em Ventura. O Depois disso que eu falei, depois ele pegou um tronco de lareira e golpeou o casal tantas vezes que foi uma coisa extremamente brutal. E as lesões causadas eram quase que inacreditáveis. Depois ele fez a mesma coisa com Keith e Patty Harrington, eles viviam em Irvine. E depois com a Sherry Domingo e o Greg Sanchez, que viviam em Goleta. E esse foi um dos ataques mais brutais, aconteceu em 1981. O casal foi atacado dentro de casa e morto de uma forma extremamente violenta. Num crime que reforçava o quanto o agressor já havia evoluído de abuso e de invasão agora pra assassinato deliberado. Logo após esse caso, ele matou duas mulheres. A primeira foi a Manuela Whetham, também em 1981. E o caso dela chamou bastante atenção. Então, ela morava em Irvine também, e ela foi atacada em casa enquanto o marido tava trabalhando. E aí, a polícia até chegou a cogitar que o marido fosse o próprio agressor. Até que eles perceberam que ele não era. E aí, conectaram esse caso com os casos que tinham acontecido em Sacramento. E também no sul da Califórnia. Então, nesse ponto, a polícia já tava conseguindo conectar vários desses casos. Em 86, Janelle Crews se tornaria a última vítima conhecida do Golden State Killer. Em Irvine, ela foi morta em casa. E o crime tinha sido assim como os outros. Mas só anos depois que a polícia conseguiria estabelecer essa conexão. Depois desse caso, em 1986, os crimes pararam e ninguém sabia por quê. Como você consegue encontrar a identidade de um homem que tá sempre usando uma máscara, que sempre tá mudando de cidade, que ele apenas aparece e depois desaparece? Como você vai conseguir conectar um caso que aconteceu lá em Visalia, no ano seguinte em Sacramento e depois no sul da Califórnia. Então assim, era, eram muitos locais diferentes, né, geograficamente, também para uma época que não tinha muita tecnologia para investigar. Naquela época eles tinham DNA coletado de algumas das cenas, mas o DNA ainda não era super usado nas investigações, era uma coisa que estava em desenvolvimento. Ele só poderia comprovar se era a mesma pessoa, né, nas cenas do crime. Ele não conseguia levar até uma pessoa específica, a não ser que você soubesse quem você tava curando. Alguns anos se passaram até que em 2000 essa tecnologia de DNA já tava bem mais moderna e os investigadores decidiram usá-la para tentar comprovar algumas teorias que eles tinham. Como eu disse para vocês, eles acreditavam que o saqueador de Visália era o estuprador da área leste, que também era o Golden State Killer. Então eles já tinham conseguido fazer essa conexão de vários casos, não todos ainda, mas eles tinham essa grande suspeita de que eram todos a mesma pessoa por conta dos padrões. Eles tinham essa suspeita que eles poderiam ver ali no DNA se realmente todos batiam então eles poderiam chegar à resposta de que sim, é a mesma pessoa, mas eles não sabiam quem era essa pessoa, ninguém sabia. Os anos se passaram, os investigadores começaram a envelhecer, muitos se aposentaram, as vítimas já estavam sem esperanças, né, acreditando que aquela pessoa horrível que causou muito mal a elas nunca seria finalmente presa. Mas havia uma pessoa que ainda não tinha desistido. Em 2006, uma jornalista investigativa chamada Michelle McNamara começou um blog chamado True Crime Diary. Ela escrevia sobre crimes não solucionados, ela pesquisava, gravava, entrevistava vítimas e procurava pistas que a polícia havia deixado de lado. Ela ficou obcecada com esse caso. Ela deu o nome do criminoso de Golden State Killer e por 10 anos escreveu em artigos, em revistas, e construiu uma rede de pesquisadores. A pesquisa a consumiu, a insônia tomou conta dela e a ansiedade cresceu. Ela tomava medicamentos com prescrições, mas uma combinação desses medicamentos junto com uma condição cardíaca que ninguém sabia que ela tinha provou ser letal. Então, na madrugada do dia 21 de abril de 2016, ela morreu dormindo, aos 46 Mas o trabalho não morreu com ela. O seu marido, o comediante Patton Oswalt, o escritor de true crime Bill Jensen e o seu pesquisador Paul Hynes decidiram terminar o trabalho que ela tinha começado. Eles completaram o seu livro Eu Terei Sumido na Escuridão, baseado em suas pesquisas que duraram 10 anos. Até que naquele mesmo ano, 2016, alguma coisa mudou. A polícia reabriu o caso, criou uma força-tarefa e ofereceu recompensas ao público que ajudasse. Alguns dizem que foi por conta da pressão que a Michelle havia criado, outros que isso teria acontecido de qualquer reforma. Mas havia outro fator crucial. Uma genealogista investigativa chamada Barbara Ray Venter, ela havia identificado recentemente um serial killer chamado Terry Rasmussen, conhecido como Camaleão, que eu contei para vocês esses dias aqui no canal, vou deixar aqui em cima. E foi a primeira vez que um criminoso suspeito havia sido identificado com genealogia genética. Era um avanço revolucionário em investigações criminais. Em 2017, o Paul Hose, investigador forense que havia trabalhado no caso do Golden State Killer por décadas, ouviu sobre os recentes avanços no caso do Ted, e ele ligou para Barbara em março de 2017 e pediu sua assistência. Ele queria usar genealogia para buscar novas pistas no caso. Então, a Barbara utilizou o GEDmatch, o Family Tree DNA e o MyHeritage. Ela forneceu estrutura aos esforços de busca genética da equipe. Assim, eles conseguiram isolar uma amostra de DNA de uma cena do crime do Golden State Killer para criar um perfil de DNA que pudesse ser carregado nos bancos de dados de genealogia. Esse perfil produziu correspondências com vários parentes distantes e, a partir desses, a Barbara construiu uma árvore genealógica usando técnicas tradicionais de pesquisa. Em 4 meses e meio, em abril de 2018, o assassino que havia permanecido impune por 43 anos havia sido identificado, e o seu nome era Joseph James DeAngelo. Os investigadores o colocaram sob vigília, observando a sua casa, esperando, até que no dia 18 de abril eles o seguiram enquanto ele dirigia para uma loja Hobby Lobby em Roseville, um subúrbio de Sacramento. Enquanto ele estava dentro da loja, eles conseguiram coletar uma amostra de DNA da maçaneta da porta do carro que ele havia saído. Aquela amostra continha DNA de 3 pessoas. Uma delas deu correspondência com suspeito nos assassinatos de 1980 da Charlene e do Liam Smith em Ventura. Aquela amostra foi muito importante para investigação, mas não era o suficiente para, né, realizar uma prisão. 3 dias depois, os detetives retornam para casa dele, ficam ali observando, e eles conseguem coletar um lixo que tinha sido colocado pelo Joseph lá na lixeira. E um lenço de papel que eles encontraram ali se provou a prova perfeita que eles precisavam para realizar a prisão. Aquele lenço descartado tinha o DNA dele suficiente para poder fazer aquela correspondência coincidência perfeita. Óbvio que correspondeu 100% e era a prova que eles precisavam. Então, no dia seguinte, o Joseph foi preso. Mas antes de falar o que aconteceu depois da sua prisão, eu quero falar um pouco sobre a vida dele antes. O Joseph James DeAngelo nasceu no dia 8 de novembro de 1945 em Bath, Nova York. Sua mãe era Kathleen Louise DeGrode e seu pai era Joseph James DeAngelo Sr., um sargento do Exército dos Estados Unidos. Ele tinha dois irmãos e uma irmã. Sendo filho de militar, ele se mudava frequentemente, o que significava instabilidade, nunca estar em um lugar tempo suficiente para colocar Segundo seus irmãos, o pai deles era abusivo. Havia muita violência na casa, disciplina que passava dos limites, e um ambiente tóxico onde a criança, que era o Joseph, estava crescendo. O pai usava força e poder para controlar a família. Era um homem que não conhecia respeito ou consideração. Segundo relatos da família, quando ele tinha aproximadamente 10 anos, ele testemunhou sua irmã mais nova de 8 anos ser abusada por 2 militares, e ele foi segurado e obrigado a assistir. Um tempo depois, a família voltou aos Estados Unidos. Até que a família se estabeleceu nos subúrbios de Sacramento, na Califórnia. O Joseph frequentou a escola, se e aos 18 anos ele entrou na Marinha. Serviu durante a Guerra do Vietnã por quase 2 anos e durante seu serviço perdeu parte do seu dedo mindinho em um acidente. Quando ele saiu, ele foi pra faculdade. Ele frequentou a Sierra College e depois a California State University em Sacramento. Ele graduou-se em um bacharelado em Justiça Criminal. Ele tinha educação e perspectivas de carreira. Até que em 1973, aos 28 anos, ele se tornou policial em Exeter, Califórnia, uma pequena cidade perto de Visalia. Era um trabalho respeitado e as pessoas confiavam nele. Afinal, ele tava ali pra proteger Angelas. Era um dos policiais bons. No mesmo ano, ele se casa com a Sharon Huddle, que era advogada, e eles começam uma vida em família. E enquanto ele trabalhava ali como policial, iniciava a sua vida, né, com a Sharon, ele também fazia outras coisas que ninguém imaginava. Ele começou a invadir as casas. Ele entrava durante a noite, mexia nas casas, revirava gavetas, às vezes não levava nada, mas ele sempre deixava um sinal de que alguém tinha estado ali. Era como se ele tivesse treinando ou aprendendo a ficar invisível impossível assustar pessoas e depois conseguir escapar. Quando a polícia de Visalia começou a reconhecer um padrão e eles montaram uma comissão de investigação, o Joseph fazia parte da comissão. Ele trabalhava durante o dia procurando por um criminoso que era ele mesmo durante a noite. Ninguém suspeitava dele, ninguém acreditava que aquele policial poderia fazer isso. Em 1975, quando o William conseguiu ver o rosto dele, ele imaginou que aquilo ali poderia entregá-lo, e foi quando ele decidiu se mudar. Então ele deixa a cidade na mesma época em que os roubos de Visalia pararam, e ele se junta à polícia de Elburn, um pequeno município no norte de Sacramento. Ninguém desconfiou dele, pros amigos, né, pros colegas, aquilo era apenas uma mudança por conta da profissão. Enquanto os crimes em Visalia pararam, os crimes em Sacramento começaram. Era o mesmo criminoso, só que agora em outra cidade, com uniforme novo. Ele trabalhou em Auburn de 1976 a 1979, e nesse período ele abusou de mais de 30 mulheres e matou aquele casal que eu falei pra vocês que passeava com o cachorro. Foi em 79 que ele foi demitido do departamento de polícia de Auburn. Ele foi demitido porque havia sido pego roubando um martelo e um repelente em uma loja de conveniência. Então foi por isso que ele foi demitido, e não pelos crimes, né, que ele tinha cometido. Porque nesse ponto ninguém sabia que era ele. Os seus colegas não o denunciaram, então eles decidiram apenas demiti-lo mesmo. Queriam apenas que ele saísse, né, não queriam causar nenhum tipo de vergonha pro departamento. E aí ele se muda de novo. Após a demissão, ele se muda pro sul da Califórnia com a Sharon. E aí a família começa a aumentar. Eles tiveram 3 filhas, que nasceram entre 1981 a 1989. E durante esse período não se sabe Joseph estava trabalhando. O que se sabe é que D.G., ele era um homem comum que trabalhava, que cuidava da família, das filhas. O cunhado dele, chamado Ron Osborne, disse que eles simplesmente jogavam cartas à noite, que eles saíam para pescar, para caçar, tinham noites em família, e não havia absolutamente nada que pudesse mostrar para eles quem era aquela pessoa. Anos mais tarde, a filha mais velha do Joseph escreveu uma carta para ele que foi lida em tribunal. Em espanhol, onde ela dizia basicamente como ele era um pai maravilhoso. Ela dizia que não conseguia acreditar que o pai que cuidou dela todos aqueles anos era aquele mesmo homem que havia cometido tantos crimes. A verdade é que o Joseph tinha uma vida dupla, né, de ele era um homem comum, com família, que cuidava dos filhos, e à noite ele era um criminoso. Como eu falei para vocês, os crimes pararam em 1986 e não se sabe por quê. Em 89, ele consegue um emprego como mecânico de de uma rede de supermercados chamada Save Mart, em Roseville. E aí, ele ficou nesse emprego por 27 anos. Ele se aposentou em 2017, aos 72 anos. Pra colegas de trabalho, ele era um cara normal. Ele não sorria e nem falava muito, mas ele tava lá, só fazendo seu trabalho. Por quase 3 décadas, ele passou despercebido, sendo apenas uma pessoa comum, invisível. Enquanto a polícia procurava por um homem que eles não faziam ideia de quem poderia ser. No dia 24 de abril de 2018, quando a polícia teve, né, aquela correspondência exata daí poderiam realizar a prisão. Eles vão até a casa do Joseph, encontram ele no quintal. Ele foi levado para Sacramento e colocado em uma cadeia do condado. Em sua primeira audiência, ele tava na cadeira de rodas, parecia frágil, idoso e talvez até inofensivo. Só que as vítimas dele imediatamente reconheceram, mesmo bem mais velho. O Joseph não negou o crime, ele confessou absolutamente tudo, confessou todas aquelas coisas das quais ele estava sendo acusado. Na frente de juízes, advogados e da imprensa, ele admitiu tudo. Em 29 de junho de 2020, em uma audiência realizada na Universidade Estatal de Sacramento, ele confessou 13 assassinatos, 51 estupros e mais de 100 roubos. Em troca da sua confissão, seria sentenciado à prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional, mas assim ele evitaria a pena de morte. 16 vítimas e membros de famílias das vítimas entraram na sala do tribunal. Eles ficaram em pé em frente ao Joseph, contaram suas histórias e disseram como ele havia mudado suas vidas. A Phyllis, que foi a primeira vítima conhecida em 1976, estava presente na audiência. Mesmo lutando contra um câncer e fazendo quimioterapia, ela foi até lá. Phyllis havia escrito que ele merecia passar o resto da sua vida miserável na prisão, que ele havia roubado anos da sua vida, que ele havia destruído a menina que ela tinha sido. Quem leu essa carta foi a irmã dela no tribunal, e a Phyllis morreu 3 meses depois. Já Jane, que havia viajado de Hilton Head, South Carolina, olhou para ele e disse que ele poderia ir direto para o inferno, mas que primeiro ele deveria saber que ele não tinha vencido, que agora as vítimas tinham tinha controle. Que agora ela tinha paz de saber que ele nunca sairia da prisão. A Elizabeth falou sobre o pai que morreu para salvá-la, contou sobre a vida que poderia ter tido com ele, contou sobre os anos sem ele, contou sobre envelhecer sem o homem que a criou. Várias vítimas falaram sobre, né, todo trauma que elas passaram, e o Joseph permanecia sentado. Quando os depoimentos terminaram, ele se levantou da cadeira de rodas, tirou a máscara e disse que ouviu tudo e que sentia muito por cada pessoa que ele havia machucado. Depois ele voltou a se sentar. Ele não chorou, não se explicou e não pediu nada. As palavras saíram e foi tudo que ele deu. Logo depois ele foi sentenciado a 11 sentenças de prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional. Finalmente, as vítimas e seus familiares sabiam que ele nunca mais sairia da prisão. Hoje o Joseph tem 80 anos e está vivo e preso em unidade de segurança em local não divulgado pelo Departamento de Correções da Califórnia. Um promotor afirmou que ele tem saúde estável, que ele exerce alguma função dentro da prisão e fica em ala protegida. Porque dentro do sistema prisional, um ex-policial condenado por 50 abusos 3 assassinatos é um alvo. A sua ex-esposa Sharon se separou de Joseph em 1991, quando sua filha Cassola tinha 2 anos. Ela soube, como todo mundo, em 2018 que ele era um assassino. Ela entrou com o pedido oficial de divórcio em julho daquele ano. A única declaração pública que ela fez foi pedir que respeitassem a privacidade dela e das filhas, e depois ela nunca mais falou sobre. Ela continua em Sacramento exercendo advocacia em direito da família e não se casou novamente. As filhas apagaram todos os perfis nas redes sociais logo após a prisão dele. Uma delas é médica de emergência. Outra foi candidata a doutorado. A terceira estava morando com ele na casa de Citrus Heights quando os investigadores chegaram para realizar a prisão. Kris Pedreri hoje lidera a Phyllis Gordon, a organização que ela e outras vítimas fundaram em homenagem a Phyllis Haneman. A fundação já instalou 9 salas de entrevista especializadas em delegacias locais, espaços projetados para que sobreviventes de violência possam falar sem se sentir dentro de uma sala de interrogatório. Ela mantém grupos de apoio, faz trabalho educativo e diz que finalmente está vivendo quem ela é de verdade. Quero muito saber o que vocês acharam desse caso. Do Golden State Killer. Eu tinha certeza que eu já tinha contado pra vocês, até que eu descobri que não, que eu nunca tinha contado. E é um caso bem grande, bem famoso. Então, me contem o que vocês acharam. É muito bizarro, né, o tanto que demorou pra ele ser preso. E como as investigações, né, na época, quando a gente pega esses casos mais antigos, década de 70, 80, eles não tinham muitos recursos, né. Então, às vezes, eles até tinham alguma amostra, alguma coisa, mas não tinham recursos pra poder seguir com aquela amostra e descobrir quem era. A genealogia genética realmente veio genealogia aí com tudo, né, pra fazer com que todas as pessoas sejam pegas em um momento ou outro. Então, eu adoro contar casos que na investigação eles conseguem chegar num nome através da genealogia genética, porque é um trabalho muito minucioso e que ao mesmo tempo é muito legal, né. Então, eu sempre amei genética, eu adorava biologia na escola. Então, pra mim é muito incrível que em 4 meses, né, eles consigam montar toda a árvore genealógica pra chegar exatamente na pessoa. Às vezes não conseguem chegar exato Eles vão chegando pelos primos, pais, irmãos. Mas de um jeito ou de outro, eles chegam. Então, mais um caso que foi solucionado assim. O primeiro caso que eu falei pra vocês, do camaleão, é um caso muito legal, assim. A investigação é incrível, então vocês precisam ver. Porque foi o primeiro que eles usaram genealogia genética. E eu contei faz pouco tempo aqui no canal. Me contem aqui nos comentários o que vocês acharam. E não esquece do like, que me ajuda muito na divulgação. E é isso! Pra mais casos, siga o podcast Quinta Misteriosa. E aproveite pra avaliar em 5 estrelas, se você gostou. Obrigada por ouvir e até o próximo caso.