O DESAPARECIMENTO DO ESCOTEIRO MARCO AURÉLIO #597
Em 8 de junho de 1985, um garoto de 15 anos entrou numa montanha de 2.400 metros e nunca mais saiu. Marco Aurélio estava prestes a se tornar escoteiro sênior quando desapareceu no Pico dos Marins. Durante 28 dias, mais de 300 pessoas reviraram cada pedra daquela serra. Helicópteros, soldados, cães farejadores, até videntes. Quarenta anos depois, o pai ainda procura. #597
Afonso Xavier
Claudio Lattaro
Cláudio Roberto Alves Peixoto
Fábio Cabete
Gisberta Salsi Jr.
Glaucio Luiz Alves Magalhães
João Carlos Xavier
Marco Antônio Simon
Marco Aurélio
- Desaparecimento de Athena StrandMarco Aurélio Simon · Grupo Escoteiro Olivetano · Pico dos Marins · Expedição de escoteiros · Buscas e investigações · Teorias sobre o desaparecimento
- Teorias sobre o desaparecimentoMarco Aurélio Simon · Teoria da queda fatal · Teoria da abdução alienígena · Teoria do sequestro na base · Teoria do envolvimento de Juan · Teoria da fuga · Teoria do envolvimento de João Xavier
- Caso navio MV OndiosOperação Marins · Marco Aurélio Simon · Ivo Simon · Nelma Simon · Pico dos Marins · Buscas com cães farejadores · Buscas com helicópteros
- A expedição ao Pico dos MarinsGrupo Escoteiro Olivetano · Juan Bernabéu Céspedes · Marco Aurélio Simon · Osvaldo Lobeiro · Ricardo Salvioni · Ramatins Ron · Pico dos Marins · Decisão de subir sem guia
- Investigação PolicialJuan Bernabéu Céspedes · Osvaldo Lobeiro · Ricardo Salvioni · Ramatiz Ron · Polícia Civil de São Paulo · Interrogatório e tortura · Inquérito não solucionado
- Meditações de Marco AurélioMarco Aurélio Simon · Gêmeo idêntico · Estrabismo e visão limitada · Escotismo
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- O desfecho do casoPico dos Marins: O Caso do Escoteiro Marco Aurélio · Marcelo Mesquita · Globoplay · Podcast investigativo · Série documental
Ivo Simon:So good, so good, so good.
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Ivo Simon:Ivo Simon cresceu com a imprensa no sangue. Jornalista de carreira, construiu sua vida com a precisão de quem lida com fatos verificáveis todos os dias. Não era homem de especulação, era homem de evidências. De fontes, de documentos que pudessem ser checados até não restar dúvida. Ele conheceu a Teresa Neuma Bezerra na Associação Cristã de Moços, em São Paulo. Os dois se apaixonaram, casaram e começaram a construir uma família. Em algum momento desses primeiros anos, um diagnóstico médico caiu sobre eles como uma sentença. Eles não poderiam ter filhos. Os médicos foram categóricos, mas o diagnóstico estava errado. Assim, veio a Adriana, a primogênita. Depois, o Fábio. E então, no dia 16 de janeiro de 1970, nasceram os gêmeos. A terceira gravidez havia sido acompanhada sem ultrassom. Essa tecnologia ainda não estava disponível em 1970. Nelma dizia que eram dois bebês, mas os médicos afirmavam que havia apenas um. Quando chegou o dia, os médicos tiraram o bebê, cortaram o cordão umbilical, entregaram a criança aos cuidados das enfermeiras e era um menino e ele tava bem. Quando os médicos examinaram a placenta após o parto, descobriram que havia outro bebê. Marco Aurélio havia passado despercebido durante toda a gestação. Os meninos eram gêmeos univitelinos, gêmeos idênticos. Vieram de um único óvulo fertilizado que se dividiu. Ou seja, duas crianças com o mesmo DNA, o mesmo rosto e o mesmo corpo. O que nasceu primeiro foi chamado de Marco Antônio. O segundo, Marco Aurélio. "MA1" e "MA2", como a família gostava de chamá-los. Marco Antônio era mais forte e respirava bem. Já o Marco Aurélio nasceu mais fraco, um pouco menor e com complicações respiratórias. Ele tinha dificuldades motoras nos primeiros meses. Demorou mais que o irmão pra sentar, pra engatinhar e pra andar. A família já tinha 4 filhos quando chegou a caçula, Patrícia. 5 crianças numa casa em São Paulo. Ivo trabalhando como jornalista, Neuma em casa cuidando dos filhos. E todos crescendo num ambiente que valorizava disciplina, fé, natureza e pertencimento a um grupo. O Marco Aurélio adoecia com mais frequência que os irmãos. Mas Neuma dizia que a fragilidade física nunca determinou o temperamento do filho. Ela conta que ele era muito esperto, muito arteiro. Que ele simplesmente não parava. Não era uma criança que eles pudessem dar atenção especial, porque ele não fazia por onde. Se ele ficava doente, ele não se entregava. Segundo ela, ele era uma criança ativa, apesar das doenças. Os gêmeos eram inseparáveis. Gêmeos idênticos, mesma sala de aula. Mesmos amigos e mesmas brincadeiras. Quem olhava de fora não conseguia distinguir um do outro, o rosto era exatamente igual, a voz era igual e até os trejeitos. Mas quem convivia com eles sabia as diferenças. Marco Antônio era um pouco mais robusto, um pouco mais saudável. Marco Aurélio era mais franzino, adoecia mais, mas era também mais inquieto, mais arteiro, mais incansável nas brincadeiras. Também havia outra diferença mais visível: o Marco Aurélio tinha estrabismo acentuado no olho esquerdo. O olho desviava e não focava direito. Junto com o estrabismo vinha uma limitação visual severa, ele enxergava apenas 5% com um olho, um olho e 40% com outro. Numa época em que óculos e cirurgias corretivas não eram tão acessíveis, o Marco Aurélio simplesmente aprendeu a viver com a visão limitada. Ele nunca reclamava, nunca usava isso como desculpa para não fazer as coisas. Então ele corria, brincava, subia em árvores, jogava bola. Ele se adaptava. Marco Aurélio era uma criança feliz que amava estar ao ar livre. Falando sobre escotismo na família, ele veio por influência de uma amiga da família e do irmão mais velho do Fábio. Então eles entraram para o Grupo Escoteiro Olivetano, fundado em 1979, identificado institucionalmente pelo número 240. O escotismo era um movimento mundial criado em 1907 pelo inglês Robert Baden-Powell, baseado na ideia de que crianças e jovens aprendiam melhor através da prática, do contato com a natureza e da aventura controlada. Não era militarismo, embora tivesse disciplina. Era educação através da experiência, do trabalho em equipe, do desenvolvimento de habilidades práticas. No Brasil, o movimento escoteiro chegou no século 20 e cresceu rapidamente. Em 85, milhares de crianças e adolescentes participavam de grupos escoteiros espalhados pelo país. Aprendendo primeiros socorros, orientação por bússola, montagem de acampamento e sobrevivência na natureza. Tudo embalado numa filosofia de camaradagem e crescimento pessoal. O Marco Aurélio mergulhou no escotismo com entusiasmo. Frequentava as reuniões semanais, participava de todos os acampamentos, estudava pra passar nos testes de progressão, usava o uniforme com orgulho, com os distintivos de patrulha costurados no ombro e com o lenço escoteiro amarrado no pescoço. Dentro do grupo, ele foi reconhecido como monitor da patrulha. Uma liderança entre os pares. O monitor era o escoteiro mais experiente de cada patrulha, responsável por orientar os mais novos e por liderar atividades, por dar exemplo. Era uma posição de responsabilidade e o Marco Aurélio levava ela a sério. Em 85, ele tinha 15 anos e estava prestes a completar a transição para o ramo sênior, destinado a jovens de 15 a 18 anos. Ele já não era mais criança e já não cabia mais no ramo escoteiro juvenil. A expedição ao Pico dos Marins, marcada para o feriado de Corpus Christi de junho de 1985, seria exatamente pra isso. O ritual de passagem, a última missão antes de um novo começo. Subir um dos picos mais altos de São Paulo, acampar em altitude e testar tudo que havia aprendido em anos de escotismo. Era uma aventura que geraria histórias pra contar a vida toda. O irmão gêmeo, Marco Antônio, deveria ir junto nessa viagem. Mas na semana anterior, ele ficou doente. Dessa forma, ele não poderia fazer a viagem, não poderia acompanhar o irmão. E o Ivo também, a princípio, iria nessa viagem. Só que aí, ele teve um compromisso de trabalho que ele não podia faltar. E ele simplesmente teve que ficar em São Paulo também. Então, era a primeira vez que o Marco Aurélio iria numa viagem sozinho. O Pico dos Marins O Pico Marins fica no município de Piquete, interior de São Paulo, no Vale de Paraíba, região cortada pela Via Dutra que liga São Paulo ao Rio. É uma área que abriga cidades como Cruzeiro, Cachoeira Paulista, Lorena, Guaratinguetá e Aparecida do Norte, todas relativamente próximas da montanha. O pico em si está na Serra da Mantiqueira, cadeia de montanhas que marca a divisa entre São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Com 2.420 metros de altitude, é um dos picos mais altos da região, uma formação rochosa que se ergue acima da Mata Atlântica e dos campos de altitude, visível de longe como uma presença imponente no horizonte. O pico mais alto da típico sendo o Pico dos Marins. O maciço dos Marins abrange tanto o lado paulista quanto o lado mineiro. A trilha principal sobe pelo lado de Piquete, em São Paulo, mas a vertente oposta desce para Marmelópolis, em Minas Gerais. É possível se perder e acabar descendo pelo lado errado da montanha, o que significaria horas de caminhada extra para dar a volta e conseguir chegar ao ponto de partida. Em 85, já era um destino popular para montanhistas, escoteiros e aventureiros que buscavam desafios em altitude. A trilha principal partia de uma altitude de cerca de 1.200 metros e subia pelos próximos 1.200 em terreno acidentado. Ou seja, trechos de mata fechada onde o caminho mal se via, campos de altitude onde o sol batia forte e não havia sombra, pedras soltas que rolavam sob os pés, ravinas que exigiam cuidado para atravessar. Então assim, não era uma montanha para iniciantes irem sem guia, mas também não era considerada tecnicamente muito difícil. Escoteiros subiam o Pico dos Marins regularmente e a questão ali é que não era tão difícil subir o pico se você estivesse na trilha certa, o maior problema ali era se perder, porque além da trilha correta que eles tinham que pegar, tinham várias outras trilhas secundárias que se ramificavam ali da trilha principal. Então era bem fácil sair da principal, pegar umas dessas secundárias e se perder. E aí, como eu falei, se você saísse da principal, você podia aumentar o tempo ali em muitas horas até que você conseguisse se achar. Então se perder era bem fácil. A expedição foi organizada pelo Grupo Escoteiro Olivetano e aconteceria no feriado de Corpus Christi, entre 6 e 9 de junho de 1985. O objetivo era subir o cume, acampar em altitude e fazer essa transição dos escoteiros que iriam para o ramo sênior, como expliquei para vocês. E o Marco Aurélio era um deles, né? Então era meio que um ritual de passagem ali. 5 pessoas participaram dessa viagem: o Juan Bernabéu Céspedes, que era o líder escoteiro, e mais 4 garotos: o Marco Aurélio, que tinha acabado de fazer 15 anos, o Osvaldo Lobeiro, Ricardo Salvioni e Ramatins Ron, também adolescentes com idades entre 14 e 16 anos. O líder escoteiro, Juan, era espanhol radicado no Brasil e trabalhava como chefe escoteiro do grupo. Era ele quem deveria garantir a segurança dos garotos e quem deveria tomar as decisões certas em caso de emergência. Na noite anterior à viagem, para vocês terem ideia, ele almoçou na casa da família do Marco Aurélio. Então os pais conversaram com ele sobre a viagem, sobre o que eles esperavam dessa viagem, sobre o roteiro da viagem, os cuidados. Então o Juan era bem próximo da família, ele já tinha passado o Natal com eles. Os pais do Marco Aurélio conheciam não só ele, mas a família dele, como os irmãos dele, Ele, os pais, os sobrinhos, era uma relação próxima e de confiança. Havia sido decidido com a diretoria do grupo de escoteiros olivetano que essa viagem deles, né, subida para o Pico dos Marins, só aconteceria com um guia, um profissional que realmente conhecesse a montanha, que soubesse os caminhos certos que eles precisavam pegar, que soubesse os momentos de tomar mais cuidado, né, momentos que eram mais perigosos e tal. Então isso foi acordado e foi o que Rua falou para as famílias, né, que eles só subiriam com um guia. O grupo partiu de São Paulo No dia 6 de junho de 85, feriado de Corpus Christi, pela manhã, eles pegaram um ônibus na rodoviária do Tietê com destino a Piquete, no Vale do Paraíba. Essa viagem levava algumas horas e os meninos estavam super animados. Pra alguns deles era a primeira viagem de expedição em um local de altitude, assim, né. Eles iam acampar lá e tudo mais. E eles estavam levando vários equipamentos, cada um deles. Eles estavam com a roupa de escoteiros e muitos equipamentos pra poder fazer, né, essa expedição. Então, lanterna, bússola, apito de sinalização, comida. De água, equipamentos de acampamento, sacos de dormir, enfim, todas essas coisas. O Marco Aurélio levava também no bolso um pedaço de giz, o que era um costume dos escoteiros de sempre ter um pedaço de giz para poder marcar o caminho pelas pedras, para poder fazer uma identificação por onde eles passaram. E o número do grupo era 240. Essa era uma forma de comunicação dentro do grupo. Então, por exemplo, se um se afastasse, ele ia marcando os lugares que ele passava para que o resto dos escoteiros pudessem encontrá-lo. Durante a viagem de No ônibus, os meninos fizeram uma votação pra escolher o monitor da patrulha. O Ricardo Salvioni ganhou a votação e o Marco Aurélio ficou chateado. Ele esperava que ele ganhasse e ele foi o único que votou nele mesmo. O grupo chega em Piquete no início da tarde. Na rodoviária, eles foram recebidos pelo Sebastião Augusto Ramos, apelidado de Gugu, que era chefe dos escoteiros locais. Então ele tinha sido avisado, né, que esse grupo de escoteiros tava chegando. Então ele foi buscar eles, levar eles até a base da montanha. Então quem iria dirigir a Kombi e levar o grupo seria o Paulo Roberto, que é chefe tropa de piquete. O apelido dele é Paulinho. Ele que era o dono da Kombi, que era velha, mas era funcional, cabia todo mundo apertadinho ali dentro com as mochilas e tudo mais. Então ele busca o grupo e eles seguem por estradas de terra em direção à base do Pico dos Marins. A estrada ia ficando cada vez mais precária, mais estreita, com muitos buracos. Depois de uns 30 ou 40 minutos, eles chegam a um sítio na base da montanha. O sítio pertencia a Afonso Xavier, um homem que conhecia o Pico dos Marins como poucos. Ele morava ali já alguns anos com a família, então ele conhecia conhecia muito bem o pico, ele sabia as trilhas, cada atalho, cada perigo que tinha na montanha, ele conhecia muito bem o lugar. Então basicamente ele era uma espécie de guia informal da região. As pessoas que queriam subir o Pico dos Marins tinham costume de pedir orientações para ele ou contratá-lo como guia. O Afonso vivia numa casa simples de um cômodo só com a esposa e alguns dos filhos que eles tiveram, ao todo foram 10 filhos. 3 filhas moravam com eles dentro daquela casa, daquele cômodo, enquanto um dos filhos homens, o João Carlos Xavier, morava numa espécie de anexo improvisado ali próximo da casa, era tipo um quarto construído para ele. O quintal do sítio era amplo e relativamente plano para poder montar acampamento. Muitos grupos que subiam o Pico dos Marins acampavam ali porque era um lugar conveniente, era no topo da montanha. A família tava ali, né, a família do Afonso. Então se eles precisassem de ajuda, emergência, tinha alguém ali. Então quando o Juan e os garotos chegaram naquela tarde do dia 6, o Afonso foi quem os recebeu. Eles conversaram sobre a subida, sobre o tempo, sobre as condições da trilha. O Afonso se ofereceu para guiá-los, né, era o trabalho dele, ele conhecia muito a trilha. Então os garotos começaram a montar acampamento ali no quintal do sítio, as barracas, começaram a preparar comida no fogareiro portátil, começaram a organizar todas as coisas deles. Eles conversavam animados sobre a subida do dia seguinte. E ali onde eles estavam ali acampando no sítio, a temperatura tava amena, eles usavam roupas leves, então eles não pareciam preocupados com frio naquele momento. Mas subindo a montanha, a temperatura pode cair drasticamente. O Dia 7, né, o dia seguinte, é sexta-feira. Não foi o dia de subir a montanha. O Juan decidiu fazer um dia de reconhecimento. De atividades educativas no acampamento, de preparo pra subida no dia seguinte. Os garotos acordaram cedo, tomaram café. E aí, começaram a limpar os pratos, tudo que eles tinham usado. Organizaram todo o acampamento. Eles coletaram lenha pra fogueira, revisaram nós e coisas que eles poderiam usar durante a trilha. O Juan decidiu levar o grupo pra uma caminhada curta nos arredores do sítio. Ele mostrou alguns pontos de referência, ensinou a ler o terreno. Explicou como se orientar pela posição do sol ou pelas rochas. Ele apontou pras cidades vizinhas que eram visíveis ali do alto daquele lugar. Ele mostrou a direção de onde eles tinham vindo, apontou pra Minas Gerais. Enfim, era basicamente um treinamento prático pra que eles pudessem se preparar pra subida. À noite, o grupo fez o fogo do conselho. Uma fogueira cerimonial que marcava passagens importantes no escotismo. Era ali, ao redor do fogo, que promoções eram anunciadas, que distintivos eram entregues, que decisões importantes eram tomadas. Foi ali, durante o fogo do conselho, que o Juan acabou anunciando uma mudança. O Marco Aurélio seria nomeado monitor da patrulha ao invés do Ricardo, né, que tinha sido votado pelo grupo no ônibus. O Juan e os garotos tinham conversado e eles acreditavam que o Marco Aurélio merecia aquela posição porque ele tinha mais experiência, ele tinha demonstrado mais liderança também, e ele ficou extremamente feliz. Era o reconhecimento que ele tava esperando, né, a validação de anos de escotismo. E o Ricardo, que tinha sido votado, ele aceitou a decisão com bastante maturidade. Então não houve Não houve conflito, não houve nada. E aí, os meninos foram dormir cedo, né, pra se preparar, estarem bem descansados pra subir o Pico dos Marins. Na manhã do dia 8 de junho, eles acordaram bem cedo, antes do sol nascer. Eles tomaram um café da manhã rápido. Eles desmontaram parte do acampamento, deixando só o que era realmente necessário ali como uma base pra quando eles voltassem. E aí, eles começam os preparativos finais. Por volta das 7 da manhã, outro grupo de escoteiros, esse de piquetes mesmo, chega ali no sítio do Afonso. Era um grupo pequeno, com apenas 3 pessoas. O chefe era Mário Lúcio Alves Magalhães. Junto estava o Cláudio Roberto Alves Peixoto, primo dele de 15 anos. E o irmão mais novo, Glaucio Luiz Alves Magalhães, de apenas 10 anos. Esse grupo convidou o Juan pra que eles se juntassem e subissem todos juntos. Então seria um grupo de 8 pessoas no total. O que seria um número bem bom. E bom também no sentido de trazer mais segurança ali no grupo. Mas o Juan recusou, ele disse que eles subiriam mais tarde. Eles iriam no próprio ritmo. Então esse grupo pequeno sai às 8 horas da manhã e começa a subida. O Juan e os seus garotos, né, o grupo deles ao todo era ele mais 4 garotos, então 5 pessoas. Eles começaram um pouco depois, entre 8:30 e 9 horas da manhã. O Juan disse aos meninos que eles iriam fazer a subida sozinhos porque o Afonso estava ocupado, né, e não poderia subir com eles. Ou seja, eles iriam sem o guia. É importante falar disso já porque essa era uma decisão que tinha sido feita pela diretoria do grupo de escotismo, né. Então eles só subiriam com o guia, e era o que todos os pais tinham ouvido. E aí, naquele momento, Juan decidiu que eles iriam mesmo sem o guia. Eles seguiram pela trilha principal, que começava relativamente suave ali na mata, mas ia ficando mais íngreme conforme eles iam subindo. O Marco Aurélio, que agora era oficialmente o monitor da patrulha, ele ia em alguns trechos na frente do grupo para ir testando o caminho, marcando as pedras com giz quando necessário. Os outros 3 meninos vinham atrás, e o Juan, o líder do grupo, vinha último. Ele vinha supervisionando o grupo, né? Então eles iam subindo no ritmo deles, eles paravam para descansar, para tomar água, para comer às vezes uma barra de cereal ou frutas que eles tinham levado. Nesse ponto, alguns deles perceberam que a trilha era mais íngreme e mais cansativa do que eles pensavam, mas mesmo assim eles estavam super animados que eles estavam conseguindo fazer a subida e logo chegariam no seu objetivo, né, no pico. Aí em algum momento o Marco Aurélio fica para trás e aí o Juan volta buscar ele para ver o que tinha acontecido. Ele tava cansado e não tava conseguindo acompanhar grupo. Então eles decidiram parar um pouco para descansar, para que eles pudessem subir todos juntos. O grupo subiu por horas, então eles atravessaram mata fechada, campos de altitude, formações rochosas, onde a trilha ficava mais técnica e era exigido que eles usassem mais as mãos para conseguir passar. E foi em um desses trechos rochosos, entre o Morro do Careca e o Pico dos Marins, que um dos meninos se machucou. O Osvaldo tava subindo uma parte difícil ali da trilha quando ele escorregou. Tinha um buraco no chão, talvez uma depressão natural ali. No documentário que tem na Globoplay, eles até mostram uma foto. Dessa parte específica onde ele se machucou. Parecia uma área onde a terra tinha cedido, então ele não percebeu isso direito e acabou pisando em falso e machucando o joelho. Ele sentiu uma dor muito forte no joelho direito nessa queda, então ele tentou levantar, não conseguiu, começou a gritar de dor. Ele sentiu uma dor aguda no joelho direito depois da queda, então ele tentou se levantar sozinho, não conseguiu, a dor piorou, então ele tentou se apoiar no pé e aí o joelho cedeu completamente. Era uma luxação lesão. O joelho dele tinha saído do lugar. Osvaldo não conseguia caminhar e cada tentativa de colocar o peso sobre essa perna, o joelho cedia e a dor só aumentava. O Juan examinou o ferimento e não parecia quebrado, só deslocado, mas ele precisava de ajuda médica para conseguir cuidar ali do Osvaldo. Então ele decidiu que eles não continuariam a subida. Nesse ponto, o grupo tava a 1.700 ou 1.800 metros de altitude, ainda longe do cume que ficava a cerca de 2.420 metros. Eles já tinham subido bastante, mas ainda faltava muito, então não tinha como continuar subindo com Oswaldo daquele jeito. E além disso, o trecho que faltava era longo e bem difícil. Então foi aí que o Juan tomou essa decisão mesmo, que não tinha como continuar e que eles iriam voltar. Eles tentaram improvisar uma maca pra colocar o Oswaldo, mas ele não ficou confortável, não deu muito certo. E além de que era muito pesada pra que eles conseguissem carregar montanha abaixo. Foi aí que eles decidiram que Ricardo e Ramatiz iriam ajudar o Oswaldo a descer. Então ele iria se apoiar nesses dois meninos. Um deles de cada lado. Então ele se apoiaria, né, no ombro deles, e aí eles iam descendo e o Juan ia guiando. Mas tinha um problema: descendo daquele jeito, no ritmo muito mais lento, eles iriam demorar muitas horas para conseguir chegar. Quanto mais tempo eles demorassem, pior ia ficar o joelho, mais inchado, mais dolorido e mais difícil de tratar. Foi aí que o Juan tomou uma decisão que mudaria tudo. Ele disse que o Marco Aurélio, que era monitor da patrulha, que tinha mais experiência, que tinha treinamento e sabia orientação por bússola, iria primeiro. Ele desceria sozinho na frente do grupo todo todo para que ele pudesse chegar antes e já pedir ajuda. A ideia era que o Marco Aurélio, descendo sozinho, já que ele era o mais experiente, ele chegaria bem antes. E dessa forma ele conseguiria chegar no sítio, pedir ajuda. E aí o restante que tava vindo bem mais devagar, quando chegassem, já teria ajuda esperando pelo Oswaldo. Como eles tinham marcado, né, o caminho que eles fizeram subindo, ele só precisaria descer pelo mesmo caminho. E a ideia também era que assim talvez alguém pudesse ajudar ajudar o restante do grupo a descer. O Oswaldo, né, é uma pessoa com mais experiência, então por isso que foi decidido que ele iria antes. Marco Aurélio aceitou, então o Juan começou a explicar para ele como ele faria. Era para ele descer se orientando pelas marcações que eles mesmos haviam feito. Se precisasse marcar mais pedras, era para ele usar o giz. Era para ele deixar sinais claros da direção tomada e para ir usando o apito para que o grupo pudesse ouvir ele e meio que saber que direção ele tava tomando. Então, por volta do meio-dia do dia 8, Marco Aurélio parte sozinho. Ele começou a fazer a descida e ia marcando com giz as pedras conforme ele achava necessário. Ele escrevia o número 240, que era o número do grupo, e às vezes ele colocava uma seta apontando a direção que ele tinha tomado. E também soava o apito em intervalos regulares, sempre 3 toques curtos, que era o sinal de comunicação escoteiro. E aí ele foi na frente e o grupo, né, o Juan e os outros meninos vinham atrás. Eles esperaram Marco Aurélio começar essa descida por alguns minutos. E aí que eles começaram, vindo devagar, segurando e ali ajudando o Oswaldo. Eles encontraram 3 ou 4 marcações feitas pelo Marco Aurélio, sempre com o número e a seta. E eles foram descendo ali devagar, até que eles chegaram em uma interseção na trilha. Era um ponto onde a trilha se dividia e parecia ter 2 caminhos possíveis a partir dali. De um lado, tinha a marcação do Marco Aurélio, mas era pro lado que descia uma parte mais íngreme, mais rochosa e bem mais perigosa pra que eles conseguissem carregar levar o Oswaldo daquela forma. Do outro lado, aparecia um caminho menos íngreme e mais seguro para que eles conseguissem levar, né, alguém que tava machucado. Nesse ponto, o Juan decide que eles não iriam seguir pelo mesmo caminho que o Marco Aurélio, eles iriam pelo outro caminho, que era uma trilha mais fácil. Segundo ele, aqueles dois caminhos iriam para o mesmo lugar, então eles iriam se encontrar de qualquer forma. Então eles começaram a descer por esse caminho alternativo, e foi aí que tudo se perdeu. Aquele foi o ponto de separação definitivo entre o Marco Aurélio e o restante grupo. De um lado, o Marco Aurélio. Do outro lado, o grupo. E diferente do que o Juan falou, esses dois caminhos, eles não se encontravam depois. O caminho que o Juan escolheu ia descendo, mas não em direção ao sítio do Afonso, que era o local que eles estavam querendo chegar. O caminho do Juan ia descendo pela vertente mineira, pelo lado de Marmelópolis, que era o lado oposto de onde eles deveriam estar indo. Conforme eles foram descendo, eles começaram a perceber que aquele terreno ficava cada vez menos familiar. Foi aí que o Juan começou a perceber que talvez eles tivessem no caminho. Mas eles continuaram descendo, imaginando que em algum momento eles encontrariam um ponto de referência conhecido. Eles estavam atravessando aquela mata densa, tava começando a escurecer, era uma trilha muito difícil. A cada hora que passava, Oswaldo sentia mais dor, o joelho mais inchado. Quando anoiteceu completamente, eles ainda estavam descendo perdidos na montanha. Nesse ponto, a temperatura cai drasticamente, próxima a 0 grau. Como eu disse para vocês, a temperatura era amena lá no acampamento, no sítio, então eles estavam com roupas leves, eles não estavam preparados. Blus para aquele frio todo. Eles continuaram caminhando, eles usavam as lanternas que eles tinham para dar uma iluminada no caminho, eles tentavam encontrar uma casa, qualquer sinal de civilização, qualquer coisa além da mata, até que por volta da uma da madrugada do dia 9 eles encontram uma fazenda. Era propriedade do seu filhinho no bairro do Ronda em Marmelópolis, Minas Gerais. Ou seja, eles chegaram do lado mineiro da montanha, muito longe de onde eles deveriam estar. Eles bateram na aberta. Um homem atendeu e ele viu ali 3 garotos sujos, completamente exaustos, um deles com o joelho machucado e um adulto que parecia completamente perdido. Juan explicou a situação e aí o seu filhinho orientou eles sobre o caminho. Eles deveriam seguir uma estrada de terra que ligava aquela área rural a Marmelópolis. E aí em Marmelópolis eles iam pegar outra estrada que dava a volta até chegar em Piquete, que era o local que eles queriam ir. Mas era longe, muitos quilômetros. E assim o grupo começa a fazer esse caminho, né, na estrada terras a pé. O Osvaldo, nesse ponto, já tava com muita dor, mal conseguia andar, ele tava sendo praticamente carregado pelos outros dois. Eles levaram muitas horas, basicamente a madrugada toda caminhando. Eles conseguiram chegar ao sítio do Afonso às 5 horas do dia 9, quase 14 horas depois de terem se separado do Marco Aurélio. E eles chegaram lá esperando encontrar o Marco lá. O grupo tava exausto, com frio, machucados, desorientados, esperando que que tivesse ajuda pro Oswaldo lá, que o Marco já estivesse lá há muito tempo. Mas é nesse ponto que eles descobrem que ele nunca chegou, mesmo saindo bem antes deles. Então, ele não chegou, não havia sinal dele e ninguém tinha visto ele. Como eu falei pra vocês, antes de subir a montanha, eles começaram a desmontar o acampamento, mas não completamente, eles deixaram algumas coisas lá. Além disso, eles perceberam que as coisas deles, como eu expliquei pra vocês, eles desmontaram o acampamento, mas não completamente, então tinham coisas deles lá, estavam todas mexidas, elas não estavam da forma que eles tinham deixado as coisas de todo mundo, incluindo as coisas do Marco Aurélio. Não tava faltando nada, nada tinha sido levado, roubado, mas alguém esteve ali. Juntos, eles não sabiam explicar o que aquilo significava. Talvez animais tivessem mexido, talvez alguém procurando por comida, alguma coisa do tipo. Talvez o Marco Aurélio, se ele tivesse chegado antes e quisesse encontrar alguma coisa ali.
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Ivo Simon:Deles? Até hoje não tem nenhuma resposta satisfatória para essa pergunta. Quando Juan percebeu que o Marco Aurélio não tava lá, ele não relatou o seu desaparecimento imediatamente. Ele imaginou que talvez o Marco tivesse pegado um caminho diferente, que ele estivesse chegando, ou que talvez ele tivesse se perdido no meio do caminho, mas que ele conseguiria se orientar e voltar para o sítio. Ele decidiu deixar o Osvaldo, o Ricardo e o Ramatiz, os três meninos, descansando depois de todas aquelas horas, para eles poderem dormir um pouco, descansar, enquanto ele voltou sozinho sozinho pra buscar o Marco Aurélio. Então, ele volta pelo mesmo caminho que eles tinham feito quando eles começaram a subida. Então, ele foi pelas marcações de giz, ele foi chamando pelo Marco Aurélio, soando o apito. Ele começou a procurar também por marcações novas que o Marco pudesse ter feito. E aí... nada. Ele continua procurando ali na área que eles provavelmente tinham mudado o caminho, que eles foram pra um lado e o Marco por outro. E simplesmente não conseguiu encontrar nada. Então, ele tava lá sozinho procurando pelo Marco Aurélio, ele ficou cerca de 5 horas procurando por ele. Então, entre ali 10:30 e 11 horas da manhã, sem encontrar nada, sem encontrar nenhuma marcação nova, sem ouvir nada. Porque como eu falei, ele soava o apito. Então ele tava esperando ouvir o apito de volta. Ou chamando pelo nome de Marco Aurélio, que ele fosse responder. Mas como ele não tinha encontrado nada em 5 horas, assim como os outros meninos, ele tava exausto, eles não tinham dormido. Foram muitas horas caminhando, então ele decidiu voltar pro sítio. Foi nesse momento, por volta das 11 horas da manhã, quando ele volta, os outros meninos ainda estavam dormindo. Que o Paulinho chega, que era o chefe do escoteiro de piquete que tinha buscado o grupo com a Kombi, levado até o sítio. E ele tava ali para buscar o grupo de volta e levar para pegar o ônibus. Então era o que tinha sido combinado. Quando ele soube que o Marco Aurélio não tinha voltado, né, que o restante do grupo tava ali menos ele, ele ficou alarmado e já começou ali uma busca informal. Ele chamou outros escoteiros de piquete e também voluntários para começar uma busca pelo Marco Aurélio. Ele não avisou a polícia imediatamente porque ele imaginou que, como ele tava com aquele grupo que eram pessoas que conheciam a montanha, talvez assim fosse mais fácil 'Não posso deixar o Marco Aurélio sem chamar as autoridades.' Então ele realmente imaginou que o grupo encontraria ele lá. Eles passaram o domingo todo procurando. Então muitas pessoas ali da região que conheciam a montanha, eles subiram e desceram a montanha várias vezes. Eles chamavam pelo nome do Marco Aurélio, eles iam por mata densa, enfim, procuraram por muito tempo até que começou uma chuva muito forte que dificultou as buscas. Só por volta de 5:15 daquele domingo, mais de 24 horas após Marco Aurélio ter se separado do grupo, que a Polícia Militar nada. A polícia chegou ainda naquela tarde de domingo no sítio, mas como eu falei, teve uma tempestade muito forte que atrapalhou esse início ali das buscas da Polícia Militar e que também atrapalhou a busca que já tava acontecendo. Então a polícia chegou e começou a conversar com o Juan. Eles queriam entender exatamente o que tinha acontecido, que instruções foram dadas para o Marco Aurélio, que roupa ele tava usando, o que ele levava com ele, exatamente em que ponto eles se separaram. Eles explicam que o Marco Aurélio tava usando roupas leves porque as temperaturas estavam amenas. Então, quando caiu a temperatura à noite, ele não estava com roupas, não estava com nada preparado para aquele frio. Então, eles não sabiam, né, o que tinha acontecido com o Marco Aurélio. Então, se ele tivesse ficado na montanha durante toda a madrugada, ele teria passado um frio extremo. A polícia montou uma base de operações na entrada da trilha e começou a organizar equipes de busca. Soldados subiram a montanha naquele domingo, mesmo com chuva, chamando o nome do Marco Aurélio, tocando apitos de resposta aos apitos que ele pudesse estar tocando, procurando com lanternas, e nenhum apito respondeu. A família do Marco Aurélio chegou a Piquete. Ivo e Nelma vieram na segunda-feira, assim que souberam que o Marco Aurélio estava desaparecido. Eles se instalaram na cidade e começaram a acompanhar as buscas. O Ivo usava a mesma precisão metódica com que trabalhava na redação de um jornal. Conversava com os comandantes das equipes, queria saber exatamente quais áreas já haviam sido vasculhadas, quais faltavam, que métodos estavam sendo usados. Nos primeiros dias, a esperança ainda era bem grande. Crianças se perdem, mas são encontradas. Marco Aurélio era escoteiro, ele tinha algum treinamento de sobrevivência. Sabia que devia ficar parado se perdido. Sabia que devia economizar água e que devia usar o apito para sinalizar sua posição. Era só uma questão de tempo para encontrá-lo, mas o tempo passava e eles não encontravam nada. Quando os pais deles chegaram, eles ficaram sabendo sobre algo que tinha acontecido na noite anterior, no dia 9. O Osvaldo, Ricardo, Ramatiz e o Juan estavam descansando no sítio do Seu Afonso junto com ele, quando por volta das 9 horas da noite todos ouviram um grito vindo da mata, um grito humano alto que parecia vir de alguma distância. Então eles ficaram tensos e prestando atenção. Depois do grito, ouviram apito, 3 toques curtos, pausa e mais 3 toques curtos. Era o sinal de socorro, era um sinal que o Marco Aurélio saberia usar se tivesse em apuros. Eles correram para porta da casa gritando o nome dele e foi então que viram as luzes, 3 luzes azuis piscando na mata, numa área de vegetação fechada, a talvez 100 ou 200 metros de distância da casa. As luzes não eram amarelas ou brancas como lanternas normais, eram luzes azuis, um azul intenso e elétrico. Piscavam de forma ritmada e não aleatória, pareciam estar em altura elevada, acima do nível do chão, talvez a 2 3 metros de altura, como se estivessem suspensas no ar ou presas em árvores. Todos gritaram chamando por Marco Aurélio, mas não houve resposta. As luzes continuaram a piscar por alguns minutos. Depois, uma por uma, elas se apagaram e a mata voltou a ficar escura. Eles voltaram para dentro da casa assustados, confusos, jurando ter visto luzes azuis piscando, jurando ter ouvido um apito, jurando que o Marco Aurélio estava lá fora tentando sinalizar sua posição. Na manhã seguinte, segunda-feira, 10 de junho, equipes de busca foram enviadas para a área onde eles haviam visto as luzes. Eles vasculharam a mata e não encontraram nada, nenhum sinal de Marco Aurélio, nenhum equipamento caído e nenhuma marca de giz nas pedras. A história das luzes azuis se espalhou, e quando não há explicação fácil para um desaparecimento, quando uma montanha conhecida virava cenário de um mistério, começaram a surgir as teorias. Um dos delegados envolvidos no caso, numa entrevista a jornalistas, falou publicamente sobre a possibilidade de fenômenos extraterrestres. Ele citou magnetismo do Pico dos Marins, citou as luzes azuis e sugeriu que talvez houvesse forças além da abdução humana. Falou em abdução alienígena, falou em discos voadores, falou em OVNIs. A teoria ganhou força porque a região da Serra da Mantiqueira, onde fica o Pico dos Marins, tinha histórico de avistamentos de objetos não identificados. Menos de um ano depois do desaparecimento do Marco Aurélio, no dia 19 de maio de 1986, aconteceu o que ficou conhecido como a noite oficial dos OVNIs no Brasil. Naquela noite, mais de 20 objetos voadores não identificados foram detectados pelos radares da Força Aérea Brasileira e avistados por pilotos, controladores de voo e militares civis em várias regiões do país. O primeiro avistamento ocorreu exatamente em São José dos Campos, cidade do Vale do Paraíba, aproximadamente 80 km do Pico dos Marins. Por volta das 6:30 da tarde, o operador da torre de controle do aeroporto de São José dos Campos observou luzes no céu que mudavam de cor, principalmente em tons avermelhados. O então presidente da Embraer, Osíris Silva, que viajava num bimotor Xingu, chegou a perseguir alguns desses objetos durante 30 minutos entre São José dos Campos e a Serra do Mar, sem conseguir alcançá-los. 5 caças da Força Aérea Brasileira foram mobilizados para interceptar os objetos. Nenhum conseguiu. As luzes se moviam em velocidades impossíveis para aeronaves convencionais, desapareciam de um ponto e reapareciam em outro instantaneamente. Uma década depois, em janeiro de 96, aconteceu o caso Varginha, no sul de Minas Gerais, a cerca de 200 km do Pico dos Marins. 3 jovens relataram ter visto uma criatura estranha com cerca de 1,60m, pele marrom escura, olhos grandes e vermelhos, num terreno baldio. Nos dias seguintes, moradores observaram intensa movimentação de veículos militares na cidade. O caso nunca foi esclarecido e se tornou um dos episódios ufológicos mais famosos do Brasil. O Pico dos Marins é especificamente citado por alguns ufólogos como um local com propriedades magnéticas incomuns. A Serra da Mantiqueira possui formações rochosas ricas em minerais ferromagnéticos, o que pode criar pequenas anomalias no campo magnético local. Há quem acredite que essas anomalias atraem atividade extraterrestre, embora não exista nenhuma evidência científica que sustente essa teoria. Mas essa teoria ganhou vida própria na imprensa sensacionalista. Até hoje, há quem acredite que o Marco Aurélio abduzido, que as luzes azuis eram de uma nave, que a montanha tem propriedades que atraem essa atividade extraterrestre. Então, como essa questão das luzes aconteceu ali bem no início, por isso que eu já decidi citar essa teoria para vocês sobre ele ter sido abduzido. Então, agora voltando para o começo das buscas, logo ali nos primeiros dias do desaparecimento do Marco Aurélio, as buscas começaram a aumentar muito. O Corpo de Bombeiros de São Paulo enviou equipes especializadas em resgates montanhas. A Polícia Civil abriu um inquérito para investigar circunstâncias do desaparecimento. Até o Exército Brasileiro se juntou à operação, com pelotões de soldados treinados em sobrevivência na selva. O que começou como uma busca de emergência rapidamente se tornou numa das maiores operações de resgate civil do Brasil. Ela foi batizada de Operação Marins. Para vocês terem ideia, a força-tarefa chegou a reunir nos dias de pico mais de 300 pessoas procurando na montanha. Tinha Polícia Militar, Corpo de Bombeiros de Cruzeiro de Guaratinguetá, soldados do 5º Batalhão Batalhão de Infantaria de Lorena, alpinistas voluntários, espeleólogos para procurar nas cavernas, mateiros locais de piquete de Delfim Moreira e Marmelópolis, pessoas que conheciam realmente cada centímetro daquela montanha. Aeronáutica cedeu helicópteros da Escola de Especialistas de Guaratinguetá que sobrevoaram toda a área em voos rasantes procurando qualquer coisa, qualquer mancha de cor que pudesse ser uma roupa, um corpo, uma mochila. Até um avião da Força Aérea também foi usado buscas voando em círculos sobre o Pico dos Marins, com pessoas procurando com binóculos. Cães farejadores foram trazidos, treinados para seguir rastros humanos. Eles receberam roupas do Marco Aurélio para que eles pudessem sentir o cheiro dele, aí foram soltos pela mata, pelas montanhas, para procurar. Eles correram, farejaram, mas não conseguiram encontrar nenhum rastro consistente. As equipes dividiram a área em setores, marcaram no mapa cada trecho já explorado, repetiram buscas em locais considerados mais prováveis, desceram a montanha com cordas de rapel, exploraram cavernas com lanternas, cortaram aberta, fechada com facões, abrindo caminho metro por metro. Soldados formaram fileiras humanas e caminharam lado a lado pela montanha como um pente gigante, varrendo o terreno, olhando para o chão e procurando qualquer coisa: uma pegada, um pedaço de tecido, um objeto caído, uma marca de giz numa pedra. Eles não encontraram nada. A Operação Marins durou 28 dias ininterruptos, de 8 de junho a 6 de julho de 85. Durante quase um mês, centenas de pessoas reviraram cada metro quadrado montanha. Lugares que pareciam inacessíveis foram alcançados, pedras foram viradas, buracos foram investigados e mata fechada foi cortada. A imprensa cobriu tudo de perto. Jornais de São Paulo e do Rio de Janeiro, do interior paulista, mandaram repórteres e fotógrafos para Piquete. A Rede Globo, a maior emissora de TV do país, cobria as buscas nos telejornais diários. O caso virou manchete nacional. Todo mundo acompanhava e torcia para que Marco Aurélio fosse encontrado vivo. O seu pai Ivo dava entrevistas quase todos os dias, sempre calmo, composto e sempre agradecendo os esforços. Já a mãe ficava mais nos bastidores, cuidando da logística, falando com Juan, tentando entender cada detalhe do que tinha acontecido. Mas conforme os dias passavam, sem nenhuma pista, nenhum sinal, a esperança começava a diminuir. Começava a ficar claro que algo muito estranho tinha acontecido. Como um garoto de 15 anos simplesmente desaparece sem deixar rastro numa montanha que estava sendo vasculhada por 300 pessoas? Depois desses 28 dias varrendo a montanha sem encontrar nada, as autoridades tomaram a decisão de encerrar a Operação Marins. No dia 6 de julho de 85 foi realizada uma coletiva de imprensa em Piquete. O comandante das buscas, ladeado por representantes da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros e do Exército, explicou à imprensa reunida que haviam feito todo o possível. As equipes foram desmobilizadas, os helicópteros voltaram para suas bases e os soldados retornaram aos quartéis. Os bombeiros voltaram para suas cidades e os voluntários para suas casas. Marco Aurélio não havia sido encontrado, vivo ou morto, não havia sinal dele. Mas a sua família Ivo e Nelma não aceitaram que as buscas oficiais tivessem acabado. Começaram a organizar suas próprias buscas. Contrataram guias particulares com dinheiro do próprio bolso. O Ivo subia a montanha quantas vezes fossem necessárias. Ele voltaria ali sempre, pelo tempo que fosse preciso. Nos primeiros dias do desaparecimento, eles chamaram atenção pela forma como se comunicavam. Davam entrevistas focadas em soluções práticas. Essa tranquilidade externa, essa racionalidade jornalística aplicada à dor mais profunda que um pai e uma mãe podem confiança em ti, seriam os que o manteriam funcionando pelas décadas seguintes. Durante meses, durante anos, o Ivo voltou ao Pico dos Marins repetidamente. Às vezes sozinho, com a família, com amigos, com voluntários que se ofereciam. Sempre procurando. Enquanto as buscas na montanha aconteciam, a Polícia Civil conduzia um inquérito paralelo pra investigar as circunstâncias do desaparecimento. O foco principal da investigação rapidamente se voltou pro Juan. Era ele quem era responsável pela segurança meninos. Era ele quem havia tomado as decisões que levaram ao desaparecimento do Marco Aurélio, e era ele responsável por uma série de irregularidades graves, segundo a polícia. Então, em primeiro lugar, foi a questão de ter sido decidido desde o início que eles só subiriam com um guia especializado, e chegando lá sem ajuda do guia, o Juan decidiu subir mesmo assim. Segundo foi o momento em que o Juan decidiu que ele deixaria o Marco Aurélio descer primeiro, marcando as pedras, guiando o caminho. O menino de 15 anos de idade que tinha visão limitada e que nunca tinha tinha estado naquela montanha antes. A polícia acreditava que o adulto responsável deveria ter descido ou que o grupo tivesse permanecido unido. Uma coisa que eu quero citar assim, porque foi uma fala de um dos meninos, foi uma fala do Osvaldo que machucou o joelho. No documentário ele fala, e se eu não me engano outros meninos também falam, porque eles dão entrevistas, né? E aí eles falam que não havia dúvida que o Marco Aurélio era o mais experiente para fazer decida, que ele com certeza conseguiria fazer essa descida e que todo mundo concordou que tinha que ser ele. Mas ao mesmo tempo, eu, né, acredito que eles deveriam ter ficado unidos. Em terceiro lugar, teve o lapso de 24 horas, que foi desde o momento em que eles se separaram do Marco Aurélio até o Juan relatar o desaparecimento para as autoridades. Foi um dia inteiro de buscas informais, né? Então, um dia inteiro sem ajuda da polícia, nessas buscas. Em quarto lugar, o Juan não tinha equipamento de primeiros socorros com ele, um equipamento que pudesse ser adequado para que ele tratasse o machucado do Osvaldo no local, sem que uma pessoa precisasse descer sozinha buscando ajuda. Em quinto lugar, é uma parte que me pega também. Esse caso eu conheço há muito tempo, já contei aqui no canal, né? Agora que eu tô contando novamente com muitas informações adicionais, né, com mais detalhes. Essa parte me pega muito, que é o momento em que eles encontram a marcação de giz do Marco Aurélio e o Juan de seguir pelo outro caminho mesmo assim. Que acabou. Athletic Brewing Company crafts award-winning non-alcoholic beers for those who want to be part of every round. With over 185 flavor awards, they're exceptional NA beers that fit your lifestyle and any social occasion. Summer's full of good times, and Athletic fits right in. Go to athleticbrewing.com to have brews delivered to your door, or find them at a bar, restaurant, or store near you. Near Beer, Athletic Brewing Company, fit for all times. Levando ele, na verdade, para o caminho errado, né, para eles se perderem na montanha e saírem lá do lado mineiro. Em sexto lugar, o momento em que eles conseguem chegar no sítio, e aí o Rua toma a decisão de voltar sozinho para mata para buscar o Marco Aurélio sem avisar as autoridades. Então, segundo a polícia, esse foi um momento crucial que eles já poderiam estava ajudando. O Juan foi interrogado várias vezes na delegacia de Piquetes e ele sempre manteve a mesma versão. Ele havia tomado a melhor decisão que ele podia, dado as circunstâncias que eles tinham. Ele disse que o Marco Aurélio era o monitor da patrulha, ele tinha capacidade de fazer a decisão sozinho, ninguém poderia prever o que aconteceria depois. E que aquela decisão que ele tomou de não seguir a última marcação foi porque ele acreditava que aquele caminho era melhor para que eles pudessem seguir com o Oswaldo, que estava machucado. Mas a família Simón, né, a família do Marco Aurélio, tinha suas próprias dúvidas. Tanto que, como eu falei pra vocês, eles eram próximos do Juan. E a Nelma decidiu conversar com ele, ter uma conversa só ela e ele. E essa conversa foi gravada. Na gravação, o Juan falou exatamente a mesma coisa que ele já tinha falado pra polícia. Inclusive, ele contou que ele tinha sido torturado pelos policiais em Piquete enquanto ele estava prestando depoimento na delegacia, tanto ele quanto o Osvaldo e o Ricardo. Ele disse que os três foram torturados, o que era verdade, isso realmente aconteceu. E na época, a polícia usava um... Um, como eu posso dizer, uns métodos ali de interrogação que eram do fim da ditadura militar, né. Isso aconteceu apenas um ano depois do fim da ditadura militar, ou seja, ameaças, violência psicológica e intimidação extrema. Os policiais colocaram arma na cabeça deles, eles gritavam, eles ameaçavam. O único que não foi torturado pelos policiais foi o Ramatiz, porque durante o seu depoimento ele estava acompanhado do pai. É bom lembrar também nesse ponto que o Oswaldo, o Ramatiz e o Ricardo tinham idades entre 14 e 6 anos, todos menores de idade e adolescentes. Eles estavam assustados, estavam traumatizados porque um dos seus amigos se perdeu na montanha, estavam exaustos porque eles tinham caminhado por muitas horas. Então isso tinha acontecido logo depois que a polícia se envolveu no caso, né, e nas buscas. Então eles estavam completamente exaustos e, além de tudo, estavam sendo torturados e tratados como suspeitos do crime. O mais debilitado emocionalmente com certeza era o Oswaldo. Então as pessoas diziam que ele se culpava porque ele que se machucou e por conta dele que o grupo se separou. O joelho ainda E as pessoas diziam que ele tava sendo mais dramático sobre aquele acidente, que não era tudo aquilo. E a polícia acabou se aproveitando dessa fragilidade. Em determinado momento, sob pressão extrema, eles fizeram com que o Oswaldo acusasse o Juan. Que ele dissesse coisas que, na verdade, não tinham acontecido, que ele distorcesse os fatos. Que ele criasse uma versão dos eventos que não correspondia com a realidade. O Oswaldo, completamente aterrorizado, disse o que os policiais queriam ouvir. Ele assinou ali o que não era verdadeiro. E dias depois, já de volta a São Paulo, ele começou a fazer um tratamento com profissionais da saúde mental. Foi aí que ele percebeu o que tinha acontecido com ele, né, ou o que fizeram com ele no interrogatório, que a polícia tinha forçado ele a dizer aquelas coisas. Então ele volta a piqueta, dessa vez com os pais. Ele dá um novo depoimento inocentando o Juan e dando exatamente a mesma versão que os outros dois meninos já haviam dado. Os três garotos afirmaram exatamente a mesma versão que o Juan contou desde o início. Mesmo assim, a polícia insistia em crime, mas provar esse crime era extremamente difícil. Não havia corpo, não havia nenhuma evidência de violência, não havia testemunhas de absolutamente nada além de decisões ruins que foram tomadas. Havia erro de julgamento? Sim. Negligência? Provavelmente. Irresponsabilidade grave? Com certeza. Mas que crime que pudesse ser provado em tribunal? Como eles não tinham nada mais que isso, a polícia não tinha como construir um caso. O inquérito ficou aberto por anos, com buscas esporádicas sempre que surgia uma nova pista, mas foi oficialmente concluído no dia 8 de abril de 1990, 5 anos após o desaparecimento do Marco Aurélio, ainda sem encontrar ele, sem encontrar corpo, sem não encontrar nada, sem indiciamentos a ninguém e sem respostas. O caso ficou registrado oficialmente como não solucionado. Na ausência de pistas reais, surgiram muitas pistas falsas ao longo dos anos. Uma das mais intrigantes envolvia um motorista de ônibus. Ele procurou a polícia dizendo que ele deu carona para um jovem maltrapilho, sem dinheiro, que pediu para ser levado até Pindamonhangaba. O motorista descreveu esse menino com características físicas muito parecidas com as de Marco Aurélio. A delegacia na época chamou o motorista para depor e aí teve uma ideia. Ele pediu que o Marco Antônio, irmão gêmeo do Marco Aurélio, ficasse em uma sala adjacente à sala dos depoimentos. Enquanto o motorista dava o seu depoimento, o Marco Antônio simplesmente entra na sala, o motorista para o que ele tava falando e diz: "Esse foi o menino pra quem eu dei carona". A semelhança dos dois, obviamente, era muita. Eles eram irmãos gêmeos idênticos. A única diferença era que o Marco Antônio não tinha estrabismo. Só que essa pista não levou a nada. Porque eles buscaram em Pindamonhangaba, em abrigos lá, conversaram com assistentes sociais e não tinha nenhuma pista do menino que tinha sido levado até lá. Eles nunca encontraram esse menino que o motorista citou. E aí, outra pista surgiu em um evento de escoteiros que estava acontecendo em Campos do Jordão, em um fim de semana de junho de 1985. Um dos chefes de um dos grupos de escoteiros disse que um menino apareceu dizendo que também era escoteiro e pediu um lugar pra dormir, e eles deixaram. No dia seguinte, quando voltaram pro lugar onde esse menino tava dormindo, ele não tava mais lá, mas tinha deixado um bilhete. Esse bilhete, ele agradecia. E aí, ele simplesmente sumiu. E muitas pessoas disseram que as características físicas desse menino batiam com a do Marco Aurélio. Mas como ele já tinha sumido, ele não tava mais lá, não tinha como confirmar. E esse bilhete que ele escreveu nunca foi preservado. Até se falou em uma seita chamada Borboleta Azul. A polícia recebeu uma denúncia que essa seita tava sequestrando jovens na região onde o caso aconteceu. O responsável pela seita deu um depoimento, e aí ele deu o endereço de onde esses jovens supostamente teriam sido mandados, e era pra Goiás. O Ivo pediu pra alguns amigos jornalistas que investigassem, né, essa dica. Então eles foram até lá, procuraram. Aquele endereço que ele passou era uma casa abandonada, e não tinha nada lá. Então essa A teoria da borboleta azul não levou a lugar nenhum. Como todo caso de pessoa desaparecida onde não tem rastro nenhum, sempre surgem videntes, médiuns, cartomantes, enfim. Sempre aparecem pra dizer onde o corpo está, onde a pessoa está. A própria polícia, na operação dos marins, chamou alguns pra lá. Essas pessoas desceram a montanha dizendo que tinham visões, que eles sabiam onde procurar. Porém, todas essas visões acabaram sendo falsas e os locais indicados por eles não tinha nada. Em algum momento, o Ivo e a Nelma foram até pra Peraba para falar com o Chico Xavier. Ele tentou se comunicar com o Marco Aurélio através da psicografia e ele não conseguiu. Depois de várias tentativas, ele explicou para os pais que ele só conseguia se comunicar com pessoas que já tinham partido, com desencarnados, com os espíritos de pessoas que tinham morrido. Para Ivo e Nelma foi um alívio enorme. Aquilo significava que ele poderia estar vivo. O Chico Xavier é muito conhecido, né, era respeitado por muitas pessoas. Então aquilo trouxe um pouco mais esperança para os pais. O Ivo, na verdade, como eu falei para vocês, era jornalista. Então Era muito cético, mas ele nunca recusava ajuda. Independente de quem fosse. Se a pessoa vinha oferecendo ajuda ou com alguma informação, ele sempre ouvia. Ele investigava tudo, e não porque ele acreditava em todo mundo, mas porque ele não queria viver com a dúvida de não ter investigado alguma coisa que poderia levar ao paradeiro do filho. Ao longo dos anos, o Ivo percorreu pelo menos 10 cidades diferentes. Sempre seguindo os relatos de possíveis avistamentos. E nenhum deles se confirmou. Em 2011, o Ivo viajou pra Brasília pra conversar com o general Moacir Ukowa. Especialista militar em fenômenos aéreos não identificados. Inclusive, ele tinha coordenado a investigação da noite oficial dos OVNIs, em 86. O general estava acamado, já idoso e fragilizado, mas mesmo assim ele recebeu o Ivo. O general explicou alguns conceitos sobre fenômenos aéreos anômalos, ele compartilhou o que ele sabia sobre casos brasileiros. Segundo o Ivo, o general disse que ele tinha pedido a devolução de alguma coisa ou alguém relacionado a esses fenômenos, mas nunca obteve resposta. A conversa foi longa, enigmática, e deixou o Ivo com mais perguntas mais do que respostas. Falando agora sobre a vida da família, é, a vida não parou, né, mas ela nunca mais foi a mesma. Os outros filhos cresceram, se casaram, tiveram filhos. Já o Marco Antônio, irmão gêmeo do Marco Aurélio, carregava o mesmo rosto do irmão. Então toda vez que ele se olhava no espelho, ele conseguia ver como o irmão estaria se ele estivesse ali. O Ivo continuou trabalhando como jornalista, mas por dentro ele ainda carregava aquela dúvida incessante, né, não passava um dia sem que ele pensasse no Marco Aurélio, sem se perguntar o que mais ele poderia fazer, sem repassar todas as informações, todos os detalhes, tentando encontrar alguma coisa que pudesse ter passado despercebido. Em 2011, ele lançou um blog chamado Escoteiro Desaparecido. Ali ele documentou absolutamente tudo: a cronologia do caso, as evidências, cópias do inquérito policial, reportagens da época, fotos. A família carregava cópias de páginas de investigações originais, cada laudo emitido pela delegacia. Era um instituto jornalístico documentar tudo relacionado ao desaparecimento do filho. Em 2013, o Ivo mandou confeccionar um retrato de progressão pra ver como o Marco Aurélio estaria. Então, eles usaram o irmão gêmeo, né, como base. E o artista forense criou imagens de como ele estaria com 20, 30 e 40 anos. As imagens foram divulgadas pela imprensa e os pais realmente esperavam que ele estivesse vivo em algum lugar. Se alguém o visse agora, talvez conseguisse reconhecê-lo. Várias pessoas entraram em contato dizendo que conheciam alguém bem parecido. Várias pessoas com amnésia em situações de rua foram submetidas a testes de DNA. Nenhuma dessas pessoas correspondeu ao Marco Aurélio. Nessa época, a Nelma adoeceu. Então, ela teve câncer, e ele veio bem aos poucos. Ela passou por tratamentos com a mesma determinação que criou os seus filhos. Mas infelizmente, ela acabou falecendo por conta do câncer em 2015. 30 anos depois do desaparecimento do filho. Então, ela faleceu sem saber o que tinha acontecido com ele. O Ivo também teve alguns problemas de saúde. Ele passou por 2 cirurgias cardíacas ao longo dos anos. O seu coração foi afetado por décadas de estresse, dor acumulada e esperança renovada, e todas as vezes acabando em frustração. Durante a pandemia do COVID-19, décadas depois do desaparecimento, a teoria extraterrestre voltou e ganhou um capítulo inesperado. Um ufólogo chamado Claudio Lattaro, amigo de Ivo, organizou uma série de lives pela internet sobre o caso Marco Aurélio. Ele conseguiu algo que ninguém havia conseguido em 35 anos: ele conseguiu reunir todos os envolvidos para falar publicamente sobre o caso. Em uma das lives estava Ivo, Marco Antônio, Oswaldo, Ricardo e Ramatiz, todos juntos pela primeira vez desde 1985, falando abertamente sobre o que tinha acontecido. Em outra live, o Juan apareceu e deu seu depoimento. O Marcelo Mesquita, produtor do documentário do Globoplay, que seria lançado anos depois e que já acompanhava a família e o caso desde 2018, comentou que acredita que o ufólogo conseguiu reunir todos justamente porque a explicação extraterrestre era, de certa forma, mais leve, menos dolorosa do que das outras teorias. Era uma teoria que não culpava ninguém, que não exigia respostas impossíveis, que oferecia uma espécie de consolo. Em 2021, 36 anos após o desaparecimento, a Polícia Civil de São Paulo reabriu oficialmente o caso. Qualquer possível crime associado ao desaparecimento já havia prescrito segundo a legislação penal brasileira. Homicídio prescreve em 20 anos, ocultação de cadáver em menos tempo ainda. Não havia mais possibilidade de processo criminal contra ninguém. Mas não foi por isso que o delegado Fábio Cabete reabriu o inquérito. Foram dois motivos muito específicos. As filhas do Afonso Xavier, o do sítio, que já estava morto, teriam começado a cavar na propriedade dizendo que estavam procurando os ossos do irmão João ou do Marco Aurélio. O João Carlos Xavier, o filho do Afonso que morava em anexo do sítio, havia desaparecido misteriosamente em 1989, 4 anos depois do Marco Aurélio, e ele nunca foi encontrado. Além disso, havia um boato em Piquete que dizia que uma outra filha de Afonso, que morreu do COVID durante a pandemia, teria feito uma confissão 3 dias antes de morrer. No áudio que começou a circular na cidade dizia que a filha de Afonso havia confessado que João, seu irmão, tinha matado Marco Aurélio e que estava enterrado embaixo de onde ficava a cama do pai, do Afonso. O João tinha sérios problemas mentais, tomava regularmente remédios controlados e era conhecido por moradores da região e pela família por ter rompantes de nervoso, de ações mais violentas. Ele havia sumido em 89, na mesma montanha que Marco Aurélio havia sumido anos antes. O áudio viralizou na cidade e chegou aos ouvidos da polícia. E aí o delegado Fábio decidiu que merecia investigação. Ele decidiu aplicar tecnologias modernas que não existiam em 85. Então, em julho de 2021, uma equipe de cerca de 40 pessoas realizou escavações na casa de Taipa, na base do Pico dos Marins, a mesma casa onde os garotos haviam estado na noite das luzes azuis. A polícia suspeitava que Marco Aurélio poderia ter sido morto e enterrado naquele local. Usaram detectores de metal para procurar por objetos metálicos enterrados, cintos, fivelas, apitos, qualquer coisa que Marco Aurélio estivesse carregando. Usaram cães farejadores treinados especificamente para localizar restos humanos de compostos. Escavaram durante dias com equipamento profissional. Eles não encontraram nada. O morador que gravou o áudio foi indiciado por ter vazado uma mentira. Segundo as investigações, a filha de Afonso estava entubada e não teve oportunidade de falar com ninguém. Entre 2023 e 2025, a polícia realizou novas varreduras com tecnologia ainda mais avançada. Drones equipados com radar de penetração no solo, capazes de detectar anomalias subterrâneas, mapearam o Pico dos Marins e fazendas ao redor. A polícia científica analisou os dados, identificou áreas suspeitas onde o solo parecia ter do perfurado ou onde havia densidades diferentes que poderiam indicar alguma coisa enterrada. Escavaram novamente e não localizaram vestígios. Em julho de 2025, 40 anos após o desaparecimento, a polícia retomou as buscas mais uma vez com equipamento mais eficiente. Uma nova fase das investigações começou, com equipes examinando minuciosamente cada ponto considerado relevante no entorno do Pico dos Marins. Encontraram algumas coisas: objetos antigos, fragmentos de metal, pertences humanos corpos não identificados. Ficavam bem perto do local onde uma das filhas de Afonso jurava ter visto uma cova rasa em 89, meses depois do seu irmão desaparecer. E também perto de onde um dos cachorros da polícia fez sinal de que havia algo, porém não era nada significativo, nada que pudesse ser ligado a Marco Aurélio ou a João Xavier. Até maio de 2026, quando eu tô gravando esse vídeo, nenhum vestígio do Marco Aurélio foi encontrado. Em 2018, Marcelo Mesquita, produtor e roteirista, começou a trabalhar no que se tornaria o projeto mais completo neto sobre o caso. Em novembro de 2022, a produtora Trovão Mídia lançou para o Globoplay o podcast Pico dos Marins: O Caso do Escoteiro Marco Aurélio. O podcast teve 10 episódios investigativos, cada um explorando um aspecto diferente do caso. O podcast ultrapassou a marca de 1 milhão de downloads, reacendendo o interesse nacional pelo caso. Pessoas que nunca haviam ouvido falar no Marco Aurélio descobriram a história. Jovens da idade que ele tinha, em 85, se identificaram com o garoto perdido na montanha. Até que em 12 de maio desse ano, o Globoplay lançou uma série documental baseada nesse podcast. São 8 episódios, com direção do Marcelo Mesquita, produzida pela Paranoid Filmes. A série mesclou formato documentário com dramatizações em estilo docudrama. A produção acompanhou as atualizações do inquérito entre 2021 e 2025. Eles também apresentaram materiais inéditos recuperados após quase 40 anos. Essa é a série que eu citei aqui algumas vezes, então quem se interessou bastante pelo caso, é legal assistir. Porque vocês vão ver o Ivo contando, o Marco Antônio, né, o irmão do Marco Aurélio. Tem vários detalhes que eu não conhecia. E como eu disse, tem os meninos que estavam também no dia do desaparecimento, né. Todos eles falam. Então, imagina, depois de todos esses anos, já adultos, casados, com filhos, com profissões, eles relembram, né, todo o caso. Tem algumas fitas cassetes com áudios de conversas entre o Juan e a Nelma. Que eu citei para vocês, que gravou a conversa com ele. Então a gente escuta pela primeira vez essa conversa depois de muitos anos. E o documentário também inclui o primeiro depoimento público do Oswaldo, agora como eu disse na fase adulta, né? E também acompanhou com exclusividade o uso de drones com radar de penetração do solo, então nas buscas mais recentes. E aí encerrando nessas buscas no fim de 2025, 40 anos depois do caso, o corpo do Marco Aurélio não foi encontrado. Ele também não foi encontrado vida. Eles não conseguiram encontrar absolutamente nada, o que é muito chocante, né? Ele tinha coisas com ele e nada foi encontrado. Até hoje só temos teorias, porque o que realmente aconteceu com ele continua sendo mistério. Com a reabertura do caso em 2021, uma das teorias que mais ganhou força foi a teoria do João Xavier, que eu acabei de citar para vocês, um dos filhos do Afonso, do dono do sítio, e que tinha problemas com detalhes graves. Ele tomava Gardenal, ele tinha acessos de raiva, episódios agressivos, momentos em que ele perdia o controle. Segundo relatos de pessoas que conheciam a família, o João não simpatizou com o grupo de escoteiros ali no dia anterior à subida na montanha. Quando o grupo chegou e montou o equipamento ali no quintal do sítio, tinha uma tensão no ar que ninguém soube explicar. A teoria sugere que o João matou o Marco Aurélio, talvez em um surto, talvez em um momento de violência impulsiva, enquanto o Afonso, pai dele, responsável por ele, cobriu o crime, enterrou o corpo em algum local próximo da casa. Na época, a polícia, né, fez buscas em dias de pico, como eu falei, com 300 pessoas ao mesmo tempo procurando na montanha, né. Então eles procuraram subindo. Naquele momento das buscas, ninguém procurou no sítio ou na casa do Afonso. O terreno do sítio nunca foi cavado na época porque eles não consideraram a hipótese dele ter chegado até o sítio, né. Então as buscas se concentravam na montanha. Foi só em 2021, 36 anos depois, que a polícia fez das escavações lá, eles não encontraram o corpo do Marco Aurélio, mas também não descartaram essa teoria. O João, que desapareceu 4 anos depois, também nunca foi encontrado. Há quem acredite que o Afonso, carregado pela culpa do que o filho fez, acabou se livrando dele, ou que o João tirou a própria vida, atormentado pelo que aconteceu. A teoria número 2 é sobre uma queda fatal. Essa é a teoria mais aceita por especialistas em montanhismo e investigadores que analisaram o caso com uma abordagem mais técnica. A ideia deles era simples: o Marco Aurélio descendo sozinho uma montanha que ele que ele não conhecia, tendo a visão, né, uma delas de 5%, a outra de 40%, então uma visão limitada, acabou se perdendo. Se o Marco Aurélio pegou uma trilha errada, né, como eu falei para vocês, tinham muitas trilhas secundárias, se ele acabou entrando numa mata muito densa ou se ele tentou cortar caminho e acabou se desorientando, ele poderia ter vagado por horas, por dias talvez, cada vez mais perdido, até sucumbir por desidratação, hipotermia uma queda fatal. Isso porque tem o Cânion dos Marins, que é uma formação geológica profunda com paredes íngremes e vegetação densa no fundo. Então, é considerado por especialistas o mais provável que poderia ter acontecido com o Marco Aurélio. Ali seria o local mais provável dele ter caído e morrido na queda. Se isso tivesse acontecido, seria possível que o corpo realmente nunca fosse encontrado. Tem um caso pra comparar com essa teoria, que acaba reforçando ela. Em 2018, um montanhista francês chamado Gilbert Eric Welterlin desapareceu no Pico dos Marins em circunstâncias semelhantes. Ele foi encontrado morto dias depois no Canyon dos Marins, uma área que havia sido vasculhada antes sem sucesso. O corpo estava em local de difícil acesso, coberto por vegetação. Se o Marco Aurélio caiu ali também, se o corpo ficou preso numa fenda ou coberto por folhas e galhos, poderia ter passado despercebido, mesmo com 300 pessoas procurando durante 28 dias. A ausência total de vestígios na montanha, nenhuma peça de roupa, equipamento, marca de giz, poderia ser explicada pela vegetação densa do Canyon cobrindo tudo, ou por animais carcineiros que dispersariam os restos mortais e os objetos. Já a terceira teoria é da abdução, né? É uma teoria que é sobre aquele momento que eles ouviram o grito e eles se assustaram achando que era o Marco Aurélio e viram várias luzes azuis. A teoria diz que o Marco Aurélio foi abduzido naquele momento por uma nave alienígena, e essa nave que tinha as luzes azuis, o grito e o apito que eles ouviram seria o Marco Aurélio ali no último momento pedindo pedindo ajuda antes de ser abduzido. É uma teoria que não é muito aceita, mas ela tenta trazer, né, uma explicação para esse momento das luzes e para o fato do corpo nunca ter sido encontrado. A quarta teoria é sobre um sequestro na base. Essa teoria inclusive foi muito defendida pela Sandra Ferreira, uma das delegadas que assumiu a investigação do caso. A ideia é que o Marco Aurélio conseguiu chegar na base e que lá ele foi sequestrado por alguém que viu esse menino jovem, sozinho, vulnerável, desprotegido e vestindo um uniforme de escoteiro. A Sandra argumentava que era muito improvável que o Marco Aurélio não conseguisse voltar pra base porque ele tinha treinamento, ele era mais experiente e eles acreditavam que ele ia conseguir voltar sim. Pra ela era muito improvável que ele se perdesse completamente na montanha. E a ausência total, né, de vestígios, pra ela apoia isso, que ele realmente conseguiu sair de lá. Se ele fosse sequestrado, ele poderia ter sido levado pra qualquer outro lugar. Ele poderia até estar vivo em algum lugar hoje. E sem memória, ou sem condições de conseguir voltar. Essa teoria do sequestro tinha uma vantagem investigativa enorme, que era o Marco Antonio, né. Uma pessoa, no caso, irmão gêmeo do Marco Aurélio, que tem exatamente o mesmo rosto que ele. Se o Marco Aurélio estivesse vivo, se ele tivesse sido levado e tivesse sido criado por outras pessoas, tem um irmão dele que tem exatamente o mesmo rosto dele, que... Poderia ajudar a identificá-lo. Foi justamente por isso que o Ivo pediu, né, que fosse criado aquela progressão de idade, para ver se dessa forma eles poderiam, né, encontrá-lo. Mas como eu falei para vocês, isso não levou a nada até hoje. Tem uma quinta teoria que é sobre o próprio Juan, né, o chefe ali dos escoteiros. Tem várias pessoas que acreditam que o Juan acabou matando o Marco Aurélio ou escondendo o corpo e criando aquela história de que pediu dele descer sozinho. Apesar de ter várias pessoas que acreditam nessa teoria, não tem evidências para ela. Muitas pessoas que acreditam nessa teoria pensam que pode ter acontecido um conflito entre Juan e o Marco Aurélio, mas não há evidência nenhuma disso. Também seria extremamente difícil para ele ter escondido um corpo numa montanha e logo nos próximos dias 300 pessoas estarem procurando e ninguém ter conseguido encontrar. E mais do que tudo isso, para mim, é os outros 3 meninos que estavam junto e que apoiaram exatamente a mesma versão que ele contou. É muito improvável pra mim que 3 adolescentes mantivessem ali uma mentira por mais de 40 anos. Depois que o caso aconteceu, o Juan deu os depoimentos e aí ele sumiu. Ele se mudou, ele desapareceu da vida da família Simon. Isso alimenta suspeitas sobre ele, mas não prova nenhum crime. Quem acredita nessa teoria fala muito sobre os itens deles que foram remexidos, sobre as 5 horas que ele ficou sozinho na mata procurando pelo Marco Aurélio. E sobre o momento em que ele decidiu não seguir o caminho que o Marco Aurélio pegou e seguir caminho contrário. Mas ao mesmo tempo podem só ter sido más decisões, né, já que não há evidências, é muito difícil acreditar sem ter provas, né. Mas de qualquer forma continua sendo uma das teorias e há muitas pessoas que acreditam que ele é o culpado. Tem uma sexta teoria que essa teoria acaba aparecendo em todos os casos de pessoa desaparecida, né, casos não solucionados, que é teorias de fuga. A teoria diz que ele aproveitou aquele momento que ele tava sozinho, descendo antes que todo mundo, para fugir. O que a família não acredita de forma alguma, ele tinha só 15 anos, não havia sinais de problemas em casa, ele que ele não tinha motivos pra querer fugir naquele momento. E o seu irmão gêmeo descartou completamente essa teoria, disse que os dois eram inseparáveis e que o Marco Aurélio jamais faria isso. Fora que ele não levou nada, né, os documentos, dinheiro, nada. Então, se ele realmente quisesse fugir, ele poderia ter levado as suas coisas. Então, chegamos em 2026, né, como o caso está hoje. O Ivo tem 87 anos, continua morando em São Paulo, ele ainda mantém o blog sobre o caso do Marco Aurélio e ele continua esperando pelo filho. Ele fala que como jornalista, ele trabalha com fatos fatos concretos, e ele não tem um fato concreto provando que o filho morreu. Ele fala que tem 50% de chance do filho estar vivo, e ele se apega nesses 50%. Já o irmão gêmeo, Marco Antônio, tá vivo até hoje, tem 56 anos. Todo ano, no dia 16, ele completa mais um ano de vida, e é impossível que ele não se lembre do irmão. É impossível não se perguntar o que aconteceu com ele, ou onde ele estaria se ele estivesse completando também 56 anos. Os outros irmãos também cresceram com essa da ausência, né, do Marco Aurélio na família. Uma família em luto, sem ter um corpo, sempre com aquela pergunta do que aconteceu com ele, sem nunca ter uma resposta. Já o Juan, ele foi afastado do escotismo depois que o caso aconteceu. Ele foi suspeito por anos. Ele vive na Bahia, ele apareceu no podcast de ufologia, como eu falei para vocês, quebrando inclusive décadas de silêncio público, né, sobre o caso. Os outros 3 garotos, alguns davam mais entrevistas que outros, mas todos seguiram suas vidas, né. E naquele momento que eles conseguiram juntar todo mundo no podcast, todos deram entrevista e deram a sua versão. E hoje, 40 anos depois, a gente ainda não tem uma resposta para esse caso. Todas as teorias são especulações construídas para tentar, né, explicar o que aconteceu, mas sem evidência. Após o caso acontecer em 1985, protocolos de segurança foram reforçados. Expedições a montanhas perigosas passaram a exigir guias certificados. Menores nunca deveriam ser deixados sozinhos em ambientes de risco. Mas para a família Simon, todos esses novos protocolos e lições não traziam o Marco de volta. No Pico dos Marins aconteceram outros casos também, outros acidentes e pessoas desaparecidas, mas os únicos casos não solucionados que aconteceram lá foram o do Marco Aurélio e o do João Xavier. Só esses dois. Eles foram os únicos a desaparecerem na montanha sem deixar rastros. Então, é isso. Assim, eu encerro esse vídeo aqui pra vocês. É... Sinceramente, a gente não faz ideia do que aconteceu. É muito esquisito, é muito estranho uma pessoa desaparecer assim, do nada. E ainda mais com todos os esforços, todas as buscas. Deles não terem encontrado nada. Eu acho que talvez, se a gente for pegar, né, todas as teorias e pensar de uma forma muito prática, talvez a que mais faça sentido seja a queda fatal. Porque aí, realmente, o corpo poderia estar num lugar muito difícil de encontrar. Mas ainda assim, muitas buscas foram feitas, né. Então, não sei. Quero saber o que vocês acham. A série tá no Globoplay, tem o podcast que eu citei também, pra quem quiser ouvir. E eu quero muito saber a opinião de vocês, o que vocês acham que aconteceu. Me conta aqui nos comentários. Não esquece do like, que me ajuda muito ajudar na divulgação do vídeo. E é isso! Para mais casos, siga o podcast Quinta Misteriosa e aproveite para avaliar em 5 estrelas se você gostou. Obrigada por ouvir e até o próximo caso!