ELA AVISOU QUE PRECISAVA DE AJUDA | Caso Lindsay Clancy #632
Ela era enfermeira. Ele vendia tecnologia e amava o mar. Juntos, construíram uma vida que parecia perfeita em uma casa à beira-mar em Massachusetts, com três filhos pequenos. Mas por trás das fotos de família, algo desandava — e os sinais não foram suficientes para evitar a tragédia. Até a noite em que tudo mudou para sempre. #632
Gisberta Salsi Jr.
- Deterioração da saúde mental de Lindsay após o nascimento do terceiro filhoansiedade pós-parto·obsessão por limpeza·pensamentos acelerados·insônia severa·diagnóstico de transtorno generalizado
- Os eventos trágicos do dia 24 de janeiro de 2023 e a morte das criançasrotina normal pela manhã·pedido de Patrick para buscar jantar·estrangulamento dos filhos·tentativa de suicídio de Lindsay·descoberta dos corpos por Patrick
- A vida de Lindsay Clancy antes da tragédia familiarinfância e formação·carreira de enfermeira·casamento com Patrick Clancy·nascimento dos filhos
- O tratamento médico de Lindsay e a falta de comunicação entre profissionaisprescrição de Zoloft·múltiplos medicamentos psiquiátricos·suspeita de transtorno bipolar·internação voluntária no McLean Hospital
- O julgamento de Lindsay Clancy e a tese da defesa sobre psicose pós-partoacusação de homicídio doloso·incapacidade mental como defesa·depoimentos de familiares e babá·diagnóstico de psicose pós-parto
- O impasse do júri e a anulação do julgamento de Lindsay Clancyjúri dividido·instruções Till-Rodriguez·intimidação de jurados·futuro do caso
- As teorias da internet e o impacto da opinião pública no casoacusações contra Patrick Clancy·análise de imagens de segurança·Lisa Rinna e a tese do estrangulamento·solidariedade online a Lindsay
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Oi, bonitas e bonitos, tudo bom com vocês? Eu sou Jaqueline Guerreiro e esse é o podcast Quinta Misteriosa. Aqui eu posto novos casos toda segunda e toda quinta. Aproveita para me acompanhar nas redes sociais para conteúdo extra de séries, filmes, livros e, é claro, true crime. E agora bora começar o caso de hoje. Lindsay Marie Musgrove nasceu em 11 de agosto de 1990 em Wallingford, Connecticut, uma cidade pequena e tranquila no interior do estado.
Era a caçula de Michael e Paula, o pai fotógrafo, descrito por vizinhos como parte de uma família trabalhadora e muito unida. Ela tinha uma irmã mais velha chamada Alison, que seguiria a carreira como assistente social, clínica licenciada, exercendo a profissão em Hatford. Quem conviveu com a Lindsay na Lyman Hall High School a descrevia como uma adolescente animada e sociável, dividida entre duas paixões que pareciam não ter nada em comum: o time de cheerleading no qual ela competia e o interesse crescente pela área da saúde.
Ela se formou em biologia na universidade em 2012 e logo em seguida ingressou em um programa acelerado de enfermagem no Massachusetts General Hospital, um dos hospitais mais respeitados dos Estados Unidos. Já o Patrick Clancy vinha de Scituate, Massachusetts, uma cidade litorânea a poucos quilômetros de Boston, na região conhecida informalmente como Irish Riviera por sua forte herança irlandesa católica. O Patrick era filho de Christopher Clancy, contratante de serviços de encanamento que é hoje aposentado, e da Susan Clancy, que trabalhou como enfermeira no South Shore Hospital por quase 4 décadas.
O Patrick cresceu ao lado de duas irmãs, a Erin e a Laura, e passou boa parte da infância navegando, paixão que carregaria para a vida adulta. Ele estudou no Boston College High School antes de se formar em administração pela Salve Regina University em Newport, Rhode Island. Ele construiu uma carreira sólida em vendas de tecnologia corporativa. Foi a irmã do Patrick, em conjunto com uma prima do lado da família, quem apresentou os dois.
A Lindsay era na época uma jovem enfermeira recém-chegada a Boston, vinda de Connecticut. O encontro deles aconteceu no verão de 2013 e o primeiro contato foi rápido bastante para que naquele mesmo verão o Patrick a levasse como sua companheira para a tradicional festa de família à beira-mar no feriado de 4 de julho. A Erin descreveria mais tarde a primeira a impressão que teve da Lindsay como a de uma pessoa doce, um pouco quieta, mas encantadora.
O namoro avançou de uma forma sólida ao longo dos anos seguintes, até que na véspera do Ano Novo de 2015, o Patrick a pediu em casamento no mesmo local do primeiro encontro dos dois. O casamento aconteceu em dezembro de 2016, próximo à casa onde a Lindsay passou a sua infância em Connecticut. Pouco depois, o casal se estabelece em Duxbury, cidade costeira e arborizada ao sul de Boston, com um pouco mais de 16 mil habitantes. O tipo de lugar onde as famílias se conhecem pelo nome e os fins de semana giram em torno de escolas, times infantis e igrejas.
Lindsay abriu carreira como enfermeira de trabalho de parto no Massachusetts General Hospital, função que exerceria por 9 anos, sempre lembrada por colegas como alguém serena e extremamente competente. Já o Patrick trabalhava em vendas de tecnologia de forma remota, muitas vezes direto de um escritório improvisado no porão da casa da família. A primeira filha do casal, Cora Marie Clancy, nasceu em 24 de dezembro de 2017, na véspera de Natal.
Cora se tornou uma menina cautelosa, ela se importava profundamente com os sentimentos das pessoas ao seu redor, adorava princesas, desenhos e artesanato, tinha um conjunto de brinquedos de mercadinho como um dos favoritos e que sonhava em ser médica quando crescesse. 2 anos depois, veio Dawson William Clancy, um menino de energia contagiante, fascinado por bombeiros, caminhões e pelo desenho Patrulha Canina. O terceiro e último filho, Callan Patrick Clancy, chegou em 26 de maio de 2022.
Por fora, a vida da família Clancy seguia um roteiro conhecido: o emprego estável, a casa na cidade litorânea, os aniversários no parque de trampolim, as fotos da família sorrindo em festas de verão. Foi só depois do nascimento do Callan, do caçula, que essa rotina passou aos poucos a desmoronar. O Callan tinha poucos meses de vida quando a Lindsay começa a se preparar para voltar trabalhar, né? Ela era enfermeira no hospital, então ela tava se preparando para voltar.
Essa não era a primeira vez que ela tinha ansiedade antes de voltar ao trabalho. Isso já tinha acontecido com a Cora, depois com o Dawson, e agora pela terceira vez. Então ela já tinha relatado episódios parecidos onde ela disse que ela conseguiu superar fazendo exercício físico, se alimentando bem, fazendo terapia, meditação e tendo um bom convívio social. Então ela já tinha passado por isso duas vezes, né? Agora pela terceira vez com o caçula, ela fez uma breve sessão fisioterapia.
E aí ela recebeu uma prescrição para Zoloft. O Patrick mais tarde entraria com um processo movido contra os profissionais que trataram da Lindsay, sustentando que os sinais de alerta da Lindsay remontam a esse período. Segundo essa ação que ele moveu, dias depois do nascimento do caçula em 2019, ele começou a notar um comportamento diferente na Lindsay. Ela tava com uma obsessão repentina por limpeza e por jogar coisas fora. Ela estava com pensamentos acelerados e uma sensação de energia incomum.
Ela chegou a descrever para o marido que ela se sentia extraordinariamente no controle de tudo. Semanas depois veio ansiedade pós-parto, o que já tinha acontecido antes, como eu expliquei para vocês, que se resolveu segundo o processo sem o uso da medicação que foi prescrita para ela. Ela se recusou a tomar medicação porque ela estava amamentando. E dessa vez, com o Callum, né, com o caçula, as coisas foram um pouco diferentes.
Então a Lindsay tirou 18 semanas de licença-maternidade, enquanto o Patrick tirou 12 semanas da licença de paternidade, voltando a trabalhar depois remotamente. Como o casal já estava prevendo o retorno da Lindsay no trabalho por volta de novembro, eles decidiram contratar uma babá que começaria em setembro e ficaria até início de dezembro. E essa babá trabalharia 3 vezes por semana. E aí, segundo o Patrick, no relato que ele deu para polícia, foi no final de setembro que a ansiedade da Lindsay voltou com tudo.
E dessa vez ele disse que era numa intensidade bem diferente das 2 vezes anteriores. A Lindsay procurou cuidado médico já naquele outono daquele ano. Inclusive, ela passou por vários profissionais e ela recebeu um diagnóstico inicial de transtorno de generalizada, associado a um quadro de transtorno de ajustamento com humor deprimido. E aí, ela teve uma lista extensa de medicamentos que foram prescritos pra ela. Desde antidepressivos até indutores de sono.
Boa parte dessas consultas iniciais, mais tarde seria relatado que foram feitas através de consultas online com enfermeiras especializadas. E essas consultas duravam cerca de 20 minutos cada. Ao longo dos meses seguintes, entre setembro de 2022 e janeiro de 2023, a Lindsay passaria pelas mãos de um psiquiatra duas enfermeiras especializadas e um terapeuta. Ou seja, um mosaico de profissionais, né, vários profissionais diferentes que, segundo os processos movidos posteriormente pela família da Lindsay, eles nunca tiveram uma visão completa e conjunta do quadro clínico dela.
O que os registros mostram, e só seria revelado publicamente anos depois, é que o comportamento da Lindsay já dava sinais de um padrão que ia muito além de apenas ansiedade. Ali ela já demonstrava um padrão bem mais complexo, com períodos de humor e energia elevados demais, alternados com episódios de exaustão profunda e insônia severa, chegando a dormir 3 horas por noite. Ela documentava esse vai e vem em um caderno. Então ela colocava ali exatamente quantas horas ela tinha dormido, como tava o humor dela, que remédios ela tinha tomado naquele dia.
Esse caderno, segundo o que a defesa apresentaria depois em juízo, ela expressava várias vezes pensamentos horríveis. Além desse caderno, ela ainda guardava um livro e um panfleto sobre ansiedade pós-parto, além de uma tabela onde ela acompanhava dia após dia todas as suas oscilações de humor. Na segunda semana de outubro, a Paula, mãe da Lindsay, notou que ela tava extremamente ansiosa sobre a volta ao trabalho. Ela enfrentava uma dificuldade com o Callum, o caçula, porque ele não queria pegar a mamadeira e ela tinha medo de deixá-lo, mesmo que fosse por poucos minutos.
No dia 20 de outubro, a Lindsay mandou uma mensagem para mãe dela pedindo que ela ficasse na casa dela por um tempo. Ela descreveu para mãe que algo estava errado, que ela estava sofrendo de insônia severa, que ela havia começado a tomar remédio para ansiedade, mas ela sofria que o remédio só piorava as coisas e que ela tava com medo. Foi ainda em novembro de 2022 que um novo medicamento entra, que ele se chama Seroquel. Então ele entra no tratamento dela.
E segundo relatos posteriores da Lindsay a profissionais de saúde, ela teria dito o quanto ela sentia que depois de ter começado a tomar esse medicamento, ela passou a registrar pensamentos suicidas passivos. Uma sensação difusa e recorrente de que ela preferia não estar viva. Sem um plano concreto pra isso. Ao longo dos 4 meses seguintes, ela foi medicada com 13 substâncias psiquiátricas diferentes, prescritas por profissionais distintos.
Então, entre eles antidepressivos como a sertralina, antipsicóticos como o Seroquel, sedativos, benzodiazepínicos como diazepam e clonazepam, e um estabilizador de humor. Uma revisão feita pelo jornal The Boston Globe a partir de registros do processo apontou mais de 30 receitas emitidas nesse período. Entre 6 e 15 de dezembro, o Patrick acompanhou a esposa em uma consulta presencial com a Rebeca Jolota, enfermeira especializada em psiquiatria do South Shore Health.
Foi a Rebeca quem pela primeira vez levantou a possibilidade da Lindsay ter transtorno bipolar. Segundo ela, o Patrick reagiu dizendo que a esposa não era bipolar. Em meados de dezembro, a Lindsay foi ao pronto-socorro do Massachusetts General Hospital relatando pensamentos persistentes de suicídio. Já em 20 de dezembro, ela foi avaliada no Centro de Saúde Comportamental Feminino do Women and Infants Hospital em Providence, e os psiquiatras que a examinaram concluíram que ela não apresentava sintomas de depressão pós-parto e atribuíram o quadro dela a uma combinação de excesso de medicação e diagnóstico equivocado.
A equipe chegou a entrar em contato com uma das enfermeiras responsáveis pelo tratamento da Lindsay para poder discutir o caso dela, mas eles nunca nunca tiveram retorno. No fim daquele mês, ela contou ao marido que vinha tendo pensamentos suicidas e, pela primeira vez, pensamentos intrusivos de fazer mal aos 3 filhos. Para Ano Novo, Patrick levou a esposa ao hospital depois que ela relatou vontade de morrer, uma sensação de dormência e pensamentos intrusivos envolvendo as crianças.
No dia 1º de janeiro de 2023, a Lindsay se internou voluntariamente no McLean Hospital em Belmont, um dos hospitais psiquiátricos mais respeitados do país. Dias depois de iniciar o programa de internação, ela teria dito ao marido por mensagem que ela sentia que ela não pertencia àquele lugar. Ela pediu alta antecipada para conseguir participar da festa de aniversário da filha mais velha, que foi concedida sem qualquer indicação por parte da equipe médica de que ela representasse risco a si mesma ou a terceiros.
Então ela voltou pra casa no dia 5 de janeiro de 2023, menos de uma semana depois de ter sido internada. Ela disse que os pensamentos intrusivos haviam cessado. Então ela saiu da clínica com a prescrição de um antidepressivo. 2 dias depois de receber alta, no dia 7, a Lindsay e o Patrick levaram os filhos pra uma festa no Nova Trampoline Park, em Plymouth, pra comemorar o 5º aniversário da Cora, atrasado, né, por conta do período de internação da mãe.
A Alison, irmã da Lindsay, estava presente e ela achou que ela parecia bem naquele dia. O sono dela tinha melhorado nos dias anteriores e o clima leve da festa deu a Patrick uma sensação de esperança, a de que a esposa finalmente começava a se recuperar. Mas nem todo mundo teve essa mesma impressão. A Bethany de Collibus, que é amiga da família e também esteve na festa, perguntou pra Lindsay sobre o sono e a resposta foi a de que as coisas não haviam melhorado e que ela ainda se sentia como um zumbi.
Pra Bethany, a Lindsay parecia cansada, não um cansaço físico visível, Mas algo diferente do de sempre. Por volta do dia 17 de janeiro, o Patrick procurou pessoalmente um profissional, um médico, para pedir que os medicamentos que a esposa estava tomando fossem revistos, porque ele disse que ela tava muito diferente, ela não parecia a mesma pessoa, os remédios tinham transformado ela em uma pessoa completamente diferente. Ele até disse que ela parecia um zumbi.
Porém, o pedido dele não resultou em nenhuma mudança no tratamento dela. Ainda assim, por fora, a Lindsay parecia estar melhorando. Então a irmã dela viu ela de novo no dia 19 e disse que ela parecia bem. Inclusive, a Alison era na época uma assistente social clínica licenciada, o que fazia dela uma comunicante obrigatória por lei de sinais de risco. Ela reconheceria depois nunca ter precisado acionar essa obrigação dentro da sua família.
No mesmo dia, segundo evidências posteriores, a Lindsay teria feito pesquisas sobre sintomas de psicose. No dia 22 de janeiro, no domingo, a família foi até a casa do Kyle Corney, que morava na mesma cidade que eles e era amigo do Patrick. O Kyle havia acendido uma fogueira para queimar os galhos ali na casa dele, então ele chamou chamou a família para ir até lá e eles foram, levaram as crianças menos o bebê. O Caio até comentou depois que a Lindsay estava mais quieta que o normal, mas que eles tiveram uma conversa na cozinha que foi normal.
E ele descreveu ela naquele dia como ela sempre era, disse que foi uma tarde perfeitamente normal e muito agradável. O que o Caio só soube detalhar depois é que o Patrick já tinha conversado com ele sobre o estado mental do estado da Lindsay. Ele tinha confidenciado para ele em conversas anteriores que ela tava passando por muita ansiedade. Ele também tinha contado algo que ele classificou como os piores efeitos colaterais possíveis desde que ela tinha parado de tomar alguns medicamentos, que eram o Valium e o Klonopin, que tinham sido prescritos para ela.
Segundo o Caio, era a primeira vez que ele via ela já há um tempo, que ele não esperava que ela fosse estar presente, né, quando ele chamou a família. Achava que ia ser só o Caio, e que devido às coisas que o Caio contou, ele não imaginava que veria ela bem daquela forma. A Paula até mandou uma mensagem naquela naquela tarde dizendo que era bom ver a filha dela parecendo melhor. Por volta desses mesmos dias, a Lindsay trocou várias mensagens com uma amiga de infância chamada Amy Bevins.
Ela contou para amiga que um dos remédios que ela tava tomando estavam trazendo pensamentos muito sombrios para ela. Mas aí ela também disse que ela já estava reduzindo a dose desse remédio aos poucos e testando novas medicações para tentar eliminar esse efeito. Para Amy, essa conversa dela foi uma conversa que tinha um tom de esperança, dava a impressão que as coisas estavam finalmente tomando um rumo. No dia seguinte, 23 de janeiro, a Lindsay teve uma consulta virtual com a Doutora Jennifer Tufts, que era sua psiquiatra desde o início do tratamento dela em setembro do ano anterior e responsável por tê-la acompanhado ao todo a 14 sessões desde o início do tratamento em setembro.
Ou seja, ela já tava cuidando da Lindsay faziam 4 meses. E aí, durante essa consulta, Lindsay disse que ela tava se sentindo sem motivação, dormente, que ela precisava se esforçar muito para conseguir sair da cama e também sair de casa, que ela tinha que se forçar, embora ela estivesse conseguindo mais fazer isso. Ela relatou episódios de ansiedade acompanhados de palpitação. A doutora ajustou a medicação que ela já estava tomando, mas ela não viu motivos para uma nova internação.
Segundo depoimento posterior dessa médica, Lindsay não tinha relatado, não relatou ideação homicida ou suicida, e jamais havia mencionado em nenhuma das consultas anteriores que ela tinha um plano para fazer mal aos filhos. Mas essa consulta aconteceu na véspera do dia que mudaria tudo. Então, naquele dia 24, pela manhã, a Lindsay leva a Cora pra uma consulta de rotina com o pediatra. E a equipe médica não notou nada fora do comum.
De volta em casa, ela fez um boneco de neve com a Cora e o Dawson no quintal de casa. Ela tirou fotos e mandou essas fotos pro marido e pra mãe dela. O Patrick descreveu mais tarde que aquele foi um dos melhores dias da Lindsay dos últimos tempos, que ele viu ela sorrindo e feliz. No final daquela tarde, a Lindsay pediu pro marido sair e buscar o jantar no restaurante Plymouth, que ficava um pouco mais longe que o de costume. Então, ele sai de casa e por volta das 17:15, ele recebe uma mensagem dela pedindo pra que ele passasse comprar alguns remédios pros filhos em uma farmácia CVS.
Então, ele vai até a farmácia e liga pra ela enquanto ele tava buscando ali, procurando os remédios. E ele notou que ela tava mais quieta durante a ligação, como se ela estivesse ocupada. E aí, ele desligou. E segundo ele, ele imaginou que naquele momento ela estivesse dando banho nas crianças. Segundo a promotoria, Lindsay teria pesquisado previamente quanto tempo levaria pro marido fazer. Os trajetos que ela pediu de ir buscar o jantar e ir na farmácia até ele voltar pra casa.
Calculando assim exatamente o tempo que ela ficaria sozinha com as crianças. Duas funcionárias testemunharam depois conversas breves que elas tiveram com a Lindsay durante esse tempo que ela tava em casa, pelo telefone. Uma delas foi uma gerente de uma farmácia CVS que ligou pra Lindsay pra perguntar sobre um substituto pro remédio que a filha dela precisava. Então ela queria saber se podia trocar a marca do remédio. E a outra pessoa era do restaurante em que ela tinha feito o pedido.
Então essas duas pessoas conversaram com a Lindsay por telefone naquela noite. As duas descreveram as conversas como sendo normais, que a Lindsay parecia calma, parecia estar entendendo o que elas estavam dizendo na conversa e que ela não engolia as palavras. Pra promotoria, mais tarde, esse momento específico seria crucial. E pra eles era um detalhe decisivo de que a Lindsay estava lúcida, que ela estava bem e que ela tinha pleno controle de si mesma enquanto ela estava fazendo o que ela fez naquele momento.
O que iria contra, que era completamente diferente do que a defesa dela iria descrever, que era uma mulher que estava completamente desconectada da realidade. Então, durante esse tempo que ela ficou em casa sozinha com os filhos, ela estrangulou as 3 crianças usando faixas elásticas, aquelas faixas de exercício físico. Segundo os promotores, ainda naquela noite ela pesquisou no celular jeitos de tirar a própria vida. O Patrick volta para casa às 6:09, a primeira coisa que ele nota é o silêncio na casa.
Então ele liga pra Lindsay, mas ela não atende. Ele subiu até o quarto do casal e disse que encontrou a porta trancada. Então ele forçou a entrada e encontrou sangue no chão e a janela aberta. Ele correu pra fora e encontrou a Lindsay caída no chão, na neve. Ela estava ferida no quintal da casa e ela perdia consciência e retomava a consciência. Às 6:11, ele liga pro serviço de emergência. Foi nesse minuto que a central despachou todas as viaturas pro endereço da família, relatando uma tentativa de suicídio.
Na conversão da chamada, dá pra ouvir o Patrick conversando, tentando conversar com a Lindsay, perguntando o que ela tinha feito, ao que ela respondeu que ela tinha tentado tirar a própria vida. Quando ele perguntou onde estavam as crianças, ela respondeu que estavam no porão, sem ter falado para ele que as crianças estavam mortas. Os policiais Stephen Howey e Brian Josephine, que foram despachados, né, para o local, policiais do Departamento de Polícia de Duxbury, eles foram em viaturas separadas e chegaram no local antes mesmo que o Patrick pudesse voltar para dentro da casa e tentar encontrar os filhos.
Então Stephen chega e encontra Lindsay caída no quintal com cortes nos pulsos e no do pescoço, que já haviam parado de sangrar. Enquanto os policiais cuidavam da Lindsay, o Patrick volta correndo para dentro da casa. Foi aí que os policiais ouviram ele gritar dizendo que ela tinha matado as crianças. Então o Stephen corre para o porão para ver o que tinha acontecido. Então ele entrou no porão e encontrou os filhos do casal ali.
Mais tarde, ao ser questionado sobre a cena que ele encontrou, ele disse que ele precisou buscar o capitão do corpo de bombeiros para conseguir um monitor cardíaco. E aí ele voltou pro porão. Já o Brian, o outro policial, ele permaneceu no quintal. E aí o Patrick volta para o quintal e fica gritando totalmente descontrolado e em estado de choque. Então o choque era tão grande que eles pediram uma ambulância só para ele. Bombeiros e paramédicos chegam no local e eles tentam reanimar as crianças.
O Kid Natty, que é o capitão do corpo de bombeiros, ele disse ter tentado intubação e compressões torácicas, além de medicação para reanimar o Dawson e a Cora, mas não funcionou. Funcionou. Uma das paramédicas relatou ter feito compressões no Callum, no mais novo, que inclusive foi o único dos 3 irmãos que apresentava um pulso fraco quando os profissionais chegaram no local. Segundo o que ela descreveu, a cena toda ficou muito caótica, muito rápido, com vários profissionais tentando reanimar as crianças.
Já a caminho do hospital, um bombeiro chegou a tratar a Lindsay para uma possível overdose de opioides. Já no julgamento da Lindsay, o Stephen, um dos policiais, ele deu o seu depoimento e ele se emocionou ao falar sobre toda a cena que ele encontrou, como foi todo aquele momento. Então ele tirou óculos e chora várias vezes. O Kevin, o advogado de defesa, optou por não fazer perguntas nessa parte dos depoimentos. Ele apenas agradeceu o Stephen pelo que ele chamou de um serviço incrível que ele prestou naquele dia.
Uma coisa que foi feita é para os jurados, o que não aparece muito nos casos, pelo menos eu não consigo lembrar de muitos casos que isso tenha acontecido, foi que eles decidiram levar os jurados até a casa, né? A promotoria levou eles até lá para que eles entendessem o trajeto até a casa, o trajeto da farmácia e do restaurante, para que, sei lá, visualmente eles conseguissem entender quanto tempo a Lindsay teve sozinha em casa com as crianças.
Ainda no dia em que tudo aconteceu, a Cora e o Dawson foram levados para um hospital, e logo que eles chegaram, eles foram declarados mortos. O Callum, que era o único que tinha um pulso fraco, ele tinha apenas 8 meses, ele foi levado para um outro hospital de helicóptero, e ele resistiu resistiu por mais alguns dias até que ele morreu no dia 27 de janeiro. O legista-chefe determinou que o Dawson e a Cora morreram por asfixia.
Já a morte do Callum foi registrada como complicação de asfixia, já que ele resistiu, né, por mais alguns dias até falecer. A polícia de Duxbury foi a polícia que chegou na cena. Eles rapidamente acionaram a unidade de detetives da polícia de Massachusetts para que eles assumissem a investigação. Ao todo, foram executados 11 mandados de busca. As equipes recolheram muitas coisas da casa, então eletrônicos, medicamentos, câmeras as amostras de sangue.
E foi nesse ponto que eles encontraram os cadernos da Lindsay, que eu citei pra vocês, que ela mantinha, né, escrevendo o que ela tinha tomado, como ela tava se sentindo. Basicamente, um diário, né. Então eles recolhem também esses cadernos. As faixas de exercício que foram encontradas no porão. Também tinha uma faca que foi encontrada junto. Elas foram analisadas em busca de impressões digitais. Mas nenhuma pôde ser identificada com clareza.
Tudo aconteceu na noite do dia 24. Então, no dia 25, enquanto o Callum ainda ainda estava com vida no hospital, a polícia já emite o mandado de prisão para Lindsay por 3 acusações de enforcamento e 2 de homicídio. A terceira acusação de homicídio para o terceiro filho, né, para o mais novo, só aconteceria no dia da morte dele, no dia 27. Já Lindsay permaneceu hospitalizada sob custódia policial constante. Como ela teve uma queda do segundo andar da casa, ela sofreu uma fratura na coluna, o que a deixou paralisada da cintura para baixo.
Então foram nessas condições, ainda internada e incapaz de se mover sem assistência, que ela permaneceu até a audiência de indiciamento formal. No dia 5 de fevereiro, ela usou um celular de um policial para deixar uma mensagem de voz para o Patrick dizendo que o amava. No dia seguinte, ela liga de novo e dessa vez ele atende. Ela teria confessado ter ouvido uma voz masculina e vivido o que descreveu como um momento de psicose, a voz instruindo que aquela era a última chance dela de tirar a vida dos filhos e de tirar a própria vida.
No dia 7 de fevereiro, ela foi formalmente indiciada em uma audiência remota feita por videochamada. Então ela tava no leito hospitalar e estava respondendo por homicídio e estrangulamento, e ela negou ser culpada. E ela foi mantida sob custódia estadual, posteriormente sendo transferida para o Tuckersbury Hospital, na unidade psiquiátrica onde ela permaneceria. A tragédia do que aconteceu na casa daquela família abalou toda South Shore.
Os moradores organizaram vigílias, eles deixavam presentes em frente a casa, bichinhos de pelúcia, flores também. Foi feita uma missa em memória às crianças, onde o padre disse que as crianças foram amadas e viveram uma vida feliz antes daquela semana. A gente tá falando ali de um lugar onde a cidade é pequena e tem muitas cidades vizinhas. E isso eu já expliquei pra vocês em vários vídeos, que em casos assim, nessas cidadezinhas ou em condados, muitas vezes são várias unidades de polícia ou unidades também, nesse caso, de equipes de emergências que foram chamadas.
Então Foram de várias cidades que precisaram prestar o socorro no dia que tudo aconteceu. Então, ao todo, foram 6 cidades vizinhas. O impacto na equipe de atendimento foi tão grande que muitos deles precisaram pedir por alguns dias de folga pra que eles conseguissem lidar com tudo que eles tinham presenciado. Uma vaquinha online foi feita pra ajudar o Patrick e rapidamente começou a reunir muitos doadores, mais de 15 mil pessoas doaram.
E rapidamente chegou a 1 milhão. Na campanha, o Patrick descreveu a Lindsay dizendo que ela era muito generosa e amorosa e que agora ele só torcia para que ela se recuperasse, ficasse bem, encontrasse a paz. No dia 15 de setembro de 2023, um grande júri de Plymouth County indiciou formalmente a Lindsay por 3 acusações de homicídio doloso em primeiro grau e 3 de estrangulamento, uma para cada filho. Dessa forma, o processo é movido da esfera do distrito para a Corte Superior de Plymouth, onde crimes dessa gravidade são julgados no sistema americano.
Em 26 de outubro, ela foi ouvida pela primeira vez desde de indiciamento, dessa vez a partir do Tuxbury Hospital. E ela voltou a se declarar inocente. Nos anos seguintes, a promotoria e a defesa travaram uma série de disputas jurídicas que se estenderam bem além de questões de perícia. Uma delas girou em torno da avaliação psiquiátrica da Lindsay, feita por um médico escolhido pelo estado. A defesa concordou que a maior parte da sessão fosse gravada, mas resistiu à gravação integral, alegando que isso poderia prejudicá-la clinicamente.
Outra disputa, ainda mais visível, tratou de como ela seria transportada até o tribunal quando o julgamento finalmente começasse. O Kevin, o advogado de defesa, insistia que ela fosse transportada em uma ambulância, argumentando que ela vivia sob risco real de suicídio e exigia supervisão médica constante durante o trajeto. A Secretaria do Xerife de Plymouth County contrapunha que uma van adaptada para cadeira de rodas já seria suficiente.
A questão chegaria perto da data do julgamento sem uma solução definitiva. Tanto Lindsay quanto Patrick, já separados, entrariam com ações civis distintas contra os profissionais de saúde que atenderam, alegando negligência. O argumento comum às duas ações é que a equipe médica falhou em reconhecer sinais de transtorno bipolar e psicose pós-parto diante de um quadro que se melhorava rapidamente e que a combinação de múltiplos remédios prescritos sem comunicação entre os profissionais impediu qualquer profissional de enxergar o quadro completo dela.
Depois da prisão, como eu falei para vocês, ela foi transferida para o Tuckersbury Hospital e ficou lá na unidade psiquiátrica, e é onde ela permaneceria nos anos seguintes. Enquanto isso, o Patrick reconstruiu a vida dele longe de Duxbury. Na primavera de 2023, ele se mudou para Nova York. Em fevereiro de 2024, ele deu entrada no pedido de divórcio. E ao lado das suas irmãs Erin e Laura, ele fundou ainda em 2024 a Heart Foundation, organização criada em memória da Cora, do Dawson e do Callum, com a missão declarada de melhorar o atendimento a pais em crise de saúde mental perinatal e no futuro erguer um centro de tratamento dedicado a esse tipo de cuidado.
Em outubro de 2024, ele deu uma entrevista à revista The New Yorker, na qual relembrou ter perguntado à ex-esposa em uma das conversas que tiveram depois da tragédia se ela havia planejado tudo aquilo. Segundo ele, a resposta da Lindsay que não, que havia sido algo repentino, como um estalar de dedos. Na mesma entrevista, definiu publicamente que não estivera casado com um monstro, mas com alguém que havia adoecido. Em abril desse ano, ele se casou novamente em uma cerimônia realizada em Nova York com uma médica reprodutiva chamada Rachel Dennis.
Enquanto ele reconstruía sua vida, Lindsay seguia internada no hospital. Inclusive, no caso dela, não se tratava de uma prisão convencional, mas sim de um hospital estadual que tem 370 leitos, a mais de 90 km do tribunal de Plainmouth, e que oferecia acompanhamento médico e psiquiátrico contínuo, além de fisioterapia, terapia ocupacional e assistência social. Paralisada da cintura para baixo desde a queda, a Lindsay seguia em tratamento fisioterápico dentro da unidade.
Se o Patrick decidiu reconstruir a vida dele longe de Duxbury, quem nunca se afastou da Lindsay foi a família dela. Os pais Michael e Paula e a irmã Alison se tornaram presença constante nas audiências ao longo dos anos seguintes, sempre sentados atrás dela no tribunal. Em uma das sessões, estavam inclusive ao lado de um padre de uma igreja de Duxbury. O Michael e a Paula reafirmaram publicamente mais de uma vez que a filha sempre havia sido uma mãe amorosa e que apoiariam da forma que fosse possível.
Então agora a gente vai para julho desse ano, quando teve o início do julgamento da Lindsay na Corte Superior de Plymouth, sob a presidência do juiz William Sullivan. A promotoria, representada por Jennifer Sprague e Shannon Buckingham, e a defesa, conduzida pelo veterano advogado Kevin Reddington, eles concordavam desde o princípio em um ponto: não havia dúvida de que a Lindsay havia causado a morte dos 3 filhos. A disputa girava inteiramente em torno de uma questão jurídica específica prevista na legislação de Massachusetts: se no momento dos crimes uma doença mental a privara da capacidade de compreender que o que ela fazia era errado ou de agir de acordo com a lei.
O estado da Tulsit segue nesse ponto uma regra pouco comum. Cabe à promotoria, e não à defesa, provar que a acusada mantinha plena capacidade de compreender a ilicitude dos seus atos, invertendo o ônus da prova que rege a maioria dos estados americanos. Além disso, diagnosticar a psicose pós-parto em retrospecto é, segundo especialistas, particularmente difícil, já que o quadro costuma alternar entre momentos de lucidez completa e episódios de desconexão da realidade, o que dificulta basear a avaliação apenas no relato da paciente.
Cerca de 30 países ao redor do mundo têm leis específicas para infanticídio pós-parto, com penas reduzidas ou encaminhamento direto a tratamento em vez de prisão. Os Estados Unidos, no entanto, tratam esses casos como qualquer outra alegação de insanidade. O Patrick foi a principal testemunha da fase inicial do julgamento, ficando 2 dias inteiros no banco das testemunhas, e ele foi a primeira pessoa a depor logo após as alegações iniciais.
Ele contou em detalhes como aconteceu a deterioração da Lindsay nos meses anteriores. Ele contou que uma das partes mais graves era a insônia que ela tinha, e ele também relembrou entre lágrimas como foi o que ele chegou na casa naquele dia 24. Inclusive, o júri ouviu a gravação que ele fez para emergência naquele dia. Eles puderam ouvir, mas eles concordaram que eles não queriam que essa gravação fosse pública. Então o tribunal permitiu apenas para que os jurados pudessem ouvir.
Quando essa gravação começou a ser tocada no tribunal, a Lindsay começou a chorar de forma descontrolada, sendo consolada ali pelo advogado. No contra-interrogatório, o Kevin apresentou ali para o júri o caderno da Lindsay, que ela anotava como ela tava se sentindo, se remédios que ela tomava, os pensamentos. Ali ele queria mostrar que ela era uma mulher disciplinada, que ela mantinha tudo registrado para ela poder controlar o tratamento dela, e não como uma pessoa fora de controle.
Além disso, o Patrick também confirmou que ela sempre tomava o remédio nas doses certas, no horário certinho. Ele disse que ele não via todos os horários que ela tinha que tomar os remédios, mas ele confirmou que isso com certeza era uma coisa que ela fazia. A defesa também usou esse momento para perguntar como era a rotina da Lindsay como mãe Fall never arrives all at once.
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Now playing. Como ela tratava os filhos, a questão dela publicar fotos e vídeos nas redes sociais, tudo para reforçar a imagem de uma mãe extremamente amorosa com os filhos e que jamais faria mal às crianças se elas tivessem essa consciência. Já a promotoria em uma nova roda de perguntas conduzidas pela Jennifer, eles buscavam tentavam fazer o contrário. Eles queriam usar a riqueza de detalhes do depoimento do Patrick sobre aquele dia, sobre como foi a cena que ele encontrou, e o método usado pela Lindsay como uma evidência de que havia sido premeditado.
A tese de que ela agiu de forma intencional e racional, não durante um episódio psicótico sem controle algum. Já a Lindsay, ela nunca subiu no banco das testemunhas. A defesa optou por não arriscar colocá-la em um contra-interrogatório, preferindo contar a história dela através de outros meios, como por exemplo mensagens de texto, os diários dela. Anotações de celular e depoimentos de amigos e familiares. Ao longo do julgamento, ela acompanhava tudo.
Então ela esteve presente todos os dias, em todos os momentos, sempre acompanhada de duas enfermeiras. Ela chorou em diversos momentos, principalmente quando eles mostraram fotos da autópsia dos filhos dela pro júri. A Elaine Rossi foi a babá contratada pela família pra cuidar das crianças 3 vezes por semana, de setembro até início de janeiro. Então ela trabalhou ali até final de dezembro. Ela cuidava deles enquanto a Lindsay se preparava pra voltar ao trabalho.
Descreveu a Lindsay como sendo uma mãe extremamente dedicada, mesmo enquanto ela enfrentava os problemas dela, né, como por exemplo a insônia e aqueles primeiros sinais que viriam, né, a se agravar depois. Ela chegou a confidenciar para babá que ela vinha lidando com alguns problemas depois do parto, e inclusive a Elaine, né, babá, sabia que ela tomava medicação prescrita. Sobre as crianças, ela descreveu o Dawson como sendo um menino brincalhão, bagunceiro e engraçado, o Callum como o bebê mais feliz e doce que ela já havia cuidado, enquanto a Cora era a mais tranquila dos E ela adorava fazer coisas manuais.
Depois foi a vez da Alison, irmã da Lindsay, de testemunhar. E ela disse que ela conseguia ver a saúde da irmã piorando durante todo o outono de 2022. Descreveu a irmã como alguém que se sentia dormente, que não tinha mais esperança. Ela contou também que no fim de dezembro a Lindsay confidenciou para ela que ela teve pensamentos suicidas todos os dias durante um mês. Ela relatou o pedido de alta antecipado da Lindsay, ela relatou as últimas vezes que ela viu a Lindsay antes daquele dia 24, onde ela, a Lindsay aparentemente estava bem, ela parecia estar bem.
Mas a irmã dela, sob pressão do interrogatório, reconheceu que ela jamais havia formalizado uma denúncia a respeito da situação da irmã, apesar da sua obrigação profissional como comunicante. A mãe delas, a Paula, também deu um depoimento. Ela tava visivelmente muito emocionada. Ela descreveu a filha como uma mãe muito dedicada e amorosa, cuja saúde mental começou a desmoronar em outubro de 2022, cerca de 3 meses antes da morte das crianças.
Ela contou que nesse período a Lindsay também pediu para que ela ficasse mais na casa. Então ela passou mais tempo lá entre outubro e dezembro, no período em que a Lindsay tinha muito medo de dormir sozinha. Ela tava cada vez mais paranoica, convencida de que toda aquela medicação que ela tava tomando estava destruindo a sua mente. Ela até relembrou de um momento que ficou marcado para ela naquele dezembro. Então ela disse que ela estava com a filha e o genro na cozinha quando a Lindsay, visivelmente nervosa, disse que precisava confessar uma coisa para os dois.
Ela revelou ali mesmo que ela vinha tendo pensamentos de fazer mal aos filhos. A Paula também que no mês seguinte, em janeiro, a Lindsay já dizia que ela não conseguia se lembrar de nada, atribuindo essa confusão à medicação que ela tomava. O Christopher, que é pai do Patrick, também testemunhou, e ele levou com ele um padre para o tribunal. Ele relatou que ele notou uma mudança na Lindsay no Dia de Ação de Graças de 2022. Ele disse que ela tava muito quieta, com o olhar mais ausente.
Ele contou que o filho também confidenciou para ele que tava muito preocupado com a saúde da esposa, e aí ele se ofereceu para ficar com as crianças por uma noite, mas o Patrick recusou. Ainda assim, ele elogiou as habilidades da Lindsay como mãe e reconheceu saber que ela estava enfrentando dificuldades para dormir e que ela não estava se sentindo bem. Pela defesa, o psicólogo forense Paul Zeisel diagnosticou a Lindsay com psicose pós-parto, descrevendo uma voz que ela relatava ouvir dizendo que ela deveria morrer e levar os filhos com ela, uma paráfrase sobre o que constou nos registros apresentados em juízo sobre o conteúdo das alucinações.
Ao psiquiatra forense da promotoria, Avram JNEC, que avaliou a Lindsay pessoalmente em abril durante 2 dias desse ano. Ele revisou quase 7 mil páginas de registros médicos e do processo. A Lindsay também descreveu em detalhe vívido a voz que ela disse ter ouvido, dizendo que a voz dizia que ela deveria matar os filhos e que aquela era sua última chance de se matar também. Já o psicólogo forense Kirk Halbrand, contratado pela defesa, ela relatou que ela sentia que ela tava observando a si mesma no momento em que ela cometeu os crimes.
Era como se ela fosse uma outra pessoa observando, uma espécie de associação. E ela recordou que ela dizia para os filhos uma frase pedindo que eles fossem para Deus. Porém, diante de outros peritos, ela disse não se lembrar dos detalhes, inclusive coisas simples que eles perguntavam, como por exemplo em qual pulso ela tava usando o relógio naquele dia. Ela também disse não se lembrar o que ela falou para o Dawson para conseguir convencer ele de descer com ela para o porão, e nem o que ela disse para Cora momentos antes também.
Ela também negou se lembrar de ter escrito no hospital, ao recobrar a consciência, que ela se sentia horrorizada com o que ela tinha feito, apesar desse registro existir.
Então ela fala que ela não lembra.
O Kirk atribuiu esse padrão a um fenômeno conhecido como dissociação peritraumática, que pode se parecer com psicose, mas clinicamente não é a mesma coisa. Ele concluiu que a Lindsay teria cometido uma tentativa séria de tirar a própria vida, acompanhada da morte dos filhos, por amor. Na lógica distorcida dela, ela acreditava que estava fazendo um favor a eles, levando-os consigo pro céu, ao invés de deixá-los na Terra sem ela.
Já o Gregory, pela promotoria, usou justamente essa dissociação associação, essa seletividade de memória, para questionar a Lindsay. Segundo ele, o fato da Lindsay lembrar de algumas coisas com uma precisão de detalhes, mas alegar esquecimento de outros, contradizia a ideia de que não havia uma decisão consciente no que ela fez. Pela defesa, o psiquiatra forense Donald Cowney, que nunca avaliou a Lindsay pessoalmente, mas revisou seus registros médicos, ele testemunhou que as anotações da Doutora Jennifer eram escassas demais, sem análise descritiva do estado mental da paciente e que os provedores de saúde dela reagiam a sintomas de dissociação que ela tinha apenas aumentando as doses das medicações, sem investigar mais a fundo do porquê estava acontecendo.
E aí tem outro perito da defesa, que é o renomado psiquiatra forense Philip Resnick, que ele já tinha testemunhado em outro caso famoso, o julgamento da Andrea Yates, que afogou 5 filhos. Ele descreveu a Lindsay como psicótica no dia do crime, dizendo que era como se ela fosse um fantoche, fosse outra pessoa puxando as cordas. Já o Avram, pela promotoria, discordou. Para ele, a Lindsay sofria de depressão grave, mas não havia evidência de transtorno bipolar ou psicose pós-parto.
Ele também destacou que duas semanas antes das mortes ela havia passado por uma internação psiquiátrica, onde ela não informou essas alucinações para nenhum dos profissionais que trataram dela. A promotoria encerrou a fase inicial da acusação com o perito forense digital Ian Wiffin, da empresa Celebrite, o mesmo especialista que havia testemunhado duas vezes em outro caso conhecido. O caso Karen Reed, que também teve muita opinião pública, aconteceu em Massachusetts.
Foram dois julgamentos e ele participou dos dois. Esse é um caso que inclusive eu vou contar para vocês aqui no canal em breve. E aí, continuando, foram dois dias de audiência no dia 19 e 20 de agosto, que terminou com o júri sendo dispensado mais cedo, o que nunca foi explicado exatamente do porquê. Foi descrito apenas como uma circunstância imprevista. O primeiro veio logo depois do Paul falar sobre essa suposta voz que a Lindsay disse ouvir, e o segundo foi depois do testemunho da capelã do hospital, a Sheila Kavanaugh, que contou que no dia seguinte à morte das crianças, no hospital, a Lindsay teria admitido ter matado os filhos e se dizia aliviada porque agora eles estavam em segurança.
E aí, encerrada a apresentação da defesa, a promotoria trouxe de volta o psiquiatra forense Gary Sattaf como uma testemunha de réplica, que é a última pessoa a depor antes das alegações finais. Eles trouxeram ele para oferecer o contraponto direto da tese da defesa. Segundo ele, a Lindsay tinha sim capacidade de distinguir o que é certo e o que é no momento em que ela matou os filhos. O Gregory relatou que a Lindsay descreveu para ele os momentos em que ela levou os filhos para o porão, um de cada vez, começando pelo Dawson.
E o porão era dividido em dois espaços, que era uma sala de estar e o escritório do Patrick. O Dawson foi morto no escritório, depois ela sobe para buscar a Cora, que foi morta nessa área de estar, e por último o Callum, que também foi morto nessa área. A promotoria chegou a insinuar, a partir desse ponto, a ordem escolhida. Começando pelo Dawson, eles disseram que poderia ser a criança mais difícil de lidar, a criança que mais teria chances de resistir.
E esse relato do Gregory dizendo, né, essas coisas, foi o bastante para que a promotoria sustentasse essa tese da premeditação, em contraste direto com uma versão de que aquele foi um episódio de descontrole psicótico defendida pelo Kevin. Em agosto desse ano chega o momento em que a tese do Kevin, né, da defesa, é que o que aconteceu naquele dia com a Lindsay foi que matou os filhos em um estado de psicose pós-parto que foi provocado por negligência médica.
Nesse dia, fora do tribunal, tinham muitas mulheres que estavam lá para apoiar a Lindsay. E mesmo o caso sendo extremamente pesado e triste, né, o que aconteceu, o que ela fez com os filhos, essas mulheres se identificavam de alguma forma com a história dela e com o que ela passou. Então tinham muitas mulheres reunidas lá, né, em frente ao tribunal, fazendo manifestações de apoio à Lindsay. A Renée Kimball foi a organizadora principal dessas manifestações.
E ela contou numa entrevista que ela já tinha lidado com ansiedade, depressão, depressão pós-parto, e que ela conseguia se enxergar no lugar da Lindsay. Essas manifestações foram convocadas por ela nas redes sociais, onde ela publicou pedindo que as pessoas, né, que também sentissem assim se reunissem pacificamente para apoiar a Lindsay. Então, nas redes sociais se formou ali uma espécie de consenso entre as mulheres, né, entre muitas delas, onde elas acreditavam que a própria Lindsay tinha sido uma vítima.
Foi nesse ambiente online que nasceu toda essa solidariedade pra Lindsay. Por mais que o que ela tenha feito seja, de novo, muito pesado. Ela estrangulou os filhos usando elásticos de exercícios. Então, apesar disso, muitas pessoas acreditavam nela, né. Muitas pessoas passaram por coisas parecidas e apoiaram ela. Então, isso foi crescendo muito nas redes sociais. E foi aí que vocês começaram a pedir muito pra eu trazer esse vídeo vídeo para vocês.
Eu queria que o julgamento acabasse para eu poder fazer esse vídeo, né, e trazer ele mais completo. E eu decidi colocar esse vídeo também, essa questão das teorias da internet. Hoje, tendo rede social, muitas pessoas falando sobre caso ao mesmo tempo, onde muitas vezes as pessoas dão a opinião que não é baseada em fatos, e muitas vezes as pessoas levantam questões que eu concordo que sejam super relevantes para muitos casos. Então, como esse é recente e tem muita especulação em volta dele, tem muita coisa na internet.
E foi no meio disso tudo que nasceram as teorias sobre o Patrick. Então, por que que eu decidi falar sobre isso no vídeo? Porque tá em todo lugar, né? Então são teorias que nasceram nas redes sociais. Isso é importante, tá, para vocês? São teorias, não é nada comprovado. Mas como é um caso muito recente, que eu acho que ainda pode ter muita essa reviravolta, eu acho importante trazer para vocês. Não para confundir vocês, mas para informar e vocês entenderem por que que essas teorias surgiram.
Parte do motivo para tantas teorias terem surgido é porque a Lindsay concordou com o que se chama estipulação dos fatos, um acordo que dispensa a promotoria de apresentar publicamente todas as evidências que eles têm. Isso deixou muitas lacunas no julgamento que foi televisionado, em momentos que ficava claro que tinha informações ali que estavam faltando. Foi justamente nessas lacunas que a galera na internet começou a criar teorias pra tentar preencher o que tava faltando.
Entre as teorias que foram criadas, eu vou citar pra vocês as que mais são discutidas na internet. A primeira teoria é sobre o Patrick e sobre uma armação completa. Nessa versão, ele mesmo teria cometido os crimes e colocado a culpa na Lindsay. Então, foi um post no Instagram que fez essa análise, criou essa teoria. E aí, isso estourou e todo mundo começou a falar sobre. A teoria diz que o Patrick Patrick teria um caso extraconjugal.
Então ele teria drogado a Lindsay a ponto dela realmente ficar alucinando e não lembrar das coisas. Ele teria deixado ela completamente fora de si. E aí ele mesmo teria sufocado os filhos até a morte. E depois convencido a Lindsay de que quem teria feito aquilo era ela. E dessa forma ela iria presa e não ele. A teoria número 2 é sobre as imagens que a gente tem do Patrick sobre aquele dia. Como eu falei pra vocês, ele precisou sair pra ir no restaurante e na farmácia.
E existem imagens das câmeras de segurança que mostram ele fazendo isso. As pessoas começaram a analisar essas imagens frame por frame, vendo todos os detalhes, e comparar as imagens dele saindo da CVS e indo até o restaurante. O que as pessoas estão enlouquecendo sobre essas imagens é porque parece que ele está com outra roupa, um calçado e uma jaqueta diferente. Então as pessoas acreditam que na verdade ele teria voltado para casa, se trocado, e aí ido fazer o restante do objeto até o restaurante.
Especialistas em imagem atribuíram essa mudança dizendo que na verdade era em relação à iluminação e às câmeras que fizeram as filmagens do que de fato uma roupa diferente, que é isso que eles acreditam que era. A terceira teoria é a de que o Patrick empurrou a Lindsay da janela. Para quem defendia essa teoria, eles acreditavam que depois de tirar a vida dos filhos ele teria feito isso porque ele também queria que a Lindsay morresse naquele dia.
Com isso, tudo se encerrava, ele se veria sozinho, sem nenhuma testemunha contra ele. A quarta teoria, ela cresceu muito, especialmente porque foi publicada nas redes sociais por uma mulher muito conhecida lá fora. Eu não sabia quem ela era, mas acredito que quem acompanha o The Real Housewives vai saber. É a Lisa Rinna. Ela publicou no dia 14 de agosto, sem ressalvas, dizendo que era uma coisa que ela acreditava, que ela tirou da cabeça dela.
Dela que o culpado era o Patrick e não a Lindsay. Ela justificou essa afirmação dizendo que as mulheres raramente vão cometer um crime de homicídio e vão usar o estrangulamento, que geralmente elas escolhem outras vias como envenenamento ou afogamento. Ela disse que é uma tese que ela até discutiu na terapia. Ela disse que ao descrever o caso e conversar sobre ele com a terapeuta, até a terapeuta chegou à conclusão de que o culpado realmente era o Patrick e não a Lindsay.
E aí a internet ficou maluca, né? Ela tem muitos seguidores, então quando ela postou esse vídeo viralizou. Mas muitas pessoas foram contra essa opinião dela, né, e disseram que inclusive acreditavam que o Patrick deveria processá-la por postar esse vídeo. Quando ela foi questionada, né, sobre a crítica das pessoas com o vídeo que ela postou, ela disse que ela continuava acreditando no que ela postou e que era uma opinião pessoal e que ela era livre para expressar sua opinião.
Alguns jornalistas chegaram até a apresentar dados do FBI que contradiziam essa teoria dela, afirmando que mulheres são estatisticamente mais propensas do que homens a recorrer ao estrangulamento, ainda que homens cometam a maioria dos crimes violentos em geral. Outras vozes online começaram a apontar outras coisas sobre o Patrick, que eles conseguiram achar nas redes sociais coisas sobre o comportamento dele, como ele seguiu em frente com a vida dele depois que tudo aconteceu.
Algumas pessoas levantaram o fato de que ele fez alguns posts logo depois do funeral dos filhos nas redes sociais. Ele também foi criticado por ter perdoado a Lindsay publicamente logo depois que tudo aconteceu. Então as pessoas falavam que não era uma reação normal ele ter esse perdão tão rápido diante da morte dos 3 filhos. Parecia artificial demais, que não parecia genuíno. Uma coisa que chamou muita atenção das pessoas na internet foi que 28 dias depois da morte dos filhos ele estava na Costa Rica com a mulher que ele iria se casar depois.
Só para vocês terem ideia de como a internet acha as coisas, encontraram uma review que ela deixou de um passeio. E essa review foi feita em 2025. E ela escreve assim que é a terceira vez que eles faziam, que eles já tinham ido em 3 oportunidades pra esse passeio, que era sempre muito incrível. E na review ela fala, é a nossa terceira vez. Então as pessoas acreditam que ele tem feito isso desde 2022, quando ela alegava que estaria sozinha.
As pessoas acham que ele já estava com ela e que esse comentário prova isso. Então assim, teorias da internet, né? Toda essa questão dele com a nova esposa é um grande assunto no TikTok, porque ele disse que ele se mudou 4 meses depois, né, para Manhattan, e que ele conheceu a nova esposa lá. Mas muitas pessoas encontraram que ele fez várias viagens para Manhattan antes mesmo da morte dos filhos. E indo mais longe, dizem que aquelas pesquisas de como cometer suicídio, quem teria feito foi o próprio Patrick.
Então ele teria pesquisado isso para ficar lá essa evidência no lugar da Lindsay, como se ela tivesse pesquisado, mas que naquele momento quando a pesquisa foi feita ela não estava em casa, então não poderia ter sido ela. Outra coisa que na internet falam sobre essa teoria e sobre as coisas que encontraram foi que nas imagens mostra ele segurando o Apple Watch, que acreditam que seja o Apple Watch da própria Lindsay, que ele teria pegado dela.
E aí ele estaria mandando mensagens do Epowatch para ele mesmo, como se ele fosse a Lindsay. E em uma das câmeras de segurança dá para ver ele segurando o relógio. Eles até mostraram o relógio no tribunal. Então muitos acreditam que na verdade ele mesmo tava mandando essas mensagens enquanto ela tava na casa. Outra coisa que a internet também levantou foi a questão de um email que o Patrick falou várias vezes que teria sido enviado do laptop dele e não do celular dele.
E se fosse pelo laptop do escritório dele, pelo horário, ele teria que estar em casa. Mas aparentemente, naquele horário, ele já teria saído para fazer as coisas que a Lindsay pediu. E as pessoas vão além, né, falando que ele já se casou com ela, que a nova esposa está grávida e que ela parece muito fisicamente com a Lindsay. Então eu quis trazer tudo isso para vocês nessa parte porque tá por toda a internet, mas nem tudo isso foi dito no julgamento, né, nem tudo isso foi atribuído como evidência.
Então é difícil quando tem tanta coisa assim, que daí muita coisa vira especulação, teoria. A gente não sabe exatamente o que é real, o que não é, o que é comprovado e o que não é. Até porque muitas pessoas, né, os investigadores online que vão encontrando essas coisas e vão postando. E tem um vídeo específico também em que um criador de conteúdo, ele ficou obcecado pelo caso. Ele monta uma linha do tempo exatamente colocando os horários do que se sabe e estimando.
Por exemplo, se ele entrou na farmácia tal horário, isso daria pra ele Fall never arrives all at once.
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Tentando montar uma linha do tempo exatamente do momento em que o Patrick saiu da casa e que ele retorna para casa, momento que ele já estaria na casa, momento que ele faz a ligação. Então assim, as pessoas realmente estão tentando de todas as formas preencher essas lacunas. E aí por isso que tem tanta teoria. Então a maioria dessas teorias coloca colocam a culpa no Patrick. E por que que eu acabei de falar isso para vocês? Porque a defesa da Lindsay nunca contestou a autoria dos crimes, em momento algum.
Então isso é uma coisa que tá rolando na internet, né? Mas a defesa dela nunca colocou uma dúvida sobre a autoria dos crimes, levantou que poderia não ter sido ela, que poderia ter sido o Patrick. Em momento algum eles fizeram isso. Eles reconhecem que ela cometeu os crimes. A estratégia inteira do caso para eles ficar apoiava em cima do argumento de incapacidade mental, que naquele momento ela não tinha capacidade de entender o que estava acontecendo, né.
Inclusive, um promotor que conversou com a CNN disse que se tivesse qualquer dúvida razoável ou por menor que fosse que apontasse para o Patrick, a defesa certamente teria explorado essa teoria, e ela não o fez. E aí eu tava acompanhando o caso, né, para ver o que aconteceria no final desse julgamento, e eles chegaram no impasse no dia 27 de agosto. Depois de 5 semanas de julgamento e mais de 80 testemunhas ouvidas, a promotoria e a defesa fizeram suas alegações finais.
E aí chega a parte do júri, que inclusive era composto por 9 mulheres e 3 homens. Então é tudo entregue a eles, eles precisam deliberar. Coube ao júri decidir entre 4 possíveis caminhos: condenar Lindsay por homicídio doloso em primeiro grau, por homicídio em segundo grau, por homicídio culposo, ou considerá-la não mentalmente responsável por doença mental. Essa questão do alegar insanidade é muito usada em vários casos. Casos.
E aí geralmente eles tentam provar o contrário, provar que a pessoa estava sã sim, que ela sabia sim o que estava fazendo. Mas no caso da Lindsay, pelo menos online, essa dúvida é muito gigantesca. As pessoas falam muito sobre o fato dela ter pedido muitas vezes por ajuda, por ela ter consultado com vários médicos diferentes, por ela ter expressado em voz alta para mãe dela, para o ex-marido dela, que ela tinha pensamentos suicidas, que ela tinha pensamentos de machucar as crianças.
Então foram coisas que ela estava ali já demonstrando ao longo das semanas e não foi uma coisa do nada que teve um surto de um dia para o outro, né? Foi escalando. Então as pessoas falam muito sobre isso, sobre o fato dela ter pedido sim ajuda e ter procurado ajuda de todas as formas que ela podia. Cada uma dessas opções para o júri, né, são 4 desfechos diferentes que têm condenações diferentes. Se ela recebesse acusação por homicídio em primeiro grau, isso significaria prisão perpétua, provavelmente sem possibilidade de liberdade condicional.
Agora, se ela recebesse uma condenação pelas acusações que são menores, com certeza abriria caminho para prisão, mas aí no futuro ela poderia conseguir a liberdade condicional. Agora, se ela fosse absolvida por doença mental, ela provavelmente seria levada para internamento em uma clínica psiquiátrica, provavelmente de segurança máxima também, onde ela ficaria por tempo indeterminado. Na terça-feira, 1º de setembro, quarto dia de deliberação, os jurados enviaram ao juiz William Sullivan o primeiro bilhete informando que eles não conseguiram chegar a uma decisão unânime.
O William optou por não dar nenhuma instrução especial naquele momento, ele simplesmente mandou o grupo de volta à sala de deliberação para continuar tentando. No dia seguinte, na quarta-feira, quinto dia de deliberação, e já com 28 horas de discussões acumuladas, o júri enviou um segundo bilhete relatando o mesmo impasse. Dessa vez, o William leu as chamadas instruções Till-Rodriguez, conhecidas nacionalmente como Dynamite Charge, um recurso de último caso usado por juízes para tentar evitar anulação do julgamento, pedindo aos jurados que reconsiderassem a razoabilidade das suas opiniões e continuassem buscando um veredito unânime.
Na mesma quarta-feira, uma moradora de Sutton chamada Dawn Light, de 56 anos, foi indiciada por suspeita de intimidação a testemunhas e jurados, acusada de ter filmado os jurados no dia ao saírem do tribunal. Na quinta-feira, dia 3, sexto dia de deliberação, a defesa tentou sem sucesso que um jurado específico fosse removido do painel. E mesmo que, segundo o que se soube depois, era o único voto contrário a considerar a Lindsay não criminalmente responsável por doença mental contra os outros 11, o pedido foi negado e os jurados voltaram para casa ao fim do dia ainda sem o veredito.
Na sexta-feira, dia 4, sétimo dia de deliberação, a defesa fez um pedido de emergência à Suprema Corte Judicial de Massachusetts buscando autorização para questionar mais a fundo esse mesmo jurado, sob alegação de que ele estaria descumprindo seguindo as instruções do juiz sobre dúvida razoável. O pedido foi negado. Horas depois, após acumular cerca de 38 horas de deliberação ao longo de 7 dias, o júri comunicou pela terceira vez que permanecia irremediavelmente dividido.
A nota final dizia que era com o coração pesado que eles informavam não conseguir chegar a uma decisão unânime. O juiz declarou anulação do julgamento naquela mesma tarde. O Kevin, advogado da Lindsay, visivelmente frustrado, atribuiu publicamente ao jurado dissidente a responsabilidade por impedir o que ele considerava o desfecho correto do caso. Já o promotor distrital de Plymouth County, quase 25 anos, Timothy Kross. E então, concorrendo à reeleição sem oposição, defendeu a atuação da sua equipe, classificando as acusações de homicídio doloso em primeiro grau como justas e apropriadas diante das provas e da lei.
Ele também criticou duramente o tratamento recebido por Jennifer e Shannon, as duas promotoras responsáveis pelo caso. Segundo Timothy, elas tiveram endereços pessoais expostos publicamente, receberam ameaças direcionadas a elas e às suas famílias, e foram alvo de zombaria constante nas redes sociais ao longo de semanas, apesar de serem ambas mães. Ele chegou a dizer, então, indignado, que criminosos vinham sendo tratados como vítimas enquanto as vítimas reais do caso se tornaram invisíveis.
Sem se comprometer naquele momento com a decisão sobre buscar ou não um novo julgamento, ele disse apenas que a resposta viria em breve. Uma audiência de status ficou marcada para o dia 29 de setembro, quando se espera saber os próximos passos do caso. Horas depois, o Patrick se manifestou pela primeira vez desde o fim do julgamento por meio de uma nota divulgada pelo seu advogado David Mayer. Nela, ele agradeceu ao tribunal e aos jurados pelo trabalho, pelo empenho e pela perseverança ao longo dos 7 dias de deliberação.
Disse que a perda dos filhos era algo do qual jamais se recuperaria e que para ele nunca haveria um verdadeiro encerramento daquele capítulo. Sobre a possibilidade de um novo julgamento, classificou a perspectiva de reviver a tragédia como extraordinariamente dolorosa para ele, para família dele, para todos os envolvidos. Já Kevin declarou estar pronto para um novo julgamento caso a promotoria decida seguir esse caminho. Disse ter testemunhas organizadas e que se considera preparado para recomeçar o processo do zero.
Ele afirmou ainda ter certeza de que Timothy decidirá processá-la novamente por homicídio em primeiro grau, dado o e a reputação dele à frente do cargo. Então hoje a Lindsay segue internada em uma unidade psiquiátrica estadual, onde ela já tá há mais de 3 anos. Entrevistada pelo psiquiatra da promotoria em abril desse ano, ela se descreveu como alguém que passa a maior parte do tempo sozinha na cama, com pouco convívio com outros internos, mantendo apenas acompanhamento regular com o terapeuta.
Segundo ele, ela afirmou que não gosta da comida servida na unidade e reluta em alguns dias a tomar banho por depender da ajuda da equipe. Ela recebe visitas com alguma frequência e às vezes as pessoas trazem comida ou bebida de fora para ela. Sobre a sua condição física, os médicos informaram já nos primeiros dias de internação em 2023 que a paralisia da cintura para baixo é permanente. Com o julgamento anulado, não existe até o momento nem condenação e nem absolvição, apenas um impasse formal que cabe agora ao Ministério Público de Plymouth County decidir como vai resolver.
A partir daqui, a promotoria tem essencialmente 3 caminhos: levar a Lindsay a um novo julgamento com outro júri, mantendo as acusações originais ou reduzindo-as, arquivar o caso ou buscar um acordo judicial com a defesa. Caso eles optem por não julgá-la novamente na esfera criminal, a Lindsay ainda poderia enfrentar um processo civil separado de internação compulsória, o que na prática poderia mantê-la internada por tempo indeterminado, mesmo sem nunca ter sido condenada.
Paralelamente, o processo civil movido pela Lindsay contra os profissionais que a atenderam antes das mortes das crianças segue o seu curso. Do lado da família dela, uma vaquinha online batizada de The Musgrave Family Fund ultrapassou mais de 1 milhão de dólares logo depois da anulação do julgamento. A meta foi elevada para 3 milhões diante da perspectiva do processo se estender por mais tempo. A campanha, criada por alguém fora do círculo íntimo da família, tem, segundo a organizadora, conhecimento e consentimento dos pais da Lindsay e destina os recursos diretamente a eles pra cobrir os custos de ficar longe de casa enquanto acompanham a filha a cada audiência.
O alcance do caso ultrapassou os tribunais. Até o Donald Trump comentou sobre a Lindsay com os jornalistas, chamando o episódio de uma tragédia e dizendo que ela havia feito algo terrível. Sem se comprometer, porém, com uma opinião sobre qual deveria ser a punição. Chau Petlove, que apesar de nunca ter sido apontado como suspeito por qualquer autoridade envolvida na investigação ou no julgamento, segue sendo alvo de teorias e acusações que circulam livremente pela internet.
Um capítulo à parte de um caso que, mais de 3 anos depois da tragédia, ainda tá longe de ter um desfecho definitivo. Como a gente não tem um resultado para o julgamento, foi anulado, e tem muitas coisas que podem acontecer, pode ser que tenha um novo julgamento, pode ser que não. Então nesse momento a gente tá estagnado assim no caso. Eu não acho também que isso vai se resolver rápido, por isso que eu decidi trazer o caso para vocês agora.
Eu tava só esperando acabar o julgamento porque eu achei que ia ter um desfecho, né, não teve. Como é um caso muito recente, de novo, eu ainda acho que pode surgir muita coisa, e aí eu não sei como funciona para eles essas coisas que vão surgindo da internet. Eu não sei nem se é admitido como uma prova, se para eles funciona como prova, como por exemplo uma review deixada de um passeio. Não sei exatamente como funciona isso, né, essas pequenas coisas, além do que é de fato evidência aqui.
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Other Mommy, directed by Rob Savage, rated R, in theaters October 9th.
Tem, com certeza, dos horários que foi feito as ligações no dia, do momento em que o Patrick saiu, que o Patrick voltou, no momento que foi feito a ligação, enfim, o que é mais consistente, né? Então é um dos casos mais comentados do momento, é um caso muito doido, muito maluco. E para mim, o mais doido de tudo é esse pedido de socorro da Lindsay, que era um pedido em voz alta para pessoas falando que ela não tava bem. Meu Deus, se eu tento me colocar no lugar assim, se eu escuto, sei lá, minha irmã falando que ela não tá bem, que ela tá tendo vários pensamentos suicidas, para mim isso já é uma bandeira vermelha enorme da saúde dela.
Se ela fala que ela tá pensando em fazer coisas ruins com os filhos, 3 crianças, para mim é muito chocante que ninguém tenha feito nada mais sério, que ninguém tenha pensado, tá bom, vamos pegar um profissional bom que vai tratar ela, que vai diagnosticar, e não ficar fazendo consulta online com vários profissionais diferentes que ela falava que ela tava sentindo, eles não mudavam a medicação, que claramente mexeu com ela. Porque até o próprio marido disse que ela era uma pessoa antes e depois da medicação.
Então é um caso que eu vejo muita negligência, né, por várias partes. Eu acho que essa é a parte mais triste, ela ter pedido ajuda e não ter conseguido, né, e ter resultado nesse final trágico. Então é isso, quero muito saber o que vocês acham desse caso, se tem alguma teoria que eu não citei, alguma coisa que que eu deixei de fora que vocês acham que vale a pena discutir, coloca aqui nos comentários. Não esquece do like, me ajuda muito na divulgação do vídeo.
Então é isso, para mais casos siga o podcast Quinta Misteriosa e aproveite para avaliar em 5 estrelas se você gostou. Obrigada por ouvir e até o próximo caso!