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O QUE ACONTECIA DENTRO DA CASA DO PASTOR? CASO MIKA MILLER #630

28 de setembro de 202634min
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Ela cresceu cantando dentro de uma igreja pequena, colocando a fé acima de quase tudo. Anos depois, o nome dela seria reconhecido — não pelo que cantava, mas pelo que ela viveu dentro de casa. Esta é a história de uma mulher que pediu ajuda de muitas formas diferentes, e de um sistema que não conseguiu escutá-la a tempo. #630

Participantes neste episódio1
G

Gisberta Salsi Jr.

Host
Assuntos10
  • A morte de Micah Miller e a reação do pastor JPcompra de arma e localização·ligação para emergência·suicídio por arma de fogo·comunicação de JP à congregação
  • O relacionamento de Micah com Jeremy Dias e o pastor JP Millernamoro com Jeremy Dias·casamento com Jeremy·JP Miller como figura paterna·trabalho para o pastor JP
  • O caso extraconjugal de Micah com o pastor JP e suas consequênciasmensagens afetivas do pastor·confissão pública do pastor·divórcio de ambos·casamento de Micah e JP
  • O diagnóstico de transtorno bipolar de Micah e o controle de JPcirurgia de silicone e comportamento·internação e diagnóstico·controle sobre medicação e médicos·isolamento e restrição financeira
  • O padrão de abuso e controle coercitivo no casamento de Micahabuso emocional e sexual·exigências sexuais diárias·monitoramento de celular e carro·ameaças de divulgação de fotos íntimas
  • A investigação e as acusações federais contra JP Millerbusca do FBI na casa de JP·prisão por agressão·acusações de perseguição cibernética·falsas declarações a investigadores
  • A vida de Micah Miller e sua profunda conexão com a féinfância e religião·talento musical na igreja·mudança para Carolina do Sul·igreja como centro da vida
  • As tentativas de divórcio de Micah e a morte de Chris Skinnerprimeiro pedido de divórcio·caso extraconjugal de JP·morte de Chris Skinner·internação involuntária de Micah
  • O impacto do caso Micah Miller e o documentário da Netflixproposta da Lei de Micah·estreia do documentário na Netflix·repercussão e debate público·dificuldade de formar júri isento
  • Os desdobramentos do caso e o futuro de JP Millercasamento de JP com Suzy·fechamento da Solid Rock Church·nova congregação Mercy Church·pedido de guarda dos filhos de Alison
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GSGisberta Salsi Jr.

Oi, bonitas e bonitos. Tudo bom com vocês? Eu sou a Jaqueline Guerreiro e esse é o podcast Quinta Misteriosa. Aqui eu posto novos casos toda segunda e toda quinta. Aproveita pra me acompanhar nas redes sociais pra conteúdo extra de séries, filmes, livros e, é claro, true crime. E agora, bora começar o caso de hoje. Micah Francis Miller nasceu em 7 de março de 1994, em Wichita, no estado americano do Kansas. Junto com eles, Nate, Anna, Sierra, Abigail e Destiny viviam em uma casa em que a música e a religião ocupavam o centro da vida cotidiana.

O pai, Michael Francis, e a mãe, Angelita Ramirez, criaram os filhos dentro de uma rotina fortemente marcada pela prática cristã evangélica. Cultos, orações em família, cânticos entoados em casa como parte do dia a dia. Era, segundo seus irmãos, uma casa em que ninguém duvidava da existência de Deus e em que cantar pra ele parecia tão natural quanto respirar. Entre os 6 irmãos, era Maika quem carregava o dom mais evidente. A voz dela se destacava desde cedo.

Um timbre que os familiares descreveram anos mais tarde como o mais bonito entre todos. Ainda que todos os irmãos, de um jeito ou de outro, estivessem ligados à música dentro da casa. Enquanto os outros cultivavam a fé como parte importante da rotina, Micah parecia absorvê-la de um jeito mais completo, quase físico. Não era apenas uma menina que ia à igreja aos domingos. Era uma menina que se via cada vez mais pertencendo a ela.

E que encontrava no ato de cantar diante de uma congregação uma forma de expressão que não encontrava em mais nenhum outro lugar. O casamento dos pais de Micah terminou ainda durante a infância dela. Sua mãe se casou novamente. E foi esse segundo casamento que levou a família pra longe do Kansas, rumo à Carolina do Sul. Mais especificamente, a Myrtle Beach, da delitorânea. Na costa atlântica, conhecida por seus resorts turísticos e pelo ritmo mais lento fora de temporada de verão.

Anos depois, esse segundo casamento da mãe também terminaria em divórcio. Pra uma família que já vinha de uma separação e passaria por uma segunda, encontrar uma igreja evangélica ativa e acolhedora significava encontrar também um lugar pra recomeçar. Foi assim que em 2007, a família Francis passou a frequentar a Solid Rock Church, uma congregação evangélica de Myrtle Beach. A Maika tinha 13 anos. Rapidamente, a igreja deixou de ser apenas um compromisso de domingo e se tornou o centro da vida dela.

Enquanto o restante da família mantinha a fé como parte importante, mas não exclusiva da própria rotina, a Maika fez da igreja um estilo de vida. A referência que organizava praticamente todas as escolhas da adolescente. Do jeito de se vestir, ao círculo de amizades, passando por suas ambições pro futuro. Aos 16 anos, a Maika já liderava o coral da congregação. Uma posição que, segundo pessoas próximas contaram depois, costumava ser ocupada por alguém bem mais velho.

Foi dentro da igreja, ainda adolescente, que a Maika conheceu dois homens que se tornariam decisivos em sua história. O primeiro era um rapaz da sua idade chamado Jeremy Dias. Membro ativo da congregação e envolvido no ministério esportivo da igreja. A Micah e o Jeremy se aproximaram ainda no ensino médio. A sua irmã Sierra relembrou anos mais tarde o quanto a Micah se apaixonara por aquele garoto, descrevendo como ele a carregava no colo e caminhava com ela pelos braços, os dois praticamente inseparáveis dentro e fora da igreja.

Era um namoro de adolescentes, um namoro público e aprovado tanto pela congregação quanto pela família da Micah, que via em Jeremy um rapaz de fé sólida e conduta exemplar. O outro homem era o pastor titular da Solid Rock Church, John Paul Miller, conhecido como JP. Um homem de meia-idade, casado, pai de 4 filhos. E figura de autoridade inquestionável dentro daquela comunidade fechada. JP nasceu por volta de 1979 e era filho de Reginald Wayne Miller.

Seu pai também era pastor e chegou a liderar uma das maiores igrejas carismáticas do leste da Carolina do Sul. E fundou uma faculdade bíblica, além de apresentar um programa de TV matinal de cunho religioso. JP cresceu dentro do ambiente da igreja do pai. E segundo a biografia divulgada pela congregação, ele passara a adolescência tocando piano tanto em igrejas quanto em boates. E via a igreja tradicional como um lugar de gente que era uma pessoa em público e outra atrás de portas fechadas.

Porém, o império que seu pai construiu começou a desmoronar em 2014. Quando o Reginald se declarou culpado de fraude federal por trazer estudantes estrangeiros pra sua faculdade bíblica e pagá-los muito abaixo do salário mínimo. Anos antes, ele também havia sido acusado de indecência pública. E sua ex-mulher, mãe do JP, alegou em processo de divórcio que o marido mantinha relações extraconjugais com estudantes homens da faculdade.

Ela descreveu Reginald como um homem de temperamento violento. Relatando que ele espancava o filho com um cinto de couro, ainda criança. E que quando JP chegou à adolescência, as brigas entre os dois chegavam a levar até a polícia à casa da família. Uma pastora que trabalhou ao lado do JP relatou que ele se descrevia como vítima das paixões do pai. Então, foi dentro dessa história de família que JP construiu sua carreira religiosa.

Ele já era, havia anos, uma figura central da vida da congregação quando a Michael conheceu. Aos olhos de uma adolescente recém-chegada ali, ele era alguém que reunia, ao mesmo tempo, autoridade de líder espiritual. E a proximidade de mentor pessoal. Em certa medida, a função de uma figura paterna substituta dentro do universo da igreja. Aos 18 anos, a Maika se casa com o Jeremy, e a cerimônia foi celebrada pelo JP diante de uma congregação inteira que viu os dois se conhecerem, se apaixonarem e agora, né, se casarem.

Logo depois do casamento, a Maika começa a trabalhar para o JP. Então, primeiro ela começou trabalhando como babá dos filhos dele, e depois como assistente e secretária dentro da estrutura administrativa da igreja. A proximidade profissional aprofundou um que já existia entre os dois há anos. O pastor acabava ocupando muitos espaços e várias figuras diferentes na vida da Maika. Então, ele era o empregador dela, líder espiritual, um amigo pessoal do marido dela, do Jeremy.

Segundo relatos posteriores de familiares da Maika, foi nesse período que ela começou a trabalhar pra ele ali no vínculo da igreja, que ele começou a testar os limites da autoridade profissional que ele exercia sobre ela. Então, no início eram mensagens de texto que ele mandava pra ela elogiando o trabalho dela, falando sobre trabalho. Então eram mensagens de texto pontuais, o que eram super normais pra um chefe e a sua funcionária de confiança.

Mas segundo a Sierra, uma das irmãs da Maika, o tom das mensagens foi mudando com o tempo. Então, as mensagens que antes eram totalmente profissionais começaram a ser mais afetivas, mais pessoais. Até que essa relação deles, né, que começou ali como uma troca de mensagens de trabalho, ganhasse contornos de outro outra natureza. Então, em algum momento em 2015, a Maika tinha 20 anos, e aí ela começa a ter um caso extraconjugal com o pastor.

Porém, esse segredo não durou muito, porque ainda em 2015, em julho, o pastor decide subir no púlpito da igreja, e diante de toda a congregação, ele confessou ter cometido um deslize moral dentro do casamento, sem entrar em detalhes. Ele não citou nomes durante esse momento que ele tava contando isso, mas pessoas que eram ali de dentro da congregação, já estavam ouvindo os rumores. Os membros meio que já tinham percebido o que tava acontecendo ali já havia alguns dias.

Tanto que a própria Alison viu uma mensagem de texto que o pastor tinha trocado com a Maika. E ela foi perguntar pra Maika sobre isso, e ela não conseguiu esconder a verdade. O impacto na congregação foi imediato. Então, logo que descobriram que o caso que ele tinha era com a Maika, muitas pessoas deixaram a igreja. Porque eles não conseguiam entender essa traição do pastor combinada com essa posição de líder espiritual ocupava já havia tanto tempo.

A Alison pediu o divórcio. Então, ela alegou que o motivo do divórcio foi justamente a infidelidade do pastor, do JP. E aí, o Jeremy também acabou pedindo o divórcio pra Maika. E eles finalizaram o divórcio deles em setembro de 2016. Quando a notícia se espalhou pela igreja, parecia que aquele poderia ser o fim da carreira do JP. Mas não foi isso que aconteceu. Uma parte significativa da congregação optou por permanecer ali, aceitando a nova realidade e seguindo em frente com a mesma liderança.

Depois do divórcio de ambos, eles começam a viver uma relação agora não mais em segredo. Então eles começam a namorar até eles se casarem em 7 de novembro de 2017. Então a Maika tinha 23 anos e o JP 38. Então eles tinham se casado no civil e a cerimônia de casamento na igreja aconteceria no final do ano. Mas o que a família da Maika consideraria como o ponto de virada ali entre a relação dela com o pastor foi justamente depois do casamento civil.

Então no início de dezembro daquele ano, a Maika passa por uma cirurgia para colocar silicone. Então ela começou a conversar com familiares, com as irmãs dela, sobre essa insegurança que ela tinha. E segundo as irmãs, era uma insegurança que não existia antes. Ao sair da cirurgia, ainda sob os efeitos da anestesia, Maika começou a fazer várias declarações de conteúdo religioso, algumas desconexas, que o JP registrou em vídeo. E foi justamente esse material que ele usaria para mostrar para a família da Maika, então para mãe dela, para os irmãos, amigos próximos, um comportamento que ele descreveu como psicótico.

Ele disse pra família dela que ele temia que ela tirasse a própria vida. Então, ainda em dezembro, no dia 14, a Maika foi internada. Os prontuários médicos descreveram as falas dela durante aquele período como declarações delirantes de conteúdo hiperreligioso. Foi nessa internação que ela recebeu pela primeira vez o diagnóstico de transtorno bipolar. Um diagnóstico que a família dela alegou nunca ter tido indício algum antes do casamento dela com o pastor.

Um dos irmãos dela, o Nate, disse que ela jamais apresentou qualquer histórico de problemas psiquiátricos e que tudo isso era novidade pra eles. Ela recebeu alta da internação no dia 25. E aí, o casamento dela com o pastor aconteceu no dia 31. E a família dela compareceu, mais em apoio à Maika do que em apoio à relação dos dois. Segundo a cunhada dela, chamada Victoria, que é casada com o irmão dela, o Nate, ela disse que todos eles tiveram que fingir que tava tudo bem, que tava tudo normal.

Os anos seguintes ao casamento formaram, aos olhos de fora, a imagem de um casal exemplar dentro da igreja. A Micah como líder de louvor e mais tarde diretora criativa e responsável pelo ministério feminino da Solid Rock Church. E o JP como pastor titular, orador carismático, capaz de reconstruir uma congregação abalada por um escândalo e transformá-la nos anos seguintes em uma das igrejas mais conhecidas da região de Myrtle Beach.

Por trás dessa imagem pública, no entanto, amigas próximas da Micah descreveram uma realidade bem sombria. A Bruna Paybon, ex-integrante da congregação, relatou à imprensa americana que J.P. cobrava publicamente em sermões dirigidos a toda a igreja que os casais não recusassem sexo um ao outro sob pena de abrirem espaço para a tentação. Uma orientação que, segundo a leitura de Bruna, parecia dirigida antes de mais nada a Maika.

Pra ela, o que se passava dentro daquele casamento configurava um padrão contínuo de abuso sexual psicológico. Ao longo dos anos de casamento, a Maika foi internada compulsoriamente em mais de uma ocasião. Nessas interações, J.P. assumia diante das equipes médicas o papel de responsável pelos cuidados da esposa, o que lhe dava acesso direto às informações sobre o estado de saúde saúde mental dela. E segundo a família alegou, um grau crescente de controle sobre decisões que deveriam caber apenas a Maika, da medicação que ela tomava aos médicos que acompanhavam.

Documentos judiciais reunidos anos depois descreveram o casamento como um espaço de abuso emocional, sexual, espiritual, financeiro e físico, termos usados pela Maika em seus diários devocionais. O que os familiares e amigas relataram não era um episódio único isolado, mas um padrão recorrente e cumulativo. A Maika foi ficando cada vez mais isolada de pessoas fora do círculo direto da igreja e do marido. O acesso dela a contas bancárias compartilhadas foi progressivamente restringido, até que ela fosse removida de contas que antes ela dividia com o marido.

Além disso, seu celular e seu computador passaram a ser monitorados de perto por ele. Nenhum desses elementos isoladamente configurava um crime, segundo a legislação da Carolina do Sul em vigor naquela época. Juntos, no entanto, formavam o que especialistas em violência doméstica chamam de controle coercitivo. Um padrão de dominação que não depende da agressão física direta direta para submeter e isolar uma vítima, mas que se apoia em vigilância constante, privação de sono, ameaças veladas de autoagressão por parte do agressor, hackeamento de dispositivos pessoais, rastreamento de deslocamentos e a confiscação progressiva de bens e documentos.

O padrão de abuso dentro do casamento inclui exigências sexuais diárias. Maika teria relatado que o marido chegava a exigir relações sexuais 4 a 5 vezes por dia, negando-se a deixá-la dormir durante a noite inteira nas ocasiões em que ela se Os mesmos relatos descrevem episódios em que JP teria pago homens em situação de rua para utilizá-las sexualmente enquanto ele observava a cena. Amigas contaram que Maika se queixava de ter que tomar testosterona pra acompanhar o apetite sexual do marido.

E que ele tirava fotos e gravava vídeos durante as relações, ameaçando divulgá-los para controlá-la. A relação entre Maika e os irmãos nunca foi completamente rompida. Foi se tornando cada vez mais tensa. Segundo a Ciara, a família decidiu, em algum momento, engolir suas objeções pra não perder de vez o contato com a Maika. Em outubro de 2023, a Maika deu entrada em um primeiro pedido formal de divórcio, de acordo com os registros do Tribunal de Família da Carolina do Sul.

O processo, no entanto, foi arquivado em 13 de fevereiro de 2024 por acordo entre as duas partes. O primeiro de uma série de movimentos e recuos que marcariam os meses seguintes daquele relacionamento. Antes de dar entrada nesse pedido, a Maika descobriu que o marido estava tendo um caso extraconjugal, que era de novo, assim como foi com ela, com uma pessoa de dentro da congregação. Com uma mulher chamada Suzy Skinner, que inclusive era casada com o Christopher Skinner, que era um veterano do Exército americano que tinha ficado tetraplégico depois de um acidente de carro.

Os dois conheceram quando ela ainda trabalhava como fisioterapeuta dele. Então os dois casaram em 2004 e tiveram gêmeos em 2007. O Chris se tornou nos anos seguintes autor e palestrante motivacional, então ele contava para as pessoas a sua história. Foi inclusive através do Chris que o casal passou a frequentar a Solid Rock Church. Segundo relatos de amigos, o JP começou a se aproximar da Suzy enquanto ela ainda tava casada com o Chris.

Em setembro de 2021, o Chris foi encontrado sem vida dentro da piscina de um condomínio em Myrtle Beach, e a causa oficial da morte foi registrada como afogamento acidental. A irmã do Chris teria alegado que ele confrontou o JP pouco tempo antes da sua morte, e ela defendeu publicamente a tese de que a morte dele teria sido, na verdade, um suicídio motivado pela descoberta da traição da esposa. Porém, essa tese nunca foi confirmada pelas autoridades.

No fim de 2023, a Micah passou por uma internação internação involuntária que durou 48 horas. Ao receber a alta, a equipe do hospital psiquiátrico informou para ela que o marido dela, o pastor, tinha aparecido para pegar as chaves do carro e a bolsa dela. Um detalhe que ela mesma levou para polícia depois para poder mostrar o quanto ele era controlador. Tanto que nesse período dessa internação ela não tinha se divorciado ainda do pastor, mas eles já estavam separados, e mesmo assim ele conseguiu fazer com que ela fosse internada.

Em 22 de fevereiro do ano seguinte, 2024, foi a vez do pastor pedir a separação. O documento indicava que o casal já vivia separado desde o início daquele mês. Só que aí, em março, esse documento foi retirado. No intervalo entre esses movimentos judiciais de entrada no pedido do divórcio e aí eles cancelavam, a Maika sempre relatava pra polícia o cotidiano que ela vivia e o que ela ainda estava passando com o JP. Por exemplo, ela tinha se mudado várias vezes pra que ele não conseguisse encontrá-la.

Em 11 de março, quando ela estacionou próximo de um pier, depois quando ela voltou, ela encontrou os pneus do seu carro rasgados, o que ela também levou pra polícia. Por volta desse mesmo período, de dentro da Solid Rock Church registrou um boletim de ocorrência contra a Micah, dizendo que ela teria transferido pra conta dela doações que eram destinadas a uma missão da igreja no Quênia. Foram cerca de $1.199 transferidos para a conta pessoal da Micah.

A polícia concluiu mais tarde que não havia provas suficientes pra seguir com esse caso. Ainda em março, no dia 26, a Micah e o JP comparecem a uma audiência civil no âmbito de um processo que ela buscava uma ordem de restrição contra ele. Só que a tentativa esbarrou em um obstáculo estrutural, segundo a advogado da Maika, porque a legislação da Carolina do Sul definia violência doméstica de um jeito que não contemplava o controle coercitivo, apenas em caso de agressão física comprovada.

O que tornava extremamente difícil conseguir uma ordem de proteção em casos como o da Maika, baseados em vigilância, isolamento financeiro, ameaças, manipulações psicológicas, por mais que ela tivesse várias provas de que tudo isso tava acontecendo. No mês seguinte, no dia 15 de abril, a Maika entra novamente com o pedido de divórcio. Algumas semanas antes, no dia 22 de março, ela publicou um vídeo nas redes sociais dirigido a pessoas que, assim como ela, se sentiam presas dentro de relacionamentos abusivos por causa da fé.

Então, no vídeo, ela dizia que Jesus havia carregado toda a dor e o cativeiro de quem sofre para que ninguém permanecesse numa situação dessas por medo de ser vista como uma esposa ruim, uma mãe ruim, ou uma pessoa que desonra a Deus ao se divorciar. Ela questionava em seguida o que Jesus faria diante de alguém que estava sendo abusado. Um sinal, segundo suas amigas, que ela já vinha tentando reconciliar a sua fé com a decisão de o casamento com o pastor.

Nessa fase, ela passa a morar com uma senhora mais velha da congregação, a quem ela confiava. A pedido dela, foi instalada uma câmera de segurança na frente da porta de entrada, caso o JP aparecesse e tentasse fazer alguma coisa com ela. Segundo essa senhora, ele não desapareceu, ele ligava o tempo todo, mandava flores e continuava tentando mexer com a cabeça da Maika. Ela até trocou o número do seu celular diversas vezes para tentar colocar um fim nesse vínculo com ele, mas Mas ele continuava indo atrás dela.

Ela até chegou a adquirir alguns aparelhos de celular sem colocar o nome dela, pra que ele não conseguisse encontrar. Mesmo assim, ele sempre conseguia descobrir o número novo pouco tempo depois da troca. Além disso, ele tinha colocado um rastreador no carro dela sem que ela deixasse, sem que ela soubesse. E aí, ele aparecia do nada nos lugares que ela tava. O irmão dela, Nathan, informou que eles encontravam o rastreador, tiravam, levavam até a polícia.

E pouco tempo depois, um novo rastreador aparecia no carro dela. Uma audiência sobre o pedido de divórcio foi agendada para o dia 5 de junho daquele ano. De acordo com o depoimento da Sierra, a Maika já vinha relatando há meses o medo de estar sendo seguida e monitorada. Em determinado momento, ela teria dito que ela temia que algum dia ele atirasse em sua cabeça e fizesse parecer com que aquilo tinha sido um suicídio. Em 25 de abril de 2024, 10 dias depois de dar entrada no pedido de divórcio, a Maika conseguiu que o JP fosse notificado sobre o processo e sobre a audiência marcada para junho.

Era a primeira vez nesse ciclo específico de tentativas de separação que a papelada chegava até as mãos dele. Depois disso, a Micah ficou muito assustada. Isso porque 2 dias depois da citação ser entregue, na tarde de 27 de abril de 2024, câmeras de segurança mostram ela comprando uma arma em uma loja de penhores. Depois disso, câmeras mostram ela entrando no carro e parando para abastecer, e depois dirigindo até o Lumber River State Park, uma área de parque estadual situada do outro lado da fronteira, já no condado de Robinson, na Carolina do Norte.

Às 12:54, a Micah liga para o serviço de de emergência. Ela disse à atendente que estava prestes a tirar a própria vida e pediu que rastreassem a localização do celular para que a família soubesse onde encontrá-la. A atendente tenta permanecer com ela no telefone, mas ela desliga. Pouco depois, alguém liga para emergência e informa ter encontrado um corpo de mulher na água. Policiais que já tinham sido enviados ao parque chegam às 3:03 da tarde.

Quando estavam no local, notaram que o corpo da Maika estava a cerca de 30 metros da margem e também encontraram 2 cartuchos deflagrados e uma munição intacta próximos do rio. O legista do condado de Robinson concluiu que a Maika morreu em decorrência de um ferimento arma de fogo auto-infligido na cabeça. E a morte foi oficialmente classificada como suicídio. Ela tinha 30 anos. Antes mesmo da causa da morte ser formalmente divulgada, o JP se dirigiu à congregação da Solid Rock Church pra comunicar o falecimento da esposa.

Antes disso, ele conduziu o culto com alegria e animação. Segundo relatos posteriores, foi no final da celebração que ele avisou a todos e descreveu as circunstâncias como resultado de um quadro autoinduzido. Relembrando à congregação que todos já sabiam que ela não estava bem mentalmente. E pedindo orações pela família família, mencionando a dificuldade de garantir que ela tomasse a medicação necessária. Para boa parte da congregação, a fala pareceu consistente com o que já se sabia sobre o histórico psiquiátrico de Maika.

Para a família dela, foi o início de uma disputa pública que se estenderia pelos anos seguintes. A convicção de que o sofrimento da Maika tinha uma origem muito mais concreta do que um simples diagnóstico psiquiátrico, e por ela ainda estar legalmente casada com o JP no momento da morte, o corpo da Maika foi liberado a ele logo depois da conclusão preliminar da investigação. Sem que uma autópsia fosse realizada, já que o legista do condado de Roberson não identificou indícios de crime.

Durante o culto de despedida, JP contou à congregação que havia se deitado ao lado do corpo da esposa na funerária por cerca de 4 vezes naquela semana, dizendo que a cada vez ainda não conseguia acreditar no que tinha acontecido e que achava que ela fosse acordar, chegando a afirmar que em uma dessas ocasiões ele tentou ressuscitá-la. Foi também o JP quem decidiu cremar os restos dela, uma escolha que a família de Micah contestou mais tarde, ao lado de outras decisões tomadas por ele nos dias seguintes à morte dela.

Segundo relatos da família, pra que pudessem ver o corpo antes da cremação, o JP exigiu que todos assinassem um documento autorizando o procedimento. O velório aconteceu em 5 de maio de 2024, na Solid Rock Church, com a cerimônia conduzida por ele. Enquanto isso, a família da Micah tratava uma disputa paralela pela posse dos pertences pessoais dela, como celular, bolsa, notebook, que ainda estavam sob custódia da polícia do condado de Robinson, como parte da investigação.

Além de uma disputa sobre os bens do casal e sobre se o sobrenome dela deveria ser alterado postumamente de volta para Frances, o seu nome de solteira. JP começou a pressionar pessoas próximas a Maika para conseguir recuperar os seus diários devocionais. Ele foi inclusive com um policial até a casa que a Maika morava com a senhora da igreja, alegando que não estavam devolvendo os pertences da sua esposa falecida. Porém, tudo já estava em posse dos irmãos dela.

Esses documentos foram apresentados por eles à polícia, mas Nate alegou na mesma época que uma parte significativa das provas que Maika vinha reunindo para o processo de divórcio, como emails, arquivos, registros do celular e do laptop, haviam durante uma internação psiquiátrica em fevereiro daquele ano e nunca mais foi recuperada. A Regina questionou publicamente a condução da investigação, citando a ausência de autópsia, de teste de resíduo de disparo e de testemunhas que confirmassem de forma independente o paradeiro do JP no momento da morte da Maika, dizendo temer que a cena tivesse sido investigada com o objetivo de confirmar uma tese de suicídio ao invés de ser examinada de forma aberta.

Nos meses seguintes, a família da Maika e os seus amigos, muitos deles ex-membros da congregação, começaram a relatar publicamente memórias e suspeitas que haviam guardado durante anos. Até que 3 meses depois da morte dela, o JP concedeu a sua primeira entrevista em profundidade sobre o caso ao jornalista investigativo Rich McHugh, da emissora americana NewsNation. A conversa, que foi gravada em 19 de julho de 2024, duraria quase 2 horas e foi descrita pelo Rich como a entrevista mais bizarra de toda a sua carreira.

Logo no início da entrevista, antes mesmo da primeira pergunta, o JP se emociona, começa a chorar, dizendo que finalmente ele vai poder dar a versão dele dos fatos. Durante a conversa, ele negou categoricamente qualquer tipo de abuso contra a esposa, afirmando nunca ter maltratado ela de forma alguma e que jamais pediu que ela fizesse qualquer tipo de trabalho doméstico ao longo dos 7 anos de casamento. E aí o Rich começou a confrontar o JP sobre uma carta que ele teria escrito inclusive para a Maika pedindo desculpas por ter rastreado o carro dela, por ter danificado os pneus do carro dela e por publicar uma foto íntima sem sentimento.

O JP reconheceu ter escrito a carta, mas ele tentou reenquadrar aquele pedido de desculpas que ele fez para ela, alegando que fazia parte de um acordo que a Maika teria feito com ele, no qual ela teria exigido, além de uma desculpa formal, mais $10.000 para que ela voltasse a tomar o medicamento psiquiátrico. Questionado sobre o porquê dele não saber o paradeiro da esposa no dia que ela morreu, sendo que ele tinha contratado um detetive particular para segui-la, o JP respondeu que ele teria parado de pagar o profissional 3 semanas antes.

Uma Uma versão que, segundo o Rich, ele mesmo se contradisse mais tarde na entrevista, alegando que aquilo era mentira. Semanas depois, a irmã da Micah, Anna, e a advogada dela, Regina, sentaram com o mesmo jornalista para contestar ponto por ponto tudo que o JP disse na entrevista dele. A pressão pública sobre o caso começou a crescer muito em 2024, então vários ativistas contra violência doméstica passaram a realizar protestos ali próximos da igreja, ao mesmo tempo em que o FBI começou uma investigação sobre o comportamento do JP em relação à falecida esposa.

Em novembro do mesmo ano, 2024, a Solid Rock Church encerrou as atividades, incapazes de sustentar a estrutura da congregação em meio a toda a pressão pública. E esse fechamento não significou o fim da carreira do JP nesse sentido, porque ele continuou à frente de outras estruturas eclesiásticas menores, mesmo em meio a novas acusações sendo feitas contra ele, acusações feitas por pessoas que conheciam ele, mesmo com a investigação do FBI em andamento.

Até que na manhã de 1º de novembro de 2024, 6 meses depois da morte da Micah, uma fileira de carros pretos estaciona na frente da casa do JP. Eram agentes do FBI com mandado judicial. Inclusive, foi a Laura Huggs, que era conselheira bíblica da Micah, que conseguiu atrair o JP pra fora da casa naquele dia, pra que o FBI conseguisse fazer a busca. As autoridades pediram pra que ela ligasse pra ele, dizendo que ela tinha alguns documentos documentos e coisas da Maika pra entregar pra ele.

E aí, eles foram se encontrar em um Starbucks. E nesse meio tempo, a polícia chega na casa dele e entra. Uma fonte próxima ao caso disse que as investigações eram especificamente sobre os eventos que aconteceram antes da morte da Maika. Incluindo possíveis indícios de violência doméstica com implicações interestaduais. Durante as buscas do FBI, os agentes encontraram dentro da casa do JP um cofre contendo grandes quantias em dinheiro.

Moedas de ouro e outros objetos de valor. Um detalhe que mais de um ano depois foi usado pela promotoria pra argumentar que o pastor representava risco de fuga. 5 dias depois da busca, em 6 de novembro, o pastor é preso. Dessa vez, sobre acusação de agressão em terceiro grau depois de um confronto com um manifestante em frente à igreja que ele liderava. Nos meses seguintes, ele se envolveu em muitos processos e contraprocessos no tribunal de instância local.

Entre eles, uma ação de 6 milhões de dólares por difamação contra uma pessoa que tinha chamado ele de assassino em entrevistas, e aí depois ele retirou a ação. Ao longo de 2025, os processos civis independentes trouxeram à tona relatos que extrapolavam a relação entre o pastor e a Maia. Uma mulher identificada judicialmente apenas como Jane Doe entrou com uma ação civil no Tribunal do Condado de Horry, acusando-o de tê-la abusado quando ela tinha 15 anos, em 1998, e depois de ter abusado dela novamente em 2023, durante um reencontro casual em uma viagem à cidade.

Segundo a ação, que também nomeou como réus o pai do pastor, o Ministério da Solid Rock e outras duas congregações ligadas a ele, ele, ele justificou o segundo episódio recorrendo a um versículo bíblico sobre a tentação como parte inerente da condição humana. O processo descreveu a igreja liderada por ele como um espaço onde um padrão mais amplo de abuso teria sido tolerado ou mesmo encoberto durante anos por líderes da congregação.

Documentos judiciais adicionais vindos de outra ação movida por um ex-membro da equipe da igreja registraram que JP havia admitido em conversas internas com funcionários da congregação ter mantido contato sexual com jovens da igreja com menos de 16 anos de idade. Essa revelação levou a liderança da igreja a exigir que ele buscasse tratamento para o que classificaram como dependência sexual. Diante da recusa dele, boa parte da congregação deixou a igreja.

Num episódio anterior e até então desconhecido do público em geral. Nenhuma dessas alegações mais antigas resultou até o momento em condenações criminais. Em 18 de dezembro de 2025, promotores federais dos Estados Unidos anunciaram que um grande júri havia formalmente indiciado o JP em duas acusações federais: perseguição cibernética, mais conhecida pelo termo em inglês de cyberstalking, e prestações de falsas declarações a investigadores federais.

Segundo a acusação de perseguição, ele teria mantido entre novembro de 2022 e a morte da Maika em abril de 2024 um padrão contínuo de comunicações indesejadas, vigilância eletrônica e assédio contra a então esposa. O documento citava ligações que chegaram a mais de 50 em um único dia, uma publicação anônima de uma fotografia íntima da Maika sem o seu consentimento e a compra de um dispositivo usado para cortar pneus associado à sequência de episódios de vandalismo contra o carro dela registrados.

Meses antes. A segunda acusação alegava que ele mentiu aos investigadores federais ao negar qualquer conhecimento sobre a divulgação da fotografia e sobre a colocação de rastreadores no veículo da Micah. A acusação federal não o responsabilizou pela morte dela, nem alterou a conclusão oficial do legista da Carolina do Norte de que ela morreu por suicídio. O que essa acusação estabeleceu pela primeira vez em uma esfera criminal federal foi a existência de um padrão de perseguição que precedeu a morte da Micah.

Um padrão notavelmente semelhante ao que ela própria, ainda em vida, já vinha descrevendo à polícia, a amigas, e a sua família havia mais de um ano. Eles declarou inocente das duas acusações em uma audiência de instrução realizada em 12 de janeiro desse ano no Tribunal Federal de Florence, Carolina do Sul, sob os protestos de manifestantes reunidos do lado de fora do prédio. Como condição da fiança de $100.000 sem garantia, o juiz determinou que JP usasse tornozeleira eletrônica, entregasse o passaporte, evitasse qualquer contato com a família da Maika ou possíveis testemunhas, e que não portasse armas de fogo e se submetesse a testes periódicos de drogas e não deixasse o estado da Carolina do Sul sem sem aviso prévio.

A promotoria justificou a exigência da tornozeleira citando o risco de fuga, apontando o cofre com dinheiro e objetos de valor encontrados na busca do FBI e o acesso dele a uma aeronave particular. O julgamento federal foi sucessivamente adiado em meio ao trabalho da defesa para revisar as provas reunidas pela acusação. Em 3 de agosto desse ano, uma nova moção da defesa levou o juiz responsável a conceder mais um adiantamento, movendo o processo para o período de outubro, decisão que o magistrado justificou como necessária para atender aos fins da mesmo reconhecendo o interesse tanto da defesa quanto do público em um julgamento mais rápido.

Enquanto esse processo avança lentamente pelos tribunais, a proposta legislativa apelidada de Lei de Maika, que busca incluir o controle coercitivo na decisão legal de violência doméstica na Carolina do Sul, tramitou no Senado Estadual sem sucesso, travada no Comitê Judiciário durante toda a sessão legislativa de 2026. Um dos parlamentares que apoiavam o projeto declarou publicamente a intenção de representá-lo em uma sessão futura.

Em 26 de agosto desse ano, o caso ganhou uma nova dimensão de visibilidade com a estreia de um documentário, uma minissérie, né, de 3 episódios na Netflix chamada Death of the Pastor's Wife, que em tradução ficou A Morte da Esposa do Pastor, e que vocês me pediram muito para trazer aqui no canal. A série reúne depoimentos extensos da família e de amigas da Maika, além de registros pessoais dela, incluindo diários, mensagens e imagens de arquivos cedidas pelos parentes.

A repercussão foi imediata, reacendendo o debate público sobre o caso poucas semanas antes da nova data prevista para o julgamento Federal. Advogados criminalistas ouvidos pela imprensa americana apontaram um efeito colateral direto dessa exposição: a repercussão da minissérie tornaria mais difícil formar no julgamento por vir um júri isento de vieses prévios sobre o caso, ao mesmo tempo em que ofereceria à defesa mais elementos para excluir jurados considerados parciais durante o processo da seleção.

Ao longo desses mais de 2 anos, um grupo de apoiadores da Maika se organizou informalmente sob o lema Justiça para para Maika, presente tanto nos protestos semanais em frente às igrejas lideradas pelo pastor quanto nas plateias das audiências judiciais em Florence. No julgamento de janeiro desse ano, dezenas de pessoas apareceram vestidas de roxo em homenagem a Maika. Elas ocuparam as cadeiras atrás da acusação enquanto o JP entrava na sala sem se virar para encará-las.

O gesto se repetiria em praticamente todas as audiências públicas seguintes. Então, como o caso está atualmente, né? Quais foram as últimas coisas que aconteceram? Então, logo depois da morte da Maika, na verdade 4 dias depois da morte dela, o JP foi visto com a Suzy, que era a mulher que ele tava tendo um caso extraconjugal quando ainda estava casado, ainda estava com a Maika, bebendo e rindo, se divertindo. Em 1º de junho de 2025, cerca de 1 ano depois da morte da Maika, ele e a Suzy se casaram.

E aí, depois do fechamento da Solid Rock Church, ele abre uma outra congregação menor, batizada de Mercy Church, na qual ele segue sendo o líder da igreja. Inclusive, essa nova fica a uma distância bem curta da antiga, da Solid Rock. Em maio de 2024, algumas semanas depois da morte da Maika, a Alison, que era casada com o JP antes da Maika, entrou com um pedido de guarda de emergência dos dois filhos menores do casal, alegando comportamento cada vez mais instável do ex-marido e que ele havia exposto as crianças a episódios de conflitos domésticos traumáticos.

No mesmo processo, a Alison contou algumas coisas que o JP teria confessado para ela, como o fato dele ter contratado no passado profissionais do sexo e ter tido conduta sexual inadequada com menores de idade da congregação. Ela revelou a identidade dessas garotas, mas segundo ela, as meninas ficaram com muito medo para realmente denunciá-lo, né, prestar uma queixa e contar o que tinha acontecido. Então elas tinham medo do JP.

O processo de custódia dos filhos deles foi mantido em sigilo, então a gente não sabe como ele terminou. Para a família da Maika, a repercussão do documentário da Netflix, né, que foi lançado mais de 2 anos depois da morte dela, trouxe uma plataforma que eles pretendem continuar utilizando até que a legislação prevista em nome da Maika se torne uma realidade. Como eu falei para vocês, isso ainda não aconteceu, mas eles vão continuar tentando.

Como ainda não aconteceu o julgamento do pastor, eles ficam adiando. A gente não sabe como essa história vai acabar, mas para mim é muito doido que que mesmo com tantas provas, com tantos relatos, tantas coisas que tenham aparecido, mesmo depois da morte da Maika e tudo que a Maika tinha reunido contra ele, todas as vezes que ela foi até a polícia, todas as vezes que ela tentou pedir ajuda, tentou se separar, mesmo com tudo isso ele esteja sendo acusado de apenas duas coisas.

Para mim é um absurdo que seja só essas as acusações dele, mesmo com tantas provas. Então não sei como isso vai acabar. Eu sinto que agora com toda essa pressão talvez eles consigam, quem sabe, mais alguma acusação no futuro. Não sei como isso vai acabar. E é um caso que traz muita revolta, né? Então por isso que vocês me pediram tanto. Para quem não assistiu, tá na Netflix. E eu quero saber o que vocês acham desse caso. Então me conta aqui nos comentários e não esquece do like, me ajuda muito na divulgação do vídeo.

Então é isso, para mais casos siga o podcast Quinta Misteriosa e aproveite para avaliar em 5 estrelas se você gostou. Obrigada por ouvir e até o próximo caso!