ENTENDA O CASO JACK, O ESTRIPADOR #629
Teste grátis de 30 dias ou 3 meses para quem é membro Amazon Prime
https://www.audible.com.br/pd/B0HGYC758G
No outono de 1888, cinco mulheres foram assassinadas nas ruas mais pobres do East End de Londres. Nenhum culpado foi preso. Mais de um século depois, o caso segue como o maior enigma da história do crime — e talvez nunca seja resolvido. #629
Gisberta Salsi Jr.
- O contexto social e as primeiras vítimas de Jack, o EstripadorWhitechapel em 1888·Mary Ann Nichols, a primeira vítima·Annie Chapman e a mutilação de órgãos
- A origem do nome Jack, o Estripador e a histeria públicaA carta de Jack, o Estripador·O cartão postal manchado de sangue·O rim enviado a George Lusk·A pressão sobre a Polícia Metropolitana
- O brutal assassinato de Mary Jane Kelly e o fim dos crimesA vida de Mary Jane Kelly·O cenário mais brutal dos crimes·A renúncia do comissário Sir Charles Warren
- A escalada dos crimes e a formação do Comitê de VigilânciaElizabeth Stride e o duplo evento·Catherine Eddowes e a mutilação facial·O grafito da Goulston Street·A criação do Comitê de Vigilância
- As teorias e os principais suspeitos do caso Jack, o EstripadorMontague John Druitt, o professor·Aaron Kosminski, o barbeiro polonês·Michael Ostrog, o médico russo·Severin Klosowski e Francis Tumblety
- O legado de Jack, o Estripador e a influência na culturaA imprensa sensacionalista e o caso·O perfil criminal do FBI·O xale de seda e o DNA mitocondrial·O Museu Jack, o Estripador
Oi, bonitas e bonitos.
Tudo bom com vocês?
Começando mais uma Quinta Misteriosa aqui no canal. Se você é novo por aqui, ainda não tá inscrito, aproveita e se inscreve aqui embaixo que tem vídeo novo toda segunda e toda quinta pra vocês. Quinta Misteriosa também é podcast, pra você ouvir quando e onde quiser. E não esquece de me acompanhar nas redes sociais que eu vou deixar aqui na tela pra vocês. Me siga por lá que tem muito conteúdo extra. E todo fã de true crime é fã dos livros da Agatha Christie, né.
Que inclusive são muitos. Na correria do dia a dia, nem sempre a gente consegue ler tanto quanto gostaria. E é aí que eu corro pra Audible, que simplesmente possui um catálogo de mais de 850 mil títulos. Títulos no Brasil, incluindo produções originais como O Misterioso Caso de Styles, se tornando a casa da Agatha Christie em áudio no Brasil. E agora, dando continuidade ao universo inicial, chega o novo audiolivro Crimes ABC. Hércules Poirot é desafiado por um assassino que anuncia os seus crimes por cartas anônimas.
As vítimas seguem uma ordem alfabética, levando o detetive a uma investigação que se espalha por diferentes cidades. Com uma sequência de crimes e uma das reviravoltas mais lembradas da autora, a obra se tornou um dos grandes favoritos entre os fãs da Agatha Christie. O mais legal é que o título ganha uma adaptação original com vozes conhecidas na dramaturgia brasileira. Marco Rica, Thomas Aquino, Danton Melo e Ícaro Silva dão vida aos principais personagens da trama, deixando a experiência ainda melhor, fazendo com que a gente se sinta dentro da história.
Se você ainda não usa o Audible, você tem teste grátis de 30 dias ou 3 meses pra quem é membro Amazon Prime. Fora que na assinatura tem um catálogo enorme incluso, com milhares de títulos em português. Ainda é possível baixar os audiolivros pra ouvir offline. E a Audible ainda faz recomendações baseadas nos seus interesses e no seu histórico de escuta. E se você é acelerado como eu, também dá pra aumentar a velocidade das reproduções e também deixar anotações. Perfeito, né?
Aproveita pra baixar agora. Vou deixar pra vocês um link aqui na descrição.
Corre lá, que eu sei que vocês vão amar! E agora, bora começar o caso de hoje.
Em meados do século 19, Whitechapel era um dos bairros mais miseráveis de Londres. Cortiços amontoados, becos sem iluminação e pensões baratas que abrigavam milhares de pessoas vivendo à margem de qualquer proteção. A industrialização acelerada da capital britânica havia atraído levas de trabalhadores pobres e imigrantes. Muitos judeus fugindo de perseguições no leste europeu. E todos disputando os mesmos empregos mal pagos em curtumes, fábricas de fósforo e oficinas de costura.
Ali, a fome, o alcoolismo e a prostituição não eram exceção. Mas eram rotina de sobrevivência pra boa parte das mulheres que ocupavam aquelas ruas. Estima-se que somente na área de Whitechapel e Spitalfields houvesse milhares de mulheres recorrendo ocasional ou permanentemente à prostituição pra pagar as poucas moedas exigidas todas as noites pelas pensões coletivas, sob pena de dormirem ao relento. É nesse contexto que vivia a Mary Ann Nichols.
Ela nasceu em 1845, na região central de Londres, filha de um serralheiro. Aos 18 anos, ela se casou com um impressor. E ao longo de 13 anos, ela teve 5 filhos com ele. O casamento desmoronou por volta de 1880. O marido alegava que ela bebia demais e ela o responsabilizava por um caso extraconjugal. Então, depois, separada, sem renda fixa e afastada dos filhos, a Mary Ann passou a década seguinte alternando entre asilos pra pobres, breves reconciliações com o pai e curtos períodos de trabalho doméstico.
Em 1888, instalada em uma pensão da Trawl Street, ela era conhecida pelas vizinhas como Polly, uma mulher de meia-idade, franzina, com os dentes já bastante deteriorados e que sobrevivia como podia nas madrugadas de Whitechapel. Na noite do dia 30 de agosto, ela havia bebido em diversos bares da região quando, por volta das 2:30 da madrugada do dia 31, ela encontrou uma conhecida chamada Emily Holland na esquina da Osborne Street.
Ela lhe contou orgulhosa que já havia ganhado 3 vezes mais do que ela precisava para pagar a pensão e gastado tudo em bebida. Ela recusou o convite para voltarem juntas à pensão e seguiu sozinha em busca de mais um cliente. Cerca de uma hora depois, pouco antes das 3:30 da manhã, dois carroceiros que passavam pela Bucks Row avistaram um vulto caído junto ao portão. Era o corpo dela. Mary Ann tinha garganta cortada de um lado ao outro, um ferimento tão profundo que quase separava a cabeça do tronco, e o abdômen estava aberto por golpes que expunham as vísceras.
O legista que a examinou observou que o corpo ainda estava morno, sinal de que o assassino talvez estivesse por perto. Um médico chamado à cena do crime, Reese Ralph Lee William, examinou o corpo ainda no local antes de autorizar sua remoção para o necrotério. O seu laudo inicial subestimaria a gravidade das lesões abdominais, só totalmente reveladas horas depois na mesa de necropsia. A precisão do corte na garganta, feito com uma lâmina longa e afiada aplicada da esquerda para direita com firmeza incomum, se tornaria um dos elementos centrais no debate que os médicos da época travariam ao longo de toda a investigação desse caso.
Que tipo de pessoa seria capaz de infligir ferimentos daquela natureza em questão de minutos, na escuridão, sem deixar praticamente nenhum vestígio para trás? A princípio, a polícia tratou o crime como mais um entre tantos episódios de violência que já haviam vitimado outras mulheres na região naquele mesmo ano. Ninguém suspeitava que fosse o primeiro capítulo de uma série que mudaria para sempre a história do crime. Diferente de Mary Ann, a Annie Chapman, que nasceu em 1841, conheceu por um tempo uma vida de relativa estabilidade.
Ela se casou com um cocheiro e teve 3 filhos com ele. Um retrato do casal tirado ainda nos primeiros anos de casamento é a única fotografia que resta de qualquer uma das vítimas do assassino. A morte de uma das filhas do casal e o alcoolismo dela e do marido, porém, corroeram o casamento. O casal viveu separado nos últimos anos da relação. Do seu outro filho, um menino com deficiência, ela já vivia afastada havia muito tempo. E ele tava internado em uma instituição.
Já sua outra filha, já adulta, tinha ido viver na França. Em 1886, o seu marido cocheiro morreu. Deixando ela sem o auxílio financeiro que ele ainda enviava pra ela. Além disso, ela não tinha nenhuma família por perto. E tava doente, já que ela sofria de tuberculose avançada. Ela também não tinha um teto fixo. Ela passou a viver sozinha, de pensão em pensão, em Dorset Street. Ela se sustentava com costura ocasional, venda de flores.
E quando nada mais restava, com a prostituição.
Na madrugada do dia 8 de setembro, a Annie havia sido expulsa da pensão onde morava porque ela não tinha como pagar a diária. Por volta das 5:30, uma vizinha que passava ali na Hansberry Street viu ela e a reconheceu. Ela tava conversando com um homem em frente ao número 29. Minutos depois, um vizinho que morava na casa ao lado ouviu a voz de uma mulher dizendo não, seguido de um som de algo caindo contra a cerca. Então ele ouviu isso vindo do muro da casa vizinha.
Pouco antes das 6, o morador daquela casa, número 29, encontrou o corpo da Anne no quintal. O corpo estava estendido entre os degraus e a cerca de madeira. A sua garganta havia sido cortada com a mesma violência do crime da Mary Ann, e o seu abdômen também estava aberto. Dessa vez, o assassino decidiu levar consigo algumas partes dos órgãos internos.
Eu tô na rua onde encontraram o corpo dela. Essa aqui é a Hanbury Street, e foi no número 29, que é exatamente aqui onde eu tô. Então provavelmente era residencial, porque o corpo dela foi encontrado no quintal da casa. Então aqui é um lugar que eu queria vir para mostrar para vocês porque eu acredito que é um dos poucos onde a gente consegue imaginar um pouco de como era Londres em 1888, porque a maioria dos lugares hoje não são mais como eram.
Então eles foram ficando mais modernos e aqui ainda passa muito essa vibe assim. Então eu vou mostrar para vocês a fachada de onde aconteceu.
Seguindo a prática da época, o corpo foi removido do local com muita rapidez, que era uma coisa que eles acreditavam na época, que quanto antes eles removessem o corpo, melhor. Os investigadores vitorianos pensavam dessa forma, mas hoje a gente sabe que que na verdade é o contrário, né? O corpo não deve ser movido até que tudo seja visto com muitos detalhes para poder pegar todas as evidências. A partir do momento que a cena é mexida, muita coisa pode se perder.
Os órgãos removidos nunca foram fotografados no local, e toda essa pressa em remover o corpo de lá significa hoje para investigadores modernos, assim como eu falei, a perda de, né, pistas e evidências cruciais. Quando o corpo foi levado, o grau de conhecimento anatômico que era exigido para conseguir fazer uma mutilação daquela forma tão precisa levou os médicos e legistas a começarem a pensar que talvez aquele assassino tivesse algum tipo de familiaridade com dissecação.
Então poderia ser um médico, poderia ser um açougueiro, um estudante de medicina. O legista Wynne Baxter, que ficou responsável por conduzir os inquéritos da maior parte dos crimes relacionados ao Jack the Ripper, chocou a opinião pública alguns dias depois ao levantar uma hipótese que até então não tinha sido pensada. Meses antes, um médico americano não identificado tinha aparecido nas escolas londrinas de medicina oferecendo oferecendo pagamento por espécimes do órgão que tinha sido retirado do corpo da Anne.
Isso sugeria que talvez os crimes tivessem motivação comercial, ligado ao comércio clandestino de órgãos pra fins de pesquisa. Essa teoria foi apelidada pela imprensa de Teoria Burke and Hare, que fazia referência a um caso que tinha chocado Edimburgo 6 décadas antes, quando William Burke e William Hare mataram pelo menos 16 pessoas pra vender os corpos pra uma escola de anatomia. Esse é um caso bem conhecido por lá, em Edimburgo, eles citam muito.
Porque esses dois teriam alimentado ali o mercado clandestino de cadáveres por muito tempo, até serem descobertos só anos depois. Só que aí, as autoridades de praticamente todos os hospitais negaram essa teoria, dizendo que ninguém tinha aparecido querendo comprar os órgãos. Mas bastou, né, essa teoria ter sido publicada pra que alimentasse muito essa suspeita de que talvez o assassino fosse alguém ligado à medicina, de alguma forma.
A repercussão foi imediata, e já havia alguns dias que os jornais londrinos estavam repetindo o nome de um possível agressor. Era conhecido nas ruas como Avental de Couro. Segundo boatos ali do bairro, esse apelido surgiu porque esse homem ameaçava as mulheres, as prostitutas, nas ruas, e também extorquia essas mulheres usando um avental de couro muito característico. Com a morte da Anne, pela primeira vez se consolidava essa suspeita de que tinha um serial killer em Whitechapel, porque os casos eram muito parecidos.
Essa caça para o suposto Avental de Couro ganhou contornos de linchamento. Pra vocês terem ideia, tinha um sapateiro polonês de origem judaica, cujo nome também era associado a esse apelido pelos vizinhos. Chegou a ser preso pela polícia, ele foi detido, mas depois foi solto porque eles não tinham nenhuma evidência que ele tivesse qualquer envolvimento com os crimes. Só que esse episódio, mesmo sendo provado que não era ele e tudo mais, deixou marcas muito fortes ali na comunidade, porque as pessoas queriam muito encontrar um assassino.
E tendo, né, essa suspeita nele A fúria das pessoas caiu em cima dos imigrantes judeus na comunidade que morava ali em East End, alimentada por um sentimento antissemita que já rondava o bairro há muitos anos. O funeral da Mary Ann, que aconteceu quase uma semana depois da morte dela, precisou driblar ali os olhares do público, que estavam muito curiosos pra ver o corpo. Muitas pessoas se aglomeraram nas proximidades do necrotério pra tentar ver a retirada do caixão, pra tentar ver alguma coisa.
Então, o agente funerário, vendo todas aquelas pessoas, precisou recorrer a um caminho alternativo. Eles usaram uma carruagem fúnebre pra fazer isso. Eles estavam acompanhados de policiais também. Finalmente conseguiram seguir pro cemitério, então, da família da Mary. Quem estava ali presente era o pai dela, o seu ex-marido e alguns dos filhos do casal. Então só eles estavam presentes, apesar de milhares de pessoas tentando entrar ali, tentando ver também.
Moradores das ruas por onde passou a carruagem fúnebre decidiram fechar as cortinas de suas casas, o que demonstrava sinal de respeito. Mesmo pobre e sem um teto fixo, ela conseguiu despertar ali uma comoção muito genuína na população. Foi nesse clima de muito pânico que 16 comerciantes de Whitechapel e Spitalfields decidiram se juntar porque eles estavam com muito medo do que poderia acontecer com os seus negócios. Então, no dia 10 de setembro, eles fundaram o Comitê de Vigilância de Whitechapel, sob a liderança de um construtor local que se chamava George Lusk.
O comitê passou a organizar rondas noturnas com voluntários. Então eles ficavam andando pelo bairro, né, à noite, e até ofereceram recompensas que eles tiraram do próprio bolso para quem conseguisse fornecer alguma informação ali sobre o serial killer. Isso aconteceu Depois do Ministério do Interior recusar os pedidos deles. O comitê pressionava a Polícia Metropolitana, comandada pelo comissário Sir Charles Warren, porque simplesmente eles queriam que a polícia agisse com mais eficiência.
E não era o que eles estavam vendo, né. Poucos dias depois da morte da Anne, as pessoas em pânico, né. A polícia sem fazer muita coisa. Sob uma forte comoção popular, um grupo de mulheres decidiu se juntar. Elas formaram uma espécie de rede informal de proteção mútua, combinando de não caminhar sozinhas pelas ruas a partir de determinado horário, combinaram também de alertar umas outras caso elas vissem algum homem com comportamento esquisito por ali.
Então aqui a gente consegue ver um esforço, né, de autodefesa comunitária, tanto das mulheres quanto dos comerciantes, para tentar se proteger, proteger o bairro. Mas apesar de muito bem intencionados, pouco eles puderam fazer diante da rapidez e do silêncio que o Jack the Ripper agia. A Elizabeth Stride nasceu na Suécia em 1843, filha de um fazendeiro. Ainda jovem, se mudou para Gotemburgo, onde teria em Rio Claro como empregada doméstica antes de começar a se prostituir e contrair sífilis.
Ela imigrou para Londres no início da década de 1860 e em 1869 ela se casou com um carpinteiro inglês chamado John Stride. O casamento não durou e eles se separaram por volta de 1881. A Elizabeth, já conhecida entre os vizinhos pelo apelido de Long Liz, passou a contar a quem quisesse ouvir uma história trágica e inventada. Ela disse que o marido e os filhos haviam morrido no naufrágio do vapor Princess Alice em 1878. Nos anos seguintes, ela viveu com um Bojador chamado Michael Kidney, em uma relação marcada por brigas e separações recorrentes.
Ela conseguia se sustentar com faxinas ocasionais e cada vez mais com prostituição. Era pouco mais da meia-noite do dia 30 de setembro quando a Elizabeth foi vista pela última vez com vida junto a um homem na Berner Street. Por volta da 1 da manhã, um vendedor ambulante que voltava para casa com sua carroça entrou no pátio conhecido como Dutfield's Yard e quase tropeçou no corpo dela ainda quente, com a garganta Diferente das vítimas anteriores, a Elizabeth não apresentava mutilações abdominais.
Um detalhe que décadas depois levaria alguns pesquisadores a questionar se o seu assassinato pertencia de fato ao mesmo serial killer. A explicação mais aceita na época, porém, era de que o assassino havia sido interrompido pela chegada do carroceiro antes de completar o seu ritual. Minutos antes do ataque, um imigrante húngaro chamado Israel Schwartz, que passava ali pela Berner Street a caminho da sua casa, testemunhou um homem arremessar uma mulher ao chão junto ao mesmo portão onde o corpo da Elizabeth teria sido encontrado.
Assaltado pouco tempo depois. Assustado com a cena e temendo ser confundido com o agressor, ele atravessou a rua sem intervir. Ele foi levado à delegacia horas depois e reconheceu a vítima como sendo a mulher que ele viu sendo agredida. E ele se tornou assim uma das poucas testemunhas a relatar ter avistado, ainda que de relance, alguém que talvez fosse o próprio assassino em ação. Ainda assim, por razões nunca totalmente esclarecidas, o seu depoimento não chegou a ser apresentado formalmente no inquérito sobre a morte da Elizabeth.
Na mesma madrugada, a pouco mais de 800 metros dali, o assassino encontrou sua segunda vítima da noite, a Catherine de Addis Abeba. Nascida em 1842 em uma família numerosa de operários, ela havia se mudado com os pais para Londres ainda criança, crescendo em meio a dificuldades financeiras constantes. Na juventude, uniu-se a um ex-soldado chamado Thomas Canway, com quem teve 3 filhos e viveu por quase 20 anos vendendo pelas ruas folhetos de baladas impressas.
Eram canções populares baratas que circulavam sobre crimes e tragédias do momento. A relação deles terminou por volta de 1880, em meio ao alcoolismo da Catherine. Ela passou a viver com John Kelly, um trabalhador braçal. Ela havia sido libertada havia pouco mais de meia hora de uma delegacia próxima onde estivera detida por embriaguez, quando um policial encontrou seu corpo caído na Mitre Square. Dessa vez, o assassino teve tempo.
O rosto da Catherine foi desfigurado, o abdômen aberto e parte dos seus órgãos removidos. Um rim havia sido retirado com um corte preciso. A identificação do corpo levou 2 dias. Entre os seus pertences, a polícia encontrou uma latinha de mostarda com 2 bilhetes de penhora. John Kelly e a irmã dela, Elisa Gold, a reconheceriam depois por conta de características físicas. Minutos antes do corpo da Catherine ser encontrado, 3 amigos que deixavam um clube social nas proximidades, avistaram na entrada da Church Passage uma mulher que depois reconheceriam como sendo ela, conversando com um homem de aparência humilde, boné de pano e um bigode ralo.
Um deles era o comerciante Joseph Lowend. Ele teve apenas alguns segundos para observar o casal à distância, mas foi o suficiente para que a polícia metropolitana o tratasse depois como uma testemunha estratégica, mantendo ele deliberadamente afastado da imprensa na esperança de usá-lo mais tarde para confrontar suspeitos sem risco de contaminação do de depoimento. Por se tratar de um crime cometido dentro dos limites administrativos da cidade de Londres e não de Whitechapel, o assassinato de Catherine passou a ser investigado por uma força policial distinta, a polícia da City, obrigando as duas corporações a dividir informações sobre o mesmo suposto autor sem compartilhar uma cadeia de comando única.
A cooperação entre as equipes, ainda que descrita por muitos à época como cordial, nunca produziu uma investigação verdadeiramente unificada. Essa fragmentação institucional seria, décadas depois, apontada por historiadores como um dos fatores que dificultaram qualquer chance real de identificação do assassino. As duas mortes na mesma madrugada ficaram conhecidas na imprensa e entre os investigadores como duplo evento, episódio que consolidaria de vez a lenda do assassino de Whitechapel.
Horas depois da Catherine ser encontrada, um policial percorrendo a Goulston Street avistou um pedaço de tecido ensanguentado. Era parte do avental que faltava no corpo da Catherine, aparentemente descartado pelo assassino em sua fuga. Bem acima do tecido, escrito a giz na parede, havia uma inscrição cuja grafia e interpretação exatas continuam controversas. Diversas. Com o teor frequentemente descrito como antissemita por historiadores, a grafia que ficaria conhecida como o grafito da Gamston Street.
Temendo que a inscrição desencadeasse ataques contra a extensa comunidade judaica do bairro, já hostilizada havia semanas, o comissário Sir Charles ordenou que a frase fosse apagada antes do amanhecer, temendo que provocasse violência contra a comunidade judaica. A decisão seria criticada por décadas. Para uns, um gesto sensato de contenção social. Para outros, a destruição precipitada de uma pista que talvez nunca pudesse ser recuperada.
Foi nesse contexto de muito em pânico que uma carta assinada por um suposto autor dos crimes que se autodenominava Jack the Ripper chegou à Central News Agency de Londres no dia 25 de setembro e foi recebida 2 dias depois. Mas aqui tem uma questão crucial: será que essa carta era verdadeira? Será que realmente esse assassino decidiu mandar uma carta para imprensa dando um nome para ele mesmo, né, Jack the Ripper? Ou será que um jornalista decidiu forjar essa carta para manter o interesse público no o caso.
Ninguém sabe até hoje se a carta é verdadeira ou não, ou se foi inventada justamente para vender mais, talvez. Mas o que a gente sabe é que foi assim que o assassino ficou conhecido e é conhecido até hoje no mundo inteiro. Todo mundo conhece o nome Jack the Ripper. A carta tinha sido escrita em tinta vermelha e tinha muitos erros gramaticais que claramente eram propositais. E na carta, o assassino, ou talvez o jornalista, debochava ali da polícia por não conseguir conseguir encontrar ele, dizendo que em breve ele iria agir de novo.
Mas também é importante dizer que Jack, que apesar de ser um nome, era um apelido muito comum na época que as pessoas usavam para falar de homens. Era um nome genérico para homens que as pessoas não sabiam o nome, então chamavam de Jack. Então era genérico o suficiente para não ser apontado facilmente assim, tipo, ai, então o Jack é aquela pessoa. Dessa forma, poderia ser qualquer pessoa, qualquer pessoa poderia ser o suspeito, mas era um nome memorável o suficiente para grudar na cabeça das pessoas.
Então, sem saber, eles criaram criaram ali um nome icônico. A agência de notícias acaba recebendo dias depois um cartão postal manchado de sangue. Já na esteira ali do duplo evento que tinha acontecido, ali mais uma vez usava o nome Jack the Ripper, reforçando aquela assinatura. Então pareceu na época que aquilo confirmava a existência de um único assassino. Mas de novo, a autenticidade desses documentos, né, tanto da carta quanto do cartão postal, é contestada por investigadores até hoje.
Anos depois, um inspetor da Scotland Yard chegaria admitir que sim, ele acreditava que aquilo tinha sido inventado por um jornalista para continuar vendendo os jornais, para manter o interesse do público. Mas sendo verdadeiro ou não, foi essa correspondência que criou o nome do serial killer Jack the Ripper. Nos dias que se seguiram depois do crime duplo, né, o clima em Whitechapel, que já tava ruim, agora era de histeria total.
Grupos de moradores se organizavam em patrulhas noturnas e eles colocavam pregos nas botas para que quando eles caminhassem, o prego batesse nas pedras e fizesse um barulho alto, caso Jack the Ripper tivesse por ali. Ele ouvisse e se escondesse e não agisse. As mulheres já estavam em alerta, mas nesse ponto elas, muitas delas decidem parar de caminhar à noite e fazer qualquer coisa à noite sozinhas. E aí, depois dessas duas primeiras correspondências, a imprensa começa a receber muitas correspondências que hoje se sabe todas fraudulentas, com essa assinatura Jack the Ripper, né, que seria o Estripador.
E essas cartas chegavam não só para imprensa, jornais na delegacia também. Então, tanto os jornais quanto a Scotland Yard somavam centenas de cartas por semana, todas falsas. Uma dessas cartas foi recebida em meados de outubro pelo George Lusk, que eu já citei para vocês. Ele era o presidente do comitê de vigilância ali dos comerciantes. E essa carta veio acompanhada de um pedaço de rim. Era um rim humano conservado em álcool dentro de uma caixinha papelão.
O remetente tinha afirmado ter tirado esse rim de uma das vítimas e até ter consumido um pedaço dele. Peritos da época chegaram a comparar a aparência daquele rim recebido com o rim da Catherine. Embora, né, a gente esteja falando de 1888, então análise técnica que eles tinham na época era extremamente limitada para conseguir realmente comprovar se era dela ou não. A pressão sobre a Polícia Metropolitana era gigantesca. O detetive inspetor Frederick Aberline, responsável por coordenar as investigações, interrogou dezenas de suspeitos, acompanhou pessoalmente as autópsias e chegou a supervisionar buscas porta a porta em toda a região, além de distribuir milhares de panfletos pedindo informações à população, sem que nada disso produzisse um resultado conclusivo.
Esse detetive, o Frederick George Aberline, que nasceu em 1843 e faleceu em 1929, foi um dos detetives mais experientes da Scotland Yard. Tinha cerca de 45 anos em 1888 e era considerado um veterano da polícia. Era respeitado, meticuloso, discordava de superiores sobre quem o culpado e continuou fascinado pelo caso pelo resto da vida. O comissário Sir Charles, por sua vez, viu sua gestão se tornar alvo constante de chacota depois de autorizar um teste com cães da raça Bloodhound, treinados para farejar rastros humanos, numa tentativa de rastrear o assassino pelo cheiro em cenas de crimes futuras.
O teste, realizado em um parque londrino em outubro, terminou em confusão pública depois que os cães se perderam na neblina. Os animais jamais chegaram a ser usados em nenhuma cena real. Dos crimes. A fragmentação institucional entre a Polícia Metropolitana e a Polícia da Cire dividiu as investigações. Informações não eram plenamente compartilhadas. Dois chefes de polícia, duas abordagens, nenhuma unificação real. Isso é apontado por historiadores como fator crítico em por que o assassino nunca foi encontrado.
A poucos metros de onde o corpo da Anne Chapman foi encontrado, a gente chega no The Bells, que é esse pub bem aqui. Ele é um dos pubs mais ligados à história do Jack the Ripper, porque a última das 5 vítimas dele, a Mary Jane Kelly, teria estado no pub pouco antes de ser assassinada. No dia 9 de novembro de 1888, várias pessoas viram ela aqui no pub. E aí ela frequentou o pub, saiu, foi para o apartamento dela, que inclusive fica perto do pub, e o corpo dela foi encontrado em seu quarto.
O crime foi extremamente brutal e deixou Londres Fall never arrives all at once.
— Anúncios inseridos dinamicamente —
The world sees us as heroes, but they don't know what the job really costs.
— Anúncios inseridos dinamicamente —
A Mary Jane Kelly era das 5 vítimas a mais jovem e aquela sobre a qual menos se sabe ao certo. Segundo o relato que ela costumava contar aos conhecidos, ela teria nascido por volta de 1863 no condado de Limerick, na Irlanda, mudando-se ainda criança com a família pro País de Gales. Teria se casado muito jovem com um mineiro que morreu pouco depois em uma explosão nas minas de carvão. E viúva, teria se mudado pra Cardiff e dali pra Londres.
Nenhum desses detalhes pôde ser confirmado pelos investigadores da época. Então tudo que se sabe sobre a vida da Mary Jane de 1888 vem exclusivamente do que ela mesma contava. No outono daquele ano, ela dividia um quartinho alugado no número 13 da Miller's Court com Joseph Barnett, um ex-carregador do mercado de peixes que havia perdido o emprego meses antes. As brigas do casal, motivadas em boa parte pela recusa dele em aceitar que ela voltasse a se prostituir para pagar o aluguel, haviam se tornado frequentes.
O Joseph tinha deixado o quarto poucos dias antes. Por volta das 2 da madrugada do dia 9 de novembro de 1888, um conhecido da Mary Jane chamado George Hutchinson cruzou com ela na Commercial Marshall Street. Sem dinheiro para emprestar, ele viu ela seguir sozinha até ser abordada pouco depois por um homem bem vestido que a tocou no ombro. Segundo o relato minucioso que o George daria à polícia horas depois, o par teria conversado por alguns minutos antes de entrar juntos em Miller's Court.
O George afirmou ter esperado do lado de fora por quase uma hora sem ver nenhum dos dois sair novamente, antes de finalmente desistir e ir embora. A descrição que ele deu foi tão detalhada do rosto, das roupas e até dos acessórios do desconhecido que investigadores da época e historiadores décadas mais tarde chegariam a questionar sua plausibilidade em uma rua praticamente sem iluminação. Por volta das 4 da madrugada, um vizinho relatou ter ouvido um grito abafado de socorro vindo na direção do quarto da Mary Jane.
Som que àquela altura já não impressionava tanto os moradores da Dorset Street, habituados a gritos noturnos na vizinhança. Pouco antes das 11 horas da manhã, o proprietário do imóvel enviou um funcionário para cobrar o aluguel atrasado. Ele bateu na porta, mas sem resposta. Ele espiou por uma vidraça quebrada e afastou a cortina. O que ele viu, segundo os policiais que chegariam minutos depois, era o cenário mais brutal de toda a série de crimes.
O O corpo da vítima estava sobre a cama, com mutilações tão extensas que a vítima só pôde ser identificada por pessoas próximas. Diferente dos assassinatos anteriores, cometidos em vielas, pátios, sempre às pressas, esse havia ocorrido dentro de um quarto fechado. O único lugar entre os 5 crimes em que o assassino teve total privacidade e tempo à vontade. Inclusive, a Mary era uma das únicas vítimas do assassino que tinha um local onde ela morava, né, que tinha um quarto.
Esse crime foi o único entre os 5 registrado por fotografias policiais, feitas justamente porque Pela primeira vez, o corpo havia sido encontrado em um espaço fechado, o que tornava viável o demorado processo fotográfico da época. As imagens, mantidas por décadas fora do alcance público, seriam citadas por gerações de médicos legistas como o retrato mais completo da fúria do assassino. O rosto da Mary Jane foi desfigurado a ponto de dificultar o reconhecimento, e praticamente todos os órgãos internos haviam sido removidos e distribuídos pelo quarto.
O médico Thomas Bond, chamado para examinar a cena naquela pela manhã, concluiu que o assassino levara ali ao menos 2 horas de trabalho ininterrupto. Tempo que jamais tivera em nenhum dos crimes anteriores. A notícia do assassinato se espalhou tão depressa que chegou a perturbar naquele mesmo dia um dos maiores desfiles públicos do calendário londrino. O funeral da Mary Jane, realizado 10 dias depois no St. Patrick's Cemetery em Leytonstone, reuniu multidões nas ruas do East End.
Apesar de nenhum parente de sangue ter comparecido à cerimônia. Várias coroas de flores cobriam o caixão dela, que tinham sido enviadas por desconhecidos. Pessoas que tinham visto muito ela simplesmente ali na vizinhança, pelos bares. O cortejo precisou avançar muito devagar porque tinham muitas pessoas acompanhando em silêncio até chegar no cemitério, onde ela foi sepultada em uma cova comum. E esse, né, seria o último crime que é atribuído com uma relativa segurança ao Jack the Ripper.
O Sir Charles Warren, que tava responsável ali pelo caso, já tava sofrendo muita pressão pública depois desse caso então, o da Mary Jane. A pressão foi ainda maior, tanto da opinião pública quanto da imprensa quanto do Ministério do Interior. Então ele acabou renunciando ao cargo dias depois do assassinato da Mary, embora essa saída dele seja mais atribuída a outros motivos administrativos. Então agora a gente entra num tópico muito específico do caso do Jack the Ripper, porque a gente tá falando de 1888, então faz muito tempo.
E já na época, esse caso com conseguiu capturar ali a atenção da imprensa do mundo todo. Então, por que esse caso específico conseguiu capturar a imaginação das pessoas dessa forma, né? E a resposta é porque basicamente era a primeira vez que um assassino em série, um caso desse tipo, era coberto pela mídia tão excessivamente. E não só de forma excessiva, mas pela primeira vez com sensacionalismo e também em tempo real. Então as coisas aconteciam, eles já iam publicando, e os jornais competiam para ver quem ia publicar primeiro, quem ia dar o furo.
Eles copiavam cada pequena coisa que acontecia com muitos detalhes. Então as pessoas estavam ali muito impressionadas com aquilo. O conceito de serial killer para época ainda era uma coisa muito nova também. Tanto a polícia quanto as pessoas, eles não tinham referência para entender o que de fato significava ter um assassino em série. Eles não tinham uma referência forte o bastante para entender o que tava acontecendo. E além de tudo isso, as vítimas do assassino eram mulheres vitorianas, mulheres pobres, muitas delas prostitutas.
Eram mulheres que a sociedade vitoriana simplesmente descartava, esquecia. Só que dessa vez eles decidiram não esquecer delas, né? Elas chegaram até as manchetes. Era o tipo de violência que para época não deveria, mas chegou até a imprensa. Embora a morte da Mary Jane seja tradicionalmente a última conhecida do Jack the Ripper, a última realmente atribuída a ele, que acreditam que tenha sido ele realmente, o arquivo sobre o assassino de Whitechapel continua aberto por muito tempo depois disso.
Alguns pesquisadores apontam outras vítimas de crimes semelhantes ao dela, como também sendo do Jack the Ripper, como da Emma Smith, que foi atacada em abril de 1888, e da Ada Wilson, baleada em março, como possíveis vítimas do Jack the Ripper. Porém, os padrões diferem do que a gente vê nos outros casos que são atribuídos a ele. A Emma, por exemplo, foi atacada por um grupo e não por um indivíduo. E a Ada também, ela sobreviveu e ela conseguiu até identificar alguns agressores.
Então, o consenso histórico de em que momento, quando o Jack the Ripper agiu, seria entre agosto de 1888 até novembro do mesmo ano. Em julho de 1889, o corpo da Alice McKenzie, que era uma lavadeira que ocasionalmente também recorria à prostituição, foi encontrado no Castle Alley com a garganta cortada e alguns ferimentos abdominais. O crime acendeu momentaneamente o pânico e hostilidade contra a comunidade judaica, embora os peritos da época já divergissem se aqueles ferimentos realmente poderiam ser comparados com os ferimentos encontrados nas víctimas anteriores do Jack the Ripper.
Um crime posterior que aconteceu em 1891, da vítima Frances Coles, aconteceu nas mesmas condições precárias. Só que nessa altura, o interesse do público pelo caso já tinha começado a esfriar. Em 1894, já afastado das investigações cotidianas, mas então ocupando um cargo de chefia na Polícia Metropolitana, o Melville Macnaghten redigiu um memorando interno reagindo à acusação da imprensa de que um homem chamado Thomas Cutbush seria o verdadeiro Jack the Ripper.
O Thomas sofria de doença mental e tinha histórico de ataques violentos a mulheres, agressões, perseguições e comportamento agressivo. A imprensa especulou que ele poderia ser o Estripador. Ele tava solto durante boa parte dos crimes de 1888, mas foi internado em um asilo em março de 1889, logo após o assassinato da Mary Jane. Ele parecia se encaixar no perfil, porém o Melville descartava essa teoria porque não havia prova física ligando ele aos crimes.
O padrão de violência do Thomas era completamente diferente, eram ataques impulsivos e não as mutilações precisas e ritualizadas do Jack the Ripper. Além disso, havia álibis fracos para algumas das noites dos crimes. No documento, Melville citava em seu lugar 3 nomes que ele considerava suspeitos bem mais prováveis. O primeiro era Montague John Druitt, um professor e advogado de boa família que desapareceu por volta de dezembro de 1888, logo após o assassinato da Mary Jane Kelly.
O seu corpo foi encontrado no Rio Tâmisa cerca de 7 semanas depois, em janeiro de 1889, provavelmente um suicídio. Segundo Melville, informações privadas indicavam que a família considerava ele responsável pelos crimes. Talvez ele tivesse confessado algo, ou a família suspeitava do seu comportamento. Só que aqui a gente tem um problema: nenhuma evidência concreta ligava ele a Whitechapel. Nenhuma testemunha o descreveu. O investigador Frederick, anos mais tarde, afirmou publicamente que nada além da coincidência de datas ligava o Montague ao caso.
Ele desapareceu quando os crimes pararam e isso alimentou a especulação. Mas coincidência não é prova e ele também nunca foi interrogado formalmente pela polícia. Já o segundo nome era de um imigrante polonês identificado apenas como Kosminski no memorando do Melville, um morador de Whitechapel que, segundo ele, teria enlouquecido em razão de vícios solitários e nutria forte ódio por mulheres. Seu nome completo é Aaron Mordekai Kosminski.
Ele nasceu em 11 de setembro de 1865 em Klodawa, na Polônia do Congresso, então parte do Império Russo. Era o filho mais jovem de uma família judaica que imigrou para a Inglaterra por volta de 1880 ou 1881, fugindo do crescente antissemitismo na Europa Oriental. O Aaron tinha aproximadamente 23 anos quando os crimes começaram. A idade certa, no lugar certo e na hora certa. Ele trabalhou como barbeiro em Whitechapel, vivendo com os irmãos na comunidade judaica densa do bairro.
Era um homem recluso de aparência comum. Mas nos 2 anos que se seguiram, em 1889 e 1890, os registros sobre ele desapareceram. Não sabemos onde ele estava e nem o que ele fazia. Nenhum documento nos disse se havia começado a se deteriorar mentalmente nessa época ou se sua doença ainda seria futura. E aqui tá o ponto controverso que continua gerando debate. O Dr. Robert Anderson, chefe do Departamento de Detetives da Polícia Metropolitana, e o inspetor-chefe Donald Swanson, que revisaram os arquivos do caso, ambos mencionaram um suspeito chamado Kosminski em documentos privados.
O Robert sugeriu, sem nomear, que tinha chegado a uma conclusão sobre a identidade do assassino. Então o Donald, anotando as memórias do Robert, identificou os Kominski como esse suspeito. Mas houve um problema. Em fevereiro de 1891, 3 anos após os crimes pararem, o Aaron foi declarado mentalmente insano e internado no Colony Hatch Lunatic Asylum. A razão oficial é porque ele havia ameaçado a irmã com uma faca durante um episódio psicótico.
Ele passaria o resto da sua vida internado. A questão que assombra os pesquisadores é que se o Aaron tinha esquizofrenia paranoide documentada, alucinações auditivas, paranoia e recusa em lavar ou comer. Quando exatamente isso começou? Durante os crimes de 1888, ele seria capaz da frieza cirúrgica que o Estripador demonstrou? Ou a sua mente já estava se desintegrando, incapaz daquela precisão? Os registros do asilo mostram um homem quebrado.
Atirava cadeiras em atendentes, recusava comida. Nenhuma evidência de que fosse particularmente violento ou homicida lá dentro. Apenas perdido e doente. Mas entre 1881 a 1891, a gente não sabe nada sobre o Aaron. Então a gente não sabe, como eu falei, onde ele tava, o que ele tava fazendo, não tem registro nenhum. Então há apenas um vácuo. E talvez seja exatamente esse mistério dentro do mistério dele ser ou não o Jack the Ripper, porque não tem como saber o que ele tava fazendo na época.
A gente também não tem como saber quem o Aaron era na época, né, se ele já tava completamente tomado pela doença ou não. Mas ele era um barbeiro e ele odiava mulheres. E como eu falei, um dos investigadores acredita que ele era o Jack the Ripper. Registros do asilo contam que ele tinha uma deficiência auditiva e dificuldade dificuldades graves de comunicação, o que significa que seria muito difícil que alguma testemunha tivesse ouvido ele falar alguma coisa.
Ninguém ouviria ele conversando, então não teria como reconhecer ele pela voz. Esse é um detalhe que importa, né, para uma questão forense básica para o caso da época. Como alguém seria reconhecido como um suspeito sendo que o que eles usavam para fazer esse reconhecimento na época era basicamente a voz da pessoa e aparência física? Esse não é um argumento a favor e nem contra essa teoria de que ele é o Jack the Ripper, é apenas Só pra vocês entenderem o contexto.
O Aaron passou o resto da sua vida internado. Então, ele passou 28 anos no asilo. Até morrer em março de 1919, aos 53 anos, de gangrena. Então, se ele tinha respostas, né, pra isso, ele levou as respostas com ele pro túmulo. O terceiro suspeito era Michael Ostrog, descrito por Melville como um médico russo e ex-condenado. Também internado posteriormente como louco homicida. Parecia fazer sentido. Um homem médico que tinha conhecimento anatômico e histórico de instabilidade.
Um pequeno problema: o Michael cumpria pena em uma prisão francesa justamente durante o período dos assassinatos. Ele não tava em Londres, ou seja, não tinha como ele estar em Whitechapel. Décadas de pesquisa histórica confirmaram isso, ou seja, não tinha como ser ele. Mas apesar disso, o nome dele continua aparecendo na lista de suspeitos durante anos porque ninguém tinha verificado o paradeiro dele com cuidado. Em um dos 3 suspeitos citados pelo Melville, jamais foi preso ou formalmente acusado.
Isso porque não havia base legal, a polícia não tinha provas, apenas suspeitas, coincidência de datas e especulação. Já o Frederick Discordando do seu antigo superior Melville, chegou a defender publicamente anos depois que o verdadeiro assassino teria sido Severin Klosowski, também conhecido como George Chapman. O Severin era um imigrante polonês que vivia em Whitechapel durante os crimes de 1888. Anos depois, em 1903, foi condenado e executado pelo envenenamento de 3 mulheres com quem havia se relacionado.
O Frederick argumentava que o Severin tinha capacidade, a frieza emocional, o conhecimento de venenos e drogas. Só que aqui tem uma questão que nunca foi respondida: se o Frederick acreditava que o Severin era o Estripador, por que ele não o prendeu em 1888? Na época, o Severin estava em Londres, estava em Whitechapel. Então, por que foi preciso esperar até 1903, 15 anos depois, para ele ser condenado? E ainda por cima, por um crime completamente diferente, que era envenenamento.
Essa teoria do Frederick nunca reuniu provas além da coincidência de nacionalidade, proximidade geográfica e o período em que o Severin residiu na área. Um quarto nome também circulou nos bastidores da investigação, sem nunca aparecer no memorando oficial do Melville, que é o nome do médico americano Francis Tumblety. O Francis vivia em Londres na época dos crimes, tinha conhecimento médico, mas quando foi preso em novembro de 1888, semanas depois do assassinato da Mary Jane, a acusação não era por assassinato, era por práticas homossexuais.
Então, na época, né, criminalizadas pela lei britânica. A pergunta é: por que a polícia não se aprofundou? Falta de evidências, preconceito, incompetência, medo político de acusar um médico estrangeiro sem provas sólidas? A verdade é que a polícia vitoriana não tinha as ferramentas nem treinamento, ou talvez a vontade política de seguir suspeitas que pareciam nebulosas. Eles não tinham evidências que ligassem o médico aos crimes do Estripador.
Então ele foi solto sob fiança e ele fugiu para os Estados Unidos antes do seu julgamento, desaparecendo para o resto da sua vida. Anos depois, um alto chefe da polícia londrina chegaria a declarar em correspondência privada que o considerava um dos suspeitos mais prováveis, atribuindo a ele um ódio conhecido por mulheres. Mas a realidade é que se a polícia suspeitava dele, por que que ele não foi preso? Nenhuma prova concreta jamais o ligou às cenas do crime.
Também vale lembrar um nome que eu já citei aqui, que era o avental de couro, que motivou muito pânico inicial nos primeiros dias de setembro. Foi identificado pela polícia como um sapateiro chamado John Pizer. Ele chegou a ser detido, como eu falei para vocês, porque teve muita pressão popular. Mas o John apresentou álibis para as noites dos assassinatos da Marianne e da Annie. Os álibis foram verificados e eram consistentes.
Dias depois ele foi liberado. Mas como eu também citei para vocês, o estrago já tava feito. Durante os dias em que o nome dele circulou nos jornais como principal suspeito, os moradores enfurecidos chegaram até a cercar a casa dele. Esse episódio se tornaria para historiadores posteriores um dos primeiros exemplos de como o pânico público em torno do caso poderia se voltar injustamente contra qualquer homem que se encaixasse no perfil de estrangeiro pobre de aparência suspeita.
Uma das teorias mais midiáticas surgiu já no final do século 20, que foi sobre um diário de James Mabry, que um próspero comerciante de algodão de Liverpool que morreu em 1889. E nesse suposto diário dele teria confissão detalhada dos 5 crimes do Estripador. E aí a gente já começa com as perguntas: por que um comerciante próspero iria guardar um diário com as confissões? Esse documento, né, o diário chegou a ser publicado e gerou muita repercussão mundial.
Mas aí em 1995, 100 anos depois dos crimes, um dos homens que apresentou esse diário ao mercado editorial para ser publicado admitiu que foi tudo forjado e inclusive cuidado com cada detalhe para criar esse documento falso. Também surgiu um relógio de bolso com as iniciais de cada vítima gravado nele e a frase eu sou Jack, que supostamente seriam pertences também do James, que surgiram depois. Mas de novo, ninguém conseguiu comprovar autenticidade.
A maior parte dos historiadores descarta completamente o James como possível Jack the Ripper. Nenhuma testemunha descreveu ele e não tem evidências de que ele estava em Whitechapel quando os crimes aconteceram. Fora que a caligrafia dele não corresponde à caligrafia suposto diário, mais uma vez, né, mostrando que ele provavelmente é falso. E na época, quando o caso tava sendo investigado, nenhum jornalista citou o nome dele, ninguém citou o nome dele na época.
Não há absolutamente nada além do diário, que mais uma vez é falso. Ao longo dos séculos seguintes, muitos nomes surgiram, até nomes de pessoas famosas, pintores, membros da família real britânica, açougueiros. Chegaram até a falar que o neto da Rainha Vitória era o Jack the Ripper, que ele seria o autor ou mandante dos crimes. Mas todas essas teorias foram sendo descartadas, né, porque não tinham provas. Eu fiz um tour sobre o Jack the Ripper em 2023 e eu lembro que o homem que fez o tour, não vou lembrar o nome dele nem nada do tipo, mas era um tour sobre terror e crimes reais que aconteceram em Londres, né, óbvio, coisas que eu faço em viagem.
E aí eu lembro que em algum momento ele falou, eu tenho certeza, eu até tenho um livro publicado que o assassino é tal. Nem lembro quem ele falou. Mas o que a gente sabe de fato, passados mais de 130 anos dos crimes do Jack the Ripper, é que tudo o que a gente tem são teorias e especulações. Se tornou um caso muito grande, praticamente uma lenda urbana ali de Londres, mesmo tendo acontecido. Já que ninguém sabe quem é, meio que se torna essa lenda, todo mundo fala sobre.
Mas ninguém sabe de fato quem ele era, não tem nenhuma evidência que prove isso. Talvez o ponto mais importante de eu citar é que mesmo tendo muitos suspeitos, talvez o Jack seja um dos suspeitos que eu citei, talvez seja uma pessoa que a polícia nunca conseguiu nem chegar perto, nunca conseguiu nem imaginar que era ele. Não tem como saber, realmente é uma pergunta que fica no ar. Os crimes pararam em 1888, aconteceram todos no mesmo ano, e tem muitas perguntas sobre isso.
Parou por quê? Porque ele morreu? Porque ele fugiu? Porque ele foi internado? Porque ele simplesmente decidiu parar? Mais de um século depois, esse é um dos casos criminais, né, principalmente ser um dos serial killers mais conhecidos no mundo e até hoje permanece sem solução. Eu acho que muito disso se dá ao ano em que aconteceu, ao fato de que a forma como foi investigado não foi a forma correta. Mas a gente vê casos, por exemplo, de 50 anos atrás, que nem é tanto tempo assim, que também não foram investigados da forma correta.
Então quem dirá em 1888? Mas o legado que o Jack the Ripper deixa acaba se se tornando, como eu falei, quase que uma lenda, uma obsessão, uma coisa divertida para quem mora em Londres, para quem visita Londres, já que tem muita coisa sobre ele lá. Se tornou parte do turismo da cidade, se tornou parte da ficção. Os casos de 1888 transformaram a forma como um assassino em série era visto, que era uma coisa super nova. Então meio que ajudou a criar esse conceito também.
E também criaram o conceito de um perfil criminal, que é essa ideia que é basicamente o porquê de eu gostar tanto de casos criminais. É uma coisa que eu sempre falo, que é tentar entender o porquê, os porquês, a mente de um assassino em série, o que se passa ali, né. Então quando você cria um perfil criminal, é justamente para você tentar entender uma coisa que para uma pessoa normal é impossível de se entender. Se o Estripador tivesse cometido os mesmos crimes hoje, com toda a tecnologia que a gente tem, com DNA, com a polícia tendo comunicações instantâneas, que é uma coisa que teria resolvido tantos crimes que eu já contei para vocês.
Porque sempre que duas agências tinham que trabalhar juntas, por algum motivo elas simplesmente não queriam. Então elas não passavam as informações corretamente e tal. Isso aconteceu nesse caso também. Com tudo que a gente tem hoje, até alguns anos atrás também, se o caso fosse mais recente, provavelmente ele teria sido identificado. Mas em 1888 nada disso existia, então era muito mais fácil se safar de crimes. Uma coisa muito interessante sobre os crimes do Jack the Ripper é que, como eu falei para vocês, ele marcou muito essa questão da imprensa sensacionalista na época e o fato de que mulheres pobres morrendo não era um assunto que as pessoas queriam ver nos jornais.
Mas com o caso Jack the Ripper, isso mudou. E essa cobertura extensa da imprensa que acabou mostrando ali com muitos detalhes como era a vida das vítimas, que não tinham estrutura, que não tinham ajuda, que moravam nas nas ruas, que não tinham casa praticamente, não tinham dinheiro para pagar, né, um aluguel. Acabou expondo ali como era a vida nos cortiços de East End para o mundo inteiro, que era uma coisa que acontecia ali em Londres e foi exposta para todo mundo.
E isso é frequentemente citado por historiadores sociais como um dos fatores que ajudaram a impulsionar as reformas habitacionais na região nos anos seguintes. Décadas depois dos crimes do Jack the Ripper e depois de muitas coisas acontecerem ali em Londres, então reconstruções nas ruas, bombardeios Segunda Guerra Mundial, prédios mais modernos. Tem muito pouco, né, do que era Londres na época em que os crimes aconteceram, em Whitechapel.
Então o que tem ainda hoje foi o que eu consegui filmar e mostrar para vocês. Mas antes de entrar no tour do Museu Jack the Ripper, eu quero contar mais um fato para encerrar essa parte, que eu acho bem interessante. Em 1988, exatamente 100 anos depois dos crimes, a divisão de análise comportamental do FBI foi convidada para elaborar para um documentário televisivo um perfil criminal retrospectivo do assassino. Coordenado pelo agente John Douglas, um dos criadores da técnica moderna de perfilamento de criminosos, o estudo descreveu um provável autor solteiro entre 28 e 36 anos, de aparência comum o suficiente para não despertar suspeitas.
Segundo o perfil, o assassino provavelmente morava ou trabalhava em Whitechapel, explicando o seu conhecimento das vielas e passagens usadas para escapar. A pista mais recente e controversa envolve um chale de seda cuja procedência é contestada. Supostamente encontrado junto ao corpo da Catherine, foi adquirido em leilão em 2007 por um pesquisador amador. Em 2019, uma equipe de cientistas publicou um estudo afirmando ter identificado em manchas do tecido DNA mitocondrial compatível tanto com descendentes da Catherine quanto com descendentes do Aaron, reacendendo a hipótese de que o barbeiro polonês era o Jack the Ripper.
A descoberta ganhou grande repercussão internacional, mas foi recebida com ceticismo por boa parte da comunidade científica. Geneticistas apontaram que o DNA mitocondrial não é capaz de identificar um indivíduo com exclusividade. Historiadores questionaram a procedência do xale, que não consta em nenhum documento policial da época. Descendentes do Aaron expressaram publicamente desconforto com a repercussão do estudo. Recentemente, familiares da Catherine vieram a público pedir que a Polícia Metropolitana reabra formalmente as investigações sobre o caso, à luz das novas técnicas forenses.
Pedido que até o momento não resultou em qualquer reabertura oficial. O caso é conhecido no mundo todo, então tem livros, documentários, filmes inspirados no Jack the Ripper, peças de teatro. Tem até um termo que é Ripperologia, que é o estudo amador e acadêmico informal do caso, que basicamente só mostra o quanto as pessoas são muito obcecadas pelo estripador. Existem conferências anuais dedicadas exclusivamente a esse caso. Mas tudo isso vocês já sabem.
Mas principalmente em Londres, é muito comum você andar ali pelo bairro e você ver os grupos de turistas nesses tours. O que eu fiz foi um tour noturno que não era do Jack the Ripper, era um tour sobre vários Os crimes que aconteceram em Londres. Mas tem muitos tours só do Jack the Ripper. E é extremamente comum você ver os grupinhos, assim, passeando pela cidade e passando pelos pubs e pelas ruas. E pra finalizar esse vídeo que eu queria muito gravar em Londres, eu decidi fazer o tour do Museu do Jack the Ripper.
E mostrar pra vocês em detalhes as cenas que eles montaram, algumas informações que você não encontra tão facilmente, assim, fotos, enfim. Então eu vou colocar o tour pra vocês agora, pra vocês acompanharem. E pra quem sabe vocês visitarem também quando estiverem. Em Londres.
E para finalizar esse vídeo sobre o caso Jack the Ripper, não tinha como eu não vir aqui no museu visitar e mostrar para vocês. Na verdade, eu já vim para Londres várias vezes e eu nunca vim nesse museu, então eu não faço ideia de como é, se vale a pena, se é legal. Mas vocês não precisam vir porque eu falei isso.
Se for legal, vocês podem me visitar.
Então eu vou entrar lá agora, mostrar para vocês, e vamos conhecer um pouco mais da história dele. E também vamos ver se tem alguma coisa original, alguma coisa da época e tal. Bom, gente, entrando no Museu Jack the Ripper. Eu já vim várias vezes para Londres, mas essa é minha primeira vez aqui no museu, então eu não sei como é. Eu vou descobrir junto com vocês. E eu tô fazendo o tour sozinha, tá muito calor aqui. A gente tá entrando no local onde encontraram a sexta vítima, Catherine Eddowes.
O corpo dela foi encontrado completamente mutilado. E quem encontrou foi um policial que tava fazendo a patrulha da noite dele.
Então aqui eles recriaram como foi a cena. Aí tem um boneco representando a vítima e o policial que encontrou. Bom, aqui temos um mapa das vítimas, ó. Bom, agora estamos na The Sitting Room, que eles basicamente reconstruíram com base no perfil do serial killer Jack the Ripper, né, que como não se sabe exatamente quem é, foi reconstruído com base nesse perfil criado. Então é como eles imaginam que seja uma sala que seria da casa dele, o que ele teria nessa sala, as coisas que ele guardaria, como ele planejaria os seus crimes.
Então tem várias coisas, papéis, recortes de jornais ali, parece veneno, alguma coisa nesse sentido. Mas o que eu achei mais interessante nessa sala é que tem um desenho que é original do Walter Sickert, que é um dos suspeitos de ser o Jack the Ripper, e é um desenho de uma mulher, né? Mas tem quem acredite que é apenas uma mulher dormindo que ele desenhou, e tem quem acredite que na verdade é algo bem mais macabro. Então, olhando A forma como ela tá parece que é um corpo, mas pode ser que não seja.
E como é uma peça original, de tudo que tem aqui, que é mais cenário, né, eu achei a parte mais interessante dessa sala.
— Anúncios inseridos dinamicamente —
Essa sala, né, que remete, é inspirada na sala da esquadra de polícia de Lemon Street, a sede da investigação dos crimes onde eles tentaram encontrar o Jack the Ripper. Então é inspirado na sala. Esse aqui, como vocês podem ver, é uma figura feita de cera. Dá para ver mais ou menos, né? Mas esse aqui é basicamente Inspirado no inspetor-chefe Abberline, o detetive que liderou a caça ao Jack the Ripper em 1888. Ó, bem aqui a gente tem mais um item original, que é esse apito.
Ele foi utilizado pelo agente de polícia Watkins na noite do duplo homicídio, quando ele encontrou o corpo mutilado da Catherine Eddowes em Mitre Square. Então aqui também tem o cassetete dele, as algemas, tudo isso aqui é original. O que acaba sendo muito interessante porque esses objetos são algumas das últimas ligações físicas dos crimes do Jack the Ripper que restam, né, até hoje. E como realmente foram usadas na investigação, elas estão expostas aqui, ó.
Essa vitrine tem algumas toucas vitorianas originais. Elas eram muitas vezes usadas pelas mulheres para cobrir o cabelo, que elas raramente lavavam. Uma realidade muito comum nos bairros degradados de Londres na época. Esse quarto representa o quarto da Mary Jane Kelly. Na noite do seu assassinato, os vizinhos afirmaram ter escutado ela cantar a canção que tá tocando aqui, que chama Violet from Mother's Grave, que em tradução seria uma violeta da campa da minha Fall never arrives all at once.
— Anúncios inseridos dinamicamente —
The world sees us as heroes, but they don't know what the job really costs.
— Anúncios inseridos dinamicamente —
Vou finalizar esse caso aqui na entrada do museu em Londres. Espero muito que vocês tenham gostado. É um vídeo diferente, né? Então tem várias imagens aqui de Londres além do caso em si. E eu quero muito saber se vocês gostaram, se vocês querem que eu traga mais vídeos assim, em viagens, locais onde aconteceram crimes e coisas do tipo.
Então me conta aqui embaixo.
Não esquece do like, me ajuda muito na divulgação.
Então é isso.
Pra mais casos, siga o podcast Quinta Misteriosa. E aproveita e pra avaliar em 5 estrelas se você gostou. Obrigada por ouvir e até o próximo caso.
Audible
Audiolivros