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ELA FOI AJUDAR UMA MULHER NUMA VAN BRANCA… | Caso Sian Kingi #627

21 de setembro de 202625min
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Em 27 de novembro de 1987, Sian Kingi, uma menina de 12 anos, voltava pra casa de bicicleta quando algo aconteceu. Ela nunca chegou. Seis dias depois, o corpo dela foi encontrado num leito de riacho — numa história que mudaria pra sempre a forma como uma cidade inteira via a sensação de segurança.#627

Participantes neste episódio1
J

Jacqueline Guerreiro

Host
Assuntos6
  • O sequestro e assassinato de Sian Kingi e a prisão do casalSian abordada por mulher em van branca·Barry abusa e mata Sian·corpo descartado em leito de riacho·vale postal revela localização do casal
  • O desaparecimento de Sian Kingi e a busca inicial da políciaSian Kingi não retorna para casa·pais encontram bicicleta de Sian·mobilização da polícia e comunidade·única pista: carro Holden Kingswood branco
  • A descoberta do corpo de Sian Kingi e a identificação dos agressorescorpo de Sian encontrado em leito de riacho·ferimentos indicam predador·Cheryl Mortimer escapa de ataque·sangue no carro de Cheryl leva a Barry Watts
  • O julgamento e condenação de Barry Watts e Valmay BeckValmay confessa sequestro e abuso·Barry condenado à prisão perpétua·Valmay se envolve com outro detento·Barry diagnosticado como psicopata
  • A Lei de Sian e o impacto duradouro do casoBarry admite assassinato de Sian·petição contra liberdade condicional de Barry·Lei de Sian aprovada em Queensland·Barry tem condicional negada em 2024
  • O perfil criminoso de Barry Watts e Valmay Beckhistórico criminal de Barry Watts·Valmay Beck e sua vida no sistema·relacionamento desequilibrado do casal·Valmay alimenta fantasias de Barry
Transcrição8 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro

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Oi, bonitas e bonitos, tudo bom com vocês? Eu sou a Jacqueline Guerreiro e esse é o podcast Quinta Misteriosa. Aqui eu posto novos casos toda segunda e toda quinta. Aproveita pra me acompanhar nas redes sociais pra conteúdo extra de séries, filmes, livros e, é claro, true crime. E agora, bora começar o caso de hoje. Shan Kinsey nasceu em 16 de dezembro de 1974, na Nova Zelândia, filha de Barry e Linda Kinsey. A herança Maori da família era parte importante de quem ela era.

Ainda pequena, a família se mudou pra Noosa Heads, uma comunidade costeira tranquila em Queensland, na Austrália. Com uma população estimada em torno de 3 mil habitantes na época. O tipo de lugar onde as crianças andavam de bicicleta livremente pelos parques e os vizinhos se conheciam pelo nome. Shia tinha um irmão e eles frequentavam a Sunshine Beach State School. Ela era alta pra sua idade, tinha cabelo loiro, comprido e olhos escuros.

Ela tinha 12 anos em novembro de 1987. Em menos de um mês, ela completaria 13 anos e ela estava muito animada com isso. Na escola, era conhecida por seu amor pelo esporte. Jogava netball e vôlei com dedicação, participava de todos os treinos e disputava os campeonatos. Era na quadra que ela passava a maior parte do tempo livre quando não estava na escola. Os pais se orgulhavam, uma filha dedicada, uma atleta promissora, uma menina com o futuro inteiro pela frente.

Nossa rédea era um lugar onde coisas más não aconteciam, ou era isso que todo mundo acreditava. Na tarde de sexta-feira, dia 27 de novembro de 1987, era um dia comum. A Xian saiu da escola como ela fazia todos os dias, encontrou com a mãe que levou ela para fazer algumas compras. Quando elas terminaram, a Xian perguntou para mãe se ela podia voltar para casa com a sua bicicleta. Ela queria voltar andando bicicleta e ela pegou um atalho que passava pelo Pinarol Park, então passava pelo meio de um parque.

Era um atalho que ela já tinha pego muitas vezes, um caminho conhecido. Conhecido para ela. Não era um lugar que ela nunca tinha ido, um parque que ela desconhecia, não. Era um lugar que ela já tinha andado centenas de vezes. Então a mãe deixou. E aí ela começa a pedalar de volta para casa por volta das 4:30. Então a mãe dela se despediu, entrou no carro e voltou para casa de carro e ficou esperando por ela. E aí os minutos começam a passar e a Xinha não volta para casa.

Quando começa a escurecer, a mãe dela começa a ficar muito preocupada porque ela já devia ter chegado há muito tempo. Então ela começa a ligar para vários amigos dela, para colegas do time de vôlei, para perguntar se eles sabiam onde ela tava. Mas nenhum dos amigos dela estava com ela ou tinha visto ela. Então os pais da Sheehan, o Barry e a Linda, decidem começar a procurar pela filha no parque, né, que era o lugar onde ela ia fazer aquele atalho que eu falei para vocês.

Então só os dois, à noite, no escuro, começam a procurar pela filha até que eles encontram a bicicleta amarela dela. A bicicleta tava caída na lateral do caminho e imediatamente eles ligam para polícia porque aquilo não era normal, alguma coisa tinha acontecido. E esse local que eles moravam, Suna Heads, não era um local onde as crianças simplesmente desapareciam, mas a Shin tinha desaparecido. A polícia de Queensland se mobilizou bem rápido, levou vários cães farejadores para o parque, várias pessoas começaram a se mobilizar ali na comunidade também para ajudar nas buscas.

Os voluntários pediram para que moradores olhassem em valas, propriedades, galpões, qualquer lugar que a Shin pudesse estar. Então rapidamente todo mundo começa as buscas por ela. Os investigadores começaram a reconstruir o caminho que ela tinha feito. E eles chegaram à conclusão que ela não deixaria a bicicleta dela naquele parque, do nada, no meio do caminho. Então, eles achavam que alguém tinha levado a Xian no meio do trajeto que ela fazia pra casa e abandonado a bicicleta dela lá.

Logo no início das buscas, os moradores da cidade arrecadaram $10 mil pra qualquer pessoa que pudesse ligar e ajudar a encontrar a Xian, né. Alguém que soubesse o paradeiro dela. A polícia lança uma caça nacional, mas a única pista que eles tinham pra seguir, foi assim por muitas semanas, era a descrição de um carro. Uma Holden Kingswood branca, empoeirada, que era de 1973 e tinha a placa de outro estado. Uma testemunha chamada Elizabeth Young entrou em contato com a polícia pra falar sobre uma coisa que ela tinha visto enquanto ela e um amigo chamado Bill estavam em uma praia, a Praia Castaways, que fica a mais ou menos 11 km ao sul de Noosa.

E aí, eles contaram que viram um homem caminhando ali pela areia, no local onde mais tarde outra testemunha diria ter visto esse carro. Que era a única coisa que tinha sido notada e que tinha chamado a atenção das pessoas naquele dia que a Shin ia desaparecer. Então, era esse homem caminhando sozinho, o carro, que mais tarde foi a descrição dada pra polícia, que tava próximo ali do local onde a Shin ia desaparecer. O Bob Atkinson, que era um investigador que mais tarde se tornaria comissário da polícia de Queensland, conta que Ele tava investigando o caso, só que como eu falei pra vocês, não tinha muito o que seguir.

Uma garota tinha desaparecido, a única coisa que eles encontraram foi a bicicleta dela. E uma comunidade inteira que tinha se juntado pra procurar por ela e que rezava pra que ela aparecesse, mas era só isso, eles não tinham mais nenhuma pista pra seguir. E assim, os dias foram passando, as buscas continuavam. Inclusive, foi uma busca ininterrupta. Conversaram com várias pessoas, mas essas buscas não levavam a nada. E o investigador sabia que o tempo, num caso como esse, era crucial, né.

Quando uma pessoa desaparece, quanto mais tempo se passa Quanto mais passa, é mais difícil de conseguir encontrar a vítima com vida. E ele sabia disso. Só que ele não tinha nenhuma pista concreta pra seguir, ninguém tinha visto nada muito alarmante. Então não tinha... Não tinha basicamente pista alguma além da bicicleta. Até que no 6º dia, em 3 de dezembro de 1987, uma pessoa colhia frutas em um campo perto de Timberwa, longe da trilha Ossádio, um local bem afastado assim, que poucas pessoas conhecem.

Essa pessoa que colhia frutas acabou encontrando um corpo, que era de uma garotinha loira, que ainda usava o uniforme da escola. Então, quando a polícia foi chamada, eles não precisavam de DNA pra saber de quem era aquele corpo. Metade de Queensland estava ajudando nas buscas e as pessoas ainda tinham muita esperança de que a Shin ia ser encontrada com vida. E agora, eles tinham encontrado o corpo. E quando o investigador chegou na cena e viu o corpo, ele percebeu que ela estava cheia de ferimentos.

Então, não era um caso apenas de um sequestrador, mas sim de um predador E possivelmente mais de uma pessoa que tinha planejado aquilo. Uma força-tarefa começa ali pra reunir todas as evidências possíveis na cena do crime. Então, qualquer pista que eles encontrassem... Eles colheram evidências de sêmen, os ferimentos na vítima que contavam ali uma história que parecia que tinha sido muito bem organizada. Mas eles ainda não tinham nome nenhum, não faziam ideia de quem poderia ter causado aquilo.

A resposta veio de um episódio que aconteceu 11 dias antes do desaparecimento da Xian. Em 11 de novembro, uma mulher chamada Cheryl Mortimer dirigia do trabalho pra casa em Ipswich quando ela viu uma passageira em um carro fazendo sinal pra que ela parasse pra ajudá-la. A Cheryl parou o carro dela pra prestar ajuda até que um homem apareceu do nada e colocou uma faca no pescoço dela. Ela lutou pela vida dela e nessa luta o homem acabou se cortando e caiu o sangue dele no carro dela e ela conseguiu escapar e fugir do local.

A Cheryl foi direto pra polícia, contou tudo que tinha acontecido e entregou pra eles a prova mais forte que ela tinha, que era justamente o sangue O mesmo carro que ela descreveu já tinha sido associado a pelo menos outros 3 episódios de assédio ou tentativa de abordagem ali nos arredores do local onde a Xin iria desaparecer, incluindo uma tentativa de sequestro para uma funcionária de uma loja no dia 11 de novembro, onde o agressor também usou uma faca.

Então, no mesmo dia 11 que a Xin conseguiu escapar, o agressor tinha tentado fazer outra vítima. A polícia começou a fazer um rastreamento ali da placa do veículo. E assim, eles conseguiram chegar no nome Valmay Beck. Já o sangue encontrado no carro da Cheryl era de Barry Watts. Então, quem eram esses dois? Barry John Watts nasceu em 15 de julho de 1953. Cresceu órfão, sob tutela do Estado. Teve educação formal até por volta dos 15 anos, quando começou a praticar pequenos delitos.

Foi preso pela primeira vez aos 16, por invadir uma casa em Caloundra. Dali em diante, o histórico só cresceu. Arrombamento, furto, cofres arrombados. Ele chegou a cumprir pena na Austrália Ocidental por uma sequência desses crimes, voltar pra Queensland. Ao todo, ele acumulou 27 condenações e 58 infrações registradas ao longo da vida. Incluindo, já nos anos 80, uma escalada pra crimes mais violentos. Assaltos à mão armada, ataques a mulheres.

Valmay Faye Beck nasceu em 2 de agosto de 1943, em Brisbane. A mais nova de 4 irmãos. Aos 12 anos, trabalhava numa fábrica de roupas, sem supervisão nem proteção. Aos 15, os serviços de proteção à infância a retiraram de casa, constatando negligência dos pais. Foi aí que ela começou a circular entre instituições e logo depois, entre prisões. Entre 1961 e 72, a Valmê entrou e saiu da cadeia repetidamente. Por furto, comportamento indecente, falsificação, vadiagem.

Ela era uma mulher que tinha crescido dentro do sistema sem nunca aprender, segundo relatos da época, como era viver fora dele. Ela se casou duas vezes, teve 6 filhos com 2 maridos e não viveu com nenhum deles. Os próprios filhos nunca chegaram a fazer parte de fato da vida dela. Uma parte da história pessoal da Val May, repetida com frequência pela imprensa que cobriu o caso ao longo dos anos, é a de que ela teria conhecido a assassina em série Catherine Birney durante uma passagem pela prisão em Perth.

E que esse contato teria despertado nela um fascínio por violência. Porém, isso é especulação, já que os crimes que tornaram a Catherine conhecida só aconteceram em 1986. O que torna essa cronologia difícil de se encaixar com uma Val May que já tava solta e já tava junto do Barry desde 1983. As datas não fecham. Foi em Perth, em 83, logo depois de sair da prisão, que o Barry conheceu a Val May. Ele tinha conseguido um emprego como segurança numa taverna da cidade.

Ela então, com 41 anos na época, já duas vezes divorciada, se apaixonou por um homem cerca de 10 anos mais novo que ela. Os dois casaram em 86 e a Val May mudou seu nome pra Faye Cramb. Ela também alegou ter se convertido ao cristianismo por conta do Barry, abandonando de vez qualquer contato com os 6 filhos. A relação dos dois, desde o início, seguiu uma lógica desequilibrada. A Val May tinha um medo profundo de ser abandonada.

Mais velha que o marido, desenvolveu uma obsessão com a própria aparência, tentando compensar uma autoestima frágil. Quando o Barry começou a revelar fantasias envolvendo meninas jovens, ela não o confrontou. Ela, na verdade, só concordou. Segundo relatos posteriores, a princípio, o Barry prometeu a ela que faria aquilo só uma vez. E que depois nunca mais olharia pra outra mulher. Era um acordo entre duas pessoas psicologicamente destruídas.

Cada uma alimentando a ferida da outra. A insegurança dela e os impulsos predatórios dele. E aí, um mês antes da Shian desaparecer, uma mulher chamada Helen Mary Finney, de 31 anos, estudante de pedagogia, sumiu em Brisbane. Ela foi vista pela última vez no dia 29 de outubro de 1987, num parque de trailers em Taigun. O seu carro foi encontrado abandonado, com o vidro do motorista quebrado. No estacionamento do colégio onde ela estudava.

Anos depois, a investigação levantaria fortes indícios de que Barry, com a participação da Val May, teriam abordado a Ellen, atraído ela até perto do próprio carro e a levado à força. Mas em novembro de 87, quando a Xiang foi sequestrada, nada disso tinha vindo à tona. O Barry seguia sendo só um suspeito, sem acusação formal e livre pra continuar agindo. E ele continuou nos anos seguintes. Ficaria claro que a polícia nunca conseguiu tratar o caso da Xiang como um episódio isolado.

O nome do Barry, às vezes da Val May junto, voltaria a aparecer nas investigações de outras mortes e desaparecimentos de mulheres jovens pela Austrália. Um desses casos era o da Sharon Phillips, uma moça de 20 anos que desapareceu em Brisbane, em maio de 86. Na noite do sumiço, ela ligou pro namorado de um telefone público, avisando que o carro tinha ficado sem gasolina numa rodovia e pedindo ajuda dele pra buscá-la. Ele foi, mas ela não estava mais lá.

Ela nunca mais foi vista e o corpo nunca foi encontrado. Outra vítima era a Stella Marie Farrugia. Criada numa família conservadora de imigrantes malteses em Vitória, ela tinha se mudado de forma inesperada pra Cairns, no extremo norte do Queensland, pra morar com a sua irmã mais velha. Foi lá que ela conheceu um namorado, com quem se mudou pra Adelaide, do outro lado do país, ainda em 84. Terminando esse relacionamento, ela foi morar com outro homem numa casa em Henley Beach.

E foi esse companheiro quem denunciou o desaparecimento dela em outubro daquele ano, depois de voltar pra casa e encontrar tudo intacto. O cachorro dela tava lá, os documentos, os pertences. Só ela tinha sumido. A polícia trata o caso como homicídio até hoje, sem nunca ter encontrado o corpo. E havia ainda o caso mais chocante dos três. A Louise Bell, uma menina de apenas 10 anos, sequestrada de dentro do próprio quarto, em casa, em Adelaide, em janeiro de 83.

O corpo dela também nunca foi encontrado. Durante anos, os investigadores levantaram várias hipóteses de que o Barry e a Val May poderiam ser responsáveis por alguns desses casos que eu citei. Porque era um padrão que tava se repetindo ali, várias mulheres jovens desaparecendo sem deixar rastros. E na maioria das vezes, sem que a polícia conseguisse encontrar os corpos. Só que nenhuma dessas suspeitas da polícia chegou a virar, de fato, uma acusação contra o casal.

Décadas depois, dois desses três casos que eu citei acabariam seguindo caminhos completamente diferentes. O da Sharon Phillips, por exemplo, levaria mais tarde pra um taxista que já tava falecido quando chegaram no nome dele, apontado por familiares como o culpado, com a ajuda do próprio filho dele. Já o da Louise Bell chegaria até um julgamento. Mas com um homem completamente diferente do Barry, que já tinha sido condenado por matar uma criança.

O que sustentava essa desconfiança do investigador em cima da Valmee e do Barry não era só o instinto dele. Era, na verdade, o próprio padrão de comportamento do casal. As tentativas de abordagem e tentativas registradas nas semanas antes de novembro de 87 mostravam que eles tinham criado um padrão. Algo que era ensaiado, repetido, quase que automático. O suficiente pra levar a justiça a acreditar por décadas que a Shan tinha sido uma das vítimas deles, mas que ela não era a única.

Mesmo que a verdade sobre os outros casos que eu citei, que a polícia acreditava que era culpa do casal também, tenham se provado que não, que eram outras pessoas. Eles tinham essa crença por muitos anos. Depois que o casal teve aquela tentativa fracassada em Ipswich, que eu falei pra vocês que foi a da Cheryl, que ela conseguiu escapar. E depois da tentativa de sequestro em Buval, que também deu errado, ainda no dia 11. O casal decide ir pra outro lugar.

Só que eles não chegaram em Queensland por acaso. Meses antes, ainda na Austrália Ocidental, o Barry tinha voltado a cometer pequenos delitos com a ajuda de um comparsa, enquanto a Val May ficava de vigia. Os dois foram presos por furto e fraude, passaram algumas semanas na cadeia até que foram liberados sob fiança. E foi nesse período de liberdade condicional que eles fugiram do estado e foram parar em Queensland. Eles chegaram lá e conseguiram alugar uma propriedade em Lowood.

E de lá saíram a rumo à Sunshine Coast, um local que eles tinham ouvido falar que tinha muitas meninas jovens, que era muito seguro. Então elas andavam sozinhas, desacompanhadas.

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Caminhadas, sempre de bicicleta ou até mesmo a pé. Então para eles parecia um local muito fácil. Isso porque eles procuravam uma criança específica que fosse jovem, que fosse ingênua, que se encaixasse nas fantasias do Barry e foi assim que eles avistaram a Shion no parque naquele dia. Quando eles abordaram ela naquele dia de novembro, eles já eram foragidos da polícia. No dia do sequestro, por volta das 16:30, quando a Xian tava passando pelo parque, ela viu uma van branca com uma mulher dentro gritando, pedindo ajuda, dizendo que tinha perdido o cãozinho dela, que era um poodle.

E aí, a Xian para e conversa com a mulher, e ela pergunta se ela tinha visto o cachorro. Infelizmente, a Xian fez o que praticamente qualquer criança faria naquela situação, ela se aproximou da van pra ajudar. E quando ela chegou perto o suficiente, o Barry pegou ela e jogou ela pra dentro da van. Obviamente, não havia cachorro nenhum. Tinham dois adultos ali tentando encontrar uma garotinha pra sequestrar. A Valmeia amordaçou a Xian dentro da van.

E aí, o Barry começou a dirigir pra longe ali do parque. Inclusive, pra longe de Nusa, né, onde a Xian morava. Porque eles queriam ficar longe ali daquela comunidade que eles sabiam naquele ponto que era muito unida. Então, queriam levar ela o mais longe possível pra um lugar mais afastado, sem que ninguém pudesse ouvi-la. Já num local remoto, o Barry abusou dela. Dela e a golpeou diversas vezes enquanto a Valmei assistia. Quando ele terminou, ele cortou o pescoço da Xiang usando uma faca enquanto a Valmei ainda tava observando tudo.

E foi ali que a vítima sangrou até a morte. Depois, eles levaram o corpo dela para um leito de racha em Timberwa. Ela ainda usava o uniforme da escola e foi exatamente o local onde encontraram o corpo dela mais tarde. Quando a polícia chegou no nome deles, eles descobriram que eles tinham alugado um local em Lowood. Então, eles vão pra lá, mas quando eles chegam, eles já tinham fugido. Quando eles entraram nesse local que eles tinham alugado, eles encontraram na cozinha vários kits de tintura.

E também tinham pedaços de cabelo cortado. Então, eles tentaram mudar a aparência assim que viram que o corpo da Shannan tinha sido descoberto pela polícia. Só que nessa fuga, eles cometeram um erro decisivo. Essa propriedade que eles moraram por pouco tempo era alugada. No dia 10, eles tinham que ter pagado o aluguel, que no caso era um dia antes. Eles não podiam depositar o valor em banco, porque isso era muito arriscado, deixaria o rastro deles.

E também enviar o dinheiro também seria arriscado. Eles optaram por fazer o pagamento usando um vale postal do correio australiano. Sem perceber que o documento vinha com o endereço estampado ali do remetente. Ali tava escrito The Entrance, que é uma cidade litorânea de Nova Gales do Sul, que era justamente o local onde eles estavam escondidos. Então, eles mandaram o valor de lá. Dando pra polícia uma pista extremamente forte.

Quando o proprietário recebeu o pagamento, ele acionou a polícia, que rastreou rapidamente o endereço e conseguiu prender o casal. Então, do dia que o corpo da Shan foi encontrado até o dia da prisão, foram ao todo 9 dias. No dia 12 de dezembro, eles foram presos e extraditados pra Queensland, onde foram formalmente acusados de sequestro, abuso e homicídio. No interrogatório, a polícia decidiu ouvir os dois separadamente. O Barry não falou praticamente nada, ele não respondia às perguntas.

Enquanto a Valmee contou absolutamente tudo. Sem saber, os dois também foram gravados enquanto esperavam em celas próximas na delegacia. Foram mais de 20 horas de conversas gravadas. E tem momento que o Barry sussurra pra Valmee isso, imagina. Eles já presos ali dentro da delegacia, e ele sussurra pra ela que ele queria fazer aquilo de novo. Então, entre a confissão da Valmee pra polícia, todas aquelas horas de conversas gravadas, as evidências na cena do crime, os investigadores conseguiram reconstruir a cena inteira dos fatos.

Não sobrou espaço nenhum para negação ou para dúvidas. Na primeira aparição do casal no tribunal de Nusa, eles foram apedrejados pela comunidade que tava do lado de fora. Havia gente pedindo ali na frente abertamente para que a pena de morte voltasse a valer na Austrália. Uma audiência preliminar em abril de 1988, a Valmei admitiu a culpa pelas acusações de sequestro e abuso, mas ela não admitiu pela acusação de Ela alegou que ela estava presente, mas que não era ela quem segurava a faca e que ela não participou dessa parte.

Ela disse inclusive que ela não sabia de antemão que o Barry mataria a garota. O julgamento dela começou em outubro de 88 e aí no dia 20 ela foi condenada a 3 anos por sequestro, 5 anos por abuso e prisão perpétua pelo assassinato da Shia. Já o Barry, na audiência preliminar, ele negou todas as acusações. O julgamento dele só começou em fevereiro de 1990. Ele permaneceu praticamente o tempo todo calado e sem reação ao longo do processo.

A acusação, né, contra ele apresentou uma cronologia dos fatos, desde o momento em que eles chegaram na cidade, o momento em que conseguiram abordar a tia no parque, o sequestro, eles dirigindo até um local mais afastado, depois abandonando o corpo. Fora que eles tinham o testemunho da Valmei, que contava tudo, e... Provava ali, né, que o assassino realmente era o Barry. E também eles conseguiram coletar sêmen na cena do crime, que era compatível com o DNA dele.

Então não havia dúvidas. No dia 28 de fevereiro de 1990, o Barry foi condenado a 3 anos por sequestro, 15 por abuso e prisão perpétua por homicídio, sem possibilidade de liberdade condicional. Já na prisão, a Valmê acabou se envolvendo com outro detento, um abusador condenado chamado Robert John Fardon. E ele se tornaria uma figura conhecida no sistema prisional australiano. Anos depois, ele se tornaria o primeiro preso na Austrália a ser mantido detido indefinidamente.

Mesmo ao fim da própria pena que ele já tinha cumprido. Sobre uma lei muito específica que é pra predadores sexuais de alta periculosidade, que era o caso dele. O relacionamento dele com a Val May começou em 93. E um tempo depois, ele pediu ajuda dentro da prisão pra um capelão, pra ajudar ele a comprar um anel de noivado pra ela. Em 24 de março de 1995, o Barry recebe mais uma acusação de assassinato, dessa vez pro caso da Helen.

O julgamento aconteceu naquele mesmo ano, mas o júri o considerou inocente. Não havia corpo e nenhuma prova física forte o suficiente pra convencer o júri. Até que em 2001, o Barry foi diagnosticado como psicopata num exame psiquiátrico dentro do sistema prisional. Em dezembro de 2006, detetives de Brisbane reabriram o caso da Helen depois de ter surgido uma pista forte. Informantes dentro do sistema prisional relataram ter ouvido o Barry mencionar em conversas informais com outros detentos detalhes específicos sobre a morte da Helen.

Inclusive, onde o corpo teria sido descartado e possivelmente queimado, que era perto de um lixão em Lowood, a oeste de Brisbane. Nenhuma dessas informações, porém, resultou em nova acusação formal e a polícia não encontrou o corpo dela. Os investigadores interrogaram novamente o casal, já separados havia anos. Cada um cumprindo pena em unidades diferentes. E foi nesse interrogatório que o Barry, pela primeira vez desde a prisão de 87, admitiu diretamente ter abusado e matado a Sheehan.

Em 2007, numa tentativa mal-sucedida de melhorar as próprias chances de condicional, ele reforçaria essa confissão. Mas não adiantou, a justiça australiana não reabriu a possibilidade de soltura por conta disso. Pelo contrário, a confissão só reforçou o histórico contra ele. Em 2021, quando a possibilidade de condicional pra Barry voltou a ser discutida publicamente, mais de 70 mil pessoas assinaram uma petição pedindo que ele permanecesse preso.

A Emma Forsyth, ex-colega de escola da Sheehan, escreveu que a família e os amigos dela não deveriam ter que reviver aquilo toda vez que o Barry tentasse a condicional. O deputado estadual de Queensland, Dan Purdy, foi direto. Chamou o Barry publicamente de o pior dos piores. 34 anos depois do assassinato da Sheehan, Queensland finalmente aprovou uma legislação com o nome dela. A chamada Lei de Sheehan foi desenhada especificamente pra lidar com assassinos de crianças como o Barry.

A lei permite que o estado negue acesso à condicional pra esse tipo de condenado em períodos renováveis de até 10 anos cada vez. Ou seja, mesmo que o Barry viva o suficiente pra tentar de novo, a justiça agora tem uma ferramenta legal formal pra manter esse tipo de predador fora das ruas indefinidamente, se assim eles decidirem a cada renovação. Foi uma vitória pequena pra família da Shian, mas uma vitória real. Tanto pra memória dela e pras famílias de outras vítimas de crimes parecidos.

Em notícias mais recentes, em fevereiro de 2024, o Barry, já com 70 anos, compareceu diante do Conselho Condicional de Queensland, tentando reverter a própria situação. O Conselho recusou, usando exatamente a lei de Shan pra bloquear qualquer possibilidade de soltura por mais de 10 anos. Quando ele voltar a ser elegível, ele terá 80. Então, ele segue cumprindo prisão perpétua em Queensland. Mesmo depois da condenação, do DNA e da própria confissão de 2006, ele chegou a descrever o assassinato de Shan como uma exceção isolada dentro do que ele mesmo classificaria comum histórico, geralmente não violento, de pequenos crimes.

Já a Val May morreu em 27 de maio de 2008, aos 64 anos, no hospital em Townsville, por complicações cardiovasculares. Ela passou por um implante de marca-passo antes de entrar em coma induzido, do qual ela nunca acordou.

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Apesar de tecnicamente já ser elegível para condicional havia anos. Ela pediu 3 vezes e foi recusada nessas 3 vezes. Pouco antes de morrer, investigadores tentaram uma confissão de leito de morte, levando mapas e arquivos na esperança de que ela revelasse mais vítimas e mais corpos enterrados em algum lugar. Mas ela decidiu não falar, levou consigo qualquer informação adicional que ela pudesse ter. Já os pais da Xian tiveram que aprender a viver sem a filha.

Junto com outro filho do casal, eles foram fundamentais na criação da Lei de Xian em 2021. E seguem aparecendo publicamente sempre que necessário, pedindo que o Barry nunca deixe a prisão. O caso segue vivo na memória coletiva australiana, que vai muito além dos tribunais. Bom, gente, então foi isso. Eu espero que vocês tenham gostado do caso de hoje. Não esquece de deixar o like, que me ajuda muito na divulgação. Playlist completa aqui embaixo pra vocês, com mais de 600 casos pra maratonar.

Se você ainda não tá inscrito, já se inscreve pra não perder nenhum vídeo novo. Então é isso. Pra mais casos, siga o podcast Quinta Misteriosa. E aproveite pra avaliar em 5 estrelas se você gostou. Obrigada por ouvir e até o próximo caso.