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O FILHO VIU O PAI SER MORTO, 20 ANOS DEPOIS A HISTÓRIA SE REPETE | Caso Linda Cooney #628

23 de setembro de 202631min
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Um advogado é morto a tiros dentro da própria casa, em Palm Beach. A única testemunha é o filho de 10 anos, escondido atrás da porta do quarto. Linda Cooney admite ter disparado, mas diz que agiu em legítima defesa. O júri a absolve. Duas décadas depois, a mesma arma reaparece — e o filho, agora adulto, é encontrado baleado dentro de outra casa da família. #628

Participantes neste episódio1
G

Gisberta Salsi Jr.

Host
Assuntos5
  • O assassinato de Jim Cunney e a absolvição de Linda Cooney em 1993Jim Cunney, advogado respeitado·Linda Cooney, origem humilde·casamento conturbado e divórcio·disputa pela guarda dos filhos·Kevin testemunha o assassinato·legítima defesa alegada por Linda
  • O incidente de 2011: Linda atira em Kevin com a mesma armadiscussões violentas entre mãe e filho·Linda encosta faca no pulso de Kevin·Kevin, segurança de boate, é baleado·arma usada é a mesma do crime de 1992·Kevin muda versão para proteger a mãe
  • A vida de Linda Cooney e seus filhos em Las Vegas após a absolviçãoexclusão social em Palm Beach·mudança para Las Vegas·uso do seguro de vida dos filhos·Kevin e Christopher trabalhando·chamadas policiais por perturbação
  • O julgamento de Linda Cooney em 2014 e a anulação da condenaçãoKevin testemunha em defesa da mãe·promotoria acusa Kevin de sacrifício·júri informado sobre a arma de 1992·Linda condenada por tentativa de homicídio·Suprema Corte do Nevada reverte veredito
  • O acordo de Linda Cooney em 2022 e o padrão de comportamento nos casosLinda aceita acordo de culpa·liberdade condicional após 11 anos presa·coincidências nos dois casos·Kevin permanece leal à mãe·família de Jim nunca aceitou absolvição
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GSGisberta Salsi Jr.

Oi, bonitas e bonitos, tudo bom com vocês? Eu sou a Jacqueline Guerreiro e esse é o podcast Quinta Misteriosa. Aqui eu posto novos casos toda segunda e toda quinta. Aproveita pra me acompanhar nas redes sociais pra conteúdo extra de séries, filmes, livros e, é claro, true crime. E agora, bora começar o caso de hoje. James Francis Cunney, conhecido como Jim, nasceu em 1950, na cidade de Nova York. Filho do Dr. James Cunney e de Rosemary Cunney.

A família se estabeleceu depois em Palm Beach, na Flórida, onde Jim cresceu como o mais velho de 8 irmãos numa família conhecida e influente na cidade. O seu pai, Dr. James, tinha sido o primeiro neurocirurgião a atuar na região de West Palm Beach. Dos 8 filhos que ele e a esposa tiveram, quase todos seguiram carreira de médico ou advogado. O Jim se formou advogado especializado em direito tributário e era descrito por conhecidos como um homem querido e bem relacionado.

Já a Linda vinha de um lugar bem diferente. Ela cresceu numa cidadezinha do interior de Wisconsin, próxima a Milwaukee, onde a família tinha uma fazenda. Ela trabalhava como secretária jurídica quando ela se mudou pra Palm Beach, ainda jovem, sem vínculos na cidade. Numa época em que a vida social do lugar girava em torno de festas regadas a champanhe e caviar. Foi numa dessas festas que ela conheceu o Jim. Segundo o colunista Joe Lambiett, a Linda teria se mudado pro sul da Flórida em busca de uma vida social mais sofisticada.

E o Jim acabou sendo a sua porta de entrada. Os dois se apaixonaram e fugiram pra se casar em 1979, sem avisar suas famílias. Depois do casamento, eles foram morar perto do PGA National, um dos bairros mais valorizados da região. E eles tiveram dois filhos. O Kevin, nascido em 1981. E o Christopher, nascido em 1983. Mas o casamento nunca foi tranquilo. A primeira chamada policial por briga doméstica na casa aconteceu ainda em 1983.

Nos 12 meses seguintes, a polícia voltaria à casa mais 3 vezes. A Linda dizia que era agredida pelo marido. O Jim chegou a entrar com um pedido de divórcio 2 vezes em 1987. Mas os dois se reataram nas 2 ocasiões. A separação definitiva só veio em 1988, encerrando 9 anos de casamento. Porém, a separação não trouxe paz. Na verdade, só abriu uma nova fase de guerra. Ao longo dos 4 anos seguintes, os dois brigaram publicamente por pensão alimentícia, visitas e a guarda dos meninos.

O Jim acusava a Linda de esconder os filhos dele. Segundo o irmão dele, Bob Cunney, era comum ele ir buscar os meninos no fim de semana combinado e não encontrar ninguém em casa, a menos que estivesse disposto a pagar o que girava em torno de US$500 por visita, segundo relatos da família dele. Já a Linda acusava o Jim de agressão física e verbal. Ela dizia que ele não pagava os US$67 mil que devia em pensão e apoio aos filhos, e também de negligenciar os meninos.

A relação entre a Linda e a família do Jim tinha azedado já havia muito tempo. Segundo os parentes dele, o medo era real. Um outro irmão do Jim, chamado Douglas, chegaria a registrar em documentos judiciais relatos de episódios de fúria da Linda envolvendo armas de fogo, agressões, invasão de propriedade, vandalismo, calúnia e crises histéricas em público. Disse que a família tinha trocado fechaduras e números de telefone só pra se proteger dela.

E que não podia se dar ao luxo de não levar a sério as ameaças que recebiam. O Bob, um dos irmãos, resumiria anos depois o peso emocional daquele período. Ele via aquela disputa como algo desgastante, constante e sem previsão de trégua. Uma briga capaz de consumir qualquer família por dentro muito antes de qualquer desfecho trágico. Já os amigos da Linda contavam outra versão. Diziam que era a família do Jim quem a tratava com grosseria, isolando-a desde o início.

A tensão entre os dois lados chegou a um ponto tão delicado que quando o caso da Linda finalmente foi parar na justiça, o próprio promotor distrital do condado de Palm Beach da época, David Bloodworth, precisou se se afastar formalmente da acusação. Ele era amigo de longa data da família do Jim e pediu ao governador do estado que nomeasse promotores independentes pra conduzir o caso, evitando qualquer aparência de conflito de interesse.

Até que em fevereiro de 92, depois de brigar muito com a Linda, lutando pelo que ele queria, o Jim finalmente conseguiu. Porque eles tinham brigado já muito por pensão, visitas e guarda dos meninos. Então, finalmente, ele tinha conseguido uma ordem judicial formal que obrigava a Linda a entregar os meninos pra ele no fim de semana. Sem margem pra recusa ou negociação da parte dela. Ela era obrigada a entregar os meninos pra ele.

Então, no dia 7, era uma sexta-feira, o Jim vai até a casa da Linda, que ficava em Juno Beach. E o Kevin, de 10 anos, e o Christopher, de 8, foram avisados que era hora de arrumar as coisas deles, fazer uma malinha, porque eles iriam passar o fim de semana com o pai. Enquanto o Kevin arrumava suas coisas, ele escuta passos vindos do corredor. Então, ele espia pelo buraco da porta e vê o pai dele se aproximando. Foi nesse instante que ele viu a mãe dele erguer um revólver e disparar contra o pai dele 3 vezes.

O Kevin ligou imediatamente pro serviço de emergência. E quando a Linda percebeu que ele tava fazendo aquela ligação e que ele contava ali em detalhes o que ele tinha visto, ela toma o telefone dele e fala pra atendente que ela tinha atirado no Jim sem saber se ela tinha acertado. O Jim não sobreviveu aos ferimentos, ele morreu ainda na casa. Ele foi encontrado de bruços e segurava uma faca de cozinha na mão direita. Depois, ao ser ouvido ainda naquela noite pelo Tenente Scott Smith, o Kevin daria versões diferentes sobre o que ele viu naquele dia.

Primeiro, ele descreveu o que ele viu na mão do pai dele bem vagamente. E aí, no tribunal, ele descreveria com mais detalhes, dizendo que ele viu primeiro que parecia que o pai não tava segurando nada. Depois, ele disse que parecia que o pai tava segurando uma chave, mas que essa chave também poderia ser uma faca, ele não tinha certeza. Logo no começo, o Tenente Scott ficou muito desconfiado por ter percebido que a Linda não tinha nenhum machucado.

Então... Eles encontraram o corpo do Gene no chão, né, com vários ferimentos de bala, já morto e segurando uma faca. Então, ele esperava que houvesse ferimentos nas mãos, talvez nos braços da Linda, e não tinha absolutamente nada. Então, ela alegava ali uma briga física, mas não havia sinais disso. Dessa forma, a Linda foi presa e acusada de homicídio em primeiro grau, sob a tese de que ela havia planejado matar o Gene. O julgamento que aconteceu em 93, em West Palm Beach, mobilizou toda a comunidade.

O Jim era um advogado muito respeitado na cidade, a família dele era muito respeitada e conhecida. Então, esse caso rapidamente virou um assunto obrigatório ali na elite da cidade. Palm Beach, na época, era uma comunidade muito unida e muito fechada. Então, meio que todo mundo conhecia todo mundo. Ou pelo menos, todo mundo conhecia alguém que conhecia a família do Jim. Que era uma família muito grande, né, com muitos médicos e advogados.

E essa disputa judicial já tinha virado um assunto ali no meio muito antes do julgamento ter começado. E muito antes de sair. Sair um veredito. A questão ali nunca foi se a Linda realmente tinha matado o Jim. Isso era uma coisa que era claro, todo mundo sabia e não havia discussão nisso. A pergunta, na verdade, era outra. Será que ela tinha planejado o crime? Será que tinha sido premeditado? Tudo pensado pra que ela pudesse se livrar do Jim?

Ou será que simplesmente o Jim realmente apareceu naquele dia? Aquele marido que, né... No caso, agora era ex-marido. Mas ela já tinha alegado várias vezes que ele era muito agressivo, que ela já tinha sofrido agressões físicas e verbais dele. Naquele dia tinha atacado ela com uma faca e ela só revidou, os investigadores suspeitavam que a Linda tivesse colocado aquela faca na mão do Jim, tivesse plantado aquilo ali na cena para parecer que ele estava se aproximando dela segurando uma faca.

E também eles achavam que ela tinha influenciado a versão que o filho Kevin contaria, porque o Kevin foi a única testemunha que viu o que aconteceu naquele dia. Então a polícia acreditava que ela podia ter influenciado a visão dele também. Inclusive, durante o julgamento, o Kevin era a testemunha principal Ao ser interrogado inicialmente pelos investigadores, como eu falei para vocês, a resposta do Kevin foi que ele não tinha certeza se ele tinha visto alguma coisa na mão do pai ou não, se o pai carregava mesmo uma faca ou não.

Já no tribunal, né, um ano depois, quando ele falou sobre isso, ele disse que ele lembrava de ver alguma coisa reluzente na mão do pai. Ele não chegou a dizer com todas as letras: sim, eu vi uma faca na mão do meu pai. Mas só dele ter dito que viu alguma coisa que brilhava ali já era uma insinuação forte o bastante. Inclusive, esse breve trecho, né, da conversa ali entre o promotor e a criança, que era a principal testemunha, ele perguntava se o Kevin tinha visto alguma coisa na mão do pai dele.

Ele perguntou se era um objeto escuro ou brilhante. E aí, o Kevin respondeu que era algo reluzente. Então, esse único trecho onde ele respondeu isso foi repetido pela imprensa muitas vezes. Eles repetiam aquela imagem, aquelas palavras. E aquele detalhe se tornou algo decisivo pro julgamento. O júri levou poucas horas para chegar a um veredito. Linda foi considerada inocente da acusação de homicídio. O tenente Scott reconheceu mais tarde que a partir do momento que o Kevin entrou para dar o testemunho dele, ele já sabia que a acusação tinha perdido o caso. E apesar dela ter recebido o veredito de inocente, a sociedade de Palm Beach.

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GSGisberta Salsi Jr.

Não tratou ela assim logo de cara. Eles nunca perdoaram o veredito e o julgamento social da Linda tava só começando. Então ela seguiu sendo tratada ali nos bastidores como uma mulher que simplesmente conseguiu escapar de uma condenação por homicídio. A família do Jim também não aceitou. Inclusive, um dos irmãos dele, o Bob, foi bem categórico dizendo que havia só uma pessoa capaz de atirar no irmão dele e que essa pessoa era a Linda.

Ele nunca escondeu que ele não gostava da Linda, nem antes nem depois do veredito. Segundo o colunista Rose Lambie, que cobria ali todas as notícias da alta sociedade de Palm Beach há muitos anos E ele acompanhou o caso de perto, ele disse que depois do veredito, a Linda foi simplesmente excluída do círculo social da cidade. E as pessoas simplesmente expulsaram ela mesmo, eles não queriam que ela estivesse ali mais no círculo deles.

Então, por exemplo, quando ela mudou pra cidade e chegou, né, com o marido, com um nome muito conhecido na cidade, que era o nome da família Cunney, muitas pessoas receberam ela de braços abertos. Então, ela chegava em lugares que ela já tinha frequentado antes. E as pessoas se recusavam a atender ela. Então, por exemplo, ela chegou num salão que ela já tinha ido muitas vezes. E agora, esse salão fechava as portas pra ela. Diante disso, a Linda tomou uma decisão pouco depois do veredito de inocente dela no tribunal.

Ela decidiu que não tinha por que continuar na cidade. Então, ela faz as malas dela e dos dois filhos e se muda pra Las Vegas. Mais tarde, a Linda diria que essa mudança foi porque ela simplesmente queria ir pra um lugar onde ninguém a conhecesse, onde ela pudesse recomeçar do zero. Pros filhos... Também, né. Então nessa época eles tinham começado a receber o dinheiro do seguro de vida do pai, que era avaliado em cerca de 1 milhão de dólares.

Então esse valor que eles receberam também ajudaria a bancar essa nova vida deles em Las Vegas. Então só para vocês entenderem, no dia seguinte à absolvição, antes mesmo de deixar a Flórida e se mudar para Las Vegas, a Linda pede por um dinheiro desse fundo fiduciário dos filhos. Então ela pede $1.000 porque ela queria levar os meninos para Disney World. Os administradores do fundo Eles concordaram, eles achavam que os meninos precisavam ali de uma pausa em tudo isso que tinha acontecido.

Então, eles liberam $600 pra ela fazer essa viagem. E aí, em 1995, já em Las Vegas, usando o fundo fiduciário dos filhos, que era justamente esse dinheiro do seguro de vida do Jim, ela compra uma casa, uma propriedade no nome dos filhos, em Summerlin, que é um bairro de classe média da cidade. E foi ali que a família se estabeleceu de vez. Então, o Kevin se forma em 2000 na Palo Verde High School. Parte da primeira turma de formandos da escola, que era uma escola nova ali na região.

Porém, o dinheiro que os meninos tinham, né, não durou. Segundo a Linda, foram muitos gastos. Gastos com a mudança, com a compra do imóvel, compra de carro, despesas médicas e os honorários dos advogados. A Linda nunca chegou a conseguir um emprego formal, ela dizia que ela preferia se dedicar em tempo integral a cuidar dos filhos. Então, sem um trabalho pra se manter, ela passou a receber cheques de pensão. Por morte, que vinham da Previdência Social americana, com a morte do Jim.

Que eram os cheques liberados após a morte do ex-marido dela, né. Em 2004, o mesmo colunista que eu citei pra vocês, o José Ilambiente, ele já tava tentando marcar uma conversa com a Linda há muito tempo, mas ela sempre recusava. E depois de muito insistir, ele consegue marcar um jantar com ela em um restaurante chique lá de Las Vegas. O que ele encontrou foi uma mulher que antes vivia, né, uma vida de alto padrão, agora dirigindo um carro modesto.

Sem emprego fixo, mas atuando como voluntária do Partido Republicano. Ela contou pro José que ela tinha acabado de trabalhar em um evento beneficente na propriedade do cantor Wayne Newton. E que ela tava se preparando pra fazer uma viagem pra Washington pra uma segunda cerimônia da posse do presidente George W. Bush. E aí, os filhos dela, o Kevin, o mais velho, com 23 anos, e o Christopher, o mais novo, com 21, tinham vários empregos diferentes que com esses salários dos empregos eles conseguiam fechar as contas da casa.

O José diria anos depois que parecia que o Kevin nutria pela mãe uma devoção que era fora do comum. Essa era uma impressão que ele teve e que ele guardaria consigo por muitos anos, até o caso voltar pras manchetes. Então assim, eles conseguiam dar um jeito ali nas contas dessa forma, com os filhos trabalhando, com o cheque que ela recebia. E aí, apesar de ter essa paz financeira, mesmo que modesta, né, a família não tinha uma paz doméstica.

Entre 1996 e 2011, a polícia foi chamada para atender alguns chamados de perturbação acontecendo ali no bairro, vindos de vizinhos, né, que reclamavam justamente da casa deles em Summerlin. Eu não sei exatamente o número certo de chamadas durante todos esses anos, mas claramente havia um padrão ali, é um padrão doméstico acontecendo dentro daquela casa. Foi uma coisa que se estendeu por 15 anos. Então parece que tinha uma tensão ali dentro daquela família que foi crescendo, foi crescendo até explodir no dia 28 de junho de 2011.

A Linda e o Kevin tinham várias discussões ao longo dos anos que acabavam indo para agressão física. Nesse dia aconteceu o pior, né, mas não foi a primeira vez que algo parecido aconteceu na casa. Então a Linda e o Kevin já tinham se desentendido outras vezes em que a violência tinha ido longe demais. E um exemplo foi algo que aconteceu setembro de 2002, a Linda e o Kevin já tinham brigado muito, até que ela encosta uma faca de cozinha no pulso do Kevin e começa a arrastar aquela faca ali, sem de fato cortar o pulso dele.

Depois, ela dá um tapa no rosto do filho, que reage pegando uma pistola calibre 45, apontando para mãe e mandando ela ficar longe dele. Nesse dia, a Linda chegou a ser presa, mas aí o caso foi arquivado e meio que acabou aí. Indo para 2011, o Kevin não era mais um garotinho como quando o pai dele morreu. Agora ele era um homem 30 anos, que tinha 2 metros de altura. Ele inclusive trabalhava como segurança em casas noturnas da Strip em Las Vegas.

Então ele era um homem bem grande, forte e musculoso. Ele tinha uma namorada, então ele tava num relacionamento sério que a mãe não aprovava. E foi justamente por conta dessa namorada que a Linda e o filho Kevin brigaram naquele dia. Até que naquela terça-feira, dia 28 de junho, a discussão deles, justamente pelo mesmo motivo da namorada, começa a escalar até que acaba saindo um tiro do revólver que eles tinham em casa. Era um revólver que tava guardado ali na casa já há muitos anos.

E essa bala pega no pescoço do Kevin, deixando um ferimento aberto e muito grave. Esse tiro deixou ele parcialmente paralisado. Então, ele ainda tinha os movimentos dos braços e das pernas, ele conseguia se mover um pouco. Segundo os registros apresentados no caso, a Linda conversou com o seu filho mais novo, o Christopher, por 16 minutos antes de ligar pra emergência. No momento em que o Kevin ainda tava consciente, ele conversou com a polícia, disse que a arma tinha disparado acidentalmente, então tinha sido um tiro acidental.

E aí a Linda disse que o filho tinha dado um soco no peito dela. O Kevin foi para o hospital, ele passou 3 dias internado, e quando ele recuperou 100% da consciência dele, a versão que ele dá é completamente diferente. Segundo o promotor Michael Strouder, o Kevin falou várias vezes a mesma frase durante aquela semana. Ainda grogue, quando ele acordou, a primeira coisa que ele disse foi que ele tinha medo da mãe, que ela tinha disparado contra ele.

Então ele diria essa mesma frase várias vezes para várias enfermeiras diferentes ao longo dos dias. E para o detetive, além dessa fala dele, né, extremamente preocupante, ele já tinha percebido algo estranho no comportamento da Linda, porque ele disse que parecia que ela tava tentando encobrir alguma coisa. Então ela já tinha despertado essa desconfiança no detetive. E quando eles conversaram com o Christopher, eles descobriram que naqueles 16 minutos, na chamada que ele fez com a mãe, pouco a pouco ele ia descobrindo o que tinha acontecido lá.

Ela não ligou para ele e contou logo de cara. Anos depois, durante o julgamento, ele iria testemunhar a favor da sua mãe, aos prantos, dizendo que ele se sentia muito mal por não ter feito algo a mais pra impedir essa escalada da briga entre a mãe e o irmão por todos aqueles anos. A perícia balística, né, que tava fazendo as investigações ali, acabou descobrindo que aquela arma utilizada pra atirar no Kevin, né, segundo a Linda ali, de forma acidental, era a mesma arma que foi usada para atirar no Jim.

Ou seja, era a mesma arma do crime que tirou a vida do ex-marido dela. E foi aí que a polícia descobriu uma coisa que para mim é muito chocante, parece coisa de série assim. Eu não lembro de nenhum outro caso que tenha acontecido algo nesse sentido. Depois que a Linda foi absolvida em 93, de alguma forma ela deu um jeito de conseguir essa arma, que era uma prova, né, de crime. Então era uma arma que tava lacrada e guardada no depósito de evidências da polícia.

Então como ela conseguiu, não sei, mas ela conseguiu conseguiu pegar a arma, recuperar essa arma que era dela, e ela usou a mesma arma para atirar no filho. Os promotores de Clark County, Shannon e Michael, disseram que eles não conseguiam entender por que ela guardaria essa arma por tantos anos e por que ela quis recuperar a arma do crime, porque ela não arranjou outra arma, né, já que aquela representava uma história muito pesada, né, que era a arma que tinha tirado a vida do pai dos filhos dela.

Mas ela quis guardar aquela mesma arma. E com essa descoberta, ela foi presa em 16 de setembro de 2011, formalmente acusada de tentativa de homicídio, quase 3 meses depois do incidente. Tempo que a investigação levou para conseguir reunir todas essas provas, né, provas suficientes para poder acusar ela formalmente. Ela chegou a ser liberada sob fiança no início do processo, mas ela voltou a ser detida, dessa vez levada ao centro de detenção do condado de Clark, depois que um juiz Las Vegas a considerou um desacato por violar uma ordem judicial que proibia contato com o Kevin.

Em 8 de abril de 2014, mais de 20 anos depois de ser absolvida pela morte do próprio ex-marido, a Linda volta ao tribunal para ouvir os argumentos iniciais do novo processo. O julgamento em Las Vegas trouxe uma reviravolta que ninguém esperava. O Kevin, a mesma pessoa cujo testemunho tinha absolvido a mãe dele pela morte do pai, agora voltava para o banco de testemunha novamente para falar em defesa dela, dessa vez sobre o tiroteio que quase o matou.

Ele já tava recuperado bastante pra conseguir falar, então ele testemunhou primeiro da sua cama do hospital, através de um vídeo. E depois, em uma cadeira de rodas motorizada, no tribunal. Ele descreveu a relação com a mãe como controladora. Disse que era ele quem mandava em casa, que a mãe fazia o que ele dizia ou levava um soco. Chegando a se apresentar como um homem violento e controlador, segundo a promotoria, pra proteger a própria mãe.

O promotor Michael resumiria essa estratégia como um sacrifício deliberado. Na visão dele, o Kevin foi longe demais tentando poupar a mãe, chegando ao ponto de se pintar como um filho violento e controlador. Uma imagem que, segundo a acusação, não combinava com o histórico conhecido dele. O Kevin contou que a arma disparou no momento em que ele tentava tirá-la das mãos da mãe, durante uma briga por conta da namorada dele, chamada Karina Taylor.

Segundo a promotoria, Linda perseguia Karina de forma obsessiva, com medo de perder o filho pra essa nova relação. Um medo que, na visão da acusação, ajudava a explicar o motivo por trás do tiroteio. Só que vários outros depoimentos contradiziam essa versão do Kevin. Enfermeiras do hospital, a própria Karina, disseram ter ouvido da boca do Kevin em momentos anteriores ao julgamento que quem tinha atirado nele tinha sido a sua mãe.

Duas ex-namoradas dele, ouvidas como testemunhas, foram além. Contaram que Kevin sabia que a mãe não tinha matado o pai em 92 em legítima defesa. As duas disseram que temiam a Linda por conta disso. O juiz permitiu que o júri soubesse que a arma usada era a mesma do homicídio de 92 e que a Linda tinha sido absolvida daquele caso. Uma decisão que anos depois teria peso decisivo no desfecho jurídico de todo o processo. Além dos depoimentos sobre o disparo, a promotoria também apresentou ao júri o padrão de comportamento repetido entre os dois episódios.

Nos dois casos, a Linda não tinha feito a primeira ligação direto pra emergência. Ela tinha tentado contato com outra pessoa primeiro. E nos dois casos, a versão dela colocava a vítima como agressora. E nesses dois casos, era o depoimento do mesmo filho que sustentava a versão da defesa. O Christopher, filho mais novo, também deu o seu depoimento e contou ao júri uma versão específica. Ele disse que a Linda tava dormindo no sofá da sala quando o Kevin começou a agredi-la e que os dois entraram em luta corporal.

E que a arma disparou apontada pra baixo, na direção do próprio Kevin. Promotores e jurados, ao final do processo, questionaram a credibilidade dele tanto quanto a do irmão. Em 22 de abril de 2014, 14 dias depois do início do julgamento, ele pôs em menos de 3 horas de deliberação O júri considerou a Linda culpada de 4 acusações: tentativa de homicídio, agressão com arma letal, intimidação de testemunha e perseguição. Antes de ser sentenciada, a Linda discursou diante da juíza Elizabeth Gonzalez, se descrevendo como uma mãe virtuosa e dedicada, vítima recorrente das pessoas que amava.

Disse ter vivido por mais de 20 anos sob a sombra da morte do ex-marido e pediu clemência. Alegou ter bons valores morais e familiares. E ter ensinado os próprios filhos a serem fortes o bastante pra serem gentis. O discurso, segundo relatos da época, chamou atenção pelo tom. Mesmo diante de uma condenação por atirar no filho, a Linda mantinha o enquadramento de vítima que já tinha usado antes. Décadas antes, né, em relação à morte do seu ex-marido.

A juíza seguiu a recomendação da promotoria e sentenciou a Linda a pena entre 13 e 41 anos de prisão. A Linda também respondeu separadamente por agressão, dessa vez contra a Karina. Que foi atacada por ela durante uma visita ao hospital logo depois do tiroteio. Por conta desse episódio à parte, ela foi condenada a 90 dias de prisão. Esse ataque específico ajuda a entender melhor a acusação de perseguição que constava entre as 4 condenações do julgamento principal.

Segundo a promotoria, o incômodo da Linda com o relacionamento do filho não se limitava a discordar dele em conversas. Envolvia um padrão mais amplo de hostilidade, que era direta contra a jovem, que incluiu no mínimo esse episódio de agressão física contra a Karina. A Linda recorreu da condenação e em 2017 a Suprema Corte do Nevada reverteu o veredito. Os desembargadores concluíram que o júri não deveria ter sido informado de que a arma usada contra Kevin era a mesma usada no homicídio do Jim décadas antes.

Um tipo de informação considerada prejudicial demais pro julgamento, por poder influenciar o júri contra a ré com base num caso anterior já resolvido pela justiça. O raciocínio jurídico por trás da decisão segue um princípio comum no direito penal americano, ano. O fato de alguém ter sido investigada, processada ou até absolvida de um crime anterior não deveria, em tese, pesar contra ela num julgamento posterior, sob risco de o júri julgar a pessoa pelo passado e não estritamente pelas provas do caso em questão.

Foi exatamente esse o argumento que a defesa usou para derrubar a condenação original. Então foi anulado essa condenação. Linda não foi solta logo de cara, então ela tinha que continuar presa aguardando um novo julgamento, já que eles chegaram a essa conclusão que o júri não poderia saber dessa questão específica da arma, que isso influenciou na decisão deles. Então ela precisava de um novo julgamento, novo júri, e demoraria anos para que esse novo julgamento fosse marcado.

Então ao todo se passaram 5 anos até que tudo fosse finalmente resolvido. Em março de 2022, 3 dias antes desse novo julgamento, a Linda aceitou um acordo onde ela se declarava culpada de agressão com arma letal e por violência doméstica. Ela alegando ser culpada dessas duas acusações fazem com que ela não precise ir num segundo julgamento pela tentativa de homicídio. E aí, nesse momento que ela aceita o acordo, somando os anos que ela já tinha ficado presa, simplesmente ela já tinha cumprido a pena dela.

Então, o juiz assinou pra que ela pudesse sair. Só que aí, em junho, esse acordo que eles tinham feito foi alterado. A Linda fez uma declaração que eles chamam de declaração de Alford. Ela não admitiu formalmente a culpa, mas reconheceu que havia provas suficientes pra condená-la. Então, ela recebeu liberdade condicional e foi liberada, porque o tempo que ela tinha passado presa, como eu falei pra vocês, já tinha sido suficiente encerrar essa pena.

Ao todo, ela ficou presa por 11 anos, entre 2011 e 2022. Ou seja, mais de uma década atrás das grades, mesmo que ela tenha conseguido que a condenação original fosse anulada. Quem investigou os dois casos, né, ao longo dos anos, tanto o caso do Jim quanto o caso do seu filho Kevin, claramente ali notou que havia um padrão e várias coisas em comum acontecendo nos dois casos, que eram coincidências fortes demais para simplesmente serem ignoradas.

Nos dois episódios, mesmo tendo duas décadas de diferença um do outro, foi a Linda quem sobreviveu e a outra pessoa quem teve ali um ferimento, em um dos casos fatal e no outro caso quase fatal. Nos dois casos, a primeira ligação que ela faz não é pra emergência pra pedir ajuda, mas sim pra uma pessoa de confiança dela, tanto no Kevin quanto no Jim. Ela não ligou pro 911 direto. Além disso, a versão dela nos dois casos colocava as duas vítimas como a pessoa agressora.

Além disso, nos dois casos, essa é a pior parte, né, pra mim, ela tendo a mesma pessoa, o Kevin, anos antes falando a favor dela quando o Jim foi morto. Então, primeiro como criança e depois como adulto, sendo a testemunha-chave, a testemunha mais forte que sustentou a defesa dela perante um júri. A dinâmica entre mãe e filho é o que torna toda a questão e toda a discussão sobre esse caso tão absurda. O Kevin presenciou a morte do pai quando ele tinha 10 anos de idade.

Ele foi a única testemunha ocular que viu o que aconteceu ali. Ele testemunhou a favor da mãe dele e depois cresceu sendo educado apenas por essa mãe. Anos depois, ele se vê no mesmo lugar do pai, sendo uma vítima direta, e mesmo assim ele fica do lado da mãe mais uma vez. Os promotores argumentam que esse padrão de lealdade entre mãe e filho ia além do comum. Beirava, na visão deles, algo próximo a um vínculo ali de proteção tão forte, ou até mesmo de dependência, que o Kevin nunca conseguiu romper.

Ou talvez nunca quis romper, de fato. Nas fontes encontradas pra esse caso, não existe uma explicação pra isso, uma explicação pra essa relação de mãe e filho. Só a constatação repetida, né, de quem acompanhou os dois julgamentos, de que o caso se repetiu décadas depois. Com a mesma mulher, o mesmo filho, mostrando ali uma relação entre os dois que é muito difícil de explicar. Como o Kevin levou um tiro no pescoço, ele seguiu com a mobilidade dele comprometida, tanto nos braços quanto nas pernas.

E hoje ele vive em uma instituição de cuidados especializados em Las Vegas, recebendo suporte e reabilitação contínua. Já o Christopher, o filho mais novo, segue carreira na segurança pública Hoje ele é sargento do Departamento Metropolitano de Las Vegas, que é a mesma corporação responsável por ter investigado o caso do irmão dele, que aconteceu em 2011. Em 2021, ele foi visto no meio da multidão de apoiadores do Donald Trump, no dia da invasão ao Capitólio, o que abriu uma investigação interna da própria corporação.

Mesmo com essa apuração em andamento, ele foi promovido em menos de 2 meses a sargento. E o departamento nunca divulgou publicamente os resultados dessa investigação interna que eles fizeram. Já sobre a Linda, não existem informações públicas sobre a vida dela depois de ser solta em 2022. Já a família do Jim nunca aceitou a absolvição da Linda, seja de forma informal ou formal. Antes mesmo do julgamento dela, eles já diziam que eles acreditavam que ela era culpada e seguem acreditando nisso até hoje.

Pra vocês entenderem, todo esse problema que a família tinha com a Linda se estendeu até o filho, até o Kevin, anos depois. Depois do veredito em 2014, o Bob, um dos irmãos do Jim, tentou visitar o Kevin pra conversar com ele, mas o Kevin não quis. E o Bob disse que ele tentou alertar a justiça que o seu sobrinho continuava em perigo. Mesmo na época, a Laila não tava presa, mas ele dizia que depois que ela fosse solta, ele corria ainda risco de vida.

E ele acreditava que ele precisava de algum tipo de proteção. Mas o Kevin, apesar de tudo, permaneceu do lado da mãe. O caso acabou rendendo um episódio pro 48 Hours da CBS, com o título Mommy Dearest, que é uma referência direta ao clássico autobiográfico. Então, ali já mostrava bem a visão que eles tinham de tudo isso. Até hoje, o caso chama atenção justamente por todos os elementos que se repetem no caso do Jim e no caso do Kevin, pelo fato deles não terem conseguido chegar em uma resposta, uma resposta assim talvez mais aprofundada dessa relação entre mãe e filho, ou do porquê do Kevin ter defendido a mãe dele duas vezes.

A discussão maior desse caso é justamente a relação entre os dois e até que ponto ele continua defendendo a mãe dele. O que realmente aconteceu naquela casa em Palm Beach em 92 ainda é um mistério, porque o Kevin mudou a versão dele várias vezes. Então a gente não sabe se realmente ele viu alguma coisa na mão do pai dele, um objeto reluzente, como ele mesmo diria depois, ou se isso foi uma coisa que a Linda Colocou na cabeça dele uma coisa que ela disse que ele precisava falar, ou que ele acabou acreditando que ele viu. Então a gente não sabe exatamente o que aconteceu, né? Mesmo fazendo.

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No acordo com a promotoria, a Linda continua mantendo a inocência nos dois casos. No final das contas, restam duas versões para essa história. Que a gente tem que chegar numa conclusão, a gente mesmo. Então eu quero saber qual conclusão vocês chegaram, na versão que a Linda contou desde sempre e sempre mantendo a sua inocência, ou na versão de quem nunca acreditou nela, como a própria família do Jin, que desde o início dizia que ninguém faria aquilo, a única pessoa que seria capaz de atirar no Jin seria ela.

Então temos duas versões, quem acredita na Linda e quem não acredita. Eu não acredito. Essa é a minha versão, vocês sempre pedem pra eu dar minha opinião. E eu não acredito nela, porque pra mim são muitas coincidências. Coincidências até demais pra mesma história se repetir duas vezes, sabe? Então eu quero saber o que vocês acham, me contem aqui nos comentários. Não esquece do like, me ajuda muito na divulgação. Então é isso, pra mais casos siga o podcast Quinta Misteriosa.

E aproveite pra avaliar em 5 estrelas se você gostou. Obrigada por ouvir e até o próximo caso.

O FILHO VIU O PAI SER MORTO, 20 ANOS DEPOIS A HISTÓRIA SE REPETE | Caso Linda Cooney #628 | Castnews Index — Castnews Index