MANIPULADORA OU INOCENTE? | Caso Sarah Pender #615
Dois corpos são encontrados dentro de uma lixeira, em Indianápolis. A investigação leva a uma casa dividida por quatro pessoas — e a uma jovem que se tornaria, para a promotoria, comparável a Charles Manson. Anos depois, essa jovem faria algo que nenhuma mulher tinha feito antes: fugir de um presidio e ter seu nome ao lado dos criminosos mais procurados dos Estados Unidos. #615
Jacqueline Guerreiro
Andrew Scott Cataldi
Bonnie Prosser
Floyd Pennington
Gisberta Salsi Jr.
Jamie Long
Kenneth Martinez
Larry Sells
Peggy Darlington
Richard Edward Hall
Ryan Herman
Sarah Jo Pender
Scott Spittler
Steve Logan
Trisha Nordmann
- O Caso Kane MayesAcusação de assassinato·Influência e manipulação·Julgamento e Condenação·Sarah Jo Pender·Richard Edward Hall
- Investigação do crime· SegurancaA investigação e descoberta dos corpos·Investigação policial·Descarte de corpos·Limpeza de cena de crime·Andrew Scott Cataldi·Trisha Nordmann
- Fuga da Prisao· SegurancaPlanejamento de fuga·Ajuda de agentes penitenciários·Perseguição policial·Sarah Jo Pender·Scott Spittler·Ryan Herman
- Teorias e Suspeitos do CasoDeclaração de Richard Hall·Carta de confissão forjada·Testemunho de Floyd Pennington·Revisão do promotor Larry Sells·Sarah Jo Pender·Richard Edward Hall
- Liberdade e Detenção· SociedadeAjuda de ex-detentas e amigos·Campanhas de exoneração·Documentários·Sarah Jo Pender·Jamie Long·Peggy Darlington·Tom DeLonge
- Vida no presídio de Tremembé· SociedadeSolidão e tratamento inadequado·Repressão estatal·Sarah Jo Pender
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Oi, bonitas e bonitos, tudo bom com vocês? Eu sou Jacqueline Guerreiro e esse é o podcast Quinta Misteriosa. Aqui eu posto novos casos toda segunda e toda quinta. Aproveita para me acompanhar nas redes sociais para conteúdo extra de séries, filmes, livros e, é claro, true crime. E agora bora começar o caso de hoje. Andrew Scott Cataldi nasceu no dia 19 de agosto de 1975 no Queens, Nova York. Pouco se sabe publicamente sobre a infância dele.
O que se sabe é que ele passou parte da vida tá preso em Nevada, condenado por posse de metanfetamina com intenção de distribuição. Foi na Nevada Correctional Facility, em Carson City, que ele conheceu a Trisha Nordmann, nascida em 19 de setembro de 1974. Os dois já eram companheiros quando se tornaram foragidos do sistema prisional de Nevada. Ela cumpria pena por falsificação de documentos. Não tá muito claro nas fontes disponíveis exatamente como ou onde os dois se conheceram.
A Trisha era descrita por quem a conheceu como doce, gentil e atenciosa. Tinha enfrentado ao longo da vida problemas com dependência química, o que a levaram mais de uma vez a se envolver com Durante o período que fugiram, os dois foram para Indianópolis, em Indiana, longe do alcance de quem os procurava. De acordo com algumas fontes, a nova vida em Indianópolis foi incentivada por um velho amigo do Andrew que ele conheceu na cena de shows da banda Phish, chamado Richard Edward Hall.
O Richard nasceu em novembro de 1977 e no final dos anos 90, início dos anos 2000, ele jogava futebol americano pelo colégio Noblesville High School. Ele já somava 6 contravenções e 2 condenações por furto de veículo e invasão de domicílio. O Richard afirmava para quem o conhecia que trabalhava limpando carpete. Mas na verdade, ele vendia drogas junto com o Andrew nas viagens junto com a banda. E foi nessa época, em um desses shows, em julho de 2000, que ele conheceu a Sarah Jo Pender.
Ela tinha 21 anos e ele, 22. Sarah nasceu no dia 29 de maio de 1979, em Indianópolis. Filha de Bonnie Prosser e Roland Pender. Ela tinha uma irmã mais nova chamada Jennifer. Segundo o relato que ela própria daria décadas depois, os pais se separaram quando ela tinha 6 anos. E foi a mãe quem deixou a casa. Então ela cresceu com o pai e a irmã. Ela faria uma conexão sobre esse afastamento materno precoce a um padrão que se repetiria ao longo da sua vida, a busca por proteção em figuras que a fizessem se sentir segura.
Ela se formou na Lawrence Central High School em 1997. Quem a conheceu na época descreve ela como uma aluna aplicada, sem qualquer histórico de problemas com a lei. Ela conseguiu uma vaga na Purdue University, onde estudou física, com o sonho declarado de trabalhar no laboratório de aceleração de partículas ou de seguir carreira em bioquímica. Mas ela abandonou o curso depois de um ano. As explicações que ela mesma deu variam conforme o momento.
Em uma ocasião, ela disse que o dinheiro tinha acabado. Em outra, que era imatura demais para dar conta de morar sozinha e estudar ao mesmo De volta em Indianópolis, ela foi trabalhar como secretária numa construtora chamada Carl E. Most Sons. Ela tava sendo treinada pra ler plantas de obra e cogitava voltar a estudar, dessa vez pra trabalhar com desenho técnico. Ela pagava o próprio aluguel e não tinha nenhuma passagem pela polícia.
Poucos meses antes de conhecer o Richard, ela contaria que ela foi abusada por um vizinho. E ela disse que esse abuso deixou ela completamente traumatizada. Em suas palavras, ela ficou paralisada de medo. E por conta disso, ela acabou se tornando muito dependente emocionalmente. De qualquer pessoa que demonstrasse algum tipo de proteção para ela. Então, como eu disse para vocês, ela e o Richard se conheceram em um show da banda Fish.
E aí eles diriam que foi uma paixão relâmpago. Ela rapidamente encontrou nele ali a imagem de um homem que a manteria segura. Em poucas semanas eles decidem morar juntos. E aí a Tricia e o Andrew, que eu citei no começo do vídeo, vão morar na mesma casa com eles, a convite do Richard. Ele contou para Sarah que os seus amigos estavam passando por um momento difícil e que ele queria ajudar. E aí ela concordou que eles morassem na casa deles.
E aí, nesse ponto, ela já sabia que o Richard não limpava carpetes e que ele vendia drogas. Segundo a Sarah, ela concordou que os amigos dele fossem morar na casa deles por um tempo, mas ela impôs uma condição, que era que eles não poderiam vender drogas dentro da casa. E eles não respeitaram essa condição. Então agora a gente vai para outubro de 2000, e o que eu vou contar para vocês a partir de agora é a versão que a Sarah deu.
Então naquele mês, em outubro, a Sarah disse que o Richard pediu para ela sair comprar uma arma para ele porque ele queria atirar no campo, e ela presumiu que ele fosse caçar com aquela arma. No dia 23 daquele mês, ele pega emprestado um caminhão de um amigo chamado Ronnie Harrell para esvaziar o porão da casa. Ele teria dito que ele queria tirar tudo de lá porque eles iriam montar um laboratório para fazer metanfetamina, e que ele faria isso com a ajuda do Andrew e de um químico que morava em Las Vegas.
E aí, no dia seguinte, no dia 24, o Richard e a Sarah vão para um Walmart juntos. Como ele não podia comprar uma arma porque ele tinha um histórico criminal, quem fez a compra foi a Sarah. Então ela comprou no nome dela uma espingarda calibre 12. Ela comprou munição e alguns preservativos. Um funcionário do caixa relataria depois que ele viu o Richard escolhendo qual munição que ele queria e levando até o caixa, mas quem pagou foi a Sarah.
À noite, o casal sai com os pais da Sarah, que mesmo separados tinham uma boa relação. E aí eles voltam para casa deles por volta das 11 da noite, quando a Sarah decide sair para caminhar. Foi nesse intervalo que ela tinha saído da casa que o Richard e o Andrew tiveram uma discussão. Segundo a versão do Richard, foi porque o Andrew tinha uma dívida com a irmã dele chamada Tabitha. Richard afirmou que o Andrew ameaçou matar toda a família dele e que ele foi até o quarto dele com a intenção de pegar a arma, né, espingarda recém-comprada.
Na luta que se seguiu, o Richard atirou no Andrew e também atirou na Tricia, matando os dois. Quando a Sarah volta da caminhada, os dois já estavam mortos e ela encontra o Richard enrolando os corpos em lençóis. Por volta das 3 da manhã da madrugada do dia 25, um vizinho deles chamado Ed Legon disse ter visto os dois cobrindo a caçamba daquele caminhão em frente à casa deles. Então Então ali no caminhão emprestado, eles levaram os dois corpos por alguns quarteirões.
E aí jogaram eles em um lixo, sem que ninguém soubesse. Já durante o dia, a Sarah viveu a vida dela normalmente. Ela foi trabalhar e os colegas disseram que ela tava bem, que ela tava até animada. Não tinha nenhum sinal de aflição ou nada do tipo. Por volta do meio-dia, o Richard, que tava em casa, pede pra uma vizinha emprestado um adaptador. Porque ele disse que queria limpar o carpete. Então ali ele tava tentando se livrar do sangue que tinha manchado o carpete.
Às 6 da tarde daquele mesmo dia 25, o Steve Stout Um funcionário do sindicato Tempestor Local Union encontra os corpos na lixeira. Eles estavam tão danificados pelos tiros de espingarda que a identificação era quase que impossível. Foi só através das tatuagens que tanto o Andrew tinha como a Tricia, que apareceram nos noticiários, que foi possível identificar os corpos. Eles estavam morando na Mako Street, né, na casa do Richard e da Sarah.
Então uma vizinha viu as fotos das tatuagens e ligou pra polícia dizendo que ela sabia quem eram aqueles dois, né, ela conseguiria identificar os dois corpos. E ela disse que eles moravam em uma casa com outras duas pessoas. No dia seguinte, no dia 26, a Sarah e o Richard vão devolver o caminhão emprestado em Noblesville. Lá, o Richard queimou vários itens que estavam manchados de sangue. E como eles não estavam na casa, eles não sabiam que a polícia tinha ido até a casa deles com mandado de busca.
E eles rapidamente encontraram vários vestígios de sangue, e dava para ver que alguém tinha tentado limpar ali a cena, mas não tinha conseguido limpar direito. E nesse ponto a Sarah e o Richard não faziam nem ideia que a polícia tava lá. Então os dois ainda estavam em Noblesville no dia 27 de outubro. O Ronnie, dono do caminhão, morava lá e não se sabe exatamente como a polícia conseguiu chegar até a localização deles, mas eles encontraram os dois lá no dia 27.
O Richard é levado para interrogatório e ele fala para polícia que ele não fazia ideia do que eles estavam falando, que ele não tava envolvido em nada daquilo. E aí a polícia fala que eles tinham descoberto o sangue no caminhão e que aquele sangue era do Andrew, e que eles já tinham identificado os corpos. Então um deles era o Andrew. E aí E diante dessa prova, o Richard decide confessar os dois assassinatos. A Sarah também foi ouvida naquele dia e ela negou ter participado dos assassinatos, disse que ela não estava envolvida, que ela não tava no momento em que os disparos ocorreram e que ela ajudou a se livrar dos corpos.
Ela admitiu ter ajudado, mas ela disse que só fez isso porque ela tinha medo do Richard. Então ela foi liberada, o Richard não, ele ficou preso. E aí a Sarah só seria procurada de novo no dia seguinte. Durante a confissão do Richard, ele acaba revelando pra polícia que quem fez a compra das armas tinha sido a Sarah.
Então ele envolve ela na história.
Por esse motivo, no dia 28, eles chamam a Sarah de novo para depor. Agora eles queriam um depoimento formal completo. E aí, nesse dia, ela leva para a polícia uma calça do Richard que tava toda manchada de sangue. As fontes não explicam por que essa calça não tinha sido encontrada nas buscas feitas pela polícia nos dias anteriores, mas ela simplesmente levou essa calça naquele dia. Os testes de DNA confirmaram que ali tinha sangue tanto do Andrew quanto da Tricia.
E aí, a Sarah foi presa também. E o que justificou a prisão dela foi a soma de 3 coisas: a confissão do Richard citando a Sarah, então colocando ela no meio da história, a compra da arma no Walmart, que foi confirmada pela polícia que ela tinha comprado, e o fato de que ela mesma admitiu ter ajudado a se livrar dos corpos e a ter limpado a cena do crime. Dessa forma, ela foi indiciada como coautora do crime. Porém, nenhuma prova de DNA jamais a ligaria diretamente aos disparos.
Enquanto a Sarah aguardava o julgamento, ela tava presa na Marion County, e ela era uma garota jovem de 21 anos, que tinha um rosto angelical e que não tinha nenhuma passagem pela polícia. Ela era o tipo de prisioneira que carcereiros e outros detentos raramente ligavam a crimes brutais. Dessa forma, mesmo ouvindo sobre o caso, ninguém desconfiava dela. Foi justamente esse contraste entre a aparência dela e a acusação que ela enfrentaria no julgamento que tornaria o caso dela tão conhecido nos anos que viriam.
Foi na prisão que ela conheceu uma mulher chamada Jamie Long. Que tinha um filho. Então as duas se conheceram lá e acabaram se tornando muito próximas. E também foi lá num culto religioso dentro da cadeia que ela conheceu o Floyd Pennington, outro detento que era acusado de abuso de menor e que enfrentava na época uma possível pena de 56 anos na cadeia. Só que o que a Sarah não sabia, ela não fazia ideia, é que o Floyd já tinha combinado com a polícia que ele tentaria descobrir qualquer coisa sobre o caso, qualquer coisa que ela não tinha contado pra polícia, de forma que ele pudesse ajudar.
Isso acontece muito dentro da cadeia quando outros detentos tentam cooperar ali com a polícia pra crimes mais graves, né. Então, dessa forma, eles conseguem alguma informação privilegiada ali que a polícia não tem, em troca de uma pena mais branda. Então, ele começa a se corresponder com a Sarah através de cartas. Eles conversavam sobre livros, música, política. E segundo a Sarah, ele fazia algumas perguntas sobre o crime ocasionalmente, mas ela nunca entrava em detalhes.
Foi através das cartas também que os dois combinaram que eles fingiriam estar doentes no mesmo dia, pra que ambos fossem levados pro hospital que atendia os detentos na cidade. E esse encontro deles realmente deu certo, aconteceu no dia 22 de setembro de 2001, no Richard Hospital. E o Floyd testemunharia depois em juízo que naquele dia a Sarah confessou o crime pra ele. Contra o conselho do seu advogado, a Sarah também trocava cartas com o Richard.
Então ele tava em outra prisão e eles trocavam cartas. Mas como ela não podia se corresponder diretamente com o Richard, ela dependia de uma terceira pessoa pra mandar as cartas. Em julho de 2001, o detetive Kenneth Martinez descobre essa troca de cartas entre os dois.
Ele revistou pessoalmente a cela do Richard.
Então ele revirou tudo lá, pegou todas as cartas que ele encontrou e cortou de vez o contato entre os dois. Em uma dessas cartas, que tinha data 16 de maio de 2001, o Richard teria recebido uma carta escrita pela Sarah onde ela confessava tudo. E aí ele entregou essa carta para o advogado dele, e foi o próprio advogado que repassou essa carta para o detetive Kenneth em outubro ou setembro. Então aí a gente tem duas peças: primeiro, uma carta que segundo o Richard foi escrita pela Sarah onde ela confessava o crime, e o testemunho do Floyd, que ele contaria que naquele dia no hospital ela teria confessado para ele pessoalmente.
E essas duas coisas se tornariam a espinha dorsal de todo o caso contra a Sarah. Em 2002, o Richard decide fazer um acordo de confissão porque ele não queria passar pelo julgamento. Ele alegou ter cometido o crime por ter sido influenciado pela Sarah, um argumento que o tribunal aceitou como sendo atenuante para ele. A Sarah insistia que era inocente e ela foi a julgamento, mas nem ela e nem o Richard testemunhariam. O promotor Larry Sells construiu a tese de que ela era mentora, manipuladora por trás dos assassinatos, citando o fato dela ter comprado a arma e ajudado a descartar os corpos como prova de premeditação e de controle sobre o Richard.
Ela chegou a comparar essa influência que ela tinha sobre o namorado à influência que o Charles Manson exercia sobre os próprios seguidores, origem de um apelido que passaria a acompanhar a Sarah por todo o caso, porque as pessoas falavam que ela era o Charles Manson, só que mulher. E como eu disse, aquelas duas provas sustentariam a acusação contra ela. A primeira seria a carta na qual ela assumia ter surtado e sugeria que deve ter sido o ácido, uma referência ela ter tomado LSD.
Um perito em caligrafia testemunhou que a letra parecia compatível com a da Sarah. A segunda vinha do Floyd e da alegação dele que ela tinha confessado tudo e que ela teria mandado o Richard matar os dois. Em 22 de agosto de 2002, o júri considerou a Sarah culpada em dois casos de homicídio. Ela foi sentenciada a 110 anos de prisão, 50 anos numa acusação e 60 na outra. 35 anos a mais do que a pena do Richard, ainda que ele tivesse admitido ter sido a pessoa quem disparou a arma.
Anos depois, a Sarah afirmou que ela nunca imaginou que o juiz lhe daria tantos anos de prisão. Ela disse, entre aspas: Comprei a arma, não fugi e nem denunciei o crime. Eu ajudei o Rick depois. Eu merecia ir presa e achava que o juiz ia me dar 45 anos. Mas chocada e arrasada nem chega perto do que eu senti quando fui considerada culpada pelas mortes do Drew e da Trish. Então, em 2003, o Richard estava recorrendo da própria sentença por achar ilegal a forma como uma parte da pena dele tinha sido estruturada.
Dentro desse recurso, num documento também anexado ao pedido de revisão que a Sarah movia, ele assinou uma declaração formal admitindo ter matado o casal sozinho e afirmando que tinha incriminado a Sarah para conseguir um acordo de pena melhor para si mesmo à época do julgamento dela. Só que essa jogada saiu pela culatra. O juiz interpretou aquela mudança de versão como uma tentativa de perjúrio, afinal contradizia diretamente com o que o Richard tinha jurado ser verdade na sentença original, quando ele testemunhou que a Sarah era quem tinha puxado o gatilho.
Então, ao invés disso ajudá-lo, isso pesou contra ele. Na nova sentença, em 2004, o juiz aumentou a pena dele de 75 anos para 90, citando exatamente essa tentativa de perjúrio como agravante. Para Sarah, o efeito prático foi quase nenhum naquele momento. O Esse depoimento ficou registrado no processo, mas não foi suficiente para reverter a condenação dela. Os pedidos de revisão que ela movia continuariam sendo negados nos anos seguintes.
O Richard nunca deu uma explicação clara sobre por que ele fez aquilo. Anos depois, ao ser procurado por um jornalista da revista The Progressive, ele se recusou a comentar o caso em profundidade, respondendo apenas por escrito que ele desejava o melhor para Sarah, mas que precisava fazer o que fosse do seu próprio interesse. Então, nesse contexto, em abril de 2007, a Sarah entrou com uma petição de habeas corpus na esfera federal, que foi indeferida em setembro de 2008.
Ela já não tava mais presa. Na prisão, ela tinha desenvolvido dois relacionamentos que se tornariam decisivos. Um deles era com Jamie, que eu citei antes, que ela conheceu, né, na Marion County. Depois de solta, a Jamie passou a visitar a Sarah com frequência na Rockville Correctional Facility. E a outra pessoa era o Scott Spittler, agente penitenciário da unidade já havia 5 anos. Ele era casado e tinha filhos. A Sarah teria sugerido um acordo entre os dois que era direto: o Scott receberia $15.000 para ajudá-la escapar.
Um mês antes, ele tinha sido colocado num programa de desvio judicial por uma acusação de agressão, e ela sabia que ele precisava do dinheiro. Só que a Sarah nunca teve esse dinheiro, então era uma promessa que não tinha como ela cumprir. Sobre a fuga, ela comentaria tempos depois que ela já tinha esgotado todos os recursos existentes, ela não tinha mais esperança, então ela escolheu fazer a sua própria justiça. Ela disse que tava presa 21 anos e que ela sentia que já tinha cumprido pena suficiente.
Então ela e o Scott estavam ali bolando esse plano para ela fugir, e alguns dias antes da data combinada, ele já tinha entregado para Sarah um celular e algumas roupas normais para que ela pudesse se trocar. Então, no dia 4 de agosto de 2008, ela vai até o ginásio da prisão e lá ela troca de roupa. Então ela tira a roupa dela do sistema prisional e esconde em umas placas do teto. E aí ela começa a caminhar até a área onde o abastecimento era feito.
E aí ela tinha combinado que ela se encontraria com ele lá. E aí o Scott colocou ela dentro de uma van, que era a van do próprio presídio, e dirigiu até o estacionamento dos visitantes, onde a Jamie esperava por a Sarah lá já dentro do carro. Dali as duas seguiram juntas de carro até uma casa que já tinha sido organizada tudo para que elas fizessem a fuga e fossem direto para lá. Foi numa dessas contagens de rotina que eles fazem dentro da prisão que eles descobriram que a Sarah tava faltando, que ela não tava lá.
Então eles fazem um lockdown e começam imediatamente as buscas por ela. O Scott, que só fez isso para receber os $15.000 e que ele nunca recebeu, foi identificado através das câmeras. Então eles conseguiram ver nas câmeras de segurança e no registro da guarita que ele tinha ajudado ela a escapar. Então ele foi preso no dia seguinte, acusado de auxílio a criminoso, má conduta oficial, má conduta sexual e tráfico de detento. Ele seria sentenciado meses depois a 8 anos de prisão.
Mas a caçada para encontrar a Sarah tava só começando. Ryan Herman é um soldado da Polícia Estadual de Indiana e ele foi cedido ao US Marshals especificamente para esse caso. Ele foi chamado para liderar a busca que eles fariam pela Sarah. A primeira pista que ele tinha em mãos foi o celular que o Scott tinha para Sarah ainda na cadeia. Então ele começou a cruzar ali as informações daquele celular com as pessoas que visitavam a Sarah na cadeia, e foi assim que ele viu que tinha um nome que se repetia várias vezes, que era o nome da Jamie.
Ele conseguiu essas informações rastreando o aparelho, e aí ele também descobriu que durante o tempo que ela ficou presa ela mandava dinheiro para Jamie guardar para ela. Então ela mandou cerca de $3.500. A ideia que ele tinha nesse ponto era muito simples, que o Scott ajudaria ela a sair da cadeia, e depois disso a Jamie ajudaria ela, né, dirigindo, enfim, e entregando esse dinheiro para ela para que ela pudesse continuar fugindo.
Mas a Jamie, que já tinha sido presa, tava com medo de ser presa de novo. Então ela não entregou esse dinheiro imediatamente e ela tinha um receio de ser presa de novo por estar ajudando a Sarah na fuga. Então a Sarah decide entrar em contato com uma outra amiga também, ex-detenta, chamada Peggy Darlington. Então, como a Sarah queria esse dinheiro que não foi dado logo no primeiro dia para ela, ela tinha combinado com a Jamie que elas iriam até o McDonald's.
Isso porque a Jamie achava que já tava sendo seguida. Então o que elas fizeram? Elas combinaram se encontrar no McDonald's. E aí quem tava dirigindo o carro era a Peggy, essa outra amiga da Sarah, e ela ficou escondida no porta-malas do carro. Então a Peggy chega no McDonald's, sai do carro, entra e vai até o banheiro. Ela vê os pés de uma mulher ali e ela pergunta se aquela mulher é a Jamie. E aí ela responde que sim e entrega ali por baixo o dinheiro e também o celular.
A Peggy sai do banheiro e vai direto no balcão do McDonald's. E aí aí poucos minutos depois ela vê a Jamie saindo e indo até o estacionamento. Depois a Peggy saiu, entrou no carro e começou a dirigir até o Hotel Motor 8. E aí ela entrega o dinheiro para Sarah, que fica super desapontada porque ela recebe $350 quando ela esperava receber todos, $3.500. A Jamie decidiu ficar com o resto do dinheiro porque ela tava com medo de ser pega pela polícia naquele momento tentando entregar o dinheiro para Sarah e ter tanto dinheiro com ela.
Então elas iam combinar ali uma segunda entrega, só que a polícia chega na Jamie antes que isso acontecesse. Quando ela volta para casa, o soldado da polícia Ryan já estava lá. E aí a Jamie fica insistindo que ela não sabe nada sobre o paradeiro da Sarah, mas que ela tinha um número dela que ela poderia ligar e perguntou se ele queria que ela ligasse para Sarah. Ele disse que sim. Ela liga, mas aí ele percebe que as duas estavam fazendo um teatrinho ali, que provavelmente searching for.
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Que a polícia tava ali junto. E foi nesse ponto que ele percebe que a Jamie era casada, que o marido dela era um senhor já que tava com a saúde bem debilitada, que segundo o próprio Ryan tava ali nos seus últimos dias de vida. Então ele imaginou que usando o marido dela, ela iria cooperar. Ryan começou a insistir que o marido dela colocasse juízo na cabeça da Jamie para ela cooperar com a polícia, porque senão ela seria presa de novo e aí ela não poderia mais cuidar dele.
Então nesse ponto o homem começa a chorar, e aí a Jamie começa a mudar um pouco a forma como ela tava agindo. Ela chama o Ryan até o quarto, abre uma caixa de sapatos e mostra o restante do dinheiro que era da Sarah. E aí ele percebe que ela tinha pouco dinheiro com ela, então ela não conseguiria fugir por muito tempo. Apesar disso, a Jamie foi presa no dia 7 de agosto, acusada de auxiliar na fuga da Sarah, e ela foi sentenciada a 7 anos de prisão.
Segundo os vizinhos, foi chocante descobrir que ela tinha sido presa, né, envolvida na fuga da Sarah, porque eles conheciam a Jamie e o marido dela diziam que eles eram ótimas pessoas, super tranquilas, e ninguém ali do bairro jamais teve nenhuma queixa sobre eles, né? Então o Ryan continua investigando, sabendo agora que a Sarah tinha conhecido a Jamie no sistema prisional. Ele continua nessa linha de investigação tentando fazer novas conexões da Sarah com outras detentas, a pessoas que por algum motivo poderiam estar devendo alguma coisa a ela, que tinham lealdade com ela.
E aí ele foi construindo uma teia de pessoas que poderiam estar envolvidas. E nessa teia tinha o nome da Peggy, que era a mulher que tava dirigindo o carro com a Sarah. Rapidamente ele consegue ali o caminho que a Sarah tinha percorrido com a Peggy. E aí ele percebe que a relação das duas era quase uma relação de mãe e filha. Então a Peggy via a Sarah como uma filha para ela, e era muito doido para ele que ela estivesse disposta a ajudar a Sarah, mesmo sabendo que ela poderia voltar a ser presa.
A Peggy diria anos depois que ela só ajudou que ela tinha certeza que a Sarah era inocente, que ela era incapaz de machucar uma mosca, e foi por isso que ela ajudou. Quando a polícia consegue chegar até a Peggy, imediatamente eles percebem que ela tava muito tensa e eles ficam pressionando ali para que ela confessasse a ajuda que ela deu, né, para Sarah. A polícia queria apenas a localização, né, onde ela tinha deixado a Sarah.
E aí, antes da polícia chegar até a Peggy, imaginando que isso aconteceria, Peggy tinha entrado em em contato com outra detenta. O nome dela é Tia, e ela entrou em contato com ela pedindo que ela fosse buscar a Sarah no lugar onde ela deixaria. Então, nesse ponto que a polícia tava conversando com a Peggy, ela conta realmente o local onde ela deixou a Sarah. Mas óbvio que chegando lá ela já não tava mais lá. Nesse momento ela estava na casa da Tia fazendo uma refeição com ela.
Então essa era a primeira vez que ela comia qualquer coisa fora da prisão. A Tia naquele ponto trabalhava em uma casa de striptease. Então, diferente da Peggy que tava morrendo de medo, ela lidava com medo de uma forma bem diferente. Ela sabia que a Sarah não tinha dinheiro e que ela precisava de dinheiro para continuar se escondendo. Então ela sugeriu que ela começasse a se prostituir. Essa oportunidade, digamos assim, surgiu através de um próprio cliente da tia.
Então ela disse que ele queria um programa a três e convidou a Sarah. E esse homem rapidamente se apaixonou por ela. Esse homem era o Tom, esse era o nome dele. Ele tinha cerca de 60 anos, era casado, um empresário, então ele tinha dinheiro. E era para ser um arranjo financeiro ali para Sarah começar a se prostituir, mas como o Tom se apaixonou super rápido, ele acabou se tornando ali uma pessoa que iria financiar ela, né? Então ele seria a pessoa que daria dinheiro para ela por meses, ele sustentava ela, então, né?
E aí, como ele tava extremamente apaixonado, um dia a Sarah tava na casa dele com ele vendo TV e aparece o rosto dela no noticiário, e não tinha como ela esconder que era ela. Mas nessa altura ele nem ligou dela ser foragida porque ele já tava completamente apaixonado, ele era obcecado por ela. Ele passa a mover ela de lugar em lugar, sempre estando um passo à frente da polícia que tava ainda tentando encontrar a Sarah. Então ele sempre ia levando ela para vários lugares diferentes.
Quando a polícia chegava, ela já não tava no anterior. Graças aos contatos que o Tom tinha, ele acaba conseguindo um emprego para Sarah em Cincinnati, Ohio. Em Ohio, longe das amigas que ela tinha feito na prisão, a saudade começou a bater. Então ela decidiu ligar para Peggy. Essa ligação foi feita através de um celular descartável e a Peggy tinha muito medo de ser presa. Então ela ficou apavorada e ligou para o Ryan, né, para o soldado que tava fazendo investigação.
E ela contou que ela tinha combinado de falar com a Sarah de novo no dia seguinte. Ela faria outra ligação. Quando o telefone tocou, a Peggy começou a chorar e a implorar para que a Sarah se entregasse para a polícia. E aí ela disse que caso ela não fizesse isso, ela acabaria sendo morta. E a Sarah respondeu que ela não voltaria viva para prisão, que ela simplesmente se recusava a voltar para lá. Ela disse que não aguentava mais aquilo.
E aí ela desligou, mas ela ficou na chamada tempo suficiente para que o Ryan, que tava ali junto, conseguisse rastrear a ligação. E aí ele descobriu que ela estava se escondendo em Ohio. Pela ligação, ele conseguia descobrir mais ou menos a área onde ela tava. Então a polícia vai até lá, eles começam a procurar ela em todos os motéis, mas não a encontram. A Sarah começa a usar um nome falso, ela começa a apresentar como Ashley Thompson, e ela se muda para Chicago.
Lá ela conseguiu emprego como orçamentista numa construtora. 3 de setembro de 2008, o programa America's Most Wanted, que é apresentado pelo John Walsh, já citei muitas vezes aqui no canal, exibiu o caso dela chamando ela de artista, uma fugitiva que era astuta e perigosa de modos manipuladores O promotor Larry, entrevistado no episódio, chamou ela de demônio. Aí ela entra para a lista dos 15 fugitivos mais procurados dos US Marshals, a única mulher na lista.
Isso daria uma recompensa de $25.000 a quem a denunciasse. Para vocês terem ideia de como essa história é maluca, a Sarah assistiu ao episódio junto com o Tom, e mais tarde o Tom afirmaria para a polícia que o que diziam sobre a Sarah naquele programa de TV não tinha nada a ver com a mulher que ele conhecia, que tava ali do lado dele. O fato da Sarah ter aparecido no programa fez com que a polícia recebesse muitas pistas falsas.
E o Ryan precisava checar cada uma dessas pistas, e era cada uma em um canto diferente do país. Na época, a Sarah tinha mudado novamente a cor do cabelo, ela usava óculos, boné, e tentava de todas as maneiras disfarçar quem ela era. Ela andava nas ruas com medo de ser reconhecida e ficava em casa o máximo de tempo que ela conseguia para que ninguém a visse. Até que o programa fez uma reprise daquele episódio em dezembro, que acabou chegando a uma vizinha da Sarah em Chicago, que a reconheceu e decidiu denunciá-la à polícia.
Quando a polícia chega e começa a bater na porta dela às 11 horas da noite, era uma batida forte, que eles gritavam que era uma manutenção, ela sabia o que que era. Ela estava arrumando as malas porque ela ia fugir, né, se mudar de novo em poucos dias. E nesse ponto ela continuava se mudando constantemente para evitar ser notada. Ela começa a caminhar bem devagar até a porta. Era dia 22 de dezembro de 2008. Ela olhou no olho mágico e viu 4 homens fortes com coletes à prova de balas.
Ela até pensou em fugir, pegar uma bolsa e sair pela rota de fuga que ela já tinha mapeado, mas nesse ponto ela abriu a porta e se entregou sem resistência porque ela tava cansada de fugir. A polícia de Chicago avisou o Ryan que eles tinham conseguido pegar a Sarah finalmente. Então ele foi até lá para buscá-la. Os dois voltam de carro para Indianópolis. Ele tava com ela no banco de trás e tinha um gravador no bolso. Ali ele começa a conversar com ela porque ele precisava saber quem havia ajudado ela ao longo de todo aquele tempo.
Então ela falou sobre tia, falou sobre o Tom, ela disse que ele era viciado em sexo. E só depois dela ter sido presa que a polícia finalmente conseguiu chegar até o Tom. Quando ele viu a notícia na TV, ele percebeu que o mundo dele tinha desmoronado, e a primeira coisa que ele pensou foi na sua esposa. Ele sabia que a polícia ia chegar até ele. No dia 8 de janeiro de 2009, o Ryan entrevistou o Tom por horas. Ele contou que conheceu a Sarah num hotel em Speedway e que no primeiro dia foram praticamente 8 horas de sexo.
Disse que odiava admitir, mas que no terceiro dia juntos ele já começou a ter sentimentos por ela. Ryan ficou chocado que ele levou um advogado no depoimento e que o promotor concordou que se ele contasse tudo ele não seria processado. Para o Ryan, isso era inadmissível. Ele disse que o Tom deveria ter pegado pelo menos 20 anos de prisão pelo que ele fez. Para ele, enquanto os Estados Unidos inteiro tava buscando pela Sarah, o Tom tava namorando com ela.
Ao todo, a Sarah ficou 138 dias foragida, atravessando 3 estados: Indiana, Ohio e Illinois, com a ajuda de pelo menos 4 pessoas, sendo elas Jamie, Peggy, tia e o Tom. Ela diria depois que o medo dela não era voltar para prisão, porque ela já sabia o que era prisão. O seu medo era perder a liberdade. Quando ela voltou para o presídio de Indiana, falaram para ela que ela tinha sido condenada a 1 ano de solitária. Segundo Willard Plank, que é investigador-chefe do presídio, era uma jogada de administrativa.
A unidade tem essa liberdade quando considera que alguém representa riscos aos outros presos. Mas policiais e funcionários contavam para Sarah que a verdade era outra, que ela tinha causado vergonha demais para o departamento e que por isso eles queriam colocar ela ali sozinha. A sentença administrativa original previa um ano de isolamento, mas a Sarah acabou permanecendo isolada por muito mais tempo que isso. Em 2009, o promotor do caso, Larry Sells, já aposentado do Ministério Público, foi procurado pelo jornalista Steve Miller, que estava escrevendo um livro sobre a fuga da Sarah.
Ele pediu ajuda de Larry em uma pesquisa nos arquivos do caso na delegacia de Depois de um tempo, quando eles foram verificar as caixas, o Larry tomou conhecimento de um documento que nunca tinha chegado até ele e nem a defesa da Sarah durante o julgamento original dela. Era uma lista de delação escrita pelo Floyd e entregue a um detetive, na qual ele se oferecia para ajudar a incriminar 17 pessoas diferentes além da Sarah em troca de um acordo mais brando.
Em 2013, quando a Sarah já estava há 4 anos na solitária, na véspera do Dia das Mães, o Larry liga para Bonnie, para mãe da Sarah, e conta para ela tudo tinha acontecido. Ele disse que com base no que ele sabia agora, ele tinha certeza de que a Sarah não tinha recebido um julgamento justo, que ele tinha atuado em 72 casos de homicídio e que em um deles ele tinha cometido um erro, que era justamente o caso da Sarah. A sua mãe, a Bonnie, chorou muito.
Ela sabia que a Sarah não estava bem mentalmente. O tempo que ela ficou em solitária não estava fazendo bem para ela, mas ela não sabia como ajudar a filha. O Larry concedeu uma entrevista ao Indianápolis Star dizendo publicamente que a Sarah não tivera um julgamento justo. Anos depois, ele e o Ryan chegariam a conclusões opostas sobre a mesma mulher que cada um perseguiu à sua maneira. Enquanto o promotor passou a defender publicamente a inocência da Sarah, o investigador seguia irredutível dizendo que conhecia a maldade e continuava com a opinião de que ela era sim culpada.
A Sarah foi mantida na solitária até o dia 30 de janeiro de 2014, um total de 1.870 dias, pouco mais de 5 anos, bem mais do que o único ano previsto na sentença administrativa original. Foi exatamente essa diferença entre a pena anunciada e o tempo que de fato ela ficou isolada que a levou mais uma vez a processar o Estado por falta de tratamento adequado de saúde mental durante durante esse período. Num ensaio escrito para a organização Solitary Watch em 2014, ela descreveu sua própria rotina: 22 horas por dia numa cela de pouco mais de 2 metros por 3, com acesso a poucos livros, com 2 horas diárias trancada numa sala pequena com uma TV para o que era chamado de recreação e exercício. 6 dias por semana ela era algemada através do postigo da porta para ser escoltada até o banho.
Ela acabou vencendo essa ação e o estado fez um acordo. No dia 25 de janeiro de 2018, ela foi transferida de volta para Rockville Correctional Facility. Em setembro de 2019, o Steve Logan, que tinha dividido cela com Richard na prisão de Marion County, assinou um documento confessando que fora ele e não a Sarah quem forjara aquela carta de confissão que foi usada no julgamento, e que ele copiou a caligrafia dela a partir das suas cartas verdadeiras em troca da proteção do Richard contra os outros detentos.
Peritos em caligrafia, revisando o material, né, todos esses anos depois, concluíram que a carta de fato não tinha sido escrita pela Sarah. Em 2023, o Larry deu uma nova entrevista ao Indianapolis Star, só que dessa vez ele foi foi bem categórico. Ele disse que se ele soubesse o que ele sabia agora, ele não teria processado a Sarah. E que ele sentia muito por ela estar presa já há tanto tempo. No mesmo ano, o programa Making an Xanaree, da Universidade de Georgetown, em parceria com a Universidade da Califórnia em Santa Cruz, adotou o caso da Sarah pra reinvestigação por estudantes de graduação, produzindo documentários curtos e campanhas pedindo a libertação dela.
No final de 2005, a Sarah teve uma audiência de modificação de sentença com o apoio formal do Larry, né, o promotor do caso dela. E depoimentos dos próprios pais, de educadores e de uma cineasta comentarista. Nessa audiência, a Sarah relatou pela primeira vez o episódio de abuso que ela sofreu poucos meses antes de conhecer o Richard. Ela conta que aquilo fez com que ela mudasse, né, a forma como ela era, e que ela buscava essa segurança em alguém, que foi exatamente o que o Richard representava para ela naquele ponto, alguém que poderia protegê-la.
No dia 5 de janeiro de 2026, o pedido de mudança de sentença da Sarah foi negado. Nenhuma justificativa por escrito foi divulgada publicamente. Então hoje, nesse momento, não tem mais vias pelas quais a Sarah pode tentar sair da cadeia ou mudar a sua sentença. Todas as vias legais diretas, como apelação, novo julgamento, modificação de sentença, todas elas já foram esgotadas. A única via em aberto que resta para ela é a via política: um indulto ou comutação de pena assinada pelo governador de Indiana.
E o trabalho contínuo, mas sem resultado prático até agora, do programa de exoneração de Georgetown, que tá tentando ajudar ela de alguma forma, né, mas que até agora não deu em nada. Em fevereiro desse ano estreou um documentário sobre o caso dela chamado Girl on the Run: The Hunt for the America's Most Wanted Women, produzido pela ABC News, e vocês conseguem assistir no Disney Plus. São 3 episódios que tem como foco principal a fuga da Sarah.
O documentário tem entrevistas exclusivas da Sarah, dos pais dela, do Richard, do Ryan, do Larry, e também das suas amigas ex-detentas. O Ryan disse depois que ele tava insatisfeito com o resultado. Ele disse que o documentário passa um retrato excessivamente simpático sobre a Sarah numa série que ele mesmo ajudou a construir. Hoje a Sarah tem 47 anos e ela permanece presa. A condenação dela total é de 110 6 anos e continua em vigor.
Todas as suas tentativas recentes de apelação e tudo mais foram todas negadas. Ela vai ser elegível para pedir liberdade condicional em 2054, quando ela tiver 75 anos. Segundo o testemunho dos próprios pais dela, o plano é que no momento que ela conseguir sair da cadeia, ela vai morar com a sua mãe e sua tia. Inclusive, o pai dela reservou recursos financeiros para esse momento junto com o que ela ganhou no acordo judicial que ela moveu contra o Estado.
Ela tem o sonho declarado de ter uma pequena fazenda e criar galinhas. Então, nessa casa onde eles querem levar ela depois que ela seja solta é uma casa com quintal, com 3 quartos, com espaço para que ela faça isso. A irmã mais nova da Sarah, Jennifer, segue lutando pela liberdade da irmã. Em março de 2020, ela criou uma petição usando, né, aquela informação nova que eles tinham de que a carta realmente não tinha sido escrita por ela.
E ela pedia nessa petição uma audiência de clemência para o governador de Indiana. Inclusive, foi essa petição que ela escreveu que revelaram alguns detalhes a mais que as pessoas não sabiam sobre a vida da Sarah presa, né. Então ela tem o apelido de Sussurradora de Plantas, que as outras detentas deram esse apelido para ela porque ela tem muito, muito talento com a jardinagem. Ela também foi aceita em um programa de mestrado de uma universidade.
E de todas as pessoas que ajudaram a Sarah durante o período que ela fugiu, só a Jamie e o Scott foram presos. Todas as outras pessoas não foram. A Jamie foi sentenciada a 7 anos e o Scott a 8. Hoje ambos já cumpriram a pena e já estão em liberdade. O Richard, o namorado da Sarah, que disparou, né, e matou duas pessoas, segue preso até hoje. Ele tem 48 anos e já esgotou todos os seus recursos. Com a sua pena agregada de 90 anos, então somando todas as penas, ele só vai ser elegível para pedir liberdade condicional em 2063, quando ele tiver cerca de 86 anos.
O Ryan afirmou no documentário que por ele ter se envolvido tanto com a Sarah, com a fuga dela, acabou custando o seu casamento e o seu contato com seus filhos. Ele fala que ele não sabe hoje se de fato ter ajudado tanto Ela valeu a pena. Já o Larry, hoje aposentado, né, o promotor do caso segue como uma das vozes mais fortes que pedem por liberdade para Sarah, o que é muito doido, né? Porque como ele foi o promotor do caso, ainda.
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2002, no julgamento dela, ele chamou ela de a Charles Manson, só que mulher. E depois de encontrar aquela prova de que ela não escreveu a carta, ele mudou completamente a visão dele sobre ela. E hoje ele pede pela sua liberdade. O programa Exonerate continua ativo no caso da Sarah, mas como eu falei, até hoje eles não conseguiram nada que pudesse ajudar ela e ela segue presa. Esse é um caso que divide as pessoas. Tem as pessoas que ficam do lado da Sarah dizendo que não faz sentido ela ficar presa por tantos anos, já que ela tava muito vulnerável, que ela tinha sido abusada e ela faria qualquer coisa que o Richard pedisse e que hoje ela deveria estar solta.
E tem as pessoas que acreditam que mesmo ela não tendo disparado, ela ajudou a esconder os corpos, a limpar a casa, e ela permaneceu com o Richard depois dele ter cometido o crime. Então ela essa empresa. E eu quero saber a opinião de vocês, o que que vocês acham? Me conta aqui nos comentários. Não esquece do like, me ajuda muito na divulgação. Então é isso. Para mais casos, siga o podcast Quinta Misteriosa e aproveite para avaliar em 5 estrelas se você gostou. Obrigada por ouvir e até o próximo caso.