Episódios de Quinta Misteriosa

QUANDO A VÍTIMA VIROU RÉ | O Caso Brittany Smith #612

23 de julho de 202621min
0:00 / 21:28

Uma mulher tenta reconstruir a própria vida depois de perder os filhos. Um conhecido de infância pede abrigo por uma única noite. O que acontece dentro daquela casa, no interior do Alabama, vai transformá-la de vítima em ré — e colocar à prova até onde a lei está disposta a proteger uma mulher que se defende. #612

Participantes neste episódio5
B

Brittany Joyce Smith

Convidado
C

Chris Smith

Convidado
P

Paige Panther

Convidado
R

Ramona McCauley

Convidado
T

Todd Smith

Convidado
Assuntos6
  • Caso Brittany SmithHistória pessoal e dificuldades · Sequestro e Morte de Michael Hughes - Filho de Suzanne · Vício em metanfetamina · Perda da guarda dos filhos · Recuperação e busca pela custódia
  • Legítima Defesa e Lei Stand Your GroundLei Stand Your Ground · Adam Smith · Adam Smith · Todd Smith · Disparos fatais · Diferenças de gênero e raça na aplicação da lei
  • Ataque de Spencer Middleton· SociedadeAbuso e agressão · Todd Smith · Ameaças de morte
  • Julgamento e CondenaçãoAcusação de assassinato · Adam Smith · Inconsistências no relato · Falta de confirmação de abuso · Acordo de confissão · Incêndio criminoso
  • Falta Grave e Regressão PrisionalAdam Smith · Recaída no vício · Posse de celular não autorizado · Confraternização com outro recluso
  • Impacto do streamingBritney Spears · Desacreditação sistemática · Padrão de violência de Todd Smith · Repercussão pública
Transcrição4 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro

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BJBrittany Joyce Smith

Brittany Joyce Smith nasceu e cresceu no condado de Jackson, no interior do Alabama, na pequena cidade de Stevenson. Seus pais, Benjamin Smith e Ramona McCauley, se separaram quando ela era criança. Sua mãe ficou responsável por ela e pelo irmão Chris e sustentou a casa sozinha, trabalhando em longas jornadas. Segundo sua mãe, a Brittany era uma aluna exemplar. Inteligente demais para as palavras, como a Ramona dizia. Era a menina que seus professores notavam que tinha futuro.

Que sabia que queria sair daquela vida que Stevenson oferecia. A Brittany se casou aos 19 anos. A relação nunca teve estabilidade. Terminava, recomeçava, terminava de novo. Ao longo dos anos seguintes, ela e o marido tiveram 4 filhos. O trabalho era escasso, o dinheiro era pouco. Mas havia algo que ninguém podia questionar. A Brittany amava os filhos mais que tudo. Seus amigos, sua mãe, todos diziam a mesma coisa. Ela queria ser uma boa mãe.

Quebrar o ciclo que vinha em sua própria família. A vida, segundo relatos posteriores da própria família, era difícil, mas seguia ali dentro de uma rotina que era possível na vida da Britney. No dia 12 de março de 2012, nasceu o William, o filho mais novo da Britney. O bebê tinha síndrome de Potter, uma malformação genética rara e incompatível com a vida fora do útero. O William sobreviveu um total de 45 minutos. A perda transformou a Britney de forma que nenhum teste psicológico conseguiria medir.

Segundo relatos da família, foi depois da morte do William que ela entrou em depressão e começou a usar metanfetamina como forma de lidar com a dor. Porém, o vício avançou rápido e em poucos meses a Brittany perdeu a guarda dos filhos. Com medo das crianças irem para lares de pessoas desconhecidas, familiares próximos a ela requisitaram e conseguiram a guarda das crianças. Então agora a Brittany estava sozinha, sem ninguém. Esse período foi descrito por ela como fundo do poço.

Ela permaneceu afastada das crianças por anos, tentando sem sucesso encontrar uma rotina que a tirasse do ciclo do vício. O apoio da mãe e do irmão foi constante, mesmo nos piores momentos. A sua mãe Ramona e irmão Chris nunca viraram as costas para ela. 5 anos depois de perder a guarda dos filhos, em 2017, a Brittany afirmou estar sóbria. Ela arrumou emprego novo e viu ali uma chance de reconstruir a relação que ela tinha com os filhos, de mostrar que ela tava muito melhor.

A vida realmente estava mudando e ela sentia que logo ela ia conseguir ter a guarda de novo dos seus filhos. No ano seguinte, em janeiro de 2018, ela até passou em uma avaliação de bem-estar infantil, que é basicamente um documento que a justiça do Alabama exige que a mãe tenha caso ela tenha perdido a guarda dos filhos. Ela precisa desse documento para poder reaver a custódia. A Brittany sabia que essa era sua chance, era o seu momento de provar para os filhos, para sua família, para justiça que ela tinha mudado, que ela tava muito melhor e que ela podia cuidar dos filhos de novo.

Ela sabia que se ela falhasse de novo, ela não teria outra chance. Então, em um momento ali de querer agradar os filhos, de dar um presente para eles, ela comprou um cachorrinho. Era um presente pequeno, né, para os filhos depois desses anos sem a mãe, mas era uma forma de dizer, agora tá tudo bem, eu tô aqui, eu vou cuidar de vocês, Então ela procura um amigo da época de escola chamado Todd Smith. Então eles eram amigos na escola, eles mantiveram ali o contato conforme os anos foram passando.

E ela sabia que ele criava cães da raça pitbull. Então no início de janeiro daquele ano, a Brittany entra em contato com ele e compra um filhote de pitbull que ela daria para os filhos. O Todd Smith tinha 38 anos e ele vivia em Jasper, no Tennessee. E assim como a Brittany, ele também tinha um histórico ali, né, de envolvimento com drogas. Como muitas pessoas que vêm de cidades muito pequenas, né, nos Estados Unidos, ele sabia que Ali, de onde ele vinha, era um lugar muito difícil pra se conseguir oportunidades de crescer, de talvez sair dali.

Era um lugar muito fácil de ficar exatamente no mesmo lugar pra sempre. E ele sabia disso. Ele era muito próximo de um primo dele chamado Jeff, os dois viviam juntos. Eles exploravam a natureza juntos, bebiam, viviam a vida deles sempre juntos. E aí, o Toddy ficou muito marcado por alguns problemas que ele teve. Alguns com a lei, alguns com pessoas. E alguns com violência que ninguém consegue explicar completamente. Ainda em janeiro, dias depois de vender aquele filhote pra Brittany, ele liga pra ela pedindo ajuda.

Ele disse que tava preso em um parque na divisa entre o Tennessee e o Alabama. Ele precisava de carona, tava nevando, tava frio. Ele pediu pra Brittany ir até lá pra resgatá-lo. A Brittany não dirigia, ela não sabia dirigir. Então ela pede pro irmão dela ir com ela até o local pra buscar o Todd. E ele vai. Depois disso, ela concordou em deixar o Todd passar a noite na casa dela. Mas com uma condição muito clara de que ele teria que dormir no sofá.

E pela manhã, ele iria embora. Depois que o Chris foi com ela buscar o Todd, deixou os dois Na casa da Britney, ele vai embora. E aí, a Britney e o Todd começam a conversar sobre as suas vidas e o histórico de drogas que cada um tinha. Ela contou pro Todd que ela tava limpa há meses, que ela tinha conseguido um novo emprego, que ela tava ali tentando conseguir a custódia dos filhos, que tudo iria melhorar, que ela tava muito melhor.

Ela estava planejando o seu futuro, né, reconstruindo a sua vida. E ela conta que em certo momento, a forma como o Todd tava se portando, a postura dele muda. O Todd ataca a Britney. Joga ela na cama e estrangula ela até ela perder a consciência. Quando ela acorda, ela percebe que ela tava sendo abusada pelo Todd. E aí, ela disse que ele tava completamente fora de controle. E que ele dizia pra ela que se ela contasse pra alguém o que tinha acontecido ali, ele a mataria.

Em seguida, ela teve uma ideia muito arriscada. Ela sabia que o Todd tava sem cigarros, que ele queria cigarro. E aí, ela disse que ela poderia comprar esses cigarros pra ele. Que ela ligaria pra mãe dela pra buscá-la, ela compraria o cigarro e voltaria. E a mãe dela tava voltando do trabalho, então tava muito cansada. E pediu que o irmão, né... Da Britney fosse no lugar dela, o Chris. O plano da Britney era que a mãe fosse até lá, porque ela achava que a mãe dela ia perceber que tinha alguma coisa errada e iria agir.

Mas a mãe dela não percebeu, né, e pediu pro Chris ir no lugar dela. E não tinha nem como a Britney explicar pra ela por telefone, porque quem tava do lado do telefone era o Todd ali, ouvindo tudo. Então a Britney explica que ela queria ir até uma loja de conveniência, porque ela não tinha cigarro em casa, queria comprar cigarro pro Todd. Então o irmão dela Fala que tudo bem, que ele vai até lá. Quando ele chega, os dois entram no carro e eles vão juntos, os três, pra uma loja de conveniência.

A loja ficava em um posto de gasolina. E quando eles chegam, os dois ficam no carro e a Brittany desce pra comprar o cigarro. Dentro da loja de conveniência, ela se aproxima da atendente ali do caixa. E ela tava com sangue no queixo, um dedo quebrado e o pescoço ainda vermelho. Aí eu fiquei um pouco chocada que o irmão dela não percebeu nenhuma dessas coisas. Mas sei lá, às vezes ele tava distraído, né, não sei. Mas a atendente percebeu.

A atendente, chamada Paige Panther percebeu que tinha alguma coisa estranha e perguntou se a Brittany tava bem. A Brittany tava com muito medo que o Todd estivesse ali observando a conversa das duas. Então ela pega um pedaço de papel e escreve o nome dele. Ela escreve Todd Smith, entrega pra atendente e fala que se ela fosse encontrada morta, ele seria o assassino. Ela contou que ele tinha batido e abusado dela. E que se alguma coisa acontecesse, era pra Paige ligar pra mãe dela e não pra polícia.

Porque ela sabia que a polícia não protegia mulheres como ela. De volta na casa, o Todd sai do carro primeiro. E antes da Brittany sair, ela fala bem rápido muito rápido para o irmão dela, para ele voltar no posto e conversar com atendente. E aí ela sai do carro, ele sem entender nada, volta para o posto, conversa com a Paige, que conta tudo o que a Brittany tinha acabado de contar para ela. Nenhum deles pensou em avisar a polícia naquela noite.

Eles explicam que Stephenson era uma cidadezinha muito pequena, a polícia não era muito ágil, não faria nada naquele momento. Eles sabiam que se ligassem não ia resolver em nada. Então é bizarro, né, pensar isso, que nem foi uma possibilidade para eles chamar a polícia, sabendo que a polícia não faria nada naquele momento. Era Era assim que eles viam o local que eles moravam, era assim que eles viam Jackson County e também o Alabama.

Um lugar onde as mulheres que denunciam a violência descobrem que o sistema as culpa mais do que o próprio agressor. Depois que a Paige contou tudo para o Chris, ele volta até a casa da irmã agora carregando uma arma. Ele entra na casa e faz com que o Todd vá embora. O Todd se recusou e ele pulou no Chris e começa a enforcar o Chris. E aí A Brittany disse que é aquele tipo de enforcamento muito rápido, que você vê o rosto da pessoa ficando roxo, que você não sabe se a pessoa vai sobreviver ou não.

A Brittany, vendo aquela cena, imaginando que o seu irmão poderia morrer, ela ficou com muito medo e agiu rápido. Então ela pegou a arma que tinha caído no chão e disparou 3 vezes. Depois que o Todd caiu no chão, ela ligou pro 911. E é aí que ela comete um erro. Porque no momento que ela liga, ela não fala que foi ela quem atirou. Na ligação, ela contou o que tinha acontecido, mas ela disse que o irmão tinha atirado no Todd para protegê-la.

De alguma forma, ela tava tentando salvar o irmão dela, porém através de uma mentira, né, já que ela tinha atirado. O Todd foi levado para o hospital, mas ele não resistiu, ele morreu no hospital. E aí a polícia leva a Brittany e o seu irmão Chris para delegacia, e eles mantêm essa história de que o próprio Chris tinha atirado. Dessa forma, a polícia decide manter o Chris na delegacia, então ele fica preso. A Brittany volta para casa, mas assim que ela volta para casa dela, ela não consegue dormir, ela ficou tomada por culpa.

Então ela ela decide voltar para delegacia já ali no começo do dia seguinte, e ela admite que na verdade quem disparou foi ela e não seu irmão. Menos de 48 horas depois da morte do Todd, a Brittany foi presa, acusada de assassinato. E aí, primeiro ela passou 4 meses presa e depois mais 6 meses em uma instituição psiquiátrica. Mas uma coisa que eu preciso citar é que no momento que ela foi presa, foi feito um exame de corpo de delito nela.

A enfermeira forense Janine Sermon registrou mais de 30 lesões no corpo da Brittany: hematomas no pescoço, no peito, nos braços, nas pernas, várias manchas vermelhas no pescoço, aquelas manchas que aparecem quando as pessoas têm os vasos sanguíneos rompidos, manchas que são compatíveis com estrangulamento. Ela tinha marcas de mordida no pescoço, no queixo, e no total eram mais de 30 lesões. E tudo isso estava escrito e documentado, não tinha dúvidas de que ela tava toda machucada.

Mas a perícia não conseguiu confirmar de forma conclusiva que ela tinha sido abusada, algo que a própria perita descreveu que é comum em caso de violência sexual. Nem sempre é possível coletar o material genético preservado para provar que de fato o abuso aconteceu. Em janeiro de 2020, 2 anos depois da morte do Thor, o caso chegou à audiência que decidiria se a Brittany teria direito à imunidade prevista na lei conhecida como Stand Your Ground.

É uma lei em vigor no Alabama desde 2006 que permite o uso de força letal quando uma pessoa acredita de forma razoável estar em risco iminente de violência ou morte. Mas tem um detalhe importante sobre essa lei que ninguém menciona nos anúncios que vendem armas para mulheres como proteção: praticamente todo homem branco que a invoca consegue ganhar. Praticamente mulher consegue. Outro caso que aconteceu muito parecido é o da Marissa Alexander, na Flórida.

E esse caso ilustra perfeitamente essa disparidade. Em 2010, 9 dias depois de dar à luz, ela disparou um tiro de aviso contra seu marido abusivo durante uma agressão, e ninguém foi ferido. Ela já tinha um histórico documentado de abuso, uma ordem de proteção contra ele, e em qualquer parâmetro racional deveria ter o Stand Your Ground, né, essa lei que eu falei para vocês. Mas a corte discordou. Ela foi sentenciada a 20 anos de prisão.

A sua apelação foi bem-sucedida, mas o promotor a ameaçou com 60 anos em um novo julgamento. Ela finalmente aceitou uma negociação que a pôs em liberdade em 2015, após 3 anos presa. Hoje, ela é palestrante e ativista pela justiça criminal. A Marissa comparou o seu caso ao caso do George Zimmerman, que matou a Trayvon Martin e foi absolvido sob a mesma lei. Ninguém foi ferido no caso da Marissa, ela apenas deu um disparo de aviso.

E mesmo assim ela foi para prisão. Já o George Zimmerman matou uma pessoa e foi liberado. Ou seja, a diferença era muito clara ali: gênero e raça. Pesquisas nos Estados Unidos mostram que mulheres que alegam legítima defesa em casos de homicídio perdem seus processos com frequência muito maior que homens nas mesmas circunstâncias. Mulheres são vistas como agressoras, enquanto homens são vistos como heróis. A lei foi desenhada para eles.

E no Alabama especificamente, até janeiro de 2020, nunca uma mulher havia conseguido usar a lei Stand Your Ground em um caso de homicídio. A Brittany tava ser a primeira. Ao longo de 2 dias de depoimentos no tribunal do condado de Jackson, Scottsboro, a promotoria representada pelo promotor Jason Pierce questionou a credibilidade da Brittany. O Jason argumentou que ela não tinha direito à imunidade porque o Todd estava desarmado no momento dos disparos.

A defesa, conduzida pelo advogado Ron Smith, sustentou que a Brittany agiu para proteger a própria vida e a vida do irmão, que estava sendo asfixiado pelo Todd no momento em que ela disparou. Perícias apresentadas durante a audiência mostraram que o Todd era um potencial contribuinte de material genético encontrado em uma das amostras coletadas encontradas no corpo da Britney, embora os peritos não pudessem confirmar a correspondência com certeza.

Depois de mais de 3 semanas de deliberação, a juíza Jennifer Holt negou o pedido de imunidade em uma decisão de 19 páginas. Ela apontou inconsistências no relato da Britney desde a primeira ligação pro 911, quando o disparo havia sido atribuído ao seu irmão Chris. Ela mencionou que a Britney e o irmão limparam as próprias impressões digitais da arma antes da chegada da polícia, ainda que os dois tenham alegado depois que agiram seguindo orientações do próprio atendente do serviço de emergência.

Por conta da perícia não ter confirmado de forma conclusiva que a Britney foi abusada, a juíza usou essa ausência de confirmação pra argumentar que a Britney não tinha sido abusada. Lembrando que ela tinha 30 lesões compatíveis com estrangulamento e espancamento. Mas a questão do abuso ficou ali sem a certeza. E foi isso que a juíza usou. Porque segundo ela, não havia evidência suficiente. Porque no Alabama, em 2018, uma mulher precisava de mais do que o seu próprio corpo gritando pra ser acreditada.

Além disso, pra juíza, as contradições da Britney comprometiam a versão apresentada pela defesa. O medo que a Britney sentiu e o que ela fez por impulso se tornou evidência contra ela. Sem imunidade, ela passou a responder o processo por assassinato em primeiro grau, com risco de prisão perpétua. Então, para vocês entenderem, no começo era essa questão da imunidade, né, se ela iria receber imunidade ou não. Como ela não recebeu, ela teve essa negativa, aí ela iria para julgamento.

E além de ser indiciada por homicídio em primeiro grau, ela foi indiciada por mais um crime. Incêndio criminoso relacionado a um princípio de fogo em duas localidades de um trailer em Stevenson. A Brittany tava em liberdade condicional quando ela foi acusada. A nova acusação aumentava ainda mais o tempo de prisão que ela poderia ser condenada. Então agora, a Brittany enfrentava 25 anos de condenação por homicídio em primeiro grau, mais 15 anos por incêndio.

Ou seja, ao todo, se ela pegasse as duas condenações, 40 anos de prisão. O advogado dela, Ron Smith, disse que antes do julgamento começar, ele acreditava que eles tinham um bom caso nas mãos, porque eles tinham várias evidências. Das lesões do espancamento, tinham testemunhas, todo relatório que foi feito. E ele acreditava que ia dar certo. Porém, a Britney não queria deixar isso nas mãos do júri, porque ela sabia que muitas vezes o júri, assim como a justiça do Alabama, acabava favorecendo os homens.

Ela sabia que nem sempre as provas, né, as evidências são capazes de salvar as mulheres. Na véspera do julgamento, 2 anos em que ela aguardava ali o julgamento dela, 2 anos que ela não quis aceitar nenhum tipo de acordo, ela sempre insistia na própria inocência, insistia no júri, ela decide mudar de transição. Ela se declarou culpada pela morte do Todd e pelos incêndios, porque ela sabia que se declarando culpada ela receberia uma pena menor do que a pena que ela poderia receber caso ela fosse a júri.

Como eu falei para vocês, ela poderia pegar até 40 anos de prisão e ela decidiu aceitar esse acordo. Dessa forma, ela pegou 38 meses, 18 meses de prisão e 18 meses de prisão domiciliar, com crédito do tempo que ela já tinha cumprido até aquele momento. Então ela deixa a prisão em maio de 2021, agora entrando nos meses que ela precisava ficar prisão domiciliar. Mas a Britney violou a sua liberdade condicional pelo menos 3 vezes.

Em outubro de 2021, ela compareceu a um evento dos filhos dela sem autorização prévia, um evento que era importante para ela, já que ela nunca conseguiu recuperar completamente a guarda dos filhos. E aí, em março de 2022, no ano seguinte, ela acabou tendo uma recaída, né, com a metanfetamina. Então ela usou a urina de outra mulher como se fosse a dela. Tentando ali burlar, né, um exame antidrogas. E aí, em abril de 2023, ela foi expulsa de um programa de recuperação.

Os motivos listados foi que ela tinha posse de um celular não autorizado. E mais do que isso, ela tinha sido vista conversando e confraternizando com um homem do mesmo programa. E num sistema onde as mulheres são monitoradas muito mais do que os homens jamais serão, só isso, só o fato dela tá confraternizando com um homem já era suficiente para solução. Cada uma dessas violações dela, por mais que sejam violações, não sei, meio que me mostra que ela apenas queria recuperar ali uma parte da vida dela.

E cada vez que ela tentava, o sistema puxava ela para baixo de novo. Por conta das violações, a Brittany foi detida, isso por diversos períodos. E aí a sua condição da liberdade condicional foi retirada. Atualmente ela está encarcerada no Alabama, na mesma penitenciária que ela tá desde 2023, e ela será elegível para liberdade condicional em 1º de julho de 2036. A sua data mínima de cumprimento de pena é 10 de junho de 2041. Ela terá 46 anos quando ela poderá ficar livre de novo.

Os filhos dela estão atualmente vivendo com a mãe dela, com a Ramona, avó deles, que inclusive é a sua maior defensora. Ela sempre defendeu a filha de todas as coisas. E infelizmente, por conta de todas essas coisas, a Bruni nunca conseguiu a custódia completa dos filhos. Ela perdeu mais uma vez, não por causa do Todd, mas por conta do sistema. O caso ganhou repercussão nacional depois que ele teve cobertura de de jornalistas como a Ashley Remmick e veículos jurídicos como The Appeal.

Tudo isso ainda durante o processo da Britney. O caso volta ao debate público em novembro de 2022, quando se tornou tema de um documentário da Netflix chamado State of Alabama vs. Britney Spears. Esse documentário é brutal em sua precisão. Ele mostra como a Britney foi sistematicamente desacreditada, ele mostra como as mentiras que ela contou, que foram mentiras que qualquer pessoa assustada poderia ter contado, foram usadas contra ela.

E também mostra como o Jeff, o primo do que eu citei para vocês, que os dois cresceram juntos e eram muito, muito próximos. Ele fala que ele cresceu com o Todd como se ele fosse um irmão. Então no começo do documentário ele fala da Brittany como uma pessoa que ele odiava. Mas durante o julgamento, quando a legista falou, né, e leu ali o documento com todas as lesões que a Brittany sofreu, mas mais de 30 lesões, Jeff conta que ele mudou completamente a imagem que ele tinha dela e que ele tinha certeza que tinha sido legítima defesa.

Depois, inclusive, ele escreveu um pedido de desculpas para Brittany. A ex-esposa do Todd também participa e ela conta que ela sofreu coisas ela contou que ela tinha sido amarrada com fita adesiva pelo Todd e ficou assim por dias. A presença da ex-esposa do Todd no documentário mostra ali que ele tinha um padrão na forma como ele tratava as mulheres. Ele era um homem perigoso e que usava ali da sua força para abusar das mulheres.

Mesmo seu próprio primo, que via ele como irmão, que o amava, conseguia perceber ali que realmente a Brittany tinha sido uma vítima dele. Essa produção reacendeu a discussão sobre como leis nos Estados Unidos são vistas e aplicadas de forma diferente quando são para homens e quando são para mulheres. Estudos citados mostram que mulheres que alegam, né, a legítima defesa, tentando usar a lei, são 2 vezes mais propensas a serem condenadas do que homens nas mesmas circunstâncias.

A Brittany tava tentando ser a exceção, tava tentando ser a primeira mulher que conseguiria usar aquela lei. Mas o sistema se certificou de que ela não seria. Só pra vocês terem ideia, aquela atendente que testemunhou, né, o momento que a Brittany chegou e tava lá toda machucada, com sangue no queixo, dedo quebrado, lá no posto de gasolina. Ela testemunhou na audiência onde a Brittany tentava usar a lei Stand Your Ground. Ela também aparece no documentário da Netflix falando não só sobre o caso da Britney, mas sobre um caso mais próximo a ela, que era da mãe dela.

Ela disse que a sua mãe tinha um histórico com homens violentos e que ela sempre acabava presa. A Paige disse que cresceu vendo o sistema falhar com a mãe dela. E aí ela viu a Britney, uma mulher que tinha provas, que tinha testemunhas, que tinha um corpo documentando toda a violência que ela tinha passado, acabar sendo condenada por legítima defesa. Então é muito bizarro assim para mim um caso tão recente como esse, onde mesmo que eles não tenham conseguido ali provar no exame 100% o abuso e todas as outras provas e todos os machucados, gente, no corpo dela, dedo quebrado, mais de 30 lesões pelo corpo, o irmão dela que viu e testemunhou.

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BJBrittany Joyce Smith

Wayfair, every style, every home. Né, ali aquele homem agressivo que não queria sair da casa da irmã dela e mesmo assim ela não conseguiu usar a lei e ela foi está presa né até hoje e foi condenada por ter ter simplesmente agido em legítima defesa, sendo que ela não era uma mulher agressiva de forma alguma, ela nem tinha arma, né? Enquanto eles tinham ali várias evidências de que o Todd na verdade era uma pessoa super agressiva e que ela não tinha sido a primeira mulher com quem ele tinha sido agressivo.

E mesmo assim a justiça falhou com ela. Então quis trazer esse caso para vocês para realmente ter essa discussão sobre como Como tem leis que simplesmente não ajudam as mulheres, gente. Simplesmente, até hoje, 2026, a gente passa por essas coisas. Então é muito absurdo. Quero muito saber a opinião de vocês. Então me conta aqui nos comentários. E não esquece do like, que ele me ajuda muito na divulgação do vídeo. E é isso. Pra mais casos, siga o podcast Quinta Misteriosa.

E aproveita e avalia em 5 estrelas se você gostou. Obrigada por ouvir e até o próximo caso.

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