O CASO QUE INSPIROU O FILME PÂNICO | DANNY ROLLING #577
Em agosto de 1990, cinco jovens foram assassinados em seus apartamentos em Gainesville, Flórida, em quatro dias. O caso chocou os Estados Unidos e inspirou o filme Pânico, um dos maiores clássicos do cinema de terror. Mas a história real é muito mais sombria do que qualquer roteiro. #577
- Assassinatos em GainesvilleCinco estudantes mortos em quatro dias · Agosto de 1990 · Apartamentos em Gainesville, Flórida · Padrão de crimes · Pânico na universidade · Pánico na cidade
- Investigacao Forense e ProvasPrisão por roubo a supermercado · Identidade falsa Michael Kennedy · Comparação com caso anterior · Análise de sangue tipo B · Confissão de Cindy · Fita cassete reveladora
- Histórico criminal figuras notáveisNascimento em 1954 em Shreveport, Louisiana · Pai violento e controlador James Harold Rolling · Abuso infantil sistemático · Tentativa de suicídio da mãe · Escoteiro, jogador de futebol · Enlistamento na força aérea · Fascínio por facas e voyeurismo
- Tragedias e ImpactosSonja Jane Larsson · Cristina Powell · Christa Hoyt · Manuel Tabolda · Tracy Paules
- Modus operandi nos crimes de GainesvilleInvasão de apartamentos com chave de fenda · Uso de pistola e faca K-Bar · Fita adesiva para amordaçar vítimas · Abuso sexual das vítimas · Posicionamento deliberado de corpos · Limpeza com vinagre · Acampamento em área de mata próxima
- O Papel da Fé e EspiritualidadeConfissão de culpa em fevereiro de 1994 · Cinco homicídios e crimes sexuais · Testemunho sobre abuso paternal · Transtorno de personalidade severo · Argumento de insanidade mental · Rejeição da defesa pelo júri · Condenação à morte
- Relacionamentos FamiliaresViolência escalada em maio de 1990 · Pai disparando arma contra Danny · Danny acertando pai na cabeça e barriga · Pai perdendo um olho e ouvido · Mandado de prisão aberto · Fuga para Flórida · Identidade falsa Michael Kennedy
- Prisão injusta de Edward HumphreySuspeita inicial equivocada · Comportamento estranho na cidade · Transtorno bipolar sem medicação · Tipo sanguíneo diferente do assassino · 14 meses de prisão injusta · Impacto na reputação · Morte da avó por estresse
- Inspiração para o filme PânicoKevin Williamson inspirado pelos crimes · Março de 1994 durante julgamento · Roteiro Scream escrito em três dias · Medo visceral de estar sozinho em casa · Temática de janelas abertas · Assassino com máscara · Paródia de filmes de terror clássicos
- Segurança OperacionalSérie de roubos a mão armada · Abusos de mulheres · Assassinato da família Grissom em 1989 · Julie Grissom como primeira vítima conhecida · Padrão de posicionamento de corpos
- Produção e sucesso de PânicoVenda do roteiro por 400 mil dólares · Mera Max Films e Dimension Films · Mudança de título para Scream · Lançamento em dezembro de 1996 · Elenco com Drew Barrymore e Neve Campbell · 173 milhões em bilheteria mundial · Ressurreição do gênero slasher
- Execução de Danny RollingAnos no corredor da morte · Escritas de músicas e ilustrações · Noivado com jornalista Sandra London · Livro Making of a Serial Killer · Execução em outubro de 2006 · Ingestão letal · Última mensagem cantada
- Inadimplência e EndividamentoMemorial na Universidade da Flórida · Bolsas de estudo em nome das vítimas · Painel com nomes das vítimas em Gainesville · Quase um quilômetro de extensão · Flores deixadas no local · Memória coletiva da cidade · Recuperação das famílias
- Franquia PânicoSete filmes totais na série · Diretos por Wes Craven · Prêmios de cinema de horror · Melhor filme e roteiro · Uma das séries mais duradouras · Impacto na cultura popular
Sonja Jane Larson nasceu em 1º de janeiro de 1972, em Darefield Beach, no sul da Flórida. Filha de James e Ada Larson, ela era caçula de seis irmãos. Sonja cresceu uma menina reservada, mas luminosa. Desde cedo tinha uma vocação clara, ela amava crianças. Todos os verões do ensino médio, ela trabalhou na creche da primeira igreja batista de Pompano Beach, e quem a conhecia de lá dizia que as crianças a seguiam por onde ela andava.
No Eli High School em Pompano Beach, ela foi aluna do programa de excelência em ciências, integrante da Sociedade Nacional de Honra,
e gerente das equipes femininas de basquete e vôlei. Ela queria se formar em educação infantil e abrir uma creche. Em 1990, ela concluiu o ensino médio e conseguiu uma vaga na Universidade da Flórida, em Gainesville. A sua mãe tinha reservas sobre a filha morar fora do campus, ela preferia vê-la nos dormitórios da universidade, mas todas as vagas estavam preenchidas e a Sondia foi parar em uma lista de espera. A solução foi buscar um apartamento fora do campus com uma colega.
Durante o verão, antes do início das aulas, a Sondia conheceu a Christina Powell, uma jovem de 17 anos de Jacksonville,
As duas se identificaram rapidamente e decidiram ser colegas de quarto. Juntas encontraram um apartamento no complexo Williamsburg Village, a poucos quarteirões do campus. Filha de Patricia Powell, ela estudou no Epscopal High School, onde ela se formou em 1990, e ela era editora do anuário escolar e participava da revista literária da escola e integrava um grupo de jovens na igreja. Os professores a descreviam como equilibrada e estudiosa, com interesse em teologia.
Os amigos tinham outra versão, diziam que ela era fã de rap, palhaça do time de softball, daquelas que animam qualquer ambiente.
O seu sonho era ser arquiteta, mas não qualquer arquiteta, mas alguém que projetasse casas para famílias de baixa renda. Quando ela decidiu cursar a Universidade da Flórida, ela colou um adesivo da universidade no carro dela e começou a usar camisetas da universidade semanas antes de se mudar. Ela carregou suas malas no velho chevette preto que ela tinha e foi para Gainesville. O apartamento das duas não tinha telefone instalado.
Nos primeiros dias, nenhuma das famílias conseguiu entrar em contato com elas e eles começaram a ficar preocupados. Como a família da Christina morava mais perto, eles foram pessoalmente verificar se ela estava bem após três dias sem contato.
5.26 de agosto de 1990, os pais dela chegam no apartamento e batem na porta. Mas ninguém respondeu. Preocupados, eles procuram a Betty Kernad, a gerente do condomínio, que disse que só poderia abrir o apartamento com a presença da polícia. Eles ligam pro 911 e quando o agente chega, o zelador arromba a porta do apartamento. A gerente do condomínio entra no apartamento logo atrás dele. Os pais da Cristina ficam do lado de fora.
A gerente viu uma jovem em uma posição na cama que fez ela sair do apartamento imediatamente. O zelador também saiu correndo aos berros. E do lado de fora,
ele vomitou. Os corpos de Sonja e Cristina foram encontrados dentro do apartamento. As duas foram mortas afacadas e as cenas de crime apresentavam elementos perturbadores. Resíduos de fita adesiva nas vítimas, a entrada foi forçada no apartamento, tinham várias marcas de kiwi, foi utilizada uma chave de fenda para conseguir entrar e também tinham indícios de que as jovens foram posicionadas daquela forma após a morte. A polícia de Gainesville foi acionada e o chefe de polícia, Waylon Clifton, chegou na cena. Ao sair da cena, sua maior preocupação, o que ele revelaria anos mais tarde,
era de que o assassino voltasse a agir. Ele sentiu que isso poderia acontecer. Esse pressentimento estava certo porque em menos de 24 horas, outra pessoa foi morta. Christa Lay Hoyt tinha 18 anos e trabalhava como atendente do gabinete do xerife do condado de Alachua, enquanto cursava química na Santa Fe Community College, com a intenção de se transferir para a Universidade da Flórida. Quem a conhecia dizia que ela era perfeccionista e determinada a se tornar cientista. Parte dos seus estudos era financiado por uma bolsa da Burger King.
no gabinete do xerife, descreveu a Christa como uma jovem que significava muito pra todos ao seu redor. Na noite do dia 26 de agosto de 1990, ela não apareceu pro seu turno de trabalho. No dia seguinte, agente Gayle e outro policial foram enviados ao seu apartamento. O que encontraram foi ainda mais brutal do que na noite anterior. Christa havia sido abusada, esfaqueada e o golpe fatal perfurou seu coração pelas costas. Ela também havia sido decapitada.
Seu corpo estava posicionado na cama, inclinado pra frente. Sua cabeça tinha sido colocada em uma prateleira, voltada em direção ao corpo.
anos depois que não queria que aquela cena fosse a memória que carregaria de Christa para o resto da vida. A cidade de Gainesville entrou em colapso. A notícia de três estudantes mortas em menos de dois dias se espalhou pela cidade como fogo. Estudantes que tinham acabado de chegar para o início do semestre letivo ligavam para os pais em pânico. Alguns foram retirados pelos familiares imediatamente. Outros dormiam com bastões de beisebol ao lado da cama.
O governador da Flórida, Bob Martínez, ordenou o envio de agentes estaduais para reforçar a segurança no campus. A polícia de Gainesville, sem precedente para lidar com um evento desse tamanho,
sob pressão máxima. A Sadie Darnall, então porta-voz da polícia de Gainesville, era responsável por comunicar às famílias das vítimas o que estava acontecendo. Décadas depois, ela descreveu aqueles dias como algo completamente inesperado para uma cidade e um departamento de polícia tão pequeno, sem preparo, sem experiência anterior para enfrentar algo assim. Dois dias depois da terceira vítima da Christa, no dia 28 de agosto de 1990, uma nova tragédia se abateu sobre a cidade.
O Manuel Ricardo Tabolda tinha 23 anos e era de Carroll City, Miami, e todos os chamavam de Manny.
American Senior High School em 1984 e foi guarda ofensivo no time de futebol americano, membro da Sociedade Nacional de Honra, e até ganhou o papel principal no musical Greasy encenado pela escola. O sonho do Manny era ser arquiteto. Quando seu pai morreu ainda durante a adolescência, o Manny precisou trabalhar pra ajudar a família e a faculdade ficou pra depois. Ele passou anos juntando forças, primeiro no Miami-Dade Community College, depois na Santa Fe Community College, no Gainesville.
Naquele semestre de agosto de 1990, ele havia finalmente sido aceito no programa de arquitetura da Universidade
da Flórida. Pra se sustentar, ele trabalhava à noite como barman no próprio condomínio Gatorwood, onde ele morava. Ele era o tipo de pessoa que animava qualquer ambiente, sempre o primeiro a propor uma saída, uma festa, uma bebida. Quem eu conhecia dizia que ele tinha uma energia que não parava. A Tracy Inês Paulis tinha 23 anos e era de Palm Springs North, na Grande Miami. Filha de Ricky e George Paulis, ela cresceu numa família sem muito dinheiro.
O pai trabalhava na construção civil. A Tracy se formou com honras na American Senior High School em 1984, na mesma escola do Manny.
do baile. Os dois eram amigos desde o ensino médio, mas nunca foram namorados. Depois desse formato, a Tracy trabalhou dois anos num escritório da advocacia em Miami, morando com os pais e juntando dinheiro pra pagar a faculdade. Quando ela finalmente entrou na Universidade da Flórida, ela não parou mais. Ela estava no último ano de ciência política e havia sido eleita a presidente da fraternidade pré-jurídica Phi Alpha Delta.
Ela planejava cursar a faculdade de direito. No último fim de semana, antes de voltar pra Gainesville, ela foi fazer rafting em corredeiras no Tennessee com a irmã mais velha, Lori. Na despedida das duas, já com o carro na rua, a Tracy
deu ré, saiu do veículo e voltou pra dar mais um abraço na irmã. Quando a Tracy e o Manny decidiram dividir um apartamento em Gator Woods, os pais dela ficaram super aliviados. Isso porque o Manny media quase 1,90m e pesava mais de 90kg. Era um ex-atleta, um homem forte. Então, com ele por perto, eles acharam que a filha estaria segura. Os dois amigos moravam a menos de 2km das vítimas anteriores. O Chris Pascarella era amigo do Manny e tava tentando entrar em contato com ele durante todo o domingo, mas não conseguia. Ele ficou preocupado porque ele ligava e o amigo não atendia,
gerente do apartamento que o Manny morava e pediu pra que ele checasse pra ver se tava tudo bem. Então, o gerente acionou o Tommy Carroll, um amigo do Manny, pra que ele fosse lá checar. O Tommy morava na área e chegou em Gatorwood na terça-feira de manhã. Então, lembrando que o outro amigo do Manny tava desde domingo tentando falar com ele. Com a ajuda do gerente, o Tommy consegue entrar no apartamento por volta das sete da manhã e a cena que eles encontraram foi horrível.
Imediatamente eles ligaram pra polícia. Quando os policiais chegaram, eles perceberam que claramente tinha acontecido uma luta no local,
Como eu falei, o Manny era grande, então ele provavelmente reagiu ao invasor. A Tracy foi encontrada no corredor entre os quartos e, assim como as outras vítimas, eles encontraram resíduos de fita adesiva nos seus pulsos e na sua boca. Ela havia sido abusada e seu corpo foi encontrado numa posição muito similar às outras vítimas e ela tinha sabão no corpo. Então, obviamente, o assino tinha um padrão e foram cinco mortes em quatro dias.
A polícia estava em pânico. Nesse ponto, eles decidem formar uma força-tarefa e mais de 700 estudantes pediram transferência
E aí
que era calouro. Wilder tinha acabado de se matricular na Universidade da Flórida naquele agosto de 1990. Ele havia crescido em Indialantic, uma pequena cidade no litoral central da Flórida, onde a família materna morava. Antes de chegar lá, ele foi escoteiro, atingiu o nível Eagle Scout, o mais alto da hierarquia do escotismo americano. Jogou futebol americano no Melbourne High School e surfava com os amigos nas ondas de Indialantic, tirava boas notas também.
O colapso começou ainda no ensino médio, quando seu avô morreu. Depois, os pais se divorciaram em um processo amargo,
de Edward se partiu. Vieram as oscilações de humor, agressividade repentina, dois acidentes de carro que os amigos suspeitavam não ter sido acidentes. Esses acidentes deixaram cicatrizes profundas no rosto e uma haste metálica na perna dele. O Edward foi hospitalizado pelo menos seis vezes. O diagnóstico era transtorno bipolar e depressão maníaca. Os médicos prescreveram lítio, mas o Edward não tomava medicação com regularidade.
Quando ele chegou a Gainesville, ele já não estava bem. Nas semanas anteriores aos crimes, moradores da região sul da cidade relataram ter visto um jovem de rosto marcado,
perambulando pelas ruas em trajes de camuflagem militar e com facas presas às pernas. O Edward tinha um fascínio por facas e uma fantasia recorrente de ser soldado, apesar de ele ter apenas quatro anos quando a guerra do Viettina terminou. Os registros de investigação estão cheios de ocorrências sobre o seu comportamento. Ele chegou a ser despejado do condomínio Gatorwood, o mesmo que a Tracy e o Manny moravam semanas antes do crime acontecer.
Na madrugada do dia 30 de agosto de 1990, dois dias após os últimos corpos terem sido descobertos, o Ed é preso.
em vigilância por conta de tudo isso, então eles seguiram ele por 180 quilômetros até Andialantic. Chegando lá, ele foi até a casa da sua avó, Edna Havlatic, de 79 anos, e a agrediu. Na audiência, a avó estava presente com o rosto machucado e ela tentou retirar a denúncia, mas a polícia não deixou. Inicialmente, a fiança do Ed foi fixada em 10 mil dólares, mas aí, naquela madrugada que ele foi preso, investigadores da Força-Tarefa de Gainesville foram até lá pra interrogar o Ed, e aí a sua fiança aumentou pra um milhão. O promotor reconheceu que aquela fiança era muito alta
acusação de agressão. E ele admitiu que Guinnessville era um fator pra isso, então na audiência o Ed aparece sendo carregado por dois policiais, algemado, desorientado. Ele tava sem medicação, então ele olha pros fotógrafos, faz uma careta e essa imagem iria correr por todo o estado. A força-tarefa decidiu vasculhar o apartamento do Ed e a casa da avó dele. Eles encontraram uma faca escondida dentro de uma caixinha de leite e luvas manchadas de sangue.
A imprensa recebeu essas informações e eles vazaram, publicaram tudo e o irmão do Ed disse que não conseguia reconhecer
essa pessoa que tava sendo retratada. O irmão disse que a imagem que Gainesville criou do Ed era de um monstro. E que seu irmão estava preso por conta dessa imagem e não por algo que ele havia feito. Enquanto o Ed tava preso, os laboratórios trabalhavam, porque nas cenas do crime eles conseguiram coletar algumas amostras de sangue. Então, a partir disso, eles descobriram que o sangue do invasor, né, do assassino, era tipo B. O sangue do Ed Humphrey era A.
Então, não tinha como ser ele. A Força-Tarefa foi obrigada a recalcular tudo isso
Em novembro de 1991, um grande júri decidiu que não havia causa provável para condenar o Ed pelos crimes que aconteceram em Gainesville. Dois dias antes dessa decisão, a avó do Ed morreu em sua casa por um ataque cardíaco. Ela tinha 80 anos e a família disse que ela entrou em surto depois de uma conversa que ela teve com um parente sobre dar uma entrevista para algum jornal. A família dela disse que ela era a sexta vítima dos crimes de Gainesville.
Condenação por agressão. Uma ficha criminal. 14 meses da sua vida perdidos. E um rosto que era conhecido por toda a Flórida. Como eu falei pra vocês, o rosto dele foi estampado nos jornais. E as pessoas falavam que ele era o culpado pelos crimes de Gainesville antes que houvessem provas disso, né? Então, ele ficou muito conhecido por isso. Quando, na verdade, ele não tinha nada a ver com os crimes que aconteceram lá. Então, agora que eu contei toda a história pra vocês do Ed, né? Que foi preso, que foi solto 14 meses depois e tudo mais.
no ar falando sobre a investigação quando encontraram os corpos do Manny e da Tracy. No dia 7 de setembro de 1990, dez dias depois de ter encontrado os corpos, a polícia faz uma prisão. Um homem é preso depois de um roubo em um supermercado Winn-Dixie. O suspeito tinha tentado fugir, mas aí ele bateu o carro durante a fuga e foi capturado. Seu nome era Daniel Harold Rowling, tinha 36 anos e era natural de Shreveport, Louisiana, e carregava consigo uma mochila com ferramentas.
onde aguardaria julgamento por esse roubo do supermercado. Mas pra gente entender como ele chegou até esse ponto, eu preciso voltar ao começo e falar sobre a vida dele. Daniel Harold Rowling nasceu em 26 de maio de 1954, em Shreveport, Louisiana. Ele era o primeiro filho de Claudia Beatriz e James Harold Rowling, que era veterano da Guerra da Coreia. Seu pai serviu na Marinha Americana e se tornou tenente da polícia de Shreveport.
Sua mãe, Claudia, tinha apenas 19 anos quando se casou com ele. Ela ficou grávida duas semanas depois do casamento. E isso, segundo relatos posteriores,
irritou profundamente o James, que não queria ter filhos. Desde muito cedo, ele demonstrou ser um homem controlador e violento. Espancava a esposa por razões fúteis, como, por exemplo, o simples modo como ela respirava podia desencadear sua fúria. Ele dizia ao filho Danny que ele era um erro, que tinha nascido indesejado. Em uma ocasião, James empurrou o próprio filho contra o chão, o algemou e chamou os colegas da polícia para levarem ele embora.
Tudo porque Danny havia envergonhado o pai de alguma forma. Um primo do Danny chamado Charles Trousier disse que o pai dele o espancava sem piedade, que era como um interruptor
que se acendia e se apagava sem aviso. Uma vizinha chamada Bernardine Holder afirmou que o James mantinha um caderno preto com os nomes das pessoas que o contrariavam no trabalho e que ele fazia ligações anônimas para perturbá-las. Quando Danny tinha cerca de oito anos, a mãe tentou tirar a própria vida. Gloria foi hospitalizada. Danny e Kevin ficaram temporariamente na casa dos avós maternos e quando a Gloria melhorou, acabou retornando para o marido.
Gloria tentou deixar o marido várias vezes ao longo dos anos, mas sempre voltava. Danny e seu irmão mais novo, Kevin, cresceram proibidos de comemorar aniversários ou datas festivas.
O abuso recomeçou. Gloria admitiria em tribunal que o filho sofria agressões físicas ao menos uma ou duas vezes por semana. Ela tentou buscar ajuda psicológica pra Danny várias vezes, mas o James sempre bloqueou tudo isso porque ele não acreditava que havia algo de errado com o seu filho. Danny encontrou refúgio na guitarra, um presente de Natal que recebeu aos 15 anos, que segundo ele próprio, foi uma das melhores memórias da sua adolescência. Ele tocava e escrevia canções como forma de escapar
da realidade que ele tinha em casa. Só que esse escape não era suficiente. Ainda adolescente, ele foi flagrado espiando mulheres enquanto se trocavam. Comportamento que se tornaria um padrão ao longo da sua vida. O pai o espancou quando descobriu o que ele tinha feito e Danny prometeu parar, mas ele nunca parou. Depois do ensino médio, ele ingressou na Força Aérea Americana e foi expulso em 1972 após ser preso por posse de drogas.
Ele volta para Shreveport, se instala na casa do avô e por um breve período encontrou alguma estabilidade por meio da igreja. Em setembro de 1975, ele conheceu a Omata Halco,
em uma congregação pentecostal. Eles se casaram logo depois e tiveram uma filha chamada Kylie Danielle Rowling. Mas aí o Danny começou a replicar o padrão de violência que ele conhecia, o que ele tinha vivido a vida inteira, e começou a fazer a mesma coisa que seu pai fazia. A Omata decidiu pedir divórcio dele dois anos depois. Na noite em que ele recebeu os papéis do divórcio, ele ficou furioso e abusou de uma mulher que se parecia com a Omata, e a partir dali ele entra em um espiral de crimes.
A mão armada pelo sul dos Estados Unidos. Ele passou por Mississippi, Alabama, Georgia. E aí ele era preso. E quando ele era solto, ele voltava a roubar. Ele passava os intervalos dessas detenções viajando pelo país. E aí ele roubava. Às vezes ele se jogava pra cima de mulheres. Mas foi na década de 80 que esse comportamento do Danny começou a escalar. Então ele começou a observar mulheres pela janela das suas casas, apartamentos. E ele ficava observando a rotina que elas tinham.
um restaurante em Shreveport e aí ele foi demitido. Naquela mesma noite, ele decidiu invadir a casa da família Grissom. Na casa, o William Tom Grissom, de 55 anos, sua filha Julie, de 24 anos, e o neto do Tom, chamado Sean, de apenas 8 anos, estavam lá se preparando para o jantar. O Danny invadiu a casa e assinou os três. O corpo da Julie foi mutilado, lavado e depois colocado em uma posição deliberada. O mesmo modo operante que apareceria depois em Gainesville com os estudantes. Esse crime ficou sem solução por mais de um ano. O Danny ainda frequentava
igreja em Shreveport e foi lá que ele conheceu a Cindy. E o marido dela, Steven Dobbin, por um período de tempo, o Danny aparecia na casa deles quase todas as noites. Até que um dia o Steven decidiu expulsar o Danny de lá e quando a Cindy perguntou porquê, ele disse que era porque o Danny tinha confessado pra ele que ele gostava de enfiar facas nas pessoas. A Cindy não quis acreditar que aquilo era verdade e guardou isso pra si.
Em maio de 1990, o Danny teve um confronto muito violento que escalou muito rápido com seu pai James.
O James começou a correr atrás do Danny com uma arma disparando contra o filho. E o Danny disparou de volta, acertando o pai na cabeça e na barriga. O James sobreviveu, mas perdeu permanentemente um olho e um ouvido. Agora tinha um mandado de prisão aberto contra o Danny, que quase assustou o pai. E sabendo disso, ele decidiu assumir uma nova identidade, um novo nome. Ele passou a usar o nome Michael Kennedy Jr. e fugiu pra Flórida até que ele foi preso no roubo do supermercado.
Ed, que tava preso, e as evidências apontavam pra uma direção oposta, né, então eles não sabiam quem poderia ser. Foi então que o investigador Don Mainz, do Departamento de Aplicação da Lei da Flórida, decidiu viajar pra Shreveport em 1990 pra analisar o caso do Grison, o caso daquela família que havia sido assassinada quando se preparava pra jantar. Ele começou a perceber que as similaridades com os casos de Gainesville eram muito grandes pra serem ignoradas.
O posicionamento dos corpos, o uso de fita adesiva, o assassino também usava vinagre pra limpar o corpo das vítimas,
tinha acontecido nesses casos. Então, o investigador Don decidiu pedir a tipagem sanguínea do assassino do caso Grinson. O resultado foi tipo B, o mesmo tipo do assassino de Gainesville. Ele chamou aquela confirmação de revelação, pra ele tudo tava se encaixando, e nesse ponto a Cindy tinha ouvido todos os casos que estavam acontecendo em Gainesville, como todos aqueles estudantes haviam sido mortos, e ela não aguentou mais guardar aquele segredo. Em novembro de 1990, ela liga pro Crime Stoppers
nome, Dennis Rowling. E aí, nesse ponto que ela faz, essa ligação, que ela decide falar que eles vão conseguir conectar tudo. Então, assim, por isso que muitas vezes em casos solucionados eu falo pra vocês, basta uma pessoa. Uma pessoa que tem uma poga atrás da orelha sobre alguém, que ouviu alguma coisa, basta uma pessoa falar pra que o assassino seja pego. Os investigadores conseguiram localizar o Danny rapidamente, porque ele tava preso em Ocala.
Além da denúncia da Cindy e o tipo sanguíneo ser o mesmo, né, do assassino que eles estavam procurando, eles descobriram que
o Danny já tinha sido preso várias vezes por roubo. E no mesmo dia que o corpo da Crystal, uma das vítimas, foi encontrado, também tinha acontecido um roubo à mão armada em um banco em Gainesville. Então, eles começaram a conectar os pontos. Parecia que as coisas estavam começando a se encaixar. Na madrugada do dia 28 de agosto de 1990, era o primeiro dia que a polícia estava começando aquela vigilância no Ed Humphrey. Um policial vê dois homens entrando em uma área de mata em Archer Road. Um desses homens era o Danny e o outro era Tom Henze,
de drogas que o Danny tinha conhecido recentemente. Quando os policiais anunciaram a presença deles ali, o Tony parou, né, porque os policiais pediram, e o Danny fugiu. Ele entrou mata dentro, um dos policiais começou a persegui-lo, mas não conseguiu alcançá-lo. Os policiais conseguiram chegar até uma tenda que o Danny tinha montado, e lá eles encontraram uma bolsa com dinheiro manchado de tinta vermelha. Era o dinheiro que tinha sido roubado do banco um dia antes.
Aquilo já era suficiente pra identificar quem era o ladrão, e aí a polícia recolheu tudo. A tenda tinha uma pistola, o dinheiro, uma máscara,
um gravador com a fita dentro, roupas, joias, e até uma chave de fenda foi encontrada lá. Então, eles pegaram tudo e levaram para a polícia. E aí, vem um detalhe muito absurdo que muda tudo, porque eles recolhem tudo isso, colocam como evidências, né, na polícia, e tinha um gravador com uma fita dentro que ninguém ouviu por meses. Só em janeiro de 91, quando o investigador Legrand Hewitt foi designado para olhar para o caso com um novo olhar, né, que ele viu essa prova lá o tempo todo.
um homem se identificando com o seu nome e cantando sobre ser um assassino e sobre uma coisa que ele precisava fazer. Naquele momento em que o Danny fugiu pra mata e a polícia encontrou tudo isso, eles não sabiam que ele era o autor dos crimes de Gainesville. Eles não tinham ideia. E tinha essa fita lá que revelava tudo e que não foi ouvida por muito tempo. A polícia estava a metros dele, mas não faziam ideia de que ele era o autor dos crimes de Gainesville.
E eles tinham a prova disso ali, naquela fita que ficou guardada por quatro meses.
Feitas na cadeia. O Danny acabou perdendo um dente. A gase ensanguentada foi levada por um policial. Que apareceu lá para coletar algumas amostras do Danny. Então ele recolheu essa gase. E também coletou amostras de sangue, cabelo e saliva. Com essas amostras de DNA do Danny. E com as amostras encontradas e recolhidas em todas as cenas do crime. Agora eles tinham a prova. Em 31 de maio de 91. A força-tarefa o declarou oficialmente suspeito principal do caso. Em novembro daquele ano. Ele foi indiciado pelos cinco assassinatos.
No início do julgamento, o Danny pediu uma reunião com o seu defensor público, Say Richard Parker, e ele disse que ele queria se declarar culpado. Só que o Danny já tinha contado tudo isso antes. Na cadeia, ele tinha se aproximado de um homem chamado Robert Lewis, que chamavam ele de Bobby, um condenado por assassinato que, em 1978, havia sido o único preso a escapar do corredor da morte na Flórida. O Danny confessou os crimes para o Bobby em detalhes.
E o Bobby, vendo uma oportunidade, negociou com o Estado em troca do testemunho contra o Danny. Então, ele foi transferido para uma prisão em Minnesota.
Mesmo assim, o defensor público tentou dissuadí-lo. Havia elementos suficientes para defender o matenuante. Uma confissão tornaria a pena de morte quase certa e, dessa forma, ia inviabilizaria qualquer recurso futuro sobre a sua condenação. Mas o Danny estava irredutível. Havia outro motivo, além de remorso. Ele não queria que as fotos das cenas do crime fossem exibidas publicamente. O julgamento estava marcado para 15 de fevereiro de 1994.
As famílias das vítimas viajaram até a Gainesville. A mãe de uma das vítimas, a mãe da sondia, disse que precisava saber exatamente o que sua filha tinha passado.
Já a Diana Hoyt entrou no tribunal com seu marido Gary, de mãos dadas. A Lori, que era irmã da Tracy, disse que se sentiu paralisada na cadeira quando o Danny entrou dentro da sala. Ninguém esperava que aquele dia terminasse rápido. O júri ainda estava sendo selecionado quando o Danny se levantou e se declarou culpado em todas as acusações. Cinco homicídios, três crimes sexuais e três invasões à mão armada. O silêncio na sala foi imediato.
Ao juiz Stan Morris, ele disse em voz baixa que havia passado a vida inteira fugindo.
Mas que havia coisas das quais ele não podia fugir. Do lado de fora, a imprensa correu para os telefones. Com a confissão de culpa, o júri não precisava mais decidir sobre a condenação, apenas sobre a pena. E foi na fase da sentença que o Rod Smith, promotor do caso, apresentou ao tribunal o que havia acontecido de verdade naqueles quatro dias de agosto de 1990. O promotor não poupou nenhum detalhe. Ele descreveu como o Danny havia entrado nos apartamentos, como havia agido sobre cada vítima e a sequência dos eventos em cada uma daquelas noites.
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E a matou em seguida. Depois ele posicionou os corpos. Deliberadamente. Antes de sair. No dia seguinte. No dia 25. Ele força a entrada no apartamento da Krista. Ele usou uma faca. E a chave de fenda para conseguir entrar. Mas o apartamento estava vazio. Então ele decidiu esperar por ela. Quando ela chega no apartamento. Ela não teve nem chance. Dois dias depois. No dia 27. Ele invade o apartamento da Tracy e do Manny. As marcas no corpo do Manny.
Mostram o quanto ele reagiu. O quanto ele tentou se defender e lutar. A Tracy começou a ouvir a confusão acontecendo. Então ela sai do quarto dela. Vê aquela cena.
Entra no seu quarto e tenta se trancar ali dentro. O Danny viu ela. Então ele corre pro quarto dela. Arromba a porta. E no momento que ela fica cara a cara com ele. Ele disse que ela perguntou. Você é o cara, né? E ele confirmou. Depois dos cinco assassinatos. O Danny foge de Gainesville. Ele vai pra Okala. E ele é preso lá dez dias depois. Por conta de um roubo no supermercado. Das cinco cenas do crime. Foram encontradas evidências de DNA.
Em três delas. E todas eram compatíveis com o DNA do Danny. Em uma calça preta. Que foi encontrada no acampamento.
que o Danny tinha montado, haviam algumas manchas de sangue nessa calça. E eles testaram o sangue e descobriram que era do Manny. E a chave de fenda que foi recuperada também no acampamento correspondia com as marcas encontradas em dois apartamentos quando ele forçou a entrada nesses apartamentos usando essa chave de fenda. Tinham algumas fibras nas fitas adesivas que ele usava nas vítimas que eram da máscara preta que foi encontrada.
Então, a polícia conseguiu confirmar. A defesa do Danny decidiu trazer algumas testemunhas pra relatar todo o abuso
da violência que o Denis sofria em casa com o pai. A mãe dele prestou um depoimento gravado em 1992, e aí ela descreveu tudo que acontecia na casa. Ela disse que o filho apanhava muito, que o marido deixava marcas no pescoço dele, que ele era espancado o tempo todo, e que em uma dessas violências, ela olhou pro rosto do Denis e ela viu alguma coisa mudar. Ela disse que a expressão dele sumiu, era como se ele não estivesse mais ali, e que ela viu que ele ficou muito duro. Ela disse que se ela não conhecesse o filho,
ela não soubesse que aquele ali era ele, tão diferente que ele ficou naquele momento, então parece que ali alguma coisa mudou dentro dele. Amigos, vizinhos do Danny também relataram as mesmas coisas, o tanto que ele sofreu durante a infância e adolescência. Um primo disse que o pai dele, o James, espancava o Danny até ele não aguentar mais. Uma vizinha contou que ouviu o James ameaçando matar toda a família. Além disso, a defesa trouxe mais uma questão que era atenuante para o caso. O Danny sofria de um transtorno grave de personalidade,
anos. Ele acreditava ter um alter-ego chamado Gemini e que era ele quem cometia os crimes. Os médicos identificaram transtorno de personalidade antissocial, transtorno de personalidade borderline e parafilias, um termo clínico para a excitação sexual associada a objetos, situações ou comportamentos considerados atípicos, que no caso do Danny era sadismo, necrofilia. O psiquiatra Robert Sadoff testemunhou que o Danny havia assistido ao filme O Exorcista 3, na semana dos assassinatos, no qual uma entidade com esse nome era responsável por uma série de mortes. O promotor
destruiu o argumento de seu tribunal que Danny havia simplesmente roubado aquela história e aí incorporado à sua própria narrativa, que Danny havia cometido aqueles crimes por um único motivo, porque ele gostava. Dois outros psiquiatras confirmaram o quadro de doença mental severa do Danny, mas ambos concluíram que ele tinha plena consciência dos crimes que ele estava cometendo. No dia 20 de abril de 94, o júri foi deliberar. Eles se tornaram com uma recomendação unânime.
Pena de morte em todos os cinco casos, por 12 votos a zero. O juiz Stan Morris acatou a recomendação e sentenciou Danny
a morte por eletrocução. E após a mudança da legislação estadual por ingestão letal. Quando a sentença foi anunciada, o irmão do Manny se levantou e gritou na direção do Danny que ele entenderia em menos de cinco anos quem tinha a última palavra. Que os nomes das vítimas seriam lembrados acima do dele. Mais tarde, o irmão explicou que havia feito aquilo porque sabia que os assassinos em série precisam de controle e ele queria ter a última palavra.
O Danny passou 12 anos no corredor da morte. Durante esse período, escreveu músicas, fez ilustrações e chegou a se tornar noivo da jornalista Sondra London, com quem colaborou no livro The Making
of a serial killer, the real story of the Guinnessville murders in the killer's own words. A defesa de algumas famílias das vítimas entrou na justiça para impedir que ele lucrasse com o crime e eles venceram. No dia 25 de outubro de 2006, o Danny foi executado por injeção letal na penitenciária estadual da Flórida. Ele tinha 52 anos. 47 pessoas assistiram à execução, entre familiares das vítimas e representantes da imprensa. Quando perguntado se ele tinha alguma última palavra, o Danny não se calou. Ele cantou. Repetiu em voz baixa uma linha de um hino gospel.
As famílias das vítimas assistiram em silêncio. A Diana Hoyt, madrasta da Christa, disse ao sair. Pouco antes da execução, o Danny entregou ao seu conselheiro espiritual, o reverendo Mike Hudspeth, e a polícia da Flórida uma confissão manuscrita assumindo a responsabilidade pelos assassinatos de Tom, Julie e Sean. Aquela família, né? Os Grissom e Shreveport, em novembro de 89. Na confissão, ele escreveu entre
Para a família Grayson, né? Essa era uma resposta que eles esperavam há anos. Um parente das vítimas disse que a polícia da Louisiana tinha certeza que o Danny era o culpado. Hoje, o nome das vítimas de Gainesville aparece pintados em um painel de quase um quilômetro que foi feito por artistas locais em Gainesville.
O nome está escrito Lembrem-se de 1990. Visitantes ainda deixam flores pras vítimas no local e o painel existe pra que as pessoas não esqueçam do que aconteceu com eles. As famílias das vítimas acabaram se unindo, ficando próximas, né? Porque eles estavam passando por tudo aquilo juntos. Então a mãe da sondia disse que eles se tornaram próximos porque eles têm esse trauma, né? Que aconteceu com eles. O Danny nunca disse o porquê dele ter cometido os crimes, né?
famílias depois que ele morreu. Mas aí, voltando um pouquinho no tempo antes da execução dele, em março de 94, enquanto o julgamento dele tava começando, um jovem roteirista chamado Kevin Williamson tava sozinho em casa quando ele ligou a TV e começou a assistir um programa que tava passando que cobria todos os crimes de Gainesville, né? Tudo que o Danny tinha feito. O programa deixou ele completamente perturbado e aí ele percebeu que tinha uma janela aberta ali na casa dele e que ele não se lembrava de ter aberto.
Então, ele pegou uma faca, começou a basculhar a casa, ligou pra um amigo e ficou
na linha com esse amigo, que era o David Blanchard, e aí ele foi olhando cômodo por cômodo, não tinha ninguém, e aí os dois começaram a conversar sobre filmes de terror clássicos. Eles começaram a conversar sobre o que funcionava nesses filmes e o que não funcionava, e aí quando o Kevin finalmente foi dormir, ele teve um pesadelo. Nos três dias seguintes, ele escreveu um roteiro baseado nesse pesadelo e o chamou The Scary Movie.
O roteiro era sobre uma jovem sozinha em casa que era atormentada por telefonemas de um assassino. Esse assassino usava uma máscara e os personagens conheciam todos os roteiros dos filmes clássicos
de terror, então o roteiro brincava com isso. Ao mesmo tempo que o filme era um slasher, ele também era uma sátira ao gênero. Em 1995, o agente do Kevin colocou o roteiro no mercado. Vários estúdios começaram a dar lances no roteiro. A Miramax Films, pelo selo Dimension Films, comprou os direitos pra poder produzir o filme por 400 mil dólares. Wes Craven foi contratado pra dirigir o filme, que eles mudaram o título pra Ice Cream, né, aqui no Brasil, Pânico.
Em 20 de dezembro de 1996, o filme estreou nas telas americanas, estrelado por Niamh Camp,
O filme arrecadou 173 milhões de dólares em bilheterias ao redor do mundo. E ressuscitou o gênero slasher pra uma nova geração. Ganhou os prêmios de melhor filme, melhor atriz e melhor roteiro no Saturn Awards em 97. O Kevin Williamson foi premiado pelo roteiro. A franquia resultante, com sete filmes no total, incluindo o que acabou de sair, né? O Pânico 7. Dirigido pelo próprio Williamson e recém-lançado, se tornou uma das séries mais duradouras do cinema de horror. A conexão entre o roteiro, né? Com a história do Danny Rowling.
é indireta, mas inegável. O assassino do filme, o Ghostface, não é um abusador que espia as vítimas pelas janelas. O Wes Craven e o Kevin deliberadamente criaram um universo ficcional, mas o medo visceral foi o que gerou o roteiro. A sensação de estar sozinho em casa, em uma casa desconhecida, de não saber se uma janela foi aberta por alguém de fora, esse medo nasceu de uma cobertura jornalística sobre os crimes que aconteceram em Gainesville.
Mais de três décadas depois, Gainesville ainda carrega essa cicatriz. A Universidade da Flórida criou um fundo memorial
vítimas dos estudantes. Sonja Larson, Tracy Pauls, Christina Powell e Manuel Taboda. Pra poder financiar bolsas de estudo. Todo mundo de Gainesville se lembra desse caso e ele serviu como inspiração pro roteiro de Pânico, que é um filme que todo mundo que gosta de terror conhece. E eu ainda não tinha contado pra vocês esse caso. Então eu quero muito saber o que vocês acharam, se vocês já conheciam o caso do Danny que inspirou os filmes.
Me conta aqui nos comentários. Não esquece do like, que me ajuda muito na divulgação do vídeo. E é isso.
pra mais casos, siga o podcast Quinta Misteriosa e aproveite pra avaliar em 5 estrelas se você gostou. Obrigada por ouvir e até o próximo caso.