A GAROTINHA NO BARRIL - O SERIAL KILLER TERRY RASMUSSEN #595
Em 1985, caçadores encontraram dois corpos dentro de um tambor de aço numa floresta de New Hampshire. Sem nome, sem identidade, sem rastro. Levaria quarenta anos para descobrir quem eram e quem as havia colocado ali.
Léo Santana
- Desaparecimento de PessoasPepper Reed e filha Rhea · Marlise Elizabeth Honeychurch e filhas Marie e Sarah · Denise Belden e filha Dawn · Eul Sun (Yung Sun) Jun · Desaparecimentos em Manchester, NH · Abandono de Dawn (Lisa)
- Pesquisa Genealógica e Descoberta de IdentidadeDetetive Peter Hadley · Barbara Ray Venter · DNA Doe Project · Genealogia genética forense · Identificação de Armand Beurin (avô de Dawn) · Identificação de Pepper Reed e Rhea Rasmussen · Identificação de Marlise Honeychurch e filhas
- Traumas e acusações contra Richard RasmussenTerry Peter Rasmussen · Infância e adolescência · Serviço na Marinha dos EUA · Casamento e filhos · Violência doméstica e prisão · Divórcio e abandono da família · Uso de múltiplas identidades falsas
- O papel da genealogia genética na resolução de crimesPrimeiro caso criminal americano com genealogia genética · Técnica revolucionária · Unidade de genealogia genética forense do FBI · Casos solucionados
- Descoberta do CorpoFloresta de New Hampshire · Tambor de aço de 55 galões · Corpos de mulher e criança · Autópsia e características das vítimas · Enterro sem identificação
- Legado e InfluênciaTerry Rasmussen morreu sem confissão · Corpos de Pepper e Denise não encontrados · Desaparecimentos de Lauren e Denise em Manchester · Possibilidade de outras vítimas · Capacidade de construir confiança antes de destruir
- Desaparecimentos e a investigação inicialBusca por pessoas desaparecidas · Reconstruções faciais e alertas · Descarte de identidades · Caso arquivado
Oi, eu tenho aqui um recado do Léo Santana pra você. Escuta aí. O GG na área pra dizer o seguinte, o Magalu e eu queremos convocar todos os brasileiros pra gente voltar a se ver do tamanho que de fato somos gigante. Chega de se ver pequenininho. Bora botar o Brasil no telão. Ouviu? E mais, em qualquer compra a partir de R$199, você ainda pode concorrer a uma sala completona. São seis salas por dia até a nossa estreia.
O caso que eu vou contar pra vocês hoje, ele é muito complexo. Envolve muitos nomes. Então, eu preciso que vocês fiquem aqui comigo. Que vocês prestem muita atenção pra não ficar confuso. E eu vou tentar explicar da melhor forma possível. Porque ele é realmente... É muita coisa, mas é um dos casos mais doidos que eu li nos últimos tempos. E eu acho que vocês vão gostar muito, então...
Presta atenção, fica aqui comigo, que tem muita informação. Tudo começou no dia 10 de novembro de 1985, quando dois caçadores percorriam os arredores do Parque Estadual de Beirbrook, que fica em Allenstown, New Hampshire, e eles encontraram um tambor de aço de 55 galões encostado numa árvore, perto das ruínas de uma construção destruída pelo fogo.
Esse tambor estava em pé, como se alguém tivesse colocado ele ali com cuidado, mas ele não deveria estar naquele lugar. Então, toda a floresta ao redor era densa, o chão estava coberto de neve fresca da primeira nevasca do inverno, e o tambor destoava de toda aquela paisagem natural. Os caçadores se aproximaram, o tambor estava fechado, mas não estava lacrado. Então, quando eles conseguiram abrir a tampa, o cheiro que saiu foi horrível e eles automaticamente se afastaram do tambor.
Dentro havia dois corpos embrulhados em plástico, de uma mulher e de uma criança, e já estavam em estado avançado de decomposição. Não tinha absolutamente nada pra identificar aqueles corpos. Não tinha roupas, documentos, enfim, nada. Só aqueles corpos ali dentro que estavam desmembrados. Como tinha nevado, também não tinha nenhuma pegada ali ao redor, não tinha absolutamente nada além do tambor e dos corpos, então...
Imediatamente, os caçadores chamam as autoridades. A polícia de New Hampshire chegou, isolou a área e começou a trabalhar ali. Os peritos ficaram trabalhando por dias pra tentar encontrar qualquer coisa, qualquer evidência de quem eram aquelas pessoas ou quem teria se colocado ali. Então, foram dias fotografando, medindo, documentando, tentando encontrar qualquer coisa. E aí, os corpos foram levados pra autópsia, que determinou que era o corpo de uma mulher e de uma criança, uma garota.
E ambas morreram de traumatismo crâniano, com golpes violentos na cabeça que causaram a morte. E como eu falei pra vocês, as duas foram desmembradas pra que pudessem caber dentro daquele tambor. A mulher tinha entre 23 e 33 anos. Ela tinha cabelo castanho cachado e a altura dela entre 1,57 a 1,70.
e a criança tinha entre 5 a 11 anos, cabelo castanho claro ondulado, e ela tinha um dente torto na frente, e um espaço entre os dentes superiores. E aí, os peritos chegaram à conclusão que aqueles corpos estavam ali dentro daquele tambor em alguma data entre 1978 e 1981. O que significava que aqueles corpos estavam ali naquela floresta, dentro do tambor, há pelo menos 4 anos.
Os corpos foram enterrados no cemitério de Alistown, na cidade onde foram encontrados, e eles não tinham a identidade, né, daquelas duas garotas, da mulher e da menina, então elas foram enterradas sem nome, mas com as características físicas que eles conseguiram determinar pela autópsia. A investigação começou, é claro, então eles começaram a procurar por pessoas desaparecidas em New Hampshire, Massachusetts, todo o nordeste dos Estados Unidos, eles procuraram por pessoas desaparecidas, principalmente se fosse uma mulher e uma criança.
Entre 1970 e 1980. Eles também conseguiram fazer algumas reconstruções faciais e divulgaram essas imagens para ver se alguém aparecia, alguma família conseguisse reconhecer aquelas duas mulheres. Eles emitiram vários alertas em diferentes estados, a imprensa divulgou as imagens. Pelo menos 10 possíveis identidades foram descartadas ao longo dos anos, porque apareciam famílias.
que tinham filhas, netas desaparecidas e chegavam com esperança de finalmente ter uma resposta, mas o DNA nunca batia. Ninguém sabia quem eram aquelas duas, ninguém conseguia reconhecer as vítimas. Os anos começaram a passar, a investigação foi esfriando, o caso foi arquivado, mas ele nunca foi esquecido.
A investigadora Susan Morrow foi quem liderou a equipe de investigação em New Hampshire e ela disse que aquelas duas vítimas nunca saíam da cabeça dela. Mesmo com o passar dos anos, ela sempre ficava pensando que elas mereciam ter os seus nomes, mereciam que as pessoas conhecessem a sua história e principalmente que o assassino fosse pego. Os moradores de Allenstown também não esqueciam delas, então eles faziam vigílias, colocavam flores no túmulo e foi uma coisa que marcou ali a cidade.
E aí, aqui o caso já começa a ficar muito doido, porque no dia 9 de novembro de 2000, ou seja, 15 anos depois da descoberta do primeiro tambor, um investigador decidiu retornar na área onde foi encontrado esse primeiro tambor para ver se agora, com as novas tecnologias, ele conseguia encontrar alguma coisa que pudesse ajudar no caso. Então, ele começa a investigar ali o local e ele encontra um segundo tambor. Ele estava parcialmente enterrado a 100 metros do primeiro.
tava muito perto. Então eu fiquei pensando, quando eles acharam o primeiro, isolaram a área, como que eles não encontraram? Talvez por conta da neve, talvez eles não procuraram o suficiente, não sei, mas ele estava lá e só foi encontrado 15 anos depois. A polícia isolou a área novamente, começaram a investigar e aí dentro do tambor havia dois corpos de crianças. Uma com a idade estimada entre 1 a 3 anos de idade e a segunda entre 2 a 4 anos de idade. O tambor tava ali o tempo todo.
Então, ele estava a 100 metros, talvez, como eu falei, coberto por neve ou pela mata. Enfim, ele ficou lá todo esse tempo até que eles encontraram. Só porque o investigador decidiu voltar lá com novas tecnologias. Se ele não tivesse feito isso, o tambor poderia estar lá até hoje. Os peritos determinaram que as vítimas foram mortas entre 1978 a 1981. E depois foram colocadas dentro do tambor e largadas ali na floresta. Então, eles acreditam que o assassino precisou...
ir até aquele local pelo menos duas vezes. Uma pra levar o primeiro tambor e outra pra levar o segundo. Quando essa informação chegou à imprensa, o caso ficou conhecido como os quatro de Allenstown, porque ninguém sabia a identidade das vítimas. E nesse ponto, né, nos anos 2000, a investigação começa a ganhar um novo fôlego, porque, né, eles descobrem, não eram só duas vítimas, eram quatro. E agora eu vou entrar...
na parte de quem cometeu o crime. Eu sempre conto em ordem cronológica, mas pra ficar mais fácil de entender, eu já vou contar pra vocês agora quem foi o assassino. E durante o vídeo vocês vão entender o porquê que eu tô contando agora. Ali nos anos 2000, quando o segundo tambor foi encontrado, a polícia não fazia ideia de quem era o assassino. Eles só descobririam 17 anos depois.
Então, por muitos anos, ele ficou conhecido como o homem sem nome, porque eles não faziam ideia de quem era. E a história desse assassino é muito doida. Então, por isso que eu já vou contar pra vocês agora quem ele era. O assassino se chama Terry Peter Ramson. Ele nasceu em 23 de dezembro de 1943, em Denver, no Colorado. Filho de Peter Ramson e Anita Berwick. Ele cresceu em Phoenix, no Arizona, numa família que aparentemente não tinha nada de extraordinário.
Ele frequentou a North High School em Phoenix. Ele era um aluno mediano, sem problemas disciplinares significativos, sem nada que chamasse a atenção. Em 1960, no segundo ano do ensino médio, ele abandonou os estudos. Ele tinha 16 anos e não havia sentido em continuar na escola.
Ele passou alguns meses trabalhando em empregos temporários, sem direção clara e sem saber o que ele queria fazer da vida. Em abril de 61, ele tinha 17 anos e se alistou na Marinha dos Estados Unidos. Era uma saída comum para jovens sem perspectiva na época. A Marinha oferecia treinamento, salário e a possibilidade de ver o mundo. Durante os seis anos seguintes, ele serviu em bases ao redor da costa oeste dos Estados Unidos.
E também em Okinawa, no Japão. Ele foi treinado como eletricista, uma profissão técnica que exigia paciência, atenção aos detalhes e capacidade de resolver problemas. E ele era bom no que fazia. Ele não se destacava, mas também não causava problemas. Era o tipo de marinheiro que cumpria suas funções, recebia ordens e as seguia. Ele foi dispensado em julho de 1967 com honras, sem nenhuma marca negativa em seu registro. Ele voltou para a vida civil com uma habilidade valiosa.
Sabia trabalhar com eletricidade, sabia consertar sistemas elétricos, instalar afiações.
Diagnosticar problemas Era uma profissão que sempre teria demanda Que não exigia diploma universitário E que permitia trabalhar de forma independente Entre 67 e 68, ele trabalhou na loja de sapatos dos pais no Havaí Foi ali que ele conheceu a mulher com quem se casou Cujo nome nunca foi divulgado publicamente Para proteger a privacidade da família Em 20 de julho de 1968, eles se casaram no Havaí Ele tinha 24 anos na época E a vida parecia estar se encaminhando de forma normal Obrigado
Em 1969, ele e a esposa se mudam para Phoenix, onde ela deu à luz a filhas gêmeas. Ele arranjou um trabalho como eletricista para um homem chamado Otto, dono de uma pequena empresa, e a vida ia seguindo seu curso. Ele tinha uma esposa, tinha filhas, tinha um emprego estável. Para quem olhava de fora, ele era um homem comum construindo sua vida.
Em 1970, a família se muda para Redwood City, na Califórnia, onde ele conseguiu trabalho como eletricista em Palo Alto. Nos anos seguintes, nasceram mais dois filhos, um menino e depois outro menino. Ele tinha quatro filhos, uma esposa, uma casa, um emprego. A imagem perfeita da família americana dos anos 70. Mas dentro daquela casa, algo muito diferente estava acontecendo.
Os filhos que chegaram à fase adulta descreveram décadas depois que a convivência com o pai foi marcada pelo medo constante. Ele era fisicamente violento com as crianças, batia nelas por motivos banais, por pequenos erros, ou às vezes por nada. Um dos filhos carregou pelo resto da vida as marcas de queimaduras de cigarro que o próprio pai havia feito em sua pele quando era criança. Queimaduras deliberadas.
Eles descreveram um homem frio, de temperamento imprevisível, capaz de apresentar normalidade durante dias, seguido de explosões repentinas de raiva. Ninguém dentro da casa sabia quando a próxima explosão viria. Poderia ser por um copo quebrado, por uma nota ruim na escola ou por absolutamente nada. A violência não tinha lógica e também não tinha padrão. Em junho de 1975, ele foi preso em Phoenix por agressão grave. Os registros da prisão não especificam quem foi a vítima.
Mas o fato de ter sido preso indica que a violência havia ultrapassado os limites da casa, que alguém tinha chamado a polícia e que havia evidências suficientes para uma acusação formal. Essa era a oportunidade da esposa para conseguir largá-lo. Então, pouco depois da prisão dele, ela pegou as quatro crianças e foi embora. Ela se mudou para Payson, no Arizona, e foi para bem longe de Phoenix e longe do Terry.
A separação foi o fim oficial do casamento, mas não o fim da história. Porque em 75, ele simplesmente apareceu de surpresa na casa dela em Payson. Ele apareceu acompanhado de uma mulher que nem a esposa e nem os filhos conseguiram identificar. Eles não faziam ideia de quem era aquela mulher e ele apareceu. Ele não causou nenhuma briga, nenhum tumulto. Ele não tentou pegar as crianças de volta. Ele não tentou voltar com a esposa, nem nada. Ele simplesmente apareceu.
Ficou algumas horas e depois foi embora e essa foi a última vez que os filhos o viram. O divórcio foi finalizado no dia 28 de setembro de 1978 e depois disso ele se afastou completamente daquela vida que ele havia construído. Ele não pagou pensão para os filhos, ele não enviou cartas, ele não tentou visitar os filhos, ele simplesmente abandonou aquela vida e sumiu.
É a partir desse ponto que ele começa a inventar outras vidas. Nos anos seguintes, ele viveu em pelo menos 10 estados nos Estados Unidos. Califórnia, Texas, New Hampshire, Ohio, Virginia, Colorado, Oregon, Arizona. E sempre que ele se mudava, ele continuava com a mesma profissão. Então, ele sempre estava trabalhando como eletricista, que era uma profissão independente, ele não precisava...
de um patrão, ele não precisava de um diploma, então ele conseguia sempre ter uma renda. Ele conseguia emprego facilmente, então às vezes ele ficava em um local por meses ou alguns anos e aí ele se mudava de novo. Ele sempre estava viajando com mulheres e crianças, o que dava para ele uma aparência de um homem de família.
Um homem que constantemente tá viajando sozinho e mudando de cidade em cidade é uma coisa que chama atenção, mas um homem com família não chama atenção assim. Ele passava uma imagem de um pai presente, de um trabalhador honesto, um companheiro estável, ele construía essa imagem com muito cuidado, então era assim que todo mundo via ele, até que aquela vida...
simplesmente não fazia mais sentido pra ele ou não tinha mais nada a oferecer pra ele, então ele ia pra próxima. Essa imagem de um pai dedicado, um trabalhador, era uma coisa que atraía as mulheres. Principalmente mulheres vulneráveis, né? Mães solo. Então, elas viam nele ali um homem pra ajudar elas a criar os filhos, protegê-las, né? Ele oferecia essa rede de apoio que parecia ser muito forte e o que elas precisavam no momento.
Quando essas mulheres desapareciam, ninguém desconfiava do companheiro delas, daquele homem que trabalhava, que parecia ser um bom pai. E quando as crianças desapareciam junto, ele sempre contava a mesma história, dizia que a mãe havia desaparecido, levado as crianças, que a família estava longe, que a mãe havia morrido. Ele sempre inventava uma história assim e ninguém desconfiava de nada. Nos anos seguintes, ele repetiria esse padrão várias vezes. Então, ele chegava em uma nova cidade, arranjava um emprego.
Ele encontrava uma mulher vulnerável que tivesse filhos, que quisesse um companheiro. E aí, ele mudava para outro estado com essa mulher e com os filhos. Então, quando ela desaparecia, ninguém suspeitava. A primeira vítima dele que se tem registro é a Pepper Reed. Ela nasceu em 1952, no Texas. Numa família que nunca imaginou que um dia perderia o contato completo com ela. Não há muitas informações disponíveis sobre a vida dela antes de conhecer o homem que a mataria.
As fontes não registram a cidade que ela nasceu, o que ela fazia, como era sua personalidade. O que se sabe é que em algum momento, entre 1974 e 1975, ela conheceu o Terry. Ele tinha acabado de sair da prisão em Phoenix por agressão grave. Os dois se relacionaram e no Natal de 1975, quando a Pepper visitou a sua família em Houston, ela já estava grávida de vários meses.
A família viu naquele Natal e ela tava feliz, ou pelo menos aparentava estar feliz. Ela contou que tava indo pra Califórnia com um companheiro e que ia começar uma vida nova lá, que as coisas estavam bem. Os parentes acenaram da calçada enquanto ela entrava no carro e ia embora. Esperando que ela ligasse quando chegasse na Califórnia pra contar como tava a vida por lá, como era a nova casa, como tava a gravidez. Mas ela nunca ligou. Em 1976, na Califórnia, nasceu uma menina, Rhea Ramesson.
A certidão de nascimento foi emitida no condado de Orange e registrava os pais como Pepper Reed e Terry Peter Ramsey, o nome verdadeiro dele, que ele ainda usava na época. A Rhea nasceu e foi registrada legalmente. Então, por alguns meses ou alguns anos, ela foi uma criança normal, vivendo uma vida normal com pai e mãe. Até que, em algum momento, mãe e filha desapareceram dos registros públicos.
Não há nenhum documento oficial sobre a Pepper depois de 1976. Nenhum registro de pagamento de impostos, atendimento médico, registro de emprego, endereço. Nada. Ela simplesmente deixou de existir no papel. As autoridades acreditam que Pepper era a mulher que estava com o Terry quando ele visitou seus filhos pela última vez, no final de 75, no Arizona. Os filhos dele não conseguiram identificar a mulher na época, né? Eles não conheciam ela. Só que aí, décadas depois, quando eles souberam...
que a Pepper tinha desaparecido, as datas encaixavam perfeitamente. A família da Pepper no Texas esperou por telefonemas que nunca chegaram. No começo, eles não se preocuparam muito. Ela era uma mulher adulta, tinha sua própria vida. Talvez estivesse ocupada com o bebê, então se passaram meses, anos. A família até tentou contato com ela, mas eles não tinham telefone nem endereço dela na Califórnia.
A Pepper tinha dito que ela ligaria pra eles depois que ela chegasse na Califórnia, que ela já estivesse em casa e tudo mais, mas ela nunca ligou. E conforme os anos começaram a passar, eles começaram a ficar preocupados. Então, eles tentaram localizar a Pepper através de conhecidos em comum, de registros públicos, mas eles nunca conseguiram. Em algum momento, a família desiste de procurar por ela porque eles simplesmente não tinham mais recursos, não tinham mais evidências, não tinham pistas, não tinham nada pra seguir e pra conseguir localizá-la. Então, eles meio que aceitaram que ela tinha se mudado e ela tinha se mudado.
e que alguma coisa poderia ter acontecido com ela e não tinha nada que eles pudessem fazer. Alguns investigadores acreditam que a Pepper foi assassinada ainda na Califórnia pelo marido, pelo Terry, em algum momento, no final da década de 70. Então, eles...
Não tem ideia de quando, quantos anos ela tinha, o que aconteceu, porque o corpo dela nunca foi encontrado. O que se sabe, com certeza absoluta, é que ele provavelmente seguiu ali o mesmo padrão de sempre. Ele sempre assassinava as vítimas com trauma contundente na cabeça, então, algum golpe de alguma coisa pesada na cabeça, em algum momento que a vítima não estava esperando, provavelmente não estava nem vendo, poderia vir de trás, então a vítima não tinha tempo de gritar, pedir ajuda, de reagir.
Depois, se necessário, ele fazia o desmembramento do corpo pra conseguir fazer o descarte.
E aí, a pessoa desaparecia por completo e ninguém sabia o que tinha acontecido com ela. Como o corpo da Pepper não foi encontrado até hoje, ela permanece nos registros como pessoa desaparecida. Porque eles não têm certeza se ela realmente morreu, já que não há corpo. Ela nunca foi enterrada, então não tem nenhuma lápide em um lugar que a família possa se despedir dela, né?
Já a Ria, filha dos dois, tinha entre 2 a 4 anos quando morreu. Também não existem registros, nada que explique pra gente exatamente como isso aconteceu, mas provavelmente um tempo depois da morte da mãe, ela também foi assassinada. A família da Pepper nem sabia da existência da Ria, sabiam que ela estava grávida, mas eles não sabiam de nada depois disso. Então, simplesmente elas foram esquecidas e o Terry estava só começando.
A segunda vítima foi a Marlise Elizabeth Honeychurch. Ela nasceu em 28 de janeiro de 1954, em Stamford, Connecticut. A segunda de cinco filhos de Paul e Angelina. Quando os pais se separaram, a Marlise tinha sete anos. O juiz decidiu que ela ficaria com o pai, enquanto os outros irmãos ficariam com a mãe. Foi uma separação difícil, como todas as separações são para crianças pequenas.
Aos 15 anos, ela conseguiu ir morar com a mãe Angelina, que tinha se mudado pra Califórnia. Lá, ela estudou na Artesia High School, em Lakewood. E era uma adolescente normal, com amigos, com sonhos e com a vida toda pela frente. Aos 17 anos, ela se casa com o Michael Stephen Vaughn. O ano era 1971, e ela era muito jovem, e ele também. O casamento foi rápido, como acontece muitas vezes com adolescentes, né? Então, casamentos apressados, baseados em paixão e impulsividade, mais do que em planejamento.
Ainda em 71, nasce a primeira filha deles, Mary Elizabeth Vaughn. A Marlise tinha apenas 17 anos e agora já era a mãe. Marie era uma criança bonita, com o cabelo castanho ondulado, que a mãe penteava com carinho todas as manhãs. Ela tinha um dente da frente levemente torto e um espaço entre os dentes superiores. Detalhes que pareciam pequenos, mas que ficariam registrados em relatórios forenses frios e técnicos, quando ninguém ainda sabia sua identidade.
O casamento da Marlise com o Michael durou apenas três anos. Em 1974, eles se divorciaram. A Marlise ficou com a custódia da Marie e o Michael teve direito a visitas. Era um divórcio relativamente amigável, sem grandes disputas. Apenas dois jovens que haviam se casado cedo demais e percebido que não eram feitos um para o outro.
Em setembro de 1974, apenas alguns meses depois do divórcio, a Mary Lee se casou pela segunda vez com um homem chamado Ralph L. Roy McWatters, um fuzileiro naval. Ela tinha 20 anos e ele era alguns anos mais velho e parecia ser um relacionamento mais estável, mais maduro. Em dezembro de 77, nasceu a segunda filha, Sarah Lynn McWatters.
A Marie tinha ganhado uma irmã e a família parecia estar crescendo e se estabilizando. Porém, o casamento com o Ralph também não durou. Eles se separaram em 1978. Nas fontes, não está claro o porquê deles terem se separado, mas isso aconteceu e a Marlise ficou com a custódia das duas meninas. Em março daquele ano, a Marlise conheceu o Terry. Ele ainda usava esse nome, né, o seu nome verdadeiro, e nessa época e as circunstâncias exatas do encontro deles não foram documentadas.
Não se sabe onde se conheceram, como ou o que ele disse pra ela. O que se sabe é que a Marlise tinha 24 anos, duas filhas pequenas, dois divórcios nas costas. Provavelmente já estava cansada, sozinha e precisava de ajuda. E ele era exatamente o tipo de homem que sabia se apresentar como essa ajuda. Ele era educado, trabalhador, tinha uma profissão estável. Não bebia em excesso, não era violento na frente dela. Pelo menos não no começo. E parecia gostar das crianças.
Para uma mãe solteira com duas filhas pequenas, aquilo parecia perfeito. Os meses seguintes foram normais. Eles namoraram, ele passou um tempo com as filhas dela, com a sua família, e tudo parecia estar indo bem. No dia de ação de graças de 78, a Marlise levou as duas filhas e o namorado para a casa da sua mãe Angelina, em La Puente, na Califórnia.
Era uma reunião tradicional de família, com comida, conversas, risos. E aí, durante o jantar, teve uma discussão entre a Marlise e a sua mãe. As fontes dizem que foi por um motivo banal, algo pequeno, do tipo de discussão que famílias têm mesmo todos os dias. Ninguém registrou exatamente o motivo da discussão. A Marlise ficou irritada, se levantou da mesa, pegou as filhas e disse que ia embora. O Terry a acompanhou. A mãe dela tentou acalmar, ela disse que era bobagem, que eles podiam ficar, mas a Marlise estava decidida.
Ela saiu com suas duas filhas, uma de 7 anos e outra de 1 ano. Elas entraram no carro com o Terry e foram embora. A família dela ficou na calçada esperando, achando que ela ia voltar. Ela não voltou, então eles esperaram por um telefonema, talvez pedindo desculpas. A Angelina esperava que a filha ligasse no dia seguinte, dizendo que tinha exagerado e que agora estava tudo bem. Mas a Marlise nunca ligou. E essa foi a última vez que sua família a viu.
Nos meses seguintes, a família da Marlise tentou localizá-la, então eles ligaram no número dela, mas ninguém atendia, então eles foram até o endereço onde ela morava com o Terry. Mas quando eles chegaram lá, ela já tinha se mudado e ninguém sabia pra onde ela tinha ido. O Michael, o pai da Marie, uma das filhas, ficou desesperado, então ele tentou localizá-la, ele usou até os meios oficiais pra isso, mas nunca conseguiu. Em algum momento, nos anos 80, ele decide contratar um investigador particular pra encontrar sua filha.
Então, esse investigador começa a fazer toda a sua pesquisa. Então, ele procurava muito em registros públicos, né? Pra tentar encontrar a família, mas ele não encontrou nada. Ele pesquisou por meses, investigou e nada. Nenhum registro de emprego, registro médico ou de matrícula em escola.
Não havia nada, parecia que as três tinham simplesmente desaparecido no ar. Os anos foram se passando, a década de 80 inteira se passou e o Michael ainda não tinha conseguido encontrar sua filha. Depois de todos esses anos e de ter procurado pela filha por todos eles...
Já não tinha mais nada que ele pudesse fazer. Já o Ralph, o pai da segunda filha da Marlise, da Sarah, ele também procurou pela filha. Qual é o seu maior desejo na gravidez? Alguns são tão reais que não dão coragem de dizer em voz alta.
Quando a maternidade chega, surgem muitos desejos. Em parceria com Nestlé Materna, o podcast É Noia Minha estreia Noias da Maternidade. Vamos refletir quantas vidas uma mulher já carregava em si antes mesmo de se tornar mãe. É noia nossa ou sua também? Descubra no primeiro episódio. Nestlé Materna com você, do seu jeito.
Sem saber o que tinha acontecido com ela. Ele faleceu em 1983. Sem saber onde a filha tava. Acreditando que ela tava com a mãe. Que ela tava crescendo saudável. Em algum lugar. E que a mãe tinha escolhido se afastar. Essa ausência de notícias acabou sendo interpretada. Pela família da Marlise. Como uma escolha. Eles acreditavam que ela tinha escolhido se afastar. Que ela tinha escolhido.
começar a vida talvez em outro lugar, que ela talvez estivesse com raiva da mãe ainda e quisesse realmente ficar longe, que ela não queria mais contato algum com a família e apesar de ser algo muito doloroso, foi o que eles acreditaram. Eles achavam que era isso que tinha acontecido, que ela simplesmente tinha se mudado e não queria mais ter contato com a família.
E eles nem imaginavam que o que tinha acontecido era muito pior. Nenhum deles imaginou que a Marlise e as filhas tinham sido mortas e colocadas, desmembradas, dentro de um tambor. Ninguém imaginava que o homem que as matou, né? O Terry, tava vivendo em New Hampshire, trabalhando como eletricista e vivendo sob um nome falso.
Então, pra vocês entenderem, no início de 79, ele, a Marlise e as filhas dela saem da Califórnia e se mudam pra Manchester, New Hampshire. E lá, ele começa a usar um novo nome. Ele diz que o seu nome é Robert Evans. Bobby Evans, pros íntimos, pros amigos, pra pessoas que conheciam ele e a família.
Era um nome super comum, fácil de lembrar, mas também fácil de esquecer. Lá, ele conseguiu um trabalho como eletricista em uma fábrica textil em Manchester. Ele também trabalhou em algum momento, entre 1979 e 1981, para o proprietário do terreno adjacente ao parque estadual Beerbrook, que fica em Allenstown, a menos de 20 quilômetros de Manchester. Ele fazia serviços de manutenção elétrica, pequenos reparos, coisas mais pontuais. Ele conhecia aquele terreno.
ele conhecia aqueles caminhos, aquela floresta, ele conhecia ali alguns caminhos que talvez a maioria das pessoas nunca conheceram, ele sabia que ali tinha uma construção em ruínas, que tinha pegado fogo, que tava ali abandonada, coberta por vegetação, e ali ele segue o seu padrão, então, foi exatamente ali naquela floresta em Allenstown, que aqueles dois tambores foram encontrados com os corpos que eu citei pra vocês no começo do vídeo. Então, aquela mulher...
E aquelas crianças eram a Marlise e as suas duas filhas, que foram mortas em algum momento ali em Manchester. E aí, o Terry colocou os tambores lá na floresta. Então, em janeiro de 1980, ele tava morando lá, usando esse nome, né? Bobby Evans. E aí, uma mulher que tava usando o nome Elizabeth Evans, assinou os documentos.
umas correspondências ali no endereço que ele tava morando lá. Isso foi em janeiro. Em fevereiro, ele foi preso por emitir cheques sem fundo, só que eram cheques de valores baixos. Então, quando ele foi preso, a Elizabeth Evans tava registrada ali como sua esposa, e aí ele ficou pouco tempo preso, pagou a multa e foi liberado e a vida continuou. Depois, ele foi preso de novo naquele ano e dessa vez por furto de eletricidade.
Ele tinha desviado a ligação elétrica da sua casa, então ele tava usando uma fiação ali da cidade, ele não tava pagando, né, por aquela conta. Ele simplesmente roubava energia da rede pública. E aí, mais uma vez, ele foi preso, e nos registros a Elizabeth ainda constava como sua esposa. Ele foi processado novamente, pagou uma multa e foi solto. E então, ainda em 1980, em outubro, não havia mais nenhum registro oficial com esse nome, né, de Elizabeth Evans.
a mulher simplesmente desapareceu dos registros públicos. As autoridades acreditam com base em evidências que a Elizabeth Evans era, na verdade, a Marlise. O nome completo dela, como eu falei pra vocês, mas eu vou repetir, né, porque são muitos nomes pra vocês não se perderem.
era Marlise Elizabeth Honeychurch. Então, ela tava usando, provavelmente, o seu nome ali do meio e o sobrenome do Terry, que ele tava usando que era falso, né? Que era Evans. Então, ela tava usando Elizabeth Evans. Se realmente era ela, então ela ainda estava viva, pelo menos até maio de 1980, quando teve o último registro com esse nome. Depois disso, não havia mais nada sobre ela ou sobre suas filhas.
Então não havia registro médico da escola, nada das meninas. Então não há absolutamente nada que indique que elas estavam vivas depois de outubro de 1980.
Nessa época, o Terry, que usava o nome de Bob, morava na rua Hayward, número 925, em Manchester. Então, era uma rua comum, cercada de outras casas e de famílias comuns também. E naquele mesmo ano, 1980, só que em abril, uma garota, uma adolescente, chamada Lauren Rand, de 14 anos, desapareceu do seu apartamento em Manchester. E ela morava apenas dois quarteirões.
da casa que o Bob estava morando na época desse endereço que eu falei para vocês. A Lauren saiu de casa em uma noite de abril e nunca mais voltou. A mãe dela esperou, procurou por ela, ligou para a polícia, que fez uma investigação, mas a Lauren tinha simplesmente desaparecido do ar. Em junho daquele mesmo ano, 1980, uma outra mulher desaparece. Seu nome é Denise Dano e ela tinha 25 anos e desapareceu ali também, em Manchester.
Ela morava no mesmo bloco naquela rua, a poucos metros de distância da casa do Terry. Ela também saiu de casa em um dia e depois simplesmente desapareceu. A família procurou, a polícia procurou e nada. Muitos anos depois, quando eles descobririam quem era o Terry e tudo que ele tinha feito, eles voltariam, né, nesses casos de pessoas desaparecidas. E aí eles reabriram a investigação do desaparecimento da Lauren e da Denise, essas duas mulheres que moravam próximas ali.
do Terry e que simplesmente desapareceram. Eles nunca conseguiram provar, né, com evidências que o Terry teria assassinado as duas. Não há nada realmente forte que conecte ele a esses dois casos, a não ser o endereço que ele morava na época, que era realmente muito perto de onde as duas moravam.
Mas as autoridades têm as suas dúvidas. Eles acreditam que pode ter sido sim o Terry. Como não há evidências, esses dois casos das duas meninas permanecem sem solução até hoje. O que se sabe dessa época, com certeza absoluta, é que o Terry estava morando em New Hampshire, né? Em Manchester, usando o nome Bobby Evans. E que ele matou a Marlies e as suas filhas. A Marie, a Sarah e a Rhea, que inclusive era filha dele. Então era o corpo delas...
da Marlise, de 24 anos, e das crianças, que eram muito pequenas. Uma de 7 anos, uma de 1 ano, e uma de 2 a 4 anos de idade. Então, foram aqueles corpos que foram encontrados na floresta. Ele cometeu os crimes usando algum objeto pesado, sempre a mesma forma como eu falei pra vocês, né? Trauma contundente na cabeça, depois ele desmembrou os corpos, pra que eles pudessem caber naqueles tambores de aço de 55 galões, e os depositou na floresta, e ficaram lá, abandonados, até que fossem encontrados pelas autoridades.
A Marlise e a Marie estavam no primeiro tambor que foi encontrado, já estava ali há uns quatro anos. E a Sarah e a Rhea eram as que estavam no segundo tambor que só foi encontrado anos depois. Então, como ele trabalhava ali naquele terreno adjacente, ao parque, ele conhecia muito bem a área. Como eu falei pra vocês, conhecia provavelmente várias partes daquela floresta que ninguém entrava. Partes que estavam cobertas por mata, enfim. E aí, provavelmente em momentos diferentes, ele foi até lá e...
descartou os tambores. Depois disso, Terry, ou o Bobby Evans, que era o nome que ele usava, seguiu a sua vida e continuou fazendo sempre a mesma coisa. Ele conheceu a sua segunda vítima, uma mulher chamada Denise Belden. Ela cresceu em Gothstown, New Hampshire, numa família comum, numa cidade pequena onde todos se conheciam.
Em 1981, ela tinha 23 anos e uma filha recém-nascida chamada Dawn. O pai da criança não estava mais presente e a Denise a criava sozinha, morando num apartamento modesto em Manchester. Era uma mãe jovem, solteira, fazendo o melhor que podia com recursos limitados. Ela trabalhava quando conseguia deixar Dawn com alguém, cuidava da filha e pagava as contas como dava. Em algum momento, em 1981, ela conheceu o Terry, que se apresentou como Bobby Evans.
Um eletricista que tinha um trabalho estável e parecia ser uma boa pessoa, apareceu pra ela naquele momento como uma salvação. Eles começaram a namorar e o Terry passou a frequentar o apartamento da Denise, passou a ajudar com a filha dela, e foi se tornando uma presença estável na vida das duas. No dia de ação de graças daquele ano, 26 de novembro, a Denise levou o Bob pra jantar na casa dos seus pais em Manchester. Era a primeira vez que a família conhecia o novo namorado.
A família passou o dia junto, eles comeram, conversaram, riram. O pai da Denise, chamado Armand...
observou aquele homem que sua filha tinha trazido e não notou nada de incomum. Ele parecia um homem educado, trabalhador, e parecia realmente gostar e se importar com a Denise e com a Dawn. O jantar terminou, eles se despediram, e a Denise foi embora com ele e com a filha. Uma semana depois, no início de dezembro, o pai dela foi até o apartamento pra convidá-la pra festa de Natal. Ele bateu na porta e ninguém atendeu. Ele percebeu que a porta tava destrancada e entrou.
Começou a chamar pelo nome da filha, mas o apartamento tava vazio. Sem móveis, sem roupas, sem brinquedos, não havia nada. Não tinha ninguém morando ali.
Ele ficou parado no meio do apartamento vazio, tentando entender o que tinha acontecido. Ele começou a perguntar pros vizinhos, e um deles disse que Bob Evans havia comentado alguns dias antes que eles deviam dinheiro e precisavam sair dali. O Ormond voltou pra casa e esperou que a Denise ligasse, explicando, dizendo o que tinha acontecido, onde ela tava, pedindo desculpas por eu não ter avisado antes.
Ele esperou dias, semanas, meses, mas ela nunca ligou. A família não registrou o desaparecimento de imediato, então os anos foram passando. A década de 80 inteira se passou e o Armand, o pai dela, continuava esperando pelo telefonema. O que aconteceu com a Denise nunca foi completamente estabelecido porque não há testemunhas, não há evidências físicas e nem confissão. Mas as autoridades acreditam, baseadas no padrão, estabelecido por todos os outros crimes confirmados pelo Terry, eles acreditam que foi o seguinte.
O Bob assassinou a Denise, provavelmente ainda, durante a viagem de saída de New Hampshire com destino à Califórnia. Depois, ele descartou o corpo em algum lugar ao longo do caminho. O corpo dela nunca foi localizado e ela também permanece como desaparecida até hoje, com uma investigação sobre o seu paradeiro aberto.
A sua bebê, a Dawn, de 8 meses, sobreviveu. O Bob levou ela consigo na viagem para a Califórnia e criou ela por pelo menos 5 anos como se fosse filha sua. Ele usava ela como um disfarce de pai perfeito, viúvo e solitário. Uma criança pequena que desarmava qualquer suspeita, já que ele não era apenas um homem sozinho pulando de estado em estado. Ele era um homem com uma filha, um pai dedicado cuidando dela depois que a mãe havia partido ou falecido.
A Dawn cresceu chamando Bob Evans de pai. E ele deu um novo nome pra ela. Ele a chamou de Lisa. E ela não sabia o próprio nome e não sabia quem era sua mãe. Então, durante cinco anos, entre 1981 e 1986, a Dawn viveu com um homem que havia matado sua mãe sem fazer ideia disso.
Até que em junho de 1986, quando ela tinha 5 anos e meio, o Bob abandonou. Naquela época, o Bob vivia num parque de trailers em Scotts Valley, na Califórnia. E ele já estava usando mais um nome falso. Agora, ele se chamava Gordon Jensen. Ele se apresentou aos vizinhos como pai viúvo, criando sozinho a pequena Lisa, depois da morte da esposa por câncer. Era uma história triste, que gerava empatia.
Os vizinhos o conheceram como esse pai muito dedicado, que cuidava sozinho da filha, que levava ela até o parque, que sempre estava ali cuidando dela, enfim. Até que, do nada, ele simplesmente saiu daquele local, pegou suas coisas, foi embora e deixou a pequena Lisa dentro do trailer, sozinha. Os vizinhos encontraram ela, né, que tinha só cinco anos e meio, andando sozinha ali pelo parque de trailers, chamando pelo pai, confusa.
Então, eles chamaram a polícia, e a polícia estava tentando entender o que tinha acontecido ali.
A polícia fez algumas perguntas pra menina e ela disse que o pai falou pra ela que ele voltaria. Mas aí ele não voltou. Ela não sabia o nome completo do pai. Não sabia dizer onde eles moraram antes dos trailers. Não sabia dizer de que cidade eles vieram. Quais eram os seus parentes. A criança não sabia nada, né?
A polícia tentou localizar aquele homem, o Gordon Jensen, que era o nome que ele estava usando, e obviamente era um nome falso, então não havia nenhum registro com esse nome. E assim ele tinha conseguido desaparecer mais uma vez. A Lisa foi colocada no sistema de assistência social, e aí eles acharam um lar temporário de acolhimento para ela, enquanto a polícia tentava localizar os seus pais.
Mas a polícia não encontrou nada, não tinha registro nenhum sob o nome de Gordon. A Lisa não tinha certidão de nascimento, nem registros médicos, nada com aquele nome que ela usava. Então, alguns meses depois, ela foi adotada por um casal ali na Califórnia que deu uma nova vida pra ela, uma vida boa e estável e feliz. E ela cresceu com o sobrenome Decker, sobrenome dos seus pais adotivos. E ela cresceu sabendo que era adotada, mas sem fazer ideia de quem eram os seus pais biológicos.
Ela não fazia ideia de qual era a sua história e os seus pais adotivos contavam...
apenas o que eles sabiam, que ela foi encontrada aos 5 anos e meio andando ali sozinha naquele parque de trailers, que ela tinha sido abandonada por um pai que dizia que era o seu pai, mas eles não encontraram os registros e ninguém sabia quem era sua mãe biológica. Então, por décadas, ela não fazia ideia de quem eles eram.
Então, ela cresceu feliz naquela família, ela estudou, ela se casou, teve filhos, sem fazer ideia de que aquele homem simplesmente havia assassinado a sua mãe, sem saber que havia um avô em New Hampshire que nunca parou de esperar por notícias dela. Mais tarde nesse vídeo, eu vou voltar a falar sobre a Lisa, mas agora eu vou continuar a história do Terry, né? O que aconteceu depois que ele abandonou a Lisa no trailer. Isso aconteceu em junho de 1986, quando ele abandonou ela lá.
E aí, ele desapareceu por alguns anos. Não há registros de onde ele viveu durante esses anos, como ele sobreviveu, provavelmente trabalhando como eletricista, mas não se sabe em que cidade, que estado ou que nome que ele usou. Então, ele abandonou ela em 86 e aí, em 88, quando há mais registros sobre ele...
Ele foi preso. Ele foi preso em novembro daquele ano em San Luis Obispo, na Califórnia, porque ele tinha roubado um carro. Ele tinha realizado o roubo em Preston, em Idaho, e aí tinha dirigido até a Califórnia com aquele veículo que não era dele. Então, ele tinha cometido um crime federal, já que ele tinha mudado de estado. Quando ele foi preso, ele se identificou para a polícia como Gary Mockerman.
Mais um nome falso, mais uma identidade inventada. Assim que ele foi preso, a polícia tirou as suas impressões digitais e colocou ali no banco de dados nacional da polícia. E eles perceberam que as impressões digitais dele batiam com as impressões de outro homem. Um homem chamado Curtis Mayo Kimball, que tinha sido preso em maio de 1985, em Cyprus, na Califórnia, por dirigir embriagado.
Dentro do carro havia uma criança com ele quando ele foi preso. E essa criança era a Lisa. Então isso aconteceu antes, né? De ele abandonar ela no trailer. E aí, três anos se passam. A gente não sabe o que aconteceu com ele durante esses três anos. E ele é preso novamente, já usando um novo nome. Mas a questão é, ele não...
Se chamava nem Curtis e nem Gary, né? Ele tava usando nomes falsos. A polícia tentou entender o que tava acontecendo, né? Ali haviam dois nomes, então eles confrontaram ele sobre isso. Mas ele disse que provavelmente foi um mal entendido, que ele não sabia o que tinha acontecido. Então, ele não deu respostas claras. Em março de 89, ele foi julgado e condenado a três anos de prisão pelo roubo do veículo. Então, ele foi enviado pra uma penitenciária da Califórnia.
Em 31 de outubro de 1990, ele foi solto. Então, ele nem tinha cumprido toda a sentença. E ele foi solto por bom comportamento. Nesse ponto, ele foi solto com liberdade condicional. O que significa que ele tem que reportar o que ele tá fazendo pras autoridades. Ele tinha um oficial de condicional, né? Então, nesse ponto, ele precisava ter um endereço fixo e um emprego. No dia 2 de novembro, ele deveria ter se reportado ao oficial da condicional pela primeira vez, desde que ele saiu.
Só que ele não apareceu. Como ele tem que se apresentar para o oficial da condicional, foi emitido um mandado de prisão para ele. A polícia procurou por ele nos endereços que eles tinham, mas sem sucesso, porque ele já não estava mais lá. Ele tinha desaparecido novamente, então a polícia achava que ou ele era Curtis ou ele era Gary, e ele não era nenhum dos dois, então eles não conseguiram localizar ele. Mas o Terry conseguiu fugir mais uma vez, e ele ficou meio que fora dos radares da polícia por quase 10 anos.
Durante nove anos, não tinha nenhum registro dele. Então, ele não foi preso durante esse tempo. Nenhum emprego registrado, nenhuma idade ao médico, nada, né? Que tivesse ali uma ficha, alguma coisa com o nome dele. Então, era como se por nove anos ele tivesse simplesmente...
desaparecido, né? Deixado de existir. Até que em 1999, ele conhece a Eul Sun. Eul Sun Jun, havia nascido na Coreia do Sul em 1959, numa época em que o país ainda estava se recuperando da guerra que havia destruído a península décadas antes. Ela cresceu numa Coreia em transformação. Estudou, trabalhou, em algum momento, tomou a decisão de migrar para os Estados Unidos em busca de melhores oportunidades.
Ela chegou lá na década de 80 e fez o que muitos imigrantes fazem. Ela trabalhou em empregos difíceis enquanto estudava, economizou cada centavo, planejou seu futuro com cuidado. Ela se formou em mestrado em Química pela San Francisco State University. Era uma conquista enorme, especialmente para uma imigrante que havia começado do zero num país estrangeiro, com uma língua que não era sua, um sistema educacional completamente diferente.
Ela conseguiu emprego como Química e passou anos trabalhando na área, construindo sua carreira, que era sólida, ganhando bem e vivendo de forma independente.
Ela comprou uma casa em Richmond, no norte da Califórnia, numa vizinhança tranquila. Era uma casa simples, mas bonita, com um pequeno jardim, uma garagem, tudo o que ela havia trabalhado tanto para conquistar. Ela tinha uma família grande espalhada pelos Estados Unidos, tinha primos, tios, sobrinhos, participava de festas familiares, mantinha contato, era uma presença constante na vida deles.
Foi quando ela conheceu, em 1999, um homem que se apresentou como Larry Vanner e que tinha aparecido para fazer serviços de manutenção na casa dela. Ela precisava de alguns reparos elétricos, e o Larry era eletricista. Ele fez o trabalho, foi educado, competente, cobrou um preço justo e deixou ela satisfeita com o serviço.
Depois, ele voltou para fazer outros pequenos reparos e os dois começaram a conversar. Ele parecia interessante, inteligente e uma pessoa decente. Eles começaram a se conhecer melhor e em pouco tempo estavam namorando. Logo depois, o Larry estava morando com ela. A família da Eun-sung ficou preocupada desde o primeiro encontro. Em dezembro daquele ano, ela levou o Larry para uma festa de ano novo na casa dos seus parentes. Era a primeira vez que a família conhecia o namorado dela.
A sua prima, Elaine Ramos, descreveu anos depois, em entrevistas, a sensação física de mal-estar que ela sentiu ao abrir a porta para o Larry naquela noite. Ela disse que o cabelo da sua nuca se arrepiou, que ela sentiu um frio na espinha, que algo dentro dela gritava que aquele homem não era confiável. Ela não conseguiu estender a mão para cumprimentá-lo, apenas acenou com a cabeça e se afastou. Durante a festa, ela observou o Larry de longe.
Disse que ele parecia educado, conversava normalmente com as pessoas, não fazia nada de errado. Mas ela não conseguia se livrar daquela sensação de que havia algo profundamente estranho naquele homem. Depois que eles foram embora, ela ligou para Eussum tentando alertá-la. Disse que não confiava naquele homem, que havia algo estranho nele.
que ela deveria tomar cuidado. Segundo Elaine, a Ionson ouviu, disse que entendia a preocupação, mas defendeu o Larry. Mas não era só a prima que achou ele estranho. E obviamente que o Larry, aqui vocês já entenderam, que ele era o Terry, né? Então, os amigos da Ionson também acharam ele esquisito. Ele era controlador, era invasivo, ele não gostava de falar do próprio passado, parecia que tinha alguma coisa que ele estava escondendo.
Sempre que alguém fazia perguntas pra ele sobre cidades onde ele cresceu, sobre a sua família, coisas assim, ele desconversava. Então, ele era uma pessoa difícil de conhecer, de verdade. Então, ele sempre tentava desconversar, mudava de assunto pra não falar sobre a vida dele. E aí, os amigos acharam isso esquisito, tentaram alertar ela também, mas ela continuou defendendo o Larry, dizendo que ele era apenas reservado. Em 2001, a Eusun e o Larry...
realizaram ali uma cerimônia informal de casamento no quintal de casa, mas não era um casamento legal, né? Então, não tinha certidão de casamento, nada disso era uma coisa mais simbólica. Era basicamente uma cerimônia ali para os amigos mais próximos, para celebrar ali a união dos dois. E aí, o tema da festa era Star Trek.
A Elson era muito fã, então todo mundo se vestiu como os personagens. A festa tava toda decorada, né, com o tema. E ela parecia realmente muito feliz naquele dia. Porém, poucos dias antes dessa celebração, a Elson já tava conversando com algumas amigas sobre o Larry.
Foi nesse ponto que ela começou a se incomodar com ele. Ela disse que ele não tava querendo trabalhar. Aparentemente, ele estava trabalhando, né? Quando eles começaram a namorar. Mas a partir do momento que ele mudou pra casa dela, ela disse que ele parou de trabalhar. Então, ele ficava em casa o dia inteiro. E só ela que trabalhava. Ela também comentou com as amigas que parecia que ele vivia como se estivesse de passagem. Que ele não queria se comprometer realmente com ela.
Ele não queria formar uma família. Que ele não queria um compromisso real. E ali, a relação já tava azedando. Ela disse que tava difícil conviver com ele.
E que eles já estavam morando juntos há alguns anos. E ela ainda sentia que não conhecia ele por completo. Ela começou a dizer para as amigas que ela estava pensando em dar um fim na relação. E aí, pouco tempo depois disso, ela desapareceu. Em maio de 2002, várias pessoas próximas a ela, né? Amigos e familiares começaram a fazer perguntas sobre ela para o Larry.
E aí, ele dava respostas, assim, meio estranhas, porque ele nunca repetia as mesmas respostas. Então, pra algumas pessoas, ele dizia que ela tava na Coreia visitando a família. Pra alguns, ele dizia que ela tinha viajado a trabalho. Pra outros, que eles tinham brigado e ela tinha saído de casa. E desde então, ele não sabia onde ela tava. Todo mundo tava ficando preocupado com essas respostas esquisitas. Até que, em junho, uma das amigas da Eusun decidiu falar com a polícia.
Por conta disso, ela já não via a amiga há alguns meses e achava tudo muito estranho. Então, ela relatou o desaparecimento dela.
A polícia vai até a casa da Elson, em Richmond, e quem abre a porta é o Larry. Então, eles começam a fazer várias perguntas, e ele foi muito educado. Parecia prestativo, assim, tentando responder tudo. Mas, conforme os investigadores tentavam ir mais a fundo nas perguntas, eles perceberam que ele começou a ficar nervoso. Então, ele dizia que eles tinham brigado por conta de dinheiro, que ela tinha saído de casa naquela noite depois da briga, e não tinha voltado mais.
Quanto mais eles faziam perguntas sobre ela, ele começou a se contradizer nas respostas. Então, no dia seguinte, a polícia volta pra fazer mais perguntas. E aí, eles pediram pra entrar na casa. Eles queriam dar uma olhada na casa e o Larry hesitou. Foi aí que eles sentiram que realmente tinha alguma coisa muito estranha.
Foi só em setembro daquele ano que a polícia conseguiu uma ordem judicial pra poder entrar na casa. Eles chegaram pra fazer uma busca completa com cães farejadores, equipes forenses, equipamentos de detecção, e logo que eles chegaram, eles foram direto pra garagem. No canto, eles perceberam que tinha muita areia pra gato, tipo, várias empilhadas uma em cima da outra. Eram quilos e mais quilos de areia pra gato, mas não tinha gato nenhum.
Os investigadores começaram a mexer naquela areia, a tirar do lugar, começaram a cavar ali na garagem, até que encontraram o corpo da El Sum.
enterrado embaixo de tudo isso. O seu corpo estava desmembrado e mumificado. Ela havia sido morta com golpes contundentes na cabeça e o corpo estava ali já fazia pelo menos algumas semanas, talvez até meses, ali embaixo de toda aquela areia para gato, enquanto o Larry estava vivendo na casa dela, como se nada tivesse acontecido. O mesmo método e o mesmo assassino. Então, ele já estava há um bom tempo, né?
aparentemente sem cometer nenhum crime, mas ele estava ali usando o mesmo método que ele já tinha usado três décadas antes. Ele foi preso em novembro daquele ano, acusado de assassinato. É aí que a polícia tira suas impressões digitais e joga no banco de dados nacional. De repente aparece um nome, Curtis Mayo Kimball, que havia ganhado liberdade condicional em 1990. Logo depois de sair da prisão, ele tinha violado.
a sua liberdade condicional, mas a polícia não conseguia encontrar ninguém com aquele nome. Foi só aí, depois de todo esse tempo, que a polícia finalmente entendeu que eles estavam lidando com um homem que mentia o tempo todo e inventava novas identidades. Alguém que tinha passado décadas fugindo, e a cada nova cidade, uma nova identidade, um novo nome, sempre inventando novas histórias pra si mesmo. Finalmente, ele tinha sido pego, mas a polícia ainda não sabia qual era a sua identidade verdadeira, que eu contei pra vocês desde o início, pra não ficar confuso.
O seu nome verdadeiro é Terry. Mas ali, pra polícia, naquele ponto, eles conheciam o Larry, que era o namorado da Ilson. Antes de Larry, era o Curtis, que tinha sido preso e tinha sido solto. Antes disso, ele era o Gary. E antes do Gary, era Gordon. Enfim, né, ele teve muitas identidades e ele foi preso. A polícia acreditando que ele era...
o Larry. E em junho de 2003, ele fez um acordo com a promotoria. Ele se declarou culpado do assassinato de Yung Sun, pra que ele não fosse a julgamento. Dessa forma, ele pegou 15 anos de prisão. Ele é enviado pra uma prisão de segurança máxima na Califórnia. E o sistema finalmente tinha conseguido prender aquele homem que tava, né, fugindo da polícia há muitos anos. Mas eles ainda não sabiam quem ele era. Eles não sabiam que além da Yung Sun, ele tinha matado muitas outras mulheres antes dela e crianças.
E tudo isso só veio à tona não porque ele confessou ou pela investigação policial que acabou conectando os casos a ele. E sim porque uma jovem mulher na Califórnia queria saber mais sobre os seus pais biológicos. Essa menina é a Lisa, que eu contei pra vocês que eu voltaria a falar da Lisa, né? Então...
Ela viveu com ele por mais ou menos 5 anos. Ele abandonou ela no trailer quando ela tinha 5 anos e meio. E aí, sem conseguir encontrar os pais biológicos dela, ela foi pro sistema de adoção, foi adotada. E quando chegou na vida adulta, ela ainda não sabia nada da sua vida antes da adoção. Ela já tava com a vida construída, como eu falei pra vocês. Ela estudou, se casou, teve filhos, teve sua própria família. Mas ela ainda tinha essa dúvida, né? Ela queria saber de onde ela veio.
Em 2014, plataformas de genealogia genética estavam ficando mais conhecidas. Então, como por exemplo o Ancestria, que eu já citei em inúmeros casos aqui para vocês, era uma plataforma que as pessoas estavam falando sobre que você conseguia colocar lá o seu DNA para você tentar encontrar a sua árvore genealógica, e ela decidiu colocar. Quando ela colocou o DNA dela lá, ela recebeu como resposta várias pessoas próximas, mas não eram próximas o suficiente para ela conseguir chegar até quem era o...
o seu pai ou sua mãe. Eram primos bem distantes, conexões de primos de terceiro, quarto grau. Ela ficou super frustrada, porque ela achou que finalmente ela conseguiria ter essas respostas. Mas o que ela não sabia é que em 2013, ou seja, um ano antes dela colocar o DNA dela lá no Ancestry,
Tava acontecendo toda uma investigação do outro lado do país. O detetive Peter Hadley, do departamento do xerife do condado de San Bernardino, na Califórnia, havia começado a investigar o passado do Larry Vanner. Ele queria entender quem era esse homem. Como eu expliquei pra vocês, o Larry, que na verdade é o Terry, né? Larry Vanner foi a última identidade inventada por ele. Tava preso desde 2002 pelo assassinato de Unsum.
E o detetive Peter tinha percebido que Larry não era o nome verdadeiro daquele homem. As suas impressões digitais ligavam ele a um outro nome, que é o nome Curtis, que por sua vez estava ligado a Gordon, que estava ligado a Gary. Então ele começou a se perguntar quantos nomes esse homem usou, quem ele realmente era de verdade e o que mais ele tinha feito. Havia uma questão muito específica que incomodava o Peter.
A garotinha que o tal do Gordon Jensen tinha abandonado em 1986 e se chamava Lisa. Um teste de DNA feito em 2003, logo após a prisão, havia provado que ele não era o pai biológico da Lisa. Mas então, quem era o pai dela? Quem era sua mãe? O detetive Peter começou a investigar. Porém, estava muito difícil de encontrar respostas, porque não havia registros, não havia pistas, não havia nada que indicasse quem eram os pais dela.
Ele precisava de ajuda, precisava de alguém que entendesse de genealogia genética, de alguém que pudesse usar a DNA para rastrear famílias, alguém com habilidades que ele não tinha. Ele seguiu fazendo essa investigação até que o Larry morreu na prisão no dia 28 de dezembro de 2010 de câncer de pulmão combinado com enfisema e pneumonia. Porém, o detetive sentia que ele precisava continuar pesquisando.
O Larry tinha 67 anos quando morreu e foi registrado com o nome que ele tinha inventado, sem que o sistema soubesse quem ele realmente era. Foi aí que o detetive Peter conheceu a Barbara Ray Venter. A Barbara havia nascido na Nova Zelândia, se formou em Direito, trabalhou por décadas como advogada de patentes na Califórnia.
Era um trabalho bem técnico e exigente e bem remunerado. Ela se aposentou na década de 2000 e precisava de um hobby, alguma coisa para ocupar o tempo. Foi quando ela descobriu a genealogia genética e começou a estudar por conta própria. Ela aprendeu a usar os bancos de dados de DNA, a construir árvores genealógicas e a rastrear conexões familiares através de fragmentos de DNA. Ela ficou obcecada por isso. Passava horas todos os dias trabalhando em árvores genealógicas, ajudando pessoas a encontrar parentes perdidos, resolvendo mistérios de adoção.
O Peter entrou em contato com ela e explicou o caso. Um homem que já estava morto, preso por assassinato, que usava múltiplas identidades falsas, e uma menina abandonada em 1986, cujos pais biológicos eram desconhecidos. A Barbara aceitou ajudar e os dois começaram a trabalhar juntos em 2015. Cada um investiu do próprio bolso em testes de DNA adicionais para a Lisa. Em assinaturas de bancos de dados de genealogia, em ferramentas de análise. Eles não eram pagos para isso.
O Peter fazia isso nas horas vagas, fora do seu expediente. E a Bárbara fazia isso como voluntária, sem receber um centavo. Foram quase dois anos de trabalho meticuloso e paciente. Eles pegavam o DNA da Lisa, comparavam com milhões de perfis nos bancos de dados, procurando conexões. Eles iam construindo árvores genealógicas e ramificando para trás por gerações, tentando encontrar um ancestral comum que levasse aos pais dela. Basicamente, era um trabalho de formiga. Cada conexão precisava ser verificada.
Eles descartavam centenas de pistas falsas, mas persistiram na busca. Em 2016, o rastro genético finalmente levou a New Hampshire. A genealogia genética apontou para um homem chamado Armand Beurin, que morava em Manchester. Foi aí que o Peter entrou em contato com a polícia de New Hampshire e explicou...
tudo que ele fez, toda aquela pesquisa. E aí, a polícia foi atrás do Armand e pediu pra ele pra fazer um teste de DNA. A polícia explicou pra ele que existia uma possibilidade muito pequena que ele fosse parente de uma mulher na Califórnia, que tava ali há muito tempo tentando encontrar a sua família. Então, ele já tava com mais de 80 anos, ele ficou um pouco confuso, mas decidiu fazer, né, o teste de DNA. Quando os resultados chegaram, algumas semanas depois, eles eram inequívocos.
O Armand era o avô materno da Lisa. O que significava que a mãe da Lisa era a Denise, a filha do Armand, que tinha desaparecido, levando a sua bebê, Dom, junto com ela, e um namorado que atendia pelo nome de Bob Evans. Então, a filha dele desaparecida todos esses anos que ele não fazia ideia do que tinha acontecido com ela.
Lisa Henderson, na verdade, era a Dawn. E o Bobby Evans, o homem que criou ela por cinco anos antes de abandoná-la, era aquele mesmo homem que estava preso e que a polícia ainda não sabia qual era a sua real identidade. Em 2016, quando o Peter ligou para o Armand e deu essa notícia de que a sua neta estava viva, vivendo na Califórnia, era uma coisa que ele jamais imaginou que fosse acontecer.
A Lisa voou pra New Hampshire e o encontro dos dois foi super emocionante. Então, ela ficou três dias lá conhecendo o avô, descobriu qual era o seu nome, quem era sua mãe. Dois anos depois, em 2018, ela volta a New Hampshire, dessa vez com o marido e com os filhos, pra que eles conhecessem a família biológica dela.
E o Arnold disse já em entrevista que era como se ela fosse um pedacinho da filha dele. Tinha uma parte dela que continuava viva ali na Lisa. Segundo o Arnold, ao mesmo tempo que foi incrível pra ele finalmente, né, conseguir se reencontrar com a neta...
Aquilo também deu uma certeza pra ele, né? Então, agora ele tinha certeza absoluta que a sua filha Denise estava morta e que, na verdade, ela tinha sido assassinada pelo namorado, pelo Bobby Evans, que é o Terry. Isso acabou abrindo uma porta muito maior pra polícia, porque se o Bobby Evans assassinou a Denise e sequestrou a filha dela, mudou o nome da filha dela, cuidou dela por cinco anos e depois abandonou ela, o que mais que ele tinha feito? Essa foi a primeira vez que a polícia conseguiu uma conexão maior.
com o nome que ele tava usando na época de Bobby Evans, porque todos os outros nomes que eles tinham, eles não conseguiam encontrar nada. Eram nomes inventados e não tinha nenhuma conexão na cidade ou algum trabalho, alguma coisa assim. Só que em New Hampshire tinha. Como o Bobby Evans, ele trabalhou em dois locais que eu citei pra vocês lá no começo do vídeo. Lá em New Hampshire, ele trabalhou como eletricista pra uma empresa, então tinha esse registro.
E ele também trabalhou pro proprietário do terreno adjacente ao parque, onde eles encontraram os restos mortais.
Então, essa é a primeira vez que eles tinham alguma conexão mais forte com um dos nomes que ele tinha inventado. Eles perceberam que o Bob Evans trabalhava lá naquela floresta, ele conhecia a floresta, conhecia a área. Justamente a área que os tambores foram encontrados, né? Pela polícia. Batendo as datas, tudo se encaixava perfeitamente.
Os peritos estimavam que as vítimas tinham sido mortas entre 1978 a 1981. Exatamente os anos em que o Bobby Evans morou em New Hampshire. A conexão estava feita, agora eles precisavam descobrir quem eram as vítimas. Nesse ponto, eles ainda não sabiam a real identidade dele. Sabiam só vários nomes que ele tinha usado em diferentes momentos.
Já que as impressões digitais dele estavam ligadas a muitos nomes diferentes que eu citei pra vocês. Que eram nomes que ele usou, mas que nenhum deles era verdadeiro. Eles precisavam dessa resposta, né? Precisavam saber quem realmente era aquele homem. Então, em 2017, eles decidem divulgar uma entrevista que tinha sido gravada em 2002. Durante toda a investigação que estava sendo feita sobre o desaparecimento da Yosun. No vídeo, um homem que se identificava como Larry estava falando, né? Sobre a sua namorada, sobre Yosun, respondendo as perguntas.
E como o vídeo era um pouco longo, dava pra ver como ele se mexia, os seus trejeitos, os seus sotaques, tudo. Dava pra ver quem era aquele homem, né, fisicamente. A polícia decidiu divulgar o vídeo esperando que alguém, um parente dele, reconhecesse. E finalmente...
aparecesse dizendo quem realmente era aquele homem, qual era a sua real identidade. Ao mesmo tempo que isso acontecia, a Barbara, que eu falei pra vocês, que trabalhou, né, vários anos com o detetive pra tentar chegar até a família da Lisa, depois de muitos anos tentando, ela tinha conseguido o acesso ao DNA da autópsia do Larry. Pra vocês terem ideia como esse caso é muito, muito bizarro, depois que ele morreu na prisão, ele foi cremado.
E as cinzas foram jogadas no mar. Mas antes disso, um pequeno tecido tinha sido guardado, né? Arquivado, porque é protocolo. Em todos os casos de morte em presídios, isso precisa acontecer. Então, aquele pequeno tecido tinha ali um pedacinho do DNA dele. Dessa amostra foi extraído o DNA, que depois de muito tempo, a Bárbara conseguiu chegar nele. E aí, ela começa aquele trabalho de tentar conseguir alguma conexão com esse DNA. Só que é um trabalho diferente quando a gente fala de homens, né?
Dessa vez, ela estava fazendo a pesquisa através da linhagem paterna, né? Que é o cromossomo Y. É um cromossomo que passa de pai pra filho sem muita modificação. Permitindo que seja rastreado por muitas e muitas gerações. Esse rastreamento foi muito lento. Então, ela passou muitos meses comparando um por um. Até tentar chegar em alguma coisa. Até que aquele cromossomo Y, depois de muita pesquisa, começou a apontar pra uma família que morava em Denver, no Colorado. E tinha o sobrenome Rasmussen.
A Bárbara conseguiu construir a árvore genealógica dessa família e começou a rastrear os descendentes procurando pelos homens e rastreando a idade deles, os anos, pra ver se algum deles batia. Pra saber se algum deles tinha aquela idade certa e estava na Califórnia, na época em que os crimes aconteceram. Foi aí que ela achou o seu primeiro candidato forte. O seu nome era Terry Peter Rasmussen, que tinha nascido em 1943.
A polícia de New Hampshire, junto com o Peter, o investigador, conseguiram localizar um dos filhos do primeiro casamento do Terry, que eu contei pra vocês lá no início. Ele abandonou aquela família. Ele visitou a família uma vez e depois nunca mais, né? Lembra que eu falei pra vocês que ele teve quatro filhos do primeiro casamento.
E aí, eles conseguiram localizar um desses filhos. Eles explicaram toda a situação pra ele, que não viu o pai há 40 anos, e ele decidiu fazer o teste. Duas semanas depois, vieram os resultados e a correspondência era perfeita. O Bobby Evans era, na verdade, o Terry. E depois de todos esses anos, de todos esses nomes e identidades falsas, finalmente eles sabiam quem realmente era aquele assassino.
Tudo levava pra aquele mesmo homem que tinha se alistado na Marinha, que tinha se casado, que teve filhos, montou uma família e a partir de algum momento ele decidiu abandonar aquela família e ele começou a criar várias identidades e a mudar de estado e a achar mulheres vulneráveis que acabavam se tornando suas próximas vítimas.
No dia 18 de agosto de 2017, as autoridades de New Hampshire realizaram uma coletiva de imprensa em Concord e anunciaram publicamente o nome do Terry. Essa foi a primeira vez na história criminal americana que genealogia genética havia sido usada para identificar um suspeito de assassinato. Aqui no canal eu já contei vários casos para vocês onde a genealogia genética foi usada, mas esse foi o primeiro. Essa técnica era revolucionária e abria possibilidades que não existiam antes.
Casos antigos que haviam esfriado décadas atrás poderiam ser resolvidos se houvesse DNA preservado. Quando a identidade do Terry finalmente foi confirmada, havia um problema enorme ainda sem solução. As quatro vítimas dos tambores de Beardbrook continuavam sem nome. Então, 32 anos após o primeiro tambor ser encontrado em novembro de 1985, e foram enterradas em Beardbrook, sendo registradas oficialmente como Jane Doe 1, Jane Doe 2, 3 e criança do meio. Os moradores de Allenstown nunca esqueceram daquelas vítimas.
E a resposta sobre quem elas eram viria de duas mulheres trabalhando de forma completamente independente. A primeira era uma mulher chamada Rebecca Heath, uma bibliotecária de Connecticut. E ela não era investigadora criminal, nem policial e não tinha treinamento forense. Era apenas uma bibliotecária que, como hobby, investigava casos não solucionados.
Ela passava suas noites e fins de semana lendo sobre casos antigos, percorrendo registros públicos online e procurando conexões que outros investigadores poderiam ter perdido. Ela era obcecada por casos de pessoas desaparecidas, por Jane Doe's não identificadas. Então, em outubro de 2018, ela ouviu pela primeira vez o podcast Beer Brook, produzido pela Rádio Pública de New Hampshire.
Era uma série de vários episódios detalhando o caso dos tambores, a investigação e a identificação do Terry. Ela ficou obcecada, ouviu todos os episódios, fez anotações e começou a pesquisar por conta própria. E aí ela lembrou de algo. Em 2017, mais de um ano antes, ela havia encontrado numa pesquisa online uma publicação antiga no Ancestry.
Uma mensagem de uma jovem que procurava pela meia-irmã Sarah, pela mãe dela, Marlise, e uma irmã chamada Marie. Essa publicação tinha sido feita em 1999, e a Rebeca havia anotado os detalhes na época, sobrenomes, idades, último paradeiro conhecido na Califórnia. Mas como não havia avançado naquela pista, acabou deixando o caso de lado. Depois de ouvir o podcast, ela releu suas anotações antigas e percebeu que as idades batiam.
Então ela decidiu entrar em contato com familiares da Marlise através de redes sociais, explicando o que ela havia encontrado.
e perguntando se eles sabiam o que tinha acontecido com a Marlise e as suas filhas. Uma das respostas trouxe a informação que mudaria tudo. A Marlise tinha desaparecido em novembro de 78, com um homem que tinha o sobrenome Hasmussen. A Rebeca pensou que não tinha como ser coincidência. Ela enviou a informação para as autoridades de New Hampshire no dia 12 de outubro de 2018, em um e-mail detalhado explicando toda a sua pesquisa, cheia de anexos.
A polícia levou a dica a sério e começou a investigar imediatamente. Ao mesmo tempo, do outro lado do país, a Bárbara trabalhava no mesmo problema por uma via completamente diferente. Os ossos das vítimas dos tambores estavam tão decompostos que o DNA bacteriano havia contaminado as amostras.
tornando-as praticamente inúteis para análise tradicional. Mas um laboratório forense da Universidade da Califórnia, em Santa Cruz, havia desenvolvido uma nova técnica para remontar fargamento de DNA de fios de cabelo sem raiz, algo que era considerado impossível até então. Cabelo sem raiz não tem núcleo celular, que é onde fica a maior parte do DNA, mas tem mitocôndrias, organelas celulares, que têm seu próprio DNA, passando de mãe para filho.
O laboratório conseguiu extrair DNA mitocondrial de fios de cabelo das vítimas que haviam sido preservados décadas antes.
E depois de meses de tentativas e ajustes, a técnica funcionou. A Bárbara pegou esse DNA e começou a fazer o mesmo trabalho que ela já tinha feito para identificar o Terry. E também para encontrar a família da Dawn. Ela comparou com os bancos de dados de genealogia, procurou conexões e construiu árvores. Foi assim que ela chegou à família Honeychurch.
A Rebeca e a Bárbara haviam chegado à mesma conclusão de forma completamente independente. Com diferença de apenas poucas semanas, usando métodos completamente diferentes. Por isso que eu falo pra vocês que muitos casos podem ser solucionados, né? Elas chegaram à mesma resposta, que tá completamente certa, de dois meios diferentes. Mesmo muitos anos depois.
O que é uma coisa muito incrível. Eu amo genética e eu amo o quanto ela pode ajudar a finalmente solucionar milhares de casos que as famílias estão aí há anos esperando por uma resposta. Quando as autoridades de New Hampshire conseguiram cruzar esses dados e os DNAs e tudo mais, eles finalmente conseguiram...
Chegar até alguns parentes, né? Que tinham esse sobrenome Honey Church. E comparando os DNAs, eles finalmente conseguiram descobrir quem eram aquelas vítimas dentro dos tambores. As duas mulheres que chegaram a essa resposta e entregaram essa resposta pra polícia não eram policiais, não eram peritas. E nem receberam nada por esse trabalho. Elas eram voluntárias. No dia 6 de junho de 2019, foi organizada uma coletiva de imprensa pra que eles finalmente dessem os nomes, né? As identidades pra aquelas vítimas.
Das quatro vítimas do tambor, ao todo eram quatro, eles conseguiram três nomes. A Marlise e suas filhas Marie e Sarah. As famílias que acreditavam que a Marlise tinha simplesmente decidido abandoná-los e cortar completamente o contato com eles, agora tinham uma resposta. E eles estavam lá no dia desse comunicado. Eles agradeceram aos investigadores, mas principalmente às voluntárias que conseguiram fazer todo esse trabalho simplesmente porque elas queriam chegar numa resposta.
Infelizmente, a Angelina, mãe da Marlise, que tinha brigado com ela naquele ação de graças, já tinha falecido. Então, ela morreu sem saber o que tinha acontecido com a sua filha. Ela morreu acreditando que a filha tinha escolhido se afastar. Já o Michael, que é pai da Marie, uma das filhas da Marlise, que eu relembrando vocês, ele tinha contratado um investigador particular porque ele queria encontrar sua filha, também faleceu antes da resolução do caso.
E o pai da Sarah também tinha falecido poucos anos depois do desaparecimento dela. Porém, os irmãos da Marlise estavam vivos.
Os primos, os filhos deles, né? Os primos das filhas dela. Uma família grande que tinha perdido três membros, agora finalmente poderia enterrá-los com dignidade. Mas, como eu falei pra vocês, eram quatro vítimas. Três foram identificadas, então ainda faltava uma. Usando o DNA dessa vítima, comparado com o da Marlise e das meninas, eles perceberam que elas não eram parentes. Mas, quando comparado com o DNA do Terry, foi aí que eles perceberam que ele era o pai biológico dela. O Terry tinha matado a sua própria filha biológica.
e também tinha matado a Marlise e as filhas dela, né? Totalizando, assim, as quatro vítimas. Eles sabiam que o Terry era o pai, mas eles ainda não sabiam quem era a mãe. Então, o trabalho dos investigadores ainda não tinha terminado. Em 2024, 24 anos depois do segundo tambor ter sido encontrado, 40 anos, né? No total, depois...
daqueles corpos terem sido abandonados na floresta, finalmente eles tinham uma resposta. A polícia de New Hampshire decidiu se juntar com a organização Voluntária DNA Doe Project, que é uma organização sem fins lucrativos que começou em 2017 e é completamente composta por voluntários que usam genealogia genética para tentar identificar vítimas sem identidades nos Estados Unidos. Eles pegaram esse caso e depois de um processo bem longo e meticuloso...
que só chegou em uma pista sólida em 2025. Um obituário que tinha sido publicado em 2005 no Texas. Era uma homenagem a uma descendente de um casal ancestral. No texto do obituário, entre os sobreviventes listados, tinha uma filha, chamada Pepper Reed. A Pepper foi a mulher que eu citei pra vocês lá no comecinho do vídeo, que tinha visitado a família no Natal, dizendo que ia se mudar pra Califórnia com o companheiro, e ela tava grávida.
Em menos de 30 minutos depois de chegar esse nome da Pepper Reed, a equipe do DNA Doe Project encontrou a certidão de nascimento...
da Rhea Rasmussen, que nasceu em 1976. Os pais registrados na certidão de nascimento estavam lá, Terry e Pepper Reed. A menina do meio, né, a identidade que faltava ser descoberta das vítimas dos tambores, era a Rhea. Exatamente 40 anos depois, eles conseguiram dar um nome pra aquela vítima. Agora, todas as quatro vítimas do Beardbrook, as vítimas que aquela cidade nunca se esqueceu, finalmente foram todas identificadas.
Porém, ainda existiam dúvidas que o Terry levou junto com ele para o túmulo. Como eu falei para vocês, ele morreu no dia 28 de dezembro de 2010, cinco dias depois de completar 67 anos no presídio de segurança máxima da Califórnia, sem nunca ter sido confrontado sobre os assassinatos de Birbrook. Ele morreu sem nunca ter sido questionado sobre a Denise, sem nunca ter dado satisfações sobre a Pepper ou sobre a própria filha, Ray. A lei o havia alcançado apenas uma vez.
pelo assassinato de Aung-sung, e mesmo assim sob um nome falso. A sentença de 15 anos estava sendo cumprida por um homem cujo nome verdadeiro o sistema jamais conheceu quando ele estava vivo. E hoje, mais de 16 anos depois da sua morte, ainda existem perguntas, que provavelmente nunca serão respondidas. A Pepper e a Denise nunca foram encontradas. Só eles sabem onde os corpos estão enterrados.
A Lauren e a Denise, as duas mulheres que desapareceram em Manchester, New Hampshire, nos anos 80, que moravam a poucos metros do apartamento dele, também nunca foram encontradas. E não se sabe se realmente ele foi o culpado pelo desaparecimento delas. E além disso, há outra grande pergunta. Quantas outras vítimas existem além dessas?
O Terry viveu em pelo menos 10 estados americanos ao longo de décadas. Ele usou pelo menos 5 identidades falsas documentadas. Pode ser que ele tenha usado muitos outros nomes que a gente nem saiba. É possível que ele tenha vivido em outros lugares que nunca foram descobertos e que tenha matado outras pessoas que também nunca foram conectadas a ele.
O criminologista Jack Levin, professor da North Stern University, estudou dezenas de assassinos em séries e ele disse numa entrevista algo super interessante sobre o Terry. Ele falou que o que tornava o Terry único entre os assassinos em série era exatamente essa capacidade de construir confiança antes de destruí-la. A maioria dos assassinos em série mata estranhos porque é mais seguro. Não há conexão que possa levar a polícia até eles.
O Terry fazia o oposto. Matava pessoas que confiavam nele, que viviam com ele, que dependiam dele. E aí ele saía impune porque as vítimas não tinham como avisar ninguém antes de desaparecerem. E porque as famílias muitas vezes nem sabiam que havia alguma coisa pra investigar. Elas simplesmente achavam que suas filhas, suas irmãs, suas amigas haviam escolhido se afastar. E o Terry contava com isso.
O caso do Birerbrook foi o primeiro caso na história criminal americana em que a genealogia genética foi usada para identificar um suspeito de assassinato. A Bárbara, que trabalhou como voluntária nas horas vagas, desenvolveu e aperfeiçoou a técnica que depois seria usada em centenas de casos, tanto nos Estados Unidos quanto ao redor do mundo. Desde então, a genealogia genética forense se tornou uma ferramenta padrão em investigações criminais.
Em 2019, o FBI criou uma unidade específica de genealogia genética forense. Em 2020, pelo menos 40 estados americanos haviam usado a técnica em investigações criminais. Em 2023, mais de 500 casos haviam sido solucionados usando genealogia genética.
isso começou com os tambores de Birbrook e com uma genealogista aposentada da Nova Zelândia que decidiu trabalhar como voluntária porque achava que as vítimas mereciam ter seus nomes de volta. A Bárbara publicou um livro em 2023 com o título I Know Who You Are que em tradução seria Eu Sei Quem Você É. No livro ela dedica um capítulo inteiro ao caso de Birbrook. Esse caso se tornou um dos casos mais emblemáticos da história criminal americana.
não apenas pela brutalidade dos crimes ou pelo mistério que durou décadas, mas pelo que representa sobre perseverança, sobre se recusar a se esquecer, sobre a crença de que toda vítima merece justiça, mesmo quando isso parece impossível. Apesar de eu já ter contado pra vocês muitos casos, né, solucionados com genealogia genética, esse foi o primeiro. Então, eu precisava trazer ele aqui no canal pra vocês. Eu espero que não tenha ficado confuso, já que o Terry usava muitos nomes, por isso que eu decidi contar pra vocês a identidade dele desde o início, pra que vocês soubessem.
que ele era essa pessoa, mas usava outros nomes. E o que me deixa com mais raiva disso tudo é não só o fato de ele ter escapado muitas vezes da polícia, mas ele ter sido preso por um dos crimes que ele cometeu, que foram muitos, e por ele ter morrido antes que descobrissem quem ele realmente era. Eu não acho que ele iria contar.
tudo que ele fez, eu não acho que ele iria confessar outras vítimas, mas eu queria que ele soubesse que ele foi pego, sabe? Então, enfim, quero muito saber o que vocês acharam. Me conta aqui nos comentários, que esse caso é muito doido. Não esquece do like, que me ajuda muito na divulgação do vídeo. E é isso, pra mais casos, siga o podcast Quinta Misteriosa e aproveita pra avaliar em 5 estrelas se você gostou. Obrigada por ouvir e até o próximo caso.
Magalu
Nestlé Materna
Podcast É Noia Minha - Noias da Maternidade