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HONRA E HORROR - O TRISTE CASO DE SHAFILEA AHMED #574

12 de março de 202629min
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Em setembro de 2003, uma adolescente de 17 anos desapareceu em Warrington, Inglaterra. Seis meses depois, seu corpo foi encontrado às margens de um rio. Durante anos, a família insistiu que ela havia fugido. Mas sete anos depois, uma das irmãs revelou a verdade: quatro crianças testemunharam um assassinato dentro de casa. #574

Assuntos15
  • Segurança OperacionalMotivação baseada em vergonha familiar · Pressão cultural e tradição · Rejeição de valores ocidentais · Casamento forçado · Controle paternal extremo
  • Violência contra a mulherViolência física contra filhas · Isolamento e controle · Diferença de tratamento entre filhos e filhas · Marcas visíveis de abusos · Intimidação e ameaças
  • Desaparecimento de Shafilea AhmedData do desaparecimento (11 de setembro de 2003) · Relato tardio das autoridades · Campanha pública de busca · Mentira dos pais sobre fuga · Busca por seis meses
  • Cartas de Mehvish (Irmã mais jovem)Escrita de cartas detalhadas em 2008 · Descrição do crime · Urina na roupa/sofá · Limpeza obsessiva pela mãe · Preservação das cópias
  • Relacionamentos FamiliaresPlanos de casamento no Paquistão · Apresentação de pretendentes · Eixo da Resistência · Viagem forçada ao Paquistão · Casamento arranjado dos pais
  • Conflito geracional e culturalDiferentes expectativas entre pais e filha · Assimilação cultural ocidental · Rejeição de roupas e comportamentos ocidentais · Maquiagem e aparência pessoal · Liberdade individual vs. valores familiares
  • Descoberta do CorpoEncontro em rio Can't · Estado de decomposição e desmembramento · Identificação por joias · Análise forense · Localização distante de casa (110 km)
  • Papel do Parlamento e SenadoInquérito judicial (2008) · Veredicto de crime de honra · Julgamento na Chester Crown Court · Discurso do juiz sobre ideologia · Proteção de identidade de menores · Elegibilidade para liberdade condicional
  • Sentença de LekhaPrisão por envolvimento no roubo · Reconhecimento de abuso sofrido · Sentença suspensa de 12 meses · Consideração judicial do contexto familiar · Proteção de identidade
  • Ideologia e Papéis de GêneroApenas filhas eram agredidas · Único filho era poupado · Seleção baseada em sexo · Valores culturais discriminatórios · Observação judicial sobre gênero · Padrão de controle específico para meninas
  • Atuação de Lucia na políticaMigração de Bradford, Paquistão · Casamento arranjado do pai · Duas esposas (Vivi e Farzana) · Mudança de valores do pai · Promessa sobre educação das filhas · Vida em Warrington
  • Impacto em Testemunhas e AmigosCusto psicológico para Lekha · Custo psicológico para Mehvish · Impacto em Shamir (amiga) · Divisão de amizades · Hostilidade comunitária · Trauma dos irmãos menores
  • Direitos e Indenizacao de VitimasFormulário de emergência ao conselho (2003) · Descrição de abusos físicos · Isolamento e prisão domiciliar · Acomodação de emergência em hotel · Lentidão dos serviços sociais · Falta de intervenção eficaz
  • Saúde Mental e SuicídioIngestão de água sanitária · Desespero e desesperança · Trauma e Comportamento · Hospitalização prolongada · Negligência parental durante recuperação
  • Roubo OrquestradoInvasão da casa em agosto de 2010 · Roubo de joias e dinheiro · Prisão de Lekha · Motivação desconhecida · Consequências criminais
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Shafilia Ifchikara Med nasceu em 14 de julho de 1986 em Bradford, na Inglaterra. Filha de imigrantes paquistaneses, ela era a filha mais velha. Seu pai, Ahmed, um motorista de táxi de 52 anos, e sua mãe, Farzana, uma dona de casa de 49 anos. A família mais tarde se mudou para a área de Great Sunkey, em Warrington, Sheshire, onde viveram em uma casa na Liverpool Road. Conhecida entre os amigos pelo apelido carinhoso de Shaf, ela era descrita por aqueles que a conheciam como a garota mais extrovertida e amigável do mundo.

Presley College, a partir de setembro de 2003. Ela era uma estudante A-Level, que é o pré-universitário britânico com a ambição de se tornar advogada. Pra ganhar algum dinheiro, ela também trabalhava a meio período em um call center na main web em Warrington. Sheffieldia tinha quatro irmãos mais novos. A segunda filha era Leisha, nascida em 1988. Depois vinha Mevish, nascida em 1991. O único irmão homem era Juniade, que era o quarto filho.

Também tinha a caçula da família, mas a identidade foi protegida por ordem judicial, por ela ser menor de idade. Completando assim os cinco

Chafilha era descrita como uma jovem brilhante, cheia de vida e com muitos planos para o futuro. Amigos da escola lembram que ela era popular e se dava bem com todo mundo. Professores a descreviam como uma aluna dedicada que se esforçava para alcançar suas metas acadêmicas. Apesar da fachada feliz que mostrava o mundo, sua vida em casa era radicalmente diferente. A sua família era descrita por vizinhos como reservada, mas a vida de Chafilha em casa era marcada por um controle rígido e abusos que se intensificaram à medida que ela crescia e adotava costumes ocidentais.

A família remonta à geração anterior. Iftikar havia se casado com uma dinamarquesa chamada Vivi Lone Anderson, em 1980. O casal viveu junto por anos. E Iftikar, na época, parecia apreciar a cultura ocidental. Porém, cinco anos depois, durante uma visita ao Paquistão com a esposa, ele foi submetido a uma imensa pressão familiar. A sua família o forçou a um casamento arranjado com sua prima Farzana. Ele não contou a Vivi sobre a nova esposa até que ela se mudasse para a Inglaterra.

A Vivi descobriu a verdade mais tarde e o casamento chegou ao fim. Essa situação criou um precedente na família.

A família seguia o ramo sunita do Islã e falava Punjabi em casa. Iftikar e Farzan eram primos que vieram da pequena vila de Utan, no distrito de Gujarat, no Paquistão. Iftikar havia emigrado para a Inglaterra com sua família quando ele tinha 10 anos. Após o segundo casamento, ele se distanciou completamente da cultura ocidental que antes apreciava. Ele havia feito uma promessa a Vivi. Se tivesse uma filha, não a deixaria crescer sem a estrita orientação islâmica. Essa promessa, feita em um contexto de culpa e pressão,

parece ter moldado a sua abordagem severa com as filhas. Farzana vinha de uma criação mais tradicional no Paquistão e tinha expectativas muito rígidas sobre o comportamento das filhas. Então esse é o contexto que criou um ambiente onde a filha, uma jovem britânica, nascida e criada na Inglaterra, estava em constante conflito com as expectativas dos pais. Ela queria o que qualquer outra garota britânica queria com 17 anos, então ela queria sair com as amigas, queria ir no shopping, queria usar maquiagem, vestir roupas ocidentais e futuramente namorar.

era uma vergonha pra família. Amigos se lembram uma vez que ela foi chamada de vagabunda pela mãe, simplesmente porque ela tinha pintado o cabelo e colocado unhas postiças. Os pais viam essas escolhas dela como uma rejeição à cultura paquistanesa e aos valores islâmicos. Cada tentativa de deixar a filha desintegrar à cultura britânica, que era onde ela tinha nascido, onde ela viveu a vida toda, era vista como uma afronta pelos pais, como um ataque direto à honra da família. O controle dos pais sobre as suas roupas, suas amizades, seus movimentos,

E eles ficavam cada vez mais opressivos. Então, esse conflito dela com a família, às vezes, chegava à violência física e emocional. Quando a Chafilha tinha 15, 16 anos, esses abusos se tornaram mais regulares. E ela apanhava muito dos pais. E essas agressões físicas deixavam marcas visíveis no corpo dela. Então, não eram só discussões, né? Professores viam esses machucados. E aí, a Chafilha explicava que ela tinha apanhado dos pais.

Que ela levava surras deles. Então, eles viam machucados pelos braços. Uma vez, ela estava com um corte no lábio.

E aí, mais tarde, as irmãs dela iriam contar como era tudo isso em casa. E todas as filhas mulheres apanhavam dos pais. Como eu falei pra vocês, tinha apenas um filho homem na família. E ele era poupado dessas agressões. Todas as meninas eram espancadas. E a Alicia, uma das irmãs, testemunharia mais tarde que a mãe era mais violenta que o pai. E ela acreditava que era porque a mãe passava mais tempo em casa do que ele. Em uma ocasião, a sua filha chegou à escola com marcas no pescoço. E as amigas perguntaram o que tinha acontecido.

tinha informado ela usando um fio de telefone. Em uma outra ocasião, teve um incidente com uma faca, onde a mãe passou a faca pro pai, meio que pra assustar a chefilha. Ela tinha o cabelo comprido e tava usando trança. E todas as irmãs viram essa cena horrorizadas. Em 2003, a chefilha tava desesperada por ajuda, então ela decidiu procurar o conselho municipal. Ela preencheu um formulário de emergência contando o que ela passava em casa, então ela descreveu cenas horríveis.

Ela disse que enquanto um dos pais segurava ela, né, prendia ela, o outro batia.

O momento revelava o horror que ela passava em casa, a repressão dos pais, as surras, tudo que eles faziam com ela. Ela também não podia usar o telefone em casa pra ligar pra ninguém, então ela meio que vivia ali dentro totalmente isolada. Era como se ela fosse uma prisioneira ali, sempre vigiada e sendo abusada pelos dois pais, né? Pelo pai e pela mãe, então ela não tinha ninguém pra defendê-la e era basicamente submetida a tudo isso, não tinha nada que ela pudesse fazer.

planejando levá-la à força para o Paquistão. O objetivo era forçá-la a casar com um dos seus primos no Paquistão. Então, quando ela descobriu esse plano dos pais, ela ficou horrorizada. Ela não queria de jeito nenhum que eles fizessem isso. Ela estava com muito medo que eles levassem ela para o Paquistão e que ela nunca mais voltasse para a Inglaterra. Então, ela decidiu fugir. Ela procurou as autoridades e se declarou como sem teto.

Então, a prefeitura arranjou um lugar para ela dormir, em um hotel. Eram acomodações de emergência. E naquele formulário que ela preencheu, ela contou o motivo claro, né?

da fuga de casa. Então, ela contou que os pais queriam obrigá-la a se casar no Paquistão com o primo. Ela também mencionou todos os abusos físicos e emocionais que ela passava em casa. E mais tarde, os serviços sociais foram muito criticados por terem sido muito lentos em agir, né? No caso dela. Apesar de todas as alegações de tudo que ela tinha contado, não houve nenhuma intervenção rápida ou eficaz que pudesse realmente ajudá-la no que ela estava passando. Então, ela ficou algumas semanas morando nesse hotel.

convencida a voltar pra casa, provavelmente pressionada pela família e porque ela não via outras opções, né? Semanas depois de ter voltado pra casa, a família toda vai pra uma viagem no Paquistão, os pais, a chafilha e todos os irmãos. Eles disseram pra ela não se preocupar que era só uma viagem de férias, mas ela sabia do plano deles. Durante essa estadia, depois de alguns dias, eles apresentaram um pretendente pra ela e ela disse que não, que ela não se casaria com ele. Até que aconteceu algo terrível. A chafilha, de alguma forma, bebeu água

Os pais alegaram que tinha sido um acidente, que houve um apagão na energia, e que ela confundiu a água sanitária com enxaguante bucal. As evidências mostravam, na verdade, que tinha sido uma tentativa de tirar a própria vida, porque ela se viu nessa situação, que pra ela era uma condenação de morte, ser obrigada a casar com alguém da família e ficar no Paquistão. E aí, ela ficou meses no hospital por conta de ter bebido a água sanitária.

Ela sofreu danos extensos na garganta e no esôfago, então ela precisou ficar um bom tempo lá internada.

E aí, uma coisa chocante pra mim é que os pais decidem voltar pra Inglaterra com o restante dos filhos e simplesmente deixam ela no Paquistão. Ela ficou lá, doente e vulnerável, com a família estendida, se recuperando, sem as irmãs, sem os pais, eles simplesmente deixaram ela lá. Depois de um tempo, quando ficou claro que ela tava se recuperando e que ela não corria mais risco de vida, foi quando finalmente trouxeram ela de volta, né, pra Inglaterra.

Quando ela voltou pra Warrington, ela tava fisicamente debilitada, mas tava determinada a viver.

conta da garganta danificada. Quando ela voltou pra Warrington, parecia ali que a sua vida voltaria ao normal. Em setembro de 2003, ela se matriculou na Priestley College pra continuar, né, seus estudos de A-level. Ela tava determinada a se tornar advogada e conseguir construir uma carreira pra si mesma e uma vida, né, fora ali dos limites impostos pelos pais. Só que aí, na noite do dia 11 de setembro, fazia apenas uma semana que ela tinha voltado, né, pras aulas, do nada ela desapareceu. Mas não foram os seus pais que relataram

seu desaparecimento, e sim os seus professores. Eles perceberam que ela estava faltando, então eles relataram o desaparecimento dela, dizendo que eles estavam preocupados. Isso aconteceu uma semana depois dela ter desaparecido, então quando as autoridades questionaram os pais do porquê deles não terem ido até as autoridades, eles disseram que a resposta era simples, que a sua filha tinha fugido de casa. Eles disseram que ela era uma garota rebelde, que não respeitava os valores da família e que provavelmente estava com amigos. Mesmo assim, a polícia inicia uma investigação de pessoa desaparecida,

campanha de busca. Foi uma campanha pública, e a atriz chove na gulat. Era meio que o rosto da campanha, então ela aparecia sempre na mídia, ela leu alguns poemas escritos pela chafilha. Cartazes foram espalhados por todo o país, e aí as semanas começam a passar, e aí as autoridades sabiam que ela precisava desse tratamento regular, né, por conta da garganta. E ela não tinha aparecido em nenhum hospital, em lugar nenhum, pra continuar o tratamento.

E por conta disso, eles começaram a acreditar que, na verdade, ela provavelmente não tinha só fugido, igual os pais disseram, eles começaram a acreditar que alguma coisa

pior tinha acontecido. O superintendente Jaren Jones, que queria liderar a investigação, disse na época que a família alegava que um pretendente havia sido encontrado para a chafilha no Paquistão, mas que ela era livre para tomar suas próprias decisões. A polícia começou a considerar a possibilidade de um crime de honra. Em fevereiro de 2004, seis meses após o seu desaparecimento, fortes chuvas causaram inundações no rio Kent, perto de Seedwick, em Cumbria, cerca de 110 quilômetros de Warrington.

Trabalhadores que faziam limpeza nas margens do rio fizeram uma descoberta horrível.

esmembrados, escondidos, deliberadamente na vegetação. O corpo estava em estado avançado de decomposição. Havia sido despido de qualquer coisa que pudesse identificá-lo. Mas entre os restos, a polícia encontrou duas peças de joalheria. Uma pulseira de ouro em zigue-zague e um anel de topazio azul. Quando mostraram as joias aos pais da chafilha, eles as identificaram como pertences da filha. Mais tarde, exames forenses confirmaram que os restos eram da chafilha.

A jovem de 17 anos, que sonhava em ser advogada, estava morta. Agora, a polícia investigava um caso de assassinato.

Então, eles precisavam de algo mais.

Em 2003, ainda quando a chafilha era considerada uma pessoa desaparecida, a polícia tomou uma medida extraordinária. Instalou secretamente dispositivos de escuta na casa dos pais dela. Por meses, eles gravaram as conversas da família e o que eles ouviram foi perturbador. Nas gravações, a Farzana, a mãe, foi ouvida várias vezes alertando os filhos para manterem silêncio. Em uma conversa, ela disse a uma das crianças que se a menor coisa sair de sua boca, ficaremos presos em problemas reais.

Então, nesse ponto, era claro que havia uma ameaça. As crianças sabiam de alguma coisa e eram instruídas a manter segredos.

Em outra gravação, o pai foi ouvido dizendo algo arrepiante. Ele disse, conseguindo o apoio dos jornais, você pode ser safado em um assassinato. Ele parecia estar discutindo estratégias de relações públicas, como se estivesse planejando manipular a narrativa pública a seu favor. Em outra ocasião, ele perguntou à esposa, o que eles vão encontrar no carro? Ao que ela respondeu, mesmo se encontrarem saliva no carro, não é nada. Essas conversas eram incriminatórias, mas não eram confissões diretas.

Em nenhum momento eles ouviram nas gravações, o pai ou a mãe dizendo claramente que tinha cometido um crime.

Nessas gravações também ficou bem claro pros detetives como a família funcionava. Agora tinha ficado óbvio pra eles que a casa era um lugar de terror constante. Então eles ouviam nas gravações a mãe gritando com as filhas o tempo todo. Xingando elas. E dava pra ouvir também o único filho homem tentando acalmar a mãe. Mas as escutas, por mais suspeitas que fossem, não eram suficientes, né? A polícia precisava ali de uma testemunha, de alguma coisa mais clara.

E as únicas pessoas que pareciam ter sido as testemunhas, né? Os irmãos da sua filha.

para falar qualquer coisa. Em 2008, quatro anos após terem encontrado o corpo da Chafilha, foi realizado um inquérito judicial para determinar oficialmente a causa da morte. O veredito do legista foi claro. Chafilha tinha sido vítima de um homicídio. Os pais imediatamente tentaram anular esse veredito na justiça. Eles falharam, mas ainda assim permaneciam livres e sem acusações contra eles. Entre 2008 e 2010, o caso deu uma estagnada, né?

Então, eles tinham as gravações, eles estavam totalmente convencidos que os pais eram,

os culpados, né? Por tudo que eles descobriram, como a família funcionava, pelo jeito que os pais agiram, né? Mas eles não tinham provas. A principal esperança da polícia era que agora, que já havia se passado alguns anos e as crianças estavam um pouco mais velhas, que alguma delas se sentisse determinada agora a falar o que tinha acontecido, né? Mas esse medo e essa lealdade familiar, mesmo que distorcida, mantinham todos os filhos em silêncio. Até que acontece uma coisa bem surpreendente.

e dez, quase sete anos após o assassinato da Chafilha, uma de suas irmãs, a Alicia, que estava estudando para se tornar advogada, agora com 22 anos de idade, ela decidiu organizar um assalto à casa dos seus pais. Três homens invadiram a casa da família quando todos estavam lá, então eles amarraram todos, e aí roubaram joias e 30 mil libras em dinheiro. Quem fez a ligação para a polícia para relatar o roubo foram os pais da Chafilha. A polícia fez uma investigação e rapidamente descobriu que a Alicia,

organizado tudo, então ela foi presa. Nenhum dos itens roubados foi recuperado e a Alicia foi presa por estar envolvida, né, no crime. A Alicia já tinha saído de casa quando ela orquestrou esse assalto, então ela tinha saído porque ela tava na faculdade, ela tinha um relacionamento bem tenso com os pais, mas o real motivo pra ela ter decidido fazer esse assalto nunca ficou muito claro. Alguns especulam que era uma forma de vingança, outros que ela precisava de dinheiro, então por problemas financeiros, e outros

Simplesmente que ela queria causar algum tipo de dano aos pais. Quando a polícia prendeu a Alicia por conta do envolvimento no crime. Aconteceu uma coisa que eles não esperavam. Porque depois de todo esse tempo, quase sete anos. Ela decidiu finalmente contar o que tinha acontecido. Naquela noite de 11 de setembro de 2003. A Alicia tinha apenas 15 anos de idade. E ela contou com detalhes o horror que tinha acontecido na casa. Então ela disse que naquele dia a mãe foi buscar a chafilha no trabalho. No carro a mãe ficou furiosa.

de manga curta com o decote em V e ela não tava usando nada por cima. Pra Farsana, aquilo era uma provocação inaceitável, um símbolo de desobediência. Quando elas chegaram em casa, a discussão escalou rapidamente. Ela conta que os pais começaram a brigar com a chafilha até que eles empurraram ela no sofá. Alicia testemunhou que ela ouviu a mãe gritar em urdu apenas termine aqui. Era uma ordem que ela tava dando, uma ordem de morte.

O pai agarrou e segurou a chafilha no sofá enquanto a mãe colocou um saco plástico dentro da boca dela. E depois,

os pais colocaram as mãos sobre o rosto dela pra tampar todas as vias aéreas. Alicia testemunhou tudo e viu a irmã desesperada lutando pela própria vida com os olhos arregalados, de pavor. Ela viu a irmã se debatendo, tentando respirar, tentando lutar. E ela disse que depois de cerca de dois minutos ela se foi e que ela testemunhou tudo. E quando ela contava isso pra polícia, ela chorava sem parar. Depois de alguns minutos, o corpo da irmã relaxou. Ela tinha urinado. Ela era uma adolescente de 17 anos.

anos que só queria poder fazer suas próprias escolhas. Todas as outras crianças, os outros irmãos da sua filha testemunharam tudo. Eles estavam horrorizados, então cada um correu pro seu quarto. A Alicia também correu pro quarto dela e ela disse que pela janela do quarto ela conseguiu ver o pai carregando alguma coisa pro carro envolto de sacos plásticos e ela sabia que era o corpo da irmã. O pai dirigiu até Cúmbria, cerca de 110 quilômetros de distância de onde eles moravam e lá ele descartou

apontou o corpo da filha no Rio Kent. Após finalmente ter coragem pra contar essa história devastadora, finalmente a polícia tinha o que eles faltavam, né? Eles tinham agora uma testemunha que tinha visto tudo. No dia 7 de setembro de 2011, os pais da chefilha, Iftikara e Farzana, haviam sido oficialmente acusados de assassinato. O julgamento começou na Chester Crown Court em maio de 2012 e os pais declararam inocentes. A Alicia testemunhou no início do julgamento, mais uma vez contando tudo o que ela tinha visto,

Então, ela contou em detalhes o que os pais fizeram naquela noite, até que aconteceu algo crucial, né, naquele momento, que iria corroborar com a história que ela tava contando. Uma garota chamada Shaheen Munir era uma amiga próxima da família. Em 2008, dois anos antes da confissão da Lisha, uma de suas irmãs, a Meviche, que tinha apenas 12 anos, quando os pais assassinaram a sua irmã, decidiu contar uma coisa pra essa amiga próxima da família.

história que a Lisha contou. Então, ela descreveu nessas cartas aquela noite de terror, a sua irmã sendo sufocada pelos pais, o plástico, o sofá, tudo. Ela também contou como a irmã urinou e a mãe, nas semanas seguintes, limpava aquele sofá de forma obsessiva pra tentar esconder a mancha de urina. Quando a Shaheen recebeu essas cartas, ela ficou horrorizada e ela temia pela segurança, né, da Meviche, morando na mesma casa que os assassinos da sua irmã, mas ela também não queria se envolver em um

do assassinato, então ela decidiu devolver as cartas pra Meviche, mas antes disso ela fez uma cópia de cada uma delas. Ela guardou essas cópias por muito tempo, sem saber o que ela faria com elas, mas elas estavam bem guardadas e documentadas. Quando ela viu na TV que a Alicia tinha contado tudo pra polícia e que os pais estavam sendo acusados de homicídio, ela decidiu ir até a polícia levar as cartas. Aquela era uma confirmação independente e poderosa, né?

Então os outros filhos não testemunharam da mesma forma que a Alicia, mas ali ela tinha uma prova, né? Escrita por uma das filhas.

No tribunal, a Mevichi, então, foi chamada pra depor. E é muito doido porque, a princípio, ela tava do lado da defesa, né? Do lado dos pais. Ela iria depor e testemunhar a favor dos pais. Mas, por conta das cartas, agora, ela tava do lado da acusação. Mas aí, sob juramento, na frente dos pais, aos 21 anos, a Mevichi negou tudo. Ela disse que as cartas eram apenas um exercício de escrita, que era ficção, que ela tinha inventado tudo. Mas o dano já tava feito, por mais que ela não tivesse forças ali pra, né?

que realmente a história era verdade, que ela tinha escrito o que ela viu. Eram cartas escritas antes da Alicia confessar, eram cartas que contavam a mesma história, tipo, exatamente a mesma coisa. Trechos das cartas foram lidos durante o julgamento, e em um dos trechos, a Meviche dizia, eles usaram um saco pra sufocá-la. Pro júri foi devastador ela não ter dito que realmente ela tinha escrito as cartas, mas pra eles era óbvio, porque ela ainda tinha muito medo dos pais. Então, a prova, de qualquer forma, tava ali.

A acusação foi liderada por Andrew Edges, um renomado advogado da coroa. A tese da acusação era clara. Os pais mataram Shefilia porque sua conduta ocidentalizada trazia vergonha para a família. Eles descreveram os anos de abuso como uma campanha de violência doméstica para forçá-la a se conformar aos valores tradicionais. A acusação apresentou o histórico de violência documentado, a tentativa de tirar a própria vida no Paquistão.

As escutas ambientais e, mais importante, o testemunho da Alicia e as cartas da Mevish. Os pais, separadamente, tentaram desacreditar

O pai, o Ift, carna o banco das testemunhas, sugeriu que a filha estava mentindo para se livrar da acusação de roubo que enfrentava. Ele a pintou como uma jovem rebelde e mentirosa. Por sua vez, Alicia havia mudado seu nome por escritura pública anos antes. Então, seu nome não era mais Rukesh, e sim Alicia, numa tentativa de criar uma nova identidade longe da sua família. Os pais usaram isso para sugerir que ela era instável. Já Farzana adotou uma estratégia diferente e ainda mais cruel. Ela mudou completamente sua versão dos acontecimentos naquela noite.

do crime e a ameaçado junto com as outras crianças para que ficassem em silêncio. Ela tentou se passar mais como uma vítima do marido violento, alegando que a Meviche era a única criança presente quando viu o marido atacando sua filha. Ela negou ter ordenado qualquer coisa ou participado ativamente do crime. Durante o julgamento, que durou quase 11 semanas, o júri também ouviu outros aspectos perturbadores da vida familiar. Descobriu-se que após o assassinato, a casa do Zamed permaneceu impecavelmente limpa e organizada. Não havia brinquedos espalhados, nem mochilas escolares, nem qualquer

ali. Era como se os pais quisessem apagar qualquer personalidade individual dos filhos. Um jornalista do Channel 4, que visitou a casa anos depois, descreveu como não havia uma única foto da chafilha. Ifticar se referia a ela apenas como a filha, e nunca pelo seu nome. O júri também ouviu o comportamento de Juniard, o irmão. Segundo o testemunho da Alicia, minutos após presencial o assassinato, o Juniard disse às irmãs que a chafilha mereceu o que tinha acontecido.

O juiz comentaria mais tarde que Juniard havia sido moldado pelos valores distorcidos dos pais, embora não tomasse

sobre se ele havia participado ativamente do crime. Em 3 de agosto de 2012, após deliberar, o júri voltou com seu veredito. Iftikar Ahmed e Farzana Ahmed foram considerados culpados pelo assassinato de Chafilha. A decisão foi unânime. Enquanto o veredito era lido, Iftikar permaneceu com o rosto impassível, sem demonstrar qualquer emoção. Já Farzana limpou as lágrimas que escorriam, num choro que muitos no tribunal consideraram ser por si mesma e não pela filha.

Ao ser levado para as celas, o Iftikar perdeu a compostura e começou a xingar os policiais, gritando obscenidades.

dos filhos sobreviventes da família, o Juniade Mevich e a irmã Cassula, desabaram em lágrimas. Mevich colocou a cabeça nas mãos e chorou. Eram lágrimas complexas, de alívio, de perda e de trauma. O juiz Roderick Evans, que era uma figura respeitada no sistema judiciário britânico, proferiu então a sentença. Ele condenou Iftikari Farzana à prisão perpétua. Eles deveriam cumprir uma pena mínima de 25 anos antes de serem consideráveis elegíveis para a liberdade condicional.

Antes de anunciar a pena, o juiz fez um discurso poderoso que se tornaria emblemático no caso. Suas palavras foram uma condenação

não apenas do ato físico do assassinato, mas da ideologia que o motivou. Ele disse, entre aspas,

Após a condenação do lado de fora do tribunal, Melissa Pounder, amiga íntima da Chafilha desde a infância, leu uma declaração emocionante em nome dos amigos.

a voz embargada, ela disse, entre aspas, esperamos por esse dia durante muitos anos. Vimos os seus assassinos andarem livres, mas hoje ouvimos essas palavras importantes. Palavras que finalmente trouxeram a nossa amiga à justiça que ela merece. A Chafilha era uma jovem cuidadosa, alegre e corajosa, que mesmo em seus momentos mais difíceis, sempre se esforçou para permanecer positiva e esperançosa de que um dia ela também seria capaz de viver a vida pacífica e feliz que merecia.

O detetive e superintendente Gerente Jones, que liderou a investigação, fez questão de fazer uma declaração importante à imprensa. Ele disse,

isso não é um crime de honra. É um caso claro de assassinato. A sua declaração foi uma tentativa de evitar que o crime fosse romantizado ou justificado por qualquer noção distorcida de cultura ou tradição. Matar uma filha porque ela não se comportava como você queria não é uma questão de honra. É simplesmente assassinato. A Alicia, que foi a única irmã que teve coragem de testemunhar o que tinha acontecido com a sua filha, tinha que responder pelo crime que ela cometeu, né?

O crime de roubo. Então, ela respondeu separadamente do caso dos pais. Ela foi sentenciada em novembro de 2012

todas as camadas desse caso, tudo que ela tinha passado com os pais, todos os anos de abuso físico e emocional, as agressões durante a infância, a ausência de proteção paternal, todas essas coisas que mudaram e distorceram a sua personalidade. Ele disse que a sua história era extraordinária, complexa e aterrorizante. Ele também observou uma questão que é muito importante nesse caso, quando a gente fala de cultura, que só as filhas meninas apanhavam. O irmão era poupado.

A sentença de 12 meses de prisão. Mas aí o juiz fez uma coisa incrível. Ele decidiu manter essa sentença por dois anos como suspensa. O que significa que durante esses dois anos, se ela não cometesse mais nenhum crime, ela nunca seria presa. Então ela não precisaria pagar os 12 meses dentro da cadeia. Sem a Alicia, os pais provavelmente não estariam presos naquele momento. A Shaheen Munir, a amiga da família que levou as cartas até a polícia, também pagou um preço alto porque Mevish não queria mais ser sua amiga.

pela prisão dos pais e disse que sentia muita raiva dela, que a confiança que ela tinha nela tinha sido quebrada. A Shaheen passou quatro dias no tribunal testemunhando o que acabou afetando os seus estudos, causando muita ansiedade nela e ela também teve que enfrentar a hostilidade de paquistaneses que também viviam em Warrington, que viam ela como uma traidora. Mas a Shaheen também sabia que ela tinha feito a coisa certa, então mais tarde ela deu uma entrevista dizendo que aquela tinha sido a coisa mais difícil que ela já tinha feito, mas que ela sabia que era a coisa certa a se fazer e que ela tinha

ajudado a trazer justiça pela chafilha. Mas, ao fazer isso, ela perdeu a melhor amiga, que tem muita raiva dela, e a culpa pela prisão dos pais. Ela também disse que ela pensa na chafilha todos os dias, que ela fica pensando que mulher ela teria se tornado, que escolhas ela teria feito, e que isso não é sobre ela, sobre os pais, ou sobre a Merviche, sim, sobre a chafilha. Após o julgamento, em 2012, e a prisão dos pais, o restante dos filhos desapareceram do radar da mídia. A proteção de identidade de vítimas no Reino Unido, principalmente menores,

de idade é bem rígida. A irmã caçula, por exemplo, que era a mais nova de todos os irmãos, nunca teve sua identidade revelada até hoje. Outra coisa do sistema britânico é que eles permitem a mudança de identidade para testemunhas de crimes graves, o que era esse caso, né? Isso acontece especialmente quando há risco de retaliação ou quando a exposição pública pode causar algum tipo de dano psicológico adicional. Então não se sabe exatamente que rumo cada um dos irmãos seguiu.

A Alicia, como eu falei pra vocês, já tinha mudado o nome dela, então é possível que ela tenha mudado novamente depois.

da prisão dos pais. Não há informações públicas sobre o que eles fizeram, onde eles estão e como eles seguiram em suas vidas. A lei os protege de terem suas vidas expostas, o que é uma coisa muito legal. Provavelmente eles receberam algum tipo de ajuda do governo britânico, por conta de todo o dano psicológico e tudo mais. Mas todos esses detalhes permanecem em sigilo absoluto. Já Iftikar e Farzana permanecem presos, cumprindo suas penas desde 2012. Eles vão ser elegíveis para a liberdade condicional em 2037.

Iftikar terá 77 anos e Farzana 74. Porém, quando se trata de prisão perpétua com uma sentença mínima de 25 anos, não quer dizer que após esses 25 anos eles já vão ser livres. Eles vão ser apenas elegíveis para pedir a liberdade condicional, que pode ser negada. Dado ao crime, que foi algo extremamente brutal, e ao fato de que eles não demonstraram arrependimento, é bem possível que eles nunca saiam. Após o julgamento, a polícia também iniciou uma investigação sobre a possibilidade de outras pessoas terem ajudado no crime,

O chefe executivo do Conselho de Mesquitas de Bradford incentivou qualquer pessoa que saiba alguma coisa nesse sentido a se apresentar, mas não há registro público que essas investigações adicionais tenham levado a novas acusações. Como o corpo foi desmembrado e levado por mais de 110 quilômetros, a polícia acredita que é bem possível que eles tenham recebido ajuda de familiares ou membros da comunidade, mas por enquanto não há provas disso.

de que assassinatos podem ocorrer simplesmente motivados por uma noção distorcida de honra familiar. E isso ainda ocorre em vários lugares do mundo. A história dela não é só sobre pais que decidiram assassinar a própria filha porque ela não queria viver em seus termos, mas sobre a coragem que ela teve pra lutar, pra ser quem ela queria ser, sobre a coragem da Lish e da Mevish, cada uma de sua maneira, mas que contribuíram muito pra trazer a justiça pro caso. Em homenagem a Sheffield, dia 14 de julho,

que é a data do seu nascimento, foi estabelecido como dia nacional de lembranças para vítimas de abuso baseado em honra no Reino Unido. A data serve como um lembrete anual das vidas perdidas pra esse tipo específico de violência e também pra chamar atenção pra casos desse tipo e pra que jovens como ela sejam protegidos. Essa é uma história bem forte, quero muito saber o que vocês acharam, então me conta aqui nos comentários, não esquece do like que me ajuda muito na divulgação desse vídeo. E é isso, pra mais casos, siga o podcast Quinta Misteriosa

avaliar em 5 estrelas se você gostou. Obrigada por ouvir e até o próximo caso.

HONRA E HORROR - O TRISTE CASO DE SHAFILEA AHMED #574 | Castnews Index — Castnews Index