O CASO JEFFREY EPSTEIN #572
Em 2005, uma madrasta ligou para a polícia de Palm Beach denunciando que sua enteada de 14 anos havia sido abusada por um homem rico. A investigação revelou dezenas de vítimas, um sistema de tráfico sexual operando há anos, e um acordo judicial que se tornaria uma das maiores vergonhas da justiça americana. Esta é a história de Jeffrey Epstein. #572
- Sistema de recrutamento e abuso de menores em Palm BeachRecrutamento por Haley Robson · Aliciamento de garotas vulneráveis · Pagamento por massagens e atos sexuais · Proposta de recrutamento de mais vítimas · Método sistemático na mansão de Palm Beach · Papel de Sara Kelly como assistente
- Acordo de não processamento federal de 2008Negociações com Alexandre Acosta · Acordo secreto sem informar vítimas · Cláusula de imunidade para co-conspiradores · Violação da Lei de Direitos das Vítimas · Culpabilidade em duas acusações estaduais · Pena de apenas 18 meses
- Sabotagem da investigação pelos promotores de Palm BeachBarry Krischer como promotor estadual · Ignorância às vítimas e polícia · Vazamento de evidências aos advogados de Epstein · Convocação de grande júri tendenciosa · Redução de acusações para solicitação de prostituição · Fiança de apenas 13 mil dólares
- Morte de Jeffrey Epstein em prisão em agosto 2019Encontrado morto na cela · Fraturas no pescoço · Determinação oficial de suicídio · Circunstâncias questionáveis · Retirada de vigilância de suicídio · Câmeras não funcionando · Guardas negligentes
- Investigação Casos HistóricosDenúncia inicial da madrasta em março de 2005 · Trabalho do detective Joseph Ricorei · Identificação de múltiplas vítimas · Busca na mansão em outubro de 2005 · Evidências físicas encontradas · Depoimento de funcionários
- Prisão federal em 2019 e acusações federaisPrisão em julho de 2019 ao chegar do exterior · Acusações de tráfico sexual de menores · Busca na mansão de Manhattan · Centenas de fotografias de menores · Passaporte falso encontrado · Recusa de fiança
- Violência contra a mulherPrimeiro contato através da comunidade artística · Abuso de Maria no rancho no Novo México · Abuso de Anne em Nova York · Denúncia ao FBI em 1996 · Silenciamento pela revista Vanity Fair · Ameaças de Ghislaine Maxwell
- Equipe de defesa de alto custo do EpsteinAlan Dershowitz de Harvard · Roy Black advogado criminal · Jerrod Lavcourt · Kenneth Starr procurador independente · Investigadores particulares · Ataque à credibilidade das vítimas
- Virginia Giuffre e tráfico sexual contínuoRecrutamento por Ghislaine Maxwell · Abuso entre 2002 e 2004 · Entrega para outros homens poderosos · Viagem para Tailândia e escapada · Casamento e decidir falar · Processamento de Príncipe Andrew em 2014
- Jeffrey EpsteinInfância e educação no Brooklyn · Carreira como professor sem credenciais · Trabalho em Wall Street e esquema de pirâmide · Relacionamento com Leslie Wexner · Criação da J. Epstein Inc como empresa de gestão financeira · Acumulação de propriedades e riqueza
- Prisão e condenação de Ghislaine MaxwellRecrutadora e facilitadora principal · Captura pelo FBI em julho 2020 · Julgamento em 2021 · 5 condenações de 6 acusações · Sentença de 20 anos em julho 2022 · Testemunhos de vítimas
- Papel de Ghislaine Maxwell na redeRecrutadora e facilitadora principal · Vida como socialite filha de magnata · Proximidade com família de Epstein · Viagens para recrutar garotas · Ameaças contra denunciantes · Relacionamento de dependência com Epstein
- Tecnologia e InovacaoSérie 'Perversão da Justiça' · Meses de investigação com vítimas · Revelação completa dos crimes · Exposição do sistema de justiça falhado · Pressão pública nacional · Retomada da investigação federal
- Príncipe Andrew e envolvimento com EpsteinRelacionamento próximo por décadas · Fotos de ocasiões múltiplas · Registros de voo no jato particular · Alegações de Virginia Giuffre · Resolução civil em fevereiro 2022 · Perda de títulos militares e funções públicas
- Cumprimento de sentença com privilégios excepcionaisCelular particular no centro de detenção · Saídas para trabalho após 3 meses · 12 horas de ausência por dia · Desobediência às regras de criminosos sexuais · Liberação em verão de 2009 · Registro como criminoso sexual
Hoje eu vou contar pra vocês o caso do Jeffrey Epstein disparado o caso que vocês mais me pediram nas últimas semanas. É um caso muito complexo, é um caso que parece não ter fim. Então, é muita coisa, muita informação, por isso que demorei pra trazer aqui pra vocês. E é aquele tipo de caso que parece que ele nunca termina, sabe? Quanto mais você pesquisa, mais coisa aparece, enfim. Vou tentar explicar da melhor forma pra vocês. Então, bora começar o caso de hoje.
Palm Beach, na Flórida. West Palm Beach fica do outro lado da ponte de Palm Beach. É separada apenas por água, mas ali tem dois mundos completamente diferentes. De um lado da ponte é um e do outro lado é outro. Enquanto Palm Beach é uma ilha repleta de mansões milionários, pessoas muito bem sucedidas, o outro lado, né, West Palm Beach, é onde vivem as pessoas que trabalham pra esses milionários. Então, é a classe trabalhadora, uma cidade repleta de famílias que lutam pra pagar suas contas. A Hayley estudava na Royal Palm Beach,
high school, onde mais da metade dos alunos vinham de famílias consideradas economicamente desfavoráveis. Então, ela era uma garota comum, que estudava, que tinha amigos, que tinha sonhos. Até que em 2002, quando ela tinha apenas 16 anos, algo terrível aconteceu e que iria moldar toda a sua vida. Naquele ano, ela foi abusada. Pior do que o abuso em si, era o que veio depois. O homem que abusou dela e o seu melhor amigo começaram a segui-la por toda parte. Na escola, quando ela ia pra casa,
na academia, onde quer que ela fosse, eles apareciam lembrando a ela o que tinha acontecido e humilhando ela o tempo todo. Isso começou a mudar quem a Hayley era, ela começou a ficar desesperada e os pais perceberam que tinha alguma coisa muito errada. Eles decidiram levá-la para um psicoterapeuta e também para um psiquiatra. Ela começou a ter um terror noturno, ela andava dormindo pela casa. Os sintomas que ela tinha eram tão graves que o psiquiatra receitou vários remédios bem pesados, como Xenex, Celexa, Lexapro, entre outros.
de Palm Beach queria recomeçar em outro lugar, longe dos seus abusadores. E longe de todas aquelas lembranças horríveis que ela tinha. Então, pra conseguir isso, ela precisava de dinheiro. Até que em 2003, perto de completar 17 anos, ela tava no Canal P. Beach Resort, em Riviera. E uma amiga chamada Molly se aproximou dela e perguntou se ela queria ganhar dinheiro. A proposta parecia muito simples. Ela só precisava fazer uma massagem em um homem rico.
E ela ganharia 200 dólares. Molly explicou que nesse momento da massagem, ela precisaria estar só de calcinha e sutiã, mas que seria
só uma massagem. Pra Hailey, que tava desesperada pra sair de West Palm Beach, parecia uma coisa fácil, um jeito fácil de conseguir dinheiro, então ela aceitou. Alguns dias depois, Molly leva a Hailey até uma mansão em Palm Beach. Palm Beach, na Flórida, é sinônimo de riqueza extrema. É uma ilha-barreira no Oceano Atlântico, conectada ao continente por pontes, onde os ricos construíram suas propriedades desde o início do século XX.
As ruas têm nomes como El Brilho Way, El Bravo Way, endereços que sozinhos já indicam prestígio. Mansões projetadas por arquitetos famosos,
para o mar, piscinas, casas para funcionários, garagens para três, quatro ou cinco carros. É onde presidentes passam férias. É onde socialites dão festas de gala. É onde o dinheiro não só fala, ele sussurra discretamente nos corredores de poder. A mansão para onde Molly levou Hayley ficava na 358 El Brilho Way. Uma propriedade que havia sido comprada em 1990 por 2 milhões e meio de dólares. Era uma casa que tinha mais de 10 mil metros quadrados de área construída, com seis quartos, oito banheiros, casa para hóspedes,
Ele foi levado até um quarto com uma maca de massagem. Era um quarto dentro de outro quarto, como ela descreveria depois. Era como se o quarto principal tivesse uma pequena sala anexa a ele, como se fosse uma sauna. Ela entrou, ficou ali esperando, nervosa. Pouco tempo depois, um homem entrou e ele usava apenas uma toalha. O Jeffrey Edward Epstein tinha quase 50 anos naquele dia. Ele se apresentava como um financista bem-sucedido, um homem com conexões entre os mais poderosos do mundo. Políticos, celebridades, membros da realeza britânica.
Flórida, no Novo México, em Paris, e uma ilha particular nas Ilhas Virgens Americanas. Mas afinal, quem era esse homem? De onde vinha todo esse dinheiro? E como ele conseguiu construir esse império de influência? Jeffrey Edward Epstein nasceu em 20 de janeiro de 1953, no Brooklyn, Nova York. Seus pais eram Samir Epstein e Pauline Stolowski, ambos judeus de classe média. Seu pai trabalhava para o departamento de parques da cidade de Nova York.
A família morava em Coney Island, em um prédio modesto. Jeffrey tinha um irmão mais novo chamado Mark. Eles cresceram em um apartamento simples, longe
da riqueza que Jeffrey acumularia décadas depois. Ele frequentou a Lafayette High School no Brooklyn. Ele era inteligente, especialmente em matemática. Seus professores notaram que ele tinha muita facilidade com os números. Depois do ensino médio, ele foi aceito na Copper Union, uma prestigiada faculdade de engenharia em Manhattan, mas ele abandonou o curso. Ele se matriculou no Current Institute of Mathematical Science da New York City University para estudar matemática.
Mas, novamente, ele abandonou antes de se formar. O Jeffrey nunca completou uma graduação universitária. E é a partir desse momento que a sua história começa a ficar estranha.
Em 1973, ele tinha 20 anos e, como eu falei, não tinha nenhum diploma universitário. Mas, mesmo assim, ele foi contratado como professor de matemática e física na Dalton School, uma das escolas preparatórias mais prestigiadas de Manhattan. A Dalton School era onde os filhos da elite de Nova York estudavam. A mensalidade era dezenas de milhares de dólares. A admissão também era extremamente seletiva. Então, como o Jeffrey foi contratado para ensinar lá sem nenhuma credencial de ensino, sem diploma e sem experiência? Quem o contratou foi o Donald Barr, o diretor da escola na época.
que décadas depois se tornaria procurador-geral dos Estados Unidos no primeiro mandato do presidente Donald Trump. O Jeffrey ensinou na Dalton de 1973 a 1975. Alguns ex-alunos diriam depois que ele era inapropriado com estudantes do sexo feminino, que ele olhava para as garotas de uma forma que as fazia se sentir desconfortáveis. Tem um documentário sobre esse caso onde um dos professores fala que achou aquilo muito esquisito, como ele estava dando aula lá, ensinando alunos, se ele não tinha diploma nenhum. Inclusive, acredita-se que foi aí que tudo começou,
no sentido dele conseguir muitas coisas que a maioria das pessoas não conseguiria. Ele tinha alguma coisa, um poder persuasivo muito grande, que ele conseguia essas coisas. Então, ele tava numa faculdade muito prestigiada, dando aula sem diploma. O que é uma coisa que não faz sentido nenhum como que ele conseguiu isso, né? Então, o mistério já começa aí. Em 1976, ele é demitido, mas as razões, né, do porquê ele foi demitido nunca foram esclarecidas. E aí que ele decide mudar de carreira,
Então, foi na Dalton que ele começou essas conexões e, através delas, ele consegue um emprego na Bernstein's, que é um dos maiores bancos de investimento da Wall Street. Na época, ele era conhecido como um bom professor, né? Que era mulherengo, mas não era uma coisa que chamava atenção na época, segundo uma das pessoas que conheceu ele nessa época que ele começou o trabalho em Wall Street. Então, ele foi contratado para vender análises quantitativas de opções.
Dizem que ele era muito bom nesse trabalho, que ele aprendia muito rápido, que ele era muito perspicaz.
alguma coisa saía errado, ele sempre dava um jeito de contornar a situação da melhor forma possível. Ele estava trabalhando na firma há dois meses, quando o chefe dele, quem contratou ele, recebe uma ligação do RH perguntando se ele estava sentado, se ele estava preparado para o que ele ia ouvir. E aí, eles contam que ele trabalhava antes como professor de matemática numa universidade, numa faculdade, mas que ele nunca tinha se formado como professor.
Então, ele trabalhava sem diploma. Ele tinha mentido no seu currículo. Então, quando eles entraram em contato para chegar essas informações, perceberam que
era tudo mentira. Pra piorar as coisas, o Jeffrey tava namorando a filha do Ace Greenberg, que era quem dirigia a firma, né? O banco. Foi, inclusive, através dele que o Jeffrey conseguiu, né? Uma entrevista de emprego e conseguiu entrar na empresa. Então, isso é descoberto depois de dois meses que ele já tava trabalhando lá. O Michael Tenenball, que era um dos executivos da Bear Stearns, foi quem contratou o Jeffrey. Quando ele descobriu que ele era um mentiroso, ele entrou em contato com o Ace pra entender o que ele deveria fazer. O Ace simplesmente respondeu
tratar o Jeffrey como qualquer outro. O Michael teve uma conversa com o Jeffrey sobre o seu currículo e ele disse que ele simplesmente queria uma chance. E nesse ponto entra mais uma vez o poder de persuasão que ele tinha porque o próprio Michael fala que ele tinha essa lábia de vendedor, ele conseguia te convencer das coisas. E assim ele continuou na empresa. Ficou lá por quatro anos. Aí ele se torna sócio limitado na firma e no ano seguinte ele deixa a Bear Stearns e o motivo não fica muito claro, mas alguns relatórios sugerem que ele foi forçado a sair.
No comentário, o Michael fala sobre tudo isso e ele conta que ele acredita que um dos maiores erros da carreira dele foi não ter demitido o Jeffrey quando ele descobriu todas aquelas mentiras. Em 1982, o Jeffrey decide abrir a sua própria empresa de gestão financeira, a J. Epstein & Co. A empresa tinha sede registrada nas Ilhas Virgens Americanas, um paraíso fiscal. E o Jeffrey dizia que ele só aceitava novos clientes com um patrimônio líquido mínimo de um bilhão. Então, não era um milhão de dólares, e sim um bilhão de dólares.
sua empresa gerenciava a fortuna de alguns dos homens mais ricos do mundo. Mas ele nunca relatava quem eram esses clientes. Além disso, não havia praticamente nenhum registro público dessa empresa dele. Não tinha escritórios visíveis ou funcionários listados publicamente. Não tinha nenhum portfólio de investimentos divulgado. A empresa dele trabalhava nas sombras, né? Então, não tinha nada público para as pessoas verem e entenderem essa empresa.
Mas, de alguma forma, ele rapidamente se tornou muito rico. Em 1989, ele comprou uma mansão de 21 mil metros quadrados.
em Manhattan, em uma das ruas mais caras de Nova York. A propriedade tinha sido avaliada em mais de 13 milhões de dólares. No ano seguinte, ele compra uma mansão em Palm Beach por 2 milhões e meio de dólares. Em 1993, ele compra um rancho de 7 mil acres no Novo México. Em 1998, ele comprou Little St. James, uma ilha particular de 28 hectares nas Ilhas Virgens Americanas, por quase 8 milhões de dólares. Ele também tinha um apartamento em Paris, um jato particular Boeing 727, que inclusive ficaria conhecido como Lolita Express.
Ele também tinha um helicóptero e um iate. O Jeffrey era bilionário, ou pelo menos aparentava ser. Mas afinal, de onde vinha esse dinheiro? Ninguém sabia o certo, tinham várias especulações e rumores. Alguns diziam que ele era um gênio financeiro que fez fortuna investindo o dinheiro de bilionários. Outros diziam que ele era um fraudador, um golpista que fingia gerir dinheiro que não existia. Tinha alguns rumores mais sombrios também.
Rumores que o Jeffrey operava um esquema de chantagem, que ele gravava homens poderosos em situações comprometedoras e os extorquia. No documentário,
eles mostram um homem chamado Steven Hoffenberg que ele explica um pouco de onde veio todo esse dinheiro do Jeffrey. Ele até fala que ele acredita que se não fosse por ele, ele não teria conseguido toda essa fortuna. Ele fala, inclusive, que ele não seria um bilionário se não fosse por ele e que ele aceitou dar essa entrevista e explicar isso publicamente porque ele quer se redimir. Porque ele acredita que se não fosse tudo isso, ele não teria conseguido abusar de tantas mulheres e meninas, né?
O que aconteceria depois. Eles conheceram logo depois que o Jeffrey saiu da Bear Stearns,
fala que ele foi expulso de lá. O Steven era diretor executivo da Towers Finance Corporation. Tanto o Steven quanto o Jeffrey foram homens que começaram do zero, que não vieram de famílias ricas e que construíram a própria fortuna. Mas quando o Jeffrey conheceu o Steven nos anos 80, ele já era um magnata que viajava de avião particular, que já tinha sua fortuna, que tinha boas conexões. O Steven conta que um grande CEO da Europa ligou pra ele pra falar sobre o Jeff. Ele diz que tinha empregado o Jeffrey lá e que ele era um homem brilhante,
precisava dele na empresa. O homem chegou a dizer pra ele que ele era bastante conhecido em Wall Street, que ele tava muito entusiasmado, que ele queria trabalhar lá, então ele pergunta se ele poderia entrevistá-lo. Nesse ponto, o Jeffrey tinha fraudado e roubado o dinheiro do cartão empresarial. E nessa parte do documentário que o Steven tá contando tudo isso, é muito doido ver ele contando todo esse esquema, porque ele explica que eles ficaram muito interessados no Jeffrey porque eles tinham um esquema de pirâmide.
Uma vez que o Jeffrey entendia Wall Street e conseguiria resultados bons pra essa pirâmide, ele poderia ajudar, né, nesse
E aí, o Steven entrevista o Jeffrey e ele conta que o Jeffrey tomou conta da entrevista, que ele tinha esse poder de persuasão muito grande, de conseguir dominar as pessoas e controlar as pessoas de uma forma quase que inacreditável. Ele fala que o carisma do Jeffrey é tão grande que ele conseguia manipular totalmente as pessoas. Então, para tentar entender esse esquema de pirâmide que o Steven tinha e que o Jeffrey entrou, basicamente o Steven usava demonstrações financeiras forjadas para aumentar o valor da empresa
atrair novos clientes. Então, quando o Jeffrey entra, né? Todo esse esquema era um esquema de 460 milhões de dólares. Os dois começaram a trabalhar juntos todos os dias nesse esquema. O Steven conta que, pouco a pouco, o Jeffrey foi cada vez tendo mais funções ali, fazendo mais coisas e lidando com clientes e com números e tudo mais. Ele conta que o Jeffrey manipulava o preço das ações e as negociava ilegalmente. Então, eles trabalham juntos por um tempo até que todo esse esquema da pirâmide
descoberto. E o Steven se apresenta, assume a responsabilidade, né, do crime que ele cometeu. A sentença que ele recebeu foi de 20 anos em prisão federal. E uma parte muito doida é que ele não forneceu nenhuma prova contra o seu comparsa, né, quem fazia tudo isso com ele. Nenhuma prova contra o Jeffrey. O Jeffrey tinha contado pro Steven que ele tinha sido uma testemunha no Departamento da Justiça dos Estados Unidos. Isso antes, né, do Steven ser descoberto e que ele tinha influência sobre eles.
O Steven não contou nada sobre o Jeffrey porque ele acreditava que através das conexões que ele
do poder que ele tinha de convencer as pessoas, ele poderia descredibilizar tudo o que o Steven tinha contado, né? No seu depoimento. E que ele poderia até colocar ele mesmo como um herói que ajudaria a polícia a descobrir tudo. Enfim, ele acreditava que o poder dele era tão grande que ele poderia fazer tudo isso. E é por isso que ele não falou nada, né? Não contou que ele tinha um comparsa que também deveria ter sido preso nessa época.
Então, ele acreditava que esse era o plano do Jeffrey, por isso que ele ficou quieto, né? Não colocou o nome dele nisso tudo.
No documentário, eles citam que o Jeff tinha um padrão. Que ele provavelmente conhecia muitos segredos das pessoas. Então, não era só uma ameaça que ele podia fazer, mas ele conhecia segredos horríveis dessas pessoas. E dessa forma, ele conseguia manipulá-las. O Steven fala no documentário que tudo começou quando o Jeffrey vendeu a alma dele pra Leslie Wexner. E que ele fez isso por bilhões de dólares em investimentos. Leslie Wexner tinha uma mansão gigantesca, a mais cara de Ohio. Ele era um bilionário, assim, extremamente horrível.
em algum momento, ele deixa o Jeffrey cuidar das suas finanças. Ele era um gigante da indústria e muitas pessoas não conseguem acreditar como o Jeffrey conseguiu assumir esse controle, porque eles dizem que o Leslie era uma pessoa que era muito controladora. Tem algumas pessoas que se referiam ao Epstein como o namorado do Leslie. Ele estava trabalhando com o Leslie e com o Steven ao mesmo tempo. O Jeffrey voava o tempo todo no jatinho do Leslie até a propriedade dele e o Steven conta que o Jeffrey contou pra ele,
disse que ele conseguia controlar as emoções do Leslie. Ele disse que o Leslie o idolatrava e era fascinado por ele. Então, mais uma vez, por que eu tô contando tudo isso? Pra mostrar o quanto ele conseguia controlar as pessoas e até um magnata. Ele contou pro Steven que ele tinha um plano pra poder controlar toda a fortuna bilionária do Leslie. Através dela, ele faria investimentos com o dinheiro do Leslie, que traria esse valor pra ele mesmo. Ele basicamente queria conseguir uma renda bem considerável pra ele,
através da fortuna do Leslie. Então, pra vocês entenderem toda essa loucura com o Leslie, entre 1991 e 2006, o Epstein supervisionou a venda de mais de 1,3 bilhões de dólares em ações na empresa Limited, que era a empresa do Leslie. O Leslie revelou que ele cortou relações com o Jeffrey apenas em 2007. Então, muitos anos depois deles terem se conhecido, né? Ele disse que cortou relações porque descobriu que o Jeffrey tinha roubado mais de 46 milhões de dólares dele. E, gente, pensa comigo.
gigantesco, muito poderoso. Foi roubado, descobriu que foi roubado e ele não prestou queixas. Nenhuma. Simplesmente cortou relações e só. Em 2019, depois que todo o escândalo do Jeffrey tinha sido descoberto e tava na mídia, o Leslie até deu uma entrevista falando sobre isso e que ele se sentia muito envergonhado por ter sido enganado por ele. E essa questão com o Leslie também explica muitas conexões que o Jeffrey tinha, porque ele usava as conexões do Leslie, né?
Pra conseguir chegar a mais pessoas. E na época ele até dizia que ele era um moleiro
da Victoria's Secret. Ou seja, né? Nessa época, o que dá a entender é que ele já usava essas conexões pra se aproximar de garotas. Mas uma coisa nisso tudo era certa. O Jeffrey tinha conexões poderosas. Ele era próximo do Bill Clinton, ex-presidente dos Estados Unidos. Tem registros de voo que mostram que o Bill voou no jato particular do Jeffrey pelo menos 26 vezes entre 2001 e 2003. Ele era próximo do príncipe Andrew, membro da família real britânica.
Tem fotografias que mostram os dois juntos em múltiplas ocasiões. Ele também era próximo
O Jeff doava milhões de dólares para universidades prestigiadas como Harvard, MIT. Ele se cercava de cientistas, acadêmicos, ganhadores do Prêmio Nobel. Ele se apresentava como um filântropo, um intelectual, um homem de influência e cultura. Mas por trás dessa fachada de riqueza e sofisticação, o Jeff escondia algo muito.
muito mais sombrio. Então agora eu volto no que eu comecei a contar no início desse caso, que era a Hayley naquela sala pronta pra dar uma massagem no Jeffrey, que apareceu só de toalha. E aí ele retirou essa toalha, deitou naquela maca de massagem e ele tava nu. Ele entregou um óleo pra ela pra que ela pudesse fazer a massagem nele. Ela conta que ela começa a fazer a massagem e ele fala que ela também deveria estar nua. A Hayley tava com muito medo, ela tinha acabado de passar pelo abuso que eu citei pra vocês,
mas ela tava ali sozinha com aquele homem mais velho, então ela obedece. E aí ele começa a tocar na Hayley, e ela fala que ela não quer ser tocada, que ela continuaria a massagem, mas que não queria que ele ficasse tocando nela enquanto isso. É aí que ele faz uma proposta pra Hayley. Ele não precisaria tocar nela se ela trouxesse garotas pra ele. Então ele fala, eu vou te dar 200 dólares pra cada garota que você trouxer pra mim.
Ele queria garotas jovens, quanto mais jovem, melhor, e garotas que precisassem de dinheiro. A Hayley aceitou o acordo, então aquela foi a única vez que ela deu uma massagem,
nele, depois ela não fez mais isso, ela se tornou uma recrutadora. Ela conseguia essas meninas jovens e levava elas até o Jeffrey. Essas meninas sempre entravam pelos fundos da mansão, elas nunca entravam pela porta da frente, elas não eram muito vistas ali, então era tudo meio as escondidas, ele sempre pagava em dinheiro também, então ele dava esse dinheiro ou na área da piscina ou no escritório dele, nunca na frente de pessoas, era sempre em particular que ele dava o dinheiro. A Hayley conta que entre 2003 e 2005, ela levou
pelo menos 24 garotas pro Jeffrey. Todas eram suas colegas de escola que tinham entre 14 e 16 anos e que, como eu expliquei pra vocês, moravam do outro lado de Palm Beach, né? Em West Palm Beach. Então eram garotas provavelmente em situações bem vulneráveis e que precisavam de dinheiro. De West Palm Beach pra Palm Beach era uma curta distância de carro, né? Só atravessava a ponte e 300, 200 dólares pra essas meninas fazia toda a diferença. Era com esse dinheiro que muitas vezes elas conseguiam pagar
as contas do mês. Então, era muito óbvio porque ele escolheu essas meninas em específico. Era uma comunidade muito vulnerável e que ele sabia que, dessa forma, muitas delas poderiam voltar, né? Pelo dinheiro. E a Hayley explica que, na época, como ela era muito jovem, ela não entendia que ela também era uma vítima. Ela não conseguia compreender que ela tava sendo usada por esse homem bem mais velho que se aproveitava dela e de todas as meninas que ela levava, né? Ela acreditava que, na verdade, ela tava ajudando as suas amigas.
ela permaneceu, né, fazendo isso por alguns anos. Então, quando ela tinha 17, 18, 19 anos, ela ainda tava fazendo isso. E ela acreditava que ela se beneficiava, porque ela ganhava dinheiro do Jeffrey, e ajudava suas amigas a ganharem dinheiro também. Era como se todo mundo saísse ganhando. E como ela já tava fazendo isso há um tempo, ela tinha um contato direto dentro do sistema do Jeffrey. Ela sempre falava com uma assistente dele chamada Sarah Kellen.
Então, ela sempre falava pra ela quando ela tava chegando, quando ela tava levando novas meninas pra mansão. A Hayley fazia parte de todo esse esquema do Jeffrey.
ligava pras meninas, conversava com elas, marcava horários. Muitas vezes buscava essas garotas de carro, levava até a mansão. E aí, uma das garotas perguntou pra Hailey o que ela precisava fazer pra ganhar ainda mais dinheiro. E a Hailey repetiu uma coisa que o Jeffrey tinha dito pra ela. Quanto mais você faz aqui, mais você ganha. Fazendo parte desse esquema, a Hailey conseguia guardar dinheiro, né? Economizar, fazer viagens escolares e se preparar pra fazer o que ela tanto queria, que era sair de West Palm Beach. Mas tinha um peso que a Hailey carregava e que só ficaria claro pra ela
depois, ela tomava boi e se esfregava com muita força, porque ela se sentia suja. Em fevereiro de 2005, a Hayley liga pra uma garota específica de 14 anos que estudava na mesma escola que ela. Ela era prima do namorado da Hayley e o nome dela foi protegido por ser menor de idade, então eu vou chamar ela de SG. A SG trabalhava em um Chick-fil-A, que é uma rede, né, dos Estados Unidos, de fast food, e ela trabalhava meio período, porque ela era menor de idade e não poderia trabalhar no período integral. A SG
E ela recebeu a mesma proposta que a Hayley tinha recebido anos antes, que era de ganhar 200 dólares de uma forma bem fácil. E como eu falei pra vocês, pra elas era muito dinheiro. No início de fevereiro de 2005, a Hayley foi buscar a SG na casa dela. O pai da SG viu a filha entrando no carro e não tinha ideia pra onde ela tava indo. Durante o caminho, a Hayley deu uma instrução muito clara pra ela. Ela disse, se alguém perguntar, principalmente o Jeff, você diz que você tem 18 anos. Quando elas chegaram na mansão, a Sarah tava lá pra receber elas.
o número da ESG e levou ela pro segundo andar, pra um quarto. Era aquele quarto que tinha o outro quarto dentro com a maca de massagem, então ela entra lá, fica esperando. Tava nervosa, o Jeffrey entra, só de toalha. Aí ele tira a toalha, fica esperando pela massagem. Ela começa, ele manda ela tirar as roupas, ela tira, ele começa a tocar, ela fala que ela não quer fazer aquilo. E aí ele para e fala que ele pagaria pra ela pra fazer a mesma coisa que a Haley fazia, que era trazer garotas pra ele.
aceita e recebe 300 dólares naquele dia. Na semana seguinte, a SG levou seis amigas que estudavam com ela pra mansão do Jeffrey, uma delas assim como ela tinha só 14 anos. Mas a SG sentiu algo diferente, ela se sentiu envergonhada e humilhada. Documentos judiciais posteriores descreveriam que como resultado desse encontro com o Jeffrey, a menina de apenas 14 anos experienciou confusão, vergonha, humilhação e constrangimento. E que o ataque enviou sua vida num espiral descendente. SG começou a se comportar de forma diferente.
na escola e os 300 dólares apareceram. A madrasta percebeu que tinha algo errado. Em março de 2005, ela finalmente contou a sua madrasta o que tinha acontecido naquela mansão em Palm Beach. A madrasta imediatamente pegou o telefone e ligou pra polícia. Isso aconteceu no dia 13 de março de 2005. Do outro lado da linha, os policiais de Palm Beach começaram a anotar cada detalhe. Uma menina de 14 anos, uma mansão em El Brilho Way, um homem rico chamado Jeffrey Epstein. 300 dólares como pagamento, abuso e outras garotas sendo recrutadas. O detetive Joseph Recorey foi designado pro caso.
o Joseph e seus colegas se sentaram com a SG pela primeira vez para ouvir o seu depoimento completo, eles souberam imediatamente que aquilo que ela estava contando era real. O chefe de polícia, Michael Rader, diria anos depois que a sensação dele simplesmente por estar sentado na sala com a primeira vítima foi que aquilo era algo que eles absolutamente precisavam trabalhar. O Joseph começou a investigação de uma forma estratégica e a SG concordou em ajudar a polícia.
Com o consentimento dos pais, ela fez ligações telefônicas gravadas para a Hayley Robson. Em uma dessas ligações gravadas, a SG perguntou a Hayley o que ela precisava fazer
mais dinheiro. E aí a Hayley deu a mesma resposta que ficou registrada na fita. Quanto mais você faz, mais você ganha. A Hayley liga de volta pra SG e deixa uma mensagem na caixa postal. A mensagem era clara. Ela tinha marcado um horário pra SG ir até a casa do Jeffrey às 11 da manhã do dia 5 de abril de 2005. Mas a SG não foi até a casa naquele dia. Porque naquele momento a polícia estava investigando o Jeffrey. O Joseph trabalhou no caso por meses.
Ele começou com a SG, mas rapidamente percebeu que havia muito mais vítimas. Ele fazia uma entrevista que levava a outra e mais outra. E aí uma
A última vítima fornecia nomes, às vezes, de três ou quatro outras garotas. E essas garotas forneciam mais nomes. E o Joseph ficou surpreso com a velocidade em que o caso crescia. Ele pensou que, em algum momento, chegaria a última vítima, mas isso nunca aconteceu. O caso só ficava maior. A investigação também não era fácil. O Michael e o Joseph enfrentaram desafios que nunca tinham imaginado. Eles perceberam que muitas das garotas estavam apaixonadas pelo Jeffrey.
Isso pode parecer muito difícil de entender, né? Como uma vítima de abuso poderia estar apaixonada pelo abusador. Mas, para tentar entender tudo isso,
o quanto ele era manipulador. O quanto ele escolhia garotas vulneráveis de famílias pobres, garotas que ansiavam por atenção e afeto. Ele seduzia essas garotas emocionalmente. Dava presentes, pagava contas, demonstrava interesse em suas vidas, fazia com que elas se sentissem escolhidas, especiais. Para garotas que nunca tiveram muito, que nunca se sentiram importantes, aquela atenção de um homem rico e poderoso era intoxicante.
Algumas das vítimas acreditavam genuinamente que o Jeffrey as amava, que elas tinham um relacionamento especial com ele.
garotas que se recusavam a cooperar com a investigação. Elas não queriam acreditar que o Jeffrey era um predador, não queriam admitir que haviam sido usadas e abusadas. Já outras meninas não queriam falar porque tinham medo dele, tinham medo dos seus advogados e do poder que ele tinha. Elas tinham visto a riqueza do Jeffrey, a mansão, o jato particular, as conexões com pessoas importantes. Então, como uma garota de 14, 15 ou 16 anos poderia lutar contra alguém assim?
Então, o Michael e o Joseph tiveram que trabalhar lentamente, cuidadosamente, ganhando a confiança dessas vítimas. Convencendo elas de que
estariam protegidas, que suas histórias seriam acreditadas. Então, tudo isso levou meses. O caso foi aberto em março de 2005. Em outubro do mesmo ano, o Joseph já tinha identificado 21 possíveis vítimas. E esse número só crescia. Uma jovem foi presa pela polícia de Palm Beach por posse de maconha. Durante a prisão, ela mencionou aos policiais que tinham informações sobre atividade sexual acontecendo na casa do Jeffrey Epstein.
Então, o Joseph foi entrevistá-la. Outra garota que já estava estudando na Lynn University foi contratada pelo Joseph. Ela já sabia que havia uma investigação em andamento
porque outras vítimas haviam sido contatadas e a notícia se espalhou entre as garotas que frequentavam a mansão. Durante seu primeiro depoimento, ela confirmou que conhecia a Hayley e que a Hayley trabalhava para o Jeffrey, em Palm Beach. Ela disse que conheceu a Hayley na escola e que ela levou até a casa do Jeffrey quando ela tinha 16 anos, por volta do início de 2004. Ela disse que forneceu massagens muitas vezes durante os últimos dois anos, de 2004 até outubro de 2005.
Ela visitou a mansão centenas de vezes. Ela disse que o Jeffrey pagava 200 dólares por massagem,
e que uma vez ela foi abusada por ele e aí ela recebeu mil dólares. Além disso, o Joseph tinha uma outra arma de investigação que era o lixo. Ele estabeleceu um esquema de monitoramento com o Tony Huygens, supervisor do departamento de saneamento da cidade de Palm Beach. E toda vez que o lixo da mansão do Jeffrey era coletado, a polícia tinha acesso a esse lixo. Na coleta do dia 5 de abril de 2005, exatamente o dia que a SG deveria ter ido até a mansão, a polícia encontrou algo interessante.
Um papel com uma mensagem telefônica para a Jeffrey com os nomes de Hayley e SG,
da manhã. Era exatamente o horário que ele havia deixado na mensagem gravada pra SG. Aí eles conseguiam uma prova, né? A investigação começava a se confirmar. O Joseph continuou trabalhando, ele entrevistou mais vítimas, mais testemunhas e percebeu que tinha um padrão. O Jeffrey tinha um método, um sistema. Ele usava recrutadoras e mulheres, frequentemente garotas jovens que ele já havia abusado pra trazer outras garotas. Essas recrutadoras eram contatadas quando o Jeffrey estava a caminho de Palm Beach ou logo após sua chegada.
Elas então ligavam pra mais garotas e marcavam horários e as levavam até a mansão. As garotas eram sempre
pela entrada da cozinha, nunca pela porta da frente. Uma vez lá dentro, eram recebidas pela Sarah Kellen, a assistente do Jeffrey. Ela anotava seus nomes e números de telefone. Depois, levava elas até o quarto do andar de cima, onde ficava a maca de massagem. Durante as massagens, o Jeffrey abusava, muitas vezes, das garotas de diferentes formas e, no final, pagava em dinheiro. 200 ou 300 dólares. Ele sempre fazia a mesma proposta no final.
Se você trazer mais garotas, quanto mais jovens, melhor. Eu vou te pagar por elas. Em outubro de 2005, o Joseph sentiu que tinha evidências suficientes
Então, o chefe Michael Rader concordou. Era hora de fazer uma busca na mansão. No dia 20 de outubro de 2005, às 9h36 da manhã, a polícia de Palm Beach executou um mandado de busca na mansão do Jeffrey. Quando os policiais entraram na mansão, eles descobriram que o Jeffrey tinha sido avisado. A maioria dos discos rígidos dos seus computadores haviam sido removidos. Câmeras de vigilância tinham desaparecido. Vídeos tinham sumido.
Eles encontraram apenas fios soltos, pendurados, onde os equipamentos eletrônicos costumavam estar. Alguém tinha alertado o Jeffrey e ele teve tempo suficiente de esconder muitas evidências mais incriminadoras.
Apesar disso, os policiais encontraram muita coisa. Eles encontraram um sofá rosa e verde no banheiro do Jeffrey, exatamente como as vítimas haviam descrito. Eles encontraram a maca de massagem. Encontraram fotos de garotas por toda a casa. Dezenas, talvez centenas de fotos de mulheres jovens. Muitas, claramente, menores de idade. A polícia encontrou duas câmeras escondidas. Eles encontraram no lixo e dentro da casa recibos da Amazon de livros sobre sadomasoquismo.
Eles encontraram na escrivaninha do quarto do Jeffrey o histórico escolar de uma garota de 16 anos
A busca confirmava tudo o que as vítimas tinham dito. O Joseph também entrevistou Alfredo Rodrigues, que havia trabalhado como mordomo, motorista e gerente de residência de Palm Beach, da casa do Jeffrey, entre novembro de 2004 e maio de 2005. Alfredo confirmou que o Jeffrey recebia duas massagistas por dia e frequentemente eram garotas diferentes. Ele descreveu que limpava brinquedos sexuais e arrumava a cama após as massagens, o que sugeria atividades sexuais. Ele forneceu à polícia uma pasta verde com documentos,
Instruindo-a a entregar rosas para uma garota na escola E depois alugar um carro para que ela pudesse dirigir até a casa de Jeffrey Alfredo disse aos detetives que ele era como um caixa eletrônico humano Que Jeffrey tinha instruído Alfredo a manter sempre um saldo mínimo de 2 mil dólares em dinheiro para pagar as garotas O Alfredo também disse algo que resumia tudo As visitantes do Jeffrey pareciam jovens demais para serem massagistas Ele disse que sabia que tinha alguma coisa estranha ali Ele notou que elas comiam como adolescentes do ensino médio Toneladas de cereal e muita Coca-Cola
Ela se comparou a Hyde Flies, a cafestina de Hollywood,
conhecida como Hollywood Madam. Mas a Hayley também deixou claro que ela mesma era uma vítima também. Ela contou sobre o abuso que tinha sofrido, sobre como ela estava desesperada, sobre como Jeffrey a manipulou. A polícia, nesse ponto, tinha um caso sólido. Eles tinham vítimas, testemunhas, evidências físicas, gravações telefônicas e o depoimento de um funcionário de dentro da casa. Mas o que os investigadores não sabiam era que eles não eram os primeiros a investigar o Jeffrey.
Anos antes, em 2002, uma jornalista já tinha tentado expor o Jeffrey, mas ela tinha sido silenciada. Seu nome é Vicky Ward, uma jornalista especializada
que trabalhava pra Venery Fair quando ela recebeu a missão de fazer um perfil sobre o Jeffrey Epstein. Era início dos anos 2002, o Jeffrey tava no auge do seu poder e era visto como um dos financistas mais misteriosos e bem-sucedidos de Nova York. Mas ninguém sabia exatamente de onde vinha o dinheiro dele. A revista tinha se interessado pelo Jeffrey depois que ele voou com Bill Clinton em seu jato particular pra África. Aí a Vicky começa a investigar pessoas próximas a ele, né?
Ela tava tentando entender de onde vinha toda a fortuna do Jeffrey até que duas meninas foram até ela.
Eram duas irmãs chamadas Maria e Anne Farmer. E elas disseram pra Vicky que elas tinham uma história pra contar. Elas eram de Phoenix, no Arizona. E tinham mudado pros Estados Unidos em busca dos seus sonhos. E elas aparecem bastante no documentário da Netflix. Então, elas contam tudo isso que eu vou contar pra vocês em muitos detalhes. A Maria é a irmã mais velha. Ela era artista. Ela já tinha se formado na faculdade. E tava fazendo mestrado em Nova York.
E tava ali numa carreira de ascensão. Ela era uma pintora figurativa muito talentosa.
mil dólares e parecia que seu futuro seria muito brilhante. Em 1995, ela fez uma exposição. Ela já tinha conseguido vender vários quadros. E aí, a diretora da academia apresentou pra Maria duas pessoas que ela disse que eram patronos muito importantes. Essas pessoas eram o Jeffrey Epstein e a sua companheira, Ghislaine Maxwell. O Jeffrey era membro do Conselho New York Academy of Art. Então, ele e a Ghislaine frequentavam muitos eventos. Eram conhecidos como patronos,
que ajudavam jovens talentosos. E nesse dia, a diretora da academia falou pra ela que o Jeffrey queria comprar todos os seus quadros. E ela disse que não tinha como, ela já tinha vendido alguns. E ela disse que ela tinha que dar um jeito, porque ele ia comprar todos. E ele comprou por um valor abaixo, por ser um patrono. Então, ele comprou por 6 mil dólares. E aí, ele ofereceu um emprego pra Marie. Ele disse que ele precisava de uma consultora de artes, né?
Que ajudasse ele a comprar obras pra sua casa. Então, ela aceitou o emprego. Ele disse que queria várias obras pra sua coleção.
começou a visitar a casa do Jeffrey, a mansão dele, em Nova York regularmente. Lá ela começou a perceber várias coisas perturbadoras e no mínimo esquisitas. Então, ela via que um número muito grande de jovens, garotas, entravam e saíam da mansão o tempo todo. Garotas que pareciam ter 14, 16 anos. O Jeffrey mostrou pra Maria uma sala que ele tinha com câmeras de segurança. E essas câmeras tinham foco nos banheiros e nos quartos da sua casa em Nova York.
Maria é que ele tinha absolutamente tudo gravado e arquivado. Todas as gravações eram mantidas em seu cofre e a Maria também percebeu e viu, né, a Ghislaine saindo várias vezes da mansão pra procurar e trazer garotas pro Jeffrey. No verão de 96, o Jeffrey ofereceu uma nova oportunidade pra Maria. Ele tinha sido contratado pra fornecer obras de arte pro filme Melhor Impossível. Ele disse que a Maria seria a artista, então ela disse que precisava de espaço pra poder fazer, né, todas essas obras e muitas eram obras grandes.
Então, ele disse que ela poderia ficar em uma casa na propriedade do Leslie Wexner. Então, na época, eles ainda não tinham cortado o contato, né? Então, ele ofereceu a casa de hóspedes do Leslie pra ela ficar como artista residente em New Albany, em Ohio, que era aquela mansão gigante que eu citei pra vocês. E aí, ela pensou, ah, o Leslie é um magnata, dona da Victoria's Secret, dona de outras marcas importantes também. Então, acho que é uma boa oportunidade. Então, ela foi.
E um dos únicos, na verdade, que as pessoas conseguiam identificar que realmente era um cliente que o Jeffrey cuidava da fortuna dele, né? Já que ele se dizia, um financista que tinha muitos clientes, mas ninguém sabia quem eram os clientes. O Leslie era um conhecido. A Maria viaja pra Ohio em maio de 96 com um caminhão, né? Com todos os materiais que ela precisava. Ela ficou um pouco perturbada quando ela chegou, porque ela percebeu que a casa era vigiada por guardas com cães. Esses homens estavam armados o tempo todo.
casa de hóspedes onde ela tava ficando, ela precisava ligar pra esposa do Leslie, chamada Abigail Wexner, então ela tinha que pedir permissão. Toda vez que ela queria sair, ela achava aquilo muito esquisito, mas se concentrou no trabalho que ela precisava fazer. Ela conta que já fazia um tempo que ela tava lá, quando o Jeffrey e a Ghislaine foram visitar o Leslie lá na mansão, e aí ela foi chamada até o quarto deles pra ver um filme, alguma coisa assim, e aí eles abusaram dela, os dois.
Ela disse que entrou em pânico, porque ela tava nessa mansão, sozinha com os dois,
Ela não sabia pra quem correr, pra quem pedir ajuda. Então, ela literalmente entrou em pânico. Mas conseguiu sair dali do quarto, depois do abuso. Ela disse que começou a correr. Ela queria ficar o mais longe possível deles. E aí, a Guilherme começou a ir atrás dela. Ela disse que se trancou no quarto e colocou móveis na porta pra que a Guilherme não conseguisse entrar. E ela disse que ficou acordada a noite toda, completamente aterrorizada.
No dia seguinte, pela manhã, ela decidiu ligar pra polícia local. Ela também ligou pro pai dela, no Kentucky, e pro Eric Fischel, que é um artista renomado.
mentor dela. Então, ela ligou por telefone contando que eles foram ver um filme, que eles ficaram passando a mão nela. E ela disse pra ele, eu acho que eu poderia ter sido estuprada. A Maria decidiu que aquilo era demais e ela queria sair da propriedade. Então, ela tentou sair durante aquela manhã, mas ela foi impedida pelas guardas que disseram pra ela, você não vai pra lugar nenhum. Você nunca vai sair daqui. Ela se viu presa em uma mansão em Ohio, vigiada por guardas armados.
Ela ficou detida por 12 horas. O pai dela foi dirigindo de Kentucky até Ohio pra buscar a filha. E naquele mesmo verão, a Maria
que ela não tinha sido a única abusada pelo Jeffrey. A sua irmã Annie, que era mais nova que ela, também tinha sido abusada por ele. Naquele mesmo ano, só que alguns meses antes, em janeiro, a Annie tinha ido visitar a Maria, né? Então, ela se espelhava muito na irmã e via que a irmã estava em ascensão, que as coisas estavam dando certo. Então, ela foi visitar ela. E aí, a Maria apresentou o Jeffrey pra sua irmã, né? Pra Annie, que tinha 16 anos. E o Jeffrey, como sempre fazia, foi charmoso.
A Maria contou o quanto a irmã era muito inteligente. Ela estudava muito. Então, o Jeffrey disse que ele poderia ajudar ela nos estudos. Ele poderia pagar por algumas viagens pra que ela tivesse um currículo, né? Basicamente, ele disse que queria apoiar a educação dela, assim como ele apoiava a educação da Maria. Eles foram ao cinema, os três. O Jeffrey, a Maria e a Annie. E a Annie conta que, durante o filme, o Jeffrey pegou na mão dela e acariciou sua perna. Ela disse que se sentiu desconfortável, mas tentou justificar como sendo...
talvez porque ele era amigo da sua irmã, que ele era um homem muito importante, que talvez aquilo fosse só amizade. Então, ela tentou relevar o que aconteceu. E aí, alguns meses depois, em abril, o Jeffrey faz um convite pra ela. Ele convida ela pra ir até a sua casa no Novo México. Mais uma vez, né, com essas propostas de apoiar essa educação, de ajudá-la com os planos pra faculdade. Então, ele faz esse convite e paga a passagem pra ele ir até o Novo México. Então, ela foi sozinha. Uma das propriedades do Jeffrey era um rancho chamado
Zoho Ranch, de Sete Mil Acres. E era um local bem afastado e tinha uma vibe, assim, de filme faroeste americano. A Annie conta que quando ela chegou, a Ghislaine tava lá, que ela foi muito maternal com ela, cuidou dela, comprou botas pra ela. E aí, ela fez uma massagem na Annie. A Annie disse que aquela não era uma massagem normal, que ela começou a tocar nela e que ela ficou paralisada, ela queria sair dali. E que naquele mesmo dia depois, o Jeffrey entrou no quarto dela à noite e deitou na cama com ela.
No outro dia, ela fingiu que nada tinha acontecido. E depois ela volta pro Arizona completamente traumatizada. E ela tava tão envergonhada que ela não queria contar o que tinha acontecido pra ninguém. Ela queria convencer a si mesma que talvez não tinha sido uma coisa tão ruim. Que talvez ela tivesse interpretado aquilo da forma errada. E que o Jeffrey era esse homem bom que tava ajudando ela nos estudos. O que, de fato, ele fez. Então, no verão daquele ano, ele pagou uma viagem pra Tailândia.
fazer sozinha, sua família não tinha dinheiro pra isso. E ela sabia que aquelas viagens seriam muito importantes pro seu currículo. Enquanto a Annie tava na Tailândia naquele verão, a sua irmã Maria estava sendo abusada em Ohio pelo Jeffrey. A Maria tentou ligar pra Annie, mas ela não conseguiu porque ela tava do outro lado do mundo. Mas ela ficou apavorada depois do que aconteceu com ela, pensando, será que aconteceu alguma coisa com a irmã dela também?
Ela nem sabia se a irmã estava de fato na Tailândia. Ela começou a pensar em milhares de possibilidades. Quando elas finalmente conseguiram conversar, a Annie percebeu que tinha alguma coisa
Estranha na Maria. E aí, ela contou o que tinha acontecido no Novo México. A Maria percebeu que o Jeffrey não era um homem estranho que tinha agredido ela naquele dia, mas sim um abusador. Um predador sistemático que abusou dela e da sua irmã mais nova. A Maria foi a primeira mulher a denunciar o Jeffrey Epstein. Isso foi em agosto de 1996, em Nova York. Ela apresentou uma denúncia formal contra o Jeffrey e a Ghislaine. E ela também foi até o FBI. Contou tudo. Não só o que aconteceu com ela e com a irmã, mas também o que ela
viu, né, no tempo que ela tava fazendo trabalhos na mansão em Nova York então as garotas entrando e saindo, o que a Guilani fazia, tudo mais, ela contou em detalhes e o FBI carimbou a denúncia no dia 3 de setembro de 1996 ela imaginou que uma grande investigação começaria, mas eles não fizeram nada, ela esperou e esperou, mas nenhuma investigação foi aberta, e aí de alguma forma Guilani descobriu que ela tinha feito essa denúncia e começou a ameaçar a Maria o tempo todo, dizendo que ela ia acabar com a carreira dela, que ela nunca mais
aprenderia nenhuma pintura e que aquilo acabaria com o seu futuro como artista. Em uma ligação da Aguilene, ela fazia várias ligações ameaçadoras, ela disse que sabia onde a Maria ia correr e era pra ela tomar cuidado. Então, ela percebeu que ali tinha uma ameaça de morte, realmente, né? Então, ela começou a viver com medo. Ela parou de pintar, ela deixou Nova York, ela foi se mudando, ela ficava se mudando o tempo todo. Eles sempre davam um jeito de descobrir onde ela tava e as ameaças continuavam. Ela passou anos se escondendo e trabalhando com a antiguidade,
restaurando casas velhas no sudeste dos Estados Unidos e sempre se escondendo. Mas em 2002, quando a Vicky começou a investigar o Jeffrey, as irmãs decidiram falar de novo. As duas irmãs, junto com a mãe delas, se sentaram com a Vicky e deram longas entrevistas onde elas contaram tudo com o máximo de detalhes possíveis. Falaram sobre como conheceram o Jeffrey, as promessas que ele fazia, o que elas viram, os abusos. A mãe confirmou tudo o que as filhas disseram, contando que as filhas ligaram pra ela na época, logo depois que o abuso aconteceu,
que foi uma coisa que a Maria fez. A Vicky falou com várias pessoas pra checar se a história era verdadeira, e tudo se confirmava. A Vicky acreditou nelas, então ela colocou o relato das irmãs, usando o nome verdadeiro delas, no artigo da Venerifer, entregou, tudo tinha sido checado, os advogados tinham checado tudo também, a matéria tava pronta pra ser publicada. Mas aí, o Jeff entrou em ação, ele começou a ligar pro Graydon Carter, que era o editor-chefe, ligava direto pro número pessoal dele, e aí ele apareceu no escritório da Venerifer,
Fer sem avisar e teve uma reunião particular com ele, sem a Vicky. O Jeff também teria enviado pra Vicky uma carta que, segundo ele, tinha sido escrita pela Maria e nessa carta ela flertava com ele. Era uma forma de tentar dizer que a história da Maria era falsa, mas aí a Maria disse que ela nunca escreveu aquela carta, que a carta era falsa. A Vicky acreditou nelas, né? Na Maria e na irmã dela. E aí aconteceu, né? Quando tava pra publicar, a matéria ela ficou sabendo que o relato das irmãs tinha sido excluído. A Vicky ficou muito frustrada
chorou muito porque ela pensou essas meninas foram tão corajosas elas contaram tudo e agora foi simplesmente excluído da matéria ela conversou com o editor-chefe que disse que o Jeffrey era um homem sensível quando o assunto era mulheres tem até uma conversa gravada deles que ele fala que ele acredita no Jeffrey e não nas meninas e aí eles publicam a matéria com o título The Talented Mr. Epstein que em tradução seria o talentoso Sr. Epstein e aí falava sobre a origem da fortuna dele
tudo começou, as conexões que ele tinha, as propriedades, blá, blá, blá. E aí, em nenhum momento citava as meninas. As irmãs se sentiram traídas. A Maria não conseguia pintar mais. Então, o que a Guilherme falou pra ela realmente aconteceu, né? A carreira dela como pintora foi destruída. E a Anne teve que carregar também todo aquele trauma sem poder falar sobre isso, sem ver, né? Nada acontecendo com o Jeffrey. Sem que a sua história fosse contada. E o Jeffrey se sentindo,
mais uma vez, invencível, né? Ele achava que nada poderia acontecer com ele nunca. Então, no meio tempo dessa matéria sendo escrita ali nos anos 2000, ele já estava abusando das meninas em Palm Beach. Anos depois, a Vicky disse que aquele é o maior arrependimento da sua carreira, que ela sente que ela deveria ter lutado mais, que deveria ter tentado. De todas as formas que ela fosse ouvida, deveria ter protestado, feito alguma coisa.
Ela só conseguiu publicar a história das irmãs em 2013, o que é uma coisa muito doida. Se passaram muitos anos pra ela conseguir.
publicar. Então, olha quantos anos que o Jeffrey continuou livre e abusando de muitas meninas e mulheres, uma vez que a investigação sobre ele poderia ter começado lá em 2003, quando ela tentou publicar a matéria. E levaria mais dois anos pra que aquela madrasta corajosa de West Palm Beach tomasse, né, força pra ligar pra polícia e fazer a denúncia contra o Jeffrey. Então, voltando agora pra Palm Beach, 2006, quando a investigação estava em andamento e os detetives sentiam que eles tinham material suficiente pra seguir, né, com tudo, eles prepararam declarações
aprovável e pediram pra que o Jeffrey fosse acusado de atividade sexual ilegal com menores, molestamento lascivo e libidinoso e agressão sexual. Todos esses crimes são graves e têm penas de até 30 anos. O Joseph preparou um mandado de prisão pedindo quatro acusações de atividade sexual ilegal com menor e uma acusação de molestamento lascivo e libidinoso. As acusações puníveis com penas máximas de 30 e 15 anos, respectivamente, poderiam ter enviado o Jeffrey pra prisão, né, há muito tempo. Só que aí uma coisa estranha,
começou a acontecer. O promotor estadual Barry Krischer, que inicialmente parecia entusiasmado com o caso, começou a esfriar. Ele e a promotora assistente Lana Belolava que começaram a ignorar as ligações e e-mails do Michael e do Joseph. Eles demoraram pra aprovar intimações, eles criavam obstáculos pra atrasar toda a investigação. O Michael diria depois que no início o Barry dizia que colocaria o Jeffrey na prisão pelo resto da vida.
Mas aí, de repente, ele começou a listar todas as razões pelas quais ele não iria processar o caso. Ficou claro pro Michael e pro Joseph que algumas de suas evidências estavam sendo vazadas
para os advogados do Jeffrey, que começaram a questionar tudo o que eles tinham na declaração de causa provável. O Jeffrey tinha montado uma equipe de defesa dos sonhos, os advogados mais famosos e poderosos dos Estados Unidos. Ele contratou o Alan Dershowitz, que é um dos professores de direito mais famosos dos Estados Unidos, de Harvard. Inclusive, ele defendeu o O.J. Simpson e outros clientes de alto perfil. Ele contratou o Roy Black, um dos advogados criminalistas mais caros da Flórida.
Ele também contratou o Gerald Left Court, um renomado advogado criminal de Nova York,
dos Panteras Negras, o ator Russell Crowe e outros clientes famosos. Ele também contratou o Kenneth Starr, o ex-procurador independente dos Estados Unidos, que havia investigado o presidente Bill Clinton no escândalo da Monica Lewinsky. Então, basicamente, era um time de advogados que custava milhões de dólares. Eles começaram a trabalhar imediatamente para destruir a credibilidade das vítimas. Os investigadores particulares do Jeffrey compilaram dossiês sobre as garotas, vasculharam as redes sociais delas, encontraram fotos no MySpace, postagens sobre festas, qualquer coisa que pudesse ser usada
para fazer que elas parecessem não confiáveis. Uma das garotas tinha fugido de casa, outra tinha uma prisão por drogas, uma terceira tinha roubado no Victoria's Secret. Algumas postagens no MySpace tinham linguagem vulgar ou fotos com roupas provocativas. O Alan se encontrou pessoalmente com o Barry Krischer e com o Joseph Recore. Ele compartilhou os resultados da investigação sobre uma das garotas, descrevendo-a como uma estudante de teatro talentosa que xingou o investigador dele furiosamente.
O Alan enviou uma carta a Joseph anexando páginas do MySpace de uma das vítimas,
fotos dela e comentários sobre maconha. A mensagem que eles estavam passando era clara. Essas garotas não eram vítimas confiáveis. Eram adolescentes problemáticas. E elas sabiam o que estavam fazendo. Elas eram, na visão dos advogados do Jeffrey, prostitutas. Por mais incrível que pareça, essa estratégia começou a funcionar. O Barry começou a tratar as garotas como se fossem criminosas e não vítimas. Em abril de 2006, ele foi até o escritório do promotor estadual porque suas ligações não estavam sendo retornadas.
Foi aí que ele descobriu algo chocante. O Barry estava permitindo que o Jeffrey se declarasse
O Joseph ficou indignado. Os promotores nem sequer haviam consultado a polícia antes de fazer essa oferta. Então, os promotores pediram a Joseph que escrevesse o mandado de prisão. Ele escreveu pedindo as acusações graves que a evidência suportava. Mas esse mandado nunca foi executado da forma que ele havia proposto. Ao invés disso, em julho de 2006, o Barry convocou um grande júri. Isso era altamente incomum. Grandes júris normalmente só são convocados em casos capitais, casos de pena de morte. Mas Barry convocou um para o caso do Jeffrey.
E aqui está a parte mais importante. O escritório do Barry nunca entrou em contato ou entrevistou nenhuma das garotas que acusaram o Jeffrey de molestá-las ou abusá-las, de acordo com registros do escritório do promotor estadual. Naquele grande júri, Joseph Recari testemunhou. Ele contou sobre a investigação, sobre como ele começou com a enteada de 14 anos, sobre como descobriu dezenas de outras vítimas. Ele testemunhou sobre a Hayley, sobre como ela recrutou pelo menos 24 garotas. Ele descreveu como o Jeffrey dizia para a Hayley, quanto mais jovem, melhor.
amiga quando tinha 17 anos, sobre como o Jeffrey tentou tocá-la durante a massagem e ela disse que estava desconfortável. Sobre como ele ofereceu pagar pra que ela trouxesse outras garotas e sobre como ela trouxe seis amigas da escola, incluindo uma que tinha 14 anos. Mas o grande júri de Palm Beach County ouviu evidências de apenas duas vítimas. Só duas entre aquelas dezenas que o Joseph tinha identificado. E a apresentação foi, segundo muitos observadores, tendenciosa.
As promotoras apresentaram as garotas de uma forma que fazia elas parecerem menos credíveis. Elas destacaram os problemas das
ao invés de destacar os crimes que o Jeffrey cometeu. Então, no dia 19 de julho, o grande júri retornou com uma acusação. Um único crime de solicitação de prostituição. Uma única contravenção. Então, o Joseph ficou arrasado, o Michael ficou furioso. Eles tinham feito uma grande investigação, tinham identificado pelo menos 35 vítimas menores de idade até aquele ponto. Eles já estavam rastreando pelo menos mais uma dúzia. Eles tinham evidências sólidas e tudo o que conseguiram foi uma acusação de solicitação de prostituição.
No dia 27 de julho de 2006, o Jeffrey Epton foi preso pela polícia de Palm Beach.
Ele foi fechado, tirou foto pro registro criminal e pagou uma fiança de 3 mil dólares. Ele foi liberado no mesmo dia. O Michael tava convencido de que algo tava muito errado. Ele acreditava que o caso tava sendo sabotado. Ele acreditava que alguém ali dentro tava protegendo o Jeffrey. No dia 1º de maio de 2006, antes mesmo da convocação do grande júri, o Michael escreveu uma carta formal a Barry Krischer pedindo que ele se afastasse do caso devido a conflito de interesses.
Ele escreveu que precisava urgir o Barry a examinar o curso em comum que o escritório dele tava tomando no caso
O FBI abriu uma investigação federal em 2006. O que os agentes federais descobriram foi ainda pior do que o que a polícia de Palm Beach imaginava. A operação do Jeff não estava limitada à Flórida. Ela se tendia por Nova York, onde ele tinha uma mansão.
em Manhattan, pelo Novo México, onde ele tinha um rancho, e pela sua ilha particular nas Ilhas Virgens Americanas, que mais tarde ficaria conhecida como a Ilha da Pedofilia. Os agentes do FBI identificaram pelo menos 36 vítimas menores de idade em sua investigação federal. Mais tarde, esse número seria aumentado para 40 no acordo de não processo que viria. E eram vítimas diferentes das vítimas identificadas em Palm Beach. Eram garotas de outros lugares, outras cidades e estados.
E isso sem contar as irmãs Farmer, que já tinham denunciado o Jeffrey para o FBI em 1996, quando foram
completamente ignoradas. A escala dos crimes do Jeffrey era muito maior do que qualquer um imaginava. Uma promotora assistente federal começou a trabalhar no caso com dois agentes do FBI. Ela trabalhou por meses construindo um caso federal sólido contra o Jeffrey. Em maio de 2007, a promotora submeteu aos seus supervisores uma minuta de acusação de 60 crimes contra o Jeffrey. Ela também forneceu um memorando extenso de 82 páginas resumindo as evidências que ela havia reunido em apoio às acusações e abordando as questões legais relacionadas a essas acusações propostas. A acusação proposta delineava
30 acusações criminais contra o Jeffrey e suas assistentes pessoais. As principais facilitadoras dos seus crimes eram a sua namorada de longa data e companheira, Ghislaine Maxwell, a Sarah Kellen, a Adriana Ross, a Nadia Marcinkova e a Leslie Groff. Essas acusações incluíam uma acusação de conspiração alegando que as assistentes de Jeffrey procuravam agendar encontros para menores viajarem até a casa do Jeffrey na Flórida para permitir que ele se envolvesse em conduta lasciva com elas. As assistentes do Jeffrey, então, pagariam as vítimas e, em alguns casos,
pagariam para que elas, em troca, recrutassem outras menores. A promotora também propôs acusar o Jeffrey de uma acusação de conspiração para viajar. 14 acusações de incitação de menor, 4 acusações de viagem para se envolver em conduta sexual ilícita e 10 acusações de tráfico sexual. Era um caso massivo. Um caso que poderia enviar o Jeffrey para a prisão federal por décadas. Mas aí, algo extraordinário aconteceu. Os advogados do Jeffrey entraram em contato com o procurador dos Estados Unidos do Distrito Sul da Flórida. O homem que liderava aquele escritório era o Alexander Acosta,
nomeado pelo presidente George W. Bush. Então, Alexander Acosta é um nome muito citado nesse caso. A partir de janeiro de 2007, durante os oito meses seguintes, a equipe de defesa do Jeffrey se envolveu em negociações extensas com os promotores federais em um esforço para evitar uma acusação. Enquanto as negociações aconteciam, as vítimas do Jeffrey estavam sendo mantidas no escuro. Uma lei federal dos Estados Unidos, especificamente a Crime Victims Right Act de 2004, garante às vítimas de crimes federais uma série de direitos, incluindo o direito de ser razoavelmente informado
ou seja, através dessa lei, os promotores federais eram legalmente obrigados a informar as vítimas sobre o que estava acontecendo no caso. Mas eles não informaram. Em março de 2007, os promotores enviaram cartas às vítimas conhecidas do Jeff, dizendo que elas tinham direitos como vítimas ou testemunhas de um crime federal. As cartas enumeravam os oito direitos que elas tinham da Lei Crime Victims Right Act, que estava em vigor.
que essas cartas não mencionavam que o Jeffrey estava negociando um acordo. Elas não mencionavam que o Jeffrey poderia escapar de uma acusação federal. Nesse ponto, as vítimas acreditavam que a justiça estava sendo feita. Elas não sabiam que nos bastidores um acordo estava sendo negociado, o que permitiria ao Jeffrey escapar de praticamente todas as consequências. E aí acontece, talvez, uma das coisas mais absurdas desse caso, porque em julho de 2007, os advogados do Jeffrey se encontraram com o escritório do procurador dos Estados Unidos, do Distrito Sul da Flórida, o Alexander Acosta, e naquela reunião, ou em reuniões subsequentes, um acordo
foi alcançado. Um acordo que se tornaria um dos mais controversos da história judicial americana. O acordo era chamado de Non-Prossecution Agreement, um acordo de não processo. E os termos eram os seguintes. Jeffrey Epstein se declararia culpado de duas acusações estaduais na Flórida, uma acusação de procurar menor pra prostituição e uma acusação de solicitação de prostituição. Apenas essas duas. Em troca, a investigação federal seria encerrada e o Jeffrey não seria acusado federalmente, ou seja, ele seria acusado apenas de duas acusações estaduais, o que é muito melhor, né?
são muito menor. E mais importante, o acordo consideria imunidade não apenas a Jeffrey, mas também a quatro co-conspiradores nomeados e a quaisquer potenciais co-conspiradores. Essa cláusula de imunidade era extraordinária. Ela significava que qualquer pessoa que tivesse ajudado Jeffrey em seus crimes, qualquer pessoa que tivesse participado estava protegida de processo federal. Ou seja, todas as pessoas que estavam envolvidas nesse esquema dele, as secretárias, as mulheres que ajudavam e traziam as vítimas,
Faziam parte de todo o esquema, como, por exemplo, as mulheres que eu citei e a companheira dele, a Guilaine. Todas elas estavam protegidas e co-conspiradores, homens que também pudessem estar envolvidos de alguma forma, também todos protegidos. O que é um grande absurdo. É, tipo assim, inacreditável que isso tenha acontecido. E mais absurdo ainda é que tudo foi feito no sigilo. Então, os investigadores, né? As pessoas que estavam tentando fazer com que o Jeffrey fosse pro julgamento, não ficaram sabendo disso.
do que estava acontecendo. Tudo isso foi feito antes que elas pudessem sequer testemunhar. Isso era uma violação direta da Crime Victims Rights Act, que estava em vigor, então as vítimas tinham que saber do que estava acontecendo. Mas eles fizeram tudo isso mesmo assim. No dia 30 de junho de 2008, quase um ano depois desse acordo ter sido feito, o Jeffrey finalmente apareceu no Tribunal Estadual da Flórida. Lá, ele se declarou culpado daquelas duas acusações estaduais.
O juiz, seguindo o que já havia sido acordado anteriormente, sentenciou o Jeffrey há 18 meses
Palm Beach. É muito absurdo porque a própria promotora tinha levantado ali pelo menos 60 acusações criminais. E ele se declarou culpado de apenas duas e recebeu essa pena minúscula de 18 meses. Pra piorar, ele não seria enviado pra uma prisão estadual junto com outros criminosos, que é o que deveria ter acontecido. Ele foi mandado pra uma ala particular no centro de detenção de Palm Beach. Ele tinha uma ala só pra ele, com vários privilégios, e ele ficou lá por três meses.
meses, ele conseguiu uma permissão pra trabalhar seis dias da semana. Então, durante um dia só, ele precisava ficar lá o dia inteiro. Então, ele podia sair por 12 horas durante seis dias pra trabalhar, né? Tecnicamente. Essa liberação pra trabalho geralmente é cedida pra criminosos não violentos. Geralmente, quando eles estão próximos de completar a sua sentença e serem reinseridos na sociedade. E o Jeffrey não se enquadrava aí, porque ele era um criminoso sexual. Quando
A política do próprio xerife dizia que ele precisava cumprir pelo menos mais 10 meses pra que ele pudesse pedir por essa liberação pra sair e trabalhar. Mas, de alguma forma, ele conseguiu, assim. Ele realmente conseguia estar acima de todas as leis, de tudo. Então, no começo, ele saía só por 12 horas. Depois, eles explicam que ele começou a viajar. Às vezes, ficava dias sem aparecer lá. E era meio que isso. No verão de 2009, após servir 13 dos 18 meses, ele foi liberado. Ele teve que se registrar como criminoso sexual.
e pagar uma restituição pra algumas vítimas, mas além disso ele tava livre. E graças ao acordo de não processo que o Alexander Acosta assinou pro Jeffrey, isso significava que ele nunca seria processado federalmente por aqueles crimes, independente de todas as evidências e de tudo que eles tinham. As vítimas ficaram devastadas quando descobriram, porque parecia uma coisa impossível. Como assim ele não pode ser acusado de crimes que eles tinham provas?
Que elas estavam ali contando tudo. A Courtney Wilde, que é uma das vítimas dela,
brava, tão chocada com isso que ela decidiu entrar com um processo federal alegando que os seus direitos como vítima haviam sido violados. Depois disso, o Jeffrey voltou a fazer as mesmas coisas que ele já fazia. Então, voltou para as suas viagens com o seu jato particular, para as suas mansões, festas, encontros com pessoas importantes. Ele voltou a fazer tudo que ele já fazia antes. E mais uma vez, ele achava que ele tinha escapado da justiça e que agora, com esse não processo, ele poderia fazer tudo tranquilamente, que nada aconteceria. Ele estava acima da lei. Então, ele segue a sua vida, normalmente
Como se nada tivesse acontecido, segundo muitos relatos, continuou abusando de várias meninas e mulheres. Uma das vítimas, a Sarah Ransom, processou o Jeff alegando que ele a manteve como escrava sexual entre 2006 e 2007 e que o abuso continuou mesmo após a sua condenação em 2008. A Sarah alegou que o Jeff mudou de tática após estar sob investigação. Ao invés de atingir garotas de ensino médio na área de West Palm Beach, ele começou a transportar jovens mulheres de outras partes dos Estados Unidos e do exterior para sua mansão em Manhattan e para sua ilha particular nas Ilhas Virgens Americanas.
Outra vítima, Jennifer Arroz, entraria com o processo em 2019, alegando que uma associada do Jeffrey a recrutou na Talent Unlimited High School em Manhattan, quando ela tinha 14 anos. Jennifer foi gradualmente preparada por mais de um ano antes que o Jeffrey abusasse dela em sua mansão em Nova York, quando ela tinha 15 anos. Isso aconteceu em 2002, ou seja, antes mesmo da investigação de Palm Beach começar. Isso significa que, muito antes, ele já abusava de mulheres.
Também tinha a Virginia Roberts Jeffrey, que se tornaria uma das vozes mais públicas entre as sobreviventes do Jeffrey.
Ela foi recrutada em 2000, quando tinha 15 anos e trabalhava como toalheira no spa do Mar-a-Lago, o clube do Donald Trump em Palm Beach. Ela foi abordada pela Ghislaine Maxwell, uma socialite, filha do magnata da mídia britânico, Robert Maxwell. Que, inclusive, eu tô citando ela mais brevemente aqui nesse vídeo e ela é muito importante, em todo caso, Jeffrey, porque eu vou gravar um vídeo só sobre ela, porque eu quero explicar pra vocês de onde ela veio, a família Maxwell, quem era o pai dela.
Mas, em resumo, só pra vocês terem uma ideia, é o vídeo que vai entrar depois desse.
ela tinha vários irmãos. O pai dela era extremamente rico, magnata de editoriais. Então, ele tinha muitas revistas, jornais, enfim. E ela era a filha preferida dele, porque ela era a filha mais parecida com ele. Ele é descrito como um pai horrível, como um homem horrível. E aí, quando ele morre, a Ghislaine não tem mais aquela figura do pai, que era quem mandava e desmandava. Então, muitos acreditam que ela encontrou essa figura no Jeffrey, que era muito parecido com o seu pai, de muitas formas.
Então, já que o pai dela tinha morrido, ela se agarrou ao Jeffrey. E aí, se tornou sua companheira, sua recrutadora. E participava de tudo, sabia de tudo. Aí, voltando para a história da Virginia. Ela queria muito se tornar uma massagista profissional. E a Ghislaine abordou ela no clube. A Virginia já estava estudando para ser uma massagista. E a Ghislaine preparou ela e a entregou ao Jeffrey. Que, obviamente, abusou dela. A Virginia se tornou uma escrava sexual do Jeffrey e da Ghislaine. Eles manteram ela de 2000 a 2002. Eles não eram os únicos que abusavam dela.
Eles entregavam ela pra que outros homens abusassem dela também. E eram homens poderosos, né? Ao redor do mundo. E aí, ela conta que chegou um momento em que a Aguilene e o Jeffrey fizeram uma proposta pra ela. Queriam que ela engravidasse e desse o filho pra eles. Porque eles queriam ser pais. A Virginia ficou apavorada, mas ela pensou como ela poderia usar aquilo a seu favor. Então, ela falou pro Jeffrey que antes dela pensar em engravidar, ela precisava terminar os seus estudos.
Ela queria se qualificar como massagista. O Jeffrey concordou, mandou ela pra Tailândia pra estudar lá.
seguir esse certificado. Então, ela ficou lá por dois meses. Mas, na Tailândia, ela conheceu um australiano. Eles rapidamente se apaixonaram e se casaram. Ela tinha contado tudo pra ele, tudo que ela passou, tudo que o Jeffrey fez. E aí, ela ligou pro Jeffrey, dizendo que ela não ia voltar, porque ela estava casada. O Jeffrey ficou furioso, desligou o telefone na cara dela. E aí, ela e o marido se mudaram pra Austrália e ela recomeçou do zero.
Um tempo depois, ela acaba engravidando e ela tem uma menina. E depois que a filha nasce, ela tem uma conversa com o marido muito séria sobre tudo que ela tinha
E eles sabiam que o Jeffrey estava impune, estava livre, que ele continuava abusando de várias meninas e mulheres. Então, eles decidiram que eles não poderiam ter uma filha que vivesse em um mundo onde ele ficasse impune. Eles não queriam que outras meninas passassem pelo que a Virginia passou. Então, ela decidiu falar. Em 2014, ela apresentou uma declaração juramentada alegando que havia sido forçada a ter relações com o príncipe Andrew, um membro da família real britânica, em três ocasiões.
Ela também alegou ter sido forçada a ter relações com Alan Dershowitz, o advogado do Jeffrey.
quanto o Alan negaram as alegações. A Virginia processou o Jeffrey e essas alegações colocaram ele de volta aos noticiários. Jornalistas começaram a fazer perguntas. Como esse homem havia escapado com uma sentença tão leve? Quem estava protegendo ele? Em 2015, documentos judiciais de processos civis contra o Jeffrey começaram a ser liberados. Eles revelaram detalhes perturbadores sobre a extensão dos seus crimes e sobre as pessoas em sua órbita.
Naquela época, os Estados Unidos estavam passando por uma transformação cultural profunda. Em outubro de 2017, o movimento Me Too explodiu.
Mulheres ao redor do país começaram a compartilhar suas histórias de assédio e abuso, muitas vezes por homens poderosos e conhecidos que haviam escapado impunes. Produtores de Hollywood, executivos, políticos e celebridades, homem após homem foi exposto e responsabilizado por comportamento que havia sido tolerado ou encoberto por anos. As mulheres estavam dizendo, chega, nós acreditamos em vocês e vocês não estão sozinhas. Nesse clima de mulheres finalmente sendo ouvidas e acreditadas, as vítimas do Jeffrey começaram a encontrar sua voz também.
tudo mudou. A jornalista Julie Brown, do Miami Herald, publicou uma série de reportagens investigativas devastadoras chamada Perversão da Justiça. Ela havia passado mais de um ano investigando o caso. Ela rastreou e entrevistou dezenas de vítimas do Jeffrey. Muitas delas nunca tinham falado nada publicamente. As reportagens da Julie revelaram a extensão completa dos crimes do Jeffrey. Revelaram como o sistema de justiça havia falhado com as vítimas.
As reportagens causaram indignação nacional. Políticos exigiam respostas. Grupos de defesa de vítimas exigiam justiça.
promotores federais em Nova York começaram a prestar atenção. Em julho de 2019, enquanto Jeffrey retornava aos Estados Unidos de um voo da França, o seu jato particular pousou no aeroporto em Nova Jersey. Ele foi imediatamente preso por agentes do FBI e da Força-Tarefa contra crimes contra crianças. As acusações federais eram de tráfico sexual de menores e conspiração para traficar menores entre 2002 e 2005. O Jeffrey foi levado ao Metropolitan Correctional Center em Nova York, então, dessa vez, ele não teria liberação sob fiança. O juiz determinou que Jeffrey era um perigo para a comunidade
um risco de fuga. No mesmo dia da sua prisão, agentes do FBI forçaram a entrada na sua mansão em Manhattan. Eles tinham mandados de busca e o que eles encontraram lá dentro confirmava tudo. Centenas, talvez milhares de fotografias de mulheres jovens, muitas delas claramente menores de idade. Algumas totalmente nuas, outras parcialmente. Em um cofre trancado encontraram discos compactos com etiquetas escritas à mão descrevendo seu conteúdo.
Fotos de garotas, jovens seguidos do seu nome. Encontraram também um passaporte austríaco falso em nome do Jeffrey com uma foto dele,
com outro nome, e uma residência listada na Arábia Saudita. O passaporte havia sido emitido nos anos 80 e tinha carimbos de entrada e saída de vários países, incluindo França, Espanha, Reino Unido e Arábia Saudita. Encontraram diamantes e dinheiro em espécie, milhares de dólares em notas. As evidências encontradas eram esmagadoras. O Jeff foi mantido no Metropolitan Correctional Center enquanto aguardava julgamento. Os seus advogados tentavam conseguir a fiança.
Eles ofereceram colocar suas propriedades como garantia, no valor de mais de 500 milhões de dólares.
em Manhattan com monitoramento eletrônico 24 horas. Mas o juiz Richard Berman negou. Ele citou o risco de fuga, o perigo para a comunidade e a gravidade das acusações. Jeffrey estava enfrentando até 45 anos de prisão federal e, dessa vez, não havia Alexander Acosta para fazer um acordo. Ele havia renunciado como secretário do trabalho em júri de 2019, poucos dias após a prisão do Jeffrey, sob pressão intensa devido ao acordo que ele assinou em 2008.
Dessa vez, parecia que finalmente o Jeffrey enfrentaria a justiça real. Os promotores federais tinham aprendido com os seus erros de 2008.
Dessa vez, as vítimas foram informadas de tudo. Eles construíram um caso sólido. Eles estavam preparados para o julgamento. Mas, na manhã de sábado, 10 de agosto de 2019, tudo mudou. Por volta das seis e meia da manhã, guardas encontraram Jeffrey Epstein morto em sua cela. Ele estava ajoelhado perto do chão. Tinha lençóis amarrados ao beliche de sua cela para se enfocar. Equipes médicas tentaram ressuscitá-lo e ele foi levado ao New York Downtown Hospital, mas foi declarado morto às sete e trinta e seis da manhã.
Ele tinha sessenta e seis anos. A médica legista de Nova York, Barbara Samson, realizou a autópsia.
Ela encontrou múltiplas fraturas nos ossos do pescoço do Jeffrey, incluindo o osso ioide, que podem ocorrer tanto em enforcamento quanto em estrangulamento. Após revisar todas as evidências, ela determinou que a morte foi suicídio por enforcamento. Porém, as circunstâncias da morte geraram questionamentos imediatos. O Jeffrey havia sido colocado em vigilância de suicídio após um incidente que tinha acontecido em julho, quando ele foi encontrado semiconsciente com algumas marcas no pescoço.
Mas ele foi retirado da vigilância no dia 29 de julho, ou seja, seis dias antes da sua morte.
Então, determinaram que ele não estava mais em risco. Tudo que cerca essa morte do Jeffrey é muito esquisito. Então, tem essa questão que só seis dias antes ele foi retirado da vigilância. No dia que ele morreu, ele deveria ter um companheiro de cela. Esse companheiro foi transferido e não foi substituído. Então, ele estava sozinho. E os guardas deveriam checar a cela dele a cada 30 minutos. Mas eles simplesmente não checaram a cela por horas.
E tem câmeras de segurança que... Ou as imagens foram corrompidas, ou elas não estavam funcionando, as câmeras do corredor.
Jeffrey foram acusados de falsificar registros. Eles admitiram que ao invés de fazer as rondas a cada meia hora, eles tiraram cochilos e ficaram vendo vídeo na internet. Esse local que o Jeffrey estava sendo mantido deveria ser de alta segurança. É onde prisioneiros de alto perfil como ele eram mantidos. No entanto, Jeffrey, um dos homens mais poderosos do país, na época todo mundo falando sobre a prisão dele e tal, ele tinha muitas informações sobre muitas pessoas poderosas, simplesmente foi deixado lá por horas sem ninguém verificar se estava tudo bem.
Por conta de todas essas informações que eu falei pra vocês, e é tudo muito estranho, muitas pessoas acreditam que ele não tirou a própria vida e que, na verdade, ele foi assassinado. O Jeffrey tinha muitas informações sobre milionários, bilionários, presidentes, príncipes. Então, a maioria das pessoas acredita que alguém mandou matar ele naquele dia e que eles bolaram um plano por isso que as câmeras não funcionavam, por isso que as ondas não foram feitas. Até figuras públicas comentaram que a morte dele estava muito esquisita.
decidiu abrir uma investigação sobre a morte do Jeffrey. O FBI investigou, o inspetor-geral do Departamento de Justiça investigou, mas tinham algumas pessoas ali que discordavam, e uma dessas pessoas é bem importante. É o Dr. Michael Baden, ele é um patologista forense, muito respeitado, ele foi contratado pela família Epstein. Para poder observar a autópsia, ele já tinha trabalhado em muitos casos de alto perfil. Ele disse publicamente que as fraturas encontradas no pescoço do Jeffrey eram mais consistentes com o estrangulamento do que enforcamento.
disse com todas as letras que ele acredita que foi um assassinato, mas que isso deveria ser mais investigado. O Mark Epstein é irmão do Jeffrey, ele também não acredita que ele tirou a própria vida. Ele não aceita a causa oficial e entrou com processos questionando as circunstâncias da morte do irmão. Ele queria entender como todas aquelas coisas conspiraram naquele dia, porque as câmeras não funcionavam, ele disse que o irmão estava otimista e que não fazia sentido nenhum.
Investigações aconteceram, mas todas chegaram à mesma conclusão, que ele tinha tirado a própria vida. A resposta é que as falhas de segurança foram
resultado de incompetência, negligência, falta de pessoal e que no final das contas não houve conspiração alguma. Também nunca foi encontrada nenhuma evidência forte de que realmente tenha acontecido um assassinato e meio que permanece assim até hoje. Muitas pessoas ainda acreditam que ele não tirou a própria vida. Tem outras coisas estranhas também que aconteceram nessa época, por exemplo, poucos dias antes da sua morte, ele escreveu o seu último testamento, onde ele colocava basicamente o que ele queria que fizessem com toda a sua fortuna
seria destinada, quanto. Ele deixou dinheiro pra várias pessoas diferentes. Uma delas é uma namorada que ele tinha, bem mais jovem, que tá vivendo tranquilamente, estudando. Acho que ela se formou agora. Ele deixou muito dinheiro pra ela. Pra Ghislaine Maxwell, que é sua companheira, por anos, ele deixou só 10 milhões. O que é um tapa na cara, né? Porque ele tinha uma fortuna enorme. É muito esquisito que ele tenha feito esse testamento pouco antes da sua morte, né?
E uma coisa também muito... Que dá muita raiva dessa questão do testamento é que ele
deveria pagar uma indenização para as vítimas. As vítimas iam falar no julgamento dele e tudo mais. Então, ele morreu ou tirou a própria vida antes do julgamento. Elas não tiveram a chance de falar. E por ele estar morto e ter feito esse testamento, dificulta ainda mais que elas sejam ressarcidas, que elas consigam ganhar algum dinheiro por tudo que elas passaram, né? Então, é como se fosse o último golpe dele, assim, sabe? Com a sua morte, o caso criminal federal não tem como seguir. Você não pode processar um homem morto, né?
Mas além do Jeffrey, tem muitas outras pessoas envolvidas em tudo que ele fez. E uma dessas pessoas ainda está viva, que é a sua companheira, a Ghislaine Maxwell. A Ghislaine Maxwell, que durante todo esse tempo que ele foi preso e tudo mais, ela se escondeu. Ela foi pra vários lugares diferentes e o FBI encontrou ela em julho de 2020. Ela tentou fugir, mas eles pegaram ela e ela foi presa e acusada de seis crimes federais. Como eu falei pra vocês, vai ter um vídeo só sobre ela, onde eu vou detalhar tudo isso pra vocês.
do período de 1994 a 97 e 2001 a 2004. Diferente do Jeffrey, ela foi mantida em prisão preventiva enquanto aguardava o seu julgamento. Os advogados tentaram conseguir fiança, argumentando que não havia risco de fuga, mas o juiz negou, e aí o julgamento dela começou em 29 de novembro de 2001, em Manhattan. Durante três semanas, promotores apresentaram evidências e testemunhos de múltiplas vítimas que descreveram como a Guilherme se recrutou, preparou e facilitou seu abuso para o Jeffrey. Os promotores também apresentaram evidências
registros de voo mostrando ela e as vítimas viajando no jatinho do Jeffrey, mensagens telefônicas. Os seus advogados tentaram várias defesas. Eles argumentaram que ela estava sendo usada como bode expiatório para os crimes do Jeffrey, que ela também era vítima dele sob seu controle psicológico e financeiro. Essa parte da questão financeira e de como Jeffrey bancava ela também vai estar bem explicada no vídeo dela. A defesa tentou atacar a credibilidade das vítimas, apontando inconsistências em seus depoimentos ao longo dos anos, mas o júri não acreditou nessa defesa.
dezembro, após cinco dias de deliberação, o júri retornou com o veredito de culpada em cinco das seis acusações. Em junho de 2022, ela foi sentenciada. Várias vítimas compareceram à audiência de sentenciamento e deram declarações de impacto. A juíza Alison J. Nathan, ao proferir a sentença, disse que a Ghislaine havia desempanhado um papel indispensável em facilitar o abuso de múltiplas garotas jovens pelo Jeffrey. A juíza disse que os crimes dela causaram danos duradouros e incalculáveis nas vítimas. Então, ela anunciou a sentença de 20 anos de prisão federal, seguidos de
anos de liberdade supervisionada. Atualmente, a Ghislaine cumpre sua sentença e ela terá 79 anos quando for elegível para a libertação. Para as vítimas do Jeffrey, a justiça ainda parece incompleta. Tem muitas outras pessoas envolvidas que receberam imunidade no acordo do Alexander Acosta e que nunca foram processados. O príncipe Andrew foi processado civilmente por Virginia Joffrey. O caso foi resolvido fora do tribunal em fevereiro de 2022 por uma quantia não revelada, embora relatos sugiram que foi mais de 10 milhões de libras esterlinas. O Andrew nunca admitiu a culpa,
a família real britânico retirou de suas funções públicas e ele perdeu seus títulos militares honorários. Ainda sobre o Andrew, ele foi preso na quinta-feira, dia 19 de fevereiro, na propriedade real e então foi fotografado e submetido à coleta de impressões digitais. Ele foi solto após permanecer cerca de 11 horas sob custódia da polícia por suspeita de má conduta no exercício de cargo público, em uma investigação ligada ao caso do criminoso sexual Jeffrey Epstein.
Um e meio de novembro de 2010 indicava o repasse de relatórios comerciais sigilosos.
para o crime de má conduta em cargo público no Reino Unido é a prisão perpétua. Fora que as investigações não se limitam a Andrew. Pelo menos nove forças policiais britânicas confirmaram estar revisando alegações relacionadas ao material divulgado. Além do príncipe Andrew, a sua ex-mulher Sarah Ferguson e ex-duquesa de York foi uma das figuras mais comprometidas pelos arquivos. Os documentos revelaram que ela manteve contato íntimo com Epstein mesmo depois de sua condenação em 2008 e que ela o visitou em Miami cinco dias após sua soltura de prisão em 2009.
Tris e Eugene, então com 19 e 20 anos. O almoço na mansão de um homem recém saído da cadeia por solicitar sexo de uma menor, organizado pela própria mãe das jovens, causou consternação quando veio a público. Mas o que realmente chocou foi um e-mail, que tem a data de março de 2010, quando Epstein perguntou pra Sarah sobre uma viagem a Nova York e ela fala sobre a filha dela nesse e-mail. Ela faz um comentário com uma naturalidade absurda pra um predador sexual condenado sobre a sua filha de 19 anos. Os e-mails mostram uma relação de dependência financeiramente
profunda. Ela pediu a Epstein orientações sobre como evitar falência enquanto ele ainda estava preso. E depois de solto, escreveu pedindo 20 mil libras urgentes pra pagar o aluguel, ameaçado de ser divulgado pra imprensa pelo proprietário. Em janeiro de 2010, ela escreveu Você é uma lenda. Não tenho palavras pra descrever meu amor e gratidão pela sua generosidade e bondade. Estou a seu serviço. Case comigo. E em 2011, semanas depois de ter declarado publicamente que cortaria todos os laços com ele, escreveu chamando o de amigo inabalável, generoso e supremo. Um e-mail de Epstein pra um amigo posterior a essa declaração
A operação pública insinuava que ele havia financiado a Sarah por mais de 15 anos. As consequências foram imediatas. A sua fundação filantrópica foi encerrada em fevereiro desse ano, e seis empresas das quais ela era diretora única pediram cancelamento de registro em poucos dias. O Andrew era o homem que vivia desde a morte da mãe da rainha Elizabeth II, em 2002, no suntoso Royal Lodge, em meio ao luxo de 30 quartos no Winter Grey Park.
Até poucas semanas atrás, ele ainda era príncipe Andrew, mas ele perdeu o título.
disse que eles vão cooperar com quaisquer investigações. Ele disse ter profunda preocupação com o Andrew e suas suspeitas de má conduta em cargo público e declarou que as autoridades contam com todo o apoio e cooperação da realeza. O palácio destaca as medidas sem precedentes adotadas até agora pelo rei, a retirada dos títulos e da residência do Andrew, a oferta de assistência e a decisão de não buscar de nenhuma forma qualquer favorecimento junto às autoridades. E uma coisa muito importante a ser citada é que o Andrew é o primeiro membro
da família real na história moderna ser preso. Tudo isso aconteceu por contradivulgação dos arquivos do caso Epstein, de que Andrew teria compartilhado documentos oficiais. Entre eles estariam relatórios de visitas comerciais e uma informação confidencial sobre investimentos no Afeganistão enviados ao Jeffrey Epstein, além de um documento do Tesouro Britânico repassado para um contato pessoal. Mesmo com essas provas e com fotos também, o Andrew continua negando qualquer irregularidade em suas relações com o Jeffrey. Porém, a história dos vínculos entre os dois
Em outubro do ano passado, alguns e-mails revelaram que o Andrew não havia cortado seus laços com o Epstein, como ele alegava. E aí que ele foi destituído dos seus títulos de príncipe e duque. Tem outros homens cujos nomes aparecem nos registros de voo no jatinho do Jeffrey ou em documentos judiciais, que também negam qualquer irregularidade. Alguns admitiram conhecer o Jeffrey socialmente, mas disseram que não sabiam dos seus crimes.
Outros disseram que cortaram os laços com ele após sua primeira condenação em 2008. A verdade completa sobre quem o Jeffrey forneceu com menores
Quem participou dos crimes pode ser que nunca seja totalmente conhecida. Em novembro de 2025, o presidente Trump assinou a Epstein Files Transparacy Act, uma lei que determinou que o Departamento de Justiça liberasse ao público todos os arquivos e materiais relacionados ao caso Jeffrey Epstein dentro de 30 dias. O prazo legal era até o dia 19 de dezembro, mas naquela data o Departamento de Justiça liberou apenas uma pequena fração dos documentos, a maioria fortemente censurada. São centenas de páginas que estavam completamente apagadas.
bipartidárias. Congressistas, democratas e republicanos acusaram o Departamento de Justiça de descumprir a lei. Então, finalmente, no dia 30 de janeiro desse ano, o Departamento de Justiça liberou mais de 3 milhões de páginas adicionais. Fotos, vídeos, transcrições de depoimentos, registros de voo e documentos financeiros. É uma quantidade massiva de informação que jornalistas e investigadores ainda estão analisando, tentando montar o quebra-cabeça completo da operação do Jeffrey.
Mas mesmo com essa liberação, os sobreviventes e advogados dizem que ainda falta muita coisa.
a justiça admite que identificou mais de 6 milhões de páginas potencialmente relevantes, mas liberou apenas cerca de 3,5 milhões. A pergunta é, onde estão as outras 2,5 milhões de páginas? Por que tantas redações? Por que nomes de vítimas foram expostos enquanto nomes de abusadores permanecem ocultos? E aí, toda essa questão com os documentos é que novos documentos estão surgindo todos os dias, novas revelações, novos nomes e conexões.
As investigações continuam em muitos países, como Turquia, França e Reino Unido.
E a pergunta permanece. Quem mais vai ser responsabilizado? Enquanto a justiça continua o seu curso lento e incerto, vale lembrar das pessoas que fizeram a diferença nessa história. Pessoas que realmente lutaram pela verdade. O detetive Joseph Recorey, que eu citei várias vezes, que trabalhou incansavelmente para construir o caso contra o Jeffrey, morreu no dia 12 de maio de 2018 de câncer. Ele tinha apenas 50 anos e morreu antes de ver o Jeffrey finalmente preso em 2019. Já o chefe Michael Rader, que levou o caso ao FBI,
Ele disse em entrevistas que o caso Epstein representa a pior falha do sistema de justiça criminal em tempos modernos. O Alexander Acosta, procurador dos Estados Unidos que assinou o acordo de não processo, defendeu suas ações em uma coletiva de imprensa televisionada em julho de 2019. Ele disse que o escritório do promotor estadual estava pronto para permitir que Jeffrey saísse livre sem tempo de prisão e que o acordo federal garantiu pelo menos alguma prisão. Porém, críticos disseram que essa explicação
não justifica dar imunidade a co-conspiradores ou manter as vítimas no escuro. Em setembro de 2025, o Alexander foi chamado para testemunhar perante o Comitê de Supervisão da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos sobre seu papel no acordo de não-acusação. No depoimento, ele manteve sua defesa do acordo, dizendo que jamais se encontrou pessoalmente com Jeffrey Ogilaine. Hoje, em 2026, o Alexander é membro do Conselho de Diretores da Newswax, uma empresa de mídia conservadora com sede em Boca Raton, na Flórida. Ele ocupa o cargo de presidente do Comitê de Auditoria desde março de 2025.
promotor estadual que levou o caso ao grande júri em 2006, de uma forma que resultou em apenas uma acusação leve e se aposentou em 2009. Ele continuou trabalhando como voluntário no departamento jurídico do gabinete do xerife do Condado de Palm Beach, oferecendo treinamentos para agências de aplicação da lei. Ele também continuou ativo em questões de bem-estar infantil, trabalhando com organizações como a Children's Home Society e o Palm Beach County Alliance.
Ele nunca falou publicamente em detalhes sobre o seu manejo do caso Epstein. Em 2019, uma investigação do Departamento de Aplicação da Lei da Flórida
em relação aos privilégios de liberação para trabalhos concedidos a Epstein. Hoje, com mais de 80 anos, ele permanece na Flórida, tendo dedicado décadas ao sistema de justiça criminal do Condado de Palm Beach. Já o Alan Dershowitz, um dos advogados do Jeffrey, o advogado de Harvard, que representou o Jeffrey no acordo de não-acusação em 2008, teve seu próprio capítulo doloso nessa história. Em 2014, Virginia o acusou publicamente de ter abusado sexualmente dela quando era menor de idade, alegando que Jeffrey a traficou para Alan pelo menos seis vezes entre 2000 e 2012,
Ele negou as acusações desde o primeiro momento, chamando Virginia de mentirosa completa. As acusações desencadearam uma batalha legal brutal que durou anos. Em 2019, a Virginia entrou com uma ação de difamação contra o Alan. Ele contra-processou Virginia. O David Boyce, o advogado dela, também processou o Alan. E o Alan processou o David de volta. Foi uma guerra jurídica em múltiplas frentes. Em novembro de 2022, finalmente chegaram a um acordo.
A Virginia concordou em retirar suas acusações, declarando publicamente que pode ter cometido um erro ao identificar o Alan. Ela disse que era muito jovem na época,
estava em um ambiente estressante e traumático e que ele negou consistentemente as alegações desde o início. Nenhum dinheiro foi pago em nenhuma das duas direções. Todos os processos foram arquivados com prejuízo, o que significa que não podem ser reabertos. Nesse ano, 2026, o Alan está vivo ainda aos 87 anos e continua sendo uma figura pública extremamente controversa. Tem várias coisas estranhas e controversas sobre ele que vocês podem ver no Google.
E apesar de ele ter sido inocentado pela Virginia, as acusações que ela fez deixaram marcas permanentes
Mas de todos os citados nessa história, talvez nenhum tenha pago um preço tão alto pela visibilidade quanto a Hayley Robson. De todos os relatórios de incidentes arquivados pelo Departamento de Polícia de Palm Beach durante a investigação de 2005 contra o Jeffrey, apenas um nome foi revelado publicamente, que foi o nome da Hayley. É muito doido pensar nisso, porque ela tinha apenas 18 anos e o nome dela foi publicado. Então, todas as vítimas foram protegidas, os nomes protegidos, eles usavam Jane Doe ou qualquer outra coisa.
todo mundo ver. As consequências foram devastadoras, ela foi perseguida, ela foi ameaçada, foi julgada publicamente porque ela era o rosto que as pessoas conseguiam conectar com a questão das recrutadoras, né? Era como se ela fosse a recrutadora de todas as vítimas. O que ela não era, ela também era uma vítima no final das contas. A exposição acabou com a vida dela, então ela recorreu a drogas, álcool. Por anos ela tentou entender por que protegeram tantas meninas e ela não foi protegida quando ela tinha apenas 18 anos e quando
ela foi até a moção pela primeira vez e ela tinha menos que isso. E agora, em 2026, após a liberação de todos esses arquivos, o nome dela aparece de novo, muitas vezes, com detalhes íntimos, privados e traumáticos. Então, ela disse que apesar de tudo que ela passou, ela tá tentando ressignificar isso de alguma forma. Ela tá tentando transformar esse trauma horrível em um propósito. Hoje ela tem 39 anos, ela vive na Flórida com a sua filha. Ela trabalha ajudando sobreviventes de tráfico sexual
Ela disse que está tentando usar a sua experiência para ajudar outras pessoas, mas que a culpa não some. Ela se sente culpada todos os dias da sua vida. Em 2025, por exemplo, ela segurou uma foto dela mesma quando criança, pedindo que eles liberassem todos os arquivos Epstein. Ela disse que ela é traumatizada, mas não é estúpida e que as vítimas ainda estão tentando sobreviver, que elas ainda estão na terapia e que o que aconteceu é algo que não deve ser esquecido. A Virginia Joffrey se tornou uma das pessoas mais ativas no caso,
entre as vítimas. Ela falou sobre o que aconteceu com ela, muitas vezes processou diversos homens por abuso. Também criou a Victims Refuse Silence, que é uma organização sem fins lucrativos, que ajuda sobreviventes de tráfico sexual e defende leis de mudanças à proteção das vítimas. Ela morava na Austrália com o marido, com os três filhos, mas ela disse que o trauma nunca passou. Em abril de 2025, após muitos anos lutando por justiça, ela tirou a própria vida. Ela tinha 41 anos e nas semanas anteriores, ela tinha...
na vida dela tinha sofrido um acidente. Ela tava se divorciando do marido, lutando pela custódia dos filhos. E ela também tinha denunciado que o ex-marido tinha abusado fisicamente dela por anos. O pai dela rejeita totalmente a causa da morte, dizendo que ele tem certeza que alguém tirou a vida dela. As autoridades australianas mostram que, nas investigações iniciais, a conclusão é que não é uma morte suspeita. Mas estavam aguardando a determinação oficial do legista.
Seis meses após a sua morte, um livro com memórias que ela escreveu foi lançado e entrou
entre os bestsellers. Em fevereiro desse ano, quando muitos arquivos já tinham sido liberados, eles encontraram muitas evidências de que tudo que ela falou era verdade. Ela tava falando a verdade o tempo todo. Inclusive, tem até uma foto do príncipe Andrew com a Virginia. Tem muitas provas, né, sobre tudo isso. Ele passou anos negando e questionando que aquela foto tinha sido adulterada de alguma forma. Mas, recentemente, como eu contei pra vocês já o que aconteceu com ele, foi provado que ele tem relação, sim, com o caso Epstein.
títulos, foi preso e aí já solto depois de 11 horas, mas ainda vai ter muita coisa relacionada a ele, com certeza. Outra vítima que eu preciso citar é a Courtney Wilde, que eu citei pra vocês, que ela processou o governo federal por violar os seus direitos como vítima, então ela travou ali uma das batalhas mais longas e talvez mais importantes sobre o caso do Jeffrey Epstein. Antes de tudo isso, quando ela foi até a mansão do Jeffrey pela primeira vez, ela tinha só 14 anos e ela vinha de um lar completamente desfuncional. A mãe dela abusava
de drogas, não tinha dinheiro pra manter a casa. Então, depois que ela ganhou aqueles 200 dólares do Jeffrey pela primeira vez, ela se sentiu mal, tinha nojo de si mesma, mas ela tinha dinheiro pela primeira vez. Ela começou a justificar pra si mesma que ela tava fazendo aquilo por questões financeiras. E aí, mais tarde, quando vários nomes de vítimas foram divulgados, ela viu nomes de amigas que ela tinha levado. Às vezes, ela levava três amigas em um dia só.
Ela disse que quando ela viu aquilo, ela sentiu muito nojo de si mesma. Ela disse que ela ficou doente quando ela viu tudo isso e percebeu que ela
Tinha feito. Ela caiu no vício das drogas. Tentando buscar algum tipo de consolo. Foi presa por conta disso. E ela lembra o quanto ela era uma jovem. Antes do abuso com o Jeffrey. Antes dele entrar na vida dela. Que ela era uma jovem que tinha um futuro. Que poderia ser muito promissor. Ela tinha notas excelentes. Era capitã de torcida. E a vida dela tinha acabado. Parecia que tudo tinha chegado ao fim. Que eles destruíram a vida dela para sempre.
Até que em 2008. Ela decidiu processar o Departamento de Justiça dos Estados Unidos.
violaram a lei que eu citei para vocês, que protege as vítimas, que as vítimas precisam saber tudo o que está acontecendo no processo. Mas em 2020, o tribunal decidiu que a lei não se aplicava ao caso dela, porque o governo nunca tinha apresentado acusações formais contra o Epstein quando isso aconteceu. Então, ela perdeu a batalha. Ela estava nessa batalha há mais de uma década, em 2022. Eles encerraram tudo o processo, mas ela não desistiu.
Em setembro de 2025, a deputada Debbie Wasserman Schultz e o deputado Tim Burchett apresentaram
Courtney Wilde Reinforcing Crime Victims' Rights Act, uma lei com o nome dela projetada para fortalecer a lei anterior e garantir que vítimas como ela não sejam novamente excluídas de negociações secretas. Em novembro de 2025, ela esteve presente no Capitólio, em Washington, D.C., quando a Câmara voltou 427 a 1 para aprovar o Epstein Files Transparency Act, seguindo por aprovação unânime do Senado. Ela percorreu um longo caminho desde o vício e a prisão e hoje, aos 33, vive na Flórida, é mãe de família
a diferença. As duas irmãs que foram as primeiras a denunciar o caso, a Maria e a Annie Farmer, também continuam lutando. Em dezembro de 2025, quando o Departamento de Justiça liberou os arquivos Epstein, lá estava o relatório do FBI, datado de 3 de setembro de 1996, com a denúncia da Maria. Ela tinha denunciado o Jeffrey por roubar fotos artísticas de suas irmãs menores, incluindo a Annie, que tinha 16 anos, e vendê-las como pornografia infantil.
O documento dizia que Jeffrey ameaçou Maria que se ela contasse a alguém sobre as fotos, ele queimaria sua casa. Inclusive, no documentário, ela conta que ela tinha
esse costume de tirar fotos das irmãs em posições ou do jeito que ela queria pintar. Então, eram fotos dela, eram fotos privadas. Ninguém via essas fotos, só ela. E ele roubou essas fotos dela. Ela conta que ela esperou 30 anos pra que esses arquivos fossem liberados e que agora, finalmente, todo mundo pode ver que ela não era uma mentirosa. Tudo que ela falou era verdade. A irmã dela, Annie, testemunhou no julgamento da Ghislaine Maxwell em 2021, porque ela foi abusada pela Ghislaine e pelo Jeffrey.
E ela chorou falando sobre isso, porque ela disse que doía muito ver que eles tinham esse documento
com eles há muito tempo. Ela sabe que muitas pessoas foram prejudicadas porque eles não seguiram com a investigação e que elas estão há anos contando essa mesma história, mas que vê isso agora no preto e no branco. Isso mexeu muito com o emocional dela. Então, em 2025, ela entrou com uma ação processando o governo dos Estados Unidos por negligência. Ela alegou que a falha do FBI em não seguir com a investigação em 1996 foi uma falha catastrófica do FBI, permitindo que mais de mil vítimas sofressem.
psicóloga licenciada e defensora vocal pela transparência. Ela também segurou uma foto dela mesma e da sua irmã, Maria, quando crianças, pedindo que eles liberassem os arquivos. A Maria foi diagnosticada com um tumor cerebral em 2019 e as duas irmãs continuam na linha de frente lutando por justiça e transparência. Entre as dezenas, centenas e milhares de vítimas do Jeffrey, tem uma brasileira. Ela foi identificada como vítima menor 1 na acusação federal de 2019.
Seu nome é Marina Lacerda. Ela nasceu no Brasil e migrou para os Estados Unidos em 2002
. . .
e um pesadelo de três anos. Dos 14 aos 17 anos, a Marina foi obrigada a ir à mansão do Jeffrey com tanta frequência que acabou abandonando a nona série do ensino médio. Ela não recebia educação, não tinha perspectiva do futuro, apenas a esperança de que um dia o Jeffrey fosse oferecer um emprego de verdade pra ela como assistente ou algo assim. Nas próprias palavras dela, entre aspas,
a 17 anos, Jeffrey descartou. A Marina carrega cicatrizes profundas daquele período. Seu corpo reprimiu muitas das memórias daquele tempo como uma resposta ao trauma. Em 2008, agentes do FBI apareceram na sua porta. Ela teve medo pela segurança da sua família no Brasil, mas então tudo simplesmente desapareceu, como se nada tivesse acontecido. Era por conta do acordo e não o processo que Alexandra Costa tinha assinado. Marina disse depois, entre aspas, Nosso governo poderia ter salvado tantas mulheres, mas Jeffrey Epstein era importante demais e aquelas mulheres não importavam. Em 2019, quando Jeffrey foi preso novamente,
e foi o depoimento da Marina que ajudou a reabrir o caso. Ela era a vítima menor 1 na acusação federal, mas seu nome nunca tinha sido revelado publicamente. Ela permaneceu anônima durante todo o processo, até dia 3 de setembro de 2025. Naquele dia, ela compareceu a uma coletiva de imprensa no Capitólio, em Washington, D.C. Usando grandes óculos escuros, ela falou publicamente pela primeira vez sobre o que tinha acontecido com ela.
Ela disse que a única razão pela qual ela estava ali é porque parece que as pessoas no país finalmente se importavam com o que as vítimas tinham para dizer. Ela estava lá pedindo ao Congresso que liberasse todos os arquivos
Ela disse que saber a verdade poderia ajudá-la a fechar feridas que ela carregava há mais de 20 anos. Existem muitas vítimas do Jeffrey. Muitas delas compartilharam suas histórias em documentários na Netflix, como o que eu citei, que é o Filthy Rich. Tem outro documentário da Lifetime chamado Surviving Jeffrey Amstein. Na Max também tem documentário que, se você colocar o nome dele, já aparece. Então, aqui no vídeo, eu citei apenas algumas dessas sobreviventes que tiveram coragem nele falar publicamente e lutar por justiça.
O espólio do Jeffrey Epstein estabeleceu um fundo de compensação para vítimas em junho de 2017.
administrado pela advogada Jordana Feldman. O fundo recebeu aproximadamente 225 pedidos de indenização, mais do que o dobro do esperado. Dessas, 150 vítimas foram consideradas elegíveis. Até o encerramento do programa, em agosto de 2021, o fundo pagou aproximadamente 121 a 125 milhões de dólares. Cerca de 92% das vítimas elegíveis, aproximadamente 135 a 150 pessoas, aceitaram a compensação oferecida. Mas, em troca de receber compensação, elas tiveram que concordar em não processar o espólio
A cláusula também as impedia de processar os empregados do Jeffrey, o que significa que mulheres como Sarah Kellen, Leslie Groff, Nadia Marcinkova e outras que recrutaram garotas continuam protegidas da justiça. Cerca de 8% a 10% das vítimas elegíveis rejeitaram a oferta e optaram por continuar com os processos judiciais buscando valores maiores ou justiça de outras formas. Além do fundo de compensação, processos separados contra bancos que facilitaram as operações de Epstein renderam centenas de milhões adicionais.
ele não pode compensar os anos de trauma, não pode restaurar uma confiança roubada, ele não pode apagar os pesadelos. Mas talvez ao menos possa ajudar algumas sobreviventes a reconstruir suas vidas. Em 30 de janeiro de 2026, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgou o maior lote de documentos da história do caso Epstein. Mais de 3 milhões de páginas, 180 mil imagens e 2 mil vídeos. O material estava organizado em 12 conjuntos de dados contendo os sumários de entrevistas do FBI, relatórios policiais, e-mails, registros bancários,
Voos e imagens fotográficas. Muitas dessas coisas, eu não cheguei a entrar pra olhar eu mesma. Tem muita coisa e você tem que baixar os arquivos, tem que olhar um por um. Então, eles não estão assim no nome o que é. Você tem que ir abrindo pra ver. Eu já tô tão acostumada a contar casos pra vocês e a ler sobre isso. Eu leio muito, né? Sobre casos criminais e tal. Mas fazia muito tempo que um caso não me pegava tanto quanto esse.
Pra mim, esse é um caso muito difícil. Eu estudei muito ele. E eu não tive coragem de abrir esses arquivos, gente.
é uma coisa que eu me recuso a fazer. Tem algumas teorias que eu vou abordar nas redes sociais sobre vítimas, sobre meninas que desapareceram, casos não solucionados que podem ter conexão com o Epstein. Mas sobre esses arquivos, mesmo eu não entrando e pesquisando, eu estudei tanto esse caso que por muito tempo e até agora só aparece isso pra mim. Então fica aparecendo vários vídeos de pessoas falando sobre e tal, e eu acabei vendo muitas imagens desses arquivos que foram
divulgadas. Então, imagens bem pesadas. Imagens que eu não vou esquecer, entendeu? Então, assim, não aconselho vocês a procurarem. Eu acho que o que a gente sabe, e tudo que eu disse aqui já é muita coisa. Então, essas imagens, vocês vão ver uma vez e não vão esquecer nunca mais. Então, por isso que eu decidi não eu mesma ir lá procurar e ver. Porque eu não sei o que isso traria pra mim e o que eu poderia trazer pra você. Porque aquilo já aconteceu, né?
Aquilo... A gente não sabe quem são, porque tem muita tarja preta na cara das vítimas. Então, a gente não sabe
Quem é? Mas a gente consegue olhar e pensar, era uma menina, menor de idade, que poderia ter no máximo seis anos, então umas coisas assim, e isso mexe muito comigo. E por isso que eu decidi não pesquisar eu mesma essa parte, sabe? Não ficar entrando nesses arquivos, porque aí, gente, sei lá, é muita coisa, é um caminho gigantesco, assim, eu não ia, eu não sei quando que eu ia pensar, agora acabou, porque são milhões de documentos, sabe? Então, eu procurei ver mais os e-mails, e isso eu pesquisei bastante,
que tem muitos e-mails e palavras-chave que eles usavam, e-mails falando sobre festas que aconteceram na ilha, sobre garotas jovens, sobre garotas ou meninos que eles queriam. Então, são imagens e e-mails bem perturbadores. Isso revela as conexões do Jeffrey, que são bem maiores do que era público até então, né? O que a gente sabia depois da prisão e tudo mais. Então, a questão é, com todos esses documentos, muitas coisas estão sendo reveladas.
coisas que a gente não sabia, nomes que não tinham sido citados até então. Então, é realmente muita informação. As pessoas que eu vou mencionar agora são pessoas citadas nesses arquivos, mas que não foram acusadas de maneira alguma. Elas não foram acusadas de envolvimento nos crimes que o Epstein cometeu, mas a proximidade dessas pessoas com ele levantou uma pressão pública para que isso fosse mais investigado. Então, por exemplo, o Donald Trump é mencionado 38 mil vezes. Também foi revelado que o Epstein guardava muitos arquivos
ser cortados sobre o Trump, o que mostra que ele realmente tem essa obsessão por homens no poder. Por muitos anos, o Trump negou qualquer envolvimento, mas nos arquivos tem alguns registros de que ele teria pegado voo no jatinho particular com o Epstein várias vezes. Isso nos anos 90, em 2006, ele ligou para o departamento e elogiou a investigação contra o Epstein, dizendo que eles finalmente iriam pará-lo. Ele teria dito na ligação que ele mesmo teria saído correndo de uma ocasião que envolvia o Epstein e meninas adolescentes.
O próprio Departamento de Justiça disse que as alegações eram infundadas e não eram verdadeiras. O Trump continua negando qualquer irregularidade. Outra pessoa muito famosa que aparece várias vezes é o Bill Clinton. Ele aparece em fotos, registros de voo, tem correspondências que a equipe dele trocava com a Maxwell. Entre 2002 e 2003, ele voou pelo menos 26 vezes no avião particular do Jeffrey. O Clinton negou qualquer envolvimento nos crimes envolvendo o caso Epstein e disse que cortou relações com ele antes da sua prisão em 2006.
Por conta de toda a pressão do caso, o Bill Clinton e a Hillary Clinton concordaram em depor. O Elon Musk também aparece em alguns e-mails conversando com o Epstein e perguntando sobre as festas da ilha. Em novembro de 2003, ele é convidado para o Caribe no Natal do Epstein e ele cita o Woody Allen nesse e-mail, que não me surpreende nem um pouco. O Elon Musk disse que ele recebeu cinco convites para ir até a ilha, mas que ele nunca foi e que ele entende que esses e-mails possam ser mal interpretados. O Steve Bannon é ex-assessor do Trump e ele trocou muitos e-mails com...
Epstein, inclusive, ele planejava fazer um documentário sobre ele. Em uma das gravações, o Epstein falou por horas. Os arquivos mostram que o Epstein enviou presentes caros para ele e para o seu filho. O Steven titulou a produção do documentário como The Monsters, a vida de Epstein entre a elite global. Já o secretário de comércio, Howard Lutnick, que havia afirmado publicamente nunca mais ter estado com Epstein após 2005, apareceu em correspondências de 2011 e 2012, marcando encontros e almoços. A porta-voz do secretário disse que ele teve interações limitadas
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Allen descreveu os jantares na mansão de Epstein numa carta escrita para seu aniversário de 63 anos, notando a presença de várias mulheres jovens servindo o lugar, como a referência ao castelo do Conde Drácula. Quando Epstein convidou Woody Allen para uma viagem ao Caribe em 2013, ele mencionou que alunos que poderia curtir a companhia deles. Em 2015, ao ser convidado para visitar a Casa Branca, Allen respondeu em mensagem, com minha ficha policial, nunca vou passar pela segurança.
Woody Allen negou qualquer envolvimento nos crimes de Epstein. Falando sobre o nosso país, sobre o Brasil, tem mais de 4 mil documentos
fazendo referência ao nosso país. O estado de São Paulo analisou mais de 30 mil desses arquivos e identificou um padrão estruturado. Viagens regulares ao Brasil com o objetivo explícito de identificar aspirantes a modelo, aproximação com agências, revistas de moda e concursos de beleza. O Jean-Luc Brunel, o agente francês que cofundou com Epstein a agência MC2 Models, era o principal intermediário nessa operação. Em 2019, poucos meses antes de Epstein ser preso, Jean estava em Brasília e percorreu diversas capitais brasileiras em busca de adolescentes, prometendo carreiras internacionais.
Em 2016, oito anos após a sua primeira condenação, Epstein trocou e-mails com um associado chamado Ramsey L. Hawley sobre comprar uma agência de modelos brasileira. Ramsey apresentou um relatório sobre três das maiores agências do país, a Ford Models, a Elite e a La Equipe. Ele sugeriu que um concurso seria ideal por atrair garotas caipiras sem experiência. A intenção, segundo os documentos, era explícita, ter acesso a essas garotas.
Um depoimento de 2010 também nos arquivos afirma que Epstein viajava frequentemente ao Brasil
oferecia garotas para ele para fins sexuais, incluindo menores de idade. Registros mostram que, quatro dias após sair da cadeia, em junho de 2009, o Epstein já escrevia para uma brasileira que ele conheceu antes da prisão. No ano seguinte, segundo os e-mails analisados pelo jornal Estado, essa mesma mulher passou a atuar como recrutadora de outras jovens. Em outra mensagem, um interlocutor escreveu a Epstein em 2013. Nova brasileira acabou de chegar.
Sexy e bonita. 19 anos. Em 2012, Epstein escreveu. Princesa, onde você está? Estarei em São Paulo essa semana. Quem está lá?
Epstein não apenas visitava o Brasil como ele tinha um CPF válido no país e ele chegou a cogitar obter a nacionalidade brasileira após sair da prisão em 2009. A Receita Federal confirmou que o CPF permanecia ativo em seu sistema. O Ministério Público Federal do Rio Grande do Norte abriu investigações após receber denúncias sobre o aliciamento de uma mulher de Natal para práticas sexuais nos Estados Unidos. O caso Epstein não terminou com a morte do Jeff em agosto de 2019, não terminou com a condenação da Ghislaine Maxwell esse ano e não terminou com os acordos milionários com bancos e com o espólio.
Então assim, eu acredito que vocês esperavam que eu falasse um pouco sobre arquivos específicos ou até colocasse essas imagens aqui no vídeo, mas de forma alguma não quero colocar isso aqui. Como eu falei pra vocês, é tudo público, vocês podem pesquisar. Tem muita gente falando só sobre isso, essas pessoas têm mais estômago do que eu.
vídeos curtos para as redes sociais falando sobre teorias. Tem várias teorias envolvendo casos que a gente conhece que possam ter ligação à Guilani, ao Jeffrey. Então, são teorias, né? Quanto ao restante dos documentos, das fotos, dos vídeos, eu deixo para a conta de vocês. Para quem quiser ver, pesquisar, tem muita gente falando sobre e colocando essas imagens, fazendo conexões com datas, com pessoas. O que eu poderia até fazer, mas a questão é, muitas dessas imagens têm as tarjas
Então, muita coisa não dá pra ver direito. Muita coisa pode ser teoria. Então, eu acho que é fulano, eu acho que era isso. Mas o que é fato mesmo, eu trouxe pra vocês. Uma coisa que é óbvia é que o buraco é mais embaixo, entendeu? Ele não só abusava dessas meninas, ele abusava de crianças. E não só ele, como outras pessoas envolvidas também. Tá muito óbvio agora que na ilha aconteciam coisas horríveis. Era uma ilha afastada. Então, eu fico imaginando essas vítimas lá sem ter pra onde ir.
lá. Então, assim, eu tô vendo muita informação também que tá errado. Tem um menininho e uma menininha que são irmãos que eles estão dando um depoimento e não é sobre o caso Epstein. E tá sendo amplamente divulgado como se fosse, porque o que eles falam faz todo sentido com o que a gente sabe que acontecia nessa ilha, né? Que isso vocês podem pesquisar também. Mas não é. Então, tem toda essa questão também de eu vir aqui e contar pra vocês o que é fato, o que é real e não uma coisa que depois eu posso olhar e falar, nossa, tá errado.
Esse já foi um vídeo difícil de gravar, então eu imagino que vocês estejam enojados com tudo que eu contei. E aí, por isso que eu falo, os arquivos são piores. Tem coisas piores que aconteceram e que eu não quero citar, sabe? Eu acho que fica a critério de vocês. São informações muito fáceis que vocês vão encontrar do que acontecia na ilha. As palavras que eles usavam e que eram palavras que não era aquilo que significava tipo pizza, não era pizza.
pizza, era outra coisa. Fotos, vídeos e, enfim, várias coisas horríveis, inimagináveis que aconteciam lá. É bem facinho de descobrir tudo isso, então pra quem quiser e se sentir forte o bastante pra ver tudo isso, vocês vão achar bem fácil. E, mais uma vez, os arquivos estão públicos pra quem quiser procurar. Eu tenho certeza que esse não vai ser o único vídeo sobre esse caso aqui no canal. Eu já vou vir com outro vídeo pra vocês, próximo vídeo do canal, só falando sobre a Glenn Maxwell, que também é muito importante nesse caso.
redes sociais, eu trago as teorias pra gente discutir. E aí, a gente vai acompanhando, vendo o que vai acontecer. No caso dela, que ela pode mudar também, a qualquer momento eu decidi falar, o que eu acho difícil, mas pode acontecer. Eu acredito que tem muitas investigações acontecendo em cima desses arquivos também. Então, toda semana tem novas informações, sabe? Então, a gente vai aguardando. Tem o Príncipe Andrew, que não é mais príncipe, perdeu o título também, que tá acontecendo.
Então, assim, vai ter muita informação ainda. Eu vou trazendo pra vocês, mas acredito que
esse vídeo e com o próximo vídeo, vocês já vão entender muito de quem eram essas pessoas, do esquema que eles montaram, de tudo que eles fizeram por anos e conseguiram escapar impunes. E aí, sobre a ilha e coisas que aconteciam lá e tal, sobre fotos da ilha, eu acredito que logo a gente vai ter uma visão mais factual sobre documentários, coisas do tipo que mostrem tudo com fatos e provas. Vocês sabem que eu gosto de trabalhar com fatos, com provas.
Então, no documentário da Netflix tem uma das vítimas que ela cita muito sobre o que ela passou na ilha e tal. Então, aí é uma prova, né? Uma pessoa contando. E eu aconselho que vocês assistam. Esse documentário da Netflix é bem bom. Tem várias pessoas falando, pessoas que eu citei aqui. E aí vocês conseguem ter uma visão bem ampla do caso, assim, sabe? Mas eu tentei trazer o máximo de informações aqui. Vamos aguardar e ver como eu vou trazer pra vocês o restante das coisas.
fazer isso no momento, tá? Eu tô gravando esse vídeo o dia inteiro, eu tô falando a sei lá quantas horas, então é muita informação. É isso, gente. Vocês também podem me dar dicas de como eu poderia trazer esses conteúdos ou de coisas que vocês viram, documentários, livros, coisas que possam ajudar nessa pesquisa, que é uma pesquisa muito extensa e, como eu falei, ela não acaba. Então, vocês podem dar dicas pra mim, que eu também vou ler e vou ver a melhor forma de trazer pra vocês em vídeos aqui, conteúdo pro canal. É isso.
Espero que vocês tenham gostado. Semana que vem já temos o caso da Ghislaine Maxwell. E quero muito saber a opinião de vocês sobre tudo isso, então me conta aqui nos comentários. E é isso. Pra mais casos, siga o podcast Quinta Misteriosa e aproveite pra avaliar em 5 estrelas se você gostou. Obrigada por ouvir e até o próximo caso.