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A TRISTE VIDA DO REI DO POP #591

19 de maio de 202657min
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Em 29 de agosto de 1958, nasce em Gary, Indiana, uma criança que nunca vai ter infância. Aos sete anos já está em palcos de boate. Aos vinte e cinco, tem o cabelo em chamas. A vida de Michael Jackson é a história do maior talento da música popular construída sobre uma infância roubada, dois julgamentos criminais e uma morte num quarto de mansão alugada. #591

Assuntos6
  • Eclipse como Thriller e Denúncia SocialLançamento e sucesso de 'Thriller' · Impacto na MTV e artistas negros · Estreia do Moonwalk no Motown 25 · Diagnóstico de vitiligo · Acidente durante gravação de comercial da Pepsi
  • Acusados e suas acusaçõesCaso Jordan Chandler e acordo civil · Casamento com Debbie Rowe e filhos · Documentário 'Living with Michael Jackson' · Julgamento de abuso infantil em 2005 · Acusações de Wade Robson e James Safechuck
  • Infância e juventudeNascimento e família Jackson · Joseph Jackson e a formação do Jackson 5 · Disciplina severa e abuso paterno · Primeiras apresentações e sucesso inicial · Motown Records e a mudança para Los Angeles
  • Ascensão e Relações PessoaisJackson 5 na Motown e sucessos · Relação com Diana Ross · Saída da Motown e The Jacksons · Participação em 'The Wiz' · Início da carreira solo e 'Off The Wall'
  • Vida Pessoal e FamiliarAquisição e construção de Neverland · Relação com Brooke Shields · Casamento com Lisa Marie Presley · Visitas ao Brasil · Proposta de Xuxa para ter filhos
  • Morte e RessurreiçãoDívidas e perda de Neverland · Anúncio da turnê 'This Is It' · Contratação de Conrad Murray · Morte por intoxicação de Propofol
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Oi, eu tenho aqui um recado do Léo Santana pra você. Escuta aí. O GG na área pra dizer o seguinte. O Magalu e eu queremos convocar todos os brasileiros pra gente voltar a se ver do tamanho. Que de fato somos gigante. Chega de se ver pequenininho. Bora botar o Brasil no telão. Ouviu? E mais. Em qualquer compra a partir de R$199, você ainda pode concorrer a uma sala completona. São seis salas por dia até a nossa estreia.

Oi, eu sou a garrafa retornável. Sim, retornável. Enquanto outras garrafas vivem um relacionamento de curto prazo, eu volto, de novo, e de novo. E o melhor, sempre cheia de Coca-Cola, Fanta ou Sprite. Pra isso, é só me levar vazia até o mercadinho mais próximo e pagar só pelo líquido. Econômica e, sinceramente, icônica. Economize mais com as retornáveis de Coca-Cola.

Michael Joseph Jackson nasceu em 29 de agosto de 1958 em Gary, Indiana, oitavo dos dez filhos que Catherine e Joseph Jackson teriam juntos. Então, os filhos em ordem eram Jackie, Reby, Tito, Jermaine, Latoya, Marlon. Inclusive, o Marlon era gêmeo. O Brandon, o gêmeo dele, morreu horas depois do parto.

E aí veio o Michael, Randy e Janet. A casa onde o Michael cresceu chamava Jackson Street, número 2300. E antes dele ser famoso, a rua já tinha o sobrenome da família dele. A casa era uma construção de um único andar, com pouco mais de 62 metros quadrados e dois quartos para acomodar 11 pessoas.

Gary era uma cidade industrial fundada pela siderúrgica U.S. Steel no começo do século XX, erguida à beira do lago Michigan e habitada majoritariamente por trabalhadores negros que migraram do sul dos Estados Unidos em busca de emprego. O Joseph Walter Jackson, o pai da família, havia chegado a Gary vindo do Arkansas.

Filho de professores que se separaram quando ele tinha 12 anos, ele trabalhou como operário em uma usina siderúrgica e como operador de guindaste. Ele tentou a vida como boxeador, mas sem sucesso. Ele tocava guitarra num grupo local de rhythm and blues, chamado The Falcons. Já a mãe, a Catherine, havia nascido no Alabama e contraído poliomielite na infância, o que a deixou com uma leve dificuldade ao andar, que foi permanente.

Ela era pianista, clarinetista, cantora e testemunha de Jeová devota. Ela criou os filhos dentro da fé, o que significava sem Natal, sem festas de aniversário, sem muitas das experiências que constituem a infância para crianças de outras casas. Um dos irmãos do Michael, o Germaine, descreveu em suas memórias como ele e Michael olhavam das janelas da casa para as decorações natalinas dos vizinhos, quando tinham oito e quatro anos. A casa dos Jackson era a única no quarteirão sem enfeites.

Catherine dizia que havia outras famílias assim, outros que não celebravam, mas aquilo não dissipava a confusão dos meninos. Eles conseguiam ver algo que parecia bom e foram ensinados que não era bom pra eles. O Joseph guardava sua guitarra em casa e proibiu os filhos de tocá-la. O Tito, o terceiro filho, desobedecia as escondidas, pegava o instrumento quando o pai não estava, tocava e guardava de volta. Um dia ele quebrou uma corda.

Quando o Joseph descobriu, ele confrontou o filho e exigiu que ele mostrasse o que sabia fazer. Então, o título tocou. O Joseph ficou em silêncio por um momento, depois disse que o menino tinha talento de verdade. Foi esse incidente que mudou a trajetória da família Jackson. Em 1964, o Joseph formou com a Jackie, Tiro e Jermaine, um grupo musical que começou a se apresentar em concursos locais e clubes noturnos de Gary. O Marlon entrou logo depois.

O Michael foi o último a ser incluído e ele tinha apenas 5 anos de idade, e logo ficou claro que ele era diferente dos irmãos. Ele memorizava passos de dança de um jeito que desconcertava os adultos, imitava gestos de artistas que via na TV com uma precisão que parecia impossível para uma criança daquela idade. Então, o Joseph decidiu colocar ele na frente. Em 1966, o grupo foi batizado de Jackson 5. O Michael tinha 7 anos quando ele estreou no grupo.

O que ele descreveria em entrevistas ao longo de décadas era uma rotina de ensaios longa e uma disciplina severa. O pai, Joseph, usava um cinto. Gritava, criticava. A lógica que ele articulava era de que Gary era uma cidade com gangues, com drogas, e que a alternativa para os filhos seria a rua, se eles não se dessem bem na música. A fé da Catherine moldava os limites da casa, mas isso não impedia a música. As testemunhas de Jeová não proibiam o canto e nem a performance em si. Então a Catherine nunca se opôs formalmente à carreira dos filhos.

Ela até costurava os figurinos pros shows, acompanhava as apresentações, se orgulhava do talento que havia ajudado a cultivar. Mas o que a incomodava, segundo relatos de pessoas próximas da família, eram os ambientes. As boates de Gary, onde os meninos se apresentavam, tinha bebida, brigas, mulheres. O Michael, mais tarde, descreveria ter visto coisas naqueles lugares que uma criança não deveria ver. E a Catherine sabia e deixava.

Em 1967, o grupo venceu o concurso Amateur Night no Apollo Theater, no Harlem. Em 1968, o músico Bobby Taylor os levou para uma audição na Moton Records, em Detroit. O Barry Gord, o fundador da gravadora, ficou impressionado e o contrato foi assinado. A família toda deixou Gary e se mudou para Los Angeles. O Michael tinha 10 anos e nunca mais teria uma infância.

A Motown Records era, naquele momento, a gravadora mais importante da música negra americana. Fundada em Detroit, em 59, a gravadora havia revelado Diana Ross, Marvin Gaye, Stevie Wonder e os Tentations. Era basicamente uma máquina de fazer estrelas e também de controlá-las. As músicas eram compostas por equipes internas de compositores contratados. Os artistas gravavam o que a gravadora mandava, na ordem que a gravadora queria, do jeito que eles determinavam.

Não havia espaço pra criação própria. Então, pro Jackson 5, entrar na gravadora em 69 era acender ao topo do mundo. Os primeiros quatro singles chegaram ao primeiro lugar das paradas americanas em sequência, todos em 1970. Foram eles I Want You Back, ABC, The Love You Save and I'll Be There. Pra um grupo de adolescentes e uma criança, né? O Michael era o mais novo, tinha só 11 anos. Aquilo era uma mudança radical na vida deles.

O menino que tinha chegado de Gary agora estava nas capas das revistas, era conhecido, ouvia as músicas na rádio, então o impacto neles foi muito grande. Eles começaram a ter fãs no mundo todo, começaram a dar entrevistas, e foi nessa época que o Michael conheceu a Diana Ross. Ela era a maior estrela, o rosto da gravadora, era ela que tinha transformado a Supremes em um fenômeno global, e toda essa história do Michael com a Diana Ross, que eu vou contar agora pra vocês, ficou de fora do filme.

Pra vocês terem ideia, foi escalada uma atriz, a Cat Graham, pra interpretar a Diana no filme. Eles fizeram algumas cenas com ela. Embora eles tenham colocado isso no roteiro, essas sequências tiveram que ser removidas do filme final por questões de direitos ou restrições legais impostas no roteiro. Mas eu acho muito importante essa parte, então eu vou contar pra vocês. Quando a família Jackson chegou de Gary em Los Angeles, nos primeiros dias, eles ficaram hospedados na casa da Diana Ross.

O Michael, que tinha crescido em uma família com muitas restrições, né? Então, como eu falei, eles não comemoravam aniversários, datas comemorativas, como o Natal, enfim. Eles não tinham nada disso. Era uma casa que não tinha brinquedos. Não tinha muitas coisas normais, né? Da infância de outras crianças. O Michael percebeu que ali na casa da Diana tinha elegância, sucesso e afeto genuíno. Coisas que o Michael não tinha em casa.

O Michael chegou a descrever na sua autobiografia, Monwalk, o que a Diana significava pra ele. Ele disse que ela era sua mãe, irmã e amante, tudo em uma pessoa só. A relação que começou como uma idolatria do Michael com ela, né, foi crescendo à medida que ele crescia também. A relação deles era de muito afeto e era algo público. E contando pra vocês a história em ordem cronológica, eu preciso voltar a falar da gravadora. O Joseph, o pai dos Jackson, ele... O Joseph, o pai dos Jackson, ele...

conseguia ver todas as limitações que a gravadora tinha. A gravadora ficava com a maior parte da renda, os filhos tinham que gravar o que eles queriam, então eles não tinham liberdade para escrever as próprias músicas. Então os conflitos do Joseph com o Barry, o fundador da gravadora, foram crescendo conforme os anos passavam. Os conflitos eram sobre autonomia artística, sobre os percentuais, sobre o futuro da carreira dos Jackson 5. Então por conta de todas essas questões, em 1975 eles deixam a gravadora.

E entram pra Epic Records. O nome do grupo também teve que mudar. Porque a Motown que tinha os direitos sobre o nome Jackson 5. Então agora eles eram The Jacksons. Em 1978, o Michael participou do filme The Wiz. Que eu descobri agora. E eu fiquei um pouco chocada porque eu sou...

Obcecada por Wicked, né? Vocês sabem. Eu gosto muito do Mágico de Oz. E eu não sabia que ele tinha feito esse filme. Eu não fazia ideia. Esse que ele participou é uma versão afro-americana do Mágico de Oz. Ele interpretou o Scarecrow, o espantalho, ao lado da Diana Ross. Então, ele já conhecia ela, né? Ele conheceu ela muito novo. E durante as filmagens, no set, foi meio que um reencontro dos dois, digamos assim. E as especulações sobre a natureza da relação deles voltaram com força.

Nas gravações, o Michael teria convidado a Diana, ou ela teria se convidado, as versões de Virgin, a passar uma noite no apartamento dele. A assistente da Diana, que sempre tentava localizá-la pela manhã, né, pra ir pro set gravar, ficou muito surpresa ao descobrir que ela tinha dormido lá. A Diana teria dito pra algumas amigas que o Michael definitivamente não era gay. O que exatamente aconteceu naquela noite nunca foi revelado por nenhum dos dois.

Foi também durante as gravações do The Wiz que o Michael foi apresentado a Quincy Jones, um dos produtores musicais mais respeitados dos Estados Unidos. Responsável por discos do Frank Sinatra, do Count Basie, Aretha Franklin e também por várias trilhas sonoras famosas em Hollywood.

Quando ele ouviu o Michael cantar, ele decidiu que ele queria produzir o próximo disco dele. Então, foi em 1979 que o Michael rompeu os laços com o pai abusivo e decidiu seguir carreira solo. É muito importante eu citar pra vocês como era a relação do Michael com o pai. O Michael era o mais novo entre os irmãos. Acredito que todos eles sofreram muito, né, com todo o abuso psicológico e físico. Mas eu sempre...

Lembro que o Michael era bem mais novo, né? Ele começou muito novo, ele não teve infância. Ele não brincava, ele não tinha brinquedos em casa. Tudo que seria normal pra uma criança, pra ele não foi, né? Ele teve a infância roubada, que mais pra frente vocês vão entender o porquê que ele tentava tanto resgatar tudo isso que foi perdido, né? Quando o Joseph descobriu que os filhos tinham talento pra música, ele começou a agir como um treinador. Ele era muito rigoroso e abusivo, porque ele queria o sucesso.

Dos filhos como uma banda. Então, tinham ensaios todos os dias. Que duravam milhares de horas. E aí, sempre que o Michael errava. O pai batia nele com um cinto. Ele ficava segurando um cinto durante os ensaios. Isso acabou causando muitas náuseas. E medo no Michael. Uma coisa que ele levou pro resto da vida. O foco do Joseph era tão grande. Em conseguir esse sucesso na banda. Que...

Eles só faziam isso. Só ensaiavam por muitas, muitas, muitas horas. Outra parte que eu também quero muito citar e que vai fazer todo sentido quando o Michael começa a fazer cirurgias é o quanto o Joseph falava sobre a aparência dele. Ele criticava muito a aparência do Michael.

Pra vocês terem ideia, ele chamava o Michael de narigão, porque ele dizia que o nariz dele era muito maior do que o dos outros filhos. Ele fazia comentários dizendo que o Michael não se parecia com ele ou com os outros membros da família, constantemente chamando ele de feio. O Michael confidenciou pra alguns amigos e até entrevistas que ouvi muitas vezes do pai o quanto ele era feio, o quanto ele não parecia com os irmãos.

E todas as críticas que ele ouvia, porque o Joseph, né? O Joe, criticava ele o tempo todo. Então, ele cresceu sem autoestima. Ele cresceu não se achando um homem bonito. Além disso, o Michael tinha muito, muito, muito medo do Joe. Um medo tão grande que ele chegava a vomitar quando via o pai. Então, esses primeiros anos da vida do Michael foram marcados por...

Abuso físico e psicológico, medo constante, castigos, surras de cinto, ofensas verbais e críticas severas à sua aparência e a falta de infância, né? Que foi roubada dele. O Joseph, ele tentava explicar...

esse treinamento dele, né, tão severo com os filhos, dizendo que ele fazia aquilo pra proteger os filhos. Então, ele não conseguia reconhecer as suas ações como abuso. Mas sim como um método pra alcançar a perfeição e o sucesso. Então, só pra vocês entenderem, esses ensaios duravam tantas horas porque ele queria perfeição. Ele não tolerava nada que não fosse perfeito.

Então, finalmente, em 1979, o Michael consegue cortar os laços com o pai. E aí, quatro anos depois, o restante dos irmãos fazem a mesma coisa. O que resume muito a relação deles com o Joe, né? Nenhum deles queria o pai como manager. E foi nesse mesmo ano, 1979, que o Michael lançou o Off The Wall, um álbum extremamente icônico, que vendeu mais de 20 milhões de cópias, que emplacou quatro.

músicas no top 10, tanto nos Estados Unidos quanto no Reino Unido, que era uma marca inédita para um artista solo. Ele também conquistou um Grammy por melhor apresentação vocal, de R&B masculina com o hit Don't Stop Until You Get Enough. Mas, quando a temporada de premiações chegou, ao fim, o Michael ganhou aquele único Grammy. O álbum nem sequer foi indicado pelo Grammy como o álbum do ano.

Ele tomou aquilo como afronta e disse publicamente que foi completamente injusto. Ele disse que aquilo nunca poderia acontecer de novo e decidiu que ele faria um álbum ainda melhor. Um álbum que seria impossível de ser ignorado. Aí, com a Diana, ele continuou tendo uma relação ali que todo mundo meio que ficava tentando entender. Aquilo despertava muito o interesse das pessoas. Teve uma apresentação deles em 1981, que os dois se chamaram de sexy no palco.

E nesse mesmo ano, Michael foi pela primeira vez ao Oscar ao lado da Diana Ross.

No tapete vermelho, quando alguém descreveu o Michael como acompanhante da Diana naquela noite, ela respondeu brincando que ele ia interpretar o filho dela em um filme. E aí, os dois saíram rindo de braços dados, sem desfazer o equívoco, né? E aí, foi durante ali os intervalos que ele conheceu a Brooke Shields. A atriz, que tinha 15 anos na época, se aproximou do Michael e se apresentou. Na festa, depois da premiação, ela pediu pro Michael dançar com ela e ele ficou eufórico.

Mais tarde, ele descreveu pros amigos que ele passou aquela noite dançando e cantando no quarto.

Quando a Diana se casou com um empresário norueguês, o Michael decidiu não ir pro casamento dela. Ele disse pras pessoas próximas que ele a amava e sempre iria amá-la. E que ele não podia ir por agenda que ele tava ocupado. Mas dizem que, na verdade, ele não foi porque era doloroso demais pra ele.

Em sua autobiografia, o Michael disse que a relação dele com a Brooke foi séria por um tempo. Ela até disse que o Michael falava sobre casamento e adotar filhos, mas que isso nunca chegou a acontecer porque a relação esfriou. Esses foram os dois amores do Michael, segundo ele mesmo. E aí, o thriller foi lançado em novembro de 1982, e o álbum passou 37 semanas em primeiro lugar nas paradas americanas, e permaneceu por 80 semanas entre os 10 mais vendidos e gerou 7 singles de sucesso.

O clipe da faixa título, dirigido pelo John Langes, e com 14 minutos de duração, foi o primeiro videoclipe a ser incluído no National Film Registry da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos. Também foi um momento muito marcante da carreira do Michael, porque ele meio que fez arte no clipe, o que não era uma coisa que acontecia tanto.

e as pessoas ficaram obcecadas, e ele meio que estabeleceu um padrão mais alto ali pra videoclipes. Até hoje, o Thriller é o álbum mais vendido da história da música, com estimativas que variam entre 66 e 70 milhões de cópias. A MTV, que havia sido lançada em 81 com uma promessa de revolucionar a música, fazia isso, mas de forma seletiva. Durante os primeiros dois anos, a emissora praticamente não exibia videoclipes de artistas negros. O argumento oficial era que o canal era voltado pra rock.

Na prática, era a segregação disfarçada de formato. E aí, quando o álbum trailer explodiu e a CBS Records tentou colocar o clipe de Billie Jean na grada, a MTV recusou. A CBS ameaçou retirar todos os seus artistas da emissora e aí a MTV cedeu. Billie Jean entrou em rotação em março de 83 e se tornou um dos clipes mais assistidos da história do canal. A partir dali, a presença de artistas negros na MTV deixou de ser exceção. O Michael não havia apenas lançado um disco, havia forçado uma mudança estrutural num dos meios de comunicação mais influentes do mundo.

Três semanas depois, em 25 de março de 83, o Michael foi ao especial de televisão Motown 25 Years, Yesterday, Today and Forever, gravado no Pasadena Civic Auditorium diante de uma plateia ao vivo. O especial celebrava os 25 anos da gravadora. O Michael concordou em participar com os irmãos, mas negociou uma condição. Ele queria um número solo. E a produção aceitou. Quando chegou a sua vez, ele cantou Billie Jean e num momento específico da música, ele deslizou para trás pelo palco como se o chão não existisse sobre os seus pés.

Ali, ele estava estreando o Moonwalk, um passo que ele havia aprendido com dançarinos de soul do gueto de Los Angeles, em particular com os street dancers, que chamavam o movimento de backslide, e que ele havia aperfeiçoado obsessivamente nos meses anteriores. O especial foi ao ar em maio de 83 e foi assistido por mais de 50 milhões de pessoas. No dia seguinte, o telefone do programa não parava de tocar. Pessoas ligavam para perguntar como aquele homem havia andado para trás.

O Jeffrey Daniel, um dos dançarinos que havia ensinado o passo pro Michael, assistiu pela TV e disse que ficou com a boca aberta. O Michael havia levado o movimento a um nível que ele próprio nunca havia imaginado. E foi aí que o mundo passou a imitar o Moonwalk. E ninguém nunca o executou com a mesma precisão do Michael. Na década de 80, os fãs viam um homem no auge. O que ninguém esperava era o que tava acontecendo por trás das câmeras.

O que acontecia com a saúde do Michael. Em 1982, enquanto ele gravava thriller, o Michael notou uma pequena mancha branca no seu estômago.

Por coincidência, o irmão Jermaine havia encontrado uma mancha semelhante na própria coxa na mesma época. Só que a do Jermaine não progrediu. A do Michael começou a se expandir. Preocupado, ele procurou o dramatologista Arnold Klein, que se tornaria o seu médico de pele pelos anos seguintes. O Arnold realizou uma biópsia e começou a acompanhar a evolução das manchas. Em 83, ele também identificou os primeiros sinais de lupus discoide, uma condição autoimune.

que afeta principalmente a pele, causando lesões, cicatrizes e sensibilidade extrema à luz solar. O diagnóstico formal de vitíligo só seria dado em 1986, quando a condição estava suficientemente desenvolvida para ser classificada. Mas os primeiros sinais visíveis já apareciam desde 1983.

O vitíligo é uma doença autoimune que destrói os melanócitos, as células responsáveis pela pigmentação da pele, e não tem cura. Sua progressão é imprevisível. Pode avançar lentamente por anos ou se espalhar rapidamente. No caso do Michael, avançou. O seu médico descreveu em entrevista ao programa Larry King anos mais tarde que as manchas começaram a aparecer por todo o corpo. E no rosto, de forma significativa, nas mãos onde eram particularmente difíceis de tratar.

Para disfarçar a aparência irregular que a doença criava, o Michael passou a usar maquiagem de tom claro sobre as áreas afetadas. Com o tempo, quando a maior parte do corpo já havia perdido pigmentação, o processo foi invertido. Ele começou a usar maquiagem para cobrir, na verdade, agora os pontos escuros restantes.

O resultado visual, pra quem não sabia o que tava acontecendo, parecia deliberado. Então, a imprensa concluiu que o Michael tava embranquecendo a pele porque ele queria. Essa narrativa perseguiu ele por toda a sua vida. E é muito doido que até hoje muitas pessoas não saibam que ele tinha uma doença. E foi por isso que a pele dele ficou daquela forma. Muitas pessoas acreditam que ele não queria ser negro. E é uma coisa muito bizarra de se pensar. E foi uma coisa que foi amplamente divulgada dessa forma. Então...

Ele sempre sofreu com isso. Foi nesse mesmo período que o Michael começou a usar uma luva cravejada de diamantes na mão direita, que era, na verdade, pra esconder ali a despigmentação da pele. A luva acabou se tornando um acessório extremamente reconhecido na cultura pop, quando, na verdade, ele fazia aquilo só pra esconder as manchas ali das mãos, né?

E aí, logo depois disso, ele teria um problema muito maior do que as manchas na mão. Em 1983, a Pepsi tinha uma guerra ali declarada com a Coca-Cola, pelo domínio do mercado americano de refrigerantes. Então, se vocês procurarem pelas propagandas da Pepsi, principalmente ali...

Nos anos 80, 90, 2000, vocês vão ver que tem muitas e sempre com artistas muito grandes. A Pepsi, inclusive, tinha lançado o Pepsi Challenge, onde eles faziam as pessoas provarem Coca-Cola e Pepsi. E aí, eles mostravam as pessoas sempre escolhendo Pepsi. A pressão sobre a rival era real e eles quiseram provocar ainda mais. Eles queriam um rosto para representar a Pepsi que fosse maior do que qualquer produto, que fosse maior do que a Pepsi e a Coca-Cola. Então, eles decidiram...

Colocar o Michael, né? O maior artista ali do momento. Como o rosto da Pepsi. Então, eles começaram a negociar com a gravadora. O valor fechado foi de 5 milhões de dólares. Para que o Michael e os seus irmãos. Estrelassem uma campanha publicitária para a Pepsi. O que foi o maior endorsement da época. Foi o maior contrato musical ali. Até aquele momento, né? O maior de todos. Então, para vocês terem ideia. A Coca-Cola pagava um terço desse valor.

pros artistas que eles contratavam. E foi aí, no dia dessa gravação, que aconteceu uma das maiores tragédias na vida do Michael. E muitas pessoas consideram o acidente que aconteceu ali o início de um longo ciclo de cirurgias, de dor e de dependência de analgésicos. Muitas pessoas que conheciam o Michael disseram que até aquele exato momento, ele não usava absolutamente nada.

Eles decidiram filmar esse comercial em um teatro histórico que tinha capacidade de 6 mil pessoas. Então, eles transformaram o lugar em um set de gravação. A produção contratou 3 mil pessoas para conseguir criar a atmosfera de que um show iria acontecer. O conceito seria o Michael descendo de uma escadaria dançando o Billy Jean, enquanto fogos de artifício explodiam atrás dele.

Quem fez a direção do comercial foi o Bobby Giraudi, que foi o mesmo que dirigiu o clipe de Beat It. Então, eles queriam realmente uma grandiosidade de misturar a imagem do Michael com música e fogo. A gravação aconteceu no dia 27 de janeiro de 1984. Quando eles estavam gravando a sexta tomada, algo de errado aconteceu.

Segundo o relato de um capitão do Corpo de Bombeiros de Los Angeles, ao TMZ, anos depois, o diretor tinha pedido que o Michael ficasse parado no topo da escadaria por mais tempo do que o script original previa para que os fogos aparecessem mais imponentes na tela. Isso colocou ele diretamente sobre a trajetória das faíscas. Uma explosão de magnésio disparou mais cedo nessa sexta tomada. As faíscas caíram sobre o cabelo farto do Michael, que estava pesadamente coberto de gel fixador. O fogo se alastrou em segundos.

O que os 3 mil espectadores viram a seguir era impossível de distinguir do espetáculo. Michael continuou dançando por alguns segundos, girou, moveu os braços, manteve o ritmo, enquanto a parte de trás da sua cabeça queimava. Para o público, parecia um efeito especial. Só quando a equipe invadiu o palco e começou a apagar as chamas com as próprias mãos,

foi que a plateia entendeu que aquilo era real. O Michael saiu do local com a luva cravejada ainda na mão. Ele foi levado ao Seder Sni Medical Center e depois transferido para o centro de queimados de Brotman Memorial Hospital, em Cover City. O diagnóstico foi queimaduras de segundo e terceiro grau no couro cabeludo.

As cirurgias que se seguiram, enxertos de pele retirada de outras partes do corpo, deixaram sequelas permanentes. A Pepsi ficou em silêncio por dias. O Michael ameaçou processar. A empresa aceitou um acordo extrajudicial de 1 milhão e meio de dólares. O Michael doou tudo, cada centavo ao hospital.

O Centro de Queimados foi rebatizado de Michael Jackson Burns Center e tratou pacientes por anos. Mas o que o acordo não conseguia resolver era o que havia começado por debaixo dos curativos. Para conseguir tratar a dor das queimaduras e das cirurgias reparadoras, médicos prescreveram analgésicos opióides. O que começou como tratamento necessário, acabou instalando ali um ciclo. Cada nova cirurgia significava mais dor, e mais dor significava mais receitas. E o ciclo se manteve.

Segundo o documentário Michael Jackson, 30 Fatal Seconds, produzindo pelo TMZ, que foi lançado esse ano, o Michael não usava drogas antes daquele acidente. O advogado da família Jackson, Brian Panish, foi direto. Ele disse que a dor era severa, debilitante e neuropática.

Dor nos nervos do couro cabeludo. E a dor levou à ansiedade e à perda do sono. E a incapacidade de dormir tornava a dor ainda pior. À medida que os analgésicos perdiam o efeito, Michael passou a depender de sedativos mais fortes. Um deles era o Propofol, o mesmo anestésico que 25 anos depois causaria sua morte. A imprensa não fazia ideia, não sabia de nada disso. Eles viam um homem ficando mais branco.

o nariz mudando, os traços do rosto se alterando, e eles tiravam suas próprias conclusões. O Michael confidenciou para alguns amigos, como a Glenda Sten, e também em algumas entrevistas, que as críticas que o pai fazia sobre a sua aparência acabou impulsionando algumas das suas futuras intervenções cirúrgicas.

enquanto os tabloides britânicos o apelidaram de Wackle Jackal. O Michael odiava. Descrevia o apelido como uma forma de desumanização. Rumores circulavam. Eles diziam que ele usava uma câmera hiperbárica para retardar o envelhecimento, que ele tinha tentado comprar os ossos do homem elefante e que ele tinha feito dezenas de cirurgias plásticas.

Em sua autobiografia, publicada em 88, Michael admitiu duas sinoplastias e uma cirurgia no queixo. O número real de procedimentos feitos, segundo a própria mãe, Catherine, após a morte do cantor, foi muito maior. Em fevereiro de 84, um mês depois do acidente, Michael foi ao Grammy Awards e saiu com oito troféus.

o recorde de uma única noite que permanece até hoje. Em julho, ele embarcou na Victor Tour com os irmãos. Em 1985, junto com Lionel Richie e Quincy Jones, ele compôs We Are The World, gravada com 44 artistas para arrecadar fundos para a fome na Etiópia. A canção vendeu mais de 20 milhões de cópias e arrecadou cerca de 200 milhões de dólares. O Michael escreveu a letra da música em um único dia. Em 1987, ele lançou o Betty, terceiro álbum da parceria com Quincy Jones.

o disco emplacou cinco singles consecutivos em primeiro lugar nos Estados Unidos. Um recorde absoluto para a época. A turnê Bad World Tour foi realizada entre 1987 e 1989. Percorreu por 15 países em 123 shows e reuniu mais de 4 milhões de espectadores.

Foi nessa época que ele comprou o imóvel que ele chamou de Neverland. Em 1983, durante as gravações do clipe Say Say Say com Paul McCartney, o Michael visitou pela primeira vez uma propriedade rural em Los Olivos, na Califórnia. Nascia ali um desejo que só foi realizado cinco anos depois, em março de 88. O Michael comprou o imóvel por um valor estimado entre 17 e 19 milhões de dólares.

Ele investiu mais de 35 milhões de dólares para transformar o local em Neverland, em referência à ilha imaginária do Peter Pan, o menino que se recusava a crescer. A propriedade tinha 2.700 acres, cerca de 1.100 hectares, em Santa Bárbara. A mansão principal era uma construção de estilo normando, com mais de 1.200 metros quadrados.

Mas o que o Michael construiu ao redor dela era algo que não existia em nenhuma residência privada no mundo. Ele construiu um parque de diversões completo com rodas gigantes de 20 metros, carrossel com 60 cavalos esculpidos à mão, brinquedos de parque e de festa, uma ferrovia em escala com uma locomotiva batizada de Catherine em homenagem à sua mãe, um cinema com 50 lugares, um lago artificial com cascata e um zoológico particular com mais de 50 espécies de animais, incluindo lhamas, girafas e chimpanzés.

A entrada da propriedade era uma réplica da entrada da Disney. A sua irmã Latoya descreveu em suas memórias que o Michael havia construído Neverland para finalmente poder viver a infância normal que foi negada para ele desde que ele tinha seis anos de idade. Mas Neverland não era apenas para o Michael. Ele convidava regularmente crianças doentes de hospitais para visitar a propriedade.

grupos organizados, com famílias presentes que passavam os dias nos brinquedos e nos animais. Para muitas dessas crianças, aquela era a única visita a um lugar assim que eles jamais teriam. Era também o lugar onde o Michael construiu o argumento mais duradouro da sua defesa, o de que ele amava crianças com a inocência de quem nunca teve infância e que a sua relação com elas era de cuidado paternal.

Em outubro de 91, o casamento de Elizabeth Taylor com Larry Fortens, que foi realizado em Neverland. O Michael foi o padrinho da cerimônia. A propriedade havia se tornado um símbolo do mundo que ele havia construído para si mesmo. Grandioso, isolado e deliberadamente afastado da realidade que o cercava. E foi exatamente esse isolamento que tornaria Neverland o centro de tudo que viria a seguir. Agora falando sobre o Michael e o Brasil, ele esteve no Brasil em três ocasiões diferentes.

A primeira foi em 1974, com o Jackson 5. Então, eles fizeram shows em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. E ele chegou a se apresentar na TV Tupi. A segunda foi em outubro de 93. Ele fez dois shows no estádio Morumbi, da sua turnê Dangerous. Estima-se que cerca de 200 mil...

mil pessoas compareceram aos shows e dizem que na CIA até vendia ingressos pro show e que os equipamentos chegaram em dois aviões Antonov 124, que eram os maiores aviões de carga da época. Totalizando 400 toneladas de itens transportados em 29 carretas.

Pra conseguir despistar os fãs, o Michael chegou em um carro e tinham três carros iguais e tinham sósias dele nos outros carros. Durante um dos deslocamentos do Michael, duas crianças, dois garotos foram atropelados. E aí o Michael foi pessoalmente visitados no hospital. Nessa época, o Play Center, que ainda existia, fechou as portas pro público e abriu apenas pro Michael.

A sua terceira e última visita ao nosso país foi em 1996, quando ele veio gravar o clipe They Don't Care About Us, que foi gravado no Morro, Dona Marta, que fica no Rio de Janeiro e também no Pelourinho, em Salvador. As gravações na comunidade carioca geraram polêmica. Os políticos se opunham porque eles estavam com medo de associar a imagem do Rio de Janeiro à desigualdade social, então eles estavam ali disputando as Olimpíadas de 2004.

A polêmica chegou ao governo federal, que tentou barrar o visto de toda a produção. Mesmo assim, eles conseguiram e eles vieram e gravaram o clipe. Além de aprovações formais da polícia militar, da guarda municipal e da associação de moradores, eles também precisaram da aprovação e da autorização não oficial dos chefes do tráfico que controlavam o morro. O clipe foi dirigido pelo Spike Lee e contou com a participação de 220 membros do Holodun.

O Michael escolheu pessoalmente uma camiseta do Holodun para usar durante as gravações.

Naquele mesmo dia, ele sobrevoou Cristo Redentor em um helicóptero e ele disse que os fãs brasileiros eram um dos mais incríveis que ele já tinha encontrado em toda a sua carreira. Foi nesse contexto de visitas ao Brasil que aconteceu um episódio bem inusitado, digamos assim. No início dos anos 90, durante uma passagem da Xuxa pela Espanha, os dois se encontraram num show do Michael e ele convidou a Xuxa pra ir até Neverland.

Ao conhecer a Xuxa, o Michael colocou a mão no coração, beijou a sua mão e ficou mais entusiasmado ainda ao descobrir que ela não comia carne. Ao se despedir, o empresário do cantor se aproximou da equipe da Xuxa com uma proposta formal. Havia um contrato para ser estudado porque o Michael queria ter filhos.

E ele estava buscando uma pessoa como a Xuxa. O empresário disse que seria muito interessante as Américas se unirem. A reação da Xuxa foi de completo choque. Anos depois, ela disse que ela não ficou lisonjeada. A resposta da equipe da Xuxa foi bem direta. A artista queria ser mãe.

Não só alguém pra levar bebês no seu ventre. Foi também na década de 90 que aconteceu o primeiro escândalo envolvendo o Michael. Em maio de 92, o carro dele quebrou enquanto ele dirigia por Beverly Hills. Ele ligou pra uma locadora próxima pedindo ajuda. O dono, David Schwartz, foi até lá e aí ele ligou pra esposa dele falando pra ela ir até lá também pra conhecer o Michael.

A June chegou com um filho de 12 anos do casamento anterior, que se chama Jordan Chandler, e ele era super fã do Michael. O David ofereceu um carro de graça pro Michael, se ele concordasse em ligar pro Jordan. O que começou como um telefonema, acabou virando ali uma amizade real. O Michael passou a frequentar a casa da família Schwartz Chandler. O Jordan, super fã do Michael, passou a visitar Neverland. Em março de 93, o Michael levou a June, o Jordan, filho dela,

e a irmã dele, pra Las Vegas e hospedou eles no Hotel Mirage. A partir daí, as viagens se multiplicaram. Teve Mônaco, Paris, Europa, até que em 93, um jornal publicou uma matéria com o título A Família Secreta de Michael Jackson. A matéria descrevia o Jordan como um filho substituto e o Michael como uma figura paterna.

Porém, o Jordan tinha um pai chamado Evan Chandler e ele ficou extremamente irritado com a matéria. O Evan era um dentista que atendia celebridades em Los Angeles e também um roteirista. Ele, inclusive, tinha co-escrito a comédia Robin Hood. Ele e a June tinham se divorciado em 1985 e o acordo deles previa várias visitas dele ao seu filho Jordan. Só que aí, como a June estava viajando muito com o Michael e levando o Jordan, isso estava atrapalhando as visitas. O Evan começou a fazer perguntas sobre a natureza da amizade deles.

Em junho de 93, durante uma consulta odontológica, em que o Jordan estava sedado, inclusive, ele teria dito para o pai que ele dormiu na mesma cama que o Michael. Mais tarde, o Jordan negou ter dito qualquer coisa sobre a sedação. O que se seguiu foram meses de negociações tensas entre o Evan, pai do Jordan, e a equipe jurídica do Michael. O Evan, inclusive, exigiu, em diferentes momentos, uma produção.

cinematográfica de 20 milhões de dólares. Ele queria assinar esse contrato para a produção. A equipe do Michael recusou todas as propostas. E aí surgiram algumas gravações telefônicas secretas que foram gravadas pelo padrasto do Jordan, o atual marido, né?

da June, que foram posteriormente obtidas pela imprensa, onde o Evan dizia que ele tinha informações que destruiriam a carreira do Michael. Que o que estava prestes a acontecer destruiria todos os envolvidos e que ele ganharia pra sempre. Então, a equipe do Michael alegou extorsão e o Evan decidiu procurar a polícia. Em 17 de agosto de 1993, o Jordan relatou pra um psiquiatra que o Michael teria o abusado por meses. Ele descrevia o que tinha acontecido.

O psiquiatra era obrigado por lei a relatar o abuso às autoridades. No mesmo dia, o Departamento de Polícia de Los Angeles abre uma investigação sobre o caso. A notícia veio a público em 24 de agosto de 1993. No mesmo dia que o Michael iniciava a terceira etapa da sua turnê, Dangerous, em Bangkok, a equipe do cantor realizou uma coletiva de imprensa acusando o Evan de extorsão. A família Jackson fez o mesmo. O Michael emitiu uma nota dizendo que ele era vítima de uma armação.

A polícia revistou Neverland. Investigadores entrevistaram entre 40 e 100 crianças que haviam frequentado a propriedade ou passado tempo com o Michael, incluindo o ator Macaulay Culkin, que negou qualquer abuso. Em dezembro do mesmo ano, as autoridades realizaram uma busca e apreensão no corpo do Michael, fotografando suas genitais para verificar se a descrição feita pelo Jordan correspondia à realidade. Fontes policiais indicaram inicialmente que as fotografias não correspondiam à descrição.

O caso nunca chegou a uma conclusão pública sobre esse ponto. O Michael interrompeu a turnê, alegando dependência de analgésicos agravada pelo estresse e se internou em uma clínica de reabilitação. Em janeiro de 1994, as partes chegaram a um acordo civil. O valor pago à família Chandler foi de 23 milhões de dólares.

Como condição do acordo, a família abriu mão do direito de cooperar com o processo criminal. Com isso, a investigação criminal continuou formalmente, mas sem o testemunho do Jordan. A equipe do Michael enfatizou que o pagamento para a família não era admissão de culpa, e o Evan Chandler nunca testemunhou em nenhum processo criminal. Já o Jordan, legalmente emancipado dos pais há anos, nunca processou o Michael criminalmente como adulto.

Também em 92, em novembro, o Michael e a Lisa Marie Presley se reencontraram como adultos.

Eles haviam se conhecido pela primeira vez quando a Lisa Marie tinha 7 anos e acompanhava o pai Elvis Presley num show em Las Vegas. O Michael tinha 17 e fazia parte do Jackson 5. Naquele reencontro, 20 anos depois, a Lisa Marie estava casada com o músico Danny Keough e tinha dois filhos.

O Michael fez sua declaração diretamente. Ele disse que estava completamente apaixonado por ela e que queria se casar e ter filhos. A Lisa Marie ficou sem palavras. Mais tarde, ela escreveu em suas memórias que respondeu que estava muito lisonjeada, tanto que ela não conseguia nem falar e que também havia se apaixonado por ele. A declaração do Michael acelerou o fim do casamento da Lisa Marie e o divórcio foi finalizado em 94. 20 dias depois, o Michael e a Lisa se casam em uma cerimônia secreta na República Dominicana.

Ela tinha 26 anos, ele 35. A lista de convidados era mínima. O casal queria evitar a imprensa. A notícia só foi confirmada publicamente em agosto de 94, quando a Lisa Marie emitiu uma nota dizendo Meu nome de casada é Lisa Marie Presley Jackson. Estou profundamente apaixonada por Michael e me dedico a ser sua esposa. O mundo recebeu a notícia com desconfiança. As pessoas especulavam que aquilo era uma manobra de relações públicas para melhorar a imagem do Michael após o caso Chandler.

Ou que havia uma ligação com a igreja da Cientologia, da qual Lisa Marie era membro.

Em setembro de 94, durante o vídeo Music Awards da MTV, o Michael subiu ao palco com a Lisa Marie ao lado e disse ao microfone, ninguém achava que isso iria durar, e beijou ela ao vivo na frente de todo mundo. A Lisa Marie descreveu depois que o beijo a deixou constrangida, ela tinha sido pega de surpresa.

Em junho de 1995, os dois deram uma entrevista conjunta à jornalista Diane Sawyer para o programa Prime Time Live. O intuito era provar que o casamento era real e a relação genuína. Lisa Marie disse que estava satisfeita com o lado físico do relacionamento. Uma declaração que causou rebuliço porque a pergunta havia sido direta sobre isso. Ela escreveu em suas memórias que Michael era virgem quando os dois se casaram, que ele tinha beijado Tatum O'Neill e tinha um flerte sem contato físico com a Brooke Shields, e que até a Madonna havia tentado algo sem sucesso.

O que destruiu o casamento dele, segundo a própria Lisa Marie, não foi falta de amor. Foram as drogas. O Michael havia entrado em colapso durante um ensaio para um especial da HBO em 1995. A Lisa Marie passou a ter certeza de que havia dependência de analgésicos. Ela pensava no futuro, ela não queria ter um filho com ele e depois ter que enfrentar uma batalha pela guarda. Quando ela hesitou em engravidar, o Michael respondeu com uma frase que ela jamais esqueceria.

Durante o café da manhã, ele disse que sua amiga Debbie tinha concordado em engravidar e ter um filho dele. Que se a Lisa Marie não quisesse fazer isso.

a Debbie Faria. O casamento chegou ao fim em dezembro de 1995. A Lisa Marie entrou com o pedido de divórcio em janeiro de 1996 e no mesmo ano, o divórcio foi finalizado. A Debbie que o Michael citou era a Debbie Rowe. Ela trabalhava no consultório do dermatologista do Michael como assistente.

Era ela quem tratava o vitíligo do Michael desde os anos 80. Então, eles se conheciam já há bastante tempo. Os dois construíram uma amizade bem sólida durante aqueles anos. E em 96, ela sofreu um aborto em março. Foi um aborto espontâneo e ela tinha perdido o bebê do Michael que ela carregava. Então, na época, o divórcio dele com a Lisa Marie ainda não tinha sido finalizado.

Quando a Catherine, mãe do Michael, ficou sabendo que ele tinha engravidado a Debbie e seria uma gravidez fora do casamento, ela ficou horrorizada. Ela não queria que o Michael repetisse os erros do pai, que engravidou uma mulher, então ele teve uma filha, fora do seu casamento. Então, a Catherine decidiu ligar para Debbie e falar sobre a fé das testemunhas de Jeová e sobre o sacramento do matrimônio.

Depois ela ligou pro Michael E depois ela disse pra ele se casar com aquela boa moça Com a Debbie E dar um nome pro filho e não repetir o que o pai dele fez Com a sua meia-irmã Jovone O Michael ficou bem abalado com essa comparação Já que a mãe dele comparou ele com o pai Que era uma pessoa terrível

E o plano dele era que a Debbie fosse só a mãe biológica. Ele criaria o filho sozinho, ele queria muito ser pai. Um arranjo semelhante a barrigas de aluguel, que é uma coisa que existe nos Estados Unidos. Mas depois da ligação da Catherine pra ele, ele mudou os planos. Ele pediu...

que a Debbie voasse pra Austrália. Ele tava lá fazendo a turnê. E aí, no dia seguinte, eles se casaram. O casamento aconteceu no dia 15 de novembro de 1996. E um dia antes, ele ligou pra Lisa Marie pra contar que ele iria se casar com a Debbie. Ela parabenizou e desligou o telefone. O filho Michael Joseph Jackson Jr. nasceu em 13 de fevereiro de 1997, em Los Angeles.

Foi chamado de Prince em homenagem ao avô e ao bisavô de Michael, ambos chamados assim. Depois do nascimento, Michael levou o bebê para Neverland, onde uma equipe de babás esperava. A Debbie ficou na casa de uma amiga para se recuperar. Ela só viu o filho pela primeira vez, seis semanas depois. Já a filha, Paris Michael Catherine Jackson, nasceu em 3 de abril de 98. Para vocês entenderem, o Michael e a Debbie nunca moraram juntos como marido e mulher. O divórcio deles foi finalizado em abril de 2000.

A Debbie abriu mão da guarda total em troca de um acordo de 8 milhões de dólares e uma casa em Beverly Hills. Em 2001, ela foi a um juiz particular para tentar encerrar também os seus direitos parentais, o que foi concedido. O terceiro filho, Prince Michael Jackson II, que mais tarde escolheu ser chamado de Biddy, nasceu em 21 de fevereiro de 2002 por meio de barriga de aluguel. A identidade da mãe biológica nunca foi confirmada.

Biddy tinha apenas nove meses quando se tornou o centro de um dos episódios mais comentados da vida do pai.

No dia 19 de novembro de 2002, o Michael estava hospedado no Hotel Adlon, em Berlim, na Alemanha, quando foi à sacada do quarto andar para cenar para os fãs reunidos na rua. O que ele fez em seguir chocou o mundo. Ele segurou o bide com o rosto coberto por uma toalha, como sempre, ele aparecia em público, mas ele fez isso com um braço só, erguendo o bebê além da grade da sacada. A cena foi muito rápida, durou quatro segundos.

E rapidamente o Michael voltou para dentro, aparentemente tomado pela emoção de mostrar o filho aos fãs. Essas imagens foram transmitidas ao redor do mundo. O Michael emitiu uma nota se desculpando e descrevendo o ato como um erro terrível. Ele disse que ele se deixou levar pela emoção, mas que nunca colocaria intencionalmente seus filhos em perigo. Agora eu preciso entrar em outra parte bem polêmica da vida do Michael. Em novembro de 2003, a emissora britânica ITV exibiu o documentário Living with Michael Jackson.

no qual o jornalista Martin Becher acompanhou Michael durante oito meses. Em uma das cenas mais comentadas, o Michael apareceu de mãos dadas com Gavin Arviso, um menino de 12 anos que havia sido tratado de câncer e defendeu abertamente o hábito de dividir a cama com crianças, descrevendo o gesto como algo lindo. A repercussão foi devastadora. Em 20 de novembro de 2003, o Michael se entregou voluntariamente à polícia no aeroporto de Santa Bárbara. Foi algemado, fotografado e fechado na carceragem do condado.

Trinta minutos depois, ele estava livre, depois de pagar uma fiança de 3 milhões de dólares. Ele saiu assinando para os fãs e fazendo sinal de paz. Em dezembro, foi formalmente indiciado por sete acusações de abuso infantil e duas de administração de substâncias intoxicantes com intenção de cometer crime, com base nas alegações do Gavin. O julgamento começou em fevereiro de 2005, no Tribunal Superior de Santa Bárbara.

A defesa, conduzida pelo advogado Thomas Miserow, construiu o argumento de que a família Viso tinha histórico de ações judiciais contra as celebridades e que as acusações eram motivadas apenas por interesse financeiro. Entre as testemunhas de defesa estava Wade Robson, coreógrafo australiano que havia conhecido Michael, ainda criança, que declarou sob juramento nunca ter sido molestado.

O McCallie Culkin mencionado em depoimentos como frequentador do quarto de Michael também negou qualquer abuso. Em 13 de junho de 2005, após sete semanas de julgamento, o júri absolveu Michael de todas as 14 acusações. Ele saiu do tribunal livre, mas ele não retornou à Neverland. Inclusive, ele nunca mais foi pra lá. Ele passou os meses seguintes morando em Byron, depois na Irlanda, num exílio voluntário. A propriedade ficou aos cuidados de funcionários até ser colocada à venda anos depois.

Uma coisa que obviamente mexeu muito com o Michael, com a sua reputação, com tudo, né? Ele é uma estrela muito grande, então as pessoas falavam muito sobre isso. E foi uma coisa que...

claramente deixou ele muito mal. Os anos que se seguiram, né, o julgamento de 2005, foram anos de declínio dele. Ele começou a viver no exterior, provavelmente para ter um pouco mais de privacidade, e ele começou a acumular dívidas. Segundo dados levantados durante um processo movido pela família contra a promotora A.A.G., ele tinha acumulado uma dívida de 500 milhões de dólares.

Neverland entrou em processo de execução hipotecária em 2008 e o Michael devia mais de 24 milhões de dólares referentes a um empréstimo da propriedade. Uma empresa de investimentos entrou com um aporte de 22 milhões para evitar que Neverland fosse a leilão, assumindo um controle conjunto sobre o imóvel, mas o Michael nunca mais pisou lá.

Em março de 2009, o Michael fez uma coletiva de imprensa em Londres para anunciar uma série de shows de retorno chamada This Is It. O plano inicial do Michael era fazer 10 shows. Mais de um milhão de ingressos foram vendidos em menos de duas horas. A promotora E.G., vendo como aquilo poderia ser lucrativo, expandiu as datas, então de 10 shows viraram 50. Com shows marcados de julho de 2009 até março de 2010.

Os ensaios começaram em Los Angeles e testemunhas descreveram Michael como frágil, às vezes brilhante e às vezes ausente. Foi aí, em 2009, que o Conrad Murray foi contratado pela AEG como médico pessoal do Michael durante essa temporada de shows. Conrad é cardiologista e tinha conhecido Michael em 2006, em Las Vegas, quando a Paris adoeceu e ele cuidou dela.

Dessa forma, o cardiologista passou a administrar a Propofol quase que diariamente ao Michael para tratar a insônia severa. O Propofol é um anestésico de uso exclusivo em hospitais. Ele requer um monitoramento constante de anestesistas. O Conrad usava o medicamento dentro do quarto do Michael numa mansão alugada em Holmby Hills. Então, nessa época, o Michael estava se preparando para a turnê. Então, ele estava ensaiando muito e isso me lembra uma entrevista que ele deu.

E que com certeza vocês já viram esse trecho. Que ele fala que ele odeia fazer turnê. Que é horrível pra ele. Que ele fica extremamente exausto. E aí eles pedem pra ele falar que ele ama fazer turnê. Então ele fala e todo mundo cai na risada. Então ali basicamente ele tava se preparando pra uma turnê. No final das contas, né? Iam ser só 10 shows. E aí virou 50. E na madrugada do dia 24 pro dia 25 de junho de 2009. Ele não tava conseguindo dormir.

O Conrad foi até lá e administrou uma dose de propofol. Após várias horas de insônia.

Quando ele voltou ao quarto do cantor, ele não respirava. O Coran tentou reanimar o Michael, mas não conseguiu. Ele fez algumas ligações antes de acionar a segurança. A chamada de emergência aconteceu ao meio-dia e 21. Os paramédicos chegaram no local quatro minutos depois. O Michael foi levado ao hospital e foi declarado morto às 2h26 daquele 25 de junho. Ele tinha 50 anos e os shows iriam começar em 18 dias.

A autópsia concluiu que a causa da morte foi intoxicação aguda por propofol, combinado com benzodiazepínicos. O Departamento de Medicina Legal de Los Angeles classificou a morte como homicídio. Conrad foi preso, julgado e condenado por homicídio culposo em novembro de 2011. Ele cumpriu dois dos quatro anos de pena e foi solto em 2013.

E mesmo depois de morto, as acusações continuaram vindo. Ainda em 2003, quatro anos após a morte do Michael, o Wade Robson, o mesmo que havia testemunhado em defesa do Michael em 2005, entrou com um processo contra as empresas do espólio do cantor, afirmando ter sido abusado pelo Michael durante sete anos, a partir dos seus sete anos de idade. No ano seguinte, James Safechuck, que havia aparecido em comerciais ao lado do Michael ainda criança, apresentou uma ação semelhante, alegando abusos entre os 10 e os 14 anos.

Em 2019, o diretor britânico Dan Reed lançou o documentário Living Neverland, na HBO. O filme, com quatro horas de duração, apresenta os relatos do Wade e do James. Inclusive, eu lembro perfeitamente quando ele foi lançado e eu lembro de assistir...

E ficar em choque de estar vendo aquilo anos depois da morte do Michael. E ao mesmo tempo não sabendo se aquilo era real ou não. Ou se eles só queriam fama ou só queriam dinheiro. Os dois escrevem um padrão dizendo que o Michael se aproximava das famílias. Conquistava a confiança dos pais para poder se aproximar das crianças. E depois...

afastava as crianças ali progressivamente. O Wade chegou a descrever como ele foi apresentado ao Michael quando ele tinha cinco anos. O James relatou que o Michael comprou para ele um anel de noivado e realizou uma cerimônia de casamento simbólica entre os dois. O Wade e o James disseram que eles não reconheceram que o que tinha acontecido com eles tinha sido um abuso por terem sido condicionados a acreditar que aqueles atos eram normais.

O spoiler do Michael negou as acusações e classificou o documentário como sensacionalista.

Uma emissora britânica tirou o episódio dos Simpsons, do qual o Michael tinha participado, como voz convidada daquele episódio, e várias gravadoras pararam de tocar as músicas dele. Em outubro de 2024, foi firmado um acordo entre o espólio do Michael Jackson e a HBO. Então, nos termos, a HBO precisava tirar aquele documentário do ar.

nos Estados Unidos e no Canadá. O processo conjunto que o Wade e o James moveram contra o espólio, um processo de 400 milhões de dólares, está marcado para julgamento para novembro desse ano. Será a primeira vez que eles serão ouvidos dentro de um tribunal, perante juramento, e eles poderão ser avaliados pelo júri. Então, isso vai acontecer mesmo que o Michael esteja morto há 17 anos.

Em 2025, o Dan Reed lança uma sequência ao documentário chamado Living Neverland 2 Surviving Michael Jackson, acompanhando os dois nesses anos de luta judicial. Tanto o espólio quanto a família do Michael negam todas as acusações.

Logo após a morte do Michael, as vendas dos seus álbuns explodiram. Foram mais de um milhão de cópias em apenas três dias. A guarda dos seus três filhos foi concedida a Catherine, a avó deles, né? Mãe do Michael. E o espólio dele é administrado por dois co-executores, que foram indicados no testamento que o Michael fez em 2002.

São eles John Branca e John McLean. O John Branca era advogado de entretenimento do Michael desde os anos 80. Ele havia negociado a compra do catálogo dos Beatles e estruturado o acordo com a Sony e também comprado o Neverland. A relação entre os dois foi marcada por demissões e recontratações ao longo dos anos. E o Michael o demitiu pela última vez em 2006, alegando desconfiança. O John foi recontratado também uma última vez no dia 17 de junho, oito dias antes da morte do Michael.

Já o outro John, o John McLean, ele era amigo do Michael já há muitos anos. Desde a infância deles, ele era um executivo musical que cuidou basicamente de toda a carreira da Janet Jackson, a irmã do Michael. Em 2016, o Spolio vendeu a participação do Michael no catálogo da Sony e ATV Music Publishing com um portfólio que incluía grande parte das composições dos Beatles. Então, eles venderam essa participação por 750 milhões de dólares.

Ações contra documentários, biografias não autorizadas e qualquer uso não licenciado da imagem do Michael tornaram-se frequentes e bem-sucedidas. No momento da morte, o Michael estava com quase 500 milhões de dólares em dívidas. Sob a gestão dos dois Jones, o espólio do Michael foi avaliado em mais de 2 bilhões de dólares em 2024.

e gerou mais de 3 bilhões de dólares em receita acumulada. A Paris Jackson, filha do Michael, entrou com uma ação em 2025 alegando que os executores receberam mais de 148 milhões de dólares em compensação e que o espólio havia se transformado num fundo de investimentos privado gerenciado mais em benefício deles do que dos filhos do Michael. A ação foi arquivada sem mérito pelo tribunal. No memorial do Michael Jackson, em julho de 2009, a Brooke Shield subiu ao palco e descreveu a relação dos dois como dois garotos se divertindo.

Ela nunca confirmou publicamente um relacionamento romântico formal, mas ela esteve lá. Já o Michael, em entrevistas gravadas em 2001 e publicadas pelo Rabino Shmully Botky, no livro The Michael Jackson Tapes, que foi publicado depois da morte do cantor, o Michael teria dito que a Brooke Shields havia sido um dos grandes amores da sua vida e que os dois namoraram sim durante um período. Ele até descreveu um momento em que ela ficou íntima e ele recuou.

E depois ele disse que ele não deveria ter recuado e que ele tinha se arrependido. Esse ano, 2026, o Jafar Jackson, filho do Germaine, sobrinho do Michael, protagonizou a cinebiografia Michael, que está agora nos cinemas. O Jafar nunca havia atuado profissionalmente antes da gravação. O filme arrecadou 97 milhões de dólares apenas no fim de semana de abertura nos Estados Unidos. No Brasil, ultrapassou 1,7 milhão de espectadores em menos de uma semana.

o filme fala sobre a vida do Michael dos anos do Jackson 5 até a turnê Bad. O caso Chandler, que eu citei pra vocês, não aparece. As acusações do Wade e do James também não aparecem. O motivo é jurídico. O acordo extrajudicial formado com a família Chandler em 94 inclui uma cláusula que impede a dramatização do caso em qualquer cinebiografia sobre o Michael. Os produtores só descobriram essa cláusula depois que as filmagens já tinham começado, o que forçou regravações custosas estimadas em pelo menos 15 milhões de dólares.

E uma reestruturação completa do terceiro ato. Então, por isso que eu falei pra vocês que no filme tem várias coisas que não aparecem, né? Uma coisa que eu preciso citar pra vocês antes de eu continuar é sobre o Jafar, né? Que faz o Michael e é sobrinho dele. O Jafar nunca tinha atuado, como eu disse. E aí, ele precisou estudar a atuação.

e treinar muito. Tipo, muito mesmo antes de começarem a gravar, porque ele ia fazer o Michael, né? Então, ele tinha que treinar os seus trejeitos, a forma como ele cantava, a forma como ele falava. Ele precisou ensaiar por muitas horas, porque ele queria imitar.

Todos os movimentos, igualzinho o tio fazia. Tem uma apresentação que foi a que ele mais teve que ensaiar porque ele queria que fosse idêntica ao vídeo original. Que no caso foi a apresentação que eu citei aqui no vídeo pra vocês que o Michael fez de Billie Jean no Motown 25, né? A comemoração de 25 anos da gravadora.

Então, foi a parte que ele mais teve que ensaiar. Então, assim, ele realmente conseguiu provar pra todo mundo que mesmo nunca tendo atuado antes, que ele conseguia e todo mundo amou, né? Inclusive, o pai do Jafar, o Jermaine, que é irmão do Michael, né?

Tem toda uma questão de algumas brigas entre ele e o Michael e ele. A Janet, que entre os Jackson, depois do Michael, a Janet é a mais famosa. Tem até um vídeo que o Michael tá agradecendo por um prêmio. E ele fala assim que ele quer agradecer a todos os seus irmãos, até o Jermaine. Dizem que durante os anos ele tinha muitos ciúmes de todo o sucesso que o Michael conseguiu. E aí tem uma treta mais recente desse ano, que é dele com a Janet.

que dizem que ele aprovou a cinebiografia, enquanto relatos dizem que tanto a Janet quanto outros membros da família Jackson ficaram um pouco insatisfeitos com a forma como a história foi retratada. E aí ela teria ligado pra ele, eles teriam discutido. Mas a maioria das pessoas dizem que essas briguinhas entre o Michael e o Jermaine eram coisas mais encenadas e bem-humoradas, e não eram pra ser levadas tão a sério assim.

De qualquer forma, como eu falei pra vocês, tem várias coisas que iriam aparecer no filme e acabaram sendo cortadas, eles tiveram que regravar muita coisa. Tanto que eu li que o terceiro ato do filme deveria ser focado em todas as questões legais, nas acusações do Wade e do James contra o Michael, mas que quando eles descobriram que não poderiam falar sobre isso, eles decidiram focar mais...

Na relação que o Michael tinha com o Joe, seu pai. O Joe, inclusive, morreu em junho de 2018 em Las Vegas, aos 89 anos de câncer no pâncreas. Ele morreu nove anos e dois dias após a morte do Michael. E antes de morrer, ele não pediu desculpas pelos seus atos e pela forma que ele tratou os filhos. Ele nunca se desculpou por isso e nunca...

chegou a realmente reconhecer os erros que ele cometeu. No ano seguinte à morte do Joe, em 2019, a Latoya disse publicamente que tinha sido abusada pelo Joe quando ela tinha 14 anos. Já a Catherine, a mãe do Michael, ela tá viva até hoje, ela tem 95 anos, e ela mantém uma vida extremamente privada e raramente faz aparições. Dos nove irmãos do Michael, oito permanecem vivos.

Além dele, o Tito Jackson faleceu também. Em 2024, aos 70 anos de ataque cardíaco. O Jack, o irmão mais velho, ele tem uma gravadora e ainda se apresenta com os irmãos. O Jermaine segue na música, ele faz algumas aparições em realities. Já o Marlon investiu no ramo imobiliário. O Randy é sócio da gravadora da irmã dele, da Janet. E a Latoya teve uma carreira como modelo e também fez reality shows.

Já a Rabin mantém uma vida bem discreta. A Janet, como eu citei pra vocês, a caçula dos irmãos também se tornou muito famosa com uma carreira bem grande na música. Ela ganhou cinco Grammys, ela teve uma indicação ao Oscar e também tem uma estrela na calçada da fama. Ela foi mãe pela primeira vez aos 50 anos. Já o Conrad, não tem como não citar, né? O médico particular do Michael que administrou o PelopoFolo.

nele, na noite que ele morreu. Depois de cumprir dois anos da pena, ele foi solto e aí ele perdeu a sua licença médica no estado da Califórnia, no Texas e em Nevada. Depois ele escreveu um livro, que é basicamente um livro de memórias. Ele abriu também um instituto médico no seu país de origem, onde ele exerce medicina sem licença válida nos Estados Unidos.

Ele tem 73 anos e ele mantém sua inocência. O Prince, o filho mais velho do Michael, se tornou produtor de TV. A Paris seguiu uma carreira de modelo e atriz, e eu vi que esse ano ela também lançou uma música. E o Bid, que é o mais novo, hoje ele tem 24 anos, ele se mantém o mais reservado dos três e sempre longe dos holofotes.

A Debbie, que é a mãe dos dois primeiros filhos do Michael, a Debbie Rowe, ela acabou conseguindo ter uma relação com a Paris ao longo dos anos. Nesse ano, em 2026, também foi anunciado que a família Cássio, que inclui adultos que tinham conhecido o Michael quando eram crianças, entrou com uma ação federal contra o espólio do Michael alegando abuso. O Michael Jackson foi o artista mais vendido da história. Ele foi absolvido em julgamento criminal e nunca foi confrontado pelas acusações que ele recebeu após a sua morte.

E a morte dele é muito triste pros fãs, porque ele morreu sozinho, em um quarto de uma mansão alugada, com o corpo cheio de um anestésico, né, propofol, que ele chamava de Leite. E há 18 dias da sua série de shows, né, que ele iria tentar reconquistar o mundo. Aquele menininho de Gary passou a vida inteira tentando conquistar tudo aquilo que foi tirado dele. E acumulou nesse caminho a maior carreira musical do século XX. E também as acusações mais perturbadoras que um artista pop já enfrentou.

Nesse vídeo eu não citei nenhuma teoria da conspiração, porque eu fiz isso naquele outro vídeo muitos anos atrás, então hoje eu queria focar realmente no que foi a vida dele.

No que ficou de fora dos filmes, pra vocês entenderem. O caso do Michael Jackson é um caso muito grande, né? Ele é um artista gigantesco. Então, tem muita coisa. É aquele tipo de caso que quanto mais você procura, mais coisa aparece. Mas eu acho que aqui eu consegui resumir bem pra vocês como foi a vida dele. Tudo que ele enfrentou. É muito doido que mesmo depois da morte dele ainda tenham várias acusações contra ele. As quais ele não pode responder. Porque ele morreu.

Então, eu quero muito saber o que vocês acham disso tudo e da história dele. Então, me contem aqui nos comentários. Pra quem assistiu o filme, comenta aqui também. E é isso. Pra mais casos, siga o podcast Quinta Misteriosa e aproveite pra avaliar em 5 estrelas se você gostou. Obrigada por ouvir e até o próximo caso.