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ELA FOI ENCONTRADA NA ESCADA... O QUE ACONTECEU? | Caso Kathleen e Michael Peterson - The Staircase #589

11 de maio de 202647min
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ELA FOI ENCONTRADA NA ESCADA... O QUE ACONTECEU? | Caso Kathleen e Michael Peterson - The Staircase #589

Assuntos3
  • Casamento com Jay Orbin e vida conjugalConhecimento e casamento com Fred Attower · Nascimento da filha Caitlin · Divórcio devido a infidelidade do marido · Reconstrução de vida em Durham · Ascensão profissional na Nortel Networks · Prêmios de liderança e alto salário · Atuação em conselhos e apoio a instituições culturais
  • Infância e adolescência de Marjorie OrbinCrescimento em Lancaster, Pensilvânia · Destaque acadêmico e liderança estudantil · Admissão como aluna especial no Franklin & Marshall College · Ingresso na Duke University · Pioneirismo no departamento de engenharia
  • Vida e Casamento de Michael PetersonFormação acadêmica na Duke University · Atuação no Departamento de Defesa dos EUA na Alemanha · Primeiro casamento com Patricia Sue (Patty) · Serviço militar no Vietnã · Acidente de carro no Japão e dispensa do serviço · Nascimento dos filhos Clayton e Todd · Tentativa de carreira jurídica · Amizade com Elizabeth e George Ratliff · Morte de George Ratliff e proximidade com Elizabeth · Casamento com Kathleen
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Kathleen Hunt nasceu em 21 de fevereiro de 1953, em Greensboro, Carolina do Norte, e cresceu em Lancaster, Pensilvânia, numa rua residencial onde as crianças corriam de casa em casa o dia inteiro, jogavam bola na rua e ocupavam as varandas uns dos outros até tarde da noite.

Kathleen era de uma família de classe média com valores sólidos. A sua mãe se chamava Veronica Hunt. A Kathleen tinha duas irmãs, Candace e Laurie, e um irmão chamado Steven. Os quatro cresceram juntos naquele quarteirão de Lancaster e os laços entre eles nunca se desfizeram. A Kathleen foi desde cedo diferente das outras crianças. Não no sentido de ser distante ou arrogante. Quem a conhecia descrevia como uma menina de bom humor, generosa, com energia que parecia inesgotável. A diferença estava na capacidade intelectual dela.

No J.P. MacCastkey High School, onde ela estudou, ela se tornou presidenta do clube de debate e editora da revista estudantil Generation. Ela foi eleita pelas colegas como Girl of the Year e também Lancaster Less. E não satisfeita com o currículo da escola, ela se inscreveu como aluna especial no Franklin & Marshall College.

Uma faculdade local para cursar, ela tinha avançado enquanto ainda cursava o ensino médio. Era a primeira estudante do ensino médio a conseguir essa admissão. Ela se formou como a melhor aluna de uma turma de 473 estudantes e foi incluída no Who's Who Book of American High School Students, uma publicação nacional que reconhecia os estudantes mais destacados do país. Em 1971, ela ingressou na Duke University in Durham, na Carolina do Norte, e naquele ano ela foi uma das pioneiras no departamento de engenharia da faculdade.

numa época em que laboratórios e salas de aula técnicas eram territórios quase que exclusivamente masculinos. Ela não apenas entrou, ela completou o bacharelado em engenharia civil e depois o mestrado em engenharia mecânica na mesma instituição. Foi na Duke que ela conheceu o Fred Attower, um físico. Os dois casaram em 1977 e se mudaram para Maryland, onde Kathleen começou sua trajetória profissional e onde nasceu a filha do casal, Caitlin, no dia 27 de abril de 1982.

O casamento com o Fred não durou. Em 1985, Kathleen descobriu que o marido tinha uma relação extraconjugal. Então, eles se divorciaram. Foi em Durham que a Kathleen reconstruiu a vida depois do divórcio. Ela se instalou com a filha num bairro residencial do Forest Hills. Kathleen tinha 3 anos e a Kathleen tinha 32 e uma agenda que não parava. A carreira foi metódica e ascendente.

Ela passou pela Baltimore Air Coil Pritchard, pela Merck e finalmente chegou às Nortel Networks, empresa canadense de telecomunicações que no final dos anos 90 era uma das mais valiosas do mundo. Na Nortel chegou ao cargo de diretora de serviços de informação, gerenciando projetos que a levavam a países como Rússia, Ucrânia, Vietnã, Malásia e por toda a Europa. Recebia prêmios internos de liderança com regularidade. Em 2001, seu salário anual era de aproximadamente 145 mil dólares.

Em casa, ela era presença constante na vida da filha, comparecia a eventos escolares, cozinhava com entusiasmo, recebia amigos com a naturalidade de quem gosta genuinamente de ter pessoas por perto. As suas amigas a chamavam de Superwoman. Fora do trabalho, ela integrava o conselho do Durham Arts Council.

apoiava o American Dance Festival e a Carolina Ballet e abria as portas da casa para eventos e arrecadações com frequência. A cidade de Durham a conhecia. Era uma mulher de presença real e não de fachada. A Caitlin cresceu vendo a mãe como um padrão que um dia esperava alcançar. Foi também em Durham que a Caitlin conheceu o Michael Peterson.

A Caitlin brincava com as filhas adotivas do vizinho, Margaret e Martha, duas meninas criadas por um romancista que morava na rua de baixo e que estava se separando. Foi pelas crianças que os dois se aproximaram. Em 1987, as duas famílias se mudaram para a mesma casa. Dez anos depois, em 1997, Kathleen e Michael se casaram na própria mansão onde moravam. Falando um pouco sobre ele, o Michael Iver Peterson nasceu em 25 de outubro de 1943, próximo a Nashville, no Tennessee.

Ele se formou em Ciência Política na Duke University, a mesma universidade onde a Kathleen estudaria anos depois, embora os dois nunca tivessem se cruzado por lá. Na Duke, o Michael presidiu a fraternalidade Sigma Nu e foi editor do jornal universitário The Chronicle entre 1964 e 65. Após a graduação, ele foi trabalhar para o Departamento de Defesa americano numa base na Alemanha Ocidental, onde pesquisava argumentos favoráveis ao aprofundamento do envolvimento americano no Vietnã. Foi lá que ele conheceu a Patricia Sue, Patty, como todos a chamavam.

Ela nasceu em 12 de março de 1943 em Paris, Arkansas, filha de um militar. Se formou em inglês pela Universidade do Texas em Austin e depois fez mestrado em Educação. Foi na Alemanha, lecionando para filhos de militares americanos, que ela conheceu o Michael. Eles tinham o mesmo perfil. Ele era civil, trabalhando para o Departamento de Defesa e ela era professora na base. Eles se casaram em 1966.

Em 68, Michael foi comissionado no Corpo de Fuzileiros Navais e serviu no Vietnã de agosto de 1968 a setembro de 1969. Em 71, recebeu o Baixão Rosa com a patente de capitão após um acidente de carro no Japão, onde havia sido designado como policial militar após o fim da guerra. O acidente acabou resultando em uma deficiência permanente. O casal voltou aos Estados Unidos e se instalou em Durham, Carolina do Norte. Clayton Peterson, filho deles, nasceu ali em 3 de dezembro de 74.

Ali, o Michael também tentou a carreira jurídica. Ele chegou a frequentar a faculdade de Direito da Universidade da Carolina do Norte, mas não concluiu o curso. Em seguida, a família retornou para a Alemanha. Patty havia conseguido uma posição permanente como professora do Departamento de Defesa, onde ela trabalhou por 35 anos. O Todd Peterson nasceu lá no dia 14 de março de 1976. Enquanto viviam na Alemanha, os Peterson tornaram-se amigos próximos de Elizabeth e George Ratliff, um casal americano com duas filhas pequenas.

Margaret, que nasceu em 81, e Martha, que nasceu em 83. O George morreu em 1983, numa operação militar sigilosa. A partir daí, o Michael passou a visitar a Elizabeth com uma regularidade que chamava atenção. Todas as noites depois do jantar, ajudando com a louça, lendo histórias para as meninas antes de ir para casa.

Ele era o vizinho presente, o amigo de confiança, a figura masculina que a família havia perdido. Algumas pessoas próximas ao casal, anos depois, diriam que a amizade entre Michael e Elizabeth ia além do que aparentava, mas isso nunca foi provado. No dia 25 de novembro de 1985, a babá Barbara chegou na casa pela manhã e encontrou o corpo da Elizabeth no pé da escada com ferimentos graves na cabeça. As crianças ainda dormiam no segundo andar.

O Michael tinha sido a última pessoa a ver a Elizabeth com vida na noite anterior, e aí a polícia alemã e a polícia militar americana começaram a investigação e concluíram que a Elizabeth tinha morrido de hemorragia cerebral causada pela doença von Willebrand, um distúrbio de coagulação sanguínea. Então, o caso foi encerrado.

Mas a Elizabeth tinha deixado um testamento e nele ela colocava o Michael como o tutor das suas filhas. E também deixava todos os bens pra ele. Então, no caso, as filhas dela, Margaret, mortas, se tornariam amigas das filhas da Elizabeth anos depois. Mas ainda ali, quando a Elizabeth tinha morrido, logo depois, a irmã dela, chamada Margaret Blair, e não só a Margaret, mas a família dela ali no Texas, tinham as suas próprias perguntas sobre a morte da Elizabeth. E sobre o...

testamento que ela deixou. Então, pra eles, né, anos depois, aquilo ainda não fazia muito sentido. Isso porque o Michael era casado com a Patty. Apesar dele ser muito presente ali com a Elizabeth, né, como eu falei, ele sempre tava lá e lia histórias e ajudava no jantar e tudo mais. Ele era casado, então pra família da Elizabeth era muito esquisito, né, que ele herdasse tudo e ficasse com a guarda das meninas.

Mas aí, depois ele se divorciou da Patty. E aí, ele voltou para os Estados Unidos e levou as duas meninas com ele. Eles se separaram em meados dos anos 80. E o divórcio foi finalizado em 1994. Mesmo com a separação, eles manteram contato. Com a Patty, ele tinha dois filhos, como eu falei para vocês. E os dois filhos ficaram na Alemanha morando com a mãe. Eles só viriam morar com o pai nos Estados Unidos anos mais tarde, quando eles já eram adolescentes.

O Michael e a Patty ficaram casados por mais de 20 anos. Então, o motivo do término do divórcio nunca...

foi falado por nenhum dos dois publicamente. O que se sabe é que o divórcio só finalizou nos anos 90, como eu falei pra vocês, e que ele chegou nos Estados Unidos com as filhas da amiga dele, que tinha morrido, né? Com as duas meninas, e que os filhos dele tinham ficado com...

A Perry, na Alemanha. Foi nos Estados Unidos que ele começou meio que a vida dele do zero. Ele acabou conseguindo sucesso como escritor. Então, ele escrevia romances militares baseados no que ele tinha vivido ali no Vietnã. E os livros tiveram bastante sucesso. Um dos seus livros, A Time of War, chegou na lista dos mais vendidos da Times. E, inclusive, esse livro foi traduzido para oito idiomas. Ele escreveu outros livros e colaborou com jornalistas em algumas biografias.

Ele passou a assinar uma coluna semanal do Harrod Sun, que é um jornal de Durham.

onde ele ficou conhecido pelas suas críticas diretas e às vezes até agressivas à polícia local e ao promotor distrital James Harding Jr. Então, ele se casou com a Elizabeth e em 1999, eles estavam casados há dois anos, ele decidiu se candidatar à prefeitura de Durham.

Durante a sua campanha, ele declarou publicamente que tinha recebido uma Silver Star, uma Bronze Star com valor e duas Purple Hearts pelo serviço que ele fez no Vietnã. Mas aí, alguns jornalistas fizeram uma pesquisa e não conseguiram encontrar nenhum registro desses Purple Hearts que ele teria recebido. Mas aí, o Michael admitiu que um dos ferimentos que ele estava alegando ter conseguido através de combate, na verdade, era daquele acidente que eu citei pra vocês que aconteceu no Japão, né? Um acidente de carro.

Essa revelação destruiu a campanha política que ele tava fazendo e ele perdeu a eleição. Nessa época, a família do Michael com a Elizabeth reunia cinco filhos. O Clayton e o Todd, que eram os filhos biológicos dele com a Patty, né? Na Alemanha, então eles eram adolescentes e tinham ido morar com o pai nos Estados Unidos. A Margaret e a Martha, as filhas da Elizabeth, amiga do Todd, né? Que ele ficou com a guarda. Então ele acabou adotando as meninas depois da morte da Elizabeth. E também a Caitlin, que é a filha apenas da Kathleen.

A Kathleen acabou adotando os filhos do Michael como seus e ele tratava a Kathleen da mesma forma. A família vivia numa mansão de mais de 700 metros no bairro mais nobre de Durham. Então, a casa toda era bem bonita, tinha um escritório enorme onde o Michael escrevia os seus livros. E a família Peterson, né, dava vários jantares.

ali para amigos e pessoas conhecidas na mansão deles. E os dois eram conhecidos na cidade como um dos casais mais sofisticados. O New York Times descreveu o Michael como tendo uma personalidade teatral. A Kathleen era descrita como uma companheira à altura dele, então ela era descrita como energética, leal e divertida.

Mais uma coisa que estava fora do alcance das pessoas, né? Era uma coisa que ninguém sabia. Era que era a Kathleen quem sustentava toda a família. O Michael estava desempregado e eles acumulavam uma dívida de mais de 143 mil dólares em cartões de crédito. Além disso, a Nortel, a empresa onde a Kathleen trabalhava, que já tinha sido considerada a empresa mais valiosa do Canadá, havia entrado em colapso após o estouro da bolha das empresas de tecnologia. Isso logo no início dos anos 2000, então o emprego da Kathleen estava ameaçado.

Em dezembro de 2001, a mansão na Cedar Street era a mais silenciosa que havia sido em muitos anos. Então, os filhos do Michael, os dois meninos já, eram adultos. A Marta estava na Universidade de San Francisco, a Margaret na Tulane e a Caitlin cursava a Cornell. Então, os cinco filhos estavam vivendo suas vidas e pela primeira vez, a Caitlin e o Michael estavam sozinhos como um casal. O que não tinha acontecido até então, né? Quando eles começaram a morar juntos, já tinham muitos filhos, então uma casa...

repleta de crianças, muito barulho, muitas atividades acontecendo. E agora, eram só os dois. Dos cinco filhos, o único que ainda morava com os pais era o Todd. Todos os outros já namoravam mais. Então, era só ele, né? De cinco, virou só um. E aí, na noite do dia 8 de dezembro de 2001, o Todd sai de casa por volta das 10h20 da noite com um amigo, deixando os dois sozinhos em casa. Segundo o Michael, naquela noite ele recebeu uma notícia muito boa, que era de que...

E eles queriam adaptar para o cinema um dos seus livros. Então ele e a Kathleen comemoraram, jantaram, assistiram um filme. Depois foram beber vinho na área da piscina. Mas a Kathleen tinha tomado um Valium, que é um sedativo ansiolítico. De uso controlado para tratar a ansiedade e insônia. E ele potencializa os efeitos do álcool. Então ele compromete o equilíbrio. Por volta da 1h45 da madrugada, ela volta para dentro da casa. E o Michael disse que ele permaneceu na área externa.

Às 2h41 da manhã do dia 9, o Michael faz uma ligação para a emergência, dizendo que tinha encontrado a esposa caída no pé da escada. E essa ligação foi super breve. Pouquíssimos minutos depois, ele liga novamente, exigindo saber por que a ambulância ainda não tinha chegado. A primeira ligação foi às 2h41 e a ambulância chegou às 2h48. Mas quando eles chegaram na casa, a Kathleen já estava morta.

Ela tinha 48 anos e a cena encontrada era perturbadora porque tinha sangue na escada, nas paredes, no teto. Uma quantidade de sangue que na avaliação inicial dos investigadores não parecia ser compatível com uma queda da escada. O Michael vestia shorts com camiseta e tinha alguns respingos de sangue nas pernas dele. A temperatura externa naquele dia variava entre 10 a 13 graus Celsius.

Pouco antes das três da manhã, o Todd, o único filho que morava com o casal, chega em casa e encontra os paramédicos lá. Os investigadores perceberam que tanto o Michael quanto o Todd pareciam estar em choque com o que tinha acontecido. Porém, o Michael ficava andando de um lado pro outro.

Ele ficava murmurando alguma coisa sobre e-mails. Aí ele entrava no escritório, ficava mexendo no computador. Pegava objetos e largava. Então, eles acharam um pouco estranho. E aí, o Todd pediu pra pegar um refrigerante na geladeira. Um dos policiais deixou. Isso mais tarde se tornaria um problema, porque eles deveriam ter isolado toda a cena.

Nos dias que se seguiram a morte da Kathleen, a casa ficou completamente cheia, as pessoas levaram muitas flores, comida, cartões, garrafas de vinho, e aí a escada, né, foi tampada com o compensado. Então, ali, atrás daquele compensado, ainda tinham as manchas de sangue na parede.

E aí, as três filhas, a Caitlin, a Margaret e a Martha, voltaram pra Durham, quando elas ficaram sabendo o que tinha acontecido. E quatro dias depois da morte da Caitlin, no dia 3 de dezembro, aconteceu o serviço fúnebre na Duke Chapel, a mesma que a Caitlin tinha estudado e quebrado barreiras anos antes. O enterro aconteceu em Maplewood e ele foi bem restrito à família. Então, o Michael tava lá com os filhos, a família da Caitlin também compareceu. Nesse ponto, a família toda ainda tava bem unida.

A Caitlin, inclusive, defendeu o Michael publicamente. E aí, a investigação não podia esperar que eles tivessem esse momento de luto, né? A investigação seguia. E desde o início, eles sentiam que tinha alguma coisa estranha, alguma coisa que não fechava. Pra começar, um detalhe muito simples, que logo, observando a cena, já dava pra notar, que era a quantidade de sangue. Era...

muito grande pra uma queda simples, que seria apenas uma queda da escada, né? Tinha muito sangue até no teto. Os paramédicos observaram que o sangue tava coagulado, e pra ele estar coagulado significa que ela já tinha morrido há um tempo. Pelo menos algumas horas até que a ligação foi feita, né? Pra emergência. O Michael tava usando shorts num dia que tava bem frio, e ele tinha os respingos de sangue entre as pernas.

Uma impressão parcial de um sapato foi encontrada nas calças da Kathleen. O Todd, o único filho que ainda morava com o casal, não quis falar com a polícia quando ele chegou na casa. Ele se recusou e tinha mais um detalhe ali, quando se fala no sangue, que era numa parte específica da parede, parecia que alguém tinha tentado limpar o sangue daquela parte.

Nos dias que se seguiram à investigação, o Michael acessou o computador dele muitas vezes. E isso também foi um detalhe que chamou a atenção dos investigadores. Ao ser perguntado sobre aquela noite, o que tinha acontecido, o Michael deu três versões diferentes que tinham algumas inconsistências entre si.

sobre o que tinha acontecido, onde ele estava, o que eles faziam, o momento que a Kathleen entrou em casa e tudo mais. A autópsia realizada pela médica legista Deborah Radish revelou que a Kathleen tinha sofrido sete lacerações profundas na parte de cima e na parte de trás da cabeça. Além de múltiplas contusões e escoriações no tronco, nas costas das mãos e nos braços,

e uma fratura na cartilagem tireoide do pescoço. A causa da morte foi perda de sangue. A estimativa era de que ela havia levado entre 90 minutos e 2 horas para morrer após sofrer aqueles ferimentos. O teor alcoólico no sangue era de 0,7%, abaixo do limite legal. E ela havia ingerido entre 5 a 15 miligramas de Valium.

Não havia fraturas no crânio e nem hemorragia cerebral. A conclusão da legista foi direta. Ketlin havia morrido em decorrência de lacerações causadas por agressão homicida. Então, no dia 18 de dezembro de 2001, nove dias após a sua morte e cinco dias após o enterro, o seu companheiro Michael Peterson foi preso.

No dia 20 de dezembro, o grande júri do condado de Durham o indiciou formalmente por assassino em primeiro grau. Diante das câmeras e rodeado pelos filhos, ele disse entre aspas Sussurrei o nome dela mais de mil vezes e não consigo parar de chorar. Eu nunca faria nada para machucá-la. Sou inocente nessas acusações e mal posso esperar para aprovar isso no tribunal. A família se apresentou unida. O obituário é publicado no News & Observer, redigido pelo Michael.

Escrevia a Kathleen como tendo morrido em um trágico acidente em sua amada casa. Ele estava o Michael como seu melhor amigo e marido. Quem também esteve ao lado dele foi a sua ex-esposa, Patty. Quando o Michael foi preso, ela estava entre as primeiras a declarar publicamente sua inocência. O túmulo da Kathleen no Maplewood ficou 18 meses sem lápide. O Michael nunca pagou por ela e a razão não foi tornada pública. A lápide só foi colocada quando o diretor do cemitério permitiu que a Candace e a Lori assumissem os custos.

No caso, as irmãs da Kathleen. Enquanto a família acreditava num acidente, a polícia de Durham trabalhava em direção oposta. Os investigadores tinham a cena, as roupas, o computador. E o que começaram a encontrar ali mudaria tudo. Inclusive, a opinião das pessoas que mais amavam a Kathleen. Nos meses que se seguiram a morte dela, a polícia de Durham construiu o caso peça por peça.

Os investigadores aprenderam o computador da casa e encontraram milhares de imagens de pornografia gay masculina e registros de conversas online em que Michael buscava encontros com homens. Em uma das mensagens, ele descrevia a esposa como uma mulher incrível, dizia ser muito feliz no casamento e se declarava bissexual.

identificaram e localizaram o Brent Homagot, um acompanhante masculino com quem o Michael havia trocado mensagens e se encontrado. A legalidade da apreensão do computador seria contestada anos depois e acabaria anulada. Mas naquele momento, ela alimentou a investigação. A acusação contratou o analista forense Duane Dever.

do Serviço de Investigação do Estado da Carolina do Norte, o SBI, para analisar os padrões de respingos de sangue na escadaria. Duane concluiu que os padrões eram consistentes com golpes repetidos sobre uma fonte de sangue, e não com uma queda. Essa análise se tornaria a espinha dorsal do caso da acusação e, anos depois, se provou fraudulenta. Em paralelo, o promotor James Harden soube da morte da Elizabeth na Alemanha em 1985.

Uma mulher que foi encontrada também ao pé da escada com ferimentos na cabeça, cujo último visitante conhecido havia sido Michael. O promotor ordenou a exumação do corpo. Durante esse período, Michael aguardava em liberdade. Ele tinha sido solto sob pagamento de fiança, que foi de 850 mil dólares no início de 2002. Ele usou a sua mansão como garantia.

Os meses se passaram, a investigação avançou e a acusação se preparou. Então, no dia 1º de julho de 2003, 18 meses após a morte da Kathleen, com todo o país acompanhando as portas do Durham County Superior Court, se abriram para um dos julgamentos mais longos da história da Carolina do Norte.

A acusação foi conduzida pelo promotor James Harding com o apoio de Frida Black e Kelly Golgar. A defesa foi liderada por David Ruffell. Durante quase três meses, James, Frida e Kelly apresentaram ao júri um argumento construído em três pilares. O pilar financeiro, o sexual e o padrão de comportamento.

O pilar financeiro afirmava que o casal estava com uma dívida de mais de 145 mil dólares. O Michael, como eu falei pra vocês, estava desempregado, então ele dependia 100% do dinheiro que a Kathleen ganhava, né, pra sustentar a casa. Porém, o emprego da Kathleen, como eu falei pra vocês, estava ameaçado na Nortel, porque a empresa já não era mais aquela empresa enorme e a número 1 do Canadá.

Ainda falando em dinheiro, a Kathleen tinha um seguro de vida no valor de 1,4 milhão de dólares. E o Michael era o beneficiário principal. Então, se ela morresse, era ele que ia receber esse dinheiro de seguro de vida. E aí, tinha o pilar sexual, né? Com todas as imagens e as mensagens que eles conseguiram encontrar no computador do Michael. Eles conseguiram mostrar tudo isso para o júri e trouxeram o Brent, aquele homem que se encontrou com o Michael e ele confirmou o encontro.

dizendo que ele foi pago pra isso. A promotora Frida argumentou que ela acredita que naquela noite a Kathleen descobriu essa vida paralela do marido tendo encontros com homens e que...

Ela descobriu isso através do computador dele, já que o computador dela estava na Nortel. Então, ela acredita que ela descobriu essas mensagens, eles discutiram, e a discussão terminou em violência. E aí, para encerrar, tem o pilar do padrão. 16 anos após a morte da Elizabeth na Alemanha, o promotor pediu a exumação do corpo, então o corpo foi mandado para que a mesma legista fizesse a autópsia.

A Deborah concluiu que as lesões no crânio da Elizabeth eram inconsistentes com uma queda na escada. A quantidade e a natureza daquelas lesões indicavam para ela impactos múltiplos de objeto contundente. Como eu disse para vocês, quando a Elizabeth morreu, eles já tinham uma causa para a morte, um diagnóstico, que era demorragia cerebral causada por distúrbio e coagulação. Mas, depois dessa segunda autópsia, ele foi descartado.

A causa da morte agora foi reclassificada como homicídio. Segundo a promotora, aí estava um padrão.

As duas mulheres tinham sido encontradas ao pé de uma escada. As duas tinham lesões na cabeça. E a última pessoa a ter visto as duas mulheres com vida tinha sido o Michael. A acusação não chegou a indiciar o Michael pelo assassinato da Elizabeth, mas eles usaram isso para mostrar para o júri que parecia que existia um padrão ali. A arma do crime, segundo os promotores, era um atiçador de lareira artesanal de metal.

Um instrumento chamado Blowpoke, nos Estados Unidos, e ele seria equivalente a um soprão de lareira. Esse objeto tinha sido dado de presente à família da Kathleen pela sua irmã Candace. Ela tinha o seu próprio Blowpoke igual àquele, ela até levou ao tribunal para que eles pudessem ver. Isso porque o Blowpoke da casa dos Peterson tinha desaparecido, tinha sumido misteriosamente.

A acusação argumentou que o Michael usou aquele objeto pra bater na Kathleen e que depois ele se livrou do objeto. E eles explicaram isso pelas manchas de sangue que eles encontraram próximas da porta. A primeira testemunha chamada pela acusação foi o paramédico James Rose e foi ele quem atendeu a chamada naquele dia.

Ele disse ao júri que em 15 anos de carreira e quase 40 atendimentos de quedas domésticas, ele nunca tinha visto uma queda com aquela quantidade de sangue. Ele descreveu o Michael como em pé, em posição semicurvada sobre a Kathleen e que ele tinha sangue nas mãos, nos braços e nas pernas.

Ele disse que notou que o sangue embaixo da cabeça dela já estava coagulado e começando a endurecer. O que indicava que ela já estava morta há algumas horas. Teve um segundo paramédico que também atendeu a cena e confirmou. O detetive Art Holland, que assumiu a investigação do caso e esteve lá no dia em que o caso aconteceu.

descreveu para os testemunhas a forma como o Michael estava se comportando, que ele ficava andando para lá e para cá, que quando os investigadores faziam perguntas, ele dava respostas vagas, que ele não parava de entrar no escritório para mexer no computador. O analista de respingos de sangue, Dwayne Dever, do Serviço de Investigação do Estado, afirmou que ele já tinha trabalhado em mais de 500 casos, escrito 200 laudos e testemunhado em 60 processos.

Com base nessa suposta experiência, ele disse que aqueles respingos de sangue eram consistentes, com golpes repetidos e não com queda. O seu depoimento seria o mais citado pela acusação e o mais contestado pela defesa. Quando o Brandt, que foi aquele homem que se encontrou com o Michael, testemunhou, ele disse que o Michael tinha contado pra ele que ele era casado, tinha falado sobre a esposa e que ele parecia feliz com o casamento.

E é importante citar que não havia evidências que provassem que a Kathleen sabia da existência do Brandt ou dessa vida paralela do Michael. Foi aí que a acusação apresentou mais uma testemunha que se tornaria um problema grave. O Dr. Samy Shaibani, analista de lesões, que foi apresentado como expert em biomecânica.

Durante o contra-interrogatório, David Rudolph apresentou uma carta de advogados da Temple University desmentindo a afiliação de Samy à instituição. No caso, era uma das credenciais que ele tinha declarado sob juramento. O juiz Orlando Hudson declarou que ele havia cometido o perjúrio e ordenou ao júri que desconsiderasse integralmente o seu depoimento. Esse foi o momento mais constrangedor da acusação durante o julgamento. E anos depois, seria justamente a falsificação de credenciais de uma testemunha pericial que embasaria o pedido de novo julgamento.

A acusação também chama a Barbara Malagno, a babá que havia encontrado o corpo da Elizabeth em 1985. A Barbara afirmou que havia uma grande quantidade de sangue na cena, contradizendo os registros originais da polícia militar americana que descrevia um pouco o sangue. Outra testemunha disse ter passado o dia limpando manchas de sangue na parede.

A Cheryl Apples Schumacher, que é amiga da Elizabeth na Alemanha, testemunhou sobre as circunstâncias da morte e sobre a relação dos Peterson com ela. A Margaret Blair, que é irmã da Elizabeth e tia da Margaret e da Marta, confirmou que o testamento da Elizabeth designava os Peterson como tutores das meninas e disse que a família nunca havia se conformado com as circunstâncias da morte da irmã. Como testemunhas chamadas para contradizer diretamente os peritos da defesa,

A acusação trouxe o Dr. John McNeil, professor emérito de engenharia da Duke, e o Dr. John Butts, chefe do Instituto Médico Legal da Carolina do Norte e superior da Radish. O John McLean concluiu que as lesões eram inconsistentes com uma queda e consistentes com golpes de objeto contundente e arredondado. O John Butts foi a última testemunha de todo o julgamento. Diante do júri, pediu uma fotografia da nuca raspada de Kathleen e contou as lacerações uma por uma, marcando cada uma com uma caneta esferográfica em voz alta, dizendo 1, 2, 3, até 7.

eram, disse ele, ferimentos que simplesmente não resultam de uma queda da escada. Já a defesa, liderada por David Rudolph, contestou cada um dos pilares e construiu sua resposta em torno de três espíritos de peso. O Dr. Henry Lee, um dos forenses mais renomados do mundo, que tinha trabalhado no caso O.J. Simpson, que concluiu que os mais de 10 mil respingos de sangue movendo-se em direções diferentes eram inconsistentes com uma surra e que parte do sangue nas paredes poderia ter sido projetada por caten tossindo enquanto morria.

Ele fez uma demonstração ao vivo no tribunal. Já o Dr. Ferris Bendek, professor de biomecânica da George Washington University, criou simulações computadorizadas mostrando como Kathleen poderia ter caído e sofrido os sete ferimentos na cabeça. O Dr. Wanner Spitz, patologista forense, concluiu que as feridas eram mais características de impacto contra a superfície plana e imóvel, como os degraus, do que de golpes de objeto, embora não pudesse descartar completa a hipótese de agressão.

A defesa também apresentou o blowpoke, a ferramenta da lareira, que a promotoria alegava ser a arma do crime e que mais tarde foi encontrada na garagem pelo filho do Michael, pelo Cleiton. O objeto estava sem vestígios de sangue, tecidos ou impressões digitais. Conforme argumentado pela defesa, ainda apresentava teias de aranha, indicando que não havia sido movido ou utilizado há muito tempo.

Sobre a nova autópsia no corpo da Elizabeth, a defesa protestou contra o procedimento inteiro. David argumentou que o corpo deveria ter sido examinado por um patologista neutro no Texas e não pela mesma médica que havia concluído que a Kathleen foi assassinada. Mas o juiz permitiu a entrada da evidência. Nenhum dos filhos do Michael subiu ao banco das testemunhas. Todos estavam presentes no tribunal como suporte.

A Marguerite, a Marta, as fileiras de trás, e o Clayton e o Todd ao lado do pai. A Patty também estava a seu lado e emprestou a ele 168 mil dólares para cobrir parte dos honorários da defesa. Ela compareceu ao tribunal todos os dias. Já a Caitlin, filha da Caitlin, não testemunhou no processo criminal, embora a defesa tenha lido em voz alta para o júri um trecho de um texto que ela havia escrito antes da morte da Caitlin, no qual ela dizia que desde o início havia ficado em dívida com Michael por ter devolvido a felicidade à mãe.

Nos argumentos finais, a Frida brandiu diante do júri uma pasta cheia de fotografias de pornografia gay encontradas no computador do Michael. Ela disse às 12 pessoas sentadas na tribuna que não queria ofender ninguém, mas que o Brandt havia confirmado o que os dois planejavam fazer juntos. Depois, ela colocou a pasta sobre o corrimão da tribuna, bateu nela com a mão e disse Sujeira. Pura sujeira.

Ela construiu o argumento que a Katyn jamais aceitaria que o seu marido era bissexual e que foi justamente essa discussão, essa descoberta, essa humilhação que levou ao confronto fatal. Ela também voltou o foco para a identidade do Michael como escritor. Ela disse, não estamos lidando com uma pessoa comum, estamos lidando com um escritor de ficção. Uma pessoa que sabe criar um enredo ficcional. Ela encerrou a sua argumentação com uma provocação direta para o júri.

Ela disse que se o júri acreditasse nessa tese do acidente, teria que acreditar também que o do Annie Dever é um mentiroso. Inclusive, anos depois, ficou provado que ele realmente era um mentiroso. E essa frase da Frida adquiriu um significado que ela com certeza não planejava. O advogado David Ruddell foi o último a falar com o júri antes que eles saíssem para deliberar.

A Frida tinha escolhido ir pelo lado do julgamento moral, da emoção, enquanto David apostou na estrutura do direito. Ele construiu seu argumento final baseado em um único conceito. O ônus da prova pertencia ao Estado. E o Estado havia falhado em cumpri-lo. Ele apontou pelo menos 10 falhas no caso da acusação.

A ausência da arma do crime, a ausência do DNA do Michael na Kathleen ou nas paredes. A ausência do DNA da Kathleen no computador ou nas teclas do computador do Michael. A ausência de qualquer testemunha de que realmente houve uma discussão. A contradição entre os peritos forenses. A credibilidade destruída de Samy Shaibani.

E as afirmações exageradas do Dwayne Deaver, né? Então, ele falou muito sobre a arma do crime que foi encontrada, mas como eu falei pra vocês, não foi encontrado nada nela. Não tinha vestígio algum de violência que provasse que realmente aquela era a arma do crime. Ele argumentou que o Michael e a Kathleen tinham um casamento feliz, que a bissexualidade dele não era um segredo pra família e que todo aquele julgamento, né? Havia se transformado em um exercício de vergonha pública.

disfarçado de processo criminal. Então, o David e toda a equipe ali do Michael estavam super confiantes. Mas, após 14 horas de deliberação que foram distribuídas em quatro dias, o júri declarou o Michael Peterson culpado de homicídio em primeiro grau. A pena foi prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional. Quando o juiz leu o veredito, as duas filhas adotivas do Michael choraram. O Michael se virou para elas e disse eu amo vocês, vai ficar tudo bem.

A Caitlin, a filha da Kathleen, divulgou uma nota através do seu advogado dizendo estar grata pela justiça ter sido feita pela sua mãe. A Candace, que é a irmã da Kathleen, estava do lado de fora do tribunal e disse que ela estava aliviada, mas não satisfeita. Já o David, o advogado, disse imediatamente que entraria com o recurso.

Ele disse que a guerra não tinha acabado e o promotor disse que eles estavam muito satisfeitos por pelo menos esse capítulo ter se encerrado para a família. Em 2006, o Tribunal de Apelações da Carolina do Norte rejeitou a contestação do Michael por maioria de votos. A decisão não foi unânime.

o que garantiu para ele o direito de recorrer ao Supremo Tribunal Estadual. Em novembro de 2007, o Supremo confirmou a condenação. Os recursos legais ordinários estavam esgotados. Para todos os efeitos, o Michael cumpriria a prisão perpétua. No entanto, em 2008, uma série de reportagens investigativas do jornal The News and Observer expôs irregularidades sistemáticas no laboratório freense do SBI, o Serviço de Investigação do Estado da Carolina do Norte.

As reportagens revelavam um padrão de falsificação e omissão de evidências em dezenas de casos criminais.

O procurador-geral Roy Cooper abriu uma investigação independente. O resultado atingiu diretamente o caso Peterson. Duane Dever, a principal testemunha técnica da acusação, foi suspensa e depois demitida em janeiro de 2011. O relatório oficial concluiu que seu trabalho estava entre os piores realizados em décadas de atuação do laboratório. Ficou provado que Duane havia mentido ao júri sobre suas próprias credenciais, afirmando ter trabalhado em 500 casos, quando, na verdade, havia escrito apenas 47 laudos.

e que havia manipulado experimentos para produzir resultados favoráveis à acusação. E isso não era só no caso Peterson. Duane havia falsificado evidências em 34 processos, incluindo um que levou um homem inocente a passar 17 anos preso. Então ele, o Duane, que era considerado o analista estrela do Estado, foi desmascarado por omitir dados e inflar resultados.

Foi esse colapso da credibilidade científica do Estado e não apenas do carisma do Michael que forçou o sistema a conceder a ele um novo julgamento. O juiz determinou em dezembro de 2011 que Duane havia dado testemunho materialmente enganoso e deliberadamente falso. Após oito anos preso, o Michael foi solto mediante uma fiança de 300 mil dólares e passou a usar a tornozeleira eletrônica enquanto aguardava o novo processo.

O advogado David Rudolph, que havia representado o Michael no primeiro julgamento, voltou ao caso após a concessão do novo julgamento, trabalhando sem receber honorários. Em 2014, porém, o David declarou publicamente que não conseguia mais arcar com os custos sem ser pago e se retirou. O tribunal nomeou, então, o defensor público, o Michael Clinkenson, para assumir a representação.

O novo julgamento foi sendo adiado ao longo dos anos por disputas sobre quais evidências seriam admissíveis numa segunda rodada. Sem o depoimento de Duane, sem as mensagens do computador, cuja apreensão havia sido considerada ilegal e sem a morte da Elizabeth como evidência, o caso da acusação era substancialmente mais fraco do que em 2003.

Em 2016, às vésperas de uma audiência decisiva, o defensor público Mike Klinkenson sofreu um AVC grave e ficou incapacitado. O David Rudolph ofereceu-se para retornar, mas o Michael não quis adiar a audiência e optou por deixar a segunda advogada do escritório, Mary Dio Daryl, conduzir aquilo sozinha. Então, em fevereiro de 2017, o Michael, então com 73 anos, e novamente representado por David, optou por um mecanismo jurídico chamado Alford Plea.

uma figura do direito americano que permite ao réu declarar-se culpado de uma acusação mais leve, sem com isso admitir que cometeu o crime. O argumento é que as evidências disponíveis seriam suficientes para uma condenação pelo júri, independentemente da culpa real. O Michael entrou com uma Ford plea para o crime reduzido de um mídia culposo. Ele foi sentenciado ao tempo já cumprido, então seriam oito anos, e aí ele saiu livre.

Durante a audiência, a Candace, uma das irmãs da Kathleen, endereçou o tribunal em uma declaração preparada ao longo de dez dias.

Ela descartou o Alford Plee com uma expressão que se tornou famosa. Disse que, para ela, aquilo era simplesmente culpado e que nenhuma palavra jurídica mudaria isso. As irmãs da Kathleen nunca recuaram de sua convicção. O caso estava para o direito encerrado. Mas a pergunta central do caso, que é o que realmente aconteceu na madrugada daquele dia 9 de dezembro, nunca foi respondida de forma definitiva. E aí havia uma terceira hipótese que nem a promotoria e nem a defesa havia usado no tribunal.

Em 2003, o T. Lawrence Pauler, um advogado de Durham, vizinho dos Peterson, sem nenhuma relação ao caso e também um caçador experiente, começou a estudar as fotos da autópsia de forma independente. Algo naquelas lacerações no crânio da Kathleen chamou a atenção dele. Então, ele levou essa hipótese. Ele foi até a polícia com uma hipótese em comum.

a de que a Kathleen tinha sido atacada antes de entrar na casa por uma coruja listrada. Ao ler a lista de evidências do SBI, ele encontrou uma coisa que tinha sido mantida fora do alcance público, uma pena microscópica e um fragmento de galho de árvore. Eles estavam enredados em um tufo de cabelo arrancado pela raiz e encontrados na mão esquerda da Kathleen.

O escritório do promotor havia informado anteriormente que nenhuma pena foi encontrada. Um novo exame no cabelo da Kathleen em 2008 encontrou uma nova pena microscópica. Ou seja, agora, pelas evidências, havia duas penas microscópicas. A teoria do Lawrence é a seguinte. Ao se movimentar ali do lado de fora da casa, saindo da área da piscina em direção à porta, a Kathleen teria sido atacada por uma coruja listrada, uma ave comum em Durham que confundiu o cabelo dela com uma presa.

Esse ataque teria causado os ferimentos na cabeça da Kathleen. Em pânico e sangrando, ela teria entrado correndo na casa em direção à escada. E ela teria caído ali no pé da escada. Então, aquela quantia de sangue, os respingos e tudo mais seria do momento em que ela ainda não tinha perdido a consciência e estava tentando lutar pela vida, estava com dor, estava tentando se levantar. E aí, em 2023, o Laurence indossou um livro chamado Dead by Talons, escrito pelo Titi Smith.

que desenvolve essa teoria com mais detalhes, argumentando que o ataque tinha começado do lado de fora e continuado do lado de dentro. Especialistas em aves de rapina, que foram consultados ao longo dos anos, têm opiniões que divergem. E essa teoria nunca chegou a ser apresentada num tribunal, porque quando o Lawrence procurou o David, em 2003, eles já estavam na fase final ali, então não tinha como apresentar uma nova evidência.

Nos anos seguintes, advogados do Michael optaram por concentrar os recursos jurídicos no caminho do perjúrio de Duane Dever, que era mais sólido do ponto de vista legal. Quando o novo julgamento foi finalmente concedido em 2011, a inusitada teoria da coruja passou a figurar como possível linha de defesa. Na ausência de uma arma que pudesse ser conectada ao crime, já que o blowpoke de ferro mencionado pela promotoria nunca foi localizado em estado que indicasse uso violento, apesar das buscas exaustivas, a defesa do Michael encontrou um aliado improvável.

a biologia. Mas mesmo assim, o Michael escolheu a Ford Pling em 2017, e o caso foi encerrado sem que qualquer tribunal chegasse a examinar essa hipótese formalmente. O Michael descreveu sua reação ao ver uma fotografia das garras de uma coruja listrada, sobrepostas às lacerações do crânio da Kathleen, e disse que se aquilo tivesse sido apresentado no primeiro júri, provavelmente haveria dúvida razoável suficiente para uma absolvição.

E aí, logo após a prisão do Michael em 2001, uma equipe de cineastas franceses obteve acesso irrestrito à família e à equipe de defesa. Durante mais de 600 horas de filmagem, a equipe acompanhou o processo desde o início das investigações até o veredito. O documentário resultante, originalmente exibido na televisão francesa em 2004, com o título em tradução que seria Suspeitas, chegou ao público americano como Death on the Staircase e foi relançado internacionalmente pela Netflix como The Staircase.

A série documental ganhou um Emmy e se tornou uma referência do gênero true crime. Ao longo dos anos, recebeu atualizações. Novos episódios foram adicionados em 2013 e 2018, acompanhando o caso até o Afford Play. O documentário também produziu um desdobramento que ninguém havia previsto. A Sophie Brunet era a editora francesa do projeto e trabalhava em Paris, à distância, enquanto a equipe de Jean Xavier filmava em Durham o documentário.

Durante meses, ela assistiu a centenas de horas de imagens do Michael. O marido enlutado, o pai presente, o homem que chorava pela morte da esposa. Ela se convenceu de que ele era inocente. Após a condenação, em 2003, decidiu entrar em contato com ele. O que começou em carta e se transformou num relacionamento que durou 13 anos. Entre 2004 e 2008, a Sophie viajou 17 vezes a Durham para visitar o Michael na prisão.

Quando ele foi solto em 2011 para guardar o novo julgamento com a tornozeleira eletrônica, o relacionamento veio a público. A Sophie apareceu ao lado dele e da família numa das audiências filmadas pelo próprio documentário que ela ajudou a editar. O plano era que uma vez livre definitivamente, Michael se mudasse para Paris e vivesse com ela. O Afford Plee chegou em fevereiro de 2017. O Michael saiu livre em maio daquele mesmo ano e o relacionamento terminou poucos dias depois. Então esse plano de morar em Paris nunca aconteceu.

O Michael continua em Durham e a Sophie continua em Paris. Os 13 anos de cartas, visitas e planos não sobreviveram ao contato com a liberdade real. Em 2019, o Michael publicou suas memórias de forma independente com o título Behind Staircase. Ali, descreveu o relacionamento com extensão e honestidade, confirmando que os planos haviam sido sérios e que a Sophie havia sido um alicerce durante os anos na prisão. A questão sobre se o relacionamento havia influenciado a edição do documentário e, portanto, a percepção pública do caso nunca foi respondida de forma definitiva.

mas a Sophie e o Jean Xavier sempre negaram qualquer interferência editorial. Em 2022, a HBO lança uma minissérie dramatizada de oito episódios, também chamada The Staircase. Michael criticou publicamente a série classificando a de homofóbica e afirmando que cenas específicas, incluindo uma em que a Kathleen encontra pornografia no computador do marido, eram fabricações desmentidas no tribunal. Na série de HBO, a Sophie é retratada como alguém que havia suprimido evidências desfavoráveis a Michael. A Sophie classificou o retrato como injusto e falso.

Jean Xavier disse ter se sentido traído por Antônio Campos. A única coisa que Sophie diz ter encontrado de bom nessa experiência com a série de HBO foi a amizade que desenvolveu com a Juliette Binoche, uma atriz francesa escalada para interpretá-la. Em abril desse ano, a minissérie estreou na Netflix e rapidamente voltou a ser falada, né? Agora, falando um pouco sobre a Caitlyn, a filha da Caitlyn, em 2008 ela entrou com uma ação civil por morte ilícita contra o Michael.

A ação foi resolvida por acordo. Michael se comprometeu a pagar 25 milhões de dólares.

Em termos práticos, o que isso significa é que qualquer renda significativa que ele tenha fica sujeito à execução judicial em favor da Caitlyn. É por isso que as memórias e outros livros que escreveu após sair da prisão foram publicados de forma independente e os lucros, segundo ele, doados a instituições de caridade.

A Caitlin foi a única dos cinco filhos da família que rompeu definitivamente com o Michael. Os filhos biológicos Clayton e Todd, assim como as filhas adotivas Margaret e Martha, mantiveram apoio ao pai e padrasto ao longo de todo o processo. Hoje o Michael tem 82 anos e desde abril de 2024 ele não vive mais em Durham.

Ele se mudou pra Reno, Nevada, descrevendo a mudança como revigorante. Ele continua negando qualquer envolvimento no caso da Kathleen. E ele escreveu alguns livros depois que ele saiu da prisão. Todos foram publicados de forma independente, já que qualquer renda significativa que ele tenha segue sujeito à execução do acordo que ele fez com a Kathleen, né? Dos 25 milhões de dólares.

Em entrevista para marcar os seus 80 anos, ele falou sobre o que aconteceu no tribunal na época, dizendo que aquele julgamento em 2003 não poderia ocorrer hoje, se referindo especialmente à forma como ele descreve a homofobia explícita da acusação. O Clayton, filho mais velho, mantém um perfil bem discreto e vive em Maryland com a esposa, e ele apoiou o pai durante todo o processo.

Em 1994, quando ele tinha apenas 19 anos e ainda estava na universidade, o Clayton plantou um artefato explosivo no prédio administrativo da universidade. A ideia era chamar atenção ali para o barulho e causar distração enquanto ele roubava os equipamentos para poder fazer uma falsificação de uma carteira de identidade.

O artefato não explodiu, mas eles fizeram uma busca e encontraram outros artefatos explosivos nas coisas dele. Então, ele foi condenado a cumprir quatro anos em uma prisão federal. Ele já tinha cumprido toda a sua pena quando a Kathleen morreu. Já o Todd, que é o filho mais novo do Michael, por alguns anos ele foi um dos maiores defensores do pai.

Mas isso mudou quando ele publicou alguns vídeos em 2021 acusando o pai abertamente, pela primeira vez, inclusive, de ter matado tanto a Kathleen quanto a Elizabeth. Mas a ruptura mais grave da família é em relação à morte da Patty, a mãe dos dois meninos, né, que ocorreu naquele ano, em julho. A Patty tinha se mudado para os Estados Unidos para viver com o Michael.

Então, eles estavam vivendo como companheiros e viveram assim por dois anos. E no dia 8 de julho de 2021, ela morreu de um infarto na Universidade de Duke. O Todd afirmou que o Michael teria visto a mãe sofrer aquele ataque e esperou horas para chamar ajuda. E que quando ele próprio chegou ao local e ligou para a emergência, ainda havia tempo de salvá-la. Já o Clayton descreveu os fatos de maneira diferente. Ele disse que a pele começou a passar mal à noite, que o Michael ligou para os filhos e que foram eles que ligaram para o socorro.

Essa acusação do Todd nunca virou objeto de investigação criminal e ele fala que se não fosse a demora do Michael, a sua mãe estaria viva. Já a Margaret, que foi uma das meninas, né, que eram filhas da Elizabeth e que o Michael adotou, hoje ela tem 44 anos e vive na Califórnia trabalhando na indústria cinematográfica.

Ela continua acreditando na inocência do Michael e o chamando de pai. Já a Marta, que tem 42 anos, vive no Colorado. Ela trabalhou como psicoterapeuta e mantém uma vida bem privada. Tanto a Margaret quanto a Marta voltaram a usar o sobrenome da mãe, Ratliff, ao invés de usar o sobrenome do Michael, né, Peterson.

Já a Caitlin, que é filha da Kathleen, tem 44 anos. Ela se casou, teve gêmeos. Ela viveu um tempo em Londres, enquanto concluía o seu doutorado em Direito. Ela voltou a viver em Durham. E ela que compareceu a todos os dias de julgamento. Dia após dia, ouvindo todas as evidências, ela disse que, através disso, ela tem certeza do que aconteceu com a mãe dela. Mas ela não deu mais detalhes. Diz que seguir em frente ao que sua mãe gostaria que ela tivesse feito. Já a Candace, que é irmã da Kathleen e sempre achou...

Todo caso muito estranho. Ela falava muito sobre... Ela tava bem envolvida até acontecer o Afford Plee. Que foi em 2017. Depois disso, ela se afastou, assim, dos olhos do público. Mas ela nunca recuou da convicção. E naquele documentário francês que eu citei pra vocês, foi ela quem se virou pra câmera. E acusou os cineastas de terem desenvolvido ali uma narrativa que esqueceu a vítima e se concentrou apenas no acusado.

Já o David Rudolph, que foi o advogado que eu citei para vocês, ele continua atuando como advogado. E o caso Peterson foi, nas palavras dele, a experiência mais devastadora da sua carreira. A condenação que aconteceu em 2003, inclusive, deixou ele em uma depressão profunda. Com o tempo, ele decidiu mudar o foco do seu escritório, que ele mantém com a esposa, que é ex-jornalista. Ela, inclusive, cobriu o caso Peterson, e depois ela se tornou advogada.

Eles passaram a se dedicar a casos de condenações equivocadas, apresentando pessoas exoneradas que buscam responsabilizar os agentes do Estado pelos anos perdidos. Eles também têm uma galeria de arte e o David disse que ele ainda acredita na inocência do Marco. A Frida Black, que é aquela promotora de junta que falou uma frase que ficou bem marcada para o caso, não viveu para ver a minissérie sendo lançada, então...

A história dela é até triste o que aconteceu depois do julgamento. Ela tinha sido demitida da promotoria em 2005, acumulado duas infrações por dirigir embriagado em 2012 e 2015. E em julho de 2018, eles fizeram uma verificação de bem-estar, porque não ouviam falar dela já há alguns dias. Chegaram no apartamento dela e encontraram ela morta, num sofá da sala cheio de restos de comida e garrafas de vinho no chão. Ela morreu de doença hepática em estágio terminal, causada por alcoolismo crônico aos 57 anos.

Esse ano completam 25 anos da morte da Kathleen. E até hoje, a pergunta que não tem resposta é o que realmente aconteceu na madrugada daquele dia? A acusação acredita que o Michael bateu na esposa após uma discussão. A defesa sempre argumentou que ela apenas teria se machucado e morrido, caindo da escada. A teoria da coruja propõe uma terceira possibilidade, que nunca foi provada e nem descartada.

Além da dúvida razoável que o direito exige. Ou seja, o sistema judiciário não encontrou a verdade. Ele encontrou apenas o fim de um processo. E o que realmente aconteceu com a Kathleen naquela noite e naquela madrugada permanece sem resposta definitiva até hoje. Esse caso mexeu muito com a minha cabeça. Quero muito saber o que vocês acham. Porque eu sinceramente não sei. Eu não sei, gente. Eu acho muito estranho.

estranho, que as duas mulheres, tanto a Kathleen quanto a Elizabeth, tenham morrido ao pé de uma escada e que o Michael tenha sido a última pessoa a ver as duas com vida. Pra mim, esse é o fato mais estranho de todos. Então...

Eu quero saber o que vocês acham. Me conta aqui nos comentários, não esquece do like, que me ajuda muito na divulgação do vídeo. E é isso, pra mais casos, siga o podcast Quinta Misteriosa e aproveita pra avaliar em 5 estrelas se você gostou. Obrigada por ouvir e até o próximo caso.

ELA FOI ENCONTRADA NA ESCADA... O QUE ACONTECEU? | Caso Kathleen e Michael Peterson - The Staircase #589 | Castnews Index — Castnews Index