ELE CORTOU SEUS BRAÇOS ACHANDO QUE ELA NÃO IRIA SOBREVIVER | Mary Vincent #588
Em setembro de 1978, uma adolescente de quinze anos aceita carona de um estranho nas estradas da Califórnia. O que acontece nas horas seguintes deveria ter sido o fim de sua história — mas não foi. #588
Gisberta Salsi Jr.
- Tentativa de sequestro de Emily DortyPedido de carona e encontro com Lawrence Singleton · Abuso e agressão na van · Mutilação e abandono
- A sobrevivência e recuperação de Mary VincentEscalada do barranco e busca por ajuda · Cirurgia e adaptação a próteses · Colaboração com a polícia e retrato falado
- A vida de Mary VincentInfância e adolescência · Sonho de ser dançarina · Divórcio dos pais e fuga · Vida nas ruas de Las Vegas
- Pena de MorteTestemunho de Mary Vincent na Flórida · Sentença de morte · Morte de Singleton na prisão
- Prisão e Julgamento de Larry LovelaceDepoimento de Mary Vincent no tribunal · Sentença e reação pública · Ameaças de Singleton
- O assassinato de Roxane Hayes por Lawrence SingletonTentativa de suicídio de Singleton · O crime e a prisão em flagrante · Reação na Califórnia
- Libertação condicional e vida após prisãoProcesso civil e indenização não recebida · Liberdade condicional e rejeição social · Projeto de Lei Singleton
Mary Vincent nasceu em 17 de maio de 1963, em Nels, Centro, Califórnia. Ela era filha caçula de uma família de sete irmãos. O pai trabalhava como mecânico e havia servido no exército antes de se estabelecer em Las Vegas, onde conheceu a mãe da Mary, uma croupier de blackjack nos cassinos da cidade. A casa era barulhenta e cheia de gente, mas nem sempre havia atenção suficiente para todos os filhos.
A Mary era de ascendência filipina por parte da mãe, e desde pequena chamava atenção pela energia que não a deixava quieta. Desde os quatro anos de idade, a Mary queria dançar. Não era um sonho vago de criança. Ela levava a dança a sério e via o corpo como um instrumento. Seus professores de dança acreditavam que ela tinha futuro profissional se ela quisesse seguir a carreira. A Mary sonhava em viajar pelo mundo se apresentando.
Aos 13 anos, ela se apresentou em um solo de dança na cerimônia de Miss Universo, diante de milhares de pessoas. Ela era talentosa, determinada e disciplinada. Além da dança, a Mary também adorava desenhar, desde pequena. O divórcio dos pais, quando a Mary estava entrando na adolescência, desestabilizou completamente a família. As brigas constantes e a tensão em casa fizeram com que ela começasse a fugir. Então, ela pulava aulas, desaparecia por dias e voltava para casa como se nada tivesse acontecido.
Tentando escapar do conflito entre os pais, a Mary foi viver com o namorado, quando ainda deveria estar no ensino médio. Quando ele foi preso, ela ficou completamente sozinha. Sem casa e sem dinheiro, a Mary sobreviveu nas ruas de Las Vegas, dormindo em carros destrancados que encontrava pelo caminho. No outono de 78, a Mary tinha 15 anos e estava vivendo como podia.
Ela havia decidido ir para Berkeley, uma cidade universitária ao norte de San Francisco, onde sentia que poderia se misturar com os artistas e pessoas que pensavam diferente. Ela passou alguns dias lá dormindo na rua. Mas aí, a saudade bateu. Não de Las Vegas, exatamente, mas do seu avô, que morava perto de Los Angeles e era um dos poucos adultos da sua vida que realmente havia e se importava com ela. Na tarde de 28 de setembro de 78, era uma sexta-feira,
A Mary estava à beira da Interestadual 5, perto de Modesto, Califórnia, pedindo carona. Era por volta de 7 e meia da noite. Nos anos 70, pedir carona era extremamente comum na Califórnia, especialmente entre jovens sem carro e sem dinheiro para passagem. Não era visto como algo perigoso. Era simplesmente uma forma prática de se locomover. Havia outros dois rapazes fazendo o mesmo, também indo para o sul, e a Mary ficou perto deles enquanto esperava. A viagem até Los Angeles eram quase 650 quilômetros.
A Mary estava cansada de passar o dia inteiro em pé tentando conseguir carona. Até que uma van azul Dodge em 1968 desacelerou e parou. Era um veículo comum. O motorista era um homem de meia idade, cinquenta e poucos anos. Ele era careca, tinha o rosto largo, ele era acima do peso e vestia um macacão azul. Pra Mary, ele parecia tipo um avô. Ele disse que estava indo pra Reno, Nevada, mas que poderia levar a Mary até o sul da Califórnia sem problema.
Mas o detalhe estranho veio a seguir. O homem disse que só tinha espaço pra um passageiro, mas a Mary olhou pra dentro da van e viu que ela tava completamente vazia. Não havia nem bancos na parte de trás, então claramente tinha espaço pros três. Os dois rapazes que estavam ali com a Mary, né, pedindo carona, puxaram ela de lado e falaram pra ela que eles não confiavam naquele homem, naquele motorista.
Eles não sabiam porquê, mas eles não confiavam nele. Era tipo uma impressão que eles tiveram, porque eles acharam estranho aquele homem, com uma van cheia de espaço, querendo dar carona só pra menina, sozinha, sem os outros dois meninos, né? Então, eles disseram que eles não confiariam naquele homem, mas a Mary tava muito cansada, ela tava ali o dia todo pedindo carona, era uma viagem longa, então ela agradeceu os rapazes pela preocupação e decidiu subir naquela van.
O homem no volante era o Lawrence Bernard Singleton. Ele nasceu em 28 de julho de 1927 em Tampa, na Flórida. Ele tinha 51 anos na época em que ele deu essa carona pra Mary. O Lawrence abandonou a escola aos 16 anos pra trabalhar na ferrovia e depois em um estaleiro. Aos 17, em 1945, ele se tornou marinheiro mercante. Ele serviu no exército durante a Guerra da Coreia e foi dispensado com honra em 1952. Depois do serviço militar, ele voltou pra marinha mercante, frequentou a escola de oficiais e se tornou capitão de navios.
Em 1958, ele se casou com a Shirley Ann Powers. O casal teve uma filha chamada Deborah Ann, que nasceu em 1963. Mais tarde, ela se tornaria enfermeira psiquiátrica em Seattle, em Washington. O casamento durou 14 anos, até a morte da Shirley, em 1977.
O Lawrence se casou novamente, mas o segundo casamento terminou em divórcio pouco antes de 1978. Então, naquele ano, o Lawrence morava sozinho. Ele havia brigado violentamente com a filha, que tinha 15 anos na época, à mesma idade da Mary. E a filha dele, a Deborah, resistia a qualquer tentativa de disciplina da parte do pai. Ela se sentia muito distante dele.
Lawrence tinha histórico documentado de abuso de álcool. Tinha também uma condenação anterior por contribuir para a delinquência de um menor. Ele não tinha antecedentes de violência sexual registrados, mas era conhecido por ter temperamento explosivo e grande ódio por mulheres. Segundo testemunhos posteriores e entrevistas com pessoas que o conheciam, o Lawrence era um homem que guardava um rancor profundo. Psiquiatras que o avaliaram mais tarde o descreveram como alguém completamente dissociado da realidade.
Um homem que reescrevia os próprios crimes na mente de forma tão completa que aos seus próprios olhos, ele nunca havia feito nada de errado. Então, a Mary tava muito exalta naquele começo da viagem. Ela tava muitas horas pedindo carona, já era noite. E aí, no começo, tava tudo normal. Então, o Lawrence seguiu a viagem por vias movimentadas. Ele ia conversando com a Mary, batendo papo, assim, nada demais.
E ele tinha dois galões de leite ali com ele na van, que ele ficava bebendo, mas dentro não tinha leite, tinha bebida alcoólica. Eles iam conversando de maneira amigável durante ali a viagem, até que a Mary acendeu um cigarro e ela espirrou. Ele imediatamente estendeu a mão e tocou o pescoço dela, perguntando se ela tava doente. Aquilo foi muito do nada, então ela meio que se assustou, se esquivou. Ela se sentiu muito desconfortável, e aí ele começou a dar umas investidas ali nela.
Ela ia se afastando. Ele tentava puxar ela pra perto, mas ela ficava fora do alcance dele. Então, ela viu aquela situação como um gesto meio que exagerado da parte dele. Então, ela não viu exatamente como algo perigoso. Ela viu como algo desastrado. Então, ela decidiu ignorar o que ele tava fazendo. Em determinado momento, o Lawrence para o carro. E a Mary até oferece ajuda pra ele, porque ele ia levar umas roupas pra lavar ali numa lava seca.
E aí, enquanto ele fazia isso, ela acabou adormecendo no carro, porque ela tava muito cansada. Quando ela acordou, imediatamente ela percebeu que tinha alguma coisa errada, porque o Lawrence não tava mais em uma via movimentada como antes, né? Uma via com outros carros, uma via com bastante luz. De repente, eles estavam em uma estrada.
completamente escura. Ela viu que era uma área mais isolada, uma área bem remota, leste de Modesto, e ela viu que ele tinha desviado do caminho que ele deveria estar fazendo. Ela disse pro Lawrence que ele tinha errado o caminho, que ele precisava voltar pra outra via, que ali não ia ir pro lugar certo, que ele precisava levar ela. E aí, ele falou que realmente ele tinha errado, então ele meio que falou que tinha reconhecido o erro.
E ele virou o volante, voltando assim na estrada, como se ele fosse voltar pro caminho correto. Então, de repente, ele para o veículo, dizendo que ele precisava usar o banheiro. E aí, nesse meio tempo, a Mary aproveita. Ela se inclina pra amarrar o tênis, mas na verdade ela queria olhar em volta, ela queria ver a distância, como ela poderia sair daquela situação, como ela poderia sair da van. Só que, de repente, do nada, ele abre a porta do lado dela. E antes que ela pudesse pensar ou se mover, ela sente algo muito pesado na cabeça dela. E, de repente, tudo ficou escuro.
O Lawrence tinha usado uma marreta de trenó pra bater na cabeça dela, então ela desmaiou. E aí, durante as próximas horas, ela meio que recuperava a consciência, perdia de novo, a cabeça latejava, ela tava desorientada e ela tinha percebido que ela ainda tava dentro da van e que ainda era noite. E o que aconteceu naquelas horas seguintes seria algo que a Mary carregaria pro resto da sua vida. O Lawrence a manteve presa ali dentro da van enquanto ela recuperava e perdia a consciência.
Ele abusou dela várias vezes, enquanto ele ia cada vez mais pra um lugar super isolado. Toda vez que ela conseguia recuperar um pouco a consciência, ela percebia que a Van tava ali andando em estradas muito desertas, sem civilização alguma. E ela tava muito desorientada, então ela não conseguia acordar por completo. Ela ficava perdendo a consciência. Ela se sentia incapaz de fugir, de resistir, porque realmente ela tava sem forças.
e ela estava presa nesse pesadelo ali dentro, até que em algum momento aquela van finalmente parou na madrugada do dia 29. O Lauren se arrastou a Mary para fora do veículo, até a beira de um barranco que tinha cerca de 9 metros de altura. Eles estavam em uma área completamente remota, próxima de Del Puerto Canyon.
E tava próximo também da Interestadual 5. Anos mais tarde, a Mary recordaria de um detalhe que ela tinha visto dentro da van e que ela guardou na memória, que era um roteiro de viagem escrito à mão. As anotações ali mostravam outros lugares que o Lawrence pretendia ir. Então, ela percebeu que...
a viagem não tinha acabado, que tinha todo um trajeto pra percorrer e que ele só desviou da viagem naquele momento em que ele deu a carona pra ela. Essa dimensão de que havia outros lugares pra ele ir, que havia outras pessoas pra ele encontrar, pessoas esperando por ele e outros planos...
e que ele decidiu fazer aquilo com ela no meio do caminho, foi uma coisa que marcou muito ela. Ela sentiu que ele tinha realmente planejado aquele momento, e que ele estava executando um plano. Usando o machado, Lawrence cortou o antebraço direito da Mary, cerca de 10 centímetros abaixo do cotovelo. Depois, ele cortou o antebraço esquerdo, cerca de 15 centímetros abaixo do cotovelo.
Depois, ele jogou ela pela encosta do barranco e ele jogou os braços cortados em outro lugar. Porque na cabeça dele, se ele fizesse isso, quando encontrassem o corpo, seria impossível de identificar quem era aquela pessoa sem os braços. Na cabeça dele, sem as impressões digitais, né? Sem as mãos, ela seria impossível de ser identificada.
satisfeito com o que ele tinha feito, acreditando que era o crime perfeito e que ninguém poderia ligar aquele crime a ele, ele simplesmente largou ela lá, voltou pra sua van e seguiu viagem. A Mary, que tinha apenas 15 anos e teve os dois antebraços cortados e foi largada naquele lugar.
Por um motivo que nem a medicina consegue explicar, sobreviveu. Quando ela retomou a consciência, ela percebeu que ela estava no fundo de um dreno de concreto. Ela estava completamente nua, e ela percebeu que dos dois braços jorravam sangue sem parar. E aí, ela teve uma lembrança do nada, que quando ela era criança, ela passou um tempo nas Filipinas. E aí, ela tinha aprendido algumas coisas de primeiros socorros, então ela lembrou que se ela conseguisse estancar aquele sangue... że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że że
ela provavelmente conseguiria sobreviver e que ela poderia estancar o sangue usando terra. Então, ela enfiou o que sobrou dos braços ali na terra e ficou esperando até que a terra conseguisse coagular aquele sangue. O sangramento diminuiu bastante, ele não parou completamente, mas diminuiu o suficiente para que ela não perdesse a consciência ali pela perda de sangue.
Então, ali, ela decidiu que ela iria sobreviver. De uma forma que ela nem lembra direito, ela conseguiu se levantar. Ela teve as costelas quebradas pela queda. E, de algum jeito, ela arranjou forças pra começar a escalar aquele barranco e sair dali. Era basicamente uma parede na encosta, então...
tinha muita terra, pedras, e ela foi escalando. Ela caiu algumas vezes, e ela começava de novo. E, de algum jeito, usando todas as partes do corpo, ela conseguiu sair dali. E aí, ela começou a caminhar. Ela estava nua, toda machucada, sangrando, e ela caminhou por quase cinco quilômetros.
Ela tava no deserto da Califórnia à noite, então era uma escuridão completa, não tinha luz alguma pra ela se guiar. A única coisa que ela tinha era o barulho dos carros, que foi o que ela usou como guia. Ela mantinha o que tinha restado dos seus braços erguidos pra cima da cabeça, porque ela sabia que se ela deixasse os braços pra baixo...
Aquilo faria com que o sangue escorresse mais rápido e ela poderia perder a consciência. E assim, ela caminhou com os braços erguidos por quase cinco quilômetros, com muita dor, com os músculos gritando, pedindo pra ela parar. E ela não parou. O primeiro carro que avistou a Mary, né? Aquela figura nua, ensanguentada.
se assustou e acelerou, não parou o carro. E aí veio o segundo carro. Dentro daquele carro tinham duas mulheres que estavam viajando a lazer e elas tinham se perdido no meio do caminho. E quando elas viram aquela figura de uma garota ensanguentada, toda machucada, nua, às três da manhã, elas imediatamente pararam o carro. Elas enrolaram a Mary em um lençol que elas tinham ali dentro do carro e começaram a dirigir até o aeroporto mais próximo. E quando elas chegaram lá, elas pediram por ajuda por uma ambulância.
A Mary foi levada às pressas do helicóptero para o Doctors Medical Center em Modesto e lá ela passou por uma cirurgia de emergência. Os médicos tentaram reimplantar os antebraços da Mary porque depois que ela foi levada para o hospital, a polícia foi enviada até o local onde ela foi encontrada e lá eles encontraram os antebraços, mas já faziam algumas horas e as condições que eles estavam simplesmente tornaram o procedimento inviável. O tecido ali já estava morto, então não tinha como fazer nada.
A Mary sobreviveu à cirurgia e foi ajustada para próteses. Então, em menos de duas semanas, ela já estava usando próteses ali nos braços. Eram braços mecânicos. E aí, perguntaram para ela por que ela tinha tanta pressa, né? De já usar os braços mecânicos. E ela disse que não havia tempo a perder. Um detalhe que eu quero contar para vocês é que... Quando a Mary ainda estava no hospital, logo depois que tudo aconteceu... Ela não se permitia dormir e descansar. Ela não se permitia nem pensar em tudo que ela tinha passado.
Ela queria ficar acordada pra ajudar a polícia a montar o retrato falado. Então, foi uma coisa que os investigadores ficaram em choque. Porque isso é muito raro em sobreviventes, né? De ataques tão brutais quanto o dela. Então, ela tinha acabado de passar por um trauma. Mas ela não perdeu tempo. Ela queria montar esse retrato falado pra que eles encontrassem o culpado. Os detetives da polícia de Modesto chegaram no quarto dela, né? Prontos pra fazer ali o retrato falado.
E eles imaginavam que ela ia dar uma descrição meio vaga, assim, da aparência do agressor. Por conta do choque e do trauma, eles achavam que as memórias dela estariam um pouco nebulosas, digamos assim. Que ela não conseguiria lembrar em detalhes, mas foi completamente o contrário.
A Mary descreveu o Lawrence com tanta precisão que ela conseguia até dizer a altura que ele tinha, o peso aproximado, o cor dos olhos, o formato do rosto, umas marcas específicas que ele tinha na pele, o cheiro de diesel, como era a van, tudo, ela lembrava de tudo com detalhes.
que os investigadores acharam até assustadores, o fato dela lembrar de absolutamente tudo que ela tinha visto. Ela disse que o cheiro da van era um cheiro impregnado de cigarro e de diesel, e que até o tom da voz ela explicou como era tudo.
Ela queria que quando eles vissem o Lawrence, eles tivessem certeza absoluta que era ele. Ela descreveu ele de uma forma onde ela não deixou passar nenhum detalhe. Ela achava que qualquer coisinha que ela lembrasse importava. E que às vezes esse pequeno detalhe poderia ajudar na hora de encontrar o culpado, né?
O artista forense criou o retrato falado e a semelhança daquele retrato falado com o Lawrence era bizarra, assim, ficou idêntico. E aí, eles começaram a distribuir, né, esses panfletos. Distribuíram pela região, nos jornais, e menos de sete dias após o ataque, no dia 5, um vizinho do Lawrence viu esse retrato falado.
E imediatamente ligou os pontos que era o vizinho dele, então ele liga pra polícia. Esse vizinho dele que ligou morava em Citrus Heights e o Lawrence foi localizado em outra propriedade que ele tinha, em Reno, Nevada. E isso tudo no mesmo dia em que o vizinho fez a ligação e ele foi preso sem resistência. Quando a polícia revistou a vã dele, lá dentro eles encontraram manchas de sangue e fios de cabelo.
Eles realizaram testes e batia com o DNA da Mary. Então, ali eles tinham provas incontestáveis de que realmente era ele. Tinha até fibras das roupas dela que foram encontradas dentro da van. E aí, quando ele foi interrogado, ele disse que ele simplesmente não lembrava de nada. Que ele tinha bebido muito e que ele teve um apagão. Ele disse que ele bebeu tanto que esse apagão foi total.
durante todo o momento do ataque. Então, ele disse que não lembrava de ter conhecido a Mary, de ter dado carona pra ela e nem do ataque. Mais tarde, alguns peritos e promotores disseram que eles acreditavam que isso até poderia ter acontecido, né? Ele poderia ter tido realmente um apagão alcoólico. Mas eles repetiram diversas vezes que essa ausência de memória não mudava em absolutamente nada o crime que ele tinha cometido. Então, em março de 1979, menos de seis meses após o ataque, o julgamento do Lawrence começa.
A Mary, que tinha apenas 15 anos ainda, entrou no tribunal em San Diego naquele dia usando dois braços protéticos pra encarar o homem que tinha tentado assassinar ela. A defesa do Lauren pediu pra que todos os jurados saíssem no momento do depoimento da Mary pra que eles não fossem expostos às próteses nos braços dela, que isso seria algo desnecessário, mas o juiz negou o pedido. A Mary sentou no banco de testemunhas e falou por 90 minutos. Ela lembrava de tudo e relatou tudo o que aconteceu com ela em detalhes.
Ela não desviou o olhar do Lawrence nem uma vez. E aí, quando o promotor pediu para ela identificar quem era o culpado, ela simplesmente apontou para o Lawrence e todo mundo ficou em silêncio. A promotoria apresentou todas as acusações. Foram várias acusações diferentes de abuso forçado, sequestro, mutilação e tentativa de homicídio. O júri levou pouco tempo para deliberar. O Lawrence foi considerado culpado em todas as acusações.
A sentença foi de 14 anos e 4 meses de prisão. Era o máximo que a lei permitia sob as leis da Califórnia em 1978. O juiz que presidiu o caso disse publicamente durante a sentença. Se eu tivesse o poder, eu o enviaria para a prisão pelo resto da sua vida natural. Mas ele não tinha. A sentença máxima possível nesse caso era de 14 anos.
É muito doido pensar que um homem que tinha sequestrado uma adolescente de 15 anos, a violentado várias vezes, cortado seus dois braços com um machado e jogado ela em um barranco para morrer, pegaria a pena máxima possível no estado da Califórnia em 1978, que era de 14 anos.
A reação pública foi imediata, visceral e furiosa. Jornais de todo o país publicaram o caso. Organizações de defesa das vítimas de crimes violentos exigiram reformas urgentes no sistema de justiça. O caso da Mary se tornou um dos mais notórios da década. Dentro do tribunal, momentos antes de ser levado, Lauren se aproximou da Mary enquanto passava por ela.
e sussurrou algo que ela nunca esqueceria. Ele disse que a perdoava. A declaração foi amplamente noticiada e recebida com repulsa absoluta. Um homem que não assumia qualquer responsabilidade pelo que havia feito e que alegava não se lembrar de nada, que havia acabado de ser condenado por tentativa de homicídio, dizia que perdoava a vítima por tê-lo acusado. Mas não foi só isso que o Lawrence disse a Mary naquele dia. Testemunhas que estavam próximas relataram que, além de dizer que a perdoava, ele também sussurrou uma ameaça. Ele disse...
Se for a última coisa que eu fizer, eu vou terminar o trabalho. A Mary processou o Lawrence civilmente e ganhou um julgamento de mais de 2 milhões de dólares. Mas o Lawrence declarou estar desempregado em péssima saúde e ter apenas 200 dólares em economias. Então a Mary nunca recebeu um centavo. O Lawrence foi enviado para a California Men's Colony, também conhecida como Prisão Estadual de Falson, uma penitenciária perto de San Luis Obispo.
Imediatamente, ele começou a trabalhar para reduzir a sua pena da única forma possível dentro do sistema, que era com um comportamento exemplar. Ele trabalhou como assistente de ensino em sala de aula dentro da prisão. Acumulou créditos por bom comportamento. Fez exatamente o que o sistema de justiça criminal da Califórnia foi projetado para recompensar. Ele se mostrou um prisioneiro modelo. Durante todo o tempo em que estava preso, ele manteve a mesma narrativa que havia apresentado desde o início.
que a Mary era, na verdade, uma prostituta que o havia sequestrado, tentado matá-lo e que ele havia agido em legítima defesa. O seu oficial da condicional, chamado Douglas Philangrey, testemunharia anos mais tarde que Lawrence frequentemente tentava discutir como Mary havia lhe oferecido sexo por dinheiro e como a sua condenação era injusta. Até que no dia 25 de abril de 1987, após cumprir oito anos e quatro meses da sua pena, o Lawrence foi colocado em liberdade condicional. Ele tinha 60 anos e a Mary tinha 24.
O que aconteceu depois foi um episódio sem precedentes na história da Califórnia. Nenhuma cidade do estado quis recebê-lo. As autoridades correcionais tentaram primeiro instalá-lo em Antioh, no condado de Contra Costa, mas os moradores foram às ruas protestar. Depois eles tentaram Concord, e cerca de 400 pessoas cercaram o prédio onde planejavam alojá-lo, gritando e recusando-se a permitir que ele ficasse. Depois tentaram Richmond e tiveram novos protestos e confrontos.
Já em Rodeo, cerca de 500 residentes locais forçaram a polícia a retirar o Lawrence de um quarto de hotel sob escolta armada. A delegação californiana dos Guardian Angels, uma organização de vigilantes civis, se juntou aos protestos. A revista Time cobriu a situação em tempo real, descrevendo como as autoridades tentaram estabelecê-lo em uma cidade da Bahia de São Francisco após a outra.
enquanto multidões furiosas gritavam e, eventualmente, prevaleciam. O governador George Deok Medina resolveu o impasse da única forma que restava. Ele ordenou que o Lawrence cumprisse o restante da sua liberdade condicional dentro de um trailer instalado nos terrenos do presídio de San Quentin. Então, ele estava tecnicamente solto, mas confinado à sombra literal da própria prisão de onde ele tinha saído. O Lawrence viveu naquele trailer, ali nos terrenos da prisão, por um ano até que a sua liberdade condicional terminasse.
o escândalo da soltura dele gerou consequências legislativas imediatas. Então, no mesmo ano que ele foi libertado, em 1987, o estado da Califórnia aprovou um projeto que ficou conhecido como Projeto de Lei Singleton. Uma legislação que estabelecia uma pena mínima obrigatória de 25 anos.
A prisão perpétua para condenados por crimes que envolvessem tortura ou mutilação grave. A Mary apoiou publicamente essa mudança. Era uma vitória pequena, perto de tudo que ela passou, mas era alguma coisa. Agora, a lei garantia que nenhuma pessoa que cometesse um crime grave desses ficasse só oito anos preso, como foi o caso do Lawrence. Enquanto tudo isso acontecia, Mary vivia com aquele peso do que o Lawrence tinha falado pra ela no tribunal, né? Então...
ele disse que ele queria terminar o que ele tinha começado, basicamente. Por anos, ela dormiu com um amigo, que servia como um guarda-costas informal ali pra ela. E por anos, ela reorganizou a vida dela sempre com esse medo. Quando a liberdade condicional do Lawrence terminou em 1988, como eu falei pra vocês, ele não conseguiu morar em nenhum lugar ali da Califórnia. Então, ele decidiu ir pra Flórida e ele não comunicou imediatamente pras autoridades da Califórnia o seu endereço.
Então, a Mary sabia que ele tava solto. E não havia garantia nenhuma que ele não fosse atrás dela em algum momento, né? Então, durante os anos que ele ficou preso, né? Que foram oito anos. Muitas coisas aconteceram na vida da Mary. Ela foi mãe, ela teve dois filhos, os quais ela ama muito. E aí, ela casou três vezes.
E esses relacionamentos refletiam as diferentes versões que ela tava construindo de si mesma, né? Depois de todo o trauma. Ela fez terapia por anos, lutou contra o estresse pós-traumático. Que se manifestava pra ela em forma de pesadelos crônicos. Insônia severa, hipervigilância constante. E uma dificuldade profunda em confiar em desconhecidos. Principalmente em homens mais velhos.
Além de tudo isso, ela também foi artista. Então, logo depois do caso acontecer e ela sair do hospital, um dia ela estava em casa, né? Tendo mais um episódio de insônia. Os pensamentos não paravam e ela se olhou diante do espelho. Ela pegou um lápis que ela segurava com as pinças.
metálica de uma das próteses, e ela começou a desenhar meio que livre, assim, sem perceber direito o que ela tava fazendo. E o resultado a surpreendeu completamente, porque ela desenhou um rosto perfeito, e era o rosto dela, então depois disso ela não parou mais de desenhar. E antes do ataque ela não desenhava. Ela disse que antes ela não conseguia desenhar nem uma linha reta usando régua, então era realmente uma coisa surpreendente pra ela, que agora ela conseguisse. Mas alguma coisa tinha mudado ali nela, e ela percebeu que ela tinha talento, e que ela gostava muito de desenhar.
Com o tempo, que começou com o acidente, acabou virando uma vocação séria mesmo. Então, ela criou um próprio estilo de desenho com pastéis de giz. Adaptando cada movimento possível com as próteses. Inclusive, por conta disso, ela conseguia fazer traços muito suaves, né? Porque com as próteses havia ausência de tremor. Dessa forma, os traços saíam perfeitos, precisos.
E ela descrevia isso como uma das vantagens dela usar as próteses. E é muito legal ver a forma como ela encarou isso desde o início, né? Ao longo das décadas seguintes, ela pintou cerca de 4 mil obras. Muitas dessas obras foram vendidas, outras doadas. Pra instituições de caridade, organizações que cuidam de vítimas que sofreram por crimes violentos.
Algumas das suas obras foram avaliadas em 2 mil dólares e às vezes até mais. O tema favorito da Mary pra pintar era a mulher. Figuras femininas fortes, resilientes, poderosas. Ela chamava essas mulheres de suas super-heroínas. E que o Nonon era uma forma de autorretrato também. Não do rosto dela em si, mas da sua essência. A Mary também se tornou, primeiro por necessidade e depois por paixão, uma engenheira informal das suas próprias próteses. Os modelos mais sofisticados e funcionais do mercado custavam dezenas de milhares de dólares.
Dinheiro que ela não tinha. Então ela começou a desmontar coisas. Sistemas de som antigos que encontrava em brechós, geladeiras velhas deixadas na rua, eletrônicos quebrados. E com as peças que ela encontrava, motores pequenos, engrenagens, circuitos, ela foi modificando e adaptando seus braços mecânicos até que fizessem praticamente tudo que ela precisava. Fabricantes especializados de próteses chegaram a manifestar interesse em replicar algumas das suas modificações.
O trabalho da Mary era genuinamente inovador. Quando jovem, ela tinha sonhado em ser dançarina profissional. Esse sonho morreu naquele dia em Del Puerto Canyon, em setembro de 1978. A dança estava definitivamente fora de questão, mas a arte permaneceu. No dia 19 de fevereiro de 1997, um pintor chamado Paul Hidstone...
Havia sido contratado para trabalhar na casa de um homem em Soprub Springs, um bairro no leste de Tampa, na Flórida. Mas esse homem era o Lawrence Singleton. Ele tinha 69 anos e vivia sozinho em uma casa que seu irmão havia comprado para ele. Era basicamente um antigo barracão militar abandonado que o Lawrence tinha transformado em uma residência. Tudo estava no lugar, o jardim era perfeitamente cuidado. E naquela manhã de 19 de fevereiro, o Lawrence havia instalado uma nova tubulação de drenagem ao lado da casa.
Parecia um dia comum. Até que o pintor, o Paul, bateu na porta e ninguém respondeu. Ele chamou o nome do Lawrence e não ouviu nada. A porta estava destrancada, então ele abriu. Ele ouviu alguns sons vindo de dentro da casa. Gemidos, abafados, pedidos de socorro. Sons de algo molhado sendo atingido várias vezes.
O Paul seguiu os sons até a sala de estar. Quando ele chegou lá, ele viu o Lawrence nu, coberto de sangue da cabeça aos pés, curvado sobre o corpo de uma mulher no sofá. Ele segurava uma faca e continuava esfaqueando, mesmo que a mulher claramente já não estivesse mais viva. O Paul recuou imediatamente, sem que Lawrence percebesse a sua presença, ele correu para o telefone mais próximo e ligou para a polícia. Pelo telefone, ele disse ao atendente que conseguiu ouvir através da janela o som de ossos sendo esmagados a cada golpe da faca.
Quando os policiais chegaram, eles encontraram o Lawrence ainda no local completamente embriagado, murmurando coisas incompreensíveis pra si mesmo. A mulher era Roxane Hayes. Ela tinha 31 anos, mãe de três filhos, e trabalhava como prostituta pra sustentar a família. Ela havia sido esfaqueada sete vezes. A ferida que a matou penetrou o ventrículo direito do coração, fazendo com que ela sangrasse até morrer.
Os médicos legistas calcularam que Roxane teria permanecido inconsciente por 4 a 5 minutos depois do golpe fatal. Tempo suficiente para sentir tudo, para saber que estava morrendo e para tentar pedir socorro. As mãos dela apresentavam cortes profundos e defensivos, característicos de quem tenta desesperadamente se defender de uma lâmina. Um dos cortes quase amputou completamente os dedos indicador e médio da mão esquerda. E aí o Lawrence deu sua versão dos fatos. Ele disse que tinha conhecido a Roxane meses antes em um restaurante. Eles haviam estabelecido um arranjo pelo qual ele pagava 20 dólares.
No dia do crime, segundo o Lawrence, eles tinham tido relações, jantado, e então brigaram quando ela tentou roubar mais dinheiro da sua carteira além dos 20 dólares combinados. O Lawrence disse que havia tentado tirar a faca dela e que os ferimentos ocorreram durante a luta. A versão do Lawrence era impossível de sustentar. O Paul, a testemunha ocular, tinha visto o Lawrence de pé sobre a Roxane esfaqueando ela repetidamente. E ela já estava inconsciente.
Uma vítima inconsciente não luta, então o Lawrence foi preso na cena do crime. Dias antes do assassinato da Roxane, o Lawrence tinha tentado tirar a própria vida. No dia 1º de fevereiro de 1997, ele conectou uma mangueira de secadora ao cano de escape da sua van e tentou se matar por asfixia. Um casal jovem do bairro encontrou ele a tempo e salvou sua vida.
Ele foi brevemente internado no St. Joseph's Psychiatric Care Center. Sua família esperava que os médicos o tivessem involuntariamente internado sob o Baker Act da Flórida, que é uma lei que permite internação psiquiátrica involuntária de pessoas que representam risco real e presente de dano substancial a si mesmas ou a outros.
Uma petição de internação foi elaborada. Dois psiquiatras dos St. Josephs assinaram uma declaração juramentada afirmando que o Lawrence representava uma ameaça real e presente de dano substancial ao seu bem-estar. Então, uma audiência foi marcada para o dia 13 de fevereiro. Mas no dia 10 de fevereiro, o Lawrence assinou sua própria alta.
Legalmente, o St. Joseph não podia segurá-lo sem uma ordem judicial. Por alguma razão, a audiência foi cancelada, não se sabe o porquê. E aí, nove dias depois, ele assassinou Roxanne. Quando a notícia dessa sua segunda prisão chegou à Califórnia, né? Que é um estado que conhece muito o caso. Todo mundo ouviu falar no caso, ninguém queria ele morando em nenhum lugar da Califórnia. Todo mundo ficou devastado em saber que ele conseguiu tirar uma vida.
O Donald Stiles, que é o promotor do condado de Stanislaw, inclusive foi ele que foi o promotor do caso do Lawrence em 78, o promotor tinha dito, na época da soltura do Lawrence, que ele nunca tinha assumido responsabilidade pelos seus atos, ele não via problema nenhum no que ele tinha feito, ele vivia uma fantasia bizarra que os seus atos não mereciam punição. Ele disse que, inclusive, ele estava saindo pior da prisão do que quando ele tinha entrado. O Donald falou isso quando ele foi solto, então antes dele assassinar a Roxane, obviamente, ele estava certo.
Quando a Mary soube da prisão do Lawrence, ela decidiu que ela iria da Califórnia até a Flórida pra testemunhar no julgamento dele pela morte da Roxanne. Pra vocês entenderem, essa não era uma obrigação legal, ela não precisava fazer isso, então faziam quase 20 anos do caso dela pro caso da Roxanne, mas ela decidiu ir mesmo assim. O julgamento do Lawrence por assassinato em primeiro grau começou em fevereiro de 1998.
Em três dias, o júri o considerou culpado. E aí, veio a fase da penalidade, onde o júri precisava decidir se ele pegaria pena de morte ou prisão perpétua. E foi nessa fase da penalidade que a Mary decidiu testemunhar. A defesa do Lawrence fez o mesmo pedido que tinha sido feito lá em 78.
que era pra que o júri todo saísse da sala no momento em que a Mary fosse dar o testemunho dela porque eles não queriam que eles vissem as próteses. E mais uma vez, o juiz negou. Eles argumentavam que essa exposição seria prejudicial pro caso, né? Prejudicial pro Lawrence, mas...
As pessoas têm que ver o que ele fez, né? Na manhã do dia 24 de fevereiro, a Mary entra no tribunal pra falar. Ela tinha 34 anos. O estado da Flórida tinha pagado a passagem dela de Seattle até a Tempa pra que ela pudesse testemunhar. E ela prestou um depoimento que levou cerca de 10 minutos e nele ela contou tudo o que ela tinha passado naquele dia durante o ataque e o impacto que o ataque teve em sua vida. Quando o juiz perguntou se ela conseguia ver o seu agressor ali no tribunal, ela apontou pro Lawrence.
Só quando a Mary terminou o depoimento, ela já tava pra sair, que alguém percebeu que ela não tinha sido juramentada, talvez por conta, na pressa ou intensidade do momento, eles acabaram esquecendo, e aí o juiz pediu pra que ela levantasse a mão direita, pra que ela pudesse fazer o juramento. Como ela usava próteses, ela precisou usar a mão esquerda pra segurar a direita pra cima. E aí ela afirmou sobre o juramento, que tudo que ela tinha dito era verdade, e depois que ela saiu, tinham vários jornalistas, repórteres, e ela conversou com eles.
Ela disse que teve que olhar nos olhos do Lawrence pra poder dizer que era ele mesmo que tinha atacado ela. Durante todo esse tempo, o Lawrence só ficava sentado, assim, meio alheio a tudo que tava acontecendo. Ele simplesmente olhava pra frente como se a Mary não existisse, mesmo que ela estivesse ali dando depoimento a poucos metros dele. E aí, no dia 14 de abril de 1998, o juiz sentenciou o Lawrence à pena de morte. Essa decisão foi recebida pela Mary com uma calma.
muito grande. Então, as pessoas esperavam que ela ficasse feliz, que ela comemorasse. Mas pra ela, não era triunfo e nem vingança, finalmente. Ele recebeu uma pena dessas. Ela disse que era simplesmente o fato de que aquele caso poderia se encerrar. Porque ela sentia que ele tinha ficado em aberto por mais de 20 anos. Ela disse que agora ela tinha certeza que ele tinha recebido a pena que ele merecia lá em 1979, no primeiro julgamento.
Ela deu uma entrevista depois disso pra Times, dizendo que na maior parte do tempo ela só tenta viver a sua vida como uma pessoa normal, fazendo coisas do dia a dia, criando os filhos. Após essa entrevista, né, e após ela falar sobre o caso dela, depois de tantos anos, ela acabou recebendo muitos cheques de pessoas. Não eram cheques de quantias altas, era tipo 20 dólares, 30 dólares, mas eram pessoas que tinham lido a sua história.
E queriam ajudar de alguma forma. Então, somando tudo, era um bom dinheiro. Então, ela ficou muito feliz. Ela agradeceu muito. E aí, o Lawrence passou os anos seguintes da sua vida no corredor da morte, né? Que é uma coisa que acontece. Então, a vida de morte não é rápido, né? Tem vários recursos que podem acontecer. Então, é por isso que eles ficam vários anos até que chegue o dia da execução. Mas esse dia não chegou pro Lawrence. Ele morreu antes, no dia 28 de dezembro de 2001.
de câncer. Ele tinha 74 anos e morreu na prisão. Pra muitos, não foi um desfecho satisfatório. As pessoas queriam que ele fosse morto através da pena, né? E não por uma doença. Mas pra Mary, foi simplesmente um ponto final que ela já gostaria que tivesse acontecido há muito tempo, né? Agora significava que ele não estava mais no mundo. Hoje a Mary Vincent, que agora é Mary McGriff, o sobrenome do seu terceiro marido, onde ela finalmente encontrou...
um companheiro e um amor pra seguir a vida. Eles vivem no estado de Washington, em uma pequena cidade chamada Vaughn. Ela se aposentou da arte, não porque ela perdeu a vontade de pintar, ou porque ela perdeu o seu talento, mas simplesmente porque ela acha que a arte cumpriu o papel que tinha na sua vida, né? Uma forma de terapia.
Havia sido sustento por muitos anos. E uma forma dela provar que ela conseguia ainda fazer coisas bonitas na sua vida. Em uma entrevista recente que ela deu, ela disse que ela tá feliz com a vida dela hoje. E que há muita coisa lá fora e que a felicidade não se busca com esforço. Você simplesmente aceita quando ela chega.
A Mary continua sendo uma defensora incansável dos direitos das vítimas de crimes violentos. Ela aparece em eventos, da palestra e sobre sobrevivência, sobre sistemas de justiça, sobre o que significa reconstruir uma vida inteira depois que alguém tenta destruí-la. As suas próteses customizadas, montadas ao longo dos anos com peças de aparelhos de som velhos, geladeiras abandonadas e outros eletrônicos, continuam sendo objeto de admiração técnica e interesse de fabricantes especializados que querem estudar as suas modificações.
A Mary geralmente evita os holofotes. Ela não quer ser definida pelo que aconteceu em setembro de 78. Como ela mesma coloca entre aspas. A maioria das pessoas me conhece por quem eu sou. Não apenas pelo que aconteceu comigo. Elas simplesmente assumem que eu nasci assim. E é isso que a Mary quer. Ela quer ser vista como ela. Como artista, mãe e defensora.
não como a garota que teve os braços cortados, e não como uma vítima do Lawrence. O caso da Mary deixou marcas profundas e permanentes que vão muito além da sua própria vida. A legislação aprovada na Califórnia em 1987, conhecida formalmente como Projeto de Lei Singleton, que estabeleceu penas mínimas obrigatórias de 25 anos à prisão perpétua para crimes que envolvam tortura ou mutilação grave, a lei tornou impossível que um caso como o da Mary resultasse novamente em apenas 8 anos de prisão efetiva.
Foi uma mudança que a Mary apoiou publicamente, testemunhando perante legisladores, dando entrevistas, usando a sua história e a sua voz para garantir que a lei fosse aprovada. Em 1999, a Mary viajou para Washington, D.C., junto com outras vítimas de violência e suas famílias, para uma conferência de imprensa marcando o 10 de setembro como o dia da resolução para parar a violência.
Ela continua esse trabalho até hoje, não por obrigação e nem por necessidade financeira, mas porque acredita genuinamente que o seu testemunho pode fazer a diferença, que sua sobrevivência tem propósito, que outras pessoas precisam ouvir que é possível continuar depois do impensável. Há uma cena que a Mary descreveu em diversas entrevistas ao longo dos anos e que ficou gravada na memória de quem a ouviu. No Corredor da Morte, antes de Lawrence morrer em 2001, a Mary havia chegado a um ponto em sua vida em que podia existir sem que o medo dele ocupasse o centro de tudo. Ela disse que não pensava nele todos os dias.
Não verificava compulsivamente se as portas estavam trancadas, imaginando que ele pudesse aparecer. Não acordava de pesadelos vendo o rosto dele. Não era perdão, e a Mary foi extremamente cuidadosa em todas as entrevistas que deu, em distinguir o que sentia do conceito de perdão que a cultura às vezes exige de sobreviventes, como condição para que se considere que eles superaram o trauma. Ela nunca perdoou o Lawrence e nunca perdoaria. E ela estava em paz com isso.
Era algo diferente, era a constatação simples e poderosa de que a vida que ela havia construído era inteiramente sua. Que o Lawrence não tinha conseguido o que ele queria. Ele havia tirado os braços dela, havia tirado anos de paz, havia tirado a sensação de segurança que a maioria das pessoas tem simplesmente ao andar na rua. Mas ele não tinha conseguido apagar nada do que realmente importava. Ele não tinha conseguido apagar a Mary. Ela sobreviveu. Esse caso me lembra muito um outro caso que eu já contei no canal que eu vou deixar aqui em cima pra vocês se lembrarem, que é o caso Alisson Botta.
que ela também sobreviveu a um ataque terrível. Então, é muito doido, né? Imaginar a situação que essas mulheres foram colocadas e como elas foram fortes pra conseguir sobreviver e seguir com suas vidas. E fazer esse trabalho que é super importante, né? Como a Mary faz e continua falando e ajudando pessoas e vítimas que passaram por coisas parecidas. Então, é um caso que tem um final feliz e eu quero muito saber o que vocês acharam. Então, me conta aqui nos comentários. Não esquece do like, que me ajuda muito na divulgação do vídeo.
E é isso, pra mais casos, siga o podcast Quinta Misteriosa e aproveita pra avaliar em 5 estrelas se você gostou. Obrigada por ouvir e até o próximo caso.