Episódios de Quinta Misteriosa

O COZINHEIRO ASSASSINO | Caso Heidi Bulnes e Cesar Roman #584

23 de abril de 202634min
0:00 / 34:53

Em abril de 2018, Heydi Paz Bulnes, hondurenha de 25 anos que havia lutado por anos para construir uma vida em Madri, começa a trabalhar num restaurante de César Román Viruete — homem de mil identidades, nenhuma verdadeira. O relacionamento dura poucos meses. Ela desaparece em julho. O que a polícia encontra em agosto muda tudo. #584

Assuntos5
  • Desaparecimento de Heidi BulnesCésar Román Viruete · Violência de gênero · Investigações Policiais
  • Consequências do CrimeDesmembramento do corpo · Julgamento de César · Sentença e apelações
  • César Román e seu passadoTrajetória política de César · Manipulação e controle · Histórico de violência
  • História de vida de HeidiMigração de Honduras para Espanha · Relação com a família · Trabalho como garçonete
  • Influência Familiar e SocialReação da família de Heidi · Iniciativas contra violência de gênero
Transcrição94 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Heidi Paz Bones nasceu em São Pedro Sula, em Honduras, numa época em que a cidade vivia sob o peso de uma reputação que ninguém escolheu carregar. Entre 2011 e 2014, São Pedro Sula foi classificada pelos Índices Internacionais de Violência como a cidade mais perigosa do mundo fora de zonas de guerra, chegando a registrar quase 170 homicídios por cada 100 mil habitantes no pico da crise.

Para ter uma ideia do que isso significa, Alagoas, o estado brasileiro mais violento naquele ano, segundo o Atlas da Violência, registrava cerca de 66 homicídios por 100 mil. E São Pedro Sula era mais de duas vezes mais letal do que isso. A cidade fica no norte de Honduras, no Vale de Sula, cercada de plantações de banana e palmeira. É o principal polo industrial do país, atravessada por uma linha de trem desativada que divide fisicamente a cidade em dois mundos.

Acima da linha, os bairros com mais infraestrutura e comércio. E abaixo da linha, os bairros populares, marcados pela presença constante das maras. As gangues que disputavam o controle do território, rua por rua, quadra por quadra. Era ali que ficava o setor satélite. E foi lá que a Raide cresceu. Ela morava com o pai e sete irmãos. Ela era parte de uma família numerosa, em um bairro onde a vida se construía nos espaços entre os riscos. Não se sabe muito sobre os primeiros anos da vida dela.

O que os familiares e amigos contaram à imprensa hondurenha forma um retrato coerente. Uma menina alegre, a quem chamavam de La Flaca pelo jeito miúdo que tinha. A mãe da Raide, Gloria Frances Bunes, e o pai viviam separados. A Gloria partiu para a Espanha quando a Raide ainda era jovem em busca de condições melhores. Algo que milhares de hondurenhas fazem todo ano, deixando filhos e famílias para trás com a promessa de mandar dinheiro e voltar logo. Aos 16 anos, a Raide teve seu primeiro filho.

Ser mãe adolescente em São Pedro Sula não era incomum. Era, muitas vezes, a trajetória natural para as jovens que cresciam naqueles bairros, onde o horizonte de opções era estreito e onde a maternidade precoce convivia com a violência cotidiana como parte do mesmo tecido de vida. Mas a Raide não deixou de lutar. Ela trabalhou em lojas no comércio de São Pedro Sula como impulsadora, uma função que exige presença, comunicação, convencer clientes a experimentar produtos. Mais tarde, ela teve seu segundo filho. A relação da Raide com o pai dos filhos chegou ao fim antes dela deixar Honduras.

A Olga Paz, irmã da Raid, contaria mais tarde à imprensa que a família nem sabia que ela havia se separado de vez. As coisas iam acontecendo silenciosamente, como costumam acontecer quando a vida não dá muito espaço para anúncios formais. Em 2013, quando a Raid completou 20 anos, a Glória conseguiu trazê-la para a Espanha. A mãe já havia se estabelecido em Madrid, e a ideia era que Raid fosse morar com ela e começasse uma vida nova.

São Pedro Sula estava naquele ano, no topo do ranking de violência mundial. A decisão de sair não precisava de muita justificativa. A Raide partiu deixando os dois filhos em Honduras, sob os cuidados dos avós paternos. A filha tinha quatro anos e o filho, o mais novo, ainda era um bebê. Ela partia levando consigo a promessa de que seria temporário, que juntaria dinheiro, regularizaria os documentos e voltaria para buscá-los.

Não era um plano incomum entre as mães migrantes. Era, na maioria das vezes, o único plano possível. Já Madri, em 2013, era uma cidade ainda sacudida pela crise econômica que tinha começado em 2008. O desemprego na Espanha batia em 26%. Para os migrantes latino-americanos, a vida era ainda mais precária. Eles dependiam de redes de compatriotas, de empregos informais, de esperar na fila dos consulados, de juntar papéis e mais papéis para conseguir um dia ser reconhecidos legalmente no país onde estavam.

Então foram cinco anos assim, tendo vários trabalhos, enviando dinheiro pra Honduras, fazendo várias ligações com os filhos que cresciam sem ela por perto. A rádio era descrita por quem a conhecia como uma mulher extremamente determinada, alegre, tranquila, ela não falava muito sobre a sua vida amorosa.

Nas redes sociais, as fotos que ela postava eram com amigas, com família, sozinha. Até que em 2018, ela finalmente ia conseguir terminar sua regularização no país, na Espanha. Então, os documentos estavam finalizando. Esse era um passo enorme na vida dela, porque aquilo significava poder conseguir trabalhos muito melhores, regularizados. Poder trazer os filhos para a Espanha.

E aí, finalmente, conseguir reconstruir sua vida do zero, né? No país que ela tinha escolhido e com os filhos junto. Então, ela tinha planejado visitar os filhos pra vê-los em novembro. Depois disso, o plano era conseguir trazê-los pra Madrid. Naquele começo de 2018, ela consegue um trabalho como garçonete em uma casa de sidra recém-inaugurada no bairro Embarradores.

O dono do local se chamava César Juan Vioretti, e aí, pouco tempo depois que ela começou a trabalhar lá, os dois começaram o relacionamento. Mas, afinal, quem era o César? César nasceu em 25 de novembro de 1973, em Madrid, na Espanha. Ao longo de toda a sua vida, ele construiu versões diferentes de si mesmo, dependendo de quem estava ali na sua frente. Para os amigos, ele dizia que os pais haviam morrido. Para a dona de um restaurante em Zaragoza, ele dizia ser venezuelano, filho de donos de uma taberna em Macaraibo, que havia fechado quando os pais faleceram.

Já pra outros, ele tinha versões diferentes. A verdade é que os pais abandonaram ele e seus irmãos, e quem os criou foi a avó. Gemma, sua irmã mais nova, contou que o César sempre foi muito protetor com ela, com a mãe e com a avó. O que se sabe sobre a infância dele é pouca coisa. Fisicamente, o César sempre chamou atenção por uma razão inusitada. Ele media 1,52m.

Ele era baixo, mas sempre impecavelmente vestido, pelo menos na fase adulta. Quem o conheceu nos anos 90 conta que quando ele entrou para a política, ele parecia um indigente. A transformação da aparência fazia parte do personagem que ele construía conforme a situação exigia. Sua trajetória escolar foi um fracasso. Aos 22 anos, ele ainda cursava o primeiro ano do ensino médio no Instituto Cervantes, em Madrid, dividindo sala com um adolescente de 14 anos. Ele foi expulso por excesso de faltas e nunca teve o seu diploma. Ele nunca tirou a carteira de motorista. Essas lacunas, aparentemente simples, teriam consequências práticas anos mais tarde.

Sem escola e sem formação, ele encontrou na política extremista um primeiro palco. Na adolescência, afiliou-se à Falange Espanhola de Las Jones, partido de orientação neofascista que reivindicava a herança ideológica do franquismo. Dentro da Falange, ele foi recrutado para uma missão específica, se infiltrar em sindicatos e movimentos estudantis para desestabilizá-los por dentro.

Então, aos 18 anos, ele frequentava manifestações convocadas pela Central Sindical Comissiones Obreiras como agente encoberto. Aos 20, circulava por institutos de ensino médio sem que ninguém desconfiasse. Sua baixa estatura ajudava a passar entre adolescentes mais novos. A infiltração durou mais de dois anos.

Em 1995, ele chegou a participar das negociações das greves contra a política educacional do governo Felipe Gonzalez, sentado à mesa com representantes de pais, professores e alunos. Foi o sindicato de estudantes que percebeu a presença falangista e deu o alarme. A cobertura foi exposta pela revista Interview.

um colega da época de Falange declarou que o César não admitia que ninguém discordasse dele. O fim dentro do partido não veio pela exposição pública, veio por acusação de roubo. As juventudes da Falange acusaram o César de desviar dinheiro da caixinha usada nos eventos do partido. A resposta foi somária. Ele levou tapas da cúpula madrilenha e foi expulso. Depois da Falange, ele tentou outros partidos, passou por quatro organizações políticas distintas e foi expulso de todas.

Num deles, o PXC, partido de extrema-direita da Catalunha, ligado a Josef Anglada, deixou uma dívida de 90 mil euros. Ele tentou trazer o projeto para Madrid e não pagou ninguém. Em algum momento, ele chegou a fundar um partido próprio. Também criou um meio de comunicação chamado El Aguijón, onde atraiu estudantes de jornalismo com promessas de um mestrado profissional.

Mas o que os estudantes encontraram foi um trabalho de copiar notícias de outros veículos sem remuneração. Alguns deles até chegaram a receber cheques sem fundo. Em Málaga, abriu uma associação de comerciantes, fechou sem explicação e deixou dívidas. Ele se apresentava como ex-guarda civil, como infiltrado no entorno de grupos ligados à ETA, como militar veterano da Bósnia, como amigo íntimo de políticos e celebridades.

Só que nenhuma dessas histórias tinha respaldo real. Uma psicóloga forense que o avaliou posteriormente concluiu que o César tem traços de psicopatia e sadismo, basicamente um mentiroso compulsivo. Uma perícia psicológica encomendada durante um processo judicial anterior já tinha descrito o César como portador de traços narcisistas e megalomaníacos evidentes.

O laudo concluía que ele não respondia com sinceridade às perguntas das profissionais e que tentava projetar uma imagem idealizada de si mesmo. Agora, falando sobre relacionamentos, ele teve relacionamentos longos durante a sua vida. Com a Natividade Rodrigues Pascoal, conhecida como Nat, ele permaneceu por 14 anos até 2016, e com ela, ele teve uma filha. O relacionamento foi marcado por episódios graves de violência. Em fevereiro de 2018, César foi condenado a nove meses de prisão por maus-tratos a Nat.

e por violar a medida cautelar de afastamento que ela tinha conseguido. Depois da Nath, veio a Sarah Lacorte Salcedo. O relacionamento começou em setembro de 2017 e terminou em maio de 2018. A Sarah trabalhava no escritório de uma das empresas do César. Em 2016, ele tinha anunciado que os dois se casariam em maio de 2018, mas isso nunca aconteceu.

Em 2016, ele abriu um restaurante em Madrid especializado na culinária das Astúrias, região norte da Espanha, e o prato que virou carro-chefe do restaurante era o cachopo. Basicamente um filé milanesa rechado com presunto serrano e queijo. Para se destacar, ele inventou um concurso. Ele criou a Academia Espanhola de Amigos del Cachopo. Ele organizou uma competição desse prato e, naturalmente, ele foi o campeão. Então, o título de rei do cachopo era dele, né? Mas ele que montou toda a competição.

Posteriormente, a revista Interview iria desmascarar todo o esquema que ele montou na premiação. Mas antes que isso acontecesse e todo mundo descobrisse a verdade, o César decidiu expandir os negócios. Ele abriu seis estabelecimentos em Madrid e ele usava esse título do rei do cachopo.

E ele transformou isso em uma franquia, que vale em torno de 150 mil euros. E ele obteve o aval do Banco Sabadell para esse projeto. Ele aparecia em programas de TV, tirava fotos com vedettes, com músicos, com pessoas do entretenimento. A estratégia de marketing que ele criou era muito simples. Só o fato dele aparecer com essas pessoas que eram celebridades, pessoas famosas, fazia com que ele parecesse ser famoso também. Então ele criava essa ilusão através dessas fotos, mas nos bastidores ele não era nada disso.

Ele basicamente não pagava os seus fornecedores, os seus funcionários, ele usava todo o dinheiro do caixa dos restaurantes para sustentar um estilo de vida que incluía cocaína, apostas e gastos sem controle. A franquia que ele criou era basicamente uma fachada que era mantida pela força da mentira.

Segundo a sua irmã, Jemma, em algum momento, César afirmou ter comprado uma casa de 2 milhões e meio em Amsterdã, mas isso nunca foi provado. Foi em 6 de abril de 2018 que ele inaugurou a sua quarta casa de cidre em Madrid, que tinha até bandas de gaita na porta, e foi nessa abertura que a Heidi começou a trabalhar como garçonete. Segundo César, a aproximação dele com a Heidi começou em um dia que um ex-namorado dela apareceu no trabalho dela, e aí eles começaram a discutir, então César...

interveio ali pra que ele fosse embora, e isso aproximou os dois. O César avançou nesse relacionamento com uma velocidade que desconcertou a família da Hyde, porque eles estavam namorando há um mês, quando ele se ajoelhou na frente dela, na frente da mãe dela, com um anel pedindo ela em casamento. A Glória, né, não conseguiu esconder a surpresa pra ela.

tava indo tudo muito rápido, era cedo demais pra fazer o pedido, parecia tudo muito precipitado, e ela falou, né, o que ela achava, e aí o César não alterou o tom de voz, mas respondeu que não era ela que tinha que responder a pergunta, era a Haidt. Agora também notou uma frequência de ligações por parte do César que ela...

Sabia que não era normal, então ele ligava muitas vezes pra raid durante o dia. Às vezes de cinco em cinco minutos. Era uma frequência muito exagerada que beirava ali o controle total da raid. Então ela tava sentada na mesa com a mãe, conversando. Mas sem desviar o olhar do celular e tentando dar atenção ali pra ele também ao mesmo tempo. Não foi só a mãe dela que percebeu que isso tava acontecendo. Vários amigos dela também perceberam que essas ligações saíam de controle, que não era normal e que a raid já não suportava mais.

Uma das irmãs da Heidi, a Karina, e amigos próximos descreveram o César como um homem extremamente possessivo e ciumento. Então, ele tratava o relacionamento dele com a Heidi como uma posse. A Gloria, a mãe da Heidi, tinha pegado o dinheiro no banco, 4 mil, pra que ela pudesse colocar silicone. E aí, a Heidi disse que depois ela pagaria a mãe dela. Mas, como eu falei pra vocês, o César não pagava os funcionários direito. Então, ela, mesmo trabalhando, não sabia como que ela ia conseguir pagar o que ela devia pra mãe dela.

Fora que o César também manipulava muito a Hyde, então ele dizia que os dois só tinham paz quando estavam sozinhos. E ele prometia um mundo de coisas pra ela, o que deixou ela cega em relação a ele. Foi nesse momento que ela decidiu sair da casa da mãe, com a desculpa que a Glória não gostava do César.

Nos meses seguintes, a Raide e o César terminaram e voltaram várias vezes e ela sabia que ele era manipulador. Ela chegou a confessar pras amigas que não queria mais estar com ele por conta dos ciúmes e do controle. Ela disse que pra terminar isso levaria um tempo, porque o César não queria que o relacionamento chegasse ao fim. Ele simplesmente não aceitava que isso acontecesse. E aí, em algum momento, a Raide conta pra mãe que ela tinha engravidado, mas perdido o bebê numa queda.

Mas a Glória não acreditou. A Glória disse que perguntou várias vezes pra Hyde o que realmente tava acontecendo, mas ela dizia que não era nada, que tava tudo bem. A Hyde fazia isso porque ela não queria preocupar a mãe dela, mas pessoas que trabalhavam com ela chegaram a falar pra Glória que a Hyde não tava bem. A Hyde continuava negando pra mãe, e aí, mais tarde, o César afirmou que ela havia feito um aborto. Um dia, a Glória tava em um bar com a filha, então ela e a Hyde estavam juntas nesse bar, e de repente o César chega.

totalmente descontrolado, com o queixo tremendo. E aí a Hyde conta pra mãe, baixinho assim, pra ninguém perceber, que ele usava drogas. A polícia confirmaria mais tarde, através de depoimentos de ex-namoradas do César, que ele usava cocaína regularmente. As dívidas crescentes dos restaurantes tinham, em parte, esse vício como origem.

A Hyde estava trabalhando agora em outro local, em um bar chamado Bacanal, cujos donos eram Gustavo Câmara e a sua esposa. Ela tinha conseguido esse emprego porque ela tinha visto um anúncio no jornal e aí ela começou a trabalhar lá, só que o Gustavo também não estava pagando o seu salário. Foi aí que aconteceu um episódio que revelaria o nível de controle extremo que o César tinha sobre a Hyde. Em junho, os dois foram juntos ao bar Bacanal para cobrar o pagamento dela.

A situação acabou escalando para uma briga que resultou em 30 mil euros em destruição do estabelecimento. O César foi detido, mas antes que a polícia chegasse, ele mandou a Raide fugir, porque ela estava ali ainda lidando com a documentação para ela poder ficar no país de vez, né? Então, não estava tudo finalizado ainda e ela não podia ser presa de jeito nenhum. Qualquer registro policial podia comprometer totalmente a situação que ela se encontrava ali no país, que não estava totalmente regularizada.

Então, ela foi embora e ele ficou. A polícia chegou e ele foi preso, ficou detido por dois dias. Foi nesse período que a situação da Hyde se torna mais grave. Então, ela escreve uma carta pro César, dizendo que ela precisava de um tempo pra pensar na relação deles. Ela decidiu passar uns dias com um amigo chamado Alejo. E segundo o César, foi no apartamento do Alejo que a Hyde teria mandado pra ele fotos segurando uma arma.

Então a Gloria, a mãe dela, viu essas fotos e ficou completamente chocada. Ela disse que não conseguia reconhecer a pessoa das fotos, que aquela não era a sua filha, não era a Heidi que ela conhecia. A Heidi decidiu voltar pro César e o ciclo de violência e manipulação continuava. Ela tinha sido contratada como garçonete em um restaurante chamado Perales del Rio, em Madrid, onde ela passou a trabalhar pra conseguir se sustentar. No dia 2 de agosto, ela recebeu muitas mensagens do César pelo WhatsApp e eram mensagens ameaçadoras.

Ele tava furioso porque ele tava sem a chave do apartamento e a Heidi simplesmente não respondeu nenhuma das mensagens, ela não atendia. E isso deixava ele cada vez mais furioso. Ele tava esperando ela em um bar, então ele ficava mandando um monte de mensagens, xingando, falando palavrão, e ela sem responder. Na madrugada do dia 3 pro dia 4 de agosto, a Heidi tava na casa do César e ela teria ligado pra um amigo, cerca de duas horas da manhã, dizendo que ela tava com medo.

E aí, na noite do dia 4 pro dia 5, ela tava trabalhando no restaurante, né? E aí, ela termina o seu turno por volta de meia-noite e 15. Ela sai do restaurante com um amigo. Eles foram pra Plaza Espanha e depois pra uma discoteca, onde ela ficou até cerca de 4 e meia da manhã. O colega acompanhou ela de táxi até certo ponto, então ela desce. E ela fala pra ele que ela vai continuar o caminho pra casa de transporte público.

Então eles se despedem, isso era por volta das 5 da manhã. E essa foi a última vez que o colega viu a Hyde. Às 5h52, ela ligou pro César. E essa foi a última ligação que ela fez e durou 27 segundos. Depois disso, a Hyde simplesmente desapareceu e uma investigação começa.

simplesmente desapareceu e três semanas se passaram em silêncio. Até que no dia 13 de agosto de 2018, bombeiros foram acionados pra um incêndio num galpão industrial na rua Sebastião Gomes, no bairro Deuzeira. Ao controlar as chamas, eles encontraram uma mala aberta embaixo de uma escada. Dentro dela, um tronco que parecia humano, sem cabeça, sem braços e sem pernas.

O corpo havia sido coberto com soda cáustica. Próximo ao tronco, numa fogueira improvisada, havia um pingente de coração e duas massas parcialmente carbonizadas, que depois foram identificadas como implantes mamários arrancados do corpo. A polícia municipal preservou a cena e chamou a Polícia Nacional. O grupo de homicídios da polícia de Madri assumiu o caso. O primeiro elemento que chamou a atenção foi o próprio Galpão. Ele estava alugado exclusivamente em nome do César Romão. Não havia nenhum outro nome em nenhum contrato. Então, no começo, haviam várias hipóteses.

O César tinha muitos credores e inimigos por conta das várias dívidas dos restaurantes. Então, eles chegaram a cogitar que ele próprio pudesse ter sido vítima de algum acerto de contas. A polícia descobriu que ele tinha uma namorada e que a mãe dela morava em Madrid. Então, eles foram até a casa da Glória, mas não revelaram que eram da divisão de homicídios. Eles perguntaram pela Heidi e a Glória disse que a filha estava com o César.

A polícia ligou para o celular da Heidi e do Cesar na frente dela e quando perceberam que ambos não atendiam ou respondiam, a polícia orientou a Gloria a fazer uma denúncia formal do desaparecimento, dizendo que isso poderia ajudar a localizar sua filha mais rápido. A Gloria estava com medo de que a polícia quisesse deportar ou prender a Heidi e recusou cooperar no início.

Mas como a Heidi não falava com ela desde o dia 23 de julho, ela não atendia o celular, não respondia as mensagens, ela começou a se preocupar. A Gloria tentou contato com o braço direito do César, um homem chamado Giovanni, que trabalhava como segurança dos restaurantes e também atuava como motorista dele. O Giovanni afirmou que tinha falado com o César pela última vez no dia 13 de agosto, quando o César pediu que ele buscasse sua filha para passar férias a partir do dia 15.

Depois disso, César sumiu e não respondia mais ligações nem mensagens. Então a Gloria ligou para um ex-namorado da Hyde com quem a Philly estava voltando a conversar porque ela estava pensando em reatar. Ele afirmou que há dias não falava com ela. A polícia passou a seguir com duas investigações separadamente. Eles buscavam informações sobre o César e suas dívidas e ao mesmo tempo considerava que o tronco encontrado poderia ser da Hyde.

Em uma das vezes que eles foram à casa da Glória, perguntaram pra ela se a Heidi tinha um colar. A Glória disse que sim, que era um pingente de coração. Isso alertou as autoridades ainda mais. Um mês depois de encontrarem a mala, a polícia conseguiu ir ao último endereço que César e Heidi tinham morado juntos e a três dos restaurantes fechados desde março. Em um deles encontraram uma faca da mesma marca e modelo da faca que eles tinham encontrado no galpão. Nela havia resquícios de pó branco.

Em novembro de 2018, quatro meses depois, o exame de DNA confirmou que o tronco encontrado no galpão era da Raide. O material genético bateu com o da mãe dela, sem margem de dúvida. É a partir desse momento que as duas investigações viram uma só. A única pista que se sustentou, segundo o chefe de homicídios, era o César. A polícia já tinha um mandado de busca e captura, mas eles não sabiam onde ele estava. O que resolveu a situação foi um programa de TV. Na manhã do dia 16 de novembro de 2018, a dona do restaurante Casa Gerardo, no bairro de Delícias, em Zaragoza, Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir Cir

assistia à TV quando reconheceu o rosto do homem que trabalhava em sua cozinha há quase três meses. Ela ligou para a polícia. Os agentes pediram que ela agisse normalmente até que eles chegassem. Um policial entrou na cozinha com a desculpa de devolver um pedido, mas não conseguiu ter certeza. Então os demais agentes entraram e pediram que o homem se identificasse.

Foi aí que o César disse com tranquilidade, eu sou o homem que vocês procuram. Depois da prisão, a investigação conseguiu reconstituir os últimos três meses de fuga. No dia 14 de agosto, que foi um dia depois das autoridades terem encontrado o tronco lá no galpão, o César tinha embarcado em um ônibus em Guadalajara com destino a Zaragoza, que fica a 300 quilômetros de Madri. Ele chega na cidade três horas e meia depois e aluga um quarto em uma pensão, usando um nome falso.

Depois, ele consegue um emprego como cozinheiro na casa Gerardo, também usando um nome falso, que era José Rafael Rujano Contreiras. Ele tinha emagrecido cerca de 10 quilos, tinha raspado o cabelo e deixado a barba crescer, né? Pra ele parecer diferente. No dia da prisão, a polícia prendeu o celular dele e lá eles encontraram várias buscas com o termo descortizado useira, que apareciam fotos do galpão onde eles encontraram o tronco.

O celular da Hyde, que tinha sido usado pela última vez no dia 5 de agosto, logo depois de fazer aquela ligação pra ele, também tava em sua posse. Mesmo depois de presa, a polícia continuou a investigação, então eles vasculharam o apartamento dele, também uma propriedade que ele tinha, que era uma casa, em Toledo. E lá eles fizeram várias escavações em busca do restante do corpo da Hyde.

Nada foi localizado, mas eles conseguiram recuperar várias mensagens e áudios que ele tinha mandado para várias mulheres, onde ele dizia que ele gostava de dominar as mulheres e que ele preferia castigar uma mulher quando ela não se comportava. O julgamento do César começou no dia 10 de maio de 2021 com um júri popular. O julgamento dele foi transmitido ao vivo, uma decisão que os próprios advogados dele questionariam mais tarde como violação dos direitos fundamentais.

A sala estava lotada e, pela TV, o país inteiro acompanhava o julgamento. Antes do julgamento sequer começar, o César já tinha trocado de advogado duas vezes. A primeira advogada saiu por motivos pessoais, enquanto o segundo advogado, que ficou lá por dois meses, e aí ele foi dispensado e o César escolheu uma advogada bem específica. A Ana Isabel Pena era penalista madrilenha.

E era conhecida por suas aparições em programas de TV. Então, foi por isso que ele escolheu ela. Ela acabou aceitando o caso, mas depois ela se arrependeu. Desde o início, o César deixou claro que ele não estava ali para se defender, e sim para se apresentar. Então, logo no início do julgamento, ele falou sem parar por quatro horas.

Isso foi logo na abertura do julgamento e ele demonstrou que ele conhecia todo o processo minuciosamente. Ele mentiu sistematicamente e às vezes em contradição direta com o que ele tinha dito antes. Às vezes sem nem que a própria advogada dele soubesse o que ele ia afirmar. A Isabel, a advogada, foi surpreendida pelas falas dele diversas vezes, então ela nunca sabia o que ele ia afirmar em seguir.

E o César tinha ela como advogada, mas ele se comportava como seu próprio advogado. Ele passava bilhetes constantes para a Isabel, ele gesticulava, ele anotava, rabiscava os papéis, interrompia. Ele até piscou para o juro em determinado momento, então a juíza precisou intervir mais de uma vez.

E ela até chegou perto de expulsá-lo da sala por conta das coisas que ele estava fazendo. Ao longo das 14 sessões, as suas versões sempre se contradiziam. Uma hora ele afirmava que a Raide estava viva em Honduras. Depois ele dizia que ela tinha sido morta por uma gangue de narcotraficantes por roubar cocaína. Depois ele enviava cartas ao juízo dizendo que traficantes eram os culpados. De repente ele dizia de novo que ela podia estar viva, mas nenhuma dessas versões que ele dava tinham provas.

Foi aí que a acusação apresentou o que eles acreditavam que tinha acontecido com a Hyde. Depois de falar com a Hyde pelo celular e ter ela em casa, em seu apartamento, o César a matou. Ele separou o tronco da cabeça e das extremidades e colocou o tronco dentro de uma bolsa. Ele colocou tudo dentro de uma mala grande e cobriu o corpo com soda cáustica. Ele também retirou os implantes mamários, com certeza, para dificultar que o corpo fosse identificado.

O César não tinha carteira de motorista, como eu disse pra vocês, então às 5 horas do dia 5 de agosto, ele liga pra uma empresa de táxi. O motorista que o atendeu relatou que ele não conseguiu erguer a mala sozinho, então ele e o César ergueram a mala juntos e colocaram dentro do porta-malas. O taxista perguntou o que tinha dentro da mala, se eram livros, porque tava muito pesado, e o César respondeu que eram coisas de mudança, porque a sua mulher tinha decidido se mudar.

O motorista de táxi estimou o peso daquela mala entre 50 a 60 quilos. Ele disse que mesmo sendo praticante de Muay Thai e fazendo musculação, sozinho ele não conseguiu erguer a mala. Pessoas que acompanharam o caso acreditam que o corpo inteiro da raiz estava ali dentro, já que esse era basicamente o peso que ela tinha. O destino do César naquele dia com o taxista era o galpão, onde o tronco foi encontrado mais tarde.

Não se sabe exatamente quantos dias o César demorou pra fazer o descarte do corpo. À uma da tarde do dia 13 de agosto, então lembrando que ele tinha ido até o galpão primeiro no dia 5, então no dia 13, tinha um prédio do lado do galpão, então uma pessoa que morava ali viu um homem saindo do galpão. A polícia conseguiu localizar o celular do César exatamente ali naquele dia e naquele horário. Mais tarde, o César liga pra um amigo chamado Júlio e eles combinam de se encontrar.

Quando eles se encontraram, o César tentou vender alguns itens dos restaurantes que ele tinha fechado e disse que precisava de dinheiro. O Júlio achou tudo muito estranho, porque um mês antes o César estava falando em abrir mais franquias. Além disso, ele nunca pedia dinheiro, ele sempre tinha dinheiro no bolso. E aí, no mesmo dia, às sete da noite, o César volta para o galpão com mais duas pessoas. Um conhecido dele e o dono de uma van, aparentemente...

Rotina puxada, né? No meio de tantos compromissos, também é preciso se comprometer com você. Chegou Nestlé Vital, a nova linha de suplementos para o bem-estar adulto, com opções para apoiar o seu dia e a sua noite. Vital é ter foco sustentado ao longo do dia. E também ter uma boa noite de sono, para começar o dia bem. Qual você escolhe? Um ritual matinal ou um ritual noturno? Clique no banner e conheça, porque se cuidar é vital.

pra retirar uma mesa que tava no local. Quando eles estavam saindo, César avistou alguns policiais próximos do local e ficou visivelmente nervoso. As próprias testemunhas afirmaram isso em depoimento e disseram que logo depois eles foram rapidamente embora. Naquela mesma noite, o César volta sozinho pro local e ele coloca fogo nas próteses e nos objetos da raid. No dia seguinte, ele pega o ônibus pra Zaragoza. Ainda segundo a acusação por ele ter...

descartado o corpo da Raide daquela forma, eles não conseguiram determinar exatamente qual foi a causa da morte. Depois da acusação, foi a vez das testemunhas e cada uma delas desmontava toda a história que o César tinha criado. A Nath, a ex-companheira dele, né, que ficou com ele por 14 anos, deu seu depoimento, a voz dela quebrava, várias vezes. Ela descreveu o César como um mentiroso, agressivo, manipulador.

Muito ciumento e impulsivo. Ela até relatou uma coisa que tinha acontecido e ela disse que nunca mais esqueceu. Que foi uma vez que a filha queria dormir com ela e ele não admitia isso. E aí ele ficou extremamente bravo, ficou louco, pegou um bujão de gás e jogou nela. Conseguiu desviar, rapidamente entrou num carro e ele quebrou o retrovisor do carro. Ela também relatou que em outra ocasião o César tinha empurrado uma sobrinha dela pra fora de um carro e que o César já tinha abusado dela várias vezes.

Ela já tinha tentado denunciar o César, mas ela não tinha provas, então a própria polícia desaconselhou que ela fizesse isso. E quem alertou as autoridades foi a escola da filha dela, que viu que nos cadernos a filha escrevia que tinha medo do César. O que é muito doido, né, que tenha sido através da filha deles. Porque quando a Nath tentou falar com a polícia, a própria polícia desaconselhou que ela...

denunciasse ele, né? Então, depois do testemunho da Nath, veio uma outra ex-namorada do César, que veio depois dela, e as duas deram seu depoimento por trás de um biombo. Então, ela descreveu também a mesma pessoa extremamente agressiva, que era capaz de fazer qualquer coisa pra ter o que queria. Ela contou que o César matou três cachorros dela e que ele tinha quebrado a mandíbula de uma quarta cachorra dela.

Isso tudo tinha acontecido em um chalé que eles moraram juntos. Ela também contou um episódio que revelava como César operava quando ele estava longe. No dia 8 de agosto de 2018, três dias após o crime, ele tinha criado um perfil falso no Facebook com o nome Helena Lorena Ruiz. Então, ele usava esse perfil para se aproximar, tanto da Sarah quanto do seu marido Rafael. Então, imagina, ele já tinha terminado com a Sarah faz tempo, ela estava casada e ele tentando se aproximar deles. Isso três dias depois cometeu o crime.

A Sarah disse que o César queria desestabilizar o casamento dela. E aí, depois do depoimento dela, veio o do taxista, que foi muito importante pro caso. O taxista José Luiz Lopes confirmou que aquela mala que tava ali no tribunal, que foi a mala encontrada com o tronco, era a mala que ele ajudou a transportar no seu táxi.

A Glória e a Karina, que são irmãs da Heidi, também depuseram. Elas estavam vestindo uma camiseta com o rosto da Heidi e também estavam atrás de biombo, porque elas não queriam encarar o César. A Glória identificou aquela mala como sendo do César, disse que tinha certeza absoluta. E aí, várias vezes foi preciso interromper o depoimento dela, o César ficava rabiscando em papéis e ele sempre estava com...

um semblante muito tranquilo. Em determinado momento, ele arqueou as sobrancelhas com sarcasmo e soltou a caneta. A advogada dele tocou em seu braço para acalmá-lo. O promotor Miguel Mendes apresentou 12 indícios convergindo o César como o único responsável. Entre eles, a última ligação da Raide, que foi para o César.

O celular dela que foi encontrado com ele. A mala com o tronco tinha o DNA dele. Havia rastros do seu celular no galpão, deu zero no momento estimado da morte da Hyde. Uma impressão digital foi identificada num recipiente de soda cáustica encontrado no local e uma argola do outro recipiente da mesma substância estava dentro da mala. A defesa não apresentou nenhuma prova que contradissesse o conjunto de evidências.

A advogada Ana Isabel chegou a insinuar que o tronco poderia não ser da Raide, questionando a ausência de cicatrizes de cesariana. Os peritos responderam que as condições do cadáver em razão da soda cáustica e da tentativa de incêndio impediram essa verificação. A acusação optou por pedir condenação por homicídio e não por assassinato, porque sem a causa da morte determinada, não era possível provar a premeditação ou a chamada aleivósia, que é o agravante por ausência de defesa da vítima.

Curiosamente, foi o próprio desmembramento do corpo que impediu uma pena maior. Em 29 de maio de 2021, o júri popular declarou César culpado por unanimidade. 22 dias depois, a sentença foi proferida. 15 anos de prisão por homicídio, com agravantes de parentesco e gênero, e mais cinco meses por profanação de cadáver. Ele também foi condenado a pagar 142,229 euros a cada um dos filhos da Raide, e 100 mil euros a sua mãe Glória.

O César recorreu. O Tribunal Superior de Justiça de Madri manteve a condenação. Em dezembro de 2022, o Supremo Tribunal também a confirmou. Em 2024, tentou levar o caso ao Tribunal Constitucional, alegando violações de direitos fundamentais, entre elas a transmissão ao vivo do julgamento e supostas falhas no laudo de DNA. Mas o recurso foi rejeitado.

Durante o período de prisão preventiva e após a condenação, o César dizia a seus primeiros advogados que, quando saísse da prisão, iria para algum reality show, que certamente iria para a TV, que isso era só uma questão de tempo. Em março de 2024, o César enviou uma carta à audiência provincial de Madrid e nela admitiu pela primeira vez ter matado a Hyde. Ele apresentou, no entanto, uma nova versão dos fatos.

disse que a morte tinha sido acidental durante uma discussão motivada por questões financeiras e que Heid o havia ameaçado com uma arma que disparou durante uma luta corporal. Também afirmou que o seu tio, já falecido e com formação médica, havia realizado o desmembramento e enterrado os restos de um parque em Carranque, em Toledo. Ele anexou um croquis feito à mão com o local indicado. A carta não havia sido combinada com a sua advogada, ela ficou sabendo pela imprensa. Ela declarou que foi um momento de desespero do cliente que estava disposto a qualquer coisa para conseguir um benefício prisional.

Em cerca de um ano e meio, com metade da pena cumprida, ele poderia começar a ter acesso a regimes mais liberais, e para isso, assumir o crime seria um caminho. O César então enviou uma segunda carta reiterando a confissão e anunciando que dispensava a Ana Isabel, sua advogada, por divergência de critérios.

Ela respondeu publicamente, disse que não reconhecia mais o cliente, que o comportamento era desconcertante, e então veio ao público com algo que havia guardado por anos, desde o início do processo. O César enviava para ela de duas a três cartas por dia da prisão. Chamava ela de minha menina. Dizia que a amava, que quando saísse iria cobri-la de beijos.

Ligava pra ela até 15 vezes num mesmo dia. E quando soube que ela tinha começado um relacionamento, ficou furioso e cortou o contato, dando instruções pra que ela não pudesse mais visitá-lo ou ligar pra ele. Ana Isabel disse que acredita que César desenvolveu uma obsessão por ela. O padrão era idêntico ao que ele exercia sobre as mulheres com quem ele se relacionava. Uma sedução inicial e depois um controle.

disse que passou anos defendendo alguém que ninguém acreditava e que o caso mudou sua visão sobre a justiça espanhola. A carta do César havia chegado poucas semanas antes do lançamento de uma série documental na Netflix sobre esse caso. A série, intitulada O Rei do Cachopo no Brasil e Cooking Up Murder nos países de língua inglesa, havia sido produzida ao longo de meses e já estava completamente gravada quando a confissão veio a público. A equipe comandada pelo diretor Romón Parrado havia realizado mais de 60 videochamadas com o César na prisão durante a produção do documentário.

Em todas elas, ele manteve a versão exculpatória que havia sustentado no julgamento. Os realizadores decidiram não refazer a série, mas incluíram a confissão no final do terceiro episódio, incorporando o documento como um desfecho que a própria produção não havia previsto. Também apresentaram no final um vídeo do César afirmando que sabe o que tem que fazer para conseguir sair da prisão antes dos 15 anos.

Ele afirma que é só assumir o crime e que em dois anos ele estaria livre. A série estreou no dia 10 de maio de 2024 e tem três episódios. Além das entrevistas com o César, a produção contou com o depoimento da Glória, que segundo o diretor, foi o testemunho mais difícil de conseguir e o mais importante para que a narrativa não girasse em torno do assassino. O objetivo declarado da produção era recolocar a Raide no centro da sua história.

A Gloria havia retornado a Honduras em 2023, depois que a justiça espanhola liberou os cestos mortais da filha para repatriação. Ela aceitou participar das filmagens para contar com calma tudo o que viveu. A polícia levou a indicação do César de que os cestos da rádio estavam em Carranque a sério. Então, em junho de 2025, quase sete anos após o crime, cerca de 50 agentes de diversas unidades da Polícia Nacional foram até Toledo para uma operação de busca. Eles utilizaram drones com sensores especiais, georradar, antropologia forense e guias caninos.

O terreno precisou ser preparado antes do início dos trabalhos e até o momento, os restos da raid não foram localizados. O César continua até hoje cumprindo sua pena em uma prisão que fica em Madri. Dentro do sistema prisional, ele passou a ser chamado de cachopo ou cachopim e o título de rei que ele usava antes, né, ficou pra trás.

Segundo relatos publicados pela imprensa espanhola, dentro da prisão ele acorda cedo, distribui refeições, frequenta missas, faz esportes e também lê livros sobre gastronomia. Durante o cumprimento da sua pena, ele também tem estudado direito. Ele tentou conseguir um posto na cozinha da prisão, mas o pedido foi negado. Esse tipo de função dentro da prisão é reservado apenas a detentos de confiança.

A Gloria voltou pra Honduras e participa de iniciativas contra a violência de gênero. Em algumas oportunidades, ela dá entrevistas pedindo que mulheres que sofrem abusos não fiquem em silêncio, como a sua filha ficou. Os filhos da Hyde, como eu falei pra vocês, foram criados com os avós paternos em Honduras e não há informações sobre eles. Esse é mais um caso de violência contra a mulher, que termina com uma pessoa dizendo que sabe como que vai sair da prisão, que tá estudando direito.

que diz que sabe exatamente o que vai fazer e fala, tem participado em ralete show depois de sair da prisão. O que me mostra que ele não tá nem aí pro que ele fez. Que ele não se arrepende do que ele fez. Que ele ainda mentiu pra polícia. Acredito eu, né? Aqui eu tô dando a minha opinião, já que ele falou onde os restos estavam. A polícia foi até lá e até hoje não encontrou. Então eu quero muito saber o que vocês acharam desse caso. Me conta aqui nos comentários. Não esquece do like, que me ajuda muito na divulgação do vídeo.

E é isso, pra mais casos, siga o podcast Quinta Misteriosa e aproveita pra avaliar em 5 estrelas se você gostou. Obrigada por ouvir e até o próximo caso.

Anunciantes1

Nestlé Vital

Linha de suplementos para o bem-estar adulto
external