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O TRISTE CASO DE PHIL HARTMAN #583

22 de abril de 202622min
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Philip Edward Hartman era o homem que segurava tudo. No palco do Saturday Night Live, era conhecido como a Cola — o que mantinha o programa unido quando tudo ao redor ameaçava desmoronar. Fora do palco, tentava fazer o mesmo com o casamento. Em 28 de maio de 1998, enquanto dormia em sua cama em Encino, na Califórnia, foi morto com três tiros. Ele tinha 49 anos. #583

Assuntos2
  • Vida de Phil e Brynn Hartmaninfância de Phil Hartman · carreira no Saturday Night Live · casamentos de Phil Hartman · morte de Phil Hartman · impacto na indústria do entretenimento
  • Consequências da morte de Phil e Brynnimpacto na família · repercussão na mídia · legado de Phil Hartman
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Philip Edward Hartman nasceu em 24 de setembro de 1948, em Brantford, Ontario, no Canadá, a pouco mais de 100 quilômetros das cataratas do Niagara. Ele era o quarto de oito filhos de Rupert Lowe Big Hartman, vendedor de materiais de construção, e Doris Margaret Hartman, que cuidava da casa e dos filhos. A família era católica, de ascendência alemã, irlandesa e inglesa. O Phil cresceu numa casa grande e barulhenta, tinha cinco irmãs.

Mary, Sarah, Nancy, Martha e Jane. E dois irmãos, John e Paul. Ser o quarto filho numa família de oito não deixava muito espaço pra se destacar. O Phil dizia isso abertamente. Ele achava que não conseguia o que queria dentro da família. Então, ele começou a buscar amor e atenção em outros lugares. Em 1958, quando ele tinha 10 anos, a família se muda pros Estados Unidos. Primeiro pra Lewiston, no Maine. Depois pra Meriden, em Connecticut. Depois pra Costa Oeste, onde se estabeleceram no sul da Califórnia.

Phil estudou na Westchester High School em Los Angeles e foi lá que encontrou o jeito de se destacar, sendo o palhaço da turma. Ele fazia imitações dos professores, dos colegas, de qualquer pessoa. Ele conseguiu o que precisava, atenção, risadas e afeto na frente de uma plateia. Depois do ensino médio, ele estudou arte na Santa Monica City College. Em 1969, largou tudo para ser roadie de uma banda de rock chamada Rock and Fall. Ele passou um tempo na estrada, viu como funcionava o mundo do entretenimento de perto.

Em 1970, ainda nessa fase itinerante, ele se casou pela primeira vez com a Gretchen Lewis. O casamento durou dois anos. Em setembro de 72, eles se divorciaram. Foi depois do divórcio que o Phil decidiu voltar para os estudos. Ele entrou na California State University em Northridge para se formar em artes gráficas.

Após a formatura, ele montou o seu próprio negócio de design gráfico e era bom no que fazia. Criou capas de álbuns para mais de 40 bandas e também o logotipo do Crosby, Stills e Nash. Era uma vida estável, com renda, com trabalho criativo, mas para ele parecia não ser o suficiente. Em 1975, aos 27 anos, ele havia entrado numa aula noturna de comédia oferecida pelos Groundlings, um grupo de improvisação em Los Angeles. Na primeira noite, como espectador, ele subiu ao palco espontaneamente e o grupo ficou impressionado.

Um dos fundadores descreveu depois que nunca tinha visto um membro da plateia fazer aquilo com aquela energia. Era como se um furacão tivesse acertado o palco, de um jeito bom. O Phil continuou, então em pouco tempo ele não era mais aluno e sim uma das estrelas do grupo. Foi nos Groundlings que ele conheceu o Paul Rubens e os dois ficaram amigos. Em 82, o Phil se casou pela segunda vez com a Lisa Strain, corretora de imóveis, e eles ficaram juntos por três anos.

A Lisa disse à People que o Phil era recluso fora das câmeras, que ele desaparecia emocionalmente, que ele ficava no mundo dele. E essa passividade, ela disse, enlouquecia. Então, o casamento terminou em 85. Junto com o Paul Rubens, o Phil trabalhou no desenvolvimento de um personagem que o amigo havia criado, chamado Pee Wee Herman. O Phil ajudou a escrever o roteiro do filme Pee Wee's Big Adventure, lançado em 85.

E apareceu regularmente no programa de TV Pee-Wiz Playhouse com o Capitão Carl. Também foi no período que ele estava no Groundlings que o Phil conheceu sua agente Betty Fennin McCain. Que o viu se apresentar e decidiu representá-lo. Nessa época o Phil era um homem de muitas faces. Literalmente. Ele conseguia fazer qualquer sotaque, qualquer dialeto. Ele falava alemão fluente e conseguia imitar qualquer pessoa. O que o tornava tão especial nisso que ele fazia não era só o talento, mas a calma.

Não parecia haver nervosismo ou esforço, ele simplesmente entrava no personagem, como se você colocasse um casaco e virasse outra pessoa. Em 1986, o Phil foi convidado para entrar no elenco do Saturday Night Live da NBC, e na época ele tinha 37 anos, o que era considerado uma idade bem incomum para estrear num programa desses, geralmente quem estreava no programa eram jovens.

que estavam ali começando a carreira, então o programa revelava esses novos talentos, mas o Phil não era um novo talento, ele já era um profissional formado, maduro e seguro. Naquele mesmo ano, o Phil foi em um encontro às cegas com uma mulher chamada Brynn, e antes de falar do encontro deles, eu quero falar sobre quem ela era. Antes de ser Brynn, ela era Vicky Jo Almodel.

Ela nasceu em 11 de abril de 1958, em Thief Rivers Falls, Minnesota, uma cidade pequena no norte do estado, perto da fronteira com o Canadá. O seu pai, Donald, era engenheiro e mais tarde se tornou sócio de um restaurante local. A sua mãe, Constance, tinha uma loja no varejo e a família era cristã praticante.

Vicky cresceu com três irmãos, Gregory, Catherine e Deborah. O Gregory disse que quando criança, a Vicky era a encrenqueira da família e também a mais divertida. Era ela quem animava os outros, quem inventava os planos, quem não tinha medo de aparecer. Na escola, o diretor da Lincoln High School a descrevia como uma aluna comum, uma jovem ordinária. Ela não se destacava academicamente.

O que ela queria era sair de Thief Rivers Falls e ir para um lugar maior. Ela abandonou o ensino médio sem se formar e no dia 20 de maio de 1977, ela se casou com Douglas Eve Torfin, o operador de telefonia da cidade, mas o casamento não durou. Quando se divorciou, começou a trabalhar como modelo em Minópolis. Ela era alta, loura, atraente, ela conseguia trabalho. Em algum momento nos anos seguintes, ela decidiu se mudar para Hollywood. E foi lá que ela começou a se reinventar. Trocar de nome era o primeiro passo.

Primeiro ela tentou Bryndon, e depois se fixou em Brynn. Uma amiga que conhecia a Vicky desde que ela tinha 19 anos, disse que isso era muito ela, sempre tentando se encontrar. Ela disse que quando conheceu ela, primeiro era a Vicky, depois virou Vicky Joe, depois Bryndon, e aí finalmente Brynn. Então ela dizia que toda semana quando ela mudava de nome, ela ria e dizia, quem é você essa semana? Em Los Angeles, a Brynn entrou para uma agência de modelos e começou a fazer fotos de biquíni para uma marca chamada Catalina.

Além disso, ela também fazia alguns testes para tentar atuar. O irmão dela disse que ela foi uma das garotas que tentou se tornar uma das Hee Haw Girls, que eram as garotas que saíam do milharal, em um programa de TV. Então, ela sempre estava tentando aparecer de alguma forma.

Foi durante esses anos, morando em Hollywood, que a Brin desenvolveu um vício em cocaína. Isso era uma coisa que acontecia muito na cidade. Então, diversas jovens que vinham de cidades menores, que tinham grandes sonhos, que não tinham rede de proteção, então estavam sozinhas numa cidade grande. E aí, elas iam pra festas, iam pros sets e meio que uma forma de pertencer. E aí, ela começou a usar muito e o irmão dela, o Gregory, disse que percebeu. Inclusive, ele disse que foi ele quem conseguiu convencê-la a buscar tratamento. Então, ela foi pra reabilitação.

E aí, conseguiu ficar sóbria. Quando ela conheceu o Phil, em 1986, a Brynn estava sem usar há algum tempo, então ela estava em uma versão melhor dela mesma, né? Que tinha lutado para conseguir superar essa fase da vida dela. E foi essa mulher que o Phil encontrou aquele dia no Encontro às Cegas. Uma mulher determinada, bonita, mas que carregava uma história que ele não conhecia em detalhes. Então, na época, o Phil tinha 37 anos e a Brynn tinha 28.

Os amigos do Phil disseram que, pra ele, a Brynn era a mulher dos seus sonhos. Então, ele gostou dela logo de cara e queria muito casar com ela. Então, eles se casaram. Foi o terceiro casamento do Phil e o segundo da Brynn. Eles se casaram em 25 de novembro de 1987. E os colegas do Phil disseram que nunca tinham visto ele tão feliz daquele jeito.

Parecia que com ela ele finalmente tinha encontrado o que ele tanto buscava. E aí juntos eles tiveram dois filhos. O Sean Edward Hartman, que nasceu em 1988. E a Bergen Annika Hartman, que nasceu em 1992. O Stephen Root, que era amigo e colega do filme na rádio, disse que... Era muito difícil conhecer ele de verdade, porque ele nunca saía do personagem. Mas que ele passava essa impressão de ser um homem de família. E que se importava muito com a esposa e com os filhos.

Quando a Brangie nasceu, o Phil ligou para uma colega de trabalho chamada Lene Stewart. E ele estava visivelmente emocionado e falou para ela que aquela era a bebê mais bonita que ele já tinha visto. Já o Sean era um orgulho para o Phil, porque ele tinha talento para as artes assim como ele. Em 1994, a família se muda para uma casa que valia quase um milhão e meio de dólares. No Vale de San Fernando, em Los Angeles. E o Phil apelidou a Casa de Ponderosa.

Naquele mesmo ano, o Phil decidiu deixar o SNL depois de oito temporadas e 153 aparições como um elenco regular do programa e era um número recorde. Durante todo o tempo que ele trabalhou no SNL, ele recebeu o apelido de The Glue, que em tradução seria a cola. Quando o sketch desmoronava, quando um ator esquecia deixa, quando o clima nas gravações ficava pesado, era o Phil que segurava as pontas.

O Lorne Michaels, que é criador do programa, disse que o fio dava muito e exigia pouco. Ele fez muitas imitações no programa e algumas delas se tornaram lendárias, como, por exemplo, quando ele imitou o Bill Clinton, que estava comendo no McDonald's enquanto resolvia crises internacionais. O Frank Sinatra, envelhecido e arrogante.

Entre muitas outras imitações, e cada personagem tinha uma lógica, uma consistência, então não era só uma imitação de voz que ele fazia, era uma construção de caráter. Para vocês terem ideia, em 1989, o Phil ganhou um Emmy pelo seu trabalho no SNL. E aí, paralelamente ao SNL, em 1991, ele começou a dublar nos Simpsons. Inicialmente, ele só ia participar de um episódio, mas o criador dos Simpsons, o Matt Groening, gostou tanto dele que colocou ele no elenco.

Então, o Phil dublou muitos personagens no Simpsons. Ele ficou em nove temporadas e dublou 19 personagens diferentes. Um dos personagens era o Troy McClure, que era um ator decadente, que aparecia em comerciais e documentários educativos. O criador, o Matt, disse que o Phil até queria fazer um filme de ação ao vivo sobre esse personagem, sobre o Troy.

E também depois de sair do SNL, ele entrou no elenco de News Radio, uma série da NBC onde ele interpretava um âncora arrogante e encantador. Além disso, ele fez vários filmes como House Guest, Greedy, Jingle All The Way, Small Soldiers. Ele fez muita coisa, tinha muito trabalho, muito reconhecimento e dinheiro. Era um homem que tinha construído uma carreira com paciência, consistência e talento real. E que aos 49 anos ele estava chegando no topo.

O problema disso tudo era a Brynn. Enquanto a carreira do Phil crescia, a carreira dela não ia pra lugar nenhum. Ela fez pequenos papéis, ela fez uma garçonete no filme North, em 1994, e dois episódios de Third Rock from the Sun, e eram aparições mínimas, assim, bem pequenas, enquanto o Phil, né, tinha papéis muito maiores e tava em todo lugar. A Brynn fazia aulas de atuação, ela fez cirurgias plásticas, ela tentava se manter em forma pros testes, mas as portas não se abriam. Quanto mais o Phil subia, mais ela sentia que ficava pra trás.

Os amigos começaram a notar que ela ficou cada vez mais possessiva e ciumenta. Ela suspeitava, sem base nenhuma, que o Phil tinha um caso com Jen Hooks, a sua amiga e ex-colega do SNL. Quando a ex-mulher do Phil, a Lisa, mandou uma mensagem de parabéns pelo nascimento do segundo filho do casal, a Brin respondeu com uma carta que o Phil descreveu depois para amigos como arrepiante, cheia de raiva, cheia de ameaças, dizendo que a Lisa nunca mais se aproximasse da família.

porque senão ela ia se arrepender. Em casa, as coisas não eram muito melhores que isso. A Brent tinha vários surtos. O Phil dizia para amigos que ela jogava granadas enquanto ele se refugiava na caverna. Então, essas eram as palavras dele para descrever como funcionavam as brigas do casal. Ele recolhia, ela escalava. O advogado e amigo do Phil, Steve Small, disse que ele contava que às vezes precisava contê-la fisicamente durante esses conflitos.

Há relatos de que o Phil aparecia no trabalho com arranhões no rosto, que ele ficava a noite toda no seu barco ancorado perto de casa para evitar esses confrontos. Em várias ocasiões, o Phil tirava os filhos de casa e levava eles para ficar com amigos ou familiares por conta dos surtos da Brynn. O Joe Rogan, que era um confidente do Phil na Newsradio, disse que encorajou ele a pedir o divórcio pelo menos cinco vezes, mas o Phil sempre se recusava. Ele amava os filhos e não queria deixá-los.

Como eu falei pra vocês, a Brynn tava sóbria quando ela conheceu o Phil. E ela ficou sóbria por quase 10 anos. Até que em 1997, ela teve uma recaída. Em dezembro de 1997, eles decidiram dar uma festa de Natal. E aí, a Brynn se aproximou de um dos colegas do Phil. O Andy Dick, que também trabalhava no News Radio. E ele também tinha alguns problemas com drogas. Então, ela se aproximou dele e pediu cocaína.

Ele deu a droga pra ela e mais tarde ele disse que ele não fazia ideia, que ela tava 10 anos sem usar droga nenhuma, que ela tinha ido pra reabilitação, ele não sabia disso. Quando o Phil ficou sabendo do que ela fez, ele ficou furioso. Ele instituiu uma política de tolerância zero. Se ela usasse mais uma vez, ele iria pedir o divórcio. A Bryn vai pra reabilitação pela segunda vez e ela fica só alguns dias e sai, porque ela disse que tava com muita saudade dos filhos.

Em abril de 1998, era o aniversário da Brynn e ela completou 40 anos. Uma amiga dela, chamada Dona Kaufman, disse que a Brynn tinha medo de envelhecer, ela tinha medo de não conquistar as coisas que ela queria, de nunca conseguir a carreira que ela sonhava, ela tinha medo de se tornar uma pessoa irrelevante.

Menos de um mês depois, no dia 30 de abril de 98, o pai do Phil, Hopper, faleceu aos 83 anos de idade. No momento que isso aconteceu, o Phil estava no set de Small Soldiers. Ele ficou sabendo que ele perdeu o pai e aí ele voltou ao trabalho. Quem estava perto dele na época contou que ele lidou com aquele luto, como ele lidava com muitas coisas da vida pessoal dele, internamente e sem fazer alarde. Como ele e a Bryn estavam passando por muitos problemas, eles decidiram fazer terapia de casal.

O Gregory, que é irmão da Brin, disse que os dois queriam fazer terapia, os dois estavam tentando melhorar aquela situação, porque eles ainda se importavam e queriam que as coisas melhorassem. Porém, a Brin estava passando por um período de recaídas e ansiedade desde o final de 1997. Então, ela estava bebendo mais, usando cocaína de novo. Ela tinha crises de ansiedade, ela estava tomando Zoloft, que é um antidepressivo que tinha sido prescrito para ela pelo psiquiatra dela.

Até que na quarta-feira, dia 27 de maio de 1998, o Phil passou a tarde toda trabalhando, e ele voltou para casa no fim da tarde para ficar com os filhos e dispensou a babá. Já a Bryn tinha saído mais cedo com uma amiga, a produtora Christine Zander, para jantar no restaurante Buca de Beppo, que ficava a 300 metros da casa da Bryn. A Christine contou mais tarde que a Bryn estava de bom humor naquela tarde que elas saíram juntas para jantar. Ela disse que elas estavam conversando, estavam felizes, elas estavam bebendo, até que a Bryn foi até o banheiro e começou a demorar.

Quando ela saiu do banheiro, a Christine percebeu que ela estava mais agitada. E aí, a Brynn chega em casa por volta de meia-noite, 45. O que aconteceu dentro da casa depois disso, nunca ficou totalmente esclarecido porque não tinham testemunhas. O que se sabe vem de relatos anteriores de amigos que conheciam o casal e sabiam como a relação deles funcionava.

E do advogado Steve Small, que explicou um padrão que acontecia ali entre eles. Então, sempre que as brigas escalavam, o Phil se afastava, ele ia dormir, queria esfriar a cabeça e conversar melhor no dia seguinte. Então, naquele dia, às três da manhã, ele estava dormindo. A Brynn tinha diversas armas em casa que ela comprou durante os anos e ela dizia que tinha essas armas por segurança. Naquela madrugada, ela pegou uma dessas armas, entrou no quarto e atirou no marido três vezes. Duas na cabeça e uma do lado direito do tronco.

O Phil morreu na hora, os filhos dormiam no outro andar, então na época o Sean tinha 9 anos e a Bergen tinha 6. Depois de atirar no marido, a Brynn saiu de casa e dirigiu até a casa do Ron Douglas, que era um ex-namorado e um amigo dela que morava próximo ali da casa deles.

Ela chegou na casa do Ron às 3h45 da manhã e disse que tinha tirado no filme, que ela não sabia o porquê, e ele não acreditou no que ela tava falando até que a arma caiu da bolsa dela. Então, lembrando que nesse momento que ela saiu de casa e foi até a casa do Ron, ela deixou os filhos dormindo.

Dentro da casa com o corpo do marido. O Ron pegou a arma que tinha caído no chão. E aí ele entrou no carro com a Brynn. Eles voltaram pra casa deles. Ele entrou, foi até o quarto e viu que aquilo era verdade. Ela realmente tinha atirado nele. Então, imediatamente ele liga pro 911. A chamada que ele fez foi registrada às 6 e 20 da manhã. Enquanto o Ron tava no telefone falando com os socorristas. A Brynn correu pro quarto do casal. Entrou e trancou a porta.

A polícia chegou, as crianças já tinham acordado, tanto que no momento que eles chegam na casa, eles viram o Sean saindo pela porta da frente. Os policiais entraram na casa e começaram a procurar pela Bergen, né? Então, a filha mais nova, encontraram ela. E enquanto eles faziam isso, eles ouviram um tiro vindo do segundo andar. A Brynn tinha se deitado na cama, ao lado do marido, e aí ela atirou na própria cabeça.

Um dos irmãos do Phil, o John Hartman, foi uma das primeiras pessoas que ficaram sabendo do que tinha acontecido. Então, ele correu até a casa do Phil e no momento que ele chegou, encontrou as duas crianças, os filhos dele, ali na frente com os agentes. O John se lembra que as crianças não faziam ideia do que estava acontecendo. Eles não sabiam porque tinham agentes na casa deles. Eles não sabiam porque o tio deles estava ali também. E o John disse que naquele momento ele decidiu que jamais mentiria para eles.

Nesse momento, ele vira pro Sean e fala Sean, a mamãe e o papai morreram. E aí ele conta que o Sean começou a chorar e depois a Bergen começou a chorar também. Tanto o Phil quanto a Brin foram declarados mortos no local e na autópsia dela revelou álcool no sangue da Brin uma concentração de 0,12%, o que é acima do limite legal pra dirigir na Califórnia e também tinha cocaína e Zoloft no seu organismo. A notícia da morte do Phil chegou em Hollywood em poucas horas e foi um choque pra todo mundo.

Não era apenas a perda de um ator, mas sim a perda de uma pessoa que era extremamente gentil com todo mundo, que era muito profissional e amado por todos que trabalhavam com ele. Então, logo depois de saberem da notícia, muitos desses canais, né? Então, o SNL, NBC, o elenco de News Radio, os criadores dos Simpsons, todos eles emitiram declarações.

O dono Allmayer, que é executivo da NBC, disse que o Phil era abençoado com um dom extraordinário para criar personagens que faziam as pessoas rirem e que todos que tiveram o prazer de trabalhar com ele sabiam que ele era um homem de tremenda generosidade, um verdadeiro profissional e um amigo leal. O serviço fúnebre foi privado.

No velório, o John, irmão do Phil, pediu às pessoas presentes que fossem gentis com a memória da Bryn. Disse que Phil e Bryn eram vítimas do mesmo acidente, que não havia ninguém para odiar e ninguém para culpar. Foi uma frase difícil de ouvir para muitos dos presentes, mas John insistiu nela. As cinzas do Phil e da Bryn foram espalhadas juntas na Baía Esmeralda, da Ilha Santa Catalina, ao largo da costa da Califórnia, conforme a vontade de ambos. Um memorial com os nomes dos dois foi instalado no cemitério de Tiff Rivers Falls, em Minnesota, cidade natal da Bryn.

O Phil tinha apenas 49 anos e ele estava no auge da sua carreira. O último filme que ele gravou, Small Soldiers, seria lançado em julho de 98. Ele havia sido escalado para dublar o personagem Zepp Brannigan na série de animação Futurama, papel que foi para Billy West depois da sua morte, cujo protagonista, Philip J. Fry, ganhou o nome em homenagem ao Phil. O John Lovitz, amigo próximo do Phil e colega no SNL, culpou o Andy publicamente pela recaída da Brin e indiretamente pela morte do Phil. O Andy, só relembrando vocês, foi quem deu a droga para ela na festa de Natal.

A acusação acabou gerando uma das rivalidades mais famosas do mundo da comédia americana. Em 2007, os dois tiveram uma briga física no Laugh Factory, em Los Angeles. Em 1999, o irmão da Brin, o Gregory, entrou com uma ação de morte culposa contra a Pfizer, que é a fabricante do Zoloft, contra o psiquiatra da Brin, chamado Arthur Sorosky, que havia dado amostras do medicamento para ela. A alegação era de que nem o fabricante e nem o médico haviam alertado a Brin sobre possíveis efeitos colaterais violentos do antidepressivo.

A Pfizer encerrou o processo pagando 100 mil dólares à família sem admitir qualquer culpa. Os personagens que o Phil fazia em Os Simpsons, como o Lionel Hutz e o Troy McClure, foram aposentados. O elenco de NewsRadio tentou filmar um episódio em homenagem ao Phil em junho de 1998, e eles tiveram que parar várias vezes porque os atores não conseguiam continuar. O personagem do Phil no programa morreu de ataque cardíaco na ficção.

O John Lovitz tentou preencher o espaço que o Phil havia deixado com o novo personagem, mas o programa foi cancelado em 99. Em 2012, o Phil foi postumamente incluído no Canada's Walks of Fame em Toronto. Em 2014, ele ganhou uma estrela na calçada da fama em Hollywood. O Kevin Nealon e o John Lovitz foram os oradores na cerimônia. A cidade de Brantford, que foi onde o Phil nasceu, havia instalado uma placa em sua homenagem em 1997. Ele compareceu pessoalmente ao evento menos de um ano antes de morrer.

Em 2024, a cidade aprovou a criação de um mural em sua homenagem na fachada do Sanderson Center of Performing Arts. Já os filhos do casal, o Sean e a Bergen, foram inicialmente levados para a casa do tio John, em Los Angeles. Mas depois, de acordo com o testamento do Phil, foram morar com a irmã da Brine, Catherine Wright, e o marido dela, Michael, em Euclid, Wisconsin, onde viveram até a família se mudar para Edna, Minnesota.

Na época, Catherine e o seu marido não tinham filhos antes de receberem a guarda dos dois, então eles cresceram com um sobrenome diferente dos pais para se proteger da atenção da imprensa. O testamento do Phil estipulava que cada filho receberia um terço da herança ao completar 25 anos ou ao se formar numa universidade de 4 anos. Eles receberiam metade do saldo restante aos 30 e o restante aos 35. O valor estimado do espólio do Phil era de 1,23 milhão de dólares.

A infância dos filhos após a morte dos pais não foi fácil. A Bergen falou abertamente sobre lutar com o vício contra as drogas, assim como a sua mãe. Ela contou que em fevereiro de 2012 ela ficou sóbria. Em 2018 ela postou no Instagram contando que ela estava seis anos sem drogas.

Já o Sean, que como eu falei para vocês, também tinha um talento para as artes visuais como pai. Ele estudou arts no Minópolis College of Arts and Design e se tornou artista e músico. Hoje ele vive em Auckland, na Califórnia, e ele mantém um perfil bem discreto, então ele não tem redes sociais conhecidas. Já a Bergen se formou em jornalismo e comunicação em St. Thomas, no Minnesota. Ela teve vários empregos ao longo dos anos, analista de dados, barista, vendedora...

Em 2015, ela compareceu ao especial de 40 anos do Saturday Night Live para honrar o pai. Ela disse que era de partir o coração ver o quanto ele ainda era admirado e lembrado por todos, mesmo depois de tantos anos. No 2017, no aniversário da morte dos pais, ela fez uma publicação no Instagram, falando que normalmente ela não falaria sobre isso nas redes sociais, mas que ela queria agradecer as pessoas por todo o apoio.

pelas flores, por todas as mensagens, ela disse que tudo aquilo significava muito pra ela e que com certeza os seus pais estavam felizes em ver que eles ainda tinham muito apoio, ter uma comunidade tão amorosa quanto aquela e que mesmo sendo um dia muito triste pra ela, ela definitivamente não se sentia sozinha. Ela se casou com um homem chamado Brandon em 2018 na Itália. Juntos, eles também abriram uma empresa chamada Dexa Fit. E pra finalizar, o Dennis Nerson do Entertainment Weekly escreveu...

na semana em que o Phil morreu, sobre a morte dele. E ele disse que o Phil era a última pessoa que você esperava ver em manchetes sensacionalistas, porque ele era um cara muito normal, que era amado por todos que trabalhavam com ele, justamente por isso era tão difícil compreender que assim, do nada, ele tinha morrido. Quero muito saber a opinião de vocês sobre esse caso, se vocês já conheciam o trabalho do Phil, se vocês não tinham ideia.

De que ele tinha morrido dessa forma. Então me contem aqui nos comentários. E é isso. Para mais casos. Siga o podcast Quinta Misteriosa. E aproveite para avaliar em 5 estrelas. Se você gostou. Obrigada por ouvir. E até o próximo caso.

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