Episódios de A Mary Conta - Hora de Dormir

O dia em que as palavras resolveram fugir 🏃

07 de junho de 202610min
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E se as palavras resolvessem fugir do mundo? ✨📚

Foi exatamente essa aventura que a pequena Laurinha viveu em sua história personalizada. Entre livros em branco, palavras escondidas e muita imaginação, ela descobriu que brincar, cantar, dançar e inventar histórias são verdadeiros superpoderes.

Uma homenagem à infância livre, criativa e cheia de descobertas, do jeitinho que a Laura vive todos os dias. 💛

Esta é uma história personalizada criada especialmente para uma família muito especial.

Quer presentear uma criança com uma aventura única, feita a partir de sua personalidade, seus sonhos e suas histórias?

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Participantes neste episódio3
A

Amaury

ConvidadoPastor
L

Larissa

Convidado
L

Laurinha

Convidado
Assuntos6
  • Poder das PalavrasLaurinha e a fuga das palavras · Larissa · Amaury · Passarinho com óculos
  • Histórias invisíveisA palavra Alegria · A importância da infância
  • Praça das Gurias FalantesA palavra Imaginação · Bonecas falantes
  • Redescobrindo a PalavraCertificado de guardiã das palavras felizes · Laurinha
  • perguntas e respostasA palavra Curiosidade · Perguntas e respostas
  • Perda de áudio e memóriasA palavra Cantiga · Sons e músicas
Transcrição1 segmentosassemblyai/universal-3-pro-async
LLaurinha

Tá na hora de dormir, mas antes a Mari conta uma história. Era uma vez, o dia em que as palavras resolveram fugir. Laura estava quase fazendo 3 anos, mas quase mesmo. Faltavam tão poucos dias que ela já contava nos dedos, depois nos dedos das mãos da mamãe Larissa, depois nos dedos do papai Amaury. E se precisasse, contaria até nos dedos das suas bonecas, as famosas gurias. Laurinha era daquelas crianças que acordava falando. Falava pro sol, falava para os passarinhos, falava para as bonecas, falava com os brinquedos.

E às vezes falava tanto que uma pergunta saía antes mesmo da resposta da pergunta anterior. Naquela manhã, porém, aconteceu algo muito estranho. Ela acordou, sentou na cama e viu um papel preso à sua porta. Nele estava escrito: "Atenção: as palavras foram embora." Laurinha piscou e pensou: "Ué?" Correu até a cozinha. "Mamãe, o que aconteceu?" Larissa abriu a boca para responder: "Eu..." Mas não conseguiu. Parecia que tinha esquecido a palavra que queria usar.

A Mauri tentou ajudar: "Talvez..." Mas também parou no meio da frase. Os dois se olharam confusos. Laurinha estranhou. Os adultos sempre sabiam as palavras. Ela correu até a estante de livros. Abriu um. As palavras estavam em branco. Abriu outro. Branco. Mais um. Branco. Todas as histórias haviam desaparecido. Então ouviu um som vindo da janela. Toc, toc, toc. Era um passarinho usando óculos redondos. Sim, ele estava de óculos e carregando uma pequena pasta.

"Finalmente encontrei você", disse ele. "Você fala?" "Claro, o problema não sou eu falar, o problema é que as palavras resolveram fugir." "Fugir para onde?" "Para os lugares onde ainda existe imaginação de verdade." Laurinha arregalou os olhos. "As palavras podem fugir?" Podem! E fugiram todas juntas. Por quê? O passarinho suspirou. Ai, ai, elas estavam cansadas. Cansadas do quê? De morar em lugares onde ninguém mais brincava com elas.

Laurinha pensou. Aquilo parecia muito triste. O passarinho abriu sua pasta. Dentro havia um mapa, mas não era um mapa comum. Em vez de cidades, apareciam lugares estranhos. Rua das Perguntas Sem Resposta, Mercado dos Sons Perdidos, Praça das Gurias Falantes, Estação das Histórias Esquecidas. Você precisa encontrar as palavras e convencê-las a voltar. Eu posso fazer isso! Sabíamos que você poderia. Quem sabia? Todas as palavras!

E assim começou a aventura. A primeira parada foi a Rua das Perguntas Sem Resposta. O lugar era esquisito. As pessoas caminhavam carregando perguntas enormes. Algumas empurravam carrinhos cheios de porquê. Outras carregavam mochilas lotadas de como assim. Mas ninguém encontrava respostas. No meio da rua estava escondida a palavra curiosidade. Ela tinha o formato de uma minhoca colorida e se enrolava em tudo. Não volto! declarou.

Por quê? perguntou Laurinha. Viu? É exatamente por isso que gosta de você. Porque eu perguntei? Sim. Crianças fazem perguntas. Adultos fingem que sabem de tudo. Laurinha riu. Eu faço muitas perguntas. Eu sei. Muitas mesmo. Eu sei. Tipo muitas. Eu sei. Curiosidade deu uma gargalhada. Está bem, está bem. Eu volto. Ela pulou para dentro do bolso da menina. A próxima parada foi o Mercado dos Sons Perdidos. Ali não se vendiam frutas nem brinquedos.

Vendiam sons. Havia barracas cheias de gargalhadas. Outras vendiam assobios. Algumas comercializavam espirros especialmente engraçados. No centro do mercado estava escondida a palavra Cantiga. Ela morava dentro de um tambor. Não volto! Disse: "Por quê?" "Porque quase ninguém canta mais." Laurinha não respondeu. Começou a cantar. Uma música inventada sobre uma banana astronauta montada num dinossauro que vendia panquecas na Lua.

Não fazia sentido nenhum, mas era divertida. Logo o mercado inteiro estava acompanhando. Tambores, pandeiros, chocalhos, xilofones. Cantiga começou a balançar. Depois dançar, depois cantar junto. Ai, está bem, eu volto. E entrou no outro bolso da menina. Quando chegaram à Praça das Gurias Falantes, Laurinha teve uma surpresa. Suas próprias bonecas estavam lá. Todas, absolutamente todas, sentadas em roda, tomando chá e conversando.

Uma delas usava um chapéu feito de macarrão. Outra carregava um peixe de pelúcia. E a outra parecia ser prefeita da praça. Gurias? Laurinha? Vocês falam? Sempre falamos. Então por que nunca ouvi? Porque os brinquedos só conversam quando os adultos não estão olhando. Parecia uma explicação perfeitamente razoável. No centro da roda estava escondida a palavra imaginação. Ela era a mais difícil de convencer. Tenho medo de voltar. Medo?— Sim, do quê?— De ser esquecida.

Laurinha ficou séria, pensou bastante. Depois pegou uma panelinha de brinquedo, uma colher e um prato. E começou a cozinhar.— O que está fazendo?— Sopa.— De quê?— Nuvens.— Nuvens?— Com um pouco de arco-íris.— E o tempero?— Risada de girafa. Imaginação abriu um sorriso.— Você realmente cozinha isso? Claro! Mas não existe! Na minha cozinha existe! Imaginação deu uma cambalhota. Está bem, está bem, eu volto também. Mas a aventura ainda não tinha acabado.

Faltava encontrar a palavra mais importante. A palavra que organizava todas as outras. A palavra que tinha convencido as demais a fugir. Ela estava escondida na Estação das Histórias Esquecidas. O lugar parecia uma antiga estação de trem. Milhares de livros vazios esperavam nas plataformas. Quando Laurinha entrou, viu uma figura sentada num banco. Era uma palavra enorme, brilhante, elegante. Ela usava um casaco feito de páginas de livros.

"Você é a líder?" perguntou Laurinha. "Eu sou. Qual o seu nome?" A palavra respondeu: "Meu nome é Alegria." Laurinha ficou surpresa porque Alegria parecia triste. "Você não tá feliz?" "Ah, não muito." "Por quê?" "Porque as crianças estão crescendo rápido demais." "Ah, menina, sinto você ao lado." Alegria continuou: "Eu gosto quando crianças brincam, quando inventam histórias, quando transformam caixas em castelos, quando panelinhas viram restaurantes." Quando bonecas ganham voz, quando livros ganham vida.

Mas às vezes sinto que estão esquecendo disso. Laurinha pensou, pensou bastante. Depois segurou a mão da palavra. Lá em casa ainda fazemos isso. Fazem? Sim. Mesmo? Sim. Tem certeza? Muita. Então ela contou sobre a leitura com a mamãe Larissa, sobre as brincadeiras, as músicas, as gurias, Sobre os quebra-cabeças, sobre as danças pela sala, sobre as histórias inventadas sem motivo nenhum. Alegria ouviu tudo e pela primeira vez sorriu.

Um sorriso tão grande que iluminou a estação inteira. Os livros vazios começaram a recuperar suas letras. As histórias voltaram. As canções reapareceram. As placas ganharam palavras novamente. As páginas, sim, cheiram de aventuras. "Acho que podemos voltar", disse Alegria. "Oba! Mas temos um pedido." "Qual?" Todas as palavras surgiram ao redor dela, milhares delas, coloridas, saltitantes, brilhantes, e disseram juntas: "Nunca pare de brincar." Laurinha sorriu.

Era um pedido fácil, muito fácil, porque brincar não era algo que ela fazia, era simplesmente o jeito que ela havia. Na manhã seguinte, tudo havia voltado ao normal. Os livros tinham palavras, as músicas tinham letras, as conversas faziam sentido. Mas perto da cama de Laurinha havia um pequeno envelope. Dentro dele estava escrito: Certificamos que Laura, também conhecida como Laurinha, foi oficialmente nomeada guardadora das palavras felizes mais do mundo.

Ela mostrou o certificado para o papai Amaury e para mamãe Larissa e para todas as suas gurias. E dizem que até hoje, quando alguma palavra fica triste ou pensa em fugir novamente, ela vai visitar a Laurinha, porque sabe que ali sempre encontrará histórias, música, brincadeira e um coração cheio de imaginação. Mm, que sono! Vamos dormir, Laurinha. Boa noite!

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Amary Conta

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