A menina que tinha muitos nomes
Tem gente que tem um nome.
A Manu tem vários. 💛
Tica Tica para a mamãe.
Bistequinha para o papai.
Xuxu para a vovó Ana e o vovô Cacá.
Lindosaura para a vovó Bia e o vovô Beto.
E ainda tem Tia Maia, que conhece a Manu desde quando ela tinha só 45 dias de vida, além do tio Dudu, da tia Lala, da bisa Moesia, dos primos Giggio e Teté e da Donna, a cachorrinha da família. 🐶
Mas, no fundo, todos esses nomes querem dizer a mesma coisa:
“Eu te amo de um jeito que é só meu.”
✨ Hoje, a Mary conta a história da menina que tinha muitos nomes.
Uma história sobre família, vínculos e esses apelidos que, de tão cheios de carinho, acabam virando pequenas casas onde a gente mora.
🎧 Já está no podcast A Mary Conta.
E se você quiser transformar os apelidos, as manias e as histórias de uma criança especial em um conto só dela, me chama pelo Instagram @amaryconta ou pelo site [www.amaryconta.com.br](http://www.amaryconta.com.br). ❤️
- A história de Manuela e seus muitos nomes carinhosos dados pela famíliaManuela tinha vários nomes·apelidos dados por cada membro da família·Dona, a cachorrinha, a chamava de Manu
- A percepção de Manuela sobre seus nomes e o amor da famíliaManuela questiona qual era seu nome·a família responde com os apelidos·Manu percebe que os nomes representam amor
- O significado dos apelidos como expressão de carinho e históriascada nome guardava uma história·o colo da mamãe e as brincadeiras com o papai·o carinho dos avós e as memórias da família
- A compreensão de Manuela sobre o amor incondicional da cachorrinha DonaDona não precisava de nomes para amar Manu·o amor de Dona feito de cheiro e alegria·Manu entende que todos os nomes eram verdadeiros
Tá na hora de dormir, mas antes a Mari conta uma história. Era uma vez a menina que tinha muitos nomes. Era uma vez uma menina chamada Manuela. Pelo menos era assim que estava escrito em seus documentos. Mas os documentos não sabiam de uma coisa muito importante: Manuela não tinha apenas um nome, tinha muitos. Para alguns, Manu. Para mamãe Rebeca, ela era Tica-Tica. Para o papai Marcelo, era Bistequinha. Para vovó Ana e vovô Cacá, era Chuchu.
Para vovó Bia e vovô Beto, era Lindossaura. E ainda havia o tio Dudu, a tia Lala, a bisa Moesia, os primos Gígio e Teté, e a tia Maia. Ah, tia Maia! Tia Maia conhecia Manu desde que ela tinha apenas 45 dias de vida. 45! Era tão pouquinho tempo que Manu ainda cabia inteirinha no colo. Tia Maia estava ali desde o começo. Por isso, talvez, soubesse de coisas sobre Manu que nem a própria Manu lembrava. Mas havia uma pessoa que tinha um nome especial para Manu de um jeito diferente: Dona.
Dona era a cachorrinha da família. E Dona não chamava Manu de Tica-Tica, nem de Bistequinha, nem de Chuchu, nem de Lindossauro. Dona simplesmente olhava pra Manu e abanava o rabo. Porque para Dona, Manu era Manu. Um dia, Manu ficou intrigada. Sentou no chão da sala, cercada por toda a família e perguntou: Mas afinal, qual é o meu nome? A mãe respondeu: Tica-Tica. O papai disse: Bistequinha. A vovó Ana: Chuchu. O vovô Beto: Lindossauro!
Tia Lala entrou na brincadeira. E o tio Dudu também. A bisa Moesia deu risada. Gídio e Teté começaram a inventar outros nomes. Até tia Maia, que conhecia Manu desde pequenininha, tinha um jeito só dela de chamá-la. Manu arregalou os olhos: Mas vocês estão todos errados! A família caiu na risada. Meu nome é Manu! Era verdade. Mas naquela noite aconteceu uma coisa estranha. Quando Manu foi dormir, deixou todos aqueles nomes espalhados pela casa.
Tica-Tica ficou pertinho da mamãe. Bistequinha foi parar no sofá do papai. Chuchu ficou enroladinho no abraço da vovó Ana e do vovô Cacá. Lindossauro se escondeu entre as risadas da vovó Bia e do vovô Beto. Dudu e Lala guardaram seus nomes no bolso. Jiju e Teté levaram os deles para o quarto. E a tia Maia colocou seu nome especial num cantinho bem cuidado, junto das lembranças de quando Manu ainda era bebê. Só que no meio da noite, Dona acordou.
A cachorrinha levantou as orelhas, farejou o ar e percebeu uma coisa: Manu estava sem nenhum nome! Dona correu até o quarto. Manu dormia tranquila. Tona encostou o focinho na mão dela e naquele instante todos os nomes começaram a voltar. Primeiro Tica-Tica, depois Bistequinha, Chuchu, Lindossaura, os nomes do tio Dudu e da tia Lala, os nomes da bisa Moesia, os nomes inventados pelos primos, o nome guardado pela tia Maia. Todos voltaram correndo.
Como passarinhos procurando seus galhos. E Manu acordou, olhou ao redor. A casa estava cheia, cheia de nomes, de gente, de histórias. Foi então que ela percebeu uma coisa: talvez ela não tivesse tantos nomes, talvez tivesse tantos jeitos de ser amada. Porque cada nome guardava uma história. Chica Chica guardava o colo da mamãe. Bistequinha guardava as brincadeiras com o papai. Chuchu guardava os abraços dos avós. Lindo Saura guardava aquele carinho que só os avós sabem inventar.
Os nomes da família guardavam risadas, tardes juntos, festas, conversas e memórias. E o nome da Tia Maia guardava uma história ainda mais comprida, uma história que tinha começado quando Manu era pequenininha demais para entender qualquer coisa, mas grande o suficiente para já ser profundamente amada. Manu olhou para Dona. E você? Dona abanou o rabo. Manu pensou: talvez Dona também tivesse um nome secreto para ela, um nome que não precisava ser dito, um nome feito de cheiro de cachorro, abraço apertado, brinquedos espalhados pela casa e aquela alegria que só aparece quando alguém que a gente ama entra pela porta.
Manu sorriu. Agora tinha entendido. Seu nome de verdade era Manuela, mas todos os outros nomes também eram verdadeiros, porque algumas pessoas nos chamam pelo nome e outras nos chamam pelo lugar que ocupamos dentro delas. E talvez essa seja uma das coisas mais bonitas que existem: ser uma única pessoa e ainda assim morar de um jeito diferente no coração de cada um. Naquela noite, Manu voltou a dormir. Enquanto sonhava, alguém bem baixinho sussurrou: Boa noite, Ticatica.
Outro respondeu: Boa noite, Bistequinha. Mais adiante: Boa noite, Chuchu. Boa noite, linda Saura. Tia Maia sorriu. Dona se acomodou aos pés da cama e Manu dormiu. Manu Tica-Tica, Bistequinha, Chuchu, Lindossauro, Uma Menina, muitos nomes e um coração grande o bastante para caber todos eles. Que sono! Vamos dormir, Manu. Boa noite!
Amary Conta
Serviço de contação de histórias personalizadas