Episódios de A Mary Conta - Hora de Dormir

Maju e o fio que ligava dois lugares

23 de setembro de 20265min
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Tem saudade que aperta o coração de um jeito que até os pequenos sentem. 💛

A Maju tem cinco anos, é esperta, corajosa, adora brincar, dançar, correr no parquinho e, claro, um bom miojo! Mas existe uma coisa que ela ainda está aprendendo a entender: como sentir saudade de quem mora longe.

Desde que a família se mudou de Telêmaco Borba para Jacareí, a vovó Eloina, os priminhos Antônio e Cassiano, o tio Lucas e a tia Paula ficaram a muitos quilômetros de distância.

E foi dessa saudade que nasceu a história de hoje: sobre aprender que a distância pode separar os abraços, mas nunca aquilo que o amor construiu. ✨

Uma história sobre saudade, coragem, esperança e fé. Porque algumas pessoas moram longe dos nossos olhos, mas continuam pertinho do coração. ❤️

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Participantes neste episódio1
M

Mary

NarradorContadora de histórias
Assuntos5
  • Aprender a lidar com a saudade de quem mora longeMaju sente falta da família no Paraná·saudade que aperta o coração·lágrimas antes de perceber
  • A saudade como prova de que pessoas importantes moram dentro de nóssaudade não significa estar longe·vovó nas histórias e desenhos·abraços que valem a espera
  • A fé e o amor que persistem apesar da distância físicaacreditar mesmo sem ver·amor continua ali·imaginar a família reunida
  • Construindo pontes de afeto para diminuir a distânciadesenhos para a vovó·vídeos e fotos·histórias engraçadas para os priminhos
  • Crescer e aprender a viver com a saudade e a esperançachorar quando preciso·acreditar em dias melhores·fio invisível de amor e fé
Transcrição1 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz A

Tá na hora de dormir, mas antes a Mari conta uma história. Era uma vez Maju e o fio que ligava dois lugares. Maju tinha 5 anos e uma coleção inteira de coisas que sabia fazer muito bem. Sabia correr pelo parquinho sem medo de escorregar, sabia inventar brincadeiras que começavam com vamos fingir que e terminavam com todo mundo rindo, sabia dançar mesmo quando não havia música. Sabia que miojo ficava ainda melhor quando era preparado do jeitinho que ela gostava.

E sabia ser corajosa. Mas havia uma coisa que Maju ainda estava aprendendo: a sentir saudade. Desde que a mamãe Deise e o papai Luiz haviam se mudado do Paraná para São Paulo, algumas coisas tinham ficado muito longe. Longe demais para uma visita depois do almoço. Longe demais para aparecer de repente no portão. Longe demais para Maju correr até lá quando o coração apertava. No Paraná, onde tinha ficado a vovó Heloína, os priminhos Antônio e Cassiano, o tio Lucas e a tia Paula, e principalmente tinham ficado muitos abraços.

No começo, Maju achou que a saudade fosse uma coisa que passava. Esperou um dia, depois outro, outro, depois mais outro. Mas a saudade continuava chegando. Às vezes vinha na hora de dormir, às vezes aparecia quando Maju lembrava de alguma coisa engraçada que gostaria de contar para a vovó, e algumas vezes vinha tão forte que os olhos se enchiam de lágrimas antes mesmo que ela percebesse. Numa dessas noites, Maju abraçou o travesseiro e chorou.

Mamãe Deise entrou no quarto, sentou ao lado dela e perguntou: O que foi, minha filha? Eu queria vovó. Mamãe a abraçou. Eu sei. Queria poder ir lá agora. Eu também queria que fosse fácil assim. Magalu ficou quietinha por alguns segundos, depois enxugou as lágrimas e perguntou: Você acha que a vovó está pensando em mim? A mamãe sorriu. Eu tenho certeza. Magalu ficou pensando naquilo. Talvez fosse isso que significava ter fé. Acreditar mesmo quando os olhos não podiam ver.

Acreditar que o amor continuava ali, mesmo quando a pessoa estava longe. Naquela noite, Magalu fechou os olhos e imaginou a vovó Heloína lá no Paraná. Imaginou Antônio e Cassiano brincando. Imaginou o tio Lucas e a tia Paula. E imaginou o dia em que todos estariam juntos outra vez. No dia seguinte, Maju teve uma ideia. Se ela não podia diminuir a distância entre Jacareí e Telemaco Barbosa, talvez pudesse construir uma ponte. Não uma ponte de concreto, uma ponte feita de pequenas coisas.

Começou desenhando para a vovó. Depois fez um vídeo dançando. Mandou uma foto do parquinho, contou para os priminhos uma história engraçada que tinha acontecido naquele dia. E numa tarde, enquanto comia seu miojo, olhou para mamãe e disse: Mamãe, eu acho que descobri uma coisa. O quê? A saudade não quer dizer que a gente está longe de verdade. Mamãe sorriu. E o que ela quer dizer? Maju pensou um pouquinho. Que tem gente muito importante morando dentro da gente.

E foi assim que Maju começou a entender. Ela ainda chorava quando sentia falta da vovó, ainda queria abraçá-la, ainda contava os dias para o próximo encontro, mas descobriu que sentir saudade não significava estar sozinha. A vovó estava nas histórias que ela lembrava, nos desenhos enviados pelo celular, nas risadas dos priminhos, nas chamadas de vídeo e nos abraços que, mesmo demorando para acontecer, sempre valiam a espera, porque algumas pessoas moram longe dos nossos olhos, mas nunca ficam longe do nosso coração.

E Maju, esperta e corajosa como era, aprendeu que crescer também era isso: descobrir que podemos sentir muito, chorar quando for preciso, acreditar que dias melhores virão e ainda assim seguir brincando, dançando, correndo pelo parquinho e vivendo novas aventuras. Enquanto isso, entre São Paulo e Paraná havia um fio invisível, um fio feito de amor, esperança e fé. Toda vez que Maju pensava na vovó Heloína, o fio se esticava um pouquinho, mas nunca arrebentava, porque há distâncias que os quilômetros conseguem medir e há outras que o amor simplesmente infelizmente não deixa de existir. Sono! Vamos dormir, Maju. Boa noite.

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