Episódios de A Mary Conta - Hora de Dormir

Mikaela e a coleção de céus

25 de julho de 20266min
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✨ Mudar de cidade pode dar medo. Mudar de escola pode apertar o coração. Mas também pode ser o começo de novos céus para descobrir. 💙

Esta é a história da Mikaela, criada especialmente para ajudá-la a viver esse momento de mudança com mais leveza, acolhendo a saudade sem deixar de acreditar nas novas amizades, nas novas descobertas e em tudo o que ainda está por vir.

Cada criança tem sua própria história, seus desafios, seus sonhos e seus jeitinhos. Por isso, cada história da **A Mary Conta** é escrita de forma totalmente personalizada, para que ela se reconheça como protagonista de uma aventura única.

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Participantes neste episódio2
M

Mary

NarradorContadora de histórias
M

Mikaela

Narrador
Assuntos2
  • O Colecionador de LágrimasMudança de cidade · Adaptação a novos lugares · Saudade de amigos · Novas amizades
  • Memória e esquecimentoCéu de Santo André · Campos dos Goitacazes · Céu de Maricá · Coleção de céus
Transcrição1 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
MMikaela

Tá na hora de dormir, mas antes a Mari conta uma história. Era uma vez Micaela e a coleção de céus. Micaela tinha 5 anos, cachinhos que pareciam desenhados pelo vento e uma curiosidade que nunca tirava férias. Ela fazia perguntas para tudo. Será que as nuvens passeiam? Os passarinhos sabem o nome das cidades? E o céu? Será que é sempre o mesmo? Enquanto muita gente olhava para frente, Micaela gostava de olhar para cima. Ela dizia que cada céu contava uma história.

Quando morava em Santo André, em São Paulo, o céu aparecia entre os prédios, às vezes escondidos atrás das árvores, às vezes cheios de nuvens que pareciam algodão. Ela gostava de desenhá-lo com lápis de cor azul. Depois, a família se mudou para Campos dos Goitacazes, No começo, tudo parecia diferente demais. A escola, as ruas, as vozes. Ela sentia saudades antes mesmo de conhecer aquele lugar. Foi um tempo difícil, mas bem devagar aconteceu uma coisa curiosa.

O céu de Campos começou a mudar. Ou talvez fosse o coração de Micaela. Depois que conheceu Bela, Maísa, Ana Júlia e Marina, aquele céu ganhou novas cores. As tardes na pracinha, Correndo para o parque e pulando no pula-pula até perder o fôlego. Pareciam pintar o céu com um azul diferente, mais brilhante. Os desenhos voltaram a encher as folhas. As histórias voltaram a morar na imaginação. Campos já não era apenas uma cidade, era um pedacinho da vida dela.

Então, um dia veio outra notícia: a família iria morar em Maricá. Perto da praia. Micaela sorriu quando ouviu falar do mar, mas logo seus olhos se enchiram de lágrimas. Ela não queria deixar as amigas. No último dia de aula, fizeram um lanchinho juntas, deram risadas, trocaram presentes, prometeram sentir saudade. Quando voltou para casa, Micaela foi até a janela, olhou para o céu de Campos. Parecia o mesmo de sempre, mas ela pensou: será que ele vai ficar triste porque eu vou embora?

Naquela noite, seu pai se sentou ao lado dela. Sem dizer muitas palavras, apenas perguntou: Você já reparou que nunca desenha dois céus iguais? Micaela pensou um pouco. Era verdade. Cada desenho era diferente. Alguns tinham nuvens compridas, outros eram bem clarinhos. Alguns pareciam sorrir, outros tinham cara de chuva. Então ela completou: talvez seja porque cada lugar deixa uma cor diferente dentro da gente. Naquela mesma noite, Micaela teve uma ideia.

Pegou um caderno de desenhos. Na primeira página, desenhou o céu de Santo André. Na segunda, o céu de Campos dos Goitacazes. Não escreveu o nome das cidades, apenas escreveu: meu primeiro céu, meu céu das grandes amizades. Quando a mudança finalmente aconteceu, ela passou boa parte da viagem olhando pela janela do carro. As nuvens pareciam acompanhar a estrada. Quanto mais chegavam perto de Maricá, mais o vento mudava. E de repente, lá estava ele, o mar, tão grande que parecia conversar com o céu.

Micaela ficou em silêncio. Nunca tinha visto um céu tão aberto. Na manhã seguinte, acordou cedo. Foi caminhar na praia. As gaivotas voavam bem alto. O vento fazia seus cachinhos dançarem. As ondas desenhavam linhas brancas na areia. Ela sorriu. Naquele instante, percebeu que aquele céu ainda não tinha sido desenhado. Correu para casa e abriu seu caderno. Na página seguinte, escreveu: O céu que cheira a mar. Enquanto desenhava, imaginou como seria a nova escola.

Sentiu aquele friozinho na barriga outra vez, mas então olhou para as páginas anteriores. Cada céu contava uma fase da sua vida. Nenhum tinha apagado o outro, todos continuavam ali. Ela percebeu que as cidades não competiam entre si, cada uma oferecia um céu diferente para guardar. No primeiro dia de aula, respirou fundo antes de entrar. Ainda sentia saudades da Bela, da Maísa, da Ana Júlia e Marina. E tudo bem, saudade também fazia parte da coleção.

Na hora do recreio, uma menina perguntou: Você quer desenhar comigo? Micaela sorriu e respondeu: Quero! Enquanto escolhia o lápis de cor, levantou os olhos por um instante. O céu de Maricá estava enorme. Parecia ter espaço para o passado, para o presente e para tudo que ainda estava por vir. Naquela tarde, ela acrescentou mais uma frase no seu caderno: Descobri que existem céus que a gente conhece com os olhos e céus que a gente conhece com o coração.

E foi assim que Mikaela entendeu que mudar de cidade nunca significava deixar um céu para trás, significava apenas aumentar a sua coleção. Porque quem coleciona céus nunca perde os antigos, apenas aprende a amar novos horizontes. Ai, que sono! Vamos dormir, Micaela. Boa noite.