Episódios de A Mary Conta - Hora de Dormir

Helena, a inventora de pessoas

25 de julho de 20267min
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✨ Cada criança enxerga o mundo de um jeito único. A Helena, por exemplo, transforma cada pessoa que encontra em uma nova história. 💛

Essa é uma das histórias personalizadas do **A Mary Conta**, criada especialmente para refletir a personalidade, os sonhos, as brincadeiras e os afetos de uma criança. Um presente cheio de significado, que se transforma em uma lembrança para toda a vida.

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Porque toda criança merece ser a protagonista da sua própria história. ✨

Participantes neste episódio1
M

Mary

NarradorContadora de histórias
Assuntos2
  • Camadas narrativas e criativasHistória de Amor de Dona Helena e Luiz · Acreditar na magia das pessoas · Observar e inventar histórias sobre desconhecidos · Timidez e a superação para fazer amigos
  • A natureza da amabilidadeA realidade pode ser tão bonita quanto a imaginação · Conhecer a história verdadeira das pessoas · A gentileza abre todas as portas · Fazer uma pergunta pode ser tão incrível quanto inventar uma resposta
Transcrição1 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
MMary

Tá na hora de dormir, mas antes a Mari conta uma história. Era uma vez Helena, a inventora de pessoas. Helena não acreditava que existiam lugares mágicos, ela acreditava que as pessoas eram mágicas. Toda vez que ia ao campão de patinete com a Luninha, inventava uma história para alguém que via. O senhor sentado no banco era um astronauta aposentado que que agora observava as nuvens para matar as saudades do espaço. A moça caminhando rápido, uma detetive secreta perseguindo um pombo muito importante.

O menino quietinho na areia, um cientista construindo a primeira cidade para formigas. Ela nunca dizia essas histórias em voz alta para desconhecidos, era tímida demais para isso, mas cochichava tudo para Luninha, que parecia concordar em cada invenção. Até que um dia apareceu uma menina nova no campão. Sentada sozinha, Helena ficou observando de longe. Queria falar, mas a timidez parecia ter colocado um nó na sua garganta. Então teve uma ideia.

Pegou uma folha caída, desenhou um enorme sorvete com rostinho sorridente e escreveu com a ajuda da mamãe: esse sorvete está procurando alguém para dar risada. Dobrou o desenho e pediu para Luninha levar. A cachorrinha caminhou toda orgulhosa. A menina abriu o papel e começou a rir. Poucos minutos depois, as duas já estavam dividindo o patinete e inventando histórias. Na volta para casa, a mamãe perguntou: Como fez uma amiga tão rápido?

Helena respondeu: Eu não fiz. Não, foi a imaginação que apresentou a gente. A mamãe sorriu. Sabia que aquela resposta só poderia ter vindo de Helena. Na manhã seguinte, a nova amiga já estava esperando. Assim que Helena chegou, Luninha correu na frente, como se também estivesse feliz pelo reencontro. As duas passaram a tarde brincando. Ora de boneca embaixo de uma árvore, ora fingindo que o patinete era um foguete, ora desenhando com gravetas na terra.

Mas a brincadeira preferida continuava sendo inventar histórias para as pessoas. Olha aquele menino, disse a amiga. Helena observou. Ele carregava uma mochila enorme. Acho que ele é um colecionador de pedras especiais. Cada uma guarda uma lembrança feliz. As duas sorriram. Pouco depois, passou uma senhora empurrando um carrinho cheio de flores. E ela? Helena respondeu sem pensar muito. Ela é a Jardineira dos Sonhos. Toda noite planta flores coloridas para enfeitar os sonhos das crianças.

A amiga ficou admirada. Como você consegue inventar tantas coisas? Helena olhou para o céu por alguns segundos. Eu não invento tudo. Primeiro eu observo, depois deixo a imaginação terminar o resto. Foi naquele momento que percebeu uma coisa: enquanto ela imaginava histórias sobre as pessoas, as pessoas também tinham histórias de verdade. No banco perto do campão, o senhor que ela chamava de astronauta estava ensinando o neto a jogar dama.

A senhora das flores conversava com todos que passavam. O menino da mochila realmente colecionava alguma coisa, mas não eram pedras, eram folhas diferentes que encontrava pelo caminho. Helena achou aquilo mais interessante. Descobriu que a realidade podia ser tão bonita quanto a imaginação. Naquela tarde, ela teve uma ideia, pegou seu caderno de desenhos e escreveu na primeira página: Livro das Pessoas Incríveis. Sempre que voltava do campão, fazia um desenho de alguém que havia visto.

Ao lado, escrevia duas histórias. A primeira era a história da sua imaginação. A segunda era a história verdadeira, quando conseguia conhecê-la. Logo o caderno ficou cheio. Havia o moço que parecia bravo, mas sorria toda vez que encontrava um cachorro. A menina que parecia muito séria, mas sonhava em ser bailarina. O vendedor de pipoca que conhecia piadas para fazer qualquer criança rir. A senhora que alimentava passarinhos porque dizia que eles levavam boas notícias para a cidade.

Cada nova página fazia Helena perceber uma coisa importante: às vezes a história imaginada era linda, mas a verdadeira conseguia ser mais ainda. Um dia, enquanto desenhava mais uma página do seu caderno, Ela perguntou à mamãe: Você acha que eu vou parar de inventar pessoas quando eu crescer? A mamãe fez um carinho em seus cabelos. Eu espero que não, minha filha. Helena arregalou os olhos. Sabe por quê? Ela balançou a cabeça. Porque quem imagina coisas bonitas sobre os outros aprende a olhar o mundo com mais carinho.

E quem também escuta a história verdadeira descobre que cada pessoa é única. Helena ficou pensando naquilo. Na tarde seguinte, voltou ao campão. Viu o senhor sentado em um banco. Dessa vez, antes de inventar qualquer história, aproximou-se devagar. Ainda era tímida. Seu coração batia um pouquinho mais forte quando precisava falar com alguém novo. Mesmo assim, criou coragem. Oi! O senhor sorriu. Oi! Posso sentar aqui? Claro. Conversaram por alguns minutos.

Ele contou que ia ao campão todas as tardes porque gostava de ver crianças brincando. Dizia que elas lembravam seus netos que moravam longe. Quando Helena foi embora e Luninha caminhava feliz ao seu lado, a menina sorriu. Ainda gostava de imaginar astronautas, detetives, cientistas e jardineiras, mas descobriu que fazer uma pergunta podia ser tão incrível quanto inventar uma resposta. Naquela noite, escreveu a última frase do seu caderno: Toda pessoa guarda uma história invisível.

A imaginação nos ajuda a abrir a primeira porta. A gentileza abre todas as outras. Desde então, quem encontrava Helena andando pelo patinete lá no campão via apenas uma menina sorridente acompanhada da sua inseparável Luninha. Mas ela sabia de um segredo: o mundo não era feito apenas de árvores, bancos, brinquedos e caminhos. Era feito de pessoas, e cada pessoa era um livro esperando alguém curioso, gentil e cheio de imaginação para ler. Que sono! Vamos dormir, Helena. Boa noite.

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