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"Moldados por uma nova Identidade" por Rafa França

05 de maio de 202648min
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Participantes neste episódio1
R

Rafa França

Host
Assuntos6
  • A Fé e a Prática CristãLei mosaica · Circuncisão · Obras da lei · Graça de Deus
  • Série Moldados: Carta aos GálatasDefesa do Evangelho · Martinho Lutero e a Reforma · Gálatas 2:11-21
  • Identidade em CristoNova criação · União com Cristo · Morte e ressurreição de Cristo · Batismo
  • Conflito entre Paulo e PedroPedro em Antioquia · Comunhão com gentios · Temor da circuncisão · Hipocrisia de Barnabé
  • Cristo saudando a IgrejaEvangelho presumido e confundido · Moralidade e religiosidade · Martinho Lutero · Tim Keller
  • O Evangelho como meio de vidaCriação · Queda e pecado · Idolatria · Redenção em Cristo
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partilhar com vocês a palavra do Senhor, a série Moldados, é a nossa série de sermões baseados na carta de Paulo aos Gálatas, onde a gente pode revisitar um tema que é de fundamental importância para a igreja, que é o Evangelho, e é significativo demais fazer isso a partir da carta aos Gálatas, porque não somente ela é na Bíblia uma defesa enérgica que Paulo faz do Evangelho, como também foi a força propulsora dos esforços de Martinho Lutero durante a Reforma para redescobrir o Evangelho.

Então, se você quer saber como o homem de Deus reage quando o Evangelho está sob ataque, é na Carta aos Gálatas que você deve olhar. O episódio de hoje vai se basear em Gálatas 2, capítulo de 11 a 21.

A gente vai ler o texto, depois eu insiro a passagem num contexto mais amplo, depois dentro da carta, e a gente vai perceber princípios que Paulo esplana, que vão reforçando o argumento central da carta. Mas antes eu queria orar, eu queria pedir que você baixasse a cabeça, que você levantasse a Deus o seu coração e a sua mente, para que esse seja um momento marcante e significativo para você.

Muito obrigado pela benção da tua palavra, que como uma espada de dois gumes penetra fundo no nosso coração, ajudando-nos a discernir aquilo que em nós está em desacordo e desalinhado com o teu evangelho.

Que o Espírito Santo esteja no meio do teu povo, abrindo o entendimento e preparando os corações para recebê-la, para que por essa palavra sejamos confrontados, consolados e transformados. Me ajude a ser cuidadoso nas minhas palavras, para que eu não seja aleviando com as coisas sagradas, que eu seja claro no meu pensamento e que o Espírito Santo esteja movendo tudo que acontece a partir desse momento.

fomos confrontados com uma visão clara de quem Tu és por meio dos louvores. Nós Te pedimos que reoriente o nosso coração, que esclareça a nossa mente, que reordene os nossos afetos, Pai. Nos ajuda, porque somos tolos, somos fracos e completamente desesperados da Tua graça, Senhor. Então vem nos visitar com misericórdia, com bondade.

Cuida de nós porque somos o teu povo. Aqui o que está em jogo é a tua glória, o teu reino, o teu nome. Nos ajuda, em nome de Cristo. Amém. Gálatas 2, capítulo 2, versículos de 11 a 21. Diz o seguinte. Quando, porém, Pedro veio à Antioquia, enfrentei-o face a face por sua atitude condenável.

pois antes de chegarem alguns da parte de Tiago, ele comia com os gentios. Quando, porém, eles chegaram, afastou-se e separou-se dos gentios, temendo os que eram da circuncisão. Os demais judeus também se uniram a ele nessa hipocrisia, de modo que até Barnabé se deixou levar. Quando vi que não estavam andando de acordo com a verdade do Evangelho, declarei a Pedro diante de todos, você é judeu, mas vive como gentio e não como um judeu.

Portanto, como pode abrigar os gentios a viverem como judeus? Nós, judeus do nascimento e não gentios pecadores, sabemos que ninguém é justificado pela prática da lei, mas mediante a fé em Jesus Cristo. Assim, nós também cremos em Cristo Jesus para sermos justificados pela fé em Cristo, e não pela prática da lei, porque pela prática da lei ninguém será justificado.

Se, porém, procurando ser justificados em Cristo, descobrimos que nós mesmos somos pecadores. Será Cristo, então, ministro do pecado? De modo algum. Se reconstruo que destruí, provo que sou transgressor. Pois, por meio da lei, eu morri para a lei, a fim de viver para Deus.

Fui crucificado com Cristo, assim já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. E a vida que agora vivo no corpo, vivo-a pela fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim. Não anulo a graça de Deus, pois se a justiça vem pela lei, Cristo morreu inutilmente.

Então, antes de examinarmos a passagem em questão, a gente precisa entender um pouco do contexto em que seja que Paulo escreva essa carta. O movimento de Jesus e de seus discípulos, nos seus inícios, era predominantemente judaico.

Só que depois de um tempo, motivados por uma pregação, seguidores de Cristo saem da Judéia e vão para outras regiões, regiões da Síria, regiões do sul da Europa, da Ásia, e ali a igreja vai crescendo e se torna predominantemente gentílica. Os gentios eram aqueles que não eram judeus.

Então, a igreja, que era predominantemente judaica, se torna, nessas regiões, predominantemente gentílica. E Paulo era aquele que havia sido chamado por Cristo para ser apóstolo aos gentios. O evangelho se propaga nessas regiões, principalmente pelos esforços missionários do apóstolo Paulo. Ele empreende três viagens, iniciando ali na região da Judéia, no oeste da África, no sul da Ásia, e ele chega até o Maregeu. Então, quando...

pessoas de Jerusalém ouvem que o Evangelho estava frutificando em meio aos gentios, alguns enviados da igreja de Jerusalém vão para essas regiões para verificar o que estava acontecendo. Por que o Evangelho estava frutificando tanto em meio aos gentios? Será que a mensagem anunciada por Paulo e seus colaboradores estava alinhada com a mensagem que eles anunciavam em Jerusalém? E é nesse contexto que Paulo escreve a carta.

E é entendendo isso que a carta de Paulo aos Gálatas é uma tentativa de defender a sua autoridade apostólica e fazer uma defesa do evangelho que ele pregava, que trechos da carta vão sendo entendidos? Por exemplo, na abertura da carta, Paulo se apresenta de maneira diferente do que ele faz em outras cartas. Na carta de Paulo aos Gálatas, ele diz, Paulo, apóstolo enviado, não da parte de homem algum, nem de ser humano algum.

Ele estava dizendo que o chamado que ele havia recebido para ser apóstolo havia sido dado pelo próprio Jesus Cristo, e não pela igreja de Jerusalém.

porque os opositores de Paulo nessa região estavam dizendo que o evangelho que Paulo pregava era um evangelho incompleto, era um evangelho que não era sancionado pela igreja de Jerusalém. E Paulo vai dizer que, apesar de ele não haver sido chamado pelos discípulos de Jerusalém, o evangelho que ele pregava estava, sim, alinhado tanto com as escrituras quanto com o evangelho que os discípulos de Jerusalém pregavam.

E aí ele vai dizer, o chamado que eu recebi não recebi de homem algum. Eu recebi o chamado do próprio Senhor Jesus Cristo. Quando indo para Damasco, o Cristo ressurreto aparece para mim. O evangelho que eu prego não recebi de homem algum, mas recebi de revelação do próprio Senhor Jesus Cristo.

E aí, para mostrar que o que ele pregava estava em consonância com a mensagem da igreja de Jerusalém, ele diz, quando eu me converti, eu não fui para Jerusalém, passei um tempo na Arábia, depois fui para Jerusalém, passei 15 dias com Pedro conversando, voltei para Damasco, e 14 anos depois eu fui para a igreja novamente e encontrei com Pedro, com Tiago e com João, que eram colunas da igreja.

Nessa ocasião, eu expus o evangelho que eu pregava, e ele, em sinal de comunhão, estenderam a destra para mim, e reconheceram que o Senhor havia me chamado para pregar o evangelho aos gentios, assim como eles haviam sido chamados para pregar o evangelho para os judeus.

Então, quando Paulo sinaliza isso na carta, o que ele está dizendo é, Gálatas, a acusação desses que vêm aqui perturbar vocês é que eu prego um evangelho diferente do evangelho que os apóstolos pregam em Jerusalém. Mas é mentira, porque quando eu me encontrei com eles, houve uma conversa íntima, não foi uma reunião pública, foi privada, porque eu não preciso provar que eu sou apóstolo, e quando conversamos...

Eles viram que o evangelho que eu pregava era igual ao evangelho que eles pregavam. A única recomendação que Tiago fez foi que eu cuidasse dos pobres, coisa que eu tenho feito até então. E aí ele diz, por que é que vocês estão abandonando o evangelho que eu lhes anunciei para se apegarem a outra mensagem que não é evangelho coisa nenhuma? Isso foi parte do primeiro episódio, que é quando Paulo saúda a igreja.

Ele não louva a Deus pelo que Deus tem feito na igreja e ele já mete o pé na porta. Eles chamam os Gálatas de insensatos porque eles haviam abandonado o Evangelho. Vocês lembram que eu falei que a carta aos Gálatas é uma defesa enérgica de Paulo do Evangelho? Alguns autores dizem que a carta aos Gálatas é a irmã mais nova e raivosa da carta aos Romanos. Em Romanos, Paulo faz uma apresentação sistemática.

em Gálatas ele faz uma defesa contundente. Paulo diz que quando se trata do Evangelho é tudo ou nada. Ele não negocia. Tanto que, para reforçar essa argumentação que ele desenvolve no capítulo 1 e 2, ele chega nesse episódio em que ele repreende Pedro de maneira franca diante de todas as pessoas.

Porque eu não sei se vocês lembram, mas nos capítulos 10 e 11 do livro de Atos, fala como Pedro foi chamado pelo próprio Deus para anunciar o evangelho a um gentil.

Vocês lembram do episódio quando Pedro recebe uma visão e Deus chama ele para pregar o Evangelho para Cornélio, um centurião romano. Então, Pedro recebe uma visão de um lençol que desce do céu, cheio de animais impuros, que os judeus não comiam. E, na visão, ele escuta uma voz que diz que ele matasse e comece aqueles alimentos.

Ele reluta, mas recebe uma ordem de Deus que ele coma, porque aquilo que Deus estava purificando não deveria mais ser considerado impuro. Era uma representação de que os gentios com quem os judeus não se associavam não eram mais considerados povos impuros. Então Pedro obedece a Deus, vai para a Cesareia, encontra Cornélio, come com ele, diz que teve a visão.

anuncia o Evangelho e o Espírito Santo desce sobre Cornélio, sobre a casa dele. Aquilo era um claro sinal de que os gentios, que estavam separados dos judeus por causa da lei, da circuncisão e da aliança, estavam agora sendo incluídos como povo de Cristo. Não havia mais barreiras étnicas, religiosas ou sociais que excluíssem os gentios das bênçãos da aliança.

Esse mesmo Pedro, depois de um tempo, vai para Antioquia, que era a terceira maior cidade do Império Romano, e onde havia a maior igreja gentílica daquela época, a igreja que enviou Paulo e Barnabé em missão, e ele, chegando lá, ele vê tudo o que Deus está fazendo no meio dos gentios, se alegra com isso e começa a comer com os irmãos.

Depois de um tempo, esses judeus vindos de Jerusalém, e a gente não sabe se são cristãos judeus ou se são judeus que perseguiam a igreja, chegam à Antioquia e veem que Pedro, o grande apóstolo e um dos líderes da igreja de Jerusalém, está agora se associando com os gentios.

E Paulo diz que Pedro, temendo os que eram da circuncisão, se afasta dos gentios com quem antes ele comungava. E é interessante que ele fala que ele comia com os gentios, e se vocês lembram do que Paulo escreveu na carta aos coríntios, não era somente partilhar a mesa em comunhão.

Naquele contexto, a ceia era celebrada nas festas ágape. Então, quando eles comiam juntos, eles não somente partilhavam a refeição, era uma festa em que também a ceia era celebrada. Quando Pedro se aparta dos gentios, tendo medo da circuncisão, ele não está somente deixando de fazer refeições com o povo, ele está deixando de participar da ceia com o povo.

Ele estava dizendo que aquilo que havia sido superado em Cristo estava sendo restabelecido novamente. O apóstolo dos judeus naquela comunidade começa a tratar os gentios como crentes de segunda categoria.

porque a alegação dos opositores de Paulo é que os gentios convertidos a Cristo deveriam ser circuncidados, guardarem sábados, observarem leis dietéticas para que fossem considerados cristãos de fato, para que estivessem em um relacionamento com Deus e fossem povo da aliança. É a isso que Paulo reage dizendo que não.

Os gentios que criam em Cristo não deveriam ser circuncidados, não deveriam observar a lei e não deveriam guardar sábados e leis dietéticas para serem considerados povos da aliança. Porque Paulo argumenta, a partir do versículo 16, que somos justificados pela fé em Cristo.

Justificação é uma palavra rica de significado no vocabulário teológico. Significa aqueles que foram postos num relacionamento correto com Deus, que foram reconciliados com Deus e são parte do povo da aliança. Paulo insiste desde o início que nós somos justificados pela fé em Cristo e não pela lei.

Os opositores de Paulo diziam que não. A fé em Cristo é importante, mas acrescentado à fé em Cristo deveriam estar a circuncisão, a observância da lei, as leis dietéticas, a guarda de sábados. E Paulo vai dizer que, se você insiste nisso...

você está fazendo com que a obra de Cristo em nosso favor seja em vão. Porque você acrescenta a obra perfeita de Cristo, os nossos esforços, nossa tradição religiosa, o nosso repertório, a nossa denominação, aquilo que nos distingue como povo. E Paulo é enfático em dizer...

Se vocês acolhem essa mensagem, se vocês aceitam a sugestão de que para serem cristãos plenos, vocês precisam ser circuncidados e observarem a lei, vocês se apartaram de Cristo. É por isso que ele diz, se vocês deixaram o evangelho que os chamou pela graça de Cristo para abraçarem outro evangelho, que não é evangelho coisa nenhuma.

que ele chega ao ponto de dizer, olha, nós que somos judeus de nascimento, e não gentios pecadores, isso era uma forma pejorativa de judeus falarem de gentios, nós, os judeus, cremos em Cristo para sermos justificados, porque nós sabemos que pela lei ninguém será justificado. Como é que agora vocês estão aceitando essa sugestão de que precisam ser circuncidados?

parem de ser insensatos, vocês estão edificando aquilo que Cristo derrubou, vocês estão exigindo aquilo que o próprio Cristo não exige mais, vocês estão colocando obstáculos no caminho daqueles que querem se chegar a Deus.

Vocês estão dizendo que a obra perfeita de Cristo na cruz, em nosso lugar, em nosso favor, não é suficiente para nos salvar. Você está dizendo que para alguém ser justificado e ser considerado povo da aliança, precisa, antes de tudo, se tornar judeu. E Paulo vai dizer isso, não faz o menor sentido, meu irmão. Não faz o menor sentido. E ele segue argumentando, dizendo o seguinte.

No início da carta, quando Paulo saúda a igreja, ele diz que Cristo morreu pelos nossos pecados para nos libertar da presente era perversa. E aí ele volta a mencionar Cristo novamente agora, dizendo que eu não vivo, mas Cristo vive em mim. E a vida que vivo no corpo, vivo pela fé no Filho de Deus, que morreu e se entregou por mim. Porque é o seguinte, meus irmãos, quando Cristo morre na cruz,

Ele morre e faz morrer na morte dele o mal, o pecado, e uma presente era de morte, de juízo e de perversão. Quando ele ressuscita dos mortos, ele inaugura uma nova criação, uma era de justiça, de santidade, de poder, em que, pelo Espírito Santo, aquilo que foi inaugurado nele vai sendo levado até a sua plenitude.

E todos nós que somos unidos a Cristo pela fé, não somente recebemos o benefício da justificação, mas somos incorporados em Cristo e somos parte dessa nova criação. Então, quando Paulo diz que os judeus não precisam mais observar a lei para serem justificados, é porque a antiga aliança fazia parte dessa antiga era. Mas a antiga era morreu com a morte de Cristo. Um novo mundo surge com sua ressurreição.

Antigamente, os judeus precisavam ser marcados por meio da circuncisão como um povo da aliança, distinto dos outros povos. Agora, o que nos distingue dessa presente era má é a nossa fé em Cristo e a nossa união com Cristo. É por isso que Paulo diz que ele não vive, mas Cristo vive nele.

Porque por meio da fé, ele é unido a Cristo, ele é incorporado a Cristo. Existe comunhão e participação com Cristo. Então, nessa nova era, são membros do povo de Cristo, justificados, reconciliados, feitos povo, todos aqueles que são unidos a Cristo pela fé somente.

Aquilo que a lei não podia fazer, aquilo que a circuncisão não pode fazer, aquilo que a observância de dias ou de dietas não pode fazer, Cristo fez em seu corpo. E nós participamos disso pela fé somente. Qualquer tentativa de salvação por meio de devoção, de religião, de moralidade, de bondade própria, é uma rejeição da obra completa e perfeita de Cristo em nosso lugar.

Qualquer tentativa de fazer a nossa tradição aperfeiçoar aquilo que Cristo fez em nosso lugar, em nosso favor na cruz, é uma declaração implícita de que Cristo não é um suficiente salvador para nós. E Paulo combate isso com muita veemência. Porque não é somente uma questão de ser cristão nos moldes gentílicos ou cristão nos moldes judaicos.

Não é hoje como nós temos denominações e tem um cristão pentecostal, ou um cristão calvinista, ou um cristão arminiano. Não é isso. Quando os judeus insistiam que eles deveriam circuncidar-se para serem incluídos como o povo da aliança, eles estavam, na verdade, pregando o outro evangelho.

E nós precisamos ser muito cuidadosos para que no nosso zelo pela nossa tradição religiosa, por nossa posição teológica, por nossa herança doutrinária, ou pelos costumes que nós recebemos dos nossos antepassados espirituais, nós não estejamos colocando no caminho de pessoas empecilhos à graça. Porque tudo isso que os judeus valorizavam tanto,

que eram expressões da herança recebida no Antigo Testamento, se tornaram para os cristãos gentios um obstáculo à graça do Senhor. E como eu disse antes, para Paulo, quando o Evangelho está em jogo, ou é tudo ou é nada.

a ponto de ele dizer, um apóstolo autorizado, vindo da igreja de Jerusalém, quando agiu de contrário à verdade do Evangelho, eu apontei o R.B. de Pedro na cara de todo mundo. Porque quando ele ajuda esse modo, algumas pessoas foram seduzidas pelo comportamento deles, afastaram dos gentios.

Até mesmo Barnabé, que no início da igreja, no início das missões, foi quem viu os gentios se convertendo a Deus e ficou alegre com isso. Barnabé se afastou dos gentios. Era como se agora não é igreja como a da gente.

Em algum momento, a gente tivesse todo mundo em comunhão, participava da ceia, consideramos todo mundo plenos cristãos, em plena comunhão com Cristo, plenos direitos, e, de repente, por ingerência de algumas pessoas mais rigorosas na religião, a gente começasse a rejeitar aqueles de nós que tiveram um passado pregresso, uma vida pregressa devassa. E aí a gente começasse a se afastar dessas pessoas porque são cristãos de segunda categoria.

Ou a gente começasse a julgar barreiras étnicas e raciais como critério para a gente se separar das pessoas. Ou a orientação sexual, ou a posição política. E a gente fosse fazendo destas questões os critérios pelos quais a gente decidiria sobre quem tem comunhão conosco e com Cristo e quem está fora. Você é de direita, você é meu irmão. Você é de esquerda, você não é. Ou vice-versa.

Você crê na família tradicional, você está comigo. Você não crê, você não faz parte do povo de Deus. E eles começaram a pegar esses marcadores para dizerem quem estava dentro e quem estava fora. E Paulo diz, não.

O único critério pelo qual alguém é reconciliado, perdoado e feito povo é a fé em Cristo. Porque pela fé em Cristo somos unidos a Ele, saímos de uma era perversa e de morte para uma nova criação em Cristo. E é por isso que o episódio da série fala de moldados numa nova identidade. Porque no momento em que nós somos unidos a Cristo, nós não somente somos perdoados, nós somos feitos um com Cristo.

A justificação sobre a qual Paulo fala aqui é importantíssima. Foi o pivô da reforma religiosa.

A salvação, o início da salvação, essa justificação, é por fé somente ou por nossas obras? É algo que recebemos de Deus como um dom ou é uma conquista pelos nossos esforços? É algo que recebemos somente por fé ou é algo que Deus nos dá por nossa devoção religiosa? E Paulo vai dizer, é somente por fé, por aquilo que Cristo fez em nosso lugar. Mas gloriosa que seja a justificação.

razão pela qual nós louvamos a Deus e os anjos cantam no céu, a justificação é somente o início de uma grande obra de Deus em nosso favor. A justificação é como pecadores são reconciliados com Deus e feito parte do povo de Deus. Mas a obra de Deus em nosso favor é muito mais ampla do que isso, porque no momento em que cremos em Cristo e somos perdoados, reconciliados e unidos a Cristo, inicia-se um longo processo pelo qual somos formados à imagem de Cristo.

E a fonte disso, sabe, o fundamento disso é o fato de que agora Cristo vive em nós. Paulo usa uma expressão em suas cartas que tem rico significado e que é a base de todo o pensamento dele. A expressão é em Cristo. Duas palavrinhas, em Cristo. E coincide em grego e em português, em Cristo. No raciocínio de Paulo, quando cremos em Cristo, nós somos incorporados em Cristo.

Nós fazemos parte de Cristo. A relação que nós temos com Jesus é muito diferente da relação que o adepto de outras religiões tem com seus profetas e fundadores. Se você vê um muçulmano olhando para Maomé, ele acolhe seus ensinamentos, ele olha para Maomé com um exemplo de devoção, de fé, um homem representante de Alá. Mas a relação que nós temos com Jesus não é somente a de admiração com o grande mestre.

A relação que nós temos com Cristo não é de alguém olhando para alguém de moral elevada, de um pensamento único, que vê nele um referencial do que seja uma boa vida. Os cristãos estão unidos a Cristo pela fé. De maneira que aquilo que é verdade sobre Cristo é verdade sobre nós.

Esse raciocínio de Paulo é um eco do ensino do próprio Jesus. Porque em João, no capítulo 15, vocês lembram que ele diz, eu sou a videira e vocês são os ramos. Vocês não podem fazer nada se vocês não estiverem em mim. A vida, a vitalidade, o poder, a identidade, o propósito que nós temos, não é porque olhamos para Cristo como modelo, é porque nós estamos unidos a Cristo pela fé.

Paulo diz que por estarmos unidos a Cristo, nós somos nova criação. Há um texto de Paulo em 2 Coríntios, que na maioria das Bíblias é traduzido como aquele que está em Cristo é nova criatura. Mas a melhor tradução é nova criação. Porque aqueles que estão em Cristo, morreram com Ele na sua morte e ressuscitaram com Ele em sua ressurreição para um novo mundo.

para uma nova existência, uma nova era. Cristo inaugura os novos céus e a nova terra na sua ressurreição, e aqueles que estão nidos a Ele são uma antecipação e um sinal desse reino vindouro, que veio nele, mas ainda não foi consumado. A nossa identidade está moldada pelo fato de estarmos em Cristo. Você...

não tem a sua personalidade, o seu temperamento e a sua história apagados, mas tudo isso é ressignificado porque agora você está em Cristo. Você não foi aperfeiçoado, você foi renascido em Cristo.

Na sua vida não foram feitos retoques por aceitar uma nova religião. Há um novo você ressuscitando em Cristo. Quando você é unido a Ele, isso é representado no batismo, você morre na morte dEle e você ressuscita na nova vida dEle. Há um novo você ressurgindo. Aquilo de você que é preso à velha era vai sendo morto pelo poder do Espírito Santo para que a nova vida surja em você.

É por isso que Paulo pode dizer que a vida que ele vive nessa carne, ele vive pela fé no Filho de Deus, que o amou e se entregou por ele. Que me amou e se entregou por mim. Que nos amou e se entregou por nós. Esse é o evangelho que Paulo defende.

E ele vai dizer, há duas alternativas. Ou você se apega àquilo que caracteriza a velha era de morte, de perversão, de decadência, e você insiste na lei, na circuncisão, na guarda dos sábados, nas outras coisas, ou você se apega a Cristo pela fé, se une a Ele e ressuscita para uma nova era.

Se você quer ser parte do povo de Deus, o povo do Messias, aqueles que são justificados por Cristo na cruz, a única coisa que se exige de você é fé em Cristo.

porque aquilo que nós não podemos fazer pelos nossos esforços, e aquilo que a lei não pode fazer, porque havia sido enfraquecida pelo pecado, Cristo fez na sua carne, quando morreu na cruz, quando ressuscitou dos mortos, e quando trouxe à existência o novo céu e nova terra. Esse é o evangelho que Paulo prega, meu irmão. Essa é uma mensagem revolucionária. E quando Paulo prega isso, ele confronta os gálatas com essa necessidade.

Vocês aceitam e se mantêm firmes no evangelho da graça? Ou vocês tomam para si um evangelho da autossalvação, do autoaperfeiçoamento, da justiça própria, da devoção religiosa, da moralidade, da salvação recebida como um mérito pelos seus esforços? Não há outra alternativa. Lutero diz que somente há duas religiões.

uma religião da graça e uma religião das obras. Ou a salvação é recebida como um dom por aquilo que Cristo faz em nosso lugar, em nosso favor, ou a salvação é recebida como uma recompensa pelos nossos esforços. Ou você se volta para Deus a fim de receber misericórdia e graça, ou você se coloca diante de Deus batendo no peito, arrogando para si a recompensa pelos seus supostos méritos.

São duas mensagens completamente diferentes. E eu queria fazer uma virada na pregação aqui agora, porque a nossa igreja tem uma rotatividade muito alta na sua audiência. E é possível que tenha vindo pessoas aqui pela primeira vez que nunca ouviram nada a respeito do Evangelho. A nossa cultura... A nossa cultura...

pós-cristã, ostenta o rótulo de espiritual sem ser religioso. A gente se ressente de figuras de autoridade, instituições, dogmas, credos. Então, tem pessoas que são ligadas no espiritual, no transcendente, mas de maneira indefinida, sem contornos muito claros. E, às vezes, acontece também de pessoas que têm um repertório religioso, mas que não estão familiarizadas com a mensagem do Evangelho.

Pessoas que estão na igreja há muito tempo, ouvem o termo, mas não entendem o seu significado. E essa não é uma constatação minha. Eu li um livro chamado Marcas de um Evangelista, de Max Tiles. E ele disse que acontece em igrejas evangélicas uma dinâmica muito comum em que o evangelho que é proclamado com muita ousadia e clareza, ele é aceito.

Mas, depois de algum tempo, avançando para outros assuntos, o Evangelho que era proclamado, ele é presumido. O Evangelho era anunciado com clareza, com ousadia, no poder do Espírito Santo. Só que esse Evangelho que foi anunciado, ele agora é presumido.

a gente avança para outros assuntos mais sofisticados. A gente vai parar de falar sobre o Evangelho. Isso é muito básico. A gente presume o Evangelho. Esse Evangelho que é presumido, depois de um tempo, ele é confundido.

Aquelas pregações que esclareciam em que o Evangelho difere da salvação por obras, vai sendo perdido, sabe? Vai sendo diluído. As distinções não são mais tão claras. E aí o Evangelho que era pregado com clareza, é presumido, é confundido e é perdido. E no lugar do Evangelho fica um vácuo preenchido por moralidade, religiosidade e salvação por obras.

Então, o Evangelho precisa ser pregado com clareza, de maneira explícita, o tempo todo. Martinho Lutero dizia para os pastores, batam com o Evangelho na cabeça dos fiéis de vocês o tempo todo, porque é muito normal essa tendência de esquecermos do Evangelho da graça e voltarmos para a religião de obras.

Então, o Evangelho, numa frase, é o anúncio, porque o Evangelho é uma proclamação. O Evangelho é a mensagem do que Deus fez em Cristo para redimir os pecadores e restaurar toda a criação. O Evangelho é a mensagem do que Deus fez em Cristo para redimir pecadores e restaurar toda a criação. Mas essa mensagem que eu resumi numa frase, ela é entendida dentro de uma estrutura narrativa mais ampla.

O Evangelho é a revelação que dá sentido a todas as partes da grande história bíblica, mas que só é compreendido tendo esse repertório da história bíblica. Quando a gente fala sobre Deus, Cristo, redenção, pecadores, salvação, restauração, só faz sentido quando a gente compreende o enredo bíblico.

E o evangelho tem que ser compreendido dentro dessa estrutura. O evangelho, ele não começa somente com a cruz de Cristo, ele começa com a criação.

O Deus glorioso, que é satisfeito em si, feliz em si mesmo, glorioso em si mesmo, Ele cria para partilhar da sua vida, sua bondade e sua vida bem-aventurada. A Bíblia diz que Deus, que é um ser triuno, Pai, Filho e Espírito Santo, não cria todas as coisas, porque precisa de nós.

Ele não cria porque Ele é carente, Ele cria como um transbordamento, como um extravasamento da sua glória, da sua satisfação e felicidade que Ele tem em si mesmo. Toda a criação é uma expressão da sabedoria, do poder, da grandeza e da glória de Deus. Quando Deus cria o homem, não cria porque Ele precisa do homem.

Ele não cria porque Ele é carente, Ele cria porque Ele é tão satisfeito em si, que Ele nos cria para partilhar dessa glória, dessa alegria, dessa bondade. Antes da criação, desde a eternidade, Pai, Filho e Espírito Santo conhecem um ao outro, amam um ao outro, se alegram um no outro. E essa glória é tão extravagante.

que isso extravasa do ser de Deus e resulta na criação. O homem é criado à imagem e semelhança de Deus para desfrutar desse relacionamento com Deus. Um relacionamento em que o homem tem comunhão com Deus e governa sobre a criação, representando um Deus justo e amoroso. O segundo ato desse grande drama é quando o homem...

Aceitando a sugestão de Satanás de que Deus não é tão amoroso, ou tão bondoso, ou tão generoso, decide viver a vida não em submissão a Deus. Ele decide viver a vida do seu próprio jeito. Ele se rebela contra Deus. Aquela satisfação, a identidade, o propósito, o significado que o homem encontrava no relacionamento com Deus, é agora buscado em outras coisas.

Cada um de nós, a nossa própria maneira, está buscando algo ou alguém que nos dê sentido, significado, identidade, propósito, um ideal de boa vida.

E quando a gente encontra essa coisa ou esse alguém, isso se torna o objeto de nossa maior afeição, de nossa maior devoção. A gente se apega a essa coisa para que isso deforma a nossa vida. A gente se apega a essa coisa para encontrar nisso felicidade. Só que a Bíblia diz que quando a gente se desconecta de Deus e busca alguma coisa no lugar de Deus, a gente comete o pecado da idolatria. Nós pegamos alguma coisa menor do que Deus e pensamos em encontrar nessas coisas aquilo que somente Deus pode nos dar.

E é por isso que nós somos insatisfeitos, frustrados, inquietos, cansados, preocupados, infelizes. Porque como Santo Agostinho disse, Deus criaste-nos para ti e o nosso coração caminhará inquieto enquanto não encontrar descanso em ti.

no momento em que nós rejeitamos a Deus como centro da nossa vida, o fundamento da nossa existência, outra coisa ocupa esse espaço. Mas essa coisa que ocupa esse espaço é pequeno, é fraco, não é capaz de nos dar aquilo que somente Deus pode nos dar.

E essa tentativa de autonomia, a Bíblia nos diz, tem contornos de rebelião. Porque quando o homem diz, Deus, eu não quero viver do teu modo, eu quero viver do meu modo. Eu não acredito que você seja tão bom, tão amoroso, que a sua vontade seja realmente a melhor. Eu quero fazer a minha própria vontade. O homem está rejeitando as prerrogativas legítimas de Deus sobre a vida dele. Ele está dizendo, aquilo que o Senhor tem para mim não é tão bom quanto o que eu tenho para mim.

E pasmem, a vida que a gente vive a partir desse pecado fundamental é uma caricatura de vida. A melhor vida que você imagina viver longe de Deus é somente uma expressão fraca e pálida do que seja a vida verdadeira.

Você vai tentar encontrar no dinheiro, no poder, no sexo, no relacionamento romântico, em qualquer outra coisa, aquilo que somente Deus pode lhe dar. Somente para se frustrar. Somente para viver inquieto, triste, insatisfeito, longe de Cristo.

Por mais que você idealize uma vida boa quando você conseguir o seu primeiro milhão, ou bilhão, ou quando você obtiver o sucesso na carreira, ou quando você tiver um casamento perfeito, ou quando você tiver sucesso no ministério, ou quando...

E você pode multiplicar os ídolos. Nada vai te satisfazer como Cristo pode te satisfazer. Porque você foi criado não para encontrar noutras coisas sentido e significado, mas no próprio Deus. A ideia de Deus é que os dons que Ele nos deu apontassem para Ele. Mas em vez de se tornarem placas para Deus, nós tornamos essas coisas deuses funcionais. E isso é a causa de todo problema, toda satisfação, insatisfação que a gente vive.

mas o Deus que nos amou e nos criou, manifesta esse amor, nos buscando e nos redimindo, aquilo que nós não poderíamos fazer, sabe, nos libertar dessa busca existencial por significado, Ele faz isso em Cristo, Ele aponta para Cristo, não somente o Deus perfeito, mas o ser humano perfeito.

como um ideal do que é o homem que vive centrado em Deus. Cristo não é somente um milagreiro, ele não é somente um grande mestre, ele é a encarnação do que a humanidade deveria ser quando estivesse em comunhão com Deus. Ele vive em meio ao caos do nosso pecado, mas numa conexão constante com Deus. Ele tem o centro da vida dele, sabe, fixa no relacionamento que ele tem com Deus.

E isso faz com que ele seja uma pessoa serena, uma pessoa centrada no reino, mas acessível, uma pessoa focada, mas interrompível. Você não vê Jesus com pressa, você não vê Jesus se exasperando, porque ele tem convicção de quem ele é e da vocação que ele tem a partir do relacionamento que ele tem com Deus.

E quando Ele morre na cruz para nos redimir e fazer de nós um povo através dEle, é para que nós participemos da sua identidade como filhos de Deus, mas participemos também da sua vocação e do seu estilo de vida. O chamado do Evangelho não é para que sejamos religiosos. O chamado do Evangelho não é para ser membro da ponte. É para ser um ser humano de verdade como Cristo foi.

Um ser humano que tem o centro da sua vida preenchido com Deus. Com a vontade de Deus, com o reino de Deus, com a glória do nome de Deus. Significa ser uma pessoa nova, porque participamos da nova criação que Cristo inaugura na sua ressurreição. A redenção tem a ver com ser transformado num ser humano pleno.

que por meio do relacionamento com Deus, aí sim encontra identidade, sentido, propósito, valor, a realidade é reencantada com a presença de Deus, que governa todas as coisas, que realiza o seu propósito para fazer surgir o reino completamente.

E esse Evangelho é anunciado e a única exigência para que nós, pecadores perdidos, rebeldes contra Deus, sujeitos à condenação, para que nós participemos disso é somente a fé em Cristo. Não são feitas exigências mirabolantes. Deus não faz exigências extravagantes para que nós recebamos os benefícios da obra de Cristo em nosso favor.

Somente fé, somente a confiança de que Deus realmente nos satisfará em Cristo. A confiança de que eu posso abandonar os ídolos e me entregar aos cuidados de Deus. De que a insensatez de seguir meu próprio caminho não faz mais sentido à luz dos excelentes caminhos de Deus para mim.

de que a minha vontade, que eu percebi, que eu persegui tão teimosamente, são nada comparado com a boa vontade, agradável, perfeita vontade de Deus para mim.

É um reconhecimento de que as prerrogativas de Deus sobre a minha vida são legítimas. Eu não sou o meu Senhor. Deus é meu Senhor por meio de Cristo. A minha vida não é minha, é Dele. Os meus caminhos não são meus, são Dele. Os meus planos, minhas ambições. Aquilo que eu faço com o que Ele me deu não é meu, é Dele. Isso é fé.

John Piper escreveu um livro chamado Deus é o Evangelho, para dizer meus irmãos, que o dom de Deus para nós, não é algo fora dele que ele nos dá, não é um presente, como se ele nos entregasse um objeto, o dom que Deus nos dá, é ele mesmo.

aquilo que pode nos satisfazer, mais do que qualquer outra coisa, a que nós temos nos apegado agora, salvação, por meio da fé, é desistir dos ídolos, abandonar aquilo que nós temos nos apegado, e amado acima de Deus, e nos voltar para Deus, para amá-lo acima de tudo, para amá-lo primeiro de tudo, para encontrar nele o significado da nossa vida.

Esse é o evangelho que Paulo pregava. Esse é o evangelho que tem que ser anunciado com clareza. Porque se ele não é pregado, ele é presumido. Quando ele é presumido, ele é confundido. Quando ele é confundido, ele se perde. E quando isso acontece, a igreja perde o fundamento da sua vitalidade, da sua missão, da sua identidade, do seu propósito.

E isso precisa ser resgatado no nível pessoal, por cada um de nós, examinando qual é o fundamento do nosso relacionamento com Deus. Mas isso precisa ser resgatado corporativamente. Qual é o fundamento da nossa ação como igreja? Nós temos colocado no caminho de pessoas que tentam se aproximar de Deus. Exigências que Deus não fez, ou nós temos apontado para o caminho da graça.

Aquela graça extravagante, escandalosa, imerecida, gratuita. Aquela graça que choca os religiosos, os legalistas, os que acham que são justos. Mas que encanta aqueles que sabem que são pecadores. Que atraem aqueles que sabem que não tem nenhum mérito. Que cativa o coração daqueles que sabem que não são moralistas, nem religiosos. Que não tem nada com o que se recomendarem a Deus.

A graça que consola e atrai essas pessoas, é a graça que confronta aqueles que têm confiado em si mesmo. E a gente precisa perguntar, quando aquelas pessoas que nós julgamos que são muito pecadores, se aproximam de Deus, eu celebro ou eu julgo? Eu me alegro ou eu olho com indiferença? Eu sou como aquelas pessoas da parábola que Jesus contou?

Lembra que tem uma parábola dos servos da vinha? Que um dono de uma vinha sai para recrutar trabalhadores para a vinha, e eles saem de manhã cedinho, enquanto trabalhadores, e dizem, olha, eu vou lhe pagar o salário de um dia de trabalho para você trabalhar na minha plantação. Você vem, o cara vem. Depois ele sai de meio dia e faz a mesma coisa, depois ele sai de três da tarde e faz a mesma coisa. Cinco horas ele faz a mesma coisa, sai contratando gente.

E aí, quando ele começa a pagar o salário, ele paga a diária, começando pelos últimos. E aí, o que trabalhou somente uma hora de trabalho, ele dá o salário de um dia de trabalho.

Ao que trabalhou três horas, ele dá esse mesmo salário. Os que haviam trabalhado desde o começo, disseram, se ele pagou um, para quem só trabalhou uma hora, eu vou receber mais. Eles já estavam se preparando para isso. Quando eles vão receber do Senhor o salário, eles recebem o mesmo denário. Eles ficam chocados, dizem, a gente trabalhou o dia todo, vai receber o mesmo que esse pessoal.

Ele disse, olha, a minha generosidade está chocando vocês. Se eu quiser fazer com que é meu aquilo que eu quero, qual é o problema disso? Você trabalhou e é evangélico desde a vida toda. Você é um bom religioso, vai para a EBD, foi batizado, serve no ministério. Se eu quiser tratar com graça o pior dos pecadores, qual é o problema disso? Se alegre nisso, porque na verdade nem você merecia.

para de olhar para os outros de cima para baixo, quando você se relaciona com Deus baseado no mérito, é comum que a sua autoimagem se baseie naquilo que você fez, você se torna orgulhoso, você se torna arrogante, você se acha apto para julgar aqueles que você acha que são piores do que você, na linguagem da graça, todos nós somos pecadores, porque todos nós,

a seu próprio modo, somos como ovelhas desgarradas, que seguiram pelo seu próprio caminho, todos nós somos completamente desesperados pela graça, não há em nós, no melhor de nós, no mais limpinho, no mais cheiroso, no mais assepciado, não há nada além de pecado, não há nada que nos recomende a Deus, não há nada que nos faça aceitáveis a Deus, senão a graça de Cristo.

Então não há distintivos religiosos, é herança teológica, sabe, desempenho moral que nos torne melhores do que aqueles que nós julgamos que são grandes pecadores. O Evangelho nos confronta com o nosso pecado para nos impulsionar em direção à graça de Cristo. O Evangelho inicia com a má notícia.

de que nós somos piores do que pensamos, para nos apresentar a boa notícia, que nós somos mais amados do que somos capazes de imaginar. Isso não é meu nome, isso é de Tim Keller, tá? Não vou tomar o crédito pela frase dele, não.

Mas esse é o Evangelho que eu queria, sabe, falar para vocês, para que vocês examinem, meditem, guardem no coração, conversem sobre ele, preguem, anunciem, que seja o motivo do louvor, da alegria, da celebração.

Porque tudo mais que nós fizemos como igreja, são na verdade desdobramentos dessa mensagem. São reflexões dessa mensagem. São implicações dessa mensagem. O que nós fazemos como igreja é viver as implicações do Evangelho. As nossas doutrinas são desenvolvimentos do Evangelho. O Evangelho é a nossa base, é a nossa herança, é a nossa glória. Pro nome do Senhor. Que Deus abençoe.

E aí

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