Episódios de Insights

Insights Investments #335 - A convergência entre mercado financeiro, criptoativos e inteligência artificial

08 de julho de 202657min
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As criptomoedas estão cada vez mais presentes no radar dos investidores. Neste episódio do Insights, discutimos como o mercado de ativos digitais vem se consolidando como alternativa de investimento.

Participam da conversa David Lawant, head de Research da Anchorage Digital, e Guilherme Giserman, head de ativos digitais da Tesouraria do Bradesco. A mediação é de Leonardo Storniolo, gerente do Bradesco Global Corporate.

Estados Unidos, China e Reino Unido já mantêm reservas nesses ativos e o Brasil também discute a criação de algo similar. E, esse movimento vem acompanhado de esforços para uma regulação mais robusta para o setor no país. Acompanhe!

O conteúdo a seguir exposto pela empresa convidada não representa, necessariamente, a opinião e as práticas utilizadas pelo Bradesco. 

#bitcoin #crypto #cripto #stablecoin #IA #ativosdigitais

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Participantes neste episódio3
L

Leonardo Storniolo

HostGerente do Bradesco Global Corporate
D

David Lawant

ConvidadoHead de Research da Anchorage Digital
G

Guilherme Giserman

ConvidadoHead de Ativos Digitais da Tesouraria do Bradesco
Assuntos11
  • Regulamentação de Criptomoedas no BrasilTokenização de ativos · Inteligência Artificial (IA) · Agentes de IA · Blockchain
  • Ciclos BitcoinOuro digital · Ativo de risco · Halving · ETFs Spot
  • Proteção de dados de custodiadosSelf-custody · Custódia institucional · Chave privada · Anchorage
  • Uso de stablecoinsPagamento internacional · Mercado de FX · Western Union · Tether · Stripe · PayPal
  • ETFs no Mercado FinanceiroETFs de Bitcoin · Bancos · Fintechs
  • Regulação de criptomoedasGenius Act · Clarity Act · SEC · CFTC
  • Serviços da Anchorage DigitalStaking · Governança · Trading · Emissão de Stablecoins · Banco Charter Nacional
  • Psicologia do Mercado CriptoGeração mais jovem · Millennials · Consultores financeiros
  • Criptomoedas e moedas digitaisBitcoin · Segurança da rede · Política monetária desinflacionária
  • Virada Cultural SPVisual Studio · Desenvolvimento de games · Hyperliquid
  • Jazz de Thelonious Monk e Art BlakeyStraight Note Chaser · Jazz moderno
Transcrição45 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
LSLeonardo Storniolo

Insights, o podcast do Bradesco.

DLDavid Lawant

Agora, especialmente na questão de cross-border, né, toda essa transação que envolve um número grande de intermediários, você consegue fazer com stablecoin de uma maneira muito mais eficiente. Já tem várias empresas aí que estão vamos dizer, nesse mercado de FX, né, nesse mercado de você traduzir de uma moeda para outra, seja uma empresa que está importando um bem da Ásia e precisa pagar na moeda chinesa, mas está recebendo no real brasileiro, assim.

GGGuilherme Giserman

Utilização de cripto por AI, para mim, vai ser um grande acelerador disso tudo. Então, eu acho que a gente está indo nessa direção. Acho que tem, vão ter muitas oportunidades no mundo de ativos digitais. E essas oportunidades vão mesclar cada vez mais com o mundo que a gente conhece.

LSLeonardo Storniolo

Olá, tudo bem? Você ouviu agora alguns dos destaques de hoje, mas tem muito mais. Eu sou Leonardo Storniolo e esse é o Insights, o seu podcast semanal com ideias que provocam um novo jeito de pensar. O mercado de criptomoedas avança e muitos países já possuem reserva nesses ativos, como os Estados Unidos, o Reino Unido e a própria China. No Brasil, a criação de uma reserva em Bitcoin também está em discussão, além de uma regulação robusta para o setor.

Nesse episódio do Insights, vamos entender como esse setor está mudando e se consolidando como alternativa de investimento. A conversa é com Davi Lawan, que está diretamente do Vale do Silício, aonde é Head de Research da Anchorage Digital, empresa americana neste setor desde 2017. Davi, seja bem-vindo ao Insights.

DLDavid Lawant

Obrigado, Leonardo. Obrigado, Guilherme. Tô animado para a nossa conversa.

LSLeonardo Storniolo

Também está conosco Guilherme Gisser, Head de Ativos Digitais da Tesouraria do Bradesco. Guilherme, seja bem-vindo.

GGGuilherme Giserman

Obrigado, Léo. Um prazer estar aqui com vocês.

LSLeonardo Storniolo

Maravilha. Bom, já que estamos no mercado financeiro, vamos começar aqui com o KYC, né, pessoal? Davi, começando com você, conta para a gente um pouquinho da tua formação, da tua trajetória profissional, até finalmente chegar aí como Head de Research da Anchorage?

DLDavid Lawant

Combinado. Vou falar rapidinho aqui, talvez eu vou começar de trás para frente e aí eu acho que conta a história até talvez de um jeito melhor. Bom, eu sou Head of Research da Anchorage Digital. A Anchorage é uma das... A gente pode falar um pouquinho mais sobre isso depois, mas a Anchorage é uma das principais empresas que fornecem infraestrutura para o mercado institucional de cripto. A gente começou há quase 10 anos aqui nos Estados Unidos, mas eu sou— eu mudei para a Anchorage faz relativamente pouco tempo.

Antes da Anchorage, eu trabalhava numa outra empresa chamada Falconex. A Falconex é uma das maiores mesas de derivativos do mercado de cripto. Antes da Falconex, eu trabalhei numa empresa chamada Bitwise Asset Management. A Bitwise é uma das maiores gestoras de ETFs de cripto. Todas aqui nos Estados Unidos. Antes da Bitwise, eu fui sócio da Hashdex por um período bem curtinho. Foi muito legal fazer parte do começo dessa história, Hashdex, que acho que o pessoal já conhece bem, né?

Tá fazendo tanto sucesso aí no Brasil. Antes disso, eu trabalhava no mercado tradicional, então eu fazia research sell-side de equities. Eu trabalhei no Itaú, trabalhei no JPMorgan, trabalhei no Unibanco, fiz isso por mais de 10 anos e me formei no Brasil em Engenharia Elétrica. Então essa Essa é basicamente a minha história. Me formei engenheiro, acabei mudando para o mercado, vamos dizer, financeiro tradicional e aí faz alguns anos atrás eu meio que juntei essa parte mais de engenharia com esse meu interesse em economia e finanças e acabei mudando para o mercado de cripto e continuo aqui desde então.

LSLeonardo Storniolo

Maravilha! Guilherme, na mesma linha do nosso convidado, eu vou pedir para você se apresentar e também pedir para explorar um pouquinho essa nova área da tesouraria do Bradesco, né, de ativos digitais, por gentileza.

GGGuilherme Giserman

Muito bom, muito bom. Deixa eu dar um contexto aqui. Bom, então começando um pouco atrás, eu passei a maior parte da carreira em buy side, sell side de equities, de global equities, fazendo como analista, gestor, estrategista, mercado tradicional, né, olhando bolsa fora do Brasil, Estados Unidos, tecnologia, um pouco de Ásia, um pouco de Europa. Trabalhei em gestoras e bancos, gestoras como SPX, Guggenheim, BlackRock. E de formação eu fiz MBA em Wharton.

Antes disso eu fui mais do sell side, depois disso mais do buy side. E aí a história de cripto ela começou na física há um bom tempo atrás. O interesse, né, os estudos e até o envolvimento, mas efetivamente como carreira tem uns 5 anos que eu movi para cripto. Antes montando a mesa da tesouraria cripto no Itaú e agora no Bradesco. E a gente está fazendo, a gente tem projetos muito, muito interessantes aqui do que a gente está pretendendo construir na tesouraria e no banco como um todo, de ativos digitais em relação a ativos digitais e criptomoedas.

LSLeonardo Storniolo

Maravilha! Bom, Davi, começando a nossa mesa redonda aqui, para a gente contextualizar o mundo das criptos, né? Traz um overview das mudanças regulatórias mais relevantes que estão acontecendo no momento e a tua opinião se as finanças tradicionais com as finanças da criptomoeda estão começando a se fundir para o grande público.

DLDavid Lawant

Legal. Não, essa é uma pergunta importantíssima, provavelmente a pergunta mais importante do momento no mundo de cripto e tem bastante coisa para falar. Então eu vou tentar ser breve e também ouvir a opinião do Guilherme e a gente fazer um bate-papo mais dinâmico. Se eu estiver falando demais aqui, aqui me interrompe porque tem bastante coisa para cobrir. Mas realmente é impressionante como aí no último 1 ano e meio teve uma mudança no ambiente regulatório de cripto nos Estados Unidos extremamente importante.

Na parte do você olhar no Congresso, né, tanto no Congresso, no House quanto no Senado, tem duas medidas muito importantes. A primeira já foi aprovada, é o que a gente chama de Genius Act. E esse Genius Act, basicamente, o que ele estabeleceu foi um marco regulatório para stablecoins nos Estados Unidos. Então ela basicamente fez, legalizou todo o ambiente de stablecoins nos Estados Unidos. Depois que essas essas propostas são aprovadas no Congresso, tem um processo longo de rulemaking, né, de estabelecer todas essas regras, que já está rolando aí por um período de mais ou menos 1 ano, ainda deve acontecer por mais uns 6 meses, mas é por isso que você está vendo tanta conversa de stablecoin, por isso que você está vendo praticamente qualquer empresa financeira, fintech, eu diria até de tecnologia em geral aqui nos Estados Unidos, tá olhando o stablecoin muito de perto e esse é um dos grandes motivos, porque a gente teve esse marco regulatório aí que foi estabelecido quase um ano atrás e que tá sendo finalizado aí provavelmente nos próximos 6 a 9 meses.

Essa foi a primeira grande medida. A segunda grande medida no Congresso, na verdade, tá numa hora muito interessante para discutir, que é o que a gente chama do marco de estrutura de mercado, chamado Clarity Act. Esse aqui é muito mais complexo, eu diria até muito maior, ele estabelece questões de jurisdição, né? Porque nos Estados Unidos é um pouquinho diferente que no Brasil você tem a CVM que cuida do mercado de capitais inteiro.

Aqui nos Estados Unidos é um pouquinho diferente, você tem a SEC que cuida do mercado de securities, que seria acho que os talvez valores mobiliários, e você tem uma outra instituição que é o CFTC que cuida da parte de commodities. E cripto ela é mais ou menos no meio do caminho, algumas são mais parecidas com commodities, as outras são parecidas mais com securities. Então esse é um marco que vai definir Basicamente, jurisdição de cada uma dessas agências.

É uma medida extremamente complexa. Tem até algumas questões de stablecoins que foram aprovadas no passado, que estão sendo rediscutidas agora. Então assim, acho que não precisa entrar muito no detalhe, mas esse Clarity Act é uma das medidas aí, é essa outra grande medida. Eu diria que a chance de passar ou não passar está a -50% aqui. Eu costumo falar sempre que no mercado de cripto todos esses grandes milestones regulatórios, eles vêm com muito drama, assim, e o Guilherme conhece isso bem, desde a aprovação do ETF lá atrás até esse marco regulatório de stablecoins, está acontecendo a mesma coisa na parte de infraestrutura de mercado.

Além disso, você tem as agências, né, essas que eu mencionei, que a SEC e o CFTC, que seriam meio que a CVM daqui, que também estão andando a todo vapor, assim. Então tem todas as questões do tipo aprovar contratos de futuro perpétuo, que é um tipo de derivativo que é muito usado no mercado de cripto, mas não tem um marco regulatório nos Estados Unidos. Então estamos vendo abertura desse lado, tem questão de regulação de broker-dealer.

Então assim, o número de medidas e o número de ações que está tendo ao mesmo tempo é até difícil de acompanhar, assim, é basicamente um trabalho, assim, eu poderia ficar só olhando regulação, seria um trabalho de full-time job, assim, para mim. Então é isso muito que está acontecendo. E óbvio que tem uma questão de preço e tal, e cripto está muito volátil e a gente pode discutir isso depois, mas para quem olha essa questão de adoção institucional e o avanço regulatório que a gente está vendo na indústria é absolutamente indiscutível.

E aí só para terminar a resposta aqui, para tocar nesse seu ponto, isso vem refletindo muito no tipo de empresa que agora engaja com o mercado de cripto. Então com certeza sim, está tendo muito mais conexão entre o mercado de finanças tradicional e o mercado de cripto. Eu diria que isso começou até um pouquinho antes, isso provavelmente começou quando os ETFs de Bitcoin foram aprovados nos Estados Unidos, que foi em janeiro de 2024.

De lá para cá, o montante que a gente está vendo de adoção institucional dos grandes bancos, grandes gestoras, grandes fintechs, grandes empresas de tecnologia em geral, é um negócio absolutamente, assim, é impressionante. Até o O calibre dos clientes com que a gente conversava, vamos dizer assim, 5 anos atrás versus hoje mudou muito. Isso é tudo muito, muito... Eu acho muito legal porque mostra como essa estrutura de mercado está maturando e como essa classe de ativos está crescendo.

LSLeonardo Storniolo

Legal! E pegando um gancho aí na tua última fase, né? A gente... Você tangenciou bastante investidor institucional. A hora que a gente abre essa classe de ativo para o grande público, Quem que são os investidores que buscam essas alternativas de complemento de portfólio? É um público mais jovem ou um público mais tradicional? Até, Guilherme, se você quiser entrar na discussão, quem que você enxerga que é também consumidor dessa nova classe de ativo que surgiu?

GGGuilherme Giserman

Davi, você quer dar uma cor geral ou eu vou iniciar?

DLDavid Lawant

Pode começar, pode começar, depois eu falo.

GGGuilherme Giserman

Ah, claro, maravilha. Eu adicionaria o seguinte ponto: existe um fator geracional muito forte. As novas gerações, né, e a gente pode quantificar isso, ver as pesquisas, os dados que saem são impressionantes, e empiricamente, né, a gente consegue constatar que existe uma preferência muito mais clara das novas gerações por Bitcoin, por ativos digitais, por cripto versus ativos tradicionais. Por exemplo, aquela discussão de Bitcoin como ouro digital, né, versus o ouro como commodity tradicional.

As novas gerações preferem claramente e expressam isso já à medida que eles vão tendo posições de investimentos nesses ativos. Então eu acho que a tendência é muito nessa direção, tá? Adoção cada vez maior, até enfatizada, empurrada por essa transferência de renda geracional, né? Eu acho que cada vez mais vai ganhando força a classe de ativos digitais e criptomoedas.

DLDavid Lawant

Concordo. Tinha até muita pesquisa que saía há tempo atrás e basicamente qualquer, todas elas mostram que o perfil do investidor de cripto ele tende a ser, vamos dizer, mais jovem. Então vamos dizer assim, vamos dizer 40, 45 anos para menos. Normalmente é o pessoal que investe em tecnologia, é o pessoal que é muito focado em inovação. E no que está acontecendo. Dito isso, uma coisa que eu falaria é que pelo fato de que hoje a gente tem esses instrumentos que são muito mais acessíveis do que antes, eu acho que hoje cripto é um negócio que está muito mais diversificado em termos das demografias aqui que ele consegue atingir, né?

Se você pensar, quem acessava cripto ou quem se engajava com cripto há 10 anos atrás? Putz, provavelmente você precisava comprar um hardware wallet, você provavelmente precisava ter algum conhecimento técnico para operar essas coisas. Até eu diria 5 anos atrás, eu acho que o Brasil ele sempre esteve muito à frente nessa questão de regulação de cripto, né? Esses ETFs já existem há muito tempo, mas se você olhar aqui nos Estados Unidos, por exemplo, há 5 anos atrás, se você quisesse ter algum, se você quisesse ter alguma exposição ao mercado de cripto, você tinha que abrir uma conta numa exchange, etc.

E tal. Então tinha um processo com uma certa fricção aqui. Lá atrás tinha um produto que é o GBTC, né, que hoje é um ETF de Bitcoin, mas na época ele era um produto, ele era um produto um pouco diferente, mas era um dos jeitos de você ter exposição listada no Bitcoin. E tem uma empresa aqui chamada Robinhood, que é onde principalmente os investidores mais novos gostam muito de tradear e tal. E a Robinhood fez, acho que deve fazer uns 5 anos mais ou menos fez uma pesquisa de quais eram os ativos que os millennials, especialmente acho que os millennials mais novos, mais tinham interesse.

Então você ia ver aquelas ações normais, né, Netflix, Tesla, etc. e tal, esse GBTC, que era esse instrumento que você conseguia ter uma exposição no Bitcoin, acho que era o 4º ou 5º aí em ranking de interesse. Então sempre teve esse interesse muito forte na demografia mais nova, mas eu diria que agora que você tem esses mercados já muito mais estabelecidos, conhecidos, esses ETFs negociando. Hoje você consegue comprar ETFs de empresas extremamente reconhecidas no setor, tem o mercado de financial advisors, né, os consultores financeiros, que aqui, que no Brasil vem se desenvolvendo muito, mas aqui nos Estados Unidos é ainda mais desenvolvido, né, um mercado que representa aí quase 40% de toda a base de ativos americana.

Esse é um mercado que vem se engajando também muito mais com o mercado de cripto, Então eu acho que a gente está começando a ver essa demografia mudar um pouco e ficar um pouco mais diversificada, mas sim, acho que ainda tem um interesse do pessoal mais jovem pelo fato de estar muito aí na fronteira da inovação, né?

GGGuilherme Giserman

Até para complementar seus pontos, Davi, muito bem colocado, no lado de custódia e no lado de produtos que você trouxe. Do lado de custódia era isso, né? Antigamente, ainda não é a coisa mais amigável do mundo, a média de interface, né, para interação de investimentos e de alocação e de guardar os ativos de cripto versus o que existe no mundo tradicional. No mundo tradicional ainda é muito mais fácil, mais prático. Então cripto vai chegar lá.

Quando chegar lá também são outros preços, né, o classe de ativo vai amadurecendo, os preços vão subindo e o mercado vai se ajustando até que chegar nesse ponto onde É tudo transparente em termos de tecnologia, né? Assim, você não sabe o que tá acontecendo, mas você aperta o botão, a luz acende, né? Mas voltando no meu ponto, em termos de custódia, se a gente pensar, por exemplo, Bradesco é o maior custodiante do Brasil de ativos tradicionais.

Por que não usar essa expertise toda para entrar oferecendo serviços de custódia de ativos digitais, que é o que tá acontecendo? E eu pensando do ponto de vista de investidor, como cliente, eu acho muito mais prático, muito mais fácil, até em média muito mais seguro, né, estar numa instituição tradicional consolidada do que ter, para simplificar, né, a palavra, um pen drive com o dinheiro, com os tokens, com cripto embaixo do colchão.

E aí o outro ponto de produtos que você comentou também, O overlap com o mercado tradicional é impressionante e a fusão que tá tendo com ativos tradicionais, né? Então, por exemplo, equities tokenizadas, né, ações tokenizadas. Tem milhares de ações nos Estados Unidos, no mundo, mas principalmente nos Estados Unidos, que já foram tokenizadas, que ficam disponíveis on-chain, né, na blockchain, para ser negociada, seja via ação tokenizada spot ou futuro perpétuo dessas ações.

Então você teve o IPO da SpaceX, você teve futuro perpétuo tradando muito antes disso. Então tá tendo esse overlap muito grande e tá, com isso, acho que tá trazendo, tá ampliando muito o leque de pessoas envolvidas com ativos digitais, com cripto, porque o mundo tradicional está migrando on-chain. Até o Larry Fink, CEO da BlackRock, fala muito isso, né? Ele acha que em 10 anos todos os ativos financeiros vão ser tokenizados. Então eu acho que Isso contribui muito para adoção também.

LSLeonardo Storniolo

Maravilha, Guilherme. Eu vou pedir só para você complementar para o leigo essa questão da custódia, né? Quão seguro é e quais são esses layers de segurança você comprar um ativo de cripto, uma stablecoin, e ter a certeza, tal qual hoje o grande público já tem com ações, com renda fixa, de que esse ativo digital é dele e enfim, ele consegue ver ali no extrato da corretora, seja no Bradesco, seja em outro player de mercado, Enfim, esse tema de segurança, por gentileza.

GGGuilherme Giserman

É, segurança em cripto é fundamental. Eu acho que muito, muitas das notícias que apareceram ao longo do tempo marcantes de cripto, algumas poucas notícias ruins trouxeram uma fama indevida, né? Acho que alguns casos, e geralmente assim, as blockchains dificilmente são hackeadas. Bitcoin nunca foi hackeado durante toda a existência dela. Quando a gente vê esses escândalos, essas fraudes, geralmente são empresas centralizadas que existem em qualquer setor onde houve, por exemplo, a FTX, né?

O Sam Bankman-Fried lá, o CEO da FTX, ele usava dinheiro basicamente de cliente, misturava com o capital proprietário do fundo do hedge fund dele e não tinha uma governança apropriada, cometeu vários atos ilegais. Então assim, não são inerentes geralmente da blockchain ou da tecnologia, mas são resultados de comportamentos da natureza humana que a gente observa em outros campos também. A custódia você pode fazer, e eu vou deixar também daqui a pouco o Davi complementar, que o Davi Antes de mais nada, é uma referência para mim de cripto, de ativos digitais, é uma das mentes mais brilhantes nesse setor e pode falar pela Anchorage também da experiência ampla em guardar esses ativos globalmente.

Você tem o self, você pode autopostodiar, que é guardar via uma Ledger, uma Trezor, um dispositivozinho, a gente chama, Simplificou chamando de pen drive, né, um dispositivozinho que guarda, basicamente ajuda a guardar sua chave privada. Assim, você pode quebrar, perder ele, que seus ativos continuam seguros na blockchain, mas você tem que ter a chave. Então, por exemplo, o Michael Saylor da Strategy, né, ele tem uma fortuna em Bitcoin, ele fala que ele guarda tudo na cabeça dele, a chave de 24 palavras, ele memoriza aquilo.

Se ele perder, né, se ele der uma amnésia, ele Ele perdeu, mas ninguém vai roubar dele também. Então, guardar os próprios ativos requer um nível de talvez sofisticação e governança mais altos para fazer isso. E a alternativa a isso é esse merge, esse overlap que eu vinha falando com o mundo tradicional, né? Então você tem instituições tradicionais financeiras seguras que existem há muito tempo, começando a guardar esses ativos da mesma forma que guardam ações, títulos públicos, dinheiro, transferências Pix dos clientes. Mas, Davi, eu vou deixar você agregar nessa discussão, né?

DLDavid Lawant

Não, eu acho que é isso mesmo. Realmente hoje existe uma gama grande aí de serviços de custódia que você pode ter. Num lado, vamos dizer, mais institucional, com as pessoas que vão interagir vamos dizer, com as empresas mais respeitadas, né, como um banco, como o Bradesco, uma grande gestora. Hoje tem várias empresas que já fornecem esses serviços de custódia institucional, a gente chama custódia qualificada aqui nos Estados Unidos, exatamente para esse tipo de instituição.

Foi assim que a Anchorage começou, exatamente, na verdade. E o ponto do Guilherme é corretíssimo, assim, essa questão de segurança é muito importante. Só para dar uma ideia mais ou menos, A Anchorage começou há quase 10 anos atrás como uma empresa de custódia, essa era a visão. A visão era de que lá atrás ainda o mercado não era institucionalizado, mas a ideia era que em algum momento essas instituições iam querer acessar esse setor e elas iam precisar de soluções que são muito mais sofisticadas do que a solução que está disponível para uma pessoa física, né?

Então a Anchorage começou assim. Os nossos dois fundadores, eles foram alguns dos primeiros engenheiros que fizeram a Square, que hoje chama Block, é uma das maiores empresas de fintech aqui nos Estados Unidos, e depois eles fizeram os módulos de segurança de uma empresa chamada Docker. Docker é uma das empresas que a gente às vezes não conhece muito aqui, mas quem é desenvolvedor sabe que é uma das grandes plataformas que o pessoal usa para desenvolver software.

Então esse é o calibre dos engenheiros que acabaram vindo para esse mercado de cripto. Lá atrás, se você perguntar, vamos dizer, há 10 anos atrás, por exemplo, quando lançaram os contratos futuros de Bitcoin na Bolsa de Chicago, que foi na época um grande milestone para o setor, a grande pergunta era custódia. E tem um motivo pelo qual a custódia em cripto é tão específica, porque os ativos de cripto, eles são ativos ao portador.

A gente no mercado tradicional está acostumado com ativos escriturais, né? Se você tem uma ação, essa ação é basicamente ter um registro que está ali na CVM ou em alguma outra empresa, mas quando você transfere a ação de uma pessoa para outra, você está confiando nesse depositário, né? Então não tem... Os riscos de custódia, eles são muito diferentes quando você, por exemplo, tem um ativo ao portador, que seria mais ou menos parecido com você ter realmente uma nota de dinheiro.

E você passa essa nota de dinheiro para essa outra pessoa. Se você perder a nota de dinheiro, não tem para outro lugar, não tem para onde você vai, não tem um agente centralizado para você falar, ah, eu preciso de volta. Não, se você perder, você perdeu. Então cripto tem muitas vantagens, mas ela gera essa questão da segurança, que eu diria que hoje já foi basicamente resolvida, né? Nós somos um dos maiores do setor, tem outras empresas também muito boas aí que estão servindo os grandes ETFs, as grandes empresas.

Então eu acho que essa questão de custódia ela é muito importante. Eu diria que para as instituições já é um problema muito resolvido quando a gente pensa nessa questão básica de ter a segurança dos ativos. A grande questão hoje é: ah não, mas eu quero ter diferentes políticas de aprovação dentro da minha instituição, ou então eu quero Ah não, eu quero fazer outras coisas com a minha cripto, eu quero fazer staking, eu quero fazer governança, eu quero fazer finanças descentralizadas, eu quero fazer outras coisas com a cripto, mas manter essa segurança da custódia.

Hoje é mais onde que está, vamos dizer, a questão do limite e o bleeding edge assim desse mercado de custódia. Mas dessa questão de segurança, de guardar a sua senha, né, essa chave privada, é como se fosse uma senha, que você não pode perder, essa questão acho que hoje você já está muito bem endereçada no mercado e a gente é um dos players nisso. E eu acho que você vê assim, hoje é muito difícil, na verdade não existe assim a questão de você ter uma empresa muito grande dessas de ser hackeada a ponto de perder cripto, assim como o Guilherme falou, todas essas questões que a gente teve ou foram questões de fraude que eu acho que com o ambiente regulatório do setor esse mercado é um mercado que está ficando muito menor de maneira relativa, ou são empresas muito pequenas que não vêm usando essas, a melhor infraestrutura que está no mercado.

Então é basicamente isso, era um ponto muito importante, acho que é um negócio muito legal para ter em mente porque cripto funciona desse jeito diferente, de novo, é um ativo ao portador, é um negócio que tem que tomar muito cuidado. Mas eu fico muito feliz em ver, assim, toda essa evolução que a gente viu aí nos últimos 10 anos nessa parte de custódia institucional para o mercado de cripto.

LSLeonardo Storniolo

Maravilha! Bom, a gente comentou bastante de custódia aqui, mas além da custódia, né, a gente sabe de outros serviços que a Anchorad também proporciona para o público. Se você puder entrar um pouquinho aí no stake que você comentou, a questão de governança, o próprio trading, né, a negociação, enfim. O que que exatamente a Insider oferece aí hoje no mercado, por gentileza?

DLDavid Lawant

Ah, claro! A gente hoje, como eu falei, a gente começou como uma empresa de custódia, hoje a gente é uma empresa que tem uma oferta de produtos bem ampla. No começo, a gente começou a fazer esses serviços que eu chamo serviços auxiliares à custódia, né? Então tem a parte de custódia, tem a parte de governança, vários desses projetos permitem você votar, por exemplo, no desenvolvimento dele. Então a gente começou a implementar soluções para isso.

Tem a questão do staking, a gente é um dos maiores players nesse mercado também, é que você, quando você tem um ativo, você pode contribuir esse ativo para ajudar na segurança da rede, você é remunerado por isso. Essa questão do— esse é o staking que a gente chama e você ganha um juro, vamos dizer assim, em cima do seu ativo por causa disso. Até a questão de liquidação, a gente desenvolveu uma rede chamada Atlas, que é uma das principais redes de liquidações aí do mercado.

Então tem todos esses serviços que são adjacentes à custódia. A outra coisa que a gente é bastante conhecido também é que a Anchorage foi a primeira empresa de cripto que conseguiu um charter bancário nacional aqui nos Estados Unidos. Então a Anchorage hoje é um banco, a gente é regulado como um banco, já faz 5 anos, né? Então hoje tem várias empresas pegando, começando a pegar esses charters, eles chamam OCC National Trust Charter.

A gente já está operando esse charter faz 5 anos e isso é muito importante se você quer ser um emissor de stablecoins nos Estados Unidos. Por isso que quase todas as empresas de cripto agora estão tentando buscar essas licenças bancárias. Então a gente é um dos grandes players de emissão de stablecoins, também na parte de oferecer serviços bancários, tanto de cripto quanto de banco de moeda fiduciária aqui nos Estados Unidos. Então a gente é muito conhecido nessa parte de banco também.

E aí a terceira parte como você bem falou, que é a parte onde na verdade eu trabalho mais, é a parte de trading. Então instituições como, por exemplo, o Bradesco ou todas as grandes instituições, quando eles querem engajar com o mercado, eles em geral eles não vão direto para uma exchange, eles usam uma contraparte institucional e a gente oferece esse tipo de serviço também. Então toda a questão de trading de spot, derivativos, questão de financiamento, A gente fornece isso para outras instituições que querem interagir com o mercado de cripto.

Falei meio rapidinho aqui, mas esse é um sumário aí de todas as coisas que a gente faz. Tem mais coisa também, mas acho que esse é um bom resumo.

LSLeonardo Storniolo

Obrigado. Bom, queria entrar agora numa parte aqui um pouco mais de mercado, né? Vou começar escutando a resposta do Guilherme e depois quero te ouvir também, Davi. O mercado, ele se comporta em ciclos, né? Então a gente vê ora a Bitcoin se comportar ali como um ativo de risco, depois passa a se comportar como um ativo de proteção. Então, na visão de vocês, começando de novo pelo Guilherme, quais regimes macros acabam por determinar essa mudança de correlação, né, entre um ativo de risco e um ativo de proteção?

GGGuilherme Giserman

Excelente tópico, Léo. Acho que tem bastante conteúdo relevante aí para para a gente entrar. Então, de fato, Bitcoin, cripto são ativos muito cíclicos. Então Bitcoin, por exemplo, você tem o halving a cada 4 anos, a recompensa paga aos mineradores cai pela metade. Então isso aí reduz a inflação desse ativo e tende a ser positivo para preço. Então você tem isso, tem fatores idiossincráticos específicos de Bitcoin, de cripto, e tem fatores macroeconômicos que influenciam os mais ativos de riscos, mais ativos tradicionais também.

E aí Bitcoin, cripto, navega entre esses dois mundos, fica tentando, os investidores ficam tentando entender aonde está essa correlação, como ela deveria se comportar, né? Então, na minha opinião, Bitcoin é um ouro digital, deveria ser um safe haven e eventualmente o mercado vai entender assim e ela vai se comportar de maneira mais próxima em relação a price action, né, preço ao ouro. E enquanto você tem outros ativos no mundo de criptomoedas que são mais parecidos com ações de tecnologia ou ativos de risco que são negativamente influenciados com juros mais altos, especialmente longos, né, quando essa correlação com a ponta longa da curva.

Bitcoin específico, para mim, ela deveria ser tratada mais como ouro. E essa correlação ao longo do tempo, a própria correlação, ela muda ao longo do tempo dependendo dos regimes macroeconômicos que a gente se encontra. Então, por exemplo, se a gente pegar um timeline lá desde a criação do Bitcoin, tem alguns, a gente não vai conseguir tocar em todos, mas tem alguns eventos muito importantes que mudaram a correlação no período da Bitcoin em relação— e aí tô falando em Bitcoin para focar a conversa nesse ativo, né?

Por exemplo, lá no fim de 2017, se eu não me engano, dezembro de 17, teve o lançamento dos futuros CME. E aí começou uma institucionalização muito maior desse ativo, com acesso institucional, e foi possibilitado o short também, começar a vender esse vender Bitcoin, né, pelos players institucionais e com acesso mais fácil, etc. Então, desde então, ela começou a andar muito mais próxima ao Nasdaq, começou a ser tratada como um high beta Nasdaq, como, vamos dizer, uma ação de tecnologia que responde muito, muito, de forma muito próxima a umas Magnificent 7, né, falando de Google, Google, Microsoft, Amazon, Tesla, começou a ser tratada mais de forma mais similar a esses ativos.

Se a gente vê, coloca, joga para 2020 com a pandemia, com os cheques que foram emitidos, vamos dizer, durante a pandemia, isso fomentou muito a compra de ativos digitais junto com meme stocks, junto com aquela onda do GameStop, de compras em bolsa, né? Em geral. Então, de novo, colaborou com esse aumento da correlação. Mas se a gente pensar, por exemplo, joga um pouco para frente nessa linha do tempo ali, 2024. 2024 foi um ano de alta para o Bitcoin, olhando para trás.

Na hora é sempre muito difícil de prever, mas olhando para trás era praticamente impossível não ter acontecido, né? Tiveram alguns eventos, você teve a aprovação do ETF spot, como o David tinha tocado no no começo da conversa, foi um evento marcante para no mundo de cripto, positivo para indústria. Acho que foi começo de 24, me corrija se eu tiver errado. Meio de 24 você teve o halving, positivo para preço, né? Final de 24 você teve eleição nos Estados Unidos, que também trouxe um arcabouço, uma, pelo menos uma promessa de desenvolvimentos positivos na indústria de ativos digitais, de criptomoedas.

Então isso aí foi mais idiossincrático para essa classe de ativos e fez com que ela andasse bem, independente do que se via em outros ativos, fez essa correlação com os ativos abaixar. Então essa própria correlação ao longo do tempo ela vai mudando, às vezes Bitcoin se comporta mais como ouro, às vezes tem algum evento geopolítico, ela reage bem em termos de ser um veículo de proteção, safe haven, às vezes não. Tem muito a ver com esse framework, essa janela de tempo que dita qual o regime que ela, com qual ativo ela se espelha mais.

Então isso vai mudando ao longo do tempo. Mas em resumo, para mim, Bitcoin tem que ser um ouro digital. Isso não é verdade muitas vezes, talvez na maioria das vezes, e isso vai mudando ao longo do tempo. Eu falei demais, eu vou passar a palavra para o Oliver?

DLDavid Lawant

Não, acho que foi um bom ponto. Eu concordo com tudo que o Guilherme falou. Eu só adicionaria duas coisas, talvez. O primeiro, como o Guilherme bem falou, na verdade, só para ressaltar, existe uma diferença muito grande entre o Bitcoin e o resto do mercado de cripto, né? Eu acho que o Bitcoin realmente muito... deve muito ser visto como esse ouro digital. Ele não ainda é precificado assim como o mercado. Então, há correlação entre o Bitcoin e ativos de risco, ele realmente varia muito ao longo do tempo, inclusive ela vem até aumentando nos últimos anos, porque como você tem esses ETFs, a base de investidores está ficando muito mais parecida com o mercado tradicional, né?

Então esse link entre o mercado de cripto e o mercado tradicional está aumentando. Então uma coisa que você vê, pelo menos temporariamente, a gente vem vendo aí nos últimos últimos trimestres ou talvez até no último ano, a correlação ela vem até aumentando um pouquinho, se você olhar contra o S&P 500 ou Nasdaq, os grandes índices de ações dos Estados Unidos. A outra coisa que eu falaria aqui é que, na minha opinião, isso é uma ótima notícia.

Isso quer dizer que o mercado ainda não está precificando o Bitcoin perto do potencial dele, né? O Bitcoin ele é ainda é coisa de 4%, 5% do market cap do ouro. Então ele é um ouro digital, ele tem esse potencial, ele tem todas essas características intrínsecas que no futuro eu acho que pode fazer o Bitcoin valer algo muito mais perto do market cap do ouro. E o fato do mercado ainda não entender isso é onde está esse upside assimétrico, né?

Se o mercado já entendesse o Bitcoin perfeitamente, se o Bitcoin performasse exatamente como a gente espera em um ativo, um ativo de safe haven, o preço não ia estar onde está, o preço ia estar, não sei, 5, 10 vezes, num patamar muito maior do que está hoje. Isso me lembra muito quando eu estava no começo dessa indústria, a gente falava do Bitcoin, aí na época estava 3, 4, 5 mil assim, dólares, né, que é bem abaixo do preço que está hoje, mesmo depois dessa correção.

A principal questão que a gente tinha, o pessoal falava, não, mas esse negócio ainda tem o risco regulatório, ele ainda não é aprovado, ele ainda não tem o backing de nenhum governo. E eu falava muito naquela época, eu falava, verdade, agora se você for esperar um ambiente regulatório bom para comprar o Bitcoin, você vai pagar 10 vezes mais o preço, que na época era uma loucura você falar no preço do Bitcoin é $60.000. E eu acho que isso aconteceu um pouco, conforme o ativo vai diminuindo o perfil de risco, conforme como o Guilherme falou, você começa a ver essa adoção institucional aumentando, o ativo vai de-risking, né?

E aí ao longo do tempo o preço vai acompanhando. Então eu converso muito com o pessoal institucional e tal, e às vezes eu até vejo o pessoal um pouco frustrado falando, pô, mas o mercado não enxerga, o Bitcoin não era para tradear do jeito que está tradando. O, sei lá, Nasdaq está caindo 3%, aí o Bitcoin vai lá e cai 5%, 6%, não era para ser assim, era para ser o oposto. Eu falo verdade, mas é por isso que tem upside, né? E eu acho que é daqui que...

Isso é um negócio que com a maioria das pessoas que eu converso, quando ela vê esse tipo de comportamento, né, do preço do Bitcoin no mercado, eles ficam animados, porque eles falam, essa é a assimetria, é aqui, esse é exatamente o lugar onde você consegue ter um edge, né, sobre o mercado.

LSLeonardo Storniolo

Até vou pegar um gancho na tua resposta, Davi, para a gente entrar no conceito, né? Explica para a gente rapidamente como é que funciona a mineração ou uma eventual criação de uma nova criptomoeda, por gentileza.

DLDavid Lawant

Ah, sim, com certeza. A questão de mineração hoje, esse negócio de mineração, ele veio mudando ao longo do tempo. Agora a questão de mineração ela é muito focada no Bitcoin, ou pelo menos o Bitcoin tem um modelo de geração de novas moedas moedas, que é muito específico dele. Poucos blockchains hoje seguem esse modelo do Bitcoin. A maioria dos blockchains mudou um pouquinho, principalmente esses mais novos, mudou um pouquinho o esquema.

Mas no Bitcoin, basicamente, você tem essa rede de mineradores e esses mineradores são empresas que precisam fazer investimentos que hoje são pesados. Essa indústria de mineração hoje é uma indústria grande, já não é mais pessoas fazendo isso no seu computador ou fazendo ali de casa, são empresas muito grandes que fazem investimentos em data center, têm grandes contratos de energia, precisam fazer investimento em máquinas específicas, porque é uma máquina muito específica que é usada para essa mineração do Bitcoin.

E basicamente, assim, explicando de um jeito simples, que talvez não é 100% teoricamente correto, mas é um jeito que eu acho que é simples e fácil de entender, o que os mineradores fazem é: eles provêm segurança para a rede, Então, muito dessa imutabilidade que você tem no blockchain, ele vem desse serviço que os mineradores fazem. Eles colocam muita computação para você gerar cada um desses novos blocos, né, que é esse conjunto novo de transações.

E aí, como eles colocam muita energia nisso, é muito difícil de você desfazer. Então, é basicamente isso que os mineradores fazem. Eles prestam um serviço para a rede, eles fornecem essa segurança que garante a imutabilidade do blockchain. Em troca disso, a cada 10 minutos é gerado um montante pequenininho de Bitcoin e os mineradores recebem esse novo Bitcoin que é gerado. Agora, o que o Guilherme estava falando é que esse montante novo de Bitcoin que é gerado, que vai para os mineradores, ele é cortado pela metade a cada 4 anos.

Então o Bitcoin tem uma, vamos dizer, uma política monetária desinflacionária. Então vai diminuindo esse montante e cada vez que corta esse montante de Bitcoin que é gerado nos mineradores, no passado ele foi associado a uma questão de preço, porque muitos desses Bitcoins novos que são gerados, eles acabam virando pressão de venda no mercado, né? Nos últimos ciclos você teve isso muito confundido com fatores macro, né? Então você teve ali no COVID, você teve aquela mega impressão de dinheiro que teve, o medo de inflação.

No bull market de 2024 você teve a questão dos ETFs, os avanços regulatórios. Então hoje, nesses últimos ciclos, acho que as coisas estão ficando muito mais misturadas, mas essa parte do mercado de mineração é um negócio realmente importante, é uma parte muito importante, especialmente para o Bitcoin.

LSLeonardo Storniolo

Muito bom. A gente comentou em algum momento do episódio sobre as stablecoins, né? Em termos práticos, hoje elas já são utilizadas como meio de pagamento internacional, por exemplo, Davi?

DLDavid Lawant

Elas com certeza são usadas. Assim, esse é um mercado que a gente, como eu falei um pouquinho antes, a gente é um dos grandes emissores aqui de stablecoins nos Estados Unidos, né? Você teve esse Genius Act, que foi esse grande marco regulatório. A questão das regras do Genius Act ainda estão sendo feitas, né? Mas a gente já está vendo várias empresas que estão, por exemplo, exemplo, a Western Union, né, que é uma empresa importante de pagamentos, inclusive empresa antiquíssima, listada aqui nos Estados Unidos, ela já lançou uma stablecoin, inclusive é emitida pela Anchorage.

Tem uma empresa chamada Tether, né, que é a maior stablecoin do mundo. A Tether é uma das grandes empresas do mundo, na verdade, né, porque esse mercado de stablecoins cresceu muito, é uma das empresas mais lucrativas do mundo. A Tether lançou também uma stablecoin nos Estados Unidos, também emitida pela Anchorage. Então a gente é muito forte nessa parte do mercado. Tem outras empresas muito boas também, a mais famosa dela é Stripe.

A Stripe é uma empresa de tecnologia que basicamente é, talvez assim, tirando as empresas de AI, é uma das empresas de tecnologia privadas mais valiosas no mercado, né? Porque ela é basicamente a empresa que quando você coloca o seu cartão de crédito ali num site ou na Amazon, de onde for, a Stripe é essa empresa que está fazendo, que gera aí, que processa essas transações. Stripe é uma empresa que também está muito focada no mercado de stablecoins, já fez acho que 2 ou talvez 3 aquisições, tem uma conferência de stablecoins em São Francisco, a última foi coisa de 1 mês atrás.

Então assim, realmente o montante de interesse que você está vendo... Ah, PayPal, né, tem também uma stablecoin. Então assim, O que você, o nível de interesse que você vê dessas empresas muito grandes, acho que mostra como o stablecoin está sendo usado. Eu acho que para pagamento, vamos dizer, interno nos Estados Unidos, a gente ainda vai precisar desse processo das regras do Genius Act terminar. Então a gente ainda está olhando aí mais uns 6 ou 9 meses até esse negócio realmente decolar.

Agora, especialmente na questão de cross-border, né, toda essa transação transação que envolve um número grande de intermediários, você consegue fazer com stablecoin de uma maneira muito mais eficiente. Já tem várias empresas aí que estão, vamos dizer, nesse mercado de FX, né, nesse mercado de você traduzir de uma moeda para outra, seja uma empresa que está importando um bem da Ásia e precisa pagar na moeda chinesa, mas está recebendo no real brasileiro, assim, esses tipos de fluxo isso, stablecoin em geral tende a funcionar muito bem.

Então é um mercado que vem crescendo muito. Stablecoin ainda é muito usada, eu diria uma parte grande do volume de stablecoin ainda é muito usada no mercado de trading, né? Porque todas essas exchanges, tanto de derivativos quanto spot, usam muito a stablecoin como instrumento de trading, mas essa parte de pagamentos é a que mais vem crescendo. Eu acho que a gente vai continuar vendo isso isso por muitos anos ainda. Eu costumo falar que o mercado de stablecoin é um mercado que já atingiu essa velocidade de escape, assim, já é um negócio que já está ficando mainstream.

Eu acho que você não consegue achar hoje uma empresa de pagamentos ou uma empresa de fintech que não está olhando stablecoins de maneira extremamente séria, assim, e os números já estão começando a mostrar isso.

LSLeonardo Storniolo

Bom, maravilha! Estamos chegando aqui na reta final do nosso episódio, pessoal, e a última pergunta vai para os dois, tá? Vou começar com você, Guilherme. Como que você enxerga o futuro do mercado de cripto e especialmente para o Brasil? O que que é o futuro para o Brasil desse mercado de criptomoeda?

GGGuilherme Giserman

Eu acho que cripto é uma classe de ativo como qualquer outra, né? A gente fala de mercado de câmbio, mercado de bolsa, mercado de renda fixa e você tem o mercado de cripto e aí tem duas visões do futuro. Uma é você ter essa classe de ativos cripto que ela é relevante, tão relevante quanto essas outras. Ou você tem uma outra visão, que é a de tudo tem uma, tem essa interseção com cripto, né? Porque ela acaba fluindo para, por exemplo, a gente falou de equity tokenizada, né?

Ações em bolsa tokenizadas, vários fundos de investimento tokenizado, real estate, imóveis tokenizados. Então, uma escola de pensamento diz que você vai ter a classe de ativo cripto, outra diz que tudo de uma certa forma vai ser cripto, vai ter um pé em cripto, vai usar infraestrutura de cripto. Eu acho que eu me envieso mais para essa segunda linha. Eu acho que assim, muita coisa vai rodar em blockchain ou vai usar infraestrutura cripto e um acelerador disso, um fator que que corrobora com essa tese, para mim é AI.

Então, AI, se a gente pensar, stablecoins, que o David descreveu bem agora há pouco, aonde os modelos de AI, os agentes de AI vão fazer transações financeiras? O que que eles vão usar para fazer essas movimentações? O trilho tradicional de fiat, fazer um SWIFT, esperar o dinheiro chegar, ou eles vão usar stablecoins que rodam no mundo de cripto, né, que rodam na on-chain. Para mim, é claro que é uma maneira mais eficiente, mais rápida, mais barata, mais automatizada, mais compatível para fazer transações internas ou cross-border que seja em cripto, usando stablecoins.

Então Esse, essa utilização de cripto por AI para mim vai ser um grande acelerador disso tudo. Então acho que a gente está indo nessa direção. Acho que tem, vão ter muitas oportunidades no mundo de ativos digitais e essas oportunidades vão mesclar cada vez mais com o mundo que a gente conhece.

DLDavid Lawant

Concordo 100%. O jeito que eu costumo pensar, eu vou mais ou menos repetir aqui o que o Guilherme falou, porque eu acho que ele pintou uma imagem muito, muito boa, assim, muito precisa do que é interessante nesse mercado olhando para frente. Mas o jeito que eu penso é assim, nesse mercado número 1 você tem o Bitcoin, que é esse ativo, ouro digital, e que é um negócio interessante para ter no portfólio por diversificação ou proteção, etc.

LSLeonardo Storniolo

e tal.

DLDavid Lawant

Mas além disso você tem essa tecnologia do blockchain, né, a tecnologia é de cripto que está sendo usada para desenvolver serviços financeiros de uma maneira que a gente não via antes. Então, stablecoin é só o começo, né? Você pode pensar na stablecoin como um dólar que roda nesses trilhos de cripto, mas você não precisa ficar limitado ao dólar, você pode colocar títulos de dívida, você pode colocar ações, você pode colocar até commodities, mercados de derivativos, ativos e esse é um mercado que está crescendo muito.

Então, por exemplo, o volume de empresas que a gente está vendo começando a usar esses rails de cripto, seja para pagamento, seja para plataformas de trading, uma das grandes plataformas de trading no mundo hoje chama Hyperliquid e ela funciona nesses trilhos de cripto, inclusive ela hoje nesse lugar você consegue tradear derivativos de petróleo no fim de semana, quando a bolsa de Chicago está fechada, você consegue tradear ações antes do IPO, que a gente viu aqui com o IPO da SpaceX.

Então tem vários desses grandes casos, tem os prediction markets, né, que são esses mercados de predição que também você consegue tradear em rails de cripto. Então você está começando a ver esse arco de stablecoins, depois ativos tokenizados e aí usar cripto para essas aplicações mais sofisticadas, que para mim é uma tendência que vai se estender por muito tempo ainda. Isso é uma tendência provavelmente de 10 anos, mas eu acho que a maneira como que a gente fornece serviços financeiros e a maneira como as pessoas usam serviços financeiros vai mudar muito, porque agora você tem esses trilhos que são muito mais eficientes.

E eu acho que também, só para ressaltar o outro ponto que o Guilherme falou, tem uma interface muito interessante aqui entre cripto e Inclusive a Anchorage, a gente anunciou, se eu não me engano, foi o primeiro banco a anunciar uma oferta de agentic banking, né, de fornecer serviços financeiros para agentes de AI. A gente anunciou isso numa conferência grande do setor há alguns meses atrás. Então muito, muito em breve você vai começar a ter não só o processo de know your client, mas o processo de know your agent, porque esses agents eles vão também ter contas bancárias, eles vão usar tanto o trilho de cripto como os trilhos mais tradicionais.

E esse mercado de cripto e AI, eu acho que é um mercado, isso talvez um pouco mais para o futuro, olhando numa perspectiva de prazo mais longo, mas é um mercado que eu acho que também tem muito para crescer.

LSLeonardo Storniolo

Excelente, pessoal! Bom, estamos encerrando aqui a nossa conversa e no Insights temos a tradição de pedir para os nossos convidados uma dica cultural. Davi, qual dica você divide com a gente?

DLDavid Lawant

Ó, eu vou dar uma dica aqui, Unir, que eu acho que você não deve ter ouvido antes, mas eu obviamente gosto muito de mercado, gosto muito do mercado de cripto, mas eu costumo falar que eu tenho uma outra paixão que para mim é tão grande quanto, tão intensa quanto, que eu gosto muito de jazz, né, de música de jazz. Inclusive eu queria ser um músico de jazz e aí eu não tinha talento suficiente e acabei indo para escola de engenharia e tal, Basicamente toda a minha carreira começou porque eu percebi, graças a Deus, cedo o suficiente que eu nunca seria um bom músico, mas eu ainda gosto muito, né?

E tem um documentário que eu vi, que é um documentário antigo, mas é muito bacana. Eu não sei qual que é o nome em português, mas é um documentário que chama Straight Note Chaser e depois eu vou procurar e ver se eu acho o nome em português, mas basicamente fala da história de um músico de jazz chamado Thelonious Monk. Monroe. E Thelonious Monk é um pianista que na época, especialmente no começo da carreira dele, ele era muito pouco entendido porque o jazz dele era um negócio que não soava muito certo.

Mas aí ao longo dos anos o pessoal começou a perceber que na verdade ele tava certo, é que as pessoas não estavam ouvindo realmente com cuidado e entendendo o que ele fazia. E ele é uma das pessoas que criaram o jazz moderno, né? Então eu gosto muito disso, acho que até tem um paralelo aí com esse mercado de cripto, um negócio que às vezes soa meio dissonante e tal, etc. e tal. Aí ficou um convite para ver essas coisas, assim como talvez algo que é mais uma referência para o futuro.

Eu sei que aqui nos Estados Unidos esse documentário tá no Netflix, mas aí no Brasil não tem. É um documentário bem antigo, mas acho que vale a pena, é uma história bem interessante. História assim, tem bastante coisa ali, mas é uma das grandes personalidades do jazz aí nos últimos Sei lá, muitos anos.

LSLeonardo Storniolo

Muito bom, ótima dica. E você, Guilherme, qual que é a sua?

GGGuilherme Giserman

Eu, as minhas capacidades musicais são muito limitadas também. A minha dica cultural, acho que ela vai ser mais na linha do que a gente, o gancho que a gente abriu na última pergunta. A gente começou a falar de AI, de Hyperliquid, isso para mim é fascinante, assim, a gente poderia falar por horas sobre isso. E a minha recomendação, dica, conselho é mais na linha de usem AI, mas não um chatbot como um Google, né? Mas usem, instalem o Visual Studio e comecem a programar coisas e explorar esse mundo, principalmente essa interseção do mundo cripto, que tem muita coisa legal para ser feita ali.

A gente falou de prediction markets, esses mercados preditivos, Hyperliquid, que você tem contratos de petróleo que operam no fim de semana, SpaceX pré-IPO. E aí, entrando um pouquinho também em um campo diferente, eu vi outro dia um vídeo de o que pode ser feito para programar games, para programar videogames usando os novos modelos, né, o Fable 5 da Cloud que saiu e tudo. Você tem os jogos que levam 2 anos para serem feitos e hoje em dia em poucas horas horas o modelo consegue fazer aquilo para você e replicar com grau de perfeição absurdo.

Então eu acho que isso aí é completamente transformador, o mundo em 5 anos vai ser muito diferente. Então a minha recomendação é nessas linhas de usar, entender, estudar e explorar o máximo possível esse mundo de AI para cripto.

LSLeonardo Storniolo

Muito bom. Bom, pessoal, esse foi mais um episódio do Insights, o podcast do Bradesco. Eu tive o prazer de conversar com Davi Lauan, Head de Research da Anchorad Digital. Muito obrigado, Davi!

DLDavid Lawant

Obrigado a vocês, foi um prazer!

LSLeonardo Storniolo

Também agradeço você, Guilherme Gissermann, Head de Ativos Digitais da Assessoria do Bradesco. Muito obrigado!

GGGuilherme Giserman

Eu que agradeço! Obrigado, Léo, Davi, e obrigado a todos que assistiram!

LSLeonardo Storniolo

Perfeito. Você pode conferir o Insights em vídeo no YouTube do Bradesco ou na sua plataforma preferida de podcast. Um abraço.

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