Insight Executivo #71 – 24.07
O Insight Executivo traz análises dos principais assuntos do dia. Para você ficar bem-informado, mas com profundidade. O conteúdo é preparado pela Pesquisa Econômica e Tesouraria do Bradesco.
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Rafael Moura
- Tarifas EUA contra BrasilTarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros · Setores de calçados, máquinas e confecções · Lista de isenções · Impacto médio efetivo na pauta exportadora
- Preço do petróleoTrégua EUA-Irã e Estreito de Ormuz · Subsídio à gasolina no Brasil · Brasil como exportador líquido de petróleo · Matriz elétrica renovável
- Posição oficial do Brasil e EspanhaResiliência da economia brasileira · Ajuste fiscal robusto · Autonomia financeira do Banco Central · Impacto modesto das tarifas americanas
Bem-vindo ao Inside Executivo, o podcast do Bradesco que conecta você às tendências, análises e visões que moldam o mundo corporativo.
Olá, eu sou Rafael Moura, economista do Bradesco, e estas são as principais notícias econômicas desta sexta-feira, 24 de julho.
No episódio de hoje: tarifas dos Estados Unidos ao Brasil se elevam, o petróleo dispara com a tensão no Oriente Médio, e o FMI avalia a economia brasileira em consulta anual.
Os Estados Unidos aplicaram uma nova tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros, com base em investigação sobre o trabalho forçado e somando-se aos 25% já em vigor. Setores como calçados, máquinas e confecções passaram a enfrentar taxação acumulada de 37,5%, um dos níveis mais altos entre os parceiros comerciais dos Estados Unidos. Uma lista de exceções, no entanto, isenta mais de 2.000 produtos da cobrança cumulativa, incluindo petróleo, carnes e café, o que reduz o impacto médio efetivo sobre a pauta exportadora total.
Nossos cálculos indicam que a tarifa média sobre os produtos brasileiros deve se aproximar de 19%, contra 2% no início de 2025. Avaliamos que o impacto macroeconômico deve ser modesto, já que as exportações para os Estados Unidos representam uma parcela pequena do PIB brasileiro e o país tem diversificado destinos. Setores exportadores expostos ao mercado americano e fora da lista de isenções devem revisar estratégias de precificação e buscar diversificação de mercados.
A tarifação eleva a incerteza para produtos específicos, mas o impacto agregado na economia brasileira tende a ser administrável.
O petróleo Brent voltou a subir, superando os US$100 o barril, após a intensificação da tensão no Estreito de Ormuz. O governo brasileiro prorrogou o subsídio à gasolina por mais um mês para conter o repasse ao consumidor. Nós, da pesquisa econômica Bradesco, avaliamos que o Brasil está relativamente protegido desse choque, por ser um exportador líquido de petróleo e ter matriz elétrica majoritariamente renovável.
O ponto de atenção é o possível impacto inflacionário.
Setores intensivos em energia e logística devem monitorar custos de combustível, mas o Brasil mantém posição mais confortável que a maioria dos importadores líquidos por ser produtor de petróleo.
Em sua avaliação anual, o FMI destacou a resiliência da economia brasileira, mas recomendou um ajuste fiscal mais robusto para colocar a dívida pública em trajetória de queda. O fundo também sugeriu uma maior autonomia financeira ao Banco Central para fortalecer a supervisão de mercado e avaliou o impacto modesto das tarifas americanas na economia brasileira. Uma trajetória fiscal mais previsível reduz incerteza para o planejamento de investimentos de longo prazo.
Empresas devem acompanhar o andamento da agenda fiscal como sinalizador de estabilidade macroeconômica.
E estas foram as notícias de hoje.
Até a próxima edição.
Este foi o Inside Executivo do Bradesco, sua fonte diária de informação.