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Papo com Gestor #325 – Crédito Privado: desafio estrutural ou ajuste?

06 de maio de 202632min
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O amadurecimento do crédito privado está em curso no Brasil. Isso significa que a análise aprofundada, a gestão ativa e o foco em fundamentos são mais importantes do que nunca para entender as melhores oportunidades nesse mercado. Neste episódio do Insights, trazemos um panorama do que muda no crédito privado, como a liquidez e as oportunidades ficam em um ambiente distinto da abundância indiferente ao risco. O “one a one” sobre crédito privado é com Victor Tofolo, head de Crédito e Rafael Ribeiro, head especialista de portfólio, ambos da Bradesco Asset. Acompanhe!

#creditoprivado #fundosdecredito #risco #spread

O conteúdo a seguir exposto pela empresa convidada não representa, necessariamente, a opinião e as práticas utilizadas pelo Bradesco. 

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Participantes neste episódio2
R

Rafael Ribeiro

HostHead especialista de portfólio
V

Victor Tofolo

ConvidadoHead de Crédito
Assuntos5
  • Custo do crédito no BrasilAmadurecimento do mercado · Crescimento da indústria de fundos · Análise aprofundada e gestão ativa
  • Crise no mercado de crédito privadoEventos corporativos relevantes · Pedidos de recuperação judicial · Impacto da taxa de juros elevada · Ciclos de mercado
  • Diferenças culturais e de negócios entre Brasil e exteriorPrivate Credit vs. Crédito Privado · Empresas de middle market · Estruturas frágeis de crédito · Mercado de FIDICs
  • Gestão de RiscosProteção do dinheiro do cliente · Diferenciação de companhias · Comunicação transparente · Rating interno
  • Mercado de CréditoRisco e retorno · Fundos em CDI · Debêntures incentivadas · Volatilidade do mercado
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Insights, o podcast do Bradesco. Ofrecimento Bradesco Asse.

O mercado de crédito privado brasileiro aumentou o prazo das emissões. Então, isso dá tempo para uma temporada mais difícil, como é que a gente está vivendo hoje, de ajuste. O gestor daquela companhia alongou o passivo. Isso é fundamental para ele comprar tempo.

Vamos falar de crédito privado, que voltou ao centro do debate. Vimos uma sequência de eventos corporativos relevantes, pedidos de recuperação extra e judicial, um aumento relevante nos questionamentos dos investidores sobre esse mercado.

Mas a grande pergunta aqui é, estamos diante de um problema estrutural do crédito privado ou de um ajuste natural de preços? Para colocar a bola no chão e separar ruído de fundamento, a gente recebe Vitor Toffolo, Head da Mesa de Gestão de Crédito Privado, para explicar como temos navegado neste momento.

Tudo bom, Vitor? Tudo bem, Rafa. Obrigado pelo convite. Uma ótima oportunidade para falarmos do mercado que estão nas notícias agora. Perfeito. E eu acertei seu sobrenome. É, talvez. Boa. Vitor, olhando um pouco de tudo que está acontecendo, no seu ponto de vista, claro, você acredita que a abertura que nós estamos vivenciando, ela é apenas técnica ou passamos de fato por uma mudança estrutural do mercado de crédito?

O mercado de crédito privado brasileiro evoluiu muito nos últimos anos. Desde 2023, a indústria de fundos tinha por volta de 1,1 trilhão de reais e hoje a gente fala de 2,5 trilhões de reais. Foi um crescimento bastante robusto para o mercado que veio se amadurecendo ao longo dos últimos 15 anos, pelo menos desde quando eu estou nesse mercado e todo ano tem uma novidade, um produto novo e perguntas novas.

Eu não acredito que a gente está vivendo uma mudança sistêmica de risco de crédito ou qualquer coisa muito diferente de uma normalidade. A gente viu ciclos longos, né? Então, 2014, 15, 16, foi um ciclo muito duro para o mercado de crédito privado, principalmente para quem viveu aquilo. Eu estava fazendo negócio naquele momento e trago. Lá foi muito pior do que a gente viveu aqui.

está vivendo aqui hoje. Lá a gente viu 10% de queda de PIB, reprecificações, recuperações judiciais de forma bastante relevantes. O que a gente está vivendo no mercado brasileiro hoje são reflexos de uma taxa de juros muito elevada.

A gente passou por dois ciclos de taxas de juros elevadas. Tanto antes, a gente quase sonhou ali em 2023, a gente sonhou com abaixo de 10% em algum momento do tempo.

E a gente, por conta de toda a expansão fiscal que a gente viveu no país, para controlar a inflação, a gente voltou a ter a necessidade de ficar com juros restritivos. É um nível muito elevado e isso tem refletido no balanço das companhias.

Mas esse impacto no balanço das companhias, ele é de certa maneira esperado, você analisa, você coloca isso dentro do seu modelo, das suas projeções. E a gente está vendo uma situação mais completa.

complicada. E o que a gente vê já no final de ciclo, onde os juros fez todo o impacto na economia, restringiu mesmo e controlou a inflação, mas também a gente vê companhias mais machucadas.

Parte da correção dessas companhias vai vindo um cenário de juros mais baixo. Então, a guerra e toda a pressão inflacionária que advém do impacto do petróleo...

ela demora um pouco mais, traz um pouco mais de preocupação em relação ao nível final de juros. Então, esse é um ponto onde a gente ainda vai ter uma suavização desse ciclo e a gente vai ver as companhias retomando a geração de fluxo de caixa.

Então, quando a gente conjuga todos esses fatores, nesse período onde muitas empresas ficaram machucadas, algumas, elas acabam migrando de mercado, seja através de uma recuperação judicial, seja uma RE, porque...

surgiram imprevistos dentro do cenário para aquelas companhias, e elas são mínimas, e seja algumas companhias que vão passar por um momento técnico, onde elas vão estar um pouco mais estressadas, mas vão sair depois desse corte de juros para o cenário onde sempre estiveram, no mercado high grade. E a maioria das empresas no mercado brasileiro se encontram colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou colou col

passando bem por esse cenário, mesmo que a gente viu números mais pressionados. Mas o que eu quero dizer com passando bem nesse cenário? Elas vão continuar existindo, vão continuar sendo as vencedoras setoriais e vão passar pela crise. E essa é a maioria do mercado de crédito privado brasileiro. O crédito privado...

no Brasil, no que a gente principalmente faz aqui na Bradesco Asset, ele é um reflexo das grandes empresas brasileiras, empresas de alta qualidade e que já viveram muitos ciclos, outros ciclos em outras temporadas, de taxas de juros elevadas.

Então, a parte que a gente tem de novidade nesse ciclo é que a gente tem uma indústria muito maior. É uma indústria que depende do mercado secundário, que foi um grande fator de diferenciação e para o crescimento dessa indústria ao longo dos últimos anos, hoje é possível fazer.

gestão ativa, é possível ter portfólios saudáveis dentro desse mercado e é isso que a gente está entregando na Bradesco Asset. Portfólios que ficaram de fora de problemas de crédito, a gente não teve perdas de principal dentro da nossa carteira, mas a gente sofre sim, e tem MTM de uma indústria que vem amadurecendo.

Então, para um gestor como nós, que gostamos de fazer gestão ativa, que procuramos oportunidades no mercado de crédito brasileiro, essa maior dispersão gera até novas formas de você montar portfólios, de colocar novas oportunidades dentro dos fundos que a gente protegeu do principal.

A gente não quer perder o dinheiro do cliente. Volatilidade pode existir. Isso é um amadurecimento do mercado e a gente vive isso. Isso é natural. Mas o que a gente faz de melhor aqui é proteger o dinheiro do cliente para ser uma experiência saudável de longo prazo. E é isso que a gente tem entregue nos últimos anos.

Me chama a atenção algo na sua fala que eu queria que você explorasse um pouco mais, que é, nesse ambiente de taxa de juros elevado, e a gente escolhendo ali as companhias que na maioria, como você comentou, estão saudáveis, são saudáveis, estão num momento propício, o que você encontra dentro dessas companhias que chama atenção, que torna essa companhia saudável para atravessar esses momentos mais difíceis?

Acho que o principal ponto, quando a gente olha as nossas companhias mais saudáveis ou aquelas vencedoras setoriais, é a capacidade do CFO, da gestão daquela companhia, olhar o longo prazo e aproveitar os momentos que o mercado deu. O mercado de crédito privado brasileiro aumentou o prazo das emissões. Então, isso dá tempo para uma temporada mais difícil. Como é que a gente está vivendo hoje de ajuste?

O gestor daquela companhia alongou o passivo. Isso é fundamental para ele comprar tempo.

Outro ponto importante é avaliar bem os investimentos. Alguns cases mais frágeis do mercado hoje, a gente viu de mal investimentos realizados entre 20 e 21. Não sei se vocês recordam, a Selic foi bater 2%, crédito privado não deveria existir em nenhuma carteira. Mas as companhias pegaram muito dinheiro, até no mercado acionário, para fazer muitos investimentos.

E naquele momento, os retornos não foram tão bons, né? Olhando em perspectiva, em cinco anos depois. Taxas de juros subiu muito mais do que o mercado esperava. Então, você ter uma diligência no uso do capital, tanto próprio quanto de terceiros, para fazer bons investimentos é importante. E às vezes ter cautela também no cenário e postergar investimentos quando necessário, quando o cenário se mostra mais incerto do que você antecipava.

esses são fatores que a gente acha muito importante que as empresas olhem para frente. Mas quando as coisas saem do trilho também, e a gente também tem empresas que passam por isso, é o grupo 2 que eu falei, né? Então tem o grupo daquelas empresas que vão passar bem, que não vão ter grandes sustos, aquelas empresas que vão ter um pouco de estresse, e as outras empresas que vão sair do mercado de high grade e vão para o mercado de high yield.

No grupo 2, muda o patamar mesmo e demora muito tempo para voltar para o trilho certo. No grupo 2, um dos diferenciais que a gente valoriza na gestão é a comunicação, é ser transparente.

No momento de incerteza, a companhia às vezes pode mudar de um modo de muita comunicação para um modo de sobrevivência. Mas a gente valoriza aquela empresa que traz informações, que mostra que estão se esforçando para fazer o dever de casa.

cortam investimentos mesmo para pensar o stakeholder investidor de crédito dentro do seu do seu passivo, né? Não só pensando no investidor de equities e acho que esses são pontos que fazem com que a companhia mesmo numa situação de estresse

ela seja bem vista pelo mercado e o investidor, que é um stakeholder importante hoje em dia das empresas brasileiras, investidor de crédito, ele sinta, nossa, essa empresa veio aqui ativamente, explicou o que está acontecendo, explicou no ponto de vista dela o que aconteceu de um litígio, porventura que surgiu.

E isso faz com que o mercado até se comporte melhor daquela empresa em relação a outras que... Não, eu não vou falar com um credor, ele não é tão importante para mim. Eu vou preferir fazer recompra de equates aqui. Mas será que é o momento de usar o dinheiro da companhia que está escasso por conta dos juros para recomprar equates?

Então, acho que são questões como essas, essas que a gente vai vendo uma diferenciação do tipo de companhia e o tipo de gestão que a gente tem no mercado brasileiro. Na maioria das vezes, a gente tem boa gestão.

Mas acho que é do nosso processo entender numa situação difícil, né? Se aquele gestor tem credibilidade para atravessá-lo, se vai fazer de forma diligente com o mercado, com o stakeholder credor.

Eu vou de novo pegar uma fala sua para trazer uma questão que é nós ficamos fora dos principais eventos até agora. O que você gostaria de compartilhar com quem está assistindo a gente com relação ao que foi nossa atuação? Como é que a gente se antecipou? Quais foram os diferenciais?

Muitas vezes a gente até tinha algum desses papéis. Qual foi a chavinha? O que mudou no meio do caminho para a gente desinvestir? Se você pudesse trazer um pouco aqui, agora de procedimento, como é que a gente roda no dia a dia para isso acontecer? Isso é importante. Vou trazer um exemplo. A gente teve um grupo varejista que tinha uma operação que...

rodava razoavelmente bem aqui no Brasil. Isso eu estou falando em 2023, só para a gente colocar o pano de fundo. E a gente olhando o cenário como um todo, a gente via a demanda do principal detentor da companhia no mercado acionário precisando de dinheiro. Então, olhando esse cenário como um todo, a gente se fez uma pergunta.

E se esse ativo internacional dessa companhia fosse vendido? Como que ficaria a situação dela somente no Brasil? E quando a gente foi investigar a fundo, a gente percebeu duas coisas. Um, ele poderia fazer essa venda sem pedir a aprovação dos credores. E dois,

a operação que rodava no Brasil não ia parar de pé. Não dava lucro. Não dava lucro, não gerava caixa. Então o lucro, o caixa vinha principalmente dessa operação. Então, tudo começa de perguntas bem feitas.

O que acontece com aquele caso se esse cenário negativo acontecer? A gente tinha uma posição relevante lá em 2023, mas se antecipar os problemas, se antecipar os cenários desafiadores, faz com que a gente possa sair de empresas que podem apresentar problema.

Então, acho que é uma visão de não olhar só os números. Porque quando a gente olha só os números, eles são muito saudáveis. A vida real é muito diferente daquilo. E eu acho que a gente tem um time de analistas que conseguem se perguntar.

eu estou vendo tudo, eu estressei o modelo de forma correta, qual que é o tema que pode impactar essa companhia? E com essas perguntas de fora de modelo, a gente começa a pensar sobre o cenário de estresse de uma maneira mais realista do que só mudar a projeção de crescimento de uma companhia no Excel. Então...

Esse olhar e essa liberdade que o nosso time de análise tem e o tempo, né? Acho que um dos pontos que você consegue se perguntar é porque você teve tempo de pensar. E às vezes a gente viu muitos times aqui no mercado brasileiro crescendo.

sem suporte, sem dar tempo para o analista refletir. E refletir não é fazer uma análise em duas horas e achar que tem todas as perguntas naquele momento. É também dormir, passar um dia, digerir aquelas informações, pensar sobre aquele cenário de estresse que foi criado. Será que eu vi tudo?

e fazer as perguntas certas. Então, quando a gente faz essa visão geral, um pouco mais de longe, perguntando que riscos a gente está correndo, a gente começa a ter as respostas certas para se antecipar ao mercado. E com isso a gente conseguiu ficar de fora de vários problemas.

Outro ponto super importante que tem aqui na Bradesco Asset é o nosso rating interno. Perfeito. Então, a gente tem 10 notas de ratings diferentes aqui, né? Então, a gente vai de 1 a 10. Quando a gente pega os ratings externos, principalmente os AAAs, a gente consegue destrinchar isso em 5 notas diferentes.

Então, às vezes, quando o mercado está precificando um AAA da mesma forma como os outros, a gente fala assim, não, mas esse aqui não é uma nota 2 ou nota 1, que são as nossas melhores notas. Seria o AAA de verdade. O puro sangue, por assim dizer. E aí a gente tem um AAA que é uma nota 5.

Será que eu deveria comparar ele com os outros AAAs que eu tenho na indústria ou na nossa carteira? Então a gente olha muito por esse nosso espectro de risco retorno que a gente tem. A gente não quer falar sim para todo mundo, então a gente tem alguns nãos.

Isso é super importante para nos diferenciar. Hoje a gente tem mais de 500 bilhões de reais de investimentos, de AUM, nos nossos fundos de crédito. É uma carteira de crédito com quase 240 bilhões de reais. Então, é um pouco desse processo que a gente faz. Aceitar que o risco retorno é super importante para a gente também ficar fora de problemas. Às vezes a gente tinha limite aprovado.

Mas o que não batia era o retorno exigido, o retorno que o mercado estava oferecendo era menor do que a gente gostaria para aquele risco. Perfeito. Algo que você sempre diz, e acho que é legal trazer aqui, é que nós funcionamos como um banco. Eu não estou simplesmente investindo em algo, eu estou dando dinheiro para alguém fazer alguma coisa e me devolver depois.

Essa pessoa, essa empresa tem capacidade de me devolver isso no longo prazo? Isso é algo que me marcou, que eu sempre levo para os investidores, porque às vezes só se pensa em investimento, mas aqui o negócio é diferente. Eu vou te entregar o investimento, mas o meu trabalho é dar dinheiro. E aí no final a gente tem essa parceria com o investidor, que está buscando a rentabilidade, e eu, a manutenção dos recursos dele aqui dentro. É isso, né? E o caminho é super importante, porque quando você...

tem empresas com histórias mais difíceis, alguns fundos podem fazer sentido, podem fazer parte deles investirem em ratings menores. Hoje a gente consegue oferecer dentro da Asset todo o espectro de crédito no mercado brasileiro, desde o high grade até o high yield.

Mas a gente precisa pensar na experiência de cada um dos investidores. Então, para aqueles fundos mais conservadores, empresas mais conservadoras, mais resilientes, alguns produtos mais arrojados, a gente sim pode correr mais risco, mas a gente faz estruturas que possam beber e ter mais tempo para ver esses investimentos maturarem. Então, quando a gente olha e pensa bem na experiência do nosso cliente, do nosso cotista,

você fazer esse processo bem feito, repetidas vezes, tentando melhorar, entregando na ponta portfólios robustos e de acordo com o mandato que aquele cliente me passou, a gente consegue ter uma diferenciação no longo prazo. Boa. A gente falou até agora do que aconteceu.

o mercado se tornou de fato mais seletivo. As pessoas, os investidores, as gestoras, agora estão tentando encontrar ali os melhores para serem investidos. O meu ponto é, você acha que dado esse último ambiente, o mercado está um pouquinho mais atraente por ter ainda essa qualidade ou ainda requer uma certa cautela de não dá ainda para entrar? Por mais que o mercado esteja tentando ser seletivo, ainda aparece muita coisa aí distinta.

No mercado brasileiro não dá para deixar a cautela de fora, em nenhum momento. Justo. Se a gente chegar aqui de peito aberto, provavelmente daqui a dois anos você vai descobrir que você fez só investimento ruim. Então, o investidor de crédito precisa ser cauteloso sempre. Mas o risco e retorno se mostra muito mais atraente agora do que estava 12 meses atrás.

principalmente nos fundos em CDI, e eu vou falar um pouquinho também na parte de debêntures incentivadas, que teve uma correção até maior do que o mercado em CDI. Mas falando do mercado em CDI, a gente viu uma correção por volta de 50 base points nesses últimos dois meses. Então foi uma correção muito grande. Foi puxada sim por algumas empresas, a gente viu uma correção forte em alguns nomes específicos.

Mas de maneira geral, a gente tem visto oportunidades em várias vencedoras setoriais. E aqui é onde a gente gosta de atuar. Empresas vencedoras setoriais pagando bastante. Aquela empresa que fez o dever de casa, aquela empresa que analisou muito bem os investimentos que entraram para dentro do seu portfólio.

E hoje a gente pode negociar com essas empresas no secundário, por vezes CDI mais um em 10, CDI mais um em 20, algumas outras CDI mais um em meio. Empresas de alta qualidade que a gente gosta bastante e acompanha há bastante tempo.

Então, olhando o mercado do CDI, a gente tem um retorno esperado bastante atrativo. É aquilo, né? A gente sofreu os dois últimos meses, né? A gente sofreu as marcações.

Mas olhando para frente, o carrego esperado e principalmente a dispersão de retorno esperado para cada um dos papéis que a gente tem no mercado aumentou muito. E para a gente que gosta de fazer gestão ativa, isso é um ponto muito interessante, porque a gente consegue distinguir aquilo que é ruído, aquilo que o gestor está com muito medo de estar na próxima recuperação judicial e não é o caso para aquela companhia.

daquilo que realmente vai ter um problema de crédito. Então, a gente fica fora dessas questões. Bom, indo para o mercado de debêntures incentivadas, é um mercado muito mais volátil. A gente vê cotas dos fundos com uma volatilidade média de 2%, 1,60 contra o mercado em CDI por volta de 0,60. Então, isso acontece porque o prazo...

de médio dessas debêntures, né? Que a gente coloca dentro dos nossos portfólios são por volta de sete anos, oito anos. Bem mais longos, né? Bem mais longos. E aqui, a gente viu uma correção ainda maior.

Na ponta, os papéis mais líquidos, a correção foi de 90 base points. O mercado saiu ali de menos 80, menos 70 para alguns nomes, está negociando mais 20, mais 10 base points. Na média, essa indústria, quando a gente pega projetos, pega emissões com maior risco, ele está negociando por volta de NTNB mais 30 base points.

ou trazendo para o português, claro, aqui de fundo de investimento, CDI mais 0,30, com isenção fiscal. E aqui, de novo, eu chamo a atenção, é que a gente tem uma dispersão muito grande. E aqui, principalmente pela nossa capacidade de negociação no mercado secundário,

A gente tem uma forma de gerar alfa também dessas negociações no secundário. Só para você ter o número, Rafa, o ano passado a gente negociou 60 bilhões de reais no mercado secundário. A gente é uma das casas mais ativas no mercado secundário brasileiro.

E é uma fonte de alfa. Além de fazer uma boa análise, a gente olhar essa dispersão para encontrar as oportunidades, você negociar bem também no mercado secundário é super importante. E ser a primeira ligação nesse mercado faz a diferença de você beber água limpa.

Então, conjugando essa correção que a gente viu, a gente já tem visto novos players entrando dentro desse mercado. Tem vários bancos olhando para comprar alguns papéis no mercado secundário.

gera demanda, né? O mercado de crédito brasileiro é bastante técnico. A gente deve ter alguns resgates na indústria, mas é uma indústria que evoluiu muito. Então, a gente vê a indústria com liquidez suficiente para fazer os pagamentos de resgates.

E essa correção que já acumula quase 90 vezes, a gente já começa a encontrar uma estabilidade. Então, a gente vê com bons olhos, tanto o mercado em CDI, que vai ter uma volatilidade menor e a gente não tem uma expectativa de nenhum grande susto de crédito, na nossa carteira principalmente, mas no mercado também a gente não está antevendo nenhuma grande surpresa de recuperação judicial, o RE.

daquelas que já foram mapeadas, né? Às vezes o nosso investidor fala ah não, mas isso aqui é uma surpresa. Na verdade o mercado já precificou, já foi para dentro da cota do mercado. Então a gente não está vendo nenhuma grande surpresa vindo nos próximos meses.

mas ainda a gente vai ver um news flow pesado. E no mercado de debêntures incentivadas, dada essa correção, dado o retorno esperado, a gente vê fundos rendendo muito mais próximo do CDI, olhando 12 meses à frente do que era a probabilidade desses fundos renderem em setembro, em outubro, do que aquilo que a gente viu lá, uma demanda muito forte para essa indústria.

Então, a gente tem bons olhos para a indústria de crédito de maneira geral. Então, o risco retorno está muito mais adequado para a gente falar que daqui 12 meses esses fundos vão estar performando bem. Essa correção técnica que a gente viu e está discutindo.

promover um retorno esperado para frente, muito mais adequado para o risco que a gente tem vivido no mercado como um todo. Não é só o crédito que está com incerteza. Multimercado, renda variável, também sofreram um pouco na margem nesses últimos meses. Uma última, prometo. Private credit ...

or private debt, não é só a tradução em inglês para crédito privado. Quais são as diferenças entre esses dois tipos de ativos? A gente ficou com essa infame tradução, né? Private credit é a mesma coisa de crédito privado. São muitos, muito diferentes.

O mercado de crédito brasileiro e principalmente o que as grandes gestoras fazem, o que a gente faz aqui na Bradesco Asset, são empresas AAA, empresas de alta qualidade. Quando a gente vai para os Estados Unidos, o que a gente cita como private credit são empresas de middle market.

São aquelas empresas que eram atendidas pelos bancos, lá em 2008, 2009, por várias restrições legais. O mercado de capitais adentrou uma seara que era muito trabalhada por bancos. Então, financiando tanto a cadeia de middle market...

quanto a cadeia de private equity. Os private equities tomam dívidas lá fora, são empresas alavancadas, e essa indústria como um todo apresentou um crescimento vertiginoso. Foi atingir 2 trilhões de dólares, mais ou menos, pelas contas que a gente tem.

E são empresas de menor qualidade que dependem de muita estruturação na ponta, você ter uma curadoria muito forte para você não comprar nenhum problema, para você não estar com a barata da vez, parafraseando aqui o James Diamond.

Esse mercado, quando tem um crescimento muito grande, você tem as dores de crescimento natural desse processo. Você, às vezes, os gestores, pelo que a gente tem lido lá fora, criaram muitas estruturas frágeis, como o Pay and Kind. O que é isso? Eu pago quando puder.

Então assim... Devo, não nego, pago o quanto puder. É tipo isso. Então, isso aumentou muito nos últimos 12, 18 meses dentro da carteira desses fundos, que são créditos mais frágeis. Se eu não tenho um momento de receber, talvez um dia eu receba. E quando a gente olha essa indústria como um todo, ela...

Está numa situação difícil porque os investidores, que por vezes não sabiam que estavam comprando, descobriram que tem gates para sair desse mercado. E saindo em prazos pré-determinados durante o ano. E no máximo 5%. Ah, então.

Então, assim, tem várias coisas diferentes. O que mais se assemelha, e mesmo assim a gente tem uma governança muito forte dentro do mercado brasileiro, são os mercados de FIDICs, de multissedentes, multissacados.

Então, aqui ainda assim você tem uma subordinação bastante relevante, casos de 30%, 25% de subordinação de cotas subordinadas e mezaninos para os cotistas sênios. Você tem dados na CVM de carteira aberta, você tem custodiantes que fazem um bom serviço, administradores que acompanham aquele sistema. E a gente tem visto boas performances nesse mercado.

Então, não dá para fazer um para um. O private credit americano é o crédito privado brasileiro. Não, eles são muito diferentes e a gente está na ponta oposta. O Brasil, crédito privado, é ainda high grade. No mercado americano...

Private Credit é High Yield. Então, esse é o cerne das diferenças entre um mercado e outro. Mas nem por isso a gente também não viu algumas coisas que eles fizeram lá fora que são muito interessantes. Por exemplo, parcerias com outras assets para estar próximo da originação de crédito. Tem uma seara muito longa, mas eu vou ficar por aqui para a gente não estender muito esse podcast aqui. Excelente. Boa.

E é importante até para vocês terem uma ideia, quando vocês virem notícias lá fora falando de private credit, a gente não está falando que é algo que pode se estender e ficar igualzinho aqui no Brasil e a gente trazer uma incerteza adicional. Então, é bom fazer esse equilíbrio aqui. Victor, obrigado por ter vindo, obrigado pelo seu tempo. Espero que você tenha gostado e espero te ver outras vezes aqui.

Obrigado pelo convite, as perguntas foram ótimas, é sempre ótimo estar falando com você, falando com os nossos clientes e trazendo informação relevante para separar o que é ruído do que são as oportunidades. Obrigado. Obrigado. Acho que a grande mensagem do momento é clara, o mercado de crédito privado está amadurecendo.

Eventos vão continuar existindo, mas a diferença entre sofrer ou atravessar bem esses ciclos está no processo, na disciplina e na capacidade de dizer não quando o mercado inteiro diz sim.

Para quem investe com análise profunda, gestão ativa e foco em fundamento, a abertura de spreads tende a gerar oportunidades mais interessantes à frente. Se você gostou dessa conversa e quer acompanhar mais discussões desse tipo, siga nosso canal no YouTube e compartilhe esse episódio e continue acompanhando os próximos encontros. Informação, processo e boa gestão fazem toda a diferença no crédito privado.

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