Episódios de RH Pra Você Cast

#230 - Regressiva da NR-1: ainda dá tempo de começar a estruturar do zero?

27 de abril de 202637min
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Não há mais para onde correr. Há menos de um mês para a entrada em vigor do prazo final de adequação às novas exigências da NR-1, é momento das empresas agilizarem o seu planejamento.

Contudo, uma pesquisa recente da Heach revelou que 68% das organizações ainda têm dificuldades para compreender o que está sendo exigido. Fruto de complexidade da norma ou de desinformação?

Para entender melhor as atualizações e também o que as marcas podem fazer para se adequarem da melhor forma, falamos com a nossa colunista Maria Lucia Benhame, advogada, consultora e sócia do escritório Benhame Advogados.

Confira o papo!

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Participantes neste episódio2
B

Bruno

Host
M

Maria Lúcia Benhame

ConvidadoAdvogada
Assuntos3
  • Atualização da NR-1Dificuldades de adequação · Risco psicossocial · Importância da segurança do trabalho
  • Desinformação sobre a NR-1Falta de conhecimento técnico · Impacto na saúde mental
  • Gestão de RiscosPGR e NR-1 · Análise ergonômica
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Fala pessoal, sejam todos muito bem-vindos e bem-vindas a mais um episódio do RH Pra Você Cast. Esse é o ponto de encontro quinzenal para a gente debater os assuntos mais quentes, mais importantes, mais relevantes do momento no universo de gestão de pessoas.

Antes da gente começar o nosso papo de hoje, deixa eu só passar um recadinho. Já aproveitando, deixa o convite para que você nos visite na RH para você. Todo dia tem muito conteúdo novo lá do nosso time de redação, dos nossos colunistas, da nossa comunidade. Deixa o convite também para que você nos acompanhe nas redes sociais da RH para você.

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para fazer parte dessa grande comunidade. E claro, fica também o convite para que você ative o sininho de notificação aqui no YouTube, para que você acompanhe sempre o nosso podcast, para que você sempre fique informado de novos episódios, e também no Spotify ou no seu tocador de preferência, lembrando que a cada 15 dias sempre tem episódio novo aqui na RH para você. Combinado?

Recadinhos dados, hoje é dia de falar de um dos assuntos aí do momento que vem fazendo a cabeça da RH coçar um pouquinho mais, que é a norma regulamentadora, a famosa NR1.

na sua atualização sobre riscos e custos reais. Aqui na Regra para você, a gente sempre tem muito uma abordagem de, poxa, a gente está falando de saúde mental, de riscos, como que a gente pode levar isso para além do jurídico, para além, muitas vezes, de só pensar em questão de multa, de obrigação, e como fazer isso fluir de uma forma mais natural dentro das empresas. Mas o fato...

é que o período de adequação está chegando perto do final, dia 26 de maio é o prazo, então não tem muito como fugir dessa dinâmica de agora ou nunca, né, para vocês começarem a se adequar, entenderem melhor como funciona essa norma.

E quem vai nos guiar nessa conversa tão importante é uma super querida colunista aqui do portal, uma das nossas mais lidas, que já falou muito, inclusive, da NR1, da RH Pra Você, que é a Maria Lúcia Beiam, ela é advogada, consultora jurídica e sócia do Beiam Advogados. Maria Lúcia, prazer contar com você mais uma vez na RH Pra Você Quest.

Obrigada, bom dia, Bruno. Obrigada aí para você convite. É um tema bem importante, né? Mais do que importante, é um tema muito técnico.

Então, eu acredito que essa conversa é bem interessante. A gente está no apagar das luzes da vigência, né? Ela começa no início da vigência, começa agora em maio. E o panorama não está muito alentador. As últimas notícias, inclusive, tem duas colunas da gente no RH para você sobre a NR1.

Aliás, mais de duas tem uma. Quando a gente saiu, depois tem um ano depois. E realmente, nessa última aqui, que foi agora, acho que há dois meses, 68% das empresas sequer sabiam como lidar com a FNR1, ou seja, se espera uma prorrogação de um ano.

para daí ver o que ia fazer. Então, acho que isso que é uma coisa muito importante das pessoas se valerem de pessoas técnicas na área de segurança, de medicina do trabalho, para não cair em soluções que só vão... soluções, eu diria, entre aspas, que só vão piorar a situação.

Com certeza, inclusive esse é um dado muito assustador, 68% das NRE, essa inflex saiu agora em março, então com certeza a gente vai entrar nesse debate, é muito importante a gente dimensionar o que é, o contexto das empresas estão em relação à NRE.

Bom, Mariela, eu acho que esse dado já é o gancho principal para a gente dar início aqui da nossa conversa. Essa é uma pesquisa que a RIM, que os recursos humanos, fez. E, de fato, é muito alarmante você ver um conteúdo em março de 2026 com quase 70% das empresas.

ainda não entendendo a norma, ainda não entendendo como se adequar, sendo que a gente está falando de um prazo que encerra em maio. Então, é uma distância... Sim. Então, eu queria que a gente começasse um pouquinho, dando um pouco de contexto para quem está nos assistindo, para quem está nos ouvindo.

torna essa atualização da NR1 tão complexa para que depois de todo o período de adiamento, a gente ainda tem uma fatia do mercado tão, ainda sem entender, tão perdida, entre aspas, em como se adequar da melhor forma. O que está atrapalhando esse entendimento?

Então, na realidade, o que eu vejo? O que eu tenho visto muito, estou acompanhado o tema, não só em clientes da gente, mas na mídia, webinários e tudo. Primeira coisa, o que é a NRU?

As normas regulamentadoras são a parte prática da legislação de segurança e medicina do trabalho. Então, a segurança e medicina do trabalho são regras que existem na CLT desde 143. Existe todo um capítulo sobre isso na CLT.

E ao mesmo tempo, a CLT, olha, você vai seguir isso de acordo com normas técnicas que vão ser emitidas pelo Ministério do Trabalho. As NRs são estas normas técnicas, tá? As NRs, elas são atualizadas constantemente. A primeira versão delas é de 1978, e a gente tem algumas alterações. A NR1 sofreu uma alteração, e várias NRs sofreram durante muito tempo.

Mas uma primeira foi justamente a criação do PGR, que é o Programa de Gerenciamento de Risco, que você parte de um mapeamento de risco para daí você fazer esse PGR. Então, nesse momento de risco, a redação original da NR, quando surge o PGR...

que inclusive, por que o PGR, coisas que se utilizavam no PPRA, que é uma outra NR, que é a NR9, que sofreu algumas alterações para ficar mais específicas em relação a alguns itens, ela não deixou de existir por causa do PGR. O que o PGR trouxe? A necessidade de mapeamento dos riscos, ou seja, de todos os riscos.

Na época, no final de 2021, 2022, quando você começa a ter essas alterações todas, a NR17 também sofreu uma alteração. E a NR17 sofreu uma alteração bastante importante na forma de você fazer os que a gente chama de AET, que é a análise ergonômica preliminar, e a AET, que é a análise ergonômica de trabalho.

Uma é mais geral, a outra se eu detecto alguns riscos, eu vou fazer uma individual de cada posto de trabalho. Não são pessoas, tá? A gente nunca está falando de pessoas em NR. A gente está falando de postos de trabalho. Ela já trazia necessidade do mapeamento do risco psicofisiológico. Em 2022, tá? E quando eu falo da NR1, que eu tenho que mapear todos os riscos, são todos os riscos.

Estava escrito nela químico, físico, biológico e psicossocial. Estava escrito todos os riscos. Nem por isso as pessoas não mapeavam risco químico e biológico. Por que eu acho que as pessoas não mapeavam psicossocial? Porque é um assunto não estudado, tabu, e que elas têm medo de tocar. Por que elas têm medo? Por um desconhecimento do assunto. E um desconhecimento do assunto técnico. O que vai te orientar?

Quem vai te orientar é segurança e medicina do trabalho. É um médico do trabalho especializado, é um ergonomista, é um psicólogo que sabe, né? Quer dizer, um psicólogo que sabe lidar, conhece o ambiente corporativo, porque você está falando de nexo causal, você não está falando de pessoas. Então, não é um psicólogo para ver se você está bem. Não é um mapeamento de risco para ver se você está bem. É um mapeamento de risco de condições de trabalho. É completamente diferente.

E eu acho que isso é o que mais congelou as empresas no medo de não saber lidar, porque elas não foram atrás de pessoas técnicas. Então, sempre que um cliente conversar comigo, ele fala, bom, a gente precisa ser alguém com o seu César, porque eu sou Serviço de Segurança e Medicina, eu trabalho, eu preciso ver como ele pretende fazer o mapeamento. Não sou eu que vou ter.

Não é RH que vai dizer, não é compliance que vai dizer. NR1 não é assédio moral. O NR1 é um tema extremamente complexo. Para você ter uma ideia, o Ministério do Trabalho soltou um guia, acho que foi em janeiro, sobre o psicossocial. E depois, em março, ele soltou um manual da NR1. E todo mundo, ah, saiu o NR1, o novo manual da NR1 do psicossocial. E não, gente, esse manual é um manual geral. Químico, físico, biológico, ergonométrico, tudo.

E esse manual remete para o Guia de Janeiro. Então, você vê que as pessoas não sabiam nem conseguir interpretar o que era esse manual, porque não eram pessoas que tinham conhecimento de área técnica. Eu consigo...

transitar um pouco nessa área técnica e jurídica, porque eu trabalho há 38 anos com consultoria, e quando eu comecei a trabalhar, a gente trabalhava muito dentro das empresas. Então, eu conheço os ambientes, os ambientes de fabriz, as máquinas e tudo, fui me aprofundando nessa área de segurança do trabalho sempre com parceiros técnicos. Então, eu não sou um palpite técnico, quem dá é o meu parceiro técnico. Eu acho que isso é muito importante. Eu acho que esses 68% correm.

de uma paralisação, de um medo de ver um monte de informação desculpa, errada, né, Nete? E não procurar a pessoa certa. É o seu serviço de segurança de medicina e trabalho. Ah, o seu serviço de segurança de medicina e trabalho não sabe. Bom, então vamos procurar uma pessoa técnica que saiba.

É isso. Aí o jurídico vai entrar, o RH vai entrar, o comparto atualmente quando a empresa tiver, a maior parte não tem, mas só as maiores, vai entrar, mas vai entrar a partir de um mapeamento de risco feito pelo Serviço de Segurança Medicina. Entendeu? De condições de trabalho, não de pessoas. Para saber se o empregado está feliz, está contente, não é dar duas sessões de psicólogo e comprar um multibenefício que tem consultoria.

é mapear condições de trabalho. Eu acho que esse é um ponto muito chave, e eu até ia te perguntar, se além desse fator de desinformação, as empresas, a gente não tem muitas vezes uma cultura de prevenção, o trabalho é aquela dinâmica de lidar com o problema quando o problema já existe.

Eu queria até entender um pouco, Maria Rússia, se na verdade, junto com a desinformação, as empresas estão subestimando esse termo-chave do risco psicossocial. Porque muitas vezes uma questão mental, uma questão emocional, ela não é tão explícita. Então, de você olhar como um acidente físico, por exemplo.

Então, só por aí você já imagina que tem uma complexidade maior para identificar o quadro de alguns colaboradores, esse cenário dentro das empresas. Mas você acha que passa um pouco por aí também das empresas estarem varrendo um pouco para baixo do tapete e se conformando, de certa forma, e não saber tudo o que elas precisam saber agora? Porque há um pouco desse sentimento de que, pelo menos, pelo menos,

psicossocial a gente consegue dar uma improvisada a gente não precisa olhar tanto agora porque ele não é tão visível, tão explícito tem um pouquinho disso também

Eu acho que tem essa questão de achar, porque eu vejo, inclusive, as minhas vezes falando assim, como eu vou saber se a pessoa está deprimida, se ela está com algum problema em casa ou não? Mas o mapeamento não é para saber se o fulano de tal está deprimido ou se o fulano de tal está feliz. É assim.

Quais são as condições de trabalho na sua empresa? Você não vai fazer questionário de pesquisa de clima, como eu vi por aí, o pessoal dizendo assim, vamos fazer um questionário de pesquisa de clima, e aí você coloca isso. É assim, você tem excesso de jornada? Então, quando você vai fazer esse mapeamento de risco, o que serve? A gente vai olhar, por exemplo, controle de jornada. Ele vai ver o quê? Quantas horas os trabalhadores trabalham nessa empresa, em média?

Os intervalos são respeitados? O descanso semanal remunerado é respeitado? As pessoas tiram férias? E quando tiram férias, realmente tiram férias? Então, primeira situação.

Segunda situação, o que eu vou analisar? Quais são essas condições de trabalho? As pessoas trabalham sob muita pressão. É um trabalho que, às vezes, de maneira aderente, você tem essa pressão. Décadas atrás, décadas mesmo, tá? Do tempo que tinha ambulância em frente ao Fórum de Omen. A UAB fez uma pesquisa sobre saúde mental dos advogados. Bom dia.

E uma das coisas que mais gerava problemas de doença mental nos advogados era o fruto do seu trabalho, o resultado do seu trabalho não depender de você. E a organização do seu trabalho não depender de você. Principalmente o pessoal que trabalha com incontencioso.

Por quê? Porque eu lembro que, assim, eu fiz um curso uma vez, até por causa de um trabalho voluntário sobre gestão de tempo, e aí eles me perguntaram o que você faz, né? Porque eu trabalhei mais com contenções de consultivo, mas hoje eu tô mais só consultivo. Mas, enfim, eu falei, olha, eu faço tudo no dia que cheira.

Ah, mas você não consegue ver o que é mais... Eu falei, não, porque quem vai lhe dizer o que eu tenho que fazer, a hora que eu tenho que fazer é o diário oficial. E eu sei, ele vai publicar amanhã. Então, eu tenho que me organizar. Então, isso era uma coisa que angustiava muito o advogado. Como que eu me organizo com isso? E outra, às vezes tinha dois casos iguais, julgados por juízes diferentes, que não era resultado. Como que você explica isso para o seu cliente?

Então, isso é, na época, essa pesquisa foi feita e foi, então, é uma condição inerente da advocacia, é que nem a advocacia vai falar, não guarda audiência, tá, vai para o contrato, vai para uma área que você não tem audiência, você não vai escapar dela se você fizer contencioso, né? Então, é mais ou menos mapear condições inerentes daquela profissão, daquela atividade, daquele cargo.

criar mecanismos de controle de algo que você não vai tirar dele. Você não vai tirar de um auditor o prazo de entrega de um auditor em relatório. E você não vai tirar do auditor e do advogado a pressão de que você não pode errar. Como que você vai lidar com isso? É aí que entra a questão de minimizar, mapear e gerenciar o risco.

Então, esse também tem que precisa ser feito. São condições de trabalho naquele ambiente. Aí eu vou... Ah, como que está o meu canal de denúncia? Lei 14.457. Todo mundo tem que ter... Todo mundo que tem SIPA, no mínimo, tem que ter canal de denúncia. Ele funciona.

As suas denúncias estão indo para o seu canal de denúncia ou estão indo para o Ministério Público do Trabalho? Primeiro ponto para você analisar. O que se faz com as denúncias? Elas são documentadas, elas são analisadas, emite-se o relatório, tudo está documentado. Eu tenho essas questões. Essa denúncia já me mostra algum problema no ambiente de trabalho? É isso que a gente vai fazer primeiro. É um mapeamento macro.

que é o que o SESMIC vai fazer. E esse mapeamento, depois desse mapeamento de IPGR, eu vou para o NR17, obrigatoriamente. Lembrando que o NR17, o IPGR, ele não é para todas as empresas, MEI, microempresas, não vamos ter um IPGR, pode ter um documento mais simples, mas a EPAET não.

Então, eu vou ter que mapear dentro de NR17 com todos aqueles critérios, né? E o ergonomista, por exemplo, é uma pessoa que tem treinamento, às vezes, nessa parte de risco psicofisiológico, ele vai mapear tudo isso. O que eu vou mapear também? Eu vou mapear como um risco não psicossocial, mas psicofisiológico, da questão da doença mental oriunda de produto químico.

que existe, eu vou mapear, e isso é uma das coisas que a empresa deveria ter feito há muitos anos, e eu não vejo ninguém fazer há décadas, que é analisar o NETEP. O que é o NETEP? Tem muita gente que fala assim pra mim, mas o NETEP não precisa estar no meu PGR. O NETEP não precisa estar no PPRA. O que não precisa estar?

Não, porque ele tem fins previdenciários, então ele tem fins previdenciários para dizer, olha, esta doença está diretamente relacionada à sua atividade cômica, e se alguém desenvolver esta doença, é uma doença do trabalho. O que isso te gera? Instabilidade, indenização por dano moral, indenização por dano moral, você não vai mapear...

E várias vezes que eu faço auditoria, eu olho os lagos e não tenho um capítulo falando de NETEP. E tem um NETEP para doença mental. E tem um NETEP para doença mental em atividades como fabricação de autopeças para o motor.

Eu não estou falando só da parte financeira, que todo mundo fala, a financeira, realmente, a financeira, quando nasceu o DETEP e FAP, o seguro de trabalho da área financeira de risco 1 passou para risco 3, por um mapeamento que foi feito estatístico da quantidade de pessoas que desenvolvem doença mental na área financeira em relação à população em geral. Então, tudo isso eu tenho que mapear no meu PGR.

E eu vou mapear tudo, risco químico, físico, biológico, risco social, ergonômico, tudo. É tudo. Não dá pra escapar de nada. E é só PGR, é só INR, é só uma multa administrativa. O Ministério Público do Mário tá atuando em saúde mental já há alguns anos e eles fizeram uma formação na Unicamp. Então, as pessoas que cuidam do assunto como um controle, vamos dizer assim, estão se formando. E as empresas não.

Então, acreditar que você vai só fazer uma pesquisa de clima, se os seus empregados estão felizes, não é isso, entendeu? Você tem que ter pessoa técnica. Partindo desse pressuposto que esse episódio é um pouco mais voltado, de fato, a essas empresas que estão com mais dificuldade de adequação, de entendimento, e não necessariamente já está avançado nesse processo.

Eu queria que você falasse um pouquinho, Maria, você pensando, eu não vou dizer num ponto de partida, porque se tem alguém começando do zero agora, acho que o nível de correria vai ser um pouco mais alucinante do que o normal, né? Sim, com certeza. Para quem está pegando agora e está...

Vamos sentar aqui, entender se é bem calmo, o que a gente tem que fazer, o que a gente tem que mapear. O que você definiria hoje como prioritário para que essas empresas tenham pelo menos um ponto de partida ali na adequação, cheguem com algo um pouco mais estruturado? Eu acho que o ideal é chegar com tudo pronto, tudo montadinho. Mas até sendo um pouco realista, considerando esse prazo agora já curto,

essa contagem regressiva, o que você definiria como primordial para a gente? Terminou o episódio? Começa a olhar para isso aqui agora, que não dá mais tempo para ficar enrolando. Então, é...

Primeiro, é uma reunião profunda com o Serviço de Segurança e Medicina do trabalho da empresa, seja próprio, seja terceirizado, e saber como eles estão lidando com a situação. O mesmo tipo de mapeamento que você faz, risco químico, risco biológico, é o que você faz para a psicossocial. E aí, a metodologia, você vai verificar com aquela empresa. E quem sabe qual é a melhor metodologia? É o advogado? Não, é o SESMIT.

Eu tenho conhecimento técnico, eu tenho pra dizer assim, olha, se você for fazer uma pesquisa de clima, um questionário por grupo, um questionário com três, quatro perguntas, perguntando se a pessoa tá feliz e se ela gosta do chefe dela, eu, como advogada, vou te dizer, não, faça porque você tá fazendo coisa...

Mas eu espero que os SESMIT saibam fazer isso de maneira técnica. Eu, por exemplo, tenho uma que trabalha comigo nessa área. Não só de risco de risco social. Na parte de segurança, medicina, eu trabalho para auditoria e tudo isso. E a gente já conversou bastante sobre isso. Então, você tem que verificar uma ferramenta que seja capaz de avaliar esses riscos. E você vai... A primeira coisa, você vai observar...

A empresa, você vai observar como o trabalho se desenvolve, foi aquilo que eu falei. Qual é o tipo de atividade? Como é a jornada de trabalho? Existem afastamentos médicos? Quais são esses afastamentos médicos? Tudo isso você vai analisar de uma maneira geral. Quais são os fatores que podem desencadear um risco psicossocial dentro da atividade empresarial? O SESB tem que saber disso. E ele vai falar, como eu vou mapear se isso existe aqui ou não?

quando eu faço essa avaliação macro, aí eu vou precisar de um questionário ou não, e se for precisar, é um questionário, tem que ser um questionário validado, e o questionário que você tem de OMS, você tem de OIT, você tem vários questionários já muito antigos e validados por esses organismos, mas que você vai questionar aquela atividade.

aquele trabalho, aquele posto de trabalho, não há pessoa, tá? Como que eu vou saber se aquela pessoa tem um problema pessoal ou não? Aí o médico do trabalho no exame, que não pode fazer um exame de risco, não vai fazer um exame médico, seja o periódico, o que for, ele não pode fazer um exame médico de 10 minutos, você tá bem? Então eu tô bem, deixa eu medir sua pressão e pronto, tá bom, tá?

Porque se você conversa, então a gente tem clientes que o médico, o serviço médico do trabalho, faz um exame mais dooso. Então, quando às vezes a gente recebe uma ação que a pessoa fala de um risco, porque ficou deprimida, porque isso, porque aquilo...

Ou o médico falou para a defesa, eles apresentam um relatório técnico, não tem como você olhar para o celular e nem ter informações, mas assim, essa pessoa tem outras situações pessoais que vai ter que ser analisada na perícia. Por quê? Como o problema é muito cuidadoso, você sabe que aquela pessoa tem problemas pessoais que geraram isso.

Então, às vezes você tem, não só o médico, mas algumas empresas, você tem um assistente social, quando é uma empresa maior, assistente social, você vai saber disso, se ela realmente está... Então, é este olhar diferenciado entre condições de trabalho e o profissional e a questão pessoal. Se você mostra que as suas condições de trabalho tapeou os riscos, você reduziu esses riscos, ou extinguiu com eles, deu tempo.

Vou fazer um controle maior de jornada de trabalho. Não vou permitir, eu tenho cliente que não permite depender dos cargos, fracionem férias. Tem que tirar os 30 dias. Ou no máximo 20, porque tirou férias coletivas.

Porque são cargos que o serviço médio, eles precisam descansar 30 dias. Não dá para sair 14 e depois sair 5 porque a pessoa não vai descansar, não vai desligar. Então, por política interna, apesar da lei permitir o fracionamento, a empresa não permite. A gente fala, não, aqui no PIN vai sair, sim. E aí, no começo do ano, você vai e mapeia as férias de todo mundo e põe todo mundo de férias, porque não tem segredo, é só organização.

Então, tudo isso é o que você vai fazer agora. Primeira coisa, você vai se reunir com o seu César. A gente sabe fazer isso? Não, não sabe. Vamos procurar um serviço de segurança e medicina, trabalho que saiba. E vamos chamar para fazer esse mapeamento. E vamos começar um mapeamento técnico. Esse serviço vai olhar para aquela empresa porque você não vai, não tem uma receita de bolo. Todo mundo vai mapear assim. Não, depende. Você tem empresa financeira, você tem empresa industrial, você tem riscos diferentes de atividades diferentes.

Você tem fatores desencadentes de questões de saúde mental a depender da atividade, como eu te falei, da advocacia, da auditoria, da contabilidade. O contador, por exemplo, também é solidariamente responsável por erros que ele pratica. Então, você imagina, você estava trabalhando sempre sobre a atenção. Você não pode errar. Como que eu...

vamos assim, relaxo, como que eu faço com que aquela pressão que é inerente àquela atividade, não seja tão pesada e eu consiga que a pessoa tenha uma saúde mental melhor? É isso, você vai ter que ter uma análise técnica, entendeu? E aí, você vai...

Vou precisar fazer treinamento? Então vamos fazer treinamento. Treinamento de jornada. Eu já dei treinamento de jornada. De regras de segurança e medicina. Eu trabalho para a liderança e empresa. Porque muita coisa que acontece errada é por desconhecimento. É uma área muito desrespeitada a relação de trabalho, né? Vamos ser sinceros. Então, você precisa fazer isso. Ah, eu vou... Depois que eu fizer isso, eu vou... Eu vou precisar fazer o questionário ou não?

Não é todo mundo que vai fazer, entendeu? Vai depender muito da técnica que está sendo usada.

Mas, pelo amor de Deus, não usem questionários não validados para isso. São questionários técnicos, não é pesquisa de clima, não é para saber se as pessoas estão felizes, não é para saber se a comida está boa no almoço, entendeu? Eu acho que isso que é o mais importante. E tentar fazer isso com o mais rápido possível, porque é maio e tá aí, né? Perfeito. Marilu, caminhando para o final aqui do nosso papo.

Eu acho que eu falando muito, Jan, nesses anos que eu expulso aqui no RH para você, poucas vezes eu vi um tema tão difundido, assim, de não ter um único evento de RH, de segurança do trabalho, que não esteja abordando. Então, a NRM está sendo, de fato, muito discutida.

E eu queria fechar com uma opinião sua, essa visão como advogada que está acompanhando de perto, que está atendendo clientes, que tem essa demanda. A gente pode interpretar um pouco essa atualização como uma virada de chave, entre aspas, definitiva para que, enfim...

as empresas comecem a olhar com carinho, com atenção, pro psicossocial também? Ou será que ainda vai ser necessário mais do que isso? Ou, na verdade, será que a NRI1 está sendo um pouco demais e a abordagem devia ser outra? Então, será que finalmente é o tópico do aumento emocional e instinto virar uma falta de equipe para as empresas?

O que eu percebi? Eu percebi que as pessoas não sabiam nem que a NR existia. Eu me recebi. Foi o primeiro ponto. Tá. As empresas têm um costume de não olhar para a segurança e medicina do trabalho como algo profundo. Você pega muito, quando eu faço auditoria, você pega muito laudo simplista. Que é aquele mesmo laudo que vem e fala. O PGR é o programa dinâmico.

Você não vai fazer o PGR hoje, por exemplo, no mapeamento de risco químico, físico, biológico e social, e ele vai ficar parado por dois anos, que é o período dele de validade. Não, tudo que acontecer naquele período, ele vai ser revisto.

Então, eu sei que eu tenho um risco aqui, eu tomei medidas, mas eu vou reescrever dizendo, olha, eu tomei tal medida, o risco foi extinto ou foi minimizado. Então, a primeira coisa que eu percebi, as pessoas não sabem o que é segurança e medicina do trabalho, as empresas não olham com isso com seriedade, a maior parte dos advogados não sabem nem o que é NR1, o que é segurança, o que não é. Então, isso para mim foi o mais grave, e é por isso que eu vi muita desinformação, é por isso que eu vi muita palestra falando de coach.

falando de comportamento, falando de treinamento de assédio, falando de questionário de pesquisa de clima, porque a pessoa não sabe o que é uma NR1. Ela não sabe o que é uma NR17, que já tinha que mapear isso desde 22.

Então, eu espero que, pelo menos se discutindo e se buscando pessoas técnicas com conhecimento real, as empresas comecem a perceber a importância da segurança e medicina do trabalho. Quando o nexo previdenciário surgiu, o NETEP, e com o FAP, né?

Eu fui num treinamento da própria Previdência Social na época, pra você ter uma ideia de quanto tempo faz isso, foi num hotel lá na Santa Fisânia. A pessoa do INSS mostrou toda a metodologia, foi muito bem feito, tá?

do ponto de vista técnico, foi muito bem feito o NetApp pra criar o FAP. E foi muito inteligente no seguinte sentido, o meu FAP é o mesmo do meu concorrente, porque ele é com base na atividade econômica. Então, o que eles pensaram? E pensaram certo por um lado, mas por eles não conhecerem as empresas, eles acharam que ia dar um resultado que não deu. Vamos fazer as empresas virem.

a segurança do trabalho como um investimento. Verem as relações de trabalho, consultivo na área da relação de trabalho como um investimento. Não, elas continuaram não vendo. Mas por quê? Qual era o raciocínio? Quando eu crio o Netep e o FAP, e esse FAP é o multiplicador do meu seguro gestante de trabalho na minha folha de pagamento, se eu tomo cuidados e o meu FAP baixa, e o meu concorrente direto não toma cuidado, a mão de obra dele fica mais cara que a minha.

Opa, então eu vou investir para realmente ter um controle. Mas as empresas, infelizmente, não fizeram isso. Não olham para a NETEP, não fazem contestação de NETEP. Então, assim, o que isso tudo me mostrou? Que esta é uma área que precisa ser discutida nas empresas.

Não é uma área para compliance, não é uma área só para jurídico, não é uma área só para RH, é uma área de segurança e medicina do trabalho com alta direção para dar importância ao tema e a assessoria. Depois de todo um mapeamento...

Aí sim, jurídico, a participação do RH nas medidas que o SESMIT vai dizer, olha, é importante fazer isso e isso, então o RH vai ajudar a desenvolver, não é o RH que vai decidir o que vai fazer, não é o compliance que vai decidir o que vai fazer, não é o jurídico que vai decidir o que vai fazer. A gente vai trabalhar depois do SESMIT.

para ajudar que o projeto dê certo. Só que se você não tem uma alta direção da empresa, dando importância ao tema de segurança, medicina e trabalho, e as relações de trabalho, quando você vê empresas colocando sistemas de ponto que não são tão rígidos, quando você tem empresas não olhando para isso, então, assim, o que eu espero? E eu não estou falando só de psicossocial. Eu acho que o psicossocial veio para assustar e eu não estou falando só de psicossocial.

e mostrar todo o desconhecimento macro de normas regulamentadoras. Então, eu acho que, não sei, para mim eu espero que o que eles tentaram com o FAPI atrás, hoje aconteça, e realmente as empresas comecem a olhar com seriedade para essa área de segurança e medicina do trabalho, e saibam que é um trabalho multidisciplinar depois de um aviamento técnico bem feito. Perfeito.

Glória a você mais uma vez, eu queria agradecer muito a sua disponibilidade, a sua participação. É tudo que você trouxe, né? Clareando um pouquinho o entendimento aí dessa forma regulamentadora. Eu acho que o ponto primordial que você trouxe, né? Que a gente fala tanto do RH, do RH, do RH.

mas talvez não estejamos falando tanto da segurança do trabalho. Então, de novo, muito obrigado. Que é muito importante. Em relação ao tema tão crucial e que, de fato, agora não tem mais volta, a contagem regressiva começou.

Pois é. Obrigada, Bruna, de a gente poder estar discutindo isso e tentar mostrar para as empresas de diferentes atividades e diferentes portos a importância do tema e a importância desse tema ser um tema técnico. Eu acho que é muito importante isso. Perfeito.

Bom, pessoal, se você está acompanhando esse episódio no dia que ele está indo ao ar, que é o dia 27 de abril, então a gente está exatamente naquele período de um mês, que é o período aí, o limite do prazo, quando a NR1, a sua atualização, entra em vigor de vesca no dia 26 de maio.

Eu espero que tudo que a Maria Lúcia Benhami tenha trazido auxilie vocês de alguma forma, realmente é muito importante, um tema técnico, um tema que vai continuar sendo disponível. Como ela trouxe também, sempre tendo esse cuidado de buscar as informações certas, o conteúdo correto.

que realmente está muito difundida, está um pouco em excesso em alguns momentos, mas eu acho que o grande desafio está em entender de fato quem está passando a mensagem correta, ainda mais agora que, mais uma vez, reforçando, a contagem regressiva começou.

Então vamos chegar dia 26 de maio e com todo mundo alinhado à NRU. Combinado? Recadinhos finais então. Deixo novamente os convites para que você nos acompanhe nas redes sociais, no Instagram, no LinkedIn. E para que você confira o RH para você. E claro, a coluna da Maria Lúcia Benhame. Uma coluna super atual. Sempre tem assuntos muito importantes, relevantes, assuntos que estão...

mexendo com o RH, com as empresas agora no momento, então vale conseguir, é uma das comunas mais acessadas do portal e não é à toa, sempre tem conteúdo muito bacana por lá, bom, recados dados, então é isso pessoal, bom dia aí para vocês, uma boa semana, e nos vemos e nos ouvimos no próximo episódio do RH para você quer, até mais.

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